UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETOCURSO DE GRADUAÇÃO EM MUSICOTERAPIADESEJO, MOTIVAÇÃO E RESISTÊNCIA NO PROCESSOMUSICOTERAPÊUT...
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Este trabalho é dedicado a todos aquelesque direta ou indiretamente colaborarampara que ele fosse realizado.
AGRADECIMENTOSA Deus, por proporcionar-me grandes oportunidades na vida. Por fazer-sepresente nos momentos de maior necess...
Ao professor Armando Bugalho, por ter aguçado meu desejo de saber maissobre a Ciência;À professora Angela Bataglion, pelo ...
“So I sayThank you for the music, the songs Im singingThanks for all the joy theyre bringingWho can live without it, I ask...
RESUMOEste trabalho tem como objetivo investigar e relacionar aspectos da motivaçãohumana com aspectos da resistência no c...
ABSTRACTThe objective of this work is to investigate and relate aspects of the humanmotivation with aspects of the resista...
SUMÁRIOIntrodução 101. Desejo 111.1 Definição 112. Motivação 132.1 Definição 132.2 Teorias acerca da motivação 152.2.1 Teo...
10INTRODUÇÃOEste tema surgiu através de um atendimento, e também através de algumasquestões pessoais. Muitas vezes durante...
11DESEJO1.1 DefiniçãoO desejo faz parte do comportamento e da vida psíquica humana. Vários autoresjá abordaram este campo,...
12estes traços e imagens sempre que uma nova necessidade for detectada. Assim o desejoacaba por ser realizado, todas as ve...
13MOTIVAÇÃO2.1 DefiniçãoA motivação é uma das facetas do comportamento humano difícil de ser previstae classificada. Exist...
14energizador que impulsiona o organismo à atividade iniciando, guiando emantendo a conduta até que alguma meta (objetivo,...
152.2 Teorias acerca da motivaçãoBowditch e Buono (2002) classificam as teorias acerca da motivação a partir detrês princi...
16Na Teoria ERC, C. P. Alderfer (cf BOWDITCH e BUONO, 2002) tentoudiminuir os níveis da hierarquia de Maslow, encontrando ...
17necessidades insatisfeitas podem influenciar na motivação, e conseqüentemente, nocomportamento das pessoas.Na Teoria das...
18conseqüências daquele comportamento” (SKINNER apud BOWDITCH e BUONO, 1992,p. 49). Ainda com a idéia de Skinner, se algué...
19RESISTÊNCIA3.1 DefiniçãoQuem descobriu e conceituou a resistência foi Freud, que primeiramente adesignou como “(...) uma...
20Muitas vezes, o que pode parecer uma falta de colaboração do paciente, é umagrande resistência. Steele (1999) também faz...
21MUSICOTERAPIA4.1 DefiniçãoDentre várias definições de musicoterapia, a mais pertinente ao tema destetrabalho é a definiç...
22Bruscia (2002) ainda destaca que a musicoterapia é um processo evolutivo e nãomomentâneo. Por estas razões ele classific...
23pacientes resistem de várias formas diferentes: verbalizando ao extremo, “fugindo” doassunto proposto, não querendo ouvi...
24Segundo Barcellos, o método GIM criado por Helen Bonny, a resistênciatambém pode se apresentar. O método GIM consiste no...
25Ainda sobre as atitudes do terapeuta, Patrícia Pellizzari reforça o aspecto daescuta do terapeuta, que deve ser usada co...
26Seria importante, nesta parte do trabalho citar um pensamento de Jung: “naPsicoterapia de hoje exige-se, às vezes, que o...
27- Meta-intervenções: comentar o significado de ter recorrido a acontecimentos e sessõesanteriores;- Outras intervenções:...
28processo se torna fácil. Muitas vezes, somente depois de cantar a canção, o paciente tomaconsciência do que ela signific...
29CASO CLÍNICOEste capítulo ilustrará este trabalho com um exemplo de um caso clínico.5.1 O Caso “V.”V, sexo feminino, 54 ...
30Em todas as sessões, V. verbalizava muito, e todas as vezes em que euperguntava se ela gostaria de ouvir alguma música, ...
31“Alguém cantando longe daqui, alguém cantando longe, longeAlguém cantando muito, alguém cantando bem, alguém cantando é ...
32Mas o dia que eu puder te encontar eu quero contar o quanto sofriPor todo este tempo que eu quis te falarEu te amo, eu t...
33Hoje V. mudou muitos aspectos em seu comportamento: disse que não é maistão passiva na relação com o marido e que hoje f...
34CONCLUSÃODurante a realização deste trabalho, foi concluído que os aspectos do desejo, emotivação se relacionam com a re...
35REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASAIGEN, K. “Energia, resistência e transformação com música e fantasia criativa.” In:BARCELLOS,...
36PELLIZZARI, P. Musicoterapia psicoanalítica: el malestar en la voz. Buenos Aires:Ricardo R. Resio Editor, 1993.PRIESTLEY...
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Desejo, motivação e resistência no processo musicoterapêutico

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Este trabalho tem como objetivo investigar e relacionar aspectos da motivação humana com aspectos da resistência no contexto terapêutico, questionando até que ponto a
falta de motivação, tantas vezes apresentada como queixa de muitos pacientes, tem relação com a resistência deste dentro da terapia, se esta resistência pode ser trabalhada e os resultados serem refletidos nos aspectos motivacionais do indivíduo.

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  1. 1. UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETOCURSO DE GRADUAÇÃO EM MUSICOTERAPIADESEJO, MOTIVAÇÃO E RESISTÊNCIA NO PROCESSOMUSICOTERAPÊUTICOISABELA MENI COSENZARIBEIRÃO PRETO2004
  2. 2. UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETOCURSO DE GRADUAÇÃO EM MUSICOTERAPIADESEJO, MOTIVAÇÃO E RESISTÊNCIA NO PROCESSOMUSICOTERAPÊUTICOTrabalho de conclusão de curso sob aorientação do Prof. Renato TocantinsSampaio.ISABELA MENI COSENZARIBEIRÃO PRETO2004
  3. 3. Este trabalho é dedicado a todos aquelesque direta ou indiretamente colaborarampara que ele fosse realizado.
