O slideshow foi denunciado.
Memorial 2
Semen est verbum Dei.
O trigo que semeou o pregador evangélico, diz Cristo que é a palavra de Deus.
Os espinhos...
religiosa e a conversão das pessoas ao catolicismo, que havia perdido fiéis para a
Reforma Protestante.
No decorrer o serm...
mundanos. No sermão proferido, o Padre também procura criticar a outra facção do
Barroco, logo a utilizar o púlpito como t...
pregação da palavra de Deus. Tantos pecadores convertidos, tanta mudança devida,
tanta reformação de costumes; os grandes ...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Trabalho pronto erika

1.121 visualizações

Publicada em

  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Trabalho pronto erika

  1. 1. Memorial 2 Semen est verbum Dei. O trigo que semeou o pregador evangélico, diz Cristo que é a palavra de Deus. Os espinhos, as pedras, o caminho e a terra boa em que o trigo caiu, são os diversos corações dos homens. Os espinhos são os corações embaraçados com cuidados, com riquezas, com delícias; e nestes afoga-se a palavra de Deus. As pedras são os corações duros e obstinados; e nestes seca-se a palavra de Deus, e se nasce, não cria raízes. Os caminhos são os corações inquietos e perturbados com a passagem e tropel das coisas do Mundo, umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam, e todas passam; e nestes é pisada a palavra de Deus, porque a desatendem ou a desprezam. Finalmente, a terra boa são os corações bons ou os homens de bom coração; e nestes prende e frutifica a palavra divina, com tanta fecundidade e abundância, que se colhe cento por um: Et fructum fecit centuplum. Este grande frutificar da palavra de Deus é o em que reparo hoje; e é uma dúvida ou admiração que me traz suspenso e confuso, depois que subo ao púlpito. Se a palavra de Deus é tão eficaz e tão poderosa, como vemos tão pouco fruto da palavra de Deus? Diz Cristo que a palavra de Deus frutifica cento por um, e já eu me contentara com que frutificasse um por cento. Se com cada cem sermões se convertera e emendara um homem, já o Mundo fora santo. Este argumento de fé, fundado na autoridade de Cristo, se aperta ainda mais na experiência, comparando os tempos passados com os presentes. Lede as histórias eclesiásticas, e achá-las-eis todas cheias de admiráveis efeitos da pregação da palavra de Deus. Tantos pecadores convertidos, tanta mudança de vida, tanta reformação de costumes; os grandes desprezando as riquezas e vaidades do Mundo; os reis renunciando os ceptros e as coroas; as mocidades e as gentilezas metendo-se pelos desertos e pelas covas; e hoje? -- Nada disto. Nunca na Igreja de Deus houve tantas pregações, nem tantos pregadores como hoje. Pois se tanto se semeia a palavra de Deus, como é tão pouco o fruto? Não há um homem que em um sermão entre em si e se resolva, não há um moço que se arrependa, não há um velho que se desengane. Que é isto? Assim como Deus não é hoje menos omnipotente, assim a sua palavra não é hoje menos poderosa do que dantes era. Pois se a palavra de Deus é tão poderosa; se a palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, porque não vemos hoje nenhum fruto da palavra de Deus? Esta, tão grande e tão importante dúvida, será a matéria do sermão. Quero começar pregando-me a mim. A mim será, e também a vós; a mim, para aprender a pregar; a vós, que aprendais a ouvir. (Passagem retirada do site: http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/sexagesi.html) a) Contextualização – explique,com suas palavras, sobre o assunto tratado. O “Sermão da Sexagésima” é um dos mais importantes sermões de Pe. Antônio Vieira. Nos seus sermões mesclava sua formação jesuítica com a estética barroca, expressando em prosa sacra. Nesse sermão é incorporado a pregação da semeadura, ensinada por Jesus, utiliza-se das metáforas, a semente do trigo, a pedra e o espinho que representam, em sua totalidade, um significado mais amplo: referem-se à semeadura
