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XI Fórum Nacional Oncoguia - Folha de S.Paulo

Oncoguia
Oncoguia

XI Fórum Nacional Oncoguia tem caderno especial na Folha de S.Paulo

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a eee a eee SEGUNDA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2021 A13
A12 SEGUNDA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2021
O CÂNCER NO
BRASIL E NO MUNDO
Uma em cada três pessoas
desenvolverá câncer ao longo da vida
Brasil
•País deve
registrar cerca de
625 mil novos casos de
câncer para cada ano do
triênio 2020/2022,
segundo o Inca
(Instituto Nacional
de Câncer)
•280 mil
mortes
por ano
Mundo
•Cerca de 10 milhões
de mortos por ano
•Estimativa de 60%
de crescimento no
número de casos nas
próximas duas
décadas
•81% desses novos
casos ocorrerão em
países de baixa e
média renda, onde as
taxas de
sobrevivência
são as mais baixas
•Previsão para 2030
é de 27 milhões de
casos e 17 milhões de
mortes, segundo a
Organização Mundial
da Saúde (OMS)
Próstata
Cólon e reto
Pulmão
Estômago
Cavidade oral
Esôfago
Bexiga
Linfoma não Hodgkin
Laringe
Leucemias
Mama
Intestino
Colo de útero
Pulmão
Tireoide
Estômago
Ovário
Corpo do útero
Linfoma não Hodgkin
Sistema Nervoso Central
OS TIPOS DE CÂNCER MAIS
FREQUENTES NO BRASIL
Homens* Mulheres**
Localização primária / nº casos % Localização primária / nº casos %
65.840 66.280 29,7
20.470 9,2
16.710 7,5
12.440 5,6
11.950 5,4
7.870 3,5
6.650 3
6.540 2,9
5.450 2,4
5.230 2,3
29,2
9,1
7,9
5,9
5,0
3,9
3,4
2,9
2,9
2,6
20.540
17.760
13.360
11.200
8.690
7.590
6.580
6.470
5.920
* Câncer de pele não melanoma 27,1% ** Câncer de pele não melanoma 29,5% Fonte: Inca
APRESENTA
11º Fórum Oncoguia reuniu especialistas
e representantes da sociedade para
discutir políticas de saúde em oncologia
Evento discute equidade,
empatia e justiça para
pacientes de câncer
U
ma em cada três pessoas
queestãolendoessarepor-
tagemdesenvolverácâncer
aolongodavida.Aboanotíciaéque
amaioriateráchancedesercurada.
“Odiagnósticodecâncernãoémais
umasentençademorte.Elesignifi-
caumafasenavidadapessoa.E hoje
existeminúmerasferramentaspara
que o paciente enfrente essa fase e
essa doença da melhor forma pos-
sível”,afirmaLucianaHoltz,funda-
dora e presidente do Instituto On-
coguia, ONG de informação, apoio
e defesa dos direitos dos pacientes
com câncer.
Segundo Luciana, entre as fer-
ramentas que farão a diferença no
enfrentamentodeumcâncerestão
a informação de qualidade, a rela-
ção médico-paciente, a postura da
pessoa diante da doença, o aces-
so rápido ao tratamento certo pa-
raaqueletipodecâncer,oapoiode
umaequipemultidisciplinaretam-
bém de uma ONG e, muito impor-
tante, a garantia de que o diagnós-
tico seja precoce.
Aschancesdesuperarumcân-
cerdependemdafaseemqueado-
ença é diagnosticada: quase 9 em
cada 10 pacientes terão um bom
prognóstico se o tumor for detec-
tadonosestágiosiniciais.Masesse
número cai para apenas 1 em cada
4 se o diagnóstico ocorrer em es-
tágios avançados.
A demora no diagnóstico e o
atraso para iniciar o tratamento
estão entre os principais proble-
mas enfrentados pelos pacientes
de câncer no Brasil. Daí a impor-
tânciadotemado11ºFórumOnco-
guia—FórumNacionaldePolíticas
de Saúde em Oncologia On-line:
Equidade, Empatia e Justiça.
Lucianacontaqueotemanas-
ceu quando analisavam a progra-
mação do fórum. “Tínhamos uma
listadosprincipaisproblemasen-
frentados pelos pacientes e dos
temas discutidos pela oncologia
moderna.Saltaramaosolhosaim-
portância de falarmos das desi-
gualdades, da necessidade de um
cuidado mais empático e de polí-
ticasquevalorizemopaciente,sua
história, seus valores.”
Jarbas Barbosa, subdiretor da
Organização Pan-Americana da
Saúde,afirmaque“ocânceréado-
ençadasdiferenças”.Diferençasnão
apenasbiológicas(delocalização,ti-
posdecélulas,origensmoleculares,
genéticas e epigenéticas e respos-
tas aos tratamentos), mas sociais.
“A incidência e a mortalidade
doscânceresrefletemasituaçãoso-
cial, econômica e de acesso. Daí a
importância de identificar as bar-
reiraseosgruposmaisvulneráveis,
implementarestratégiasadequadas
eintegraraprevençãoeasaçõesde
diagnósticoprecocenaAtençãoPri-
mária à Saúde”, conclui.
Essecenáriooncológico,quejá
era complicado, piorou durante a
pandemia. “Não dá para enfrentar
uma situação dessas sem eficiên-
cia prévia. A crise sanitária mostra
a fraqueza e a ineficiência do sis-
tema de saúde”, disse o ex-minis-
trodaSaúdeNelsonTeich.“Aefici-
ênciaéumprocessoativo,quetem
que serconquistado.”
Teich citou sete pontos funda-
mentaisparaatingiraeficiênciaem
saúde:estratégia,planejamento,li-
derança, coordenação, capacidade
deexecução,boacomunicaçãoeboa
qualidade de informação.
O fórum destacou também os
tratamentos de ponta para o cân-
cer e a necessidade de incorpora-
çãodenovastecnologiasemsaúde.
A oncologia passou por uma
verdadeira revolução nas últimas
décadas.Aciênciamostrouquenão
setratade umadoençaúnica, mas
de várias, complexas e com mui-
tas facetas, que requerem cuida-
do especializado e personalizado.
“Sabemos que os câncerestêm
nome, sobrenome e apelido, daí a
importânciadamedicinapersona-
lizada. Não basta o diagnóstico pa-
tológico:precisamosdodiagnóstico
molecularparasaberqualodetalhe
dotipo de câncer. E isso é um divi-
Risco de adiar diagnóstico e tratamento
é maior que o de contrair a Covid-19
A Covid-19 teve enorme im-
pactonadetecçãoetratamentodo
câncer. O foco na novadoença e o
medodaspessoasdeiremahospi-
taiseclínicasfizeramcairemmais
de 50% os exames para detecção
docâncerdeúteroeem48%osde
mama,nacomparaçãoentremar-
çoedezembrodoanopassadoeo
mesmo período de 2019, segun-
dooRadardoCâncer,criadopelo
Oncoguia(radardocancer.org.br).
“Já estamos sentindo o refle-
xodessesatrasos”,afirmou Rafael
Kaliks,diretorcientíficodoOnco-
guia.“Ocâncerdiagnosticadomais
tarde, em estágio mais avançado,
significa tratamento mais caro e
agressivoemenoschancedecura.”
ParaPauloHoff,presidentedo
ConselhoDiretordoIcesp,noiní-
cio da pandemia, nem os médi-
cosimaginavamquedurariatanto
tempo. Por ser uma doença nova,
tambémhaviapoucainformaçãoa
respeito.“Enfrentamosumdilema
em relação ao risco de atraso nas
consultas, exames e tratamentos
versus o risco de exposição à Co-
vid-19. Mas logo ficou claro que o
riscodaexposiçãoaovírusésigni-
ficativamente menor do que o de
atrasaro tratamento”, disse.
Nesse contexto, ele reforçou
a importância da criação de áreas
seguras nos consultórios ehospi-
tais,comprotocolosdeseparação
defluxosepacientes,arevisãodos
protocolosdeacompanhamentoe
asubstituiçãodepartedasconsul-
tas presenciais porteleconsultas.
Gelcio Mendes, diretor-geral
substituto e coordenador de as-
sistência do Instituto Nacional de
Câncer (Inca), falou sobre o que
considera ações de prioridade
imediata para o combate ao cân-
cer no SUS. “É urgente a retoma-
dados procedimentos de rastreio
eaincorporaçãodosprotocolosde
segurança para as cirurgias, com
testagem de pacientes e ambien-
teslivres de Covid.”
Osespecialistasvêemosavan-
ços com a telemedicina como um
legado positivo. “É uma grande
oportunidade para reduzir o gar-
galodasconsultas,emespecialpa-
rapacientesemacompanhamento
da doença”, afirmou Mendes.
sor de águas importantíssimo na
vidadopaciente:éoquevaidefinir
o melhortratamento”, diz Luciana.
Hoje,osespecialistasfalamca-
davezmaisemcuraparaalgunsti-
posdecâncerenapossibilidadede
transformar o câncer em uma do-
ençacrônica,emqueopacientevi-
vemaisecomqualidade.Masquais
aschancesdeissoserumarealidade
no Brasil? Essae outras discussões
deram atônicado evento.
“Ofóruméumeventopúblicoe
gratuito,umaformaqueoOncoguia
criouparadarvisibilidadeediscutir,
comespecialistasecomasocieda-
de,osprincipaisproblemasenfren-
tadospelospacientescomcâncer.E
buscar,emconjunto,soluçõessus-
tentáveis” , afirma Luciana.Acesse
em oncoguiaeventos.org.br/
Segundo ela, as pessoas ainda
têm uma visão muito estigmatiza-
da do câncer. “Elas pensam na do-
ençacomoalgodistante,quenãovai
acontecer.Masaestimativaéqueos
casosaumentemmuitoequeado-
ençaseaproximeaindamaisdeto-
dosnós.E,quantomaispreparados,
melhor a enfrentaremos. O acesso
à informação de qualidade é uma
ferramenta importante diante de
umdiagnósticodecâncer”,conclui..
