A guerra pela verdade john macarthur

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A guerra pela verdade john macarthur

  1. 1. num N
  2. 2. L; §»/ í,«L CYífTjmíví/ xDAu PAR/ X A BJXTALH/ x Neste exato mormente, a verdade asia sob ataque: e muita coisa, em jogo. N05 Estados UHÊÓLWS. tah-kw; ¡xinguéna tenha¡ uma ; waàxáu tao pruüizula por desmascarar aqueles que @S130 rea izando esse aracpxe do que John NL1LÀ1IÍ1L11' v principalmezítr? :aqueles que o í'a: ›:exíw.1 cíemm da mopréa igrep. NÃO EXISTE [INSA ZOI'~ÇA ? Qi LJTRA * ? IEÊÂÉI-YLTÚJ TllflKEifiõ SEQIJRO PARA 05 QUE IÃAO ASSL7B. §§R. ›Z1 11H C012HãLííuílbbí) §*J¡_E4%1'~. LIUÍPLRA. À B. «Íx'IÇ-LXI. I*I. «"›. Fêíâfa VERÍDJÊIÔIE ESTA Si; IÉ'Q'I'E; Z'ǧSEFÍCJQ-JDLL EEK? ? LíTíiU ÉÉÍX"É: L1ÂÍ - As armadilha: do pçn: :,~. ;u1:: ::íL› pa; 1:1u<; ícw': :u Hu' que u Êí<_›x'ín1r;11b_v Igreja Kmurgunu; c ínugruntcxi1entc duítíluLlâu - Os (ínnñilus (In ; ›:-. :~sa«1ç> na fgíltíêdü. ;M211 x'«:2<_Í3(Íe e : :eu eííeito sobre: a igreja - *í; -¡)01't§¡¡1cía da '~. fx›. *=; '«*Í;1«”Í= .* e da : Numa : Em uma svxcí-adadr ¡W05- modeirnà - Canna icícz1tiíícm' Ef' ííxlar (film os anus e m íaísns enrzínoã í11t1“c›eíL19tía“l«3›: surrawínzznvzztr* : me: íf: !'rfj;1!§. *à em ; Ê¡IÍ: §'ÍIY(ÉÕC”I'I“I. É$ a LÊpLJL'J em que mr; h: : wyrçínrtíeà algíírirnr. , uma : Troca que nringiixz - 1. - › . . . . _ n Lvuntzg de tauga lemí no qu: du: 1'c. ~?p«. :1t¡› ; a unç. :u'a.1' a uri'cíaz_íc É uma : épuça que g. ; ; xau acredita quw a 'xre¡'da<. íe possa ser í: (,wiqiii! ttékínk3. U Da. Juhn Â~«1.L<; '1Ll1u: ' 11.10 coucuidga : :um iüãíi r mta armado (nm Cr: r:xg<7I:1 para <'. ~'›¡1í'¡'o: *.tíar cães em <flç2ferndey1wdgw a verdade (um íntrzjpzídvzc. . Sm çzuLxrnuzuzzz é CORHI “aih-nte, sua <^! <*fki-. <.1 da WÇÍIILÍdC é brilhante o âLití [JIIÊULIIPHÇÀU : D111 a : :gxwsja tica evídeuus em cada pgzggixmz. A igreja E“J. “:n2:iÊÍÍ(Ía ¡ureciw 1,12'_eíüz1ion1cnt0 dc- mczzsgxgr-¡zs ccnzm .25 deste livro. qALLe chegou na hora cc-rtf zíllvczt : KÍQULJI: Jr. Wjdw. ; SBRZBÉS-"KSQQÍ-à l_ ; í * EDWÕwÊÁ-FIEÍL Cai-gm u: DQALHH. ; , n'q, uyu, zrt. x;_p
  3. 3. E_ EDITORA FIEL (faixa Postal. 1601 CEP l2230-97| São José dos (Íanlpos-SP PABX. : (12) 3936-2529 www. editorañel. com. br A Guerra pela Verdade: Lutando por certeza numa época de Engano Traduzido do origina] em inglés: 'me Truth War: Fighting for certainty in age ofdeceptíon Copyright © 2007 John P. MacArthur, Jr. Publicado originalmente em inglés por Thomas Nelson. 2007. Publicado em português com permissão de Thomas Nelson. 1a edição em português © 2008 Editora Fiel 1'* Reimpressão - REVISADA: 2010 Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora Pie¡ da Missão Evangélica Lite ráría PROIBIDA A REPRODUÇÃO DESTE LIVRO POR QUAISQUER MEIOS, SEM A PERMISSÃO ESCRITA nos EDITORES, SALVO EM BREVES CITAÇÕES. COM INDICAÇÃO DA FONTE. Presidente: Rick Denham Editor: Tiago J. Santos Filho. Tradução: Gordon Chown Revisão: Waléria Coicev, Marilene Paschoal Capa: The Designworks Group Diagramação e Arte Final: Edvánio Silva ISBN: 978-8599145-37-1
  4. 4. No decurso dos anos, tenho comprovado que minha parceria com Phil Johnson foi determinada por Deus. A con- tribuição de seus conhecimentos teológicos, de sua clareza de pensamento e de sua forte convicção tem sido essencial para o sucesso de nossa cooperação em empreendimentos como este. Devo a Phil a mais profunda gratidão pelos seus consideráveis esforços editoriais neste livro. JOHN MACARTHUR A Igreja de Cristo é continuamente representada na figura de um exército. Entretanto, o seu Capitão é o Príncipe da Paz; o seu objetivo é estabelecer a paz, e os seus soldados são homens de disposição pacífica. O espírito de guerra é o extremo oposto do espírito do evangelho. Apesar disso, a Igreja, nesta terra, tem sido e será, até a segunda vinda do Senhor, a igreja militante, a igreja armada, a igreja que guerreia, a igreja que conquista. E por quê? De acordo com a própria natureza das coisas, é necessá- rio que a igreja seja assim. A verdade não poderia ser verdade neste mundo, se não estivesse em luta; e suspeitaríarnos da verdade, se o erro fosse seu amigo. A pureza imaculada da ver- dade sempre deve estar em guerra contra as trevas da heresia e da mentira. C. H. SPURGEONl 1. SPURGEON, Charles. The Metropolitan Tabernacle Pulpit. London, 1879. v. 5. p. 41.
  5. 5. ÍNDICE Introdução: Por que vale a pena lutar pela verdade? .. ... ... ... ... ... ... .. . . 9 1 A verdade pode sobreviver numa sociedade pósmoderna? .. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. 29 Guerra espiritual: Dever, perigo e triunfo garantidos . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. . . 57 Compelidos ao conflito: Por que devemos lutar pela fé? .. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... . . . 83 Apostasia dissímulada: Como os falsos mestres se introduzem furtivamente na igreja? .. ... ... ... ... ... ... ... ... ... . . .111 A sutileza da heresia: Por que devemos permanecer vigilantes? .. ... ... ... ... ... ... ... ... .. 131 A malignidade da falsa doutrina: Como o erro transforma a graça em lícenciosidade? .. ... ... . . . 155 O ataque à autoridade divina: .. ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... . . . A negação do senhorio de Cristo . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .,183 Como sobreviver numa época de apostasia: Aprendendo das lições da História . ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... .. 207 Apêndice: Por que o discernimento está fora de moda? .. ... ... ... .. . . 229
  6. 6. INTRODUÇÃO POR QUE VALE A PENA LUTAR PELA VERDADE? uem imaginaria que pessoas que alegam ser crentes _ inclusi- Qve pastores - atacariam a própria noção da verdade? Mas eles o fazem. Um exemplar recente da revista Christianity Today destacou um artigo de capa a respeito da Igreja Emergente. Esse é o nome popular de uma associação informal de comunidades cristãs, de alcance mundial, que deseja restaurar a igreja, alterar o modo como os cristãos interagem com sua cultura e remodelar a maneira de pen- sarmos a respeito da própria verdade. O artigo incluía um resumo biográfico de Rob e Kristen Bell, o casal que trabalhou em equipe para fundar a igreja Mars Hill, uma comunidade emergente muito grande, em Grand Rapids, Michigan, que possui um crescimento sólido. Segundo o artigo, o casal Bell sentia-se cada vez menos satisfeito com a igreja. "A vida na v - ~ - à - N a Cí n igreja se tornara tao insignificante , añrma Kristen. Para mim, a igreja foi' produtiva durante muito tempo. Depois, parou de ser ñmcional. " O casal Bell passou a questionar suas suposições a respeito da própria Bíblia - "descobrindo-a como um produto humano", conforme Rob se expressa, e não o produto de um decreto divino. 'i4 Bíblia continua sendo central para nós", diz
  7. 7. 1” A (liwi'ltli I'| Ir' Yiiznxiui Rob, "mas ela e' um tipo diferente de centro. Queremos abraçar um mistério, em vez de domina-lo". "Cresci achando que ja' tínhamos decifrado a Bíblia", comenta Kristen, "e sabíamos o que ela significava. Agora, não tenha a menor idéia de qual seja o significado da maior parte dela. Entretanto, sinto novamente que minha vida é grandiosa - e' como se, no passado, a vida estivesse em preto e branco, mas agora está em cores"? Um tema dominante permeia A IDÉIA DE QUE A todo o artigo: no movimento da Igreja MENSAGEM CRISTÃ Emergente, a verdade (seja qual for o DEVE SER MANTIDA grau de reconhecimento desse conceito) ADAPTÀVELE é admitida como algo inerentemente AMBÍGUA PARECE obscuro, indistinto, incerto e, em últi» ESPECIALMENTE ma análise, talvez até incognoscível. ATRAENTE A05 Cada um dos líderes da Igreja JOVENS QUE VIVEM EM HARMONIA COM A CULTURA E AMAM o ESPÍRITO DESTA ÉPOCA. Emergente, cujos perfis biográficos foram apresentados no artigo, expres- sou um alto nível de desconforto ao lidar com qualquer indício de certeza a respeito do que a Bíblia significa, 'M' mesmo numa questão tão fundamental como o evangelho. Brian McLaren, por exemplo, um autor popular e ex-pastor, é o personagem mais conhecido do movimento da Igreja Emergente e uma de suas vozes mais influentes. McLaren é citado a certa altura do artigo da revista Christianity Today, dizendo: “Acho que ainda não conseguimos entender corretamente o evangelho. .. Acho que os liberais também não o conseguiram. Mas acho que nós também não o entendemos do modo certo. Nenhum de nós chegou à ortodoxia"? 1. CROUCH, Andy. "The emergem mystique" in Christianity Today. Carol Stream: Christi* anity Today International, 2004. p. 37418 (ênfase acrescentada). 2. Ibid. IVLROTN CAO I I Em outra parte do artigo, McLaren vincula a noção convencio- nal de ortodoxia à afirmação: "Capturamos e empalhamos a verdade, e apenduramos na parede"? Da mesma forma, ele faz uma caricatu- ra da teologia sistemática como uma tentativa inconsciente de "ter a ortodoxia em uma forma fixa, congelada e inalterável para sempre". “ Hoje em dia, esse tipo de coisa goza de muita popularidade. McLaren foi o autor ou co-autor de cerca de uma dúzia de livros, e seu total desprezo pela certeza é um tema ao qual ele volta repetidas vezes. Em 2003, a editora Zondervan e a organização "Youth Specialties” (Características da Juventude) trabalharam em conjunto para criar uma linha de produtos chamada Emergent/ YS. Eles publicam livros, DVDs e produtos de áudio num ritmo intenso e abundante, com títulos que variam desde: Repintando a Igreja: uma visão contemporânea, escrito por Rob Bell, até Adventures in Missing the Point (Aventuras num Ponto Perdido), um titulo bem apropriado, escrito com a colaboração de Brian McLaren e Tony Campelo. A idéia de que a mensagem cristã deve ser mantida adaptável e ambígua parece especialmente atraente aos jovens que vivem em harmonia com a cultura e amam o espírito desta época, e não podem suportar que averdade bíblica autoritária seja aplicada com precisão, como um corretivo para estilos de vida mundanos, mentes profanas e comportamentos ímpios. E o veneno dessa perspectiva vem sendo injetado, cada vez mais, na igreja evangélica. Mas isso não é cristianismo autêntico. Não saber o que se crê (principalmente numa questão tão essencial ao cristianismo como o evangelho) é, por definição, um tipo de incredulidade. Recusar reconhecer e defender a verdade revelada da parte de Deus é um tipo específico de incredulidade obstinada e perniciosa. Defender a ambigüidade, exaltar a incerteza ou, de qualquer forma, obscurecer a verdade é um modo pecaminoso de nutrir a incredulidade. 3. MCLAREN, Brian. A Generaus Orthodoxy. Grand Rapids: Zoudervan, 2004. p. 293. 4. lbid_ p. 286.
