Cadeias de Comercialização de Produtos Florestais NãoMadeireiros na Região de Integração Marajó, Estado do                ...
Governo do Estado do Pará                    Simão Robison Oliveira Jatene                            Governador          ...
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ExpedienteDiretor de Pesquisa e Estudos AmbientaisJonas Bastos da VeigaCoordenadora do Núcleo de Pesquisa Científica, Tecn...
APRESENTAÇÃO         A extração dos produtos florestais não madeireiros (PFNM) no Brasil é de grandeimportância social, ec...
RESUMO         Na busca do desenvolvimento sustentável, o estado do Pará necessita de atividadeseconômicas produtivas que ...
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LISTA DE FIGURASFIGURA 1- Municípios pertencentes a Região de Integração Marajó, estado do Pará. ........ 378FIGURA 2- Loc...
FIGURA 21- Localização dos agentes mercantis do muruci na RI Marajó, estado do Pará, no          ano de 2010. ...............
FIGURA 42- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia          de comercialização, no a...
FIGURA 61- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado          (R$ correntes/kg) do açaí ...
LISTA DE TABELASTABELA 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração        Marajó, com qua...
LISTA DE GRÁFICOS                            αGRÁFICO 1- VBP , em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da R...
GRÁFICO 16- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da castanha-do-brasil da        RI Marajó, estado do Pará...
LISTA DE QUADROSQUADRO 1- Descrição dos agentes mercantis na comercialização de açaí na RI Marajó,       Estado do Pará, n...
QUADRO 19- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cipó-titica da RI       Marajó, estado do Pará, no ano de...
SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .........................................................................................................
4.2.26 UXI ..................................................................................................................
251 INTRODUÇÃO         Segundo o Ministério da Agricultura de Moçambique (2008), os Produtos FlorestaisNão Madeireiros (PF...
262 OBJETIVOS2.1 GERAL        Identificar e analisar as cadeias de comercialização de produtos florestais nãomadeireiros d...
273 METODOLOGIA         No intuito de descrever e analisar as cadeias de comercialização dos produtosflorestais não madeir...
28agregação de valor, entre outros) – tanto da economia local e no entorno mais próximo, para aeconomia do resto do Pará, ...
29contrário dos cálculos das contas regionais do IBGE, que consideram as regiões homogêneasnas estimações conjunturais imp...
30técnicos dos escritórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado doPará - Emater/Pará, dos sindicat...
31referem-se aos dados primários de preço e quantidade para cada produto, em cada relaçãomercantil de compra e venda, clas...
32       Existem duas especificidades na construção dos indexadores: aquela em que o produtoem questão é levantado sistema...
33         Sendo assim, para doze produtos foram utilizados os indexadores para a categoria dealimentícios: bacaba, bacuri...
34do-brasil, cupuaçu, mari, muruci, palmito (de açaí), piquiá, pupunha, taperebá, tucumã,urucum e uxi]; um derivado animal...
35           Atacado local: Grandes compradores (atacadistas, representantes de empresas),           localizados nos centr...
364 RESULTADOS4.1 REGIÃO DE INTEGRAÇÃO MARAJÓ4.1.1 Caracterização        A Região de Integração (RI) Marajó está consorcia...
37            FIGURA 1- Municípios pertencentes a Região de Integração Marajó, estado do Pará.            Fonte: Instituto...
38        Com relação as estatísticas disponíveis das exportações realizadas em 2011, noperíodo entre janeiro a setembro, ...
39municípios que compõe a região, sendo que em Curralinho e Bagre, o setor de serviçoscorrespondeu a aproximadamente 80% (...
40         Na maioria dos municípios, foi verificada a existência de dois tipos de pontos paracomercialização, onde as tra...
414.2 ANÁLISE DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO        Nos dezesseis municípios da Região de Integração Marajó (Figura 2) for...
42TABELA 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Marajó, com quantidadee valor pago a...
434.2.1 Açaí        a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do           açaí.    ...
44QUADRO 1- Descrição dos agentes mercantis na comercialização de açaí na RI Marajó, Estado do        Pará, no ano de 2010...
45para ser arrecadado pelo atravessador, que utiliza embarcação, ou levado pelo produtor para oporto ou trapiche, para ser...
46fevereiro. Com relação ao horário de funcionamento das indústrias de beneficiamento, foirelatado ser das 9h as 19h. Para...
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  1. 1. Cadeias de Comercialização de Produtos Florestais NãoMadeireiros na Região de Integração Marajó, Estado do Pará RELATÓRIO TÉCNICO 2011 BELÉM – PARÁ 2011
  2. 2. Governo do Estado do Pará Simão Robison Oliveira Jatene Governador Helenilson Cunha Pontes Vice-Governador / Secretário Especial de Estado de Gestão - Seges Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará Maria Adelina Guglioti Braglia Presidente Diretoria de Pesquisa e Estudos Ambientais Jonas Bastos da Veiga DiretorDiretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural Cassiano Figueiredo Ribeiro Diretor Diretoria de Estatística, Tecnologia e Gestão da Informação Sérgio Castro Gomes Diretor Diretoria de Administração, Planejamento e Finanças Helaine Cordeiro Félix Diretora
  3. 3. Cadeias de Comercialização de Produtos Florestais NãoMadeireiros na Região de Integração Marajó, Estado do Pará RELATÓRIO TÉCNICO 2011 BELÉM – PARÁ 2011
  4. 4. ExpedienteDiretor de Pesquisa e Estudos AmbientaisJonas Bastos da VeigaCoordenadora do Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e InovaçãoMarli Maria de MattosElaboração Técnica: Coleta de dados:Marli Maria de Mattos– Coordenadora Adriana Pinheiro dos SantosEllen Claudine Cardoso Castro Ana Cristina Parente BritoDivino Herculys Peres da Silva Lima Divino Hercules Peres da Silva LimaJosé de Alencar Costa Gilzibene Marques da SilvaAna Cristina Parente Brito Isaac Luiz Magalhães LopesIsaac Luiz Magalhães Lopes José de Alencar CostaMaria Glaucia Pacheco Moreira Joyse Tatiane Souza dos SantosNanety Cristina Alves dos Santos Raquel Lopes de Araújo Rodrigo dos Santos LimaParceria:Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do ParáJosé Alberto da Silva Colares, Diretor GeralRevisão:Jonas Bastos da VeigaNormalização:Adriana Taís G. dos Santos e Anna Márcia Malcher Muniz _______________________________________________________________________ INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, SOCIAL E AMBIENTAL DO PARÁ Cadeias de comercialização de produtos florestais não madeireiros na Região de Integração Marajó, Estado do Pará: relatório técnico 2011./ Belém: IDESP, 2011. 205p. 1.Cadeias de comercialização.2.Produtos florestais não madeireiros.3.Contas sociais alfa.4.Economia regional.I.Região de Integração.II.Pará (Estado).III.Titulo. CDD: 381.098115 ________________________________________________________________________
  5. 5. APRESENTAÇÃO A extração dos produtos florestais não madeireiros (PFNM) no Brasil é de grandeimportância social, econômica e ambiental. Apresenta-se como uma forma de exploraçãosustentável, pois na maioria das vezes, não implica na remoção dos indivíduos das espécies.Há tempos, populações tradicionais, extrativistas, ribeirinhas e agricultores familiares utilizamprodutos não madeireiros (frutos, fibras, resinas, plantas medicinais, utensílios entre outros)para subsistência e renda. Apesar da relevância do tema, há poucas informações sobre omercado das espécies florestais não madeireiras, constituindo dessa forma um fator críticopara a gestão das florestas. O mercado internacional desses produtos é relativamente conhecido, todavia, omesmo não ocorre sobre a cadeia de produção e comercialização no mercado doméstico. Nãohá, nos sistemas de dados oficiais, uma lista completa de produtos florestais que sãocomercializados, principalmente no que diz respeito as espécies locais e regionais, comovárias espécies medicinais e frutíferas. No estado do Pará, bem como em todos os estados daAmazônia Legal, há uma carência de dados sobre o mercado de muitos produtos nãomadeireiros de valor local ou regional e sua relevância para as populações rurais e urbanasenvolvidas nas cadeias de produção. As estatísticas oficiais não detectam as espéciesextrativistas que possuem mercado local, bem como as recentes demandas por produtos paraatender as indústrias cosméticas no mercado nacional e internacional. Em razão da relevância do tema exposto, o Instituto de DesenvolvimentoEconômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp), em parceria com o Instituto deDesenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor), desenvolveu o estudo sobre as cadeiasde comercialização dos PFNM do Estado do Pará, como forma de contribuir com informaçõespara a formulação de políticas públicas. Assim foi firmado o Termo de Cooperação Técnica eFinanceira TCTF No.02/2010, tendo sua vigência iniciada em março de 2010, e tem comoobjetivo identificar e analisar as cadeias de comercialização dos PFNM em cinco Regiões deIntegração (RI) do estado do Pará (Rio Caeté, Baixo Amazonas, Guamá, Xingu e Marajó). Os resultados destas pesquisas podem contribuir para o entendimento da economiados PFNM no Estado do Pará, destacando as potencialidades econômicas e identificandoentraves (produção e comercialização) desses diversos produtos, evidenciando os PFNM nãodetectados nas estatísticas oficiais, contribuindo com a conservação e gestão florestal. O presente relatório contempla os resultados das análises das cadeias decomercialização dos PFNM da Região de Integração (RI) Marajó.
