Escola dos Annales                     Teoria da História - Hélio Moreira da Costa                                        ...
• A moda estruturalista, apesar da ofensiva  braudeliana, beneficia-se de um contexto favorável; a  descolonização.• A con...
• Trata-se da descoberta do outro, no  espaço, transformado em exemplo de uma verdade  humana que relativiza o eurocentris...
• No Terceiro mundo,* que recusa essa história em um  combate muitas vezes radical, os intelectuais ocidentais  ficaram ta...
• O Ocidente descobre os charmes discretos do tempo  antigo, da idade do ouro perdida, da belle époque, que é  preciso ree...
• Tudo se torna objeto de curiosidade para o historiador,  que desloca seu olhar para as margens, para o avesso  dos valor...
• A crise da ideia de progresso acentuo o renascimento  das culturas anteriores à industrialização.• A Nova História se es...
• Nova estética se instala, segundo a qual se fala de uma  aldeia, das mulheres, dos imigrados e dos marginais.• A Terceir...
• Ao responder ao desfio da antropologia estrutural, os  historiadores dos Annales retomam mais uma vez a  roupagem dos ri...
• Nasce uma Nova História que Daniel Roche chama “ a  história sociocultural”• Mudança na direção da Revista dos Annales: ...
• "O que queremos, de fato, é que as ideias voltem a ser perigosas"  (Guy Debord)• "Sejam realistas, exijam o impossível!"...
• "A revolução deve ser feitas nos homens, antes de  ser feita nas coisas"• "Um só fim de semana não-revolucionário é  inf...
• A França dos anos de 1960, sob o comando do general  Charles De Gaulle, era uma sociedade culturalmente  conservadora e ...
• O Maio de 68 mudou profundamente as relações entre raças,  sexos e gerações na França, e, em seguida, no restante da  Eu...
• O movimento francês teve início na Universidade de  Nanterre, nos arredores de Paris, que foi cercada no final de  abril...
• No dia 13, estudantes e trabalhadores franceses unificam  seus movimentos e decretam uma greve geral de 24 horas  em Par...
• Após 1968 as condições estavam prontas para uma  nova mudança na historiografia francesa.• A partir de 1969, André Burgu...
• é mais difícil traçar o perfil da terceira geração do que  das duas anteriores. Ninguém neste período dominou o  grupo c...
• o policentrismo prevaleceu.• Vários membros do grupo levaram mais adiante o projeto  de Febvre, estendendo as fronteiras...
• Outros solaparam o projeto pelo retorno à história  política e à dos eventos.• Alguns continuaram a praticar a história ...
• A terceira geração é a  primeira a incluir  mulheres, especialmente  Christiane Klapisch, que  trabalhou sobre a históri...
• Arlette Farge, que  estudou o mundo social  das ruas de Paris no  século XVIII; Mona Ozouf,  autora de um estudo muito  ...
• Michèle Perrot, que  escreveu sobre a história  do trabalho e a história da  mulher.                   Teoria da Históri...
• A critica feita á ausência das mulheres na historiografia  parece ter sido superada a a partir das publicações de  Georg...
• Esta geração, por outro lado, é mais aberta a idéias  vindas do exterior.• Muitos dos seus membros viveram um ano ou mai...
• Por diferentes caminhos, tentaram fazer uma síntese  entre a tradição dos Annales e as tendências intelectuais  american...
DO PORÃO AO SÓTÃO               Teoria da História - Hélio Moreira da Costa                                               ...
• Na geração de Braudel, a história das mentalidades e  outras formas de história cultural não foram inteiramente  neglige...
• Foi realmente um historiador da  geração de Braudel que despertou a  atenção pública para a história das  mentalidades, ...
• Seus interesses direcionaram-se  para a relação entre natureza e  cultura, para as formas pelas quais  uma cultura vê e ...
• Em seu estudo sobre as famílias e as escolas durante o  antigo regime, Ariès defende que a idéia de infância, ou, mais  ...
• Seus últimos anos foram dedicados a estudos sobre as  atitudes perante a morte, focalizando de novo um  fenômeno da natu...
