A Grande Energia     múltiplas visões sobre a hidreletricidade
A Grande Energia     múltiplas visões sobre a hidreletricidade               Org. de Hélio Teixeira e Ricardo Krauskopf Ne...
 Direitos de Publicação reservados à Itaipu BinacionalNos termos da lei nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou ...
ÍNDICEApresentação – Hidreletricidade e responsabilidade socioambiental......................................................
Água e vida..................................................................................................................
Hidreletricidade com sustentabilidade: as boas práticas da Itaipu Binacional............................................ 1...
APRESENTAÇÃOHidreletricidadee responsabilidadesocioambiental                                                              ...
Agora, esses sistemas ameaçam a própria existência da civilização. Isso é       Sustentabilidade, entendida como a capacid...
Muito tempo depois, com a eclosão de conhecimentos que provocaram             A energia elétrica, portanto, possui na tran...
(i) pela iluminação artificial haja atividade durante a noite; (ii) pela        No Brasil, instalada a crise do petróleo e...
Como resultado das benesses naturais de seu território e da acertada     ficiência e a precaução. Já há experiências conso...
o máximo de cuidados ambientais possíveis. Exemplo da continui-               Programa Cultivando Água Boa, de âmbito regi...
Alessandro Palmieri                                                                       Engenheiro civil com 22 anos de ...
Alessandro Palmieri                               As dificuldades que os países enfrentam               em termos monetá­ ...
a torre do sino                                                                                                           ...
Alessandro Palmieri                      A “Revisão” do World Bank (Banco            Hidreletricidade), entre as organizaç...
a torre do sino       • Quanto aos aspectos ambientais:               deve acabar. Um projeto é bom se                    ...
Anita Utseth                                                            Vice-ministra de Petróleo e Energia da Noruega, de...
Anita Utseth                      Fico contente que haja um interesse      sidade. A hidreletricidade desenvol-   as forma...
hidreletricidade sustentável – energia para o futurobilidade é muito útil para conscien-tizar aqueles a quem a sociedadein...
Antônio Ermírio de Moraes                                                                     Engenheiro e doutor em Metal...
Antônio Ermírio de Moraes                     De 2003 até o presente momento            tempo desperdiçado, pois as obras ...
a arrancada da energiaBalanço Energético preliminar, 2007,     mento, exportações, divisas, impostos,MME) e pouco poluente...
Antônio Otélo Cardoso                                                                     Engenheiro eletricista com mais ...
Antônio Otélo Cardoso                     da instalação da unidade de produ-         pois deve ser produzido para adaptar-...
a importância da hidrelétricade passagem (buchas) de extra-alta        iniciais e as análises dos resultados são   técnica...
Carl Vansant                                                                         Editor-chefe das revistas dedicadas a...
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades

2.670 visualizações

Publicada em

Org. de Hélio Teixeira e Ricardo Krauskopf Neto

1 .ª e d i ç ã o
ITAIPU BINACIONAL
Foz do Iguaçu - PR
2010

Publicada em: Tecnologia
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
2.670
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
13
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
65
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A Grande Energia - Mútiplas visões sobre a Hidreletricidades

  1. 1. A Grande Energia múltiplas visões sobre a hidreletricidade
  2. 2. A Grande Energia múltiplas visões sobre a hidreletricidade Org. de Hélio Teixeira e Ricardo Krauskopf Neto 1 .ª e d i ç ã o ITAIPU BINACIONAL Foz do Iguaçu - PR 2010
  3. 3.  Direitos de Publicação reservados à Itaipu BinacionalNos termos da lei nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma (meios eletrônicos,mecânicos, fotocópias, gravação ou arquivada em sistema ou banco de dados) sem a permissão de Itaipu. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) G751 A grande energia: múltiplas visões sobre a hidreletricidade / Assessoria de Comunicação Social – Itaipu Binacional ; Realização de Competence Comunicação e Marketing; Projeto Gráfico e Direção de Arte de TAB Marketing Editorial. - Foz do Iguaçu: Itaipu Binacional, 2009. 187 p. : il. col. ; 23 x 30 cm Inclui fotografias do Arquivo da Itaipu Binacional. ISBN 978-85-85263-04-1 1. Hidreletricidade. 2. Energia Elétrica. I. Título. 621.3 Bibliotecária responsável: CRB- 9/1351 Realização: Competence Comunicação e Marketing Coordenação: Hélio Teixeira de Oliveira e Ricardo Krauskopf Neto Equipe Editorial: Hélio Teixeira de Oliveira, Ricardo Krauskopf Neto, Miguel Augusto Zydan Sória e Paulino Motter Projeto Gráfico e Direção de Arte: TAB Marketing Editorial (www.tabeditora.com.br) Fotos: Acervo Itaipu Binacional Impressão: 3000 exemplares Impresso em abril de 2010 Itaipu Binacional Assessoria de Comunicação Social Divisão de Relações Públicas Centro de Recepção de Visitantes Av. Tancredo Neves, 6.702 – CEP: 85.866-900 – Foz do Iguaçu – PR Tel. (45) 3520-6977 / 3520-6988 rp@itaipu.gov.br / www.itaipu.gov.br
  4. 4. ÍNDICEApresentação – Hidreletricidade e responsabilidade socioambiental............................................................ 08Jorge Miguel SamekA torre do sino......................................................................................................................................................... 15Alessandro PalmieriHidreletricidade sustentável – Energia para o futuro........................................................................................ 21 .Anita UtsethA arrancada da energia......................................................................................................................................... 25Antônio Ermírio de MoraesA importância da hidrelétrica............................................................................................................................... 29Antônio Otélo CardosoO que a hidreletricidade tem de tão bom?......................................................................................................... 33Carl VansantA experiência do passado como base para o futuro.......................................................................................... 37Cássio B. ViottiItaipu nas memórias de um “barrageiro”............................................................................................................ 41Delcidio AmaralBarragens, desenvolvimento e o setor elétrico brasileiro................................................................................ 45Edilberto MaurerSuprimento de energia hidrelétrica no Brasil.................................................................................................... 49 .Edison LobãoVocê tem sede de quê? A herança das águas indígenas e lusitanas do Brasil.............................................. 53Evaristo Eduardo de MirandaEnergia renovável e não poluente........................................................................................................................ 57Flávio Antônio NeivaUma brevíssima história da hidreletricidade no Brasil...................................................................................... 61Francisco Luiz Sibut Gomide
