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Arminio e seus escritos
As doutrinas bíblicas e teológicas, com o
p assar do tem po, foram desenvolvidas e
aperfeiçoadas, de tal form a que a teologia
que temos hoje é fruto de um longo processo
de pesquisa bíblica, m editação e debates na
busca do que o hom em entende ser aquilo
que Deus realm ente falou em sua Palavra.
Uma das m ais im portantes doutrinas teo­
lógicas é a da Salvação. Ela aborda a form a
com o som os salvos, por que som os salvos
e o m ecanism o dessa salvação. De acordo
com a Palavra de Deus, a salvação é ofere­
cida a todos, m as a sua concretização vai
depender do livre-arbítrio hum ano, ou seja,
o hom em precisa decidir entre rejeitar sua
vida de pecados e aceitar a Jesus Cristo como
seu Salvador e Senhor, ou rejeitar a Cristo e
sujeitar-se à perdição eterna. Jacó Armínio
trouxe luz aos debates da salvação pela fé e,
por meio do estudo aprofundado da Palavra
de Deus, nos ensina que a presciência de
Deus não determina antecipadamente quem
vai ou não para o céu, pois Cristo morreu por
todos indistintam ente, m as apenas aqueles
que crerem serão salvos; e a graça de Deus,
no tocan te à salvação, pode ser resistida
pelo pecador.
Obra: ARMÍNIO, Jacó. As Obras de Armínio.
Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
Discipulando^P
Sumário
Tema: Portando uma Nova Identidade
Comentarista: Silas Daniel
► Lição 1 - UM NOVO CARÁTER: A LEI DO REINO DE DEUS.......................................... 3
► Lição 2 - VOCÊ É SAL E L U Z ................................................................................................ 70
► Lição 3 - CRISTO, O DISCÍPULO EA LEI.................................................................................. 77
► Lição 4 - DESVIANDO-SE DA CÓLERA E DO HOMICÍDIO.............................................24
► Lição 5 - A FIDELIDADE NO CASAMENTO...................................................................... 31
►Lição 6 - A HONESTIDADE COM AS PALAVRAS...............................................................38
►Lição 7 - SOBREA VINGANÇA EOAMOR.............................................................. ..............45
► Lição 8 - SEM HIPOCRISIA, MAS COM VERDADE..........................................................52
►Lição 9 - ORAÇÃO NÃO MECÂNICA, MAS CONSCIENTE........................................ 59
►Lição 10 - A AMBIÇÃO DO DISCÍPULO:
NÃO A “SEGURANÇA” DOS BENS MATERIAIS..............................................66
►Lição 11 - NÃO JULGUE O PRÓXIMO, PARA QUE NÃO SEJAS JULGADO.................... 73
► Lição 12- A BONDADE DE DEUS E OS FALSOS PROFETAS .............,.................... 80
►Lição 13- JESUS É A NOSSA IDENTIDADE........................................................................ 87
1 | Discipularido Professor 4
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ASSEMBLEIAS DE DEUS
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Chefe do Setor de Educação Cristã
César Moisés Carvalho
Editor
Marcelo Oliveira de Oliveira
Projeto Gráfico - capa e miolo
Jonas Lemos
Diagramação
Nathany Silvares
EDITORIAL
Prezado professor,
Chegamos ao fim do nosso “curso”
que fornece as primeiras informações ne­
cessárias ao viver cristão.
Esse quarto e último ciclo de estudos
fala da nova identidade do convertido ao
Evangelho. No ciclo passado, estuda­
mos as aplicações práticas das grandes
verdades da Bíblia. Neste, estudaremos
acerca da aplicabilidade dos valores do
Sermão do Monte. Toda a ética e a moral
do Reino de Deus estão explicitadas nes­
se Sermão. O ensino do Sermão do Mon­
te é bálsamo para a nossa vida em Cristo.
Que o Senhor o ajude no ensino des­
se último ciclo de estudos. Permita Deus,
que nessa última etapa de aprendizado,
você e os alunos possam regozijar-se
por terem conhecido um pouco mais de
como servir ao Mestre.
Os Editores.
2 | Discipulando Professor 4 |
a Lei
Um Novo
do Reino
Caráter:
de Deus
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5.1-12
1- Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte,
e, assentando-se, aproximaram-se dele os
seus discípulos;
2 - e, abrindo a boca, os ensinava, dizendo:
3 - Bem-aventurados os pobres de espírito,
porque deles é o Reino dos céus;
4 - bem-aventurados os que choram, porque
eles serão consolados;
5 - bem-aventurados os mansos, porque eles
herdarão a terra;
6 - bem-aventurados os que têm fome e sede
de justiça, porque eles serão fartos;
7 - bem-aventurados os misericordiosos, por­
que eles alcançarão misericórdia;
8 - bem-aventurados os limpos de coração,
porque eles verão a Deus;
9 - bem-aventurados os pacificadores, porque
eles serão chamados filhos de Deus;
10 - bem-aventurados os que sofrem perse­
guição por causa da justiça, porque deles
é o Reino dos céus;
11 - bem-aventurados sois vós quando vos
injuriarem, e perseguirem, e, mentindo,
disserem todo o mal contra vós, por minha
causa.
12 - Exultai e alegrai-vos, porque é grande o
vosso galardão nos céus; porque assim per­
seguiramos profetas queforam antesdevós.
MEDITAÇÃO
Porque o Reino de Deus não é comida nem
bebida, masjustiça, e paz, e alegria no Espírito
Santo. (Rm 14.17)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
►SEGUNDA - Romanos 14.17-19
►TERÇA-Salmos 51.17
►QUARTA - Apocalipse 21.4
►QUINTA-Hebreus 12.14
-t SEXTA - Mateus 6.33
►SÁBADO - Míqueias 6.8
| Discipulando Professor 4 |
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
O Sermão da Montanha é um dos textos
mais importantes da Bíblia para o cristão, por­
que nele Jesus apresenta aos seus discípulos
o alto padrão pelo qual eles devem se condu­
zir na vida. Esse padrão se choca frontalmen-
te com o estilo de vida pregado pelo mundo.
Por isso, a lição deste trimestre se constitui
numa excelente oportunidade para incutir na
mente e no coração dos seus alunos o estilo
de vida do discípulo do Senhor no mundo.
Na lição de hoje, enfoque as qualidades
que o cristão deve manifestar em seu caráter,
e que são apresentadas por Jesus nas oito
beatitudes que abrem o seu célebre sermão.
Aproveite para ressaltar como elas se diferen­
ciam dos valores apreciados pelo mundo.
Em contraste com a autossuficiência,
Jesus ensina a humildade de coração; em
contraste com a indiferença, Jesus ensina a
importância da sensibilidade espiritual; em
contraste com o orgulho e a arrogância, Ele
ensina a mansidão; em contraste com uma
vida acomodada, Ele nos ensina a termos
fome e sede pelas coisas espirituais; em con­
traste com o egoísmo, a misericórdia; em con­
traste com a malícia, a pureza de coração; em
contraste com uma conduta situacionista, a
fidelidade ao que é certo mesmo no momento
de dificuldade.
Destaque essas diferenças e inspire seus
alunos a viverem o padrão do Reino de Deus
em suas vidas.
OBJETIVOS
Sua aula deverá alcançar os
seguintes objetivos:
►Conscientizar seus alunos sobre o que é
a verdadeira felicidade segundo a Bíblia;
►Diferençar o padrão moral do Reino de
Deus do estilo de vida do mundo;
t Inspirar seus alunos a viverem o padrão
estabelecido por Jesus no Sermão do
Monte.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Para introduzir a lição, proponha a se­
guinte reflexão aos seus alunos: “Afinal de
contas, o que é felicidade? Ela está relacio­
nada a coisas ou a um modo de vida?”. Em
seguida, explique-lhes que Jesus se importa­
va com esse tema porque, depois de esco­
lher os seus primeiros discípulos, Ele pregou
o Sermão da Montanha, cujo objetivo era o de
ensiná-los a viver e se conduzir.
Conscientize os seus alunos sobre a
importância de, como filhos de Deus, desen­
volvermos em nossas vidas as qualidades
apresentadas por Jesus nas oito beatitudes
expostas no Sermão do Monte.
4 | Discipulando Professor 4 |
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
No primeiro ciclo do nosso curso, estudamos
sobre o Reinode Deusea pessoadeJesus Cristo.
Neste trimestre, o último, desta série de quatro
ciclos de estudos, estudaremos o caráter dos
filhos deste Reino, ou seja, os valores que devem
orientar e caracterizar a vida de todos aqueles
que um dia entregaram as suas vidas a Jesus,
tomando-se filhos, membros e embaixadores
do Reino de Deus. Como membros deste Rei­
no, temos a responsabilidade de viver de forma
condizente com ele, e essa nova forma de viver
encontra-se resumida no chamado Sermão da
Montanha, proferido por Jesus no início do seu
ministério terreno. Esse célebre sermão de Jesus
encontra-se, em suatotalidade, nos capítulos 5 a
7 do Evangelho de Mateus, cujos textos servirão
de base para o nosso estudo neste ciclo.
1.O SERMÃO DA MONTANHA E O
CARÁTER DOS FILHOS DO REINO
►1.1.0 Sermão da Montanha. O “Sermão
da Montanha” ou “Sermão do Monte” é a mais
célebre mensagem de Jesus registrada na
Bíblia. Ele recebeu esse nome porque Jesus
o proferiu quando estava assentado sobre um
monte, rodeado por seus discípulos e tendo
uma multidão na planície a ouvi-lo (Mt 5.1,2;
Lc 6.17-20). Originalmente, Jesus proferiu esse
ensino para os seus discípulos. Mas a multidão
na planície, ao pé daquela elevação, também
acabou desfrutando do seu ensinamento nesse
dia (Mt 7.28). Quando proferiu esse sermão, o
Mestre havia escolhido, não fazia muito tempo,
os seus primeiros discípulos (Mt 4.12-25) e os
doze apóstolos (Lc 6.12-16), e desejava agora,
por meio desse sermão, ensiná-los sobre o
verdadeiro discipulado, sobre como seus dis­
cípulos deveriam viver e se conduzir. O Sermão
da Montanha apresenta, portanto, o padrão
de vida e de comportamento estabelecido por
Deus para os seus filhos.
►1.2.0 caráter dos filhos do Reino. Jesus
abre o Sermão da Montanha falando aos seus
discípulos sobre um assunto muito importante:
a relação entre o caráter e a felicidade. Ora, sa­
bemos que o objetivo de vida do ser humano é
buscar afelicidade. Não hádúvida de quetodas as
pessoas, de alguma forma, procuram ser felizes.
Entretanto, nem todas realmente conseguem
isso. O máximo que a maioria consegue são
momentos passageiros de euforia, não poucas
vezes seguidos por momentos de depressão.
No entanto, felicidade, tem a ver com o estilo
de vida, ou seja, não tem nada a ver com “ter”,
mas, sim, com “ser”. Mais especificamente, tem
a ver com o que chamamos de “caráter”. É o
que Jesus ensina em seu Sermão da Montanha.
No texto bíblico que serve de base para
a lição de hoje, vemos Jesus chamando de
“bem-aventuradas” - ou “felizes” - pessoas que
apresentam determinadas qualidades em seu
caráter que são manifestadas no seu dia a dia.
Ele não está falando, aqui, de temperamentos,
mas de caráter que se manifesta em atitudes
concretas, um caráter que é fruto da ação do
Espírito de Deus em nossas vidas. Qualquer
pessoa, não importa seu temperamento, uma
vez que se submeta a essa ação divina, pode
manifestar esse novo caráter em sua vida e,
consequentemente, novas atitudes.
Ao afirmar que felizes são os humildes, os
mansos, os misericordiosos e os pacificadores,
Jesus está dizendo que a verdadeira felicidade
é uma conseqüência natural na vida daqueles
que manifestam no seu dia a dia um estilo de
vida baseado nos valores divinos. Somente esse
estilo de vida, produzido pela transformação
| Discipulando Professor 4 |
que o Evangelho de Cristo opera em nossas
vidas, pelo poder do Espírito Santo, poderá
proporcionar a verdadeira felicidade.
As qualidades desse novo estilo de vida
são as marcas distintivas dos filhos do Reino,
são marcas identificadoras dos verdadeiros
filhos de Deus. Quando buscamos diariamente
a Deus e permitimos Ele agir em nossas vidas,
por intermédio da sua Palavra e da oração, o
Espírito de Deus prodüz essas qualidades em
nossa vida cotidiana (Gl 5.22). Eentre os frutos
por Ele produzidos em nós estão uma paz e uma
alegria novas, diferentes e especiais.
Essa alegria é de ordem espiritual, é um
prazer e uma satisfação em servir a Deus e
às pessoas, uma sensação de realização e
de preenchimento de alma que nada neste
mundo pode proporcionar. O amor de Deus
é derramado em nosso coração (Rm 5.5), a
presença divina se torna patente em nossa
vida, animando-nos. Ea paz que passamos a
experimentar, a paz que vem de Cristo (Jo 14.27),
é do tipo que “excede todo entendimento” (Fp
4.7), porque, diferentemente da paz mundana,
ela não é sentida apenas nos momentos de
bonança, o que é natural, mas também nos
momentos de dificuldade, nos fazendo vencer
o desespero e o medo nas situações difíceis.
O filho de Deus consegue alegrar-se e exultar
até mesmo na - e apesar da - perseguição,
porque o Deus de paz guarda o seu coração
em meio às dificuldades mais intensas.
Por fim, é importante frisar ainda que
quando Jesus diz que os filhos do Reino são
bem-aventurados, Ele não se refere a uma
realidade apenas presente da vida, mas tam­
bém ao que lhes reserva a eternidade. Logo,
os filhos do Reino ganharão benesses eternas
que nenhum outro ser humano poderá gozar:
“herdarão a terra”, “serão fartos”, “verão a
Deus”, receberão “grande galardão nos céus”
(Mateus 5.5,6,8,12) etc.
Sob qualquer perspectiva, sejaado presente
ou a do futuro, os filhos do Reino são felizes.
^ AUXÍLIO DEVOCIONAL1
“O rei Herodes estabeleceu muitas novas
cidades durante os quarenta anos do seu rei­
nado. Em cada ocasião, ele recrutou cidadãos,
prometendo-lhes muitos benefícios especiais,
incluindo cidadania, redução de impostos, ter­
ras etc. Este era um costume comum no Impé­
rio Romano durante a era de Augusto, quando
muitas cidades novas foram fundadas. Mas é
difícil imaginar um governante convocando ci­
dadãos e anunciando que no seu reino os re­
crutados receberão pobreza de espírito, man­
sidão, choro, fome e sede, e até mesmo per­
seguição. No entanto, essas são as bênçãos
que Jesus oferece àqueles que reivindicam a
cidadania que Ele descrevia. Além disso, o Rei
Jesus disse que os pobres de espírito, os man­
sos e os que choram são bem-aventurados!
Ele não oferece uma mudança nas condições,
mas a bênção nas condições que desgostam
os cidadãos deste mundo. As Bem-Aventuran-
ças permanecerão um mistério, a menos que
nos demos conta de que Jesus está falando
de atitudes básicas e valores que produzem
frutos espirituais” (RICHARDS, Lawrence. Co­
mentário Devocional da Bíblia. Rio de Janei­
ro: CPAD, 2012, p.556).
2. AS BEM-AVENTURANÇAS
► 2.1. “Bem-aventurados os pobres de
espírito”. A expressão “pobres de espírito” se
refere àqueles que são humildes de coração.
Lucas 6.20 diz apenas “Bem-aventurados os
pobres”,emvez de “Bem-aventurados os pobres
de espírito”. Mas isso ocorre porque, na cultura
judaica da época de Jesus, mais especificamente
desde o fim do cativeiro babilônico, os judeus
passaram a usar muitas vezes o termo “pobres”
para se referir “aos piedosos, em contraste
com os opressores ricos, ímpios e mundanos
dos pobres”; logo, “as afirmações em Mateus
[5.3] e Lucas [6.20] significam a mesma coisa”
(Comentário Bíblico Beacon, CPAD, vol. 6, p.54).
Os pobres de espírito são aqueles que
reconhecem a sua necessidade espiritual, a
6 | Discipulando Professor 4
sua dependência de Deus; são aqueles que
destronam o orgulho. Jesus diz que somente
os que manifestam essa disposição em seus
corações “herdarão o Reino de Deus”.
►2.2. “Bem-aventurados os que cho­
ram”. Jesus refere-se aqui àqueles que são
quebrantados de coração, sensíveis para as
coisas de Deus, para o que é certo, para as
coisas espirituais. São aqueles que choram,
em primeiro lugar, arrependidos, em reconheci­
mento pelos seus pecados - estes alcançarão
consolo através do perdão divino. Mas eles
também são aqueles que choram sincera­
mente pelo seu próximo, sensibilizados pelo
sofrimento e o estado espiritual dos outros,
e intercedendo por estes com confiança no
Senhor. São ainda aqueles que choram por
mais de Deus para suas vidas. Todos estes
“serão consolados”, abençoados pelo Senhor.
►2.3. “Bem-aventurados os mansos”.
Mansidão, aqui, não é uma aparência de mo­
déstia, nem é também uma referência a apenas
ser paciente com as pessoas. O termo aqui
refere-se a mais do que isso. Ele significa,
sim, não ser arrogante, mas é, sobretudo,
uma referência à submissão sincera a Deus, a
uma atitude constante de submissão à vontade
divina. É não exasperar-se, mas confiar em
Deus, entregar sua vida totalmente a Ele e
seguir plenamente a vontade divina para sua
vida, não importando as circunstâncias. Os
que assim procedem “herdarão a terra”, isto
é, reinarão com Cristo na terra futura.
►2.4. “Bem-aventurados os que têm
fome e sede de justiça”. A expressão "justiça”
aqui é tanto uma alusão às bênçãos espirituais
quanto à conduta ética; ela é tanto dotação
graciosa da parte de Deus a ser experimentada
quanto exigência ética a ser vivenciada. Uma
coisa está intimamente relacionada à outra.
“Fome e sede de justiça” é uma referência
à busca ávida, prazerosa e constante pelo
exercício da justiça divina em nossas vidas
como uma forma de nos aprofundarmos mais
na maravilhosa graça que recebemos do Se­
nhor. Ou seja, se alguém tem mesmo fome
pelas coisas de Deus, sede por mais da sua
presença sobre sua vida, então deve ter ao
mesmo tempo fome e sede de buscar a sua
vontade em obediência. Aqueles que buscam
mais da vontade de Deus para as suas vidas
recebem mais dEle. Eles serão “fartos”, isto
é, plenamente satisfeitos em Deus.
►2.5. “Bem-aventurados os misericor­
diosos”. Misericórdia é a bondade em ação.
Quem recebeu a misericórdia de Deus tem
a obrigação de ser misericordioso para com
os outros. O cristão que não é misericordioso
está, na prática, desprezando a misericórdia
de Deus em sua vida, pela qual foi salvo.
Jesus é claro: somente os misericordiosos
“alcançarão misericórdia”.
►2.6. “Bem-aventurados os limpos de
coração”. Ser limpo de coração é ser puro de
coração, é ter um coração santificado, o que
só é possível quando permitimos que o amor
de Deus seja derramado em nosso coração
pelo Espírito Santo (Rm 5.5). Somente um co­
ração puro poderá ver Deus, no sentido tanto
de usufruir da sua presença gloriosa aqui na
terra quanto de um dia vê-lo face a face na
eternidade. A Bíblia é clara: sem santificação,
ninguém verá o Senhor (Hb 12.14).
►2.7. “Bem-aventurados os pacifica­
dores”. Aqueles que foram salvos em Cristo
têm paz com Deus (Rm 5.1) e são chamados
para serem pacificadores, promotores da paz.
Jesus apresenta o ser pacificador como uma
característica marcante da identidade do cris­
tão, isto é, do caráter que ele deve manifestar
como filho de Deus (Mt 5.9). Alguém que se diz
cristão e semeia contendas, ou é do tipo que
não está nem aí se “o circo pegar fogo”, não
é um cristão verdadeiro. Pois um verdadeiro
cristão faz tudo o que estiver ao seu alcance
para promover a paz entre as pessoas.
►2.8. “Bem-aventurados os que sofrem
perseguição por causa da justiça”. Este
texto não se aplica àqueles que se fazem de
vítimas ou que deliberadamente provocam
| Discipulando Professor 4 |
situações de conflito, mas àqueles que, por
fazerem o que é certo, por cumprirem a von­
tade de Deus, são perseguidos pelo mundo.
Estes são bem-aventurados, porque Deus os
galardoará grandemente nos céus pela sua
fidelidade em melo às provações.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“A palavra ‘bem-aventurados’ refere-se ao
estado abençoado daqufeles que, por seu rela­
cionamento com Cristo e a sua Palavra, rece­
beram de Deus o amor, o cuidado, a salvação e
sua presença diária. Hácertas condições neces­
sárias para recebermos as bênçãos do Reino de
Deus. Para recebê-las, devemos viver segundo
os padrões revelados por Deus nas Escrituras, e
nunca pelos do mundo. A primeira destas con­
dições é ser ‘pobre de espírito’, o que significa
reconhecermos que não temos qualquer autos-
suficiência espiritual; que dependemos da vida
do Espírito, do poder e da graça divinos para
podermos herdar o Reino de Deus” (STAMPS,
Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, p.1392).
3. NÓS SOMOS
BEM-AVENTURADOS
Os filhos de Deus são bem-aventurados,
felizes, porque eles rejeitaram os valores do
mundo e abraçaram os valores eternos do
Reino de Deus, sem os quais é impossível
alguém ser feliz neste mundo perdido. Ao
final do Sermão do Monte, Jesus é claro:
somente aqueles que praticam os valores
ensinados por Ele em seu sermão, dentre
eles, aqueles valores apresentados nas oito
bem-aventuranças, não serão abalados es­
piritualmente, mas permanecerão firmes para
sempre (Mt 7.24,25).
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
“A justiça é mencionada aqui represen­
tando todas as bênçãos espirituais (SI 24.5;
Mt 6.33). Elas nos são compradas pela justi­
ça de Cristo, transmitidas e asseguradas pela
imputação dessa justiça a nós, e confirmadas
pela fidelidade de Deus. Vários fatos definem
o que é essa justiça: o fato de Cristo ter sido
feito a justiça de Deus por nós; o fato da justi­
ça de Deus ter sidó feita nEle; e o fato de todo
homem ter sido renovado na justiça, tornando-
se um novo homem, trazendo em si mesmo a
imagem de Deus, passando a ter um interesse
em Cristo e nas suas promessas. Destas coi­
sas devemos ter fome e sede. Nós verdadeira­
mente devemos desejá-las, como alguém que
tem fome e sede deseja beber e comer e não
consegue ficar satisfeito com nenhuma coisa, a
não ser alimento e bebida; e será satisfeito com
estas coisas, embora sinta necessidade de ou­
tras. Os nossos desejos de bênçãos espirituais
devem ser fervorosos e importunos” (HENRY,
Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testa­
mento: Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD,
2010, p.45).
CONCLUSÃO
A verdadeira bem-aventurança está em
Cristo. Em meio às tensões deste mundo, não
há como se conduzir de forma melhor e mais
abençoada se não seguindo às diretrizes de
Jesus para a nossa forma de viver. Sejamos,
pois, humildes de coração; sensíveis às
coisas de Deus, sensíveis ao que é correto;
sejamos submissos à vontade divina; sejamos
pessoas que não se acomodam em sua vida
espiritual, mas que buscam sempre mais de
Deus; sejamos misericordiosos; pacificadores;
puros de coração; sempre fiéis, mesmo em
meio às provações. Somente assim seremos,
de fato, bem-aventurados!
APROFUNDANDO-SE
“As virtudes que Jesus exalta no Sermão
do Monte são quase que exatamente o
oposto daquelas admiradas pelos gregos
e romanos em seus dias” (Comentário
Bíblico Beacon, vol.6, p.56). “Não é a
pessoa que afirma ser bem-sucedida es­
piritualmente que encontra o Reino, mas
8 | Discipulando Professor 4 |
o indivíduo que reconhece enquanto é
pobre (v. 3). Não é a pessoa que está sa­
tisfeita com o que o mundo lhe oferece,
mas a pessoa que chora, e olha além do
brilho do mundo, a que encontra consolo
(v. 4). Não é a pessoa que é arrogante,
mas o manso, que responde à voz de
Deus, o que herdará a terra (v. 5). Os que
serão fartos não são aqueles que estão
satisfeitos com a sua própria justiça, mas
os que têm fome e sede de uma justiça
que não têm” (RICHARDS, Lawrence.
Comentário Devocional da Bíblica. Rio
de Janeiro: CPAD, 2012, p.556)
r j SUGESTÃO
N l / / DE LEITURA
►Crescimento em Cristo
Orientações bíblicas para o novo convertido
com exposições dos passos fundamentais
da nova vida em Cristo e de como vivê-la
vitoriosamente.
^ 12 Princípios para Fortalecer sua Cami­
nhada com Cristo
Torne-se o tipo de pessoa que caminha
com Deus e exerça influência de Deus em
seu mundo. Com um panorama conciso,
diversos exemplos e ideias práticas, este
poderoso guia o ajudará a desenvolver a
maturidade que todo o homem de Deus foi
criado para refletir.
VERIFIQUE SEU
APRENDIZADO
1 .Qual o propósito do Sermão da Montanha?
R. Ensinar sobre o verdadeiro discipulado,
sobre como os discípulos de Cristo deveriam
viver e se conduzir.
2 . O que é a verdadeira felicidade?