  4. 4. AGRADECIMENTOSA Deus, por proporcionar-me grandes oportunidades na vida. Por fazer-sepresente nos momentos de maior necessidade e acima de tudo, por dar-me paciência etranqüilidade necessárias para lidar com os obstáculos que surgiram no caminho;Aos meus pais, por sempre me apoiarem, mesmo por algumas vezes sementenderem esta profissão. Por terem compreendido meus momentos de ausência, por meencorajarem a fazer o que eu gosto, a crescer na vida e ir atrás dos meus objetivos. Porterem me introduzido no mundo maravilhoso da Música. Por nunca terem me negadoconhecimentos, tanto os acadêmicos quanto os de experiência de vida. O resultado destecurso e o presente trabalho não existiriam se não houvesse o apoio direto e indireto deles.Serei eternamente grata por tudo;À minha irmã, que do seu jeito brincalhão e extrovertido sempre me fez darboas risadas. Com ela aprendi a ser mais verdadeira e a lutar pelo que quero, sem medo deerrar e de aprender com nossos próprios erros;Aos meus amigos, que de uma maneira tão especial fizeram e acredito quesempre farão parte da minha vida. Áqueles que eu já conhecia, e aos que fiquei conhecendona Universidade. Com eles dividi as risadas, as brincadeiras, as tristezas, as brigas, ossucessos e frustrações, as angústias e as situações do dia-a-dia. Lembrarei-me com carinhode cada um deles;Ao professor Renato Sampaio, por sua dedicação e paciência e por fazer comque eu quisesse sempre ir além;À professora Noemi Lang, pelos esclarecimentos e incentivos durante as aulas eas supervisões;À professora Ana Cristina Sampaio, pela ajuda, incentivo e partilha deexperiências;Ao professor Roger El Khouri, por ter expandido meus conhecimentos e meajudado a aplicar melhor a música no contexto terapêutico;
  5. 5. Ao professor Armando Bugalho, por ter aguçado meu desejo de saber maissobre a Ciência;À professora Angela Bataglion, pelo seu trabalho, por sua dedicação, por tercolaborado com que eu gostasse ainda mais de cuidar do ser humano;Ao professor Nando Araujo, por ter aguçado meu espírito crítico e questionador;À minha professora de piano, Isabel Cristina Bortogliero Cinto, que meacompanhou dos 8 aos 17 anos e ajudou a construir meu conhecimento musical. Pela suapaciência, amor ao trabalho e sua compreensão durante as aulas e durante nosso convívio;A todos aqueles que passaram por minhas mãos como pacientes, que meaceitaram sem ao menos me conhecer. Obrigada pela grande aprendizagem e valiosaexperiência.
  6. 6. “So I sayThank you for the music, the songs Im singingThanks for all the joy theyre bringingWho can live without it, I ask in all honestyWhat would life be?Without a song or a dance what are we?So I say thank you for the musicFor giving it to me”(Thank you for the music – ABBA)“Então eu digoObrigado pela música, pelas canções que estou cantandoObrigado por toda a alegria que elas estão trazendoQuem pode viver sem isto, eu pergunto com toda honestidadeO que seria a vida?Sem uma canção ou uma dança, o que somos nós?Então eu digo obrigado pela músicaPor tê-la dado a mim”(Thank you for the music – ABBA)
  7. 7. RESUMOEste trabalho tem como objetivo investigar e relacionar aspectos da motivaçãohumana com aspectos da resistência no contexto terapêutico, questionando até que ponto afalta de motivação, tantas vezes apresentada como queixa de muitos pacientes, tem relaçãocom a resistência deste dentro da terapia, se esta resistência pode ser trabalhada e osresultados serem refletidos nos aspectos motivacionais do indivíduo. Através de revisão deliteratura e de um exemplo de caso clínico, chegamos em alguns resultados e conclusões.A primeira é de que a motivação é um estado interno do indivíduo. SegundoCecília Bergamini, um dos mitos acerca deste aspecto é que um ser humano não é capaz demotivar o outro, que cada um possui seus próprios desejos e pulsões, concluindo-se que amotivação parte do paciente, no caso do processo terapêutico. Alguns autores afirmam quea motivação depende não só do indivíduo, mas também do ambiente que o cerca.A segunda conclusão é que resistência é um conceito complexo e que temmuitas variações. Pode se desenvolver quando há uma tentativa, por parte do paciente, emdesviar os sentimentos de dor provocados por um certo medo ou angústia de mudança, oumesmo um sentimento invasivo. Sendo assim, é muito importante que a aliança entreterapeuta e paciente seja bem estruturada, porque se houver confiança na relação, e se opaciente tiver confiança nas suas próprias potencialidades, a resistência pode diminuir. Istopode alterar, em certos casos, os aspectos motivacionais do paciente. Uma pessoa maisconfiante, principalmente em si mesma, pode ser menos resistente e por isso pode estarmais segura para enfrentar situações inesperadas e assim estar mais motivada a realizar umatarefa que ela julga não ser capaz.
  8. 8. ABSTRACTThe objective of this work is to investigate and relate aspects of the humanmotivation with aspects of the resistance in therapeutical context, questioning what’s therelations of the motivation lack, many times presented as complaint of many patients, withthe resistance of this same patient on therapy, if this resistance can be worked and theresults can be reflected in the motivacional aspects of the individual. Through revision ofliterature and one example of a clinical case, we have arrived in some results andconclusions.The first one is that the motivation is an internal state of the individual.According to Cecilia Bergamini, one of the myths about this aspect is that a human being isnot capable to motivate the other one, that each one possesss its proper desires andpulsions, concluding that the motivation depends on the patient, in the case of thetherapeutical process. Some authors affirm that the motivation not only depends on theindividual, but also on the environment that fences him.The second conclusion is that resistance is a complex concept and it has manyvariations. It can be developed when it has an attempt, on the part of the patient, indeviating the feelings of pain provoked by a certain fear or anguish of change, or same aninvasive feeling. Being thus, it is very important that the alliance between therapist andpatient is well structuralized, because if the relation can be trusted, and if the patient willhave confidence in its proper potentialities, the resistance can diminish. This can modify, incertain cases, the motivacional aspects of the patient. A self-confident person can be lessresistant, and for that it can be more confidence to face unexpected situations, and thus tobe more motivated to carry through a task that it judges not to be capable.
  9. 9. SUMÁRIOIntrodução 101. Desejo 111.1 Definição 112. Motivação 132.1 Definição 132.2 Teorias acerca da motivação 152.2.1 Teorias de conteúdo estático 152.2.2 Teorias de processo 162.2.3 Teorias baseadas no ambiente 173. Resistência 193.1 Definição 193.2 O conceito de resistência para a musicoterapia 194. Musicoterapia 214.1 Definição 214.2 O processo musicoterapêutico 214.3 Desejo, motivação e resistência no processomusicoterapêutico: como trabalhar?224.4 Como intervir 255. Caso Clínico 295.1 O Caso “V.” 29Conclusão 34Referências Bibliográficas 35
  10. 10. 10INTRODUÇÃOEste tema surgiu através de um atendimento, e também através de algumasquestões pessoais. Muitas vezes durante a experiência clínica, o musicoterapeuta se deparacom um paciente extremamente desmotivado. Algumas causas da desmotivação até podemser conhecidas, mas esta mesma desmotivação é também influente no processomusicoterapêutico. O que fazer quando o paciente não quer ser ativo na sessão?Nos primeiros capítulos serão abordados alguns conceitos, como o desejo, quemuitas vezes é confundido com a necessidade. Ele é algo mais concreto ou apenas umafantasia de nossas mentes? Cada autor explorado conceitua este termo de maneirasdiferentes. Ainda outros conceitos como a motivação e as teorias que a definem, e aresistência, tão presente em muitos pacientes, são abordados.Este trabalho ainda visa questionar a relação da falta de motivação do indivíduoa uma forte resistência. A pessoa precisa ser menos resistente para ter uma maior motivaçãoem sua vida? No penúltimo capítulo, questões como estas serão discutidas, principalmentepara chegarmos a formas de “vencer” ou “enganar” a resistência dentro do processomusicoterapêutico.