• Robert Mandrou: a figura principal na psicologia  histórica à la Febvre foi publicou Introduction à la France  Moderne, ...
• Delumeau utilizou, ocasionalmente, as idéias de psicanalistas  como Wilhelm Reich e Erich Fromm. Havia sido precedido  n...
• Besançon, Le Roy Ladurie e Delumeau tomaram as  idéias principalmente de Freud, dos freudianos ou  neofreudianos.• O est...
• Contudo, a tendência principal la numa direção diferente.  Dois dos mais destacados historiadores recrutados para  a his...
O “TERCEIRO NÍVEL” DAHISTÓRIA SERIAL                 Teoria da História - Hélio Moreira da Costa                          ...
• A história das mentalidades não foi  marginalizada nos Annales, em sua segunda  geração, apenas porque Braudel não tinha...
• Em primeiro lugar, um bom número de  historiadores franceses acreditava, ou pelo  menos pressupunha, que a história soci...
• Em segundo lugar, a nova abordagem  quantitativa, analisada no capítulo anterior, não  encontrava no estudo das mentalid...
• A abordagem estatística foi desenvolvida para  estudar a história da prática religiosa, a história  do livro e a históri...
• A ideia de uma história da prática religiosa francesa , ou  de uma sociologia retrospectiva do catolicismo francês,  bas...
• a obra do círculo de Le Bras (como o de Ariès) inspirou  alguns historiadores dos Annales quando se elevaram do  porão a...
• O mais original desses trabalhos é o de Vovelle. Um  historiador marxista da Revolução Francesa, “formado  na escola de ...
• O resultado, consubstanciado em sua tese doutoral, foi  um estudo da Provença fundamentado na análise  sistemática de ce...
• Deu atenção, por exemplo, às referências feitas à  proteção dos santos padroeiros; ao número de missas  que o testador e...
• Vovelle identificou uma mudança bastante significativa  no que denominou de “pompa barroca” dos funerais do  século XVII...
• Digna de nota é a maneira pela qual Vovelle mapeia a  expansão das novas atitudes da nobreza para com os  artesãos e cam...
• Piété baroque et Dechristianisation, título do estudo de  Vovelle, produziu uma certa sensação intelectual, graças  part...
• Essa apropriação da vida depois da morte por  historiadores laicos, armados de computadores, é ainda  o mais notável exe...
• O estudo da alfabetização é um outro campo da história  cultural que conduz à pesquisa coletiva e à análise  estatística...
• O tema do projeto era a mudança dos níveis de  alfabetização, na França do século XVI ao XIX (Furet e  Ozouf, 1977).• Os...
• Confirmaram a tradicional divisão entre duas Franças,  mas sofisticaram a análise estabelecendo distinções  dentro das r...
• As pesquisas sobre a alfabetização foram  acompanhadas de pesquisas sobre o que os franceses  chamam de “a história do l...
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• Mandrou examinou cerca de 450 títulos, assinalando a  importância da leitura religiosa (120 títulos), almanaques  e mesm...