  8. 8. I. ” - (| ['I'l<l< r-rm '| ›:¡›| ›I- Todo cristão verdadeiro deve conhecer e amar a verdade. As Escrituras afirmam que uma característica dos “que perecem" (aque- les que estão condenados à perdição por causa de sua incredulidade) é que não acolhem "o amor da verdade para serem salvos" (2 Ts 2.10), A conclusão óbvia desse texto é que o amor genuíno pela verdade está embutido na fé salvíñca. Esse amor à verdade é, portanto, uma das qualidades distintivas de todo crente verdadeiro. Nas palavras de Jesus, eles conheceram a verdade, e a verdade os libertou (Jo 8.32). Numa época em que a própria idéia de verdade está sendo des- prezada e atacada, até na própria igreja, onde as pessoas deveriam 11a- tar a verdade com a máxima reverência, o sábio conselho de Salomão nunca foitão oportuno: "Compra averdadeenão avendas" (Pv2323). O VALOR lí'l'l~Ílll'~() | "), ~' = 'lÍRl'). -'| .)l", Em todo o mundo, nada é mais importante ou mais valioso do que a verdade. E a igreja deve ser "coluna e baluarte da verdade" (1 Tm 3.15). A História está repleta de relatos de pessoas que preferiram a tortura ou a morte a negaram a verdade. Em gerações anteriores, o fato de alguém dar a vida por aquilo em que cria era considerado um ato heróico. Isso já não é mais assim. Parte desse problema deve-se ao fato dos terroristas e homens- bomba suicidas terem tomado posse da idéia de "martírio" e a distor- ciclo. Eles se chamam de "mártires" mas são assassinos suicidas, que matam as pessoas porque elas não crêem. Sua agressão violenta é, na realidade, o oposto do martírio; e as ideologias implacáveis que os impulsionam são a antítese da verdade. Nada há de heróico no que fazem, nem há qualquer nobreza naquilo que defendem. Contudo, eles são símbolos relevantes de uma tendência profundamente per- turbadora que contamina a geração atual, em todo o mundo. Hoje em dia, parece que não faltam pessoas dispostas a matar em prol de uma mentira. No entanto, poucas pessoas parecem estar dispostas a IN'I'R(›I ›l. w '› Lx' falar em prol da verdade - e muito menos a morrerem por ela. Considere os testemunhos dos mártires cristãos no decurso da História. Eles eram valentes defensores da verdade. Não eram terroristas, nem violentos, é lógico. Mas "lutavam" pela verdade; proclamando-a em meio à oposição ferrenha; vivendo de um modo que testemunhava o poder e a graça da verdade; recusando-se a renuncia-la ou abandona-la, não importando as ameaças que fossem feitas contra eles. Esse padrão começa na primeira geração da história da igreja, com os próprios apóstolos, Todos eles, com a possível exceção de João, morreram como mártires. O próprio João pagou caro por manter-se firme na verdade, pois foi torturado e exilado por causa de sua fé. A verdade era algo que eles amavam, em favor do que lutavam e pelo que, finalmente, morreram. E passaram esse mesmo legado à geração posterior. Inácio e Policarpo, por exemplo, eram guerreiros da verdade cristã na antigüidade. Ambos eram amigos pessoais e discípulos do apóstolo João; portanto, viveram e ministraram quando o cris- tianismo ainda era muito recente. A História registra que ambos entregaram sua vida voluntariamente, em vez de negarem a Cristo e desviarem-se da verdade. Inácio foi interrogado pessoalmente pelo imperador Trajano, que exigiu que ele fizesse um sacrifício público aos idolos, como prova de sua lealdade à Roma. Inácio poderia ter poupado sua própria vida ao ceder diante daquela pressão. Alguns poderiam tentar justificar esse ato exterior, realizado sob pressão, contanto que Inácio não negasse a Cristo em seu coração. Mas, para Inácio, a verdade era mais importante do que sua própria vida. Recusou-se a sacrificar aos ídolos, e Trajano ordenou que ele fosse lançado às feras, no estádio, para a diversão das multidões pagãs. Policarpo, amigo de Inácio, procurado pelas autoridades (por- que também era conhecido como líder entre os cristãos), entregou- se de espontânea vontade, sabendo muito bem que isso lhe custaria a vida. Levado a um estádio, diante de uma turba sedenta de sangue,
  9. 9. H ("vIr1:I= ›I›r¡. V'~1:i›l'V Policarpo recebeu ordens para amaldi- HOJE, BOA PARTE çoar a Cristo. Recusou-se a fazê-lo, com DA ! GREJA VISÍVEL estas palavras: “Durante oitenta e seis ? ARECE “WAGÍÉQAR anos, eu O tenho servido; Ele nunca me QUE 05 CRÍSTAÚS fez injustiça alguma. Como, pois, blas- DEVEM ESTAR NUMA femarei do meu Rei que me salvou? ” E, DIVERSAO' E NAO alí mesmo, foi imediatamente queimado NUMA GUERRA. A « ~ l vivo? [DEM DE LUTAR EM No decorrer da história da igreja, FAVOR DA VERDADE _ , em cada geraçao, martires incontáveis DOUTRINARIA E . preferiram morrer a negar a verdade. ALGO BEM DISTANTE , - Sera que eles nao passavam de tolos que DO PENSAMENTO . , _ _ valonzavam demais as suas convrcçoes? DA MAIORIA DOS S t tal ñ uu _ FREQÚENTADORES ua o con ança naq o em que criam DAS IGREJA¡ era, na verdade, um zelo mal orientado? Morreram desnecessariamente? »w E claro que muitos pensam assim nos dias de hoje - inclusive alguns que professam ter fé em Cristo. Vivendo em uma cultura em que a perseguição violenta é quase des- conhecida, multidões que se declaram crentes parecem ter esquecido que a fidelidade geralmente tem um preço. Eu disse "geralmente"? De fato, a fidelidade à verdade sempre custa caro, de uma maneira ou de outra (2 Tm 3.12). E é exatamente por essa razão que Jesus insistiu no fato de que todo aquele que deseja ser seu discípulo precisa estar disposto a tomar uma cruz (Lc 9.23-26). “ O próprio movimento evangélico tem de assumir parte da culpa 5. A quarta perseguição durante o reinado de Marco Aurélio descrita em FOXE, John. "A Perseguição aos Primeiros Cristãos" - in Livro dos Mártires. Tradução de Almiro Pízeb ta. São Paulo: Mundo Cristão, 2003. O famoso martirológio escrito por Foxe é um tes- temmho monumental sobre a honra e a coragem dos reformadores que entregaram sua vida por amor ã verdade. As ênfases são vigorosas e necessárias em nossos dias de comodismo destituído de convicções. 6. Veja também MACARTHUR, John. Hard to Believe. Nashville: Nelson, 2003. II"l'l(Ol_7L (SAO 1:» pela desvalorização da verdade, ao satisfazer àqueles que sentem coceira nos ouvidos (2 Tm 4.141). Alguém realmente acredita que os freqüentadores que enchem as mega-igrejas de hoje, famintos por diversões, estariam dispostos a dar sua vida em favor da verdade? De fato, muitos deles sequer estão dispostos a assumir uma posição firme em relação à verdade, mesmo em meio a outros crentes, num ambiente no qual não existe qualquer ameaça grave contra eles e onde, na pior da hipóteses, o que poderia acontecer seria alguém ficar com os sentimentos feridos. Hoje, boa parte da igreja visível parece imaginar que os cristãos devem estar numa diversão e não numa guerra. A idéia de lutar em favor da verdade doutrinária é_ algo bem distante do pensamento da maioria dos freqüentadores de igreja. Os cristãos contemporâneos estão determinados a fazer com que o mundo goste deles - e, é claro, nesse processo, querem também se divertir o quanto puderem. Vivem tão obcecados em fazer com que a igreja pareça "legal” para os incrédulos, que não se incomodam com o fato da doutrina dos outros ser sadia ou não. Num ambiente como esse, a simples idéia de identificar o ensino de alguém como falso é uma sugestão desagradável e peri~ gosamente anticultural; assim, o que se dirá do fato de "contender sinceramente" pela fé? Os cristãos “compratam" a noção de que quase nada é tão desagradável aos olhos do mundo quanto o fato de alguém demonstrar uma preocupação sincera em relação ao perigo da heresia. Añnal de contas, o mundo não quer realmente levar a verdade espiritual a sério; sendo assim, as pessoas não podem ima» ginar por que alguém faria isso. No entanto, dentre todas as pessoas, os cristãos devem ser os mais dispostos a viver e morrer pela verdade. Lembre-se: conhece- mos a verdade, e a verdade nos libertou (Jo 8.32). Não devemos nos envergonhar de testemunhar com ousadia (Sl 107.2). E, se formos chamados para morrer por amor à verdade, precisamos estar dispos- tos e prontos a perder a nossa vida, de livre vontade. Foi exatamente
  10. 10. 1h A Gl Hum IW-. LA Vim-alii' sobre esse assunto que Jesus falou ao chamar os seus discípulos para tomarem a sua cruz (Mt 16.24). A covardia e a fé autêntica se opõem, O QLÃE 1': x iliRll-DHÍ É claro que Deus e a verdade são inseparáveis. Qualquer pensae mento a respeito da essência da verdade - o que ela é, o que a torna "verdadeira" e como podemos saber algo com certeza - nos remete imediatamente a Deus. Essa é a razão por que o Deus encarnado - Jesus Cristo ~ é chamado de "a verdade" (Jo 14.6). Essa também é a razão por que não nos surpreendemos quando uma pessoa que rejeita a Deus, rejeita igualmente a verdade divina. Se uma pessoa não tolera o conceito de Deus, também não haverá lugar adequado para a verdade na cosmovisão dessa pessoa. Sendo assim, o ateu, agnóstico ou idólatra coerente pode muito bem odiar a simples idéia da verdade. Añnal de contas, rejeitar a Deus é rejeitar o Doador de toda verdade, Aquele que tem a palavra final sobre aquilo que é realmente verdadeiro, bem como a própria essência e a corporiñcação da própria verdade. Conforme observaremos adiante, é exatamente a essa con- clusão que muitas pessoas do âmbito acadêmico e ñlosóflco têm chegado. Já não acreditam na verdade como uma realidade segura que pode ser conhecida. Não se engana: a semente desse tipo de opinião é a incredulidade. A aversão contemporânea à verdade é simplesmente uma expressão natural da hostilidade contra Deus, por parte da humanidade caída (Rm 8.7). No entanto, nos dias de hoje, amaioria das pessoas alega crer no Deus da Bíblia, mas, apesar disso, añrmam que estão incertos acerca do que venha a ser a verdade. Uma apatia sufocante a respeito do conceito de verdade domina boa parte da sociedade contemporânea - incluindo um segmento cada vez maior do movimento evangélico. Muitos dos que se autodenominam evangélicos questionam l. "l'li<)l)l'í, 'l. ›ll) ' abertamente se existe, de fato, algo chamado verdadeÍ Outros supõem que, mesmo que a verdade realmente exista, não podemos ter certeza a respeito do que ela é; portanto, ela não deve ser muito importante. Os problemas da incerteza e da apatia em relação à verdade, dois problemas gêmeos, são epidémicos, mesmo entre alguns dos Os LÍDERES DA ¡GREJA autores e porta-vozes mais populares ESTÃO OBCECADOS do movimento evangélico. Algtms se CON O ESNLO E recusam explicitamente a tomar uma _A_ MgTopoLcgjA; posição em favor de qualquer assunto, pERDERAM o porque resolveram que nem mesmo as INTERESSE PELA Escrituras são claras o suficiente para GLÓRIA DE DEUS serem discutidas. E TORNARANPSE Na verdade, tais idéias, em si GROSSEIRAMENTE mesmas, não são novidade, nem parti» APÁTICOS QUANTO cularmente chocantes - a não ser pelo À VERDADE E À SÃ fato de que essa maneira de pensar DOUTRINA- PELO tenha atingido grande popularidade MENOS “O MONÍENTO» A BATALHA PARECE ESTAR VTRANDO EM FAVOR DO INIMIGO. em nossos dias e pelo modo como essas idéias estão se inñltrando na igreja. Em resumo, essa é exatamente a mesma atitude adotada por Pilates, ao desconsiderar a Cristo: “Que é a verdade? " (Jo 18.38). Certos evangélicos "vanguardistas" agem, às vezes, como se o falecimento da certeza fosse um novo desenvolvimento intelectual sensacional, em vez de o perceberem como ele realmente é: um eco da velha incredulidade. Trata-se da descrença disfarçada com uma capa 7. Dados extraídos de uma pesquisa realizada depois dos ataques terroristas, publicada em novembro de 2001, pelo Grupo Barna, indicaram que dois terços dos adultos que freqüentam igrejas protestantes conservadoras questionam se existe a verdade moral absoluta. "How America's Faith Has Change Since 9/ 11" (Como a Fe' nos Estados Unir dos Modificourse desde 11 de setembro). Disponível em: httpz/ /bamaorg/ FlexPage. aspx? Page-BarnaUpdateâzBarnaUpdatelD-IOZ
