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Psicogênese da Língua Escrita:
contribuições, equívocos e consequências para a alfabetização
Onaide Schwartz Mendonça
Olympio Correa de Mendonça
Psicogênese da Língua Escrita:
contribuições, equívocos e consequências para a alfabetização
Segundo Lagôa, é comum ver um professor que se diz construtivista
ensinando silabação, montando e desmontando palavras num mero exercício de
memorização.
A escrita para a Psicogênese da língua escrita é uma reconstrução real e
inteligente, com um sistema de representação historicamente construído pela
humanidade e pela criança que se alfabetiza, embora não reinvente as letras e os
números.
A criança é vista no processo de alfabetização, segundo a teoria da
psicogênese da língua escrita, como sujeito que alfabetiza a si mesmo e inicia essa
aprendizagem antes mesmo de entrar na escola, e seus efeitos prolongam-se após
a ação pedagógica, período durante o qual, para conhecer a natureza da escrita,
deve participar de atividades de produção e interpretação escritas.
O professor é visto no processo de alfabetização, segundo a teoria
da psicogênese da língua escrita, como sendo o mediador entre a
criança e a escrita, criando estratégias que propiciem o contato do
aprendiz com esse objeto social, para que possa pensar e agir
sobre ele. A mediação do alfabetizador não o desobriga de seu
papel de informante sobre as convenções do código escrito. Ele
pode aproveitar o subsídio dos alfabetizados ou mesmo de alunos da classe que estejam em níveis mais
avançados de escrita e que possam ser informantes das relações a serem descobertas pelos que se encontrem
em fases de escrita mais primitivas.
Mendonça e Mendonça falam sobre da segmentação
silábica como elemento quase insubstituível. Segundo estes
autores, isto parece decorrer do fato de a sílaba ser a
unidade de emissão de voz, diferentemente das letras, pois
como ler letras (consoantes) iniciais, mediais ou finais sem
a base silábica da fala (as vogais).
Segundo Mendonça e Mendonça, a questão que
justificaria a exclusão da experiência silábica no processo de alfabetização seria o surgimento de algumas
orientações pedagógicas, surgidas no afã de combater as atividades mecanicistas herdadas das cartilhas,
Fundamentalmente a aprendizagem é considerada, pela visão tradicional, como
técnica. A criança aprende a técnica da cópia, do decifrado. Aprende a sonorizar um
texto e a copiar formas.
Segundo Ferreiro, sua contribuição foi encontrar uma explicação, segundo a qual,
por trás da mão que pega o lápis, dos olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há
uma criança que pensa.
Quais as consequências dos equívocos da interpretação da psicogênese da língua escrita
- Dificuldade na definição Alfabetização e Letramento;
- A literatura infantil foi o gênero textual que predominou na alfabetização sob o pretexto de
contextualizar o trabalho. Mas, será que todas as crianças, dos diferentes níveis sociais do Brasil, tiveram
acesso às histórias da Literatura Infantil?
- O professor deveria contar histórias, em seguida, pedir aos
alunos que as recontassem e, assumindo o papel de “escriba” da sala,
reescrevesse o texto recontado na lousa, sob a justificativa de que só
de ver o professor à lousa, aprenderiam.
- O professor não precisava ensinar, porque a criança aprendia
sozinha. Dizia-se, também, que o professor não precisava desenvolver
um trabalho sistemático de alfabetização, pois deveria exercer a
função de “mediador” do conhecimento (papel que não ficava claro
aos professores), informando apenas o que os alunos, ao demonstrar
interesse, questionassem.
- Outra orientação era a de pedir aos alunos que escrevessem da
forma como sabiam, para que não fossem reprimidos como a cartilha
fazia, ao permitir que escrevessem usando apenas elementos
dominados. Essa orientação era interessante, seu objetivo era o de
incentivar o aluno a escrever sem medo; entretanto, aos professores
era estranho ver alunos rabiscando, pensando que escreviam
histórias.
- O professor não pode corrigir o aluno.
- O salto entre atividades de nível pré-silábico para as de nível
alfabético: tem-se comprovado, através de pesquisa, que o não
ensino da sílaba tem deixado sequelas à escrita dos alunos.