R. A verdadeira felicidade é uma conseqü­
ência natural na vida daqueles que manifestam
em seu caráter um estilo de vida baseado nos
valores divinos.
3. Qual o significado da expressão “pobre
de espírito”?
R. Refere-se àqueles que são humildes
de coração.
4. Quando Jesus falou dos “mansos”, Ele
estava se referindo apenas àqueles que não
são arrogantes com os outros?
R. Não. Ele se referia também e principal­
mente à submissão sincera a Deus, a uma atitude
constante de submissão à vontade divina.
5.0 que significater “fome e sede dejustiça”?
R. Se refere à conduta ética, isto é, a exi­
gência ética a ser vivenciada, quanto a fome
pelas coisas de Deus, sede por mais da sua
presença sobre nossas vidas.
►Enquanto os pregadores, oradores e
professores de hoje seguem o costume
grego e romano de ficar em pé para falar,
os mestres judeus sempre se sentavam
enquanto ensinavam (Comentário Bíbli­
co Beacon, CPAD, vol.6, p.53). Por isso
encontramos na Bíblia Jesus proferindo
muitos ensinos assentado, como no caso
do Sermão da Montanha.
| Discipulando Professor 4 |
Vocêé
Sal e Luz
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5,13-16
13 - Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insí­
pido, com que se há de salgar? Para nada
mais presta, senão para se lançar fora e
ser pisado pelos homens.
14 - Vós sois a luz do mundo; não se pode
esconder uma cidade edificada sobre
um monte;
15 - Nem se acende a candeia e se coloca
debaixo do alqueire, mas, no velador, e
dá luz a todos que estão na casa.
16 - Assim resplandeça a vossa luz diante dos
homens, para que vejam as vossas boas
obras e glorifiquem o vosso Pai, que está
nos céus.
MEDITAÇÃO
Para que sejais irrepreensíveis e sinceros,
filhos de Deus inculpáveis no meio de uma
geração corrompida e perversa, entre a qual
resplandeceis como astros no mundo. (Fp 2.15)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
►SEGUNDA - Provérbios 4.18
►TERÇA - Filipenses 2.14,15
►QUARTA - Malaquias 3.16-18
►QUINTA-João 17.20-23
►SEXTA - Efésios 5.8-13
►SÁBADO-1 Pedro 2.9,10
10 | Discipulando Professor 4 I
f ------- ^ ----------- -- - ----------- - í
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
►Conscientizar seus alunos das responsabili­
dades que temos de influenciar a sociedade.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
INTERAGINDO COM O ALUNO
Na lição de hoje, o seu objetivo principal
deve ser conscientizar alunosde que serfilho de
Deus não significa apenas ter a bênção divina
sobre a nossa vida, mas também responsabi­
lidades. Seus alunos devem compreender que
todo o cristão tem sobre si um chamado divino
parafazerdiferençanestemundo, influenciando-o
positivamente com os valores do Evangelho.
Seu aluno precisa saber ainda que essa
influência positiva se manifesta não apenas
através da pregação do Evangelho, mas tam­
bém por intermédio de uma vida que encarna
os valores do Evangelho. Explique como as
figuras do sal e da luz, usadas por Jesus, ilus­
tram perfeitamente o tipo de influência que o
cristão deve exercer sobre o mundo.
►Inspirar seus alunos a fazerem a diferen­
ça neste mundo através da pregação do
Evangelho e das boas ações que encar­
nam os valores divinos;
Ressalte também a importância das boas
obras, ressalvando que elas não devem ser
praticadas por ostentação, mas como fruto do
amor de Deus derramado em nossos corações.
E, finalmente, enfatize que essa influência posi­
tiva que o cristão deve exercer sobre o mundo
precisa se manifestar em todas as esferas de
atuaçãodo cristão, acomeçarda suacasa, pas­
sando pelo seu trabalho, escola e universidade,
e atingindo todo o mundo.
OBJETIVOS
Sua aula deverá alcançar os se­
guintes objetivos
►Explicar o significado e as implica­
ções, na vida do cristão, das expres­
sões “sal da terra” e “luz do mundo”;
Inicie a aula falando da importância do
sal e da luz para o nosso dia a dia. Em um pri­
meiro momento, destaque como é ruim comer
algo sem sabor e como é desconfortável estar­
mos em um lugar mal iluminado. Em seguida,
ressalte o contrário: como é agradável comer
algo com sabor e como é bom estarmos em
um ambiente iluminado. Após a exposição des­
ses contrastes, leia o texto bíblico que serve de
base para a lição de hoje e introduza o assunto,
enfatizando inicialmente que ser filho de Deus é
uma bênção, mas esta bênção, como todas as
outras, traz consigo responsabilidades. Acres­
cente, em seguida, que Jesus usou as figuras
do sal e da luz exatamente para ilustrar o tipo
de influência que somos chamados a exercer
sobre a sociedade como cristãos. Não se es­
queça de aplicar os objetivos da lição ao dia
a dia dos seus alunos, mostrando como eles
podem fazer diferença no mundo onde estão.
Discipulando Professor 4
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Deus nos chamou para fazer diferença
neste mundo, para influenciá-lo. Você não
foi chamado por Deus para apenas receber
bênçãos, mas para também, e principalmente,
ser bênção para a vida das pessoas: bênção
para sua família, bênção para a sua igreja,
bênção para a sociedade e bênção para o
mundo. Por isso, logo após Jesus falar sobre
o caráter do cristão e a verdadeira felicidade,
Ele passa a ensinar sobre a responsabilidade
que o cristão tem de influenciar positivamente
o mundo. E para ilustrar como deve se dar
essa influência positiva, Jesus usou dois
símbolos do cotidiano das pessoas: a luz e
0 sal. Veremos na lição de hoje como esses
dois símbolos - o sal e a luz - ilustram perfei­
tamente a influência do cristão na sociedade.
1 . “VÓS SOIS O SAL DA TERRA”
► 1.1. “Sal da terra”. Jesus afirma que o
cristão verdadeiro é como o “sal” (Mt 5.13). O
sal” fala de um tipo específico de influência
que o cristão exerce. O detalhe inicial, porém,
é que Jesus não diz que seus discípulos
deveriam ser “sal” apenas na região em que
viviam. O mestre afirma que eles deveriam
ser o “sal da terra” - isto é, deveriam fazer
diferença em todo o mundo. Os discípulos
de Cristo foram chamados para serem tes­
temunhas do Evangelho em Jerusalém, em
toda Judeia e Samaria, e até os confins da
Terra (Atos 1.8). Aplicando esse chamado às
nossas vidas hoje, Jerusalém representaria a
nossa cidade; Judeia representaria o nosso
Estado; Samaria representaria os Estados
vizinhos; e os confins da Terra representariam,
claro, todo o mundo.
► 1.2. Os atributos do sal. Quanto ao
tipo de influência ao qual Jesus se refere,
sabemos que o sal tem dois atributos prin­
cipais: dar sabor e conservar. Logo, Jesus
está dizendo que o cristão exerce influência
sobre o mundo dando-lhe “sabor” e ajudan­
do a conservar determinadas coisas cuja
íí
Você não foi
chamado por
Deus para
apenas receber
bênçãos, mas
para também, e
principalmente,
ser benção para
a vida das
pessoas
J5
12 | Discipulando Professor 4 |
preservação significa um grande bem para
a sociedade. Mas o que é “dar sabor” ao
mundo? E que tipos de coisas o crente pode
e deve preservar por meio da sua influência
sobre a sociedade?
►1.3. Dando sabor. Uma vez que o
sal tem como função dar sabor, Jesus está
afirmando, ao referir-se aos seus discípulos
como “sal da terra”, que eles poderiam e
deveriam dar “sabor” ao mundo por meio
de suas vidas. Ao serem mansos, humildes,
sensíveis moral e espiritualmente, incansáveis
na busca de Deus, misericordiosos, limpos
de coração e pacificadores (Mt 5.1-12), os
discípulos estariam manifestando ao mundo,
por meio de suas vidas, os valores divinos
e, dessa forma, influenciando positivamente
as pessoas. Ou seja, “salgar” o mundo, na
linguagem de Jesus, significa, em primeiro
lugar, influenciar positivamente as pessoas
por intermédio do exemplo. Mas, não só
pelo exemplo. Dar “sabor” ao mundo fala
também da mensagem do Evangelho, que
é a única a dar um sentido real à vida do ser
humano. O Evangelho é o poder de Deus para
salvação de todo aquele que nele crer (Rm
1.16). O testemunho cristão, seja por meio da
pregação do Evangelho ou da própria vida
que manifesta os valores do Reino de Deus
no dia a dia, é o verdadeiro sentido de “dar
sabor” ao mundo.
►1.4. Conservando. O atributo de
conservar, do elemento do sal, ilustra muito
bem outro tipo de influência positiva que o
cristão verdadeiro exerce sobre a sociedade:
o poder de deter ou resistir à corrupção do
mundo. Corrupção, aqui, é aquela tanto na
área moral como espiritual - aliás, essas
áreas estão intimamente relacionadas,
porque a nossa condição espiritual afeta o
nosso comportamento, nossas escolhas,
nossa moral. Como “sal da terra”, o cristão
verdadeiro não se conforma com o padrão
moral e espiritual da sociedade em que vive,
militando assim contra o mal e a corrupção
na sociedade.
►1.5. “Pisado pelos homens”. Jesus
disse que se o sal perder os seus atributos,
“para nada mais presta, senão para se
lançar fora e ser pisado pelos homens” (Mt
5.13). Isso significa que aqueles cristãos que
deixam de cumprir a sua responsabilidade
de influenciar o mundo positivamente com
suas vidas particulares e com a mensagem
do Evangelho são espiritualmente “insípidos”
e por isso acabam sendo “destruídos pelos
maus costumes e pelos baixos valores da
sociedade ímpia” (Bíblia de Estudo Pente-
costal, CPAD, p.1393).
AUXÍLIO DIDÁTICO 1
“O sal não perde a sua salinidade se é
cloreto de sódio puro. Isso nos leva à suges­
tão do que Jesus quis dizer quando disse
aos discípulos que eles deixariam de ser dis­
cípulos se perdessem o caráter do sal. O sal
não refinado do Mar Morto continha a mistu­
ra de outros minerais. Deste sal em estado
natural o cloreto de sódio poderia sofrer lixi-
viação em conseqüência da umidade, torna­
do-se imprestável. O ensino rabínico asso­
ciava a metáfora do sal à sabedoria. Esta era
a intenção de Jesus, visto que a palavra gre­
ga traduzia por ‘nada mais presta’ tem ‘tolo’
ou ‘louco’ como seu significado radicular [na
raiz da palavra]. É tolice ou loucura os discí­
pulos perderem o caráter, já que assim eles
são imprestáveis para o Reino e a Igreja, e
colhem o desprezo” (ARRINGTON, French
L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentá­
rio Bíblico Pentecostal Novo Testamento.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.43).
2. “VÓS SOIS A LUZ
DO MUNDO”
►2.1. “Luz do mundo”. Assim como no
caso da expressão “sal da terra”, a expressão
“luz do mundo” deixa claro que o cristão deve
exercer a sua influência no mundo inteiro, em
todas as áreas de sua atuação na sociedade.
Discipulando Professor 4 |
A luz do Evangelho, manifestada em sua vida,
não deve ser transmitida apenas para os
seus familiares, mas no trabalho, na escola,
na universidade etc. Onde o cristão estiver,
ali, ele deve ser luz!
►2.2. Refletindo a luz de Cristo. O
mesmo Jesus que chamou seus discípulos
de “luz do mundo” afirmou certa vez que Ele
era a “luz do mundo” (Jo 8.12). Isso significa
que a luz que devemos refletir ao mundo é a
luz que recebemos de Cristo pelo poder do
seu Evangelho e da ação do Espírito Santo
em nossas vidas. Da mesma forma que “a
lua reflete a luz do sol no lado escurecido
da terra, a igreja deve refletir os raios do ‘Sol
da Justiça’ [Jesus] (Ml 4.2) em um mundo
escurecido pelo pecado” (Comentário Bíblico
Beacon, vol.6, CPAD, p.57).
2.3. Iluminando lugares em trevas. A luz
tem o poder de iluminar e aquecer. Da mesma
forma, a influência do cristão na sociedade
deve ser como a ação da luz, dissipando as
trevas da confusão, do pecado, da imoralidade
e do erro, e aquecendo aqueles que estão se
sentindo “frios” neste mundo.
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2
“Jesus explicou aos seus discípulos a
verdadeira natureza do seu chamado: eles
seriam o sal de um mundo sombrio e a luz
de um mundo escuro e pecador, mas fariam
isso apenas por causa daquele que veio
como a ‘luz do mundo’. Esse grupo de ho­
mens trouxe o sal que podemos saborear e
a luz que podemos ver todos os dias. A nos­
sa tarefa é transmitir a outros o ‘sal’ e ‘ilu­
miná-los’ através da verdade do Evangelho.
A pergunta de Jesus: ‘Se o sal for insípido,
com que se há de salgar?’ não requer uma
resposta, pois todos sabem que, uma vez
que o sal se deteriora, já não pode mais ser
usado para conservar os alimentos. Assim
como o sal conserva e realça o melhor sabor
dos alimentos, os crentes devem ser o ‘sal da
terra’ e influenciar as pessoas positivamente.
Jesus disse aos seus discípulos que se qui­
sessem fazer a diferença no mundo também
teriam que ser diferentes do mundo. Deus iria
considerá-los responsáveis por manter a sua
‘salinidade’ (isto é, a sua utilidade). Devemos
ser diferentes se quisermos fazer a diferença”
(Comentário do Novo Testamento Apli­
cação Pessoal, vol.1, CPAD, 2012, p.38).
3. INFLUENCIANDO
A SOCIEDADE
►3.1. Boas obras. Ao final dessa passa­
gem, Jesus explica que a luz do cristão são
as suas boas obras (Mt 5.16). Por intermédio
das boas obras, o cristão manifesta os valores
do Reino de Deus ao mundo, influenciando
muitas vidas para o Senhor. Jesus ressalta
que os diretamente afetados por essas boas
ações, em resposta, louvam “vosso Pai, que
está nos céus”. Quando encarnamos os valores
do Evangelho em nossas vidas, louvamos a
Deus, e o mais importante, nós colocamos
em prática e ratificamos aquilo que afirmamos
com os nossos lábios. E também nossas
ações acabam inspirando poderosamente
outras pessoas que não conhecem a Deus,
a buscá-lo e adorá-lo. Em meio às trevas
espirituais deste mundo, quando um crente
pratica as boas obras, seus atos são como
um facho de luz em meio às densas trevas,
sendo logo percebidos pelas pessoas.
►3.2 - Não se deve esconder a luz,
mas manifestá-la. Ao falar do cristão como
luz, Jesus enfatizou que essa luz deve ser
manifestada, nunca escondida. Ele com­
para o cristão verdadeiro a uma cidade
edificada sobre um monte, ressaltando que
não dá para esconder uma cidade assim
(Mt 5.14). Em seguida, o Mestre lembra que
não se pode acender uma candeia e coio-
cá-la debaixo do alqueire, mas no velador,
para dar luz “a todos que estão na casa”
(Mt 5.15). Candeia era uma lâmpada pequena
14 | Discipulando Professor 4 |
nos dias de Jesus, geralmente do tamanho
da mão de um homem, feita de barro e seu
fogo era alimentado por azeite. O velador,
por sua vez, era o local onde a candeia era
colocada, e que sempre era um local alto,
para que a luz da candeia pudesse, a partir de
cima, aspergir sua luminosidade sobre todo
o cômodo onde se encontrava. O alqueire
era uma referência a medidas de cereal ou
a cubas de farinha dç trigo medidas por um
cesto. Ora, uma lâmpada nunca poderia
ficar escondida debaixo de um cesto. Para
alcançar o seu objetivo de iluminar “a todos
que estão na casa”, ela deveria ser sempre
colocada no lugar mais alto e ideal: o vela­
dor. Assim é o cristão: sua luz não deve ser
escondida, mas manifestada de tal forma
que possa alcançar e atingir a todos à sua
volta. A luz que o cristão recebe de Cristo
deve resplandecer “diante dos homens”
(Mt 5.16a). Eeles a veem justamente por meio
das nossas boas obras (Mt 5.16b).
^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3
“Não era incomum os judeus conside­
rarem Deus o Pai da nação de Israel, mas
Ele ser o Pai de indivíduos é uma caracte­
rística do ensino de Jesus e também está
bem desenvolvido na literatura da Igreja.
O termo ‘vosso Pai’ ocorre frequentemen­
te no Sermão da Montanha (Mt 5.45; 6.1,9;
7.11). O motivo para fazermos obras é que
as pessoas glorifiquem o Pai celestial, não a
nós. Aqueles que fazem o bem por motivos
egoístas recebem o odioso título de ‘hipó­
critas’ (Mt 6.1-4)” (ARRINGTON, French L.;
STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bí­
blico Pentecostal Novo Testamento. 1.ed,
Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.44).
CONCLUSÃO
O cristão não deve ser influenciado pelo
mundo (Romanos 12.2), ele deve influenciar
o mundo. Resumidamente, ser “sal da terra”
e “luz do mundo” nada mais é do que isso.
O cristão é chamado por Deus para fazer
diferença na vida das pessoas à sua volta,
em todos os lugares onde se encontra.
O cristão deve ser exemplo na sua família,
como pai, mãe, esposa, esposo, filho, filha,
irmão e irmã; ele deve ser exemplo na vida
secular, como estudante, como profissional,
como cidadão; ele deve ser uma “amostra
ambulante” do amor de Deus ao mundo,
manifestando-o em favor dos outros; deve
pregar os valores do Evangelho em contraste
com os valores invertidos deste mundo; e
deve também levar a mensagem transfor­
madora do Evangelho ao maior número de
pessoas como demonstração desse amor.
Deus espera isso de seus filhos.
Ser filho de Deus é a maior bênção que
alguém pode experimentar na vida, mas,
como toda bênção, esta também exige
responsabilidades, deveres que não podem
ser de forma alguma ignorados pelo cristão.
ií
A luz que o
cristão recebe
de Cristo deve
resplandecer
“diante dos ho­
mens” (Mt 5.16a)
j j
| Discipulando Professor 4 |
APROFUNDANDO-SE
“Os resultados do perdão”
1. Reconciliação. Deus perdoa, existe
uma transformação imediata e completa
no relacionamento. Em vez de hostili­
dade, há amor e aceitação. Em vez de
inimizade, Deus está sempre trabalhando,
‘reconciliando consigo o mundo, não lhes
imputando os seus pecados, e pôs em nós
a palavra da reconciliação’ (2 Co 5.19)...
Quando Deus nos perdoa e nos purifica
de nosso pecado, Ele também o esquece:
‘Porque serei misericordioso para com
suas iniquidades e de seus pecados e
de suas prevaricações não me lembrarei
mais’ (Hb 8.12. Veja também S1103.12; Is
38.12)... o resultado do perdão é que Deus
retira as acusações contra nós. Ele não nos
imporájuízo porcausa de nossos pecados.
Jesus disse à mulherflagrada em adultério:
‘nem eu também te condeno; vai-te e não
peques mais’ (Jo 8.11; veja também Rm
8.1)” (Billy Graham Responde. Rio de
Janeiro: CPAD, 2012, pp.258-59).
SUGESTÃO
DE LEITURA
^ Perfeitamente Imperfeito
O ser humano, por natureza tem muitas
falhas e defeitos. Através dos exemplos bíbli­
cos do Antigo Testamento podemos perceber
que Abraão, Moisés, Elias e tantos outros
passaram por momentos de desespero e
aflição, mas foram usados por Deus apesar
de suas imperfeições. Deus capacita os in­
capacitados, fortalece os fracos, consola os
oprimidos e refrigera os aflitos.
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
1 . Quais os dois símbolos do dia a dia usados
por Jesus para ilustrar a influência do cristão
no mundo?
R. O sake a luz.
2 . O atributo do sal em dar sabor refere-se a
que tipo de influência que o cristão exerce na
sociedade?
R. A influência pelo exemplo.
3 . E o atributo do sal em conservar aponta
para que tipo de responsabilidade do cristão?
R. A responsabilidade de combater o mal
e a corrupção na sociedade.
4 . O que significa ser “luz do mundo”?
R. A luz tem o poder de iluminar e aquecer.
Da mesma forma, a influência do cristão na socie­
dade deve ser como aação da luz, dissipando as
trevas da confusão, do pecado e da imoralidade.
5,.Qual a importância das boas obras na vida
do crente?
R. Através das boas obras, o cristão
manifesta os valores do Reino de Deus ao
mundo, influenciando muitas vidas para Deus.
► “Antes do advento das caixas de gelo edos
modernos refrigeradores, o sal era um dos
principais meios de conservar os alimen­
tos. Quando peixes eram transportados
no lombo de burros por cento e sessenta
quilômetros de Cafarnaum até Jerusalém,
elestinham que ser abundantemente salga­
dos. Assim, o seguidor de Cristo deve agir
como um conservante do mundo. Não se
pode deixar de imaginar o que aconteceria
com a sociedade moderna, com toda a sua
podridão moral, se nãofosse a presença da
igreja cristã” (Comentário Bíblico Beacon.
vol.6. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.57).
16 | Discipulando Professor 4 |
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5.17-20
17 - Não cuideis que vim destruir a iei ou os pro­
fetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.
18 - Porque em verdade vos digo que, até que o
céu e a terra passem, nem um jota ou um til
se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.
19- Qualquer, pois, queviolarumdestes menores
mandamentos e assim ensinar aos homens
será chamado o menor no Reino dos céus;
aquele, porém, que os cumprir e ensinar será
chamado grande no Reino dos céus.
20 - Porque vos digo que, se a vossajustiça não
exceder a dos escribas e fariseus, de modo
nenhum entrareis no Reino dos céus.
MEDITAÇÃO
Porque o fim da lei é Cristo para justiça
de todo aquele que crê. (Rm 10.4)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
►SEGUNDA - Gálatas 4.4
►TERÇA - Lucas 24.25-27,44
►QUARTA - Hebreus 4.14-16
►QUINTA-Mateus 15.1-9
►SEXTA-Lucas 18.9-14
►SÁBADO - 1 Coríntios 13.1-7
Discipulando Professor 4
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
O objetivo da lição de hoje é fazer com que
seus alunos entendam a relação que o discípulo
de Cristo deve ter com a lei de Deus e também
levá-los a compreender que não basta observar
os mandamentos divinos - é preciso praticá-los
com as motivações corretas.
Será importante lembrar aos seus alunos
também as diferenças entre a Antiga e a Nova
Aliança, entre o Antigo e o Novo Testamentos,
deixando claro, porém, que os preceitos morais
e as lições espirituais da Velha Aliança e dos
homens de Deus que viveram sob ela são váli­
dos ainda hoje para o cristão, razão pela qual o
AntigoTestamento é ainda muito importante para
o cristão. O Novo Testamento não aboliu oAnti­
go, mas o completou, tornando desnecessários
apenas os seus ritos externos.
Ao falar sobre a verdadeiravida de piedade
em contraste com a religiosidade meramente
mecânica, aproveite paracontextualizaro assun­
to, frisando que hoje em dia há muitos cristãos
que, infelizmente, acabaram caindo nesse tipo
de mecanicismo e orgulho religioso, e que de­
vemos ter muito cuidado para que isso nunca
aconteçaconoscotambém em nossacaminhada
de vida espiritual.
í v ® J l 0B JE T IV 0S
Sua aula de hoje deve alcançar
os seguintes alvos:
►Explicar como Cristo cumpriu toda a lei
e os profetas, e que lugar o Antigo Testa­
mento tem na vida do crente hoje;
►Diferençar a religião meramente me­
cânica da justiça do Reino de Deus;
►Despertar seus alunos a viverem um
cristianismo autêntico, que não consis­
ta apenas em mera aparência religiosa,
mas numa religião do coração.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Uma boa sugestão para esta aula, a fim
de despertar já de início a interação dos alunos
com o conteúdo a ser ministrado, é começar
sua exposição listando uma série de atitudes
corretas que podemos e devemos tomar em
determinadas situações da nossa vida e, em
seguida, perguntar aos seus alunos se é possí­
vel alguém realizartodas essas coisas com uma
motivação absolutamente errada dominando o
seu coração. Leve-os a refletir um pouco sobre
essa possibilidade e, já na seqüência, apresen­
te-lhes o texto da lição de hoje, ressaltando que
elafala inclusive, e essencialmente, sobre esse
assunto. Por fim, ao encerrar a exposição da
lição de hoje, certífique-se de que seus alunos
estejam diferençando bem a falsa piedade da
verdadeira piedade cristã à luz do ensino de
Jesus no Sermão da Montanha, e incentive-os
a viverem um cristianismo genuíno em todos
os dias de suas vidas.
18 | Discipulando Professor 4 |
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Depois de tudo o que foi apresentado por
Jesus no início do seu Sermão da Montanha,
era natural que muitos dos seus ouvintes o
vissem como um revolucionário religioso, como
alguém que queria destruir “a lei e os profetas”
- isto é, que queria romper com todo o Antigo
Testamento. Entretanto, Jesus faz questão
de deixar claro que seu posicionamento era
exatamente o oposto do C|ueestavam supondo
naquele momento. Na verdade, Ele não viera
destruir a lei e os profetas, mas, sim, cumprir
o que diziam a lei e os profetas: “Não cuideis
que vim destruir a lei ou os profetas; não vim
ab-rogar, mas cumprir” (Mt 5.17). Mas, o que
significa “cumprir a lei e os profetas”? O que
Jesus queria dizer com isso exatamente? E
qual a relação entre a vida e o ensino de Jesus
e o Antigo Testamento?