  11. 11. lN A Ci Hum l'llA Viunixrw de religiosidade, buscando legitimidade, como se fosse meramente um tipo mais humilde de fé. Mas isso não é fé de modo algum. Na realidade, a recusa contemporânea em considerar qualquer verdade como certa e segura é o pior tipo de infidelidade. O dever da igreja sempre tem sido o de confrontar semelhante ceticismo e refutá-lo mediante a proclamação clara da verdade, que Deus revelou em sua Palavra. Ele nos deu uma mensagem clara, com o propósito de con- frontarmos a incredulidade do mundo. Fomos chamados, ordenados e comissionados a fazer isso (1 Co 1.1731). A fidelidade a Cristo o exige. A honra de Deus assim o requer. Não podemos ficar sentados, sem fazer nada, enquanto atitudes mundanas, revisionistas e céticas a respeito da verdade se infiltram na igreja. Não devemos aceitar tal confusão em nome do amor, do coleguismo ou da união. Precisamos nos manter firmes e lutar pela verdade - estar dispostos a morrer por ela - como os cristãos fiéis sempre têm feito. Segundo as Escrituras, o antigo conflito pela verdade é uma guerra espiritual - uma batalha cósmica entre Deus e os poderes das trevas (Ef 6.12). Uma das táticas prediletas dos nossos inimigos é disfarçarem-se como anjos de luz e infiltrarem-se na comunidade dos crentes (2 Co 1113-15). Isso não é novidade, mas estou conven- cido de que se tornou um problema muito grave na geração atual. Infelizmente, poucos cristãos parecem dispostos alevar essa ameaça a sério. A igreja tomouse indolente, mundana e acomodada. Os líderes da igreja estão obcecados com o estilo e a metodologia; per- deram o interesse pela glória de Deus e tornaram-se grosseiramente apáticos quanto à verdade e à sã doutrina. Pelo menos, no momento, a batalha parece estar virando em favor do inimigo. Quando Deus promulgou o Segundo Mandamento, que proi- biu a idolatria, Ele acrescentou a seguinte advertência: "Eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem" (Êx 20.5). Outras passagens das Escrituras deixam claro que os filhos nunca são castigados diretamente pela culpa dos pecados de W711i( ¡Hl (Í. ~') 1*) seus pais (Dt 24.16; Ez 1819-32). Todavia, as conseqüências natu» rais daqueles pecados passam realmente de geração à geração. Os filhos aprendem com os exemplos dos pais e imitam o que vêem. Os ensinos de determinada geração estabelecem um legado espiritual herdado pelas gerações seguintes. Se os "pais" de hoje abandonarem a verdade, a restauração demandará várias gerações. Os lideres da igreja são os principais responsáveis por esta- belecerem o exemplo. Hoje, nossa necessidade desesperadora é de "pastores segundo o meu [de Deus] coração, que. .. apascentern [os crentes] com conhecimento e com inteligência" (Jr 3.15; At 20.28- 31). Também é o dever solene de todo crente, resistir a todos os ataques contra a verdade; abominar até mesmo a idéia de falsidade e não comprometer-se de modo algum com o inimigo, que é, acima de tudo, um mentiroso e o pai da mentira (Jo 8.44). A guerra pela verdade é, afinal de contas, uma guerra. Uma guerra é sempre séria, mas essa é a batalha de todas as eras, em prol do mais elevado dos prêmios; portanto, requer de nós a máxima diligência. Pox que a Vi-'JRJ). ~L')E ESTÁ lNEXTRiCAVlZLA/ [ií'i'E '1,'L1i ll_. 'l)/ ' ; x Diil s! Começaremos o Capítulo 1 com uma definição da verdade em termos biblicos. Em última análise, notaremos, também, que toda tentativa de definir a verdade em termos não bíblicos tem falhado. Isso acontece porque Deus é a origem de tudo o que existe (Rm 11.36). Somente Ele define e delimita aquilo que é verdadeiro. Também é Ele quem revela toda a verdade. Todas as verdades reve- ladas na natureza são de sua autoria (Sl 191-6); e algumas dessas verdades são a auto-revelação do próprio Deus (Rm 1.20). Ele nos deu mente e consciência para percebermos a verdade e entendermos o certo e o errado. Criou-nos com um entendimento fundamental de sua lei, escrita em nosso coração (Rm 2.1445). E, acima de tudo,
  12. 12. 241 - (EMIR-RA PYIA VIZNILHM, deu-nos a verdade perfeita e infalível das Escrituras (Sl 19.7-11), a qual é uma revelação suficiente para tudo o que diz respeito à vida e à piedade (2 Tm 3.1547; 2 Pe 1.3), a fim de conduzir-nos a Ele mesmo como nosso Salvador e Senhor. Finalmente, Deus enviou a Cristo, a incorporação da própria verdade, como o clímax da revelação divina (Hb 1.1-3). E a principal razão para tudo isso era revelar-se a todas as suas criaturas (Ez 38.23). Toda a verdade, portanto, começa com a verdade concernente a Deus: quem Ele é; o que a sua mente sabe; o que a sua santidade envolve; o que a sua vontade aprova, e assim por diante. Em outras palavras, toda a verdade é determinada e devidamente explicada pelo Ser de Deus. Por conseguinte, toda noção de sua inexistência é, pela própria definição, inverdade. É precisamente isso que a Bíblia ensina: "Diz o insensato no seu coração: Não há Deus" (Sl 14.1; 53.1). As ramificações de toda a verdade que começa em Deus são profundas. Voltando a uma consideração anterior: essa é a razão por que, uma vez que alguém negue a Deus, a coerência obriga-o, enñm, a negar toda a verdade. Negar a existência de Deus remove, num só instante, toda justificativa para qualquer tipo de conhecimento. Conforme dizem as Escrituras: "O temor do SENHOR é o princípio do saber” (Pv 1.7). Logo, o ponto de partida necessário para obtermos um enten- dimento autêntico do conceito fundamental da própria verdade é reconhecermos o único Deus verdadeiro. De acordo com Agostinho, cremos a fim de entender; e a nossa fé, por sua vez, é alimentada e fortalecida à medida que obtemos um entendimento melhor. A fé em Deus, de conformidade com a maneira como Ele se revelou, e o entendimento produzido pela fé são essenciais, se esperamos apreender a verdade com algum sentido sério e relevante. As Escrituras descrevem todos os cristãos autênticos como aqueles que conhecem a verdade e que foram libertos por ela (Jo 8.32). Crêem na verdade com todo o coração (2 Ts 2.13). Obedecem à verdade mediante o Espírito de Deus (1 Pe 1.22). E recebem um iNI'R<, ›1)L'~<_: At) _w amor fervoroso por meio da verdade, mediante a obra graciosa de Deus em seus corações (2 Ts 2.10). Portanto, se não há sentido naquilo que você conhece, crê, ama e a que se submete, é porque, segundo a Bíblia, você realmente não assimilou a verdade. É claro que a existência da verdade absoluta e seu relacionamento insepa- rável com a pessoa de Deus constituem o princípio mais essencial de todo o cristianismo verdadeiramente bíblico. Falo com franqueza; se você é uma pessoa que questiona se a verdade é realmente importante, peço-lhe que não chame o seu sistema de crenças de "cristianismo", porque ele não o é. Uma perspectiva bíblica da verda- de também envolve. necessariamente, o reconhecimento de que a verdade absoluta é uma realidade objetiva. A verdade existe fora de nós e permanece inalterável, independentemente de como a percebemos. A verdade, por sua própria natureza, é tão fixa e cons- tante quanto Deus é imutável. Porque a verdade pura (que Francis Schaeffer chamava de "verdade verdadeira") é a expressão inalterada e imutável de UMA PERSPECTIVA BÍBLICA DA VERDADE, TAMBÉM ENVOLVE, NECESSARIAMENTE, o RECONHECIMENTO DE QUE A VERDADE ABSOLUTA E UMA REALIDADE OBJETIVA. A VERDADE EXISTE FORA DE NÓS E PERMANECE INALTE RAVEL, INDEPENDENTEMENTE DE como A PERCEBEIVIOS. A VERDADE, poa sua PRÓPRIA NATUREZA, E TÁO FIXA E CONSTANTE QUANTO DEUS IMUTÀVEL. quem Deus é; e não a nossa própria interpretação pessoal e arbitrá- ria da realidade. O fato de que os crentes de nossa geração precisem ser lem- brados dessas coisas é estarrecedor. A verdade nunca é determinada quando examinamos a Palavra de Deus e perguntamos: "O que isto significa para mim? " Sempre que ouço alguém falar desse modo, sinto vontade de perguntar: "O que a Biblia significava antes de você
  13. 13. -a A (21 num rim Wmvmr existir? O que Deus quer dizer por meio daquilo que Ele diz? " é a pergunta certa a ser feita. A verdade e o seu significado não são de» terminados por nossa intuição, experiência ou desejo. O verdadeiro significado das Escrituras - ou de qualquer outra coisa - já foi deter- minado e estabelecido pela mente de Deus. A tarefa do intérprete é discernir esse significado. E a interpretação apropriada precisa anteceder a aplicação. O significado da Palavra de Deus não é tão obscuro, nem tão dificil de se entender como as pessoas geralmente fingem que é. Admitimos que algumas coisas na Bíblia são dificeis de entender (2 Pe 3.16), mas sua verdade central e essencial é suficientemente clara para que ninguém fique confuso a respeito dela. "Quem quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o louco" (Is 35.8). Além disso, nossa percepção individual da verdade certamente pode e deve mudar. Todos nós começamos sendo nutridos com o leite da Palavra. À medida que obtemos a capacidade de mastigar e digerir verdades mais dificeis, devemos nos fortalecer pela carne da Palavra (1 Co 3.2; Hb 5.12); ou seja, avançamos de um conhecimento meramente infantil para uma assimilação mais madura da verdade, em toda a sua riqueza e relação com outras verdades. Entretanto, a própria verdade não muda devido a uma inu- dança em nosso ponto de vista. Enquanto amadurecemos em nossa capacidade de perceber a verdade, a própria verdade permanece fixa. O nosso dever é conformar todos os nossos pensamentos à verdade (Sl 19.14); não temos o direito de redefinir a "verdade", para que ela se encaixe em nossos pontos de vista, preferências ou desejos. Não devemos ignorar, nem descartar determinadas verdades simplesmente porque as consideramos difíceis de serem aceitas ou profundas demais para serem sondadas. Acima de tudo, não pode- mos ser apáticos ou indolentes no tocante à verdade, quando o preço para entender ou defender a verdade revela-se elevado ou bastante desagradável. Esse tipo de abordagem egoísta da verdade equivale a usurpar a posição de Deus (Sl 12.4). As pessoas que seguem esse I; 'l [(01 >l '(. '.'. ~l(. J . Ill caminho garantem a sua própria destruição (Rm 28-9). Além disso, Deus, de fato, revelou a Si mesmo e a sua Verdade com clareza suficiente. Mesmo à parte da revelação especial e expli- cita da Bíblia, Deus tornou bem claros para todas as pessoas alguns dos elementos principais da verdade espiritual. As Escrituras dizem, por exemplo, que as verdades principais a respeito de Deus, de seu poder, da sua glória e da sua justiça são conhecidas naturalmente por todos os povos, mediante a Criação e a consciência (Rm 1.1920; 2.14-16). Essas verdades são adequadamente claras e suficientes para tornar toda raça humana e todos os homens "indesculpáveif (Rm 1.20). Todos os que serão condenados no Juizo Final serão responsabilizados por rejeitaram qualquer verdade que estava à sua disposição. O fato de que o Deus justo e santo responsabiliza tanto os incrédulos quanto os cristãos pela obediência à sua revelação é uma prova irrefutável de que Ele tornou a verdade suficientemente clara para nós. Alegar que a Biblia não é suficientemente clara é atacar a sabedoria e a integridade do próprio Deus. CONN) . = izRo/ mi: xana-x SENDO . ix'i; x<; ..«1›, x m lGRlijA wrong? A clareza e a suficiência das Escrituras, o estado de perdição da humanidade não-redimida e a justiça de Deus em condenar os pecadores são convicções antigas em todas as principais tradições do cristianismo histórico. Os cristãos têm diferido entre si no tocante às questões secundárias ou aspectos periféricos da doutrina. Mas, histórica e coletivamente, os cristãos sempre têm mantido plena concordância de que tudo quanto é verdadeiro - tudo que é objetivo e ontologicamente verdadeiro - continua sendo verdadeiro, quer de- terminada pessoa o compreenda, aprecie, aceite ou receba como verdade, quer não. Em outras palavras, visto que a realidade é criada por Deus e a verdade, definida por Ele, aquilo que é realmente verdadeiro, é verdadeiro para todos, independentemente da perspectiva pessoal
