ARTE DO MARINHEIRO
MARÍTIMO
3
Sumário
1 Introdução ......................................................................................................
4
5
AMNAMN
1 Introdução
A vida marinheira requer dos seus participantes um conjunto de trabalhos específicos
para a garantia...
6
1.2 Características e empregos dos trabalhos marinheiros
1.2.1 Trabalhos marinheiros – Por serem muitas as atividades qu...
7
AMNAMN
Nó de moringa – serve onde seja
necessária uma alça permanente. Antigamente
era usado para içar barris de água po...
8
1.2.3 Voltas – as voltas abraçam objetos; a principal, por ser aquela que usamos na
amarração das embarcações de qualque...
9
AMNAMN
Volta do fiel – são dois cotes dados um contra o outro, de
modo que os chicotes saiam por entre eles e em sentido...
10
1.2.5 Pinhas – A pinhas são usadas principalmente como enfeites, embora por vezes
como terminais em cabos de vai-e-vem ...
11
AMNAMN
1.2.6 Alças – As alças são usadas na atracação para fixação de uma espia no cais. As
alças podem ser feitas de c...
12
1.2.9 Gachetas e Coxins – São trançados de cordões que têm fins ornamentais e também
são usados para proteção de uma em...
13
AMNAMN
1.2.11 Costuras – Muitos são os trabalhos marinheiros feitos com lonas. Chamamos de
forração. Forramos corrimão,...
14
1.3 Cabos
1.3.1 Tipos de cabos
Saber manusear os cabos é garantia de uma embarcação bem amarrada, de uma
carga bem pead...
15
AMNAMN
satlovesónsnuglaedaicnêtsiseredalebaT
satlovesónedsopiT aicnêtsiseR
odimúobaC %111arapaicnêtsiseraatnemuA
ocesob...
16
2 Voltas
2.1 Elaboração de voltas simples
Nesta Unidade você está convidado a exercitar-se, fazendo algumas voltas que
...
17
AMNAMN
A terceira volta que você aprenderá nesta unidade é a de corrente, também chamada
de catau de corrente ou nó de ...
18
A próxima volta importante é a Volta da ribeira.
A volta da ribeira serve para amarrar um mastro, uma verga, uma antena...
19
AMNAMN
Agora pratique bastante e passemos para a boca-de-lobo. Tal como as demais, é
muito fácil fazê-la.
Faça em quatr...
20
3 Nós
3.1 Nós e balsos
Nós – Na unidade anterior exercitamos a confecção de algumas das principais
voltas. Agora veremo...
21
AMNAMN
Balso calafate – Na figura , você pode ver como ele é feito e como usá-lo. Porém,
o mais importante nesta aula é...
22
Catau – O catau é usado para dois fins bem definidos, a saber:
1o
) Para isolar parte de um cabo que esteja coçado (poí...
23
AMNAMN
Nó de pescador – O nome tem origem no fato de ser muito usado pelos pescadores
para encurtar uma linha, esconden...
24
b
a
Você disse nó direito? Parabéns! Este é um nó de grande eficácia, porém, somente
se os cabos forem de bitolas iguai...
25
AMNAMN
A seguir você verá dois tipos de aboçadura. Aboçar é ligar duas boças ou duas
espias, abraçando uma a outra. Pod...
26
4 Estropos
4.1 Conceito
Embora se defina estropo com sendo um pedaço de cabo ligado pelo seus chicotes
por um nó ou uma...
27
AMNAMN
O estropo comum é feito usando-se apenas um cabo solteiro. Basta que façamos
uma costura redonda ou mesmo que ap...
28
O estropo de corrente é formado por duas ou quatro pernadas de corrente, ou de
cabo de arame, todas ligadas a um olhal ...
29
AMNAMN
4.4 Como “cortar” um estropo
Não se espante porque jamais você precisará da navalha do marinheiro para
“cortar” ...
30
5 Outros trabalhos marinheiros
5.1 Falcaça
Com alguma freüência você vai necessitar cortar um cabo a bordo para realiza...
31
AMNAMN
Proseguindo, dobre o merlim sobre o cabo passando o chicote a sobre as voltas já
dadas (3). Tome, então, o seio ...
32
1o
Descocham-se as pernadas do cabo;
2o
Dobram-se estas pernadas formando três cordões, que se deitam sobre o cabo;
3o
...
33
AMNAMN
Costura de laborar – Esta é a costura que não aumenta o diâmetro dos cabos
emendados. É a costura apropriada par...
34
Trabalho prático – Elabore uma costura de mão. Agora é a vez de pôr em prática
a costura que você conheceu na aula ante...
35
AMNAMN
Passaremos a explicar a maneira como se pode fazer uma gacheta de sete cordões.
a) separe os sete cordões em doi...
36
Detalhe superior Detalhe inferior
37
Bibliografia
FONSECA, Maurílio M. Arte Naval. 6. ed. Rio de Janeiro: SDGM, 2003.
KIHLBERG, Bengt. The Lore of ships. Go...