  11. 11. 11DESEJO1.1 DefiniçãoO desejo faz parte do comportamento e da vida psíquica humana. Vários autoresjá abordaram este campo, através de dinâmicas diferentes. Neste capítulo serão abordadosconceitos de três autores.Na dinâmica freudiana, o desejo é um dos pólos do conflito defensivo. Tende arealizar-se, estabelecendo sinais ligados às primeiras vivências de satisfação (FREUD cfLAPLANCHE, 1999). Na doutrina freudiana, o conceito de desejo, como tantos outrosconceitos, é tão fundamental em qualquer concepção do ser humano que não pode serlimitado (LAPLANCHE, 1999), ou seja, o desejo é muito amplo e complexo e ao mesmotempo tão intrínseco ao ser humano que torna-se muitas vezes difícil conceituá-lo.Freud (cf LAPLANCHE, 1999) diferencia o desejo da necessidade. Esta últimanasce de uma tensão interna e encontra sua satisfação pela ação específica que fornece oobjeto adequado, ou seja, entende-se que necessidade é um estado de tensão interna doindivíduo, que visa um objetivo, e que para se obter a satisfação é necessária uma açãoespecífica a esta necessidade. Partindo para o conceito do desejo, Freud postula que:(...) a imagem mnésica de uma certa percepção se conserva associada ao traçomnésico da excitação resultante da necessidade. Logo que esta necessidadeaparecer de novo, produzir-se-á, graças à ligação que foi estabelecida, umamoção psíquica que procurará reinvestir a imagem mnésica desta percepção emesmo invocar esta percepção, isto é, restabelecer a situação da primeirasatisfação: a essa moção é que chamaremos desejo; o reaparecimento dapercepção é a ‘realização de desejo’ (FREUD apud LAPLANCHE, 1999, p.114).Tendo como base este conceito de desejo, entende-se que ele é mais complexo emenos diretivo do que a necessidade. Ele é resultado de ligações de imagens e traçosmnésicos, que foram memorizados pelo indivíduo. Quando a imagem mnésica de algumapercepção é associada ao traço mnésico que foi causado pela excitação da necessidade, éestabelecida uma ligação, uma moção psíquica que trará de volta à mente do indivíduo
  12. 12. 12estes traços e imagens sempre que uma nova necessidade for detectada. Assim o desejoacaba por ser realizado, todas as vezes em que a percepção reaparece, e isto se dá comonum ciclo. Sinteticamente, armazenamos, em nossa memória, imagens das percepções quetemos. Toda necessidade também causa excitações, que também são armazenadas emforma de traços. O desejo é a moção psíquica que liga as imagens da percepção com ostraços da necessidade.Lacan (cf LAPLANCHE, 1999) também distingue desejo de necessidade etambém de demanda, conceitos com os quais o desejo é confundido. Segundo Lacan, anecessidade tem um objetivo específico e satisfaz-se com ele. A demanda é formada, emesmo incidindo sobre um objeto, este não é essencial para ela. O desejo nasce dadefasagem entre a necessidade e a demanda, ocorre em um campo fantasioso. Ele não podeser irredutível à necessidade porque não se relaciona com o objeto real, nem irredutível àdemanda porque “procura impor-se sem levar em conta a linguagem e o inconsciente dooutro (...)” (LACAN cf LAPLANCHE, 1999, p. 114.).Entende-se, com a diferenciação de Lacan, que o desejo não depende danecessidade nem da demanda, mas os completa.Suely Rolnik define desejo como “atração que nos leva a certos universos erepulsa que nos afasta de outros, sem que saibamos exatamente porquê; formas deexpressão que criamos para dar corpo aos estados sensíveis que tais conexões edesconexões vão produzindo na subjetividade.” (ROLNIK apud SAMPAIO, 2002 p. 47).Para Rolnik (cf SAMPAIO, 2002), o desejo está associado ao ato criativo e suarealização depende de uma ordem social que pode facilitar esta realização ou ainda impedirque ela aconteça.Alguns conceitos como a necessidade ainda serão discutidos no próximocapítulo, dentro do processo da motivação. Também será utilizada a conceituação de Rolnikpara explorarmos outros aspectos do desejo.
  13. 13. 13MOTIVAÇÃO2.1 DefiniçãoA motivação é uma das facetas do comportamento humano difícil de ser previstae classificada. Existem várias teorias sobre este conceito, seu processo e como ele afeta eatua no comportamento do ser humano.Segundo Soto (2002), a motivação é um processo cíclico que consta de trêsaspectos: 1) uma necessidade, todo comportamento humano é decorrente de umanecessidade de cobrir uma “deficiência”, por isso é considerada um elemento subjetivo. 2)logo após há uma resposta ou conduta da pessoa, que está em função de sua motivação e éconsiderada pelo autor a manifestação das atitudes dela. 3) O incentivo, meta ou afinalidade, considerado elemento objetivo, é o processo de busca de objetivos dirigidos aeliminar a insatisfação, satisfazendo assim, a necessidade. Ainda, seguindo as idéias doautor: “A distinção entre necessidade e incentivo é a chave para explicar e entender aconduta [da pessoa]” (SOTO, 2002, p. 119).Lopes afirma que o homem quer tornar agradáveis as condições e o ambiente detrabalho porque busca o prazer e o conforto, segundo as teorias hedonistas. Já para osidealistas, a virtude e o saber constituem a motivação. Dessa maneira é preciso que asorganizações tenham ética e justiça, reconhecimento do trabalho bem executado, respeito eprogressão (LOPES, 1980).Várias teorias tentam explicar o fator da motivação tendo comobase enfoques diferenciados, como os hedonistas e os idealistas, mas isto será tratado nopróximo item deste capítulo.O mesmo autor define a motivação desta maneira: “Um motivo é um estadointerno que dá energia, torna ativo ou move (daí motivação) e que dirige ou canaliza ocomportamento em direção a objetivos.” (LOPES, 1980, p. 3). Soto segue a mesma linha decausa-efeito, mas elabora um pouco mais sua definição tendo como base aspectosfisiológicos:A motivação é a pressão interna surgida de uma necessidade, também interna,que excitando (via eletroquímica) as estruturas nervosas, origina um estado
  14. 14. 14energizador que impulsiona o organismo à atividade iniciando, guiando emantendo a conduta até que alguma meta (objetivo, incentivo) seja conseguida oua resposta bloqueada (SOTO, 2002, p.118).Bergamini diferencia e pontua a diferença entre necessidade e o fator quesatisfaz a necessidade. Segundo ela, “a água é um fator de satisfação de uma necessidadedenominada sede; todavia, sempre que a sede é sentida, há uma tendência de encarar a águacomo a necessidade, em lugar da sede em sim mesma.” (BERGAMINI e CODA, 1997, p.24). Ainda seguindo esta idéia, a necessidade que atuará sobre o intelecto da pessoa, é omotivador, é o que faz a pessoa agir. Quando os fatores de satisfação da necessidade sãointerpretados como sendo a própria necessidade, fica fácil afirmar que as necessidades têmorigem no meio ambiente.Com essas afirmações, cai o mito de que uma pessoa é capaz de motivar aoutra, Segundo Bergamini, isto é falso. O que se pode fazer é satisfazer ou contra-satisfazeras necessidades de outra pessoa. Pode-se oferecer água, comida, ou ainda negar essesfatores, mas isto é satisfação ou contra-satisfação, respectivamente, e não motivação(BERGAMINI e CODA, 1997).Sigmund Freud foi quem primeiro descreveu a natureza da motivação nocontexto das necessidades humanas, descrevendo uma necessidade como um estímulo queataca, não de fora, mas de dentro do organismo. Não é um impacto momentâneo, mas umaforça resistente. Sendo assim, a satisfação é o que põe de lado a necessidade (cfBERGAMINI e CODA, 1997).Em suma, vários autores reconhecem que a motivação e as necessidades sãointrínsecas a cada indivíduo, e não dependem sempre do ambiente, considerando-se asdiferenciações de Bergamini a respeito das necessidades e dos fatores de satisfação dasnecessidades. Cabe aqui também a questão da perseverança do indivíduo. Ele precisaquerer mudar e manter-se perseverante em suas escolhas.