1.CRISTO CUMPRIU TODA A LEI
► 1.1.0 que significa “cumprir a lei e os
profetas”?Ao afirmar que viera “cumprir a lei
e os profetas”, Jesus estava asseverando que
Ele viera para cumprir os mandamentos e as
promessas do Antigo Testamento, isto é, “seus
preceitos e profecias”, além de “seus símbolos
e tipos” (Comentário Bíblico Beacon, volume
6, CPAD, p.58). Sobre símbolos e tipos, basta
lembrar que muito do que vemos nos cerimo­
niais litúrgicos judaicos registrados no Antigo
Testamento, na Lei de Moisés, e mesmo em
alguns episódios vividos por homens de Deus
do passado, registrados também no Antigo
Testamento, simbolizavam claramente Jesus
e seu sacrifício na cruz por nós para remissão
de nossos pecados.
A Epístola aos Hebreus, por exemplo, é
dedicada quase que totalmente a demonstrar
como a pessoa e a obra de Jesus (sua vida,
ministério, morte e ressurreição) estavam sim­
bolizadas e tipificadas no Antigo Testamento
(Exemplos: os capítulos 7 a 10 de Hebreus).
Um detalhe importante aqui é que Jesus está
reconhecendo nessa passagem que as Escri­
turas do Antigo Testamento são divinamente
inspiradas, porque, inclusive, apontam para Ele.
► 1.2. Profecias cumpridas. No Antigo
Testamento, encontramos várias promessas e
profecias sobre o Messias; em o Novo Testa­
mento, vemos o Messias - Jesus - cumprindo
cada uma delas (Lc 24.44). A título de amostra,
vejamos alguns desses cumprimentos:
u
Na verdade, Ele
não viera des­
truir a lei e os
profetas, mas,
sim, cumprir o
que diziam a lei
ou os profetas;
n
Discipulando Professor 4 |
a) Ele nasceu de uma virgem (Mt 1.18ss),
como profetizado (Is 7.14);
b) Ele nasceu em Belém (Lc 2.4ss), como
profetizado (Mq 5.2);
c) Ele é Deus encarnado (Is 7.14; 9.6; Mt
1.18ss);
d) Ele entrou em Jerusalém sobre um
jumento (Zc 9.9; Mc 11.1-10);
n) Foi crucificado juntamente com malfei­
tores (Mc 15.27,28) e intercedeu por eles
(Lc 23.34), como profetizado (Is 53.12);
o) Seus ossos não foram quebrados (Jo
19.33-36), como profetizado (SI 34.20);
p) Seu lado foi traspassado (Jo 19.34),
como profetizado (Zc 12.10);
q) Foi sepultado no túmulo de um rico (Mt
27.57-60), como profetizado (Is 53.9).
► 1.3. Jesus cumpriu todos os ritos da
Lei de Moisés. Tudo aquilo que a Lei de Moisés
exigia, Jesus cumpriu (Mt 8.4; 26.19; Lc 4.16; Jo
7.10; Gl 4.4). Inclusive, Ele condenou os fariseus
de seus dias porque criavam tradições para
descumprir a lei (Mt 15.6). Jesus se submeteu
até mesmo ao ritual do batismo emáguas, criado
e ministrado em sua época por João Batista
(Mt 3.13-17). Ele cumpriu toda a Lei por nós,
viveu sem pecado, mas, mesmo sem pecado,
se fez pecado por nós, levando toda a nossa
culpa sobre si no madeiro (Is 53.5), para hoje
e) Elefoi traído por um amigo (Mt 26.47-50;
Jo 13.21-30), como profetizado (SI 41.9);
f) Ele foi vendido por 30 moedas de prata
(Mt 26.15), como profetizado (Zc 11.12);
g) O dinheiro da sua venda, depois de
atirado fora (Mt 27.3-7), foi para o oleiro,
como profetizado (Zc 11.13);
h) Bateram e cuspiram nele em sua morte
(Mt 26.67,68), como profetizado (Is50.6);
i) Ficou mudo diante de seus acusadores
(Mt 27.13,14), como profetizado (Is 53.7);
j) Mesmo inocente, Ele seria morto, para se
entregar como sacrifício pelos nossos
pecados (Is 53.1-12);
I) Tiraram sorte de suas vestes (Jo 19.23,24),
como profetizado (SI 22.18);
m) Ele foi traspassado nas mãos e nos
pés (Lc 23.33; Jo 20.25-27), como
profetizado (SI 22.16);
20 | Discipulando Professor 4 |
í í
[Jesus] mesmo
sem pecado,
se fez pecado
por nós, levan­
do toda a nossa
culpa sobre si
no madeiro...
55
oferecer perdão e salvação pelo seu sangue, e
interceder de forma perfeita por nós (Hb 4.14-16).
►1.4. Em Cristo, a Lei Mosaica cumpre
o seu objetivo. A Bíblia afirma que “o fim da
Lei é Cristo” (Rm 10.4). A Lei apontava para
Jesus e Ele a cumpriu cabalmente por nós. O
que isso significa? Significa que não estamos
sujeitos mais àquelas cerimônias e àqueles
rituais litúrgicos do Antigo Testamento, que
eram apenas símbolos da vida, pessoa e obra
de Jesus (Cl 2.16,17; Hb 9.7-10). O próprio Jesus
considerou as leis dietéticas já cumpridas (Mc
7.19), o que foi corroborado pelos seus discípulos
(At 10.10-16; Gl 2.11-14). Entretanto, os aspectos
morais da Lei, os princípios morais subjacentes
em suas ordenanças e implícitos em seus ritos,
ainda são válidos para nós hoje em dia: honrar
a Deus acima de todas as coisas; a prática
do amor; a condenação da mentira; o amor à
verdade; a fidelidade conjugal etc. O próprio
Jesus reiterou muitos desses mandamentos do
Antigo Testamento, e ainda aprofundou o seu
significado em Mateus 5.21-48. Outro detalhe
é que, como disse Jesus, muitas das profecias
do Antigo Testamento ainda hão de se cumprir
(Mt 5.18). Ou seja, o Antigo Testamento ainda
é muito importante para nós hoje (Rm 15.4).
►1.5. O maior e o menor no Reino de
Deus. Jesus apresenta nessa passagem um
teste de grandeza. Ele deixa claro que aqueles
que violam os mandamentos - os preceitos
morais da Lei - e ainda criam ensinos e tradi­
ções para justificar tal conduta (Mt 15.6) são
insignificantes em obras e vida, em relação ao
Reino de Deus (Mt 5.19). Note que Jesus fala de
“menores mandamentos” - ou seja, no Reino
de Deus, mesmo os mandamentos divinos
considerados “menores” são importantes.
Na seqüência, Jesus afirma que “grande no
Reino de Deus” é quem não apenas cumpre
os mandamentos divinos, mas quem também
ensina-os - e vice-versa: e também quem não
apenas ensina-os, mas vive-os. Entretanto,
é importante entender aqui que Jesus não
estava falando de mero legalismo. Ele deixa
isso claro no versículo seguinte (Mt 5.20),
onde, como veremos a seguir, enfatizou que
alguém pode ser minucioso no cumprimento
de cada mandamento divino e mesmo assim
estar longe do Reino, quando sua obediência
é meramente formal, mecânica e orgulhosa.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
“‘Não vim ab-rogar, mas cumprir’ (Mt
5.17). O verbo ‘ab-rogar’ significa ‘soltar’,
‘desatar’, ‘desprender’ como se faz com uma
casa ou tenda (2Co 5.1). ‘Cumprir’ significa
[no original grego dessa passagem] ‘encher
por completo’ ou ‘completar’. Foi o que Jesus
fez com a lei cerimonial, que apontava para
Ele. Ele também guardou a lei moral. Ele veio
completar a lei, revelar a total profundidade
do significado que estava ligado a quem a
guardava. [...] ‘Aquele, porém, que os cum­
prir e ensinar...’ (Mt 5.19). Jesus põe a prática
antes da pregação. O professor tem de viver
a doutrina antes de ensiná-la aos outros. Os
escribas e fariseus eram homens que ‘dizem
e não praticam’ (Mt 23.3), que pregam e não
fazem. Este é o teste de grandeza que Cristo
faz” (ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus
& Marcos à Luz do Novo Testamento Grego.
Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.70).
2. O PERIGO DE SE FAZER
DA LETRA UMA RELIGIÃO
MECÂNICA
► 2.1. Uma religião voltada só para o
exterior. Ao contrastar a justiça dos escribas
e fariseus com a justiça dos filhos do Reino,
Jesus deixa claro que esta excede àquela (Mt
5.19,20). Mas, em que sentido? Em primeiro
lugar, no sentido de que ajustiça dos escribas e
fariseus era preocupada apenas com o exterior
(Mt 6.1-8,16-18). Seus corações continuavam
sujos, porque procuravam apenas a aprovação e
o elogio dos homens. Jesus afirma que devemos
fazer o que é certo por temor e amor a Deus,
e não para receber o aplauso dos homens.
Discipulando Professor 4 |
> 2.2. Uma religião voltada para o or­
gulho pessoal e o aplauso dos homens. Em
segundo lugar, os escribas efariseus confiavam
que eram salvos apenas pelo que faziam exte­
riormente na religião, quando na verdade Deus
olha, não apenas para nossos atos, mas para
o nosso coração, para a intenção com a qual
fazemos as coisas (1 Co 13.1-7). A Parábola do
Fariseu e do Publicano, contada por Jesus, é
bem didática quanto a isso (Lc 18.9-14). Não
basta seguir à risca as normas e os manda­
mentos bíblicos, se os obedeçemos de forma
mecânica e orgulhosa, para sermos louvados
pelos homens ou achando que somos salvos
e abençoados pelas nossas boas ações. Não
somos salvos pelas nossas boas obras; estas
são apenas o nosso dever edevem ser também
o nosso prazer. Somos salvos pela graça de
Deus, mediante a fé na obra de Cristo na cruz
do Calvário por nós (Ef 2.8-10).
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“Muitos ficam confusos com a afir­
mação de Jesus de que veio cumprir a Lei
e os profetas. [Em primeiro lugar,] Cristo fala
aqui como um judeu dedicado, como outros
rabinos do século I, a uma única tarefa: ex­
plicar o verdadeiro significado das palavras
de Deus e, assim, ‘cumpri-las’. Mas [não só
isto:] Cristo imediatamente se distingue de
outros mestres. Os fariseus eram zelosos
em guardar tanto a lei escrita quanto a oral,
mas, ao explicar o verdadeiro significado
da Palavra de Deus, Cristo estava prest­
es a revelar uma justiça que ultrapassava
qualquer justiça que os fariseus imaginas­
sem possuir guardando os mandamentos.
Como cidadãos do Reino de Jesus, você e
eu somos chamados para viver uma vida
justa. Mas devemos evitar o engano dos far­
iseus. Não devemos confundir a verdadeira
justiça com - ou supor que por - fazermos
determinadas coisas e evitarmos outras al­
cançamos elevada espiritualidade. O que
fazemos é importante, é verdade, mas Deus
está mais interessado no que somos” (RICH-
22 |Discipulando Professor 4 |
ARDS, Lawrence, Comentário Devocion-
al da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012,
p.557).
3. A JUSTIÇA DO
REINO DE DEUS
►3.1. Uma religião do coração. Devemos
sobejar em boas obras, mas como conseqüência
da nossa salvação (Tt 2.12-14), como dever
natural de filhos de Deus (2 Pe 1.3-10), como
expressão real de nossa fé em Cristo (Tg
2.14-17), como manifestação da graça divina
em nossas vidas (2 Co 9.8) e como gratidão
e louvor por aquilo que Cristo fez por nós (Cl
1.10-12; 1 Co 10.31). Jamais como base para
a nossa salvação (Ef 2.8,9).
►3.2. Mais do que observâncias.
Em suma, como lembra o teólogo Donald
Stamps, os escribas e fariseus “observavam
muitas regras, oravam, cantavam, jejuavam,
liam as Escrituras e freqüentavam os cultos
nas sinagogas”; porém, eles “substituíam as
atitudes interiores corretas pelas aparências
externas”. Por isso, Jesus afirma em Mateus
5.20 que a justiça que Deus deseja de seus
filhos transcende a justiça dos escribas e
fariseus, vai muito além da justiça deles. Mais
precisamente, Ele está dizendo que “o coração
e o espírito, e não somente os atos externos,
devem conformar-se com a vontade de Deus,
na fé e no amor” (Bíblia de Estudo Pentecostal,
CPAD, p.1394). Essa é a verdadeira vida de
piedade para o cristão.
► AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
‘“ ...será chamado grande no Reino dos
Céus’ (Mt 5.19). A posição do crente no Reino
dos Céus dependerá da sua atitude aqui, para
com a lei de Deus, e da sua prática e ensino.
A medida da fidelidade a Deus aqui determi­
nará a medida da nossa grandeza no céu. [...]
A justiça dos escribas e fariseus era exclusi­
vamente exterior. [...] Jesus declara aqui que
a justiça que Deus requer do crente vai além
disso. O coração e o espírito, e não somente
os atos externos, devem conformar-se com a
vontade de Deus, na fé e no amor” (STAMPS,
Donald (Ed.), Bíblia de Estudo Pentecostal.
Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.1393-94).
CONCLUSÃO
Que possamos sempre avaliar não apenas
as nossas ações, mas também as nossas inten­
ções. Pois, como aprendemos hoje, não basta
fazer o que deve ser feito; é preciso também
fazê-lo com as motivações certas: nunca com
orgulho, nunca almejando os aplausos das
pessoas, mas sempre pelo dever e pelo prazer
de fazer o que é justo, e sempre apoiados na
graça de Deus.
APROFUNDANDO-SE
“As leis do Antigo Testamento destinadas
diretamente ã nação de Israel, tais como
as leis sacrificiais, cerimoniais, sociais e
cívicas, já não são obrigatórias (Hb 10.1-4).
O crente não deve considerar a lei como
sistema de mandamentos legais atravésdo
qual se pode obter méritos para o perdão e
asalvação(GI2.16,19). Pelo contrário, a lei
deve ser vista como um código moral para
aqueles que já estão num relacionamento
salvífico com Deus e que, por meio de
sua obediência à lei, expressam a vida de
Cristo dentro de si mesmos (Rm 6.15-22).
A fé em Cristo é o ponto de partida para
o cumprimento da lei. Mediante a fé nEle,
Deus torna-se nosso Pai (Jo 1.12). Por
isso, a obediência que prestamos como
crentes não provém somente do nosso
relacionamento com Deus como legislador
soberano, mastambém do relacionamento
de filhos paracom o Pai (Gl 4.6)” (STAMPS,
Donald (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecos­
tal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.1393).
VERIFIQUE SEU
APRENDIZADO
1 . O que significa “cumprir a lei eos profetas”?
R. Cumprir os mandamentos e as promes­
sas do Antigo Testamento, isto é, seus preceitos
e profecias, além de seus símbolos e tipos.
2. O que é o aspecto moral da Lei? E ele é
válido ainda hoje?
R. São os princípios morais subjacentes
nas ordenanças e implícitos nos ritos do Antigo
Testamento. Elesaindasão válidos para nós hoje.
3. Quem é o “menor” em relação ao Reino
de Deus?
R. Aqueles que violam os mandamentos
- os preceitos morais da Lei - e ainda criam
ensinos e tradições para justificar tal conduta.
4.Quem é o “maior” no Reino de Deus?
R. É quem cumpre e ensina os manda­
mentos divinos.
5. Em que a justiça do Reino de Deus se
diferencia da justiça dos escribas e fariseus?
R. Ajustiça dos escribas efariseus era pre­
ocupada apenas com o exterior. Seus corações
continuavam sujos porque procuravam apenas
a aprovação e o elogio dos homens.
“A expressão ‘Em verdade vos digo’, que
aparece no começo das declarações mais
enfáticas de Jesus, é a palavra grega amen,
que é a transliteração da palavra hebraica
que Jesus falou, e que é linguagem cristã
especializada, denotando afirmação sagrada.
Jesus assevera que nem um jota, a menor
letra, nem uma serifa- ou adorno de uma letra
de nenhuma maneira passará até que tudo
se cumpra” (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de
Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
2005, p.44).
Discipulando Professor 4
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5,21-26
21 - Ouvistes quefoi dito aos antigos: Nãomata-
rás; masqualquerque matarseráréu dejuízo.
22 - Eu, porém, vos digo que qualquer que,
sem motivo, se encolerizar contra seu irmão
será réu de juízo, e qualquer que chamar a
seu irmão de raca será réu do Sinédrio; e
qualquer que lhe chamar de louco será réu
do fogo do inferno.
23 - Portanto, se trouxeres atua oferta ao altar e
aíte lembrares de que teu irmão tem alguma
coisa contra ti,
24 - deixa ali diante do altar atua oferta, e vai re­
conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois
vem, e apresenta a tua oferta.
25 - Concilia-te depressa com o teu adversário,
enquantoestás nocaminhocom ele, paraque
não aconteça que o adversário te entregue
ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te
encerrem na prisão.
26 - Em verdade te digo que, de maneira ne­
nhuma, sairás dali, enquanto não pagares o
último ceitil.
MEDITAÇÃO
Não te deixes vencer do mal, mas vence o
mal com o bem. (Rm 12.21)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
►SEGUNDA - Romanos 12.17-21
►TERÇA - Gálatas 5.19-22
►QUARTA - Colossenses 3.8
►QUINTA - Mateus 5.7,9
►SEXTA-1 Coríntios 6.1-11; 13.4-7
►SÁBADO - 1 João 2.9-11
24 Discipulando Professor 4 |
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
A ira é uma das reações naturais do ser
humano. O propósito da lição de hoje é cha­
mar a atenção de seus alunos para o fato de
que, embora seja uma reação natural, a ira
pode se tornar algo muito mal e imensamen­
te destrutivo, quando ela ultrapassa alguns
limites estabelecidos por Jesus no Sermão
da Montanha. Deixe claro a eles que quem
encoleriza-se contra seu irmão sem motivo,
humilhando-o, agindo com rancor, é tão pe­
cador diante de Deus quanto àquele que as­
sassina outra pessoa. Frise que Jesus deixa
claro que a cólera é o primeiro passo para o
homicídio e que quem se encoleriza sem mo­
tivo contra outra pessoa já é “homicida” em
seu coração, mesmo que não chegue às vias
de fato em relação ao seu desafeto.
Essa lição traz mais uma oportunidade
de explorar várias situações hipotéticas do
dia a dia de seus alunos nas quais o ensino
de Jesus se aplicaria diretamente. Explorar
essas situações fará com que o ensino de
Jesus, ministrado na lição de hoje, se torne
ainda mais claro, vivo e pertinente para as
suas vidas. Não perca essa oportunidade.
Aproveite e boa âula!
►Chamar a atenção para o fato de que
a ira pode se tornar algo destrutivo em
nossas vidas;
►Estimular seus alunos a viverem, na prá­
tica, seu chamado como pacificadores e
agentes da misericórdia no Reino de Deus.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
OBJETIVOS
Sua aula de hoje deverá atingir
os seguintes objetivos:
►Deixar claro aos alunos o caráter não
-antinomísta do Evangelho;
A fim de clarificar o máximo possível aos
seus alunos quando a iratorna-se perniciosa na
vida do cristão, ao chegar ao ponto desta aula
em que, seguindo o roteiro da revista, o tema
da ira finalmente será tratado, escreva no qua­
dro as três reflexões que o cristão deve fazer
para distinguir quando a sua ira é perniciosa ou
não e que estão explicitadas no corpo da lição.
Em seguida, cite situações hipotéticas de ma­
nifestação de ira e peça aos seus alunos para
avaliarem cada uma dessas situações à luz
desses três critérios apresentados. Deixe seus
alunos se envolverem bastante com a análise
de cada situação até que eles demonstrem es­
tarem bem familiarizados com os critérios bíbli­
cos avaliadores da ira.
Discipulando Professor 4
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Na lição passada, vimos como Jesus aler­
tou os seus discípulos para a necessidade de a
justiça deles exceder a dos escribas e fariseus.
Agora, nos versículos seguintes a esse alerta,
mais especificamente os versículos 21 a 48 do
capítulo 5 de Mateus, Jesus reforça sua orien­
tação citando exemplos concretos do dia a dia.
Ele apresenta em seqüência seis exemplos de
justiça mais elevada, todos eles antecedidos
pela expressão “Ouvistes que foi dito” (Mt
5.21,27,31,33,38,43), seguida pelaexpressão “Eu,
porém, vos digo” (Mt 5.22,28,32,34,39,44). Jesus
menciona seis ordenanças da Lei de Moisés e
as aprofunda, demonstrando que a justiça do
Reino de Deus é algo que vai muito além do que
a letra da lei mosaica.
Na lição de hoje, veremos especificamente
o primeiro exemplo citado por Jesus, que envolve
a questão da cólera e do homicídio.
1. O EVANGELHO NÃO É
ANTINOMIANISTA
► 1.1. “Ouvistes que foi dito... Eu, porém,
vos digo...”. Como vimos na lição passada,
diferentemente do que os ouvintes de Jesus
pensaram dele quando começaram a ouvir o
seu Sermão da Montanha, Ele não viera destruir
a lei ou ab-rogá-la, mas completá-la, aprofun­
dá-la, levar a compreensão dos mandamentos
a outro nível. Em nenhum momento, ao citar
esses seis exemplos concretos de justiça mais
elevada, Jesus anula as ordenanças morais da
lei, mas, ao contrário, aumenta as exigências
relacionadas a essas ordenanças - ou melhor,
aprofunda essas exigências, pois as leva direto
ao coração da pessoa, como em seguida.
A expressão “Eu, porém, vos digo” nunca
traz na seqüência uma proibição que anula a
exigência explícita da ordenança apresentada
antes no “Ouvistes o que foi dito”. O “Não
matarás” não é seguido por um “Podem matar
agora”, mas, sim, por um “Não apenas isso...”.
Ou seja, Jesus não destrói a lei; Ele acrescenta
a ela algo que a expande, que a torna mais
profunda. Em outras palavras, Jesus nunca
foi um antinomianista.
►1.2. O que é o antinomianismo? Anti-
nomianismo é um termo cunhado pela primeira
vez no século 16 pelo reformador protestante
Martinho Lutero para designar uma prática
antiga entre algumas pessoas no meio cristão:
a negação da importância dos mandamentos
divinos para a vida do cristão. Em outras pa­
lavras, antinomianismo é o extremo oposto
do legalismo. Ele é o que o apóstolo Judas
denominou, na Epístola que leva o seu nome,
de “transformar em libertinagem a graça de
Deus” (Jd v.4 - ARA). O antinomianismo foi
combatido por Jesus (Mt 7.15-27; Jo 14.15;
15.10,14) e pelos apóstolos - além de Judas,
já mencionado, vemos também Paulo (Rm
3.31; Rm 6; Cl 3), Pedro (2 Pe 2), Tiago (Tg
2.14-26) e João, em sua Primeira Epístola,
combatendo esse ensino errado. Aliás, João
assevera explicitamente que escreveu sua
primeira Epístola para combater a influência
de duas heresias gnósticas de seu tempo, a
saber: a negação da divindade de Cristo e a
prática do antinomianismo (1 Jo 5.13).
►1.3. Antinomianismo hoje. Infelizmente,
a influência da mentalidade pós-moderna tem
levado alguns ditos cristãos a confundirem
obediência aos mandamentos divinos com
legalismo e graça com ausência de normas de
conduta. Trata-se de uma torção absurda de
significados. Legalismo “é, de forma geral e à
luz da Bíblia, a ideia de justificação pelas obras,
a fixação imprópria de regras de conduta como
necessidades para Salvação e a negligência ou
ignorância em relação à graça de Deus” (DANIEL,
Silas, A Sedução das Novas Teologias, CPAD, p.
54). Porém, para alguns cristãos pós-modernos,
legalismo não é isso. Legalismo, imaginam, é
qualquertipo de exortação concernente àconduta
moral. Por isso, para essas pessoas, “é proibido
proibir”. Porém, o Novo Testamento está repleto
de passagens que condenam contundentemente
uma série de comportamentos (Mt 5.28-29; 1
Jo 2.15-17; 2 Tm 2.22; Tt 2.12; Tg 1.14; 1 Pe2.11).
26 | Discipulando Professor 4 |
Tais costumam generalizar dizendo que “tudo
depende da consciência da pessoa”, entretanto,
a Bíblia demonstra que nem tudo é questão de
consciência (Gl 5.19-25).
Os frutos dessa mentalidade equivoca­
da é um cristianismo meramente nominal.
São pessoas que se declaram seguidoras de
Jesus, mas cujo comportamento se choca
frontalmente com os mandamentos divinos
e não acham isso absolutamente nada de­
mais. Dizem que são de Deus, mas não estão
interessadas em nenhum compromisso com
seus mandamentos. Sua visão de Deus se dá
apenas em termos utilitaristas ou na forma de
uma “muleta” psicológica. No primeiro caso,
o do Deus “utilitarista”, é quando se busca de
Deus somente bênçãos materiais e físicas (a
bênção de Deus acima do Deus da bênção),
fazendo dEle o meio para um fim e não um fim
em si mesmo; e no segundo caso, o do Deus
como “muleta” psicológica, é quando tratam
Deus apenas como um ser preocupado em
estimular o ego de seus filhos, como um ser
que está disposto a ser usado diariamente, por
meio de palavras e gestos, apenas para inflar
a autoestima dos seus simpatizantes sem se
“intrometer” na forma como desejam conduzir
as suas vidas. Enfim, acham que o Evangelho
é sinônimo de autoajuda, nada mais.
