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Fórum Nacional Oncoguia é destaque na Folha de S.Paulo

Oncoguia
Oncoguia

Confira a cobertura do X Fórum Nacional Oncoguia realizada pelo jornal Folha de S.Paulo

1 de 3
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a eee a eee QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2020 A13A12 QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2020
TRATAMENTOS
DE PONTA NO
COMBATE AO CÂNCER
A oncologia de precisão é uma nova
abordagem para o tratamento de câncer
que, em vez de focar na parte do corpo
afetada, se baseia em testes molecula-
res e no rastreamento dos genes,
buscando detectar a presença de
determinados defeitos nas células, ou
seja, a origem do tumor. A partir da
identificação da alteração celular ou em
determinadas proteínas, é definido o
tipo de tratamento para frear o cresci-
mento desordenado dessas células
IMUNOTERAPIA
Medicação ativa o sistema
imune e estimula as células de
defesa do organismo a
reconhecerem o tumor como um
agente agressor e a combatê-lo.
Indicada principalmente nos
casos em que o sistema imune
não identifica as células tumorais
(ou quando elas se multiplicam
rápido demais)
TERAPIA-ALVO
Teste genético identifica o gene
em mutação, e o paciente recebe um
ou mais medicamentos que vão atuar
diretamente nas células cancerosas,
alterando a forma como elas crescem,
se dividem, se autorreparam ou
interagem com outras células. Os
efeitos colaterais, quando ocorrem,
são bem menos frequentes que os
associados à quimioterapia
convencional
HORMONIOTERAPIA
Propõe a diminuição do nível
de hormônios ou o bloqueio
da ação desses hormônios
nas células tumorais, com o
objetivo de tratar tumores
malignos dependentes do
estímulo hormonal
RADIOTERAPIA
DE PRECISÃO
O princípio continua o mesmo da
radioterapia tradicional: radiações
ionizantes são direcionadas para destruir
ou inibir o crescimento das células
anormais que formam um tumor. Com o
aperfeiçoamento dos equipamentos e da
metodologia é possível atingir mais
diretamente o tumor, com menos
efeitos colaterais
TERAPIA CELULAR
Propõe modificar as células do
sistema imune — os linfócitos T —
para que elas reconheçam uma
proteína específica presente no
tumor. O processo é complexo, pois
requer a remoção de células do
paciente, o “treinamento” e a
adaptação dessas células a um
antígeno conhecido do tumor e a
devolução dessas células para que
elas possam atacar o câncer
Covid-19 terá efeito futuro na
evolução dos casos de câncer
Meta é reduzir
tempo para a
detecção da
doençaC
om o avanço da Covid-19,
os esforços dos sistemas
de saúde público e priva-
do se voltaram para o combate à
doença. Consultas, exames, bióp-
sias, tratamentos e cirurgias fo-
ram adiados, e os pacientes com
câncer foram particularmente
impactados.
Pesquisa realizada nos me-
ses de abril e maio pelo Instituto
Oncoguia revelou que41% dos 556
entrevistados na fase um tiveram
seus tratamentos de câncer afe-
tados pela pandemia. A pesqui-
sa, intitulada “Impactos do coro-
navírus na vida do paciente com
câncer”, foi divulgada no 10º Fó-
rum Nacional de Políticas de Saú-
de em Oncologia On-line, reali-
zado entre os dias 3 e 7 de agosto.
O evento, organizado pe-
lo Instituto Oncoguia (ONG de
apoio, informação e defesa de
direitos dos pacientes com cân-
cer), reuniu representantes de di-
versos setores da sociedade para
discutir as demandas da oncolo-
gia no Brasil e os principais pro-
blemasenfrentadospelospacien-
tes oncológicos que dependemdo
SUS (Sistema Único de Saúde) e/
ou da saúde suplementar.
“Não podemos ficarsem fazer
nada, esperando a epidemia de
casos avançados de câncer che-
gar. O fórum reuniu os maiores
especialistas para discutire bus-
car soluções para os problemas
enfrentados pelos pacientes com
câncer”, disse LucianaHoltz, pre-
sidente do instituto.
Por conta da pandemia, o Fó-
rum Nacional Oncoguia foi reali-
zado de forma digital. As mais de
20horasde discussões,com cerca
de 40 especialistas, estão dispo-
níveis no site do Oncoguia (www.
oncoguia.org.br).
O impacto do coronavírus no
câncer, no Brasil e no mundo, e
os planos para a retomada foram
destaque na abertura do fórum.
“Pesquisa realizada pelo Onco-
guia e CliqueSUS revelou queda
drástica no número de biopsias
e cirurgias, além de exames co-
mo colonoscopia (para detectar
câncer no intestino), mamogra-
fia(de mama) e citológico (colo do
útero) em todos os estados bra-
sileiros”, afirmou Rafael Kaliks,
oncologista do Hospital Israeli-
ta Albert Einstein e diretor cien-
tífico do Oncoguia. “O atraso no
diagnóstico dessas doenças sig-
nifica que elas serão descobertas
já em fase adiantada.”
Entidades como a Socieda-
de Brasileira de Patologia (SBP),
a Sociedade Brasileira de Onco-
logiaClínica(SBOC) e aSociedade
Brasileira de Cirurgia Oncológi-
ca(SBCO) estimam que entre 70%
e 80% dos novos casos de câncer
não estão sendo diagnosticados
por causa da pandemia. Por con-
tadisso, devehaverumaexplosão
decasoscomaretomadadas con-
sultas e exames.
“Alguns erros cometidos du-
rante a pandemia se tornam
aprendizados. Interrompemos
o atendimento em duas áreas,
consideradas de risco, que não
deveriam ter parado: a de Aten-
ção Primária à Saúde, no SUS, e
os consultórios médicos da re-
de privada. Veremos o impac-
to dessas medidas no aumento
das doenças crônicas e de cân-
D
esafio presente em to-
das as discussões so-
bre oncologia no Bra-
sil,oacesso àsnovastecnologias
de saúde depende de mudanças
na estrutura e nos processos do
Ministério da Saúde. Essa foi a
conclusão da discussão sobre o
tema no 10º Fórum Nacional de
Políticas de Saúde em Oncolo-
gia On-line.
Hoje, a análise e incorpora-
ção de novostratamentos e me-
dicamentos ao SistemaÚnico de
Saúde (SUS) é feita pela Comis-
sãoNacionaldeIncorporaçãode
Tecnologias (Conitec), enquanto
a análise e incorporação de no-
vos tratamentos e medicamen-
tosparaosistemaprivadoéfeita
pelaAgência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS).
“Uma agência única traria
agilidade e eficiência ao pro-
cesso e aumentaria o poder do
Ministério da Saúde para nego-
ciar preços, garantindo maior
acesso à população”, afirmou
Denizar Vianna, ex-secretário
de Ciência, Tecnologia e Insu-
mos Estratégicos do Ministé-
rio da Saúde.
Viannaafirmaque o proces-
so de avaliação das tecnologias
de saúde no Brasil é reativo, ou
seja, espera-se que a indústria,
as organizações de pacientes, as
sociedades médicas ou alguma
secretaria solicitem a incorpo-
ração dos tratamentos ou me-
dicamentos. “Precisamos inver-
ter essa lógica.”
Se a falta de verba para as
aquisições e incorporações de
medicamentos de ponta é um
fato, isso torna ainda mais ne-
cessáriaadefinição de priorida-
des –com base na carga de do-
enças e nas necessidades não
atendidas. Daí a importância de
estabelecer um limite de orça-
mento para as incorporações e
agregar mais transparência aos
processos.
“A partir daí é possível criar
um cronograma de incorpora-
ções, por um período de três a
cinco anos, porexemplo, basea-
do nas necessidades e priorida-
des, negociado com as socieda-
des médicas e organizações de
pacientes”, disse Vianna.
Essa nova agência discutiria
também a precificação da in-
corporação,hoje a cargo da Câ-
mara de Regulação do Merca-
do de Medicamentos (CMED).
“Comprar medicamentos para
os sistemas público e privado
aumentariao poderde negocia-
ção de preços do governo com
a indústria.”
Hoje, o SUS, que atende 78%
dapopulação brasileira, estabe-
lece um valor médio para o tra-
tamento do câncer. Ele repas-
sa esse valor (cerca de R$ 1.000
mensais por paciente para os
casos de melanoma, um cân-
cer grave de pele, por exemplo)
para a instituição que vai ofe-
recer o tratamento (entidades
filantrópicas na grande maio-
ria das vezes).
Esse valor cobre apenas os
tratamentos mais antigos. Os
mais modernos e eficientes, co-
moterapia-alvoeimunoterapia,
têm custos que podem variar de
R$ 15 mil a R$ 50 mil por mês.
Vianna, o ex-ministro da
Saúde Nelson Teich e outros
especialistas defendem que o
governo centralize a compra e
distribuição dos medicamen-
tos de alto custo em oncologia
como estratégia para ampliar a
oferta de tratamentos de ponta
para os pacientes do SUS, dimi-
nuindo a desigualdade em rela-
ção ao sistema privado. “Cen-
tralizando a compra, o governo
ganhariaescala,conseguiriane-
gociar melhor os preços e dis-
tribuiria aos estados”, afirmou
o ex-secretário.
“Quando o SUS foi concebi-
do, nadécada de 1980, nãohavia
essa pressão por custo de me-
dicamentos, não existiam tera-
pias celulares e gênicas. É pre-
ciso estudarnovas modalidades
definanciamentodiantedasno-
vas pressões de gastos para as
novas tecnologias de saúde. E
estabelecer uma nova política
parao câncer: aatual foi monta-
dahá muito tempo, numaépoca
em que só havia quimioterapia
de baixo custo”, disse.