  14. 14. JI , (jiiuni um Iurvxrvt ou das preferências individuais. Hoje em dia, porém, as pessoas estão fazendo experiências com idéias subjetivas e relativistas a respeito da verdade, rotulando-as de "cristãs". Essa tendência indica um afastamento radical do cristia- nismo biblico e histórico. Levada à sua conclusão necessária, essa tendência conduzirá inevitavelmente ao abandono ou transigência de todo elemento essencial à fé cristã verdadeira. Isso, segundo a minha convicção, é outro grande ataque contra a verdade, feito pelos poderes das trevas, numa batalha que já tem durado muitos séculos. O fato de que esse erro esteja sendo ensinado, defendido e promovido por pessoas que professam conhecer e amar a Cristo não altera o fato de que se trata de um erro. Embora o relativismo seja freqüentemente pro» pagado em livros que se encontram nas prateleiras dos bestsellers nas livrarias As PESSOAS ESTÃO FAZENDO EXPERIÊNCIAS COM IDÉIAS SUBJETIVAS E RELATIVISTÀS l _ _ __ _ evangelicas, isso nao altera a gravidade . A. RESPEITO d DA VERDADE, do erro. A remodelagern e nossas ROTULANDOAS DE idéias acerca da verdade e da certeza "C RETÃSV¡ ESSA apresenta um perigo grave para o cerne TENDÊNCIA INDICA do EWHEEIhO CÚ5tã°~ UM AFASTAMENTO Como sempre, uma guerra RADICAL DO está sendo travada contra a verdade. CRISTIANISNIO Estamos de um lado ou de outro. Não BiBLICO E HESTORICO. existe urna zona neutra - nenhum terreno seguro para os que não assu- miram um compromisso nessa guerra. Recentemente, a questão da própria verdade 4 o que ela é e se realmente podemos conhece-la - passou a ser um dos principais pontos de contenda. Acontece, também, que estamos vivendo numa geração em que supostos cristãos não sentem o menor interesse por esse conñito e contenda. Multidões de cristãos subnutridos nas Escrituras e na IYTRO Dl (ZM) 'É doutrina chegaram a pensar que a controvérsia é algo que sempre deva ser evitado, custe o que custar. Infelizmente, esse é o exemplo que muitos pastores fracos têm lhes dado. Na igreja, nunca devemos apreciar ou nos envolver em contro- vérsia e conflito, sem motivos suficientes. Mas, em cada geração, a batalha pela verdade tem sido inevitável, porque os inimigos da verda» de são implacáveis. A verdade está sempre sob ataque. E, na realidade, é um pecado não lutar quando verdades vitais estão sendo atacadas. Isso é uma realidade, mesmo quando, às vezes, a luta resulta em conflito dentro da comunidade visível dos cristãos professos. De fato, sempre que os inimigos da verdade evangélica conseguem se inñltrar na igreja, os crentes fiéis são obrigados a batalhar contra eles. Essa é, certamente, a situação hoje, assim como tem sido desde os tempos apostólicos. COMO OS (ÍRENTES FIEIS IJEVEÀÍ REAGIIR? À medida que o Espirito Santo levava a revelação do Novo Testamento à sua conclusão, a importância de lutar pela verdade emergia como um dos temas predominantes. Encaixadas no final do Novo Testamento, à sombra do Apocalipse (que descreve a batalha final e o triunfo definitivo da verdade), encontramos três epistolas brevissimas, cujo tema comum é a devoção à verdade em meio ao conflito. O apóstolo João escreveu duas dessas epístolas. Na segun- da epístola de João, a palavra verdade aparece cinco vezes, somente nos quatro primeiros versículos. Ela termina com esta mensagem solene (vv. 7-11): Porque muitos enganadares têm saído pela mundo fora, os quais não confessam Jesus Cristo vindo em carne; assim é o en- ganador e o anticrista. AcauteZai-vos, para não perderdes aquilo que temos realizado com esforço, mas para receberdes completo galardão. Todo aquele que ultrapassa a doutrina de Cristo e nela não permanece não tem Deus; o que permanece na doutrina,
  15. 15. _Hu A (viniciux mix Viiciixivi esse tem tanto o Pai como o Filho. Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas. Porquanto aquele que lhe da' boas-vindas faz-se cúmplice das suas obras más. De modo semelhante, a terceira epistola de João tem a verdade como tema principal. A palavra verdade aparece seis vezes nos quator- ze versículos da epistola. O apóstolo João escrevia, para defender a verdade, contra Diótrefes, que amava ter preeminência na igreja, mais do que amava a verdade. Em contraste, João recomenda Demétrio, dizendo: "Todos lhe dão testemunho, até a própria verdade" (v. 12). Judas escreveu a terceira dessas breves epistolas. Todo o seu propósito ao escrevê-la era lembrar os cristãos de seu dever de lutar pela verdade. Não era sobre isso que ele pretendia escrever a prin- cipio. Quando começou a epístola, seu plano era escrever "acerca da nossa comum salvação". Mas, pelo Espírito Santo, foi compelido a nos exortar, com todo ardor, a batalharmos, "diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos" (v. 3). Judas falava especificamente a respeito de batalhar contra a influência dos falsos mestres que haviam se infiltrado secretamente na comunidade cristã. Segundo parece, esses homens estavam trans- formando os púlpitos cristãos em plataformas, das quais promul- gavam mentiras que subvertiam o âmago da doutrina cristã. "Pois certos indivíduos se introduziram com dissimulação, os quais, desde muito, foram antecipadamente pronunciadas para esta condenação, homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (v. 4). Essa advertência inspirada (Jd 3, 4) motivou-me a escrever este livro. Já escrevi um comentário completo sobre a Epistola de Judasf* portanto, não há necessidade de abordar este assunto por 8. MACARTHUR, John. The MacArthur Àlew Testament Commentary: 2 Peter and Jude. Chi- cago: Moody, 2005. IN | Rol tl LIAU completo neste livro. Desejo focalizar bem de perto apenas dois Versiculos (vv. 3, 4). Consideraremos a advertência de Judas por vários ângulos diferentes. Examinaremos por que o defender a fé exige, de modo inevitável, o conflito e não a postura ingenuamente cordial que muitos cristãos parecem favorecer hoje em dia. Veremos por que a indiferença, a timidez, as concessões e a não-resistência são excluídas como opções para os cristãos, quando o evangelho está sendo atacado. Examinaremos alguns dos principais embates na guerra pela verdade no decurso da história da igreja, Acima de tudo, consideraremos por que a advertência de Judas é especialmente aplicável aos dias em que vivemos. Meu coração ressoa a preocupação de Judas pela igreja, seu amor pelo evangelho e sua paixão pela verdade. Eu, também, prefe- ritia escrever a respeito de coisas positivas - tais como as riquezas da salvação e todas as alegrias e bênçãos que pertencem a todos aqueles que estão verdadeiramente em Cristo; sobre o nosso amor pelo Senhor; e, principalmente, sobre sua graça e glória. De fato, este livro diz respeito a todas essas coisas e de como salvaguarda-las, porque elas são exatamente os aspectos da verdade que, em última análise, estão em jogo na guerra pela verdade. Entretanto, em vez de aborda-las de modo completamente "positivo" e não-polêmico, vejo-me compelido a ecoar as palavras inspiradas de Judas e a exortar os leitores que sinceramente amam a Cristo: vocês precisam batalhar, diligentemente, pela fe'. A verdade está sofrendo ataques intensos, e há poucos guerreiros corajosos dispos- tos a lutar. Quando estivermos em pé diante do tribunal de Cristo, os crentes da presente geração não poderão justificar a sua apatia, queixando-se de que a luta no conflito pela causa da verdade parecia "sobremodo negativa" para o tipo de cultura na qual viviamos - ou afirmando que as questões eram "meramente doutrinárias" e, por- tanto, não valiam o esforço_ Lembre-se de que, em Apocalipse 2 e 3, Cristo repreendeu as igrejas que toleravam falsos mestres em seu meio (214-16, 20-23). 7
  16. 16. 2h' . = (Ilumina PILA Ynçimi» Cristo elogiou especificamente a igreja de Éfeso por haver examinado as alegações de certos falsos apóstolos e tê-los desmascarado como mentirosos (2.2). As igrejas têm o nítido dever de guardar a fé e agir contra os falsos mestres que se infiltram nelas. O próprio Cristo exige isso. Ao mesmo tempo, precisamos notar, com cuidado, que uma defesa polêmica da fé não é, de modo algum, garantia de uma igreja saudável e, muito menos, de um cristão saudável. Cristo também repreendeu os crentes doutrinaziamente sadios de Éfeso por aban- donarem seu primeiro amor (Ap 2.4). Por mais vital que seja o nosso alistamento na guerra pela verdade e na batalha pela nossa fé, mais importante ainda é lembrarmos por que estamos lutando 7 não meramente pela emoção de vencermos um inimigo ou ganharmos um argumento, mas por causa do amor genuíno a Cristo, que é a en- carnação viva e dinâmica de tudo quanto consideramos verdadeiro e digno de lutarmos em seu favor. A VERDADE PODE SOBREVIVER NUMA SOCIEDADE Pós-MODERNA? Respondeu _Íesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a Em de dar testemunho da verdade. Todo aquele que e da verdade ouve n minha voz. Perguntouvlhe Pilates: Que e' a verdade? 7 João 18.3738 7 evando em conta a Pessoa que estava diante dele e a gravidade das questões sobre as quais as pessoas rogavam que ele decidisse, a atitude de Pilates foi admiravelmente desdenhosa. Mas certamen- te suscitou uma consideração vital: Que é a verdade? De onde, afinal, vem esse conceito e por que ele é tão fundamen- tal para todo o pensamento humano? Toda idéia que temos, todo rela- cionamento que cultivamos, toda crença que nutrimos, todo fato que conhecemos, todo argumento que levantamos, toda conversa da qual participamos e todo pensamento que desenvolvemos pressupõem que exista tal coisa chamada “verdade”. Essa idéia é um conceito essencial, sem o qual a mente humana não poderia funcionar. Ainda que você seja um daqueles pensadores atuais que ale- ga ceticismo quanto ao fato de que a verdade realmente seja uma categoria útil, para expressar tal opinião, você tem de admitir que a verdade é significativa em algum nível fundamental. Um dos axiomas nxais fundamentais, universais e inegáveis de todo o pensa- mento humano é a absoluta necessidade da verdade; e, poderíamos acrescentar, a necessidade da verdade absoluta.
