Artigo nova classificacao de solos - si bcs 2005

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Artigo nova classificacao de solos - si bcs 2005

  1. 1. 1 A NOVA VERSÃO DO SISTEMA BRASILEIRO DE CLASSIFICAÇÃO DE SOLOS (SiBCS) Paulo Klinger Tito Jacomine – UFRPE – Recife E mail: ricardo @ truenet.com.br.Comitê Executivo da Revisão do SistemaAmérico Pereira Carvalho – AposentadoHumberto Gonçalves dos Santos - Embrapa – SolosJoão Bertoldo de Oliveira – IAC/UNICAMPJosé Francisco Lumbreras – Embrapa - SolosLúcia Helena dos Anjos – UFRRJMaurício Rizzato Coelho – Embrapa - SolosPaulo Klinger Tito Jacomine – UFRPEPedro Jorge Fasolo – AposentadoVirlei Álvaro de Oliveira – IBGECom a participação de colaboradores dos Comitês Regionais1 – INTRODUÇÃO O Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS) começou a ser estruturado em1979, através de Aproximações (documentos de trabalho), num total de 4(quatro), sendoconcluído e publicado pela Embrapa em 1999. O Sistema foi testado através de viagens decorrelação e classificação de solos, excursões técnicas de congressos de solos, e também noslevantamentos pedológicos executados em várias regiões do Brasil. Os estudos e verificações de campo mostraram que o SiBCS deu resultados práticos,porém necessitava ser revisado e aperfeiçoado com base nos dados existentes e em novostrabalhos mais detalhados executados por diversas instituições nacionais públicas e privadas. Asdiscussões começaram em 2.000 e se intensificaram a partir de 2.001, sobretudo no CBCSrealizado em Londrina e através de Reuniões do Comitê Executivo de Classificação de Solos que 1
  2. 2. 2analisou as propostas, críticas, sugestões e elaborou um elenco de modificações, cujas principaisestão inseridas neste texto. A nova versão do Sistema engloba apenas 13(treze) ordens, em vista da eliminação daclasse dos Alissolos. Além das modificações nas ordens, foram feitas alterações nos níveis desubordens, grandes grupos e subgrupos. Foram revistos alguns atributos e horizontesdiagnósticos, além do estabelecimento de novos atributos. Algumas definições de classes de solosforam ampliadas, como as dos Nitossolos, Argissolos, Neossolos, Espodossolos, Planossolos.Foram estabelecidas novas seções de controle e revisadas outras com base nos dados existentes everificações de campo. Os critérios usados na definição de alguns solos intermediários foramrevisados e ampliados, além das modificações explicitadas no texto.2 – MODIFICAÇÕES EM NÍVEL DE ORDEM2.1 – Ordem dos Alissolos – Esta ordem foi extinta em função do processo de formação (queimplica na concentração de alumínio no solo), não ser considerado como principal, tendo emvista que o referido processo ocorre em diversas classes de solos, independente do processo deformação principal. Em face do exposto, a concentração de alumínio no solo foi consideradacomo processo secundário, e, por isso, não é pertinente no nível de ordem. Além disso, no 1ºnível (ordem), as classes são identificados essencialmente por morfologia, o que não acontecianos Alissolos. Os solos contidos nesta classe foram redistribuídos nas ordens dos Argissolos eNitossolos2.2 –Ordem dos Argissolos – Modificações nas bases, critérios, conceito e definição da classe,objetivando englobar a maior parte dos solos provenientes dos extintos Alissolos. Deste modo,os Argissolos atualmente englobam solos com horizonte B textural, normalmente com argila deatividade baixa e ocorrência de argila de atividade alta, conjugada com saturação por bases baixaou com caráter alítico.2.3 – Ordem dos Chernossolos – Modificações no conceito e definição da classe para admitirsolos com espessura mínima de 10 cm, desde que seguido por horizonte B com caráter ebânico e 2
