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o que inclui o vergonhoso "muro" na fronteira com o México--, os EUA mantémum "mercado de força detrabalho mal remunerada"...
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Por isso a, a UNE, as entidades estudantis têm que se somar a todas as lutas, estarpresente em todos osmovimentos. Nas rua...
- Investimentos maciços e emergenciais em saúde,educação e habitaçãoPagasA luta pelo direito de estudarA política tucana p...
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- Inadimplência não é crime, pelo direito aoacesso e permanência nas universidades;- Pela abertura dos livros caixas, publ...
de esquina, onde cidadão é consumidor de segunda classe: paga muito porpéssimos serviços.Para analisar o quadro educaciona...
puderem pagar, em cursos de qualidade duvidosa e para atuar em alguns setoresmenos desenvolvidos da economia.É o ensino pa...
E ainda tem o golpe de misericórdia: um projeto de "autonomia" , que é aoficialização do descompromisso do governo. Eles s...
universal na a eleição dos dirigentesuniversitários. Ou na discussão da autonomia universitária. Ou no debate sobreprojeto...
Já no Paraná, por exemplo, o aprendiz de ditador de província, Jaime Lerner impôsa autonomia para as estaduais, nos moldes...
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Tese Reconquistar UNE 47-CONUNE-2001

  1. 1. RECONQUISTAR A UNERompendo AmarrasUNIFICAR A OPOSIÇÃOPOR UMA UNE DEMOCRÁTICA E DE LUTASTese ao 47º Congresso da UNEGoiânia (GO), 13 a 17 de junho de 2001.ApresentaçãoMais uma vez nos encontraremos, agora em Goiânia, de 13 a 17 de junho. Vamospara o 47º Congresso da UniãoNacional dos Estudantes (UNE), o espaço mais importante do movimentoestudantil brasileiro. Momento privilegiado para discutirmos o mundo, o nossopaís, o buraco em que nos meteram. Hora de debater o movimento estudantil, seupapel, seu potencial de mudança, sua crise, afinal.Cada vez fica mais claro que não é esse o mundo e o Brasil que queremos. Não éessa também a universidadeque nos serve. Precisamos construir o novo. O movimento estudantil é um meioimportante para lutar por outroBrasil e outro mundo.A UNE, entidade máxima do movimento estudantil, durante anos cumpriu essepapel. Tem história. Esteve na luta,tanto tempo. Formou tanta gente. Deu espaço para milhares gritarem, organizandoo combate.A UNE ajudou a combater o fascismo, fez a grande campanha "o petróleo énosso"; defendeu as reformas debase, lutou e perdeu lutadores na guerra contra a ditadura; impulsionou as "diretasjá". A última grandepágina na história do país foi o "fora Collor".Mas há tempos nossa entidade não consegue superar a crise, e o movimentoestudantil, com altos e baixos,também não está a altura dos desafios que temos. Por isso propomos mudar.Modificar a UNE, modificar o movimento.É preciso abrir, desburocratizar, dinamizar. Dar vida ao que hoje está parado.Integrar. O movimento precisadebater alternativas a essa ordem corrompida. E, mais importante do que debater
  2. 2. alternativas, lutar por elasnas ruas.Por isso estamos aqui. E por isso começamos falando da UNE. O que foi, o queprecisa voltar a ser. Aberta,plural. Que fale a nossa língua. Que nos ouça, que nos represente. Queremos aUNE democrática e transformadora.Queremos a UNE viva, atual, discutindo os problemas do cotidiano dos estudantes.Queremos a UNE lutando contratodo tipo de preconceito e discriminação: nossa entidade deve beber da seiva dosque lutam contra a opressão secular, sejam mulheres, negros, gays e lésbicas,índios, idosos, portadores de deficiência, todos aqueles que, de qualquer modo, sãoconsiderados "diferentes".Entretanto, uma política burocrática e autoritária há tempos se encontra encasteladana maioria da diretoriada UNE , que é a UJS, a juventude do PCdoB , que nesse Congresso apresenta atese "Agora Só Falta Você". É sóolharmos para a falta de criatividade, para a apatia, para a absoluta insuficiência demobilizações e para ocontrole fechado dos rumos da entidade. Indignados