  17. 17. 5V* . v (ii'iiài'^. Mix Y-iczuxà-i Lliix i)líi~'il(i. í, ) llliâLl(Íi Então, o que é a verdade? Segue-se, aqui, uma definição singela, extraída daquilo que a Biblia ensina: a verdade é aquilo que é consistente com a mente, a von- tade, o caráter, a glória e o ser de Deus. Sendo mais preciso: a verdade é a auto-expressão de Deus. Esse é o significado bíblico de verdade; é a definição que emprego em todas as partes deste livro. Posto que a definição da verdade Hui de Deus, a verdade é teológica. A verdade é também ontológica - um modo requintado de expressar que a verdade é a maneira como as coisas realmente são. A realidade é o que é porque Deus de- clarou que ela deveria ser assim e a fez dessa forma. Por isso, Deus é o autor, a fonte, o determinador, o governador, o árbitro, o padrão máximo e o derradei- ro juiz de toda a verdade. A VERDADE É AQUILO QUE É coNsiSTENTE COM A MENTE, A VONTADE, o CARÁTER, A GLÓRIA E o SER DE j DEUS_ SENDO MMS O Antigo Testamento refere-se ao PREGSO: A VERDADE Todo-Poderoso como o "Deus da verda- ÉA AUTO_EXPRESSÃO de" (Dt 32.4; Sl 31.5; ls 65.16). Quando DE DEUS_ Jesus disse a respeito de Si mesmo: "Eu sou. .. a verdade" (Jo 14.6, ênfase acrescentada), Ele estava fazendo uma declaração profunda a respeito de sua própria divindade. Também deixou claro que toda verdade, em última análise, deve ser definida em termos de Deus e de sua glória eterna, Afinal de contas, Jesus é "o resplendor da glória [de Deus] e a expressão exata do seu Ser" (Hb 1.3). Eleé a verdade encarnado 7 a expressão perfeita de Deus e, portanto, a corporificação absoluta de tudo o que é a verdade. Jesus também disse que a Palavra escrita de Deus é a ver- dade. Ela não somente contém pepitas da verdade; ela e' a verdade pura, imutável e inviolável que (segundo Jesus) “não pode falhar" (Jo 10.35). Jesus, orando ao seu Pai celestial, em favor dos seus A VFRHAIH' PODE ')llRl'| líR Ni . 'l¡ S(')(Íll'l). I)| í | ”(_V)5-. l()l)líli, ,7 ii discípulos, disse: "Santiñca-os na verdade; a tua palavra é a verdade" (Jo 17.17). Além disso, a Palavra de Deus é a verdade eterna, "a qual vive e é permanente" (1 Pe 1.23). É lógico que não pode existir qualquer discordância ou dife- rença de opinião entre a Palavra escrita de Deus (as Escrituras) e a Palavra encarnado de Deus (Jesus). Em primeiro lugar, a verdade, por sua própria natureza, não pode contradizer a si mesma. Em segundo lugar, as Escrituras são chamadas de "palavra de Cristo" (Cl 3.16). É a mensagem dEle, a auto-expressão dEle. Em outras palavras, a verda- de de Cristo e a verdade da Biblia são do mesmissimo caráter. Estão em perfeito acordo, em todos os aspectos. Ambas são igualmente verdadeiras. Deus se revelou à humanidade por meio das Escrituras e por meio do seu Filho. Ambos expressam com perfeição aquilo que a verdade e'. Lembre-se de que as Escrituras também dizem que Deus revela a verdade básica a respeito de Si mesmo por meio da natureza. Os céus proclamam a glória de Deus (Sl 19.1). Os demais atributos invisíveis de Deus (tais como sua sabedoria, seu poder e sua beleza) são constantemente demonstrados naquilo que Ele criou (Rm 1.20). O conhecimento de Deus é inato ao coração humano (Rm 1.19), e o senso do caráter moral e da sublimidade de sua lei está implícito em toda consciência humana (Rm 2.15). Essas coisas são verdades universalmente auto-evidentes. De acordo com Romanos 1.20, a negação das verdades espirituais que conhecemos de modo inato sempre envolve uma incredulidade deliberada e culpável. E, quanto àqueles que duvidam que as verdades básicas no tocante a Deus e aos seus padrões morais estejam realmente gravadas no coração humano, esses podem achar uma comprovação ampla disso na longa história das leis e das religiões. Suprimir essa verdade é desonrar a Deus, mudar a sua glória e incorrer em sua ira (vv. 19-20). Ademais, o único intérprete infalível daquilo que vemos na natureza ou conhecemos de modo inato, em nossa própria consci- ência, é a revelação explicita das Escrituras. Posto que somente as
  18. 18. - Gi-Iiznx mia Yeiinxm Escrituras nos fornecem o caminho da salvação, a entrada para o reino de Deus e o relato infalível de Cristo, a Biblia é o critério pelo qual devem ser testadas todas as afirmações concernentes à verdade e pelo qual todas as outras verdades devem ser avaliadas no ñnal. A iNAi)E<giiAç. àc> DE 'i'OI). rS As (Í)Lí'l'RAS IJEFINIÇLDES Uma conclusão óbvia daquilo que estou dizendo é que, ã parte de Deus, a verdade não significa coisa alguma. A verdade não pode ser explicada, reconhecida, entendida ou definida sem que Deus seja a sua fonte. Visto que somente Ele é eterno e auto-existente, e somente Ele é o Criador de todas as coisas, Ele é a fonte de toda a verdade. Se você não acredita nisso, 'tente definir a verdade sem referên- cia a Deus e veja quão rapidamente fracassam essas definições. No momento em que você começar a meditar sobre a essência da verda- de, você se deparará com a necessidade de um absoluto universal - a realidade eterna de Deus. Na proposição inversa, todo o conceito de verdade perde instantaneamente o sentido e, por essa razão, toda imaginação do coração humano torna-se pura tolice no momento em que as pessoas tentam remover de sua mente o conceito de Deus. Essa foi precisamente a maneira como o apóstolo Paulo descre- veu o declínio permanente das idéias humanas, em Romanos 1.21- 22: “Porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos". Sempre existem sérias implicações morais, quando alguém tenta fazer uma dissociação entre a verdade e o conhecimento de Deus. Paulo, continuando seu argumento, escreveu: "E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas A VFRDADIÍ PÓDI* . SOlSIEIÉVTNTPIIl N! NA SOCllÉlÚ/ Dlí l*(_')$-ll('>l)FR-''¡? ih' inconvenientes" (Rm 1.28). O resultado inevitável do abandono da definição bíblica de verdade é a injustiça e a impiedade. Vemos isso ocorrer diante de nossos olhos, em todos os cantos da sociedade con- temporânea. Na realidade, a aceitação generalizada do homossexualismo, da rebeldia e de todas as formas de iniqüi- dade que vemos em nossa sociedade é um cumprimento literal daquilo que Romanos afirma que sempre acontece quando uma sociedade nega e suprime a conexão essencial entre Deus e a verdade. Se você refletir sobre esse assunto com uma dose mínima de sobriedade, logo perceberá que até as distinções morais mais fundamentais - o bem e o mal, o certo e o errado, a beleza e a feiúra, a honra e a deson- ra - não têm qualquer possibilidade de possuir sentido verdadeiro ou permanente à parte de Deus. A razão disso é que a verdade e o conhecimento, por si mesmos, simplesmente não possuem uma relevância coerente à parte de uma origem ñxa, ou seja, Deus. Como poderiam ser relevantes? Deus é, em Si mesmo, a própria definição da verdade. Qualquer reivindicação de uma verdade à parte de Deus é absurda. De fato, os filósofos humanos têm procurado, durante milha- res de anos, explicar a verdade e o conhecimento humano à parte de Deus - e, em última análise, todos quantos fizeram semelhante tentativa fracassaram. Isso tem levado a uma mudança apavorante no mundo do pensamento secular nos anos recentes. Vamos apresentar um esboço sucinto de como essa mudança se realizou: os ñlósofos da Grécia antiga simplesmente admitiram a validade da verdade e do conhecimento humano, sem tentar explicar como sabemos aquilo que sabemos. No entanto, cerca de quinhentos No MOMENTO EM QUE você COMEÇAR A MEDITAR SOBRE A ESSÊNCIA DA VERDADE, VOCÊ SE DEPARARÁ COM A NECESSIDADE DE UM ABSOLUTO UNIVERSAL - A REALIDADE ETERNA DE DEUs.
  19. 19. _M , (iiiium Pll Yxiilvxiw anos antes dos tempos de Cristo, Sócrates, Platão e Aristóteles co- meçaram a considerar o problema de como definir o conhecimento, como descobrir se uma crença é verdadeira e como determinar se realmente estamos justificados por acreditar em qualquer coisa. Durante quase dois mil anos, a maioria dos filósofos pressupunha, em maior ou menor grau, que o conhecimento é transmitido, de alguma maneira, através da natureza e apresentavam explicações naturalistas, na tentativa de descrever como a verdade e o conheci- mento podem ser comunicados à mente humana. Mais tarde, em meados do século XVII, na aurora do chamado Iluminismo, filósofos como René Descartes e John Locke começaram a lidar seriamente com a questão de como obtemos o conhecimento. Essa ramificação da filosofia tornou-se conhecida como epistemo- logia - o estudo do conhecimento e de como a mente humana apreende a verdade. Descartes era um racionalista e acreditava que a verdade é conhecida A MAIS VALIosA A0 UEA . . “Ç (12 DE mediante a razao, usando como ponto HUMAN DA de partida algumas poucas verdades DEVERIA TER fundamentais e auto-evidentes, e APRENDIDO DA _ , _ empregando deduçoes logicas para FILOSOFIA E QUE E IMPOSSÍVEL QUE AVERDADE SEJA COMPREENSÍVEL SEM QUE HAJA UM RECONHECIMENTO DE DEUs COMO 0 PONTO DE PARTIDA NECESSÁRIO. edificar estruturas mais sofisticadas de conhecimento sobre aquele mesmo fundamento. Ao contrário disso, Locke argumentava que a mente humana começa como uma lousa vazia e adquire conhecimentos através dos sentidos. A opinião de Locke é conhecida como empirísmo. Immanuel Kant demonstrou que nem a lógica somente, nem a experi- ência somente (conseqüentemente, nem o racionalismo, nem o empirismo) poderia explicar todos os conhecimentos humanos; e . 'l7l(l)l)| í | '(_)l. >l' . NCHSKIW Hlílx' NI ll NU( IIÍDAUI PÓñ . 'l(lf)l-'Rlil i; elaborou uma proposta que combinava elementos do racionalismo e do empirismo. G. W. F. Hegel argumentou, por sua vez, que até mesmo a proposta de Kant era inadequada e propôs um ponto de vista mais fiuido da verdade, negando que a realidade seja algo cons- tante. Pelo contrário, Hegel afirmou que aquilo que é verdadeiro se expande e se transforma no decorrer do tempo. As opiniões de Hegel abriram a porta para vários tipos de irracionalismo, representados pelos sistemas "modernos" de pensamento, que variam desde as filosofias de Kierkegaard, Nietzsche e Marx até o pragmatismo de Henry James. Epistemologias primorosas têm sido propostas e repudiadas metodologicamente, uma após outra - como uma longa corrente, cujos elos anteriores são todos quebrados. Depois de milhares de anos, os melhores filósofos humanos têm fracassado completamen- te na tentativa de explicar a verdade à parte de Deus e a origem do conhecimento humano. A mais valiosa lição que a humanidade deveria ter aprendido da filosofia é que é impossível que a verdade seja compreensível sem que haja um reconhecimento de Deus como o ponto de partida necessário. LiRJXÂIlÕfÍ 'lNll. ll)Al7Ç. - DE PARAI)ICJI'I. AE, Em tempos recentes, muitos intelectuais incrédulos têm reco- nhecido que a corrente está quebrada e resolveram que o culpado disso é o fato de que qualquer busca pela verdade é absurda. Com efeito, já abandonaram essa busca como se fosse algo totalmente fútil. Portanto, o mundo das idéias humanas está atualmente num estado grave de fluxo. Em quase todos os níveis da sociedade, esta- mos testemunhando uma mudança de paradigmas profundamente radical - uma revisão, em grande escala, na maneira como as pes- soas pensam a respeito da própria verdade. Infelizmente, em vez de reconhecer aquilo que a verdade
  20. 20. 30 A Gi i-ium viii VPRFIAIII' exige e render~se à necessidade da crença no Deus da verdade, o pensamento ocidental contemporâneo já cogitou maneiras de livrar totalmente a ñlosofia humana de qualquer noção coerente acerca da verdade. O conceito de verdade está sofrendo ataques pesados na comunidade filosófica, no mundo acadêmico e no âmbito da religião no mundo. O modo como as pessoas pensam a respeito da verdade está sendo totalmente renovado, e o vocabulário do conhecimento humano, completamente redefinido. Evidentemente, o propósito é lançar no esquecimento toda noção de verdade. O alvo da filosofia humana costumava ser a verdade sem Deus. As filosofias contemporâneas estão abertas à noção de Deus sem a verdade - ou, falando com mais exatidão, a "espiritualidade" pessoal na qual todos têm a liberdade de criar seu próprio deus. Esses deuses pessoais não representam ameaça alguma ao egoísmo pecaminoso, porque, de qualquer forma, eles se adaptam às preferências pessoais de todo pecador e não impõem qualquer exigência a ninguém. Esse fato ressalta a verdadeira razão de toda negação da verda- de: “Os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más" (Jo 3.19). Nessa passagem, o Senhor Jesus está dizendo que as pessoas rejeitam a verdade (a luz) por razões que são fundamentalmente morais, e não intelectuais. A verdade é clara - clara até demais. Ela revela e condena o pecado. Por isso, "todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras" (v. 20). Os pecadores amam seu pecado, de modo que fogem da luz, negando que ela exista. É claro que a guerra contra a verdade não é algo novo. Começou no Jardim, quando a serpente disse à mulher: “É assim que Deus disse? ” (Gn 3.1). Uma batalha implacável tem sido travada desde então - entre a verdade e a mentira; o bem e o mal; a luz e as trevas; a certeza e a dúvida; a crença e o ceticismo; a retidão e o pecado. Essa guerra é um conflito espiritual selvagem que abrange literalmente toda a história da humanidade. Mas a ferocidade e a irracionalidade do ataque contemporâneo parece não ter precedentes. A Vl-ÍRl. ).~l)| :' PODE SOBRÍÉVWEll Nl MA S4.')(ÍIIíl'). Al'>l5 I-'('_")S-. VIODEILN4? S' As ramificações abrangentes da recente mudança de paradigma tomaram~se bem óbvias. No decurso da geração passada - e es- pecialmente nestas duas últimas décadas - temos visto mudanças convulsivas nos valores morais, na filosofia, na religião e nas artes da sociedade. A reviravolta tem sido tão profunda, que a geração dos nossos avós (e quase toda a geração anterior, em toda a história da humanidade) dificilmente teria imaginado que o panorama social pudesse mudar tão rapidamente. Quase nenhum aspecto do raciocí- nio humano deixou de ser afetado. A devoção tradicional e nominal aos ideais e aos padrões morais, a qual é derivada das Escrituras, está morrendo juntamente com a geração mais velha. Muitos acreditam que a mudança de paradigma já nos levou além da era da modernidade, à grande época subseqüente no desen- volvimento do pensamento humano: a era pós-moderna. A i'1<")]_'›EK'IDAl)lÊ Em termos simples, a modernidade era caracterizada pela crença de que a verdade existe e que o método científico é a única maneira confiável de determinar essa verdade. Na assim chamada era "moderna", a maioria das disciplinas acadêmicas (filosofia, ciências, literatura e educação) era direcionada primariamente por pressuposições racionalistas. Em outras palavras, o pensamento moderno tratava o raciocínio humano como o árbitro final em re- lação ao que é a verdade. A mente moderna rejeitou o conceito do sobrenatural e procurou explicações científicas e racionalistas para tudo. Mas os pensadores modernos mantinham sua crença de que o conhecimento da verdade era possível. Ainda buscavam verdades universais e absolutas que fossem aplicáveis a todos. As metodolo- gias cientíñcas tomaram-se o principal meio pelo qual as pessoas modernas procuravam obter esse conhecimento. Essas pressuposições deram origem ao darwinismo, que, por sua vez, gerou uma fileira de idéias e cosmovisões humanistas.
