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O TEXTO DISSERTATIVO NO ENSINO
MÉDIO:
o argumento contra a cópia.
Hélia Coelho Mello Cunha
Aprender a pensar
“Aprender a escrever é aprender a pensar. (...)
quando o estudante tem algo a dizer, porque
pensou, e pensou com clareza, sua expressão é
geralmente satisfatória. (...) palavras não criam
ideias(...). Escreve realmente mal aquele que não
tem o que dizer porque não aprendeu a pôr em
ordem o seu pensamento , e porque não tem o que
dizer, não lhe bastam as regrinhas gramaticais, nem
mesmo o melhor vocabulário de que possa dispor”.
(Garcia : 2000,301).
Ensino de argumentação nas escolas
brasileiras da atualidade :
• No lugar dos termos que caracterizam ao
menos a tradição greco-cristã-cartesiana como
'hipótese', 'indução', 'dedução', 'silogismo',
'falácia', 'sofisma', 'dialética', vemos apenas a
paupérrima subdivisão dos modos de escrever
em 'descrição-narração-dissertação', ao lado,
é claro, de algumas 'orações subordinadas
substantivas objetivas indiretas reduzidas de
gerúndio‘”. (BERNARDO: 2000, p. 12).
Texto dissertativo argumentativo:
• Planejamento
• Estrutura
• Argumentação
• Falácias e Sofismas.
DISSERTAÇÃO NÃO É PSICOGRAFIA.
É PRECISO PLANEJAR.
• TEMA
• DELIMITAÇÕES DO TEMA
• TEMA DELIMITADO
• PROBLEMA
• HIPÓTESES
• TESE
• ARGUMENTOS
PLANEJAMENTO
TEMA
 Violência urbana (prática de atos violentos por
menores) no Brasil atualmente.
DELIMITAÇÕES DO TEMA
• Causas da violência.
• Responsáveis pela violência.
• Soluções para diminuição da violência.
PLANEJAMENTO
TEMA DELIMITADO
 Causas da violência urbana (prática de atos
violentos por menores) no Brasil atualmente.
PROBLEMA
 Por que, cada vez mais, aumenta o número de
jovens , menores de idade , na prática de atos
violentos nos grandes centros urbanos do
Brasil atualmente?
PLANEJAMENTO
HIPÓTESES
 A falta de planejamento do governo para
repressão ao crime.
 A falta de planejamento do governo para oferecer
educação e saúde à população carente.
 Desigualdade econômica- má distribuição de
renda.
 Tráfico ilícito de entorpecente.
 Má remuneração dos policiais militar e civil.
 Desemprego.
 Desestruturação familiar.
 O próprio espaço urbano.
 Disseminação das armas de fogo.
PLANEJAMENTO
TESE
 Cada vez mais, aumenta o número de jovens
praticantes de atos violentos nos grandes
centros urbanos do Brasil devido ao próprio
espaço urbano onde estes jovens nascem e
desenvolvem sua personalidade.
PLANEJAMENTO
 ARGUMENTOS
 A falta de condições de uma vida digna, com melhores
condições de moradia, em áreas em que a infraestrutura
urbana de equipamentos e serviços (saneamento básico,
sistema viário, energia elétrica e iluminação pública,
transporte, lazer, equipamentos culturais, segurança
pública e acesso à justiça) é precária ou insuficiente pode
fazer com que muitos jovens se revoltem contra esta
situação e percorram caminhos ilegais e criminosos.
 A privação da educação familiar e escolar nestas áreas é
comum.
 Os adolescentes caminham lado a lado com a
criminalidade, desde que nascem e a influência de
criminosos pode levá-los à prática de atos semelhantes.
Auditório
• Auditório é o termo usado por Perelman
(1996) para definir o conjunto daqueles a
quem o falante deseja influenciar por sua
argumentação. Para ele, ela só tem sentido se
for estabelecido um contato entre as mentes
do emissor e seu auditório. Toda a
argumentação deve ser planejada e se dirigir a
um auditório.
ESTRUTURA - ARISTÓTELES
• Exórdio – serve para tornar o auditório receptivo
à atuação do orador e fornecer uma introdução
geral ao discurso, tornando claro seu propósito.
• Provas (argumentação)- meios ou recursos
persuasivos de que se vale o orador para
convencer , persuadir o auditório.
• Epílogo - tem por objetivos deixar o auditório a
nosso favor e contra o opositor; amplificar ou
atenuar o que foi dito; estimular as paixões do
auditório; fazer uma recapitulação breve dos
pontos principais do discurso.