  6. 6. RESUMO Na busca do desenvolvimento sustentável, o estado do Pará necessita de atividadeseconômicas produtivas que dinamizem e gerem renda as populações locais, que evitem odesmatamento, que agreguem valor aos produtos e que reduzam as desigualdades entreregiões. O método das Contas Sociais Ascendentes Alfa (CSα) aplicado neste estudo,utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto, permitiu identificar o valor da produção de BaseAgroextrativista, de 55 produtos identificados, em 16 municípios da Região de Integração doMarajó e, acompanhar os fluxos ao longo das cadeias estudadas, passando pelos setores debeneficiamento, transformação, comércio e serviços até seu destino final. Constatou-se que osprodutos estudados (17 alimentícios; 14 artesanatos e utensílios; 19 medicinais, fármacos ecosméticos; 4 derivados da madeira e; 1 derivado animal) têm significativa importância nadinâmica da economia local, assim como para outras regiões do Pará, além dos mercadosnacionais e internacionais. O principal produto de destaque na RI foi o açaí (R$ 690 milhões),porém com 52% da renda bruta gerada e circulada na RI Marajó, diferente do palmito (R$ 460milhões) com 44% gerada e circulada fora do Pará. Outros produtos de destaque foram acastanha-do-brasil, a bacaba, o bacuri, o artesanato regional, os utensílios e o cupuaçu. Acontabilidade social ascendente na região tem origem em milhares de famílias envolvidas nosetor da produção extrativa local (e extralocal), que receberam pela venda de todos osprodutos o montante de R$ 127 milhões (VBPα), que gerou R$ 398 milhões (VBP) na compradestes produtos (predomínio in natura) e com a agregação de valor de mais de R$ 351milhões (VAB), chegando a uma renda bruta total (RBT) gerada e circulada em R$ 750milhões, com seus efeitos para frente e para trás nas cadeias de comercialização. O estudotambém demonstrou as fragilidades e potencialidades identificadas nas cadeias, envolvendo ainiciativa privada, os órgãos governamentais e a sociedade direta e indiretamente relacionadaas cadeias dos produtos do agroextrativismo.Palavras-chave: 1.Cadeias de comercialização, 2.Produtos florestais não madeireiros,3.Contas sociais alfa, 4.Economia regional.
  7. 7. LISTA DE SIGLASANVISA Agência Nacional de Vigilância SanitáriaAPA Área de Proteção AmbientalATER Assistência Técnica e Extensão RuralCONAB Companhia Nacional de AbastecimentoCSα Contas Ascendentes AlfaEMATER Empresa de Assistência Técnica e Extensão RuralEMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuáriaGPS Sistema de Posicionamento GlobalIBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaIDEFLOR Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do ParáIDESP Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do ParáITTO International Tropical Timber OrganizationLSPA Levantamento Sistemático da Produção AgrícolaMDA Ministério do Desenvolvimento Agrário Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior /MDCIC/SECEX Secretaria de Comércio exteriorMIP Matriz Insumo ProdutoNAEA/UFPA Núcleo de Altos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do ParáNPCTI Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação do IdespPAA Programa de Aquisição de AlimentosPAM Pesquisa Agrícola MunicipalPEVS Produção da Extração Vegetal e da SilviculturaPFNM Produtos Florestais Não MadeireirosPIB Produto Interno BrutoPPM Produção da Pecuária Municipal αPRB Produto Regional Bruto de Base AgroextrativistaRBT Renda Bruta TotalRI Região de IntegraçãoSBRT Serviço Brasileiro de Respostas TécnicasSEIR Secretaria de Estado de Integração RegionalSEMA Secretaria Estadual de Meio AmbienteSTR Sindicato dos Trabalhadores RuraisTCTF Termo de Cooperação Técnica e FinanceiraUC Unidade de ConservaçãoUFPA Universidade Federal do ParáVAB Valor Agregado Bruto ou Valor Adicionado Bruto αVAB Valor Agregado Bruto de Base AgroextrativistaVBP Valor Bruto da Produção αVBP Valor Bruto da Produção de Base AgroextrativistaVTE Valor Transacionado Efetivo
  8. 8. LISTA DE FIGURASFIGURA 1- Municípios pertencentes a Região de Integração Marajó, estado do Pará. ........ 378FIGURA 2- Localização da Região de Integração Marajó, estado do Pará. ............................ 42FIGURA 3- Localização dos agentes mercantis do açaí na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................................................... 44FIGURA 4- Estrutura (%) da quantidade amostral do açaí comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 47FIGURA 5- Preço médio do açaí (R$/kg de fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..................................................................................................................... 50FIGURA 6- Localização dos agentes mercantis do palmito na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 57FIGURA 7- Estrutura (%) da quantidade amostral do palmito comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 61FIGURA 8- Preço médio do palmito (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ....... 62FIGURA 9- Localização dos agentes mercantis da bacaba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 68FIGURA 10- Estrutura (%) da quantidade amostral da bacaba comercializada na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 71FIGURA 11- Preço médio da bacaba (R$/kg de fruto in natura) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ................................................................................................................ 72FIGURA 12- Localização dos agentes mercantis do artesanato regional na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ..................................................................................... 78FIGURA 13- Estrutura (%) da quantidade amostral do artesanato regional comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ....................................................... 81FIGURA 14- Preço médio do artesanato regional (R$/un.) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..................................................................................................................... 82FIGURA 15- Localização dos agentes mercantis do cupuaçu na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 86FIGURA 16- Estrutura (%) da quantidade amostral do cupuaçu comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 88FIGURA 17- Preço médio do cupuaçu (R$/un.) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ....... 90FIGURA 18- Localização dos agentes mercantis do bacuri na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 91FIGURA 19- Estrutura (%) da quantidade amostral do bacuri comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 93FIGURA 20- Preço médio do bacuri (R$ correntes/un.) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..................................................................................................................... 94
  9. 9. FIGURA 21- Localização dos agentes mercantis do muruci na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 95FIGURA 22- Estrutura (%) da quantidade amostral do muruci comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 96FIGURA 23- Preço médio do muruci (R$/l) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. .................. 97FIGURA 24- Localização dos agentes mercantis do taperebá na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................ 98FIGURA 25- Estrutura (%) da quantidade amostral do taperebá comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................ 101FIGURA 26- Preço médio do taperebá (R$/kg) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..... 102FIGURA 27- Localização dos agentes mercantis do cacau amêndoa na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................ 108FIGURA 28- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do cacau amêndoa na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 110FIGURA 29- Localização dos agentes mercantis do carvão na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 111FIGURA 30- Estrutura (%) da quantidade amostral do carvão comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................ 113FIGURA 31- Preço médio do carvão (R$/saca) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..... 114FIGURA 32- Localização dos agentes mercantis dos utensílios na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................................................. 115FIGURA 33- Estrutura (%) da quantidade amostral dos utensílios comercializados na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................... 117FIGURA 34- Preço médio dos utensílios (R$/un.) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..... 118FIGURA 35- Localização dos agentes mercantis da castanha-do-brasil na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................... 11920FIGURA 36- Estrutura (%) da quantidade amostral da castanha-do-brasil comercializada na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ..................................................... 121FIGURA 37- Preço médio da castanha-do-brasil (R$/kg) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ............................................................................................................... 12223FIGURA 38- Localização dos agentes mercantis da lenha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 129FIGURA 39- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/m³) da lenha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ..... 130FIGURA 40- Localização dos agentes mercantis do mel na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................................................. 131FIGURA 41- Estrutura (%) da quantidade amostral do mel comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................ 133
  10. 10. FIGURA 42- Preço médio do mel (R$/l) praticado nas transações entre os setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ................ 134FIGURA 43- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$/kg) da borracha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............... 135FIGURA 44- Localização dos agentes mercantis do breu-branco na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................ 136FIGURA 45- Estrutura (%) da quantidade amostral do breu-branco comercializado na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................... 138FIGURA 46- Preço médio do breu-branco (R$/kg) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ..... 139FIGURA 47- Localização dos agentes mercantis da andiroba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 140FIGURA 48- Estrutura (%) da quantidade amostral da andiroba comercializada na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................ 142FIGURA 49- Preço médio da andiroba (R$/l) praticado nas transações entre setores da cadeia de comercialização, no ano de 2010, da RI Marajó, estado do Pará. ................ 143FIGURA 50- Localização dos agentes mercantis da copaíba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 144FIGURA 51- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$/l) da copaíba na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................... 146FIGURA 52- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do cipó-titica na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................................... 148FIGURA 53- Localização dos agentes mercantis das plantas medicinais na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ................................................................................... 149FIGURA 54- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) das plantas medicinais na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................... 1501FIGURA 55- Localização dos agentes mercantis da pupunha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 151FIGURA 56- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/cacho) da pupunha na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................................... 153FIGURA 57- Localização dos agentes mercantis dos leites na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 154FIGURA 58- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) dos leites na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...... 155FIGURA 59- Localização dos agentes mercantis do piquiá na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 156FIGURA 60- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un. Fruto) do piquiá na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 158