  3. 3. 3demais características dos Chernossolos. Estes solos foram constatados no Rio Grande do Sul,durante a VI RCC. Além disso houve eliminação do B nítico da classe.2.4 – Ordem dos Espodossolos – Aperfeiçoamento do conceito e definição, em função dosacréscimos feitos na definição dos horizontes Bh, Bs e Bhs.2.5 – Ordem dos Luvissolos – Foram feitas modificações nos critérios, conceito e definição, emfunção da eliminação do B nítico da classe e alterações nas cores, com admissão também decores pouco vivas no horizonte B.2.6 – Ordem dos Neossolos – Nesta classe houve necessidade de admissão de solos com mais de50 cm de horizonte A sobre camada R ou Cr ou C, dentro de 150 cm da superfície do solo.2.7 – Ordem dos Nitossolos – Modificações nos critérios, conceito e definição da classe, visandonão só englobar parte dos extintos Alissolos, como também fornecer subsídios mais consistentespara distinguir Nitossolos de Argissolos. Os Nitossolos, na nova versão do SiBCS, englobamsolos com horizonte B nítico, argila de atividade normalmente baixa ou com ocorrência docaráter alítico. Além disso foi estabelecido, que a partir do horizonte A, o teor de argila deve sermaior que 350 g/kg e o gradiente textural menor que 1,5.CARACTERÍSTICAS QUE DISTINGUEM NITOSSOLOS DE ARGISSOLOS:-SOLOS QUE APRESENTAM UNIFORMIDADE EM COR AO LONGO DO PERFILDEVEM SATISFAZER OS REQUISITOS ABAIXO, RELACIONADOS A COR:-1 NOS SOLOS COM MESMO MATIZ NO A E B, EXCETO BC, ADMITEM-SEVARIAÇÕES MENORES OU IGUAIS A 2 DE VALOR E MENOR OU IGUAL A 3 DECROMA (*);-2 NOS SOLOS COM MATIZ, EM DUAS PÁGINAS, NO A E B, EXCETO BC,ADMITEM-SE VARIAÇÕES MENORES OU IGUAIS A 1 DE VALOR E MENOR OUIGUAL A 2 DE CROMA (*);-3 NOS SOLOS COM MATIZ EM MAIS DE DUAS PÁGINAS NO A E B, EXCETO BC,NÃO SE ADMITE VARIAÇÃO DE VALOR E ADMITE-SE VARIAÇÃO MENOR OUIGUAL A 1 PARA CROMA (*). 3
  4. 4. 4(*) ADMITE-SE VARIAÇÃO DE UMA UNIDADE A MAIS QUE A INDICADA,QUANDO OS SOLOS FOREM: INTERMEDIÁRIOS (LATOSSÓLICOS, RÚBRICOS,etc), OU QUANDO OCORRER ENTRE OS HORIZONTES A E B DO MESMO PERFILNUMA DISTÂNCIA2.9 – Ordem dos Plintossolos – Aperfeiçoamento do conceito e definição da classe.2.8 – Ordem dos Planossolos – Modificações nos critérios, conceito e definição, em função daconstatação de solos sem mudança textural abrupta do A para o B, porém com transição abrupta emarcante linha de separação do horizonte A para o B e grande diferença de estrutura entre osreferidos horizontes. Solos deste tipo serão enquadrados como Planossolos.3 – MODIFICAÇÕES À NÍVEL DE SUBORDENS3.1 – Subordens dos Argissolos – A eliminação dos Alissolos implicou na criação de uma novasubordem, dos Argissolos Bruno-Acinzentados, que estavam englobados nos AlissolosHipocrômicos com horizonte B textural. Os Argissolos Bruno-Acinzentados são caracterizadospor apresentar a parte superior do horizonte B (inclusive BA) pouco mais escurecidas (brunoescuro ou bruno-acinzentado muito escuro), em relação ao horizontes inferiores (tipicamentepolicrômicos). O matiz do B (parte superior) é 5 YR ou mais amarelo, com valor 3 a 4 e cromaigual ou menor que 4, (exclusive Planossolos), espessura do “solum” normalmente entre 60 e100 cm. São solos com argila de atividade alta e caráter alítico.3.2 – Subordens dos Cambissolos – Modificações nas subordens, com a criação da classe dosCambissolos Flúvicos e extinção dos Cambissolos Hísticos. A justificativa para isto decorreu dagrande importância dos Cambissolos de várzea (Cambissolos Flúvicos), com regime hídricodistinto das demais subordens, além da grande importância para utilização agrícola. A extinçãoda classe dos Cambissolos Hísticos resultou da pequena expressão geográfica destes solos paranível de subordem, além da singeleza de subdivisões dos níveis subseqüentes. 4