  21. 21. .i8 -Cil'7”l«'h'1'l| 'l-l~'lvilvl' Dentre elas, destacaram-se várias filosofias ateístas, racionalistas e utópicas -inclusive o marxismo, o fascismo, o socialismo, o comu- nismo e o liberalismo teológico. As repercussões devastadoras do modernismo logo foram sentidas em todo o mundo. Varios conflitos entre essas ideologias (e entre muitas outras semelhantes a elas) dominaram o século XX. Todas fracassaram. Após duas guerras mundiais, revoluções sociais continuas, perturbações civis e uma longa guerra fria ideológica, a modernidade foi declarada morta pela maioria das pessoas do mun- do acadêmico. A morte simbólica da era moderna foi marcada pela queda do Muro de Berlim, um dos monumentos mais apropriados e imponentes para a ideologia moderna. Uma VEZ que O IHUÍO 9X3 uma EXPYES* são concreta da cosmovisão utópica e errônea da modernidade, sua demoli- ção repentina também foi um símbolo perfeito do colapso da modernidade. EM TERMOS SIMPLES, A MODERNIDADE : em CARA CTERIZADA PELA CRENÇA DE QUE A VERDADE EXISTE , _ , , F QUE O MÉTODO A maioria, senao a totahdade, '. . . d "'dgmas sovisões CIENTIFICO E A UNICA os prmüpms O e, C0 m_ MANEIRA CONFIÀVEI da era moderna agora e considerada DE DETERMINAR ESSA completamente antiquada e desespera- VERDADE damente desacreditada em quase todos os âmbitos do mundo intelectual e aca- dêmico. Até o fascínio que a religião do modemista tinha pela alta crítica deu lugar à espiritualidade abstrata. O racionalismo grandemente confiante e a soberba humana que caracterizavam a era moderna - final e apropriadamente - perderam a maior parte de seu entusiasmo e inñuência. O PÓS-bvlODIiRNlSr-IO Conseqiientemente, os novos modos de pensar têm sido apeli- dados, coletivamente, de pós-modemos. A Vl-ÍRIJAIWIÍ PC)l. )l-Í õOISILEYIYláIQ NINA . Nl)<ÍllÉl')»l)T. P()N'--i*l(3f)l~ZIiâ; ? 'W Se você tem prestado atenção ao mundo ao nosso redor, provavelmente já deva ter ouvido muito essa expressão. O termo pós-modernismo tem sido usado cada vez mais, desde os anos 1980, para descrever várias tendências populares na arquitetura, na arte, na literatura, na história, na cultura e na religião. Não é um termo de explicação fácil, porque descreve um modo de pensar que desafia (e até mesmo rejeita) qualquer definição clara. De modo geral, o pós-modernismo é marcado por uma ten- dência de repudiar a possibilidade de qualquer conhecimento seguro e sólido acerca da verdade. O pósmodernismo sugere que, se a verdade objetiva existe, ela não pode ser conhecida de modo objetivo ou com algum grau de certeza; porque (segundo os pós-modernistas) a subjetividade da mente humana torna impossível o conhecimento da verdade objetiva. Portanto, é inútil pensar na verdade em termos objetivos. A objetividade é uma ilusão. Nada é certo, e a pessoa sensata nunca falará com convicção demasiada a respeito de coisa alguma. Fortes convicções no tocante a qualquer aspecto da verdade são reputadas como supremamente arrogantes e desesperadamente ingênuas. Cada pessoa tem o direito à sua própria verdade. Por conseguinte, o pós-modernismo não possui uma agenda positiva para declarar que algo é verdadeiro ou bom. Talvez você já tenha notado que somente os crimes mais hediondos ainda são considerados maus. Na realidade, existem muitas pessoas hoje que estão dispostas a debater se algo é "mal", por essa razão, essa lin- guagem está desaparecendo rapidamente do discurso público. Isso acontece porque a própria noção do mal não se encaixa no esquema pós~modemo das coisas. Se não pudermos ter nada como certo, como julgaremos que uma coisa é má? Por essa razão, o único objetivo e atividade singular do pós-mo- dernismo é a desconstrução sistemática de qualquer reivindicação da verdade. As principais ferramentas que têm sido usadas para isso são: o relativismo, o subjetivismo, a negação de todo dogma, a disse- cação e o aníquilamento de toda definição clara, o questionamento
  22. 22. IO A (iizlkltx pI-'m YIRDAHI- implacável de todo axioma, a exaltação indevida do mistério e do paradoxo, o exagero deliberado de toda ambigüidade e, acima de tudo, O cultivo da incerteza a respeito de tudo. Se você me desafiasse a condensar o pensamento pós-modemo em sua essência e a identificar seu teor numa única característica, simples e central, eu diria que ele é a rejeição de toda expressão de certeza. Na perspectiva pós-modernista, a certeza é considerada inerentemente arrogante, elitista, intolerante e opressiva - e, portanto, sempre errada. A morte da modernidade e O conseqüente golpe sobre a arro- gância humana racionalista é certamente algo que devemos celebrar. Mas, do ponto de vista espiritual, a ascensão do pós-modernismo tem sido tudo, menos um desenvolvimento positivo. O pós-modernismo tem resultado numa rejeição generalizada da verdade e na veneração do ceticismo. Os pós~modernistas des- prezam as reivindicações da verdade. Repudiam, também, toda ten- tativa de construir uma cosmovisão coerente e rotulam todas as ideologias abrangentes e os sistemas de crenças como "metanarrativas" ou grandes histórias. Eles dizem que tais "histó- rias" não têm a menor possibilidade de levar em consideração a perspectiva individual de todas as pessoas; por O PÓS-MODERNISMO SUGERE QUE, SE A VERDADE OBJETIVA EXISTE, ELA NÃO PODE sER CONHECIDA DE MODO OBJETIVO OU COM ALGUM A iíliDAlHí PODE . ()l3lil-Í'l'lil( Nl WA b(_)ÇIkÍl), -I')| i I”((>. -. l(. )l'>lil<N_'? -Il a verdade é reconhecida, em alguma medida, toma-se infinitamente Hexível e, em última análise, incapaz de ser conhecida em algum sentido Objetivo. O pós-modernismo assinala, por- tanto, um grande triunfo do relativis- mo - o conceito de que a verdade não é fixa e objetiva, e sim algo determinado pela percepção exclusiva e subjetiva de cada pessoa. Enfim, tudo isso é uma tentativa inútil de eliminar da vida humana, a moralidade e a culpa. REn'l(Í)-"EÉ'I)L) As PROPOSICÓES Dias Pltlíñ/ JISSAS Outra consideração extremamen- te importante precisa ser mencionada no tocante às noções pós-modernas sobre a verdade. Os pós-modernistas geralmente suspeitam de formas racio- nais e lógicas. Em especial, não gostam de O Pós-MODERNISFA TEM AVERSÀO POR ABSOLUTOS E NÃO QUER REcoNI-IECER QUALQUER VERDADE QUE PAREÇA AxIOMATIcA OU AUTO-EVIDENTE. PELO CONTRÁRIO, QUANDO A VERDADE E RECONHECIDA, EM ALGUMA MEDIDA, TORNA-SE INFINITAMENTE FLEXÍVEL E, EM ÚLTIMA ANÁLISE, INCAPAZ DE SER coNHEciDA, EM ALGUM SENTIDO OBJETIVO. debater a verdade em termos proposicionais claros. Conforme percebemos, o pós-modernismo é, em grande medi- GRAU DE CERTEZA; PORQUE (SEGUNDO os pós~MODERNIsTAs) A SUBJETXVIDADB DA MENTE HUMANA TORNA IMPOSSÍVEL O CONHECIMENTO DA VERDADE OBJETIVA. essa razão, são sempre inadequadas. A preferência que o pós- modernismo tem pela subjetividade, acima da objetividade, toma-o ine- rentemente relativista. Naturalmente, o pós-modernista tem aversão por absolutos e não quer reconhecer qual~ quer verdade que pareça axiomática ou auto-evidente. Pelo contrário, quando da, uma reação contra o racionalismo desenfreada da modernidade. Mas a reação de muitos pós-modernistas em relação ao racionalismo é gravemente exagerada. Muitos pós-modernistas parecem a nutrir a idéia de que a irracionalidade é superior ao racionalismo. De fato, essas duas maneiras de pensar são totalmente errône- as e igualmente hostis à verdade autêntica e ao cristianismo bíblico. Um extremo é tão letal quanto o outro. O racionalismo precisa ser rejeitado, sem abandonarmos a racionalidade. A racionalidade (o uso correto da razão santificada mediante a
  23. 23. I? A (liTiâl: i'i'l' Izznxnr lógica sadia) nunca é condenada nas Escrituras. A fé não é irracional. A verdade bíblica autêntica exige que empreguemos o pensamento lógico, sensato e claro. A verdade sempre pode ser examinada e comparada à luz fulgurante de outra verdade, sem que seja diluída e torne-se um absurdo. A verdade, por sua própria natureza, nunca se contradiz, nunca e' ilógica. E, ao contrário do pensamento popular, não e' racionalismo insistir em que a coerência é uma qualidade essencial de toda verdade. Cristo é a verdade encarnada, e Ele não pode negar-se a Si mesmo (2 Tm 2.13). A verdade que desmente a si mesma é uma absoluta contradição de termos. “Mentira alguma jamais procede da verdade" (1 Jo 2.21). A lógica também não é um conceito peculiarmente "grego" que, de algum modo, é hostil ao contexto hebraico das Escrituras (esse é um mito comum, uma simplificação rude e exagerada, que é freqüentemente proposto para apoiar o flerte do pós-modernismo com a irracionalidade). As Escrituras freqüentemente empregam ex- pedientes lógicos, tais como a antítese, os argumentos "sem então”, Os silogismos e as proposições. Todas essas são formas padronizadas da lógica, e as Escrituras estão repletas delas (por exemplo, a longa seqüência de argumentos dedutivos a respeito da importância da ressurreição, em 1 Co 1512-19). Apesar disso, é comum encontrarmos pessoas fascinadas pelas idéias pós~modernas que argumentam com veemência que a ver- dade não pode ser expressa em meras proposições, semelhantes às fórmulas matemáticas. Até alguns cristãos professos argumentam, hoje em dia, nestes termos: "Se a verdade é pessoal, não pode ser proposicional. Se a verdade está incorporada na pessoa de Cristo, logo, a forma de proposição talvez não possa expressar a verdade autêntica. É por essa razão que a maior parte das Escrituras é conta- da na forma de narrativa - como uma história - e não como um conjunto de proposições". A razão que está por trás do desprezo do pós-modernismo pela verdade proposicional não é difícil de ser entendida. Uma proposição A l RIHHÍ. PODE 'f)i<llil''lTR M ¡l- 5(, )4Íl| jl)! l)l' P(1S~l('jl)[íl§r/ ›-'~ é uma idéia formulada como uma declaração lógica que añrma ou nega algo; é expressa de tal modo que tem de ser verdadeira ou falsa. Não existe terceira opção