O Oncoguia apoia, ouve e aco-
lhe os pacientes com câncere seus
familiares. A ONG reúne as histó-
rias dessas pessoas para entender
melhoros problemas dos sistemas
desaúdepúblicoeprivadoe,dessa
forma, organizar e liderar iniciati-
vas que representem avoz dos pa-
cientes e defendam seus direitos,
focando e buscando melhorias pa-
raaspolíticaspúblicasdeoncologia.
LEIA MAIS EM estudio.folha.
com.br/oncoguia
Luciana Holtz, presidente do Oncoguia, durante o fórum
Associações pedem
que leis que agilizam
exames e tratamentos
sejam cumpridas
Legislação determina até 30 dias para realização da biópsia
e até 60 após o diagnóstico para início do tratamento
V
ocê sabe o que é a jorna-
da de um paciente com
câncer? Segundo Lucia-
na Holtz, fundadora e presidente
do Instituto Oncoguia, trata-se de
um conceito que situa e organiza
todas as etapas no enfrentamento
deumadoença.“Elaajudaaenten-
dero passo apasso, mastambém a
identificarosprincipaisproblemas
e barreiras.”
SegundoLuciana,ajornadaide-
alcomeçacomumapessoaquetem
o compromisso diário de manter
sua saúde em ordem. Para isso, é
fundamentaladotarhábitossaudá-
veis,comopraticaratividadefísica,
terumaalimentaçãosaudável,con-
trolaroexcessodepeso,nãofumar
erealizarexamesmédicosperiódi-
cos de acordo com a idade.
Para os cerca de 70% da popu-
lação brasileira que dependem ex-
clusivamente do Sistema Único de
Saúde,oacompanhamentoeama-
nutenção da saúde devem ser fei-
tosnasUnidadesBásicasdeSaúde.
Nessaprimeiraparte dajorna-
da,odestaqueficaparaaimportân-
cia da lei dos 30 dias (n° 13.896/19).
Sancionada em 2019, ela assegura
a pacientes do SUS com suspeita
de câncer o direito à realização de
examesdiagnósticosnoprazomá-
ximo de 30 dias. Essa é a teoria. Na
prática,opacienteenfrentainúme-
ras barreiras.
Daniele Castelo Branco, ges-
tora da Associação Nossa Casa,
explicou que essa lei foi criada
paratentardiminuiro tempo en-
tre a consulta com o especialista
e a biópsia, para que os pacien-
tes tenham acesso ao diagnósti-
coemtempohábildecomeçarum
tratamento bem-sucedido. “Mas
há um gargalo enorme no SUS. O
paciente passatanto tempo entre
a consulta com o especialista e a
biópsia que, quando tem o diag-
nóstico, a doença está em está-
gio avançado.”
Daniele citou algumas das di-
ficuldades enfrentadas. Se o pa-
ciente, porcontadas filas naUBS,
tem o resultado do exame altera-
do a partir de uma clínica popu-
lar, porexemplo, tem quevoltarà
UBS e começar o processo do ze-
ro. Outro problemaé afaltade in-
tegração entre a atenção primá-
ria (UBS) e a secundária (AME). “A
pandemia atrasou ainda mais es-
sa jornada. Piorou uma realidade
que já não era boa”, disse.
Vencida a etapa do diagnós-
tico, o primeiro tratamento (ci-
rurgia, quimioterapia ou radio-
terapia) deveria ser definido de
forma personalizada pelo onco-
logista e começar o quanto an-
tes. “Não é o que acontece, daí a
importância dalei dos 60 dias (n°
12.732/12), de maio de 2013, que
garante ao paciente com câncer
o direito de iniciar o tratamento
no SUS em, no máximo, 60 dias
após o diagnóstico da doença”,
afirmou Daniele.
“A demoranodiagnóstico im-
pactanotratamentocomoumto-
do”,disseLeoniM.Simm,sociólo-
gaepresidentevoluntáriadaAmor
eUniãoContraoCâncer(AMUCC).
Elalistouosprincipaisdesafiosdo
acesso ao tratamento: demora no
diagnóstico,o cânceré descober-
toemestágiosavançados,gerando
maiores gastos e menores chan-
ces de cura; erros no encaminha-
mentodopacienteeproblemasna
classificação no Sisreg, o sistema
de regulação do SUS para solici-
taçãodeexameseprocedimentos
de médiae altacomplexidade; fa-
lhas no acesso ao gerenciamento
defilas;demoranoiníciodotrata-
mento de pacientes graves; e falta
de medicamentosessenciaispara
o tratamento do câncer, gerando
interrupção do tratamento.
MerulaSteagall,presidenteda
Associação Brasileira de Linfoma
eLeucemia(Abrale)eidealizadora
do MovimentoTodos Juntos Con-
tra o Câncer (TJCC), finalizou a
discussão lembrando da impor-
tânciado empoderamento do pa-
ciente, que deve estar informado,
atento e ser persistente na bus-
ca por seus direitos e para tentar
acelerar os processos.
Quandoapessoapercebealgum
sinal ou alteração no corpo (como
um caroço no seio) ou recebe o re-
sultado de um exame alterado, ela
deve ser encaminhada a um mé-
dico especialistanosAmbulatórios
MédicosdeEspecialidades(AMES),
para avaliação ou exames comple-
mentares, como biópsia.
“Abiópsiavaiconcluiraprimei-
raetapadodiagnóstico,informan-
doseotumorébenignooumaligno.
Eéimportantesaberseessecâncer
estáemestágioinicialouavançado”,
disse Luciana.
JORNADA IDEAL
DO PACIENTE
COM CÂNCER
Hábitos saudáveis
que contribuem para
a prevenção do câncer
•Alimentação equilibrada,
rica em frutas e legumes
•Prática regular
de atividade física
•Não fumar
•Baixo consumo de álcool
•Exames periódicos
•Ida ao médico
generalista para
manutenção da saúde
Consulta
ao médico
especialista
diante de sinal
ou sintoma
ou exame
alterado
Diagnóstico
Biópsia e exames
complementares
para saber o
estágio do
câncer (inicial
ou avançado)
e definição do
tratamento
correto
Primeiro
tratamento
•Cirurgia?
•Quimioterapia?
•Radioterapia?
Outros tratamentos
•Radioterapia?
•Terapia-alvo?
•Imunoterapia?
A partir do
diagnóstico,
sempre considerar
necessidade de
equipe multidisciplinar
com nutricionista,
fisioterapeuta,
psicólogo e
ou paliativista
Manutenção/
controle
da doença
•Reabilitação
•Cuidados de
final de vida
•Linha do cuidado
deve ser ágil,
transparente,
regulada
EVOLUÇÃO NO
TRATAMENTO
DO CÂNCER
Radioterapia
Após as
descobertas de Marie
Curie, a radiação passa
a ser utilizada para
reduzir tumores
Quimioterapia
Drogas são
usadas para destruir
células cancerosas.
Como são inespecíficas,
atacam também células
saudáveis e provocam
efeitos colaterais
Terapia-alvo
Drogas conseguem
reconhecer e atacar apenas
as células cancerosas. Mais
efetividade e menos efeitos
colaterais
Imunoterapia
Caminho para a medicina
mais personalizada. Drogas
estimulam o sistema imunológico
para que ele combata a doença
Multidisciplinaridade
Cabe ao médico definir a
combinação de múltiplas terapias
para obter maior sucesso
APRESENTA
Ateliê de produção de conteúdo para estratégia de marcas e mercado publicitário em todas as plataformas |
Avanços buscam tornar
o câncer tratável como
outras doenças crônicas
Terapiasinovadorascontraocâncer
melhoramqualidadedevidadopaciente
P
oucas áreas damedicinae
da farmacologia têm evo-
luídotantocomoadostra-
tamentos do câncer. Prevenção
e precocidade nos diagnósticos
continuam a ser fatores funda-
mentais e, nos casos de doença
metastática,acombinaçãodete-
rapias tem contribuído para que
ospacientesvivampormaistem-
poecomqualidadedevida,como
acontece comportadoresdedo-
enças crônicas como ahiperten-
são arterial controlada.
Nessa combinação podem
entrar cirurgias, radioterapia,
quimioterapiatradicionaleabor-
dagensmaisrecentes,comotera-
pia-alvo e imunoterapia.
“Arealidadedocâncermetas-
tático[queseespalhouparavários
órgãos] não é como antes. Com
drogas menos tóxicas, é possível
segurar a evolução da doença e
garantir qualidade de vida. Con-
seguimostrataressepacienteco-
moodeumadoençacrônica,que
convive com o problema e tem
muita qualidade de vida”, afirma
Gabriela Prior, diretora médica
da Daiichi Sankyo Brasil.
Aponte a câmera
do celular para
saber mais sobre
a Daiichi Sankyo...
...e sobre as
pesquisas em
oncologia
A Daiichi Sankyo é uma indús-
tria farmacêutica global que nas-
ceu no Japão e hoje está presente
em 24 países. “Com mais de cem
anosdeexpertisecientífica,aDaii-
chi Sankyo atua em pesquisa e de-
senvolvimento de forma colabora-
tiva sob estratégias unificadas. Em
2016, estabelecemos a nossa Visão
2025deserumaempresafarmacêu-
ticaglobalinovadoracomvantagem
competitiva em oncologia. Assim,
focamos globalmente em acelerar
pesquisas no desenvolvimento clí-
nico de novos tratamentos onco-
lógicos. Com 14 centros de pesqui-
sa e desenvolvimento em 8 países,
construímosrelacionamentossus-
tentáveiscominstituiçõeseempre-
sas parceiras por meio de alianças
abertas, paramaximizaros apren-
dizados e os pontos fortes de ca-
da um. No Brasil, estamos engaja-
dosemtrazernovosestudos-além
deexpandirosemandamento-em
renomadas instituições focadas no
tratamentodocâncer,visandome-
lhoraraqualidadedevidaeoferecer
novasoportunidadesaospacientes”,
afirma Gabriela
Ocânceréresultadodeumadi-
desparaalgumasneoplasiasem
fasesmaisavançadas,como,por
exemplo, algunstipos de câncer
de mama”, afirma Gabriela.