  5. 5. 53.3 – Subordens dos Espodossolos - Nesta classe foi criada a subordem dos EspodossolosFerríluvico, para os solos com acumulação principal de ferro. Além disso foi mudada danomenclatura das subordens conforme segue: Espodossolo Ferrocárbico por EspodossoloFerrihúmilúvico. A mudança na nomenclatura foi necessária para distinguir os solos que temhorizonte A húmico por acumulação superficial de matéria orgânica, daqueles que temacumulação iluvial de carbono no horizonte B.3.4 – Subordens dos Latossolos – Nesta classe foi feita uma nova hierarquização dos LatossolosBrunos. Além disso foi feita uma revisão de cores para distinguir Latossolos Amarelos dosLatossolos Vermelho-Amarelos.3.5 – Subordens dos Luvissolos – Substituição da nomenclatura dos Luvissolos Hipocrômicospor Luvissolos Háplicos, em decorrência da inadequação da terminologia Hipocrômico com ascores usadas na definição da referida classe.3.6 – Subordens dos Nitossolos – Criação de nova subordem, dos Nitossolos Brunos,desmembrada dos Nitossolos Háplicos, com a devida estruturação da classe.3.7 – Subordens dos Organossolos – Extinção da subordem dos Organossolos Mésicos emdecorrência da impossibilidade de separação dos solos no campo. Reformulação da definição deOrganossolos Fólicos.3.8 – Subordens dos Planossolos – Extinção da subordem dos Planossolos Hidromórficos. Ajustificativa para isto é que os Planossolos são solos que ficam saturados com água durante partedo ano, sendo portanto solos com hidromorfismo temporário. Em decorrência deste aspecto,torna-se extremamente difícil separar, no campo, os solos mais hidromórficos daqueles commenor hidromorfismo.4 - PRINCIPAIS MODIFICAÇÕES A NÍVEL DE GRANDES GRUPOS Alguns grandes grupos novos foram estabelecidos e outros foram modificados. 5
  6. 6. 64.1 – Grande Grupo Alítico – Usado para solos que apresentam caráter alítico, ou seja, queapresentam no horizonte B ou C argila de atividade ≥ 20 cmol c/kg de argila, sem correção paracarbono, e alto conteúdo de alumínio extraível Al3+ ≥ 4 cmol/kg de solo), além de apresentarsaturação por alumínio ≥ 50% e/ou saturação por bases < 50%. Usado nas classes dos Argissolos,Nitossolos, Cambissolos, Planossolos, Plintossolos e Gleissolos. Os solos provenientes dosAlissolos (extintos) foram distribuídos principalmente dentre os Argissolos e, em menorproporção, dentre os Nitossolos.4.2 – Grande Grupo Alumínico – Neste grande grupo, existente anteriormente, foi feito umacréscimo na definição, quanto a atividade da argila, para distingui-lo do caráter alítico, conformesegue: refere-se aos solos que se encontram em estado dessaturado e caracterizado por atividadeda argila < 20 cmolc/kg de argila, sem correção para carbono, além de apresentar teor dealumínio extraível ≥ 4 cmolc/kg de solo e saturação por alumínio ≥ 50% e/ou saturação por bases< 50%, na maior parte dos horizontes B ou C. Usado das classes dos Argissolos, Nitossolos,Cambissolos, Planossolos, Plintossolos, Gleissolos e Latossolos.4.3 – Grandes Grupos Distrocoesos e Eutrocoesos-Estabelecidos para os solos coesos(Distróficos ou Eutróficos), nas subordens dos Argissolos Amarelos e Acinzentados e LatossolosAmarelos, que apresentam o caráter coeso, ou seja, solos que oferecem grande resistência apenetração da faca, muito duros a extremamente duros quando secos e normalmente friáveisquando úmidos. Uma amostra seca quando imersa em água, desmancha-se rapidamente.4.4 – Grande Grupo de solos com a argila de atividade alta e teores de ferro compreendidosentre 18% e 36%. Estabelecido para a subordem dos Cambissolos Háplicos. Ex: CambissolosHáplicos Ta Eutroférricos.4.5 – Estabelecimento dos grandes grupos da subordem dos EspodossolosFerrihumilúvicos. 6