  2. 2. religiosa e a conversão das pessoas ao catolicismo, que havia perdido fiéis para a Reforma Protestante. No decorrer o sermão, Vieira questiona o porquê da Palavra de Deus “fazer pouco fruto“. Como é comum nos sermões, o pregador faz uso de perguntas que ele mesmo responde, recurso que permite conduzir o raciocínio lógico do ouvinte. Ele atribui a este questionamento três possibilidades de resposta: as falhas podem ser do pregador, do ouvinte ou de Deus. Na busca de identificar de quem é a “culpa” pelo “pouco fruto da Palavra de Deus”, o pregador inocenta de imediato, Deus, utilizando para isso um argumento de fé. Sendo Deus inocentado, a culpa passa a ser ou do pregador ou do ouvinte. Vieira utiliza, neste caso, a alegoria do trigo mesclando com a parábola do semeador proferida por Jesus (S. Mateus: 13), explicando que se a semente não vinga, quando semeada, não é por causa da qualidade da semente, mas do ambiente: os espinhos e pedras no solo. Vieira, de maneira tão criativa e poética, atribui a culpa toda e exclusivamente ao pregador: “por culpa nossa”, como ele mesmo afirma. Levando em consideração o esquema que construímos com base em suas analogias, inferimos que isso se deve ao fato de que os pregadores não estão mais convencendo seus ouvintes da veracidade de sua doutrina, seja por ser um discurso vazio, hipócrita, resumindo no “Fazei o que eu digo, mas não o que eu faço”. b) Analise a forma como o produtor de texto utiliza a linguagem para tratar o assunto considerando os estudos da Análise do Discurso. Pe. Antonio Vieira empregava diversos elementos de retórica no sermão analisado. O assunto básico do sermão, à primeira vista, é a discussão de como é utilizada a palavra de Cristo pelos pregadores. Analisando mais profundamente o sermão é possível notar que o autor vai além do objetivo da catequese, adotando atitude crítica da codificação da palavra. O tema principal do Sermão da Sexagésima é a “Parábola do semeador”, tirada do Evangelho segundo São Lucas: Semen est verbum Dei (A semente é a palavra de Deus). Neste sermão, o Padre Vieira usa a metáfora “pregar é como semear”. Vieira resume e comenta a parábola: “um semeador semeou as sementes que caíram pelo caminho, pelas pedras ou entre os espinhos. Apenas parte delas caiu em terra boa.” Traçando paralelos entre a parábola bíblica sobre o semeador que semeou nas pedras, nos espinhos (onde o trigo frutificou e morreu), na estrada (onde não frutificou) e na terra (que deu frutos), Vieira critica o estilo de outros pregadores contemporâneos seus dizendo que pregavam mal, sobre vários assuntos ao mesmo tempo (o que resultava em pregar em nenhum), ineficazmente e agradavam aos homens ao invés de pregar servindo a Deus. No Sermão, o padre se interessava em saber o motivo de a pregação católica estar surtindo pouco efeito entre os cristãos. Sendo a palavra de Deus tão eficaz e tão poderosa, pergunta ele, como vemos tão pouco fruto da palavra de Deus? Depois de muito argumentar, Vieira conclui que a culpa é dos próprios padres. Eles pregam palavras de Deus, mas não pregam a palavra de Deus, afirma. Dito de outra maneira, o jesuíta reclama daqueles que torcem o texto da Bíblia para defender interesses
  3. 3. mundanos. No sermão proferido, o Padre também procura criticar a outra facção do Barroco, logo a utilizar o púlpito como tribuna política. O gênero discursivo utilizado no texto é o sermão. O sermão aborda uma temática religiosa e predomina uma das características do Barroco, que é o conceptismo. Vieira em seu sermão se preocupa com o conteúdo, fazendo uso da metalinguística, fazendo comparações, metáforas, apresentando o mesmo estilo da pregação de Jesus. Consistia no uso de correspondências alegóricas, de conhecimento geral, para que seu discurso seja assimilado e compreendido de forma prática, mostrando o poder da arte de pregar através de sermões. Como enunciado, temos o texto em si, as palavras escolhidas e como enunciação, o evento de proferi-lo. Assim sendo, aqui a enunciação é um fenômeno múltiplo. Ocorreu uma enunciação quando o autor escreveu o sermão, outra quando ele leu esse sermão para os fiéis, outra quando o leitor leu o texto hoje em dia. Procure identificar no texto as características que permitem enquadrá-lo no discurso religioso e teológico. Semen est verbumDei.  