Manual de nós (arte do marinheiro 1)
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Manual de nós (arte do marinheiro 1)

421 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
421
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
4
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
9
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Manual de nós (arte do marinheiro 1)

  1. 1. ARTE DO MARINHEIRO MARÍTIMO
  2. 2. 3 Sumário 1 Introdução ........................................................................................................ 5 1.1 Conceito ............................................................................................................ 5 1.2 Características e empregos dos trabalhos marinheiros ..................................... 6 1.2.1 Trabalhos marinheiros ....................................................................................... 6 1.2.2 Nós e balsos ...................................................................................................... 6 1.2.3 Voltas ................................................................................................................. 8 1.2.4 Botões ............................................................................................................... 9 1.2.5 Pinhas...............................................................................................................10 1.2.6 Alças .................................................................................................................11 1.2.7 Estropos ...........................................................................................................11 1.2.8 Falcaças ...........................................................................................................11 1.2.9 Gachetas e Coxins ...........................................................................................12 1.2.10 Redes ...............................................................................................................12 1.2.11 Costuras ...........................................................................................................13 1.3 Cabos ...............................................................................................................14 1.3.1 Tipos de cabos .................................................................................................14 1.4 Resistência dos cabos ......................................................................................15 2 Voltas ...............................................................................................................16 2.1 Elaboração de voltas simples ...........................................................................16 2.2 Voltas importantes ............................................................................................17 3 Nós ...................................................................................................................20 3.1 Nós e balsos .....................................................................................................20 3.2 Nós para emendar dois cabos ..........................................................................23 4 Estropos ..........................................................................................................26 4.1 Conceito ...........................................................................................................26 4.2 Principais tipos de estropo................................................................................26 4.3 Uso dos estropos..............................................................................................28 4.4 Como cortar um estropo ...................................................................................29 5 Outros trabalhos marinheiros .......................................................................30 5.1 Falcaça .............................................................................................................30 5.2 Pinha ................................................................................................................31 5.3 Tipos de costuras .............................................................................................32 5.4 Gachetas ..........................................................................................................34 Bibliografia ..................................................................................................................37
  3. 3. 4
  4. 4. 5 AMNAMN 1 Introdução A vida marinheira requer dos seus participantes um conjunto de trabalhos específicos para a garantia da segurança da embarcação, da sua carga e dos próprios tripulantes. Estes são os chamados trabalhos marinheiros ou obras dos marinheiros. Executá- los, depende de dedicação no aprendizado. O mais importante nesta execução é unir o fazer ao conhecer. Por isso é que não só os marinheiros, mas os mestres e toda a oficialidade devem imbuir-se dos deveres desta matéria. Pelo fato de serem trabalhos artesanais, muitos subestimam-nos, sem se aperceberem de que os trabalhos marinheiros, quando negligenciados, ocasionam perdas irreparáveis à carga, à embarcação e às vidas humanas. O valor dos trabalhos marinheiros é incomparável, pois das suas atividades resulta lucro ou perda de caríssimos materiais, de cargas de grande valor e de preciosas vidas, bastando que não saibamos fazer um nó certo, na hora exata ou que não saibamos dar os graus de leme requeridos, no momento exato. No mar, as fainas não podem ser deletadas. Após a execução, temos que arcar com as conseqüências. 1.1 Conceito Os trabalhos marinheiros designam tudo que possa resultar no bom andamento da vida daqueles que exercem atividades em qualquer tipo de embarcação, entendendo-se esta como qualquer peça que flutue sobre águas com possibilidade de transportar com segurança de um ponto a outro, pessoal ou material; essa definição abrange tanto os grandes navios de passageiros, mistos ou cargueiros, como as pequeninas canoas ou jangadas. Em grandes, médias e pequenas embarcações, sempre os trabalhos marinheiros são cabíveis. A arte marinheira é imprescindível! O conhecimento dos trabalhos marinheiros somente surte o devido efeito quando corretamente executados. Por outro lado, quando desconhecidos podem constituir-se em fator de risco, como mencionaremos a seguir. Os pequenos nós aprendidos no curso das aulas garantirão muitas vezes a segurança dos grandes transatlânticos que você poderá vir a tripular ou de um simples rebocador que venha a ser o orgulho da sua vida profissional. Seja qual for a sua embarcação funcional, garanta o bem-estar e a segurança por meio de acurada aprendizagem do valor dos nós, voltas, balsos, botões, coxins e toda a gama de trabalhos marinheiros que você possa aplicar na ocasião adequada. Vale a pena garantir a segurança da tripulação da sua embarcação, da carga transportada e acrescentar-lhe estética, pois além da segurança, os trabalhos marinheiros são também capazes de oferecer expressiva beleza. Seguem alguns exemplos de trabalhos marinheiros. Visualize-os e peça ajuda ao seu instrutor para aplicá-los sabiamente.
  5. 5. 6 1.2 Características e empregos dos trabalhos marinheiros 1.2.1 Trabalhos marinheiros – Por serem muitas as atividades que garantem a segurança especificada na introdução, apresentaremos por grupos que denominaremos de nós, voltas, botões, pinhas, alças, estropos, rabichos, gachetas, coxias, redes, costuras, falcaças, etc. 1.2.2 Nós e balsos – Os nós são entrelaçamentos feitos à mão, emendando cabos pelos chicotes, pelos seios ou um chicote a uma alça. Nas figuras a seguir vemos o nó direito, os nós de escota (singelo e dobrado), o nó torto, o nó de correr (ou de pescador), o nó de moringa, o nó de azelha e o lais de guia. Os balsos que aqui agregamos aos nós, são destinados a sustentar e içar ou arriar alguém que precise fazer um serviço urgente no mastro, numa verga, no costado e até para salvar um náufrago. Para tais fins são usadas suas alças. Os balsos mais usados são: calafate, pelo seio, dobrado, de correr (ou lais de guia de correr). Nó de escota singelo – é um nó de muita segurança, com a grande vantagem de poder unir cabos de bitolas iguais ou diferentes. Nó de escota dobrado – é um nó de escota singelo com o chicote fazendo uma volta redonda em vez de singela para dar maior segurança. É usado para emendar duas espias, epecialmente quando uma delas tem alça. Nó torto – parece-se com o nó direito, porém a segunda volta é invertida, tornando-o desusado por correr e quando aperta não se desfaz com facilidade. Nó direito – por ser um dos nós mais fáceis de fazer, é usado com muita freqüência para unir cabos de bitolas iguais, sendo para isso, o mais seguro dos nós. Nó de correr – é muito útil para emendar dois cabos, é um nó fácil de fazer, bastando unir os cabos ou fios e dar uma meia volta em cada no chicote e deslizar para que as meias voltas esbarrem uma na outra.