Não nos iludamos: para ser verdadeira­
mente cristão, seguidor de Cristo, o Filho de
Deus, não basta a pessoa ter apenas uma
confissão de fé em Jesus. Mesmo que a pes­
soa tenha uma confissão de fé integralmente
ortodoxa, isso não basta para ser considerada
uma cristã verdadeira. Conforme o apóstolo
João, as evidências da verdadeira fé cristã são
crer em Jesus como Filho de Deus (isto é, na
deidade de Jesus; e crer nEle como o Cristo,
o Messias Prometido - 1 Jo 5.1,5-12,20
pois aquele que não aceita Jesus como Filho
de Deus não tem a vida - 1 João 5.12); viver
segundo os mandamentos divinos (1 Jo 2.3-6);
amar seu irmão e praticar esse amor (1 Jo 2.9;
3.10; 5.1); não viver na prática do pecado, mas
buscar sempre viver uma vida de santidade (1
Jo 3.2,3; 5.18); e não amar o mundo nem o seu
estilo de vida (1 Jo 2.15-17).
► 1.4. A Lei e a Graça - A graça de Deus
não nos libera da obrigação de obedecer às leis
morais do Criador. A graça não é uma licença
para a desobediência, mas a porta que Deus
nos abre para a possibilidade de vivermos uma
vida santa diante dEle. A Nova Aliança inclui
mandamentos, determinações, ou seja, a lei
moral. Jesus, e não Moisés, disse: “Se me
amardes, obedecereis os meus mandamentos”
(Jo 14.15). E mais: “Aquele que tem os meus
mandamentos e os guarda, esse é o que me
ama; e aquele que me ama será amado de
meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a
ele” (Jo 14.21).
Em seu Sermão da Montanha, Jesus
adverte-nos diretamente contra a ideia de
que Ele estaria defendendo o antínomianismo.
Cristo, como já vimos, fez questão de esclare­
cer que não negligenciava nem tinha o intento
de destruir a Lei posteriormente ao cumpri-la
toda (Mt 5.17-19). O que, então, foi abolido da
Lei por meio de Cristo?
Quando Jesus cumpriu a Lei, foram abo­
lidas as leis cerimoniais, que apontavam para
o sacrifício de Cristo, e as leis regimentares.
A lei moral, ou seja, o aspecto moral da Lei,
permanece no Novo Testamento.
>1.5. A “maldição da lei”. A “maldição da
Lei”,deque falao apóstolo Paulo em Gálatas3.13,
diz respeito às sanções punitivas aque estamos
sujeitos por não podermos cumprir toda a Lei.
Ao cumprir as exigências da Lei para nós, Cristo
removeu a maldição da Lei para longe de nós,
e não a Lei, isto é, os mandamentos morais de
Deus para as nossas vidas. A graça de Deus não
é chancela para a anarquia. Os mandamentos
de Deus devem ser vividos, mas não mais como
um peso. Não somos salvos por obedecer aos
mandamentos divinos, mas somos salvos para
vivermos segundo os mandamentos divinos.
Não somos salvos para viver licenciosamente,
mas para viver uma nova vida em Cristo.
| Discipulando Professor 4 |
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
“[O vocábulo grego] mõros denota pri­
mariamente ‘lerdo’, ‘lento’ (derivado de uma
raiz muh, ‘ser tolo’); por conseguinte, ‘estúpi­
do’, ‘tolo’, ‘louco’, ‘insensato’; é usado acerca
de pessoas em Mateus 5.22 - ‘louco’. Aqui a
palavra significa moralmente desprezível, um
sem-vergonha, uma repreensão mais séria do
que ‘raca’; o último menospreza a mente do
homem e o chama de estúpido, louco; mõros
menospreza seu coração e caráter; daí a con­
denação mais severa do Senhor” (Dicionário
Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp.759,60).
2. CÓLERA: O PASSO PARA
O HOMICÍDIO
►2.1. “Não matarás”. O sexto manda­
mento do Decálogo, os Dez Mandamentos
(Êx 20.13), mencionado nessa passagem por
Jesus, significa “Não assassinarás”. Esse é o
sentido do vocábulo hebraico traduzido por “Não
matarás” no Antigo Testamento e reproduzido
por Jesus a seus discípulos. Trata-se de matar
intencionalmente. Jesus repete o mandamento,
no entanto, em seguida, aprofunda mais ainda
o seu significado para os seus discípulos. Ele
afirma que qualquer pessoa que, sem motivo,
está encolerizada contra o seu irmão já tem o
homicídio estabelecido em seu coração. Mes­
mo que não venha a cometê-lo externamente,
já o cometeu no coração, sendo, por isso, já
réu do juízo divino (Mt 5.22). E mais: com essa
afirmação, Jesus está ressaltando também o
fato de que a cólera é o passo para o homicí­
dio, de maneira que evitar a cólera nos levará
a evitar o cometimento do homicídio.
►2.2. “Sem motivo”. Jesus não é contra
o irar-se diante de uma injustiça cometida. Ele
não condena a “indignação santa”. O que Jesus
está combatendo é a ira sem motivo ou sem
moderação. O termo traduzido aqui por “sem
motivo” é a palavra grega e/te, que significa,
literalmente, “sem causa”, “sem nenhum bom
efeito” e “sem moderação”. Eis aqui, portanto,
no próprio sentido desse vocábulo, três critérios
28 |Discipulando Professor 4 |
para avaliarmos se a nossa ira é lícita ou não.
Em primeiro lugar, devemos nos perguntar:
ela é baseada em uma causa coerente? Em
segundo lugar, ela terá um bom efeito? Em
terceiro lugar, ela se manifesta com moderação
ou é uma ira desgovernada?
► 2.3. “Raca” e “louco”. As expressões
“raca” e “louco”, que aparecem no versículo
22, estavam entre as mais odiosas expressões
usadas nos dias deJesus para se referir aalguém,
sendo que a segunda expressão - “louco” - era
considerada pior ainda, conforme o contexto
religioso judaico daquela época. “Raca” era um
insulto de zombaria e desdém, cujo significado
era “indigno”.Tal insulto, dependendo do caso,
era passível de julgamento pelo Sinédrio nos
dias de Jesus. Já a expressão mõros, tradu­
zida como “louco” nessa passagem, dentro
do contexto religioso judaico da época, era
mais do que uma zombaria. Enquanto “raca”
significava uma pessoa indigna de ser hon­
rada, “louco” era uma pessoa indigna de ser
amada, uma pessoa profana, o “réprobo”, um
“filho do inferno”. Em outras palavras, o que
Jesus está dizendo é que quem chamasse o
seu irmão de “raca” podia ser apenas réu do
Sinédrio, mas quem chamasse seu irmão, em
um momento de ira, e sem motivo, de “louco”,
a não ser que se arrependesse diante de Deus
e se retratasse diante de seu irmão, seria réu
do juízo divino. Essa pessoa estaria cometendo
assassinato pela língua.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“A palavra grega para ‘reconciliar-se’
(v.24 - diallasso) no Novo Testamento só é
encontrada nesta passagem. Paulo usa kata-
lasso e o composto duplo apokatallaso para
a reconciliação unilateral que o homem deve
ter com Deus. Isto é, o homem deve cessar
a sua inimizade contra Deus e reconciliar-se
através de Cristo. Mas diallasso denota ‘con­
cessão mútua depois de hostilidade mútua’.
O significado disso é claro. Quando alguém
se reconcilia com Deus, tem que atender às
condições divinas, porque o erro está de um
único lado. Mas, quando alguém se reconcil­
ia com seu irmão, ambos têm que fazer con­
cessões, porque em toda discussão humana
há dois lados. O que Jesus quer dizer, porém,
é que a adoração de uma pessoa na casa de
Deus não é aceita enquanto houver qualquer
sentimento ruim entre o que seria o adorador
e um ‘irmão’. O relacionamento com Deus não
poderá estar correto enquanto o relaciona­
mento com um companheiro estiver errado”
(Comentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio de Ja­
neiro: CPAD, 2006, p.59).
3. A “OFERTA NO ALTAR”
E OS PROCESSOS LEGAIS
►3.1. Reconciliação antes da adoração.
Jesus afirma que se um judeu trouxesse uma
oferta para o Templo para ser apresentada no
altar das ofertas e recordasse que um irmão tinha
algo contra ele, deveria primeiro ir até seu irmão
reconciliar-se com ele para só depois apresentar
a sua oferta diante do altar (Mt 5.23,24). Essa
oferta no altar erauma oferta de adoração a Deus.
Logo, Jesus está dizendo que a adoração não
será aceita por Deus se há algum irmão que se
sente ofendido pelo adorador, que está magoado
com o adorador por algo que ele fez ou disse lá
atrás, porque o problema entre eles ainda não
foi resolvido. Ou seja, não há relacionamento
com Deus se não há bom relacionamento com
meus irmãos.
►3.2. O cristão e os processos legais.
Nos versículos 25 e 26, Jesus se refere a outro
caso. O contexto aqui já não é adoração, mas
as disputas nos tribunais. Ele declara que seus
discípulos devem resolver suas eventuais desa­
venças entre si para que não aconteça de um
deles levar a questão às barras dos tribunais, o
que fará com que inevitavelmente um dos dois vá
para a prisão, onde pagará até o último centavo
pelo quefez. Antes de enfrentar qualquer disputa
judicial, o cristão deve buscar a conciliação, e
deve fazê-lo o mais depressa possível. Oapóstolo
Paulo advertiria décadas depois os cristãos em
Corinto sobre o mesmo (1 Co 6.1-11).
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3
“Se a ofensa que causamos ao nosso ir­
mão, ao seu corpo, aos seus bens ou à sua re­
putação for tal que exija alguma ação na qual
ele possa recuperar danos consideráveis, é sá­
bio de nossa parte, e é a nossa obrigação para
com a nossa família, evitar isso por meio de uma
submissão humilde e uma satisfação justa e pa­
cifica, para que, de outra maneira, ele não recu­
pere os danos pela lei e não nos coloque uma
prisão. Em um caso como este, é melhor entrar
em acordo, nas melhores condições que puder­
mos, do que suportarmos alguma punição; pois
é inútil disputar com a lei, e existe o perigo de
sermos esmagados por ela. Muitos arruinam as
suas propriedades e os seus bens persistindo
obstinadamente nas ofensas que fizeram, que
poderiam ter sido resolvidas de modo pacifico,
se cedessem em algo, rapidamente, no início do
problema. O conselho de Salomão no caso de
responsabilidade é: ‘Vai, humilha-te... e livra-te”
(Pv 6.1-5)” (HENRY, Matthew. Comentário Bí­
blico do Novo Testamento: Mateus a João. Rio
de Janeiro: CPAD, 2010, pp.53,54).
CONCLUSÃO
Como podemos ver, por trás do pecado de
homicídio háumasériede atitudes decoração que
nemsempresematerializamemumhomicídio, mas
que se manifestam também de outras formas no
nosso dia a dia e, muitas vezes, as pessoas nem
se dão conta disso. Essas atitudes se manifestam
na ira desgovernada, no rancor, na ofensa, nas
disputas intensas, na falta de perdão, em um
espírito vingativo, nas brigas desnecessárias nos
tribunais, quando tudo poderia ter sido resolvido
antes entre irmãos. Devemos ser pacificadores e
misericordiosos (Mt 5.7,9). Que Deus nos ajude a
vivermos em profundidade e plenitude avontade
de Deus para as nossas vidas.
APROFUNDANDO-SE
“Adorar a Deus é importante? Sim! Mas
Jesus enfatizou a importância do coração
| Discipulando Professor 4 |
puro, dizendo que se nos lembrarmos de
que alguém tem alguma coisa contra nós,
devemos fazer as correções necessárias,
ainda que isso signifique um adiamento da
adoração. Mas o que é mais importante é
a frase ‘Se... teu irmão tem alguma coisa
contrati’. Nãosomentesomos responsáveis
pela nossa própria ira, mas pela do nosso
irmão! Se tivermos feito alguma coisa que
aborreceu alguma pessoa, devemos re­
solver essa-questão imediatamente, para
preservar nosso irmão de uma ira que é
inapropriada no Reino de Deus. Isso talvez
pareça difícil demais! Já parece difícil cui­
dar do nosso próprio relacionamento com
Deus. E a verdade é que é realmente difícil
demais. Mas éo queo nosso Rei espera. Se
obedecermos, Elefaráem nós eem nossos
relacionamentos o que jamais poderíamos
fazer sozinhos” (RICHARDS, Lawrence.
Comentário Devocional da Bíblia. Rio de
Janeiro: CPAD, 2012, p.557).
SUGESTÃO
DE LEITURA
►Falando Honestamente
Este é um livro franco, que fala sobre como
se tornar espiritualmente saudável, identifi­
cando e combatendo doenças da alma que
ameaçam enfraquecer a sua fé.
A obra inclui a experiência do autor de lutar
para encontrar a sua própria crença. Écomo
um bate-papo com café entre dois amigos
bem intencionados, mas conflitantes, onde
Moore quer conversar com você como um
amigo —francamente, carinhosamente e, às
vezes, estridentemente.
Falando Honestamente fará com que a sua
alma se sinta viva, onde você e o mundo se
tornarão melhores por isso.
VERIFIQUE O SEU
APRENDIZADO
1 . O que é antinomianismo?
R. É a negação da importância dos
mandamentos divinos para a vida do cristão.
2 . O que é de fato legalismo?
R. Éa ideia de justificação pelas obras, a
fixação imprópria de regras de conduta como
necessidades para salvação e a negligência
ou ignorância em relação à graça de Deus.
3 . Quais as três características de uma ira
pecaminosa?
R. Ela não é baseada em uma causa
coerente, não tem um bom efeito e é des­
governada.
4 . Qual a diferença, dentro do contexto judai­
co da época de Jesus, entre os insultos “raca”
e “louco”?
R. Enquanto “raca” significava uma pes­
soa indigna de ser honrada, “louco” era uma
pessoa indigna de ser amada, uma pessoa
profana, o “réprobo”, um “filho do inferno”.
5 . 0 cristão deve buscar os tribunais sempre
que tiver desavenças com seus irmãos?
R. Não, o cristão deve evitar qualquer
disputa judicial com seus irmãos; ele deve
buscar a conciliação, e deve fazê-lo o mais
depressa possível.
.
m TsVÜ
► “O ‘ceitil’ (Mt 5.26) - que hoje diríamos ser
o “último centavo” - era, naverdade, dentro
do sistema monetário do Império Romano
da época de Jesus, o ‘quadrante’, que era
“a menor moeda de cobre romano, valendo
cerca de um quarto de um centavo” (Co­
mentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio de
Janeiro: CPAD, p,60).
30 | Discipulando Professor 4 |
a Fidelidade
no Casamento
TEXTO BÍBLICO BASE
Mateus 5.27-32
27- Ouvistes que foi dito aos antigos: Não come-
terás adultério.
28- Eu porém, vos digo que qualquer que atentar
numamulherparaacobiçarjá emseu coração
cometeu adultério com ela.
29- Portanto, seo teu olho direito te escandalizar,
arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é
melhorqueseperca umdosteus membrosdo
quetodo o teu corpo seja lançado no inferno.
30- E, se atua mão direitate escandalizar, corta-a
eatira-aparalongedeti, porqueteémelhorque
umdos teus membros sepercado quetodo o
teu corpo seja lançado no inferno.
31 - Também foi dito: Qualquer que deixar sua
mulher, que lhedê carta de desquite.
32- Eu, porém, vosdigoquequalquerquerepudiar
suamulher, anãoserporcausadeprostituição,
faz que ela cometa adultério; e qualquer que
casar com arepudiada comete adultério.
MEDITAÇÃO
Venerado seja entre todos o matrimônio
e o leito sem mácula; porém, aos que se dão
à prostituição e aos adúlteros Deus osjulgará.
(Hb 13.4)
REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA
►SEGUNDA-Gênesis 2.18-25
►TERÇA - Malaquias 2.13-17
►QUARTA -1 Tessalonicenses 4.3-8
'►QUINTA - Provérbios 6.20-35
►SEXTA -J ó 31.1
►SÁBADO - Provérbios 5.15-20
| Discipulando Professor 4 |
ORIENTAÇÃO AO
PROFESSOR
INTERAGINDO COM O ALUNO
O propósito desta lição é esclarecer qual
deve ser a conduta do cristão em relação ao
casamento. É uma oportunidade de esclarecer
aos seus alunos as diferenças entre os valores
do Reino de Deus em relação ao casamento, de
um lado, e os modismos relativistas do mundo,
do outro. O primeiro venera o matrimônio e o
leito sem mácula; o segundo, banaliza o sexo
e os relacionamentos. Alerte também sobre o
perigo da luxúria, que é destrutiva e um passo
para a infidelidade conjugal. Destaque a se­
riedade desse assunto. Para enriquecer mais
esta aula, despertando ainda mais o interesse
e a participação dos seus alunos, fale sobre os
deveres dos cônjuges um para com o outro e
a necessidade que cada um deles tem de lutar
pelo seu relacionamento. Finalmente, ressalte
aos seus alunos que a bússola da nossaconduta
não é os modismos do momento, divulgados
pelos formadores de opinião seculares, mas
a Bíblia Sagrada, a nossa única regra de fé e
prática. Como filhos do Reino, devemos ser
diferentes, remando contra a correnteza de
imoralidade deste mundo.
atingir os seguintes alvos:
►Conscientizar seus alunos de que não
apenas o adultério é pecado, mas tam­
bém a luxúria;
32 | Discipulando Professor 4 |
►Apontar que o pecado não vem de fora
para dentro, mas de dentro para fora;
►Enfatizar a indissolubilidade do casa­
mento como instituição divina.
PROPOSTA PEDAGÓGICA
Uma sugestão para introduzir o tema
da lição de hoje aos seus alunos é começar
lembrando que estamos em uma sociedade
que vive sob uma opressiva divulgação da
sensualidade, exibindo de forma grosseira a
sensualidade em todos os programas, revistas,
meios de comunicação em geral, nas ruas etc.
Em seguida, ressalte como muitas famílias se
encontram hoje destruídas ou desajustadas por
causa do pecado da luxúria, da pornografia, da
infidelidade, da prostituição, da fornicação, do
vício sexual etc. Em seguida, apresente o texto
da lição destacando que esse assunto também
foi alvo da preocupação de Jesus. Mostre, en­
tão, o plano de Deus para a família, a partir do
casamento, que é uma instituição divina criada
com o propósito de ser indissolúvel.
COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO
Estudaremos hoje o segundo caso con­
creto de justiça mais elevada dos seis que
Jesus menciona em seqüência até o final do
capítulo 5 de Mateus. Neste segundo caso, está
em foco o sétimo mandamento do Decálogo:
“Não cometerás adultério” (Êx 20.14; Dt 5,18).
Mais uma vez, Jesus chama a atenção para o
coração. Ele afirma que tão errado quanto à
ação pecaminosa é a intenção pecaminosa, e
que Deus olha tanto a ação quanto a intenção.
No caso específico do adultério, não basta não
cometê-lo: é preciso também não dar lugar à
luxúria no coração, pois aquele que permite
que a luxúria domine a sua alma, mesmo que
não chegue a cometer adultério fisicamente,
no seu coração já o cometeu (Mt 5.28). Isso
significa também que a melhor forma de evitar
a violação do sétimo mandamento é não dar
lugar à luxúria em seu coração.
1. JESUS CONDENA A LUXÚRIA
► 1.1. Luxúria é algo sério. Na sociedade
de hoje, a luxúria, infelizmente, já é vista como
algo normal, quando na verdade, ela trata-se de
algo pernicioso para a vida das pessoas, como
o próprio Jesus asseverou em seu Sermão da
Montanha. Para Jesus, a luxúria era algo sério.
O termo traduzido como “cobiçar”, no versículo
28 de Mateus 5, no original grego, é epithumia,
que significa “desejo intenso por algo ilícito”;
enfim, luxúria, é lascívia. Como explica o te­
ólogo Donald Stamps, “não é o pensamento
repentino que Satanás pode colocar na mente
de uma pessoa, nem um desejo impróprio que
surge de repente; trata-se, pelo contrário, de
um pensamento ou desejo errado, aprovado
pela nossa vontade; é um desejo imoral que a
pessoa procurará realizar caso surja a opor­
tunidade; é o desejo íntimo de prazer sexual
ilícito, imaginado e não resistido” (Bíblia de
Estudo Pentecostal, CPAD, p.1394). Éisso que
Jesus está condenando explicitamente nessa
passagem e que é a porta para a infidelidade
conjugal.
► 1.2. “Arranca-o e atira-o para longe de
ti”.A luxúria éalgo tão sério, e ao mesmo tempo
tão fácil de crescer no coração quando a pessoa
lhe dá lugar, que Jesus usa uma forte figura de
linguagem para enfatizar aos seus discípulos a
necessidade de repeli-la radicalmente de suas
vidas desde sua primeira manifestação. Elaé um
mal que deve ser cortado radicalmente, isto é,
pela raiz, porque a luxúria, uma vez alimentada,
só cresce. A figura que Jesus usa para descrever
a atitude que devemos tomar diante da luxúria é
a de alguém que arranca o seu próprio olho ou
a sua própria mão para que não se corrompa
ít
[...] tão errado
quanto à ação
pecaminosa
é a intenção
pecaminosa [...].
| Discipulando Professor 4
(Mt 5.29,30). A ideia aqui, obviamente, não é de
arrancar os olhos e as mãos literalmente, mas,
sim, a ideia de que “se olhar é um problema para
você, evite fazê-lo”. Ou ainda, parafraseando e
contextualizando essas palavras de Jesus para
os dias de hoje, significa: “Você conhece suas
fragilidades e sabe que não pode ficar brincando
com determinadas coisas, porque elas poderão
despertar emvocê desejos impuros, então nãodê
ocasião para elas, mas corte radicalmente todo
tipo de situação que possa despertar a luxúria
em seu coração. Talvez, o que provoca isso em
você não é ao mesmo tempo tão provocativo
para outra pessoa, mas o que importa é que
você identifique o que o atrapalha nessa área e
corte radicalmente de sua vida tudo aquilo que é
fonte de alimentação da luxúria para você: deter­
minados filmes, revistas, programas, sites etc.”
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1
O vocábulo grego traduzido por “es­
candalizar” em Mateus 5.29,30 é skandalizo
e pode ser traduzido também como “fazer
tropeçar” ou “fazer pecar” . O termo vem do
substantivo skandalon (“escândalo”) que era
usado originalmente para descrever “a isca
de uma armadilha ou laço” e também, poste­
riormente, “o próprio laço ou armadilha” (Co­
mentário Bíblico Beacon, volume 6, CPAD,
p. 60). Como afirma A. T. Robertson, “a noção
34 |Discipulando Professor 4 |
[nessa passagem de Mateus] não é de escan­
dalizar, mas de armar uma armadilha. O subs­
tantivo skandalon [...] significa o pau na arma­
dilha que salta e fecha-a, quando o animal o
toca”; ou seja, Jesus está falando de arrancar
o “olho” e cortar a “mão” quando “se tratam
de uma armadilha”. “Não devemos conside­
rar essas imagens mentais literalmente, mas
como apelos vigorosos e veementes ao do­
mínio próprio. Jesus não está ordenando a
mutilação do corpo, mas o controle do corpo
contra o pecado. Quem brinca com fogo se
queima. A cirurgia moderna ilustra primoro­
samente o ensino de Jesus. Se as amídalas,
dentes ou apêndice estiverem infectados e
não forem retirados, o corpo acabará pere­
cendo. Corte-os a tempo e a vida será salva.
O que Jesus tem em mente é a cirurgia espi­
ritual” (ROBERTSON, A. T. Comentário Ma­
teus & Marcos à Luz do Novo Testamento
Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.73).
2. A INTENÇÃO DO CORAÇÃO
TRANSPARECERÁ NOS
MEMBROS DO CORPO
► 2.1.0 pecado nasce no coração. Durante
o seu ministério, e não apenas no Sermão da
Montanha, Jesusenfatizou que o pecado nasce no
coração do homem. Um dos momentos em que
o fez, está registrado no Evangelho de Marcos,
onde Ele afirma: “Porque do interior do coração
dos homens saem os maus pensamentos, os
adultérios, as prostituições, os homicídios, os
furtos, a avareza, as maldades, o engano, a
dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a
loucura. Todos estes males procedem de dentro
e contaminam o homem” (Mc 7.21-23). É por
isso que Salomão escreveu: “Sobre tudo o que
se deve guardar, guarda o teu coração, porque
dele procedem as saídas da vida” (Pv 4.23).
Tiago, o irmão do Senhor, é claro quanto
à origem das tentações. Ele declara que elas
não provêm de Deus (Tg 1.13) e também não
faz nenhuma referência a elas procederem
diretamente do Diabo ou do mundo. O após­
tolo assevera, conforme aprendeu com Jesus,
que a tentação tem a sua origem, na verdade,
no próprio ser o humano, em sua natureza
pecaminosa (Tg 1.14,15). Ou seja, o mundo e o
Diabo são apenas agentes indutores externos
da tentação.