  5. 5. Água e vida.............................................................................................................................................................. 65Fritjof CapraEnergia para todos................................................................................................................................................. 69Gurmukh S. SarkariaFuturo da hidreletricidade...................................................................................................................................... 75Jerson KelmanA energia hidrelétrica no Brasil – energia garantida, competitiva e limpa..................................................... 79João Camilo PennaHidreletricidade no Brasil: potencial competitivo a ser explorado................................................................. 85Jorge Gerdau JohannpeterO crescimento econômico e a gestão de recursos hídricos no Brasil............................................................ 89 .José MachadoO desafio da política energética brasileira......................................................................................................... 93 .José Otávio GermanoO recurso hídrico na geração de energia elétrica na Colômbia...................................................................... 99José Vicente Dulce CabreraObtendo benefícios do desenvolvimento hidrelétrico em Manitoba............................................................ 105Ken AdamsO desenvolvimento da hidreletricidade na China............................................................................................ 109Lin ChuxueGeração elétrica no Brasil: hidreletricidade, termeletricidade, nuclear e fontes alternativas.................... 113Luiz Pinguelli RosaO Brasil precisa de hidrelétricas.......................................................................................................................... 123Marcos Almeida Prado LefevreA dupla lição de Itaipu.......................................................................................................................................... 127Marcos Sá Corrêa
  6. 6. Hidreletricidade com sustentabilidade: as boas práticas da Itaipu Binacional............................................ 131Maria Osmarina da Silva Vaz de LimaAproveitando o potencial competitivo da hidreletricidade no Brasil............................................................ 135 .Mauricio Tiommo TolmasquimA hidrelétrica na América Latina e no Caribe................................................................................................... 139Mentor PovedaA estruturação do setor elétrico paranaense – 1961/1970............................................................................... 145Nelson L. de S. PintoA história da Hydro Tasmania – De pária a modelo........................................................................................ 151Peter RaeHidreletricidade e desenvolvimento sustentável.............................................................................................. 155Richard TaylorO Brasil dos próximos 50 anos............................................................................................................................ 163Rogério Cezar de Cerqueira LeiteUm retrocesso de meio século............................................................................................................................ 167Rubens GhilardiRestrições ambientais e licenciamento de aproveitamentos hidrelétricos................................................... 171Rui Carlos Vieira da SilvaO potencial hidrelétrico e seu desenvolvimento na Índia............................................................................... 175Siba Prasad SenHidreletricidade – caminho para o desenvolvimento sustentável brasileiro................................................ 179Valter Luiz Cardeal de SouzaOpiniões sobre o desenvolvimento hidrelétrico............................................................................................... 183Yogendra PrasadA esperança é energia que mobiliza corações e salva vidas.......................................................................... 187 .Zilda Arns Neumann
  7. 7. APRESENTAÇÃOHidreletricidadee responsabilidadesocioambiental Jorge Miguel Samek Diretor-Geral Brasileiro da Itaipu Binacional É com grande satisfação que, na qualidade de gestores da Itaipu Binacional, traze- mos a público esta obra que envolve diretamente o principal tema de nosso dia a dia: a hidreletricidade, que consiste na produção de energia a partir do movimento da água. Diante dos enormes desafios que hoje se impõem à humanidade, que precisa en- contrar a sustentabilidade de suas ações, falar em hidreletricidade imediatamente nos leva a questionar se esse modo de geração energética é sustentável. E foi justamente para esclarecer essa questão que se reuniu, no período de maio de 2007 a dezembro de 2008, a visão de diversos autores, que examinaram e pesaram minuciosamente as vantagens e desvantagens da hidreletricidade. O resultado é um documento detalhado sobre os caminhos da sustentabilidade no campo da geração hidrelétrica. Nossa intenção, portanto, é lançar luzes sobre um assunto que tem um papel central na discussão sobre as estratégias de desenvolvimento do país. No limiar do terceiro milênio, vivenciamos um momento crucial da História, em que os países se deparam com alterações no clima e no ambiente natural do planeta, muitas delas indiscutivelmente provocadas pelo homem. Na busca por seu bem-estar e tratando o planeta Terra como se os recursos naturais fossem infinitos, o homem desenvolveu e ativou sistemas políticos, produtivos e so- ciais que, se outrora foram eficazes para ao menos uma parcela da humanidade, hoje se confirmaram inconsistentes e incapazes de produzir resultados duradouros.8 | a grande energia
  8. 8. Agora, esses sistemas ameaçam a própria existência da civilização. Isso é Sustentabilidade, entendida como a capacidade da sociedade de utilizarpassível de comprovação por meio do ritmo com que as temperaturas da a natureza de modo a atender a suas necessidades atuais e futuras, éTerra vêm aumentando, com impactos sobre o clima e a biodiversidade de algo a ser tenazmente perseguido em prol da sobrevivência da huma-todo o planeta. Um processo de tal magnitude e de efeitos tão significativos, nidade. Com ela, almeja-se que o desenvolvimento econômico e socialevidentemente, exige mudanças de comportamento e soluções de grande seja compatível com o uso dos recursos naturais disponíveis, dando-lhesamplitude da parte do ser humano para que seja possível, ao menos, mini- sempre fôlego para se recomporem adequadamente. Dessa forma, amizar as consequências do Aquecimento Global. sustentabilidade acaba por também assumir um viés econômico redis- tributivo, predicado que a remete diretamente às frentes de combate àPreocupada com essa questão, a Organização das Nações Unidas pobreza.criou o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC),um fórum científico do mais elevado nível, que produziu a mais Nesse quadro, é instigante constatar que, antes de uma discussãocompleta coletânea de estudos sobre esse tema. Esses especialistas essencialmente materialista e etiológica, estamos diante de um debatevaticinam: é grande a influência do homem sobre as mudanças cli- que girará em torno do comportamento dos indivíduos e que neces­ ari­ smáticas, e se não houver um esforço coletivo para mudar os meios de amente apontará a revisão de gostos e aspirações e, o mais importante,produção, as consequências serão altamente negativas e, em muitos a revisão dos valores, da ética e das regras de convivência social.casos, imprevisíveis. Olhando um pouco para a História, é sabido que na aurora da humanidadeDiante dessas perspectivas perturbadoras, a busca por soluções exigirá a energia que movia seres humanos e animais provinha essencialmenteuma vasta discussão que, sem dúvida, exigirá contribuições de todos os dos alimentos. Tirando proveito de seu intelecto, o homem passou a buscarramos do conhecimento humano. Antes de tudo, trata-se da inadiável maneiras de produzir forças que ocasionassem movimentos, ou seja, quenecessidade de se refletir sobre o nosso modus vivendi, que condiciona realizassem trabalho. Daí a alavanca, a roda, a navegação e outras formas deo nosso modus faciendi. Ora, se vivemos sem sustentabilidade, há que aplicação de conhecimentos adquiridos pela percepção de que a naturezase inverter essa tendência, procurando torná-la factível. É essa a medida pode jogar a favor do ser humano, diminuindo-lhe, consequentemente, aprimeira que se impõe. necessidade de esforço braçal. a grande energia | 9