ESTRUTURA IDEAL
INTRODUÇÃO:
• “Começo do começo”- pretexto- situação inicial
criativa.
• “Fim do começo”- apresentação do tema e/ou tese.
DESENVOLVIMENTO:
• Argumentação.
CONCLUSÃO:
• “Começo do fim”- síntese da argumentação/
explicitação da tese.
• “Fim do fim”- retomada do pretexto.
COSTA, Wellington Borges. Concluindo a introdução. Revista Discutindo Língua Portuguesa, v.1, n. 4, p.38-39.
INTRODUÇÃO
 Objetivo: assegurar a comunhão do auditório.
• Apresentação de dados estatísticos.
• Narração de fato real ou ficcional.
• Uma interrogação ou uma sequência de interrogações a serem
respondidas no desenvolvimento do texto.
• Contestação de definições, citações ou opiniões.
• Comparação social, histórica, geograficamente de fatos, ações
humanas, ideologias.
• Comparação social, geográfica ou histórica de nações, ações,
acontecimentos, circunstâncias.
• Descrição de cena cotidiana ou literária.
• Definição de palavra-chave do tema.
• Citação de declaração de autoridade no assunto.
• Alusão a filme, peça teatral, obra literária.
• Omissão de dados.
DESENVOLVIMENTO
Os objetivos do desenvolvimento são
provocar ou aumentar a adesão dos espíritos
às teses que se apresentam a seu assentimento:
uma argumentação eficaz é a que consegue
aumentar essa intensidade de adesão , de forma
que se desencadeie nos ouvintes a ação pretendida
(ação positiva ou abstenção) ou, pelo menos, crie
neles uma disposição para a ação, que se
manifestará no momento oportuno.
Perelman (1996:50)
PERSUADIR ("TRIA OFFICIA“-CÍCERO)
• Convencer ("cum” + “vincere" = vencer o opositor com
sua participação) denota persuadir a mente através de
PROVAS LÓGICAS: indutivas ou dedutivas. Assemelha-
se ao “docere” (ensinar), que é a tentativa de
persuasão partidária no domínio intelectual.
• Comover (“cum” + “movere”) é persuadir através do
CORAÇÃO. Pela excitação da AFETIVIDADE, a vontade
arrasta o intelecto a aderir ao ponto de vista do orador.
• Agradar corresponde na terminologia latina a "placere"
(agradar) e “delectare” (deleitar); é a persuasão no
domínio ESTÉTICO.
PERSUADIR
CONVENCER COMOVER/ AGRADAR
Conduz a certezas. Suscita inferências que podem levar o
auditório à adesão aos argumentos
apresentados.
Razão. Emoção. Dirige-se à vontade, ao
sentimento do auditório
Raciocínio lógico. Argumentos, legítimos e não legítimos,
com o propósito de se conseguir que
outros indivíduos adotem certas linhas de
conduta, teorias ou crenças.
Provas objetivas. Argumentos plausíveis ou verossímeis,
isto é, semelhantes à verdade.
MEIOS DE PERSUASÃO-ARISTÓTELES:
Não técnicos.
Técnicos:
• derivados da imagem que o auditório tem do orador,
que empresta sua credibilidade à causa causando boa
impressão pela forma como constrói o discurso , pela,
escolha de palavras, argumentos, tom de voz, gestos,
olhar, aparência,postura,etc. (ethos);
• aqueles em que o orador procura lidar com as
emoções do auditório e, por isso, o discurso causa
paixão (pathos);
• derivados da razão do discurso, do que ele demonstra
ou parece demonstrar (logos).
TRIÂNGULO DA RETÓRICA ANTIGA
(Charles Gilbert- mestre de escrita de neto de Luis XV na França-séc XVIII)
LOGOS
(ARGUMENTOS - INSTRUEM)
PATHOS
(PAIXÕES-COMOVEM)
ETHOS
(CONDUTAS/ INSINUAM)
O QUE É UM ARGUMENTO?
