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TRANSIÇÃO DO CUIDADO
GUILHERME BRAUNER BARCELLOS
TEREZINA, 08/11/2013
ROTEIRO DA
APRESENTAÇÃO
Um olhar de quem está dentro do hospital para:
• Valorização do tema
• Sugestões de algumas poucas (pelo tempo) intervenções APLICÁVEIS
ALTA HOSPITALAR:
UM PROCESSO CRÍTICO
Desafios para os profissionais da saúde
não são poucos…
• Comunicação entre os profissionais da
saúde
• Comunicação com os pacientes
• Comunicação entre hospitais e unidades
básicas (banco de dados nacional
padronizado – quando teremos?)
ALTA HOSPITALAR:
UM PROCESSO CRÍTICO
Desafios para os pacientes
• Compreender as instruções
Instruções por escrito nem sempre fáceis de seguir
Instruções verbais geralmente complexas e “despejadas”
• Aderência
Metade dos pacientes admite algum grau de não-aderência
Kripalani S, et al. Mayo Clin Proc 2008
NÃO-ADERÊNCIA
APÓS ALTA HOSPITALAR
ALTA HOSPITALAR:
UM PROCESSO CRÍTICO
Problemas e eventos adversos tornam-se comuns
• 1 a cada 2 pacientes são vítimas de
erros associados aos cuidados em saúde
• 1 a cada 5 sofrem eventos adversos
• Metade dos eventos adversos é evitável
• O impacto de readmissões é imenso
Estudo de Jencks e colaboradores, NEJM 2009
20% dos pacientes do Medicare readmitidos dentro de um mês
após a alta e um terço retorna dentro de 90 dias
Estimaram o custo das readmissões evitáveis em 17 bilhões de
dólares!
Tese de doutorado de Marizélia Leão de Moreira – USP 2010
Analisadas 12.878.422 internações; a proporção de readmissões
foi de 19,8%. Quanto leitos abriríamos reduzindo 5%?
Maior utilização das já superlotadas salas de emergência dos
hospitais, porta de entrada do sistema
Poucos sumários de alta chegam ao médico da
Atenção Primária até o momento que o paciente
retorna para sua primeira consulta pós-alta.
Kripalani S, et al. JAMA 2007
TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÃO NA
ALTA HOSPITALAR É UM PROCESSO
FALHO (ATÉ MESMO EM BOSTON)
Revisadas 1501 altas de 5 hospitais
Dados importantes faltaram nos sumários:
• Exame físico na admissão (11.4%)
• Condição na alta (14.2%)
• Lista de medicações pré-admissão (20.3%)
• Razões para alterações nas medicações (35.3%)
• Lembrete de teste com resultado pendente (47.2%)
• Planejamento do follow up (11.1%)
Gandara E, et al. J Hosp Med 2009
CONFUSÃO COM AS
MEDICAÇÕES SÃO COMUNS
Revisão de medicações por farmacêutivos do Brigham & Women’s
Hospital (Boston, MA)
• Discrepâncias entre a lista pré-admissão e da alta de 49%
• Metade potencialmente danosa
Contato telefônico pós-alta
• Discrepâncias entre a lista da alta e a das medicações em uso
domiciliar de 29%
Schnipper JL, et al. Arch Intern Med 2006
ERROS RELACIONADOS À
QUEBRA DE CONTINUIDADE
Metade dos pacientes que tiverem alta de um hospital geral foi
atingida por algum erro
• Erro de medicação – 42%
• Medicação registrada no ambulatório diferente da orientada no
hospital no momento da alta
• Teste diagnóstico recomendado ou até agendado, mas não
realizado – 12%
• Resultado pendente na alta e depois não checado – 8%
Moore C, et al. J Gen Intern Med 2003
De 2644 altas de 2 centros médicos acadêmicos, em 1095 (41%)
haviam resultados pendentes
Realizado contato com amostragem dos médicos do ambulatório: 2/3
desconheciam existir pendências
• Destas pendências (pesquisadores e médicos entrevistados
concordaram), 37% demandavam ações, 13% delas urgentes
Roy C, et al. Ann Intern Med 2005
EXAMES OU RESULTADOS SE
PERDEM APÓS ALTA HOSPITALAR
RECOMENDAÇÕES
NÃO SÃO SEGUIDAS
De 693 altas hospitalares, em 191 (27.6%) havia
recomedação de algum tipo de follow up
• Procedimentos diagnósticos (47.9%)
• Encaminhamento para subespecialidades (35.4%)
• Testes laboratorias (16.7%)
35.9% das recomendações não foram seguidas
A presença destas recomendações no sumário de alta
aumentou a chance de cumprimento (OR=2.35, p=0.007)