  9. 9. Muito tempo depois, com a eclosão de conhecimentos que provocaram A energia elétrica, portanto, possui na transmissão uma vantagema Revolução Industrial, no século 18, o homem chegou a uma conse­ competitiva significativa sobre o petróleo, por exemplo. O petróleoquência dessa evolução: a máquina a vapor. exige, além das refinarias e locais de estocagem, uma infraestrutura de transporte rodoferroviário e de navegação, de implantação eO advento desse engenho, por outro lado, marcou o início do uso de manutenção complexas. O sistema elétrico conecta as unidades decombustíveis em escala crescente para a produção da energia térmica, geração (importante ressaltar: de variadas fontes) às de consumoque, por sua vez, proporciona o movimento mecânico. Logo, evoluiu-se por meio de linhas de transmissão, de impactos bem menores e deda energia térmica para a elétrica, cuja difusão em larga escala permitiu, mais fácil expansão. A impossibilidade de estocagem da energia elétricade maneira exponencial, avanços científicos e tecnológicos em todas as é compensada pela capacidade que as linhas de transmissão proporcio-áreas, com ênfase para os transportes, a construção civil, a eletrônica, as nam ao sistema de realizar intercâmbios instantâneos de energia entrecomunicações e a informática, sofisticando cada vez mais os sistemas suas unidades geradoras.sociais e de produção. Embora haja esforços de pesquisa de fontes alter-nativas de geração de energia elétrica, em campos relativamente pouco Para ser ter uma ideia dessa capacidade de expansão interconectada,explorados, como ventos, marés e sol, as formas mais difundidas são a hoje, o Brasil, após décadas de investimentos em transmissão, contahidrelétrica, obtida pela transformação mecânica da força de quedas de com o Sistema Interligado Nacional (SIN), que cobre praticamenteágua, e a térmica, obtida por centrais geradoras alimentadas por com- todo o território nacional. Ao realizar os intercâmbios instantâneos debustíveis minerais sólidos e líquidos, incluindo os combustíveis radioati- forma otimizada, ele confere maior confiabilidade ao fornecimento evos. Todas de maior ou menor conse­ u­ ­ cia para o meio ambiente. q ên­­ diminui as incertezas para o consumidor, ao mesmo tempo em que ameniza –pela flexibilidade proporcionada justamente pela interliga-No campo das aplicações, a principal vantagem da eletricidade consiste ção – os efeitos das sazonalidades decorrentes do clima e do ciclona facilidade de transporte de energia a baixo custo pelo uso de redes hidrológico.de transmissão. Aliado a isso, a eletricidade possui a capacidade de sertransformada em qualquer outra energia, o que a converteu em uma É inequívoco que o emprego da eletricidade afeta o comportamento dosdas fontes energéticas mais utilizadas no século 20. indivíduos, das famílias, das empresas e dos governos ao permitir que:10 | a grande energia
  10. 10. (i) pela iluminação artificial haja atividade durante a noite; (ii) pela No Brasil, instalada a crise do petróleo em 1973, a visão de segurançaregulação artificial do clima (calefação ou refrigeração) haja ocupação de energética transformou-se em senha para o rápido desenvolvimento deespaços inóspitos; (iii) pela eficiência e rapidez dos meios de transporte, iniciativas em diversos segmentos no campo da produção de energia,principalmente os urbanos, haja maior ocupação territorial; (iv) pelas tele- sempre voltadas para a substituição de importações do petróleo. Entre ascomunicações e a cibernética haja intensa e rápida circulação de informa- principais, têm início a produção de etanol de cana-de-açúcar (Pró-Álcoolções; e (v) pela força motriz que proporciona à indústria haja a produção – 1975), a produção de energia elétrica com base em energia atômicaeficiente de bens e serviços. Por essa vereda, justifica-se o vertiginoso (Usina de Angra I – 1976) e a expansão da geração de energia de baseaumento da demanda desde que se passou a utilizar a eletricidade como hidráulica – a hidreletricidade.fonte energética, a ponto de os países industrializados duplicarem seuconsumo de energia elétrica a cada dez anos. A hidreletricidade, evidentemente, sempre foi empregada com ênfase, face à formidável e bem distribuída rede de drenagem natural e ao grandeNo entanto, parte dos combustíveis empregados para a produção de ener- volume de água doce que o país possui. A isso se soma o apreciávelgia elétrica é de origem fóssil e, logo, não é renovável. Exemplos são carvão índice de nacionalização dos insumos requeridos: engenharia, materiais,mineral, gás e petróleo, de elevado impacto ambiental e portanto contrários mão de obra e processos industriais.à lógica da sustentabilidade. Outros são renováveis, tais como os recursosflorestais e agrícolas. Todos, invariavelmente, usados na combustão direta Daí, a oportunidade de implantar grandes aproveitamentos hidrelétricos,ou na produção do vapor d’água para a propulsão de mecanismos. muitos deles distantes dos centros industriais, no interior do país, num movimento predominantemente de leste para oeste no território doA hidreletricidade aí se diferencia, e vigorosamente, das demais fontes. Brasil. Essa busca por novas fontes de geração de energia elétrica pelosSeu processo de produção dispensa a prévia geração de energia ca- rios brasileiros apresentou a vantagem de se constituir também em umlorífica, o que evita a emissão dos gases do efeito estufa. Utiliza como movimento de ocupação territorial, dada a existência de vastas áreas aindacombustível a água em seu estado natural, que entra e sai do processo pouco habitadas no país. Chegou-se, então, aos superlativos empreen-de hidrogeração sem sofrer alterações. Trata-se, assim, de uma fonte dimentos hidrelétricos de Tucuruí, na Amazônia, e de Itaipu, na fronteiralimpa de produção de energia elétrica. com o Paraguai, entre outros. a grande energia | 11
  11. 11. Como resultado das benesses naturais de seu território e da acertada ficiência e a precaução. Já há experiências consolidadas de que issoopção estratégica nacional, o Brasil goza hoje, no panorama interna- é possível, sendo a própria Itaipu Binacional uma delas. Reside aí ocional, da excepcional condição de possuidor de uma das matrizes contraponto positivo, o argumento que encoraja a defesa da hidrele-energéticas mais limpas do planeta. Enquanto no mundo, em média, tricidade como principal alternativa energética nacional.somente um sétimo das fontes são renováveis, no Brasil essa propor-ção é de quase a metade, se somadas a hidreletricidade e a biomassa. É justamente esse contraponto que, credenciados pela experiência empresarial de décadas que acumulamos acerca das questões so-Evidentemente, não há como desconhecer que a construção de hidre- cioambientais na Itaipu Binacional, pretendemos explorar e trazer aolétricas gera impactos socioambientais relevantes, positivos e negati- público com a presente publicação.vos, antes, durante e depois de sua implantação. Entre os principaisestá a formação de reservatórios, que por menores que sejam sempre A Usina Hidrelétrica de Itaipu concentra elevada importância estraté-indisponibilizam terras, muitas delas produtivas ou urbanas. gica para o Brasil e o Paraguai, que em 1973 firmaram o tratado para o aproveitamento hidráulico das águas do Rio Paraná. A empresa foiA isso se associa a compulsória remoção de pessoas de seus domicí­ constituída pelas Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras), do Brasil,lios, o que nem sempre se resume a um movimento meramente físi- e pela Administración Nacional de Eletricidad (Ande), do Paraguai,co, passível de compensação financeira, mas em que frequentemente e tem como missão “gerar energia elétrica de qualidade, comhá valores afetivos e culturais envolvidos, que afetam psicológica e responsabilidade social e ambiental, impulsionando o desenvolvi-socialmente as populações atingidas. mento econômico, turístico e tecnológico, sustentável, no Brasil e no Paraguai”.No entanto, essas fragilidades socioambientais podem ser mitigadas,algumas neutralizadas ou até mesmo revertidas, tornando absorvíveis Lembramos que a elaboração do projeto da Usina de Itaipu ocorreupela sociedade os custos de oportunidade decorrentes da opção pela à época dos principais eventos relacionados à nova ordem ambiental,geração hidráulica. Além disso, há também maneiras de maximizar os levada a efeito principalmente com a realização da Conferência daimpactos positivos. Ambos os movimentos convergem para a ecoe- ONU em Estocolmo (1972 – PNUMA), sendo assim construída com12 | a grande energia
