Superando a Natureza Caída! – por Luciano R. Meier“Então, Jesus lhes disse: Ó geração incrédula, até quando estarei convos...
Fica muito evidente o ato protetor de Jesus naquele momento. Jesus não apenasdefendeu sua missão, mas principalmente, defe...
Quero abrir um parêntese aqui. Muitas vezes quando falamos que o Espírito Santo nosfalou estamos nos referindo algum acont...
Isso se torna mais evidente quando entendemos a ideia por trás da palavra que foitraduzida para o português como designou:...
O domínio da natureza caída é tão real sobre o homem, que mesmo ele vivendo arealidade religiosa, ou até mesmo depois de d...
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Superando a natureza caída

  1. 1. Superando a Natureza Caída! – por Luciano R. Meier“Então, Jesus lhes disse: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Atéquando vos sofrerei?…” (Marcos 9.19)Essas palavras fazem parte da narrativa em que Jesus libertou um rapazendemoninhado diante do apelo do pai. Justamente aquele rapaz que alguns dos seusdiscípulos não conseguiram libertar. Isoladamente, essa declaração parece umarepreensão um tanto quanto dura, mas quando analisamos o contexto todo podemosperceber que há uma mensagem muito mais profunda contida nela. Essa mensagemdificilmente seria percebida em uma leitura mais superficial, pois o que se conseguever em meio a superficialidade é apenas um forte e acusador desabafo de Jesus.Diante disso quero chamar sua atenção aos versículos quatorze, quinze e dezesseis, domesmo capítulo nove, do evangelho de Marcos:“Quando eles se aproximaram dos discípulos, viram numerosa multidão ao redor eque os escribas discutiam com eles. E logo toda a multidão, ao ver Jesus, tomada desurpresa, correu para ele e o saudava. Então, ele interpelou os escribas: Que é quediscutíeis com eles?” (Marcos 9.14-16).Perceba que o mesmo Jesus que repreendeu tão duramente seus discípulos, algunsmomentos antes os defendeu da sagacidade dos escribas. Sofreria Jesus de distúrbiobipolar? Seria ELE esquizofrênico? Defende, ataca, ataca, defende? Não! Paraentendermos melhor, deixe-me apontar dois detalhes que apresentam claramente apostura de correção, e não de ataque do Senhor Jesus ao declarar: “Ó geraçãoincrédula, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei?…”.Primeiro, as Escrituras são claras quando afirmam que os escribas discutiam comaqueles discípulos de Jesus, os nove, que não conseguiram libertar o menino. Essapalavra no original grego, segundo o Léxico de Strong, expressa a idéia de uma disputaatravés de questionamentos, através de perguntas. A Bíblia de Estudo Plenitude trazuma nota bastante elucidadora que esclarece bem o versículo quatorze: “Os escribasestavam aparentemente tirando vantagem da falha dos discípulos para libertar ogaroto endemoninhado.”. Segundo, note que essa disputa, essa postura de tirarvantagem do ocorrido, se deu entre uma numerosa multidão, ou seja, os religiososqueriam gerar descrédito, queriam desacreditar aqueles homens, queriamdesacreditar o movimento liderado por Jesus expondo seus mais próximos seguidores.É justamente, em meio a essa situação, que Jesus se impôs: “Então, ele interpelou osescribas: Que é que discutíeis com eles?”. A maioria das versões bíblicas brasileirasutiliza a palavra perguntou, já a versão Revista e Atualizada (RA), acertadamente usouuma outra palavra, que apesar de não ser muito comum ao nosso português coloquial,o português do dia-a-dia, expressa uma ênfase maior, do que apenas perguntou. Essapalavra traduzida para o português como interpelou, no original grego, estáprocurando exprimir uma abordagem bastante incisiva de alguém que tem umaindagação, uma pergunta, é a postura de alguém que exige uma resposta para suapergunta. Foi essa a atitude de Jesus ao fazer esse questionamento.