  6. 6. 7 AMNAMN Nó de moringa – serve onde seja necessária uma alça permanente. Antigamente era usado para içar barris de água potável e bujões de gás, entre outros materiais cilíndricos. Nó de azelha – é uma simples laçada pelo seio, podendo ser usada para fazer uma marcação num cabo, ou silar uma parte do cabo que esteja coçada (ferida em conseqüência de atrito). Balso pelo seio – também chamado de lais de guia dobrado. Como os demais balsos, oferece uma boa opção para salvamento de um náufrago, bem como para agüentar um homem que trabalha num costado ou num mastro, podendo ele ficar com as mãos livres. Balso de calafate – também chamado de lais de guia dobrado. Como os demais balsos, oferece uma boa opção para salvamento de um náufrago, bem como para agüentar um homem que trabalha num costado ou num mastro, podendo ele ficar com as mãos livres. Balso dobrado – é um balso com dois seios formados por duas voltas redondas com o chicote do cabo antes de dar um lais de guia. Serve para agüentar um homem que trabalha no costado ou para içar um objeto, servindo de estropo. Lais de guia – é um dos mais executados em todas as Marinhas. Trata-se de um nó que garante uma alça segura, substituindo a mão ou alça de uma espia. Balso singelo é o seio ou alça que resulta de um lais de guia.
  7. 7. 8 1.2.3 Voltas – as voltas abraçam objetos; a principal, por ser aquela que usamos na amarração das embarcações de qualquer porte, é a volta falida. A seguir mostramos a meia-volta, o cote, a volta de fiador, o catau de corrente, volta de fiel, volta de fateixa, volta de tortor. Cote – é uma volta singela em que uma das partes do cabo morde a outra; raramente é usado só, serve para arrematar outras voltas. Volta do fiador – uma volta que lembra o número 8. É utilizada em chicote de cabo que labora em aparelho de força para não o deixar desgurnir. Meia volta – é a volta dada nos embrulhos, a qual se dá com o chicote do cabo e pode-se desfazer facilmente. Serve como base ou parte de outros nós. Utilizada para impedir que o tirador de um aparelho de laborar se desgurna. Voltas falidas - são uma série de voltas alternadas dadas em torno de um objeto, são muito usadas nas atracações, desde que o cabeço seja duplo. em cunho em malagueta em cabeços Catau de corrente – é uma série de voltas dadas com o objetivo de diminuir o comprimento de um cabo que não sofre esforço.
  8. 8. 9 AMNAMN Volta do fiel – são dois cotes dados um contra o outro, de modo que os chicotes saiam por entre eles e em sentidos contrários. É a volta mais usada a bordo para se passar um fiel ou uma adriça em torno de um balaustre, um olhal ou um pé de carneiro. Volta da fateixa – utilizada para amarrar uma espa a um ancorote ou um fiel a um balde. 1.2.4 Botões – Unem cabos paralelamente, formam alças, cruzam cabos, unindo-os. Dentre os muitos existentes, citamos o botão redondo, o redondo-esganado (reforçado), o falido, o falido-esganado, o cruzado e o peito de morte. Na seqüência a seguir observa-se a elaboração de um botão redondo. Volta de tortor (ou nó de rabiola, aquele que prende os papéis que formam a rabiola das pipas. A volta prende pequenos objetos que queiramos içar, como por exemplo um pincel para alguém que esteja pintando um mastro. Serve também para amarração de pranchas de trabalho no costado.