  7. 7. 74.6 – Estabelecimento dos Grandes Grupos Acriférricos, Aluminoférricos e Distroférricos,para os Latossolos Brunos, que apresentam respectivamente caracteres ácrico, alumínico esaturação por bases baixa (< 50%) conjugados com teores de ferro entre 18% e 36%.4.7 – Grandes Grupos Eutro-úmbricos e Distro-úmbicos para os Neossolos Litólicos,Regossólicos e Quartzoarênicos, que possuem respectivamente saturação por bases alta (V ≥50%) e baixa (V < 50%), conjugada com horizonte A proeminente.4.8 – Grandes Grupos dos Cambissolos Háplicos. Parte destes grandes grupos foidesmembrada e inserida nos Cambissolos Flúvicos.4.9 – Grandes Grupos dos Nitossolos Brunos. Parte destes grandes grupos foi desmembrada einserida nos Nitossolos Brunos, cuja definição segue: matiz 4 YR ou mais amarelo no horizonteB, com os seguintes requisitos:- Valor (úmido) igual ou inferior a 4 nos primeiros 30cm do B;- Horizonte A húmico ou teores de carbono superiores a 1% dentro de 70cm da superfície do solo;- Alta capacidade de retração com a perda da umidade, evidenciada pelo fendilhamento acentuado nos cortes de estrada.4.10 – Grandes Grupos dos Organossolos Mésicos - Esta subordem foi extinta e, em decorrência disto, houve necessidade de redistribuir os grandes grupos nas duas classes que restaram.5 – PRINCIPAIS MODIFICAÇÕES À NÍVEL DE SUBGRUPOS5.1 – Estabelecimento de subgrupos para todos os novos grandes grupos criados durante arevisão do Sistema.5.2 – Acréscimo de novos subgrupos nos grandes grupos já existentes. Merecem ser destacadosos subgrupos úmbrico (para solos os que apresentam horizonte A proeminente) e lítico 7
  8. 8. 8fragmentário para os Neossolos Litólicos que apresentam contacto com rocha fragmentada comespaços entre os fragmentos que deixam passar várias raízes das plantas.5.3 – Redistribuição de subgrupos pertencentes aos grandes grupos das subordens (PlanossolosHidromórficos, Organossolos Mésicos, Cambissolos Hísticos) e da ordem Alissolos (extinta).5.4 – Estabelecimento de subgrupos para todos os grandes grupos das novas subordens.5.5 – Estabelecimento e redistribuição de subgrupos nos grandes grupos das subordensdesmembrados de outras, como nos Cambissolos Flúvicos, que estavam compreendidos nosCambissolos Háplicos.6 – DEFINIÇÃO DE NOVOS ATRIBUTOS E HORIZONTE DIAGNÓSTICO ACRESCIDOSAO SiBCS. Durante a revisão do SiBCS, verificou-se a necessidade de se estabelecer novos atributose horizonte diagnóstico, conforme segue.6.1 – Horizonte Concrecionário – Horizonte constituído de 50% ou mais, por volume, dematerial grosseiro com predomínio de petroplintita do tipo nódulos ou concreções de ferro ou deferro e alumínio, numa matriz terrosa de textura variada ou matriz de material mais grosseiro,identificado como horizonte Ac, Ec, Bc ou Cc. O horizonte concrecionário, para ser diagnóstico,deve apresentar no mínimo 30 cm de espessura. Critério derivado de FAO (1974) e Embrapa(1988).6.2 – Caráter Plíntico – Usado para distinguir solos que apresentam plintita em quantidade ouespessura insuficientes para caracterizar horizonte plíntico em um ou mais horizontes, em algumponto da seção de controle que defina a classe. O horizonte com caráter plíntico deve apresentarplintita em quantidade mínima de 5% por volume. 8