  2. 2. Fica muito evidente o ato protetor de Jesus naquele momento. Jesus não apenasdefendeu sua missão, mas principalmente, defendeu seus companheiros, aqueles quedariam continuidade a sua obra. ELE queria que todos soubessem, escribas e amultidão, que aqueles nove homens faziam parte dos seus doze homens valorosos etinham o seu aval.Agora, como o Jesus que protegeu seus discípulos tão prontamente, momentos depoisos repreende tão duramente?“Então, Jesus lhes disse: Ó geração incrédula, até quando estarei convosco? Atéquando vos sofrerei?…” (Marcos 9.19).Entenderemos melhor quando considerarmos as palavras usadas por Jesus. Marcos fazmenção apenas da expressão incrédula, mas Mateus e Lucas, ainda complementamcom a palavra perversa, ou seja, Jesus os chamou de geração incrédula e perversa.Seja sincero(a), qual a figura que surge em sua mente ao ouvir estas duas expressões:incrédula e perversa? Quase que instantaneamente nos vem à ideia alguém que nãocrê e que pratica o mal conscientemente, por puro prazer. Devido a isso a aparentecontrovérsia de Jesus, ora defende, ora ataca. Acontece que o significado primáriodessas expressões é justamente uma referência a pessoas presas a comportamentosde uma natureza caída. A palavra incrédula significa: “pessoa infiel, que não se podeconfiar”. E o significado de perversa: “pessoa que se desvia, se desencaminha”, ouseja, sai do caminho.O quadro todo recebe uma nova luz, surge um novo entendimento: Jesus não estavaapontando o dedo e repreendendo seus discípulos por não terem libertado o menino.Ele estava sinalizando o motivo pelo qual isso aconteceu: a infidelidade deles a pontode levá-los a desviar-se dos ensinos e do estilo de vida por Ele proposto. É mais oumenos como se Jesus estivesse dizendo: “Quando vocês estão comigo operamlibertações, mas sozinhos, logo se desviam por que são infiéis.”. É justamente aqui,que tudo começa a fazer sentido: o que levou aqueles homens a terem sido infiéis, oque os levou a desviar dos caminhos estabelecidos pelo Mestre, o que os fez, em meioa certa distância de Jesus, não permanecerem a altura da vocação que haviamrecebido? A resposta é bem clara, objetiva e simples: a natureza caída, o poderdominador da natureza caída.Quero explicar melhor isso compartilhando uma experiência marcante que tive háalgum tempo. Eu estava caminhando do centro da cidade rumo ao meu lar, quandocomecei a questionar meu próprio comportamento. Eram dias onde uma constânciade segurança estava sendo ameaçada por alguns imprevistos. Então eu dizia para mimmesmo: “Como pode, é só eu passar por um momento de prova, e estou aqui,cabisbaixo, emburrado, reclamando com Deus. Como uma criança que fica emburradaquando houve um não do pai e da mãe. Justamente eu, que tenho pregado tantosobre firmar-se em Deus independente das circunstâncias.”. E queridos, eu estavanessa conversa comigo mesmo, me questionando, quando de repente, e, eu amo esse“de repente”, o Espírito Santo me falou.