com esse estado de coisas,militantes do movimentoestudantil de todos os cantos do Brasil, muitos aglutinados inicialmente na tese"Não vou me adaptar"constróem, desde 1998, nas faculdades, nas salas de aula, o movimentoReconquistar a UNE, participandodecisivamente da construção do bloco Rompendo Amarras, formado por DAs,DCEs, Executivas e Federações deCurso e estudantes.Esse é um processo de construção histórica onde, a cada dia, mais estudantes eentidades vão se incorporando.Estivemos juntos nas ocupações das delegacias regionais de ensino, nos comandosde greve nas universidades e naconstrução de grandes mobilizações. Debatendo e agindo, criticando e construindoum novo movimento estudantil.O objetivo do Reconquistar a UNE é construir uma nova dinâmica para o cotidianoda entidade, que aponte paraum novo movimento - combativo e diverso - mas coeso no encaminhamento daslutas; que construa um projetotransformador para a universidade brasileira; que faça o debate na sala de aula, queseja referência para osestudantes. Para tanto é necessário derrotar a atual maioria, e, ao mesmo tempo,
  3. 3. começar a reconstruir erevolucionar o movimento estudantil.Para essa tarefa - que não começou e não vai acabar em Goiânia - é preciso unificartodos os que defendam umaentidade de lutas e democrática, incluindo setores importantes que não compõem aatual frente RompendoAmarras. Vamos elevar o nível do debate e ajudar a fazer do 47º CONUNE ummomento fundamental na articulação das lutas dos estudantes brasileiros.Queremos trazer de volta as melhores tradições da UNE. Fazer diferente, mudar acara do movimento estudantil. Reconquistar a UNE para o conjunto dos estudantes,reconquistá-la para a luta.Contamos com você nessa batalha. Nos vemos em Goiânia!Até lá!Um outro mundo é possível"E depois do começo,o que vier vai começar a ser o fim"(Renato Russo)Há dez anos atrás eles nos diziam que a história tinha acabado, que, após a quedado muro de Berlim, os grandesconflitos estavam todos resolvidos. Entraríamos numa era de paz, e prosperidade,regida pelo livre mercado, sobliderança dos EUA: seriam os anos dourados do neoliberalismo. Quanta bobagem!!Nas greves, nas mobilizações, nas selvas de Chiapas, nas ações do MST, nosprotestos da juventude, em Seattle, emPraga, em Québec e Buenos Aires, na luta das FARC, nos 500 anos de resistênciaindígena, negra e popular, em
  4. 4. todas estas lutas e de muitas outras formas, a humanidade reage à imposição daglobalização neoliberal,e à idéia de que o mercado capitalista é o senhor de todas as coisas.Nos últimos dez anos, o mundo inteiro só se tornou mais pobre, mais doente e maisviolento. A cada dia ficamais evidente a total incapacidade do capitalismo neoliberal de promover aprosperidade para todos: oaumento de taxa de desemprego, dos conflitos armados, a crescente polarização dasociedade entre ricos (cada vezmais ricos) e pobres (cada vez em maior número e mais pobres) e o brutal aumentodo peso do capital financeiroem detrimento do setor produtivo, evidenciam o caráter predatório e parasitário docapitalismo.Todos os dados divulgados recentemente, inclusive pelas grandes agênciasinternacionais propagadoras das diretrizes liberais, como o Banco Mundial e o FMI, demonstram cabalmente a instabilidade econômica e apiora do quadro social no mundo, com destaque para a tragédia africana, umcontinente que está sendodestruído pela AIDS porque as multinacionais farmacêuticas não abrem mão dosseus lucros exorbitantes.Os grandes impérios, que supostamente garantiriam crescimento econômicoininterrupto, estão em crise. OJapão vive estagnado há uma década. Os EUA ameaçam mergulhar o planeta numacrise sem paralelo, que podelevar a devastação financeira aos demais países, num cenário que muitos associamao crash de 1929.Para tentar diminuir o impacto da desaceleração de sua economia, os EUA fazemde tudo para ampliar suahegemonia política, econômica e militar sobre os povos latino-americanos. Estapolítica sintetiza-se, hoje, emduas iniciativas: a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e o PlanoColômbia.Com a ALCA, os EUA querem aumentar suas exportações de bens e serviços e seusaldo comercial comesta região. Ao mesmo tempo, ao adotar políticas restritivas contra o livre trânsitodos trabalhadores --