Com represamento de diagnósticos, tumores serão descobertos e tratados em fases avançadas;
fórum nacional discute demandas da oncologia e desafios para ações mais efetivas e sustentáveis
Dados mostram que quase 9 em
cada 10 casos de câncer de pulmão
são descobertos no Brasil quando o
estágio da doença já está avançado
Especialista afirma que
incorporação de novos
medicamentos e tratamentos
deveria ser única para os
setores público e privado
cer. Já registramos crescimento
nas mortes porcausas cardiovas-
culares”, diz Gonzalo Vecina, ex-
secretário de Saúde de São Paulo
e ex-presidente da Agência Na-
cional deVigilânciaSanitária(An-
visa). “Não se levou em conta a
possibilidade de estabelecerpro-
tocolos para reduzir os riscos de
infecções. Numa próxima pande-
mia,quevaiacontecer, precisare-
mos criar condições de manter a
atenção primária e os consultó-
rios funcionando.”
No segundo dia do fórum, o
debate foi em torno da impor-
tância do diagnóstico precoce
do câncer, com discussões sobre
prioridades e propostas de solu-
ções. A questão da desigualdade
notratamento dadoençatambém
foi priorizada.
Os caminhos e desafios para
uma oncologia sustentável, efeti-
va e justa foram destaque no ter-
ceiro diado evento. O fórumtam-
bém discutiu o acesso às novas
tecnologiasnoBrasil,aimportân-
cia das políticas públicas basea-
das em evidências, o compromis-
socominformaçõesdequalidade,
o combate às fake news e os de-
safios para a garantia dos direi-
tos dos pacientes.
“A questão é construir uma
liderança que leve em conside-
ração as melhores evidências
científicas, os princípios de so-
lidariedade, equidade e melho-
res práticas.A partir desses pon-
tosvamosconseguirdefenderque
não só a Covid-19 mas todo o sis-
tema de saúde precisa ser reco-
nhecido como fundamental e ge-
rar políticas de saúde para que
os pacientes realmente tenham
melhores desfechos, baseados
nas melhores evidências”, afir-
mou Felipe Roitberg, oncologis-
ta do Programa de Lideranças da
União Internacional de Controle
do Câncer.
Atenção primária reduz
demanda por hospitais
Diante dos problemas orça-
mentários da Saúde em um pa-
ís com dimensões continentais
como o Brasil, como otimizar o
atendimento e expandi-lo às re-
giões menos favorecidas?
Carlos Eduardo de Olivei-
ra Lula, secretário de Estado de
Saúde do Maranhão e presiden-
tedoConass(ConselhoNacional
de Secretários de Saúde), defen-
de que o foco à Atenção Primá-
ria à Saúde (APS) pode elevar
os indicadores gerais de saúde.
“Não basta questionar por
que não temos tratamento ade-
quado para o câncer. A ques-
tão anterior é que faltam con-
dições básicas de saneamento
em vários municípios do Brasil.
Quando olhamos esses indica-
doresevemosoreflexonasaúde
como um todo entendemos por
que não conseguimos fazer um
diagnóstico precoce do câncer.”
Segundo Lula, “se os estados
continuarem olhando só paraos
centros de alta e média com-
plexidade, os recursos vão ser
gastos com atenção hospitalar,
sem resultado na prevenção e
no diagnóstico prévio.”
Parafortaleceraatençãopri-
mária, o ex-secretário sugere a
implantação de um sistema de
planificação, o Paps (Planifica-
ção da Atenção Primária à Saú-
de).Apropostavaialémdacapa-
citaçãodeprofissionais.Aideiaé
proporcionaro desenvolvimen-
to da Atenção Primária à Saúde
por meio de planejamento e de
mudanças efetivas na atitude e
nos processos de trabalho dos
profissionais que compõem as
equipesassistenciaisedegestão.
Incluiaindaconhecimentocom-
partilhado por meio de uma re-
de formada por consultores, fa-
cilitadores e tutores.
Ele cita exemplo implantado
noMaranhão:“Investimosesfor-
ços na saúde materno-infantil
para diminuir a mortalidade em
algumas regiões do estado onde
ela era sete vezes maior do que
a média do Brasil. Conseguimos
zerar isso em dois anos”, conta.
E sugere estender a práti-
ca para a prevenção de doen-
ças crônicas como o câncer. “Se
cuidarmos melhordasaúde dos
municípios e daatenção primá-
riaàSaúde, diminuiremos ane-
cessidade de atençãohospitalar.
E o diagnóstico precocevai tor-
narmais barato otratamento do
câncer”, conclui.
A Lei dos 30
dias (para
realização de
exames no SUS
em caso de
suspeita) traz
empoderamento
para a
sociedade
Tiago Matos,
diretor de advocacy
no Instituto Oncoguia
O tratamento
oncológico
adequado começa
com a prevenção
primária, evitando
tudo que
oferecer risco de
desenvolver
um câncer
Rafael Kaliks,
oncologista do Hospital
Israelita Albert Einstein
A redução da
mortalidade
está
relacionada
à detecção
de tumores
malignos em
estágio pré-
clínico
Maira Caleffi,
mastologista e presidente da
Femama
Sistemas de
aprovação
e compras
acentuam
desigualdade
Luciana Holtz (esq.), presidente do Oncoguia,
faz mediação de mesa do 10º Fórum Nacional
de Políticas de Saúde em Oncologia On-line
KeinyAndrade/EstúdioFolha
O
diagnóstico precoce
do câncer é o primei-
ro passo para o su-
cesso no tratamento da doen-
ça. Infelizmente, isso está longe
de ser realidade no Brasil, onde
cerca de 56% dos diagnósticos
acontecem em estágios avan-
çados da enfermidade para os
pacientes do Sistema Único de
Saúde (SUS), que atende 78% da
população brasileira.
Os dados são do Tribunal de
Contas da União. No caso do cân-
cer de pulmão, a situação é ainda
maiscrítica:86%dospacientesda
rede pública foram diagnostica-
dosnosestágios3e4dadoença,de
acordocomoRadardoCâncerde
Pulmão realizado pelo Oncoguia.
“Para dar uma ideia da gravi-
dade da situação, na Suécia e na
Noruega menos de 9% dos diag-
nósticosdecânceracontecemem
estágiosavançados.NoReinoUni-
do, que tem um sistema de aten-
dimento universal que inspirou o
SUS, esse índice é de 13%”, afirma
Tiago Matos, diretor de advocacy
no Instituto Oncoguia.
A importância do diagnósti-
co precoce, seus desafios e prio-
ridades foramtemade debate no
10º Fórum Nacional de Políticas
de Saúde em Oncologia On-line.
“As evidências mostram que
a redução da mortalidade está
relacionada à detecção de tu-
mores malignos em estágio pré-
clínico, quando eles são meno-
res que 1 centímetro. No caso do
câncer de mama, a chance de
cura quando a doença é diag-
nosticada em estágio inicial é
de 95%”, afirmou a mastologis-
ta Maira Caleffi, presidente da
Femama (Federação Brasileira
de Instituições Filantrópicas de
Apoio à Saúde da Mama).
Segundo auditoria do TCU, o
tempodeesperaporumdiagnós-
tico de câncer chega a 200 dias.
“Esse tempo é suficiente para o
câncer de mama passar do está-
gio1parao 3.Paracadamilímetro
deaumentonotamanhodonódu-
lo,diminui1%achancedecurada
paciente”, disse Caleffi.
O paciente enfrenta quatro
etapas de atrasos em sua jorna-
da para conseguir o diagnóstico
no setor público: demora para a
realização da primeira consul-
ta com o especialista, atraso na
realização do exame e, poste-
riormente, para a liberação do
resultado. E mais atraso para a
consulta de retorno, onde re-
cebe a confirmação da doença.
A auditoria do TCU apontou
como principais causas para o
diagnóstico tardio:
1)A fragilidade nadisponibi-
lidade de exames;
2) A deficiência na distribui-
ção de médicos e prestadores de
serviços de saúde (patologistas,
radiologistas, técnicos etc.);
3) Deficiência na regulação
doacesso.Oatendimentocome-
ça na Unidade Básica de Saúde
e passa para um centro de mé-
dia complexidade, em seguida
para um de alta complexidade.
A auditoria constatou inconsis-
tências nos sistemas de registro,
dificuldade na implantação de
protocolos e falta de critérios de
priorização para pacientes com
sinais e sintomas da doença;
4) Impossibilidade de
calcular o tempo de reali-
zação do diagnóstico em
função de inconsistên-
ciasnosistemaderegis-
tro de dados.
SegundoRafaelKali-
ks,oncologistadoHospi-
talIsraelitaAlbertEinstein
ediretorcientíficodoOnco-
guia,umtratamentooncológi-
coadequadorequerumasequên-
ciadeprocedimentosquecomeça
com a prevenção. São eles:
1) Controle dos fatores que
envolvem risco de resultar em
um câncer:tabagismo, consumo
de álcool, obesidade e infecção
por HPV, por exemplo;
2) Diagnóstico precoce;
3)Diagnósticopreciso,identi-
ficando tipo e subtipo de câncer;
4) Tratamento coordenado:
oncologista clínico, cirurgião
oncológico, radiologista etc.;
5) Modalidades de suporte:
nutricionista, psicólogo, fisio-
terapeuta etc.;
6) Enfermagem coordenada
com a equipe médica.