  9. 9. 10 1.2.5 Pinhas – A pinhas são usadas principalmente como enfeites, embora por vezes como terminais em cabos de vai-e-vem e como peso para arremesso, o que facilita a passagem das espias de bordo para o cais, nas atracações. Existem diversos tipos de pinhas, como exemplos citamos: singela, dobrada, pinha de rosa singela, pinha de cesta ou de retinida. Botão Redondo Botão Redondo Esganado Pinhas de retinida Botão Falido
  10. 10. 11 AMNAMN 1.2.6 Alças – As alças são usadas na atracação para fixação de uma espia no cais. As alças podem ser feitas de cabos de fibra vegetal ou cabos de arame, por vezes forradas com percintas de lona ou couro. 1.2.7 Estropos – São arranjos ou alças feitas em cabos resistentes ou em correntes, destinando-os ao embarque de cargas, geralmente laçando-as ou abraçando-as. 1.2.8 Falcaças – Ao cortarmos um cabo qualquer, a tendência é que os seus cordões se desbolinem. Para que isso não ocorra, recomenda-se que se dêem voltas redondas, mordendo-se o chicote. Estas voltas são feitas com cabos finos, linha de barca ou merlim. Isto é falcaçar um cabo. Os cabos de arame são falcaçados com fios de arame. Alceado Estropo redondo Pinha de rosa singela DobradaSingela
  11. 11. 12 1.2.9 Gachetas e Coxins – São trançados de cordões que têm fins ornamentais e também são usados para proteção de uma embarcação miúda, em seu içamento, ou ainda como capachos. 1.2.10 Redes – mesmo sendo de fácil manufatura, as redes hoje em dia são feitas em máquinas. Antigamente o bom marinheiro possuía os seus moldes e agulhas de madeira, com os quais teciam redes de proteção para as bordas dos navios, das embarcações miúdas e outras fortes e grandes, que serviam como estropos. a) nó de escota b) agulha c) início da rede d) rede pronta GachetasCoxins russo
  12. 12. 13 AMNAMN 1.2.11 Costuras – Muitos são os trabalhos marinheiros feitos com lonas. Chamamos de forração. Forramos corrimão, alças e cabos fixos. Nas forrações e nas costuras de lonas usados vários tipos de pontos de costura. Ponto de espinha de peixe Ponto esganado (em dois movimentos) Ponto de bigorrilha pelo redondo Ponto de bigorrilha chato (cosido por dentro) Ponto de palomba
  13. 13. 14 1.3 Cabos 1.3.1 Tipos de cabos Saber manusear os cabos é garantia de uma embarcação bem amarrada, de uma carga bem peada. Os cabos, quanto à natureza de suas fibras, podem ser: • Vegetal – quando desfiamos certos vegetais como o sisal, cânhamo, linho, algodão, coco, juta e outros, torcemos as fibras, formamos os fios de carreta. Ao torcermos os fios de carreta formamos os cordões e ao torcermos os cordões formamos os cabos. Medimos o cabo de vegetal pela sua circunferência e em milímetros. Assim dizemos “a bitola do cabo é de tantos milímetros”. • Sintético – de matérias plásticas artificiais e que podem ser esticadas em forma de fios. É mais resistente que o vegetal, sendo de aparência muito mais apresentável. Existem vários tipos de cabos de matéria plástica, sendo o nylon o mais conhecido. • De arame – a formação dos cabos de arame difere bastante da que se faz com fibra vegetal, uma vez que compõe-se apenas de fios torcidos e isto não pode ser feito de forma manual. Mesmo assim o cabo de arame, também chamado de cabo de aço, é o mais resistente. Medimos o cabo de arame pelo seu diâmetro e em polegadas. Assim dizemos “a bitola do cabo é de tantas polegadas”. • Mistos – em certas operações especiais, como em alguns reboques, é preferível usar-se um cabo misto, isto é, parte de arame e parte de fibra vegetal. Cabo solteiro – O cabo que para muitos é um cabo inútil, torna-se um cabo de multiuso. Os cabos solteiros não têm especificação de comprimento ou bitola. Seja como for, se o cabo não tiver uso determinado, ele passa a ser um cabo solteiro. O uso dos cabos solteiros deve ser feito depois de conhecermos a sua resistência, isto é, se ele resiste ao esforço que dele precisamos. Os cabos, matéria-prima mais importante em quase todos os trabalhos marinheiros, têm as suas pontas denominadas chicotes (“1” e “2”) enquanto que o espaço representado por “3” é chamado de seio do cabo. Este mesmo cabo, se for usado para amarrar uma pequena embarcação ao cais, deixa de ser solteiro para ser um boça. E, se usado para vestir uma talha, passa a ser chamado beta e o seu chicote, onde se exerce a força para içar o peso, recebe o novo nome de tirador. 2 3 1 2 3
  14. 14. 15 AMNAMN satlovesónsnuglaedaicnêtsiseredalebaT satlovesónedsopiT aicnêtsiseR odimúobaC %111arapaicnêtsiseraatnemuA ocesobaC %001 adimú,oãmedarutsoC %001 ,aces,oãmedarutsoC ohlitapasme %59arapzudeR adnoderarutsoC %58arapzudeR 1.4 Resistência dos cabos Nos diversos trabalhos marinheiros, como os nós e voltas, a resistência dos cabos é enfraquecida pelo uso. Isto ocorre porque, ao mudarmos a direção de uma força, ela se enfraquece naturalmente. Como exemplo, podemos observar que em cabo de guerra, a recomendação é que o grupo não mude a direção, mantendo-o em linha reta. Abaixo apresentamos a tabela de resistência de alguns nós e voltas, com base no trabalho apresentado pela “Columbian Rope Company, Auburor, N.Y., EUA. Pela tabela acima, podemos tirar as seguintes conclusões: a) que os cabos umedecidos são sempre mais resistentes que os secos; b) que as costuras são mais resistentes do que as voltas e os nós; c) que os nós são os menos resistentes de todos os trabalhos marinheiros. Diante destas conclusões recomenda-se que não sejam usados cabos emendados, pois além do enfraquecimento produzido pela emenda, ainda somam-se os desgastes naturais dos cabos usados. axietafedatloV %67arapzudeR aiugedsiaL %06arapzudeR leifedatloV %06arapzudeR atocseedóN %55arapzudeR otieridedóN %54arapzudeR atlovaieM %54arapzudeR
  15. 15. 16 2 Voltas 2.1 Elaboração de voltas simples Nesta Unidade você está convidado a exercitar-se, fazendo algumas voltas que você já viu anteriormente. Para estes treinamentos, prepare uma linha de barca de 40 milímetros de circunferência com 1,20 m de comprimento, falcaçando os seus chicotes, a fim de que não descochem. Preparou? Muito bem, vamos à ação. Façamos a meia-volta: 1º) Estique a linha debarca e cruze os chicotes, como o cabo da figura 2o ) Agora faça com que o chicote que está por cima dê uma volta sobre a outra pernada e, pronto. Assim, se você o apertar, fará um esbarro que impedirá que o tirador de um aparelho se desgurna. Você também acabou de aprender a primeira parte do nó direito. Agora o desafio é fazer um cote. Também é fácil. É quase o mesmo que a meia- volta; apenas você terá o cuidado de, ao dar o segundo passo da meia-volta, em vez de abrir os dois chicotes, colocá-los paralelos. Nunca devemos arrematar um trabalho marinheiro fazendo apenas um cote, pois não daria a segurança esperada. Faça dois ou três cotes.
