Ebook Mais forte que adultério

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Depois de uma tragédia como a adultério, por vezes os envolvidos querem recomeçar a vida, entretanto, não conseguem se libertar de sentimentos de ódio e angustias. A proposta deste livro é oferecer uma direção a quem esteja vivendo uma situação assim.

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Ebook Mais forte que adultério

  1. 1. SUMÁRIO: Introdução:.........................................................................................................................................03 Deus, por que o Senhor não protegeu meu casamento?.....................................................................04 Como você pode fazer isso comigo?....................................................................................................08 Como foi acontecer isso? Onde? Como? Quando? Com quem foi?......................................................10 Quando a culpa não é assumida..........................................................................................................11 Dialogar bem, assumir os erros faz parte do processo de cura............................................................14 Homens e mulheres reagem ao adultério de maneira diferente?........................................................16 Quando um não coopera para a restauração......................................................................................20 Um novo relacionamento, mais forte que antes..................................................................................22 Mudança de hábitos. .........................................................................................................................23 Perdão, e o seu poder libertador.........................................................................................................24 Como apagar da mente imagens, cenas e lembranças ruins?..............................................................26 Tentar controlar o outro através de ciúmes não funciona por muito tempo. ......................................26 As recaídas emocionais.......................................................................................................................27 Não abra novas feridas.......................................................................................................................28 O que vai trazer a confiança de volta?.................................................................................................28 Quebrando laços de alma com o pecado.............................................................................................29 Renovação dos votos..........................................................................................................................29 Dia do amor, um dia para o casal........................................................................................................31 Conclusão:..........................................................................................................................................32 Dados do autor:..................................................................................................................................34 1
  2. 2. D edicatória: “Preciso refazer a vida, preciso perdoar, mas não estou conseguindo...me ajuda.” Esse tem sido o grito de muitos que foram vitimados pelo adultério e querem refazer a vida. A nossa proposta é oferecer caminhos para a preservação do casamento, e quem sabe, ainda com mais alegria que antes. Dedico este livro a Deus, pois Ele é a fonte, por Ele e para Ele, são todas as coisas. A Ele a glória, amém. Ano de 2013. 2
  3. 3. I ntrodução: Como conselheiros matrimoniais, temos atendido pessoas que foram vítimas de adultério, alguns como a parte ofendida e outras como ofensor. Homens e mulheres, elas chegam cheias de frustrações, desiludidas com tudo, e por vezes, decepcionadas com Deus. Embora sejam poucos os que falem sobre isso, mas no seu íntimo questionam: “Deus, por que o Senhor não protegeu o meu casamento?” Primeiro vem a desorientação, elas perdem o chão já não sabem o que fazer, parece que é o fim. Num segundo momento começam a raciocinar um pouco melhor e as ideias vão se clareando em meio a muitas lágrimas, raiva e ódio, até que se deparam com a necessidade de tomar uma decisão, ficar ou partir? Separar ou se ajuntar ainda mais? Qual a melhor resposta a tamanho mal? Seria melhor desistir? Mas e o amor, a família, os filhos, e tudo o mais que já foi construído? E como resolver a questão da falta de confiança? Assim as perguntas sem respostas vão se acumulando. Nessa hora é preciso pensar com a razão e não com o coração, pois ele está cheio de mágoas e ressentimentos. Existem três possibilidades que a gente observa entre as pessoas que experimentam esse infortúnio: Restauração, divórcio, ou eles continuam juntos, mas brigando o tempo todo, fazendo de suas vidas um verdadeiro inferno. 3
  4. 4. D eus, por que o Senhor não protegeu meu casamento? A primeira coisa a ser entendida nesse contexto de desencontros é que Deus não é teu inimigo e muito menos é o culpado pelo acontecido. A pior coisa que se pode fazer numa crise dessas é se revoltar contra Deus. Como dizia um amigo: “Se eu perder Jesus, perco tudo que tenho, pois Ele é tudo para mim”. Depois é preciso entender que Deus não prometeu uma vida só de regalias, conforto e paz. Ele falou sobre inimigos, dores, sofrimentos, ventos e tempestades. Falou também que estaria conosco, independente do momento. Ademais, a vida não se desenrola num “spa”, mas sim, num campo de batalha. E como dizia o poeta Gonçalves Dias, “ A vida é combate que as fracos abate, aos fortes e bravos só pode exaltar”. Deus deixou segredos reveláveis aos seus íntimos, àqueles que creem e buscam e esses segredos são os condutores de sucesso na vida, especialmente na vida em família. Em toda a Bíblia temos regras, caminhos e exemplos para a vida conjugal, bons e maus. O que dizer, por exemplo, da doçura e romantismo de um Salomão no seu relacionamento com Sulamita, ou, que dizer da disposição dela para o sexo com seu amado ou da forma carinhosa como ele lhe dirigia a palavra. Ler Cantares traz um aprendizado fabuloso, e, no entanto, quantos casais cristãos passam a vida sem o ler, não é mesmo? Pois bem, nesse livro e em outros, Deus oferece princípios e valores, o Senhor dá dicas, por assim dizer, mas Ele não vai fazer o papel de marido ou de esposa. Cada casal deve cuidar de si mesmo sempre com mutualidade, companheirismo, compromisso e ternura. Cuidar bem do relacionamento é agir preventivamente, é um investimento. Quando se tem um casal, onde a esposa se sente amada pelo seu homem ,e este , respeitado e admirado pela sua esposa, então, o amor estará protegido. Além do respeito, um homem precisa estar satisfeito sexualmente, tendo sempre ao 4