ADC é a sigla em inglês pa-
ra conjugado anticorpo-droga.
É umaterapia personalizada que
usa um biomarcador como alvo
para o tratamento. É conhecida
entre os médicos como uma es-
tratégia Cavalo de Tróia, porque
o anticorpo carrega dentro dele
uma droga que só vai ser ativada
quando o anticorpo seligar à cé-
lula doente.
Já disponível para alguns ca-
sosnoBrasil,oADCpoderevolu-
cionar a jornada do paciente on-
cológicometastático,melhorando
a qualidade de vida e prolongan-
do a sobrevida significativamen-
te. “É uma inovação tecnológica
personalizada sendo usada para
tratar pacientes com câncer de
modo eficaz, associada a menos
eventosadversosdebilitantes,tão
ruinsparaavidacotidianadeles”,
afirma Gabriela.
1-uicc.org/news/globocan-2020-new-global-cancer-data
visão e multiplicação descontrola-
da de células. Para manter o corpo
funcionando, trilhões de células se
dividem e se multiplicam, em um
processo contínuo de renovação.
Quando ocorre um descontro-
le nesse processo, pode se formar
um tumor, que será maligno se ti-
veracapacidadedeseespalharpara
tecidospróximos,emumprocesso
denominado infiltração, ou atingir
outros órgãos, a metástase.
O câncer é uma das principais
causasdemortenomundo,sendo
responsável por quase 10 milhões
de vítimas em 20201
.
Atendência, nagrande maio-
ria dos casos, é de o câncer se es-
palhar por todo o corpo, se não
fortratado. “As pesquisas sempre
se direcionam na busca de novas
opções de estratégias terapêuti-
cas. Mais recentemente, os ADCs
representam uma dessas novida-
Ilustrações Henrique Assale
a eee
A14 SEGUNDA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2021
TRATAMENTOS DE
PONTA NO COMBATE
AO CÂNCER
Terapia-alvo
Teste genético identifica
o gene em mutação, e o
paciente recebe um ou mais
medicamentos que atuam
diretamente nas células
cancerosas. Os efeitos colaterais,
quando ocorrem, são menos
frequentes que os associados
à quimioterapia
convencional
Imunoterapia
Medicação ativa o sistema
imune e estimula as células de
defesa do organismo a
reconhecer o tumor como um
agente agressor e combatê-lo.
Indicado principalmente nos casos
que o sistema imune não
identifica as células tumorais
(ou quando elas se
multiplicam rápido
demais)
Terapia celular
Propõe modificar as
células do sistema imune — os
linfócitos T — para que
reconheçam uma proteína
específica presente no tumor. O
processo é complexo, pois requer a
remoção de células do paciente, o
“treinamento” e a adaptação
delas para que
ataquem o câncer
Hormonioterapia
Propõe a diminuição
do nível de hormônios ou
o bloqueio da ação deles
nas células tumorais. Mais
indicada para o tratamento
de cânceres de mama e
de próstata
Radioterapia
de precisão
Aperfeiçoamento dos
equipamentos e da
metodologia permite
atingir mais diretamente o
tumor, com menos
efeitos colaterais
Avanços em exames
e tratamentos
revolucionam luta
contra o câncer
Imunoterapia e terapia-alvo agem de forma mais
precisa; especialistas ressaltam importância de terapias
estarem disponíveis no SUS e na saúde suplementar
APRESENTA
“
O mais importante para o
paciente com cânceré saber
queestárecebendoomelhor
tratamento que existe para a sua
doença”, disse o oncologista Rafa-
el Kaliks, diretor científico volun-
tário do Oncoguia, durante debate
no 11º Fórum Nacional de Políticas
de Saúde em Oncologia.
Vinte anos atrás, testes de
DNA, estudos de genômica e se-
quenciamento genético faziam
parte de um futuro que parecia
distanteeinacessível.Nãomais.O
mapeamento do Genoma Huma-
no em 2003 provocou uma revo-
luçãodoconhecimentobiológico,
easdescobertasdecorrentespos-
sibilitaram entender, entre tan-
tas coisas, a origem dos tumores.
Sabercomo um câncerse ini-
cia aumenta as chances de des-
truí-lo de forma mais eficiente,
direcionando medicamentos e
tratamentos para alvos específi-
cos das células tumorais. Essa é a
base da oncologia de precisão. Na
prática, integra dados da biologia
molecular à evolução clínica e à
respostaaotratamento,permitin-
doreconhecercaminhosmaisefi-
cazes e menos tóxicos para com-
bater o câncer de acordo com o
perfil molecular do tumor.
A imunoterapia, que estimu-
la o nosso próprio sistema imune
a reconhecer o câncer e combatê-
-lo,estánocentrodosholofotesda
oncologia moderna, assim como a
terapia-alvo,queatacadiretamente
ascélulascancerosas(vejaquadro).
Esses tratamentos revolucio-
nários agem de formamais preci-
sa, oferecendo melhores resulta-
dos com menos efeitos colaterais.
“Nos Estados Unidos, a mortali-
dade porcâncerestácaindo, ape-
sar de o número de casos estar
estável ou subindo. Isso aconte-
ce porque as novas terapias es-
tão salvando vidas em uma pro-
porção incrível”, afirmou Kaliks.
Segundo o oncologista, esses
medicamentos estão prolongando
a vida, com qualidade, de pacien-
tescomtiposgravesdecâncer,co-
mo o de pulmão e os melanomas
metastáticos.
Sergio Simon, oncologista clí-
nico do Grupo Oncoclínicas e do
Hospital Israelita Albert Einstein,
concordou. “As terapias mais mo-
dernasdecombateaocâncer,quan-
donãooferecemacuraouremissão
dadoença,aumentamasobrevidaa
pontodeocâncervirarumadoença
crônica, em que o paciente, medi-
cado,leva umavida normal”, disse.
wSegundo Simon, os efeitos
colaterais desses medicamen-
tos são, em geral, manejáveis, e
a qualidade de vida do paciente
é mantida. A questão é a dificul-
dade de acesso da população, li-
mitada pelos altos custos.
“Não basta ser eficaz, tem que
estar disponível”, afirmou Kaliks.
Como o custo desses tratamentos
é alto, nem todos foram incorpo-
rados no rol da Agência Nacional
de Saúde Suplementar(ANS), com
cobertura pelos planos de saúde,
e muito poucos estão disponíveis
no Sistema Único de Saúde (SUS),
que atende cerca de 70% da popu-
lação brasileira.
“Hácasos em que aincorpora-
ção do medicamento é aprovada,
mas a verba não é liberada para a
compra”, disse.
A falta de recursos não é o
único problema. Segundo Kali-
ks, a existência de duas agências
regulatórias (a ANS para a saúde
suplementar e a Conitec, Comis-
são Nacional de Incorporação de
Tecnologias, para o SUS) também
atrapalha.“Umaagênciaúnicase-
riaum passo importante parade-
mocratizar o acesso da popula-
çãoaessestratamentos”,concluiu.
Parcerias tentam reduzir desiguldades
regionais que afetam acesso à saúde
Patologia
tem papel
fundamental
Adificuldadedeacessoaodiag-
nósticoeatratamentosoncológicos
noBrasilvaimuitoalémdosexames
eterapias de ponta. Enquanto cer-
cade60%dospacientescomcâncer
jáfizeramouvãoprecisardetrata-
mentocomradioterapiaemalguma
fasedadoença,háumaconcentra-
ção dos equipamentos nas regiões
SuleSudeste,enquantofaltammá-
quinasnasregiõesNorteeNordeste.
“75% das regiões de saúde do
Brasil não têm equipamento de
radioterapia. Isso implica o deslo-
camento dos pacientes para trata-
mento”, afirmou Marcus Castilho,
presidente da Sociedade Brasilei-
ra de Radioterapia (SBRT).
Apandemiasóaumentouogar-
galo, e não apenas para a radiote-
rapia. Segundo Alexandre Ferreira
Oliveira, presidente da Sociedade
Brasileira de Cirurgia Oncológica,
entre abril e julho de 2020, houve
reduçãode70%nopercentualdeci-
rurgiasoncológicasnosistemapú-
blico de saúde. “Vale lembrar que
59% dostumores iniciais sãotrata-
dosapenascomcirurgia”,afirmou.
Aparceriapúblico-privadapo-
deserumaestratégiaparaampliaro
acesso e diminuiros gargalos.
Gonzalo Vecina, professor da
FaculdadedeSaúdePúblicadaUSP
e ex-presidente da Anvisa (Agên-
cia Nacional de Vigilância Sanitá-
ria)apresentou,duranteofórumdo
Oncoguia,oTodosPelaSaúde.Cria-
doemabrilde2020,oprogramafoi
umainiciativadoItaúparaatuarno
combateàpandemiaecontoucom
um time dos maiores especialistas
em saúde do país.
As ações incluíram ampliação
da capacidade de hospitais, com-
pra de insumos estratégicos e tes-
tagem populacional. Em fevereiro
deste ano, o Todos pela Saúde tor-
nou-se um instituto com a missão
de contribuir para o fortalecimen-
to e a inovação na área de vigilân-
cia em saúde no Brasil.