  16. 16. 17 AMNAMN A terceira volta que você aprenderá nesta unidade é a de corrente, também chamada de catau de corrente ou nó de caminhoneiro. Usa-se para reduzir um cabo solteiro em, aproximadamente, um quinto do seu comprimento. Veja como é fácil fazer: Primeiro cruza-se o chicote do cabo, como se fôssemos fazer a meia-volta. Depois introduz-se pequena parte da linha de barca por dentro do seio e vai-se dando seqüência a este último passo repetidas vezes até chegar ao chicote do cabo. Pratique! Tire as dúvidas com o seu instrutor. 2.2 Voltas importantes A volta de fiel. Você pode fazê-la em torno de qualquer objeto cilíndrico ou na sua própria mão. Olhe para a figura apresentada em três tempos e faça-a vagarosamente. Esta é aquela volta que o cavaleiro faz para amarrar seu cavalo nas estacas da cerca. Ela tem muitas utilidades, sempre fixando cabos a um objeto ou em qualquer parte da embarcação. Insista em aprendê-lo. Catau de corrente
  17. 17. 18 A próxima volta importante é a Volta da ribeira. A volta da ribeira serve para amarrar um mastro, uma verga, uma antena ou para enfeixar qualquer objeto cilíndrico que se queira içar ou arriar. Os cotes são dados como segurança. Veja que a meia volta com cote (volta singela em que uma das partes do cabo morde a outra) é o princípio da volta da ribeira. Volta da ribeira Volta de fateixa. Experimente fazê-la sem olhar a figura. Vamos lá: pegue a sua linha de barca e dê duas voltas em torno de um objeto cilíndrico ou por dentro de uma argola (arganel). Agora, com o mesmo chicote, passe entre o objeto e as voltas que você deu. Só isto. Agora confira na figura, você pode observar que a volta de fateixa foi arrematada (por segurança) com um botão, mas poderia ser arrematada com um ou mais cotes, por segurança. A volta a seguir é a encapeladura singela, que muito se assemelha a um nó-de- borboleta (de gravata). Faz-se duas meias-voltas, segurando uma em cada mão e encaixa- se lateralmente uma a outra, apertando-as e puxando-se os seios para os lados opostos. Depois de feito isto, encaixamos a sua parte central em uma viga e teremos assim duas alças onde podemos fixar um aparelho ou dois cabos que queiramos fixar lateralmente.
  18. 18. 19 AMNAMN Agora pratique bastante e passemos para a boca-de-lobo. Tal como as demais, é muito fácil fazê-la. Faça em quatro etapas: primeiro segure a sua linha de barca em dois pontos, distando as mãos uns 30cm uma da outra; segundo, dê duas voltas com cada uma das mãos, torcendo o cabo duas vezes; terceiro, una as duas alças numa das mãos e em quarto, com a outra mão, segure os dois chicotes e puxe-os. Ou então: dobre o cabo conforme a figura ao lado. Faça o chicote “c” passar por trás da parte “d” e por cima do seio “a” e entre “a” e “b”, seguindo a linha pontilhada. A boca de lobo serve para amarração provisória de qualquer aparelho de içar pelo gato ou para amarrar qualquer cabo a um gato fixo pelo seio ou pelo chicote. Com o nó pronto, basta passar o gato por dentro dos seios “a” e “b”. O cabo porta melhor pelo chicote “c”. c ba cd ba
  19. 19. 20 3 Nós 3.1 Nós e balsos Nós – Na unidade anterior exercitamos a confecção de algumas das principais voltas. Agora veremos os principais nós dados com os chicotes dos cabos. Mas lembre- se de que você só aprenderá, se praticar. Faça isso na sala de aula ou fora dela, use aquela mesma linha de barca, mas logo que puder, use cabos de bitolas maiores, pois você trabalhará com grandes e pesadas espias e geralmente os nós são necessários em emergência, quando você não poderá escolher o cabo a usar. Comecemos pelo lais de guia, o chamado rei dos nós. O lais de guia é aquele que nos dá uma alça em substituição à mão de uma espia que se parta, ou para qualquer outro serviço em que se precise de alça. Tente fazê-lo conforme a figura e depois pratique. Basta fazer o chicote “a” percorrer o caminho da linha pontilhada passando por baixo da parte “b” e depois por dentro do seio “c”. a b c
  20. 20. 21 AMNAMN Balso calafate – Na figura , você pode ver como ele é feito e como usá-lo. Porém, o mais importante nesta aula é que você aprenda a fazê-lo. Tente dar os passos que se seguem. É formado a partir de um lais de guia, porém dando mais uma volta por dentro do seio “c” antes de completá-lo e, em seguida, basta fazer o chicote “a” percorrer o caminho da linha pontilhada passando por baixo da parte “b” e depois novamente por dentro do seio c. É muito usado para suportar um homem que trabalha no costado ou no mastro. Os dois seios do balso ficam livres para correr, alterando seu tamanho de modo que um homem possa se acomodar sentado em um deles (“d”) e, em seguida, gurnir a cabeça e os braços pelo outro (“e”), ficando o lais de guia no peito. Balso pelo seio – Este nó é por muitos chamado de lais de guia pelo seio. A função dos balsos é quase sempre a mesma, o salvamento de um náufrago ou a execução de um trabalho de emergência num mastro ou no costado do navio. Para elaborar um balso pelo seio comece com um cabo dobrado pelo seio como se fosse fazer um lais de guia. Então passe o seio “a” por fora do “b” e aperte. ab d a b c e d