• “Argumentos são tentativas de sustentar certos
pontos de vista com razões”. (Weston,1996:13)
• “Um bom argumento não se limita a repetir
conclusões. Em vez disso, oferece razões e dados
suficientes para que as outras pessoas possam
formar a sua própria opinião”. (Id., 15)
• Fatos – justificativas ≠ Opiniões- argumentos
CRITÉRIOS FUNDAMENTAIS PARA CONSTRUÇÃO
DE BONS ARGUMENTOS
ACEITABILIDADE
SUFICIÊNCIA
RELEVÂNCIA
IRREFUTABILIDADE
TIPOS DE ARGUMENTOS
• Segundo Fiorin (1997:53), “a argumentação
consiste no conjunto de procedimentos
lingüísticos e lógicos utilizados pelo
enunciador para convencer o enunciatário” e
“o falante organiza sua estratégia discursiva
em função de um jogo de imagens: a imagem
que ele faz do interlocutor, a que ele pensa
que o interlocutor tem dele, a que ele deseja
transmitir ao interlocutor” (id,1998:18).
Argumentação por Exemplos
• Pretendem generalizar, estabelecendo uma regra a
partir de um caso concreto.
• Servem para provar, fundamentar a regra.
• Há dois tipos de exemplos: os casos realmente
sucedidos e os inventados (parábolas, fábulas,
provérbios, máximas ).
• Devemos usar mais que um exemplo (suficiência).
• Os exemplos têm que ser representativos (relevância).
• Devemos apresentar “informação de fundo”
(Weston,1996)
• Cuidado com os contraexemplos!
Argumentação por Ilustrações
• Procuram reforçar a adesão à crença numa
regra já estabelecida, já conhecida e aceita.
• Servem para enunciar uma afirmação geral e
dar exemplos com a finalidade de comprová-
la, tornando-a mais presente e clara.
Argumentação por Modelo:
• Propõe-se a sua imitação.
• “O valor da pessoa, previamente reconhecida,
constitui a premissa de onde se tirará uma
conclusão, preconizando um comportamento
particular”. (Perelman, 1999:14).
• Há também o antimodelo e cabe ao orador,
pensando no auditório, escolher entre os dois
tipos de argumentos.
Argumentação por Comparação:
• Aborda semelhanças e/ou diferenças entre dois
objetos apresentados.
• Possibilita ao sujeito do discurso apresentar os
objetos comparados de acordo com sua
preferência e suas intenções persuasivas.
• Consiste em confrontar duas verdades e concluir
sobre a relação que existe entre elas.
• Por ser subjetiva, a comparação tende sempre a
modificar um estado de coisas pré-existentes e
“se presta muito mais a servir de argumentos a
favor de um raciocínio do emissor, do que
propriamente de uma informação objetiva sobre
os fatos da realidade”. (Pauliukonis ,1996:48)
Argumentação por Analogia:
• Estabelece comparações entre situações
semelhantes.
• É fundamental que as semelhanças entre as
situações sejam muito mais relevantes, muito
mais importantes que as diferenças.
Argumentação por enumeração/estatística
• O que se tem verificado com os elementos do
conjunto observado deve, por comparação,
por semelhança, verificar-se também com
todos os elementos do conjunto.
• Devemos apresentar “informação de fundo”.
• Quais são os perigos de concluir e pensar por
estatística?
a generalização ser feita a partir de amostra
insuficiente de dados.
a tendenciosidade da estatística.
Argumento de Autoridade
• A autoridade invocada, além de “autoridade no
assunto em questão”, deve ser reconhecidamente
digna de confiança.
• Deve haver adequação entre o tipo de autoridade
invocada e o contexto de criação do argumento, a fim
de não ocorrer transferência indevida de campo de
competência.
• Não se deve esquecer que as autoridades também
podem errar, a conclusão desse argumento, como a de
todos os argumentos indutivos, é mais ou menos
provavelmente verdadeira.
• Evitar utilização demasiada.
O argumento contra o homem
• Utilizado para demonstrar a falsidade de uma
conclusão exatamente porque determinada
fonte a afirma.
• Para se usar o argumento contra o homem, é
necessário que a pessoa ou entidade invocada
seja reconhecidamente equivocada no
assunto em questão.
• Quem utiliza este argumento deve ser
autoridade no assunto.
Argumentação pelo raciocínio de causa
• Chamamos de causas, os fundamentos, as
justificativas de nossa opinião.
• O argumento deve explicar como a causa
conduz ao efeito.
• Cuidado para não apresentar como causas
fatos associados que não estão
necessariamente relacionados aos efeitos.
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Argumentação pelo raciocínio de
consequência
• São as decorrências, os desdobramentos da
opinião, do ponto de vista que defendemos.
Silogismo Hipotético (condicional)
Se p, então q.
Se q, então r.
Logo, se p, então r.
