Dez dedos dez segredos maria alberta menéres

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Obra recomendada pelas Metas Curriculares de Português para o 1º ano de escolaridade.

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Dez dedos dez segredos maria alberta menéres

  1. 1. n Dez Dedos Dez Segredos >""' ; ç ; Livro o WD áudio Í U Í Van. : Alwn. : Murta-vv¡
  2. 2. Tnvlo De; Daí. : Du êeévczws . :a “Ann/ n ni Múniun . ..um ; uz- Ihnvvutócl : :mw A541, Irrlmpcludo bala-J idvmu ¡mpmnon n ncnbcnwmc Blow üraínc; L1:: ISIN OFEVUYQRÃHJJJ mcopgwge: : uma¡ unuon. s. A. LISBOA EDITORA LISBOA apurou. 5.1x. Sede e Divetçâo Editonal A». E n. ¡xmhn-v Afváífuü Ir. 17mm- '¡1«. ¡Yl Jul/ QOH) um¡ v o m: n, sm _L »nlwmhl- mm m m m uma na Gcvnmn Amb-rum ~ o ' w- «u um mu . ~
  3. 3. Dez Debos Dez Segrebos Era uma vez duas mãos que sabiam contar muitas histórias. Às vezes a mão esquerda começava uma e a mão direita acabava-a. Outras vezes era precisamente o contrário. . . Isto de as mãos gostarem de contar histórias não é caso de causar admiração! Não é verdade que, quando se conta uma história, as mãos explicam à sua maneira o que se vai contando? Bem, ainda não se disse tudo! Nestas duas mãos que gostavam tanto de contar histórias, cada dedo vai puxar pela sua cabeça (cabeça de dedo, está bem de ver. -.) e botar palavra.
  4. 4. CONTA O DEDO IVIINDINHO DA lVlÃÔ ESQUERDA Era uma vez uma princesa pequenina. Quando nasceu, era linda. Por todo o reino se espalhou a fama da sua beleza. Por todo o reino e arredores. Porém, à medida que o tempo ía passando, maior era a afli- ção dos seus pais e de todos os que viviam ao seu lado. Eu vou dizer a razão de tão grande aflição: é que a princesa estava quase a fazer 7 anos e. .. continuava carequinha como quando nascera! Corno é possível existir uma princesa sem lindos cabelos loi- ros ou sem lindos cabelos negros a esvoaçar ao vento? - era o que se segredava pelos corredores e corredores do velho palácio. Porque não nasceram os caracóis da princesa? procuram nos livros os sábios doutores sentados à mesa. Só que os grandes livros ~ XX_ _I _ não falam de nada. _ 3x E os sábios doutores ; x *- _' sentados à mesa, F . r- _ J . JJ tf_”_ «
  5. 5. 1.x: u). - uz wa» puxam seus cabelos em grande aflição: mas porque não nascem os caracóis da princesa? E todos naquele reino julgavam que o problema não tinha solução. Tem de se dizer aqui que a princesa era uma menina alegre e bríncalhona que só sentia a falta dos caracóis que nunca tivera quando se lembrava de querer pôr um lacinho corde- -rosa nos cabelos. .. E também tem de se dizer que era um bocado preguiçosa! Imaginem que nunca tinha assistido ao nascer do Sol. Toda a gente lhe dizia que o Sol aparecia devagarinho, de dentro da noite, e de repente ÍÍCBVB tudo iluminado com a sua luz espantosa. Um dia, a princesa pensou: É capaz de ser verdade. E, na manhã em que fazia 7 anos, levantou-se bem cedo e desceu as escadas que davam para ojardim do seu palácio. Sentou-se numa pedrinha e esperou. Lá vinha o Sol a aparecer, devagarinho como lhe tinham contado, e tão claro como se fosse uma laranja brilhante a ser desenhada a pouco e pouco.