- O preconceito contra a sílaba.
- Como a teoria construtivista afirma que é o sujeito que
constrói seu conhecimento, o professor não pode intervir: enfim, há
a concepção equivocada, entre “intelectuais de gabinete” da
educação, de que se a conduta na alfabetização for construtivista, o
professor não poderá intervir com atividades que ajudem o aluno a avançar, alegando que, se a criança é o
sujeito do conhecimento, é preciso deixar que avance sozinha.
Segundo Soares, alfabetização é o processo pelo qual se adquire
o domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo para ler e
escrever, ou seja: o domínio da tecnologia – do conjunto de técnicas
– para exercer a arte e ciência da escrita.
Considerando que a alfabetização é um aprendizado complexo,
as exigências que estão relacionadas a sua realização são as diferentes
formas de raciocínio, envolvendo abstração e memorização. A escrita
é uma convenção e, portanto, precisa ser ensinada.
Segundo Soares (2003b), as habilidades que estão relacionadas
ao letramento são:
a) A capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes
objetivos – para informar ou informar-se, para interagir
com outros, para imergir no imaginário, no estético,
para ampliar conhecimentos, para seduzir ou induzir,
para divertir-se, para orientar-se, para apoio à catarse...;
b) Habilidades de interpretar e produzir diferentes tipos e
gêneros de textos;
c) Habilidades de orientar-se pelos protocolos de leitura
que marcam o texto ou de lançar mão desses
protocolos, ao escrever;
d) Atitudes de inserção efetiva no mundo da escrita, tendo
interesse e prazer em ler e escrever, sabendo utilizar a
escrita para encontrar ou fornecer informações e
conhecimentos, escrevendo ou lendo de forma
diferenciada, segundo as circunstâncias, os objetos, o
interlocutor.
Segundo Mendonça e Mendonça, a alfabetização e letramento devem ser percebidos como sendo dois
processos diferentes, em termos de processos cognitivos e de produtos, porém indissociáveis.

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Psicogênese da Língua Escrita 2

  • 1. Psicogênese da Língua Escrita: contribuições, equívocos e consequências para a alfabetização Onaide Schwartz Mendonça Olympio Correa de Mendonça
  • 2. Psicogênese da Língua Escrita: contribuições, equívocos e consequências para a alfabetização Segundo Lagôa, é comum ver um professor que se diz construtivista ensinando silabação, montando e desmontando palavras num mero exercício de memorização. A escrita para a Psicogênese da língua escrita é uma reconstrução real e inteligente, com um sistema de representação historicamente construído pela humanidade e pela criança que se alfabetiza, embora não reinvente as letras e os números. A criança é vista no processo de alfabetização, segundo a teoria da psicogênese da língua escrita, como sujeito que alfabetiza a si mesmo e inicia essa aprendizagem antes mesmo de entrar na escola, e seus efeitos prolongam-se após a ação pedagógica, período durante o qual, para conhecer a natureza da escrita, deve participar de atividades de produção e interpretação escritas. O professor é visto no processo de alfabetização, segundo a teoria da psicogênese da língua escrita, como sendo o mediador entre a criança e a escrita, criando estratégias que propiciem o contato do aprendiz com esse objeto social, para que possa pensar e agir sobre ele. A mediação do alfabetizador não o desobriga de seu papel de informante sobre as convenções do código escrito. Ele pode aproveitar o subsídio dos alfabetizados ou mesmo de alunos da classe que estejam em níveis mais avançados de escrita e que possam ser informantes das relações a serem descobertas pelos que se encontrem em fases de escrita mais primitivas.