Luiza Trajano, presidente do
ConselhodeAdministraçãodoMa-
gazine Luiza e CEO do Grupo Mu-
lheresdoBrasil,apresentouomovi-
mentoUnidosPelaVacina,quevisa
facilitaravacinaçãocontraaCovid.
“O movimento atua em diver-
sas frentes, mas principalmente
junto aos quase 5.600 municípios
doBrasil,facilitandoaaquisiçãode
insumos como seringas e agulhas,
reformando postos de saúde e for-
necendo infraestrutura para a va-
cinação, inclusive notebooks pa-
rafacilitaraconexão ao sistemade
saúde”, disse a empresária.
O Grupo Mulheres do Brasil
contacom quase 100 mil mulheres
com o objetivo de criar um enga-
jamento político e suprapartidário
em busca de melhorias para o pa-
ís. Luiza Trajano se colocou à dis-
posição, em nome do grupo, para
desenvolver projetos com o Onco-
guia em prol do combate ao cân-
cerno Brasil.
O tratamento correto de um
câncer se dá a partir do diagnósti-
co preciso. Parece óbvio, mas pou-
co se fala do papel imprescindível
do patologista nesse processo. Ele
éoresponsávelpelodiagnósticodo
tumor, com tipo e subtipo.
Masháfaltadelaboratóriosede
profissionais no Brasil, e eles estão
mal divididos. “São 6.000 labora-
tórios no Brasil, sendo que apenas
cerca de 2.000 atendem o Sistema
ÚnicodeSaúde(SUS).Issoacontece
porque a remuneração é defasada.
OrepassedoSUSnãocobrenemos
custosdotrabalho”, afirmou Kátia
Leite,presidentedaSociedadeBra-
sileira de Patologia (SBP). Segundo
ela, por conta da baixa remunera-
ção,faltampatologistas.“Menosde
2% dos médicos formados querem
fazeressa especialização.”
Todo diagnóstico de câncer
passa pela biópsia: parte do tumor
é retirada, e o médico patologista,
apósanalisaromaterial,redigeum
laudo anatomopatológico, que au-
xilia na definição do melhor trata-
mentopelooncologista.Pormeioda
biópsiaedeoutrosexamesrealiza-
dospelopatologista,comooestudo
imuno-histoquímico paraadeter-
minaçãodosreceptoreshormonais,
é possível indicar o melhortipo de
medicação.
a eee SEGUNDA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2021 A15
Câncer
câncer
de mama
Aréola
da mama
Papila
da mama
Lobos da
glândula
mamaria
HER2
Tumores mais agressivos,
que necessitam mais
precocemente de tratamento
com quimioterapia
e anticorpos monoclonais,
além da cirurgia
Representa
15% a 20%
O câncer de
mama também
acomete homens,
porém é raro,
representando
apenas 1% do
total de casos
da doença.
ESTIMATIVAS2
-39,1
-16,2
-5,24
-0,22
-49,1
Para 2020
Novos casos Mortalidade
66.280
30%
outros
tipos
70%
18.295
Em milhões
No mundo
Impacto da Covid e a prevenção
Incidência
(2020)
Prevalência
(Últimos
5 anos)
Mortalidade
(2020)
25
50
75
100
Queda em % no número de procedimentos
2019 2020
Fontes:
1. Instituto Nacional de Câncer (https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama)
2. Radar do Câncer: http://radardocancer.org.br/ e Instituto Oncoguia:
http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tipos-de-cancer-de-mama/1382/34/
O câncer de mama é uma doença causada
pela multiplicação desordenada de células da
mama. Esse processo gera células anormais
que se multiplicam, formando um tumor
O QUE É?1
CÂNCER DE MAMA É O MAIS
COMUM ENTRE AS MULHERES
% aproximada
do total de
diagnósticos
CASOS DE ALTA
COMPLEXIDADE
cirurgias eletivas
quimioterapia para
novos pacientes
radioterapia para
novos pacientes
biópsias
mamografias
Mamografia é o exame
mais indicado para o
diagnóstico da doença
7,79
2,26
0,684
Cerca de 30% das pacientes
diagnosticadas em estágio
inicial, mesmo passando por
tratamento prévio e cirurgia,
podem apresentar doença
residual invasiva.
São as chamadas pacientes
de alto risco, que precisam de
acompanhamento e cuidados
adequados para reduzir as chances
de o câncer se tornar metastático
APRESENTA
Ateliê de produção de conteúdo para estratégia de marcas e mercado publicitário em todas as plataformas |
M-BR-00004013
Especialistas alertam sobre os
riscos do diagnóstico tardio e da
falta de atendimento adequado nos
diferentes estágios da doença
PANDEMIAAFETA
MULHERESCOM
CÂNCERDEMAMA
A
pandemia de Covid-19
trouxe sérios impac-
tos em relação ao atra-
so de diagnóstico e tratamento
de pacientes com câncer no Bra-
sil. Dados do Radar do Câncer,
ferramenta criada e mantida pe-
lo Instituto Oncoguia, apontam
que as mamografias, exame de
rastreamento fundamental para
o diagnóstico precoce do câncer
de mama, registraram uma que-
da de quase 50% em 2020 em re-
lação a 2019. Já o número de ci-
rurgias eletivasparaotratamento
da doença caiu 16%.
O cenário preocupa os espe-
cialistas, que alertam para os ris-
cosdeodiagnósticoacontecerem
estágio muito avançado e da in-
terrupção do tratamento, espe-
cialmente para as pacientes de
alto risco. O mastologista Fran-
cisco Pimentel, do Hospital Ge-
ral de Fortaleza, explicaque cerca
de 30% a 40% das mulheres com
câncerde mamasão diagnostica-
das com tumor avançado ou com
tumores de biologia mais agres-
siva, os chamados HER2 e triplo
negativo, que têm uma capacida-
de maiorde se multiplicare de se
tornar metastático.
A pandemia de Covid-19, se-
gundo ele, não dificultouapenas a
detecção precoce da doença, mas
também o início e a manutenção
do tratamento, conforme orien-
tado pelo médico. No ano pas-
sado, boa parte dos serviços de
saúde interromperam os aten-
dimentos eletivos. Com os hos-
pitais sobrecarregados, também
houve a recomendação de adia-
mento das cirurgias eletivas, co-
mo a do câncer.
“A pandemia provocou uma
sobrecarga do sistema hospita-
lare a retenção deleitos paratra-
tamento de pacientes com Covid
impactou várias outras doenças,
entre elas, o câncer. Tivemos e
ainda temos muita dificuldade
para internar pacientes onco-
lógicos para fazer cirurgia. Is-
so impacta diretamente o tra-
tamento de muitas pacientes,
principalmente as mulheres com
alto risco”, diz.
Gestores precisam ouvir os
pacientes, diz pesquisadora
A farmacêutica e pesquisadora
Aline Silveira Silva, de 36 anos, foi
diagnosticadacomcâncerdemama
em fevereiro de 2013, exatamente
doismesesapósterminarummes-
tradoquetratavadaimportânciada
participaçãodospacientesnospro-
cessos de incorporação de novos
tratamentos e tecnologias no SUS.
“Aoreceberomeudiagnóstico,
resolvi colocar em prática tudo o
que eutinhaestudado sobre o em-
poderamento do paciente e a im-
portânciadecompartilharinforma-
çõesparaqueelesesintaacolhidoe
Cerca de 30% a 40% das pa-
cientes diagnosticadas com o
subtipo HER2 não alcançam uma
resposta completa após o trata-
mento inicial com quimioterapia
e com a cirurgia – são pacientes
de alto risco, que apresentam a
chamada doença residual na ma-
ma e precisam de cuidados dife-
renciados para que a doença não
se torne metastática.
Paraas mulheres que, mesmo
após um tratamento prévio ainda
apresentam doença residual in-
vasiva, os avanços da ciência ho-
je permitem que o uso da tera-
pia mais adequada reduza o risco
de progressão da doença. “Esses
tumores são sensíveis ao trata-
mento com remédio. Por isso a
importância de não abandonar
o tratamento”, afirma Pimentel.
OoncologistaSandroMartins,
pesquisadordo Núcleo de Epide-
miologiaeVigilânciaem Saúde da
Fiocruz, afirma que, porconta da
pandemia, as mulheres estão en-
contrando dificuldades em todo
o processo. Além do diagnóstico
tardio, as pacientes já diagnosti-
cadas encontram problemas pa-
ra prosseguir com o tratamento.
“A mamografiaé apenas apri-
meira porta de acesso ao sistema
público de saúde. Se a mulherfez
a mamografia e teve a necessida-
de de uma biópsia, ela encontrou
dificuldade para realizaresse se-
gundo exame. Se ela confirmou o
diagnóstico, não conseguiu pro-
gramar a sua cirurgia. É uma ca-
deia de problemas em sequência
que vai, com certeza, prejudicar
as curvas de mortalidade de cân-
cer de mama no Brasil”, afirma.
Pimenteldestacatambémque
a queda nos exames e na conti-
nuidade dotratamentovairefletir
emumcustomaiorparaosistema
público de saúde, pois as cirur-
gias serão mais invasivas, haverá
mais quimioterapia, mais radio-
terapiae aumentaráamorbidade.
“A gente já tinha uma dificulda-
de prévia de rastreamento mes-
mo antes da pandemia.Agora, is-
so ficou mais dramático.”
Um problema destacado pe-
losespecialistaséadificuldadede
engajado.Osgestoresprecisamou-
vir os pacientes, pois a doença não
éapenasotratamento.Elatemim-
pactos emocionais e sociais”, diz.
SegundoAline,oenvolvimento
do paciente natomadade decisões
ocorrenummomentomuitotardio,
emgeral,quandoéabertaumacon-
sultapúblicaparaainclusãodeno-
vas drogas ou tratamentos.