Moore C, et al. Arch Intern Med 2003
INTERVENÇÕES
POSSÍVEIS
Antes da alta
• Educação do paciente
• Planejamento precoce da
alta
Depois da alta
• Follow-up adequado
• Telefone pós-alta
• Visita domicilar
Hansen LO, et al. Ann Intern Med 2011
Fazendo a ponte
• Continuidade do
médico
• Gerente de
transição
• Intruções adequadas
para a alta hospitalar
Kripalani S, et
al. JAMA 2007
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INSERT MAIN MED LIST
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UTI
Enfermeria
Reconciliação
pós-alta
Reconciliação
de admissão
Reconciliação
de alta
RECONCILIAÇÃO
MEDICAMENTOSA
PROJETO RED
(REENGINEERED
DISCHARGE)
Desenvolvido por uma equipe da Boston University
Resumo do Protocolo:
• Aconselhamento intensivo pré-alta
• Nurse Discharge Advocate: educação do paciente, reconciliação
medicamentosa, agendamento de follow-up
• Uma nota de alta personalisada
• Um telefonema por farmacêutico precoce pós alta (2-4 dias)
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ER Visits* 16.5% 24.5%
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*p < 0.05
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Jack BW, et al. Ann Intern Med 2009
RESULTADOS DO
PROJETO RED
Super recente estudo
avaliando o BOOST em
11 hospitais norte-
americanos encontrou
redução média de
readmissões em 30 dias
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Article first published online:
22 JUL 2013
GESTÃO DA ALTA
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GESTÃO DA ALTA
NO HCPA
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Projeto envolve:
• Grupo de trabalho multidisciplinar
• Campanha de conscientização
• Educação continuada
• Divisão clara e pactuada de tarefas e funções
• Suporte de TI
OBRIGADO!
Dúvidas, sugestões ou críticas:
gbbarcellos@medicinahospitalar.com.br
Gestão da alta hospitalar não é ciência espacial – as
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Gestão da Alta Hospitalar

  • 1. TRANSIÇÃO DO CUIDADO GUILHERME BRAUNER BARCELLOS TEREZINA, 08/11/2013
  • 2. ROTEIRO DA APRESENTAÇÃO Um olhar de quem está dentro do hospital para: • Valorização do tema • Sugestões de algumas poucas (pelo tempo) intervenções APLICÁVEIS
  • 3. ALTA HOSPITALAR: UM PROCESSO CRÍTICO Desafios para os profissionais da saúde não são poucos… • Comunicação entre os profissionais da saúde • Comunicação com os pacientes • Comunicação entre hospitais e unidades básicas (banco de dados nacional padronizado – quando teremos?)
  • 4. ALTA HOSPITALAR: UM PROCESSO CRÍTICO Desafios para os pacientes • Compreender as instruções Instruções por escrito nem sempre fáceis de seguir Instruções verbais geralmente complexas e “despejadas” • Aderência
  • 5. Metade dos pacientes admite algum grau de não-aderência Kripalani S, et al. Mayo Clin Proc 2008 NÃO-ADERÊNCIA APÓS ALTA HOSPITALAR
  • 6. ALTA HOSPITALAR: UM PROCESSO CRÍTICO Problemas e eventos adversos tornam-se comuns • 1 a cada 2 pacientes são vítimas de erros associados aos cuidados em saúde • 1 a cada 5 sofrem eventos adversos • Metade dos eventos adversos é evitável • O impacto de readmissões é imenso Estudo de Jencks e colaboradores, NEJM 2009 20% dos pacientes do Medicare readmitidos dentro de um mês após a alta e um terço retorna dentro de 90 dias Estimaram o custo das readmissões evitáveis em 17 bilhões de dólares! Tese de doutorado de Marizélia Leão de Moreira – USP 2010 Analisadas 12.878.422 internações; a proporção de readmissões foi de 19,8%. Quanto leitos abriríamos reduzindo 5%? Maior utilização das já superlotadas salas de emergência dos hospitais, porta de entrada do sistema
  • 7. Poucos sumários de alta chegam ao médico da Atenção Primária até o momento que o paciente retorna para sua primeira consulta pós-alta. Kripalani S, et al. JAMA 2007
