Caderno diário As Transformações Económicas na Europa e no Mundo n.º10 1415

448 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
448
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
12
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Caderno diário As Transformações Económicas na Europa e no Mundo n.º10 1415

  1. 1. 1 As transformações económicas e a agudização das diferenças Por Raul Silva A segunda fase da Revolução industrial foi caracterizada pelo desenvolvimento de novas formas de energia, de técnicas e métodos de produção, que aumentaram a produtividade. A associação entre a ciência e a técnica operou também uma profunda transformação no processo de industrialização, uma vez que possibilitou a produção de novos bens a mais baixo custo e alterou o quotidiano dos indivíduos. No decorrer destas transformações, observou-se a necessidade de reorganizar os modelos económicos através da concentração industrial e bancária, bem como dos métodos de produção, com a racionalização do trabalho. Apesar da hegemonia inglesa, a partir do século XIX, assistiu-se à expansão da industrialização na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, alargando os mercados, diversificando produtos e generalizando-se um intercâmbio comercial. A expansão da industrialização e a formação de novos mercados generalizou a crença na autorregulação dos mercados, através da lei da oferta e da procura. No entanto, o desenvolvimento das práticas capitalistas conduziu a crises cíclicas, com diferente duração e periodicidade. A implementação do livre-cambismo, primeiro na Grã-Bretanha, acentuou os princípios da liberdade do comércio, da livre iniciativa e conduziu à abolição de tarifas alfandegárias, promovendo um mercado mais livre. Afirmou-se a ideia de que cada país, especializado num determinado bem económico, obtinha uma vantagem comparativa, produzindo uma maior quantidade de produtos nos quais era especializado, permitindo colocá-los no mercado, a um melhor preço. CADERNODIÁRIO EXTERNATO LUÍS DE CAMÕES N.º 10 https:// www.facebook.com/ historia.externato http:// externatohistoria.blog spot.pt externatohistoria@gm ail.com 27deJaneirode2015
  2. 2. 2 CADERNODIÁRIO27deJaneirode2015 Revolução industrial a expansão A Revolução Industrial conheceu um novo impulso na segunda metade do século XIX, beneficiando de desenvolvimentos técnicos e de descobertas científicas e expandindo-se geograficamente na Europa e noutros continentes, ainda que com ritmos diferenciados. A invenção do motor de combustão interna, o uso do petróleo, do gás e da eletricidade permitiu o aumento da produção e da produtividade. A segunda fase da Revolução Industrial assentou na siderurgia e a química. O domínio dos transportes sofreu uma profunda transformação, pois beneficiou do aperfeiçoamento da locomotiva e o caminho de ferro, o barco a vapor, o automóvel e o telégrafo elétrico, permitindo o encurtar das distâncias do transporte de pessoas e mercadorias. Os novos inventos modificaram a produção industrial e consolidaram o capitalismo industrial: acelerou o crescimento económico; alargou os mercados; consolidou o sistema fabril e o capitalismo; melhorou as condições de vida pela utilização de bens e equipamentos diversificados, acessíveis a um número crescente de consumidores; proporcionou avultados lucros e permitiu a afirmação de companhias industriais. O desenvolvimento da indústria implicou a necessidade de investimentos de capital e levou a que duas ou mais empresas se associassem para aumentarem os seus capitais. As empresas mais fortes absorviam as mais pequenas. Estas formas de concentração também ocorreram no setor bancário, com os bancos mais fortes a adquirirem os mais pequenos, constituindo-se como grupos económicos que financiaram as empresas. A industrialização era indispensável à afirmação dos Estados, assegurando a produção de bens essenciais, incluindo armamento, e a criação de uma rede de transportes, numa época em que na Europa despertavam tensões políticas e imperialistas. Na França, a industrialização fez-se a par do desenvolvimento dos caminhos de ferro. Na Alemanha, o desenvolvimento industrial assentou na indústria pesada e no setor químico, beneficiou da concentração industrial e da concentração de capitais. Nos Estados Unidos, o desenvolvimento dos caminhos de ferro, a criação de um mercado nacional, a abundância de matérias-primas e mão de obra, foram fatores de sucesso da indústria algodoeira, siderúrgica, automóvel e elétrica. A industrialização não se generalizou em termos mundiais, dado que as regiões da Europa do Sul, do Norte, Central e Oriental