  6. 6. Dic-z Dcõc» 13cm' Sugrt-õus - Born-dia, princesa! gritou o Sol. - Até que enfim que te encontro sentada à minha espera! a Bom-dia, Sol! Ainda és mais bonito do que rne disseram! - gritou a princesa. Logo muitos raios de Sol se espalharam por todo o jardim. Uns jogavam às escondidas corn as flores, que ficavam mais coloridas; outros iam dizer segredos aos agriões das vaias e aos frutos das árvores, que ganhavam novo bruho. Outros ainda resolveram ir brincar corn a princesa, numa alegria nunca vista. E quando ela por fim voltou para o seu quarto, feliz de tanto brincar, foi um espanto: olhou para o espelho e viu a sua cara rosada espreitando por entre os mais lindos caracóis que poderia sonhar. Ou seriam raios de Sol que queriarn ficar a viver corn ela. para sempre?
  7. 7. COJ'I'"LAI› CI' KDLDZ) AEVELAFK DA [VU-XO LESMQUÉRDA A minha história é diferente. Ou eu não rne charnasse ane- lar. .. Era urna vez um velhinho que tinha 3 anéis guardados numa pequena caixa de cartão. Todas as noites, antes de adorrnecer, o velhinho pensava: Arnanhã vou cornprar urn banco para chegar ao cirno do armário onde arrumei a caixa dos anéis. Já tenho saudades de os ver! Mas depois no dia seguinte, rnal se levantava e começava a sua lida de rnoleiro, nunca mais se lembrava nem do banco nem dos benditos anéis. A pegar nos sacos, a rnoer o grão, tão cedo o rnoleiro não descansa não. O vento nas velas , , do alto rnoinho “x” lernbra as Caravelas abrindo carninho. A encher os sacos de branca farinha, o rnoleiro canta: Bela vida a minha!
  8. 8. Dez 132?: : Dez segrzÍ-: s Até que um dia houve um temporal muitogmrlde. As velas do moinho rasgaram-sec as amores em redor ñca- ram sem os seus belos ramos: voaram algumas telhas do telhado da casa do velho moleira Pela primeira vez em muitos anos, era melhor ficarem casa semuabalhar- ia pensandoeledesiparasi. F. semquerer. oseuolharfinousenoaltodoamiáriooode estavaacaixadecartãoquetínha ládentrooshnéis - Hojeé bom dia para os ir buscar lá em cima! - pensou ele. E se bem o pensou. melhor o fez. Como ainda não tinha tido tempo para ir comprar um banco alto. pós um caixote em cima de uma mesa e subiu para cima daquela geringonça até conseguir chegar ao cimo do armário Ah, lá estava a caixa! Mas. . (agora aqui imaginem o barulho de um grande trambo- lhão! ) - Bta agora! !! - lamentou-se o velhinho, caido no meio do chãomasjá com acaixa na mãaQuem memandoua mim andara ! repara mesasecaixotes. , na minha
  9. 9. Dez Debm Dez Scgrcks Por sorte não ficou lá muito magoado: só uns arranhões e mais nada. Naquele dia deitou-se mais cedo. A mirar os anéis. Eram lín- dos Cada um em seu saquinho. E. dentro de cada saquinho, um papel com umas palavras misteriosas 0 moleiro pegou no primeiro e leu: - Eu sou branco. O que há mais branco do que eu? Pegou no segundo e leu: - Eu sou preto. O que há mais preto do que eu? O terceiro papel dizia: - Eu sou cor de oíro O que há mais doírado do que eu? 0 moleiro ficou dias e dias a pensar naquelas perguntas. Já o temporal tinha passado há que tempos, e ele só a olhar para osaneisea lerospapeis. O moinho. parado. Mas que vida era a sua? De repente o moleiro percebeu tudo. Atirou com a caixa dos anéis lá para o alto do amiário e deitou-se ao trabalho a cantar: Mais banca que o primeiro anel é a minha farinha! Mais preta que o segundo anel é a noite para dormir'. Mais doirado que o terceiro anel é o Sol em todo o lado!