  9. 9. 96.3 – Caráter Concrecionário – Termo usado para definir solos que apresentam petroplintita naforma de nódulos ou concreções ferruginosas em um ou mais horizontes dentro da seção decontrole que defina a classe em quantidade e/ou espessura insuficientes para caracterizarhorizonte concrecionário.6.4 – Caráter Litoplíntico - Usado para definir solos que apresentam petroplintita na formacontínua e consolidada em um ou mais horizontes em algum ponto da seção de controle quedefina a classe, em quantidade e espessura insuficientes para caracterizar horizonte litoplíntico.6.5 – Caráter Argilúvico – Usado para distinguir solos que têm concentração de argila nohorizonte B, expressa por gradiente textural (B/A) igual ou maior que 1,4 e/ou iluviação de argilaevidenciada pela presença de cerosidade moderada ou forte e/ou presença no “sequum” dehorizonte E sobrejacente a horizonte B (não espódico), dentro da seção de controle que defina aclasse.6.6 – Caráter Plânico – Usado para distinguir solos intermediários com Planossolos, ou seja,com horizonte adensado e permeabilidade lenta ou muito lenta, cores acinzentadas ouescurecidas, neutras ou próximo delas, ou com mosqueados de redução que não satisfazem osrequisitos para horizonte plânico, exclusive horizonte com caráter plíntico.6.7 – Caráter Coeso – Usado para distinguir solos com horizontes pedogenéticos subsuperficiaisadensados, muito resistentes à penetração da faca e muito duros a extremamente duros quandosecos, passando a friáveis ou firmes quando úmidos. Uma amostra úmida quando submetida àcompreensão, deforma-se lentamente, ao contrário do fragipã, que apresenta quebradicidade(desintegração em fragmentos menores). Estes horizontes são de textura média, argilosa ou muitoargilosa e, em condições naturais, são geralmente maciços ou com tendência a formação deblocos. São comumente encontrados entre 30 cm e 70 cm da superfície do solo, podendo 9
  10. 10. 10prolongar-se até o Bw ou coincidir com o Bt, no todo ou em parte. Uma amostra de horizontecoeso, quando seco, desmancha-se ao ser imersa em água. Critério derivado de Jacomine (2001) eRibeiro (2001)6.8 – Caráter Dúrico – Utilizado para caracterizar horizontes com cimentação forte tais comoduripã e orstein e outros horizontes com cimentação forte que não se enquadrem na definição dehorizontes litoplíntico e petrocálcico. Não obstante, horizontes com cimentação forte em solosdos tabuleiros costeiros, que não se enquadram nas definições de duripã ou ortstein, devido àpredominância de agentes cimentantes aluminosos, são considerados como caráter dúrico (AraújoFilho, 2003).6.9 – Caráter Êutrico – Usado para distinguir solos que apresentam pH (em H2O) ≥ 5,7,conjugado com valor S (soma de bases) ≥ 2,0 cmol c/kg de solo dentro da seção de controle quedefina a classe.6.10 – Caráter Vértico – Presença de “ slickensides” (superfícies de fricção), fendas, ouestruturas cuneiforme e/ou paralepipédica, em quantidade e expressão insuficientes paracaracterizar horizonte vértico.6.11 – Caráter Rúbrico – Caráter utilizado para solos das subordens Latossolos Brunos eNitossolos Brunos, que apresentam em alguma parte da seção de controle, que defina a classe,cor úmida amassada com matizes mais vermelhos que 5 YR, valores em amostra úmida menoresque 4 e em amostra seca, apenas uma unidade a mais que estes.7 – MODIFICAÇÕES EM ALGUNS HORIZONTES DIAGNÓSTICOS7.1 – Horizonte A húmico – A maneira de calcular os valores de carbono orgânico paradiagnosticar o horizonte a húmico, foi modificada conforme os critérios apresentados a seguir. Trata-se de horizonte mineral superficial, com valor e croma (cor do solo úmido) igual ouinferior a 4 e saturação por bases (V%) inferior a 65%, apresentando espessura e conteúdo decarbono orgânico (C-org) dentro de limites específicos, conforme os seguintes critérios: 10