não conheceram um ritmo de industrialização acelerado. Da hegemonia inglesa à afirmação de novas potências Por Peter Sterns “A Grã-Bretanha não tinha concorrente em nenhuma das principais fases da produção mecânica (...) liderava no setor têxtil, metalúrgico, mineiro e na construção de máquinas era insuperável. A superioridade britânica afetou inevitavelmente a fase seguinte da industrialização. Cerca de 1830 havia 1500 trabalhadores ingleses em França, servindo de técnicos especializados no setor têxtil e metalúrgico. O papel da Inglaterra no alargamento da industrialização foi crucial até cerca de 1840, quando a Bélgica, França, Estados Unidos e Alemanha assumem uma posição relevante. (...) A economia britânica tendia a retirar-se da indústria para o comércio e finança.” Responder: a) Refira o impacto da inovações tecnológicas na consolidação do capitalismo comercial. b) Relacione os diferentes ritmos da industrialização com o domínio inglês. Pesquisar: https://www.youtube.com/watch? v=kozyChnpwRc “A fábrica está no centro do novo sistema; tudo parte dela e tudo a ela volta; ela dá à exploração das máquinas e dos homens a sua respiração, a sua eficácia, a sua rendibilidade.” Jean-Pierre Rioux Concentração industrial Os tentáculos do polvo (a Standart Oil) alcançam as indústrias do aço, de cobre, de transportes e o poder político.
  3. 3. 3 CADERNODIÁRIO27deJaneirode2015 O capitalismo e os ciclos económicos Por Stephen Berry No final do século XIX e princípio do século XX tornou-se frequente (...) realçar a extensão e a regularidade dos diferentes ciclos económicos. O ciclo de Kitchin, que durava entre três a cinco anos e que se refletia, supostamente, no comportamento dos indicadores financeiros e os preços do comércio a retalho. Os ciclos de Juglar, de 10 anos ou mais, marcavam mudanças fundamentais nos mercados financeiros, bem como nos indicadores demográficos. Ciclo de Kuznets, que correspondia a 20 anos, e que seguia mudanças estruturais em setores-chave da economia, nas principais indústrias e, especialmente, nas oscilações na construção. Finalmente, os ciclos de Kondratieff, que duravam entre 50 a 60 anos, e que representavam mudanças históricas na economia (...). O capitalismo e as crises ciclícas A expansão da industrialização, com ritmos diferentes, nos diversos países europeus. nos Estados Unidos e no Japão desenvolveu-se no contexto do capitalismo. Os produtos circulavam, livremente, no mercado cada vez mais mundial, onde os preços eram fixados e oscilavam, consoante a oferta e a procura. Criou-se um verdadeiro mercado mundial: • as matérias-primas, os artigos, os serviços, o dinheiro, o capital investido e as pessoas moviam-se em todas as direções, sem ter em conta fronteiras políticas; os negociantes, dos países compravam onde era mais barato e vendiam onde era mais caro. • o mercado estabelecia a competição entre regiões distantes em situações diferentes; agudizaram-se as diferenças entre os países industrializados e os não industrializados. A confiança nos mecanismos autorreguladores do mercado estabelecia que: • o mercado era regulado sem intervenção do Estado ficando apenas submetido às decisões individuais dos que compravam e vendiam, num mercado que se autorregulava; • o mercado, sujeito a esse jogo de oferta e de procura, oscilava entre fases de expansão e de crise autorregulava; • o mercado, sujeito a esse jogo de oferta e de procura, oscilava entre fases de expansão e de crise que, para os defensores do liberalismo, serviam como mecanismos naturais autorreguladores do mercado. O sistema económico do capitalismo liberal atravessou fases de crescimento e de crise. Estas crises eram provocadas pela liberdade económica, sem regulação, que, em períodos de expansão, provocavam excesso de produção, que provocara desequilíbrios entre a oferta e a procura - eram crises de superprodução. As ocorriam periodicamente, eram crises cíclicas. Responder: a) Explicite o papel do Estado na economia. b) Indique os mecanismos reguladores do mercado. c) Refira as características dos ciclos económicos. d) Indique as manifestações dos ciclos económicos. “Fará desaparecer as ambições e móbeis que produzem impérios, exércitos (...). Creio que tais coisas deixarão de ser necessárias ou habituais quando a humanidade se tornar uma só família e quando cada homem trocar livremente os frutos do seu trabalho com o seu irmão.” Richard Cobden Ciclos económicos Ciclo curto (três a cinco anos); ciclo médio (6 a 11 anos) com períodos recuperação, expansão e recessão; ciclo de ondas largas (40 a 60 anos) marcado por períodos de expansão e recessão.