  21. 21. 22 Catau – O catau é usado para dois fins bem definidos, a saber: 1o ) Para isolar parte de um cabo que esteja coçado (poído); 2o ) para reduzir o comprimento de um cabo de reboque. Inicia-se fazendo dobras no cabo como se vê abaixo. Em seguida dão-se dois cotes com o seio do cabo. O arremate pode ser feito com botões ou com taliscas de madeira. Balso pelo seio
  22. 22. 23 AMNAMN Nó de pescador – O nome tem origem no fato de ser muito usado pelos pescadores para encurtar uma linha, escondendo um ponto em que ela esteja coçada. Para fazê-lo toma-se o seio do cabo e faz-se a alça “a”. Coloca-se o chicote “b” sobre “a”. Passa-se então a alça “a” por cima de “b” e baixo de “c” e, em seguida, puxa-se por cima de “c”, conforme mostra o trajeto tracejado. 3.2 Nós para emendar dois cabos pelo chicote É importante não apenas saber fazer um nó , mas também identificar a utilidade deles no dia-a-dia do marinheiro. Você sabe que nó é este? É isto mesmo. É o nó que serve para emendar dois cabos de bitolas iguais pelo chicote. a b c
  23. 23. 24 b a Você disse nó direito? Parabéns! Este é um nó de grande eficácia, porém, somente se os cabos forem de bitolas iguais. O nó que emenda cabos de bitolas iguais ou diferentes é o nó de escota. Ele tem este nome porque é o mais indicado quando se quer prender cabo à escota de uma vela. Veja como é fácil: é só fazer o chicote “a” seguir o trajeto da linha pontilhada passando por cima e, em seguida, por baixo da parte “b” do cabo. Nó de escota singelo – serve para emendar dois cabos de bitolas diferentes pelos chicotes, ou então o chicote de um cabo a uma mão ou alça de outro cabo.
  24. 24. 25 AMNAMN A seguir você verá dois tipos de aboçadura. Aboçar é ligar duas boças ou duas espias, abraçando uma a outra. Podemos fazer uma aboçadura com dois lais de guia ou com vários cotes em cada um dos chicotes. Veja como é fácil e prático. Nó de correr – serve para emendar dois cabos, com cada chicote dando uma meia-volta em torno do outro. Aboçadura com lais de guia Aboçadura com cotes e botões
  25. 25. 26 4 Estropos 4.1 Conceito Embora se defina estropo com sendo um pedaço de cabo ligado pelo seus chicotes por um nó ou uma costura, formando um anel, de cabo, usado para ligar um peso a ser içado a um aparelho de içar, julgamos mais correto simplificarmos essa definição dizendo ser tudo o que faça conexão ou ligação entre o peso a ser içado e o aparelho de içar. Assim, não só o anel de cabo é um estropo, mas também uma lona, uma rede, uma corrente, um cabo com duas mãos ou alças, um sistema de imantação, tudo isto podemos arrolar entre os estropos. A função do estropo é aumentar a capacidade do carregamento. Tal é o progresso na área do carregamento que hoje os estropos já se tornam raros em alguns tipos de carga. Por exemplo, as grandes lingadas que se faziam para embarque e desembarque de trigo, soja, arroz e outros grãos, foram trocadas por potentes sugadores que carregam um navio num espaço de tempo bastante reduzido. Assim, também, ocorre com o embarque de caixas que hoje deslizam pelas esteiras rolantes, reduzindo o tempo de embarque e dispensando, em muito, a ação dos estropos. Isto sem falar nos contêineres içados por guindastes imantados ou embarcados diretamente em cima de viaturas. 4.2 Principais tipos de estropo Entre os muitos tipos de estropos citados, não podemos deixar de destacar como um dos principais o estropo comum. É importante por ser fácil de fazer e de usar proporcionando grande segurança.
  26. 26. 27 AMNAMN O estropo comum é feito usando-se apenas um cabo solteiro. Basta que façamos uma costura redonda ou mesmo que apliquemos um simples nó direito em seus chicotes e teremos feito um estropo. Veja. Estropos abertos ou braçalotes – pedaços de cabos de fibra vegetal, fibra sintética ou arame de aço que terminam em seus dois chicotes. Os chicotes podem ser de cabos com alças, uma em cada um dos chicotes, ou com gancho em um dos chicotes e alça ou anel no outro. Os chicotes ainda poderão ter um sapatilho na alça com o fim de evitar o desgaste e em seu seio uma garra corrediça com o objetivo de permitir um melhor aperto. Poderão ser conectados, em números de 2, 3 ou 4, por meio de um anel formando, assim, aparelhos de 2, 3, ou 4 ramais ou pernadas. Os estropos podem ser de correntes que terminam em dois (2) chicotes: • com anel num chicote e um gancho no outro; • com dois anéis, um em cada chicote; • com manilha, em ambos os chicotes; e • com anel num dos chicotes e uma manilha no outro.
