O Estilo em A Girafa do Agualusa

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Neste slide apresenta-se a exploração estilística feita com a turma de 8º ano da Secção Portuguesa do LI (2009-2010) a partir da obra de José Eduardo Agualusa, A GIRAFA QUE COMIA ESTRELAS.

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O Estilo em A Girafa do Agualusa

  1. 1. O estilo em A Girafa que comia estrelas , de José Eduardo Agualusa
  2. 2. NOTA PRÉVIA <ul><li>Os alunos do 8º ano exploraram o estilo do texto de José Eduardo Agualusa. Foram desafiados a procurar alguns recursos estilísticos do texto e a explicar a expressividade de cada um dos recursos. A expressividade dos recursos estilísticos foi explorada em conjunto pela turma e a professora foi registando as interpretações dos alunos. As explicações que se apresentam para a expressividade das comparações e das metáforas são da autoria de alguns alunos da turma. </li></ul><ul><li>Eis o resultado deste nosso trabalho: </li></ul>
  3. 3. Comparação (cf. p. 50 da gramática) <ul><li>“ As penas dela brilhavam com uma luz própria, como se pelo facto de viver tão alto tivesse adquirido um pouco do fulgor do sol .” (p. 7) </li></ul><ul><li>Nesta frase comparam-se as penas da galinha ao fulgor do sol porque elas brilhavam com uma luz própria. (lisi) </li></ul><ul><li>Olímpia diz que Dona Margarida tinha as penas com luz própria, como se pelo facto de viver tão alto tivesse adquirido um pouco do brilho intenso do Sol. Olímpia compara Dona Margarida ao Sol, para ela, Margarida está tão alta e é mais bonita que as outras galinhas. Olímpia admira Margarida na comparação que faz, diz que ela é tão bonita como o Sol. Podemos concluir que a galinha é tão importante para a girafa que sem aquela esta quase não poderia viver tal como não se pode viver sem o Sol. (caro) </li></ul><ul><li>Nesta figura de estilo, a girafa, ao ver a galinha a viver tão alto, comparada com as outras galinhas, a girafa acha-a muito mais bonita, quase a brilhar. Até lhe parecia que a galinha tinha adquirido um pouco de luz do sol por viver tão perto dele. E as penas brilhavam de tal forma que, para a girafa, a galinha é o sol. (clarinha) </li></ul><ul><li>A galinha tem as penas que brilham com a luz do sol até que as pessoas pensam que é o fulgor do sol que alimenta essa brilharia como se as penas brilhassem como o fulgor do sol. (slb) </li></ul><ul><li>A girafa está a comparar a galinha ao brilho do sol. Como se ela fosse o sol, algo indispensável à vida. É para lhe dar importância na história, não é uma galinha qualquer. (youpi) </li></ul><ul><li>É uma comparação introduzida pela conjunção « como ». Nesta frase comparam-se as penas da galinha ao fulgor do sol porque elas brilhavam com uma luz própria. (lisi) </li></ul>
  4. 4. Comparação (cf. p. 50 da gramática) <ul><li>“ Estão [os homens] sempre com pressa, correm o tempo todo, como formigas , de um lado para o outro, e acham que são felizes assim.”» (p. 12) </li></ul><ul><li>Dona Margarida compara os homens a formigas porque como ela mora numa nuvem, de lá de cima, os homens parecem-lhe formigas porque são muito mais pequeninos. Ela também faz esta comparação porque diz que os homens estão sempre com pressa, correm o tempo todo de um lado para o outro, tal como as formigas. As formigas são animais muito pequeninos que estão sempre a correr de um lado para o outro. (caro) </li></ul><ul><li>Nesta figura de estilo, a galinha compara-nos a formigas. Estas andam de um lado para o outro à procura de comida. Como estamos sempre, também, a correr sem parar, fazemos lembrar à galinha as formigas que andam a correr. A galinha faz uma comparação com animais que lhe são familiares. (clarinha) </li></ul><ul><li>O facto de