  4. 4. 4 CADERNODIÁRIO27deJaneirode2015 O livre-cambismo e a economia mundial Por M. Anderson Os contactos comerciais alimentados pelo livre-cambismo, pela completa liberdade de movimentos internacionais de pessoas, bens, capitais e ideias, conduziriam a uma união entre as nações de um modo de que políticas, tratados e diplomacia tinham constantemente falhado (...). Os contactos não oficiais entre o povos, e sobretudo económicos, são fundamentais enquanto a diplomacia oficial é superficial (...). As forças económicas do futuro, não o nacionalismo, dominariam a vida internacional. Responder: a) Caracterize o livre-cambismo. b) Indique as vantagens e as desvantagens do livre- cambismo. O livre-cambismo e a divisão internacional do trabalho Até ao século XIX, nunca o mundo tinha estado tão unificado economicamente, com cada região desempenhando o seu papel e a sua especialização em todo o mundo: • os países mais industrializados dependiam da circulação mundial de matérias-primas, de alimentos e da colocação dos seus produtos nos vários mercados à escala mundial; • os países europeus mais industrializados importavam mais do que exportavam, mas tinham uma balança de pagamentos favorável. Pagavam uma parte das importações, com a exportação de produtos fabricados, e a outra parte era exportação invisível. O desenvolvimento do mercado internacional exigiu novas práticas económicas que favorecessem o dinamismo das trocas comerciais: • foi adoptada a política económica do livre-cambismo; entre 1860 e 1870, a corrente livre-cambista afirmou-se nos países da Europa continental; • nos Estados Unidos vigorava o protecionismo, pois viam no livre- cambismo um modelo que favorecia a economia inglesa. A grande realização da Europa industrializada foi criar um sistema de comércio multilateral e liberal: • a economia tornou-se internacional e abarcava o mundo inteiro, procurando as vantagens económicas do modelo do livre-cambismo; a liberdade de comércio era vista como um impulso para a economia de cada país, que desenvolvia uma área de especialização e se fortalecia como fornecedor de um determinado período. O mundo afirmava-se como uma imensa fábrica e cada país como uma oficina: • promoveu-se uma divisão internacional de trabalho entre os países e regiões produtoras do mundo; aproveitou-se a vantagem comparativa dos diferentes países no sentido de produzirem os bens para os quais estavam naturalmente mais habilitados, com custos reduzidos; • segundo o liberalismo económico, os países beneficiavam com a divisão internacional do trabalho. A redução de tarifas alfandegárias, a orientação dos países menos desenvolvidos para a produção de bens específicos, o desenvolvimento dos transportes e a produção em massa dinamizaram o mercado internacional e afirmaram as economias mais desenvolvidas. Os países dependentes dos países mais industrializados viram-se forçados a manter-se como fornecedores de produtos primários, mais baratos do que os produtos acabados; a sua dependência no mercado internacional agudizou as diferenças face aos países industrializados. “Vejo no princípio do livre-cambismo como uma força que agirá no mundo moral à imagem da gravitação do mundo físico; aproximará os homens, destruirá os antagonismos de raça, de crença, de língua, unir- nos-á a todos com laços de paz perpétua.” Richard Cobden Livre-cambismo Política económica que defende a livre circulação de produtos entre diferentes países, através da diminuição das tarifas alfandegárias, incentivando pela livre- concorrência.

×