“Apartirdomomentoemque
existe um panorama do que es-
tá acontecendo, é possível fazer
ajustesemudanças.Daíaimpor-
tância dos dados”, disse Matos.
“E a Lei dos 30 dias (13.896/19,
que assegura aos pacientes
do SUS com suspeita de
câncer o direito à realiza-
ção de exames diagnósti-
cos no prazo máximo de
30 dias) traz um empode-
ramento para a sociedade
e uma meta para os gesto-
res perseguirem.”
APRESENTA
IMPACTO DO CORONAVÍRUS NA
VIDA DO PACIENTE COM CÂNCER
Pesquisa realizada pelo Oncoguia
em duas fases do isolamento social
1ª fase: abril/maio
2ª fase: julho
0
10
20
30
40
50
60
70
80
não
sim
1ª fase 2ª fase
não respondeu
57%
63%
31%
6%
41%
59 70
76
59
41 41
30
24
2%
SEU TRATAMENTO FOI IMPACTADO PELA PANDEMIA?
IMPACTO DA PANDEMIA NO TRATAMENTO
1ª fase
Sim, impactou
1ª
1ª 2ª 1ª 2ª
2ª
2ª fase
10
20
30
40
50
60
70
80
10
20
30
40
50
60
70
80
1ª 2ª
No SUS No particular
Não, está tudo normalem %
%
%
%
%
Quimioterapia
Hormonioterapia
Imunoterapia
Radioterapia
Terapia-alvo
Não sabe
QUAL O SEU TRATAMENTO?
40
30
9
8
10
14
39
26
11
11
8
14
ÁREAS DA VIDA
IMPACTADAS
PELA PANDEMIA
SENTIMENTOS EM RELAÇÃO AO
MOMENTO QUE ESTAMOS VIVENDO
30
40
50
60
53
58
60 58
52
40
36
36
50
47
37
36
18 18
48
33
32
36
35
Emocional Medo
Ansiedade
Tristeza
Confiança
Cansaço
Confusão
Financeira
Saúde
Social
O câncer no Brasil...
País deve registrar cerca de 625
mil novos casos de câncer para
cada ano do triênio 2020/2022
‥ e no mundo
Em 2018, foram 18 milhões de
casos de câncer, com 9,6 milhões
de mortes. A OMS estima 29
milhões de casos em 2030
0
10
20
30
40
50
60
a eeeA14 QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2020
Próstata
Cólon e Reto
Traqueia, Brônquio e Pulmão
Estômago
Cavidade Oral
Esôfago
Bexiga
Laringe
Leucemias
Sistema Nervoso Central
Mama
Cólon e Reto
Colo do útero
Traqueia, Brônquio e Pulmão
Glândula Tireóide
Estômago
Ovário
Corpo do útero
Linfoma não Hodgkin
Sistema Nervoso Central
Fatores ambientais
e comportamentais
•Obesidade e sobrepeso
após a menopausa
•Sedentarismo
•Consumo de bebidas alcoólicas
•Exposições frequentes a
radiações ionizantes (Raios-X)
INCIDÊNCIA ESTIMADA
DE CÂNCER NO BRASIL EM 2020
Homens
Mulheres
%
%
Fonte: Inca (Instituto Nacional do Câncer) – Ministério da Saúde
DIAGNÓSTICOS DE CÂNCER DE MAMA NA REDE PÚBLICA X PRIVADA
FATORES DE RISCO PARA O CÂNCER DE MAMA
Estágio 1 2 3 4 Detectado
por sintomas
Detectado
por exames
em %
Outros fatores que aumentam o risco da doença além da idade, que é o mais
importante (cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos)
Fatores da história
reprodutiva e hormonal
•Primeira menstruação antes
dos 12 anos
•Não ter tido filhos
•Primeira gravidez após os 30
•Menopausa após os 55
•Uso de contraceptivos
hormonais
•Ter feito reposição
hormonal pós-menopausa
Fatores genéticos e hereditários
•Histórico familiar de
câncer de ovário
•Caso de câncer de mama na
família, principalmente antes
dos 50 anos
•Histórico familiar de câncer de
mama em homens
•Alteração genética,
especialmente nos genes
BRCA1 e BRCA2
65.840
66.280
20.540
17.760
13.360
11.200
8.690
7.590
6.470
5.920
5.870
20.470
16.710
12.440
11.950
7.870
19,5
41,4
14,7
3,2
41,9
33,5
6,1
53
47
23,1
76,9
40,6
6.650
6.540
5.450
5.230
29,2
9,1
7,9
5,9
5,0
3,9
3,4
2,9
2,6
2,6
29,7
9,2
7,5
5,6
5,4
3,5
3,0
2,9
2,4
2,3
Público Privado
Pacientes do SUS detectam câncer
de mama em estágio mais avançado
Maior parte dos diagnósticos
no SUS ocorre após
surgimento de sintomas
Fontes: Estudo
Amazona 3 e Inca
APRESENTA
Ateliê de produção de conteúdo para estratégia de marcas e mercado publicitário em todas as plataformas |
Medicina personalizada permite
escolhas com impacto positivo
no tempo e na qualidade de vida
do paciente; precocidade do
diagnóstico é fundamental
Um olhar individual
para o paciente certo
no momento certo
O
s avanços da medicina
têmlevado a uma maior
compreensão do câncer
e aberto novos horizontes sobre
os cuidados personalizados que
a doença exige. “Cada vez mais
os médicos e pesquisadores que
trabalham com oncologia estão
descobrindoferramentasquepo-
dem direcionar o tratamento de
cada paciente de forma mais efi-
caz. Hoje jáé possível subdividira
maioriadostumoresmalignosem
tipos específicos de câncer que
podem responder melhor a um
determinado tipo de terapia. É o
que chamamos de medicina per-
sonalizada”, afirma a oncologista
Daniela Rosa, do Hospital Moi-
nho de Ventos, de Porto Alegre, e
presidente do Grupo Brasileiro
de Estudos do Câncer de Mama.
Para a medicina personaliza-
da, cada paciente é único, assim
como a doença.Ao considerar as
diferentes características genéti-
cas de cada tumor é possível, por
exemplo, realizar o mapeamen-
to de biomarcadores para prever
como responderá a determina-
dos medicamentos e, assim, es-
colher a melhor opção.
Quem tem câncer de mama,
pulmão, cólon e reto, um mela-
noma ou certos tipos de leuce-
mia já encontra no país opções
para ter seu tumor testado antes
do início do tratamento.
Mas a precocidade na des-
coberta dos tumores continua
sendo fundamental, mesmo na
medicina personalizada. Nesse
aspecto, o Brasil não vai bem.
O Instituto Oncoguia estima
que no Brasil quase 600 mil pes-
soas recebem por ano o diagnós-
tico de algum tipo de câncer, e
cerca de 40% já descobrem a do-
ença em estágio avançado. A si-
tuação é mais grave entre os usu-
ários do sistemapúblico de saúde
(veja quadro ao lado).
C ÂNCER DE MAMA
No caso do câncer de mama,
porexemplo, o de maiorincidên-
cia entre as mulheres, de 70% a
75% das que descobrem a doen-
ça o fazem por meio de palpação
ou após apresentarem sintomas,
afirma o oncologista Sergio Si-
mon, do Grupo Oncoclínicas e do
Hospital Albert Einstein.
“Isso não é nada bom, pois
quer dizer que a doença já está
em estágio avançado e com sin-
tomas. O ideal no câncer de ma-
ma é ser diagnosticado em es-
tágio muito precoce, porque aí
a chance de cura é de mais de
90%”, disse o médico.
No Brasil, apenas 34% dos ca-
sos são diagnosticadas por exa-
mes de rastreamento, diferen-
temente do que ocorre nos EUA,
onde, em alguns estados, 90%
dos casos são diagnosticados
dessa maneira.
Informação e conhecimento sobre
direitos são ferramentas essenciais
A longevidade está fazendo
com que mais pessoas desenvol-
vam algum tipo de câncer, que,
além do fatores etários e genéti-
cos, pode ser causado por maus
hábitos como má alimentação,
sedentarismo, excesso de álco-
ol ou tabagismo.
No combate a essa doença
múltipla, a informação sobre a
enfermidade e o conhecimen-
to dos direitos de cada um são
ferramentas essenciais.
Uma das informações mais
importantes para a pessoa com
câncerou com suspeitas de oter
desenvolvido são asleis dos 30 e
a dos 60 dias. A lei 13.896/19, co-
nhecida como a Lei dos 30 dias,
é mais recente. Foi sancionada
em novembro do ano passado e
entrou emvigor no fim de maio.
Ela assegura aos pacientes
do SistemaÚnico de Saúde (SUS)
com suspeita de câncer o direi-
to de realizar exames no prazo
máximo de 30 dias.
Já a lei 12.732/12, a chamada
Lei dos 60 dias, estipula o início
do tratamento pelo SUS em no
máximo 60 dias apartirdo diag-
nóstico do câncer.
“As leis são conquistas mui-
to importantes, mas, na práti-
ca, ainda vemos pacientes es-
perando muito pela biópsia ou
pelo primeiro tratamento. Pre-
cisamos de um sistema de saú-
de equipado, transparente e ágil
para atender a essas demandas,
que garanta que o paciente não
vai se perder no caminho. To-
dos os envolvidos, desde a UBS,
devem priorizar o cuidado ade-
quado desse paciente”, afirma
Luciana Holtz, fundadora e pre-
sidente do Instituto Oncoguia.
As campanhas de conscien-
São tumores pequenos, de 5
milímetros a 1 centímetro, que
nem o médico nem o pacien-
te conseguem palpar e, para os
quais a cura é quase certa, e o
tratamento, muito mais simples.