  27. 27. 28 O estropo de corrente é formado por duas ou quatro pernadas de corrente, ou de cabo de arame, todas ligadas a um olhal e tendo em suas extremidades gatos. Na figura vemos um estropo aberto com apenas duas correntes próprio para carga e descarga de barris, tonéis, trilhos, etc. O estropo de lona é uma forte lona, geralmente quadrada, provida de fiéis fixados em seus quatro cantos. A bordo são usados para cargas como mantimentos e outros serviços do próprio navio. Da mesma forma, usamos fortes estropos feitos de rede. As redes também são usadas em operações de salvamento e em caso de abandono do navio, ocasião em que são estendidas no costado do navio. Estropos fechados - aqueles cujos chicotes são ligados, por meio de anel, manilha ou costura. 4.3 Uso dos estropos Consideremos a utilização dos estropos na fainas de carga e descarga dos navios e demais embarcações mercantes. As sacarias perderam bastante do seu valor, como já citamos, com o surgimento dos sugadores, os quais dispensam que muitos sejam ensacados; porém, os estropos comuns continuam a ser bastante usados em carregamentos regionais, em embarcações de menores portes e em cargas que não podem ser transportadas a descoberto, etc.. Os estropos feitos com cabos de arame levam a vantagem de ter capacidade bem maior de içar pesos, embora sejam pesados e de difícil manuseio. Os estropos de corrente, com já citamos, içam desde grandes tubos de ferro até grandes caixotes, razão porque podem possuir quatro correntes. Como desvantagem, estes estropos são muito pesados, precisam ser feitos de material de boa qualidade e exigem contínua inspeção.
  28. 28. 29 AMNAMN 4.4 Como “cortar” um estropo Não se espante porque jamais você precisará da navalha do marinheiro para “cortar” um estropo, mesmo sendo ele de cabo de fibra. “Cortar” um estropo é simplesmente a operação de reduzir o seu comprimento. Na figura veja a volta boca de lobo, com a qual se pode cortar um estropo comum. Você pode cortar o estropo dobrando-o simplesmente ou aplicando uma boca-de-lobo dobrada, ou ainda fazendo uma encapeladura singela com a alça que se prende ao gato. O bom marinheiro deve ter em seu paiol estropos de tamanhos diversos de modo a não precisar sempre estar cortando estropos. O corte é um remédio que não deve ser usado com freqüência, pois como você sabe, qualquer nó ou volta que se aplique num cabo reduz a resistência do mesmo. Portanto, previna-se sabendo a quantidade de volumes a içar, a fim de usar estropos no tamanho exato. Atenção E não se esqueça de que os estropos comuns devem ser confeccionados com costura redonda, em vez de nós ou voltas.
  29. 29. 30 5 Outros trabalhos marinheiros 5.1 Falcaça Com alguma freüência você vai necessitar cortar um cabo a bordo para realizar algum tipo de serviço específico com um pedaço dele. Ao se cortar um cabo deve-se tomar certos cuidados para não deixar que ele descoche ou desbolinem. Falcaçar o chicote de um cabo que foi cortado consiste em dar várias voltas redondas em torno dele com um merlim. O número de voltas é determinado pelo diâmetro do cabo a ser falcaçado, isto é, a largura da falcaça deve ser igual ao valor do diâmetro do cabo. A falcaça tem por objetivo não permitir que o cabo descoche ao ser cortado. Veremos a seguir dois métodos de elaborar falcaças e alguns cuidados que devemos ter na confecção. Observe. No método denominado falcaça comum, o primeiro passo é dobrar o merlim formando uma espécie de alça (b) sobre o chicote do cabo a falcaçar (1) tendo ambos os chicotes no sentido longitudinal ao cabo, e o seio do fio para fora do chicote. A partit daí, com o cordão a do merlim dê várias voltas unidas e apertadas na direção do chicote do cabo. Feito isto, introduza o chicote de a por dentro do seio b (2). A seguir, ronde bem os dois chicote a e c e unindo bem as voltas (3). E, finalmente, cortam-se os chicotes rentes à falcaça (4), encerrando a faina. O método seguinte começa dando uma meia volta com o merlim sobre o cabo conforme se vê em (1). Em seguida, com o seio b dê várias voltas apertadas e unidas em torno do cabo e sobre o chicote c (2). Aperte bem o chicote c e corte-o rente à falcaça. a b c 1 2 3 4 a b a c
  30. 30. 31 AMNAMN Proseguindo, dobre o merlim sobre o cabo passando o chicote a sobre as voltas já dadas (3). Tome, então, o seio b do merlim e continue dando voltas redondas em torno do cabo e por cima do chicote a, tomando cuidado para impedir o merlim de torcer, até atingir o número correto de voltas (4). Ronde o que sobrou do seio b pelo o chicote a, unindo bem as voltas e corte rente à falcaça. 5.2 Pinha A pinha é um trabalho feito no chicote de um cabo que, além de ter objetivo ornamental, tem também a utilidade de impedir que o chicote de um cabo passe através de um gorne e adicionar peso ao chicote de uma retinida. De um modo geral, o chicote do cabo em que será feita a pinha precisa ser descochado e, em seguida, ter seus cordões falcaçados para que não descochem mais ainda durante o trabalho. Vamos ver a seguir os passos para a confecção de uma pinha de rosa dobrada. Para fazê-la, você aprenderá também a confecção da singela. Ambas, a singela e a dobrada, são feitas no chicote ou próximo dele. 1 a b c 2 a b c 3 4a b c a c