alguma entre o certo e o errado. Essa terceira opção e' o “meio-termo excluído” na lógica. A questão central de uma proposição é resumir uma declaração da verdade a uma clareza tão pura, de modo que essa declaração tenha de ser añrmada ou negada. Em outras palavras, as proposições são as mais simples expressões de valor da verdade, usadas para expressar a substância daquilo que cremos. Falando com sinceridade, o pós-modernismo não pode suportar esse tipo de clareza. Na realidade, a rejeição da forma proposicional por parte do pós-modernismo acaba se revelando totalmente insustentável. É impossível conversar sobre a verdade, de algum modo - ou mesmo contar uma história - sem recorrer ao uso de proposições. Até recentemente, a Validade e a necessidade de expressar a verdade em forma de proposições eram consideradas auto-evidentes, por quase todos os que já estudaram lógica, semântica, filosofia ou teologia. lronicamente, para formar qualquer argumento coerente contra o emprego das proposições, uma pessoa teria de empregar declarações proposicionais! Portanto, todo argumento contra o uso de proposk ções destrórse a si mesmo instantaneamente. Deixemos bem claro: a verdade envolve, certamente, mais do que meras proposições. Sem dúvida alguma, existe um elemento pes- saal na verdade. O próprio Jesus Cristo transmitiu essa mensagem, quando declarou ser Ele mesmo a verdade encarnada. As Escrituras também ensinam que a fé envolve receber a Jesus Cristo com tudo o que Ele é ~ conhecê-Lo num sentido real e pessoal e ser habitado por Ele - e não meramente concordar com uma breve lista de ver- dades desencarnadas a respeito dEle (Mt 721-23). Portanto, é verdade que a fé não pode ser reduzida ao mero assentimento de um conjunto finito de proposições (Tg 2.19). Já ressaltei esse fato, repetidas Vezes, em livros anteriores. A fé salviñ- ca é mais do que um mero aceno intelectual com a cabeça. em sinal
  24. 24. -H ~ (Íxtl-'lclm mu Vizumxm' de aprovação dos fatos de um esboço minimalista do evangelho. A fé autêntica em Cristo envolve o amor à sua Pessoa e a disposição de render-se à sua autoridade. O coração, a vontade e o intelecto do ser humano - todos concordam no ato da fé. Nesse sentido, certamente é correto, e mesmo necessário, reconhecer que meras proposições não podem abordar apropriadamente todas as dimen- sões da verdade. Por outro lado, a verdade simplesmente não poderá sobreviver, se for destituída de seu conteúdo proposicional. Embora seja bem certo que crer na verdade envolva mais do que o assentimento do intelecto humano a certas proposições, também é certo que a fé autêntica nunca envolve menos do que isso. Rejeitar o conteúdo proposicional do evangelho é sacrificar a fé salvífica, e ponto final. Os pós-modernistas sentem-se desconfortáveis com as proposições por uma razão óbvia: eles não gostam da clareza e da inflexibilidade exigidas para lidar com a verdade na forma proposi- cional. A proposição é a forma mais simples de qualquer afirmação da verdade; e o ponto de partida fundamental do pós-modernismo é seu desprezo por todas as afirmações da verdade. A "lógica vaga" de idéias contadas na forma de "histórias" soa um tanto mais elásti- ca ñ embora, na verdade, não o seja. As proposições são blocos de construção necessários a todos os meios de transmissão da verdade - inclusive das histórias. No entanto, o ataque contra as expressões proposicionaís da verdade é uma proteção natural e necessária para a desconfiança ge- ral que o pós-modernismo possui em relação à lógica, uma proteção para sua aversão à certeza e para sua antipatia para com a clareza. Para manter a ambigüidade e a flexibilidade da “verdade”, as quais são necessárias à perspectiva pós-moderna, as proposições claras e específicas precisam ser ignoradas como meios de expressão da verdade. As proposições nos obrigam a encarar os fatos e añrmá-los ou negá-los. E esse tipo de clareza simplesmente não desempenha um bom papel numa cultura pós-moderna. A VFRD/ DF Pl. ")l'>l-Í >l(')l'$lil-'. ^I/ 'lÊR NUMA StÕCIEDADE P(l)h-. 'll")l'. )l7l'il. ? ii A lN(ÍlÉl<'l'PÍ7,A É A NOVA TÉRDADE Obviamente, o pós-modemismo é consideravelmente mais complexo do que esses poucos parágrafos talvez possam demons- trar, mas eles constituem um esboço suficiente daquilo que essa expressão significa. No decurso deste livro, investigaremos algumas das características principais da mudança de paradigma do pós- modernismo. Mas, para começar, consideremos a noção de que a certeza a respeito de qualquer coisa é inerentemente arrogante. Essa opinião goza de uma popularidade desenfreada em nossos dias. A crença de que ninguém pode realmente saber alguma coisa com certeza está emergindo como praticamente o único dogma que os pós-modernistas podem tolerar. A incerteza é a nova ver- dade. A dúvida e o ceticismo foram canonizados como uma forma de humildade. O certo e o errado foram redefmidos em termos de sentimentos subjetivos e de perspectivas pessoais. Essas opiniões também estão se inñltrando na igreja. Em alguns círculos da igreja visivel, hoje, o cinismo é quase considerado como a mais esplêndida de todas avirtudes. Comecei este livro com um excelente exemplo desse cinismo, visto no chamado movimento da Igreja Emergente. Um tom implacável de inquietação pós-moder- nista a respeito da certeza excessiva permeia todo esse movimento. Não é de se admirar: a Igreja Emergente surgiu como um esforço deliberado para tornar o cristianismo mais apropriado a uma cultura pós-moderna. Os cristãos emergentes estão determinados a adaptar a fé cristã, a estrutura da igreja, a linguagem da fé e até a mensagem do evangelho à retórica e às idéias pós-modernistas. O pós-modernismo é um tema importante na literatura da Igreja Emergente. Várias vozes da liderança do movimento têm sugerido que o pós-modernismo é algo que a igreja deva abraçar e adotar. Outros talvez sejam mais hesitantes quanto a endossar completamente o pós-modemismo, mas insistem em que os cristãos devem, pelo menos, começar a falar a linguagem pós-moderna, se
  25. 25. m -('vI1I: x«l-'l'¡ Vim-wi quisermos alcançar uma geração pós-moderna. Isso, dizem eles, exi- girá uma reorganização da mensagem que apresentamos ao mundo, além de uma remodelagem dos meios que usamos para prega-la. Algumas pessoas desse movimento têm questionado abertamente se existe mesmo um papel legítimo para a pregação numa cultura pós-moderna. O "diálogo" é o método preferido de comunicação. E, de acordo com isso, algumas congregações de estilo emergente acabaram totalmente com os pastores e os substituiram por “narra- dores”. Outras substituíram o sermão por um diálogo livre e aberto, no qual ninguém desempenha um papel de liderança. Por motivos óbvios, dizer com autoridade "assim diz o SENHOR” não é algo bem acolhido nesse ambiente. Obviamente, a primeira vítima dessa maneira de pensar é todo tipo AINCERTEZAE A de certeza. As proposições centrais e NOVA¡ VERDADE' as convicções sólidas do cristianismo A DUVIDA E O bíblico ~ tais como a crença inabalável CETEM/ io FORAM na inspiração e autoridade do cristia- CANONIZADOS nismo bíblico, uma compreensão sã do verdadeiro evangelho, a plena certeza da salvação, a confiança indubitável no senhorio de Cristo e a exclusividade COMO UMA FORMA DE HUMILDADE. O CERTO E O ERRADO FORAM REDEFINIDOS _ d C_ , _ _uh EM TERMOS DE restrita e risto cpmoounicodcami o SFWIMFVTO; da salvação - nao se conciliam bem sUBjETnços E DE com o desprezo que (apos-modernismo PERSPECTIVAS sente para com as reivindicações claras PESSOAIS e autoritárias da verdade. Por essa razão, o instrumento do diálogo pós- moderno muda a mensagem de modo instantâneo e automático. E a própria retórica do movimento da Igreja Emergente reflete esse fato. Prestemos atenção, por exemplo, a como Brian McLaren resu- me suas opiniões sobre a ortodoxia e sobre a questão das verdades A l-IRHAJJE I'l. )l)li SUl-&RICYIYIÃR N¡ MA S()(I| I". l)Al)l-I PÓñ-ÀI( )I_)F. HN. ? F do cristianismo serem ou não sadias e ñdedignas: Como e' irônico que eu esteja escrevendo a respeito de orto- doxia, que, para muitas pessoas, significa uma apreensão ñnal da verdade a respeito de Deus, que e' a glória de Deus. Sente-se aqui ao meu lado, neste pequeno restaurante, e pergunte-me se o cristianismo (a minha versão dele, a sua versão, a do papa ou a de qualquer outra pessoa) é ortodoxo, no sentido de ser verdadeiro; e eu darei a minha resposta sincera: um pouco, mas não todo. Admitindo que, por “cristianismoí você se refere à maneira cristã de entender o mundo e a Deus, as opiniões cris- tãs a respeito da alma, do texto e da cultura. .. Eu teria que dizer que é provável que tenhamos algumas poucas coisas certas, mas uma porção de coisas erradas? McLaren sugere que a própria clareza é de valor dúbio. É evi- dente que ele prefere a ambigüidade e o equívoco; e, portanto, seus livros estão repletos de linguagem com duplo sentido deliberado. Na introdução de seu livro A Generous Orthodoxy (Uma Ortodoxia Generosa), McLaren reconhece: "Fiz um esforço deliberado para ser provocativo, injurioso e obscuro; relietindo minha crença de que a clareza, às vezes, é supervalorizada e de que a surpresa, a obscuri- dade, o espirito brincalhão e a intriga (cuidadosamente articulados), com freqüência, estimulam mais o pensamento do que a clareza pode fazê-lo"? Um tema predominante na maioria dos escritos de MacLaren é a idéia de que “existe grande perigo na busca por estar certo"? As influências pós-modernas também penetraram no movi- mento evangélico por outros meios. O livro Beyond Foundationalism: 1. MCLAREN, Brian. A Generous Ortliodoxy. Grand Rapids: Zondervan, 2004. p. 293. 2. Ibíd. p. 23. 3. Citado em Greg Wamer. "Brian McLaren: 'lhe Story We Find Ourselves ln", uma rese- nha baseada em fatos no website Rick Warren's pastorscom Disponível em: http: // wwwpastorscom. article. asp? ArtlD=4150.