“O Sistema Único de Saúde é
uma joia brasileira. Os índices de
saúde do brasileiro vêm melho-
rando.A expectativadevida, ata-
xa da mortalidade, as mortes por
infecção e as doenças cardiovas-
culares são índices que melho-
raram muito no Brasil des-
de que o SUS foi criado, em
1988. Porém, quando se tra-
ta de câncer, ainda há muito a
melhorar”, diz Simon.
Um exemplo de deficiênciano
sistema público citado pelo mé-
dico é que, como existem vários
tipos de câncer de mama, é ne-
cessário que, junto com a bióp-
sia, já seja feito o exame que de-
tecta as características do tumor
e permita ao médico determinar
o tratamento correto.
No SUS, ele muitas vezes só é
feito em um segundo momento,
depois do resultado da biópsia.
EQUILÍBRIO DO SISTEMA
Além do diagnóstico preco-
ce ser chave para aumentar as
chances de sucesso dotratamen-
to, para o sistema de saúde, tanto
no público como no privado, ele
funciona como um fator de equi-
líbrio financeiro.
“Trataruma doença em está-
gio avançadotem um custo muito
maior do que se ela for diagnos-
ticada e tratada logo no início”,
dizVanessaTeich, especialistaem
custo-efetividade, novastecnolo-
gias e valor em saúde e superin-
tendente de Economia da Saúde
do Hospital Albert Einstein.
“Muitasvezes, o investimento
em prevenção e detecção precoce
é negligenciado, pois tem retor-
no no médio elongo prazo e gasto
no curto prazo. Afinal, o sistema
vai gastar mais no presente, com
a realização de exames preven-
tivos, mas serão evitados gastos
muito maiores no futuro”, afirma.
tização são também cruciais no
processo, diz, pois o câncer é
uma doença que envolve uma
carga enorme de medo e que é
muito estigmatizada.
“Campanhas de conscien-
tização são fundamentais para
acabar com o preconceito e com
o medo e também para educar as
pessoas sobre o momento ade-
quado de se procurar um médi-
co ou fazer um exame. Apesar de
ninguém querer encontrar um
câncer, hoje sabemos que quem
procura cura”, afirma a presiden-
te do Oncoguia.
Hoje, por meio
de diversas
ferramentas
disponíveis, o
médico chega
a uma terapia
personalizada
para aquele
determinado
paciente
Daniela Rosa,
presidente do Grupo Brasileiro
de Estudos do Câncer de Mama
a eee QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2020 A15
APRESENTA
Léia se diz otimista no
enfrentamento da doença
e incentiva mulheres a
superarem o medo do câncer
Modelo leva quatro anos até
obter diagnóstico correto
A
modelo Léia tinha 25
anos quando, durante
o banho, percebeu um
pequeno caroço na mama es-
querda.Suapoucaidadefezcom
quevários profissionais descar-
tassemalgomaissério.Sóàsvés-
perasdecompletar29anos,com
o agravamento de vários sinto-
mas,équefoiconfirmadoodiag-
nóstico de câncer de mama.
“Seeutivessesidoouvidano
início, poderia não ter perdido
todaaminhamama,nemterque
esvaziarasaxilaseficarcomuma
dificuldade motora”, afirma.
Sua peregrinação começou
em 2013,com adificuldade para
marcar a consulta com o gine-
cologista do SUS (Sistema Úni-
co de Saúde). Foramtrês meses
de espera. O médico a exami-
nou, a encaminhou para exa-
mes e para uma consulta com
um mastologista.
Comooexamedeultrassom
pelo SUS seria demorado, Léia
procurou umlaboratório priva-
do. Com o resultado em mãos,
foiaomastologista.Apesardade-
tecção de um nódulo, o médico
afirmouqueelanãotinhaidadepa-
ratercâncerequenãoprecisavase
preocupar. Disse que se tratava de
umcistoequedeveriafazeracom-
panhamento a cada seis meses.
Como o caroço continuou a
crescer, a modelo procurou uma
segunda opinião. O médico repe-
tiuodiagnósticodoprimeiro.Dois
anos depois, passou por um ter-
ceiro especialista, e, ao receber o
mesmo diagnóstico, de que aquilo
nãopoderiasercâncer,seconven-
ceu de que não tinha mesmo nada
grave e relaxou.
Umanodepois,começouasen-
tir muita dor no braço e resolveu
consultar mais um mastologista.
Nada. Só o quinto profissional a
encaminhou para fazeruma bióp-
sia,queconstatouocâncer nama-
naemais nódulosnaaxila.Emde-
zembrode2016,quasequatroanos
depois da primeira consulta, fez a
cirurgia para a remoção da mama.
Léia teve sorte de não ter um
quadrometastático(quandoocân-
cerse espalha para outros órgãos).
Hoje,sedizotimistaeencaraotra-
tamentocomleveza.“Quandofinal-
menterecebiodiagnóstico,nãome
revoltei.Fiqueialiviada,poissabia
queapartirdalieuteriachancesde
sertratada e de me curar.”
Elacontaque,apósodiagnós-
tico, não tem nada a reclamar do
tratamento que recebeu no siste-
ma público. “Foi um tratamento
humanizado. Fui muito bem tra-
tada e, a partir daí, os exames fo-
ramrápidos.Soumuitogrataatoda
aequipemédicaedeprofissionais
queacompanharam,eaindaacom-
panham, o meu tratamento”, diz.
Léia aconselha as mulheres
que passam porsituações seme-
lhantes a nunca desanimarem.
Suasugestão é que procurem co-
nhecer o próprio corpo e, diante
de umasuspeita, busquem infor-
mação e ajuda, além de mante-
rem os exames de rotina em dia.
“Todo mundo precisa estar
atento aos sinais de seu corpo e
aos cuidados que ele exige. Te-
mos direito àsaúde, e o SUStam-
bém atende bem. ”
A modelo encerra seu relato
dizendoque,aocontráriodequem
pensa que “quem procura acha”,
acreditaque“quemachatrata,po-
dendochegaràcuraemalgunsca-
sos”. “As mulheres não devemte-
mer o diagnóstico. É a partir dele
que começa o tratamento. E é li-
bertadorsaberquevocêestásen-
do tratada e que vai se curar.”
Luciana Holtz, presidente e
fundadora do Instituto Onco-
guia, vê em Léia um exemplo
de paciente ativo, responsável
e que não desiste de ir atrás do
melhor cuidado. “A informação
de qualidade éhoje um divisorde
águas na vida desses pacientes
que precisam conhecer seu tipo
e subtipo de câncer para assim
se beneficiarem do melhortrata-
mento.Além disso, a informação
garante que, durante toda a fa-
se de enfrentamento da doença,
as vontades e preferências deles
importem”, afirma Holtz.
Léia mostra
a foto da
época da
quimioterapia
KeinyAndrade/EstúdioFolha
Ex-ministro defende grande
banco de dados sobre saúde
A
incapacidade de enxer-
gar o sistema de saúde
como um todo torna es-
se sistema fragmentado e sem
coordenação. E a informação é
o ponto de partida para enten-
der os reais desafios da onco-
logia, estabelecer prioridades e
traçar um plano de ação com re-
sultados mensuráveis, defendeu
o ex-ministro da Saúde Nelson
Teich durante o 10º Fórum Na-
cional de Políticas de Saúde em
Oncologia On-line.
“Seminformaçõesclaraseor-
ganizadas, tudo o que se discute
é opinião”, disse. “As informações
nos possibilitam saber o que está
acontecendo de fato com apopu-
laçãoeenxergarosistemadesaú-
de como um todo. Sem isso, na-
vegamos às cegas. Temos apenas
uma ideia do que acontece, mas
sem dados suficientes para fazer
um planejamento ou desenvolver
uma estratégia.”
Segundo Teich, o Sistema
Único de Saúde está fragmenta-
do e sem coordenação, com al-
guns ótimos exemplos de servi-
ços,comooHospitaldoCâncerde
Barretos, mas que atuam isolada-
mente. “Não podemos trabalhar
casosisoladoscomosefossemre-
gra. Eles não refletem o Brasil.”
O ex-ministro sugere a cria-
ção de um grande programa de
informações oncológicas da po-
pulação, com dados integrados
do Instituto Nacional do Câncer
(Inca), dos Centros de Assistên-
ciadeAlta Complexidade em On-
cologia(Cacons), das Unidades de
Assistência de Alta Complexida-
de (Unacons), do DataSUS (base
de dados do Ministério da Saú-
de) e dos centros de diagnóstico
e tratamento oncológico da saú-
de suplementar.
Esses dados precisariam ser
de fácil acesso, detalhados por
cidade, estado e região e estar
disponíveis de forma clara, não
apenas para os médicos e profis-
sionais da saúde, mas para pes-
quisadores.
A análise desse material pos-
sibilitaria, por exemplo, ter um
panorama real do que aconte-
ceu com a oncologia de norte
a sul do país nos últimos cin-
co meses (período de isolamen-
to social mais restrito) em ter-
mos de diagnóstico, tratamentos
e cirurgias. Isso facilitaria defi-
nir as prioridades para os pró-
ximos meses.
“É melhor assumir que temos
um déficit de informação, que a
capacidade de coordenação da
Saúde hoje é baixa e, então, criar
umprogramaparaterissoorgani-
zado daqui a cinco anos. É a única
maneira de garantir o que o país
Sem
informações
claras e
organizadas,
tudo o que
se discute
é opinião.