  11. 11. FIGURA 61- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do açaí (semente) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 160FIGURA 62- Localização dos agentes mercantis do uxi na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................................................. 161FIGURA 63- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do uxi (fruto) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................................... 162FIGURA 64- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do urucum na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. . 164FIGURA 65- Localização dos agentes mercantis do mari na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...................................................................................................... 165FIGURA 66- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do mari na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ...... 166FIGURA 67- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/kg) do tucumã na RI Xingu, estado do Pará, no ano de 2010. ... 168FIGURA 68- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un.) do cacau (fruto) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 169FIGURA 69- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/un. Fruto) da cajarana na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .................................................................................................................. 171FIGURA 70- Estrutura (%) da quantidade amostral comercializada e preço médio praticado (R$ correntes/l) do patauá (óleo) na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................................................................................... 172
  12. 12. LISTA DE TABELASTABELA 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Marajó, com quantidade e valor pago a produção local, de acordo com a amostragem realizada em campo, no ano de 2010. ............................................... 43TABELA 2- Demanda Final (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados na RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008 (Idesp). ................................................................................................................. 174TABELA 3- Valor Adicionado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados na RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008 (Idesp). ................................................................................. 176TABELA 4- Valor Agregado Bruto - VAB (local, estadual e nacional), em R$ e %, dos produtos florestais não madeireiros identificados na RI Marajó, estado do Pará, organizados em categorias (Alimentícios, Artesanatos/Utensílios, Derivado Animal, Derivado da Madeira e Fármacos/Cosméticos), estimados para 2008 (Idesp). ................................................................................................................. 177TABELA 5- Renda Bruta Total (R$) na esfera local, estadual e nacional dos produtos florestais não madeireiros identificados na RI Marajó, estimados para 2008, organizados em três categorias relativas com escalas de valor do RBT (acima de R$ 600 mil, de R$ 100 mil a R$ 599 mil e abaixo de R$ 100 mil) (Idesp). ........ 179TABELA 6- Indicadores econômicos dos produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Marajó, estado do Pará, compostos pelo Valor Bruto da Produção Alfa Local (VBPα), o Valor Bruto da Produção Alfa extralocal, a margem de lucro (mark-up), o Valor Bruto da Produção (VBP), o Valor Agregado Bruto (VAB) e a Renda Bruta Total (RBT), em R$, nas esferas local, estadual e nacional, estimado para 2008 (Idesp). ................................................................. 184
  13. 13. LISTA DE GRÁFICOS αGRÁFICO 1- VBP , em R$, pela ótica da oferta na comercialização do açaí da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ...................................... 51GRÁFICO 2- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do açaí da região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ........................................................ 54GRÁFICO 3- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do açaí, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ..................... 56GRÁFICO 4- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do palmito da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ...................................... 63GRÁFICO 5- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do palmito da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ...................................... 65GRÁFICO 6- Valor Da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do palmito, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ..................... 67GRÁFICO 7- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da bacaba da Região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ...................................... 73GRÁFICO 8- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização da bacaba da região de Integração Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ...................................... 75GRÁFICO 9- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da bacaba, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da Região de Integração Marajó, estado do pará, estimado para 2008. ..................... 77GRÁFICO 10- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização do artesanato Regional da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. .............................................. 83GRÁFICO 11- VAB (R$) e o mark-up (%), na comercialização do artesanato regional da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ........................................................ 84GRÁFICO 12- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização do artesanato regional, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ..................................... 85GRÁFICO 13- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá) da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................................................................................. 103GRÁFICO 14- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá) da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ............................................................................................................................. 105GRÁFICO 15- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização das frutas (bacuri, cupuaçu, muruci e taperebá), considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. .................................................................................................................... 106
  14. 14. GRÁFICO 16- VBPα, em R$, pela ótica da oferta na comercialização da castanha-do-brasil da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ................................................. 123GRÁFICO 17- VAB (em R$) e o mark-up (%), na comercialização da castanha-do-brasil da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ................................................. 125GRÁFICO 18- Valor da RBT, em R$, gerada e circulada na comercialização da castanha-do- brasil, considerando sua composição pela ótica da demanda (VBP + VAB), a partir da RI Marajó, estado do Pará, estimado para 2008. ................................... 127
  15. 15. LISTA DE QUADROSQUADRO 1- Descrição dos agentes mercantis na comercialização de açaí na RI Marajó, Estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 44QUADRO 2- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do palmito da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 58QUADRO 3- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da bacaba da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 68QUADRO 4- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do artesanato regional da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................... 78QUADRO 5- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cupuaçu da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 86QUADRO 6- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do bacuri da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 91QUADRO 7- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do muruci da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 95QUADRO 8- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do taperebá da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................................ 98QUADRO 9- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau amêndoa da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 109QUADRO 10- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do carvão na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 111QUADRO 11- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos utensílios da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 116QUADRO 12- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da castanha-do-brasil da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................ 119QUADRO 13- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da lenha da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 129QUADRO 14- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do mel da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 132QUADRO 15- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da borracha da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 135QUADRO 16- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do breu-branco da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 137QUADRO 17- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da andiroba da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 141QUADRO 18- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da copaíba da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 144
  16. 16. QUADRO 19- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cipó-titica da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 147QUADRO 20- Descrição dos agentes mercantis na comercialização das plantas medicinais da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........................................................ 149QUADRO 21- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da pupunha da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 152QUADRO 22- Descrição dos agentes mercantis na comercialização dos leites (amapá, sucuúba e seiva de jatobá) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ........ 154QUADRO 23- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do piquiá da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 156QUADRO 24- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do açaí (semente) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 159QUADRO 25- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do uxi da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 161QUADRO 26- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do urucum da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 163QUADRO 27- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do mari da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 165QUADRO 28- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do tucumã da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 167QUADRO 29- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do cacau (fruto) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 168QUADRO 30- Descrição dos agentes mercantis na comercialização da cajarana da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. .......................................................................... 170QUADRO 31- Descrição dos agentes mercantis na comercialização do patauá (óleo) da RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. ............................................................. 171
