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Teorias do Jornalismo A Teoria Organizacional formalizada por Nelson Traquina
Perfil do Autor Warren Breed, 1915-1999. Jornalista, doutor em Sociologia, docente da Universidade de Tulane, em Nova Orleans (1950-1969). Desde sua tese de doutorado (1952) procurou definir o que são e onde estão os fatores de controle no processo de produção da notícia. Publicou o estudo introdutório da Teoria Organizacional na revista “Forças Sociais”, em 1955. Autor de  The Newspaperman, News and Society (Arno Press, 1952)  e The Selfguiding Society (Free Press, 1971).
Ideias centrais O jornalista é apresentado como funcionário de uma empresa (jornalista-empregado), participante de uma hierarquia profissional, e submisso à política editorial dos patrões. As normas da organização são veladas, mas devem ser absorvidas “por osmose”, para evitar punições e obter recompensas. O jornalista tem uma “autonomia consentida”, de acordo com os requisitos da empresa onde trabalha. A necessidade de manter-se empregado deixa o jornalista conformado com seu papel na organização, e não mais aspirante a uma função de serviço social. As recompensas profissionais não são obtidas através dos leitores, mas entre os colegas e superiores. O fator tempo impede o jornalista de cobrir muitos acontecimentos em um único dia e a política editorial restringe os assuntos que devem ser publicados. Essa conjuntura força o profissional a dedicar-se ao trabalho que dará frutos, em vez de ficar correndo atrás do vento.
Na maior parte do tempo, eles acabam se conformando: Autoridade institucional – os jornalistas temem as punições, que podem ser: trabalhar em uma  editoria de menor prestígio , ter a  matéria   cortada ,  perder espaço  no veículo,  não assinar  a peça produzida. Obrigação e estima para com os superiores – criam-se laços de amizade, respeito e admiração no trabalho. Aspiração de mobilidade – os rebeldes não avançam na carreira. Ausência de grupos de lealdade em conflito – pode sofrer com o isolamento na redação. Prazer da atividade – o jornalista geralmente gosta e se orgulha do que faz. Valor da notícia em si – o objetivo primeiro do jornalista é informar seu público, e ele não dispõe de muito tempo para ir atrás das notícias.
Mas ainda conseguem driblar o controle da empresa: Valem-se de que as normas da política editorial não são explícitas, e praticam pequenas distorções, que passam despercebidas. Escrevem reportagens dentro dos temas permitidos, mas impõem os personagens, o roteiro das entrevistas, as citações e o tom dos textos de acordo com suas preferências. Forjam provas, cedendo notícias a outros veículos e apresentando-as às suas próprias chefias, para argumentar sobre a necessidade de cobrir determinado evento. Os jornalistas aproveitam a maior liberdade que possuem em sua ronda habitual e nas histórias que já iniciaram para imprimir um viés mais pessoal (e não organizacional) ao texto. “ Os jornalistas-empregados com um “estatuto” de “estrela” podem mais facilmente transgredir a política editorial.”, p. 157.
Variáveis das empresas que podem alterar a teoria Diretores ativos e passivos – no primeiro caso o jornalista tem menos autonomia do que no segundo. Tamanho da empresa – “nas pequenas empresas, a estrutura é mais flexível, enquanto nas grandes empresas as estruturas de controle são mais formais e mais centralizadas.”, pp. 160, 161.
Conclusão “ Segundo a Teoria Organizacional, as notícias são o resultado de processos de interação social que têm lugar dentro da empresa jornalística.”, pp. 157, 158. Breed conclui que, sob certas condições já mencionadas, “os controles que levam ao conformismo com a política editorial da empresa jornalística podem ser ultrapassados”. Mas “a linha editorial da empresa jornalística é geralmente seguida.”, p. 157. O trabalho jornalístico é influenciado pela importância do fator econômico. “O jornalismo é também um negócio.”, p. 158.
Aplicação Ainda hoje, percebemos claramente a presença dos princípios da Teoria Organizacional no fazer jornalístico: Interação social nas empresas jornalísticas Apesar de a internet ter expandido o jornalismo independente, o ganha-pão deste profissional ainda se dá nas instituições formais. Persiste a figura do jornalista-empregado. As conhecidas “matérias rec” já estão sendo chamadas de “matérias obrig”. Política editorial Editorial – espaço para a opinião da empresa. Posicionamento explícito de veículos em época de eleições políticas. Busca por lucratividade Concorrência entre as empresas pelo furo de reportagem. Sensacionalismo – transformação da tragédia em espetáculo. Notícias que funcionam como estratégias de  marketing  para outras empresas – textos escritos para vender produtos de outros, e não informação. Empresas multimídia e conglomerados de Comunicação Social – uniformização do conteúdo e limitação do pluralismo de opiniões.