  31. 31. 32 1o Descocham-se as pernadas do cabo; 2o Dobram-se estas pernadas formando três cordões, que se deitam sobre o cabo; 3o Pega-se o cordão “a” e pela direita passa-se por cima do cordão “b” e entra-se no seio do “c”. Depois pega-se o chicote do “b” passando sobre o “c” e introduz- se por dentro do seio do “a”. O último cordão, o “c”, será passado sobre o “a” e metido no seio de “b”. Compreendeu? Então vamos adiante. Tente de novo. 4o Agora que já fizemos a pinha singela, vamos dobrá-la. Para isso, basta apenas que cada chicote repita o mesmo percurso já feito. Após esta etapa, basta que rondemos (apertemos) os cordões tirando as folgas, arrematando o trabalho feito e aparando os chicotes. 5.3 Tipos de costuras As emendas que fazemos em cabos, cordões, fios, etc. com nós e voltas, enfraquecem os cabos e deixam deformações no local da emenda. Ao emendarmos com costuras, a segurança aumenta e a superfície emendada não fica tão deformada. Os cabos de fibra são emendados em três tipos de costuras: redonda, de laborar e de mão. Costura redonda – Neste tipo, a emenda é feita pelo entrelaçamento dos cordões de dois cabos da mesma bitola. Normalmente é usada para fazer-se estropos e emendar espias. Veja um cabo emendado com costura redonda.
  32. 32. 33 AMNAMN Costura de laborar – Esta é a costura que não aumenta o diâmetro dos cabos emendados. É a costura apropriada para a utilização em aparelhos de laborar. Observe na figura 38 que os cordões são descochados e que, à medida que se descocha um cordão, substitui-se aquele pelo do outro cabo, num espaço de cerca de doze vezes o diâmetro dos cabos. E assim, num vai-e-vem dos cordões, a costura é feita sem alterar- lhe a bitola. Costura de mão – Para fazer-se uma alça no chicote de um cabo de fibra vegetal, basta descochar-se o chicote na distância de três vezes a sua circunferência e, de baixo para cima, introduzirmos o cordão do centro, da direita para a esquerda; depois com a pernada da esquerda, introduzir no cordão da esquerda e com o terceiro cordão de trás, isto é, de onde saiu o segundo cordão. Isto feito, ajustam-se os três cordões com um macete de bater e dá-se seqüência a esta mesma operação, por mais duas vezes. Para abrir as cochas dos cabos nas costuras, redonda e de mão, usam-se passadores e espichas. Costura redonda Espichas Passador Macete
  33. 33. 34 Trabalho prático – Elabore uma costura de mão. Agora é a vez de pôr em prática a costura que você conheceu na aula anterior. Veja se faz antes de chegar à sala de aula. 1) Pegue um cabo que tenha cerca de 6 cm de diâmetro e use um dos chicotes para fazer uma costura de mão, formando assim uma alça. 2) Junte no seu local de trabalho, um rolo de fio de vela (ou barbante), um macete de bater e uma espicha ou um passador. 3) Se o cabo tiver 6 cm, multiplique esse número por três e faça uma falcaça nessa distância (3 x 6 = 18 cm). 4) A seguir dê um botão em cada um dos cordões do cabo que você descochou, para que estes não se descochem. 5) Agora, continue a manobra conforme as instruções da aula anterior, observando a figura correspondente. Acertou? então use o macete de bater, dando macetadas em toda a parte costurada; retire a falcaça do cabo e corte rentes os cordões que sobrarem. E, Parabéns! 5.4 Gachetas São trançados de cordões geralmente usados para fins ornamentais em molduras, fiéis, fundas e cortinas. Atualmente são confeccionados com cabos finos de fibras sintéticas, algodão e linho, por serem fibras claras e bonitas. Abaixo você vê uma gacheta de três cordões.
  34. 34. 35 AMNAMN Passaremos a explicar a maneira como se pode fazer uma gacheta de sete cordões. a) separe os sete cordões em dois grupos, um de 3 e outro de 4. Observe na figura que os dois grupos foram separados desde o início do trabalho. b) Traga o cordão da direita (ou da esquerda) por cima de dois, e depois alternadamente por baixo e por cima de um dos cordões do mesmo grupo, até ficar no grupo da direita (ou esquerda), do lado de dentro. Continue esta seqüência até chegar ao comprimento desejado.
  35. 35. 36 Detalhe superior Detalhe inferior
  36. 36. 37 Bibliografia FONSECA, Maurílio M. Arte Naval. 6. ed. Rio de Janeiro: SDGM, 2003. KIHLBERG, Bengt. The Lore of ships. Gotemburg: AB Nordbok, 1975. McLEOD, William A. The Boatswain’s Manual. Glasgow: Brown, Son & Fergunson, 1977. NOEL, John V. Jr. Knight’s Modern Seamanship. 17 ed. New York: Von Nostrand Reinhold, 1984. PREFECTURA NAVAL ARGENTINA. Direccion del Personal. Manual de conocimientos marineros. Buenos Aires, 1970.

×