  17. 17. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 252 OBJETIVOS .......................................................................................................................... 262.1 GERAL ............................................................................................................................... 262.2 ESPECÍFICOS ................................................................................................................... 263 METODOLOGIA .................................................................................................................. 274 RESULTADOS ..................................................................................................................... 364.1 REGIÃO DE INTEGRAÇÃO MARAJÓ .......................................................................... 364.1.1 CARACTERIZAÇÃO ..................................................................................................... 364.1.2 INFRAESTRUTURA DE COMERCIALIZAÇÃO........................................................ 394.2 ANÁLISE DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO .................................................. 414.2.1 AÇAÍ ............................................................................................................................... 434.2.2 PALMITO ....................................................................................................................... 574.2.3 BACABA ........................................................................................................................ 674.2.4 ARTESANATO REGIONAL ......................................................................................... 774.2.5 CUPUAÇU ...................................................................................................................... 844.2.6 BACURI .......................................................................................................................... 894.2.7 MURUCI ......................................................................................................................... 944.2.8 TAPEREBÁ .................................................................................................................... 974.2.9 FRUTAS (CUPUAÇU, BACURI, MURUCI E TAPEREBÁ) ..................................... 1014.2.10 CACAU AMÊNDOA .................................................................................................. 1084.2.11 CARVÃO .................................................................................................................... 1104.2.12 UTENSÍLIOS .............................................................................................................. 1144.2.13 CASTANHA-DO-BRASIL ......................................................................................... 1184.2.14 LENHA........................................................................................................................ 1284.2.15 MEL ............................................................................................................................. 1304.2.16 BORRACHA ............................................................................................................... 1344.2.17 BREU-BRANCO ........................................................................................................ 1364.2.18 ANDIROBA ................................................................................................................ 1394.2.19 COPAÍBA.................................................................................................................... 1434.2.20 CIPÓ-TITICA .............................................................................................................. 1464.2.21 PLANTAS MEDICINAIS ........................................................................................... 1484.2.22 PUPUNHA .................................................................................................................. 1514.2.23 LEITES (AMAPÁ, JATOBÁ E SUCUÚBA) ............................................................. 1534.2.24 PIQUIÁ........................................................................................................................ 1554.2.25 AÇAÍ (SEMENTE) ..................................................................................................... 158
  18. 18. 4.2.26 UXI .............................................................................................................................. 1604.2.27 URUCUM.................................................................................................................... 1624.2.28 MARI ........................................................................................................................... 1644.2.29 TUCUMÃ .................................................................................................................... 1664.2.30 CACAU (FRUTO) ...................................................................................................... 1684.2.31 CAJARANA ................................................................................................................ 1694.2.32 PATAUÁ ÓLEO ......................................................................................................... 1714.3 ANÁLISES ECONÔMICAS AGRUPADAS .................................................................. 1735 CONCLUSÕES ................................................................................................................... 1856 RECOMENDAÇÕES.......................................................................................................... 1887 REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 193APÊNDICES .......................................................................................................................... 197
  19. 19. 251 INTRODUÇÃO Segundo o Ministério da Agricultura de Moçambique (2008), os Produtos FlorestaisNão Madeireiros (PFNM) são aqueles derivados da floresta, exceto a madeira, cuja definiçãoengloba as fibras, frutos, raízes, cascas, folhas, taninos, cogumelos, exudados, mel, plantasmedicinais, lenha e carvão, entre outros. Silva et al. (2010) ressaltam que estes produtostambém podem ser obtidos de plantas semidomesticadas em plantios ou sistemasagroflorestais, assim como peixes ornamentais e produtos da fauna silvestre. Estes últimosautores ainda destacam que este é um conceito em construção. Nas últimas décadas, assiste-se em todo o mundo, o crescimento da preocupaçãorelacionada a fatores como aquecimento global e o desmatamento das florestas tropicais, queatraem o interesse de diversos atores sociais, que anseiam em equacionar tais impactos.Dentro deste contexto, a extração e comercialização dos PFNM no Brasil têm apresentadogrande importância social, econômica e ambiental, em virtude de atuar prioritariamente empequenas propriedades, preservar parte importante da biodiversidade das florestas nativas(FIEDLER et al., 2008) e gerar renda. Em relação ao comércio dos PFNM, nota-se que o mercado internacional dessesprodutos é relativamente conhecido, entretanto, o mesmo não ocorre sobre a cadeia deprodução e comercialização no mercado doméstico. No estado do Pará, assim como nosoutros estados inseridos na Amazônia Legal, é restrita a literatura e dados existentes sobre omercado “invisível” de muitas espécies de valor local ou regional e sua importância para aspopulações rurais e urbanas envolvidas ao longo da sua cadeia de produção (MONTEIRO,2003). Dessa forma, gestores estão desinformados sobre o fluxo desse comércio, quepermanece oculto (SILVA, 2010). Apesar da magnitude socioeconômica dos PFNM, verifica-se que há poucainformação sistematizada sobre quantidade, valor, processos de produção, industrialização ecomercialização desses produtos. Essa escassez de informações é um empecilho aconservação e ao desenvolvimento de estratégias mercadológicas para esses produtos, sendo,portanto, necessário produzi-las para o crescimento e desenvolvimento das atividadesenvolvendo estes produtos (FIEDLER et al., 2008). Esta pesquisa teve como objetivo principal identificar e analisar as cadeias decomercialização dos PFNM na Região de Integração (RI) Marajó, Estado do Pará,identificando os fatores críticos e potencialidades, como forma de subsidiar políticas públicas.
  20. 20. 262 OBJETIVOS2.1 GERAL Identificar e analisar as cadeias de comercialização de produtos florestais nãomadeireiros da Região de Integração Marajó, Estado do Pará, identificando fatores críticos epotencialidades.2.2 ESPECÍFICOS Identificar e descrever as estruturas das cadeias de comercialização dos produtos florestais não madeireiros da Região de Integração Marajó, e Quantificar o Valor Bruto da Produção (VBP), explicitando a produção agroextrativista do setor alfa (VBPα), o Valor Agregado Bruto (VAB) juntamente com a margem bruta de comercialização (mark-up) e a Renda Bruta Total (RBT) gerada e circulada na comercialização dos produtos identificados.
  21. 21. 273 METODOLOGIA No intuito de descrever e analisar as cadeias de comercialização dos produtosflorestais não madeireiros (PFNM), a partir do conjunto dos 16 municípios pertencentes a RIdo Marajó, estado do Pará, desde os agentes que compraram do produtor até os que venderampara o consumidor, este estudo baseou-se na metodologia das Contas Ascendentes Alfa CSα(COSTA, 2002, 2006 e 2008a), que permite construir Contas Sociais de base agroextrativista,para uma região, utilizando o modelo Matriz Insumo-Produto de Leontief (1983). As “Contas Sociais Alfa” (CSα) referem-se a metodologia de cálculo ascendente dematrizes de insumo-produto de equilíbrio computável e, que se baseia nos parâmetros eindicadores de cada produto que compõem os setores originários e fundamentais, justifica-sepelo fato de permitir uma análise pontual ou com foco na real problemática local, haja vistaque as estatísticas de produção são obtidas mais irredutível possível de uma economia local.Ou seja, este método além de fazer uma “fotografia” da realidade macroeconômica e social deuma delimitação geográfica, fornece respostas a questões que envolvem os impactos geradospor ações e programas de desenvolvimento ali implementados. Conforme explica Costa (2008b), o método consiste em identificar a produção decada agente que pode ser agregado nos “setores alfa”, de certa delimitação geográfica eacompanhar os fluxos até sua destinação final. Nesse trajeto define parametricamente ascondições de passagem pelas diversas interseções entre os setores derivados (quantidadestransacionadas em cada ponto e o mark-up correspondente), tratados como “setores beta”, osquais são ajustados a três níveis diferentes: o local (βa), o estadual (βb) e o nacional (βc). Esta metodologia foi aplicada na região sudeste do Pará, caracterizada por tensõesentre grandes projetos pecuários e minerais, e a expansão camponesa, com assentamentos dareforma agrária. O trabalho desenvolvido por Costa (2008b), contempla a análise de insumo-produto com metodologia ascendente que explicita a diversidade estrutural dos setores debase primária e os impactos econômicos da programação de investimento da Companhia Valedo Rio Doce (CVRD) de 2004 até 2010. Os resultados do estudo indicam que a metodologiaascendente CSα permitiu fazer as diferenciações estruturais necessárias na geração de umamatriz de insumo-produto mais aderente a complexidade da economia local, evidenciando ainfluência expressiva na economia do setor mineral do Sudeste Paraense, com complexidadede tal ordem que sua expansão cria possibilidades de crescimento para os demais setores daeconomia local. Por outro lado, demonstrou vazamentos de vulto (em termos de renda,
  22. 22. 28agregação de valor, entre outros) – tanto da economia local e no entorno mais próximo, para aeconomia do resto do Pará, quanto para o resto do Brasil. Em outro estudo Costa e Costa (2008) descreveram a economia da cultura do festivalde bois de Parintins, estado do Amazonas, utilizando a metodologia das CSα conjuntamenteorientada pelo conceito de Arranjos Produtivos Locais (APL). O estudo identificou limitaçõesde infraestrutura, apontou impactos para a economia do município com a produção erealização do evento, com isso o município recebeu tratamento diferenciado por parte dospoderes públicos, que se converteram em investimentos reais e o APL da cultura identificadorepresentou 10% da economia local e se apresentou como uma nova base de exportação, comum efeito multiplicar elevado. A aplicação da metodologia CSα por Dürr (2008) no Departamento1 de Sololá, naGuatemala, permitiu descrever as cadeias produtivas dos principais produtos da agriculturacamponesa, construiu a Contabilidade Social de base agrária do Departamento, ou seja,calculou o Produto Interno Bruto mostrando a contribuição de diferentes setores,especialmente no setor rural e da economia regional e, por último, identificou os impactossobre a agricultura e o desenvolvimento econômico das zonas rurais locais, estimado atravésdo uso de Matrizes de Insumo-Produto como ferramenta para o planejamento estratégico doDepartamento de Sololá. Devido as repercussões deste estudo, o autor replicou para odepartamento de El Quiché (DÜRR et al., 2009), para o território chamado de Bacia do rio"Polochic. "(LOZA et al., 2009) e para o departamento de Petén (DÜRR et al., 2010). O trabalho de Carvalho (2010) apresenta as contribuições que os produtos florestaisnão madeireiros têm na economia do Estado do Amapá, fazendo o uso do método de ContasSociais Alfa em razão da inexistência de informações sistematizadas ou agregadas em nívellocal. Contudo, consegue estabelecer as análises estruturais a partir das interrelaçõesexistentes entre os agentes mercantis que participam do arranjo produtivo dos PFNM,analisando os efeitos dos multiplicadores setoriais, os impactos do crescimento econômico naprodução, trabalho e renda setorial de toda a economia. Na mesma linha, Gomes (2007) identificou e caracterizou cadeias decomercialização de produtos existentes nas florestas secundárias nas categorias de frutíferas,derivados da madeira (lenha, carvão e estaca), mel e diversas plantas medicinais nosmunicípios de Bragança, Capitão Poço e Garrafão do Norte, Estado do Pará. A autora utilizouo método de Contas Sociais Alfa para captar as especificidades econômicas e sociais que ao1 Unidade federativa equivalente a estado.