  5. 5. seu lado uma companheira agradável para com ela compartilhar sonhos, aspirações, lutas, sucessos e fracassos. Tudo isso é saúde para o relacionamento, faz bem. Isso não quer dizer que nunca vá ocorrer o pior, mas anula os argumentos, as justificativas para o erro, diminui a chance de se falhar e cair no pecado. O que não se pode faze é transferir para Deus a responsabilidade pelo bom ou mau andamento de um casamento, isentando o comportamento humano de culpa ou de glória. É bem verdade que “Se o Senhor edificar a casa em vão trabalha os edificadores” (Sl 127:1). Aqui fica claro que é Deus quem edifica uma casa, porém, em nenhum momento mandou o Senhor que os edificadores parassem com seu trabalho por ser desnecessário. Essa é a parte humana da relação. E é sobre os humanos edificadores que Deus dará graça para uma jornada feliz. Deus pode estar abençoando um casamento ao mesmo tempo em que o casal, trabalha para sua destruição através de condutas não recomendadas. O casal pode estar jogando contra si mesmo, tornando-se o seu próprio inimigo, o pior deles. O que o Senhor promete é estar conosco em todos os momentos, nos montes ou nos vales. Em alguns casos teremos libertações prévias, cuidados especiais e em outros não. Deus, por vezes, nos leva nas “asas da águia” e esse é o tempo do voo panorâmico, tempo bom. Já outras vezes, provoca turbulência, abana suas asas sobre a qual nos conduz e nos obriga a “voos forçados” para que o aprendizado aconteça. É a forma Dele trabalhar, mas o que importa é que nunca nos deixará espatifar no chão, sempre nos arrebatará sobre suas asas e nos levará de volta para o alto, assim como faz a mamãe água. Outra coisa que Deus assegura é que todas as coisas irão contribuir para o bem daqueles que amam a Deus e a sua justiça e que são chamados segundo o seu propósito. Significa dizer que mesmo do mal, Deus pode extrair o bem. O mal, ainda que indesejável, pode se transformar num “start” para o bem, no caso aqui, mudanças positivas na vida do casal. Outro dia ouvi um comandante de aeronave dizer que um para um Boeing cair é necessário que vários erros aconteçam ao mesmo tempo. Não quero encontrar culpados para o adultério, mas geralmente, uma sequência de falhas deve ter 5
  6. 6. ocorrido, assim como no caso do Boeing. E, às vezes, erros são cometidos também pela parte ofendida. No caso de uma esposa, a negligência, abandono emocional, abandono social, falta de sexo, ausência de carinho, afeto e ternura, são indicadores de que algo ruim possa estar para acontecer a qualquer momento, pois a mulher assim, torna-se emocionalmente vulnerável. E sabemos que nisso o inimigo de nossas almas é astuto, ele prepara a oportunidade, cria situações e momentos. Os maridos, por sua vez, são ainda mais suscetíveis a cair em adultério, de um lado há uma pornografia obrigatória que o encontra todos os dias, na propaganda da TV, no jornal escrito, no noticiário esportivo, na banca de jornal, no “outdoor” da praça, enfim, ele não precisa procurar por ela, é a pornografia quem o encontra. De outra sorte, ao seu redor está cheio de mulheres com problemas de caráter se oferecendo, mostrando-se disponível, e em meio a tudo isso, ele, que acha que tem fortes razões para ter suas próprias experiências extraconjugais. Vamos acompanhar o caso abaixo, é como uma tragédia anunciada, algo que vai dar errado dali a pouco, pois as ações que mantém alguém fiel já não existem e o casamento está sustentado tão somente no bom caráter do cônjuge, leia isso: Leia este depoimento de um marido: “...desde o início de nosso casamento, até hoje, a minha esposa não se sente atraída por mim sexualmente. Às vezes toco nela, mas parece que tenho espinhos em minhas mãos. Ela sente-se incomodada com meus toques, parece que estou sufocando-a. Uma vez, com um ano e pouco de casados, ela me disse que não tem vontade em ter relação sexual comigo. Quando ouvi aquilo, parecia que entrou uma faca em meu peito. Eu sou uma pessoa carinhosa, procuro elogiá-la, beijá-la, dar lhe presentes, fazer suas vontades, trazer recursos financeiros para suprir nossas necessidades, protegê-la e amá-la. Sei que a mulher precisa de carinho, sentir-se segura e amada. Procuro fazer isto, mas recebo frieza da parte dela. Ela diz que me ama, mas não sabe o que acontece. Quando ela deita, vem um sono incontrolável nela. Eu a toco e ela nem se mexe. Não recebo carinho, nem beijo, nada, vivemos como se fossemos dois irmãos. Às vezes me sinto como se eu fosse uma pessoa estranha, tentando me relacionar com ela, como se ela fosse forçada a ficar comigo, é horrível...” O que esperar desse relacionamento. Até quando este marido vai se segurar. Vou responder: Até o dia que a oportunidade de um adultério bater em sua porta. 6
  7. 7. “A alma farta pisa o favo de mel, mas para a alma faminta todo amargo é doce.” Pv.27.7 O sábio Salomão está dizendo que quando alguém está suprido em suas necessidades alimentares ele despreza o precioso mel, entretanto, aquele que está com fome até o que não é tão apetitoso, se transforma em objeto de desejo. E assim acontece também com as necessidades sexuais e emocionais do casal. Ela precisa de afeto, ternura e de carinho (e claro, de sexo, afinal ninguém é de ferro) e o marido carece de um bom sexo. Quando isso acontece, o amor estará protegido e as possibilidades de um adultério diminuídas. De tudo, se depreende que Deus protege o casamento através da sua multiforme graça, entretanto, o marido ou a esposa, tem que fazer a sua parte, conviver segundo princípios e valores que dão sustentação, que os mantenham próximos um do outro, se cuidando mutuamente, respeitando suas individualidades, mas acima de tudo, se amando. 7
  8. 8. C omo você pode fazer isso comigo? A traição é uma das experiências mais traumáticas que uma pessoa pode vivenciar. É tão grave que mesmo Deus não suporta o adultério. Ele exige para si corações exclusivos. Pessoas vitimadas costumam se perguntar “Como pode fazer isso comigo?” É uma dor indescritível realmente, pois a ferida é provocada por aquele a quem mais se ama, e a sensação de perda, de ser passado para trás, de ser preterido, realmente é terrível. Na prática é dizer que a pedrada vem de onde não se esperava. Mas a vida continua, tem continuar, com adultério ou não , com choro ou sem choro, viver é preciso e em casos assim os envolvidos terão que escolher se querem passar a vida chorando ou vão reagir positivamente e lutar para sair do buraco existencial onde foram colocados pelas circunstâncias. Tenho aprendido com Deus, que há tempo para todas as coisas debaixo do sol. Há o tempo de chorar, mas há também a hora de sair do choro. Vemos isso na vida de heróis da fé como Davi e Efraim que choraram suas tragédias e dramas familiares, mas que, num dado momento, se levantaram do choro e foram em busca de soluções para o seu problema. Davi passou por isso quando sua família toda foi levada pelo inimigo, ele sentou e chorou até não ter mais forças para chorar, mas depois, se levantou, fortaleceu em Deus e orientado por Ele, foi em busca de sua família e trouxe tudo de volta, nada ficou na terra do inimigo.( I Sm30.16,ss). Efraim teve dois de seus filhos mortos quando foram roubar gado (ICr 7:20-27 ), foi uma tragédia. Ele chorou muito, mas vieram seus irmãos e o consolaram e mais tarde, de sua descendência nasceu Josué, um grande homem, e de Josué vem a geração de Jesus, e assim a vida vai se refazendo. Não é o caso de se negar o sofrimento, mas também não se deve alimentar a auto piedade ou vitimização, que, diga-se de passagem, é um pecado. Isso não ajuda e pelo contrário adoece ainda mais a alma. Está alguém sofrendo?, pode chorar a sua dor por um tempo, entretanto, a vida não acabou, então, levante-se e comece a reconstrução. Escolha o caminho que vai trilhar, vai perdoar? Então perdoe mesmo. Vai se separar?, Pense bem, não será melhor investir do que desistir? Ou será que numa nova relação não vai haver crises também. E se houver, separa de novo? Todos os indicadores, inclusive financeiros mostram que é melhor investir numa relação que se quebrou, mas que era muito boa, do que 8