  5. 5. o que inclui o vergonhoso "muro" na fronteira com o México--, os EUA mantémum "mercado de força detrabalho mal remunerada" à sua disposição.Ao aderir a Alca, cada país latino-americano sacrificará sua autonomia econômica(moeda, subsídios, comprasgovernamentais, patentes) em troca de uma suposta abertura do mercado norte-americano, para produtosprimários e manufaturados com pequeno valor agregado. E o pior: as negociações"por cima" da Alca correm emparalelo ao processo de dolarização de vários países do continente: Guatemala,Equador, El Salvador, Argentina.Já com o Plano Colômbia, o governo dos EUA tenta enfrentar o avanço dasguerrilhas colombianas,especialmente das FARC, bem como o governo Chávez na Venezuela e a rebeldiasocial crescente no Peru e noEquador. Através dele, o governo dos EUA pretende estabelecer seu domíniomilitar sobre a regiãoamazônica, cuja extraordinária importância em termos de biodiversidade,reservatório de água doce, fonte deoxigênio e de jazidas minerais todo mundo conhece.É por isso que é tão importante impulsionar a resistência latino-americana emundial. É por issotambém que a grande novidade é a realização do Fórum Social Mundial no Brasil,e em Porto Alegre, o anti-Davos, que enterrou de vez o “pensamento único”, e bradou em alto e bom som:um outro mundo é possível!!Durante cinco dias, reuniram-se forças das mais distintas origens e opiniões,convergindo em torno daidéia de que é preciso construir outro mundo. Evidentemente, no Fórum SocialMundial prevaleceram asposições que pretendem humanizar o capitalismo, buscando conter seus efeitosatravés de medidas importantes, maspaliativas, como a Taxa Tobin. Nesse sentido, infelizmente, o Fórum ainda nãosuperou as limitaçõespresentes na maior parte dos movimentos anti-globalização, que tomaram conta docenário internacional, desde Seattle: trata-se ainda de movimentos contra o
  6. 6. neoliberalismo, não de movimentos anti-capitalistas e socialistas.Acontece que essa "ordem neoliberal" é apenas uma forma particular da ordemcapitalista. As crises recentes são,portanto, crises do capitalismo. Mas a superação do capitalismo depende daexistência de uma força política e social alternativa. Nós nos somamos aqueles quequerem construir essa força, como os jovens reunidos no Acampamento deJuventude do Fórum, que em seu manifesto proclamaram que outro mundo épossível, sim e disseram que mundo querem ajudar a construir. Seu manifesto sechama: um mundo socialista é possível!Definitivamente, é o fim do fim da história.Outro Brasil também é possível"Na verdade, o Brasil o que será?O Brasil é o que tem talher de prataOu aquele que só come com a mão?Ou será que o Brasil é o que não comeO Brasil gordo na contradição?O Brasil é uma foto do BetinhoOu um vídeo da favela naval?São os trens da alegria de BrasíliaOu os trens de subúrbio da Central?"(Celso Viáfora e Vicente Barreto)O governo FHC está se decompondo. Não param de surgir novas denúncias decorrupção. Além disso, a cada diaque passa, fica mais claro para todos os brasileiros o desastre causado pelaaplicação cega das políticas neoliberais no país, desde os idos do governo Collor.Particularmente desde 1993, quando o "príncipe do apagão" vem dando as cartasno Brasil, na verdade apenas retransmitindo as ordens dos seus chefes do FMI edos EUA, o país piorou, e muito.Foram mais de dez anos de privatizações, desemprego, recessão, desmonte da
