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China desaloja camponeses para promover urbanizaçã1

  1. 1. China desaloja camponeses para promoverurbanizaçãoPUBLICIDADEIAN JOHNSONDO "NEW YORK TIMES"Nos próximos 12 anos, a China pretende transferir 250 milhões demoradores de áreas rurais para cidades recém-construídas. É um acontecimentotransformador que poderá detonar uma nova onda de crescimento econômico ousobrecarregar o país durante várias gerações.O governo, muitas vezes por decreto, está trocando as pequenas moradias rurais porarranha-céus, pavimentando grandes extensões de terras agrícolas e modificandodrasticamente a vida dos moradores do campo. A escala é tão grande que o número denovos habitantes nas cidades chinesas será quase igual ao da população urbana dos EUA.Isso mudará decisivamente a personalidade da China, onde o Partido Comunista insistiudurante décadas que a maioria do agricultores ficasse ligada a seus pequenos terrenos paragarantir estabilidade política e econômica. Agora o partido mudou de prioridade paraencontrar uma nova fonte de crescimento para a economia, que hoje desacelera e dependecada vez mais de uma classe de moradores urbanos consumidores.A mudança ocorre tão rapidamente e os custos potenciais são tão altos que alguns tememque a China rural seja, mais uma vez, palco de uma engenharia social radical. Nas últimasdécadas, o Partido Comunista hesitou sobre os direitos dos agricultores: distribuiu pequenosterrenos durante a reforma agrícola dos anos 1950, adotou a coletivização alguns anosdepois, restabeleceu os direitos no início da era das reformas e agora tenta eliminar ospequenos detentores de terras.Justin Jin/The New York Times
  2. 2. Os desafios de aumentar a população urbana na China incluem construir escolas e indenizar desalojados, como Li Ruído (acima)Em toda a China, escavadeiras estão arrasando aldeias que datam de antigas dinastias.Torres brotam das planícies e dos morros. Novas escolas e hospitais urbanos oferecemserviços modernos, muitas vezes às custas da destruição de antigos templos e teatros a céuaberto no campo."É um mundo novo para nós", disse Tian Wei, 43, ex-plantador de trigo da província deHebei, no norte, que hoje trabalha como vigia noturno em uma fábrica. "Toda a minha vidatrabalhei com minhas mãos no campo. Tenho nível educacional para acompanhar osmoradores da cidade?"A China abrigou durante muito tempo algumas das menores aldeias do mundo, assim comocidades congestionadas e poluídas. O objetivo do governo é integrar 70% da população dopaís, ou aproximadamente 900 milhões de pessoas, à vida nas cidades até 2025, duplicandoo número atual.O frenesi da construção é visível em lugares como Liaocheng, que surgiu como postocomercial para agricultores na planície do norte da China. Hoje a cidade é cercada pordezenas de torres de 20 andares que abrigam agricultores sem-terra, que foram empurradospara a vida urbana. Muitos estão felizes com suas novas vidas -eles ganharam apartamentosde graça e dezenas de milhares de dólares pela terra-, mas outros não têm certeza do quefarão quando o dinheiro acabar.O Estado planeja gastos agressivos para novas estradas, hospitais, escolas e centroscomunitários -que poderão custar até US$ 600 bilhões por ano. Vastas somas também serãonecessárias para pagar pela educação, pelo atendimento de saúde e pelas aposentadoriaspara os antigos agricultores.