  10. 10. Dez m). » Dez Savel: - CONTA 0 DEDO MAIOR¡ PAl-DE-TODOS. DA MÃO ESQUERDA Como sou o maior dedoda mão esquerdaapetece-me con- taruma históriadegigantes Eraumavezumahorulínessahortahaviamuítascouves devários feitiosetamanhos Numa couve pequenina, mal acabada de abrirao Sol da m mavera, anínhava~se um rapaz também muito pequenino que aacharamesmoparecida com uma belacadeiradecampo. Normacouvemesmoaoladqporémquem haviadeseaní- nhar, cansadodetantas caminhadas? Nada maisnada menosdoqueogigantedasbotasdesete léguas! Era uma couve enomve a que ele tinha escolhido para repousar um bocadqdarosta Uma cnuveéumlugar que nãoé para descansar. Uma couve, é bemdever, é mais própria para comer. Mas que grande disparate fazerdascouvescadeiras' Uma horta. é bemdever, não serve para brincadeiras Ora o rapaz pequenino não sabia que tinha o gigante por vizinho, nem o gigante sabia que havia al¡ um rapaz peque- nino mesmo ao lado A certa altura. o rapaz soltou um grande suspiro: - Ai que sono que eu tenho! O gigante ouviu qualquer coisa mas não percebeu o que era. Até deve ter pensado: e capaz de estar um pardalito a debicar alguma couve aqui perto! Enàosaiudoseubeloecomodolugar. A cena altura, o gigante deu u m grande espirro. O rapazinho apanhou um susto formidável! Meu Deus. que grande trovão! Ou sera' coisa pior? ! Virá por al um urso? ! Ai, com este estardalhaço, o melhor é ir-me embora! Eu já nem se¡ o que faco!
  11. 11. Dez [X345 Dez Sçxjr-: õrr Deu um salto para fora da couve e deitou a correr para casa. Ao passar pela couve onde estava recostado o gigante, bateu sem querer no pé da couve que estava a atrapalhar-lhe o caminho. Foi a vez de o gigante se assustar: Meu Deus. mas que estremeção! Estará o mundoa cair? Passaria um avião a jacto pelo meu nariz? ! 0 melhor é ir-me embora antes de cair no chao! Deu um salto para fora da couve e deitou a correr para casa. Andava por alia esvoaçar uma borboleta colorida. Com medo do rapazinho, não se tinha chegado muito à couve pequenina. Com medo do gigante, não se tinha chegado nada à couve muito grande. Mas o certo é que tinha assistido a tudo. E deu-lhe um ata- que de riso quando víu cada um a fugir para sua casa. 16
  12. 12. Dez D55- 'x Dez SzJVeÊUK - Também acho! - murmurou uma lagarta empoleirada num caule. - E nos também! E nós também! - cantarolaram em coro as minhocas de um canteiro. Uma pomba cinzenta resolveu dizer de sua justiça: - Para quem só vem de ano a ano, esta aldeia pode parecer feia e triste. mas para nós que vivemos cá todo o ano, é a terra mais formidável do mundo! Conhecemos as pedrinhas. os riachos a brilhar. Nos olhos da nossa aldeia não há lágrima a poisar. Conhecemos tantos ninhos, tantos bicos a piar! Não dizemos onde estão: e' segredo de vizinhos. Mas a galinha Pedrês era daquelas galinhas que para acredi- tar tém mesmo de ver. Certa manhã notou que uma galinha nova, toda saracotea- da. entrou para dentro de um cesto novo que estava dentro de uma casa muito branca da aldeia. - O que irá ela fazer? - perguntou de s¡ para si, muito curiosa. _. r c