comparar os homens a formigas permite estabelecer uma relação de semelhança entre os dois usando a expressão comparativa « como ». (lisi) </li></ul><ul><li>Quem diz isso é a galinha que vive nas nuvens, por isso, somos comparados (os seres humanos)a formigas. Pois, vistos do céu, parecemos formigas pequenas. (youpi) </li></ul><ul><li>A galinha compara os homens às formigas porque, como as formigas, os homens correm de um lado para o outro e também porque vivem em imensos prédios que talvez possamos comparar com os formigueiros pela quantidade de seres reunidos num pequeno espaço. Outra razão é que a galinha está no céu e vê os homens ao longe o que os torna pequenos como as formigas. (slb) </li></ul>
  5. 5. Metáfora (cf. p. 50 da gramática) <ul><li>“ « os homens são animais estranhos :” (p. 12) </li></ul><ul><li>Dona Margarida também fala metaforicamente ao dizer que os homens são animais estranhos. Para ela os homens são animais estranhos porque ela tem a sua maneira de viver e eles têm a deles que é muito diferente da sua. Quando ela diz que os homens são animais soa estranho porque os homens são animais, mas consideram-se superiores aos outros animais e no dia-a-dia não dizem que são animais, dizem que são Seres Humanos, marcando uma diferença que esta metáfora de Dona Margarida tenta apagar. (caro) </li></ul><ul><li>Esta frase é uma metáfora porque não está presente a expressão comparativa. Provoca um efeito de surpresa e que chama logo a atenção porque a associação homem-animal é inabitual. (lisi) </li></ul><ul><li>Nesta figura de estilo, temos uma crítica de uma galinha em relação aos seres humanos. Ela descreve-nos como animais estranhos pois não vivemos da mesma forma, temos outras actividades e andamos sempre, mas sempre a correr, por todo o lado, a toda a hora. (clarinha) </li></ul><ul><li>Para a galinha também somos animais, mas estranhos. Do ponto de vista dos homens, as galinhas é que são estranhas, e o que nos torna mais estranhos para a galinha esta explicitado na metáfora que se segue. (youpi) </li></ul><ul><li>Esta metáfora recorda aos homens que são animais, ideia que se esquece pela superioridade que a inteligência deu e dá ao homem. (slb) </li></ul>
  6. 6. Metáfora (cf. p. 50 da gramática) <ul><li>“ [os homens] vivem empoleirados uns em cima dos outros, em grandes galinheiros .” (p. 12) </li></ul><ul><li>É outra vez o ponto de vista da galinha para quem os prédios são imensos galinheiros e os homens, ao viverem em apartamentos, fazem lembrar a vida empoleirada das galinhas, nos galinheiros. (slb) </li></ul><ul><li>Dona Margarida diz que os homens “vivem empoleirados uns em cima dos outros, em grandes galinheiros”. Ao dizer isto, ela compara as casas dos homens a galinheiros. Como as galinhas vivem umas em cima das outras em galinheiros, as casas e os prédios feitos pelos homens parecem-lhe galinheiros. Ela também utiliza a palavra “empoleirados” e normalmente são as galinhas que vivem empoleiradas. Há a utilização de termos próprios do mundo das galinhas para descrever a maneira de ser dos homens. Isso dá graça ao texto. (caro) </li></ul><ul><li>Esta frase é uma metáfora por não ter expressão comparativa. Assemelha o modo de vida e o habitat dos homens ao das galinhas: os homens vivem em prédios altos como as galinhas que gostam de viver em altura. Os nossos prédios dividem-se em apartamentos todos parecidos uns com os outros exteriormente, estamos uns em cima dos outros como acontece nos galinheiros. (lisi) </li></ul><ul><li>Nesta figura de estilo, temos uma crítica de uma galinha em relação aos seres humanos. A galinha achou esquisito nós vivermos em grandes galinheiros. Evidentemente que ela está a descrever os apartamentos onde vivemos. A galinha faz estes comentários de que nós vivemos nuns galinheiros, empoleirados, mas as outras galinhas também podiam achá-la estranha por ela viver nas nuvens. (clarinha) </li></ul><ul><li>A galinha apropria-se o facto de vivermos em prédios e pensa então que vivemos em grandes galinheiros uns em cima dos outros. (youpi) </li></ul>