  3. 3. Quero abrir um parêntese aqui. Muitas vezes quando falamos que o Espírito Santo nosfalou estamos nos referindo algum acontecimento em específico que nos levou aentender isso. Mas quero enfatizar que quando eu estava tendo essa conversa comigomesmo, ele realmente falou, só faltou eu ouvir com os ouvidos naturais, foi derepente, ELE surpreendentemente disse: “Comportamentos de uma natureza caída!”.Nossa! Uau! Foi tão impactante que eu nem parei para pensar nessa frase, peguei logomeu celular e andando mesmo, a digitei. Depois comecei a meditar buscando umamaior revelação: “Comportamentos de uma natureza caída!”.Agora pense comigo, poucos de nós foram ensinados nos caminhos do Senhor desde ainfância. Calcule quantos anos você foi refém da sua própria natureza caída,influenciada pelo mundo e pelo próprio diabo. Agora pense em termos de meses,semanas, dias, horas… Eis aí uma das evidentes razões para Jesus ter escolhido umgrupo para estar vinte e quatro horas com Ele. Eles foram chamados a umadesintoxicação, foram chamados a purificação, chamados a uma real transformação.Estar com ELE, para se parecer mais e mais com ELE. Jesus os chamou para que elesexperimentassem uma mudança de pensamento e comportamento, Jesus os chamoupara que não estivessem mais sujeitos a própria natureza caída.É extremamente necessário reconhecer que ainda somos afetados por nossa naturezacaída. Infelizmente, ela ainda exerce um domínio muito grande sobre nós. Mas aquestão é: como superar isso? Como vencê-la a ponto de não mais fazer parte de umageração incrédula e perversa? É simples, mas ao mesmo tempo, um grande desafio! Épreciso parar e considerar o desejo de Jesus em fazer fluir sua vida em nós. Isso, ELEfaz através de um relacionamento fundamentado na proximidade, na intimidade, naconstância em se estar junto a ELE.Atente para as palavras do evangelista Marcos:“Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar” (Marcos3.14).O primeiro interesse de Jesus, segundo Marcos, fica bem claro: “…para estarem comele…”. Acompanhe essa declaração na Nova Tradução da Linguagem de Hoje:“Então escolheu doze homens para ficarem com ele e serem enviados para anunciaro evangelho. A esses doze ele chamou de apóstolos.” (Marcos 3.14 NTLH)Você consegue perceber a ênfase? Que tal na paráfrase conhecida como Bíblia Viva:“Então Ele selecionou doze deles para serem seus companheiros constantes e saírempara pregar e expulsar demônios.” (Marcos 1.14-15 BV)Faço minhas as palavras da nota da Bíblia de Estudo NVI: “… O treinamento dos dozeconsistia não somente em instruções e prática nas várias formas do ministério, mastambém em convívio contínuo com o próprio Jesus e comunhão íntima com ele.”.Essa é a forma, a maneira, o modo, o jeito, de superar a natureza caída. É assim, e sóassim, que experimentaremos a liberdade: estando com Jesus, ficando com Jesus,convivendo com Jesus!
  4. 4. Isso se torna mais evidente quando entendemos a ideia por trás da palavra que foitraduzida para o português como designou:“Tornar alguém alguma coisa”. Ou ainda:“Produzir, tornar pronto, fazer algo a partir de alguma coisa, fazer alguém”.Lembre-se a forte indagação de Jesus: “Ó geração incrédula, até quando estareiconvosco? Até quando vos sofrerei?…”. Foi feita aqueles que não subiram o monte comELE, aqueles que por um tempo ficaram afastados d’ELE, foi feita aqueles quedeixaram-se dominar pela velha e persistente natureza caída.Quando falo sobre isso: “SUPERANDO A NATUREZA CAÍDA”, gosto de ilustrar contandoparte do testemunho do conhecidíssimo ministro da música, o adorador Asaph Borba.Tive o privilégio de ouvi-lo pregando quando ele contou isto. Ele falava sobre a formaprofundamente caída em que ele se encontrava quando entregou sua vida para oSenhor Jesus. O nível de imoralidade e iniquidade que ele havia experimentado eraprofundo, segundo ele. Seu comportamento era totalmente dominado por suanatureza caída. Ele revelou que passava horas e horas, trancado no quartoaprofundando-se no pecado através da pornografia, isso antes de reconhecer Jesuscomo Senhor e Salvador de sua vida. A partir dessa entrega, dessa aliança estabelecidacom Jesus, ele buscou libertar-se e limpar-se, não sendo mais escravo da sua naturezacaída. E o que ele fez? Ele decidiu resolutamente trancar-se no quarto para, agora,experimentar não só a libertação, mas a purificação. Isso mesmo, a libertação e apurificação! Ele falou sobre as horas e horas que passou trancado no quarto com seuviolão, cantando para Jesus, adorando a Jesus, estando com Jesus, ficando com Jesus.Assim foi possível experimentar a plena liberdade e pureza. Foi dessa forma que elesuperou a natureza caída que o dominava.