Uso de latim, especialmente o mais antigo, adotado como língua oficial da Santa Sé (órgão de governo da igreja católica) é a marca maior do discurso cristão. O trigo  Metáforas estendidas/ analogias, também característico de sermões. Elas tomam este parágrafo todo. Esta metáfora em particular é muito produtiva no discurso teológico, que é a metáfora da plantação. Que semeou o pregador evangélico, diz Cristo que é a palavra de Deus. Os espinhos, as pedras, o caminho e a terra boa em que o trigo caiu, são os diversos corações dos homens. Os espinhos são os corações embaraçados com cuidados, com riquezas, com delícias; e nestes afoga-se a palavra de Deus. As pedras são os corações duros e obstinados; e nestes seca-se a palavra de Deus, e se nasce, não cria raízes. Os caminhos são os corações inquietos e perturbados com a passagem e tropel das coisas do Mundo, umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam, e todas passam; e nestes é pisada a palavra de Deus, porque a desatendem ou a desprezam. Finalmente, a terra boa são os corações bons ou os homens de bom coração; e nestes prende e frutifica a palavra divina, com tanta fecundidade e abundância, que se colhe cento por um: Et fructum fecit centuplum. Este grande frutificar da palavra de Deus é o em que reparo hoje; e é uma dúvida ou admiração que me traz suspenso e confuso, depois que subo ao púlpito. Se a palavra de Deus é tão eficaz e tão poderosa, como vemos tão pouco fruto da palavra de Deus? Diz Cristo  A própria presença de Deus e Cristo como autoridades já marcam o discurso como religioso (cristão). ... que a palavra de Deus frutifica cento por um, e já eu me contentara com que frutificasse um por cento. Se com cada cem sermões se convertera e emendara um homem, já o Mundo fora santo. Este argumento de fé, fundado na autoridade de Cristo, se aperta ainda mais na experiência,comparando os tempos passados com os presentes. Lede as histórias eclesiásticas  Aqui percebe-se a presença da Bíblia novamente. ... e achá-las-eis todas cheias de admiráveis efeitos da
  4. 4. pregação da palavra de Deus. Tantos pecadores convertidos, tanta mudança devida, tanta reformação de costumes; os grandes desprezando as riquezas e vaidades do Mundo; os reis renunciando os ceptros e as coroas; as mocidades e as gentilezas metendo-se pelos desertos e pelas covas  Aqui a presença de muitas antíteses, talvez também característica de quem separa o mundo em Céu e Inferno. É possível perceber também que ele opõe o Mundo e Cristo/Deus/Igreja; e hoje? -- Nada disto. Nunca na Igreja  Igreja com letra maiúscula. A capitalização de Igreja e essa determinação (“A” Igreja, sendo a Igreja Católica Apostólica Romana) escapou para o nosso dia-a- dia, faz parte de nossa cultura, até da nossa língua, mas deve ter começado no discurso religioso católico (aliás, ele também “capitaliza” Mundo) de Deus houve tantas pregações, nem tantos pregadores como hoje. Pois se tanto se semeia a palavra de Deus, como é tão pouco o fruto?  Ao que posso notar, este tipo de pergunta retórica é característico de sermão, até porque é pra ser falado. É interessante mencionar que o sermão se coloca no continuum de língua falada/língua escrita bem mesmo na fronteira, pois, embora seja falado, com frequência é escrito antes. O registro do texto também costuma ser mais formal, sobretudo à época dele. Hoje já temos sermão informal. Não há um homem que em um sermão entre em si e se resolva, não há um moço que se arrependa, não há um velho que se desengane. Que é isto? Assim como Deus não é hoje menos omnipotente, assim a sua palavra não é hoje menos poderosa do que dantes era. Pois se apalavra de Deus é tão poderosa; se a palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, porque não vemos hoje nenhum fruto da palavra de Deus? Esta, tão grande e tão importante dúvida, será a matéria do sermão. Quero começar pregando- me a mim. A mim será, e também a vós; a mim, para aprender a pregar; a vós  Nota- se em “vós” uma prova do registro mais formal. Se bem que, como é um texto histórico, fica difícil de saber se “vós” na época era formal ou não. O mesmo vale para as mesóclises.

×