• É um argumento dedutivo, lembra a estrutura de um
argumento lógico, mas suas conclusões não são
logicamente necessárias e aceitáveis.
Ex: Tudo o que comemos ou mata ou engorda
Comer alface não mata.
Portanto, comer alface engorda.
• Partimos de uma premissa formada por uma condição
que levará necessariamente à conclusão que queremos
demonstrar.
• É recomendável demonstrar cada uma das condições.
Silogismo Modus Ponens
Se p, então q.
p.
Logo,q.
Se existem milhões de planetas habitáveis na
nossa galáxia, então parece provável que a vida
se tenha desenvolvido em mais de um planeta.
Existem milhões de planetas habitáveis na
nossa galáxia.
Logo, parece que a vida tenha evoluído em
mais de um planeta.
(Weston, 1996:71)
Silogismo Modus Tollens
Se p,então q.
Não –q.
Logo, não p.
Se Joana estivesse em casa, telefonaria.
Joana não telefonou.
Logo, Joana não estava em casa.
Silogismo Disjuntivo
p ou q
Não –p.
Logo , q.
Ou temos esperança no progresso através do
aperfeiçoamento da moral, ou temos esperança no
progresso através do aperfeiçoamento da
inteligência. Não podemos ter esperança no
progresso através do aperfeiçoamento da moral;
logo, temos de ter esperança no progresso através
do aperfeiçoamento da inteligência.
(Weston, 1996:75)
Dilema
p ou q.
Se p, então r.
Se q, então s.
Logo, r ou s.
Há um dilema que qualquer oposição a uma
iniquidade bem sucedida tem, pela natureza das
coisas, de enfrentar. Se nada fazemos, somos
considerados cúmplices na medida em que
concordamos em silêncio. Se resistimos, somos
acusados de provocar novos excessos. A conduta de
quem perde nunca parece correta (ou é acusada de
provocar novos excessos ou é considerada
cúmplice).(Edmund Burke)
(Weston, 1996:77)
Demonstração pelo absurdo
• Esse processo dedutivo é conhecido em
matemática como “demonstração indireta”.
• Para provarmos que A é verdadeiro, admitimos
que A é falso; a partir daí, deduzimos uma
conclusão falsa. Uma vez que nossa premissa é
falsa: é falso que A seja falso. Portanto, A é
verdadeiro.
• Refutamos uma posição (que é exatamente o
contrário do que queremos provar), mostrando
que ela conduz necessariamente a condições
inaceitáveis.
RECURSOS RETÓRICOS
Enquanto os argumentos correspondem ao
logos da argumentação, os recursos retóricos
seduzem o leitor pelo pathos (prazer), servindo
para tornar o argumento aceito.
Reboul (1998:114) diz que “se o argumento é o
prego, a figura é o modo de pregá-lo”.
RECURSOS RETÓRICOS
• TÍTULO
• SELEÇÃO LEXICAL
• OPERADORES ARGUMENTATIVOS
• TEMPOS VERBAIS
• INDICADORES MODAIS
• NÍVEL DE LINGUAGEM
• IMPLÍCITOS
• PRESSUPOSTOS
• FIGURAS RETÓRICAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• ARISTÓTELES. Retórica. Tradução Edson Bini. São Paulo: EDIPRO, 2011.
• BERNARDO, Gustavo com a colaboração de Gisele de Carvalho. Educação
pelo Argumento. Rio de Janeiro: Editora Rocco Ltda, 2000
• COSTA, Wellington Borges. Concluindo a introdução. Revista Discutindo
Língua Portuguesa, v.1, n. 4, p.38-39.
• FIORIN, José Luiz. Elementos de Análise do Discurso. 6. ed. São Paulo:
Contexto, 1997. (Repensando a Língua Portuguesa).
• GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em Prosa Moderna. 19ª. ed. Rio de
Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 2000.
• PAULIUKONIS, Maria Aparecida Lino. Comparação e Argumentação. Duas
noções complementares. In SANTOS, Leonor Werneck dos (org.) Discurso,
coesão e argumentação. Rio de Janeiro: Oficina do Autor, 1996, p. 48-56.
• PERELMAN, Chaïm. & OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da
Argumentação - A Nova Retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
• REBOUL, Olivier. Introdução à Retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
• WESTON, Anthony. A arte de argumentar Trad. Desidério Murcho.
Portugal, Lisboa: Gradiva, 1996.