É preciso que isso fique claro, quando Jesus chamou aqueles homens de incrédulos eperversos, ELE estava apontando para o domínio que natureza caída ainda tinha sobreeles. Essa compreensão se torna mais lúcida ainda ao percebermos como Jesus fazquestão de defini-los: “Ó geração…”. No original grego, de acordo com o Léxico deStrong, essa palavra expressa a seguinte idéia: os membros sucessivos de umagenealogia. Queridos, qual era o “pedigree” espiritual daqueles homens, de qualárvore genealógica espiritual eles vinham, qual o DNA da espiritualidade deles? Areligiosidade estéril! Seus antepassados conheciam muito bem a religião e eram refénsde sua esterilidade. Por isso Jesus os chamou a um relacionamento, para que elespudessem experimentar a liberdade dessa natureza caída que apesar da religião,continuava geração após geração dominando e escravizando o ser humano.Muitos não entendem que fazer parte de uma religião, inclusive a chamada evangélica,não possibilita essa experiência de superação da natureza caída. A maioria dasreligiões tem o seu valor sociológico, a maioria das religiões estabelece um padrãocomportamental moral e ético elogiável, a maioria das religiões promove o bemcoletivo, mas nenhuma religião proporcionará liberdade da natureza caída. Esse papelé exclusivo de Jesus.“Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes naminha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e averdade vos libertará.” (João 8. 31-32).
  5. 5. O domínio da natureza caída é tão real sobre o homem, que mesmo ele vivendo arealidade religiosa, ou até mesmo depois de dizer sim ao chamado de seguir Jesus, eleenfrentará seus ataques. Alguns pensam que Jesus quer reerguer a natureza caída dohomem, não! Jesus é a Pedra Angular que veio para esmiuçar, para esmigalhar essanatureza caída. Eis a razão do chamado de Jesus ser primeiramente, em ordem e valor,para estar com ELE, conviver com ELE, antes de trabalhar para ELE: o processo dereduzir a natureza caída ao pó, a absolutamente nada.Agora preste atenção, da mesma forma que se engana quem pensa que Jesus iráreerguer a natureza caída do homem, se engana quem pensa que esse processo detransformação é simples e rápido. Se você continuar lendo o contexto perceberá queos homens que ouviram da boca de Jesus: “Ó geração incrédula e perversa. Atéquando estarei convosco? Até quando vos sofrerei?”, os nove que não conseguiramlibertar o rapaz endemoninhado, juntamente com os três que subiram ao monte,momentos depois estavam discutindo sobre quem seria o maior deles:“Tendo eles partido para Cafarnaum, estando ele em casa, interrogou os discípulos:De que é que discorríeis pelo caminho? Mas eles guardaram silêncio; porque, pelocaminho, haviam discutido entre si sobre quem era o maior.” (Marcos 9.33-34).A natureza caída só é superada num processo de relacionamento com Jesus, umrelacionamento constante, diário, genuíno: “Então, designou doze para estarem comele…”. É assim, é só assim, que a Pedra Angular tornará pó à natureza caída!A declaração do Espírito Santo: “Comportamentos da natureza caída!”, é um chamadoa superação, é um chamado para estar, ficar, conviver, ser íntimo de Jesus. É umchamado para todo aquele que mesmo entendendo e experimentando a imensurávelgraça e misericórdia, o imensurável amor e perdão do Senhor Jesus, ainda assim emdeterminados momentos pode ouvi-Lo: “Ó geração incrédula, até quando estareiconvosco? Até quando vos sofrerei?…”.

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