Desde dezembro, no entanto,
aomenosumrepresentantedepa-
ciente pode acompanharas reuni-
ões de análises de incorporação de
novas tecnologias para que possa
apresentarasperspectivasdopon-
to devista de quemtem a doença.
“O testemunho do paciente é
fundamental, pois ele é o benefici-
ário final de tudo o que será feito.
Umapacientecomcâncerdemama
inicial,porexemplo,temcomofoco
acura.Éumaperspectivatotalmen-
te diferente da paciente com cân-
cerde mama metastático”, afirma.
Paraapesquisadora,ospacien-
tes devem se envolvermais com os
processos da doença e exigir um
tratamento integrativo, que é um
dos pilares do SUS. E uma das for-
masdefazerissoébuscarinforma-
çõesemsitesdeONGseinstituições
confiáveis,alémdegruposdeapoio.
acessoaotratamentocompletono
sistemapúblicodesaúde.Existem
novos medicamentos, mas ainda
não estão disponíveis no SUS.
“Tudonaoncologiamamáriaa
gente agregaumtijolinho devan-
tagem paraamulherficarcurada.
Se você não tem disponível todo
esse arsenal,você reduz ataxa de
sucesso”, diz Pimentel.
A psico-oncologista Lucia-
na Holtz, presidente do Instituto
Oncoguia, defende que o sistema
público de saúde desenvolva me-
canismos para fazeruma espécie
de “busca ativa” para monitorar
essaspacientesnasuajornadaem
buscadodiagnósticoprecocee do
tratamento. “Se não buscarmos
essas mulheres, vamos começar
a ver muito mais casos de doen-
ça avançada, metastática e mui-
to provavelmente vamos sair da
pandemia de Covid-19 e entrar
numa epidemia de casos avan-
çados de câncer.”
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XI Fórum Nacional Oncoguia - Folha de S.Paulo

  • 1. a eee a eee SEGUNDA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2021 A13 A12 SEGUNDA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2021 O CÂNCER NO BRASIL E NO MUNDO Uma em cada três pessoas desenvolverá câncer ao longo da vida Brasil •País deve registrar cerca de 625 mil novos casos de câncer para cada ano do triênio 2020/2022, segundo o Inca (Instituto Nacional de Câncer) •280 mil mortes por ano Mundo •Cerca de 10 milhões de mortos por ano •Estimativa de 60% de crescimento no número de casos nas próximas duas décadas •81% desses novos casos ocorrerão em países de baixa e média renda, onde as taxas de sobrevivência são as mais baixas •Previsão para 2030 é de 27 milhões de casos e 17 milhões de mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) Próstata Cólon e reto Pulmão Estômago Cavidade oral Esôfago Bexiga Linfoma não Hodgkin Laringe Leucemias Mama Intestino Colo de útero Pulmão Tireoide Estômago Ovário Corpo do útero Linfoma não Hodgkin Sistema Nervoso Central OS TIPOS DE CÂNCER MAIS FREQUENTES NO BRASIL Homens* Mulheres** Localização primária / nº casos % Localização primária / nº casos % 65.840 66.280 29,7 20.470 9,2 16.710 7,5 12.440 5,6 11.950 5,4 7.870 3,5 6.650 3 6.540 2,9 5.450 2,4 5.230 2,3 29,2 9,1 7,9 5,9 5,0 3,9 3,4 2,9 2,9 2,6 20.540 17.760 13.360 11.200 8.690 7.590 6.580 6.470 5.920 * Câncer de pele não melanoma 27,1% ** Câncer de pele não melanoma 29,5% Fonte: Inca APRESENTA 11º Fórum Oncoguia reuniu especialistas e representantes da sociedade para discutir políticas de saúde em oncologia Evento discute equidade, empatia e justiça para pacientes de câncer U ma em cada três pessoas queestãolendoessarepor- tagemdesenvolverácâncer aolongodavida.Aboanotíciaéque amaioriateráchancedesercurada. “Odiagnósticodecâncernãoémais umasentençademorte.Elesignifi- caumafasenavidadapessoa.E hoje existeminúmerasferramentaspara que o paciente enfrente essa fase e essa doença da melhor forma pos- sível”,afirmaLucianaHoltz,funda- dora e presidente do Instituto On- coguia, ONG de informação, apoio e defesa dos direitos dos pacientes com câncer. Segundo Luciana, entre as fer- ramentas que farão a diferença no enfrentamentodeumcâncerestão a informação de qualidade, a rela- ção médico-paciente, a postura da pessoa diante da doença, o aces- so rápido ao tratamento certo pa- raaqueletipodecâncer,oapoiode umaequipemultidisciplinaretam- bém de uma ONG e, muito impor- tante, a garantia de que o diagnós- tico seja precoce. Aschancesdesuperarumcân- cerdependemdafaseemqueado- ença é diagnosticada: quase 9 em cada 10 pacientes terão um bom prognóstico se o tumor for detec- tadonosestágiosiniciais.Masesse número cai para apenas 1 em cada 4 se o diagnóstico ocorrer em es- tágios avançados. A demora no diagnóstico e o atraso para iniciar o tratamento estão entre os principais proble- mas enfrentados pelos pacientes de câncer no Brasil. Daí a impor- tânciadotemado11ºFórumOnco- guia—FórumNacionaldePolíticas de Saúde em Oncologia On-line: Equidade, Empatia e Justiça. Lucianacontaqueotemanas- ceu quando analisavam a progra- mação do fórum. “Tínhamos uma listadosprincipaisproblemasen- frentados pelos pacientes e dos temas discutidos pela oncologia moderna.Saltaramaosolhosaim- portância de falarmos das desi- gualdades, da necessidade de um cuidado mais empático e de polí- ticasquevalorizemopaciente,sua história, seus valores.” Jarbas Barbosa, subdiretor da Organização Pan-Americana da Saúde,afirmaque“ocânceréado- ençadasdiferenças”.Diferençasnão apenasbiológicas(delocalização,ti- posdecélulas,origensmoleculares, genéticas e epigenéticas e respos- tas aos tratamentos), mas sociais. “A incidência e a mortalidade doscânceresrefletemasituaçãoso- cial, econômica e de acesso. Daí a importância de identificar as bar- reiraseosgruposmaisvulneráveis, implementarestratégiasadequadas eintegraraprevençãoeasaçõesde diagnósticoprecocenaAtençãoPri- mária à Saúde”, conclui. Essecenáriooncológico,quejá era complicado, piorou durante a pandemia. “Não dá para enfrentar uma situação dessas sem eficiên- cia prévia. A crise sanitária mostra a fraqueza e a ineficiência do sis- tema de saúde”, disse o ex-minis- trodaSaúdeNelsonTeich.“Aefici- ênciaéumprocessoativo,quetem que serconquistado.” Teich citou sete pontos funda- mentaisparaatingiraeficiênciaem saúde:estratégia,planejamento,li- derança, coordenação, capacidade deexecução,boacomunicaçãoeboa qualidade de informação. O fórum destacou também os tratamentos de ponta para o cân- cer e a necessidade de incorpora- çãodenovastecnologiasemsaúde. A oncologia passou por uma verdadeira revolução nas últimas décadas.Aciênciamostrouquenão setratade umadoençaúnica, mas de várias, complexas e com mui- tas facetas, que requerem cuida- do especializado e personalizado. “Sabemos que os câncerestêm nome, sobrenome e apelido, daí a importânciadamedicinapersona- lizada. Não basta o diagnóstico pa- tológico:precisamosdodiagnóstico molecularparasaberqualodetalhe dotipo de câncer. E isso é um divi- Risco de adiar diagnóstico e tratamento é maior que o de contrair a Covid-19 A Covid-19 teve enorme im- pactonadetecçãoetratamentodo câncer. O foco na novadoença e o medodaspessoasdeiremahospi- taiseclínicasfizeramcairemmais de 50% os exames para detecção docâncerdeúteroeem48%osde mama,nacomparaçãoentremar- çoedezembrodoanopassadoeo mesmo período de 2019, segun- dooRadardoCâncer,criadopelo Oncoguia(radardocancer.org.br). “Já estamos sentindo o refle- xodessesatrasos”,afirmou Rafael Kaliks,diretorcientíficodoOnco- guia.“Ocâncerdiagnosticadomais tarde, em estágio mais avançado, significa tratamento mais caro e agressivoemenoschancedecura.” ParaPauloHoff,presidentedo ConselhoDiretordoIcesp,noiní- cio da pandemia, nem os médi- cosimaginavamquedurariatanto tempo. Por ser uma doença nova, tambémhaviapoucainformaçãoa respeito.“Enfrentamosumdilema em relação ao risco de atraso nas consultas, exames e tratamentos versus o risco de exposição à Co- vid-19. Mas logo ficou claro que o riscodaexposiçãoaovírusésigni- ficativamente menor do que o de atrasaro tratamento”, disse. Nesse contexto, ele reforçou a importância da criação de áreas seguras nos consultórios ehospi- tais,comprotocolosdeseparação defluxosepacientes,arevisãodos protocolosdeacompanhamentoe asubstituiçãodepartedasconsul- tas presenciais porteleconsultas. Gelcio Mendes, diretor-geral substituto e coordenador de as- sistência do Instituto Nacional de Câncer (Inca), falou sobre o que considera ações de prioridade imediata para o combate ao cân- cer no SUS. “É urgente a retoma- dados procedimentos de rastreio eaincorporaçãodosprotocolosde segurança para as cirurgias, com testagem de pacientes e ambien- teslivres de Covid.” Osespecialistasvêemosavan- ços com a telemedicina como um legado positivo. “É uma grande oportunidade para reduzir o gar- galodasconsultas,emespecialpa- rapacientesemacompanhamento da doença”, afirmou Mendes. sor de águas importantíssimo na vidadopaciente:éoquevaidefinir o melhortratamento”, diz Luciana. Hoje,osespecialistasfalamca- davezmaisemcuraparaalgunsti- posdecâncerenapossibilidadede transformar o câncer em uma do- ençacrônica,emqueopacientevi- vemaisecomqualidade.Masquais aschancesdeissoserumarealidade no Brasil? Essae outras discussões deram atônicado evento. “Ofóruméumeventopúblicoe gratuito,umaformaqueoOncoguia criouparadarvisibilidadeediscutir, comespecialistasecomasocieda- de,osprincipaisproblemasenfren- tadospelospacientescomcâncer.E buscar,emconjunto,soluçõessus- tentáveis” , afirma Luciana.Acesse em oncoguiaeventos.org.br/ Segundo ela, as pessoas ainda têm uma visão muito estigmatiza- da do câncer. “Elas pensam na do- ençacomoalgodistante,quenãovai acontecer.Masaestimativaéqueos casosaumentemmuitoequeado- ençaseaproximeaindamaisdeto- dosnós.E,quantomaispreparados, melhor a enfrentaremos. O acesso à informação de qualidade é uma ferramenta importante diante de umdiagnósticodecâncer”,conclui.. O Oncoguia apoia, ouve e aco- lhe os pacientes com câncere seus familiares. A ONG reúne as histó- rias dessas pessoas para entender melhoros problemas dos sistemas desaúdepúblicoeprivadoe,dessa forma, organizar e liderar iniciati- vas que representem avoz dos pa- cientes e defendam seus direitos, focando e buscando melhorias pa- raaspolíticaspúblicasdeoncologia. LEIA MAIS EM estudio.folha. com.br/oncoguia Luciana Holtz, presidente do Oncoguia, durante o fórum Associações pedem que leis que agilizam exames e tratamentos sejam cumpridas Legislação determina até 30 dias para realização da biópsia e até 60 após o diagnóstico para início do tratamento V ocê sabe o que é a jorna- da de um paciente com câncer? Segundo Lucia- na Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia, trata-se de um conceito que situa e organiza todas as etapas no enfrentamento deumadoença.