  • 8. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÃO NA ALTA HOSPITALAR É UM PROCESSO FALHO (ATÉ MESMO EM BOSTON) Revisadas 1501 altas de 5 hospitais Dados importantes faltaram nos sumários: • Exame físico na admissão (11.4%) • Condição na alta (14.2%) • Lista de medicações pré-admissão (20.3%) • Razões para alterações nas medicações (35.3%) • Lembrete de teste com resultado pendente (47.2%) • Planejamento do follow up (11.1%) Gandara E, et al. J Hosp Med 2009
  • 9. CONFUSÃO COM AS MEDICAÇÕES SÃO COMUNS Revisão de medicações por farmacêutivos do Brigham & Women’s Hospital (Boston, MA) • Discrepâncias entre a lista pré-admissão e da alta de 49% • Metade potencialmente danosa Contato telefônico pós-alta • Discrepâncias entre a lista da alta e a das medicações em uso domiciliar de 29% Schnipper JL, et al. Arch Intern Med 2006
  • 10. ERROS RELACIONADOS À QUEBRA DE CONTINUIDADE Metade dos pacientes que tiverem alta de um hospital geral foi atingida por algum erro • Erro de medicação – 42% • Medicação registrada no ambulatório diferente da orientada no hospital no momento da alta • Teste diagnóstico recomendado ou até agendado, mas não realizado – 12% • Resultado pendente na alta e depois não checado – 8% Moore C, et al. J Gen Intern Med 2003
  • 11. De 2644 altas de 2 centros médicos acadêmicos, em 1095 (41%) haviam resultados pendentes Realizado contato com amostragem dos médicos do ambulatório: 2/3 desconheciam existir pendências • Destas pendências (pesquisadores e médicos entrevistados concordaram), 37% demandavam ações, 13% delas urgentes Roy C, et al. Ann Intern Med 2005 EXAMES OU RESULTADOS SE PERDEM APÓS ALTA HOSPITALAR
  • 12. RECOMENDAÇÕES NÃO SÃO SEGUIDAS De 693 altas hospitalares, em 191 (27.6%) havia recomedação de algum tipo de follow up • Procedimentos diagnósticos (47.9%) • Encaminhamento para subespecialidades (35.4%) • Testes laboratorias (16.7%) 35.9% das recomendações não foram seguidas A presença destas recomendações no sumário de alta aumentou a chance de cumprimento (OR=2.35, p=0.007) Moore C, et al. Arch Intern Med 2003
  • 13. INTERVENÇÕES POSSÍVEIS Antes da alta • Educação do paciente • Planejamento precoce da alta Depois da alta • Follow-up adequado • Telefone pós-alta • Visita domicilar Hansen LO, et al. Ann Intern Med 2011 Fazendo a ponte • Continuidade do médico • Gerente de transição • Intruções adequadas para a alta hospitalar
  • 14. Kripalani S, et al. JAMA 2007
  • 16. INSERT MAIN MED LIST Ambulatório UTI Enfermeria Reconciliação pós-alta Reconciliação de admissão Reconciliação de alta RECONCILIAÇÃO MEDICAMENTOSA
  • 17. PROJETO RED (REENGINEERED DISCHARGE) Desenvolvido por uma equipe da Boston University Resumo do Protocolo: • Aconselhamento intensivo pré-alta • Nurse Discharge Advocate: educação do paciente, reconciliação medicamentosa, agendamento de follow-up • Uma nota de alta personalisada • Um telefonema por farmacêutico precoce pós alta (2-4 dias) • Uma consulta de seguimento em tempo adequado
  • 18.
  • 19. Intervention (n = 370) Control (n = 368) ER Visits* 16.5% 24.5% Rehospitalization** 15% 21% *p < 0.05 **p = 0.09 Jack BW, et al. Ann Intern Med 2009 RESULTADOS DO PROJETO RED
  • 20. Super recente estudo avaliando o BOOST em 11 hospitais norte- americanos encontrou redução média de readmissões em 30 dias de 13.6% Article first published online: 22 JUL 2013
  • 25. GESTÃO DA ALTA NO HCPA Projeto envolve: • Grupo de trabalho multidisciplinar • Campanha de conscientização • Educação continuada • Divisão clara e pactuada de tarefas e funções • Suporte de TI
  • 26. OBRIGADO! Dúvidas, sugestões ou críticas: gbbarcellos@medicinahospitalar.com.br Gestão da alta hospitalar não é ciência espacial – as intervenções que foram apresentadas são possíveis a custos manejáveis. Exigem vontade institucional, uma equipe de trabalho forte e apreciação de princípios básicos de melhoria da qualidade.