  15. 15. 152.2 Teorias acerca da motivaçãoBowditch e Buono (2002) classificam as teorias acerca da motivação a partir detrês principais áreas de interesse:1. O que energiza o comportamento humano?2. O que dirige esse comportamento?3. Como certos comportamentos podem ser sustentados ou mantidos ao longodo tempo?Devido a estas áreas de interesse, classificaram as teorias da motivação emteorias de conteúdo estático, teorias de processo e teorias baseadas no ambiente. Nestecapítulo serão abordadas apenas as mais relevantes ao tema, dentro de cada classificação.2.2.1 Teorias de conteúdo estáticoAs teorias de conteúdo estático, segundo Bowditch e Buono (2002) tratam dosconteúdos que energizam o comportamento humano. Não prevêem o comportamento, masajudam na sua compreensão. Aqui serão apresentadas apenas algumas delas.Na Hierarquia das necessidades, Maslow (cf BOWDITCH e BUONO, 2002)classificou as necessidades humanas em cinco níveis distintos, sendo que o indivíduo sópassa para o nível superior se as necessidades do nível inferior estão satisfeitas. Na partebasal da pirâmide ficam as necessidades fisiológicas, seguidas das necessidades desegurança, as necessidades sociais, necessidades de ego e auto-estima e por fim, no topo dapirâmide, as necessidades de realização pessoal. Bowditch e Buono destacam que Maslowclassificou as necessidades desta forma através de uma perspectiva humanística, onde háreconhecimento das necessidades individuais de cada pessoa. Conclusões acerca destateoria de Maslow apontam que, havendo reconhecimento das necessidades comoindividuais, não se pode motivar todas as pessoas da mesma forma, e que cada indivíduopode encontrar-se em níveis diferentes das necessidades, ou estar em vários ao mesmotempo.
  16. 16. 16Na Teoria ERC, C. P. Alderfer (cf BOWDITCH e BUONO, 2002) tentoudiminuir os níveis da hierarquia de Maslow, encontrando três níveis de necessidades: as deexistência, de relacionamento e de crescimento, que são, as primeiras, necessidades básicas,as segundas, de interação social, estima e reconhecimento, e as terceiras, dedesenvolvimento de potencial próprio e satisfação do ego. Alderfer notou que podia haverprogressão de um estágio para outro, e até uma sobreposição entre eles. Notou também queas pessoas poderiam passar para o próximo estágio sem ter concluído todas as necessidadesdo anterior.Há ainda a Teoria das Necessidades Socialmente Adquiridas de McClelland(cf BOWDITCH e BUONO, 2002), que identificou três necessidades básicas que aspessoas desenvolvem: realização, poder e afiliação. Esta teoria propõe que cada pessoa éinfluenciada em momentos diferentes por essas três necessidades, e que elas variam deacordo com a experiência de vida do indivíduo. Salvo assim, alguns indivídos têm maiornecessidade de conquistar poder sobre outras pessoas, enquanto outros são motivados pelanecessidade de afiliação (necessidades sociais). A teoria de McClelland sugere que amotivação é mutável e variável, mesmo na idade adulta.Finalizando, a Teoria da Motivação-Higiene de Herzberg (cf BOWDITCH eBUONO, 2002) sugere duas dimensões não relacionadas: a primeira são os aspectos eatividades que impedem a insatisfação, mas não impulsionam o indivíduo a crescer, e asegunda são os aspectos e atividades que encorajam o crescimento do indivíduo. A propostade Herzberg é que as duas dimensões sejam incorporadas simultaneamente no ambiente detrabalho.2.2.2 Teorias de processoBowditch e Buono (2002) afirmam que as teorias de processo da motivação nosalertam para o fato de que as pessoas variam no modo como reagem, que muitasnecessidades podem estar em ação simultaneamente e que outros fatores além nas
  17. 17. 17necessidades insatisfeitas podem influenciar na motivação, e conseqüentemente, nocomportamento das pessoas.Na Teoria das Expectativas, Vroom (cf BOWDITCH e BUONO, 2002)distingue três componentes: esforço, desempenho e resultado. Quanto maior for o esforçoda pessoa, melhor seu desempenho (expectativa); quanto melhor seu desempenho, maioresos resultados ou a recompensa (instrumentalidade) e como último aspecto ele pontua que ovalor da recompensa é diferente para cada indivíduo (valência). Este modelo tenta predizercomo o indivíduo se comportará em determinada situação.A Teoria da Motivação pelo Caminho-Meta e a Teoria do Estabelecimentode Metas são muito similares à teoria das expectativas. A primeira, proposta por House (cfBOWDITCH e BUONO, 2002), traz a idéia de que as pessoas fazem suas opções tomandopor base a utilidade da recompensa para si próprias. Como sugere a teoria das expectativas,elas só serão motivadas a produzir quando perceberem que seus esforços farão com queobtenham recompensas desejadas. A Segunda teoria tem como premissa básica que asmetas de uma pessoa são determinantes da motivação relacionada à tarefa que será por elaexecutada, visto que, segundo Locke (cf BOWDITCH e BUONO, 2002), as metas dirigemnossos pensamentos e ações. “Todavia, nem todas as metas levam necessariamente aodesempenho, visto que uma certa meta pode entrar em conflito com outras que a pessoapossa ter, ou pode ser percebida como inadequada para aquela situação em particular”(LOCKE cf BOWDITCH e BUONO, 1992, p. 48).2.2.3 Teorias baseadas no ambienteSegundo Bowditch e Buono (2002), essas teorias “vêem a motivação como umvariável interventora e dependente” (BOWDITCH e BUONO, 1992, p. 49). O enfoque seránas antecedentes das variáves às quais o comportamento motivado é atribuído.Na Teoria do Condicionamento e Reforço Operantes, segundo a teoria deSkinner, “o comportamento ou a motivação de um indivíduo é uma função da
  18. 18. 18conseqüências daquele comportamento” (SKINNER apud BOWDITCH e BUONO, 1992,p. 49). Ainda com a idéia de Skinner, se alguém quer manter um certo comportamento,deverá reforçá-lo, oferecendo recompensas, ou seja, manipulando as conseqüências docomportamento. Tanto o reforço positivo (recompensas) quanto o reforço negativo(punições) podem moldar o comportamento. “Como esta escola supõe que todocomportamento tem uma base condicionadora operante, a motivação fica reduzida aidentificar as necessidades e oferecer as recompensas apropriadas” (BOWDITCH eBUONO, 1992, p.49).