► 2.2. A natureza pecaminosa. O proble­
ma do pecado está no fato de que os homens
são pecadores por natureza. É verdade que a
tentação envolve induções externas, porém o
pecado sempre é uma escolha da pessoa que
o comete. Em alguns momentos, o desejo de
fazer o que é errado pode estar já presente
de forma natural e em outras vezes, pode ser
estimulado externamente, mas em qualquer dos
casos o indivíduo sempre é o responsável. O
pecado nunca vem de fora para dentro; ele está
dentro de nós, é resultado de nossa natureza
(Mc 7.15). O que vem de fora são apenas estí­
mulos para que o pecado se manifeste dentro
de nós. Logo, as tentações, na verdade, não
exercem alguma força sobre a pessoa para
fazê-la cair, mas apenas revelam a natureza
interior da pessoa e a fragilidade de sua vida
espiritual naquele momento. Basta lembrar
que se não houvesse natureza pecaminosa,
nenhuma tentação seria de fato tentação. O
que torna a tentação de fato “uma tentação"
é o fato de que temos uma natureza pecami­
nosa. Como bem explica Tiago, “cada um é
tentado, quando atraído e engodado pela sua
própria concupiscência” (Tg 1.14). Finalmente,
é importante frisar ainda que ser tentado não
é pecado; pecado é ceder à tentação.
^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2
“Quando um homem se compromete a
‘amar a sua esposa assim como Cristo amou
a Igreja e se entregou por ela’ (Ef 5.25), ele
será sempre fiel. Há uma coisa com que a Igre­
ja pode contar: a fidelidade do Noivo. Nisto a
esposa cujo marido a ama como Cristo amou
a Igreja também pode confiar. Jeremy Taylor,
o grande pregador do século 17, em seu ser­
mão The Marriage Ringo or the Misteriousness
of Marriage (‘A Aliança do Casamento ou os
Mistérios do Casamento’), faz esta cobrança
relativa à fidelidade: ‘Acima de tudo [...] deixe
o noivo preservar, com relação a ela, uma fé
inviolável e uma castidade sem mácula, porque
esta é uma aliança de casamento que amar­
ra dois corações por um laço eterno; é como
a espada flamejante do querubim firmada na
guarda do paraíso. [...] Castidade é a seguran­
ça do amor e preserva todo o mistério como os
segredos de um templo. Sob essa tranca está
depositada a segurança de famílias, a união
de afeições, a reparação de brechas aciden­
tais’. Nossas esposas devem ser capazes de
descansar em nossa fidelidade, tê-la como um
fato. Tudo a nosso respeito - nossos olhos, lin­
guagem, compromissos e paixão - deve dizer a
ela: ‘Sou e serei sempre fiel a você”’ (HUGHES,
R. Kent. Disciplinas do Homem Cristão. Rio
de Janeiro: CPAD, 2005, pp.43,44).
3. A INDISSOLUBILIDADE
DO CASAMENTO
►3.1. O divórcio. Jesus aproveita o tema
do adultério para falar sobre a indissolubilida-
de do casamento. Ele lembra, nos versículos
31 e 32 do texto bíblico base desta lição,
que a lei permitia o divórcio (Dt 24.1-3), mas
que, na verdade, muitos desses divórcios
acabavam sendo adultérios autorizados
legalmente, pois o correto seria o divórcio
só ser permitido, de forma excepcional, nos
casos de adultério, quando então o cônjuge
ofendido teria a possibilidade de divorciar-
se e casar-se novamente. Mais à frente, em
Mateus 19.3-12, Jesus tratará mais detalha­
damente sobre esse assunto e deixará claro
que o casamento foi criado por Deus para
ser uma instituição indissolúvel (Mt 19.4-6).
O divórcio em caso de adultério seria apenas
uma excepcionalidade.
►3.2. A questão do divórcio na época
de Jesus. Na época de Jesus, havia duas
correntes judaicas divergentes na interpretação
do que a lei mosaica afirmava em relação ao
divórcio: Shamai e Hillel. A lei mosaica dizia
que era permitido o divórcio apenas quando^
| Discipulando Professor 4 |
4  portando uma nova identidade - discipulado
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4 portando uma nova identidade - discipulado

  • 2. Arminio e seus escritos As doutrinas bíblicas e teológicas, com o p assar do tem po, foram desenvolvidas e aperfeiçoadas, de tal form a que a teologia que temos hoje é fruto de um longo processo de pesquisa bíblica, m editação e debates na busca do que o hom em entende ser aquilo que Deus realm ente falou em sua Palavra. Uma das m ais im portantes doutrinas teo­ lógicas é a da Salvação. Ela aborda a form a com o som os salvos, por que som os salvos e o m ecanism o dessa salvação. De acordo com a Palavra de Deus, a salvação é ofere­ cida a todos, m as a sua concretização vai depender do livre-arbítrio hum ano, ou seja, o hom em precisa decidir entre rejeitar sua vida de pecados e aceitar a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor, ou rejeitar a Cristo e sujeitar-se à perdição eterna. Jacó Armínio trouxe luz aos debates da salvação pela fé e, por meio do estudo aprofundado da Palavra de Deus, nos ensina que a presciência de Deus não determina antecipadamente quem vai ou não para o céu, pois Cristo morreu por todos indistintam ente, m as apenas aqueles que crerem serão salvos; e a graça de Deus, no tocan te à salvação, pode ser resistida pelo pecador. Obra: ARMÍNIO, Jacó. As Obras de Armínio. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
  • 3. Discipulando^P Sumário Tema: Portando uma Nova Identidade Comentarista: Silas Daniel ► Lição 1 - UM NOVO CARÁTER: A LEI DO REINO DE DEUS.......................................... 3 ► Lição 2 - VOCÊ É SAL E L U Z ................................................................................................ 70 ► Lição 3 - CRISTO, O DISCÍPULO EA LEI.................................................................................. 77 ► Lição 4 - DESVIANDO-SE DA CÓLERA E DO HOMICÍDIO.............................................24 ► Lição 5 - A FIDELIDADE NO CASAMENTO...................................................................... 31 ►Lição 6 - A HONESTIDADE COM AS PALAVRAS...............................................................38 ►Lição 7 - SOBREA VINGANÇA EOAMOR.............................................................. ..............45 ► Lição 8 - SEM HIPOCRISIA, MAS COM VERDADE..........................................................52 ►Lição 9 - ORAÇÃO NÃO MECÂNICA, MAS CONSCIENTE........................................ 59 ►Lição 10 - A AMBIÇÃO DO DISCÍPULO: NÃO A “SEGURANÇA” DOS BENS MATERIAIS..............................................66 ►Lição 11 - NÃO JULGUE O PRÓXIMO, PARA QUE NÃO SEJAS JULGADO.................... 73 ► Lição 12- A BONDADE DE DEUS E OS FALSOS PROFETAS .............,.................... 80 ►Lição 13- JESUS É A NOSSA IDENTIDADE........................................................................ 87 1 | Discipularido Professor 4
  • 4. DíscipulandoProfessor CASA PUBLICADORA DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS Av. Brasil, 34.401 - Bangu Rio de Janeiro - RJ - cep: 21852/002 TeL (21) 2406-7373 / Fax: (21) 2406-7326 Presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil José Wellington Bezerra da Costa Presidente do Conselho Administrativo José Wellington Costa Júnior Diretor Executivo Ronaldo Rodrigues de Souza Gerente de Publicações Alexandre Claudino Coelho Consultoria Doutrinária e Teológica Antonio Gilberto e Claudionor de Andrade Gerente Financeiro Josafá Franklin Santos Bomfim Gerente de Produção e Arte & Design Jarbas Ramires Silva Gerente Comercial Cícero da Silva Gerente da Rede de Lojas João Batista Guilherme da Silva Chefe de Arte S Design Wagner de Almeida Chefe do Setor de Educação Cristã César Moisés Carvalho Editor Marcelo Oliveira de Oliveira Projeto Gráfico - capa e miolo Jonas Lemos Diagramação Nathany Silvares EDITORIAL Prezado professor, Chegamos ao fim do nosso “curso” que fornece as primeiras informações ne­ cessárias ao viver cristão. Esse quarto e último ciclo de estudos fala da nova identidade do convertido ao Evangelho. No ciclo passado, estuda­ mos as aplicações práticas das grandes verdades da Bíblia. Neste, estudaremos acerca da aplicabilidade dos valores do Sermão do Monte. Toda a ética e a moral do Reino de Deus estão explicitadas nes­ se Sermão. O ensino do Sermão do Mon­ te é bálsamo para a nossa vida em Cristo. Que o Senhor o ajude no ensino des­ se último ciclo de estudos. Permita Deus, que nessa última etapa de aprendizado, você e os alunos possam regozijar-se por terem conhecido um pouco mais de como servir ao Mestre. Os Editores. 2 | Discipulando Professor 4 |
  • 5. a Lei Um Novo do Reino Caráter: de Deus TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5.1-12 1- Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; 2 - e, abrindo a boca, os ensinava, dizendo: 3 - Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus; 4 - bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; 5 - bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; 6 - bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; 7 - bem-aventurados os misericordiosos, por­ que eles alcançarão misericórdia; 8 - bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; 9 - bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; 10 - bem-aventurados os que sofrem perse­ guição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus; 11 - bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. 12 - Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim per­ seguiramos profetas queforam antesdevós. MEDITAÇÃO Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, masjustiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. (Rm 14.17) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ►SEGUNDA - Romanos 14.17-19 ►TERÇA-Salmos 51.17 ►QUARTA - Apocalipse 21.4 ►QUINTA-Hebreus 12.14 -t SEXTA - Mateus 6.33 ►SÁBADO - Míqueias 6.8 | Discipulando Professor 4 |
  • 6. ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO O Sermão da Montanha é um dos textos mais importantes da Bíblia para o cristão, por­ que nele Jesus apresenta aos seus discípulos o alto padrão pelo qual eles devem se condu­ zir na vida. Esse padrão se choca frontalmen- te com o estilo de vida pregado pelo mundo. Por isso, a lição deste trimestre se constitui numa excelente oportunidade para incutir na mente e no coração dos seus alunos o estilo de vida do discípulo do Senhor no mundo. Na lição de hoje, enfoque as qualidades que o cristão deve manifestar em seu caráter, e que são apresentadas por Jesus nas oito beatitudes que abrem o seu célebre sermão. Aproveite para ressaltar como elas se diferen­ ciam dos valores apreciados pelo mundo. Em contraste com a autossuficiência, Jesus ensina a humildade de coração; em contraste com a indiferença, Jesus ensina a importância da sensibilidade espiritual; em contraste com o orgulho e a arrogância, Ele ensina a mansidão; em contraste com uma vida acomodada, Ele nos ensina a termos fome e sede pelas coisas espirituais; em con­ traste com o egoísmo, a misericórdia; em con­ traste com a malícia, a pureza de coração; em contraste com uma conduta situacionista, a fidelidade ao que é certo mesmo no momento de dificuldade. Destaque essas diferenças e inspire seus alunos a viverem o padrão do Reino de Deus em suas vidas. OBJETIVOS Sua aula deverá alcançar os seguintes objetivos: ►Conscientizar seus alunos sobre o que é a verdadeira felicidade segundo a Bíblia; ►Diferençar o padrão moral do Reino de Deus do estilo de vida do mundo; t Inspirar seus alunos a viverem o padrão estabelecido por Jesus no Sermão do Monte. PROPOSTA PEDAGÓGICA Para introduzir a lição, proponha a se­ guinte reflexão aos seus alunos: “Afinal de contas, o que é felicidade? Ela está relacio­ nada a coisas ou a um modo de vida?”. Em seguida, explique-lhes que Jesus se importa­ va com esse tema porque, depois de esco­ lher os seus primeiros discípulos, Ele pregou o Sermão da Montanha, cujo objetivo era o de ensiná-los a viver e se conduzir. Conscientize os seus alunos sobre a importância de, como filhos de Deus, desen­ volvermos em nossas vidas as qualidades apresentadas por Jesus nas oito beatitudes expostas no Sermão do Monte. 4 | Discipulando Professor 4 |
  • 7. COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO No primeiro ciclo do nosso curso, estudamos sobre o Reinode Deusea pessoadeJesus Cristo. Neste trimestre, o último, desta série de quatro ciclos de estudos, estudaremos o caráter dos filhos deste Reino, ou seja, os valores que devem orientar e caracterizar a vida de todos aqueles que um dia entregaram as suas vidas a Jesus, tomando-se filhos, membros e embaixadores do Reino de Deus. Como membros deste Rei­ no, temos a responsabilidade de viver de forma condizente com ele, e essa nova forma de viver encontra-se resumida no chamado Sermão da Montanha, proferido por Jesus no início do seu ministério terreno. Esse célebre sermão de Jesus encontra-se, em suatotalidade, nos capítulos 5 a 7 do Evangelho de Mateus, cujos textos servirão de base para o nosso estudo neste ciclo. 1.O SERMÃO DA MONTANHA E O CARÁTER DOS FILHOS DO REINO ►1.1.0 Sermão da Montanha. O “Sermão da Montanha” ou “Sermão do Monte” é a mais célebre mensagem de Jesus registrada na Bíblia. Ele recebeu esse nome porque Jesus o proferiu quando estava assentado sobre um monte, rodeado por seus discípulos e tendo uma multidão na planície a ouvi-lo (Mt 5.1,2; Lc 6.17-20). Originalmente, Jesus proferiu esse ensino para os seus discípulos. Mas a multidão na planície, ao pé daquela elevação, também acabou desfrutando do seu ensinamento nesse dia (Mt 7.28). Quando proferiu esse sermão, o Mestre havia escolhido, não fazia muito tempo, os seus primeiros discípulos (Mt 4.12-25) e os doze apóstolos (Lc 6.12-16), e desejava agora, por meio desse sermão, ensiná-los sobre o verdadeiro discipulado, sobre como seus dis­ cípulos deveriam viver e se conduzir. O Sermão da Montanha apresenta, portanto, o padrão de vida e de comportamento estabelecido por Deus para os seus filhos. ►1.2.0 caráter dos filhos do Reino. Jesus abre o Sermão da Montanha falando aos seus discípulos sobre um assunto muito importante: a relação entre o caráter e a felicidade. Ora, sa­ bemos que o objetivo de vida do ser humano é buscar afelicidade. Não hádúvida de quetodas as pessoas, de alguma forma, procuram ser felizes. Entretanto, nem todas realmente conseguem isso. O máximo que a maioria consegue são momentos passageiros de euforia, não poucas vezes seguidos por momentos de depressão. No entanto, felicidade, tem a ver com o estilo de vida, ou seja, não tem nada a ver com “ter”, mas, sim, com “ser”. Mais especificamente, tem a ver com o que chamamos de “caráter”. É o que Jesus ensina em seu Sermão da Montanha. No texto bíblico que serve de base para a lição de hoje, vemos Jesus chamando de “bem-aventuradas” - ou “felizes” - pessoas que apresentam determinadas qualidades em seu caráter que são manifestadas no seu dia a dia. Ele não está falando, aqui, de temperamentos, mas de caráter que se manifesta em atitudes concretas, um caráter que é fruto da ação do Espírito de Deus em nossas vidas. Qualquer pessoa, não importa seu temperamento, uma vez que se submeta a essa ação divina, pode manifestar esse novo caráter em sua vida e, consequentemente, novas atitudes. Ao afirmar que felizes são os humildes, os mansos, os misericordiosos e os pacificadores, Jesus está dizendo que a verdadeira felicidade é uma conseqüência natural na vida daqueles que manifestam no seu dia a dia um estilo de vida baseado nos valores divinos. Somente esse estilo de vida, produzido pela transformação | Discipulando Professor 4 |
  • 8. que o Evangelho de Cristo opera em nossas vidas, pelo poder do Espírito Santo, poderá proporcionar a verdadeira felicidade. As qualidades desse novo estilo de vida são as marcas distintivas dos filhos do Reino, são marcas identificadoras dos verdadeiros filhos de Deus. Quando buscamos diariamente a Deus e permitimos Ele agir em nossas vidas, por intermédio da sua Palavra e da oração, o Espírito de Deus prodüz essas qualidades em nossa vida cotidiana (Gl 5.22). Eentre os frutos por Ele produzidos em nós estão uma paz e uma alegria novas, diferentes e especiais. Essa alegria é de ordem espiritual, é um prazer e uma satisfação em servir a Deus e às pessoas, uma sensação de realização e de preenchimento de alma que nada neste mundo pode proporcionar. O amor de Deus é derramado em nosso coração (Rm 5.5), a presença divina se torna patente em nossa vida, animando-nos. Ea paz que passamos a experimentar, a paz que vem de Cristo (Jo 14.27), é do tipo que “excede todo entendimento” (Fp 4.7), porque, diferentemente da paz mundana, ela não é sentida apenas nos momentos de bonança, o que é natural, mas também nos momentos de dificuldade, nos fazendo vencer o desespero e o medo nas situações difíceis. O filho de Deus consegue alegrar-se e exultar até mesmo na - e apesar da - perseguição, porque o Deus de paz guarda o seu coração em meio às dificuldades mais intensas. Por fim, é importante frisar ainda que quando Jesus diz que os filhos do Reino são bem-aventurados, Ele não se refere a uma realidade apenas presente da vida, mas tam­ bém ao que lhes reserva a eternidade. Logo, os filhos do Reino ganharão benesses eternas que nenhum outro ser humano poderá gozar: “herdarão a terra”, “serão fartos”, “verão a Deus”, receberão “grande galardão nos céus” (Mateus 5.5,6,8,12) etc. Sob qualquer perspectiva, sejaado presente ou a do futuro, os filhos do Reino são felizes. ^ AUXÍLIO DEVOCIONAL1 “O rei Herodes estabeleceu muitas novas cidades durante os quarenta anos do seu rei­ nado. Em cada ocasião, ele recrutou cidadãos, prometendo-lhes muitos benefícios especiais, incluindo cidadania, redução de impostos, ter­ ras etc. Este era um costume comum no Impé­ rio Romano durante a era de Augusto, quando muitas cidades novas foram fundadas. Mas é difícil imaginar um governante convocando ci­ dadãos e anunciando que no seu reino os re­ crutados receberão pobreza de espírito, man­ sidão, choro, fome e sede, e até mesmo per­ seguição. No entanto, essas são as bênçãos que Jesus oferece àqueles que reivindicam a cidadania que Ele descrevia. Além disso, o Rei Jesus disse que os pobres de espírito, os man­ sos e os que choram são bem-aventurados! Ele não oferece uma mudança nas condições, mas a bênção nas condições que desgostam os cidadãos deste mundo. As Bem-Aventuran- ças permanecerão um mistério, a menos que nos demos conta de que Jesus está falando de atitudes básicas e valores que produzem frutos espirituais” (RICHARDS, Lawrence. Co­ mentário Devocional da Bíblia. Rio de Janei­ ro: CPAD, 2012, p.556). 2. AS BEM-AVENTURANÇAS ► 2.1. “Bem-aventurados os pobres de espírito”. A expressão “pobres de espírito” se refere àqueles que são humildes de coração. Lucas 6.20 diz apenas “Bem-aventurados os pobres”,emvez de “Bem-aventurados os pobres de espírito”. Mas isso ocorre porque, na cultura judaica da época de Jesus, mais especificamente desde o fim do cativeiro babilônico, os judeus passaram a usar muitas vezes o termo “pobres” para se referir “aos piedosos, em contraste com os opressores ricos, ímpios e mundanos dos pobres”; logo, “as afirmações em Mateus [5.3] e Lucas [6.20] significam a mesma coisa” (Comentário Bíblico Beacon, CPAD, vol. 6, p.54). Os pobres de espírito são aqueles que reconhecem a sua necessidade espiritual, a 6 | Discipulando Professor 4
  • 9. sua dependência de Deus; são aqueles que destronam o orgulho. Jesus diz que somente os que manifestam essa disposição em seus corações “herdarão o Reino de Deus”. ►2.2. “Bem-aventurados os que cho­ ram”. Jesus refere-se aqui àqueles que são quebrantados de coração, sensíveis para as coisas de Deus, para o que é certo, para as coisas espirituais. São aqueles que choram, em primeiro lugar, arrependidos, em reconheci­ mento pelos seus pecados - estes alcançarão consolo através do perdão divino. Mas eles também são aqueles que choram sincera­ mente pelo seu próximo, sensibilizados pelo sofrimento e o estado espiritual dos outros, e intercedendo por estes com confiança no Senhor. São ainda aqueles que choram por mais de Deus para suas vidas. Todos estes “serão consolados”, abençoados pelo Senhor. ►2.3. “Bem-aventurados os mansos”. Mansidão, aqui, não é uma aparência de mo­ déstia, nem é também uma referência a apenas ser paciente com as pessoas. O termo aqui refere-se a mais do que isso. Ele significa, sim, não ser arrogante, mas é, sobretudo, uma referência à submissão sincera a Deus, a uma atitude constante de submissão à vontade divina. É não exasperar-se, mas confiar em Deus, entregar sua vida totalmente a Ele e seguir plenamente a vontade divina para sua vida, não importando as circunstâncias. Os que assim procedem “herdarão a terra”, isto é, reinarão com Cristo na terra futura. ►2.4. “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça”. A expressão "justiça” aqui é tanto uma alusão às bênçãos espirituais quanto à conduta ética; ela é tanto dotação graciosa da parte de Deus a ser experimentada quanto exigência ética a ser vivenciada. Uma coisa está intimamente relacionada à outra. “Fome e sede de justiça” é uma referência à busca ávida, prazerosa e constante pelo exercício da justiça divina em nossas vidas como uma forma de nos aprofundarmos mais na maravilhosa graça que recebemos do Se­ nhor. Ou seja, se alguém tem mesmo fome pelas coisas de Deus, sede por mais da sua presença sobre sua vida, então deve ter ao mesmo tempo fome e sede de buscar a sua vontade em obediência. Aqueles que buscam mais da vontade de Deus para as suas vidas recebem mais dEle. Eles serão “fartos”, isto é, plenamente satisfeitos em Deus. ►2.5. “Bem-aventurados os misericor­ diosos”. Misericórdia é a bondade em ação. Quem recebeu a misericórdia de Deus tem a obrigação de ser misericordioso para com os outros. O cristão que não é misericordioso está, na prática, desprezando a misericórdia de Deus em sua vida, pela qual foi salvo. Jesus é claro: somente os misericordiosos “alcançarão misericórdia”. ►2.6. “Bem-aventurados os limpos de coração”. Ser limpo de coração é ser puro de coração, é ter um coração santificado, o que só é possível quando permitimos que o amor de Deus seja derramado em nosso coração pelo Espírito Santo (Rm 5.5). Somente um co­ ração puro poderá ver Deus, no sentido tanto de usufruir da sua presença gloriosa aqui na terra quanto de um dia vê-lo face a face na eternidade. A Bíblia é clara: sem santificação, ninguém verá o Senhor (Hb 12.14). ►2.7. “Bem-aventurados os pacifica­ dores”. Aqueles que foram salvos em Cristo têm paz com Deus (Rm 5.1) e são chamados para serem pacificadores, promotores da paz. Jesus apresenta o ser pacificador como uma característica marcante da identidade do cris­ tão, isto é, do caráter que ele deve manifestar como filho de Deus (Mt 5.9). Alguém que se diz cristão e semeia contendas, ou é do tipo que não está nem aí se “o circo pegar fogo”, não é um cristão verdadeiro. Pois um verdadeiro cristão faz tudo o que estiver ao seu alcance para promover a paz entre as pessoas. ►2.8. “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça”. Este texto não se aplica àqueles que se fazem de vítimas ou que deliberadamente provocam | Discipulando Professor 4 |
  • 10. situações de conflito, mas àqueles que, por fazerem o que é certo, por cumprirem a von­ tade de Deus, são perseguidos pelo mundo. Estes são bem-aventurados, porque Deus os galardoará grandemente nos céus pela sua fidelidade em melo às provações. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “A palavra ‘bem-aventurados’ refere-se ao estado abençoado daqufeles que, por seu rela­ cionamento com Cristo e a sua Palavra, rece­ beram de Deus o amor, o cuidado, a salvação e sua presença diária. Hácertas condições neces­ sárias para recebermos as bênçãos do Reino de Deus. Para recebê-las, devemos viver segundo os padrões revelados por Deus nas Escrituras, e nunca pelos do mundo. A primeira destas con­ dições é ser ‘pobre de espírito’, o que significa reconhecermos que não temos qualquer autos- suficiência espiritual; que dependemos da vida do Espírito, do poder e da graça divinos para podermos herdar o Reino de Deus” (STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, p.1392). 3. NÓS SOMOS BEM-AVENTURADOS Os filhos de Deus são bem-aventurados, felizes, porque eles rejeitaram os valores do mundo e abraçaram os valores eternos do Reino de Deus, sem os quais é impossível alguém ser feliz neste mundo perdido. Ao final do Sermão do Monte, Jesus é claro: somente aqueles que praticam os valores ensinados por Ele em seu sermão, dentre eles, aqueles valores apresentados nas oito bem-aventuranças, não serão abalados es­ piritualmente, mas permanecerão firmes para sempre (Mt 7.24,25). ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 “A justiça é mencionada aqui represen­ tando todas as bênçãos espirituais (SI 24.5; Mt 6.33). Elas nos são compradas pela justi­ ça de Cristo, transmitidas e asseguradas pela imputação dessa justiça a nós, e confirmadas pela fidelidade de Deus. Vários fatos definem o que é essa justiça: o fato de Cristo ter sido feito a justiça de Deus por nós; o fato da justi­ ça de Deus ter sidó feita nEle; e o fato de todo homem ter sido renovado na justiça, tornando- se um novo homem, trazendo em si mesmo a imagem de Deus, passando a ter um interesse em Cristo e nas suas promessas. Destas coi­ sas devemos ter fome e sede. Nós verdadeira­ mente devemos desejá-las, como alguém que tem fome e sede deseja beber e comer e não consegue ficar satisfeito com nenhuma coisa, a não ser alimento e bebida; e será satisfeito com estas coisas, embora sinta necessidade de ou­ tras. Os nossos desejos de bênçãos espirituais devem ser fervorosos e importunos” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testa­ mento: Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.45). CONCLUSÃO A verdadeira bem-aventurança está em Cristo. Em meio às tensões deste mundo, não há como se conduzir de forma melhor e mais abençoada se não seguindo às diretrizes de Jesus para a nossa forma de viver. Sejamos, pois, humildes de coração; sensíveis às coisas de Deus, sensíveis ao que é correto; sejamos submissos à vontade divina; sejamos pessoas que não se acomodam em sua vida espiritual, mas que buscam sempre mais de Deus; sejamos misericordiosos; pacificadores; puros de coração; sempre fiéis, mesmo em meio às provações. Somente assim seremos, de fato, bem-aventurados! APROFUNDANDO-SE “As virtudes que Jesus exalta no Sermão do Monte são quase que exatamente o oposto daquelas admiradas pelos gregos e romanos em seus dias” (Comentário Bíblico Beacon, vol.6, p.56). “Não é a pessoa que afirma ser bem-sucedida es­ piritualmente que encontra o Reino, mas 8 | Discipulando Professor 4 |