Navegamos
às cegas”
“Quanto
menos dinheiro
temos, mais
eficiente deve
ser a forma
de usá-lo. É
preciso estudar
maneiras de
financiamento”
Nelson Teich
ex-ministro da Saúde
Oncologista, Nelson Teich critica fragmentação do sistema e afirma que programa com
informações oncológicas precisas da população ajudaria planejamento e alocação de recursos
precisalá na frente. Do contrário,
daqui a cinco anos as coisas esta-
rão como estão hoje: fragmenta-
das e sem coordenação.”
Além da necessidade de con-
centrar e organizar as informa-
ções, Teich destacou outros dois
pontos de atenção: planejamen-
to e priorização dos recursos fi-
nanceiros.
Com base em um retrato da
saúde, define-se a porcentagem
do orçamento que deve ser des-
tinada para o setor. A partir das
necessidades (para diagnósticos,
cirurgia,radiologia,oncologiaclí-
nica, treinamento) decide-se co-
mo realocar esses recursos.
“Quanto menos dinheiro te-
mos,maiseficientedeveserafor-
ma de usá-lo. É preciso estudar
maneirasdefinanciamentoecriar
políticasdeincentivoparaviabili-
zar esses recursos”, disse.
O oncologista enfatizou a im-
portância de haver um coman-
do central que defina claramen-
te qual a melhor forma de alocar
os recursos financeiros. Para ele,
sem essa estratégia macro deta-
lhada para a Saúde como um to-
do (e a oncologia faz parte dela),
fica impossível melhorar a efici-
ência do sistema.
“Sem informações e sem alo-
cação eficiente de recursos, a de-
sigualdade aumenta. Precisamos
entender que Saúde não tem um
ponto de chegada: ela é o cami-
nho. É todo dia analisar o que
aconteceu ontem e hoje para de-
finir o que fazer amanhã.”
APRESENTA
Nelson Teich, oncologista e ex-ministro da Saúde, durante fórum promovido pelo Oncoguia
Reprodução

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  • 1. a eee a eee QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2020 A13A12 QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2020 TRATAMENTOS DE PONTA NO COMBATE AO CÂNCER A oncologia de precisão é uma nova abordagem para o tratamento de câncer que, em vez de focar na parte do corpo afetada, se baseia em testes molecula- res e no rastreamento dos genes, buscando detectar a presença de determinados defeitos nas células, ou seja, a origem do tumor. A partir da identificação da alteração celular ou em determinadas proteínas, é definido o tipo de tratamento para frear o cresci- mento desordenado dessas células IMUNOTERAPIA Medicação ativa o sistema imune e estimula as células de defesa do organismo a reconhecerem o tumor como um agente agressor e a combatê-lo. Indicada principalmente nos casos em que o sistema imune não identifica as células tumorais (ou quando elas se multiplicam rápido demais) TERAPIA-ALVO Teste genético identifica o gene em mutação, e o paciente recebe um ou mais medicamentos que vão atuar diretamente nas células cancerosas, alterando a forma como elas crescem, se dividem, se autorreparam ou interagem com outras células. Os efeitos colaterais, quando ocorrem, são bem menos frequentes que os associados à quimioterapia convencional HORMONIOTERAPIA Propõe a diminuição do nível de hormônios ou o bloqueio da ação desses hormônios nas células tumorais, com o objetivo de tratar tumores malignos dependentes do estímulo hormonal RADIOTERAPIA DE PRECISÃO O princípio continua o mesmo da radioterapia tradicional: radiações ionizantes são direcionadas para destruir ou inibir o crescimento das células anormais que formam um tumor. Com o aperfeiçoamento dos equipamentos e da metodologia é possível atingir mais diretamente o tumor, com menos efeitos colaterais TERAPIA CELULAR Propõe modificar as células do sistema imune — os linfócitos T — para que elas reconheçam uma proteína específica presente no tumor. O processo é complexo, pois requer a remoção de células do paciente, o “treinamento” e a adaptação dessas células a um antígeno conhecido do tumor e a devolução dessas células para que elas possam atacar o câncer Covid-19 terá efeito futuro na evolução dos casos de câncer Meta é reduzir tempo para a detecção da doençaC om o avanço da Covid-19, os esforços dos sistemas de saúde público e priva- do se voltaram para o combate à doença. Consultas, exames, bióp- sias, tratamentos e cirurgias fo- ram adiados, e os pacientes com câncer foram particularmente impactados. Pesquisa realizada nos me- ses de abril e maio pelo Instituto Oncoguia revelou que41% dos 556 entrevistados na fase um tiveram seus tratamentos de câncer afe- tados pela pandemia. A pesqui- sa, intitulada “Impactos do coro- navírus na vida do paciente com câncer”, foi divulgada no 10º Fó- rum Nacional de Políticas de Saú- de em Oncologia On-line, reali- zado entre os dias 3 e 7 de agosto. O evento, organizado pe- lo Instituto Oncoguia (ONG de apoio, informação e defesa de direitos dos pacientes com cân- cer), reuniu representantes de di- versos setores da sociedade para discutir as demandas da oncolo- gia no Brasil e os principais pro- blemasenfrentadospelospacien- tes oncológicos que dependemdo SUS (Sistema Único de Saúde) e/ ou da saúde suplementar. “Não podemos ficarsem fazer nada, esperando a epidemia de casos avançados de câncer che- gar. O fórum reuniu os maiores especialistas para discutire bus- car soluções para os problemas enfrentados pelos pacientes com câncer”, disse LucianaHoltz, pre- sidente do instituto. Por conta da pandemia, o Fó- rum Nacional Oncoguia foi reali- zado de forma digital. As mais de 20horasde discussões,com cerca de 40 especialistas, estão dispo- níveis no site do Oncoguia (www. oncoguia.org.br). O impacto do coronavírus no câncer, no Brasil e no mundo, e os planos para a retomada foram destaque na abertura do fórum. “Pesquisa realizada pelo Onco- guia e CliqueSUS revelou queda drástica no número de biopsias e cirurgias, além de exames co- mo colonoscopia (para detectar câncer no intestino), mamogra- fia(de mama) e citológico (colo do útero) em todos os estados bra- sileiros”, afirmou Rafael Kaliks, oncologista do Hospital Israeli- ta Albert Einstein e diretor cien- tífico do Oncoguia. “O atraso no diagnóstico dessas doenças sig- nifica que elas serão descobertas já em fase adiantada.” Entidades como a Socieda- de Brasileira de Patologia (SBP), a Sociedade Brasileira de Onco- logiaClínica(SBOC) e aSociedade Brasileira de Cirurgia Oncológi- ca(SBCO) estimam que entre 70% e 80% dos novos casos de câncer não estão sendo diagnosticados por causa da pandemia. Por con- tadisso, devehaverumaexplosão decasoscomaretomadadas con- sultas e exames. “Alguns erros cometidos du- rante a pandemia se tornam aprendizados. Interrompemos o atendimento em duas áreas, consideradas de risco, que não deveriam ter parado: a de Aten- ção Primária à Saúde, no SUS, e os consultórios médicos da re- de privada. Veremos o impac- to dessas medidas no aumento das doenças crônicas e de cân- D esafio presente em to- das as discussões so- bre oncologia no Bra- sil,oacesso àsnovastecnologias de saúde depende de mudanças na estrutura e nos processos do Ministério da Saúde. Essa foi a conclusão da discussão sobre o tema no 10º Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncolo- gia On-line. Hoje, a análise e incorpora- ção de novostratamentos e me- dicamentos ao SistemaÚnico de Saúde (SUS) é feita pela Comis- sãoNacionaldeIncorporaçãode Tecnologias (Conitec), enquanto a análise e incorporação de no- vos tratamentos e medicamen- tosparaosistemaprivadoéfeita pelaAgência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “Uma agência única traria agilidade e eficiência ao pro- cesso e aumentaria o poder do Ministério da Saúde para nego- ciar preços, garantindo maior acesso à população”, afirmou Denizar Vianna, ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Insu- mos Estratégicos do Ministé- rio da Saúde. Viannaafirmaque o proces- so de avaliação das tecnologias de saúde no Brasil é reativo, ou seja, espera-se que a indústria, as organizações de pacientes, as sociedades médicas ou alguma secretaria solicitem a incorpo- ração dos tratamentos ou me- dicamentos. “Precisamos inver- ter essa lógica.” Se a falta de verba para as aquisições e incorporações de medicamentos de ponta é um fato, isso torna ainda mais ne- cessáriaadefinição de priorida- des –com base na carga de do- enças e nas necessidades não atendidas. Daí a importância de estabelecer um limite de orça- mento para as incorporações e agregar mais transparência aos processos. “A partir daí é possível criar um cronograma de incorpora- ções, por um período de três a cinco anos, porexemplo, basea- do nas necessidades e priorida- des, negociado com as socieda- des médicas e organizações de pacientes”, disse Vianna. Essa nova agência discutiria também a precificação da in- corporação,hoje a cargo da Câ- mara de Regulação do Merca- do de Medicamentos (CMED). “Comprar medicamentos para os sistemas público e privado aumentariao poderde negocia- ção de preços do governo com a indústria.” Hoje, o SUS, que atende 78% dapopulação brasileira, estabe- lece um valor médio para o tra- tamento do câncer. Ele repas- sa esse valor (cerca