CONTATO
Hélia Coelho Mello Cunha
heliacoelho14@gmail.com
hcunha@iff.edu.br
Facebook: LINGUA AFI(N)ADA

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  • 1. O TEXTO DISSERTATIVO NO ENSINO MÉDIO: o argumento contra a cópia. Hélia Coelho Mello Cunha
  • 2. Aprender a pensar “Aprender a escrever é aprender a pensar. (...) quando o estudante tem algo a dizer, porque pensou, e pensou com clareza, sua expressão é geralmente satisfatória. (...) palavras não criam ideias(...). Escreve realmente mal aquele que não tem o que dizer porque não aprendeu a pôr em ordem o seu pensamento , e porque não tem o que dizer, não lhe bastam as regrinhas gramaticais, nem mesmo o melhor vocabulário de que possa dispor”. (Garcia : 2000,301).
  • 3. Ensino de argumentação nas escolas brasileiras da atualidade : • No lugar dos termos que caracterizam ao menos a tradição greco-cristã-cartesiana como 'hipótese', 'indução', 'dedução', 'silogismo', 'falácia', 'sofisma', 'dialética', vemos apenas a paupérrima subdivisão dos modos de escrever em 'descrição-narração-dissertação', ao lado, é claro, de algumas 'orações subordinadas substantivas objetivas indiretas reduzidas de gerúndio‘”. (BERNARDO: 2000, p. 12).
  • 4. Texto dissertativo argumentativo: • Planejamento • Estrutura • Argumentação • Falácias e Sofismas.
  • 5. DISSERTAÇÃO NÃO É PSICOGRAFIA. É PRECISO PLANEJAR. • TEMA • DELIMITAÇÕES DO TEMA • TEMA DELIMITADO • PROBLEMA • HIPÓTESES • TESE • ARGUMENTOS
  • 6. PLANEJAMENTO TEMA  Violência urbana (prática de atos violentos por menores) no Brasil atualmente. DELIMITAÇÕES DO TEMA • Causas da violência. • Responsáveis pela violência. • Soluções para diminuição da violência.
  • 7. PLANEJAMENTO TEMA DELIMITADO  Causas da violência urbana (prática de atos violentos por menores) no Brasil atualmente. PROBLEMA  Por que, cada vez mais, aumenta o número de jovens , menores de idade , na prática de atos violentos nos grandes centros urbanos do Brasil atualmente?
  • 8. PLANEJAMENTO HIPÓTESES  A falta de planejamento do governo para repressão ao crime.  A falta de planejamento do governo para oferecer educação e saúde à população carente.  Desigualdade econômica- má distribuição de renda.  Tráfico ilícito de entorpecente.  Má remuneração dos policiais militar e civil.  Desemprego.  Desestruturação familiar.  O próprio espaço urbano.  Disseminação das armas de fogo.
  • 9. PLANEJAMENTO TESE  Cada vez mais, aumenta o número de jovens praticantes de atos violentos nos grandes centros urbanos do Brasil devido ao próprio espaço urbano onde estes jovens nascem e desenvolvem sua personalidade.
  • 10. PLANEJAMENTO  ARGUMENTOS  A falta de condições de uma vida digna, com melhores condições de moradia, em áreas em que a infraestrutura urbana de equipamentos e serviços (saneamento básico, sistema viário, energia elétrica e iluminação pública, transporte, lazer, equipamentos culturais, segurança pública e acesso à justiça) é precária ou insuficiente pode fazer com que muitos jovens se revoltem contra esta situação e percorram caminhos ilegais e criminosos.  A privação da educação familiar e escolar nestas áreas é comum.  Os adolescentes caminham lado a lado com a criminalidade, desde que nascem e a influência de criminosos pode levá-los à prática de atos semelhantes.
  • 11. Auditório • Auditório é o termo usado por Perelman (1996) para definir o conjunto daqueles a quem o falante deseja influenciar por sua argumentação. Para ele, ela só tem sentido se for estabelecido um contato entre as mentes do emissor e seu auditório. Toda a argumentação deve ser planejada e se dirigir a um auditório.
  • 12. ESTRUTURA - ARISTÓTELES • Exórdio – serve para tornar o auditório receptivo à atuação do orador e fornecer uma introdução geral ao discurso, tornando claro seu propósito. • Provas (argumentação)- meios ou recursos persuasivos de que se vale o orador para convencer , persuadir o auditório. • Epílogo - tem por objetivos deixar o auditório a nosso favor e contra o opositor; amplificar ou atenuar o que foi dito; estimular as paixões do auditório; fazer uma recapitulação breve dos pontos principais do discurso.