  19. 19. 19RESISTÊNCIA3.1 DefiniçãoQuem descobriu e conceituou a resistência foi Freud, que primeiramente adesignou como “(...) uma atitude de oposição às suas descobertas na medida em que elasrevelavam os desejos inconscientes e infligiam ao homem um ‘vexame psicológico’”(FREUD cf LAPLANCHE, 1999, p. 458).Sendo assim, entende-se a resistência como algo que atravanca o processoterapêutico, psicanaliticamente falando. Freud descobriu este aspecto quando encontrouuma resistência maciça em certos pacientes, sendo que esta não podia ser superada neminterpretada, e foi isso que fez com que Freud renunciasse à hipnose e à sugestão(LAPLANCHE, 1999).Para “enganar” essa resistência encontrada, Freud criou a regra da associaçãolivre, que “visa em primeiro lugar eliminar a seleção voluntária dos pensamentos (...), pôrem evidência uma ordem determinada do inconsciente” (FREUD cf LAPLANCHE, 1999,p. 39).A partir deste ponto, após a definição freudiana serão expostas algumaspontuações de vários musicoterapeutas sobre o conceito de resistência na musicoterapia,que é um dos objetivos deste trabalho.3.2 O conceito de resistência para a musicoterapiaA musicoterapeuta Pamela Steele pontua que “(...) o conceito de resistência emterapia não implica em que o terapeuta tenha um plano com o qual o paciente se recusa acooperar; isto não estaria de acordo com a flexibilidade da resposta do terapeuta dentro doambiente musical” (STEELE, 1999, p. 42).
  20. 20. 20Muitas vezes, o que pode parecer uma falta de colaboração do paciente, é umagrande resistência. Steele (1999) também faz uma metáfora musical à resistência, dizendoque a relação entre paciente e terapeuta pode ser consonante ou dissonante, sendo que adissonância é resultante da resistência.E como a musicoterapia também lida com aspectos não verbais, eis umacolocação de Janice Dvorkin:A resistência do paciente em expressar-se através da música é vista como umadefesa contra trazer os sentimentos inconscientes e pensamentos do consciente pormeio da própria música. Este mesmo comportamento pode ser visto como umademonstração de medo, do paciente para o terapeuta, tanto de perder o controlequanto de risco de ameaça do seu sentido de self. (DVORKIN, 1999, p. 60)Priestley (1994) conecta alguns pensamentos de Freud com música eresistência. Cita o resistance vacuum (vácuo de resistência), que é um espaço psíquicoocupado por uma ligação entre emoção e pensamento, dentro de uma experiência musical.Neste vácuo, esta resistência tenta ligar a emoção expressa na música ao pensamento.Paul Nordoff e Clive Robbins (1977) relacionam a resistência ao nível departicipação do paciente na sessão, que pode ser diferente. Afirmam também que o caráterresistente do paciente muda com o nível de relacionamento entre ele e o terapeuta.Dentre todos os conceitos apresentados, a resistência aparece ainda como algo aser trabalhado no processo musicoterapêutico, pois segundo Aigen, “(...) resistência não éalguma coisa destrutiva ou negativa; mas é, de fato, uma função essencial” (AIGEN, 1999,p. 72). Como pode ser uma função essencial? Vista por todas estas perspectivas, aresistência é uma forma de proteção. Se não houvesse resistência, o indivíduo não teriaconsciência de suas dores, dos pontos emotivos que o tocam e/ou incomodam. Assim, aresistência é importante tanto para o terapeuta, para que ele identifique o que emociona eincomoda seu paciente, sobretudo para este último, como uma forma de proteção.
  21. 21. 21MUSICOTERAPIA4.1 DefiniçãoDentre várias definições de musicoterapia, a mais pertinente ao tema destetrabalho é a definição da World Federation of Music Therapy:Musicoterapia é a utilização da música e/ou dos elementos musicais (som, ritmo,melodia e harmonia) pelo musicoterapeuta e pelo cliente ou grupo, em umprocesso estruturado para facilitar e promover a comunicação, o relacionamento, aaprendizagem, a mobilização, a expressão e a organização (física, emocional,mental, social e cognitiva) para desenvolver potenciais e desenvolver ou recuperarfunções do indivíduo de forma que ele possa alcançar melhor integração intra einterpessoal e conseqüentemente uma melhor qualidade de vida. (apud BRUSCIA,2000, p. 286).Sendo assim, entende-se que a musicoterapia é um processo que engloba e podepromover, através da música e de seus elementos, várias áreas que são muito importantespara o ser humano, principalmente a comunicação e o relacionamento.Neste trabalho serão destacadas estas duas últimas áreas, por motivo derelevância ao tema apresentado.2.3 O processo musicoterapêuticoO que seria um processo musicoterapêutico? Ele pode ser sistematizado? Qual adiferença de processo e intervenção?A primeira coisa a ser destacada por Bruscia (2002) em relação ao processomusicoterapêutico, é o elemento tempo. A musicoterapia é “uma série de interações quelevam a uma relação cliente-terapeuta e não um único encontro interpessoal; umaprogressão por etapas de engajamentos musicais e não uma experiência musical isolada”(BRUSCIA, 2000, p. 35).
  22. 22. 22Bruscia (2002) ainda destaca que a musicoterapia é um processo evolutivo e nãomomentâneo. Por estas razões ele classifica sistematicamente os tipos de processo comodesenvolvimentista, educacional, interpessoal, criativo e científico. Entretanto, taisclassificações não serão detalhadas porque não é necessário a este trabalho.2.4 Desejo, motivação e resistência no processo musicoterapêutico: como trabalhar?Qual é a ligação de todos estes conceitos com a musicoterapia? Freqüentementeaparecem em clínicas, hospitais, instituições e outros pacientes com um alto grau dedesmotivação.À primeira vista, cabe ao terapeuta uma investigação do histórico deste paciente.Muitos pacientes costumam apresentar desmotivação. Alguns não têm vontade nem decuidar da higiene pessoal e preferem ficar deitados, dormindo durante muitas horas. Nasessão de musicoterapia, muitas vezes não querem conversar, ouvir uma música ou sequertocar um instrumento. É o caso de muitos pacientes depressivos. A este ponto, questiona-se: aonde estão os desejos e a motivação deste indivíduo?Voltando à definição de desejo de Rolnik (cf SAMPAIO, 2002), os desejosdependem de uma ordem social, ou seja, muitas vezes este paciente foi tão frustrado emvárias tentativas de alcançar algum objetivo, que em certo ponto, ele desiste. Podeacontecer uma cadeia de reações a um indivíduo que é mais suscetível a isso. Por exemplo,se um desempregado ouvir um “não” inúmeras vezes, em certo ponto ele pode ficar tãofrustrado que dificilmente se sentirá motivado a procurar outro emprego, e isto traz umacadeia de reações que também podem afetar a auto-estima desta pessoa, e porconseqüência, o seu relacionamento inter e intrapessoal. Em casos mais severos, podeocorrer até uma despersonalização, uma “anulação” de identidade, no sentido em que estapessoa nem conhece mais seus desejos e necessidades.Todos estes aspectos podem converter-se em uma resistência no processomusicoterapêutico. O indivíduo sem desejos não sabe o que quer nem na terapia. Os
  23. 23. 23pacientes resistem de várias formas diferentes: verbalizando ao extremo, “fugindo” doassunto proposto, não querendo ouvir música nem tocar instrumentos, falando sempre domesmo assunto, de uma forma cíclica.Tendo isto como base, por que os pacientes resistem?É provável que eles resistem porque têm medo. Medo de perder o controle deseu próprio self, segundo Dvorkin (1999), medo da mudança que pode ocorrer, medo deentrar em contato com sentimentos que são dolorosos, sofridos... Afinal, a resistência é umaproteção, como foi pontuado anteriormente. Às vezes é mais fácil resistir à mudança do quese adaptar a outro funcionamento psíquico, a outra forma de agir diante dos problemas.Muitas vezes aparece o medo do desconhecido. O indivíduo tem medo de ir paraum lugar que lhe é desconhecido, isto para ele pode ser angustiante. Como por exemplo,uma criança que nunca saiu de casa sozinha, de repente perceber-se em uma situação ondeela terá que sair, e terá que se adaptar ao meio. Isto pode ser muito angustiante para umpaciente dentro da terapia, pois ele não sabe o que pode encontrar ou o que pode emergir deum processo terapêutico. Ele pode então resistir, porque pode ter medo de não saber lidarcom estes conteúdos que emergem da terapia.A questão se volta para os terapeutas: como agir diante desta resistência? Épossível vencê-la?Várias abordagens em musicoterapia têm um modo diferente de trabalhar.Nordoff e Robbins (1977) acreditam na criatividade para trabalhar a resistência, sobretudodas crianças. Algumas vezes, basta alguma “manobra” do terapeuta, como mudar de músicasutilmente, ou tentar outra tática, isto vai depender da capacidade do terapeuta em sercriativo e encontrar outra forma de apresentar sua proposta ao paciente. Outros estados deresistência podem precisar de muitas sessões de trabalho, em outras áreas de contato semser a área da própria resistência. Isto é muito importante para o trabalho terapêutico, poismuitas vezes em que se tenta combater diretamente a resistência, como Freud tentou nocaso da histeria, podemos nos deparar com outra ainda maior.