de R$ 1.000 mensais por paciente para os casos de melanoma, um cân- cer grave de pele, por exemplo) para a instituição que vai ofe- recer o tratamento (entidades filantrópicas na grande maio- ria das vezes). Esse valor cobre apenas os tratamentos mais antigos. Os mais modernos e eficientes, co- moterapia-alvoeimunoterapia, têm custos que podem variar de R$ 15 mil a R$ 50 mil por mês. Vianna, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich e outros especialistas defendem que o governo centralize a compra e distribuição dos medicamen- tos de alto custo em oncologia como estratégia para ampliar a oferta de tratamentos de ponta para os pacientes do SUS, dimi- nuindo a desigualdade em rela- ção ao sistema privado. “Cen- tralizando a compra, o governo ganhariaescala,conseguiriane- gociar melhor os preços e dis- tribuiria aos estados”, afirmou o ex-secretário. “Quando o SUS foi concebi- do, nadécada de 1980, nãohavia essa pressão por custo de me- dicamentos, não existiam tera- pias celulares e gênicas. É pre- ciso estudarnovas modalidades definanciamentodiantedasno- vas pressões de gastos para as novas tecnologias de saúde. E estabelecer uma nova política parao câncer: aatual foi monta- dahá muito tempo, numaépoca em que só havia quimioterapia de baixo custo”, disse. Com represamento de diagnósticos, tumores serão descobertos e tratados em fases avançadas; fórum nacional discute demandas da oncologia e desafios para ações mais efetivas e sustentáveis Dados mostram que quase 9 em cada 10 casos de câncer de pulmão são descobertos no Brasil quando o estágio da doença já está avançado Especialista afirma que incorporação de novos medicamentos e tratamentos deveria ser única para os setores público e privado cer. Já registramos crescimento nas mortes porcausas cardiovas- culares”, diz Gonzalo Vecina, ex- secretário de Saúde de São Paulo e ex-presidente da Agência Na- cional deVigilânciaSanitária(An- visa). “Não se levou em conta a possibilidade de estabelecerpro- tocolos para reduzir os riscos de infecções. Numa próxima pande- mia,quevaiacontecer, precisare- mos criar condições de manter a atenção primária e os consultó- rios funcionando.” No segundo dia do fórum, o debate foi em torno da impor- tância do diagnóstico precoce do câncer, com discussões sobre prioridades e propostas de solu- ções. A questão da desigualdade notratamento dadoençatambém foi priorizada. Os caminhos e desafios para uma oncologia sustentável, efeti- va e justa foram destaque no ter- ceiro diado evento. O fórumtam- bém discutiu o acesso às novas tecnologiasnoBrasil,aimportân- cia das políticas públicas basea- das em evidências, o compromis- socominformaçõesdequalidade, o combate às fake news e os de- safios para a garantia dos direi- tos dos pacientes. “A questão é construir uma liderança que leve em conside- ração as melhores evidências científicas, os princípios de so- lidariedade, equidade e melho- res práticas.A partir desses pon- tosvamosconseguirdefenderque não só a Covid-19 mas todo o sis- tema de saúde precisa ser reco- nhecido como fundamental e ge- rar políticas de saúde para que os pacientes realmente tenham melhores desfechos, baseados nas melhores evidências”, afir- mou Felipe Roitberg, oncologis- ta do Programa de Lideranças da União Internacional de Controle do Câncer. Atenção primária reduz demanda por hospitais Diante dos problemas orça- mentários da Saúde em um pa- ís com dimensões continentais como o Brasil, como otimizar o atendimento e expandi-lo às re- giões menos favorecidas? Carlos Eduardo de Olivei- ra Lula, secretário de Estado de Saúde do Maranhão e presiden- tedoConass(ConselhoNacional de Secretários de Saúde), defen- de que o foco à Atenção Primá- ria à Saúde (APS) pode elevar os indicadores gerais de saúde. “Não basta questionar por que não temos tratamento ade- quado para o câncer. A ques- tão anterior é que faltam con- dições básicas de saneamento em vários municípios do Brasil. Quando olhamos esses indica- doresevemosoreflexonasaúde como um todo entendemos por que não conseguimos fazer um diagnóstico precoce do câncer.” Segundo Lula, “se os estados continuarem olhando só paraos centros de alta e média com- plexidade, os recursos vão ser gastos com atenção hospitalar, sem resultado na prevenção e no diagnóstico prévio.” Parafortaleceraatençãopri- mária, o ex-secretário sugere a implantação de um sistema de planificação, o Paps (Planifica- ção da Atenção Primária à Saú- de).Apropostavaialémdacapa- citaçãodeprofissionais.Aideiaé proporcionaro desenvolvimen- to da Atenção Primária à Saúde por meio de planejamento e de mudanças efetivas na atitude e nos processos de trabalho dos profissionais que compõem as equipesassistenciaisedegestão. Incluiaindaconhecimentocom- partilhado por meio de uma re- de formada por consultores, fa- cilitadores e tutores. Ele cita exemplo implantado noMaranhão:“Investimosesfor- ços na saúde materno-infantil para diminuir a mortalidade em algumas regiões do estado onde ela era sete vezes maior do que a média do Brasil. Conseguimos zerar isso em dois anos”, conta. E sugere estender a práti- ca para a prevenção de doen- ças crônicas como o câncer. “Se cuidarmos melhordasaúde dos municípios e daatenção primá- riaàSaúde, diminuiremos ane- cessidade de atençãohospitalar. E o diagnóstico precocevai tor- narmais barato otratamento do câncer”, conclui. A Lei dos 30 dias (para realização de exames no SUS em caso de suspeita) traz empoderamento para a sociedade Tiago Matos, diretor de advocacy no Instituto Oncoguia O tratamento oncológico adequado começa com a prevenção primária, evitando tudo que oferecer risco de desenvolver um câncer Rafael Kaliks, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein A redução da mortalidade está relacionada à detecção de tumores malignos em estágio pré- clínico Maira Caleffi, mastologista e presidente da Femama Sistemas de aprovação e compras acentuam desigualdade Luciana Holtz (esq.), presidente do Oncoguia, faz mediação de mesa do 10º Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia On-line KeinyAndrade/EstúdioFolha O diagnóstico precoce do câncer é o primei- ro passo para o su- cesso no tratamento da doen- ça. Infelizmente, isso está longe de ser realidade no Brasil, onde cerca de 56% dos diagnósticos acontecem em estágios avan- çados da enfermidade para os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), que atende 78% da população brasileira. Os dados são do Tribunal de Contas da União. No caso do cân- cer de pulmão, a situação é ainda maiscrítica:86%dospacientesda rede pública foram diagnostica- dosnosestágios3e4dadoença,de acordocomoRadardoCâncerde Pulmão realizado pelo Oncoguia. “Para dar uma ideia da gravi- dade da situação, na Suécia e na Noruega menos de 9% dos diag- nósticosdecânceracontecemem estágiosavançados.NoReinoUni- do, que tem um sistema de aten- dimento universal que inspirou o SUS, esse índice é de 13%”, afirma Tiago Matos, diretor de advocacy no Instituto Oncoguia. A importância do diagnósti- co precoce, seus desafios e prio- ridades foramtemade debate no 10º Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia On-line. “As evidências mostram que a redução da mortalidade está relacionada à detecção de tu- mores malignos em estágio pré- clínico, quando eles são meno- res que 1 centímetro. No caso do câncer de mama, a chance de cura quando a doença é diag- nosticada em estágio inicial é de 95%”, afirmou a mastologis- ta Maira Caleffi, presidente da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama). Segundo auditoria do TCU, o tempodeesperaporumdiagnós- tico de câncer chega a 200 dias. “Esse tempo é suficiente para o câncer de mama passar do está- gio1parao 3.Paracadamilímetro deaumentonotamanhodonódu- lo,diminui1%achancedecurada paciente”, disse Caleffi. O paciente enfrenta quatro etapas de atrasos em sua jorna- da para conseguir o diagnóstico no setor público: demora para a realização da primeira consul- ta com o especialista, atraso na realização do exame e, poste- riormente, para a liberação do resultado. E mais atraso para a consulta de retorno, onde re- cebe a confirmação da doença. A auditoria do TCU apontou como principais causas para o diagnóstico tardio: 1)A fragilidade nadisponibi- lidade de exames; 2) A deficiência na distribui- ção de médicos e prestadores de serviços de saúde (patologistas, radiologistas, técnicos etc.); 3) Deficiência na regulação doacesso.Oatendimentocome- ça na Unidade Básica de Saúde e passa para um centro de mé- dia complexidade, em seguida para um de alta complexidade. A auditoria constatou inconsis- tências nos sistemas de registro, dificuldade na implantação de protocolos e falta de critérios de priorização para pacientes com sinais e sintomas da doença; 4) Impossibilidade de calcular o tempo de reali- zação do diagnóstico em função de inconsistên- ciasnosistemaderegis- tro de dados. SegundoRafaelKali- ks,oncologistadoHospi- talIsraelitaAlbertEinstein ediretorcientíficodoOnco- guia,umtratamentooncológi- coadequadorequerumasequên- ciadeprocedimentosquecomeça com a prevenção. São