  13. 13. Dez Deôos Dez Segreõos Afinal não era nada de especial: a galinha foi só pôr uno ovo. Urn lindlssinwo ovo, por sinal! Passaram tennpos, a galinha chocou aquele ovo e dele saiu urn pintainho rnuito esperto. Que grande espanto para a galinha Pedrés e para toda a bícharada! Fizerarn logo esta cantilena: A nossa aldeia é bonita e alegre. Dentro da aldeia há unna casa branca. Dentro da casa branca está urn cesto. Dentro do cesto está unña galinha. A galinha pôs unn ovo e cantou. E deste ovo nasceu uns¡ pintainho. O pintainho cresceu ejá é unna galinha. A galinha saltou para dentro do cesto. O cesto saltou para dentro da casa. A casa saltou para dentro da aldeia. E a aldeia aqui está, bend bonita e alegre! Olaré! ~ Olará! f * x É i _' 3x L ~ i Y l . - __ 7. t 7 e . c g
  14. 14. CONTA O POLEGAR DA lV| ÃO ESQUERDA Eu tarnbérn sou gente! Ora reparem na rnlnha história. Era urna vez urn burro. Olhou para o estábulo onde acabava de nascer e disse: - Que rnundo tão feio! Tão escuro! O pai e a rnãe rirarn-se rnuito quando o ouvirann dizer isto. O pequeno burrinho julgou que estavarn a fazer troça dele e já não disse rnais nada. No dla seguinte espreitou pela fresta da porta de madeira, que era urna porta rnuito desengonçada, e viu unna árvore cheia de rnaçãs vermelhas. Ern cada maçã abria-se urna janela quadrada. E end cada janela estava debruçada urna minúscula lagarta verde. Era urna conversa pegada, de janela para janela, que só vlsto e ouvido! O burrinho flcou rnuito admirado e disse: - O rnundo é uma árvore cheia de rnaçãs a conversar! Ao terceiro dia de vida, o burrinho abriu rnais a porta de rnadeira e saiu cá para fora do estábulo.
  15. 15. Dez Deàos Dez Segreàus Ao ver um grupo de crianças a saltar à corda, o burrinho exclamou: - Que divertido que é o mundo! As pessoas são muito pequeninas e passam a vida aos pulinhos! Ao quarto dia de vida. o burrinho foi beber a um ribeiro de águas Iímpidas e ví u o seu próprio focinho rellectido na água. ñcou muito espantado e exclamou: -0la, amigo. Quem estu? Mas o outro burrinho não lhe deu resposta nenhuma. Muito triste. ele voltou para o estábulo, dizendm - w hoje um bicho muito feio e muito mal educado! Ao quinto tña de vida, o burrinho foi ter com os seus país e disse-lhes: - Vou correr mundo, meus pais. Posso ir? Os pais, desta vez, nao se riram dele e disseram-lhe: - Para que queres correr mundo, filho? Não te chega este mundo que conheces aqui na nossa terra? Olha para nós, que nunca saímos daqui e somos bem felizes. E'; _;__v É' s___; '~z_í
  16. 16. Dez Debos Dez Segrebos - ! Vias eu quero lr correr rnundo, n1eus pais! !! - telrnou o bur- rinho. E foi. lV| as o certo é que ainda não conseguiu afastar-se dal¡ da sua terra, de junto dos seus arnlgos e conhecidos- O burrinho va¡ ele próprio explicar porque: - E que afinal há tantas coisas para descobrir por aqui, que já estou a ver que tão cedo não consigo abalar para" terras a estranhas. . . Afinal, que grande rnundo mesmo em frente do focinho! Hoje salvo urna forrniga, arnanhã descubro un": ninho. Não sei corno é que há-de ser, o ternpo passa a correr!