  • 13. ESTRUTURA IDEAL INTRODUÇÃO: • “Começo do começo”- pretexto- situação inicial criativa. • “Fim do começo”- apresentação do tema e/ou tese. DESENVOLVIMENTO: • Argumentação. CONCLUSÃO: • “Começo do fim”- síntese da argumentação/ explicitação da tese. • “Fim do fim”- retomada do pretexto. COSTA, Wellington Borges. Concluindo a introdução. Revista Discutindo Língua Portuguesa, v.1, n. 4, p.38-39.
  • 14. INTRODUÇÃO  Objetivo: assegurar a comunhão do auditório. • Apresentação de dados estatísticos. • Narração de fato real ou ficcional. • Uma interrogação ou uma sequência de interrogações a serem respondidas no desenvolvimento do texto. • Contestação de definições, citações ou opiniões. • Comparação social, histórica, geograficamente de fatos, ações humanas, ideologias. • Comparação social, geográfica ou histórica de nações, ações, acontecimentos, circunstâncias. • Descrição de cena cotidiana ou literária. • Definição de palavra-chave do tema. • Citação de declaração de autoridade no assunto. • Alusão a filme, peça teatral, obra literária. • Omissão de dados.
  • 15. DESENVOLVIMENTO Os objetivos do desenvolvimento são provocar ou aumentar a adesão dos espíritos às teses que se apresentam a seu assentimento: uma argumentação eficaz é a que consegue aumentar essa intensidade de adesão , de forma que se desencadeie nos ouvintes a ação pretendida (ação positiva ou abstenção) ou, pelo menos, crie neles uma disposição para a ação, que se manifestará no momento oportuno. Perelman (1996:50)
  • 16. PERSUADIR ("TRIA OFFICIA“-CÍCERO) • Convencer ("cum” + “vincere" = vencer o opositor com sua participação) denota persuadir a mente através de PROVAS LÓGICAS: indutivas ou dedutivas. Assemelha- se ao “docere” (ensinar), que é a tentativa de persuasão partidária no domínio intelectual. • Comover (“cum” + “movere”) é persuadir através do CORAÇÃO. Pela excitação da AFETIVIDADE, a vontade arrasta o intelecto a aderir ao ponto de vista do orador. • Agradar corresponde na terminologia latina a "placere" (agradar) e “delectare” (deleitar); é a persuasão no domínio ESTÉTICO.
  • 17. PERSUADIR CONVENCER COMOVER/ AGRADAR Conduz a certezas. Suscita inferências que podem levar o auditório à adesão aos argumentos apresentados. Razão. Emoção. Dirige-se à vontade, ao sentimento do auditório Raciocínio lógico. Argumentos, legítimos e não legítimos, com o propósito de se conseguir que outros indivíduos adotem certas linhas de conduta, teorias ou crenças. Provas objetivas. Argumentos plausíveis ou verossímeis, isto é, semelhantes à verdade.
  • 18. MEIOS DE PERSUASÃO-ARISTÓTELES: Não técnicos. Técnicos: • derivados da imagem que o auditório tem do orador, que empresta sua credibilidade à causa causando boa impressão pela forma como constrói o discurso , pela, escolha de palavras, argumentos, tom de voz, gestos, olhar, aparência,postura,etc. (ethos); • aqueles em que o orador procura lidar com as emoções do auditório e, por isso, o discurso causa paixão (pathos); • derivados da razão do discurso, do que ele demonstra ou parece demonstrar (logos).
  • 19. TRIÂNGULO DA RETÓRICA ANTIGA (Charles Gilbert- mestre de escrita de neto de Luis XV na França-séc XVIII) LOGOS (ARGUMENTOS - INSTRUEM) PATHOS (PAIXÕES-COMOVEM) ETHOS (CONDUTAS/ INSINUAM)
  • 20. O QUE É UM ARGUMENTO? • “Argumentos são tentativas de sustentar certos pontos de vista com razões”. (Weston,1996:13) • “Um bom argumento não se limita a repetir conclusões. Em vez disso, oferece razões e dados suficientes para que as outras pessoas possam formar a sua própria opinião”. (Id., 15) • Fatos – justificativas ≠ Opiniões- argumentos
  • 21. CRITÉRIOS FUNDAMENTAIS PARA CONSTRUÇÃO DE BONS ARGUMENTOS ACEITABILIDADE SUFICIÊNCIA RELEVÂNCIA IRREFUTABILIDADE
  • 22. TIPOS DE ARGUMENTOS • Segundo Fiorin (1997:53), “a argumentação consiste no conjunto de procedimentos lingüísticos e lógicos utilizados pelo enunciador para convencer o enunciatário” e “o falante organiza sua estratégia discursiva em função de um jogo de imagens: a imagem que ele faz do interlocutor, a que ele pensa que o interlocutor tem dele, a que ele deseja transmitir ao interlocutor” (id,1998:18).