  7. 7. educação, da sáude, dos serviçospúblicos e da infra-estrutura. E muito, mas muito mesmo, arrocho, violência emiséria.Pouco a pouco, vamos tomando conhecimento de toda a sorte de crimes praticadospelo governo FHC. E algunspontos são fundamentais para a compreensão da verdadeira natureza dessegoverno, antes que a nossa luta tome aspectos de combate a corrupção pura esimplesmente.O primeiro ponto é que FHC não foi eleito presidente da República para governaro Brasil, tocar um projeto paraa maioria dos brasileiros. Não. Foi eleito para cumprir as metas determinadas peloFMI, que por sua vez, receitao que receitam os bancos internacionais, as grandes corporações, que, a grossomodo, podem ser sintetizados no governo dos EUA, a sede do império.A corrupção é parte inseparável do neoliberalismo e das políticas aplicadas no país.É o preço que o império paga para transformar países como o Brasil, a Argentina, aTailândia, etc, etc, em províncias. E paga sem chorar,pois lucra o dobro. Paga com o lucro do suor dos trabalhadores.Na outra ponta é o custo de FHC, Malan, ACM, Arruda, Alckmin, Armínio Fraga,Jáder, Aécio, a turma toda,que, evidentemente, bobos não são e garantem um futuro tranqüilo e sem problemaalgum. As novas relaçõeseconômicas ditadas pela tal globalização, as relações de trabalho e capital,fundadas na exploração de mão deobra barata, escrava, implicam nesse caráter putrefato de qualquer governo dasnovas "províncias".FHC não é exceção (lembram-se de Ménen, Collor, Fujimori, Gortari?), é apenasum dos mais diligentesservidores do seu patrão (e ele e sua turma são também dos mais caros). Acorrupção, que é revoltante – afinal, quem paga as contas somos nós - é apenasadereço no processo de desmonte da infra-estrutura do Brasil e transferência derenda, riqueza e poder para os mais ricos.Acontece que toda essa corrupção não vai ser extirpada só com uma CPI. É preciso- e fundamental - a CPI para
  8. 8. revelar ao povo o caráter corrupto do governo, mas também para mostrar os crimescometidos com as privatizações, a entrega de patrimônio público. Ou com a crisede energia, e tudo o que ela representa, entre outras coisas porque um funcionárioborra botas do FMI disse ao Malan que não era para investir em maior geração deenergia, para não desequilibrar as contas. São piores que meros criminosos, pioresque qualquer Fernandinho Beira Mar.Toda essa crise econômica, essa crise política, essa descrença com FHC e aproximidade das eleições de 2002 nos colocam claramente a possibilidade deenterrar de vez os tucanos e sua política a favor dos grandes empresários e docapital financeiro. E eles - PSDB, PFL, PTB, PMDB, PPB - já sentiram que ovento não sopra mais para o lado do neoliberalismo. Por isso, bateu o desespero eestão brigando tanto entre si, um denunciando o outro, um vazando os podres dooutro para a imprensa.Mas para derrotar esse modelo e essa quadrilha vai ser preciso ainda muita luta emuito debate para construiruma alternativa diferente para o Brasil. Uma alternativa que contemple os interesseda maioria da população, dos sem-terra, dos trabalhadores, dos oprimidos, dosestudantes, dos pequenos produtores do campo e da cidade. Uma alternativa decaráter anti-neoliberal e anti-capitalista.Precisamos parar de pagar a dívida externa, cessar a sangria da dívida interna,acabar com a farra dos banqueiros estatizando o sistema financeiro, garantir terrapara quem quiser trabalhar fazendo a reforma agrária; detonar o "pensamentoúnico" da mídia questionando o monopólio dos meios de comunicação, a começarda Rede Globo.Precisamos de crescimento econômico e investimento em infra-estrutura: mas paraisso, é preciso reestatizar as empresas que foram doadas aos grandes capitalistas,como o Banespa, as energéticas, as empresas de telefonia. É preciso investirmaciçamente em políticas sociais, principalmente em saúde e educação, abrindonovas escolas e universidades públicas, bem como novos hospitais.Só conseguiremos levar adiante esse programa alternativo se conseguirmosacumular força nas lutas sociais, nas greves, nas mobilizações, nas ocupações, nosmovimentos populares e, também na luta político-institucional. Se nãoconseguirmos enxotar FHC do Planalto antes das eleições, vamos fazer isso em2002, elegendo um presidente da República do PT, numa coligação de esquerda,comprometido com um programa democrático-popular, de caráter socialista.