  11. 11. 11 • espessura mínima como a descrita para o horizonte A chernozêmico; • teor de carbono orgânico inferior ao limite mínimo para caracterizar o horizonte hístico; • teor total de carbono igual ou maior ao valor obtido pela seguinte equação: å (C-org, em g/kg, de suborizontes A1 x espessura do suborizonte, em dm) ≥ 60 + (0,1 x média ponderada de argila, em g/kg, do horizonte superficial, incluindo AB ou AC). Assim, deve-se proceder os seguintes cálculos para avaliar se o horizonte pode serqualificado como húmico. Inicialmente, multiplica-se o teor de carbono orgânico (g/kg) de cadasubhorizonte pela espessura do mesmo subhorizonte, em dm (C-org (g/kg) de cada subhorizonteA x espessura do mesmo subhorizonte (dm). O somatório dos produtos dos teores de C-org pelaespessura dos subhorizontes, doravante será denominado de C-org total do horizonte A, a qual éobtida multiplicando-se o teor de argila (g/kg) do subhorizonte pela espessura total do horizonteA, em dm (teor de argila dos subhorizontes A em g/kg x espessura dos mesmos subhorizontes emdm/espessura total do horizonte A em dm). O valor de C-org total requerido para um horizonte qualificar-se como húmico deve sermaior ou igual aos resultados obtidos pela seguinte equação: • C-org total ≥ 60 + ( 0,1 x média ponderada de argila do horizonte A)) Para facilitar a compreensão dos procedimentos matemáticos é apresentado, a seguir, umexemplo prático dos cálculos realizados em um horizonte A, descrito e coletado em campo.Subhori- Prof. C-org Argila Cálculo da média ponderada Cálculo do C-org totalzonte (cm) da argila _____g/kg____A1 0-31 20,6 200 200 x 3,1 dm/6,8dm = 91,18 20,6x3,1dm = 63,86A2 -53 10,6 230 230 x 2,2 dm/6,8dm = 74,41 10,6x2,2dm = 23,32AB -68 8,4 250 250 x 1,5 dm/6,8dm = 55,15 8,4x1,5dm = 12,60 Total = 220,74 Total = 99,78 Substituindo a média ponderada de argila na equação “ C-org total ≥ 60 + (0,1 x média ponderada de argila)”, tem-se: 11
  12. 12. 12 C-org ≥ 60 + (0,1 x 220,74) = 82,07. O valor de C-org total existente no horizonte A éde 99,78, portanto, maior que 82,07 (considerado como o mínimo requerido para que o horizonteseja enquadrado como A húmico) em função do teor médio ponderado de argila de 220,74 g/kg.Assim, o horizonte usado como exemplo é húmico. Critério conforme Carvalho et al. (2003).NOTA - Para solos que apresentam apenas um horizonte superficial, ou seja, não apresentamsuborizontes, o cálculo é efetuado considerando-se o teor de carbono desse horizonte multiplicado pelasua espessura. Procedimento semelhante deve ser seguido para cálculo da média ponderada de argila.7.2 – Horizonte B textural – As modificações realizadas no horizonte B textural estãorelacionadas com os subitens I, II e IV do ítem “ i “, no que diz respeito à textura conjugada comestrutura e cerosidade, conforme SiBCS (1999).i – quando o incremento de argila total do horizonte A para o B for inferior ao especificado noitem “ h”, o horizonte B textural deve satisfazer a uma das seguintes condições:I – Solos de textura média ou arenosa/média, com ausência de macroagregados, devem apresentarargila iluvial, representada por cerosidade no