  24. 24. 24Segundo Barcellos, o método GIM criado por Helen Bonny, a resistênciatambém pode se apresentar. O método GIM consiste no trabalho com audição musical e asimagens que as músicas suscitam na mente das pessoas. A resistência neste método podeaparecer quando o paciente resiste a relaxar e relata que não vieram imagens à sua mente.Cabe ao terapêuta reconhecer este fenômeno e perceber se este paciente está apto a estetrabalho, o terapeuta também deve se utilizar de instrumentos e outras intervenções para oavanço do paciente no processo. (BARCELLOS, 1999, p. 119)Afinal, o que pode vir em primeiro lugar para o trabalho da resistência emmusicoterapia?Bruscia (2002) fala sobre a empatia, que é a “capacidade de compreender ou dese identificar com o que outra pessoa está vivendo” (BRUSCIA, 2002, p. 66). Para ele, amúsica é um meio de empatia, pois quando duas pessoas tocam ou cantam algo juntas,compartilham a mesma melodia, ritmo, centro tonal e etc. Ainda segundo Bruscia, aempatia se dá por meio de uma identificação do paciente com o terapeuta Com as palavrasde Barcellos: “A música, ao meu ver, nos induz a partilhar com o outro momentos nosquais, em outras condições, ficaríamos sozinhos, isolados” (BARCELLOS, 1992, p. 9).Algo que Etchegoyen (1987) engloba dentro de sua descrição de aliançaterapêutica, que é algo complexo e tem como um de vários aspectos a dissociaçãoterapêutica do ego:(...) se deve a uma identificação com o analista, cujo protótipo é o processo deformação do superego. Essa identificação é fruto da experiência da análise, nosentido de que, frente aos conflitos do paciente, o analista reage com uma atitudede observação e reflexão. Identificado com esta atitude, o paciente adquirecapacidade de observar e criticar seu próprio funcionamento (...)(ETCHEGOYEN, 1987, p. 125-126).A partir da identificação pode estabelecer-se confiança, ou seja, o paciente podepassar a confiar no terapeuta. Podemos assim observar, que tanto no meio musical como nomeio psicanalítico, é necessária uma identificação. Se isto não acontecer, o trabalho doterapeuta ficará mais difícil, pois o paciente pode tornar-se resistente.
  25. 25. 25Ainda sobre as atitudes do terapeuta, Patrícia Pellizzari reforça o aspecto daescuta do terapeuta, que deve ser usada como meio e como fim: “Como meio porque apartir dela o musicoterapeuta pode entrar no inconsciente do paciente e como fim, porque aescuta do musicoterapeuta metaforiza a da própria voz interior do paciente” (PELLIZZARI,1993, p.15).Assim sendo, o terapeuta deve estar atento às manifestações do paciente, tantoverbais quanto musicais, para saber a hora de intervir, de detectar e tentar dissolver, de ummodo não diretivo, a resistência apresentada.4.4 Como intervirO terapeuta não pode basear-se apenas na escuta. É um recurso importante, masnão suficiente. Ele também precisa intervir, mas como acontecem as intervenções emmusicoterapia?Este é um aspecto que traz muita polêmica à musicoterapia. Afinal, o terapeutapode usar recursos verbais com o paciente? O paciente pode conversar, ou ele tem que tocaralgum instrumento ou ouvir alguma música? Para respondermos a estas questões, devemosnos basear no que Bruscia afirma sobre música como terapia e música na terapia:Na música como terapia, a música exerce uma influência direta sobre o cliente esua saúde e serve como um agente primário na mudança terapêutica (...). Namúsica na terapia, a música é usada não somente por suas próprias propriedadescurativas, mas também para intensificar os efeitos da relação cliente-terapeuta oude outras modalidadesde tratamento (por exemplo, argumentação verbal)(BRUSCIA, 2000, p. 43).Em suma, o que Bruscia coloca é que a música pode ser tanto um agenteprimário como um secundário, ou seja, o processo musicoterapêutico pode ocorrer namúsica ou com o auxílio da música. Um exemplo de música como terapia é o trabalhodesenvolvido por Paul Nordoff e Clive Robbins.