  9. 9. Por isso a, a UNE, as entidades estudantis têm que se somar a todas as lutas, estarpresente em todos osmovimentos. Nas ruas e nas urnas começamos a construir um outro Brasil!!Algumas Propostas:- Fora FHC /FMI- CPI da corrupção e das privatizações- Ruptura com o FMI;- Não pagamento da dívida externa;- Não pagamento da dívida interna;- Democratização dos meios de comunicação ;quebra do monopólio da Globo.- Apoio à criação de rádios e TV’s comunitárias.- Reforma Agrária, nos moldes reivindicados peloMST- Re-estatização das empresas privatizadas- Estatização do sistema financeiro- Aumento de impostos para os que ganham mais.Criação do imposto sobre grandes fortunas;- Programas de grandes obras públicas de infra-estrutura;
  10. 10. - Investimentos maciços e emergenciais em saúde,educação e habitaçãoPagasA luta pelo direito de estudarA política tucana para a educação não é diferente da aplicada nas demais áreassociais: desmonte do público, intensificação do privado.Na década de 70, 81% das vagas era em universidades públicas e, hoje, essepercentual é justamente o contrário, ou seja, praticamente 85% das vagas seencontram em universidades particulares.Se é verdade que a expansão do ensino pago faz parte do projeto neoliberal queprivilegia o privado em detrimento do público, então é certo que precisamos depolíticas efetivas de combate a isso.Assim, temos que desmistificar os paliativos oferecidos pelo governo, que, nodesespero, às vezes são tidos como salvação pelos estudantes, como o FIES, quenem mais custeio é, mas financiamento bancário. Além do escárnio que é a MP demensalidade, que regulamenta a expulsão do inadimplente da universidade.Para começo de conversa, não dá para abrir mão de que a qualidade de ensino sejagarantida (e o que tem se visto são fábricas de diploma espalhados por todo o país),e de que haja democracia interna, com eleição de dirigentes e participação dosestudantes de forma paritária nos conselhos, além de um novo tipo de créditoeducativo que beneficie o estudante, e não a instituição, com verbas oriundas defundos não públicos, como loterias, depósitos compulsórios dos bancos no BancoCentral.A campanha pela redução das mensalidades, que teve seu surgimento espontâneocom os estudantes lutando por REDUÇAO JÁ! e pela garantia da permanência detantos inadimplentes na sala de aula, deve ser não só mantida, mas revitalizada.A direção majoritária da UNE mantém uma política vacilante, aprovando, em seus
  11. 11. fóruns, a campanha pela redução, mas trabalhando na defesa da aplicação dalegislação vigente (que proíbe aumentos "abusivos" )e fazendo marketing de umconvênio assinado com o Procon, como se ele fosse uma panacéia, verdadeiraredenção dos estudantes espoliados.Não somos contra que os estudantes se utilizem de mecanismos como esseconvênio com o Procon, mas acreditamos que ele deve ser utilizado em últimainstância, depois que a campanha de redução, paralisação e outras formas de lutativerem se esgotado.Já o FIES deve ser combatido, e as entidades estudantis não podem - de formanenhuma - participar de seu Conselho (ConFIES), que é braço não só do MEC,mas também das universidades pagas e Bancos.O antigo Crédito Educativo era muito ruim, mas o atual FIES é inaceitável. Porisso, defendemos que é preciso, emergencialmente, que se recriem mecanismos deCrédito Educativo que devem ser sustentados com verbas outras que não aspúblicas. Por exemplo, é possível cobrar taxas dos donos de escolas pagas e, comelas, custear o ensino de quem não consegue vagas em universidades públicas.Todas essas lutas dos estudantes das escolas pagas têm um caráter emergencial, degarantir a permanência na escola.Contudo, o grande eixo de luta, tanto do movimento das públicas, como das pagase dos estudantes secundaristas é a luta pela expansão do ensino público superior,rumo à sua universalização.É preciso lutar incessantemente pela garantia de ampliação do acesso às atuaisuniversidades públicas (com a criação de novas vagas, principalmente em cursosnoturnos) e lutar pela criação de novas universidades públicas, como asUniversidades do ABC e da zona leste em São Paulo, ou a Universidade do RioGrande do Sul.EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA!- Aumento de vagas nas universidades públicas.- Fim do FIES, empréstimo bancário não dá!- Redução de mensalidade!