  9. 9. desistir e começar uma nova. Uma nova relação também necessitará de investimento. Penso que não vale a pena insistir quando a relação nunca foi boa, então, investir em algo que já não existia. Mas quando o relacionamento foi em amor, algo bonito, então é hora de buscar de volta o que se perdeu no tempo. E a gente deve lembrar de que nos casamos com seres humanos e não com seres angélicas e suas perfeições. E desse modo, por mais que amemos, é preciso saber que a qualquer momento poderemos ter que perdoar uma falha desse querido, em virtude de sua humanidade. Ora perdoamos e ora somos nós os perdoados. Outro dia li uma recomendação, mais ou menos assim, “Espere tudo de Deus, pouco de si mesmo e nada de outras pessoas”, pois isso evita sofrimento desnecessário. Quanto a Deus sabemos que não vai falhar conosco nunca, então posso esperar confiadamente. Esperar pouco da gente, é sabedoria, pois evita que fiquemos decepcionados com nossa performance, é não se deprimir com so próprios erros, não se cobrar demais, não exigir de si mesmo o impossível. E das pessoas é bom não esperar nada, pois se vier algo bom, já é lucro. E se não vier nada, já estávamos ciente dessa possibilidade. Em suma, você é uma pessoa imperfeita que se casou com outro imperfeito, e que a qualquer momento precisa perdoar e, quem sabe, ser perdoado também. 9
  10. 10. C omo foi acontecer isso? Onde? Como? Quando? Com quem foi? O coração fica cheio de perguntas, desesperos, lágrimas, frustração. Perguntas e mais perguntas, algumas colocações até explicam, mas geralmente não justificam. Não é bom que se fale sobre os detalhes do adultério, especialmente no tocante a intimidade sexual, pois eterniza o sofrimento. Existem coisas que são importantes virem à tona e outras não. Geralmente se pergunta quem é a outra pessoa, quer fazer comparações, quer minúcias do ocorrido, e sensações. Isso não é importante. O que mais interessa é o caminho que levou a tal situação, o que estava acontecendo com a relação, onde estavam emocionalmente quando tudo aconteceu, como estavam vivenciando o amor, para então compreender e corrigir atitudes. É o estancar de uma sangria. Outro dia uma esposa perguntou ao marido adúltero se ele tinha gostado da outra como amante e ele respondeu que sim, e isso piorou muito o tratamento. Também é muito comum arrumar outros culpados para o ocorrido, e é preciso tomar cuidado ao envolver pessoas. Não transformar em culpados pessoas inocentes. Talvez fosse melhor procurar saber o mínimo necessário para fazer um juízo de valor, e não buscar riquezas de detalhes, pois vai envenenar ainda mais a alma. Nessas horas, é fácil ficar com raiva de pessoas que não tiveram participação ativa no ocorrido. Muitas vezes, um casal reata as suas relações, mas deixa para trás um rol de amigos que foram transformados em inimigos de uma maneira injusta. Na família então, a coisa fica ainda mais difícil, inimizades, acusações, afastam as pessoas mais queridas do casal, uma tragédia. Salomão disse que comprar briga de outros é como pegar um cachorro grande pela orelha. Sabe o que ele está falando? Que se pegar um cachorro grande pela orelha não terá como soltar depois. Isso nos ensina que se intrometer, dar pitacos na vida de quem está numa crise assim, sem ser para isso chamado, não é bom negócio, pois vai comprar uma briga da qual não consegue mais sair depois. 10
  11. 11. Q uando a culpa não é assumida. Quando ofensor nega a realidade dos fatos, então, a cura fica um pouco mais difícil. Agora, quando o ofensor abre o jogo, conta o acontecido, demonstra arrependimento, pede perdão, então, com um pouco de sabedoria e bom senso a continuidade do relacionamento será possível. Durante as tratativas do casal é sempre bom que aquele que errou se prontifique a dizer que fará tudo o que for possível para que não aconteça novamente. Se demonstrar sinais de estar apaixonado por aquele(a) com quem se envolveu é preciso um pouco mais de paciência e fé para a restauração deste casamento. Não que seja impossível, mas vai dar mais trabalho e é preciso estar preparado porque a luta pode ser maior que o esperado. Geralmente é a mulher se apaixona mais facilmente, vez que para ela sexo tem que ser precedido de um envolvimento emocional. O homem, por buscar sexo pelo sexo, não é comum se apaixonar, embora aconteça. Ele quando se apaixona costuma desviar os recursos da família para a amante, monta casa, compra bens, roupas e frequenta lugares caros. Nesses casos, é preciso que as finanças passem por uma prestação de contas durante o tratamento submetido ao casal. Embora quando há arrependimento e perdão, as coisas se apresentem mais fáceis para a reconciliação, mas vai exigir sabedoria para a reconstrução. Não se pode exigir mais do que aquilo que seria o razoável exigir. O fato de alguém errar, não significa que vai aceitar ser espezinhado o resto da vida, tudo tem um limite, não exagere na dose. A vítima de adultério fica sem chão, cheio de incerteza e insegurança. Então é nessa hora que mais se precisa de alguém ao lado. E o melhor lugar para buscar ajuda é, certamente, na família, na igreja, junto aos amigos maduros, junto a um mentor espiritual ou mesmo um profissional. Contudo, aquele que vem para ajudar, consolar, não deve ser o que toma a decisão, apenas orienta, aponta alternativas, e deixa que o interessado decida. Não coloque o seu destino nas mãos de outros, cada um deve ser ator e protagonista de sua própria história, isso com a ajuda de Deus. Falo isso em virtude de familiares e amigos que nessa hora tem sempre uma “palavrinha” para 11
  12. 12. oferecer. Pessoas que não estão envolvidas no caso tem a tendência de apresentar soluções fáceis, mas com superficialidade. Mulheres costumam contar seus problemas para muita gente, inclusive para pessoas que não vão ajudar em nada, só podem atrapalhar, então é melhor controlar este impulso. Os homens, por sua vez, parecem uma ostra, se fecham e não falam com ninguém. Isso, em alguns casos pode ser bom, em outros, não. Quando se sofre sozinho há possibilidade de uma depressão se manifestar ou mesmo de decidir mal. Bom mesmo é comparecer diante de Deus e ali se derramar. Abrir-lhe o coração e clamar por socorro. “Então clamam ao SENHOR na sua angústia; e ele os livra das suas dificuldades. Faz cessar a tormenta, e acalmam-se as suas ondas. Então se alegram, porque se aquietaram; assim os leva ao seu porto desejado.” Salmos 107:28-30. “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade. Ele cumprirá o desejo dos que o temem; ouvirá o seu clamor, e os salvará.” Sl 146: 18-19Voltar-se para Deus, juntos, é essencial, pois a presença Dele é quem garante a vitória. Muitas pessoas correm tanto atrás do cônjuge que este acaba por se enfadar e decidir-se de vez pela separação. Uma esposa escreveu assim: “ Pastor, meu marido me traiu com a minha melhor amiga, estou destruída, não vejo mais razões para continuar a vida, seria melhor morrer. Perder o meu marido, que tanto amo, é perder a razão da vida, o significado dela, pois ele é a minha vida. Ele é tudo para mim” Veja, pode parecer algo muito bonito, até poético, mas fico pensando, será que é certo colocarmos nosso destino, nossa alegria, tudo nas mãos de um fraco, um ser humano que a qualquer momento pode falhar? Não faça de seu cônjuge um “deus”. Talvez pudéssemos chamar pessoas que colocam seus cônjuges no lugar de Deus de “maridólatras” ou “esposodólatras” ( será que existe esta palavra?). A dependência deve ser para com Deus, pois Ele nunca falha. O cônjuge é alguém que Ele, Deus, colocou em nossa vida para compartilharmos alegria e tristezas e também para que cumpríssemos um propósito do Senhor, nada mais que isso. São pessoas que amamos, mas nunca acima do próprio Deus. Nossas prioridades precisam ser sempre corretas, primeiro Deus, depois o cônjuge, depois os filhos, família, igreja, trabalho, enfim. Olha o que Deus diz: 12
  13. 13. “Pois que tanto me amou, eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque ele conhece o meu nome. Quando ele me invocar, eu lhe responderei; estarei com ele na angústia, livrá-lo-ei, e o honrarei.” Salmos 91:14-15. Quando honramos a Deus, ele nos honra, quando O desprezamos , ele nos despreza também. E muitas vezes, no relacionamento marido e mulher, Deus não tem vez, fica de lado, às vezes, nem é chamado a participar da vida a dois. 13