mínimo moderada sob forma de revestimentos nosgrãos individuais de areia, orientada de acordo com a superfície dos mesmos ou formando pontesligando os grãos;II – Solos de textura média com estrutura em blocos ou prismática, fraca, moderada ou forte,devem apresentar cerosidade moderada sobre os agregados, em um ou mais horizontes.III – Solos de textura argilosa ou muito argilosa com estrutura prismática ou em blocos,moderada ou forte devem apresentar cerosidade no mínimo comum e moderada em um ou maissubhorizontes.IV – Solos com gradiente textural igual ou maior que 1,4, conjugado com presença de fragipãdentro de 200 cm da superfície, desde que não satisfaça os requisitos de B espódico. 12
  13. 13. 137.3 – Horizonte B nítico – Horizonte mineral subsuperficial, não hidromórfico, de texturaargilosa ou muito argilosa, sem incremento de argila do horizonte A para o B ou com pequenoincremento, porém com gradiente textural inferior a 1,5. Apresentam atividade da argila baixa ou≥ 20 cmolc/kg de argila, conjugada com caráter alítico e estrutura em blocos moderada ou forte,com superfícies reluzentes ou pouco reluzentes dos agregados, características estas descritas nocampo como cerosidade, no mínimo comum e moderada. Frequentemente ocorre estruturaprismática composta de blocos. Apresentam transição gradual ou difusa entre os subhorizontes doB. Este horizonte pode ser encontrado à superfície se o solo foi erodido.7.4 – Horizonte B espódico – A definição de horizonte B espódico foi revista em função de umamelhoria nas definições dos diversos tipos de horizonte B espódicos, ou seja, Bh, Bs e Bhs comou sem cimenação. Quando cimentados (Bsm, Bhsm ou Bhm), são denominados “ ortsteins” .Outro horizonte que pode ocorrer associado aos B espódicos, tem a denominação de horizonteplácico, que significa um fino pã cimentado. Os vários B espódicos consistem de horizontes minerais subsuperficiais, com espessuramínima de 2,5cm, que apresentam acumulação iluvial de matéria orgânica (Bh), associada acomplexos de sílica – alumínio ou húmus alumínio, podendo ou não conter ferro, ou acumulaçãoapenas de ferro (Bs), com pouca evidência de matéria orgânica iluvial. Alguns horizontesespódicos podem apresentar forte cimentação. Diversas combinações entre estes horizontespodem ocorrer ao longo do perfil. O horizontes Bh, apresenta expressiva acumulação de complexos matéria orgânica –alumínio, com pouca ou nenhuma evidencia de ferro iluvial. As cores destes horizontes sãoescuras (até pretas) com valores normalmente inferiores a 4 e cromas menores 3. Os horizontesBs, que possuem compostos de ferro dominantes ou co-dominantes, com pouca evidencia dematéria orgânica, essencialmente são identificados pelas cores vivas de cromas altos, exceto porpadrões descontínuos na transição entre os horizontes A ou E para o B espódico. Em geral oshorizontes Bs tem matizes 5 YR, 7,5 YR ou 10 YR, valor 4 ou 5 (no máximo 6) e cromas 4 a 8.Bhs – Identificado pela iluviação expressiva de ferro e matéria orgânica,sendo os compostos deferro e matéria orgânica distribuídos em faixas, ou como mosqueados, ou aglomerados, ouformando padrões heterogêneos dos compostos iluviais de ferro, alumínio e matéria orgânica. 13