  12. 12. - Inadimplência não é crime, pelo direito aoacesso e permanência nas universidades;- Pela abertura dos livros caixas, publicação daplanilha de custos;- Nenhuma verba orçamentária/pública para asparticulares. Verba pública só para universidadepública. Que o dinheiro do crédito ao estudante venha dataxação dos donos de escolas e de extrações especiais deloteria;- Criação de um Fundo Nacional que financie o crédito aoestudante - fundo administrado com a participação dosestudantes, governo e faculdades;- Que, em cada instituição, haja uma Comissão de Seleçãodos beneficiados com a participação estudantil;- Que só recebam recursos as faculdades que oferecerempelo menos 30% de bolsas com recursos próprios;- Que todas as particulares sejam obrigadas a destinarum percentual de seus lucros a bolsas de ensino;- Pelo fim dos cursos de dois anos, pela qualidade deensinoPÚBLICASEDUCAÇÃO COMO MERCADORILonge dos cadernos, bem depois/ A primeira mulher e um 22/ Prestou vestibularno assalto do buzão/ Numa agência bancária se formou ladrão (Racionais)Claro que dentro deste quadro de horrores neoliberal, a educação pública nãopoderia estar bem. E muito menos a educação particular, tratada como mercearia
  13. 13. de esquina, onde cidadão é consumidor de segunda classe: paga muito porpéssimos serviços.Para analisar o quadro educacional brasileiro partimos de um princípio: educaçãodeve ser pública , para todos, e é dever do estado. Tem de ser, portanto, gratuita ede qualidade. Da educação fundamental, à pós-graduação. Disto não abrimos mão.O ensino privado pode existir como opção para quem não queira ou não precise deuma boa escola pública.Isso é exatamente o contrário da visão neoliberal/tucana/pefelista de educação.Para esta direita, que segue as ordens do Banco Mundial, FMI e dos formuladoresdo Consenso Washington educação é mercadoria, que deve ser adquirida por quempode pagar. O Estado deve se envolver o mínimo com educação, devedescentralizar recursos (cada vez mais escassos), deve fazer "parcerias" com a"sociedade civil" para que estaassuma as escolas e universidades públicas.Na verdade, a reforma educacional implementada pelo MEC, desde o primeiromandato de Fernando Henrique só tem um objetivo: desmontar o sistema públicode ensino superior e aumentar o bolo do ensino privado. Não é casual que, nosúltimos anos, tenham aumentado significativamente as matrículas no ensinoprivado - juntamente com as mensalidades e com a queda da qualidade do ensino.De 1994 até 1998, o número de alunos matriculados no ensino superior aumentou30%, segundo o MEC. O Brasil passou de 1,6 milhão de alunos matriculados para2,1 milhões. Só que a grande maioria destes estudantes foram parar em escolasprivadas. 