  • 11. o indivíduo que reconhece enquanto é pobre (v. 3). Não é a pessoa que está sa­ tisfeita com o que o mundo lhe oferece, mas a pessoa que chora, e olha além do brilho do mundo, a que encontra consolo (v. 4). Não é a pessoa que é arrogante, mas o manso, que responde à voz de Deus, o que herdará a terra (v. 5). Os que serão fartos não são aqueles que estão satisfeitos com a sua própria justiça, mas os que têm fome e sede de uma justiça que não têm” (RICHARDS, Lawrence. Comentário Devocional da Bíblica. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.556) r j SUGESTÃO N l / / DE LEITURA ►Crescimento em Cristo Orientações bíblicas para o novo convertido com exposições dos passos fundamentais da nova vida em Cristo e de como vivê-la vitoriosamente. ^ 12 Princípios para Fortalecer sua Cami­ nhada com Cristo Torne-se o tipo de pessoa que caminha com Deus e exerça influência de Deus em seu mundo. Com um panorama conciso, diversos exemplos e ideias práticas, este poderoso guia o ajudará a desenvolver a maturidade que todo o homem de Deus foi criado para refletir. VERIFIQUE SEU APRENDIZADO 1 .Qual o propósito do Sermão da Montanha? R. Ensinar sobre o verdadeiro discipulado, sobre como os discípulos de Cristo deveriam viver e se conduzir. 2 . O que é a verdadeira felicidade? R. A verdadeira felicidade é uma conseqü­ ência natural na vida daqueles que manifestam em seu caráter um estilo de vida baseado nos valores divinos. 3. Qual o significado da expressão “pobre de espírito”? R. Refere-se àqueles que são humildes de coração. 4. Quando Jesus falou dos “mansos”, Ele estava se referindo apenas àqueles que não são arrogantes com os outros? R. Não. Ele se referia também e principal­ mente à submissão sincera a Deus, a uma atitude constante de submissão à vontade divina. 5.0 que significater “fome e sede dejustiça”? R. Se refere à conduta ética, isto é, a exi­ gência ética a ser vivenciada, quanto a fome pelas coisas de Deus, sede por mais da sua presença sobre nossas vidas. ►Enquanto os pregadores, oradores e professores de hoje seguem o costume grego e romano de ficar em pé para falar, os mestres judeus sempre se sentavam enquanto ensinavam (Comentário Bíbli­ co Beacon, CPAD, vol.6, p.53). Por isso encontramos na Bíblia Jesus proferindo muitos ensinos assentado, como no caso do Sermão da Montanha. | Discipulando Professor 4 |
  • 12. Vocêé Sal e Luz TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5,13-16 13 - Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insí­ pido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens. 14 - Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; 15 - Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa. 16 - Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus. MEDITAÇÃO Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo. (Fp 2.15) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ►SEGUNDA - Provérbios 4.18 ►TERÇA - Filipenses 2.14,15 ►QUARTA - Malaquias 3.16-18 ►QUINTA-João 17.20-23 ►SEXTA - Efésios 5.8-13 ►SÁBADO-1 Pedro 2.9,10 10 | Discipulando Professor 4 I f ------- ^ ----------- -- - ----------- - í
  • 13. ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR ►Conscientizar seus alunos das responsabili­ dades que temos de influenciar a sociedade. PROPOSTA PEDAGÓGICA INTERAGINDO COM O ALUNO Na lição de hoje, o seu objetivo principal deve ser conscientizar alunosde que serfilho de Deus não significa apenas ter a bênção divina sobre a nossa vida, mas também responsabi­ lidades. Seus alunos devem compreender que todo o cristão tem sobre si um chamado divino parafazerdiferençanestemundo, influenciando-o positivamente com os valores do Evangelho. Seu aluno precisa saber ainda que essa influência positiva se manifesta não apenas através da pregação do Evangelho, mas tam­ bém por intermédio de uma vida que encarna os valores do Evangelho. Explique como as figuras do sal e da luz, usadas por Jesus, ilus­ tram perfeitamente o tipo de influência que o cristão deve exercer sobre o mundo. ►Inspirar seus alunos a fazerem a diferen­ ça neste mundo através da pregação do Evangelho e das boas ações que encar­ nam os valores divinos; Ressalte também a importância das boas obras, ressalvando que elas não devem ser praticadas por ostentação, mas como fruto do amor de Deus derramado em nossos corações. E, finalmente, enfatize que essa influência posi­ tiva que o cristão deve exercer sobre o mundo precisa se manifestar em todas as esferas de atuaçãodo cristão, acomeçarda suacasa, pas­ sando pelo seu trabalho, escola e universidade, e atingindo todo o mundo. OBJETIVOS Sua aula deverá alcançar os se­ guintes objetivos ►Explicar o significado e as implica­ ções, na vida do cristão, das expres­ sões “sal da terra” e “luz do mundo”; Inicie a aula falando da importância do sal e da luz para o nosso dia a dia. Em um pri­ meiro momento, destaque como é ruim comer algo sem sabor e como é desconfortável estar­ mos em um lugar mal iluminado. Em seguida, ressalte o contrário: como é agradável comer algo com sabor e como é bom estarmos em um ambiente iluminado. Após a exposição des­ ses contrastes, leia o texto bíblico que serve de base para a lição de hoje e introduza o assunto, enfatizando inicialmente que ser filho de Deus é uma bênção, mas esta bênção, como todas as outras, traz consigo responsabilidades. Acres­ cente, em seguida, que Jesus usou as figuras do sal e da luz exatamente para ilustrar o tipo de influência que somos chamados a exercer sobre a sociedade como cristãos. Não se es­ queça de aplicar os objetivos da lição ao dia a dia dos seus alunos, mostrando como eles podem fazer diferença no mundo onde estão. Discipulando Professor 4
  • 14. COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Deus nos chamou para fazer diferença neste mundo, para influenciá-lo. Você não foi chamado por Deus para apenas receber bênçãos, mas para também, e principalmente, ser bênção para a vida das pessoas: bênção para sua família, bênção para a sua igreja, bênção para a sociedade e bênção para o mundo. Por isso, logo após Jesus falar sobre o caráter do cristão e a verdadeira felicidade, Ele passa a ensinar sobre a responsabilidade que o cristão tem de influenciar positivamente o mundo. E para ilustrar como deve se dar essa influência positiva, Jesus usou dois símbolos do cotidiano das pessoas: a luz e 0 sal. Veremos na lição de hoje como esses dois símbolos - o sal e a luz - ilustram perfei­ tamente a influência do cristão na sociedade. 1 . “VÓS SOIS O SAL DA TERRA” ► 1.1. “Sal da terra”. Jesus afirma que o cristão verdadeiro é como o “sal” (Mt 5.13). O sal” fala de um tipo específico de influência que o cristão exerce. O detalhe inicial, porém, é que Jesus não diz que seus discípulos deveriam ser “sal” apenas na região em que viviam. O mestre afirma que eles deveriam ser o “sal da terra” - isto é, deveriam fazer diferença em todo o mundo. Os discípulos de Cristo foram chamados para serem tes­ temunhas do Evangelho em Jerusalém, em toda Judeia e Samaria, e até os confins da Terra (Atos 1.8). Aplicando esse chamado às nossas vidas hoje, Jerusalém representaria a nossa cidade; Judeia representaria o nosso Estado; Samaria representaria os Estados vizinhos; e os confins da Terra representariam, claro, todo o mundo. ► 1.2. Os atributos do sal. Quanto ao tipo de influência ao qual Jesus se refere, sabemos que o sal tem dois atributos prin­ cipais: dar sabor e conservar. Logo, Jesus está dizendo que o cristão exerce influência sobre o mundo dando-lhe “sabor” e ajudan­ do a conservar determinadas coisas cuja íí Você não foi chamado por Deus para apenas receber bênçãos, mas para também, e principalmente, ser benção para a vida das pessoas J5 12 | Discipulando Professor 4 |
  • 15. preservação significa um grande bem para a sociedade. Mas o que é “dar sabor” ao mundo? E que tipos de coisas o crente pode e deve preservar por meio da sua influência sobre a sociedade? ►1.3. Dando sabor. Uma vez que o sal tem como função dar sabor, Jesus está afirmando, ao referir-se aos seus discípulos como “sal da terra”, que eles poderiam e deveriam dar “sabor” ao mundo por meio de suas vidas. Ao serem mansos, humildes, sensíveis moral e espiritualmente, incansáveis na busca de Deus, misericordiosos, limpos de coração e pacificadores (Mt 5.1-12), os discípulos estariam manifestando ao mundo, por meio de suas vidas, os valores divinos e, dessa forma, influenciando positivamente as pessoas. Ou seja, “salgar” o mundo, na linguagem de Jesus, significa, em primeiro lugar, influenciar positivamente as pessoas por intermédio do exemplo. Mas, não só pelo exemplo. Dar “sabor” ao mundo fala também da mensagem do Evangelho, que é a única a dar um sentido real à vida do ser humano. O Evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que nele crer (Rm 1.16). O testemunho cristão, seja por meio da pregação do Evangelho ou da própria vida que manifesta os valores do Reino de Deus no dia a dia, é o verdadeiro sentido de “dar sabor” ao mundo. ►1.4. Conservando. O atributo de conservar, do elemento do sal, ilustra muito bem outro tipo de influência positiva que o cristão verdadeiro exerce sobre a sociedade: o poder de deter ou resistir à corrupção do mundo. Corrupção, aqui, é aquela tanto na área moral como espiritual - aliás, essas áreas estão intimamente relacionadas, porque a nossa condição espiritual afeta o nosso comportamento, nossas escolhas, nossa moral. Como “sal da terra”, o cristão verdadeiro não se conforma com o padrão moral e espiritual da sociedade em que vive, militando assim contra o mal e a corrupção na sociedade. ►1.5. “Pisado pelos homens”. Jesus disse que se o sal perder os seus atributos, “para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens” (Mt 5.13). Isso significa que aqueles cristãos que deixam de cumprir a sua responsabilidade de influenciar o mundo positivamente com suas vidas particulares e com a mensagem do Evangelho são espiritualmente “insípidos” e por isso acabam sendo “destruídos pelos maus costumes e pelos baixos valores da sociedade ímpia” (Bíblia de Estudo Pente- costal, CPAD, p.1393). AUXÍLIO DIDÁTICO 1 “O sal não perde a sua salinidade se é cloreto de sódio puro. Isso nos leva à suges­ tão do que Jesus quis dizer quando disse aos discípulos que eles deixariam de ser dis­ cípulos se perdessem o caráter do sal. O sal não refinado do Mar Morto continha a mistu­ ra de outros minerais. Deste sal em estado natural o cloreto de sódio poderia sofrer lixi- viação em conseqüência da umidade, torna­ do-se imprestável. O ensino rabínico asso­ ciava a metáfora do sal à sabedoria. Esta era a intenção de Jesus, visto que a palavra gre­ ga traduzia por ‘nada mais presta’ tem ‘tolo’ ou ‘louco’ como seu significado radicular [na raiz da palavra]. É tolice ou loucura os discí­ pulos perderem o caráter, já que assim eles são imprestáveis para o Reino e a Igreja, e colhem o desprezo” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentá­ rio Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.43). 2. “VÓS SOIS A LUZ DO MUNDO” ►2.1. “Luz do mundo”. Assim como no caso da expressão “sal da terra”, a expressão “luz do mundo” deixa claro que o cristão deve exercer a sua influência no mundo inteiro, em todas as áreas de sua atuação na sociedade. Discipulando Professor 4 |
  • 16. A luz do Evangelho, manifestada em sua vida, não deve ser transmitida apenas para os seus familiares, mas no trabalho, na escola, na universidade etc. Onde o cristão estiver, ali, ele deve ser luz! ►2.2. Refletindo a luz de Cristo. O mesmo Jesus que chamou seus discípulos de “luz do mundo” afirmou certa vez que Ele era a “luz do mundo” (Jo 8.12). Isso significa que a luz que devemos refletir ao mundo é a luz que recebemos de Cristo pelo poder do seu Evangelho e da ação do Espírito Santo em nossas vidas. Da mesma forma que “a lua reflete a luz do sol no lado escurecido da terra, a igreja deve refletir os raios do ‘Sol da Justiça’ [Jesus] (Ml 4.2) em um mundo escurecido pelo pecado” (Comentário Bíblico Beacon, vol.6, CPAD, p.57). 2.3. Iluminando lugares em trevas. A luz tem o poder de iluminar e aquecer. Da mesma forma, a influência do cristão na sociedade deve ser como a ação da luz, dissipando as trevas da confusão, do pecado, da imoralidade e do erro, e aquecendo aqueles que estão se sentindo “frios” neste mundo. ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 2 “Jesus explicou aos seus discípulos a verdadeira natureza do seu chamado: eles seriam o sal de um mundo sombrio e a luz de um mundo escuro e pecador, mas fariam isso apenas por causa daquele que veio como a ‘luz do mundo’. Esse grupo de ho­ mens trouxe o sal que podemos saborear e a luz que podemos ver todos os dias. A nos­ sa tarefa é transmitir a outros o ‘sal’ e ‘ilu­ miná-los’ através da verdade do Evangelho. A pergunta de Jesus: ‘Se o sal for insípido, com que se há de salgar?’ não requer uma resposta, pois todos sabem que, uma vez que o sal se deteriora, já não pode mais ser usado para conservar os alimentos. Assim como o sal conserva e realça o melhor sabor dos alimentos, os crentes devem ser o ‘sal da terra’ e influenciar as pessoas positivamente. Jesus disse aos seus discípulos que se qui­ sessem fazer a diferença no mundo também teriam que ser diferentes do mundo. Deus iria considerá-los responsáveis por manter a sua ‘salinidade’ (isto é, a sua utilidade). Devemos ser diferentes se quisermos fazer a diferença” (Comentário do Novo Testamento Apli­ cação Pessoal, vol.1, CPAD, 2012, p.38). 3. INFLUENCIANDO A SOCIEDADE ►3.1. Boas obras. Ao final dessa passa­ gem, Jesus explica que a luz do cristão são as suas boas obras (Mt 5.16). Por intermédio das boas obras, o cristão manifesta os valores do Reino de Deus ao mundo, influenciando muitas vidas para o Senhor. Jesus ressalta que os diretamente afetados por essas boas ações, em resposta, louvam “vosso Pai, que está nos céus”. Quando encarnamos os valores do Evangelho em nossas vidas, louvamos a Deus, e o mais importante, nós colocamos em prática e ratificamos aquilo que afirmamos com os nossos lábios. E também nossas ações acabam inspirando poderosamente outras pessoas que não conhecem a Deus, a buscá-lo e adorá-lo. Em meio às trevas espirituais deste mundo, quando um crente pratica as boas obras, seus atos são como um facho de luz em meio às densas trevas, sendo logo percebidos pelas pessoas. ►3.2 - Não se deve esconder a luz, mas manifestá-la. Ao falar do cristão como luz, Jesus enfatizou que essa luz deve ser manifestada, nunca escondida. Ele com­ para o cristão verdadeiro a uma cidade edificada sobre um monte, ressaltando que não dá para esconder uma cidade assim (Mt 5.14). Em seguida, o Mestre lembra que não se pode acender uma candeia e coio- cá-la debaixo do alqueire, mas no velador, para dar luz “a todos que estão na casa” (Mt 5.15). Candeia era uma lâmpada pequena 14 | Discipulando Professor 4 |
  • 17. nos dias de Jesus, geralmente do tamanho da mão de um homem, feita de barro e seu fogo era alimentado por azeite. O velador, por sua vez, era o local onde a candeia era colocada, e que sempre era um local alto, para que a luz da candeia pudesse, a partir de cima, aspergir sua luminosidade sobre todo o cômodo onde se encontrava. O alqueire era uma referência a medidas de cereal ou a cubas de farinha dç trigo medidas por um cesto. Ora, uma lâmpada nunca poderia ficar escondida debaixo de um cesto. Para alcançar o seu objetivo de iluminar “a todos que estão na casa”, ela deveria ser sempre colocada no lugar mais alto e ideal: o vela­ dor. Assim é o cristão: sua luz não deve ser escondida, mas manifestada de tal forma que possa alcançar e atingir a todos à sua volta. A luz que o cristão recebe de Cristo deve resplandecer “diante dos homens” (Mt 5.16a). Eeles a veem justamente por meio das nossas boas obras (Mt 5.16b). ^ AUXÍLIO DIDÁTICO 3 “Não era incomum os judeus conside­ rarem Deus o Pai da nação de Israel, mas Ele ser o Pai de indivíduos é uma caracte­ rística do ensino de Jesus e também está bem desenvolvido na literatura da Igreja. O termo ‘vosso Pai’ ocorre frequentemen­ te no Sermão da Montanha (Mt 5.45; 6.1,9; 7.11). O motivo para fazermos obras é que as pessoas glorifiquem o Pai celestial, não a nós. Aqueles que fazem o bem por motivos egoístas recebem o odioso título de ‘hipó­ critas’ (Mt 6.1-4)” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bí­ blico Pentecostal Novo Testamento. 1.ed, Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.44). CONCLUSÃO O cristão não deve ser influenciado pelo mundo (Romanos 12.2), ele deve influenciar o mundo. Resumidamente, ser “sal da terra” e “luz do mundo” nada mais é do que isso. O cristão é chamado por Deus para fazer diferença na vida das pessoas à sua volta, em todos os lugares onde se encontra. O cristão deve ser exemplo na sua família, como pai, mãe, esposa, esposo, filho, filha, irmão e irmã; ele deve ser exemplo na vida secular, como estudante, como profissional, como cidadão; ele deve ser uma “amostra ambulante” do amor de Deus ao mundo, manifestando-o em favor dos outros; deve pregar os valores do Evangelho em contraste com os valores invertidos deste mundo; e deve também levar a mensagem transfor­ madora do Evangelho ao maior número de pessoas como demonstração desse amor. Deus espera isso de seus filhos. Ser filho de Deus é a maior bênção que alguém pode experimentar na vida, mas, como toda bênção, esta também exige responsabilidades, deveres que não podem ser de forma alguma ignorados pelo cristão. ií A luz que o cristão recebe de Cristo deve resplandecer “diante dos ho­ mens” (Mt 5.16a) j j | Discipulando Professor 4 |
  • 18. APROFUNDANDO-SE “Os resultados do perdão” 1. Reconciliação. Deus perdoa, existe uma transformação imediata e completa no relacionamento. Em vez de hostili­ dade, há amor e aceitação. Em vez de inimizade, Deus está sempre trabalhando, ‘reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação’ (2 Co 5.19)... Quando Deus nos perdoa e nos purifica de nosso pecado, Ele também o esquece: ‘Porque serei misericordioso para com suas iniquidades e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais’ (Hb 8.12. Veja também S1103.12; Is 38.12)... o resultado do perdão é que Deus retira as acusações contra nós. Ele não nos imporájuízo porcausa de nossos pecados. Jesus disse à mulherflagrada em adultério: ‘nem eu também te condeno; vai-te e não peques mais’ (Jo 8.11; veja também Rm 8.1)” (Billy Graham Responde. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, pp.258-59). SUGESTÃO DE LEITURA ^ Perfeitamente Imperfeito O ser humano, por natureza tem muitas falhas e defeitos. Através dos exemplos bíbli­ cos do Antigo Testamento podemos perceber que Abraão, Moisés, Elias e tantos outros passaram por momentos de desespero e aflição, mas foram usados por Deus apesar de suas imperfeições. Deus capacita os in­ capacitados, fortalece os fracos, consola os oprimidos e refrigera os aflitos. VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO 1 . Quais os dois símbolos do dia a dia usados por Jesus para ilustrar a influência do cristão no mundo? R. O sake a luz. 2 . O atributo do sal em dar sabor refere-se a que tipo de influência que o cristão exerce na sociedade? R. A influência pelo exemplo. 3 . E o atributo do sal em conservar aponta para que tipo de responsabilidade do cristão? R. A responsabilidade de combater o mal e a corrupção na sociedade. 4 . O que significa ser “luz do mundo”? R. A luz tem o poder de iluminar e aquecer. Da mesma forma, a influência do cristão na socie­ dade deve ser como aação da luz, dissipando as trevas da confusão, do pecado e da imoralidade. 5,.Qual a importância das boas obras na vida do crente? R. Através das boas obras, o cristão manifesta os valores do Reino de Deus ao mundo, influenciando muitas vidas para Deus. ► “Antes do advento das caixas de gelo edos modernos refrigeradores, o sal era um dos principais meios de conservar os alimen­ tos. Quando peixes eram transportados no lombo de burros por cento e sessenta quilômetros de Cafarnaum até Jerusalém, elestinham que ser abundantemente salga­ dos. Assim, o seguidor de Cristo deve agir como um conservante do mundo. Não se pode deixar de imaginar o que aconteceria com a sociedade moderna, com toda a sua podridão moral, se nãofosse a presença da igreja cristã” (Comentário Bíblico Beacon. vol.6. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.57). 16 | Discipulando Professor 4 |
  • 19. TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5.17-20 17 - Não cuideis que vim destruir a iei ou os pro­ fetas; não vim ab-rogar, mas cumprir. 18 - Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido. 19- Qualquer, pois, queviolarumdestes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus. 20 - Porque vos digo que, se a vossajustiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus. MEDITAÇÃO Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê. (Rm 10.4) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ►SEGUNDA - Gálatas 4.4 ►TERÇA - Lucas 24.25-27,44 ►QUARTA - Hebreus 4.14-16 ►QUINTA-Mateus 15.1-9 ►SEXTA-Lucas 18.9-14 ►SÁBADO - 1 Coríntios 13.1-7 Discipulando Professor 4
  • 20. ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO O objetivo da lição de hoje é fazer com que seus alunos entendam a relação que o discípulo de Cristo deve ter com a lei de Deus e também levá-los a compreender que não basta observar os mandamentos divinos - é preciso praticá-los com as motivações corretas. Será importante lembrar aos seus alunos também as diferenças entre a Antiga e a Nova Aliança, entre o Antigo e o Novo Testamentos, deixando claro, porém, que os preceitos morais e as lições espirituais da Velha Aliança e dos homens de Deus que viveram sob ela são váli­ dos ainda hoje para o cristão, razão pela qual o AntigoTestamento é ainda muito importante para o cristão. O Novo Testamento não aboliu oAnti­ go, mas o completou, tornando desnecessários apenas os seus ritos externos. Ao falar sobre a verdadeiravida de piedade em contraste com a religiosidade meramente mecânica, aproveite paracontextualizaro assun­ to, frisando que hoje em dia há muitos cristãos que, infelizmente, acabaram caindo nesse tipo de mecanicismo e orgulho religioso, e que de­ vemos ter muito cuidado para que isso nunca aconteçaconoscotambém em nossacaminhada de vida espiritual. í v ® J l 0B JE T IV 0S Sua aula de hoje deve alcançar os seguintes alvos: ►Explicar como Cristo cumpriu toda a lei e os profetas, e que lugar o Antigo Testa­ mento tem na vida do crente hoje; ►Diferençar a religião meramente me­ cânica da justiça do Reino de Deus; ►Despertar seus alunos a viverem um cristianismo autêntico, que não consis­ ta apenas em mera aparência religiosa, mas numa religião do coração. PROPOSTA PEDAGÓGICA Uma boa sugestão para esta aula, a fim de despertar já de início a interação dos alunos com o conteúdo a ser ministrado, é começar sua exposição listando uma série de atitudes corretas que podemos e devemos tomar em determinadas situações da nossa vida e, em seguida, perguntar aos seus alunos se é possí­ vel alguém realizartodas essas coisas com uma motivação absolutamente errada dominando o seu coração. Leve-os a refletir um pouco sobre essa possibilidade e, já na seqüência, apresen­ te-lhes o texto da lição de hoje, ressaltando que elafala inclusive, e essencialmente, sobre esse assunto. Por fim, ao encerrar a exposição da lição de hoje, certífique-se de que seus alunos estejam diferençando bem a falsa piedade da verdadeira piedade cristã à luz do ensino de Jesus no Sermão da Montanha, e incentive-os a viverem um cristianismo genuíno em todos os dias de suas vidas. 18 | Discipulando Professor 4 |