  • 23. Argumentação por Exemplos • Pretendem generalizar, estabelecendo uma regra a partir de um caso concreto. • Servem para provar, fundamentar a regra. • Há dois tipos de exemplos: os casos realmente sucedidos e os inventados (parábolas, fábulas, provérbios, máximas ). • Devemos usar mais que um exemplo (suficiência). • Os exemplos têm que ser representativos (relevância). • Devemos apresentar “informação de fundo” (Weston,1996) • Cuidado com os contraexemplos!
  • 24. Argumentação por Ilustrações • Procuram reforçar a adesão à crença numa regra já estabelecida, já conhecida e aceita. • Servem para enunciar uma afirmação geral e dar exemplos com a finalidade de comprová- la, tornando-a mais presente e clara.
  • 25. Argumentação por Modelo: • Propõe-se a sua imitação. • “O valor da pessoa, previamente reconhecida, constitui a premissa de onde se tirará uma conclusão, preconizando um comportamento particular”. (Perelman, 1999:14). • Há também o antimodelo e cabe ao orador, pensando no auditório, escolher entre os dois tipos de argumentos.
  • 26. Argumentação por Comparação: • Aborda semelhanças e/ou diferenças entre dois objetos apresentados. • Possibilita ao sujeito do discurso apresentar os objetos comparados de acordo com sua preferência e suas intenções persuasivas. • Consiste em confrontar duas verdades e concluir sobre a relação que existe entre elas. • Por ser subjetiva, a comparação tende sempre a modificar um estado de coisas pré-existentes e “se presta muito mais a servir de argumentos a favor de um raciocínio do emissor, do que propriamente de uma informação objetiva sobre os fatos da realidade”. (Pauliukonis ,1996:48)
  • 27. Argumentação por Analogia: • Estabelece comparações entre situações semelhantes. • É fundamental que as semelhanças entre as situações sejam muito mais relevantes, muito mais importantes que as diferenças.
  • 28. Argumentação por enumeração/estatística • O que se tem verificado com os elementos do conjunto observado deve, por comparação, por semelhança, verificar-se também com todos os elementos do conjunto. • Devemos apresentar “informação de fundo”. • Quais são os perigos de concluir e pensar por estatística? a generalização ser feita a partir de amostra insuficiente de dados. a tendenciosidade da estatística.
  • 29. Argumento de Autoridade • A autoridade invocada, além de “autoridade no assunto em questão”, deve ser reconhecidamente digna de confiança. • Deve haver adequação entre o tipo de autoridade invocada e o contexto de criação do argumento, a fim de não ocorrer transferência indevida de campo de competência. • Não se deve esquecer que as autoridades também podem errar, a conclusão desse argumento, como a de todos os argumentos indutivos, é mais ou menos provavelmente verdadeira. • Evitar utilização demasiada.
  • 30. O argumento contra o homem • Utilizado para demonstrar a falsidade de uma conclusão exatamente porque determinada fonte a afirma. • Para se usar o argumento contra o homem, é necessário que a pessoa ou entidade invocada seja reconhecidamente equivocada no assunto em questão. • Quem utiliza este argumento deve ser autoridade no assunto.
  • 31. Argumentação pelo raciocínio de causa • Chamamos de causas, os fundamentos, as justificativas de nossa opinião. • O argumento deve explicar como a causa conduz ao efeito. • Cuidado para não apresentar como causas fatos associados que não estão necessariamente relacionados aos efeitos. (falácia: depois do fato portanto devido a ele)
  • 32. Argumentação pelo raciocínio de consequência • São as decorrências, os desdobramentos da opinião, do ponto de vista que defendemos.