  12. 12. o máximo de cuidados ambientais possíveis. Exemplo da continui- Programa Cultivando Água Boa, de âmbito regional, abrangendo todadade desses cuidados foi a criação da primeira área formal de Meio a bacia hidrográfica conectada ao reservatório da usina.Ambiente no setor elétrico. Isoladamente, a Usina Hidrelétrica de Itaipu produz em média 90Ou seja, a Itaipu Binacional sempre carregou em seu bojo a cons- milhões de megawatts-hora por ano, o que equivale a uma impressio-ciência do trato adequado da questão ambiental. Pode-se afirmar nante produção diária de 536 mil barris de petróleo ou de 47 milhõescom segurança que tais valores compõem o ethos da Entidade, de m3 de gás. Isso representa nada menos que uma quarta parte dapois são visíveis não só institucionalmente, mas também nas práticas produção nacional de petróleo. Se essa imensa quantidade de energiapor ela adotadas. fosse gerada, por exemplo, a gás, seriam emitidas para a atmosfera por volta de 38 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2 ) porPor essa ótica, muitos investimentos foram e estão sendo feitos para ano. Se a mesma quantidade fosse gerada a carvão, as emissões demitigar os impactos causados pela construção da barragem e da for- CO2 chega­ iam a 85 milhões de toneladas por ano. rmação do reservatório e alguns vão além, promovendo o desenvolvi-mento social nas regiões afetadas. Decorrente desse esforço, nota-se Os dados acima apresentados dão uma ideia da importância de Itai-que muitas das ações apresentam resultados bastante satisfatórios, e pu – e, consequentemente, das hidrelétricas – para o enfrentamentovários deles tecnologicamente inovadores, o que acaba por tornar a das mudanças climáticas. E também servem para ilustrar algumasItaipu Binacional referência positiva para outros empreendimentos. das razões para o grau de limpeza da matriz energética brasileira. A hidreletricidade, assim como outras fontes renováveis de energia,Tal é a relevância do tema que, a partir de 2003, a missão e os objetivos constitui um talento natural do Brasil e por isso precisa continuarda Itaipu Binacional explicitam o alcance da sustentabilidade como estra- sendo a principal opção estratégica do país, com responsabilidadetégia empresarial de alto nível. Isso, de certo modo, justifica uma natural social e ambiental.liderança que a empresa passou a exercer, em âmbito setorial, na buscade uma hidreletricidade sustentável. Essa opção estratégica tem seusreflexos operacionais em diversas frentes, destacando-se entre elas o a grande energia | 13
  13. 13. Alessandro Palmieri Engenheiro civil com 22 anos de experiência no setor privado. Entrou para o Banco Mundial em 1997. Especialista-chefe em barragens e consultor sobre os aspectos técnicos do financiamento de investimentos na gestão de recursos hídricos (hidreletricidade, mitigação de inundações, suprimento de água, irrigação). Responsável pelo monitoramento da observância à política de “segurança de barragens” e porta-voz sobre barragens e hidreletricidade. Já trabalhou em mais de 40 países no mundo todo.1A torre do sinoEnviado em 04/09/2007Pediram-me que baseasse a minha construção de uma represa hidrelé- termos individuais, requer recursoscontribuição em minha própria trica. Ele continuou, contando que financeiros bem menores. Ao mesmoexperiência pessoal; decidi co- em algumas noites as pessoas ainda tempo, o objetivo de um desenvol-meçar pela minha vivência não conseguiam ouvir o badalar do vimento nacional baseado somenteprofissional, buscando na memória sino. Há algum tempo, voltei àquele em uma infraestrutura local, delembranças de muitos anos atrás e, lago. O que vi então foi um belo pequena escala, é muito mais difícila partir daí, encontrar os elos com vilarejo nas margens do lago, onde de atingir. Na realidade, nenhum paíso que aprendi, ao longo dos anos, o antigo vilarejo foi realocado, uma conseguiu aumentar o bem-estar decom o meu trabalho com represas e massa azul de água rodeada por seu povo sem construir um conjuntohidreletricidade. verdes montanhas, com as pessoas importante de projetos nacionais de desfrutando o local no verão. Com infraestrutura e boas instituições paraA torre do sino certeza, aqueles que tiveram de a sua gestão. Infelizmente, é bastantedo Lago Fiastra deixar suas casas no início dos anos comum ouvirmos argumentos do tipoMuito antes que eu tivesse a menor 60 não ficaram satisfeitos, mas os ‘pequeno é bonito’ e ‘grande é ruim’;ideia de tornar-me um engenheiro, seus descendentes receberam uma outras partes interessadas levantammeu pai e eu costumávamos fazer oportunidade de desenvolvimento e, argumentos opostos. Na verdade, ascaminhadas por aquela bela parte da 50 anos depois, quase ninguém mais duas dimensões – grandes investi-Itália chamada Marca. Montanhas, fala na história do lamento noturno mentos e atividades de nível comu-densas florestas, riachos de águas do sino. nitário – são igualmente importanteslímpidas como cristal, com uma cor- para o atendimento das necessidadesrente rápida e fria e com ocasionais Para mim, esta história é relevante do povo. Elas representam um contí-quedas d’água. para o conceito de desenvolvimento nuo de ferramentas complementares local e nacional. O investimento em para a satisfação daquelas neces-Durante uma daquelas caminhadas, instituições e infraestrutura requer a sidades, em que uma ferramentameu pai mostrou-me a ponta de uma aceitação da população e recursos apoia-se nos resultados da outra. Étorre de sino emergindo de um lago financeiros significativos. Conseguir a importante ter também em mente aazul de montanha. Ele explicou que a aceitação do público para uma infra- natureza dinâmica do processo: astorre havia sido o prédio mais alto de estrutura de pequena escala, com im- necessidades das pessoas evoluemum vilarejo submergido quando da pacto local, é muito mais fácil e, em com o crescimento econômico. (1) As descobertas, interpretações e conclusões aqui expressas são do autor e não necessariamente refletem os pontos de vista do IBRO/World Bank, onde o autor trabalha como especialista-chefe em barragens, de suas organizações afiliadas, dos diretores executivos do The World Bank ou dos governos que eles representam. a grande energia | 15
  14. 14. Alessandro Palmieri As dificuldades que os países enfrentam em termos monetá­ ios, os efeitos am- r on Dams (Comissão Mundial sobre no desenvolvimento de sua infra-estru- bientais e sociais de grandes represas. Barragens) defendeu uma aborda- tura hídrica não são apenas financeiras; gem de ‘Direitos em Risco’ para a elas também se relacionam com a acei- Direitos, riscos identificação das partes interessadas. tação pública de investimentos altos e, e responsabilidades O conceito de ‘Responsabilidade’ frequentemente, controversos. Grande Os processos de envolvimento das deveria ser incluído, resultando na parte da controvérsia diz respeito à ma- partes interessadas são considerados abordagem 3R (Rights at Risk and neira como os custos e os benefícios de por muitos como o caminho para se Responsability – Direitos em Risco e projetos de infraestrutura são avaliados. atingir um consenso quanto à implan- Responsabilidade), por no mínimo O Quadro 1 contém dois exemplos que tação de projetos bastante necessários. dois motivos: (a) ela identifica novas demonstram como é difícil quantificar, O relatório da World Commission partes interessadas que têm um papel a desempenhar na tomada de boas decisões públicas, e (b) ela Quadro 1 Os benefícios ocultos das represas • O Rio Amarelo começou a correr novamente para o Mar do Norte da China, após a construção ajuda a identificar, no grupo maior da barragem de usos múltiplos de Xialongdi. O corpo de água havia sido literalmente consumi- de partes interessadas, aquelas que do pelas captações. Agora, a água a jusante da represa está livre de sedimentos, assim como os estão dispostas a assumir a responsa- canais de irrigação. O componente hidrelétrico substitui a queima de 1,9 milhão de toneladas bilidade de contribuir para a tomada de carvão por ano, evitando a emissão de 4,6 milhões de toneladas de gás dióxido de carbono, de decisões públicas com base em 33 mil toneladas de dióxido de enxofre e 18.700 toneladas de óxido nitroso. Ainda assim, estes benefícios bastante concretos não aparecem na avaliação do projeto, cujo desempenho finan- informações sólidas. Uma abordagem ceiro depende inteiramente da produção de hidreletricidade. com múltiplas partes interessadas • Quando o Furacão Mitch atingiu Honduras em outubro de 1998, a vazão máxima na entrada não pode ter êxito se não tiver como do reservatório de El-Cajon foi estimada em aproximadamente 10.000 m3/s. O efeito gerado pelo base um programa de atividades com reservatório foi a redução daquele pico para aproximadamente 1.000 m3/s. Duas planícies alu- prazo definido, viabilidade econômica viais densamente habitadas estão localizadas ao final de uma garganta estreita, com 10 km de e apoiado por governos comprometi- extensão, a jusante da represa. dos. A duração do processo deve ser A inundação trouxe graves consequências econômicas, porém não resultou em mortes. É quase impossível pensar no efeito que uma inundação descontrolada, dez vezes maior, teria. Porém, o proporcional à urgência das neces- valor da função de prevenção deste desastre da represa não poderia ter sido previsto, o que dirá sidades sendo tratadas. Também é quantificado, na etapa de planejamento. verdade que há vários exemplos de projetos com um período muito lon-16 | a grande energia