  • 21. COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Depois de tudo o que foi apresentado por Jesus no início do seu Sermão da Montanha, era natural que muitos dos seus ouvintes o vissem como um revolucionário religioso, como alguém que queria destruir “a lei e os profetas” - isto é, que queria romper com todo o Antigo Testamento. Entretanto, Jesus faz questão de deixar claro que seu posicionamento era exatamente o oposto do C|ueestavam supondo naquele momento. Na verdade, Ele não viera destruir a lei e os profetas, mas, sim, cumprir o que diziam a lei e os profetas: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir” (Mt 5.17). Mas, o que significa “cumprir a lei e os profetas”? O que Jesus queria dizer com isso exatamente? E qual a relação entre a vida e o ensino de Jesus e o Antigo Testamento? 1.CRISTO CUMPRIU TODA A LEI ► 1.1.0 que significa “cumprir a lei e os profetas”?Ao afirmar que viera “cumprir a lei e os profetas”, Jesus estava asseverando que Ele viera para cumprir os mandamentos e as promessas do Antigo Testamento, isto é, “seus preceitos e profecias”, além de “seus símbolos e tipos” (Comentário Bíblico Beacon, volume 6, CPAD, p.58). Sobre símbolos e tipos, basta lembrar que muito do que vemos nos cerimo­ niais litúrgicos judaicos registrados no Antigo Testamento, na Lei de Moisés, e mesmo em alguns episódios vividos por homens de Deus do passado, registrados também no Antigo Testamento, simbolizavam claramente Jesus e seu sacrifício na cruz por nós para remissão de nossos pecados. A Epístola aos Hebreus, por exemplo, é dedicada quase que totalmente a demonstrar como a pessoa e a obra de Jesus (sua vida, ministério, morte e ressurreição) estavam sim­ bolizadas e tipificadas no Antigo Testamento (Exemplos: os capítulos 7 a 10 de Hebreus). Um detalhe importante aqui é que Jesus está reconhecendo nessa passagem que as Escri­ turas do Antigo Testamento são divinamente inspiradas, porque, inclusive, apontam para Ele. ► 1.2. Profecias cumpridas. No Antigo Testamento, encontramos várias promessas e profecias sobre o Messias; em o Novo Testa­ mento, vemos o Messias - Jesus - cumprindo cada uma delas (Lc 24.44). A título de amostra, vejamos alguns desses cumprimentos: u Na verdade, Ele não viera des­ truir a lei e os profetas, mas, sim, cumprir o que diziam a lei ou os profetas; n Discipulando Professor 4 |
  • 22. a) Ele nasceu de uma virgem (Mt 1.18ss), como profetizado (Is 7.14); b) Ele nasceu em Belém (Lc 2.4ss), como profetizado (Mq 5.2); c) Ele é Deus encarnado (Is 7.14; 9.6; Mt 1.18ss); d) Ele entrou em Jerusalém sobre um jumento (Zc 9.9; Mc 11.1-10); n) Foi crucificado juntamente com malfei­ tores (Mc 15.27,28) e intercedeu por eles (Lc 23.34), como profetizado (Is 53.12); o) Seus ossos não foram quebrados (Jo 19.33-36), como profetizado (SI 34.20); p) Seu lado foi traspassado (Jo 19.34), como profetizado (Zc 12.10); q) Foi sepultado no túmulo de um rico (Mt 27.57-60), como profetizado (Is 53.9). ► 1.3. Jesus cumpriu todos os ritos da Lei de Moisés. Tudo aquilo que a Lei de Moisés exigia, Jesus cumpriu (Mt 8.4; 26.19; Lc 4.16; Jo 7.10; Gl 4.4). Inclusive, Ele condenou os fariseus de seus dias porque criavam tradições para descumprir a lei (Mt 15.6). Jesus se submeteu até mesmo ao ritual do batismo emáguas, criado e ministrado em sua época por João Batista (Mt 3.13-17). Ele cumpriu toda a Lei por nós, viveu sem pecado, mas, mesmo sem pecado, se fez pecado por nós, levando toda a nossa culpa sobre si no madeiro (Is 53.5), para hoje e) Elefoi traído por um amigo (Mt 26.47-50; Jo 13.21-30), como profetizado (SI 41.9); f) Ele foi vendido por 30 moedas de prata (Mt 26.15), como profetizado (Zc 11.12); g) O dinheiro da sua venda, depois de atirado fora (Mt 27.3-7), foi para o oleiro, como profetizado (Zc 11.13); h) Bateram e cuspiram nele em sua morte (Mt 26.67,68), como profetizado (Is50.6); i) Ficou mudo diante de seus acusadores (Mt 27.13,14), como profetizado (Is 53.7); j) Mesmo inocente, Ele seria morto, para se entregar como sacrifício pelos nossos pecados (Is 53.1-12); I) Tiraram sorte de suas vestes (Jo 19.23,24), como profetizado (SI 22.18); m) Ele foi traspassado nas mãos e nos pés (Lc 23.33; Jo 20.25-27), como profetizado (SI 22.16); 20 | Discipulando Professor 4 | í í [Jesus] mesmo sem pecado, se fez pecado por nós, levan­ do toda a nossa culpa sobre si no madeiro... 55
  • 23. oferecer perdão e salvação pelo seu sangue, e interceder de forma perfeita por nós (Hb 4.14-16). ►1.4. Em Cristo, a Lei Mosaica cumpre o seu objetivo. A Bíblia afirma que “o fim da Lei é Cristo” (Rm 10.4). A Lei apontava para Jesus e Ele a cumpriu cabalmente por nós. O que isso significa? Significa que não estamos sujeitos mais àquelas cerimônias e àqueles rituais litúrgicos do Antigo Testamento, que eram apenas símbolos da vida, pessoa e obra de Jesus (Cl 2.16,17; Hb 9.7-10). O próprio Jesus considerou as leis dietéticas já cumpridas (Mc 7.19), o que foi corroborado pelos seus discípulos (At 10.10-16; Gl 2.11-14). Entretanto, os aspectos morais da Lei, os princípios morais subjacentes em suas ordenanças e implícitos em seus ritos, ainda são válidos para nós hoje em dia: honrar a Deus acima de todas as coisas; a prática do amor; a condenação da mentira; o amor à verdade; a fidelidade conjugal etc. O próprio Jesus reiterou muitos desses mandamentos do Antigo Testamento, e ainda aprofundou o seu significado em Mateus 5.21-48. Outro detalhe é que, como disse Jesus, muitas das profecias do Antigo Testamento ainda hão de se cumprir (Mt 5.18). Ou seja, o Antigo Testamento ainda é muito importante para nós hoje (Rm 15.4). ►1.5. O maior e o menor no Reino de Deus. Jesus apresenta nessa passagem um teste de grandeza. Ele deixa claro que aqueles que violam os mandamentos - os preceitos morais da Lei - e ainda criam ensinos e tradi­ ções para justificar tal conduta (Mt 15.6) são insignificantes em obras e vida, em relação ao Reino de Deus (Mt 5.19). Note que Jesus fala de “menores mandamentos” - ou seja, no Reino de Deus, mesmo os mandamentos divinos considerados “menores” são importantes. Na seqüência, Jesus afirma que “grande no Reino de Deus” é quem não apenas cumpre os mandamentos divinos, mas quem também ensina-os - e vice-versa: e também quem não apenas ensina-os, mas vive-os. Entretanto, é importante entender aqui que Jesus não estava falando de mero legalismo. Ele deixa isso claro no versículo seguinte (Mt 5.20), onde, como veremos a seguir, enfatizou que alguém pode ser minucioso no cumprimento de cada mandamento divino e mesmo assim estar longe do Reino, quando sua obediência é meramente formal, mecânica e orgulhosa. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 “‘Não vim ab-rogar, mas cumprir’ (Mt 5.17). O verbo ‘ab-rogar’ significa ‘soltar’, ‘desatar’, ‘desprender’ como se faz com uma casa ou tenda (2Co 5.1). ‘Cumprir’ significa [no original grego dessa passagem] ‘encher por completo’ ou ‘completar’. Foi o que Jesus fez com a lei cerimonial, que apontava para Ele. Ele também guardou a lei moral. Ele veio completar a lei, revelar a total profundidade do significado que estava ligado a quem a guardava. [...] ‘Aquele, porém, que os cum­ prir e ensinar...’ (Mt 5.19). Jesus põe a prática antes da pregação. O professor tem de viver a doutrina antes de ensiná-la aos outros. Os escribas e fariseus eram homens que ‘dizem e não praticam’ (Mt 23.3), que pregam e não fazem. Este é o teste de grandeza que Cristo faz” (ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & Marcos à Luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.70). 2. O PERIGO DE SE FAZER DA LETRA UMA RELIGIÃO MECÂNICA ► 2.1. Uma religião voltada só para o exterior. Ao contrastar a justiça dos escribas e fariseus com a justiça dos filhos do Reino, Jesus deixa claro que esta excede àquela (Mt 5.19,20). Mas, em que sentido? Em primeiro lugar, no sentido de que ajustiça dos escribas e fariseus era preocupada apenas com o exterior (Mt 6.1-8,16-18). Seus corações continuavam sujos, porque procuravam apenas a aprovação e o elogio dos homens. Jesus afirma que devemos fazer o que é certo por temor e amor a Deus, e não para receber o aplauso dos homens. Discipulando Professor 4 |
  • 24. > 2.2. Uma religião voltada para o or­ gulho pessoal e o aplauso dos homens. Em segundo lugar, os escribas efariseus confiavam que eram salvos apenas pelo que faziam exte­ riormente na religião, quando na verdade Deus olha, não apenas para nossos atos, mas para o nosso coração, para a intenção com a qual fazemos as coisas (1 Co 13.1-7). A Parábola do Fariseu e do Publicano, contada por Jesus, é bem didática quanto a isso (Lc 18.9-14). Não basta seguir à risca as normas e os manda­ mentos bíblicos, se os obedeçemos de forma mecânica e orgulhosa, para sermos louvados pelos homens ou achando que somos salvos e abençoados pelas nossas boas ações. Não somos salvos pelas nossas boas obras; estas são apenas o nosso dever edevem ser também o nosso prazer. Somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé na obra de Cristo na cruz do Calvário por nós (Ef 2.8-10). ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “Muitos ficam confusos com a afir­ mação de Jesus de que veio cumprir a Lei e os profetas. [Em primeiro lugar,] Cristo fala aqui como um judeu dedicado, como outros rabinos do século I, a uma única tarefa: ex­ plicar o verdadeiro significado das palavras de Deus e, assim, ‘cumpri-las’. Mas [não só isto:] Cristo imediatamente se distingue de outros mestres. Os fariseus eram zelosos em guardar tanto a lei escrita quanto a oral, mas, ao explicar o verdadeiro significado da Palavra de Deus, Cristo estava prest­ es a revelar uma justiça que ultrapassava qualquer justiça que os fariseus imaginas­ sem possuir guardando os mandamentos. Como cidadãos do Reino de Jesus, você e eu somos chamados para viver uma vida justa. Mas devemos evitar o engano dos far­ iseus. Não devemos confundir a verdadeira justiça com - ou supor que por - fazermos determinadas coisas e evitarmos outras al­ cançamos elevada espiritualidade. O que fazemos é importante, é verdade, mas Deus está mais interessado no que somos” (RICH- 22 |Discipulando Professor 4 | ARDS, Lawrence, Comentário Devocion- al da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.557). 3. A JUSTIÇA DO REINO DE DEUS ►3.1. Uma religião do coração. Devemos sobejar em boas obras, mas como conseqüência da nossa salvação (Tt 2.12-14), como dever natural de filhos de Deus (2 Pe 1.3-10), como expressão real de nossa fé em Cristo (Tg 2.14-17), como manifestação da graça divina em nossas vidas (2 Co 9.8) e como gratidão e louvor por aquilo que Cristo fez por nós (Cl 1.10-12; 1 Co 10.31). Jamais como base para a nossa salvação (Ef 2.8,9). ►3.2. Mais do que observâncias. Em suma, como lembra o teólogo Donald Stamps, os escribas e fariseus “observavam muitas regras, oravam, cantavam, jejuavam, liam as Escrituras e freqüentavam os cultos nas sinagogas”; porém, eles “substituíam as atitudes interiores corretas pelas aparências externas”. Por isso, Jesus afirma em Mateus 5.20 que a justiça que Deus deseja de seus filhos transcende a justiça dos escribas e fariseus, vai muito além da justiça deles. Mais precisamente, Ele está dizendo que “o coração e o espírito, e não somente os atos externos, devem conformar-se com a vontade de Deus, na fé e no amor” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1394). Essa é a verdadeira vida de piedade para o cristão. ► AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 ‘“ ...será chamado grande no Reino dos Céus’ (Mt 5.19). A posição do crente no Reino dos Céus dependerá da sua atitude aqui, para com a lei de Deus, e da sua prática e ensino. A medida da fidelidade a Deus aqui determi­ nará a medida da nossa grandeza no céu. [...] A justiça dos escribas e fariseus era exclusi­ vamente exterior. [...] Jesus declara aqui que a justiça que Deus requer do crente vai além disso. O coração e o espírito, e não somente
  • 25. os atos externos, devem conformar-se com a vontade de Deus, na fé e no amor” (STAMPS, Donald (Ed.), Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.1393-94). CONCLUSÃO Que possamos sempre avaliar não apenas as nossas ações, mas também as nossas inten­ ções. Pois, como aprendemos hoje, não basta fazer o que deve ser feito; é preciso também fazê-lo com as motivações certas: nunca com orgulho, nunca almejando os aplausos das pessoas, mas sempre pelo dever e pelo prazer de fazer o que é justo, e sempre apoiados na graça de Deus. APROFUNDANDO-SE “As leis do Antigo Testamento destinadas diretamente ã nação de Israel, tais como as leis sacrificiais, cerimoniais, sociais e cívicas, já não são obrigatórias (Hb 10.1-4). O crente não deve considerar a lei como sistema de mandamentos legais atravésdo qual se pode obter méritos para o perdão e asalvação(GI2.16,19). Pelo contrário, a lei deve ser vista como um código moral para aqueles que já estão num relacionamento salvífico com Deus e que, por meio de sua obediência à lei, expressam a vida de Cristo dentro de si mesmos (Rm 6.15-22). A fé em Cristo é o ponto de partida para o cumprimento da lei. Mediante a fé nEle, Deus torna-se nosso Pai (Jo 1.12). Por isso, a obediência que prestamos como crentes não provém somente do nosso relacionamento com Deus como legislador soberano, mastambém do relacionamento de filhos paracom o Pai (Gl 4.6)” (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecos­ tal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.1393). VERIFIQUE SEU APRENDIZADO 1 . O que significa “cumprir a lei eos profetas”? R. Cumprir os mandamentos e as promes­ sas do Antigo Testamento, isto é, seus preceitos e profecias, além de seus símbolos e tipos. 2. O que é o aspecto moral da Lei? E ele é válido ainda hoje? R. São os princípios morais subjacentes nas ordenanças e implícitos nos ritos do Antigo Testamento. Elesaindasão válidos para nós hoje. 3. Quem é o “menor” em relação ao Reino de Deus? R. Aqueles que violam os mandamentos - os preceitos morais da Lei - e ainda criam ensinos e tradições para justificar tal conduta. 4.Quem é o “maior” no Reino de Deus? R. É quem cumpre e ensina os manda­ mentos divinos. 5. Em que a justiça do Reino de Deus se diferencia da justiça dos escribas e fariseus? R. Ajustiça dos escribas efariseus era pre­ ocupada apenas com o exterior. Seus corações continuavam sujos porque procuravam apenas a aprovação e o elogio dos homens. “A expressão ‘Em verdade vos digo’, que aparece no começo das declarações mais enfáticas de Jesus, é a palavra grega amen, que é a transliteração da palavra hebraica que Jesus falou, e que é linguagem cristã especializada, denotando afirmação sagrada. Jesus assevera que nem um jota, a menor letra, nem uma serifa- ou adorno de uma letra de nenhuma maneira passará até que tudo se cumpra” (STAMPS, Donald (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.44). Discipulando Professor 4
  • 26. TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5,21-26 21 - Ouvistes quefoi dito aos antigos: Nãomata- rás; masqualquerque matarseráréu dejuízo. 22 - Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raca será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno. 23 - Portanto, se trouxeres atua oferta ao altar e aíte lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 24 - deixa ali diante do altar atua oferta, e vai re­ conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta. 25 - Concilia-te depressa com o teu adversário, enquantoestás nocaminhocom ele, paraque não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. 26 - Em verdade te digo que, de maneira ne­ nhuma, sairás dali, enquanto não pagares o último ceitil. MEDITAÇÃO Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem. (Rm 12.21) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ►SEGUNDA - Romanos 12.17-21 ►TERÇA - Gálatas 5.19-22 ►QUARTA - Colossenses 3.8 ►QUINTA - Mateus 5.7,9 ►SEXTA-1 Coríntios 6.1-11; 13.4-7 ►SÁBADO - 1 João 2.9-11 24 Discipulando Professor 4 |
  • 27. ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO A ira é uma das reações naturais do ser humano. O propósito da lição de hoje é cha­ mar a atenção de seus alunos para o fato de que, embora seja uma reação natural, a ira pode se tornar algo muito mal e imensamen­ te destrutivo, quando ela ultrapassa alguns limites estabelecidos por Jesus no Sermão da Montanha. Deixe claro a eles que quem encoleriza-se contra seu irmão sem motivo, humilhando-o, agindo com rancor, é tão pe­ cador diante de Deus quanto àquele que as­ sassina outra pessoa. Frise que Jesus deixa claro que a cólera é o primeiro passo para o homicídio e que quem se encoleriza sem mo­ tivo contra outra pessoa já é “homicida” em seu coração, mesmo que não chegue às vias de fato em relação ao seu desafeto. Essa lição traz mais uma oportunidade de explorar várias situações hipotéticas do dia a dia de seus alunos nas quais o ensino de Jesus se aplicaria diretamente. Explorar essas situações fará com que o ensino de Jesus, ministrado na lição de hoje, se torne ainda mais claro, vivo e pertinente para as suas vidas. Não perca essa oportunidade. Aproveite e boa âula! ►Chamar a atenção para o fato de que a ira pode se tornar algo destrutivo em nossas vidas; ►Estimular seus alunos a viverem, na prá­ tica, seu chamado como pacificadores e agentes da misericórdia no Reino de Deus. PROPOSTA PEDAGÓGICA OBJETIVOS Sua aula de hoje deverá atingir os seguintes objetivos: ►Deixar claro aos alunos o caráter não -antinomísta do Evangelho; A fim de clarificar o máximo possível aos seus alunos quando a iratorna-se perniciosa na vida do cristão, ao chegar ao ponto desta aula em que, seguindo o roteiro da revista, o tema da ira finalmente será tratado, escreva no qua­ dro as três reflexões que o cristão deve fazer para distinguir quando a sua ira é perniciosa ou não e que estão explicitadas no corpo da lição. Em seguida, cite situações hipotéticas de ma­ nifestação de ira e peça aos seus alunos para avaliarem cada uma dessas situações à luz desses três critérios apresentados. Deixe seus alunos se envolverem bastante com a análise de cada situação até que eles demonstrem es­ tarem bem familiarizados com os critérios bíbli­ cos avaliadores da ira. Discipulando Professor 4
  • 28. COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Na lição passada, vimos como Jesus aler­ tou os seus discípulos para a necessidade de a justiça deles exceder a dos escribas e fariseus. Agora, nos versículos seguintes a esse alerta, mais especificamente os versículos 21 a 48 do capítulo 5 de Mateus, Jesus reforça sua orien­ tação citando exemplos concretos do dia a dia. Ele apresenta em seqüência seis exemplos de justiça mais elevada, todos eles antecedidos pela expressão “Ouvistes que foi dito” (Mt 5.21,27,31,33,38,43), seguida pelaexpressão “Eu, porém, vos digo” (Mt 5.22,28,32,34,39,44). Jesus menciona seis ordenanças da Lei de Moisés e as aprofunda, demonstrando que a justiça do Reino de Deus é algo que vai muito além do que a letra da lei mosaica. Na lição de hoje, veremos especificamente o primeiro exemplo citado por Jesus, que envolve a questão da cólera e do homicídio. 1. O EVANGELHO NÃO É ANTINOMIANISTA ► 1.1. “Ouvistes que foi dito... Eu, porém, vos digo...”. Como vimos na lição passada, diferentemente do que os ouvintes de Jesus pensaram dele quando começaram a ouvir o seu Sermão da Montanha, Ele não viera destruir a lei ou ab-rogá-la, mas completá-la, aprofun­ dá-la, levar a compreensão dos mandamentos a outro nível. Em nenhum momento, ao citar esses seis exemplos concretos de justiça mais elevada, Jesus anula as ordenanças morais da lei, mas, ao contrário, aumenta as exigências relacionadas a essas ordenanças - ou melhor, aprofunda essas exigências, pois as leva direto ao coração da pessoa, como em seguida. A expressão “Eu, porém, vos digo” nunca traz na seqüência uma proibição que anula a exigência explícita da ordenança apresentada antes no “Ouvistes o que foi dito”. O “Não matarás” não é seguido por um “Podem matar agora”, mas, sim, por um “Não apenas isso...”. Ou seja, Jesus não destrói a lei; Ele acrescenta a ela algo que a expande, que a torna mais profunda. Em outras palavras, Jesus nunca foi um antinomianista. ►1.2. O que é o antinomianismo? Anti- nomianismo é um termo cunhado pela primeira vez no século 16 pelo reformador protestante Martinho Lutero para designar uma prática antiga entre algumas pessoas no meio cristão: a negação da importância dos mandamentos divinos para a vida do cristão. Em outras pa­ lavras, antinomianismo é o extremo oposto do legalismo. Ele é o que o apóstolo Judas denominou, na Epístola que leva o seu nome, de “transformar em libertinagem a graça de Deus” (Jd v.4 - ARA). O antinomianismo foi combatido por Jesus (Mt 7.15-27; Jo 14.15; 15.10,14) e pelos apóstolos - além de Judas, já mencionado, vemos também Paulo (Rm 3.31; Rm 6; Cl 3), Pedro (2 Pe 2), Tiago (Tg 2.14-26) e João, em sua Primeira Epístola, combatendo esse ensino errado. Aliás, João assevera explicitamente que escreveu sua primeira Epístola para combater a influência de duas heresias gnósticas de seu tempo, a saber: a negação da divindade de Cristo e a prática do antinomianismo (1 Jo 5.13). ►1.3. Antinomianismo hoje. Infelizmente, a influência da mentalidade pós-moderna tem levado alguns ditos cristãos a confundirem obediência aos mandamentos divinos com legalismo e graça com ausência de normas de conduta. Trata-se de uma torção absurda de significados. Legalismo “é, de forma geral e à luz da Bíblia, a ideia de justificação pelas obras, a fixação imprópria de regras de conduta como necessidades para Salvação e a negligência ou ignorância em relação à graça de Deus” (DANIEL, Silas, A Sedução das Novas Teologias, CPAD, p. 54). Porém, para alguns cristãos pós-modernos, legalismo não é isso. Legalismo, imaginam, é qualquertipo de exortação concernente àconduta moral. Por isso, para essas pessoas, “é proibido proibir”. Porém, o Novo Testamento está repleto de passagens que condenam contundentemente uma série de comportamentos (Mt 5.28-29; 1 Jo 2.15-17; 2 Tm 2.22; Tt 2.12; Tg 1.14; 1 Pe2.11). 26 | Discipulando Professor 4 |
  • 29. Tais costumam generalizar dizendo que “tudo depende da consciência da pessoa”, entretanto, a Bíblia demonstra que nem tudo é questão de consciência (Gl 5.19-25). Os frutos dessa mentalidade equivoca­ da é um cristianismo meramente nominal. São pessoas que se declaram seguidoras de Jesus, mas cujo comportamento se choca frontalmente com os mandamentos divinos e não acham isso absolutamente nada de­ mais. Dizem que são de Deus, mas não estão interessadas em nenhum compromisso com seus mandamentos. Sua visão de Deus se dá apenas em termos utilitaristas ou na forma de uma “muleta” psicológica. No primeiro caso, o do Deus “utilitarista”, é quando se busca de Deus somente bênçãos materiais e físicas (a bênção de Deus acima do Deus da bênção), fazendo dEle o meio para um fim e não um fim em si mesmo; e no segundo caso, o do Deus como “muleta” psicológica, é quando tratam Deus apenas como um ser preocupado em estimular o ego de seus filhos, como um ser que está disposto a ser usado diariamente, por meio de palavras e gestos, apenas para inflar a autoestima dos seus simpatizantes sem se “intrometer” na forma como desejam conduzir as suas vidas. Enfim, acham que o Evangelho é sinônimo de autoajuda, nada mais. Não nos iludamos: para ser verdadeira­ mente cristão, seguidor de Cristo, o Filho de Deus, não basta a pessoa ter apenas uma confissão de fé em Jesus. Mesmo que a pes­ soa tenha uma confissão de fé integralmente ortodoxa, isso não basta para ser considerada uma cristã verdadeira. Conforme o apóstolo João, as evidências da verdadeira fé cristã são crer em Jesus como Filho de Deus (isto é, na deidade de Jesus; e crer nEle como o Cristo, o Messias Prometido - 1 Jo 5.1,5-12,20 pois aquele que não aceita Jesus como Filho de Deus não tem a vida - 1 João 5.12); viver segundo os mandamentos divinos (1 Jo 2.3-6); amar seu irmão e praticar esse amor (1 Jo 2.9; 3.10; 5.1); não viver na prática do pecado, mas buscar sempre viver uma vida de santidade (1 Jo 3.2,3; 5.18); e não amar o mundo nem o seu estilo de vida (1 Jo 2.15-17). ► 1.4. A Lei e a Graça - A graça de Deus não nos libera da obrigação de obedecer às leis morais do Criador. A graça não é uma licença para a desobediência, mas a porta que Deus nos abre para a possibilidade de vivermos uma vida santa diante dEle. A Nova Aliança inclui mandamentos, determinações, ou seja, a lei moral. Jesus, e não Moisés, disse: “Se me amardes, obedecereis os meus mandamentos” (Jo 14.15). E mais: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (Jo 14.21). Em seu Sermão da Montanha, Jesus adverte-nos diretamente contra a ideia de que Ele estaria defendendo o antínomianismo. Cristo, como já vimos, fez questão de esclare­ cer que não negligenciava nem tinha o intento de destruir a Lei posteriormente ao cumpri-la toda (Mt 5.17-19). O que, então, foi abolido da Lei por meio de Cristo? Quando Jesus cumpriu a Lei, foram abo­ lidas as leis cerimoniais, que apontavam para o sacrifício de Cristo, e as leis regimentares. A lei moral, ou seja, o aspecto moral da Lei, permanece no Novo Testamento. >1.5. A “maldição da lei”. A “maldição da Lei”,deque falao apóstolo Paulo em Gálatas3.13, diz respeito às sanções punitivas aque estamos sujeitos por não podermos cumprir toda a Lei. Ao cumprir as exigências da Lei para nós, Cristo removeu a maldição da Lei para longe de nós, e não a Lei, isto é, os mandamentos morais de Deus para as nossas vidas. A graça de Deus não é chancela para a anarquia. Os mandamentos de Deus devem ser vividos, mas não mais como um peso. Não somos salvos por obedecer aos mandamentos divinos, mas somos salvos para vivermos segundo os mandamentos divinos. Não somos salvos para viver licenciosamente, mas para viver uma nova vida em Cristo. | Discipulando Professor 4 |