  • 3. Mendonça e Mendonça falam sobre da segmentação silábica como elemento quase insubstituível. Segundo estes autores, isto parece decorrer do fato de a sílaba ser a unidade de emissão de voz, diferentemente das letras, pois como ler letras (consoantes) iniciais, mediais ou finais sem a base silábica da fala (as vogais). Segundo Mendonça e Mendonça, a questão que justificaria a exclusão da experiência silábica no processo de alfabetização seria o surgimento de algumas orientações pedagógicas, surgidas no afã de combater as atividades mecanicistas herdadas das cartilhas, Fundamentalmente a aprendizagem é considerada, pela visão tradicional, como técnica. A criança aprende a técnica da cópia, do decifrado. Aprende a sonorizar um texto e a copiar formas. Segundo Ferreiro, sua contribuição foi encontrar uma explicação, segundo a qual, por trás da mão que pega o lápis, dos olhos que olham, dos ouvidos que escutam, há uma criança que pensa.
  • 4. Quais as consequências dos equívocos da interpretação da psicogênese da língua escrita - Dificuldade na definição Alfabetização e Letramento; - A literatura infantil foi o gênero textual que predominou na alfabetização sob o pretexto de contextualizar o trabalho. Mas, será que todas as crianças, dos diferentes níveis sociais do Brasil, tiveram acesso às histórias da Literatura Infantil? - O professor deveria contar histórias, em seguida, pedir aos alunos que as recontassem e, assumindo o papel de “escriba” da sala, reescrevesse o texto recontado na lousa, sob a justificativa de que só de ver o professor à lousa, aprenderiam. - O professor não precisava ensinar, porque a criança aprendia sozinha. Dizia-se, também, que o professor não precisava desenvolver um trabalho sistemático de alfabetização, pois deveria exercer a função de “mediador” do conhecimento (papel que não ficava claro aos professores), informando apenas o que os alunos, ao demonstrar interesse, questionassem. - Outra orientação era a de pedir aos alunos que escrevessem da forma como sabiam, para que não fossem reprimidos como a cartilha fazia, ao permitir que escrevessem usando apenas elementos dominados. Essa orientação era interessante, seu objetivo era o de incentivar o aluno a escrever sem medo; entretanto, aos professores era estranho ver alunos rabiscando, pensando que escreviam histórias. - O professor não pode corrigir o aluno.
  • 5. - O salto entre atividades de nível pré-silábico para as de nível alfabético: tem-se comprovado, através de pesquisa, que o não ensino da sílaba tem deixado sequelas à escrita dos alunos. - O preconceito contra a sílaba. - Como a teoria construtivista afirma que é o sujeito que constrói seu conhecimento, o professor não pode intervir: enfim, há a concepção equivocada, entre “intelectuais de gabinete” da educação, de que se a conduta na alfabetização for construtivista, o professor não poderá intervir com atividades que ajudem o aluno a avançar, alegando que, se a criança é o sujeito do conhecimento, é preciso deixar que avance sozinha. Segundo Soares, alfabetização é o processo pelo qual se adquire o domínio de um código e das habilidades de utilizá-lo para ler e escrever, ou seja: o domínio da tecnologia – do conjunto de técnicas – para exercer a arte e ciência da escrita. Considerando que a alfabetização é um aprendizado complexo, as exigências que estão relacionadas a sua realização são as diferentes formas de raciocínio, envolvendo abstração e memorização. A escrita é uma convenção e, portanto, precisa ser ensinada.
  • 6. Segundo Soares (2003b), as habilidades que estão relacionadas ao letramento são: a) A capacidade de ler ou escrever para atingir diferentes objetivos – para informar ou informar-se, para interagir com outros, para imergir no imaginário, no estético, para ampliar conhecimentos, para seduzir ou induzir, para divertir-se, para orientar-se, para apoio à catarse...; b) Habilidades de interpretar e produzir diferentes tipos e gêneros de textos; c) Habilidades de orientar-se pelos protocolos de leitura que marcam o texto ou de lançar mão desses protocolos, ao escrever; d) Atitudes de inserção efetiva no mundo da escrita, tendo interesse e prazer em ler e escrever, sabendo utilizar a escrita para encontrar ou fornecer informações e conhecimentos, escrevendo ou lendo de forma diferenciada, segundo as circunstâncias, os objetos, o interlocutor. Segundo Mendonça e Mendonça, a alfabetização e letramento devem ser percebidos como sendo dois processos diferentes, em termos de processos cognitivos e de produtos, porém indissociáveis.