  14. 14. D ialogar bem, assumir os erros faz parte do processo de cura. Existem coisas que fazemos ou que sofremos que não têm justificativas, mas ao menos se explica, se diz o “porquê” as coisas aconteceram. Quando um casal passa pela experiência de um adultério, eles têm muito que conversar. Explicações precisam ser oferecidas, perguntas precisam ser respondidas, propostas e promessas devem ser proferidas. O que foi ferido precisa falar de sua dor, e de seu desapontamento, de sua alma ferida. O que feriu precisa dar esclarecimentos. Tudo isso promove cura. E é no campo do diálogo onde isso é possível, e se não estiverem conseguindo em virtude de brigas decorrentes , é o caso de procurarem alguém para arbitrar essa conversa. Nesse diálogo não há espaço para gritos, acusações infundadas e afirmações exageradas, e nem tampouco para autocomiseração. Quais foram os erros cometidos? Teria faltado um bom sexo dentro de casa? Ou será que foi abandono emocional? Ou quem sabe falha de caráter ou excesso de oportunidade. Cada um deve assumir sua cota de culpa, deve ficar claro qual foi a sua contribuição para a ocorrência do evento danoso. Estando um arrependido e o outro disposto a perdoar, isso é caminho de vitória do amor. Eles têm tudo para continuarem juntos e numa relação ainda melhor, onde eles se cuidam mais e corrigem as falhas havidas. “Examine-se, pois, o homem a si mesmo,...” I Co 11:28 a O que adulterou examina o tamanho do seu erro, procura descobrir a seriedade do mal praticado, pensa nas pessoas que foram feridas para mais tarde buscar o perdão delas. É importante se examinar, facilita o processo de restauração através do perdão, pois quando se admite a culpa, a justiça começa a ser feita. Sem justiça não há paz e muito menos confiança na relação. 14
  15. 15. Também é necessário perdoar-se a si mesmo. Às vezes, consegue-se perdoar o marido, a esposa, o intruso, mas quando chega a hora de liberar o perdão para si mesmo, a pessoa não consegue. E aí, envergonhada se afasta das pessoas e de Deus, sente o peso de sua maldade e se vê sem saída e sem direito de remissão. Nesses casos, é preciso levar em consideração a nossa humanidade, entendendo que por melhor que seja alguém, vez ou outra vai errar e necessitará de misericórdia de Deus, das pessoas e de si mesma. A perfeição ainda não é possível e quando exigimos perfeição em nós, também o fazemos para os outros , e assim nos tornamos críticos e exigentes com as pessoas, e mais, temos dificuldade de usar de graça e misericórdia. 15
  16. 16. H omens e mulheres reagem ao adultério de maneira diferente? O amor é o que nos identifica como sendo filhos de Deus e seguidores do Cristo. E no amor devemos ser aperfeiçoados e nele seremos reconhecidos. As pessoas quando precisam traçar o nosso perfil, não olham para a nossa condição de membro de uma igreja, para o nosso paletó, na carteirinha da igreja, mas sim, para a forma como tratamos as pessoas, como nos relacionamos. Elas procuram ver em nós o amor se manifestando e assim concluem se, de fato, somos de Deus ou não. Sendo de Deus, espera-se que tenhamos um comportamento parecido ao de Cristo. O interessante é que o amor de Deus mais se revela quando a pessoa menos merece (...mas que precisa). E quanto a nós? Como trataremos as pessoas as quais amamos, mas que rejeitaram o nosso amor? Somos de Deus ou não? O marido como vítima do adultério. Como reage o marido que amou apaixonadamente a sua esposa, e foi traído no seu amor, com um caso de infidelidade? Há quem faça de conta que está tudo bem, tentando assim proteger sua própria reputação, mas que já se decidiu que não amará mais aquela mulher com o mesmo amor; outro há que sem detença correrá para o divórcio, e por fim, restam aqueles que amam com um amor incondicional, o amor que tudo espera, tudo suporta, tudo crê, e que fará o melhor para trazer a sua amada de volta à verdade, à lucidez, e assim, a redimir de sua vergonha. Mas como oferecer um amor assim a quem não merece? Sabe como? Primeiro é preciso receber do próprio Cristo este amor para depois oferecê-lo a alguém. Eu só serei capaz de amar assim quando compreender que mesmo tendo rejeitado o amor de Cristo, mesmo O tendo traído, ele me redimiu de minhas misérias e vergonhas e me trouxe para si mesmo. Ele me quis, apesar de mim. Ele acreditou na minha mudança de coração. Ele passou pela minha vida, me viu e me tomou, e eu fui dele. E essa é a palavra aos irmãos, especialmente, aos homens, que não estão conseguindo conviver com um ato de infidelidade; que querem perdoar, mas não se perdoam a si mesmo por não destruírem violentamente a vida dos traidores. São homens que se sentem menos homens, o pior deles, e que se olham no espelho e se enxergam como um fraco e covarde. Há muitos homens que já desejaram a violência como alternativa punitiva ao traidor, mas como cristãos, com um coração parecido com o de Cristo, o perdão deve ser 16
  17. 17. considerado com carinho. As estatísticas de divórcio e separações na Inglaterra e França, o índice é de 10% de separações enquanto no Brasil estamos em torno de 50% de divórcios. Sabe por que essa diferença? Eles perdoam mais facilmente a questão da infidelidade. Eles não têm a cultura de destruir a vida do infiel, mas sim, de que é melhor investir no relacionamento antigo do que desistir. Nós achamos que somos mais de Deus ("Deus é brasileiro"), mas quando nos deparamos com um quadro trágico assim, queremos destruir a vida do outro, ou simplesmente desistimos da relação. Talvez seja a hora de deixarmos as nossas tradições e cultura e comprarmos a cultura de Cristo, a cultura do perdão. O nosso “sangue quente” ou “sangue de barata”, precisa ser substituído pelo sangue de Cristo. Faça isso e viva. O marido como autor do adultério. O homem é mais tentado sexualmente quando as coisas vão mal dentro de casa, entretanto, o que confirma um adultério é a falha de caráter e falta de Deus. Estar vivendo um momento ruim na relação deixa a pessoa mais exposta sim, porém, nenhuma tentação é insuperável. E para a cura de um relacionamento as responsabilidades devem ser assumidas, caso contrário, os envolvidos ficarão sempre achando que o outro é o culpado de seu erro. E assim a porta para um novo adultério continuará aberta. O que difere o homem da mulher com relação a propensão ao adultério é o fato do impulso sexual masculino ser de dez a vinte vezes mais forte do que o impulso feminino. Esse fato, somado ao fato cultural, onde o adultério masculino é visto com bons olhos e o feminino é condenável fazem com que o homem se estimule mais para a traição. E mais, o homem é atraído por aquilo que ele vê, e hoje, a nossa sociedade está altamente erotizada, com uma pornografia quase que obrigatória que pressiona ainda mais o homem para o sexo ilícito. Quando a casa de um homem cai, se ele ama a esposa e quer salvar o casamento, ele fará de tudo, haverá mudanças em seu comportamento, mas se não amar a esposa, então, ele não irá se preocupar muito com mudanças. A esposa como vítima: No caso de ser uma vítima do adultério, ela é vista com mais piedade pelas pessoas do que um homem. As amigas se condoem dela, lhe prestam solidariedade. Já os amigos de um homem, o olham com certa desconfiança. Porque a esposa o teria traído? Será que ele não gosta de mulher? Enfim, coisas parecidas com essas ficam no imaginário das pessoas. Perdoar, para ele, é quase 17