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Aula v a terceira geração-revisto e ampliando

  1. 1. Escola dos Annales Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 1 Júnior
  2. 2. • A moda estruturalista, apesar da ofensiva braudeliana, beneficia-se de um contexto favorável; a descolonização.• A consciência etnológica descobre o interesse que outras civilizações apresentam. Cada um se interessa, então, por aquilo que faz a força de resistência dessas sociedades. Pela permanência de suas estruturas e seus valores, que parecem irredutíveis ao modelo ocidental. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 2 Júnior
  3. 3. • Trata-se da descoberta do outro, no espaço, transformado em exemplo de uma verdade humana que relativiza o eurocentrismo.• O ocidente fica com a impressão que não faz mais a história humana, mas a história de uma humanidade. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 3 Júnior
  4. 4. • No Terceiro mundo,* que recusa essa história em um combate muitas vezes radical, os intelectuais ocidentais ficaram também tentados a jogar para o alto o passado impecável de sua sociedade e lançar o olhar sobre o mundo mais espacial do que temporal. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 4 Júnior
  5. 5. • O Ocidente descobre os charmes discretos do tempo antigo, da idade do ouro perdida, da belle époque, que é preciso reencontrar.• É esse tempo reencontrado que os historiadores se encarregam de reproduzir ao tomarem emprestado os instrumentos de análise e os códigos dos etnólogos. (...) Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 5 Júnior
  6. 6. • Tudo se torna objeto de curiosidade para o historiador, que desloca seu olhar para as margens, para o avesso dos valores estabelecidos, para os loucos, para as feiticeiras, para os transgressores...• O horizonte do historiador fechar-se sobre um presente imóvel, não há mais futuro: “Há um sinal que eu acho encorajador (...) é o fim do progressismo” (Philippe Ariès) Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 6 Júnior
  7. 7. • A crise da ideia de progresso acentuo o renascimento das culturas anteriores à industrialização.• A Nova História se esconde então na busca das tradições, ao valorizar o tempo que se repete, as voltas e reviravoltas dos indivíduos.• O surgimento de um neo-romantismo (referência a idade média) Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 7 Júnior
  8. 8. • Nova estética se instala, segundo a qual se fala de uma aldeia, das mulheres, dos imigrados e dos marginais.• A Terceira Geração dos Annales, sensível como as outras às interrogações do presente, muda o rumo de seu discurso ao desenvolver a antropologia histórica. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 8 Júnior
  9. 9. • Ao responder ao desfio da antropologia estrutural, os historiadores dos Annales retomam mais uma vez a roupagem dos rivais mais sérios e confirmam suas posições hegemônicas.• O preço a ser pago: o abandono dos grandes espaços econômicos braudelianos, o refluxo do social para o simbólico e para o cultural. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 9 Júnior
  10. 10. • Nasce uma Nova História que Daniel Roche chama “ a história sociocultural”• Mudança na direção da Revista dos Annales: de uma tradição uma para uma direção colegiada: André Burguière, Marc erro, Jacques Le Goff, Emmanuel Le Roy Ladurie e Jacques Ravel Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 10 Júnior
  11. 11. • "O que queremos, de fato, é que as ideias voltem a ser perigosas" (Guy Debord)• "Sejam realistas, exijam o impossível!"• "A imaginação ao poder"• "É proibido proibir"• "As paredes têm ouvidos, seus ouvidos têm paredes"• "Se queres ser feliz, prende o teu proprietário"• "O patrão precisa de ti, tu não precisas dele“ • Fonte: Folha de São Paulo (30.04.2008) Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 11 Júnior
  12. 12. • "A revolução deve ser feitas nos homens, antes de ser feita nas coisas"• "Um só fim de semana não-revolucionário é infinitamente mais sangrento que um mês de revolução permanente"• "Quanto mais amor faço, mais vontade tenho de fazer a revolução. Quanto mais revolução faço, maior vontade tenho de fazer amor" • Fonte: Folha de São Paulo (30.04.2008) Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 12 Júnior
  13. 13. • A França dos anos de 1960, sob o comando do general Charles De Gaulle, era uma sociedade culturalmente conservadora e fechada, vivendo ainda o reflexo das perdas sofridas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).• Nas escolas francesas, as crianças eram disciplinadas com rigidez. As mulheres francesas tinham o costume de pedir autorização aos maridos para expressarem uma opinião, e a homossexualidade era diagnosticada pelos médicos como uma doença. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 13 Júnior