  15. 15. a torre do sino mentar o impacto sobre a diminuiçãoQuadro 2 De partes interessadas a acionistas da pobreza. As populações locais e, em Moradores dos vilarejos de Huangshui e Hehu, na província chinesa de Zhejiang, receberam primeiro lugar entre elas, as comuni- ações da usina hidrelétrica de Huangshui em vez de uma compensação em pagamento único em dinheiro. A construção da usina de Huangshui irá inundar aproximadamente 40 dades afetadas pelo projeto, deveriam hectares de terras cultiváveis. Segundo a Interfax (2004), uma autoridade do governo local compartilhar os benefícios trazidos pe- disse que tal acordo entre os construtores da usina e os moradores era bastante raro na los programas de infraestrutura hídrica. China. Estima-se que tais moradores possam receber dividendos no valor de US$ 24 mil Uma forma é através da participação todos os anos. na arrecadação. Diversos países, entre eles, o Brasil, a China, a Colômbia, a go de desenvolvimento que não pode atualmente aproximando-se de sua Coreia do Sul e o Japão, já incorpora- ser atribuído a uma tomada ineficiente conclusão, prevista para 2007. Serra ram a participação na arrecadação em de decisões. Geralmente, estes atrasos Leoa finalmente terá energia renovável sua legislação. O Quadro 2 conta uma se devem a questões financeiras e de para substituir as antigas e ineficientes, história interessante vinda da China. agitação social. Uma hidrelétrica de além de extremamente caras, unida- pequeno porte, cujo longo período des a diesel. A conclusão do projeto O discurso internacional sobre de desenvolvimento é recorde, é o mereceu uma comemoração especial, barragens e hidreletricidade projeto de Bumbuna, em Serra Leoa. com a represa retratada em notas da Muito vem sendo debatido, escrito e De meados dos anos 70, quando moeda nacional. publicado sobre o processo de tomada começaram as obras preliminares de decisões com relação a barragens e de acesso ao local, passando por Compartilhamento de benefícios e suas alternativas. A tabela 1 abaixo diversas fases de interrupção e reinício Os programas de infraestrutura hídrica contém algumas das contribuições dos trabalhos, incluindo a guerra civil podem ser projetados para maximizar mais relevantes do ponto de vista da no final dos anos 90, o projeto está o crescimento econômico e para au- hidreletricidade.Tabela 1 Ano Autor Descrição 1996 World Bank Revisão de 50 Projetos para Grandes Barragens 1999 International Energy Agency (IEA) Diretrizes para o licenciamento de projetos hidrelétricos 2000 World Commission on Dams (WCD) Relatório sobre Barragens e Desenvolvimento a grande energia | 17
  16. 16. Alessandro Palmieri A “Revisão” do World Bank (Banco Hidreletricidade), entre as organizações uma alegada abordagem business as Mundial) em 1996 levou à formação profissionais. usual em escala global, apresentada da World Commission on Dams no relatório da WCD. Se isto foi uma (Comissão Mundial sobre Represas) – Após três anos de WCD e seis anos de falha da WCD ou se ocorreu um avan- WCD – em 1997. O relatório da WCD, DDP (fases I e II), este último projeto ço significativo após aquele relatório intitulado “Barragens e Desenvolvimen- foi concluído em junho de 2007. não está claro, nem é tão relevante, to”, levou a uma iniciativa subsequente O compêndio Dams and Develop- de qualquer forma. liderada pelo PNUMA (Programa das ment: Relevant Practices for Improved Nações Unidas para o Meio Ambiente), Decision Making (Barragens e Desen- O essencial é que uma mensagem chamada de Dams and Development volvimento: Práticas Relevantes para positiva sobre uma tomada aprimora- Project (Projeto de Represas e Desen- uma Tomada de Decisões Aprimorada) da de decisões resultou das atividades volvimento) (DDP). O DDP foi conside- representou o principal resultado do do DDP. rado necessário para a continuação do DDP. O documento está disponível diálogo sobre as descobertas da WCD na internet no endereço: http://www. Olhando à frente e para a inclusão daquelas partes inte- unep.org/dams/includes/compendium. O próprio processo de tomada de ressadas que haviam ficado em grande asp. Reproduzimos abaixo um trecho decisões é o elemento-chave para medida ausentes do processo da do texto de apresentação do PNUMA: a realização de bons projetos que Comissão, principalmente os governos “Esta publicação diverge da abor- atendam às necessidades do povo. de países em desenvolvimento, o setor dagem seguida em grande parte A preocupação com os aspectos hidrelétrico e as organizações profissio- pela literatura sobre barragens, ambientais e sociais continuará nais. O DDP do PNUMA representou que tende a enfocar os insucessos tendo um papel preponderante na uma oportunidade para que algumas e falhas. Ao invés disso, apresenta formatação do processo de tomada partes interessadas aprimorassem a práticas que, embora não isentas de de decisões de futuros empreendi- sua abordagem para o desenvolvi- deficiências, mostram uma forma mentos hidrelétricos. Acredito que mento da infraestrutura. Os exemplos positiva ou que busca avanços para dois elementos-chave, neste pro- mais notáveis incluíram a Indonésia e a se fazer as coisas.” cesso complexo, merecem atenção África do Sul, em nível governamental, especial. São eles: e a International Hydropower Asso- Esta é uma afirmação extraordinária e • Quanto aos aspectos sociais: com- ciation (Associação Internacional de que se distingue da crítica incisiva de partilhamento dos benefícios;18 | a grande energia
  17. 17. a torre do sino • Quanto aos aspectos ambientais: deve acabar. Um projeto é bom se Quadro 4 Não esqueça o básico cláusulas de análise benefício-custo todos os seus elementos estão em Historicamente, as equipes de projetos e Plano de Gestão Ambiental (PGA) equilíbrio. O texto ao lado (Qua- de infraestrutura do Banco Mundial in- em contratos de construção (veja o dro 4) é um trecho do estudo do cluíam um engenheiro, um economista Quadro 3). Banco Mundial intitulado Scaling up e um analista financeiro. À medida que Infrastructure: building on strengths, a agenda do Banco foi expandida, mais Finalmente, devemos “não esquecer learning from mistakes2 (Ampliando e mais profissionais com habilidades específicas foram sendo incorporados o básico”. Os aspectos ambientais e a Infraestrutura: aproveitando os à equipe central, incluindo especialistas sociais são os mais difíceis de se lidar; pontos fortes, aprendendo com os em gestão financeira, meio ambiente, engenharia é uma coisa mais objetiva. erros) – de janeiro de 2006. pobreza, gênero, participação e comu- Esta abordagem de business as usual nicação, todos essenciais para melho- rar a qualidade, a sustentabilidade e o impacto. Contudo, enquanto a prepa- ração e a avaliação dos projetos se tor-Quadro 3 Cláusulas de PGA em Contratos de Construção navam mais complexas, alguns pontos Com frequência maior do que a devida, a maior parte dos esforços se concentra na básicos foram deixados de lado. Análise dos Impactos Ambientais e Sociais em detrimento dos outros dois passos es- O resultado disto foi a ocorrência de senciais necessários para alcançarem-se projetos bem-sucedidos. muitos projetos de infraestrutura com EIA (Estudos de Impacto Ambiental): a qualidade depende dos dados disponíveis, da respostas insatisfatórios. Tais empre- capacidade do analista e do conhecimento que este tem do país. A minha experiência endimentos fracassaram em função das deficiências de análise do projeto sugere os seguintes pesos: 60%; 10%; 30%. técnico e das questões econômicas e PGA (Plano de Gestão Ambiental): deve traduzir as descobertas dos EIA em um plano financeiras. de ação a ser colocado em prática durante a implantação do projeto, bem como moni- Lição aprendida: é vital assegurar que toramento durante a sua operação; nos casos mais difíceis, uma abordagem de gestão o projeto técnico seja adequado, que adaptativa é necessária, através da qual os recursos são alocados para implementar estimativas de demanda e das proje- aquelas ações que surgem como essenciais a partir do programa de monitoramento. ções financeiras sejam confiáveis e que Contratos: itens apropriados de pagamentos devem ser incluídos no contrato de cons- as providências para a implantação se- trução, para assegurar que as ações previstas no PGA sejam realmente implantadas. jam preparadas adequadamente. Isto Da mesma forma, devem ser feitas provisões adequadas em contratos de operação requer uma equipe bem equilibrada e constante verificação por parte da para refletir as especificações da gestão adaptativa, onde estas forem necessárias. gerência. (2) Disponível em < http://siteresources.worldbank.org/CSO /Resources/LessonsLearned20Years-short.pdf> a grande energia | 19