  17. 17. CONTA C) DEDO lVHNDINI-IO DA lVlÃO DIREITA Era urna vez uma rnenina charnada lVlaria. Há rnuitas rneninas corn este norne, rnas ernbora o nome seja igual, todas as rneninas são diferentes unwas das outras. A Nlaria desta história era urn bocadinho vaidosa e gostava de conhecer urna cidade grande! Ah, é preciso dizer que ela vivia sernpre na aldeia onde tinha rnuitos arnigos. Os arnigos da Niaria erarn os coelhinhos da coelheira, o cão de guarda do rebanho, os gatos das vizinhas, o papagaio da rnercearia, os grllos dos carnpos, os pornbos do pornbal. .. Eu tenho tantos amigos que nern os posso contar. Sei que repararn ern mim sempre que vou a passar. E rnesrno quando estou só, sei que estou acompanhada. Corn os anwigos, estou bern, sern eles não brinco nada. lVlas a Nlaria tinha urna arniga rnuito especial que costu- rnava vlver nurn vaso de rnalnwequeres da varanda do seu quarto: era urna joaninha. 27
  18. 18. Dez &àm Dez sexys? = Só que não era uma joaninha qualquer! Esta falava e tudo. Praticamente era a sua conselheira para todos os assuntos que lhe pareciam mais complicados. Quando a Maria queria saber qualquer coisa. perguntava logo à sua amiga joaninha. E o mais engraçado é que a joaninha lhe respondia mesmo! Isto era o que a Maria garantia a quem a quisesse ouvir. Muita gente não acreditava Muita gente riacomo se fizesse troca. Mas nem a Maria nem a joaninha se ralavam lá muito com rsso. Ate' que um dia os pais da Maria lhe disseram: - Vai vestir o teu vestido novo, que hoje vamos à cidade grande! A menina ficou radiante! Que bomerairdepasseioatéàddadegrandelauebom era vestir o seu vestido novo! Toda vaidosa. foi logo arranjar-se. Estava ela a acabar de se por bonita, ouviu uma voz deli- cada: - Levas-me contigo. Maria? Eu também gostava muito de conhecem cidade. l «F ê l l
  19. 19. l)cz I)côns l)cz Scgrcõns A rnenina ficou triste, de repente. Se pedisse para levar a sua arniga joaninha, ninguérn ia deixar e de certeza ainda fariarn troça. .. Ficou ali a pensar urn bocadinho e teve urna bela ideia. Que sorte o seu vestido ser todo às pintinhas de rnil cores! Viajar de carnioneta, de cornboio ou de carroça, de autornóvel, de avião, de burro ou de trotineta, não faz grande adrniração! *sí* *- Nias viajar urna joaninha i nurna encarnada bolinha do vestido da Niaria, nunca eu tinha visto, não! . ao
  20. 20. CONTA O DEDO ANELAR DA IVIÃO DIREITA Por rnirn. acho que vou contar urna história de Anéis! Era urna vez urn ninho. Dentro do ninho estavarn 3 águias pequeninas, sempre de bico aberto. Elas estavarn sempre de bico aberto e a piar porque passa- varn a vida a querer corner coisas e coisinhas que os pais pas- savam a vida a trazer-lhes. Era un-Ia azáfanna sern firn. Passado algurn ternpo, as 3 pequeninas águias já estavarn mais cresc¡das, já sabiann experimentar as suas asas, já se afoi- tavam em voos arriscados. Urn dia, ao anoitecer, ouvírarn urna conversa dos velhos pais. que as deixou muito intrigadas: - Já estarnos urn bocado velhos e cansados, não achas? - Niuito, rnuito, não acho. Nlas realmente já nern érarnos capazes de voar tempos e ternpos sem firn! Í - Nunca chegámos a ir até aos planetãs distantes. Até ao planeta Saturno, por exernplo. .. - É. Nunca chegárnos a ir até aos Anéis de Saturno! O que seriarn aqueles Anéis de que falavarn as velhas águias?