  23. 23. 29contrário dos cálculos das contas regionais do IBGE, que consideram as regiões homogêneasnas estimações conjunturais impossibilita captar as especificidades locais. O estudo detectou acirculação aproximada de quatro milhões de reais, para o ano de 2005, identificando aimportância da vegetação secundária como reserva de valor e como agente dinamizador darenda rural e dos setores econômicos associados como atacadistas, varejistas e agroindústrias. No caso deste estudo desenvolvido pelo Idesp em parceria com o Ideflor, ametodologia foi adequada para a contabilidade social ascendente que engloba além daprodução agroextrativista, as atividades na indústria e nos serviços que atuam diretamente nossetores com foco nos produtos florestais não madeireiros. Trata-se de um modelo de calculode renda e do produto social do agroextrativismo que permitiu mensurar variáveis como oValor Bruto da Produção de Base Agroextrativista (VBPα), o Valor Agregado Bruto de BaseAgroextrativista (VABα) e o Produto Regional Bruto de Base Agroextrativista (PRBα). Deacordo com Considera et al. (1997) o Produto Regional Bruto (PRB) seria o equivalenteregional ao Produto Interno Bruto (PIB) deste setor. O modelo também produziu as matrizes das interrelações intersetoriais que asfundamentam, por uma metodologia que maximiza a utilização dos dados do IBGE, tanto osdo Censo Agropecuário de 2006, quanto as séries históricas de 1990 a 2008 da ProduçãoAgrícola Municipal (PAM), da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) e daProdução da Pecuária Municipal (PPM) e, correlacionando-os aos dados da pesquisa primáriaexecutada pelo Idesp, permitiu agregações as mais variadas, orientadas tanto por atributosgeográficos, quanto por atributos estruturais do setor. A metodologia adotada permite descrever trajetórias de agregação, tanto em funçãode um espaço geográfico limitado (município, região, território, etc.), quanto em decorrênciadas estruturas da produção: formas de produção, tipos de atividades, níveis tecnológicos,sistemas de produção, entre outros. A metodologia apresenta uma série de vantagens, taiscomo: rapidez na coleta de dados primários em campo, identificação dos maiores volumescomercializados junto aos agentes mercantis chaves, quantificação dos valores pagos ao setorda produção agroextrativista, principais gargalos evidenciados nas cadeias decomercialização, a economia antes invisível passa a ser explícita para diversos produtos eaponta indicativos para subsidiar políticas publicas. As etapas adotadas desde a identificação do agente mercantil, até as análises dascadeias de comercialização, consistiram em uma série de ações descritas a seguir. Articulação prévia, feita em Belém e/ou na chegada a cada um dos dezesseismunicípios visitados da Região de Integração Marajó, junto a informantes-chaves (como os
  24. 24. 30técnicos dos escritórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado doPará - Emater/Pará, dos sindicatos de trabalhadores rurais, das secretarias municipais deagricultura, das cooperativas, das associações, das feiras, dos mercados locais, entre outros),no que se referiu a produção e/ou comercialização dos produtos florestais não madeireirosexistentes no município, para o período de doze meses e, fazer a identificação dos agentesmercantis envolvidos nestas atividades, para serem entrevistados. A coleta de dados ocorreu junto aos agentes mercantis com aplicação de questionário(Apêndice A). Nesta etapa, buscam-se os principais agentes (vendedores/compradores) decada produto, que geralmente representam importantes elos da cadeia, os quais em seguida,direcionam os elos para trás (comprou de quem) e para frente (vendeu para quem) na cadeia,compondo uma amostragem não probabilística autogerada (CABRAL, 2000), até chegar aprodução local de um lado, bem como ao último que vendeu o produto para o consumidorfinal, no outro extremo da cadeia (DÜRR; COSTA, 2008). Esta metodologia identificourelações existentes entre agentes mercantis, que atuam tanto na formalidade até os decompleta informalidade, e foi capaz de apontar o fluxo de comercialização para cada produtoidentificado. Neste tipo de amostragem o tamanho e a localização da população não sãoconhecidos a priori pelo pesquisador, então, esta é composta na medida em que o pesquisadoridentifica um agente mercantil, e solicita ao mesmo que indique os que também fazem parteda população em estudo, e assim, sucessivamente, a amostra é construída (MATTAR, 1997).Deste modo, para o levantamento dos dezesseis municípios foram aplicados trezentos e vintequestionários junto aos agentes mercantis envolvidos direta ou indiretamente com acomercialização dos PFNM. Durante a aplicação dos questionários, foi possível georreferenciar cadaestabelecimento, utilizando o sistema de posicionamento global (GPS), compondo uma dasbases de dados com as coordenadas geográficas. Além disso, foi possível compor uma base dedados qualitativos disponíveis na plataforma Windows, Microsoft Office 2007 no aplicativoAccess, e outra base de dados quantitativos no sistema NETZ2, com circuitos (referentes aosprodutos) e lançamentos (referentes as transações comerciais realizadas pelos agentes, porprodutos). A padronização dos dados coletados em cada entrevista foi necessária para que asunidades de quantidade (medida usada em kg, litro, saca entre outros) e de preço praticadofossem uniformizadas conforme cada produto. As informações inseridas no sistema NETZ2 Software desenvolvido por Francisco de Assis Costa – NAEA/UFPA.
  25. 25. 31referem-se aos dados primários de preço e quantidade para cada produto, em cada relaçãomercantil de compra e venda, classificando por setor (produção, varejo, atacado, indústria econsumidor) e por recorte espacial (local, estadual e nacional). Depois deste processo, foram elaboradas as matrizes que descrevem a probabilidadeda distribuição das quantidades e de atribuição dos preços a partir das relações entre osagentes e, uma vez determinadas suas posições estruturais, entre os setores. As MatrizesInsumo-Produto (MIP) descrevem nas colunas as compras e nas linhas as vendas dos setoresda produção primária e intermediaria (indústria, atacado e varejo), entre si, e as vendas para ademanda final local, estadual ou nacional. No entanto, como forma de melhor visualizar cadamatriz, a equipe do Idesp envolvida no estudo desenvolveu um modelo de apresentar osmesmos dados, com os fluxos de compra e venda e os setores responsáveis por cada elo dacadeia. A inovação trata-se da disposição visual dos diversos agentes mercantis ou setoresrepresentados por pequenas caixas retangulares (produção local e extralocal, varejo, indústriade beneficiamento, de transformação, atacado, consumidor, etc.) e espacialmente distribuídosna economia local, estadual ou fora do estado (nacional e internacional), representados porretângulos maiores em três cores distintas. Foram adotadas setas em diferentes formatos paraa representação dos canais ou fluxos de comercialização, que iniciam na produção local eextralocal até os consumidores finais. Quanto aos fluxos da comercialização por produto estudado, estes foram organizadospara três dimensões geográficas: a) local, que corresponde aos dezesseis municípiospesquisados na RI Marajó; b) estadual, para os demais municípios do estado do Pará e; c)nacional, que foram comercializados para outros estados e/ou países. O estudo possibilitoucompreender os fluxos existentes nas relações entre agentes/setores e seu papel relativo aolongo da cadeia em função dos volumes transacionados. Ainda com base nas matrizes depreço e quantidade, a relação dessas gera os respectivos preços médios praticados ouimplícitos por produto e por setor (em Reais por unidade do produto), agregado ou não, aolongo da cadeia, da produção até o consumo final. A metodologia permite a atualização dos dados para os anos seguintes daContabilidade Social da Produção de Base Agroextrativista (CSα) obtida com os dados maisrecentes divulgados pelo IBGE, neste caso com o Censo Agropecuário de 2006. Para tanto,foram construídos indexadores de quantidade e preço baseados nas séries municipais da PAM,PEVS e PPM, no mesmo recorte regional, assim como as séries de preços dos produtos daagricultura do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).
  26. 26. 32 Existem duas especificidades na construção dos indexadores: aquela em que o produtoem questão é levantado sistematicamente e faz parte do acervo de estatísticas conjunturais,acima explicitado, e aquela em que o produto estudado não é levantado sistematicamente. Naprimeira situação os indexadores de quantidade (IQ) são os números índices do total dasquantidades do produto v, para o conjunto dos municípios que atendem a restrição s, tendo nocaso do agroextrativismo, 2006 como ano base. E para os indexadores de preço (IP) osnúmeros índices do preço médio do produto v, para os municípios que atendem a restriçãogeográfica s, tendo 2006 também como ano base (COSTA, 2002, 2006 e 2008). Os indexadores de quantidade e de preço são assim construídos: Onde: : atributo geográfico (local: municípios da RI Marajó; estadual: demais municípios do estado do Pará e nacional: outros estados e/ou países), : produto, : ano da pesquisa oficial (2006, 2007 e 2008), : quantidade do produto conforme seu atributo geográfico no ano da pesquisa oficial, : quantidade do produto conforme atributo geográfico no Censo Agropecuário de 2006, : preço médio (ou implícito) conforme seu atributo geográfico no ano da pesquisa, e : preço médio (ou implícito) conforme atributo geográfico no Censo de 2006. Em relação aos produtos não levantados sistematicamente, estes foram indexadospela evolução do conjunto da produção numa certa delimitação geográfica. A evolução doconjunto da produção é observada pelos números índices da evolução do produto real e dospreços implícitos para a restrição geográfica s. O produto real é a soma dos resultados damultiplicação das quantidades de cada produto no ano a, pelo preço em um ano escolhidopara fornecer o vetor de preços, neste caso, média dos anos de 2006, 2007 e 2008. Portanto,os indexadores dos PFNM que não estão presentes nas estatísticas oficiais foram elaboradosconforme agrupamentos, tendo como referências as categorias dos alimentícios, dosoleaginosos e gerais do IBGE.