  • 33. Silogismo Hipotético (condicional) Se p, então q. Se q, então r. Logo, se p, então r. • É um argumento dedutivo, lembra a estrutura de um argumento lógico, mas suas conclusões não são logicamente necessárias e aceitáveis. Ex: Tudo o que comemos ou mata ou engorda Comer alface não mata. Portanto, comer alface engorda. • Partimos de uma premissa formada por uma condição que levará necessariamente à conclusão que queremos demonstrar. • É recomendável demonstrar cada uma das condições.
  • 34. Silogismo Modus Ponens Se p, então q. p. Logo,q. Se existem milhões de planetas habitáveis na nossa galáxia, então parece provável que a vida se tenha desenvolvido em mais de um planeta. Existem milhões de planetas habitáveis na nossa galáxia. Logo, parece que a vida tenha evoluído em mais de um planeta. (Weston, 1996:71)
  • 35. Silogismo Modus Tollens Se p,então q. Não –q. Logo, não p. Se Joana estivesse em casa, telefonaria. Joana não telefonou. Logo, Joana não estava em casa.
  • 36. Silogismo Disjuntivo p ou q Não –p. Logo , q. Ou temos esperança no progresso através do aperfeiçoamento da moral, ou temos esperança no progresso através do aperfeiçoamento da inteligência. Não podemos ter esperança no progresso através do aperfeiçoamento da moral; logo, temos de ter esperança no progresso através do aperfeiçoamento da inteligência. (Weston, 1996:75)
  • 37. Dilema p ou q. Se p, então r. Se q, então s. Logo, r ou s. Há um dilema que qualquer oposição a uma iniquidade bem sucedida tem, pela natureza das coisas, de enfrentar. Se nada fazemos, somos considerados cúmplices na medida em que concordamos em silêncio. Se resistimos, somos acusados de provocar novos excessos. A conduta de quem perde nunca parece correta (ou é acusada de provocar novos excessos ou é considerada cúmplice).(Edmund Burke) (Weston, 1996:77)
  • 38. Demonstração pelo absurdo • Esse processo dedutivo é conhecido em matemática como “demonstração indireta”. • Para provarmos que A é verdadeiro, admitimos que A é falso; a partir daí, deduzimos uma conclusão falsa. Uma vez que nossa premissa é falsa: é falso que A seja falso. Portanto, A é verdadeiro. • Refutamos uma posição (que é exatamente o contrário do que queremos provar), mostrando que ela conduz necessariamente a condições inaceitáveis.
  • 39. RECURSOS RETÓRICOS Enquanto os argumentos correspondem ao logos da argumentação, os recursos retóricos seduzem o leitor pelo pathos (prazer), servindo para tornar o argumento aceito. Reboul (1998:114) diz que “se o argumento é o prego, a figura é o modo de pregá-lo”.
  • 40. RECURSOS RETÓRICOS • TÍTULO • SELEÇÃO LEXICAL • OPERADORES ARGUMENTATIVOS • TEMPOS VERBAIS • INDICADORES MODAIS • NÍVEL DE LINGUAGEM • IMPLÍCITOS • PRESSUPOSTOS • FIGURAS RETÓRICAS
  • 41. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS • ARISTÓTELES. Retórica. Tradução Edson Bini. São Paulo: EDIPRO, 2011. • BERNARDO, Gustavo com a colaboração de Gisele de Carvalho. Educação pelo Argumento. Rio de Janeiro: Editora Rocco Ltda, 2000 • COSTA, Wellington Borges. Concluindo a introdução. Revista Discutindo Língua Portuguesa, v.1, n. 4, p.38-39. • FIORIN, José Luiz. Elementos de Análise do Discurso. 6. ed. São Paulo: Contexto, 1997. (Repensando a Língua Portuguesa). • GARCIA, Othon Moacir. Comunicação em Prosa Moderna. 19ª. ed. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 2000. • PAULIUKONIS, Maria Aparecida Lino. Comparação e Argumentação. Duas noções complementares. In SANTOS, Leonor Werneck dos (org.) Discurso, coesão e argumentação. Rio de Janeiro: Oficina do Autor, 1996, p. 48-56. • PERELMAN, Chaïm. & OLBRECHTS-TYTECA, Lucie. Tratado da Argumentação - A Nova Retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1996. • REBOUL, Olivier. Introdução à Retórica. São Paulo: Martins Fontes, 1998. • WESTON, Anthony. A arte de argumentar Trad. Desidério Murcho. Portugal, Lisboa: Gradiva, 1996.
  • 42. CONTATO Hélia Coelho Mello Cunha heliacoelho14@gmail.com hcunha@iff.edu.br Facebook: LINGUA AFI(N)ADA