  • 30. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 “[O vocábulo grego] mõros denota pri­ mariamente ‘lerdo’, ‘lento’ (derivado de uma raiz muh, ‘ser tolo’); por conseguinte, ‘estúpi­ do’, ‘tolo’, ‘louco’, ‘insensato’; é usado acerca de pessoas em Mateus 5.22 - ‘louco’. Aqui a palavra significa moralmente desprezível, um sem-vergonha, uma repreensão mais séria do que ‘raca’; o último menospreza a mente do homem e o chama de estúpido, louco; mõros menospreza seu coração e caráter; daí a con­ denação mais severa do Senhor” (Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, pp.759,60). 2. CÓLERA: O PASSO PARA O HOMICÍDIO ►2.1. “Não matarás”. O sexto manda­ mento do Decálogo, os Dez Mandamentos (Êx 20.13), mencionado nessa passagem por Jesus, significa “Não assassinarás”. Esse é o sentido do vocábulo hebraico traduzido por “Não matarás” no Antigo Testamento e reproduzido por Jesus a seus discípulos. Trata-se de matar intencionalmente. Jesus repete o mandamento, no entanto, em seguida, aprofunda mais ainda o seu significado para os seus discípulos. Ele afirma que qualquer pessoa que, sem motivo, está encolerizada contra o seu irmão já tem o homicídio estabelecido em seu coração. Mes­ mo que não venha a cometê-lo externamente, já o cometeu no coração, sendo, por isso, já réu do juízo divino (Mt 5.22). E mais: com essa afirmação, Jesus está ressaltando também o fato de que a cólera é o passo para o homicí­ dio, de maneira que evitar a cólera nos levará a evitar o cometimento do homicídio. ►2.2. “Sem motivo”. Jesus não é contra o irar-se diante de uma injustiça cometida. Ele não condena a “indignação santa”. O que Jesus está combatendo é a ira sem motivo ou sem moderação. O termo traduzido aqui por “sem motivo” é a palavra grega e/te, que significa, literalmente, “sem causa”, “sem nenhum bom efeito” e “sem moderação”. Eis aqui, portanto, no próprio sentido desse vocábulo, três critérios 28 |Discipulando Professor 4 | para avaliarmos se a nossa ira é lícita ou não. Em primeiro lugar, devemos nos perguntar: ela é baseada em uma causa coerente? Em segundo lugar, ela terá um bom efeito? Em terceiro lugar, ela se manifesta com moderação ou é uma ira desgovernada? ► 2.3. “Raca” e “louco”. As expressões “raca” e “louco”, que aparecem no versículo 22, estavam entre as mais odiosas expressões usadas nos dias deJesus para se referir aalguém, sendo que a segunda expressão - “louco” - era considerada pior ainda, conforme o contexto religioso judaico daquela época. “Raca” era um insulto de zombaria e desdém, cujo significado era “indigno”.Tal insulto, dependendo do caso, era passível de julgamento pelo Sinédrio nos dias de Jesus. Já a expressão mõros, tradu­ zida como “louco” nessa passagem, dentro do contexto religioso judaico da época, era mais do que uma zombaria. Enquanto “raca” significava uma pessoa indigna de ser hon­ rada, “louco” era uma pessoa indigna de ser amada, uma pessoa profana, o “réprobo”, um “filho do inferno”. Em outras palavras, o que Jesus está dizendo é que quem chamasse o seu irmão de “raca” podia ser apenas réu do Sinédrio, mas quem chamasse seu irmão, em um momento de ira, e sem motivo, de “louco”, a não ser que se arrependesse diante de Deus e se retratasse diante de seu irmão, seria réu do juízo divino. Essa pessoa estaria cometendo assassinato pela língua. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “A palavra grega para ‘reconciliar-se’ (v.24 - diallasso) no Novo Testamento só é encontrada nesta passagem. Paulo usa kata- lasso e o composto duplo apokatallaso para a reconciliação unilateral que o homem deve ter com Deus. Isto é, o homem deve cessar a sua inimizade contra Deus e reconciliar-se através de Cristo. Mas diallasso denota ‘con­ cessão mútua depois de hostilidade mútua’. O significado disso é claro. Quando alguém se reconcilia com Deus, tem que atender às condições divinas, porque o erro está de um
  • 31. único lado. Mas, quando alguém se reconcil­ ia com seu irmão, ambos têm que fazer con­ cessões, porque em toda discussão humana há dois lados. O que Jesus quer dizer, porém, é que a adoração de uma pessoa na casa de Deus não é aceita enquanto houver qualquer sentimento ruim entre o que seria o adorador e um ‘irmão’. O relacionamento com Deus não poderá estar correto enquanto o relaciona­ mento com um companheiro estiver errado” (Comentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio de Ja­ neiro: CPAD, 2006, p.59). 3. A “OFERTA NO ALTAR” E OS PROCESSOS LEGAIS ►3.1. Reconciliação antes da adoração. Jesus afirma que se um judeu trouxesse uma oferta para o Templo para ser apresentada no altar das ofertas e recordasse que um irmão tinha algo contra ele, deveria primeiro ir até seu irmão reconciliar-se com ele para só depois apresentar a sua oferta diante do altar (Mt 5.23,24). Essa oferta no altar erauma oferta de adoração a Deus. Logo, Jesus está dizendo que a adoração não será aceita por Deus se há algum irmão que se sente ofendido pelo adorador, que está magoado com o adorador por algo que ele fez ou disse lá atrás, porque o problema entre eles ainda não foi resolvido. Ou seja, não há relacionamento com Deus se não há bom relacionamento com meus irmãos. ►3.2. O cristão e os processos legais. Nos versículos 25 e 26, Jesus se refere a outro caso. O contexto aqui já não é adoração, mas as disputas nos tribunais. Ele declara que seus discípulos devem resolver suas eventuais desa­ venças entre si para que não aconteça de um deles levar a questão às barras dos tribunais, o que fará com que inevitavelmente um dos dois vá para a prisão, onde pagará até o último centavo pelo quefez. Antes de enfrentar qualquer disputa judicial, o cristão deve buscar a conciliação, e deve fazê-lo o mais depressa possível. Oapóstolo Paulo advertiria décadas depois os cristãos em Corinto sobre o mesmo (1 Co 6.1-11). ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 3 “Se a ofensa que causamos ao nosso ir­ mão, ao seu corpo, aos seus bens ou à sua re­ putação for tal que exija alguma ação na qual ele possa recuperar danos consideráveis, é sá­ bio de nossa parte, e é a nossa obrigação para com a nossa família, evitar isso por meio de uma submissão humilde e uma satisfação justa e pa­ cifica, para que, de outra maneira, ele não recu­ pere os danos pela lei e não nos coloque uma prisão. Em um caso como este, é melhor entrar em acordo, nas melhores condições que puder­ mos, do que suportarmos alguma punição; pois é inútil disputar com a lei, e existe o perigo de sermos esmagados por ela. Muitos arruinam as suas propriedades e os seus bens persistindo obstinadamente nas ofensas que fizeram, que poderiam ter sido resolvidas de modo pacifico, se cedessem em algo, rapidamente, no início do problema. O conselho de Salomão no caso de responsabilidade é: ‘Vai, humilha-te... e livra-te” (Pv 6.1-5)” (HENRY, Matthew. Comentário Bí­ blico do Novo Testamento: Mateus a João. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp.53,54). CONCLUSÃO Como podemos ver, por trás do pecado de homicídio háumasériede atitudes decoração que nemsempresematerializamemumhomicídio, mas que se manifestam também de outras formas no nosso dia a dia e, muitas vezes, as pessoas nem se dão conta disso. Essas atitudes se manifestam na ira desgovernada, no rancor, na ofensa, nas disputas intensas, na falta de perdão, em um espírito vingativo, nas brigas desnecessárias nos tribunais, quando tudo poderia ter sido resolvido antes entre irmãos. Devemos ser pacificadores e misericordiosos (Mt 5.7,9). Que Deus nos ajude a vivermos em profundidade e plenitude avontade de Deus para as nossas vidas. APROFUNDANDO-SE “Adorar a Deus é importante? Sim! Mas Jesus enfatizou a importância do coração | Discipulando Professor 4 |
  • 32. puro, dizendo que se nos lembrarmos de que alguém tem alguma coisa contra nós, devemos fazer as correções necessárias, ainda que isso signifique um adiamento da adoração. Mas o que é mais importante é a frase ‘Se... teu irmão tem alguma coisa contrati’. Nãosomentesomos responsáveis pela nossa própria ira, mas pela do nosso irmão! Se tivermos feito alguma coisa que aborreceu alguma pessoa, devemos re­ solver essa-questão imediatamente, para preservar nosso irmão de uma ira que é inapropriada no Reino de Deus. Isso talvez pareça difícil demais! Já parece difícil cui­ dar do nosso próprio relacionamento com Deus. E a verdade é que é realmente difícil demais. Mas éo queo nosso Rei espera. Se obedecermos, Elefaráem nós eem nossos relacionamentos o que jamais poderíamos fazer sozinhos” (RICHARDS, Lawrence. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.557). SUGESTÃO DE LEITURA ►Falando Honestamente Este é um livro franco, que fala sobre como se tornar espiritualmente saudável, identifi­ cando e combatendo doenças da alma que ameaçam enfraquecer a sua fé. A obra inclui a experiência do autor de lutar para encontrar a sua própria crença. Écomo um bate-papo com café entre dois amigos bem intencionados, mas conflitantes, onde Moore quer conversar com você como um amigo —francamente, carinhosamente e, às vezes, estridentemente. Falando Honestamente fará com que a sua alma se sinta viva, onde você e o mundo se tornarão melhores por isso. VERIFIQUE O SEU APRENDIZADO 1 . O que é antinomianismo? R. É a negação da importância dos mandamentos divinos para a vida do cristão. 2 . O que é de fato legalismo? R. Éa ideia de justificação pelas obras, a fixação imprópria de regras de conduta como necessidades para salvação e a negligência ou ignorância em relação à graça de Deus. 3 . Quais as três características de uma ira pecaminosa? R. Ela não é baseada em uma causa coerente, não tem um bom efeito e é des­ governada. 4 . Qual a diferença, dentro do contexto judai­ co da época de Jesus, entre os insultos “raca” e “louco”? R. Enquanto “raca” significava uma pes­ soa indigna de ser honrada, “louco” era uma pessoa indigna de ser amada, uma pessoa profana, o “réprobo”, um “filho do inferno”. 5 . 0 cristão deve buscar os tribunais sempre que tiver desavenças com seus irmãos? R. Não, o cristão deve evitar qualquer disputa judicial com seus irmãos; ele deve buscar a conciliação, e deve fazê-lo o mais depressa possível. . m TsVÜ ► “O ‘ceitil’ (Mt 5.26) - que hoje diríamos ser o “último centavo” - era, naverdade, dentro do sistema monetário do Império Romano da época de Jesus, o ‘quadrante’, que era “a menor moeda de cobre romano, valendo cerca de um quarto de um centavo” (Co­ mentário Bíblico Beacon. Vol.6. Rio de Janeiro: CPAD, p,60). 30 | Discipulando Professor 4 |
  • 33. a Fidelidade no Casamento TEXTO BÍBLICO BASE Mateus 5.27-32 27- Ouvistes que foi dito aos antigos: Não come- terás adultério. 28- Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numamulherparaacobiçarjá emseu coração cometeu adultério com ela. 29- Portanto, seo teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhorqueseperca umdosteus membrosdo quetodo o teu corpo seja lançado no inferno. 30- E, se atua mão direitate escandalizar, corta-a eatira-aparalongedeti, porqueteémelhorque umdos teus membros sepercado quetodo o teu corpo seja lançado no inferno. 31 - Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, que lhedê carta de desquite. 32- Eu, porém, vosdigoquequalquerquerepudiar suamulher, anãoserporcausadeprostituição, faz que ela cometa adultério; e qualquer que casar com arepudiada comete adultério. MEDITAÇÃO Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus osjulgará. (Hb 13.4) REFLEXÃO BÍBLICA DIÁRIA ►SEGUNDA-Gênesis 2.18-25 ►TERÇA - Malaquias 2.13-17 ►QUARTA -1 Tessalonicenses 4.3-8 '►QUINTA - Provérbios 6.20-35 ►SEXTA -J ó 31.1 ►SÁBADO - Provérbios 5.15-20 | Discipulando Professor 4 |
  • 34. ORIENTAÇÃO AO PROFESSOR INTERAGINDO COM O ALUNO O propósito desta lição é esclarecer qual deve ser a conduta do cristão em relação ao casamento. É uma oportunidade de esclarecer aos seus alunos as diferenças entre os valores do Reino de Deus em relação ao casamento, de um lado, e os modismos relativistas do mundo, do outro. O primeiro venera o matrimônio e o leito sem mácula; o segundo, banaliza o sexo e os relacionamentos. Alerte também sobre o perigo da luxúria, que é destrutiva e um passo para a infidelidade conjugal. Destaque a se­ riedade desse assunto. Para enriquecer mais esta aula, despertando ainda mais o interesse e a participação dos seus alunos, fale sobre os deveres dos cônjuges um para com o outro e a necessidade que cada um deles tem de lutar pelo seu relacionamento. Finalmente, ressalte aos seus alunos que a bússola da nossaconduta não é os modismos do momento, divulgados pelos formadores de opinião seculares, mas a Bíblia Sagrada, a nossa única regra de fé e prática. Como filhos do Reino, devemos ser diferentes, remando contra a correnteza de imoralidade deste mundo. atingir os seguintes alvos: ►Conscientizar seus alunos de que não apenas o adultério é pecado, mas tam­ bém a luxúria; 32 | Discipulando Professor 4 | ►Apontar que o pecado não vem de fora para dentro, mas de dentro para fora; ►Enfatizar a indissolubilidade do casa­ mento como instituição divina. PROPOSTA PEDAGÓGICA Uma sugestão para introduzir o tema da lição de hoje aos seus alunos é começar lembrando que estamos em uma sociedade que vive sob uma opressiva divulgação da sensualidade, exibindo de forma grosseira a sensualidade em todos os programas, revistas, meios de comunicação em geral, nas ruas etc. Em seguida, ressalte como muitas famílias se encontram hoje destruídas ou desajustadas por causa do pecado da luxúria, da pornografia, da infidelidade, da prostituição, da fornicação, do vício sexual etc. Em seguida, apresente o texto da lição destacando que esse assunto também foi alvo da preocupação de Jesus. Mostre, en­ tão, o plano de Deus para a família, a partir do casamento, que é uma instituição divina criada com o propósito de ser indissolúvel.
  • 35. COMENTÁRIO | INTRODUÇÃO Estudaremos hoje o segundo caso con­ creto de justiça mais elevada dos seis que Jesus menciona em seqüência até o final do capítulo 5 de Mateus. Neste segundo caso, está em foco o sétimo mandamento do Decálogo: “Não cometerás adultério” (Êx 20.14; Dt 5,18). Mais uma vez, Jesus chama a atenção para o coração. Ele afirma que tão errado quanto à ação pecaminosa é a intenção pecaminosa, e que Deus olha tanto a ação quanto a intenção. No caso específico do adultério, não basta não cometê-lo: é preciso também não dar lugar à luxúria no coração, pois aquele que permite que a luxúria domine a sua alma, mesmo que não chegue a cometer adultério fisicamente, no seu coração já o cometeu (Mt 5.28). Isso significa também que a melhor forma de evitar a violação do sétimo mandamento é não dar lugar à luxúria em seu coração. 1. JESUS CONDENA A LUXÚRIA ► 1.1. Luxúria é algo sério. Na sociedade de hoje, a luxúria, infelizmente, já é vista como algo normal, quando na verdade, ela trata-se de algo pernicioso para a vida das pessoas, como o próprio Jesus asseverou em seu Sermão da Montanha. Para Jesus, a luxúria era algo sério. O termo traduzido como “cobiçar”, no versículo 28 de Mateus 5, no original grego, é epithumia, que significa “desejo intenso por algo ilícito”; enfim, luxúria, é lascívia. Como explica o te­ ólogo Donald Stamps, “não é o pensamento repentino que Satanás pode colocar na mente de uma pessoa, nem um desejo impróprio que surge de repente; trata-se, pelo contrário, de um pensamento ou desejo errado, aprovado pela nossa vontade; é um desejo imoral que a pessoa procurará realizar caso surja a opor­ tunidade; é o desejo íntimo de prazer sexual ilícito, imaginado e não resistido” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1394). Éisso que Jesus está condenando explicitamente nessa passagem e que é a porta para a infidelidade conjugal. ► 1.2. “Arranca-o e atira-o para longe de ti”.A luxúria éalgo tão sério, e ao mesmo tempo tão fácil de crescer no coração quando a pessoa lhe dá lugar, que Jesus usa uma forte figura de linguagem para enfatizar aos seus discípulos a necessidade de repeli-la radicalmente de suas vidas desde sua primeira manifestação. Elaé um mal que deve ser cortado radicalmente, isto é, pela raiz, porque a luxúria, uma vez alimentada, só cresce. A figura que Jesus usa para descrever a atitude que devemos tomar diante da luxúria é a de alguém que arranca o seu próprio olho ou a sua própria mão para que não se corrompa ít [...] tão errado quanto à ação pecaminosa é a intenção pecaminosa [...]. | Discipulando Professor 4
  • 36. (Mt 5.29,30). A ideia aqui, obviamente, não é de arrancar os olhos e as mãos literalmente, mas, sim, a ideia de que “se olhar é um problema para você, evite fazê-lo”. Ou ainda, parafraseando e contextualizando essas palavras de Jesus para os dias de hoje, significa: “Você conhece suas fragilidades e sabe que não pode ficar brincando com determinadas coisas, porque elas poderão despertar emvocê desejos impuros, então nãodê ocasião para elas, mas corte radicalmente todo tipo de situação que possa despertar a luxúria em seu coração. Talvez, o que provoca isso em você não é ao mesmo tempo tão provocativo para outra pessoa, mas o que importa é que você identifique o que o atrapalha nessa área e corte radicalmente de sua vida tudo aquilo que é fonte de alimentação da luxúria para você: deter­ minados filmes, revistas, programas, sites etc.” ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 1 O vocábulo grego traduzido por “es­ candalizar” em Mateus 5.29,30 é skandalizo e pode ser traduzido também como “fazer tropeçar” ou “fazer pecar” . O termo vem do substantivo skandalon (“escândalo”) que era usado originalmente para descrever “a isca de uma armadilha ou laço” e também, poste­ riormente, “o próprio laço ou armadilha” (Co­ mentário Bíblico Beacon, volume 6, CPAD, p. 60). Como afirma A. T. Robertson, “a noção 34 |Discipulando Professor 4 | [nessa passagem de Mateus] não é de escan­ dalizar, mas de armar uma armadilha. O subs­ tantivo skandalon [...] significa o pau na arma­ dilha que salta e fecha-a, quando o animal o toca”; ou seja, Jesus está falando de arrancar o “olho” e cortar a “mão” quando “se tratam de uma armadilha”. “Não devemos conside­ rar essas imagens mentais literalmente, mas como apelos vigorosos e veementes ao do­ mínio próprio. Jesus não está ordenando a mutilação do corpo, mas o controle do corpo contra o pecado. Quem brinca com fogo se queima. A cirurgia moderna ilustra primoro­ samente o ensino de Jesus. Se as amídalas, dentes ou apêndice estiverem infectados e não forem retirados, o corpo acabará pere­ cendo. Corte-os a tempo e a vida será salva. O que Jesus tem em mente é a cirurgia espi­ ritual” (ROBERTSON, A. T. Comentário Ma­ teus & Marcos à Luz do Novo Testamento Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.73). 2. A INTENÇÃO DO CORAÇÃO TRANSPARECERÁ NOS MEMBROS DO CORPO ► 2.1.0 pecado nasce no coração. Durante o seu ministério, e não apenas no Sermão da Montanha, Jesusenfatizou que o pecado nasce no coração do homem. Um dos momentos em que o fez, está registrado no Evangelho de Marcos, onde Ele afirma: “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.21-23). É por isso que Salomão escreveu: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida” (Pv 4.23). Tiago, o irmão do Senhor, é claro quanto à origem das tentações. Ele declara que elas não provêm de Deus (Tg 1.13) e também não faz nenhuma referência a elas procederem diretamente do Diabo ou do mundo. O após­
  • 37. tolo assevera, conforme aprendeu com Jesus, que a tentação tem a sua origem, na verdade, no próprio ser o humano, em sua natureza pecaminosa (Tg 1.14,15). Ou seja, o mundo e o Diabo são apenas agentes indutores externos da tentação. ► 2.2. A natureza pecaminosa. O proble­ ma do pecado está no fato de que os homens são pecadores por natureza. É verdade que a tentação envolve induções externas, porém o pecado sempre é uma escolha da pessoa que o comete. Em alguns momentos, o desejo de fazer o que é errado pode estar já presente de forma natural e em outras vezes, pode ser estimulado externamente, mas em qualquer dos casos o indivíduo sempre é o responsável. O pecado nunca vem de fora para dentro; ele está dentro de nós, é resultado de nossa natureza (Mc 7.15). O que vem de fora são apenas estí­ mulos para que o pecado se manifeste dentro de nós. Logo, as tentações, na verdade, não exercem alguma força sobre a pessoa para fazê-la cair, mas apenas revelam a natureza interior da pessoa e a fragilidade de sua vida espiritual naquele momento. Basta lembrar que se não houvesse natureza pecaminosa, nenhuma tentação seria de fato tentação. O que torna a tentação de fato “uma tentação" é o fato de que temos uma natureza pecami­ nosa. Como bem explica Tiago, “cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tg 1.14). Finalmente, é importante frisar ainda que ser tentado não é pecado; pecado é ceder à tentação. ^ AUXÍLIO TEOLÓGICO 2 “Quando um homem se compromete a ‘amar a sua esposa assim como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela’ (Ef 5.25), ele será sempre fiel. Há uma coisa com que a Igre­ ja pode contar: a fidelidade do Noivo. Nisto a esposa cujo marido a ama como Cristo amou a Igreja também pode confiar. Jeremy Taylor, o grande pregador do século 17, em seu ser­ mão The Marriage Ringo or the Misteriousness of Marriage (‘A Aliança do Casamento ou os Mistérios do Casamento’), faz esta cobrança relativa à fidelidade: ‘Acima de tudo [...] deixe o noivo preservar, com relação a ela, uma fé inviolável e uma castidade sem mácula, porque esta é uma aliança de casamento que amar­ ra dois corações por um laço eterno; é como a espada flamejante do querubim firmada na guarda do paraíso. [...] Castidade é a seguran­ ça do amor e preserva todo o mistério como os segredos de um templo. Sob essa tranca está depositada a segurança de famílias, a união de afeições, a reparação de brechas aciden­ tais’. Nossas esposas devem ser capazes de descansar em nossa fidelidade, tê-la como um fato. Tudo a nosso respeito - nossos olhos, lin­ guagem, compromissos e paixão - deve dizer a ela: ‘Sou e serei sempre fiel a você”’ (HUGHES, R. Kent. Disciplinas do Homem Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.43,44). 3. A INDISSOLUBILIDADE DO CASAMENTO ►3.1. O divórcio. Jesus aproveita o tema do adultério para falar sobre a indissolubilida- de do casamento. Ele lembra, nos versículos 31 e 32 do texto bíblico base desta lição, que a lei permitia o divórcio (Dt 24.1-3), mas que, na verdade, muitos desses divórcios acabavam sendo adultérios autorizados legalmente, pois o correto seria o divórcio só ser permitido, de forma excepcional, nos casos de adultério, quando então o cônjuge ofendido teria a possibilidade de divorciar- se e casar-se novamente. Mais à frente, em Mateus 19.3-12, Jesus tratará mais detalha­ damente sobre esse assunto e deixará claro que o casamento foi criado por Deus para ser uma instituição indissolúvel (Mt 19.4-6). O divórcio em caso de adultério seria apenas uma excepcionalidade. ►3.2. A questão do divórcio na época de Jesus. Na época de Jesus, havia duas correntes judaicas divergentes na interpretação do que a lei mosaica afirmava em relação ao divórcio: Shamai e Hillel. A lei mosaica dizia que era permitido o divórcio apenas quando^ | Discipulando Professor 4 |