  21. 21. Dez D651* Dez &peão; E o tal planeta Satumqñcaria muito longe? Voar até Satumo não deve custar nada. Saindo quando o Sol nasce da madrugada. chegamos à tardinha ao ponto de chegada! E assim foiQuando no dia seguinte o Sol nasceu da madru- gada, as 3 águias novas abriram as suas asas ao vento e lá par- tiram em direcção ao planeta Satumo. - Quantos Anéis terá este planeta? - perguntou a mais pequena. - Se tiver 3, e' um para cada uma de nós! - exclamou a do meio. - Devem ser uma maravilha! E valiosos! - suspirou a mais velha. À medida que iam voando, cada vez mais alto, mais alto. as 3 irmãs águias sentiam como estavam a ficar cada vez mais longe da sua terra, do seu ninho, da sua familia. E. sem querer, começaram a sentir uma cena pena de terem de estar cada vez mais distantes de tudo o que conheciam. u
  22. 22. i)c7 imrños 13a? Svgroôns Já iam voando por cima das nuvens todas que passavam pelo espaço. E para lá de todas as montanhas. E para lá de todos os dias e de todas as noites deste rnundo. Fo¡ quando viram mesmo à sua frente, mas ainda a uma certa distância, os Anéis de Saturno. Como se fossem feitos de pedaços de nuvens, ou de pétalas brancas, ou de lã de ovelhas, ou de fiapos de neve, ou de farrapos de sonhos. Perceberam que era mesmo impossivel trazê-los para a Terra, sern os desmanchar, sem os desfazer. Então encheram os olhos de tanta beleza e voltaram para trás, descendo devagarinho até poisarern no seu ninho, trazendo nos olhos urn brilho diferente, como quem percebe aquilo que sente. E as 3 águias novas, urn dia, velhinhas, decerto dirão: - Os Anéis de Saturno, que longe que estão! Br¡
  23. 23. CONTA O DEDO IVIAICR, PAI-DEJTDDÓS, DA lVIÃÔ DIREITA Não sei bem que história é que hei-de contar! Ah, já sei. .. Era urna vez urn lirnoeiro que não sabia dar limões. Quando urn dia viu que as outras árvores se enchiarn de flores, ficou muito admirado e perguntou: ~ Que lindo! Corno é que vocês são capazes de arranjar tantas flores para se enfeitarern? Ninguém lhe respondeu, nem nesse dia nern nos outros que vieram. O vento às vezes tinha pena do limoeiro e trazia-lhe urna flor desta árvore, outra flor de outra árvore distante, deixando-lhas nos seus ramos penduradas durante alguns minutos. O limoeiro então parecia cantar: Já tenho urna flor ao peito, que me faz muito feliz. Foi o meu amigo vento que me deu este presente, que é assim corno quem diz: já podes ficar contente! '33
  24. 24. mzneñmnezsegnõos Nessas alturas o Iimoeiro nem se mexia. com medo que as flores se desequilibrassem e caissem no chão, ou esvoaças- sem para bem longe dele. Claro que, mesmo sem ele se mexer, as flores acabavam por o deixar tão sozinho e despido como dantes. Era natural. E, sem querer. ele ñcava triste. Porque seria que a Primavera não queria ser amiga dele? Ora, certo dia. passou por ele uma lagartixa. Trepou pelo seu tronco fino, andou a sarilhar de raminho em raminho e, por fim, recostou-se muito bem recostada à sombra de uma das suas folhas. preparada para dormir uma bela soneca. - Senhora lagartixa. senhora lagartixa; chamou o limoeiro. - Uff, que susto me pregaste! - estremeceu a lagartixa, - Desculpe_ - O que queres? Diz lá! Como viu que a lagartixa era simpática, o limoeiro contou- -Ihe o seu problema: ele não era capaz de dar flores bonitas como as outras árvores suas vizinhas e conhecidas. E não sabia dar limões, 0 que havia de fazer?