  18. 18. Anita Utseth Vice-ministra de Petróleo e Energia da Noruega, de outubro de 2005 a setembro de 2007. Cargos anteriores incluem a vice-presidência da companhia petrolífera Pertra, engenheira- chefe do Diretório Norueguês do Petróleo e conselheira sobre energia do Diretório de Gestão da Natureza. É mestra em Ciências pela Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e mestra em Economia da Energia e Gestão Ambiental.HIDRELETRICIDADE SUSTENTÁVEL– ENERGIA PARA O FUTUROEnviado em 30/08/2007Apreciei imensamente o convite Nossa capacidade de atender à custo, a eletrificação rural foi acelera-para contribuir para este livro e a demanda nacional de energia elétrica da. É justo dizer que a hidreletricida-oportunidade de participar em uma quase que totalmente através da de foi o fator-chave na transformaçãodiscussão sobre a melhor forma de, hidreletricidade tem sido muito da Noruega de um dos países maisjuntos, avançarmos na promoção da benéfica para o nosso meio ambien- pobres da Europa, aproximadamen-hidreletricidade sustentável. Como te, bem como para a segurança de te um século atrás, em uma naçãoVice-Ministra responsável pelo setor nosso fornecimento. industrializada e próspera. Tambémde hidreletricidade e recursos hídri- nos ajudou a desenvolver uma in-cos, sei da importância da hidrele- O desenvolvimento da hidreletrici- dústria de hidreletricidade altamentetricidade e da grande contribuição dade na Noruega começou há mais competente.que este recurso singular pode dar à de cem anos, e continua avançando.sociedade. No início do século 20, tínhamos A participação pública é assegurada legisladores de visão que enxergaram pela legislação, que exige consultasÉ fato amplamente conhecido que o na hidreletricidade um recurso que em várias etapas. Condições paraacesso à energia é um dos elementos deveria beneficiar toda a sociedade. o licenciamento asseguram quemais importantes para o desenvolvi- Seu conceito de compartilhamento diversos impactos ambientais sejammento econômico. A Noruega está de benefícios assegurou que, desde tratados com atenção. Uma estruturaem boa situação porque, desde o o início, as comunidades locais legal forte e autoridades competen-começo, fomos abençoados pela recebessem benefícios econômicos tes têm sido a base de uma gestãoNatureza em termos de recursos substanciais derivados de empreen- consistente de nossos recursosenergéticos. Junto com uma consi- dimentos hidrelétricos. Um efeito naturais. Tudo isto tem sido impor-derável produção de petróleo e gás, colateral positivo foi que indústrias tante para assegurar que a hidreletri-a Noruega é o sexto maior produtor importantes surgiram em torno de cidade seja vista como algo benéficode hidreletricidade do mundo, com usinas hidrelétricas, com frequência à sociedade e como parte de nossouma capacidade instalada perto de em áreas remotas. Pelo estabele- patrimônio nacional. As palavras-29.000 MW. 99% de nossa eletrici- cimento em lei que os municípios chave foram e conti­ uam sendo: ndade é produzida por usinas hidre- locais teriam direito à “energia participação, abertura e transparêncialétricas, e todos os domicílios estão compulsória”, o que significa 10% da no planejamento e no processo deconectados à rede elétrica nacional. produção de eletricidade a preço de tomada de decisões. a grande energia | 21
  19. 19. Anita Utseth Fico contente que haja um interesse sidade. A hidreletricidade desenvol- as formas de hidreletricidade devam crescente pelo desenvolvimento vida de forma sustentável é capaz de ser consideradas renováveis, sem de mais hidreletricidade em todo fornecer energia limpa e renovável discriminação de qualquer tamanho, o mundo. Em muitos países, como por séculos. desde o início. Em vez disso, no Brasil, ainda existem imensos devemos nos concentrar no impacto recursos inexplorados. A Noruega já Para muitos países, uma grande total de um projeto sobre o meio desenvolveu cerca de 70% de seu preocupação é como assegurar o ambiente, a sociedade e a economia. potencial hidrelétrico. O nosso foco fornecimento de energia em nível Este deve ser devidamente avaliado está, portanto, em modernizar e am- nacional. Uma boa maneira de de forma aberta e transparente, pliar as usinas existentes, bem como fazer isto é desenvolver recursos com o envolvimento das diferentes as pequenas centrais hidrelétricas, naturais próprios. Muitos países partes interessadas. Para citar o atualmente em franca expansão. ainda têm grande potencial para antigo chefe do PNUMA (Programa desenvolvimento da hidreletricida- das Nações Unidas para o Meio Em escala global, o mundo enfrenta de. Avançar no desenvolvimento Ambiente), Dr. Klaus Toepfer: “Não vários desafios consideráveis relacio- da hidreletricidade pode ser um nos preocupamos mais com o nados à energia. O acesso à energia instrumento poderoso para se pequeno ou o grande, mas com o e a segurança do fornecimento alcançarem as Metas de Desenvol- bem planejado e o bem gerido”. energético estão no topo da agenda vimento do Milênio, das Nações política de muitos países, incluindo a Unidas, de erradicação da pobreza O papel da indústria na obtenção Noruega. e para assegurar água potável da aceitação pública, através do limpa e alimento suficiente para desenvolvimento de projetos hi- O desafio, em minha opinião, é como todas as pessoas. drelétricos de forma responsável, é proporcionar a segurança do abas- crucial para a reputação da hidrele- tecimento de energia de uma forma A Noruega apoia a ideia de que tricidade. ambientalmente amigável. O mundo a hidreletricidade é uma das enfrenta grandes desafios quanto à fontes renováveis de energia cuja A iniciativa da International Hydro- limitação das emissões de gases do utilização deva ser aumentada power Association (Associação efeito estufa, redução das mudanças substancialmente. A Noruega Internacional de Hidreletricidade) climáticas e manutenção da biodiver- também apoia a ideia de que todas em preparar Diretrizes de Sustenta-22 | a grande energia
  20. 20. hidreletricidade sustentável – energia para o futurobilidade é muito útil para conscien-tizar aqueles a quem a sociedadeincumbiu de utilizar este recursonatural. Manter padrões elevadose assegurar a melhoria contínuaem favor da sociedade irá contri-buir para caminharmos na direçãode um maior desenvolvimento dahidreletricidade sustentável.Em minha opinião, a hidreletricidadeestá destinada a desempenhar umpapel preponderante nos próximosanos como um recurso fundamentalcapaz de gerar volumes substanciaisde energia limpa e renovável. a grande energia | 23
  21. 21. Antônio Ermírio de Moraes Engenheiro e doutor em Metalurgia, comanda um dos maiores grupos empresariais do Brasil – o Grupo Votorantim, fundado em 1918 por seu avô, o imigrante português Antônio Pereira Inácio, e seu pai, o senador José Ermírio de Moraes. Ao lado do trabalho industrial, preside há mais de três décadas o Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e mantém atividade de escritor, com cinco livros publicados, três peças de teatro encenadas e artigos regulares em jornais e revistas.A ARRANCADA DA ENERGIAEnviado em 09/07/2007O Brasil é um país abençoado por fatores tem enorme vantagem compa- precisamos implantar a cada ano cercaDeus. Dentre os vários recursos natu- rativa interna e externamente. de 5.000 MW de nova capacidaderais de que dispomos, a água é o mais instalada.precioso por ser o principal insumo Deus foi generoso para com os bra-para a agricultura, a indústria e a vida sileiros, e São Pedro tem colaborado Dentre os nossos energéticos, a águahumana. bastante nos últimos anos ao manter os supera todos os outros no que tange reservatórios em níveis invejáveis para a a praticidade, custo e limpeza. NossoTemos cerca de 13% da água do mun- produção de energia hídrica. carvão é insuficiente e poluidor.do. É uma enormidade. Trata-se de um O petróleo extraído do mar é caroextraordinário privilégio quando se vê Mas não podemos contar só com e também polui. O gás é escasso eque, dos 6,2 bilhões de habitantes da isso. Para crescer a taxas de 5% ou incerto, pois depende de importações.Terra, 1,2 bilhão não tem água para 6% anualmente, o Brasil tem de A energia nuclear igualmente é carabeber, sem falar nas outras necessi- fazer muito mais do que tem feito no e não se sabe o que fazer com o lixodades. Na China e na Índia o lençol campo da produção e transmissão produzido e com a usina desativada.freático baixa sistematicamente todos de energia elétrica. Está na hora de O etanol é limpo, mas tem aplicaçõesos anos, e de modo impressionante. acordarmos. Já passamos por vários específicas e é limitado em relação àÉ uma ameaça pavorosa para os 2,3 sustos. No final da década de 90 matriz energética total.bilhões de habitantes daqueles países tivemos apagões preocupantes e noque dependem da água. ano de 2001 amargamos uma crise A grande fonte de energia elétrica, apavorante. O país teve de praticar limpa e renovável, reside no enormeCerca de 90% da eletricidade pro- um racionamento severo que, aliás, só potencial hídrico, do qual o Brasilduzida no Brasil têm origem hídrica teve sucesso pela extraordinária capa- utiliza apenas 30%. O país precisa(Fonte: Anexo 1 - Programação Mensal cidade de entendimento e cooperação investir cerca de R$ 15 bilhões por anoda Operação ONS, maio/2007, média do nosso povo. – e de forma contínua – para enfren-para o ano de 2007). Isso tem permiti- tar a demanda que vem pela frente.do a geração de energia de baixo custo As necessidades de energia do Brasil No entanto, nos últimos cinco anos,e livre de poluição. No mundo atual, e vão muito além do pouco que se nenhuma usina de porte foi licitadaprincipalmente no futuro, o país que tem feito nessa área. Para suportar as neste país continental e que tem fomeconseguir fazer essa combinação de necessidades de crescimento do país, de energia. a grande energia | 25