  26. 26. 26Seria importante, nesta parte do trabalho citar um pensamento de Jung: “naPsicoterapia de hoje exige-se, às vezes, que o médico ou psicoterapeuta ‘siga’, por assimdizer, o doente e as suas emoções. Não creio que esse seja o melhor caminho. Às vezes énecessário que o médico intervenha ativamente” (JUNG apud BARCELLOS, 1992)Entende-se que o papel do terapeuta é ajudar o paciente, e por isso às vezes énecessário intervir. Se não ocorre intervenção quando necessário, o paciente pode repetirpadrões de comportamento, muitas vezes até agravando sua doença.Barcellos (1992) classificou as intervenções em musicoterapia em verbais,paraverbais/musicais, musicais propriamente ditas e corporais.As intervenções verbais podem ser divididas em faladas ou cantadas. Quandocantadas, através de músicas existentes ou improvisação de letras. As principais formas deintervenção- Interrogar: quando se pergunta algo ao paciente;- Informar: quando o terapeuta fornece informações que julga serem necessárias;- Confirmar: retificar conceitos do paciente sobre situações que ele solicite ou o terapeutajulgue necessário;- Clarificar: esclarecer alguma situação ao paciente;- Recapitular: resumir pontos essenciais de cada sessão ou do processo;- Assinalar: sinalizar relações entre os aspectos do paciente;- Interpretar: o significado do comportamento e algumas situações apresentadas;- Indicar: alguns comportamentos com caráter de prescrição;- Sugerir: atitudes e mudanças
  27. 27. 27- Meta-intervenções: comentar o significado de ter recorrido a acontecimentos e sessõesanteriores;- Outras intervenções: mudanças no contrato terapêutico, etc.. (BARCELLOS, 1992).Os outros tipos de intervenções serão brevemente esclarecidas e nãoaprofundadas, pois não são o foco de estudo deste trabalho.Ainda seguindo as idéias de Barcellos (1992), as intervençõesparaverbais/musicais incluem mímica verbal, variações na forma de emissão e no tom devoz, intensidade e inflexões rítmico-sonoras da fala. As intervenções musicaispropriamente ditas podem ser sonoras, rítmicas, melódicas e harmônicas, e as corporaisincluem gestos, posturas e olhares (BARCELLOS, 1992).A aplicação das intervenções verbais na musicoterapia são muito discutidas.Mas o processo musicoterapêutico precisa ter a música como agente principal? Por que amúsica não pode exercer um papel de agente facilitador? A afirmação de Bruscia sobremúsica na terapia é muito pertinente a este tema, pois ela não precisa ser necessariamente oagente primário do processo musicoterapêutico.As intervenções verbais cantadas podem ser um meio facilitador para trabalhar aresistência, principalmente com o uso de canções populares. Para um paciente resistente, omusicoterapeuta pode, inocentemente, propor que ele cante ou diga o nome de uma cançãoque lhe vem à mente, e na maioria das vezes o paciente concorda, porque a canção expõe eao mesmo tempo não expõe os conteúdos internos e as emoções do paciente. A cançãopopular é dialética.Segundo Millecco, Brandão e Millecco (2001), os autores de canções populares“emprestam” suas canções, que interagem com o mundo de cada um, ou seja, as cançõesque o paciente canta são e ao mesmo tempo não são dele: são dele porque “quando umapessoa canta, no setting musicoterapêutico, ele ou ela não reproduz simplesmente a canção,mas se apropria dela” (CHAGAS, 1998, p. 122), e também não são dele por questõespráticas: não foi ele quem a compôs, nem as palavras e nem as melodias, por isso este
  28. 28. 28processo se torna fácil. Muitas vezes, somente depois de cantar a canção, o paciente tomaconsciência do que ela significa para ele. Muitas vezes são necessárias intervenções verbaisdo musicoterapeuta, como assinalar as partes da canção que têm alguma relação com apersonalidade, o momento ou situação vivida pelo paciente.Nem sempre o paciente precisa participar ativamente do canto. Ele podeescolher uma canção e o musicoterapeuta pode cantá-la ou até acompanhá-lo em seu canto.Luiz Tatit relaciona a canção com a linguagem falada quando coloca que ocancionista é “um gesticulador que manobra sua oralidade, e cativa, melodicamente, aconfiança do ouvinte” (TATIT apud MILLECCO, BRANDÃO e MILLECCO, 2001, p.83).Sendo assim, a canção pode ser comparada à regra de associação livre deFreud. A canção na musicoterapia “engana” a resistência do paciente, que pensa que apenasvai cantar uma canção. O que muitas vezes ele desconhece, é que esta canção vem a partirde associações de seu inconsciente.Depois de estabelecida a confiança, a aliança terapêutica e trabalhada aresistência do paciente, este sente-se mais confortável no processo, e o processomusicoterapêutico passa a promover mudanças. O paciente que antes se sentia desmotivadoe que não sabia mais quais eram os seus desejos provavelmente resistia por medo,insegurança ou angústia, por não saber com o que teria que lidar. Com o tempo do processoo paciente adquire confiança na relação com o terapeuta, deixa um pouco de lado aresistência e se abre ao processo e às mudanças, e isto pode ser um fator que irá refletir-senos aspectos motivacionais e no desejo dele.
  29. 29. 29CASO CLÍNICOEste capítulo ilustrará este trabalho com um exemplo de um caso clínico.5.1 O Caso “V.”V, sexo feminino, 54 anos de idade, casada há 35 anos, com o diagnóstico dedepressão, começou seu tratamento comigo em março de 2004.Suas maiores queixas eram a grande desmotivação e vontade de dormir, que nãoa deixava fazer as coisas que gostava.V. teve três filhos, dois faleceram logo após o parto por problemas congênitos.O terceiro filho morreu aos 18 anos, com a hipótese de suicídio. V. não acredita que foisucídio. Desde então o quadro depressivo instalou-se. Hoje V. mora com seu marido e como quarto filho, que é adotivo.V. queixou-se muito do marido. Disse-me que ele era ciumento e controlador, eque durante todo seu tempo de casamento foi passiva, anulou seus gostos, desejos esentimentos para realizar os dele. V. fala do marido com muita raiva.V. já planejou muitas vezes seu suicídio. Tentou por duas vezes matar seumarido, uma atirando-lhe uma faca e outra envenenando sua cerveja, mas ficou comremorso e retirou o copo da mão dele. Dizia-me que somente quando o matasse seriarealmente feliz, seria verdadeiramente ela, apresentando assim, um funcionamento muitofantasioso.Os primeiros contatos com esta paciente foram “frios”. Foi aplicadoprimeiramente o teste do perfil psicomusical elaborado pela musicoterapeuta francesaVerdeaux-Paillès, e percebi que V. não estava gostando do teste, mas que continuava comele somente para me agradar. Deixou bem claro para mim, na entrevista inicial, que éviciada em analgésicos: “Não gosto de sentir dor”, e esclareceu também suas relações coma música. Disse que prefere ouvir a tocar. Fez aulas de piano e violão, mas não continuou,porque não gosta de tocar.