  3. 3. O desemprego e outros problemas sociais também acompanharam o enorme deslocamento.Alguns jovens se sentem felizes por terem empregos que pagam salários de sobrevivência.Outros passam os dias jogando bilhar e videogame.A urbanização já se revelou um dos fenômenos mais violentos nos 35 anos de transiçãoeconômica na China. Disputas por terras são a causa de milhares de protestos anualmente,incluindo dezenas de casos nos últimos anos em que as pessoas se imolaram para não serdesalojadas.Na década de 1980, cerca de 80% dos chineses viviam no campo, contra 47% hoje.O novo primeiro-ministro do país, Li Keqiang, indicou em março que a urbanização é uma desuas maiores prioridades, apesar dos desafios.Além do maior desemprego e da insatisfação, a urbanização poderá resultar em umasubclasse permanente nas grandes cidades e na destruição da cultura e da religião rurais.A apresentação do plano do governo havia sido marcada originalmente para março, mas foiadiada. Os líderes disseram estar preocupados de que os gastos causem inflação e dívidas.A maioria das províncias já tem programas de grande escala para transferir os agricultorespara torres habitacionais. Os terrenos dos camponeses são entregues à administração decorporações ou de municípios. Foram feitos esforços para melhorar a atração da vida urbana,mas os agricultores geralmente não têm opção além de deixar sua terra.A motivação dessa iniciativa de urbanização é modificar a estrutura econômica da China paraum crescimento baseado na demanda interna por produtos, em vez de nas exportações.Na teoria, a nova população urbana representa vastas oportunidades para a construção, otransporte público, as distribuidoras de água e energia e os fabricantes de eletrodomésticos,além de trazer uma ruptura do ciclo de agricultores que só consomem o que produzem.Alexander F. Yuan/Associated Press
  4. 4. Chongqing, no sudoeste chinês, tem 29 milhões de habitantes é uma das cidades de mais rápido crescimento no mundo"Se metade da população chinesa começar a consumir, o crescimento será inevitável", disseLi Xiangyang, do Instituto de Economia e Política Mundial, que faz parte de um órgão depesquisas do governo.Mas os céticos dizem que a corrida para a urbanização é conduzida por uma visão errada damodernidade. Entre os resultados verificados no Brasil e no México, está a expansão dasfavelas e da subclasse desempregada, segundo especialistas."Existe a sensação de que precisamos nos modernizar e que temos de nos urbanizar", disseGao Yu, diretor na China do Instituto de Desenvolvimento Rural Landesa, sediado em Seattle(EUA).Em uma pesquisa do Landesa de 2011, 43% dos moradores de aldeias da China disseramque as autoridades haviam tomado ou tentado tomar sua terra, contra 29% em 2008.Mesmo quando os agricultores realocados conseguem empregos em fábricas, a maioria osperde aos 45 ou 50 anos, já que os empregadores geralmente querem trabalhadores maisjovens."Para velhos como nós, não há mais nada a fazer", disse He Shifang, 45, que foidesalojada da fazenda de sua família. "Lá nas montanhas trabalhávamos o tempo todo.Tínhamos porcos e galinhas. Aqui só ficamos sentados."Alguns agricultores que abandonaram suas terras dizem que, quando voltam para casa, maisou menos nessa idade, não têm terra para cuidar e ficam sem renda. A maioria é excluídados planos de aposentadoria nacionais.O plano de urbanização pretende solucionar esse problema dando aos agricultores uma fontede renda permanente da terra que eles perderam.
  5. 5. Os economistas chineses dizem que, quando os agricultores começarem a trabalhar emempregos nas cidades, eles começarão a pagar impostos e a contribuir para programas debem-estar social. "A urbanização pode lançar um processo de geração de valor", disse XiangSongzuo, do Instituto Monetário Internacional na Universidade Renmin.Mas, mesmo que isso seja verdade, o governo ainda vai precisar de recursos significativospara iniciar os programas.Atualmente, os governos locais têm receitas limitadas e a maioria conta com a venda deterras para pagar as despesas -uma prática insustentável a longo prazo. Os bancos tambémestão cada vez mais avessos a emprestar dinheiro para grandes projetos de infraestrutura,pois muitos bancos hoje são empresas listadas em Bolsa e precisam cumprir as exigênciasde seus investidores.Na teoria, os governos locais poderiam ser autorizados a emitir títulos, mas, sem um sistemaconfiável de classificação ou venda de títulos, isso é improvável no futuro próximo. Algumaslocalidades, porém, já experimentam programas em que pagam pela infraestrutura,envolvendo investidores privados ou grandes empresas estatais que fornecem capital inicial.Sem fontes de renda próprias, os governos locais não querem permitir que camponesesrecém-chegados tenham acesso a serviços urbanos. Enquanto 53% da população do paísvivem em cidades, somente cerca de 35% têm autorizações de residência urbana, o"hukou". Esse documento permite que uma pessoa se registre em escolas locais ou se entreem programas médicos.Um novo plano deverá romper esse impasse, ao garantir algum apoio do governo centralpara esses programas, segundo assessores econômicos. Mas as fórmulas exatas não estãoclaras. Conceder plenos benefícios urbanos para 70% da população até 2025 significariaduplicar o número dos que participam de programas assistenciais do Estado."A urbanização está no futuro da China, mas a população rural do país está atrasada paradesfrutar dos benefícios do desenvolvimento econômico", disse Li Shuguang, professor naUniversidade de Ciência Política e Direito da China. "A população rural merece ter os mesmosbenefícios e direitos de que gozam os moradores das cidades."

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