  26. 26. m' A Gurluu I'l'1 imnm Shoping lheology in a Postmodern Context (Além do Fundamentalismo: Moldando a Teologia em um Contexto Pós-Modemo), escrito por Stanley Grenz e John Franke, foi publicado em 2001 e causou um impacto significativo na comunidade acadêmica evangélica; obteve muitas resenhas favoráveis na mídia e estimulou numerosos artigos e palestras por parte de líderes evangélicos que, evidentemente, acham nesse livro muitas coisas com as quais podem concordar. Mas, como sugere o subtítulo, o livro pleiteia uma abordagem totalmente nova da teologia, com o objetivo de "contextualizar" o cristianismo para uma cultura pós-moderna. "As categorias e os paradigmas do mundo modemo" estão em colapso, conforme dizem os autores na primeira frase do livro. " Eles passam a afirmar que, por esse motivo, a teologia cristã deve ser repensada, revisada e adap- tada, a fim de manter-se atualizada e permanecer relevante nestes tempos de mudança. Grenz e Franke argumentam que o Espirito de Deus fala através das Escrituras, da tradição e da cultura, e que os teólogos devem procurar ouvir a voz do Espírito em cada uma dessas áreas. Além disso, visto que a cultura está em fluxo constante, é correto e apropriado (dizem eles) que a teologia cristã também esteja num estado perpétuo de transição e fermentação. Nenhum assunto deve ser considerado como definitivamente estabelecido. A vítima em tudo isso e qualquer conhecimento seguro e certo sobre a verdade bíblica. Para Grenz e Franke, não há problema algum nisso. A convicção deles é que todo desejo de obter um conheci- mento fixo e positivo de qualquer verdade pertence à categoria do racionalismo iluminista, que está em colapso. É exatamente isso que querem dizer quando fazem referência ao "fundamentalismo" no título do livro. Deñnem o [fundamentalismo clássico como a "busca 4. GRENZ, Stanley J. ; FRANKE, Jyohn R. Beyond Fvundationalism: shaping theologjr in a post- modern context. Louisville: Westminster John Knox, 2001. p. 3. A hlilJADl: l'<')l>l" HOIiRl-IYFR I 'x1.~ S( )("llil), ~lll' P<")S-. ](, )l)lÃR. 'r 1') por completa certeza epistemológica” Naturalmente, a certeza é atacada no livro repetidas vezes. Esses ataques culminam na alegação incrível de que a certeza, enñm, é incompatível com a esperanças É claro que existem algumas coisas que ainda não vemos com clareza e pelas quais ainda esperamos (Rm 824-25). Mas parece bastante artiñcial concluir que não exista nada que possamos saber com uma certeza genuína e definitiva. Apesar disso, alguns leitores, inclusive John Armstrong, acha- ram persuasivo o argumento de Grenz e Franke. Armstrong e' um escritor, conferencista e ex-pastor que, durante certo tempo, foi um defensor da teologia reformada e um estudioso dos avivamentos. O nome do seu ministério, Reforma e Avivamento, refietia isso. Mas, depois de ler Beyond Faundationalism, Armstrong escre- veu uma série de artigos em seu boletim informativo, declarando que havia mudado de opinião no tocante a várias questões vitais de doutrina - incluindo, entre outros assuntos, a fé e o entendimento, as ordenanças, a doutrina da revelação e a Cristologia. Dando crédito a Grenz e F ranke por terem-no ajudado a ver a luz, Armstrong escre- veu: “Por meio de uma reflexão mais profunda a respeito do método teológico, fui obrigado a abrir mão daquilo que chamo de certeza epistemológicaV E diz mais: "Os dogmáticos e mestres reformados, do lado conservador, buscam o conhecimento firme, inabalável e certo. .. John Franke sugere que a agenda empregada por esses teólogos 'gloriñca a razão e endeusa a ciência'. Mudei de opinião a respeito de como fazer teologia e confesso que agora concordo com a conclusão de Franke".3 s. Ibid. p. 3o. 6. "Uma teologia repleta de esperança se perde quando acompanha o sonho ilusório do fundamentalismo, que busca assegurar a sua própria certeza apelando para um alicer- ce antropológico supostamente inexpugnável. " (lbid. p 248.) 7. ARMSTRONG, John. "l-low I changed my mind: theological method" in Viewpoint. Sep- tember/ October 2003. p. 1. 8. lbid.
  27. 27. w A Cu¡ Iwux MI'. Yimvxri¡ Armstrong revela o quanto se afastou de seu ponto de partida, com a seguinte declaração: "Se existe algum fundamento na teologia cristã, e creio que deva existir, ele não se acha na igreja, nas Escrituras, na tradição, nem na cultura". As Escrituras não são o fundamento da doutrina cristã? Então, qual é esse fundamento? A resposta de Armstrong ecoa a tese central do livro Beyond Foundationalism: "Se precisamos falar em 'fundamentos' para a fé cristã e seu empreen- dimento teológico, então devemos falar somente a respeito do Deus trino e uno, revelado de forma polifônica por meio das Escrituras, da igreja e, até mesmo do mundo"? Armstrong faz um esforço desajeitado para dar algum crédito nominal às Escrituras, ao sugerir (numa linguagem que Karl Barth teria aplaudido) que nossa doutrina deve “estar sempre de acordo com o testemunho normativo da auto-revelação de Deus contida nas EscriturasÍw Deixando de lado o jargão e interpretando essa declaração com maior clareza, Armstrong parece estar reconhecen- do, pelo menos por um momento, que a revelação que Deus fez de Si mesmo, nas Escrituras, deve ser o padrão de comparação para medirmos todos os nossos pensamentos, crenças e ensinos a res- peito de Deus. Mas até esse petisco é arrancado num instante pela outra mão e rapidamente substituido por uma anti-hermenêutica, totalmente subjetiva, irracional e pós-moderna: “A teologia tem de ser uma humilde tentativa humana de 'ouvir a Deus' - e nunca uma maneira racional de lidar com textos bíblicos". “ Armstrong identifica a ilusão de muitos que estão sob o domív nio desse [suposto] erro, ao jactar~se de que sua reviravolta radical é a síntese da "humildade" e “a própria essência da liderança servilÍ" Em harmonia com essa mudança de opinião, Armstrong mudou o 9. Ibidp. 4. 1o. lbid. 11. Ibid. 12. Ibid. p. 1. A vrno mr POlJl-Í xOlBRI-W l'l-', )( . 'l . w so( IIZIJAIJE I>c'›. ~-. 1.; ¡›1-; u.. x› = : nome do seu ministério de "Reforma e Avivamento” para “Atos 3” - o que ressalta seu alvo de ser “missionário" no terceiro milênio. Nesse meio tempo, Armstrong emprega caricaturas e exageros para atacar as opiniões que ele mesmo defendera no passado. Ele alega que ouvia, “rotineiramente”, "cristãos pro- eminentes dizerem: 'Eu nunca mudei de opinião - nuncam. ” Armstrong PODEMOS SABER cita a Teologia Sistemática, de Wayne NADA COM QUALQUER Grudem, como um exemplo do ponto @RM DE CERTEZA de vista da “concordância” na teologia. Você reúne todos os versículos de de- terminado assunto, divide-os em grupos, coloca-os no devido lugar de seu sistema e, por fim, desenvolve (ou escreve) uma teologia, formal ou não. Essa teologia é, então, transferida, como se o próprio sistema contivesse, ou fosse, a verdade da parte de Deus”. “ Armstrong, Grenz, Franke e os pós-modernistas emergentes anuviaram a linha divisória entre a certeza e a onisciência. Parecem supor que, se não pudermos saber tudo com perfeição, não pode- remos saber coisa alguma com qualquer grau de certeza. Esse é um argumento atraente para a mente pós-moderna, mas está em com- pleto desacordo com o ensino das Escrituras: "Nós, porém, temos a mente de Cristo" (1 Co 2.16). Com isso, não estamos sugerindo que possuímos um conhed- mento exaustivo. Mas temos realmente um conhecimento infalível Os Pós-zuoDlsKivis-Trxs EMERcnNTEs EMBAÇAKAVH A LINHA DIVISÓRIA EN"l'Rlí A CERTEZA E A ovxnsmÊNcL-x. PARECEM SUPOR QUE, SE NÃO PODEMOS SABER TUDO com PERFEIÇÀO, NÃO 13. lbid. Num pmsseguimento deste assunto em seu blog, Armstrong assemelha os ais- tãos que têm "alto nível de certeza” aos ditadores ou tiranos. Esse artigo tem o título de 'Certitude Can Be ldolatrous', June 30, 2005. Disponivel em: httpz/ /johnarmsr trongxom. 14, lbid. p. 4.
  28. 28. - GI ›i<l( Prix Vinlum a¡ v- daquilo que as Escrituras revelam, à medida que o Espírito Santo de Deus nos ensina através da sua Palavra. "Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espirito que vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente" (1 Co 2.12). O fato de que o nosso conhecimento torna-se mais pleno e mais profundo - e que todos nós mudamos de opinião a respeito de algumas coisas, à medida que obtemos cada vez mais discernimento - não significa que tudo quanto sabemos seja incerto, obsoleto ou passível de uma revisão completa, de poucos em poucos anos. As pa- lavras de 1 João 220-21 são aplicáveis, em seu verdadeiro sentido, a todos os crentes: "E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento. Não vos escrevi porque não saibais a verdade; antes, porque a sabeis, e porque mentira alguma jamais procede da Verdade”. A mensagem que provém dos evangélicos pós-modernos é exatamente o oposto disso: eles consideram a certeza como algo su» perestimado. A certeza é arrogância. E melhor continuar mudando de opinião e manter a sua teologia em um estado de fluxo constante. Por semelhante modo, a antiga guerra pela verdade, que já du- rou várias eras, mudou-se exatamente para dentro da comunidade cristã; e a própria igreja tornou-se um campo de batalha - e, infe- lizmente, pouquíssimos na igreja hoje estão preparados para a luta. A uIIIzRItA NA l(3lil”. _I. ~ Esta não é, de modo algum, a primeira vez que a guerra pela verdade se introduziu na igreja. lsso tem acontecido em todas as principais épocas da história da igreja. As batalhas pela verdade têm se intensificado na comunidade cristã desde os tempos dos apóstolos, quando a igreja estava apenas começando. Na realidade, o relato das Escrituras indica que os falsos mestres, na igreja, logo se tornaram um problema significativo e amplamente difundido aonde quer que o evangelho chegasse. Quase todas as principais epistolas do Novo A lÍRllAHlí PODE S()1illl-Íl/ l'RÍ| |!l. Qülillill/ DIÉ I'('))9r: IOI, )El(l Í/ "x-i Testamento abordam esse problema, de uma maneira ou de outra. O apóstolo Paulo estava sempre envolvido numa batalha contra as mentiras dos "falsos apóstolos, obreiros fraudulentos”, que se transformavam em apóstolos de Cristo (2 Co 11.13). Paulo disse que isso era de se esperar. Añnal de contas, essa é uma das estratégias prediletas do Maligno: "E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça" (vv. 14-15). Seria uma ingenuidade deliberada negar que isso possa acontecer em nosso tempo. De fato, isso está acontecendo em grande escala. O tempo presente não é favorável a que os cristãos flertem com o espírito da época. Não podemos ser apáticos quanto à verdade que Deus nos confiou. Nosso dever é guarda-la, proclama-la e transmiti-la à geração seguinte (1 Tm 620-21). Nós, que amamos a Cristo e cremos na verdade O CLIMA ATUAL DO PÓS-MODERNISMO REPRESENTA, REALMENTE, UMA VITRINE ! MARAVILHOSA DE OPORTUNIDADES PARA A IGREJA DE JEsUs CRISTO. A ARROGÂNCIA QUE DONlINAVA A ERA IVIODERNA ESTÁ EM sUAs AGONIAS DE MORTE. O MUNDO, EM sUA MAIOR PARTE, FOI APANHADO DESILUSÃO E CONFUSÀO. As . EssoAs SENTEB/ l- so INSEGURAS A RESPEITO DE QUASE TUDO E NAO SABEM QUE RUMO TOMAR EM BUSCA DA VERDADE. incorporada nos ensinos dEle, precisamos ter plena consciência da realidade da batalha, a qual tem se tornado intensa ao nosso redor. Devemos cumprir nosso papel na guerra pela verdade, que já dura muitas eras. Temos a obrigação sagrada de participar da batalha e lutar pela fé. Num sentido restrito, a idéia motriz por detrás do movimento da Igreja Emergente está correta: o clima atual do pós-modernismo representa, realmente, uma vitrine maravilhosa de oportunidades

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