  30. 30. 30Em todas as sessões, V. verbalizava muito, e todas as vezes em que euperguntava se ela gostaria de ouvir alguma música, ela dizia que não se lembrava denenhuma no momento, e eu respeitava sua resistência. Durante várias sessões eu continueiperguntando, até que um dia ela quis ouvir “Fascinação”, da Elis Regina. Peguei o violão ecomecei a cantar, pedi para que me ajudasse e ela comentou que não lembrava a letra. Eudisse a ela que tudo bem, que eu cantaria a música para ela. Comecei a cantar e V.acompanhou me, com uma voz fraca e bem afinada:“Os sonhos mais lindos sonheiDe quimeras mil, um castelo erguiE no seu olhar, tonto de emoçãoCom sofreguidão mil venturas previO teu corpo é luz, seduçãoPoema divino cheio de esplendorTeu sorriso prende, inebria entonteceÉs fascinação, amor”.Destaco aqui a importância da ordem social no desejo pontuada por Rolnik. Aterapeuta apoiou o canto da paciente, e por isso esta sentiu-se mais segura ao cantar.Transcorreram-se várias sessões, e eu percebia que seria difícil levá-la aosinstrumentos, por isso decidi trabalhar com canções populares. V. sempre se mostravamuito tímida ao cantar, e disse para mim que nunca gostou de ser o alvo das atenções. Aomesmo tempo, em seu discurso, ela me dizia que sentia culpa pelo suicídio do filho, pornão ter conseguido resolver um problema entre ele e o pai. Tendo como base essasinformações, pensei em dedicar uma música a ela em uma sessão.Como eu sabia que ela gostava do timbre do piano, sentei-me ao teclado da sala,ajustei o timbre para o piano e toquei “Alguém cantando”, de Caetano Veloso:
  31. 31. 31“Alguém cantando longe daqui, alguém cantando longe, longeAlguém cantando muito, alguém cantando bem, alguém cantando é bom de se ouvirAlguém cantando alguma canção, a voz de alguém nessa imensidãoA voz de alguém que canta, a voz de um certo alguémQue canta como que pra ninguémA voz de alguém quando vem do coraçãoDe quem mantém toda pureza da naturezaOnde não há pecado nem perdão”Ao terminar a música, o silêncio de V. permaneceu durante um tempo. Depoisela comentou: “Só não vou chorar porque não quero te deixar triste”. Isto eu considereicomo uma pequena resistência que ela manifestou para não entrar realmente em contatocom os próprios sentimentos. A partir desta sessão, V. começou a cantar e lembrar maismúsicas.Em uma outra sessão, V. trouxe um álbum de fotografias e comentava quesentia como se não tivesse mais identidade, pois não tinha mais motivação nem para fazeros trabalhos manuais que fazia. “Antigamente, eu levava um dia para fazer um tapete decrochê”. Pedi então para que ela escolhesse uma foto, V. escolheu uma na qual ela estavasozinha. Pedi para que ela olhando para aquela foto, se dedicasse uma canção. Ela me disse:“Ah, tem que ser do Roberto Carlos” e logo após começou a cantar, muito tímida:“Tanto tempo longe de você, quero ao menos lhe falarA distância não vai impedir, meu amor, de te encontrarCartas já não adiantam mais, quero ouvir a sua vozVou telefonar dizendo que eu estou quase morrendo de saudade de vocêEu te amo, eu te amo, eu te amo
  32. 32. 32Mas o dia que eu puder te encontar eu quero contar o quanto sofriPor todo este tempo que eu quis te falarEu te amo, eu te amo, eu te amo...”Cantei a música junto com ela, ela resistia em chorar. Seus olhos estavammarejados, então eu lhe pedi para que cantasse a mesma música, mas em primeira pessoa.Ela cantou, com a voz trêmula:“Tanto tempo longe de mim, quero ao menos me falarA distância não vai impedir, meu amor, de me encontrarCartas já não adiantam mais, quero ouvir a minha vozVou telefonar dizendo que eu estou quase morrendo de saudade de mimEu me amo, eu me amo, eu me amoMas o dia que eu puder me encontrar eu quero contar o quanto sofriPor todo este tempo que eu quis me falarEu me amo, eu me amo, eu me amo...”Ao terminar a canção, V. chorava muito. Perguntava-me como era possível queexatamente esta canção tinha vindo à sua mente. Respondi-lhe que era o que ela pensava esentia, mas que apenas se tornou consciente quando eu lhe pedi para que cantasse.Ao término do primeiro semestre de atendimento, durante a entrevistadevolutiva, V. comentou que não gostou de mim na primeira impressão. Disse que nãoqueria nem mais voltar para a musicoterapia, mas que resolveu dar uma chance para mim,para ela e para o tratamento.
  33. 33. 33Hoje V. mudou muitos aspectos em seu comportamento: disse que não é maistão passiva na relação com o marido e que hoje faz as coisas, come, se veste como elagosta. Não tem mais o forte ciúme que tinha do filho adotivo em relação à sua nora. Hojeela diz que o filho deve ter a vida que ele, não ela, escolher. Contou-me que agora gosta desair sozinha, caminhar e passear, está mais motivada a fazer os trabalhos manuais que faziaantes da depressão.O caso de V. é um exemplo onde a principal forma de trabalhar a resistência foio uso das canções, que possibilitaram, junto com o estabelecimento de uma aliançaterapêutica, da escuta e do acompanhamento da terapeuta, uma abertura da paciente aoprocesso, e assim as mudanças foram acontecendo.V. conseguiu resgatar sua identidade através da canção e das intervençõesmusicoterapêuticas. O apoio da figura da terapeuta para que ela se sentisse mais segura emsuas descobertas também foi muito importante. V. conseguiu perceber outra vez quais eramos seus desejos, e sentir-se motivada para alcançar seus objetivos. Percebeu também suaresistência à mudança, e como poderia encontrar novas formas de ser feliz.
  34. 34. 34CONCLUSÃODurante a realização deste trabalho, foi concluído que os aspectos do desejo, emotivação se relacionam com a resistência, e que esta resistência tem várias formas de seapresentar.O mais importante também foi o destaque para a intervenção domusicoterapeuta. Se ele não intervém, ele pode estar contribuindo para a não-melhora dopaciente ou até um agravamento da doença, no caso de pacientes com depressão. Mastambém é importante destacar que esta intervenção deve ser “calculada”, de acordo com osobjetivos que o terapeuta tem, de acordo com a aliança terapêutica e a empatia estabelecida.O destaque do trabalho foi o uso das canções dentro do processo terapêutico,dentro de uma abordagem psicanalítica. É claro que temos que frisar que o paciente temque querer a mudança, tem que contribuir para que isto aconteça, e o musicoterapeuta é umagente facilitador.Ainda há mais complexidade dentro dos desejos, da motivação e da resistênciaque não puderam ser abordados neste trabalho, devido ao fato de que a mente humana éuma “caixinha de surpresas”. Como este trabalho foi desenvolvido por causa destaexperiência clínica, ainda há mais a ser explorado, que poderá ser assunto de outraspesquisas sobre o tema.
  35. 35. 35REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASAIGEN, K. “Energia, resistência e transformação com música e fantasia criativa.” In:BARCELLOS, L. R. M. Musicoterapia: transferência, contratransferência eresistência. Rio de Janeiro: Enelivros, 1999.BARCELLOS, L. R. M. “Transferência, Contratransferência e Resistência no métodoBonny” In: BARCELLOS, L. R. M. Musicoterapia: transferência, contratransferência eresistência. Rio de Janeiro: Enelivros, 1999.BARCELLOS, L. R. M. Cadernos de Musicoterapia 2. Rio de Janeiro: Enelivros, 1992.BERGAMINI C. W. CODA, R. Pscodinâmica da vida organizacional: motivação eliderança. 2 ed. São Paulo: Atlas, 1997.BOWDITCH, J. L. BUONO, A. F. Elementos de comportamento organizacional. SãoPaulo: Pioneira Thomson, 2002.BRUSCIA, K. E. Definindo Musicoterapia. 2 ed. Rio de Janeiro: Enelivros, 2000. .CHAGAS, M. “Cantar é mover o som.” In: Anais do IV Fórum Estadual deMusicoterapia. Rio de Janeiro: AMT-RJ, 1998.DVORKIN, J. M.. “Considerações sobre questões de desenvolvimento e escolha deintervenções para trabalhar a resistência em musicoterapia”. In: BARCELLOS, L. R. M.Musicoterapia: transferência, contratransferência e resistência. Rio de Janeiro:Enelivros, 1999.ETCHEGOYEN, R. H. Fundamentos da técnica psicanalítica. Porto Alegre: ArtesMédicas, 1987.LAPLANCHE, J. Vocabulário de Psicanálise Laplanche e Pontalis. São Paulo: MartinsFontes, 1998.LOPES, T. V. M. Motivação no trabalho. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas,1980.MILLECCO, L. A. BRANDÃO, M. R. E. MILLECCO, R. P. É preciso cantar –musicoterapia, cantos e canções. Rio de Janeiro: Enelivros, 2001.NORDOFF, P. ROBBINS, C. Creative Music Therapy. New York: John Day Co., 1977.
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