  22. 22. Antônio Ermírio de Moraes De 2003 até o presente momento tempo desperdiçado, pois as obras dade. Precisamos implantar urgente- foram licitados apenas 805 MW de de hidrelétricas são demoradas. Muita mente um programa de construção de potência instalada, em 7 hidrelétricas energia estaria sendo produzida se usinas geradoras e linhas de transmis- (Fonte: Anexo 2 – Resumo das Licita- tivéssemos contado com mais ação e são de energia elétrica. ções de Usinas Hidrelétricas, maio de menos discurso. 2007, Aneel) e 6.173 MW de potência As restrições energéticas do pas- instalada de termelétricas (Fonte: Ane- E não foi por falta de investidores sado recente deveriam funcionar xo 3 – Relatório Acompanhamento das interessados. Com 190 milhões de como lições para todos nós. Os Usinas Termelétricas, maio de 2007, habitantes e com tantos recursos projetos planejados têm de entrar SFG Aneel). Das usinas hidráulicas, disponíveis, o Brasil é um país con- em execução imediatamente. Os quatro delas ainda não iniciaram as denado a crescer. Em poucos anos, argumentos ambientais precisam ser obras e apenas Simplício, em constru- a agricultura e a indústria mostraram respeitados, mas eles não podem ção, possui mais de 300 MW. sua enorme capacidade ao ampliar paralisar o desenvolvimento do país. de maneira expressiva suas exporta- O Brasil já possui inúmeros projetos Em decorrência desse quadro de ções. O mercado interno se robustece implantados que recuperaram a escassez de obras hidrelétricas, com a melhoria do emprego e da natureza impactada no momento da verifica-se a ampliação da participação massa salarial. construção. Temos muitos casos de das termelétricas no atendimento verdadeiros jardins em represas que das necessidades de energia elétrica Em suma, a potencialidade de reconstruíram a fauna e a flora então do país, elevando sua contribuição crescimento e a engenhosidade dos existentes. Mais grave seria partirmos do patamar atual de 8% para quase brasileiros motivam inúmeros empre- para outros energéticos de alto poder 15% da geração total requerida até o endedores a investir no país. poluidor e que viessem a demandar ano de 2011 (Fonte: Anexo 1 – Pro- É um pecado esterilizar essa motivação um esforço dispendioso para limpar gramação Mensal da Operação ONS, por força de burocracias e entraves permanentemente o meio ambiente. maio de 2007, média para o ano de administrativos que só impedem a 2007). Os preços da energia se ele- expansão do setor energético. É urgente, portanto, tirarmos vanta- vam e também crescem as emissões gem do privilégio que temos. Cerca associadas à queima dos combustíveis Uma coisa é certa. Não há como crescer de 50% da energia consumida no e gases nas termelétricas. Foi um sem energia, em especial, sem eletrici- Brasil é renovável (Fonte: Anexo 4 –26 | a grande energia
  23. 23. a arrancada da energiaBalanço Energético preliminar, 2007, mento, exportações, divisas, impostos,MME) e pouco poluente, como são empregos, renda e qualidade de vida.a derivada de recursos hídricos e as Temos de virar o quadro atual, poisdiversas formas de biomassa. Igual a somos todos responsáveis!nós, só a Noruega. Os Estados Unidos,tão ricos em vários insumos, têmapenas 7% de energia renovável; aAlemanha, apenas 6%; o Japão, 5%, eIsrael só 2%.Ao lado de todas essas medidas,temos de cuidar da educação dosconsumidores. O Brasil é um país dotudo ou nada. Quando ocorre umblecaute, fala-se logo em raciona-mento. Passadas algumas semanas,todos voltam ao esbanjamento. Ascampanhas educativas sobre o usoracional de energéticos precisam fazerparte do nosso cotidiano e integrar oscurrículos das escolas.Olhemos para a frente. Façamosagora o que é necessário para quenossos filhos não venham dizer oque dizemos hoje: se vocês tivessemfeito isso há dez anos, não haveriaconstrangimento para o Brasil crescer.Energia é isso: é produção, abasteci- a grande energia | 27
  24. 24. Antônio Otélo Cardoso Engenheiro eletricista com mais de 40 anos de experiência no Setor Elétrico Brasileiro. Prestou serviços à CPFL como gerente de operação do sistema, à Copel como diretor de Engenharia e Construção encarregado da implantação de grandes projetos de transmissão e geração, como as usinas de Segredo e Caxias, e à Escelsa e Enersul como superintendente de operação. Em 2000 ingressou na Itaipu Binacional, onde em 2002 assumiu a posição de diretor Técnico Executivo.A IMPORTÂNCIA DA HIDRELÉTRICAEnviado em 10/03/2008Com um dos maiores recursos A quase moratória prevista para 1982 conceitos e práticas pode explicarhidrelétricos do mundo, o Brasil, se efetivou em 1987, com as grandes alguns problemas que as hidrelétricasdesde o final da década de 50 até o inadimplências entre as concessio- brasileiras apresentaram nessas últimasinício dos anos 90, aproveitou algo nárias e contenções das tarifas para duas décadas.como um terço desse potencial. Isso controle da inflação. Isso culminou naocorreu de forma planejada, sob forte liquidação, através da Lei 8.631/93, da Empreendimentos hidrelétricos e ter-pressão da demanda dos mercados famosa Contas de Resultados a Com- melétricos são diferentes em aspectose baixa pressão socioambiental e pensar – CRC1, ao custo de 26 bilhões significantes. Por exemplo, usinaspolítica. A maioria das hidrelétricas de dólares ao contribuinte brasileiro. térmicas têm prazo de construção daconstruídas nessa época foi realizada Complementarmente foram ampliados ordem de 36 meses, contra prazos desob a gerência de empresas estatais, os esforços dos técnicos e diretores da 50 a 60 meses para hidrelétricas, mascom conceitos técnicos bem defi- banca internacional, principalmente do enquanto sua vida útil é de 15 a 20nidos e cronogramas militarmente Banco Mundial, para a privatização do anos, a de hidrelétricas alcança, nãocobrados. Desde essa época, o Setor Setor Elétrico Brasileiro. raro, cem anos. Temos no Brasil ins-Elétrico passou a “andar de lado”, talações já no seu terceiro período decomo diriam executivos financeiros, Essa mudança e a passagem do Setor concessão, de 30 anos cada um, sendona execução da ampliação do seu Elétrico por dois modelos político- um exemplo bem próximo a UHE Cha-parque gerador. O país passou a econômicos fizeram com que conceitos miné, na Serra do Mar paranaense.utilizar unidades geradoras térmicas, e práticas aplicáveis a empreendimentos Mas a diferença, que é relevante paraacionadas por calor de combustão de térmicos, preponderantes no Hemisfério a análise que proponho, diz respeito àrecursos não renováveis, como gás, Norte, fossem aplicados aos modelos característica dos projetos das usinasóleo ou carvão, com elevados níveis financeiros e de gerenciamento de pro- geradoras. Uma termelétrica é, emde emissão de CO², não para diminuir jeto, construção, fabricação e montagem última análise, um projeto industrialriscos de atendimento inerentes a de nossos empreendimentos hidrelétri- convencional, comparável com umasistemas fortemente hidrelétricos ou cos. Tal situação tem recebido diversas fábrica de parafusos ou de televisores.para resolver problemas localizados explicações, sendo algumas quase Como no projeto de uma fábrica, emde déficits de ponta, mas para ampliar pedidos de desculpas. Uma análise uma termelétrica constrói-se um am-sua produção de energia. das consequências da adoção desses biente adequado para as necessidades (1) A Conta de Resultados a Compensar era um mecanismo, em vigor até 1993, para contabilizar diferenças entre as rentabilidades reais das empresas de energia elétrica e suas rentabilidades garantidas em lei. Em 1993, quando liquidada, essa conta somava US$ 26 bilhões, indicando o desequilíbrio de rentabilidade por que passavam as concessionárias. a grande energia | 29