eles: 1) Controle dos fatores que envolvem risco de resultar em um câncer:tabagismo, consumo de álcool, obesidade e infecção por HPV, por exemplo; 2) Diagnóstico precoce; 3)Diagnósticopreciso,identi- ficando tipo e subtipo de câncer; 4) Tratamento coordenado: oncologista clínico, cirurgião oncológico, radiologista etc.; 5) Modalidades de suporte: nutricionista, psicólogo, fisio- terapeuta etc.; 6) Enfermagem coordenada com a equipe médica. “Apartirdomomentoemque existe um panorama do que es- tá acontecendo, é possível fazer ajustesemudanças.Daíaimpor- tância dos dados”, disse Matos. “E a Lei dos 30 dias (13.896/19, que assegura aos pacientes do SUS com suspeita de câncer o direito à realiza- ção de exames diagnósti- cos no prazo máximo de 30 dias) traz um empode- ramento para a sociedade e uma meta para os gesto- res perseguirem.” APRESENTA IMPACTO DO CORONAVÍRUS NA VIDA DO PACIENTE COM CÂNCER Pesquisa realizada pelo Oncoguia em duas fases do isolamento social 1ª fase: abril/maio 2ª fase: julho 0 10 20 30 40 50 60 70 80 não sim 1ª fase 2ª fase não respondeu 57% 63% 31% 6% 41% 59 70 76 59 41 41 30 24 2% SEU TRATAMENTO FOI IMPACTADO PELA PANDEMIA? IMPACTO DA PANDEMIA NO TRATAMENTO 1ª fase Sim, impactou 1ª 1ª 2ª 1ª 2ª 2ª 2ª fase 10 20 30 40 50 60 70 80 10 20 30 40 50 60 70 80 1ª 2ª No SUS No particular Não, está tudo normalem % % % % % Quimioterapia Hormonioterapia Imunoterapia Radioterapia Terapia-alvo Não sabe QUAL O SEU TRATAMENTO? 40 30 9 8 10 14 39 26 11 11 8 14 ÁREAS DA VIDA IMPACTADAS PELA PANDEMIA SENTIMENTOS EM RELAÇÃO AO MOMENTO QUE ESTAMOS VIVENDO 30 40 50 60 53 58 60 58 52 40 36 36 50 47 37 36 18 18 48 33 32 36 35 Emocional Medo Ansiedade Tristeza Confiança Cansaço Confusão Financeira Saúde Social O câncer no Brasil... País deve registrar cerca de 625 mil novos casos de câncer para cada ano do triênio 2020/2022 ‥ e no mundo Em 2018, foram 18 milhões de casos de câncer, com 9,6 milhões de mortes. A OMS estima 29 milhões de casos em 2030 0 10 20 30 40 50 60
  • 2. a eeeA14 QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2020 Próstata Cólon e Reto Traqueia, Brônquio e Pulmão Estômago Cavidade Oral Esôfago Bexiga Laringe Leucemias Sistema Nervoso Central Mama Cólon e Reto Colo do útero Traqueia, Brônquio e Pulmão Glândula Tireóide Estômago Ovário Corpo do útero Linfoma não Hodgkin Sistema Nervoso Central Fatores ambientais e comportamentais •Obesidade e sobrepeso após a menopausa •Sedentarismo •Consumo de bebidas alcoólicas •Exposições frequentes a radiações ionizantes (Raios-X) INCIDÊNCIA ESTIMADA DE CÂNCER NO BRASIL EM 2020 Homens Mulheres % % Fonte: Inca (Instituto Nacional do Câncer) – Ministério da Saúde DIAGNÓSTICOS DE CÂNCER DE MAMA NA REDE PÚBLICA X PRIVADA FATORES DE RISCO PARA O CÂNCER DE MAMA Estágio 1 2 3 4 Detectado por sintomas Detectado por exames em % Outros fatores que aumentam o risco da doença além da idade, que é o mais importante (cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos) Fatores da história reprodutiva e hormonal •Primeira menstruação antes dos 12 anos •Não ter tido filhos •Primeira gravidez após os 30 •Menopausa após os 55 •Uso de contraceptivos hormonais •Ter feito reposição hormonal pós-menopausa Fatores genéticos e hereditários •Histórico familiar de câncer de ovário •Caso de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos •Histórico familiar de câncer de mama em homens •Alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2 65.840 66.280 20.540 17.760 13.360 11.200 8.690 7.590 6.470 5.920 5.870 20.470 16.710 12.440 11.950 7.870 19,5 41,4 14,7 3,2 41,9 33,5 6,1 53 47 23,1 76,9 40,6 6.650 6.540 5.450 5.230 29,2 9,1 7,9 5,9 5,0 3,9 3,4 2,9 2,6 2,6 29,7 9,2 7,5 5,6 5,4 3,5 3,0 2,9 2,4 2,3 Público Privado Pacientes do SUS detectam câncer de mama em estágio mais avançado Maior parte dos diagnósticos no SUS ocorre após surgimento de sintomas Fontes: Estudo Amazona 3 e Inca APRESENTA Ateliê de produção de conteúdo para estratégia de marcas e mercado publicitário em todas as plataformas | Medicina personalizada permite escolhas com impacto positivo no tempo e na qualidade de vida do paciente; precocidade do diagnóstico é fundamental Um olhar individual para o paciente certo no momento certo O s avanços da medicina têmlevado a uma maior compreensão do câncer e aberto novos horizontes sobre os cuidados personalizados que a doença exige. “Cada vez mais os médicos e pesquisadores que trabalham com oncologia estão descobrindoferramentasquepo- dem direcionar o tratamento de cada paciente de forma mais efi- caz. Hoje jáé possível subdividira maioriadostumoresmalignosem tipos específicos de câncer que podem responder melhor a um determinado tipo de terapia. É o que chamamos de medicina per- sonalizada”, afirma a oncologista Daniela Rosa, do Hospital Moi- nho de Ventos, de Porto Alegre, e presidente do Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama. Para a medicina personaliza- da, cada paciente é único, assim como a doença.Ao considerar as diferentes características genéti- cas de cada tumor é possível, por exemplo, realizar o mapeamen- to de biomarcadores para prever como responderá a determina- dos medicamentos e, assim, es- colher a melhor opção. Quem tem câncer de mama, pulmão, cólon e reto, um mela- noma ou certos tipos de leuce- mia já encontra no país opções para ter seu tumor testado antes do início do tratamento. Mas a precocidade na des- coberta dos tumores continua sendo fundamental, mesmo na medicina personalizada. Nesse aspecto, o Brasil não vai bem. O Instituto Oncoguia estima que no Brasil quase 600 mil pes- soas recebem por ano o diagnós- tico de algum tipo de câncer, e cerca de 40% já descobrem a do- ença em estágio avançado. A si- tuação é mais grave entre os usu- ários do sistemapúblico de saúde (veja quadro ao lado). C ÂNCER DE MAMA No caso do câncer de mama, porexemplo, o de maiorincidên- cia entre as mulheres, de 70% a 75% das que descobrem a doen- ça o fazem por meio de palpação ou após apresentarem sintomas, afirma o oncologista Sergio Si- mon, do Grupo Oncoclínicas e do Hospital Albert Einstein. “Isso não é nada bom, pois quer dizer que a doença já está em estágio avançado e com sin- tomas. O ideal no câncer de ma- ma é ser diagnosticado em es- tágio muito precoce, porque aí a chance de cura é de mais de 90%”, disse o médico. No Brasil, apenas 34% dos ca- sos são diagnosticadas por exa- mes de rastreamento, diferen- temente do que ocorre nos EUA, onde, em alguns estados, 90% dos casos são diagnosticados dessa maneira. Informação e conhecimento sobre direitos são ferramentas essenciais A longevidade está fazendo com que mais pessoas desenvol- vam algum tipo de câncer, que, além do fatores etários e genéti- cos, pode ser causado por maus hábitos como má alimentação, sedentarismo, excesso de álco- ol ou tabagismo. No combate a essa doença múltipla, a informação sobre a enfermidade e o conhecimen- to dos direitos de cada um são ferramentas essenciais. Uma das informações mais importantes para a pessoa com câncerou com suspeitas de oter desenvolvido são asleis dos 30 e a dos 60 dias. A lei 13.896/19, co- nhecida como a Lei dos 30 dias, é mais recente. Foi sancionada em novembro do ano passado e entrou emvigor no fim de maio. Ela assegura aos pacientes do SistemaÚnico de Saúde (SUS) com suspeita de câncer o direi- to de realizar exames no prazo máximo de 30 dias. Já a lei 12.732/12, a chamada Lei dos 60 dias, estipula o início do tratamento pelo SUS em no máximo 60 dias apartirdo diag- nóstico do câncer. “As leis são conquistas mui- to importantes, mas, na práti- ca, ainda vemos pacientes es- perando muito pela biópsia ou pelo primeiro tratamento. Pre- cisamos de um sistema de saú- de equipado, transparente e ágil para atender a essas demandas, que garanta que o paciente não vai se perder no caminho. To- dos os envolvidos, desde a UBS, devem priorizar o cuidado ade- quado desse paciente”, afirma Luciana Holtz, fundadora e pre- sidente do Instituto Oncoguia. As campanhas de conscien- São tumores pequenos, de 5 milímetros a 1 centímetro, que nem o médico nem o pacien- te conseguem palpar e, para os quais a cura é quase certa, e o tratamento, muito mais simples. “O Sistema Único de Saúde é uma joia brasileira. Os índices de saúde do brasileiro vêm melho- rando.A expectativadevida, ata- xa da mortalidade, as mortes por infecção e as doenças cardiovas- culares são índices que melho- raram muito no Brasil des- de que o SUS foi criado, em 1988. Porém, quando se tra- ta de câncer, ainda há muito a melhorar”, diz Simon. Um exemplo de deficiênciano sistema público citado pelo mé- dico é que, como existem vários tipos de câncer de mama, é ne- cessário que, junto com a bióp- sia, já seja feito o exame que de- tecta as características do tumor e permita ao médico determinar o tratamento correto. No SUS, ele muitas vezes só é feito em um segundo momento, depois do resultado da biópsia. EQUILÍBRIO DO SISTEMA Além do diagnóstico preco- ce ser chave para aumentar as chances de sucesso dotratamen- to, para o sistema de saúde, tanto no público como no privado, ele funciona como um fator de equi- líbrio financeiro. “Trataruma doença em está- gio avançadotem um custo muito maior do que se ela for diagnos- ticada e tratada logo no início”, dizVanessaTeich, especialistaem custo-efetividade, novastecnolo- gias e valor em saúde e superin- tendente de Economia da Saúde do Hospital Albert Einstein. “Muitasvezes, o investimento em prevenção e detecção precoce é negligenciado, pois tem retor- no no médio elongo prazo e gasto no curto prazo. Afinal, o sistema vai gastar mais no presente, com a realização de exames preven- tivos, mas serão evitados gastos muito maiores no futuro”, afirma. tização são também cruciais no processo, diz, pois o câncer é uma doença que envolve uma carga enorme de medo e que é muito estigmatizada. “Campanhas de conscien- tização são fundamentais para acabar com o preconceito e com o medo e também para educar as pessoas sobre o momento ade- quado de se procurar um médi- co ou fazer um exame. Apesar de ninguém querer encontrar um câncer, hoje sabemos que quem procura cura”, afirma a presiden- te do Oncoguia. Hoje, por meio de diversas ferramentas disponíveis, o médico chega a uma terapia personalizada para aquele determinado paciente Daniela Rosa, presidente do Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama
  • 3. a eee QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 2020 A15 APRESENTA Léia se diz otimista no enfrentamento da doença e incentiva mulheres a superarem o medo do câncer Modelo leva quatro anos até obter diagnóstico correto A modelo Léia tinha 25 anos quando, durante o banho, percebeu um pequeno caroço na mama es- querda.Suapoucaidadefezcom quevários profissionais descar- tassemalgomaissério.Sóàsvés- perasdecompletar29anos,com o agravamento de vários sinto- mas,équefoiconfirmadoodiag- nóstico de câncer de mama. “Seeutivessesidoouvidano início, poderia não ter perdido todaaminhamama,nemterque esvaziarasaxilaseficarcomuma dificuldade motora”, afirma. Sua peregrinação começou em 2013,com adificuldade para marcar a consulta com o gine- cologista do SUS (Sistema Úni- co de Saúde). Foramtrês meses de espera. O médico a exami- nou, a encaminhou para exa- mes e para uma consulta com um mastologista. Comooexamedeultrassom pelo SUS seria demorado, Léia procurou umlaboratório priva- do. Com o resultado em mãos, foiaomastologista.Apesardade- tecção de um nódulo, o médico afirmouqueelanãotinhaidadepa- ratercâncerequenãoprecisavase preocupar. Disse que se tratava de umcistoequedeveriafazeracom- panhamento a cada seis meses. Como o caroço continuou a crescer, a modelo procurou uma segunda opinião. O médico repe- tiuodiagnósticodoprimeiro.Dois anos depois, passou por um ter- ceiro especialista, e, ao receber o mesmo diagnóstico, de que aquilo nãopoderiasercâncer,seconven- ceu de que não tinha mesmo nada grave e relaxou. Umanodepois,começouasen- tir muita dor no braço e resolveu consultar mais um mastologista. Nada. Só o quinto profissional a encaminhou para fazeruma bióp- sia,queconstatouocâncer nama- naemais nódulosnaaxila.Emde- zembrode2016,quasequatroanos depois da primeira consulta, fez a cirurgia para a remoção da mama. Léia teve sorte de não ter um quadrometastático(quandoocân- cerse espalha para outros órgãos). Hoje,sedizotimistaeencaraotra- tamentocomleveza.“Quandofinal- menterecebiodiagnóstico,nãome revoltei.Fiqueialiviada,poissabia queapartirdalieuteriachancesde sertratada e de me curar.” Elacontaque,apósodiagnós- tico, não tem nada a reclamar do tratamento que recebeu no siste- ma público. “Foi um tratamento humanizado. Fui muito bem tra- tada e, a partir daí, os exames fo- ramrápidos.Soumuitogrataatoda aequipemédicaedeprofissionais queacompanharam,eaindaacom- panham, o meu tratamento”, diz. Léia aconselha as mulheres que passam porsituações seme- lhantes a nunca desanimarem. Suasugestão é que procurem co- nhecer o próprio corpo e, diante de umasuspeita, busquem infor- mação e ajuda, além de mante- rem os exames de rotina em dia. “Todo mundo precisa estar atento aos sinais de seu corpo e aos cuidados que ele exige. Te- mos direito àsaúde, e o SUStam- bém atende bem. ” A modelo encerra seu relato dizendoque,aocontráriodequem pensa que “quem procura acha”, acreditaque“quemachatrata,po- dendochegaràcuraemalgunsca- sos”. “As mulheres não devemte- mer o diagnóstico. É a partir dele que começa o tratamento. E é li- bertadorsaberquevocêestásen- do tratada e que vai se curar.” Luciana Holtz, presidente e fundadora do Instituto Onco- guia, vê em Léia um exemplo de paciente ativo, responsável e que não desiste de ir atrás do melhor cuidado. “A informação de qualidade éhoje um divisorde águas na vida desses pacientes que precisam conhecer seu tipo e subtipo de câncer para assim se beneficiarem do melhortrata- mento.Além disso, a informação garante que, durante toda a fa- se de enfrentamento da doença, as vontades e preferências deles importem”, afirma Holtz. Léia mostra a foto da época da quimioterapia KeinyAndrade/EstúdioFolha Ex-ministro defende grande banco de dados sobre saúde A incapacidade de enxer- gar o sistema de saúde como um todo torna es- se sistema fragmentado e sem coordenação. E a informação é o ponto de partida para enten- der os reais desafios da onco- logia, estabelecer prioridades e traçar um plano de ação com re- sultados mensuráveis, defendeu o ex-ministro da Saúde Nelson Teich durante o 10º Fórum Na- cional de Políticas de Saúde em Oncologia On-line. “Seminformaçõesclaraseor- ganizadas, tudo o que se discute é opinião”, disse. “As informações nos possibilitam saber o que está acontecendo de fato com apopu- laçãoeenxergarosistemadesaú- de como um todo. Sem isso, na- vegamos às cegas. Temos apenas uma ideia do que acontece, mas sem dados suficientes para fazer um planejamento ou desenvolver uma estratégia.” Segundo Teich, o Sistema Único de Saúde está fragmenta- do e sem coordenação, com al- guns ótimos exemplos de servi- ços,comooHospitaldoCâncerde Barretos, mas que atuam isolada- mente. “Não podemos trabalhar casosisoladoscomosefossemre- gra. Eles não refletem o Brasil.” O ex-ministro sugere a cria- ção de um grande programa de informações oncológicas da po- pulação, com dados integrados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), dos Centros de Assistên- ciadeAlta Complexidade em On- cologia(Cacons), das Unidades de Assistência de Alta Complexida- de (Unacons), do DataSUS (base de dados do Ministério da Saú- de) e dos centros de diagnóstico e tratamento oncológico da saú- de suplementar. Esses dados precisariam ser de fácil acesso, detalhados por cidade, estado e região e estar disponíveis de forma clara, não apenas para os médicos e profis- sionais da saúde, mas para pes- quisadores. A análise desse material pos- sibilitaria, por exemplo, ter um panorama real do que aconte- ceu com a oncologia de norte a sul do país nos últimos cin- co meses (período de isolamen- to social mais restrito) em ter- mos de diagnóstico, tratamentos e cirurgias. Isso facilitaria defi- nir as prioridades para os pró- ximos meses. “É melhor assumir que temos um déficit de informação, que a capacidade de coordenação da Saúde hoje é baixa e, então, criar umprogramaparaterissoorgani- zado daqui a cinco anos. É a única maneira de garantir o que o país Sem informações claras e organizadas, tudo o que se discute é opinião. Navegamos às cegas” “Quanto menos dinheiro temos, mais eficiente deve ser a forma de usá-lo. É preciso estudar maneiras de financiamento” Nelson Teich ex-ministro da Saúde Oncologista, Nelson Teich critica fragmentação do sistema e afirma que programa com informações oncológicas precisas da população ajudaria planejamento e alocação de recursos precisalá na frente. Do contrário, daqui a cinco anos as coisas esta- rão como estão hoje: fragmenta- das e sem coordenação.” Além da necessidade de con- centrar e organizar as informa- ções, Teich destacou outros dois pontos de atenção: planejamen- to e priorização dos recursos fi- nanceiros. Com base em um retrato da saúde, define-se a porcentagem do orçamento que deve ser des- tinada para o setor. A partir das necessidades (para diagnósticos, cirurgia,radiologia,oncologiaclí- nica, treinamento) decide-se co- mo realocar esses recursos. “Quanto menos dinheiro te- mos,maiseficientedeveserafor- ma de usá-lo. É preciso estudar maneirasdefinanciamentoecriar políticasdeincentivoparaviabili- zar esses recursos”, disse. O oncologista enfatizou a im- portância de haver um coman- do central que defina claramen- te qual a melhor forma de alocar os recursos financeiros. Para ele, sem essa estratégia macro deta- lhada para a Saúde como um to- do (e a oncologia faz parte dela), fica impossível melhorar a efici- ência do sistema. “Sem informações e sem alo- cação eficiente de recursos, a de- sigualdade aumenta. Precisamos entender que Saúde não tem um ponto de chegada: ela é o cami- nho. É todo dia analisar o que aconteceu ontem e hoje para de- finir o que fazer amanhã.” APRESENTA Nelson Teich, oncologista e ex-ministro da Saúde, durante fórum promovido pelo Oncoguia Reprodução