  18. 18. uma desonra. O mais comum seria mandar a mulher pecadora embora. Em algumas regiões do Brasil, ainda se fala em lavagem da honra, onde o marido traído se vinga dos adúlteros com a morte. A mulher é mais sensível e capaz de perdoar com mais facilidade. Claro que ela também sente dores, fica envergonhada, humilhada, diminuída, mas por sua própria estrutura emocional é mais capaz de lutar por um amor. Ainda bem que é assim, caso contrário muitos casamentos que hoje são lindos, teriam sido desfeitos em algum momento se não fosse a sabedoria da esposa. Quando o homem adultera não está buscando um novo amor, um sentimento, mas sexo. E a mulher se apega nessa informação para superar a crise. Estudos mostram que a mulher se esforça mais para reaver um relacionamento, ela tolera mais, perdoa mais. Isso tem a ver com a proteção da prole, visto que ela é mais sensível ao sofrimento dos filhos. Ela pondera mais. A esposa como autora do adultério. Permita-me compartilhar o testemunho de uma mulher que caiu na sedução do adultério e que estava com dificuldades para perdoar-se a si mesma. “Quanto sofrimento, quanta vergonha e choro, as lagrimas tem rolado dos meus olhos todos os dias, poderia definir como” pão de dores”, aflição, pelejas e guerras. Pastor, chego a pensar que nunca irá acabar esta angústia, penso que não tem mais jeito para mim, não há mais chance. Vou explicar o que aconteceu: Passado o primeiro ano do nosso casamento, eu fiz o que nunca deveria ter feito, ainda mais como uma serva de Deus, eu traí meu marido. O diabo me convenceu que eu tinha fortes razões para isso, ele deixou esses motivos de um tamanho gigante e eu caí, e fui direto para o abismo, deixei a Palavra, a conduta leal, o respeito por mim mesma e principalmente o temor a Deus. Hoje, pago um preço alto demais, e tem sido muito doloroso a ponto de querer desistir da vida. .... , hoje estamos num processo de reconstrução, mas está muito difícil. Eu continuei indo aos cultos, e chorava muito em todos que ia, porque sabia que estava errada , até que um dia resolvi buscar a Deus, me arrependi e comecei a lutar pelo meu casamento e pelo meu esposo, e agora começou minha peleja de dores de parto, gemidos e muitos uivos.” Percebe o poder enganador do adultério. Ela achava que tinha fortes razões para trair o marido, pois este não lhe correspondia conforme desejava. Mal sabia ela, o tormento que a aguardava. Muitas vezes, as pessoas traem não porque o 18
  19. 19. casamento estava mal, mas sim porque já alimentavam essa possibilidade e tão somente esperavam uma razão, um pretexto. Existem muitos casamentos que vão mal e não há adultério, assim como existem casamentos que vão muito bem e há adultério. Existem fatores que influenciam, mas a decisão é da própria pessoa. A mulher quando adultera acaba se envolvendo emocionalmente. Porém, posteriormente, costuma ser tomada por um sentimento de culpa muito grande, sentindo se “suja” e fica disposta a fazer o que for preciso para restaurar o que se quebrou. É mais capaz de reconhecer o erro que praticou. Geralmente, o homem não tem todo esse sentimento de culpa. O sentimento de culpa dele, em grande parte, decorre do estrago que o adultério provocou na família, em outras palavras, ele se arrependeu porque deu errado e para livrar sua cara está disposto a qualquer negócio. 19
  20. 20. Q uando não há cooperação para a restauração. Quando um não quer cooperar com a restauração, costumeiramente, as pessoas se dão por vencidas e abandonam a luta. Entretanto, creio que antes de alguém jogar a toalha, é preciso buscar uma ajuda sobrenatural, apegar-se com Deus para que o bem possa vir. Existem coisas que aos homens é impossível, mas, como disse anteriormente, o adultério não tem a ultima palavra, mas sim, Deus é quem a tem e para Ele tudo é possível. É preciso encher-se de fé , à partir do que Deus diz e não do que estão dizendo os envolvidos, os amigos, as pessoas de um modo geral. “ E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus; Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito. Por isso vos digo que todas as coisas que pedirdes, orando, crede receber, e tê-las-eis. E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está nos céus, vos não perdoará as vossas ofensas.” Marcos 11:22-26. Com tal fé, pode-se esperar uma boa solução, independente do quanto difícil esteja, pois é Deus é quem inclina o coração de uma pessoa para onde quer: “Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o Seu querer.” Provérbios 21:1. Você leu isso? Deus faz acontecer a sua vontade no homem mudando o seu coração. A Bíblia fala de homens cujo coração foi mudado para que eles fizessem não a sua própria vontade, mas a vontade de Deus. O coração de um rei está nas mãos de Deus, porque não estaria também o coração de um cônjuge. Nabudonozor cheio de arrogância achava-se o senhor de sua própria vontade, porém, Deus o reduziu a condição de um animal do campo, o fez pastar entre os demais animais e depois o restituiu a sua condição humana , então, ele disse: “...Segundo a Sua vontade Ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a Sua mão, e Lhe diga: Que fazes?” (Daniel 4:35). 20
  21. 21. Vamos ver mais um caso. Saul era um guerreiro, Deus o fez rei sobre Israel, mas queria uma mudança no coração dele, então Deus provocou essa mudança que desejava, veja o texto: “E o Espírito do SENHOR se apoderará de ti, e profetizarás com eles, e tornar-teás um outro homem.” 1 Samuel 10:6 Paulo, o apóstolo, estava a caminho de Damasco para aprisionar cristãos e o fazia com grande ódio e ameaças de morte, mas de repente, Deus o derruba por terra e provoca nele uma cegueira. Depois disso Paulo foi visitado pelo Espírito Santo, caem as escamas de seus olhos, ele volta a ver e cheio do Espírito foi batizado ( ver Atos 9), e assim Deus mudou o curso da história de sua vida. Aquele que saiu para aprisionar e matar, tornou-se um grande irmão. Concluímos assim, que mesmo quando um não quer sarar o relacionamento, Deus pode intervir fazendo com que mude o seu querer. O que se exige para que isso aconteça é fé, é crer que Deus pode fazer. Por isso não perca a esperança, mas creia e o que crer será teu. Nesse “olho de furacão” é importante apegar-se a algo maior e mais poderoso : “ Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do SENHOR, e firme-se sobre o seu Deus.” Is 50.1 21
  22. 22. U m novo relacionamento, mais forte que antes. O conflito provocado por um adultério não é desejável, claro que não, mas pode se transformar numa oportunidade para fortalecer o relacionamento, tornando o melhor que antes. Os estudos mostram isso, que casais que se perdoaram, que decidiram continuar juntos, passaram por mudanças comportamentais profundas de maneira tal que o amor deles cresceu, o relacionamento ficou melhor do que já foi. Questão de sabedoria! Isso é ser mais que vencedor. Significa dizer que este mal deve trazer algum benefício para o casamento. Quem sabe uma quebra de rotina, um investimento com o cunho de melhorar a vida a dois, mudanças boas, companheirismo, presença, carinho, sexo, etc. Os passeios fazem bem para o casal, mas veja o que a psicóloga Maria Claudia Lordello: "um passeio diferente não é capaz de operar milagres, são as atitudes que precisam mudar, senão fica difícil resgatar as coisas bacanas do início do relacionamento.” Alguns casais entram em conflito e se separam. Depois reatam o relacionamento e tornam a se separar. E assim, após várias idas e vindas, se acomodam num relacionamento não muito bom, cheio de feridas abertas, que vez ou outra volta a doer. É preciso tratar as feridas, todas elas, o amadurecimento será forçado a acontecer, tem que acontecer. Velhos erros tem que ser banidos da nova convivência, aquele que não prestava contas passe a fazê-lo; quem mentia não minta mais; quem se comportava como solteiro, faça coisas juntos; quem não valorizava o desejo sexual do outro, passe a se importar mais, e assim por diante. Nessa hora, toda força será necessária, pois é um tempo de luta e de trevas, então se apegue as verdades de Deus, e ele nos diz: “Mostra-te fraco no momento da luta e as tuas forças serão poucas.” Provérbios 24:10 E o poeta diz: “Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou, o que importa é que sempre é possível e necessário recomeçar". 22