“Elaajudaaenten- dero passo apasso, mastambém a identificarosprincipaisproblemas e barreiras.” SegundoLuciana,ajornadaide- alcomeçacomumapessoaquetem o compromisso diário de manter sua saúde em ordem. Para isso, é fundamentaladotarhábitossaudá- veis,comopraticaratividadefísica, terumaalimentaçãosaudável,con- trolaroexcessodepeso,nãofumar erealizarexamesmédicosperiódi- cos de acordo com a idade. Para os cerca de 70% da popu- lação brasileira que dependem ex- clusivamente do Sistema Único de Saúde,oacompanhamentoeama- nutenção da saúde devem ser fei- tosnasUnidadesBásicasdeSaúde. Nessaprimeiraparte dajorna- da,odestaqueficaparaaimportân- cia da lei dos 30 dias (n° 13.896/19). Sancionada em 2019, ela assegura a pacientes do SUS com suspeita de câncer o direito à realização de examesdiagnósticosnoprazomá- ximo de 30 dias. Essa é a teoria. Na prática,opacienteenfrentainúme- ras barreiras. Daniele Castelo Branco, ges- tora da Associação Nossa Casa, explicou que essa lei foi criada paratentardiminuiro tempo en- tre a consulta com o especialista e a biópsia, para que os pacien- tes tenham acesso ao diagnósti- coemtempohábildecomeçarum tratamento bem-sucedido. “Mas há um gargalo enorme no SUS. O paciente passatanto tempo entre a consulta com o especialista e a biópsia que, quando tem o diag- nóstico, a doença está em está- gio avançado.” Daniele citou algumas das di- ficuldades enfrentadas. Se o pa- ciente, porcontadas filas naUBS, tem o resultado do exame altera- do a partir de uma clínica popu- lar, porexemplo, tem quevoltarà UBS e começar o processo do ze- ro. Outro problemaé afaltade in- tegração entre a atenção primá- ria (UBS) e a secundária (AME). “A pandemia atrasou ainda mais es- sa jornada. Piorou uma realidade que já não era boa”, disse. Vencida a etapa do diagnós- tico, o primeiro tratamento (ci- rurgia, quimioterapia ou radio- terapia) deveria ser definido de forma personalizada pelo onco- logista e começar o quanto an- tes. “Não é o que acontece, daí a importância dalei dos 60 dias (n° 12.732/12), de maio de 2013, que garante ao paciente com câncer o direito de iniciar o tratamento no SUS em, no máximo, 60 dias após o diagnóstico da doença”, afirmou Daniele. “A demoranodiagnóstico im- pactanotratamentocomoumto- do”,disseLeoniM.Simm,sociólo- gaepresidentevoluntáriadaAmor eUniãoContraoCâncer(AMUCC). Elalistouosprincipaisdesafiosdo acesso ao tratamento: demora no diagnóstico,o cânceré descober- toemestágiosavançados,gerando maiores gastos e menores chan- ces de cura; erros no encaminha- mentodopacienteeproblemasna classificação no Sisreg, o sistema de regulação do SUS para solici- taçãodeexameseprocedimentos de médiae altacomplexidade; fa- lhas no acesso ao gerenciamento defilas;demoranoiníciodotrata- mento de pacientes graves; e falta de medicamentosessenciaispara o tratamento do câncer, gerando interrupção do tratamento. MerulaSteagall,presidenteda Associação Brasileira de Linfoma eLeucemia(Abrale)eidealizadora do MovimentoTodos Juntos Con- tra o Câncer (TJCC), finalizou a discussão lembrando da impor- tânciado empoderamento do pa- ciente, que deve estar informado, atento e ser persistente na bus- ca por seus direitos e para tentar acelerar os processos. Quandoapessoapercebealgum sinal ou alteração no corpo (como um caroço no seio) ou recebe o re- sultado de um exame alterado, ela deve ser encaminhada a um mé- dico especialistanosAmbulatórios MédicosdeEspecialidades(AMES), para avaliação ou exames comple- mentares, como biópsia. “Abiópsiavaiconcluiraprimei- raetapadodiagnóstico,informan- doseotumorébenignooumaligno. Eéimportantesaberseessecâncer estáemestágioinicialouavançado”, disse Luciana. JORNADA IDEAL DO PACIENTE COM CÂNCER Hábitos saudáveis que contribuem para a prevenção do câncer •Alimentação equilibrada, rica em frutas e legumes •Prática regular de atividade física •Não fumar •Baixo consumo de álcool •Exames periódicos •Ida ao médico generalista para manutenção da saúde Consulta ao médico especialista diante de sinal ou sintoma ou exame alterado Diagnóstico Biópsia e exames complementares para saber o estágio do câncer (inicial ou avançado) e definição do tratamento correto Primeiro tratamento •Cirurgia? •Quimioterapia? •Radioterapia? Outros tratamentos •Radioterapia? •Terapia-alvo? •Imunoterapia? A partir do diagnóstico, sempre considerar necessidade de equipe multidisciplinar com nutricionista, fisioterapeuta, psicólogo e ou paliativista Manutenção/ controle da doença •Reabilitação •Cuidados de final de vida •Linha do cuidado deve ser ágil, transparente, regulada EVOLUÇÃO NO TRATAMENTO DO CÂNCER Radioterapia Após as descobertas de Marie Curie, a radiação passa a ser utilizada para reduzir tumores Quimioterapia Drogas são usadas para destruir células cancerosas. Como são inespecíficas, atacam também células saudáveis e provocam efeitos colaterais Terapia-alvo Drogas conseguem reconhecer e atacar apenas as células cancerosas. Mais efetividade e menos efeitos colaterais Imunoterapia Caminho para a medicina mais personalizada. Drogas estimulam o sistema imunológico para que ele combata a doença Multidisciplinaridade Cabe ao médico definir a combinação de múltiplas terapias para obter maior sucesso APRESENTA Ateliê de produção de conteúdo para estratégia de marcas e mercado publicitário em todas as plataformas | Avanços buscam tornar o câncer tratável como outras doenças crônicas Terapiasinovadorascontraocâncer melhoramqualidadedevidadopaciente P oucas áreas damedicinae da farmacologia têm evo- luídotantocomoadostra- tamentos do câncer. Prevenção e precocidade nos diagnósticos continuam a ser fatores funda- mentais e, nos casos de doença metastática,acombinaçãodete- rapias tem contribuído para que ospacientesvivampormaistem- poecomqualidadedevida,como acontece comportadoresdedo- enças crônicas como ahiperten- são arterial controlada. Nessa combinação podem entrar cirurgias, radioterapia, quimioterapiatradicionaleabor- dagensmaisrecentes,comotera- pia-alvo e imunoterapia. “Arealidadedocâncermetas- tático[queseespalhouparavários órgãos] não é como antes. Com drogas menos tóxicas, é possível segurar a evolução da doença e garantir qualidade de vida. Con- seguimostrataressepacienteco- moodeumadoençacrônica,que convive com o problema e tem muita qualidade de vida”, afirma Gabriela Prior, diretora médica da Daiichi Sankyo Brasil. Aponte a câmera do celular para saber mais sobre a Daiichi Sankyo... ...e sobre as pesquisas em oncologia A Daiichi Sankyo é uma indús- tria farmacêutica global que nas- ceu no Japão e hoje está presente em 24 países. “Com mais de cem anosdeexpertisecientífica,aDaii- chi Sankyo atua em pesquisa e de- senvolvimento de forma colabora- tiva sob estratégias unificadas. Em 2016, estabelecemos a nossa Visão 2025deserumaempresafarmacêu- ticaglobalinovadoracomvantagem competitiva em oncologia. Assim, focamos globalmente em acelerar pesquisas no desenvolvimento clí- nico de novos tratamentos onco- lógicos. Com 14 centros de pesqui- sa e desenvolvimento em 8 países, construímosrelacionamentossus- tentáveiscominstituiçõeseempre- sas parceiras por meio de alianças abertas, paramaximizaros apren- dizados e os pontos fortes de ca- da um. No Brasil, estamos engaja- dosemtrazernovosestudos-além deexpandirosemandamento-em renomadas instituições focadas no tratamentodocâncer,visandome- lhoraraqualidadedevidaeoferecer novasoportunidadesaospacientes”, afirma Gabriela Ocânceréresultadodeumadi- desparaalgumasneoplasiasem fasesmaisavançadas,como,por exemplo, algunstipos de câncer de mama”, afirma Gabriela. ADC é a sigla em inglês pa- ra conjugado anticorpo-droga. É umaterapia personalizada que usa um biomarcador como alvo para o tratamento. É conhecida entre os médicos como uma es- tratégia Cavalo de Tróia, porque o anticorpo carrega dentro dele uma droga que só vai ser ativada quando o anticorpo seligar à cé- lula doente. Já disponível para alguns ca- sosnoBrasil,oADCpoderevolu- cionar a jornada do paciente on- cológicometastático,melhorando a qualidade de vida e prolongan- do a sobrevida significativamen- te. “É uma inovação tecnológica personalizada sendo usada para tratar pacientes com câncer de modo eficaz, associada a menos eventosadversosdebilitantes,tão ruinsparaavidacotidianadeles”, afirma Gabriela. 1-uicc.org/news/globocan-2020-new-global-cancer-data visão e multiplicação descontrola- da de células. Para manter o corpo funcionando, trilhões de células se dividem e se multiplicam, em um processo contínuo de renovação. Quando ocorre um descontro- le nesse processo, pode se formar um tumor, que será maligno se ti- veracapacidadedeseespalharpara tecidospróximos,emumprocesso denominado infiltração, ou atingir outros órgãos, a metástase. O câncer é uma das principais causasdemortenomundo,sendo responsável por quase 10 milhões de vítimas em 20201 . Atendência, nagrande maio- ria dos casos, é de o câncer se es- palhar por todo o corpo, se não fortratado. “As pesquisas sempre se direcionam na busca de novas opções de estratégias terapêuti- cas. Mais recentemente, os ADCs representam uma dessas novida- Ilustrações Henrique Assale