  7. 7. Polissemia (cf. p. 211 da gramática) <ul><li>“ Olímpia, Olímpia, lá estás tu outra vez com a cabeça nas nuvens !” (p. 1) </li></ul><ul><li>A expressão pode ser lida literalmente: a girafa é tão alta que chega com a cabeça às nuvens e por isso “anda mesmo com a cabeça na nuvens”. Mas, em sentido figurado, ‘estar com a cabeça nas nuvens’ significa estar distraído. No contexto, o significado literal domina, mas não esquecemos o segundo pois é esse que se usa no dia-a-dia (os seres humanos não chegam com a cabeça às nuvens, são demasiado pequenos para isso). </li></ul>
  8. 8. Polissemia (cf. p. 211 da gramática) <ul><li>“ era apenas uma galinha que gostava de viver nas nuvens !” (p. 7) </li></ul><ul><li>A expressão deve ser lida literalmente, como a anterior: a galinha vive nas nuvens. Mas, em sentido figurado, ‘viver nas nuvens’ significa viver desligado da realidade. No contexto, o significado literal domina, mas não esquecemos o segundo pois é esse que se usa no dia-a-dia (os seres humanos não podem viver nas nuvens). </li></ul>
  9. 9. Polissemia (cf. p. 211 da gramática) <ul><li>O pior que pode acontecer a uma girafa é ficar constipada. (…) porque quando espirram (…) algumas chegam mesmo a perder a cabeça (a cabeça pode saltar com a força do espirro);” (p. 4) </li></ul><ul><li>A expressão deve ser lida literalmente, como as anteriores: a girafa pode, fisicamente, perder a cabeça, a cabeça pode separar-se do corpo – só de imaginar o «disparate» o leitor sorri, mas entra forçosamente na «brincadeira» do narrador que conseguiu prender a sua atenção nesta protagonista da história, fora do normal. </li></ul><ul><li>Em sentido figurado, ‘perder a cabeça’ significa ‘enervar-se’, ‘perder o controle de si mesmo’. No contexto, o significado literal domina de forma cómica, o contexto não permite usar o sentido figurado através da informação explicativa que surge entre parêntesis. </li></ul>
  10. 10. Hipérbole (cf. p. 252 da gramática) <ul><li>O pior que pode acontecer a uma girafa é ficar constipada. (…) porque quando espirram (…) algumas chegam mesmo a perder a cabeça (a cabeça pode saltar com a força do espirro);” (p. 4) </li></ul><ul><li>Há nesta frase igualmente um exagero que não nos deixa indiferentes. Por muito forte que seja um espirro, não é possível que ele consiga arrancar uma cabeça de um corpo. Temos aqui uma força de expressão que destaca a força do espirro numa girafa. </li></ul>
  11. 11. Repetição (cf. p. 262 da gramática) <ul><li>“ Olímpia, Olímpia , lá estás tu outra vez com a cabeça nas nuvens!” (p.1) </li></ul><ul><li>A repetição do nome da girafa é uma forma da mãe chamar a atenção da filha. Como a filha é distraída tem de a chamar mais de uma vez. </li></ul>
  12. 12. Repetição (cf. p. 262 da gramática) <ul><li>«  Pensava, pensava e depois dizia coisas óbvias, que já toda a gente sabia  » </li></ul><ul><li>Há uma insistência no verbo pensar que destaca a dificuldade deste acto por parte da galinha. E o pior é que ela depois de pensar muito, consegue apenas dizer algo óbvio. </li></ul>
  13. 13. Repetição (cf. p. 262 da gramática) <ul><li>“ Andou, andou, andou. Andou muito.” (p. 18) </li></ul><ul><li>A repetição do verbo andar reforça a ideia transmitida pelo verbo, é como se cada forma do verbo fosse um passo dado pela girafa, permite ao leitor visualizar melhor a deslocação dela. </li></ul>