  23. 23. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo. É renovar as esperanças na vida e o mais importante: acreditar em você de novo. Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado. Chorou muito? Foi limpeza da alma. Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia. Sentiu-se só por diversas vezes? É por que fechaste a porta até para os outros. Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da tua melhora. Pois é! Agora é hora de iniciar, de pensar na luz, de encontrar prazer nas coisas simples de novo. ... Estive lendo a história de um adultério masculino onde a esposa não aguentou e acabou se separando levando consigo os filhos. O marido virou um trapo, se acabou mesmo, trancou-se em casa, mal comia, não tomava mais banho, não rendia no trabalho, foi se destruindo pouco a pouco. Um ano e sete meses se passaram e quando ele já não tinha mais o que perder, ela voltou para casa com as crianças. Então aquele homem, reescreveu suas prioridades e tornou-se um grande marido, um ótimo pai de família, uma referência para muitos. Mas para isso ele precisou passar pela dor, pelo arrependimento, e se propôs a mudar de vida, revendo seus alvos e as razões pelas quais lutaria à partir de então. Eles estão juntos e felizes, sua mulher diz aos amigos do casal: “Meu novo marido é maravilhoso”. De fato ele se transformou num cara incrível e ela é hoje, uma mulher de sorte. Mudança de hábitos. Algumas mudanças devem ocorrer com urgência. Digo que hábitos são formados à partir da repetição de atitudes, então, é preciso ter paciência, até que esses novos hábitos estejam consolidados no relacionamento. Não se deve viver em função do erro acontecido, ressuscitando o fato a todo instante, trazendo à baile, provocando discussões, etc. Uma vez liberado o perdão, coloque uma pedra sobre o ocorrido, e só toque na história à partir daquilo que interessa para o momento em discussão. Tem pessoas que perdoam, mas não se conformam com ocorrido e falam dele todo o tempo, passando a viver em função do passado negro. Incorpore ao relacionamento as boas práticas como cavalheirismo, dedicação, gentileza, apreço, carinho, bom sexo, liberalidade financeira, bondade e zelo com o outro. Mudança de frequência de lugares que não tragam boas lembranças, corte relacionamentos com pessoas que foram também participantes do adultério. Se o fato aconteceu no trabalho, mude de serviço , de horário, promova mudanças para evitar contatos com o outro. Se foi pela internet , exclua, delete o que for preciso. Mude o sexo dentro de casa, tanto na sua quantidade, como na sua qualidade. Deve-se fazer de tudo para não gerar 23
  24. 24. angústias para o outro e passar a ideia que está se empenhando para a superação. Perdão, e o seu poder libertador. “Tenho orado muito e pedido a Deus direção, sabedoria e discernimento para todas as coisas, mas ainda não sinto que devo perdoá-lo. Quando penso em restabelecer a vida conjugal, me vem cenas dele com a outra e sinto nojo dele. Estou totalmente perdida !!!” A ferida na alma dessa mulher é tão grande que ela acha que não deve perdoar o marido, e mais, sente nojo dele e se declara perdida. O perdão é uma questão de escolha, de razão e não de emoção. Sentimentos e emoções, são coisas do coração, então, como um coração ferido vai querer perdoar? Não vai mesmo. E perdoar uma pessoa que tentou destruir nossa família é algo que chegamos a pensar que não é coisa para humanos, mas para seres divinos. E o cristão é esta pessoa, participante da natureza divina, que tem uma centelha de Deus no seu ser. O perdão exige renúncia a direitos. Normalmente, em casos assim, nos sentimos no direito de ter raiva, de destruir o intruso. Outro dia, uma esposa vítima de adultério queria matar a outra, proferia palavras de maldições, mas tratava de forma mais benigna o marido pecador. Já outros direcionam todo seu furor contra o próprio cônjuge e nem tomam conhecimento do intruso. Cada um reage de uma maneira, mas no geral, há muita dor e revolta. Quero contar algo muito pessoal. Havia alguém que me desafiava todas as vezes que me encontrava. Para um homem ser provocado através de gestos e ameaças verbais é um desafio a sua masculinidade. Fui alimentando um ódio contra a tal pessoa a ponto de armar uma estratégia para tirar-lhe a vida. Então convidei um amigo para que se juntasse a mim, uma vez que também nutria por aquela pessoa o mesmo ódio, ao menos era o que eu imaginava. Mas o que este amigo me disse me desarmou: “Ismael, você está tomando veneno e esperando que seja o outro que morra. Você está querendo queimar a sua casa para matar um rato? Para jogar a água suja da bacia está jogando o bebê junto? É isso que quer fazer?”. Desisti da ideia, mas do ódio não. Passado algum tempo tive uma depressão que foi a causa da minha conversão a Jesus Cristo. A primeira coisa que o meu pastor perguntou foi isto: “ Você está alimentando ódio contra alguém?”. Ao que lhe respondi afirmativamente. Ele disse: “Você vai orar por essa pessoa”. Eu disse: “Não, é certo que não. Não quero e não estou disposto a fazer”. Aí, ele me contou 24
  25. 25. a história do credor incompassivo ( Mt 18) e me mostrou ali que quando não perdoamos alguém, vamos junto com ele para as mãos dos verdugos, ou atormentadores espirituais. Então, querendo a libertação da depressão comecei a orar por ele, mas com um amargo na boca, sem nenhuma vontade e dizia para Deus: ”Vamos lá, para mais uma seção de hipocrisia” e fazia uma oração pedindo que o Senhor o abençoasse. Mas os dias se passaram e fui percebendo alguma mudança em mim, já não tinha mais aquela descarga de adrenalina quando via o meu inimigo, o frio na barriga havia desaparecido. E nesse meio de tempo, Deus foi criando oportunidades e situações de maneira tal que em poucos meses eu estava conseguindo olhar para ele e ele para mim, ao mesmo tempo em que a depressão estava indo embora. Entendi que primeiro obedecemos, depois compreendemos. Hoje eu não ando de mãos dadas com ele, não dou tapinhas em suas costas, mas conseguimos conviver em paz e até já fizemos negócios comerciais. No caso do adultério, não tem jeito de trazer de volta a alegria de uma casa, sem antes acontecer a liberação do perdão por parte do ofendido. Com isso mostramos que somos filho Dele e assim Ele nos dá a recompensa. E olha, o perdão deve ser facilitado. Muitas vezes, a vítima do adultério dificulta o perdão ao ofensor. Já vi casos onde a esposa resolveu dar uma lição no marido e fez greve de sexo e permaneceu assim por um tempo maior que o razoável, sabe o que aconteceu? O marido foi embora de vez. Somos estimulados por Jesus a sermos pacificadores, promotores do bem e da paz. E isso é uma condição para a felicidade. “Bem aventurados são os pacificadores, pois eles herdarão a terra” ( Mt 5). Os danos provocados pela decisão de divórcio são altamente destrutivos e vão gerar consequências ao longo do tempo. As crianças são as maiores vítimas e doenças emocionais e transtornos de comportamento podem ser esperados, por mais tranquila que possa parecer a escolha. Arrepender-se, abandonar o erro, pedir perdão e ser perdoado e assim reconstruir a vida é a melhor opção. "No arrependimento e no descanso está a salvação de vocês, na quietude e na confiança está o seu vigor, ...” Isaías 30:15 A primeira coisa que os envolvidos devem fazer é pedir perdão pelos pecados cometidos, incluindo aí, os cometidos contra o cônjuge, contra a família e contra Deus. 25