  • 2. a eee A14 SEGUNDA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2021 TRATAMENTOS DE PONTA NO COMBATE AO CÂNCER Terapia-alvo Teste genético identifica o gene em mutação, e o paciente recebe um ou mais medicamentos que atuam diretamente nas células cancerosas. Os efeitos colaterais, quando ocorrem, são menos frequentes que os associados à quimioterapia convencional Imunoterapia Medicação ativa o sistema imune e estimula as células de defesa do organismo a reconhecer o tumor como um agente agressor e combatê-lo. Indicado principalmente nos casos que o sistema imune não identifica as células tumorais (ou quando elas se multiplicam rápido demais) Terapia celular Propõe modificar as células do sistema imune — os linfócitos T — para que reconheçam uma proteína específica presente no tumor. O processo é complexo, pois requer a remoção de células do paciente, o “treinamento” e a adaptação delas para que ataquem o câncer Hormonioterapia Propõe a diminuição do nível de hormônios ou o bloqueio da ação deles nas células tumorais. Mais indicada para o tratamento de cânceres de mama e de próstata Radioterapia de precisão Aperfeiçoamento dos equipamentos e da metodologia permite atingir mais diretamente o tumor, com menos efeitos colaterais Avanços em exames e tratamentos revolucionam luta contra o câncer Imunoterapia e terapia-alvo agem de forma mais precisa; especialistas ressaltam importância de terapias estarem disponíveis no SUS e na saúde suplementar APRESENTA “ O mais importante para o paciente com cânceré saber queestárecebendoomelhor tratamento que existe para a sua doença”, disse o oncologista Rafa- el Kaliks, diretor científico volun- tário do Oncoguia, durante debate no 11º Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia. Vinte anos atrás, testes de DNA, estudos de genômica e se- quenciamento genético faziam parte de um futuro que parecia distanteeinacessível.Nãomais.O mapeamento do Genoma Huma- no em 2003 provocou uma revo- luçãodoconhecimentobiológico, easdescobertasdecorrentespos- sibilitaram entender, entre tan- tas coisas, a origem dos tumores. Sabercomo um câncerse ini- cia aumenta as chances de des- truí-lo de forma mais eficiente, direcionando medicamentos e tratamentos para alvos específi- cos das células tumorais. Essa é a base da oncologia de precisão. Na prática, integra dados da biologia molecular à evolução clínica e à respostaaotratamento,permitin- doreconhecercaminhosmaisefi- cazes e menos tóxicos para com- bater o câncer de acordo com o perfil molecular do tumor. A imunoterapia, que estimu- la o nosso próprio sistema imune a reconhecer o câncer e combatê- -lo,estánocentrodosholofotesda oncologia moderna, assim como a terapia-alvo,queatacadiretamente ascélulascancerosas(vejaquadro). Esses tratamentos revolucio- nários agem de formamais preci- sa, oferecendo melhores resulta- dos com menos efeitos colaterais. “Nos Estados Unidos, a mortali- dade porcâncerestácaindo, ape- sar de o número de casos estar estável ou subindo. Isso aconte- ce porque as novas terapias es- tão salvando vidas em uma pro- porção incrível”, afirmou Kaliks. Segundo o oncologista, esses medicamentos estão prolongando a vida, com qualidade, de pacien- tescomtiposgravesdecâncer,co- mo o de pulmão e os melanomas metastáticos. Sergio Simon, oncologista clí- nico do Grupo Oncoclínicas e do Hospital Israelita Albert Einstein, concordou. “As terapias mais mo- dernasdecombateaocâncer,quan- donãooferecemacuraouremissão dadoença,aumentamasobrevidaa pontodeocâncervirarumadoença crônica, em que o paciente, medi- cado,leva umavida normal”, disse. wSegundo Simon, os efeitos colaterais desses medicamen- tos são, em geral, manejáveis, e a qualidade de vida do paciente é mantida. A questão é a dificul- dade de acesso da população, li- mitada pelos altos custos. “Não basta ser eficaz, tem que estar disponível”, afirmou Kaliks. Como o custo desses tratamentos é alto, nem todos foram incorpo- rados no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar(ANS), com cobertura pelos planos de saúde, e muito poucos estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), que atende cerca de 70% da popu- lação brasileira. “Hácasos em que aincorpora- ção do medicamento é aprovada, mas a verba não é liberada para a compra”, disse. A falta de recursos não é o único problema. Segundo Kali- ks, a existência de duas agências regulatórias (a ANS para a saúde suplementar e a Conitec, Comis- são Nacional de Incorporação de Tecnologias, para o SUS) também atrapalha.“Umaagênciaúnicase- riaum passo importante parade- mocratizar o acesso da popula- çãoaessestratamentos”,concluiu. Parcerias tentam reduzir desiguldades regionais que afetam acesso à saúde Patologia tem papel fundamental Adificuldadedeacessoaodiag- nósticoeatratamentosoncológicos noBrasilvaimuitoalémdosexames eterapias de ponta. Enquanto cer- cade60%dospacientescomcâncer jáfizeramouvãoprecisardetrata- mentocomradioterapiaemalguma fasedadoença,háumaconcentra- ção dos equipamentos nas regiões SuleSudeste,enquantofaltammá- quinasnasregiõesNorteeNordeste. “75% das regiões de saúde do Brasil não têm equipamento de radioterapia. Isso implica o deslo- camento dos pacientes para trata- mento”, afirmou Marcus Castilho, presidente da Sociedade Brasilei- ra de Radioterapia (SBRT). Apandemiasóaumentouogar- galo, e não apenas para a radiote- rapia. Segundo Alexandre Ferreira Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, entre abril e julho de 2020, houve reduçãode70%nopercentualdeci- rurgiasoncológicasnosistemapú- blico de saúde. “Vale lembrar que 59% dostumores iniciais sãotrata- dosapenascomcirurgia”,afirmou. Aparceriapúblico-privadapo- deserumaestratégiaparaampliaro acesso e diminuiros gargalos. Gonzalo Vecina, professor da FaculdadedeSaúdePúblicadaUSP e ex-presidente da Anvisa (Agên- cia Nacional de Vigilância Sanitá- ria)apresentou,duranteofórumdo Oncoguia,oTodosPelaSaúde.Cria- doemabrilde2020,oprogramafoi umainiciativadoItaúparaatuarno combateàpandemiaecontoucom um time dos maiores especialistas em saúde do país. As ações incluíram ampliação da capacidade de hospitais, com- pra de insumos estratégicos e tes- tagem populacional. Em fevereiro deste ano, o Todos pela Saúde tor- nou-se um instituto com a missão de contribuir para o fortalecimen- to e a inovação na área de vigilân- cia em saúde no Brasil. Luiza Trajano, presidente do ConselhodeAdministraçãodoMa- gazine Luiza e CEO do Grupo Mu- lheresdoBrasil,apresentouomovi- mentoUnidosPelaVacina,quevisa facilitaravacinaçãocontraaCovid. “O movimento atua em diver- sas frentes, mas principalmente junto aos quase 5.600 municípios doBrasil,facilitandoaaquisiçãode insumos como seringas e agulhas, reformando postos de saúde e for- necendo infraestrutura para a va- cinação, inclusive notebooks pa- rafacilitaraconexão ao sistemade saúde”, disse a empresária. O Grupo Mulheres do Brasil contacom quase 100 mil mulheres com o objetivo de criar um enga- jamento político e suprapartidário em busca de melhorias para o pa- ís. Luiza Trajano se colocou à dis- posição, em nome do grupo, para desenvolver projetos com o Onco- guia em prol do combate ao cân- cerno Brasil. O tratamento correto de um câncer se dá a partir do diagnósti- co preciso. Parece óbvio, mas pou- co se fala do papel imprescindível do patologista nesse processo. Ele éoresponsávelpelodiagnósticodo tumor, com tipo e subtipo. Masháfaltadelaboratóriosede profissionais no Brasil, e eles estão mal divididos. “São 6.000 labora- tórios no Brasil, sendo que apenas cerca de 2.000 atendem o Sistema ÚnicodeSaúde(SUS).Issoacontece porque a remuneração é defasada. OrepassedoSUSnãocobrenemos custosdotrabalho”, afirmou Kátia Leite,presidentedaSociedadeBra- sileira de Patologia (SBP). Segundo ela, por conta da baixa remunera- ção,faltampatologistas.“Menosde 2% dos médicos formados querem fazeressa especialização.” Todo diagnóstico de câncer passa pela biópsia: parte do tumor é retirada, e o médico patologista, apósanalisaromaterial,redigeum laudo anatomopatológico, que au- xilia na definição do melhor trata- mentopelooncologista.Pormeioda biópsiaedeoutrosexamesrealiza- dospelopatologista,comooestudo imuno-histoquímico paraadeter- minaçãodosreceptoreshormonais, é possível indicar o melhortipo de medicação.