  14. 14. • O Maio de 68 mudou profundamente as relações entre raças, sexos e gerações na França, e, em seguida, no restante da Europa. No decorrer das décadas, as manifestações ajudaram o Ocidente a fundar ideias como as das liberdades civis democráticas, dos direitos das minorias, e da igualdade entre homens e mulheres, brancos e negros e heterossexuais e homossexuais.• O Maio francês rapidamente repercutiu em vários países da Europa e do mundo, de uma forma direta e imediata. As ocupações de universidades se multiplicaram a partir da França, e ocorreu a expansão das mobilizações entre os trabalhadores europeus e latino-americanos, em muitos casos em aliança com osTeoria da História - Hélio Moreira da Costa estudantes. 14 Júnior
  15. 15. • O movimento francês teve início na Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, que foi cercada no final de abril por estudantes liderados por Daniel Cohn-Bendit. O protesto dos estudantes logo se dirigiu à capital.• Em 5 de maio, cerca de 10 mil estudantes entraram em choque com policiais no bairro latino Quartier Latin, em Paris, em um protesto contra o fechamento de outra universidade francesa, a Sorbonne, em Paris.• Em seguida, em 10 de maio, ocorre a Noite das Barricadas, quando 20 mil estudantes enfrentaram a polícia nas universidades e ruas de Paris. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 15 Júnior
  16. 16. • No dia 13, estudantes e trabalhadores franceses unificam seus movimentos e decretam uma greve geral de 24 horas em Paris, em protesto contra as políticas trabalhista e educacional do governo do general De Gaule.• No dia 20, a mobilização atinge seu auge: Paris amanhece sem metrô, ônibus, telefones e outros serviços. Cerca de 6 milhões de grevistas ocupam as 300 fábricas da França.• A Universidade de Sorbonne, ocupada pelos estudantes, começa uma outra batalha, em que as maiores "armas" foram as palavras. Surgiram frases que expressavam a política "libertária" desejada pelos jovens universitários: "A imaginação ao poder", "É proibido proibir", "Abaixo a universidade" e "Abaixo a sociedade espetacular mercantil". Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 16 Júnior
  17. 17. • Após 1968 as condições estavam prontas para uma nova mudança na historiografia francesa.• A partir de 1969, André Burguière e Jacques Revel envolveram-se na administração dos Annales, e com a aposentadoria em 1972 de Braudel da Presidência da VI Seção, que iria ser ocupada em seguida, por Jacques Le Goff; e em 1975, quando a velha VI Seção desapareceu e Le Goff tornou-se o Presidente da reorganizada École des Hautes Études en Sciences Sociales, sendo substituído, em 1977, por François Furet. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 17 Júnior
  18. 18. • é mais difícil traçar o perfil da terceira geração do que das duas anteriores. Ninguém neste período dominou o grupo como o fizeram Febvre e Braudel.• François Dosse chega mesmo a falar numa fragmentação da Clio. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 18 Júnior
  19. 19. • o policentrismo prevaleceu.• Vários membros do grupo levaram mais adiante o projeto de Febvre, estendendo as fronteiras da história de forma a permitir a incorporação da infância, do sonho, do corpo e, mesmo, do odor. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 19 Júnior
  20. 20. • Outros solaparam o projeto pelo retorno à história política e à dos eventos.• Alguns continuaram a praticar a história quantitativa, outros reagiram contra ela. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 20 Júnior
  21. 21. • A terceira geração é a primeira a incluir mulheres, especialmente Christiane Klapisch, que trabalhou sobre a história da família na Toscana durante a Idade Média e o Renascimento; Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 21 Júnior
  22. 22. • Arlette Farge, que estudou o mundo social das ruas de Paris no século XVIII; Mona Ozouf, autora de um estudo muito conhecido sobre os festivais durante a Revolução Francesa. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 22 Júnior
  23. 23. • Michèle Perrot, que escreveu sobre a história do trabalho e a história da mulher. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 23 Júnior
  24. 24. • A critica feita á ausência das mulheres na historiografia parece ter sido superada a a partir das publicações de Georges Duby e Michèle Perrot, por exemplo, que estarão empenhados em organizar uma história da mulher em vários volumes. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 24 Júnior
  25. 25. • Esta geração, por outro lado, é mais aberta a idéias vindas do exterior.• Muitos dos seus membros viveram um ano ou mais nos Estados Unidos, em Princeton, Ithaca, Madison ou San Diego. Diferentemente de Braudel, falam e escrevem em inglês. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 25 Júnior