  26. 26. O arrependimento deve ser genuíno e não somente porque deu errado. Deve-se buscar isso, procurando transformar a tristeza em arrependimento conforme Paulo ensina aos coríntios: “2Co 7:10- Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento, para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.” Ficar triste com o fato ocorrido por si só não move o mundo espiritual. A tristeza transformada em arrependimento diante de Deus, essa é que gera algo novo no mundo espiritual, a vida. Como apagar da mente imagens, cenas e lembranças ruins? Bem, na verdade, esquecer não é possível, mas vai chegar um tempo em que a dor já não será tão aguda. A mente humana vai perdendo o registro , a nitidez, à medida que o tempo vai passando. Mas de imediato, o caminho é substituir pensamentos ruins por aquilo que nos dá esperança, não deixando a mente se fixar naquilo que faz mal. A Palavra de Deus é algo bom para a cura dos sentimentos. Faça lista de promessas de vitórias, de texto que encorajam, recite, declare textos que edificam a fé, e assim, se podem apagar as setas inflamadas que ferem a alma. Tenha nas mãos canções que tragam mensagens positivas, para assim não deixar a mente vazia, mas sempre ocupada com coisas saudáveis. Tentar controlar o outro através de ciúmes não funciona por muito tempo. “Há dois meses meu esposo foi participar de um treinamento de 5 dias em um hotel com a empresa, e lá conheceu uma moça e acabaram trocando telefone. Depois de alguns dias marcaram para sair e meu esposo me traiu com ela. No mesmo dia, Deus teve misericórdia de mim e me mostrou a traição. Quando ele chegou em casa foi mandar uma mensagem pra ela e "sem querer" enviou a mensagem para o meu celular. E Eu descobri tudo. Ele jura que não passou de beijos, que se encontraram em um restaurante e aconteceu isso. Eu, em desespero, fui para casa dos meus pais, chorava muito, descontrolada, sem acreditar no que tinha acontecido. Imaginar que eu marido, depois de 10 anos juntos, havia beijado outra mulher. Ele também entrou em desespero no trabalho, ligou para os pais dele que também se desesperaram. Desestruturou toda nossa família. E depois de dois dias ele foi na casa dos meus pais me pedir perdão, chorando, se mostrando arrependido, dizendo que não sabia como fez aquilo. Resultado: eu o perdoei! Voltei pra casa, nós estamos juntos pela misericórdia do Senhor. Ocorre que já se passaram um mês e meio e eu ainda 26
  27. 27. choro muito, sinto dor quando lembro do que aconteceu, às vezes não me conformo, pergunto “porquê” se o nosso amor sempre foi tão bonito, como ele se deixou envolver? Bom, mas o que fazer diante de um quadro assim. Vai tornar-se um fiscal do outro, vai policiar a vida dele, vai prendê-lo numa gaiola? Isso, num primeiro momento de desespero pode até funcionar em parte, mas ninguém aguenta viver assim por longo período. A confiança tem que logo ser restabelecida, e a medida que vão caminhando juntos a cura vai acontecendo paulatinamente. Trabalhando com uma mente investigativa e desconfiada só vai dar continuidade a um processo de distanciamento. Segundo a psicóloga Angélica Amigo, ficar o tempo todo preocupado com uma provável nova pisada na bola só vai desviar a atenção das coisas boas do relacionamento. O casal deve criar o hábito dar explicações, tanto do dinheiro que gastou, como dos lugares onde foi, dos contatos que fez, isso vai ser remédio para a volta da confiança. Deve ser feito de forma natural e espontânea, sem que se tenha que ficar com uma saca rolha retirando as informações do outro, com cobranças e discussões. O que vai trazer a confiança de volta? Confiança é um sentimento de que o outro vai se comportar de forma esperada e desejada, isso, baseado em um relacionamento anterior onde houve uma prova de merecimento. Ela leva tempo para ser adquirida, mas deixa de existir em poucos minutos. Quando há a quebra da confiança, é possível voltar a ter a segurança e confiar de novo não é tão fácil, mas perfeitamente possível. A pessoa traída tem que melhorar a sua autoestima para não se sentir inferior e agravar suas crises de ciúmes. Depois, à medida que o tempo vai passando, experiências boas vão sendo vividas, a insegurança vai indo embora desde que não haja fatos novos para atrapalhar. O parceiro ofensor deve contribuir tendo uma vida transparente e com disposição para dar explicações. Provas de merecimento serão necessárias. Haverá situações em que eles têm de negociar, por causa da incapacidade de prever o comportamento do outro. Com o tempo e correção de atitudes, transparência e paciência, a confiança estará voltando. 27
  28. 28. As recaídas emocionais. Um marido a quem ajudávamos num momento de desespero após ter notícias do adultério da esposa nos confidenciou: “Pastor, eu já perdoei ela, estamos procurando ajustar bem nossas vidas, já decidimos que o melhor é botar uma pedra sobre o acontecido, porém, às vezes, especialmente quando minha alma anda vagueando, de repente me vem um pensamento terrível. Um ódio me invade o peito e tenho vontade de ir de encontro a pessoa que se envolveu com minha esposa e atacá-lo com um pedaço de pau. Na verdade, naquele instante, penso mesmo em matá-lo a pauladas.” Isso é uma recaída, e é muito normal que aconteça. Por algum tempo esses pensamentos e sentimentos podem surgir do nada. É preciso ter calma, não deixar a mente vaguear. O segredo é não ruminar, não trazer de volta palavras, imagens, fatos. Ressentir é sentir de novo um mal. Mude o foco, desvie o pensamento, não alimente os desejos da mente que é de ficar remoendo o acontecido. Um período de oração pode trazer libertação necessária. Prestou atenção nessa carta acima. Minha mãe dizia que o Diabo ajuda a fazer, mas não ajuda a esconder. Não abra novas feridas. “A palavra branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” Pv15.1 É preciso tomar cuidado nesse momento porque as palavras também tem um poder destrutivo muito grande, tão ofensivo quanto o adultério em si. Especialmente aquele que errou, deve redobrar a sua paciência e tolerância com eventuais desequilíbrios da pessoa ferida. É preciso tomar algum cuidado para que o fato adultério não se transforme em uma obsessão, quando só se fala nisso, briga a todo instante e a coisa parece que não vai mais ter fim. Muitas vezes o casal está caminhando bem, tentando reaver o que perderam e de repente se levanta, no momento impróprio, as velhas acusações e a alegria vai se embora. Isso não é bom. O casal deve limitar o tempo que fala sobre o assunto, caso contrário, esse tema se “assenhora” da vida do casal impedindo que a confiança comece a renascer. Quando estiverem dialogando, procure fazer de modo civilizado e amistoso, caso contrário, o outro pode chegar a conclusão de que realmente não vale a pena continuarem juntos. Os ânimos vão estar alterados, mas não se pode perder o 28
  29. 29. controle. Procure tratar um problema por vez. Fazer uma pilha de acusações e lançar sobre o outro só vai aumentar a tensão e não haverá tratamento adequado. A Bíblia nos conta a história de um casal em um conflito, e a mulher diz:: “Eu sou do meu amado, e ele tem saudades de mim.” Ct 7:10 Ela o tinha tratado com descaso, mas se arrependeu e o buscou para uma reconciliação. Ela fez isso de maneira apaixonada. Ela é uma mulher que provoca saudades nele e não afastamento. Tem pessoas que se desequilibram, perdem a moderação e empurram o outro para mais longe ainda. E às vezes o empurrão é tão forte que o outro cai no colo de alguém. Quebrando laços de alma com o pecado. A Bíblia diz que quando um homem se deita com uma mulher, mesmo uma prostituta, torna-se um com ela. Isso não quer dizer casamento, pois este, envolve outros requisitos como deixar pai e mãe, unir-se emocionalmente, fisicamente e espiritualmente com alguém, constituir uma nova família, gerar filhos como sinal da benção de Deus, e outros requisitos mais. Porém, quando o tal homem se deitou com aquela mulher, criou-se ali um laço de alma, sensação de pertencimento, uma afetividade natural, e a isso tem que ser dado um fim. É quando então, o envolvido no adultério, faz uma oração , uma conversa com Deus e pede que o Senhor purifique novamente o seu coração e sua alma, pedindo que seja livre de pensamentos de cobiça, que sentimentos sejam anulados, que haja uma negação de desejos, uma renúncia daquele momento de prazer, aceitando-o como um erro grave, um engano de alma, algo que não poderia jamais ter ocorrido. Do contrário, as pessoas envolvidas podem manter um vínculo de amor ( ainda que maligno) e esperanças podem ser alimentadas, então, havendo arrependimento verdadeiro, faça novos votos de fidelidade e renuncie ao prazer pecaminoso. Renovação dos votos. No ato sexual adúltero, duas coisas aconteceram, a quebra da aliança conjugal e o estabelecimento de uma só carne com outra pessoa, ainda que perversamente. A quebra dos laços de alma é algo interior e espiritual. É quando, diante de Deus, se renuncia a qualquer sentimento de prazer, de saudade, e não se permitir 29