  14. 14. 14Horizontes Bhs contém quantidades significativas de ferro e alumínio extraíveis por oxalato. Deum modo geral, os horizontes Bhs tem matizes 2,5 YR a 10 YR, valor/croma de 3/4, 3/6, 4/3 ou4/4. Critérios derivados de: Estados Unidos, 1998 e Isbell, R.F. (1998)NOTA: O estabelecimento de parâmetros com base nos resultados do ataque sulfúrico, vaidepender de estudos de correlação entre o referido método e outros mais adequados paraextração de ferro dos Espodossolos. CONCLUSÃO SEGUEM AS CLASSES DE 1999 E A NOVA VERSÃO DE 2005 DO SiBCS EMBRAPA 1999 EMBRAPA 2005ALISSOLOS CLASSE EXTINTA A. CROMICOS A HIPOCRÔMICOSARGISSOLOS ARGISSOLOS A ACINZENTADOS A. BRUNO-ACINZENTADOS A AMARELOS A ACINZENTADOS A VERMELHOS A AMARELOS A VERMELHO-AMARELOS A VERMELHOS A VERMELHO-AMARELOSCAMBISSOLOS CAMBISSOLOS C. HÍSTICOS C. HÍSTICOS C. HÚMICOS C. HÚMICOS C. FLÚVICOS C. HÁPLICOS C. HÁPLICOSCHERNOSSOLOS CHERNOSSOLOS C. RÊNDIZICOS C. RÊNDIZICOS C. EBÂNICOS C. EBÂNICOS C. ARGILÚVICOS C. ARGILÚVICOS C. HÁPLICOS C. HÁPLICOSESPODOSSOLOS ESPODOSSOLOS E. CÁRBICOS E. HUMILÚVICOS E. FERROCÁRBICOS E. FERRIHUMILÚVICOS E. FERRILÚVICOSGLEISSOLOS GLEISSOLOS G. TIOMÓRFICOS G. TIOMÓRFICOS G. SÁLICOS G. SÁLICOS G. MELÂNICOS G. MELÂNICOS G. HÁPLICOS G. HÁPLICOS 14
  15. 15. 15LATOSSOLOS LATOSSOLOS L. BRUNOS L. BRUNOS L. ACINZENTADOS L. ACINZENTADOS L. AMARELOS L. AMARELOS L. VERMELHOS L. VERMELHOS L. VERMELHO-AMARELOS L. VERMELHO-AMARELOSLUVISSOLOS LUVISSOLOS L. CRÔMICO L. CRÔMICO L HIPOCRÔMICOS L HÁPLICOSPLANOSSOLOS PLANOSSOLOS P. NÁTRICOS P. NÁTRICOS P. HIDROMÓRFICOS P. HÁPLICOS P. HÁPLICOSPLINTOSSOLOS PLINTOSSOLOS P. PÉTRICOS P. PÉTRICOS P. ARGILÚVICOS P. ARGILÚVICOS P. HÁPLICOS P. HÁPLICOSVERTISSOLOS VERTISSOLOS V. HIDROMÓRFICOS V. HIDROMÓRFICOS V. EBÂNICOS V. EBÂNICOS V. CROMADOS V. CROMADOS14 ORDENS 13 ORDENS 44 SUBORDENS 44 SUBORDENSREFERÊNCIASARAÚJO FILHO, J. C. – Horizontes cimentados em Argissolos e Espodossolos dos Tabuleiros Costeiros e em Neossolos Regolíticos e Planossolos da Depressão Sertaneja do Nordeste do Brasil. Universidade de São Paulo. Instituto de Geociências da USP – SP, 2003, 233p. (Tese de Doutoramento).CARVALHO, A. P. S. FASOLO, P. J. Nova maneira de calcular o carbono orgânico para determinação do horizonte A húmico. Comunicado ao Comitê Executivo de Classificação de Solos. EMBRAPA-CNPS-Rio de Janeiro, 2003.EMBRAPA, Centro Nacional de Pesquisa de Solo (Rio de Janeiro, RJ). Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Rio de Janeiro, 1999, 412p. 15
  16. 16. 16EMBRAPA, Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Sistema Brasileiro de Classificação de Solos: 3ª Aproximação, Rio de Janeiro, 1988, 105p.EMBRAPA, Centro Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Reuniões do Comitê Executivo de Classificação de Solos. Rio de Janeiro, 2000, 1001 e 2002.ESTADOS UNIDOS, Department of Agricultura. Soil Survey Division. Soil Conservation Service. Soil Survey Staff. Soil Taxonomy: a basic system of soil classification for making and interpreting soil surveys. Washington 1975. 754p. (USDA. Agriculture Handbook, 436).ESTADOS UNIDOS. Department of Agriculture. Natural Resources Conservation Service. Soil Survey Staff. Keys to Soil Taxonomy 8. ed. Washington, 1998. 326p.FAO (Roma, Itália). Soil map of the world. 1:5.000.000. Paris: UNESCO, 1974. v.1.ISBELL, R.F. The Australian Soil Classification. CSIRO, Australia, 1998. 143p. ISBN.JACOMINE, P.K.J. Evolução do conhecimento sobre solos coesos no Brasil In: Workshop: Coesão em Solos dos Tabuleiros Costeiros. Anais-EMBRAPA/Tabuleiros Costeiros – Aracaju-SE. 2001: pág. 19 a 46.RIBEIRO, M. R. Caracterização morfológica dos horizontes coesos dos solos dos tabuleiros costeiros. Anais – EMBRAPA/Tabuleiros Costeiros. Aracaju-SE, 2001. pág. 165-168.THORP, J; SMITH, G. D. Higher categories for soil classification. Soil Science, Baltimore v. 67, p. 117-126. 1949. 16

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