61% estão nas pagas, contra 28% nas federais, 7% nas estaduais e 5% nasmunicipais - em números redondos.Ou seja, as federais e estaduais além de não se expandirem estão sendodesmontadas. Enquanto isto, se proliferam as verdadeiras fábricas de diplomas.A desresponsabilização do Estado com o ensino público e sua vinculação cada vezmaior com a iniciativa privada são o norte das reformas educacionais. Mas existemoutras diretrizes.O que sobrar de ensino superior estatal deve estar sobre os parâmetros deflexibilização, adequação ao mercado, fragmentação curricular. Trata-se de formartécnicos qualificados e profissionais de ponta em algumas faculdades euniversidades - os tais centros de excelência - e, no restante, que se formem os que
  14. 14. puderem pagar, em cursos de qualidade duvidosa e para atuar em alguns setoresmenos desenvolvidos da economia.É o ensino para o mercado, não para formar pessoas críticas, comprometidas comuma nova sociedade, e com valores solidários. É o ensino tecnicista eindividualista, feito para uma para uma elite cada vez menor. Ou, o ensino depéssima qualidade, oferecido para os setores médios, empobrecidos, que têm aindao curso superior como tentativa de "subir na vida".Grande parte de todas das orientações seguidas pelo MEC estão contidas num jácélebre documento do Banco Mundial - e não nos esqueçamos que, o garoto-propaganda de FH, Paulo Renato, saiu diretamente do alto escalão do Banco paracoordenar o programa de governo de FH e depois para o MEC.O tal documento, chamado O Ensino Superior, diz basicamente o seguinte:Este negócio de país de terceiro-mundo, latino-americano, ter universidadepública, gratuita, e ainda por cima com assistência ao estudante está totalmenteequivocado. São países pobres, precisam priorizar o ensino fundamental (jáouviram Paulo Renato falar isto antes??). E não devem ter estas universidadesgrandes, metidas a fazer pesquisa, e com esta geringonça chamada extensão - coisaesdrúxula, que não serve para nada . O negócio é mudar. Modernizar.Universidades devem ser eficiente, como as empresas. Para isto, primeiro: Estadodeve investir em outras coisas. Cobre-se mensalidades , corte-se as bolsas deassistência: nada de mamata. Quem quiser fazer faculdade que pague por isto.Pesquisa é luxo, só deve ser feita em alguns centros, que tenham vocação, e olhelá. Para que pesquisa no terceiro-mundo? É caro. Aproveitem as vantagens daglobalização e adquiram tecnologia americana, deixe isto pra quem entende. Amaioria das faculdades e universidades deve é ensinar. E este negócio dedemocracia é outra bobagem de terceiro-mundo, populismo. Nos EUA, onde tudodá certo, reitor é funcionário, gerente, executivo. Idéia mais maluca eleger reitor,estudante participar de conselho com peso igual ao professor. Funcionário, então,participar de Conselho Superior é piada de mau-gosto. Vamos reformar. Reformasna América-Latina.E isto tudo foi seguido, quase igual, no Chile, na Argentina, no Uruguai, e é claro,aqui. Todas as leis aprovadas no último período: LDB (Lei de Diretrizes e Bases daEducação), o Provão, a lei que impede eleições paritárias para reitor, as váriaspropostas e projetos de autonomia, e, agora, esta picaretagem dos cursosseqüenciais, são todos meios para implementar o que está na cartilha do BancoMundial.