  26. 26. • Por diferentes caminhos, tentaram fazer uma síntese entre a tradição dos Annales e as tendências intelectuais americanas-como a psico-história, a nova história econômica, a história da cultura popular, antropologia simbólica, etc. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 26 Júnior
  27. 27. DO PORÃO AO SÓTÃO Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 27 Júnior
  28. 28. • Na geração de Braudel, a história das mentalidades e outras formas de história cultural não foram inteiramente negligenciadas, contudo, situavam-se marginalmente ao projeto dos Annales.• No correr dos anos 60 e 70, porém, uma importante mudança de interesse ocorreu.• O itinerário intelectual de alguns historiadores dos Annales transferiu-se da base econômica para a “superestrutura” cultural, “do porão ao sótão” Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 28 Júnior
  29. 29. • Foi realmente um historiador da geração de Braudel que despertou a atenção pública para a história das mentalidades, através de um livro notável, quase sensacional, publicado em 1960. Philippe Ariès era um historiador diletante, “um historiador domingueiro”. (...)Demógrafo histórico por formação, Ariès veio a rejeitar a perspectiva quantitativa (da mesma maneira que rejeitou outros aspectos do mundo burocrático- da Costa Teoria da História - Hélio Moreira Júnior 29
  30. 30. • Seus interesses direcionaram-se para a relação entre natureza e cultura, para as formas pelas quais uma cultura vê e classifica fenômenos naturais tais como a infância e a morte. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 30 Júnior
  31. 31. • Em seu estudo sobre as famílias e as escolas durante o antigo regime, Ariès defende que a idéia de infância, ou, mais exatamente, que o sentimento da infância, não existia na Idade Média. O grupo etário que chamamos de “crianças” era visto, mais ou menos, como animais até a idade de sete anos e quase que como uma miniatura dos adultos daí em diante. A infância, de acordo com Ariès, foi descoberta na França, na altura do século XVII. Foi por esse tempo que, por exemplo, roupas especiais eram destinadas às crianças, como a “robe” para meninos. Cartas e diários do período documentam o interesse crescente dos adultos no comportamento das crianças, que tentavam, algumas vezes, reproduzir a fala infantil. Baseou-se também em registros iconográficos, como o crescente número de quadros de crianças, para ilustrar a hipótese de que a consciência da infância como uma fase do desenvolvimento humano retroage ao limiar dos tempos modernos-não vai além (Ariès, 1960). Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 31 Júnior
  32. 32. • Seus últimos anos foram dedicados a estudos sobre as atitudes perante a morte, focalizando de novo um fenômeno da natureza refratado pela cultura, a cultura ocidental, e atendendo a um famoso reclamo de Lucien Febvre, em 1941, “Nós não possuímos uma história da morte” (Febvre, 1973, p. 24). Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 32 Júnior
  33. 33. • Robert Mandrou: a figura principal na psicologia histórica à la Febvre foi publicou Introduction à la France Moderne, com o subtítulo “Um ensaio em psicologia histórica – 1500-1640”, em que incluía capítulos sobre saúde, emoções e mentalidades (Mandrou, 1961).• Ruptura entre Braudel e Mandrou, no decorrer de um debate sobre o futuro do movimento dos Annales.• Nessa discussão, Braudel defendeu a inovação, enquanto Mandrou preferia a herança de Febvre, o que ele chamava “o estilo original” ( Annales première manière), em que a psicologia histórica ou a história das mentalidades desempenhavam um papel importante. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 33 Júnior
  34. 34. • Delumeau utilizou, ocasionalmente, as idéias de psicanalistas como Wilhelm Reich e Erich Fromm. Havia sido precedido nesse sentido por Le Roy Ladurie, cujo Les paysans de Languedoc (1966), analisado no capítulo anterior, incluía livros de Freud na bibliografia, (...).• Le Roy descreveu o carnaval de Romans como um psicodrama, “que dava acesso imediato a criações do inconsciente”, tais como fantasias de canibalismo, e interpretou as convulsões proféticas dos camisards em termos de histeria.• Alain Besançon, um especialista na Rússia do século XIX, que escreveu um longo ensaio na revista sobre as possibilidades do que ele denominava “história psicanalítica”. Tentou pôr em prática essas possibilidades num estudo sobre pais e filhos. O estudo focalizava dois tzares, Ivã, o Terrível, e Pedro, o Grande, o primeiroTeoria da História -Júnior Moreira dao segundo condenou o 34 matou seu filho, e Costa Hélio seu à morte (Besançon, 1968, 1971).