  • 3. a eee SEGUNDA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2021 A15 Câncer câncer de mama Aréola da mama Papila da mama Lobos da glândula mamaria HER2 Tumores mais agressivos, que necessitam mais precocemente de tratamento com quimioterapia e anticorpos monoclonais, além da cirurgia Representa 15% a 20% O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença. ESTIMATIVAS2 -39,1 -16,2 -5,24 -0,22 -49,1 Para 2020 Novos casos Mortalidade 66.280 30% outros tipos 70% 18.295 Em milhões No mundo Impacto da Covid e a prevenção Incidência (2020) Prevalência (Últimos 5 anos) Mortalidade (2020) 25 50 75 100 Queda em % no número de procedimentos 2019 2020 Fontes: 1. Instituto Nacional de Câncer (https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama) 2. Radar do Câncer: http://radardocancer.org.br/ e Instituto Oncoguia: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/tipos-de-cancer-de-mama/1382/34/ O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor O QUE É?1 CÂNCER DE MAMA É O MAIS COMUM ENTRE AS MULHERES % aproximada do total de diagnósticos CASOS DE ALTA COMPLEXIDADE cirurgias eletivas quimioterapia para novos pacientes radioterapia para novos pacientes biópsias mamografias Mamografia é o exame mais indicado para o diagnóstico da doença 7,79 2,26 0,684 Cerca de 30% das pacientes diagnosticadas em estágio inicial, mesmo passando por tratamento prévio e cirurgia, podem apresentar doença residual invasiva. São as chamadas pacientes de alto risco, que precisam de acompanhamento e cuidados adequados para reduzir as chances de o câncer se tornar metastático APRESENTA Ateliê de produção de conteúdo para estratégia de marcas e mercado publicitário em todas as plataformas | M-BR-00004013 Especialistas alertam sobre os riscos do diagnóstico tardio e da falta de atendimento adequado nos diferentes estágios da doença PANDEMIAAFETA MULHERESCOM CÂNCERDEMAMA A pandemia de Covid-19 trouxe sérios impac- tos em relação ao atra- so de diagnóstico e tratamento de pacientes com câncer no Bra- sil. Dados do Radar do Câncer, ferramenta criada e mantida pe- lo Instituto Oncoguia, apontam que as mamografias, exame de rastreamento fundamental para o diagnóstico precoce do câncer de mama, registraram uma que- da de quase 50% em 2020 em re- lação a 2019. Já o número de ci- rurgias eletivasparaotratamento da doença caiu 16%. O cenário preocupa os espe- cialistas, que alertam para os ris- cosdeodiagnósticoacontecerem estágio muito avançado e da in- terrupção do tratamento, espe- cialmente para as pacientes de alto risco. O mastologista Fran- cisco Pimentel, do Hospital Ge- ral de Fortaleza, explicaque cerca de 30% a 40% das mulheres com câncerde mamasão diagnostica- das com tumor avançado ou com tumores de biologia mais agres- siva, os chamados HER2 e triplo negativo, que têm uma capacida- de maiorde se multiplicare de se tornar metastático. A pandemia de Covid-19, se- gundo ele, não dificultouapenas a detecção precoce da doença, mas também o início e a manutenção do tratamento, conforme orien- tado pelo médico. No ano pas- sado, boa parte dos serviços de saúde interromperam os aten- dimentos eletivos. Com os hos- pitais sobrecarregados, também houve a recomendação de adia- mento das cirurgias eletivas, co- mo a do câncer. “A pandemia provocou uma sobrecarga do sistema hospita- lare a retenção deleitos paratra- tamento de pacientes com Covid impactou várias outras doenças, entre elas, o câncer. Tivemos e ainda temos muita dificuldade para internar pacientes onco- lógicos para fazer cirurgia. Is- so impacta diretamente o tra- tamento de muitas pacientes, principalmente as mulheres com alto risco”, diz. Gestores precisam ouvir os pacientes, diz pesquisadora A farmacêutica e pesquisadora Aline Silveira Silva, de 36 anos, foi diagnosticadacomcâncerdemama em fevereiro de 2013, exatamente doismesesapósterminarummes- tradoquetratavadaimportânciada participaçãodospacientesnospro- cessos de incorporação de novos tratamentos e tecnologias no SUS. “Aoreceberomeudiagnóstico, resolvi colocar em prática tudo o que eutinhaestudado sobre o em- poderamento do paciente e a im- portânciadecompartilharinforma- çõesparaqueelesesintaacolhidoe Cerca de 30% a 40% das pa- cientes diagnosticadas com o subtipo HER2 não alcançam uma resposta completa após o trata- mento inicial com quimioterapia e com a cirurgia – são pacientes de alto risco, que apresentam a chamada doença residual na ma- ma e precisam de cuidados dife- renciados para que a doença não se torne metastática. Paraas mulheres que, mesmo após um tratamento prévio ainda apresentam doença residual in- vasiva, os avanços da ciência ho- je permitem que o uso da tera- pia mais adequada reduza o risco de progressão da doença. “Esses tumores são sensíveis ao trata- mento com remédio. Por isso a importância de não abandonar o tratamento”, afirma Pimentel. OoncologistaSandroMartins, pesquisadordo Núcleo de Epide- miologiaeVigilânciaem Saúde da Fiocruz, afirma que, porconta da pandemia, as mulheres estão en- contrando dificuldades em todo o processo. Além do diagnóstico tardio, as pacientes já diagnosti- cadas encontram problemas pa- ra prosseguir com o tratamento. “A mamografiaé apenas apri- meira porta de acesso ao sistema público de saúde. Se a mulherfez a mamografia e teve a necessida- de de uma biópsia, ela encontrou dificuldade para realizaresse se- gundo exame. Se ela confirmou o diagnóstico, não conseguiu pro- gramar a sua cirurgia. É uma ca- deia de problemas em sequência que vai, com certeza, prejudicar as curvas de mortalidade de cân- cer de mama no Brasil”, afirma. Pimenteldestacatambémque a queda nos exames e na conti- nuidade dotratamentovairefletir emumcustomaiorparaosistema público de saúde, pois as cirur- gias serão mais invasivas, haverá mais quimioterapia, mais radio- terapiae aumentaráamorbidade. “A gente já tinha uma dificulda- de prévia de rastreamento mes- mo antes da pandemia.Agora, is- so ficou mais dramático.” Um problema destacado pe- losespecialistaséadificuldadede engajado.Osgestoresprecisamou- vir os pacientes, pois a doença não éapenasotratamento.Elatemim- pactos emocionais e sociais”, diz. SegundoAline,oenvolvimento do paciente natomadade decisões ocorrenummomentomuitotardio, emgeral,quandoéabertaumacon- sultapúblicaparaainclusãodeno- vas drogas ou tratamentos. Desde dezembro, no entanto, aomenosumrepresentantedepa- ciente pode acompanharas reuni- ões de análises de incorporação de novas tecnologias para que possa apresentarasperspectivasdopon- to devista de quemtem a doença. “O testemunho do paciente é fundamental, pois ele é o benefici- ário final de tudo o que será feito. Umapacientecomcâncerdemama inicial,porexemplo,temcomofoco acura.Éumaperspectivatotalmen- te diferente da paciente com cân- cerde mama metastático”, afirma. Paraapesquisadora,ospacien- tes devem se envolvermais com os processos da doença e exigir um tratamento integrativo, que é um dos pilares do SUS. E uma das for- masdefazerissoébuscarinforma- çõesemsitesdeONGseinstituições confiáveis,alémdegruposdeapoio. acessoaotratamentocompletono sistemapúblicodesaúde.Existem novos medicamentos, mas ainda não estão disponíveis no SUS. “Tudonaoncologiamamáriaa gente agregaumtijolinho devan- tagem paraamulherficarcurada. Se você não tem disponível todo esse arsenal,você reduz ataxa de sucesso”, diz Pimentel. A psico-oncologista Lucia- na Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, defende que o sistema público de saúde desenvolva me- canismos para fazeruma espécie de “busca ativa” para monitorar essaspacientesnasuajornadaem buscadodiagnósticoprecocee do tratamento. “Se não buscarmos essas mulheres, vamos começar a ver muito mais casos de doen- ça avançada, metastática e mui- to provavelmente vamos sair da pandemia de Covid-19 e entrar numa epidemia de casos avan- çados de câncer.”