  25. 25. Antônio Otélo Cardoso da instalação da unidade de produ- pois deve ser produzido para adaptar-se Estas considerações têm impactos ção. Por isso, termelétricas podem ser ao ambiente onde será instalado, que no ambiente dos leilões de energia, implantadas a partir de componentes é parcialmente controlável e sujeito a que agora têm na tarifa final da fonte “de prateleira”, fabricados em série, diversas variáveis. Em projetos desse geradora o motivo da concorrência e em grandes quantidades, e com a tipo, é menor a probabilidade de que em que os custos têm que ser muito utilização de um mesmo projeto. a aplicação de métodos de certificação bem controlados. O controle acirrado de processos garantam a qualidade do dos custos levou à adoção de concei- Em produções industriais “clássicas” produto, porque nem processos nem tos de qualidade equivocados para o desse tipo, é possível a aplicação com produtos são necessariamente repetidos ambiente hidrelétrico, com os empre- efetividade dos conceitos de garantia em instalações futuras, impedindo a endedores abrindo mão, muitas vezes, de qualidade atualmente em voga, incorporação da solução de problemas de seu próprio quadro e de proce- como de certificação dos processos detectados em produções anteriores em dimentos de controle de qualidade de produção, da modalidade da produções futuras. em favor da escolha de fornecedores norma ISO 9000. Ocorre que parte com certificações de qualidade que do sucesso da aplicação desse tipo de O que se tem visto é que essas nem sempre garantem a qualidade de norma reside em dois pilares: a busca particularidades não têm sido levadas produtos (seus e de subfornecedores) ativa e metódica de problemas em em conta no Setor Elétrico, seja nos singulares e fabricados em menor produtos e processos e a incorporação modelos financeiros, seja nos de quantidade. da solução dos problemas detectados gerência, tanto do projeto do empre- nas produções futuras. Por isso, os endimento, como um todo, quanto no No setor hidrelétrico brasileiro, tivemos benefícios mais significativos de tal tratamento dos aspectos particulares acidentes estruturais tanto em obras civis abordagem são alcançados em produ- de cada grupo de fornecedores. O que quanto em equipamentos mecânicos e ções industriais convencionais, em que se vê nos dias de hoje é o império elétricos. Entre eles, o rompimento nos ocorre sempre a reprodução de um dos conceitos e práticas aplicáveis aos túneis de desvio de barragem de hidre- mesmo projeto utilizando um mesmo empreendimentos termelétricos na létrica na bacia do rio Uruguai; vibração processo, condição aplicável a terme- construção dos modelos, aplicados aos nas unidades de grande hidrelétrica létricas. Já para projetos hidrelétricos empreendimentos hidrelétricos, de no norte do país; cruzetas-suporte de tem-se uma situação particular. Cada prazo mais longo de maturação e de mancal escora de hidrogerador de usina conjunto de equipamento é singular, natureza singular. do rio Paraná “trincadas”; isoladores30 | a grande energia
  26. 26. a importância da hidrelétricade passagem (buchas) de extra-alta iniciais e as análises dos resultados são técnicas são vinculadas, assim como astensão com duração efêmera e causa efetuados por bons profissionais, de responsabilidades técnicas, à pessoade acidentes com transformadores de grande proficiência acadêmica e/ou física de profissionais experientes, cujapotência em diversas empresas do computacional, porém com pouca ou grande contribuição ao processo vemBrasil. E ainda, no exterior, grades de nenhuma experiência de campo. de sua experiência gerencial, e não àsretenção em tomadas d´água com ní- empresas proponentes em si.veis de vibração exagerado e diversos A maioria dos problemas citados aindaoutros problemas. está em processo de análise de causas, Nosso país pretende e necessita dar porém nas análises sempre aparecem um salto na melhoria e ampliação deIdentificamos como algumas das como causas as exageradas pressões sua infraestrutura. África, China, Índiacausas desses problemas, naqueles para diminuição de custos. Nada mais e Rússia também terão crescimentoscasos em que tive maior contato, a legítimo do que se buscar a aplicação importantes nessa área. Nossa Enge-aplicação de modismos como down- da melhor técnica com o menor custo, nharia terá muitas oportunidades tantosizing, com diminuição de quadros de esse é o âmago da engenharia, mas interna como globalmente, porémpessoal experiente e com transferên- sacrificarem-se princípios técnicos bá- acredito que necessitamos fazer umacia de responsabilidade do controle sicos na busca do menor custo é para pausa para refletir sobre estes proble-de qualidade a contratados ou seus lá de exagero: é irresponsabilidade, é mas e valorizar o profissional experien-terceirizados, e a busca da diminuição ausência de ética profissional. te como um dos principais fatores quede custos de controle de qualidade a determinam a qualidade e os custosqualquer preço. O Brasil não terá nada a ganhar, mas dos empreendimentos. terá muito a perder, a continuar comEm outros casos, a procura do limite essa rotina de apenas valorizar osdo aceitável para a relação qualidade/ custos como critérios de decisão decusto vem montada na utilização da contratação de fornecimentos de equi-valiosa técnica de modelagem mate- pamentos e serviços. O critério final atémática, como a de elementos finitos, pode ser o preço, porém preenchidasnão focada, porém, na procura da condições de capacitações técnicasmaior qualidade, mas no menor custo. equilibradas e suficientes. É precisoAlém disso, as premissas e parâmetros lembrar que capacitação e experiência a grande energia | 31
  27. 27. Carl Vansant Editor-chefe das revistas dedicadas ao setor hidrelétrico mundial, HRW e Hydro Review. Possui mais de 30 anos de experiência no setor energético e há muito defende a cooperação da sociedade para a expansão apropriada da hidreletricidade. Acredita que a hidreletricidade tem grande potencial para proporcionar significativos benefícios ao bem-estar humano.o que a hidreletricidadetem de tão bom?Enviado em 02/05/2007 (1)A hidreletricidade tem as suas raízes O uso da hidreletricidade, desde aque- necessárias circunstâncias particularesfincadas no início das atividades de le início, vem aumentando continua- para sustentar o desenvolvimento decomercialização da energia elétrica, mente. Em uma época, talvez até 40% empreendimentos hidrelétricos. Osao final dos anos 1800. Muitas das do total da eletricidade gerada tinha a aspectos de maior importância sãoprimeiras usinas utilizavam água água com sua fonte primária. Nos dias a topografia favorável e a suficiênciapara produzir eletricidade. Algumas de hoje, a hidreletricidade responde de recursos hídricos, sendo que estasdessas usinas hidráulicas foram cons- por cerca de 20% do total da energia características estão longe de estaremtruídas especialmente para produzir elétrica produzida no mundo. Embora universalmente disponíveis.eletricidade, enquanto outras eram a participação percentual da hidreletri-antigas rodas d’água – produtoras de cidade no total da produção de energia Alguns países e regiões são afortuna-energia mecânica – convertidas para elétrica tenha diminuído, o montante dos por possuírem boa quantidade degerar energia elétrica. absoluto vem aumentando e, em mui- recursos hídricos; outros não têm tanta tos países, o seu desenvolvimento é vi- sorte. Quando um país ou uma regiãoMesmo nos primórdios da indústria gorosamente promovido. A capacidade possuem os recursos hídricos requeri-da eletricidade já existia concorrên- instalada total excede os 800.000 MW dos, estes podem frequentemente sercia entre os métodos de geração de e, com os empreendimentos em im- aproveitados para proporcionar umaenergia elétrica – entre tecnologias que plantação, será empurrada para atingir ampla gama de benefícios duradou-demandam o uso de combustíveis e mais de 1.000.000 MW (1 terawatt). Na ros... inclusive para produzir eletricida-aquelas que não exigem. categoria cada vez mais importante de de que pode criar bases para o desen- “energia renovável”, a hidreletricidade volvimento econômico generalizado.O próprio Thomas Edison preferia ge- é de longe a fonte principal de geraçãoradores que utilizassem combustíveis. de eletricidade. Em muitos casos, a implantação deIsto porque os sistemas de corrente instalações para produção da hidrele-contínua, que ele inicialmente defen- Os motivos para a competição entre tricidade produz benefícios que podemdia, podiam transmitir potência por a hidreletricidade e outras fontes de ser utilizados para anular “males” pre-apenas curtas distâncias. O combus- geração de energia elétrica são bas- existentes – por exemplo, os “males”tível, entretanto, podia ser levado até tante válidos. Muito embora a hidrele- decorrentes de devastadoras enchen-os geradores. tricidade tenha muitas vantagens, são tes periódicas, ou da falta de fontes (1) Traduzido por José Ricardo da Silveira. a grande energia | 33

×