  14. 14. A dupla adjetivação (os adjetivos podem surgir aos pares para qualificar um nome; por vezes um dos adjectivos caracteriza fisicamente o nome e o outro caracteriza-o psicologicamente) <ul><li>“ As nuvens são úmidas e frias ” (p. 4) </li></ul><ul><li>“ [as estrelas] eram doces e macias ” (p. 5) </li></ul><ul><li>“ Por vezes ouvia vozes, macias e remotas ” (p. 10) </li></ul><ul><li>Nestas três citações, verificamos que há a preocupação de descrever as sensações “provocadas” pelas nuvens, pelas estrelas e pelas vozes. </li></ul>
  15. 15. O valor do diminutivo (cf. pp. 260-261 da gramática) <ul><li>“ Olimpiazinha , olha que te constipas” (p. ) </li></ul><ul><li>O diminutivo exprime o carinho da mãe para com a filha. </li></ul><ul><li>“ outras estrelas nasciam, novinhas em folha” (p.) </li></ul><ul><li>A expressão usada correntemente tem o adjectivo no diminutivo. Uma das características da língua portuguesa é o uso frequente do diminutivo. </li></ul><ul><li>“ Dizia estas coisas piscando os olhinhos ” (p.): os olhos da galinha são pequenos. O diminutivo sublinha aqui a pequenez dos olhos. </li></ul><ul><li>“ Dona Margarida fechou os olhinhos para pensar melhor.” (p.): neste diminutivo para além da pequenez dos olhos, podemos sentir o esforço que a galinha faz para pensar (há uma intensificação do esforço feito pela galinha) </li></ul>
  16. 16. Personificação (cf. p. 251 da gramática) <ul><li>“ Como as nuvens correm no céu, por vezes a grande velocidade, Dona Margarida viajava muito.” (p. 12) </li></ul><ul><li>Também temos nesta frase uma personificação que coloca as nuvens ao mesmo nível das pessoas, ganham uma vida intensa. Esta personificação não surpreende o leitor que já aceitou uma galinha a viver nas nuvens e uma girafa tão grande que «anda sempre com a cabeça nas nuvens». </li></ul>
  17. 17. Personificação (cf. p. 251 da gramática) <ul><li>“ Lá de cima, das nuvens, espreitava o mundo e tirava as suas conclusões:” (p. 12) </li></ul><ul><li>Temos nesta frase uma personificação que coloca a galinha ao mesmo nível das pessoas, ganhando assim mais intensidade a sua vida. Esta personificação não surpreende o leitor que já aceitou uma galinha a viver nas nuvens e uma girafa tão grande que «anda sempre com a cabeça nas nuvens». </li></ul>
  18. 18. Verbos expressivos (os verbos podem ser usados de forma diferente àquela a que estamos habituados, em contextos surpreendentes) <ul><li>“ Lá de cima, das nuvens, espreitava o mundo e tirava as suas conclusões:” (p. 12) </li></ul><ul><li>Nesta frase, espreitar torna-se expressivo pela imagem que ajuda a criar no leitor: os homens são observados por uma galinha que os espreita. O verbo cria essa situação inédita, que nos pode fazer sorrir só de a imaginar. O inverso seria mais provável, daí que nos chame a atenção esta descrição da atitude da galinha. </li></ul>
  19. 19. Verbos expressivos (os verbos podem ser usados de forma diferente àquela a que estamos habituados, em contextos surpreendentes) <ul><li>“ Como as nuvens correm no céu, por vezes a grande velocidade, Dona Margarida viajava muito.” (p. 12) </li></ul><ul><li>Nesta frase o verbo correr permite destacar a passagem do tempo e também, mais uma vez, o carácter excecional da Dona Margarida. As galinhas não andam depressa, mas a da nossa história sim! </li></ul>
  20. 20. Referências bibliográficas: <ul><li>Agualusa, José Eduardo (2005): A girafa que comia estrelas , Dom Quixote. </li></ul><ul><li>Pinto, José Manuel de Castro e Maria do Céu Vieira Lopes (2008): Gramática do Português Moderno (remodelada), Plátano Editora. </li></ul><ul><li>Trabalho realizado com a </li></ul><ul><li>turma de 8º ano </li></ul><ul><li>da Secção Portuguesa do LI </li></ul><ul><li>(2009-2010) </li></ul>

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