  30. 30. alimentar sonhos com relação àquela pessoa com a qual adulterou. Pede-se perdão a Deus, ao cônjuge ferido, e se possível ao parceiro de pecado, deixando claro que foi um erro que não mais se repetirá. Esta renovação se faz necessária vez que a antiga aliança existente entre o casal foi quebrada e agora precisa ser refeita. É um ato ritualístico, mas também espiritual e altamente moral, onde se faz promessas de amor, fidelidade, companheirismo, e compromisso. Na prática vejo isto contribuindo em muito para que a confiança comece a ressurgir em virtude que nela se verbaliza solenemente o que pretende fazer para o bem do outro. A renovação dos votos pode ser feita na igreja, no grupo de casais e mesmo em sua casa, na presença de amigos ou não. Exemplo de renovação de votos. Votos do marido: “ Minha esposa, diante de Deus e das testemunhas aqui presente, eu prometo fidelidade a você, lealdade no dia a dia e benevolência constante, serei o teu protetor, te amarei com toda a força do meu coração e da minha alma, farei o que for preciso para proteger o nosso amor, e darei o melhor de mim para que estejas bem. Prometo envidar todos os meus esforços para que a paz faça morada em nosso lar. E para tanto empenho aqui a minha palavra e o meu nome, com a ajuda de Deus. “ Votos da esposa: “ Meu marido, diante de Deus e das pessoas aqui presentes, eu prometo a você o meu amor e a minha fidelidade, prometo que me empenharei para ser a companheira que você deseja. Nos momentos difíceis estarei ao seu lado, poderás contar comigo sempre, honrarei você com meu respeito e retidão, e para isso, empenho aqui a minha palavra e a minha dignidade, na força e no poder de Deus.” Sugiro que o casal em tratamento passe a comemorar o aniversário de casamento com uma nova data, de preferência, a data da renovação dos votos conjugais. Isso vai reafirmar a ideia de um novo casamento, ou de um casamento revalidado. É um novo começo, nova vida, com a ficha limpa, nada que desabone o casal está registrado. 30
  31. 31. D ia do amor, um dia para o casal. “ As traves da nossa casa são de cedro, as nossas varandas de cipreste." Cânticos 1:17 Esta afirmação é de uma esposa, uma mulher que ama e é bem amada. Ela está dizendo que o amor que eles nutrem um pelo outro garante a estabilidade de sua casa. Talvez não entendamos bem o que ela quer dizer quando diz que as “traves de nossa casa são de cedro, as varandas de cipreste” , mas uma pessoa do seu tempo , especialmente um judeu, entendia perfeitamente a grandeza dessa afirmação. Tanto o cedro como o cipreste era madeira de lei, madeira da boa, madeira forte, madeira trabalhável, madeira nobre. Podemos ver essas madeiras nobres com as quais eles constroem o seu ninho de amor na mutualidade como se tratam, nas afirmações de amor, no romantismo, nas declarações apaixonadas, nos elogios frequentes e na revelação de um bom sexo. Isso é quase tudo que sonha um jovem casal casado. E porque muitas vezes esse amor bonito fica somente nos primeiros dias de um casamento? O dia a dia certamente é um dos inimigos do romantismo. A necessidade de lutar pela vida, de conquistar, de produzir, de ganhar dinheiro, de manter o que se conquistou, a chegada dos filhos, as contas, enfim, há uma gama de interesses que concorrem com o casamento dos sonhos. O pior é que não raras vezes, essas coisas se tornam mais importante na vida do casal, e eles vão se afastando um do outro, e o casamento começa a perder o seu brilho. O afeto já não é mais tão constante. É nesse momento que a construção da casa do casal de Cantares se revela. Eles usam cedro e cipreste e isso mantém a casa deles em pé. Eles têm tempo um para o outro, eles se buscam, se admiram muito, falam de seus sentimentos com palavras escolhidas, a noite acaba na cama com ela declarando que o leito deles é verde, é viçoso, tem vida, por causa desse tratamento que eles se dispensam. Isso é madeira de lei na construção da casa, por isso ela não cai. Bom, mas isso tudo é bem conhecido pelos casais, o que falta não é informar “o que?” está acontecendo com eles, mas sugerir “como” sair fora dessa roda viva, como não ser vencido pelas muitas atividades do dia a dia. Quem sabe se os casais guardassem um dia da semana, poderiam até colocar um nome, o “Dia do Amor”, e nesse dia, eles se priorizariam, dariam tempo um para o outro. No “Dia do Amor” coisas ruins e 31
  32. 32. problemas do dia a dia não teria vez, seria um momento para se viver o amor. Nesse dia ele escreveria um cartão, de próprio punho, com suas próprias palavras com uma mensagem bonita e original reafirmando o seu amor. Ela apaixonada prepara o leito conjugal, com lençóis macios e cheiro bom. Os toques e gestos de ternura seriam frequentes, um toque aqui, um afago ali. Ele poderia pensar em comprar umas flores e juntos dariam um passeio de mãos dadas, quem sabe um jantar gostoso, e tudo isso poderia ser coroado com uma noite de amor e de sexo. Bom, cada um pode criar no seu “Dia do Amor”, o importante é que vocês façam!! C onclusão: Estudiosos do assunto já chegaram a conclusão que para um casal que se ama, mas que se viu em meio a um adultério, o melhor a fazer é realmente lutar para salvar o casamento. É melhor investir do que desistir. É acreditar na força do amor, na capacidade de superação do homem, e principalmente no poder de Deus. O adultério é um evento potencialmente negativo, capaz de destruir um relacionamento, porém, não é dele a última palavra. Deus pode interferir de forma ainda mais poderosa, através do perdão, da paciência, e do amor que tudo espera e suporta e assim reverter a situação. A morte é reconhecida como uma das coisas mais fortes desta vida, dela ninguém escapa, mas o amor é ainda mais forte do que ela. O amor nunca falha, o amor nunca morre. Deus se apresenta aos humanos como o Consolador, trazendo a ideia daquele que permanece junto dos que sofrem para apoiá-los, defendê-los e fazê-los caminhar quando estão desistindo. Essa é a grande esperança para os feridos pelo adultério. E aqui encerro minhas considerações deixando o registro da maior, mais linda e poética definição do amor: “O amor é sofredor, é benigno, o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, o amor nunca falha.” I Co 13.7-8. 32
  33. 33. Dados do autor: Pastor Ismael Roselei de Carvalho, casado com Cleire Mora de Carvalho há 27 anos, 05 filhos, fundadores do Ministério Casados em Cristo. Trabalham com palestras e seminários para a família e casais. Formas de Contato: Fone: 14 33461588 https://www.facebook.com/Pastorismaelroselei pastorismaelroselei@gmail.com.br 33
  34. 34. “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade". Carlos Drummond de Andrade. Conheça nossos blogs: www.casadosemcristo.blogspot.com.br www.palestrasparacasais.blogspot.com.br www.aconselhamentoparacasal.wordpress.com 34

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