  35. 35. • Besançon, Le Roy Ladurie e Delumeau tomaram as idéias principalmente de Freud, dos freudianos ou neofreudianos.• O estilo americano de psico-história, orientado no sentido do estudo de indivíduos, finalmente encontrou a psicologia histórica francesa, dirigida no sentido do estudo de grupos, embora as duas correntes não se tenham fundido numa síntese. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 35 Júnior
  36. 36. • Contudo, a tendência principal la numa direção diferente. Dois dos mais destacados historiadores recrutados para a história das mentalidades, no início dos anos 60, foram os medievalistas: • Jacques Le Goff (“O tempo dos mercadores e o tempo da Igreja na Idade Média”) e • Georges Duby (La naissance du Purgatoire O nascimento do purgatório). Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 36 Júnior
  37. 37. O “TERCEIRO NÍVEL” DAHISTÓRIA SERIAL Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 37 Júnior
  38. 38. • A história das mentalidades não foi marginalizada nos Annales, em sua segunda geração, apenas porque Braudel não tinha interesse nela. Existiram pelo menos, duas outras razões mais importantes para essa marginalização. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 38 Júnior
  39. 39. • Em primeiro lugar, um bom número de historiadores franceses acreditava, ou pelo menos pressupunha, que a história social e econômica era mais importante, ou mais fundamental, do que outros aspectos do passado. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 39 Júnior
  40. 40. • Em segundo lugar, a nova abordagem quantitativa, analisada no capítulo anterior, não encontrava no estudo das mentalidades o mesmo tipo de sustentação oferecido pela estrutura socioeconômica. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 40 Júnior
  41. 41. • A abordagem estatística foi desenvolvida para estudar a história da prática religiosa, a história do livro e a história da alfabetização. Espraiou- se, algum tempo depois, para outros domínios históricos. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 41 Júnior
  42. 42. • A ideia de uma história da prática religiosa francesa , ou de uma sociologia retrospectiva do catolicismo francês, baseada em estatísticas da frequência à comunhão, das vocações religiosas etc., remonta a Gabriel Le Bras, que publicou um artigo sobre o tema, em 1931 (Le Bras, 1931).• Criou uma escola de historiadores da Igreja e sociólogos da religião, que estavam particularmente preocupados com o que chamavam de “descristianização” da França do final do século XVIII em diante, investigando a questão através de métodos quantitativos. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 42 Júnior
  43. 43. • a obra do círculo de Le Bras (como o de Ariès) inspirou alguns historiadores dos Annales quando se elevaram do porão ao sótão.• Estudos regionais mais recentes sobre Anjou, Provença, Avignon e Bretanha dedicaram-se mais fortemente à cultura do que seus predecessores, e, em particular, às atitudes diante da morte.• Como escreveu Le Goff no prefácio de um desses estudos, “a morte está na moda”. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 43 Júnior
  44. 44. • O mais original desses trabalhos é o de Vovelle. Um historiador marxista da Revolução Francesa, “formado na escola de Ernest Labrousse”, como ele próprio diz, Vovelle interessou-se pelo problema da “descristianização”.• Sua ideia foi a de tentar mensurar esse processo pelo estudo das atitudes diante da morte e o além tal como são reveladas nos testamentos. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 44 Júnior
  45. 45. • O resultado, consubstanciado em sua tese doutoral, foi um estudo da Provença fundamentado na análise sistemática de cerca de 30.000 testamentos.• Onde historiadores anteriores haviam justaposto evidências quantitativas sobre mortalidade com evidências mais literárias sobre as atitudes frente a morte, Vovelle quis mensurar mudanças no pensamento e no sentimento. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 45 Júnior
  46. 46. • Deu atenção, por exemplo, às referências feitas à proteção dos santos padroeiros; ao número de missas que o testador encomenda para a salvação de sua alma; aos arranjos feitos para os funerais e mesmo ao peso das velas acendidas durante a cerimônia. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 46 Júnior