  27. 27. 33 Sendo assim, para doze produtos foram utilizados os indexadores para a categoria dealimentícios: bacaba, bacuri, cacau (fruto), cajarana, mari, muruci, piquiá, pupunha, taperebá,tucumã, urucum e uxi. Na categoria de indexador dos oleaginosos foram três produtos:andiroba, copaíba e patauá. E na categoria de indexador geral foram trinta e três produtos:jucá fava e cascas de andiroba, barbatimão, cajuaçu, cedro, copaíba, jatobá, muruci, ipê-roxo,sucuúba, unha-de-gato, pariri, uxi e verônica, leites de amapá, de jatobá e de sucuúba,urucum, breu-branco, açaí semente, artesanato regional, bolsa artesanal, chapéu de palha,artesanato de miriti, abano, matapi, vassoura de timbó, tipiti, cesto, pari, paneiro, peneira ecipó-titica. Enquanto que nove deles, como: açaí, cacau amêndoa, carvão, castanha-do-brasil,cupuaçu, lenha, mel, palmito e borracha, tiveram cada qual seu indexador utilizado com baseno seu respectivo produto, das estatísticas oficiais. Finalmente, foi estimada a CSα para o ano de 2008, por ser o início do estudo,multiplicando os indexadores obtidos com a matriz de estrutura, que descrevem aprobabilidade da distribuição das quantidades e, com a matriz de preços a partir das relaçõesentre os agentes. O resultado gera uma Matriz de Insumo Produto (MIP) para cada produtopesquisado, contendo o Valor Bruto da Produção de base agroextrativista (VBPα) sob a óticada oferta, o VBP sob a ótica da demanda (ou seja, compra de insumo), o Valor TransacionadoEfetivo (VTE) que equivale ao Valor Adicionado ou Agregado Bruto (VAB), a Renda BrutaTotal (RBT) e, a margem bruta de comercialização (mark-up), que é a relação entre adiferença do valor estimado do VAB com o VBPα (sob a ótica da oferta) pelo VBPα, para quesejam feitas as análises econômicas (estimadas para 2008) e os impactos que cada produtonão madeireiro exerceu na economia local, estadual e fora do estado. Frisa-se, no entanto, queno cálculo do VAB como na estimação do mark-up, não se levou em consideração os custosprodutivos e/ou de comercialização, pois não foram foco da pesquisa. Em algumas cadeias,também não foi possível descrever a proporção dos PFNM utilizados como insumo napreparação de certos produtos finais, como doces, cosméticos, medicinais, entre outros. A definição em estimar a CSα para o ano de 2008 foi adotada para este estudo(Marajó) e para as demais regiões estudadas (Tocantins, Guamá, Rio Caeté, Xingu e o BaixoAmazonas), permitindo assim comparações entre as economias de cada região. O métodopermite também fazer atualizações desta economia conforme novos cálculos dos indexadorespor produto, após divulgação de estatísticas oficiais. Para cada um dos 55 produtos não madeireiros identificados em campo (Tabela 1),39 deles constam no Apêndice B. Tais produtos foram classificados em dezessetealimentícios [açaí (fruto), bacaba, bacuri, cacau (amêndoa), cacau (fruto), cajarana, castanha-
  28. 28. 34do-brasil, cupuaçu, mari, muruci, palmito (de açaí), piquiá, pupunha, taperebá, tucumã,urucum e uxi]; um derivado animal (mel de abelha com e sem ferrão); dezenove medicinais,fármacos e cosméticos [andiroba (casca e óleo), barbatimão, cajuaçu, cedro, copaíba (casca eóleo), ipê-roxo, jatobá (leite e casca), jucá, leite-de-amapá, pariri, patauá, sucuúba (leite ecasca), unha-de-gato, uxi (casca) e verônica]; quatro derivados da madeira (carvão, lenha,breu-branco e borracha) e quatorze artesanatos e utensílios [açaí semente; artesanato regional(paneiros, peças com sementes de açaí e cestarias); bolsas artesanais (buçu de onde se extrai afibra de tururi); artesanato de buriti ou miriti (quadros e araras); cipó-titica (em rolo); abano,tipiti e peneira (guarumã); paneiro (cipó-titica, guarumã e jacitara); cesto (inajá, jupati);matapi (jupati e timbó); chapéu (jupati); pari (jupati) e vassoura (timbó)]. Cada produto identificado foi analisado individualmente, por estruturas de fluxo dequantidade e preço médio praticado ao longo das cadeias de comercialização e, descritos ossetores mercantis das esferas local, estadual e nacional. Para outros produtos queapresentaram similitude como: uma pequena amostragem de dados, semelhança do fluxo decomercialização entre os agentes e, principalmente, utilidades similares, as análises foramagrupadas em: artesanato regional, utensílios, plantas medicinais e leites. Além disso, para nove produtos com maior destaque [açaí fruto, palmito, bacaba,artesanato regional, frutas (cupuaçu, bacuri, muruci e taperebá) e castanha-do-brasil] asanálises econômicas detalhadas estão apresentadas com VBP pela ótica da oferta, com VAB ea margem bruta de comercialização por setor, assim como a RBT gerada pela ótica dademanda. A classificação dos agentes nas cadeias de comercialização foram adaptadas aosseguintes conceitos, conforme Costa (2002) e Dürr (2004). Produção local: Produção primária agroextrativista do município ou da região; Produção Extralocal: Produção primária agroextrativista oriunda de outras regiões de integração que não fazem parte da região estudada. Varejo rural local: Pequenos comerciantes do interior dos municípios que compram dos produtores, comumente denominados atravessadores rurais; Indústria de beneficiamento local: Unidades de beneficiamento da produção, localizadas na região; Indústria de transformação local: Unidades de transformação da produção, localizadas na região;
  29. 29. 35 Atacado local: Grandes compradores (atacadistas, representantes de empresas), localizados nos centros urbanos da região, que normalmente compram do varejo e/ou vendem para o varejo; Varejo urbano local: Pequenos comerciantes nas cidades (varejistas, feirantes, marreteiros, vendedores ambulantes); Indústria de beneficiamento estadual: Unidades de beneficiamento no Pará, localizadas além da RI Marajó; Indústria de transformação estadual: Unidades de transformação no Pará; Atacado estadual: Empresas compradoras da produção no Pará; Varejo urbano estadual: Comércios (supermercados, etc.) no Pará, que vendem para o consumidor estadual; Indústria de beneficiamento nacional: Unidades de beneficiamento no Brasil; Indústria de transformação nacional: Unidades de transformação no Brasil; Atacado nacional: Empresas compradoras do nível nacional; Varejo urbano nacional: Comércios nacionais que vendem para o consumidor nacional. As categorias de agentes mercantis estão descritas por produto não madeireiroidentificado, quer seja individual ou em grupo. As análises econômicas de todos os produtos identificados estão descritas emdetalhes no item 4.3.
  30. 30. 364 RESULTADOS4.1 REGIÃO DE INTEGRAÇÃO MARAJÓ4.1.1 Caracterização A Região de Integração (RI) Marajó está consorciada a um total de 16 municípios(Figura 1), com uma população de aproximadamente 487.010 habitantes em 2010, o quecorresponde a 6,4% da população do Estado do Pará, sendo a sétima mais populosa(IBGE/IDESP, 2010). Há um predomínio da população rural sobre a urbana, com um índicede 57 em relação a população total da região, constituindo-se a região com maior participaçãoda população rural. Entretanto, apenas Soure, Salvaterra e Breves apresentaram a populaçãourbana superior a rural, com o primeiro atingindo o índice de 91, diferenciando-se de Chaves,Melgaço e Afuá em que 88%, 78% e 73%, respectivamente, de suas populações residem nomeio rural. A área territorial da RI corresponde a 8,35% em relação ao Estado e, com umadensidade demográfica de 4,68 hab/km². Apenas um (Santa Cruz do Arari), dos 16 municípiosé de pequeno porte, pois possui população menor que 20 mil habitantes (8.155). E treze(Afuá, Muaná, Gurupá, Curralinho, Ponta de Pedras, Melgaço, Anajás, Bagre, Soure, SãoSebastião da Boa Vista, Chaves, Cachoeira do Arari e Salvaterra) estão na faixa entre 20 mil a50 mil habitantes. Enquanto, Breves se aproxima da faixa dos 100 mil habitantes,contabilizando 92.860 habitantes, equivalente a 19% da população da região, Portelcontabilizou 52.172 habitantes.