  25. 25. Dez Debos Dez segrebos A lagartixa reconñeçou a sarilhar de rarninho para rarninho, conño quern anda à procura de unña ideia lurninosa. De repente, exclanñou ern altos gritos: -Já se¡ o que se passa contigo! Já se¡ o que se passa contigo! O lirnoeiro ficou nrtuito nervoso ao ouvir a lagartixa dizer que já sabia o que se passava corn ele. O que seria? - É rnuito sirnples! - exclandou a lagartixa. Tu és ainda rnuito novinho, não passas de urn menino ÍÍYTIOGÍTO. .. Já queres ter flores e dar lirnões? ! Prirneiro tens de crescer e ficar rnais forte. Tudo leva o seu ternpo, meu arnígo. Tudo leva o seu ternpo. - Ah! - disse o pequeno lírnoeiro. - Então vou ver se cresço depressa e rne faço rnais forte. Obr¡gado, andiga lagartixa! Que peso rne tiraste das raízes! ¡
  26. 26. CONTA @INDICADOR DA IVIÃC) DIREITA Até que enfirn chegou a rninha altura de contar urna história! Era urna vez urna cegonha pernalta que tinha o seu ninho feito e rnuito bern feito no alto de urn choupo velho. Todos os dias ela dava grandes passeios pelo ar, a ver o rnundo de lá de cima, corno se estivessem só coisas pequeninas cá em baixo. E de vez ern quando descia na clareira ern frente das casas, deslizando serena, branca e cor-de-rosa, por entre as alfaces da horta e as valas da rega. Que linda cegonha por aqui passou! Já todas partlrarn por rnontes e vales. Só ela ficou. Será uma fada? Terá urn encanto? sí É urna princesa 4 rnuito enfeitiçada, chorando seu pranto? Já todas partirarn. Só ela ficou. 39 _uh
  27. 27. Dez De? :Dez x52). ~ E eraverdadeznão havia outrascegonhas porali. Que lhe teria acontecido? Só a Margarida sabia da história. A Margarida era a maior amiga da cegonha pernalta. Meses atrás, andavam já as cegonhas todas muito atarefa- das para largarem os seus ninhos e Ievantarem voo em direc- ção ao Sul, quando a Margarida ouviu, num certo dia, uns pias aflitivos no meio de uns silvados Foi ver. Nem queria acreditar: com uma pata presa numa armadilha esquisita, uma linda cegonha parecia estar em grande aflição, Com muito jeitinho, a Margarida levantou o ferro que pren- dia a pata da cegonha e levou-a ao colo para casa. Como se fosse uma boneca doente. Os pais ficaram preocupados quando a viram e disseram que aquela cegonha era capaz de morrer. vinha aí o Inverno - e as cegonhas não costumam resistir aos frios dos invernos. / , N , /_i N, v/ l J 3 lt”
  28. 28. Dez . .Yo Dez 56:41,' '~ Mas esta resistiu. E a Margarida liceu toda contente quando um dia o pa¡ lhe disse: - Esta conseguiu salvar-se! Vem já ai a Primavera, e não tarda nada que ela vá ter companhia O pa¡ tinha razàoc voltaram do Sul as suas companheiras e foi uma alegria geral. Parecia que as cegonhas que acabavam de dmegar de tão longes terras, nem queriam acreditar no que viarrc Depois de correr mundo, que mistério profundo nós vimos encontrar aqui neste lugar! Porém, o tempo foi passando e de novo foi chegando o Inverno. A Margarida sabia muito bem que desta vez a cegonha não ia ficar alí com ela. A sua pata estava curada; as suas asas eram fortes. Por isso, quando a viu um dia elevar-se no ar, deslizando serena, branca e cor-de-rosa, por cima das árvores e dos telhados. atrás das outras cegonhas, deu consigo a dizer muito baixinho: Vai sem medo de voar pelos vales. pelos montes. pelos rios. pelos mares. para além dos horizontes E vem ter à minha casa quando um dia regressares. Ela sabia que a sua amiga cegonha a ouvia perfeitamente. -lS