  47. 47. • Vovelle identificou uma mudança bastante significativa no que denominou de “pompa barroca” dos funerais do século XVII para a singeleza dos funerais do século XVIII.• Sua principal pressuposição era a de que a linguagem dos testamentos refletia “o sistema de representações coletivas; sua conclusão mais importante foi a identificação de tendências à secularização, sugerindo que a “descristianização” nos anos da Revolução Francesa foi espontânea e não imposta de cima, por fazer parte de uma tendência mais ampla. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 47 Júnior
  48. 48. • Digna de nota é a maneira pela qual Vovelle mapeia a expansão das novas atitudes da nobreza para com os artesãos e camponeses, das grandes cidades, como Aix, Marselha e Toulon, através de pequenas cidades, Barcelonette, por exemplo, para as pequenas vilas.• Sua argumentação era ilustrada com uma grande quantidade de mapas, gráficos e tabelas. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 48 Júnior
  49. 49. • Piété baroque et Dechristianisation, título do estudo de Vovelle, produziu uma certa sensação intelectual, graças particularmente ao uso virtuoso das estatísticas, acompanhado de um agudo senso das dificuldades em interpreta-las.• (...) O que Ariès vinha realizando sozinho no campo da história da morte, em seu estilo deliberadamente impressionista, foi assim completado por pesquisas coletivas e quantitativas de profissionais”. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 49 Júnior
  50. 50. • Essa apropriação da vida depois da morte por historiadores laicos, armados de computadores, é ainda o mais notável exemplo da história serial de terceiro nível.• Outros historiadores da cultura, porém, utilizaram de maneira eficiente os métodos quantitativos, especialmente na história da alfabetização e na história do livro. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 50 Júnior
  51. 51. • O estudo da alfabetização é um outro campo da história cultural que conduz à pesquisa coletiva e à análise estatística.• O projeto mais importante nesse campo, iniciado na década de [19]70, foi levado a efeito na École des Hautes Études, dirigido por François Furet – um discípulo de Ernest Labrousse (...). Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 51 Júnior
  52. 52. • O tema do projeto era a mudança dos níveis de alfabetização, na França do século XVI ao XIX (Furet e Ozouf, 1977).• Os pesquisadores utilizaram fontes mais variadas, do recenseamento às estatísticas do exército sobre os conscritos, o que os habilitava antes a afirmar do que a presumir a correlação entre a habilidade de assinar o próprio nome à capacidade de ler e escrever. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 52 Júnior
  53. 53. • Confirmaram a tradicional divisão entre duas Franças, mas sofisticaram a análise estabelecendo distinções dentro das regiões. Entre outras conclusões interessantes, notaram que, no século XVIII, a alfabetização cresceu mais rapidamente entre as mulheres do que entre os homens. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 53 Júnior
  54. 54. • As pesquisas sobre a alfabetização foram acompanhadas de pesquisas sobre o que os franceses chamam de “a história do livro”.• Pesquisas que não se preocupavam com os grandes livros, mas com as tendências da sua produção e com os hábitos de leitura dos diferentes grupos sociais (Roche/Chartier, 1974). Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 54 Júnior
  55. 55. • O estudo de cultura popular de Robert Mandrou, (...), por exemplo, lidava com literatura de Cordel, a chamada “Biblioteca Azul” (Mandrou, 1964).• Tais livros, que custavam um ou dois sous, eram distribuídos por mascates e produzidos em grande parte por famílias de impressores em Troyes, localizada na região Nordeste da França, onde a taxa de alfabetização era elevada. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 55 Júnior
  56. 56. • Mandrou examinou cerca de 450 títulos, assinalando a importância da leitura religiosa (120 títulos), almanaques e mesmo romances de cavalaria.• Concluiu que essa literatura era essencialmente uma “literatura de evasão”, lida especialmente pelos camponeses e que revelava uma mentalidade “conformista”.• Obs: La Bibliothèque Bleue tinha esse nome porque suas capas eram feitas de papel azul, utilizado para empacotar açúcar. Teoria da História - Hélio Moreira da Costa 56 Júnior

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