  31. 31. 37 FIGURA 1- Municípios pertencentes a Região de Integração Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Nesta região, está relacionada a presença de grandes empresas do ramo daexploração e processamento industrial da madeira voltado a exportação de produtos semi-elaborados, com baixo valor agregado, pouca articulação com a economia local e alto custosócio-ambiental, de acordo com Costa (1987) os chamados “enclaves de exportação”. Alémda presença de pequenas e médias agroindústrias processadoras do palmito, identificadas pelapesquisa em campo, em 2010, nos municípios de Afuá, Chaves, Bagre e Muaná. No entanto, aatividade agropecuária é essencialmente a base da economia regional, apesar do setor deserviços representar a maior parte do PIB. No que tange a exportação, a RI Marajó configura-se como exportadora de matériaprima pautada preponderantemente na madeira, o qual no ano de 2010 contabilizou US$ 17,1milhões, registrando um decréscimo de 23,3% em relação ao ano anterior (BRASIL, 2011),devido a crise global de 2009 que ocasionou uma redução substancial na demanda mundial,assim como e, principalmente, pelas ações dos órgãos de fiscalização ambientais, junto acomercialização ilegal da madeira. E, esta variação negativa só não é mais significativaporque os produtos não madeireiros identificados na RI Marajó, palmito e frutas, queconstituíram 2,5% (U$$ 429.218) no valor total da exportação realizada pela região em 2010,teve uma variação positiva de 29,2% em relação ao mesmo período em 2009, aumentando asua representatividade no total exportado em 2010, em torno de 1% a mais que a do anoanterior.
  32. 32. 38 Com relação as estatísticas disponíveis das exportações realizadas em 2011, noperíodo entre janeiro a setembro, o valor exportado foi na ordem de US$ 8,0 milhões tendoregistrado um decréscimo de 46% em relação a igual período de 2010, ou seja, US$ 6,8milhões a menos entre os dois períodos analisados (BRASIL, 2011), seja em função davalorização cambial entre os períodos, seja pela atuação dos órgãos de fiscalização ambientalno que se refere a extração e comercialização tanto da madeira quanto do palmito. A que seconsiderar também, que na RI Marajó como um todo, os extrativistas afirmaram que estãogradativamente preferindo comercializar o açaí (aumento da demanda pelo fruto) em vez dofornecimento do palmito para as “fabriquetas”, pois segundo Homma (2005), quandoconcentraram as suas atividades na coleta e venda de frutos, a valorização teve efeitoeconômico e ecológico positivo sobre a conservação de açaizais. Entre os municípios que integram esta região, apenas Breves, Chaves e Portelconstam nas estatísticas oficiais de exportação, contudo, apenas Chave se configura comoexportador dos produtos não madeireiros em ambos os períodos acima analisados. Com relação ao Indicador de Desenvolvimento Humano, esta região apresentou umÍndice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de 0,63, em 2000, menor que oíndice apresentado pelo estado do Pará de 0,72, devido aos baixos índices apresentados nastrês dimensões que compõem o IDH, principalmente o IDH-M/Renda, de apenas 0,50, IDH-M/Educação de 0,68, em ambos os casos, os menores entre as doze Regiões de Integração(PARÁ, 2010). Entretanto, esta região foi a que apresentou o maior nível de igualdade dedistribuição de renda, ou seja, o menor coeficiente de Gini, em 2005, calculado em 0,34. Em 2008 o Produto Interno Bruto – PIB somou R$ 1.217 milhão, com uma variaçãode 9,4% em relação ao PIB contabilizado no ano anterior (R$ 1.113 milhão), porém semanteve na penúltima (11ª) colocação no ranking entre as regiões de integração e participoucom um percentual de 2,1% no PIB estadual. Já o PIB Per capita regional, na ordem de R$2.647,22, correspondente a 33% do PIB Per capita estadual, configurou-se como o últimocolocado entre as regiões, apesar da variação de 4,3%, que se deve ao crescimento dasatividades econômicas e da arrecadação de impostos. As participações dos setoreseconômicos, considerando somente o Valor Agregado, corresponderam a: 15,6%Agropecuário, 13,7% Indústria e 70,8% Serviços. Considerando o crescimento relativo ao anode 2007, o setor de serviços foi o que obteve a maior variação, correspondente a 20%, o deindústria 7,3% e o agropecuário com crescimento de 6,6%. O setor de serviços, por sua vez,além do crescimento, também se configurou como o de maior participação do PIB de todos os
  33. 33. 39municípios que compõe a região, sendo que em Curralinho e Bagre, o setor de serviçoscorrespondeu a aproximadamente 80% (78% e 77%, respectivamente) dos seus valoresadicionados (PARÁ/IDESP, 2011). Entre os municípios que fazem parte da região de estudo, Santa Cruz do Arari secaracteriza como o de menor participação na economia da região, pois representaram 1,6%(R$ 19.927) do PIB, em termos nominais, caracterizado pela baixa concentração demográficae forte dependência em relação ao setor de serviços e administração pública. Emcontrapartida, Breves foi o município com maior participação no PIB regional, comaproximadamente 21% (R$ 251.684), pois o setor de indústria e serviços obteve um valor, emtorno de, duas vezes maior que os valores obtidos pelo segundo colocado Portel e, o valoragropecuário de R$ 15.460 só não foi maior que os valores obtidos nos municípios de Chaves(R$ 22.865) e Cachoeira do Arari (R$ 17.520). A RI Marajó apresenta uma área equivalente a 69.248 km² de floresta da classeombrófila densa. Com base nos dados do Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Estadodo Pará (MZEE – PA) (PARÁ, 2010), a região possui uma área protegida deaproximadamente 50.229 km² distribuídas em: Unidades de Conservação (UCs) de UsoSustentável (com destaque para APA do Arquipélago do Marajó, com 42.521 km²) e Área deQuilombos. No que tange as Zonas de Consolidação e Expansão, estas somam em torno de39.515 km², o que corresponde a 44% da região (PARÁ, 2010).4.1.2 Infraestrutura de comercialização A comercialização dos PFNM na RI Marajó foi realizada tanto na forma maiscomplexa, através dos mercados municipais, dos varejistas (mini mercados, mercearias,quitandas, tabernas), atravessadores e atacadistas, quanto na forma direta, como os casos decomercialização realizada na propriedade rural, no sindicato, via associação ou cooperativa,nas feiras livres e/ou do produtor (geralmente as margens dos rios, mais especificamente nostrapiches), informalmente nas calçadas até acabar a mercadoria, nas “indústrias debeneficiamento e transformação” (que na sua maioria refere-se a própria residência doagroextrativista), gerando e fazendo circular a renda em nível local. É preciso ressaltar que osagroextrativistas, que residem em ilhas, se direcionam aos finais de semana para a sede domunicípio, com uma produção significativa, pois é onde se concentra o maior mercadoconsumidor do município. Na área urbana são utilizados os mais variados tipos de barcos erabetas, que servem tanto para o escoamento da produção como meio de transporte.
  34. 34. 40 Na maioria dos municípios, foi verificada a existência de dois tipos de pontos paracomercialização, onde as transações dos PFNM aconteceram: no mercado municipal e, emalguns municípios, também na feira do produtor, com o funcionamento diário obedecendo aohorário comercial, com poucos boxes para a quantidade de comerciantes e sem divisão de alaspor categorias de produto (carnes, frutas, tijolos, lanches, roupas, barbearias, etc.). E na feiralivre, formada no cais do porto (identificado na região como trapiche) com funcionamentosomente no período matutino, sem qualquer padronização e condições de higiene,condicionando não somente o consumidor, aos mais variados tipos de doenças. Porém, frisa-se que a comercialização em áreas livres aconteceu pela demora na entrega da reforma dosmercados municipais, ou pela sua inexistência ou ainda pelo fato da feira se encontrar distantedo centro de abastecimento no município, isto é, o cais do porto. O estado de conservação dos pontos de comercialização, da maioria dos PFNMidentificados, encontravam-se deteriorados e sem qualquer padrão de higiene, o que dificultaas vendas dos produtos. Outros estabelecimentos, apesar de reformados e/ou recémconstruídos, no período da pesquisa, estavam sem funcionamento.
  35. 35. 414.2 ANÁLISE DAS CADEIAS DE COMERCIALIZAÇÃO Nos dezesseis municípios da Região de Integração Marajó (Figura 2) foramidentificados cinquenta e cinco produtos florestais não madeireiros, durante a pesquisa decampo realizada em outubro e novembro de 2010, com quantidade comercializada no períodode doze meses e o valor pago a produção local (Tabela 1). A relação das espécies / produtosestudados estão descritos no Apêndice B. FIGURA 2- Localização da Região de Integração Marajó, estado do Pará. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. A comercialização de dezenas destes produtos acontece em diferentesestabelecimentos e feiras, explicitando a diversidade e a realidade regional, conforme imagensregistradas nos municípios visitados (Apêndice C).
  36. 36. 42TABELA 1- Produtos florestais não madeireiros identificados na Região de Integração Marajó, com quantidadee valor pago a produção local, de acordo com a amostragem realizada em campo, no ano de 2010.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação.