  29. 29. Dez Deàos Dez Segrcbui CONTA 0 POLEGAR DA MÃO DIREITA Bem, só falta eu contar uma história para acabar a conversa das duas mãos Ora eu sei muitas histórias de fadas, de bichos. de mundos fantásticos e de mundos nada fantásticos. Quem anda nesta vida como eu ando, sempre ao lado das coisas, a mexer nos livros, nas prateleiras, nos sótãos, nas arcas. encontra cada uma! No outro dia descobri uma luva branca com os dedos corta- dos. Só um dedo da luva é que estava inteiro. E era precisa~ mente aquele que me dizia respeitem polegar! vesti-o e fiquei entusiasmado. No meio de um grande palco, eu estava transformado no mais lindo palhaço do mundo. Fiz uma vénia para um lado, vénia para outro lado, e desatei a cantar: Tenho a cara enfarinhada da farinha do moleiro, não sou galo nem galinha mas sei cantar de poleiro! Venham ver a habilidade deste palhaço faz-tudo: de uma velha luva branca inventou um sobretudo. Tenho a cara enfarinhada da farinha do moleiro! «N / f
  30. 30. Dez Deôos Dez Segreôos Corneçou a chegar muita gente para rne ver e aplaudir. Fique¡ todo vaidoso. Nlas apareceu urn gato que desatou a correr atrás de rnirn e tive de rne esconder dentro de urn bolso. Ouvi alguérn dizer para alguém: - Nlas porque é que estás sernpre de rnâos nos bolsos? Muito a rnedo resolvi espreitar para fora do bolso onde rne tinha escondido. Ninguém à vista! Corno rne sentia bern no meu papel de palhaço, de¡ logo ali várias cambalhotas e fiz várias piruetas ern cirna da rnesa do alrnoço. É verdade: esqueci-rne de dizer que já erarn horas de alrnoço. Tanto rne esforcei que fui cair mesmo em cirna de urn dente de garfo que estava al¡ só para arreliar. Muito sofre este palhaço para ser mesmo urn artista! O Grande Circo é a mesa, e ern cada prato vazio invento urna nova pista! 40
  31. 31. Acho que devo fazer a ndinha apresentação: lvlinhas senhoras e rneus senhores. venharn ver as palhaçadas de urn polegar n1ui valente que quer ser apreciado por urn público exigente! lVlinhas rneninas e rneus rneninos, e também darnas e cavalheiros, venham ver as palhaçadas de urn polegar divertido que quer ser apreciado í por und público entendido! " Não sei se fui rnuito aplaudido ou não. Nlas penso que sirn. Para falar verdade, adorrnec¡ de repente. É que ser palhaço é urn bocado cansativo. E eu, corno born artista que sou, dou sempre tudo por tudo para agradar ao rneu excelentíssirno público! 47
  32. 32. Acabei a rninha história sem a ter bern acabado, que uma história não tem fim quando tudo é inventado. Podemos sernpre tecer mais um ponto em qualquer conto, porque quem conta acrescenta mais urn ponto ao que quiser!
  33. 33. .. |› | › mr. I)¡'I segredos «. v--w-›lII . .L . n ul. (l) . .udun (UHLI n dudu Mindinho ¡L! nmu . naun-ida (mu. : u dvdu Anvlm 'i4' uma i-5(| ll4'! (l4l (uni. : u (lUllU Maior, ¡mn «lu Iuxlnu, d. : mao . ~.. ... ... u.. lnlll. : u Imlu . ulm : ln um: : u nqurrd. : tmn. ; n I'<›I¡-¡¡. u «I» num «Wlulu-HLI a¡ . um u › -I-r. : uni-manu: ~y. I5¡Mu»4-¡: n=v nnnltnuirhunhn Conta o dedo Mindinho da mão direita Conta o dedo Anelar da mão direita Coma o dedo Maior. pai-de-todos. da mão direita Conta o Indicador da mão direita Coma o Polegar da mão direita Músicas João Henrique i -. um. nun¡ r--I- duma-pur. !um I _ m A- -ll- lí¡ | t.III. l'/ -' . . ›. 01:11.. : ›. ue r. . nlt-JÍÀI-Illlilllt: - --rnitnldln HI¡ | | nu¡ x IHHH mn q' . -7 cnnaiñar van enviar"? ã ! ñ LIS

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