  15. 15. E ainda tem o golpe de misericórdia: um projeto de "autonomia" , que é aoficialização do descompromisso do governo. Eles se apropriaram de uma bandeirahistórica dos estudantes, funcionários e professores e querem aprovar uma lei quedeixa cada universidade ao Deus-dará, correndo ao mercado para conseguirrecursos, pagando cada uma o quanto quiser aos seus professores. Enfim, é aquebra da idéia de sistema público superior de ensino. Autonomia de verdadepressupõe financiamento público e democracia nas universidades. Autonomia é ooposto dos que eles propõem. É garantia de um sistema público de ensino e não odesmonte do sistema!Afora isto, vira e mexe, o Paulo Renato dá uma entrevista defendendo o pagamentode mensalidades. Mas nós vamos dizer em alto em bom som, que não vamos pagarnada.O desmonte das públicasDiferente da Europa e dos EUA, o sistema universitário brasileiro é bem novo. Foidurante o regime militar e início dos anos oitenta, que se constituiu a maioria dasuniversidades públicas brasileiras - federais e estaduais.Era a época do Brasil-grande do Brasil-potência. Interessava às elites e aosmilitares constituir umaestrutura estatal que desse conta das necessidades de desenvolvimento do país, deformar cientistas, de criar tecnologia. Petróleo, telecomunicações, agricultura,aviação, uma série de setores deu saltos através dapesquisa produzida principalmente nas federais, institutos independentes e nasestaduais paulistas.Era uma estrutura estatal fechada, hierarquizada e tecnicista. A cara dos milicos.Com a abertura, o movimento estudantil, dos professores e dos técnicos semobilizou e teve uma série de conquistas. Neste momento, o projeto da classedominante estava em crise, bem como o projeto para a universidade. Construímos,então, um outro projeto de universidade baseado na democracia, na participação,na qualidade do ensino, na indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Aidéia-força dos movimentos: é preciso mudar. Queremos uma universidadeautônoma, para a maioria, uma universidade democrática, uma universidade cidadãpara os trabalhadores, a serviço da transformação social.Houve avanços, principalmente na conquista da paridade ou mesmo do voto
  16. 16. universal na a eleição dos dirigentesuniversitários. Ou na discussão da autonomia universitária. Ou no debate sobreprojeto de universidade. Ou na garantia de um plano nacional de carreira paraprofessores e funcionários e na exigênciade concurso público para ingressar nas universidades. Simultaneamente, aconstrução de vários programas de extensão com participação do ME, tentavaaproximar a universidade das necessidades da maioria da população. Começava ase formar um caldo progressista no interior das universidades públicas brasileiras.Anos 90. A escalada neoliberal vem com tudo pra cima das universidades. Oprograma da direita é coerente. Vamosprivatizar. E começou o desmonte.O corte de verbas é progressivo. A cada ano nossos laboratórios não tem frascos. Acada ano os livros nasbibliotecas não são repostos. As assinaturas dos periódiocos, atrasadas. Os saláriosdos professores, semaumento. O governo proíbe contratar novos professores, precariza a relação deemprego. As bolsas de pesquisa epós-graduação, congeladas também (e em número cada vez menor). O tempo dosmestrados e doutorados, reduzidos -e ainda puseram o gerentão do Bresser Pereiraparaacabar de vez com o CNPq. O preço das refeições nos Restaurantes Universitários,onde eles ainda existem,cada vez maior. Os alojamentos ou moradias, deteriorados, com menos vagas, semconstrução de novos.Os Hospitais Universitários são um caso a parte. Com a destruição geral da saúdepública, acabaram se transformando - em várias regiões - no último lugar desocorro da maioria pobre, dos sem-plano de saúde. E dá-lhe corte de recursos paraos Hospitais. Crises permanentes, recorrentes. Dramas repetidos e cotidianos. Hámuito os HUs estão deixando de ser espaço de ensino-pesquisa-extensão e setransformando em mega-postos de saúde desaparelhados. E agora inventam novamoda: encher os HUs de convênios privados.Mesmo nas estaduais paulistas, que sempre tiveram um pouco mais de fôlego, acrise está instalada. Diminuem-se os repasses, faltam professores, há salassuperlotadas, laboratórios começam a se precarizar. Nos campi da UNESP, asluzes já são desligadas as 21h para economizar energia.!!
  17. 17. Já no Paraná, por exemplo, o aprendiz de ditador de província, Jaime Lerner impôsa autonomia para as estaduais, nos moldes do projeto de Efeagá para as federais, asobrigando os reitores a assinarem um termo de compromissoNão sobra espaço para pensar em ensino de qualidade, ou para discussões maisousadas, ou grandes debates sobre o projeto de universidade.

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