  37. 37. 434.2.1 Açaí a) Caracterização dos agentes mercantis envolvidos na cadeia de comercialização do açaí. Foram identificados cento e sessenta e oito agentes que comercializam o produto,sendo que noventa e sete trabalham exclusivamente com o açaí, e os demais comercializambacuri, bacaba, carvão, verônica, andiroba, palmito, peneira, paneiro, copaíba, matapi e breu-branco. Os agentes estão divididos em cento e trinta e três indústrias de beneficiamento(batedores e agroindústrias), vinte e dois produtores e vinte e três atravessadores. Algunsagentes trabalham há pouco tempo no ramo, tendo entre três a seis meses, outros em média 38anos (com variação de 1 a 40 anos). Esses agentes exercem atividades paralelas como mototaxi, motorista de máquina pesada, cozinheira, doméstica, vigilante, costureira, pedreiro,pescador, professor, auxiliar de enfermagem, comerciante, carpinteiro, agricultor, disco-jóquei de aparelhagem, vendedor de lanches, garçom, trabalhador em oficina e vendedor dechurrasco. Na Figura 3 estão espacializados os agentes mercantis entrevistados nos municípiosda região estudada. FIGURA 3- Localização dos agentes mercantis do açaí na RI Marajó, estado do Pará, no ano de 2010. Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011. Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. O Quadro 1 apresenta a caracterização dos agentes envolvidos na comercializaçãodo açaí, de acordo com seus respectivos setores e mercados.
  38. 38. 44QUADRO 1- Descrição dos agentes mercantis na comercialização de açaí na RI Marajó, Estado do Pará, no ano de 2010. MERCADO SETORES AGENTES MERCANTIS Produção primária de açaizais do município de Limoeiro do Extralocal Produção Ajuru (RI Tocantins). Produção Produção primária de açaizais manejados e extrativos identificados em dezesseis municípios da RI Marajó; Varejo rural Pequenos comerciantes do interior dos municípios que compram o açaí in natura dos produtores locais e extralocais, denominados atravessadores. Indústria de Setor responsável pelo processamento do açaí in natura. beneficiamento Existem dois tipos de estrutura de empresa beneficiadora, a composta por comerciantes que possuem máquinas despolpadeiras, chamadas de “batedores de açaí” no qual Local vendem diretamente a polpa do açaí para os consumidores locais. A segunda categoria composta por uma agroindústria que beneficia o açaí em polpa pasteurizada e/ou congelada para atender o mercado nacional; Indústria de Sorveterias locais, que adquirem o produto in natura transformação diretamente da produção local. Atacado Cooperativa de produtores rurais, localizada na cidade de Curralinho, que vende o açaí como matéria-prima para agroindústria estadual. Indústria de Existem dois tipos de estrutura de empresa beneficiadora, a beneficiamento composta por “batedores de açaí”, que vendem diretamente a polpa para os consumidores estaduais e, a segunda, composta por duas agroindústrias que produzem polpa de açaí Estadual pasteurizada e/ou congelada destinada para o mercado nacional; Atacado Comerciantes que transacionam grandes quantidades de açaí in natura, que compram da produção local e de outros atravessadores (varejo rural); Indústria de Batedores de açaí encontrados fora do Pará, mais beneficiamento precisamente da cidade de Macapá (Estado do Amapá); Atacado Comerciantes que transacionam açaí in natura, que compram Nacional da produção local e de outros atravessadores (varejo rural); Varejo urbano Comércios varejistas situados fora do Estado, que vendem para o consumidor nacional.Fonte: Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará, 2011.Elaboração: Núcleo de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação. Os produtores de açaí e atravessadores que exercem a profissão de produtor possuemáreas que vão de 1,5 a 10.000 hectares, localizados em ilhas e beiras de rios, bem como nosmunicípios da RI Marajó. Muitos destes terrenos são arrendados para a produção/coleta dosfrutos e comercialização. No que se refere aos locais de armazenamento, os produtores não necessitam de localpara armazenar o açaí, pois sua comercialização é imediata ou, as vezes, é deixado no trapiche
  39. 39. 45para ser arrecadado pelo atravessador, que utiliza embarcação, ou levado pelo produtor para oporto ou trapiche, para ser comprado pelo beneficiador e o atravessador. Os atravessadoresapresentam dois tipos de armazenamento para comercialização: embarcações com capacidadeentre 100 a 500 rasas, onde ficam guardados para serem levados para outros municípios ouEstados. E, o segundo, são depósitos próprios, que geralmente servem apenas para proteger oaçaí do sol e da chuva. As indústrias de beneficiamento possuem entre um a três armazéns emalvenaria, com lajotas recobrindo o chão e paredes, e dimensões que variam de 1,5 m² a 144m2, que são utilizados para armazenar e beneficiar o açaí, e outros utilizam espaços em suaspróprias residências. Nesta região o acesso é quase todo via fluvial, e os barcos consistem no meio principalpara escoamento de toda a produção, quer seja dos produtores quanto dos atravessadores, quetrazem o açaí de lugares longínquos. O setor da indústria de beneficiamento paga para os carroceiros (carro de mão demadeira) R$ 0,50/rasa ou R$ 5,00/frete. Bicicletas cargueiras, motocicletas e triciclos tambémsão utilizados como meio de transporte e para comercialização da polpa pelas ruas dascidades. O maquinário empregado para o beneficiamento dos frutos, com produção das polpas,consiste em despolpadeira de 5l e 18l, câmaras frigoríficas com capacidade de 50 toneladas,máquinas de sorvete, tanques de homogeneização, freezers com capacidade de 350l a 400l,pasteurizadores, geladeiras, isopores de 60l a 160l e purificadores de água, pois algunsmunicípios carecem de água potável. Alguns moradores criaram um purificador natural a basede seixo e areia grossa, colocadas dentro de caixas d’água, com a finalidade de limpar aferrugem da água. Outros equipamentos auxiliares foram citados como, liquidificadoresindustriais, seladoras, mesas em aço inoxidável e balanças. Os problemas relatados quanto ao armazenamento estão relacionados ao espaço físicopequeno para os equipamentos e a necessidade de mais contêineres para armazenar aprodução. Geralmente os batedores (indústria de beneficiamento) utilizam a mão de obrafamiliar, com apenas um membro, ou, as vezes, a família nuclear ou com auxilio de outrosparentes, que trabalham para obter renda no período da safra, ou durante o ano todo. Poucostrabalham na entressafra devido a escassez do produto e ao preço elevado. A produção deentressafra é oriunda de Limoeiro do Ajuru (RI Tocantins), no período de setembro a
  40. 40. 46fevereiro. Com relação ao horário de funcionamento das indústrias de beneficiamento, foirelatado ser das 9h as 19h. Para as agroindústrias de maior porte, a mão de obra é compostapor trinta e três funcionários, que recebem salário mínimo e, com funcionamento em horáriocomercial, durante o ano todo. Já a indústria de transformação contrata dois funcionários quetrabalham em horário comercial, o ano todo, recebendo diárias de R$ 30,00. Os produtorestrabalham com a família no período de safra. Porém, quando estes não possuem meios detransporte, entregam a produção para um proprietário de embarcação, que faz a venda do açaíe devolve o pagamento tirando o frete do barco. Os produtores/atravessadores que possuemterrenos com plantio de açaí, trabalham na safra do produto e pagam para seus peconheiros3R$ 2,00/paneiro de 14 kg colhido, ou trabalham em sistema de meia, sendo R$ 10,00/dia naentressafra e R$ 7,00/dia na safra e mais R$ 1,00/rasa para o carregador que faz odesembarque no porto. Os outros atravessadores pagam R$ 30,00 para o ajudante do barco,por viagem realizada, três vezes na semana. Aspectos importantes citados para melhorar a produção, de acordo com osentrevistados: ter mercado consumidor para suprir toda a oferta do produto; necessidade decorrigir os problemas de oscilação da energia elétrica, que constantemente prejudicam aprodução de gelados e, a presença mais constante dos órgãos de assistência técnica. Outrosagentes citaram a necessidade de capital de giro para melhorar a infraestrutura dos pontos decomercialização, mais conhecimento sobre o mercado do produto e sobre o manejo dosaçaizais. Segundo os produtores não existem planos de manejo para aumentar aprodutividade, são poucas as cooperativas ou associações para ajustar o preço e escoar aprodução, falta de licença ambiental para manejar as áreas e de financiamento para plantio. b) Estrutura da quantidade comercializada (%) do açaí. A Figura 4 permite visualizar as proporções da quantidade produzida do açaí quetransitam entre os diferentes setores, constituindo assim, os canais de distribuição (ou canaisde comercialização) do fruto nos dezesseis municípios da RI Marajó. A cadeia decomercialização do açaí identificada pela pesquisa é complexa e constituída por vários níveisde intermediários. Do total da quantidade do fruto in natura comercializado, 94,2% foramoriundos da própria região e apenas 5,8% vieram RI Tocantins. O principal nível de canal de comercialização do açaí identificado, com as maioresquantidades comercializadas, refere-se a compra do varejo rural de 58% do total da produção3 Pessoas que sobem no açaizeiro para coletar os cachos de frutos maduros, utilizando nos pés uma tala confeccionada com fibras naturais ou artificiais, denominada peconha.

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