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  • 1. Teorias do Jornalismo A Teoria Organizacional formalizada por Nelson Traquina
  • 2. Perfil do Autor Warren Breed, 1915-1999. Jornalista, doutor em Sociologia, docente da Universidade de Tulane, em Nova Orleans (1950-1969). Desde sua tese de doutorado (1952) procurou definir o que são e onde estão os fatores de controle no processo de produção da notícia. Publicou o estudo introdutório da Teoria Organizacional na revista “Forças Sociais”, em 1955. Autor de The Newspaperman, News and Society (Arno Press, 1952) e The Selfguiding Society (Free Press, 1971).
  • 3. Ideias centrais O jornalista é apresentado como funcionário de uma empresa (jornalista-empregado), participante de uma hierarquia profissional, e submisso à política editorial dos patrões. As normas da organização são veladas, mas devem ser absorvidas “por osmose”, para evitar punições e obter recompensas. O jornalista tem uma “autonomia consentida”, de acordo com os requisitos da empresa onde trabalha. A necessidade de manter-se empregado deixa o jornalista conformado com seu papel na organização, e não mais aspirante a uma função de serviço social. As recompensas profissionais não são obtidas através dos leitores, mas entre os colegas e superiores. O fator tempo impede o jornalista de cobrir muitos acontecimentos em um único dia e a política editorial restringe os assuntos que devem ser publicados. Essa conjuntura força o profissional a dedicar-se ao trabalho que dará frutos, em vez de ficar correndo atrás do vento.
  • 4. Na maior parte do tempo, eles acabam se conformando: Autoridade institucional – os jornalistas temem as punições, que podem ser: trabalhar em uma editoria de menor prestígio , ter a matéria cortada , perder espaço no veículo, não assinar a peça produzida. Obrigação e estima para com os superiores – criam-se laços de amizade, respeito e admiração no trabalho. Aspiração de mobilidade – os rebeldes não avançam na carreira. Ausência de grupos de lealdade em conflito – pode sofrer com o isolamento na redação. Prazer da atividade – o jornalista geralmente gosta e se orgulha do que faz. Valor da notícia em si – o objetivo primeiro do jornalista é informar seu público, e ele não dispõe de muito tempo para ir atrás das notícias.
  • 5. Mas ainda conseguem driblar o controle da empresa: Valem-se de que as normas da política editorial não são explícitas, e praticam pequenas distorções, que passam despercebidas. Escrevem reportagens dentro dos temas permitidos, mas impõem os personagens, o roteiro das entrevistas, as citações e o tom dos textos de acordo com suas preferências. Forjam provas, cedendo notícias a outros veículos e apresentando-as às suas próprias chefias, para argumentar sobre a necessidade de cobrir determinado evento. Os jornalistas aproveitam a maior liberdade que possuem em sua ronda habitual e nas histórias que já iniciaram para imprimir um viés mais pessoal (e não organizacional) ao texto. “ Os jornalistas-empregados com um “estatuto” de “estrela” podem mais facilmente transgredir a política editorial.”, p. 157.
  • 6. Variáveis das empresas que podem alterar a teoria Diretores ativos e passivos – no primeiro caso o jornalista tem menos autonomia do que no segundo. Tamanho da empresa – “nas pequenas empresas, a estrutura é mais flexível, enquanto nas grandes empresas as estruturas de controle são mais formais e mais centralizadas.”, pp. 160, 161.
  • 7. Conclusão “ Segundo a Teoria Organizacional, as notícias são o resultado de processos de interação social que têm lugar dentro da empresa jornalística.”, pp. 157, 158. Breed conclui que, sob certas condições já mencionadas, “os controles que levam ao conformismo com a política editorial da empresa jornalística podem ser ultrapassados”. Mas “a linha editorial da empresa jornalística é geralmente seguida.”, p. 157. O trabalho jornalístico é influenciado pela importância do fator econômico. “O jornalismo é também um negócio.”, p. 158.
  • 8. Aplicação Ainda hoje, percebemos claramente a presença dos princípios da Teoria Organizacional no fazer jornalístico: Interação social nas empresas jornalísticas Apesar de a internet ter expandido o jornalismo independente, o ganha-pão deste profissional ainda se dá nas instituições formais. Persiste a figura do jornalista-empregado. As conhecidas “matérias rec” já estão sendo chamadas de “matérias obrig”. Política editorial Editorial – espaço para a opinião da empresa. Posicionamento explícito de veículos em época de eleições políticas. Busca por lucratividade Concorrência entre as empresas pelo furo de reportagem. Sensacionalismo – transformação da tragédia em espetáculo. Notícias que funcionam como estratégias de marketing para outras empresas – textos escritos para vender produtos de outros, e não informação. Empresas multimídia e conglomerados de Comunicação Social – uniformização do conteúdo e limitação do pluralismo de opiniões.