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  1. 1. <ul><li>O negócio dos links 09.07.2008, Paulo Querido </li></ul><ul><li>Qual é agora o negócio? Muitas das actuais grandes empresas de media não sabem responder à pergunta. Na Internet, o negócio não é tanto a propriedade do conteúdo, mas a capacidade de captar a atenção do público. A resposta é o link </li></ul><ul><li>O jornalismo atravessa uma mudança radical de paradigma económico, encontrando-se num limbo: enquanto não consegue adaptar-se às novas moedas de troca, agarra-se a escalas de valor que estão em decomposição, originando situações desagradáveis. O mais recente episódio ocorreu em Junho, quando a Associated Press (AP) quis obrigar um agregador de blogues, o Drudge Retort, a retirar sete citações de material seu, alegando direitos de autor, ao que a blogosfera americana reagiu declarando guerra a uma das suas principais fontes de informação e lançando um movimento de boicote à AP. </li></ul>
  2. 2. <ul><li>O saldo da rápida batalha é fácil de apurar: Rogers Cadenhead, o editor avisado, colocou as citações conforme os requisitos da agência, que, por seu turno, recuou na posição inicial e se congratulou por o conflito ter sido sanado, enquanto toda a gente discutia a noção de uso justo (fair use) como se nela estivesse a solução. O único problema é que o empate técnico desta batalha não tranquiliza ninguém, nem contribuiu para resolver a questão de fundo: como financiar o jornalismo num ambiente em que o valor da informação tende para o zero? </li></ul>
  3. 3. <ul><li>Jeff Jarvis, consultor de media e colunista do jornal britânico The Guardian, acusa os jornais e a Associated Press de não entenderem o valor da &quot;economia dos links&quot;. Jarvis foi um dos principais críticos da AP e apelou ao seu boicote, secundando a posição do mais lido blogue do mundo, o Techcrunch, fundado por Michael Arrington. &quot;Nos media, estamos em migração da economia do conteúdo para a economia do link&quot;, escreve Jarvis. &quot;O caso AP é a melhor ilustração do choque entre estas duas visões.&quot; &quot;O verdadeiro valor nesta equação não é o conteúdo ou a informação - ambas a caminho de se tornarem commodities - mas os links, que são a nova moeda dos media. Os links podem ser explorados e monetarizados. O conteúdo está a tornar-se uma carga, aquilo que temos de ter para obtermos links, mas em si mesmo o conteúdo não gera valor, precisa de uma audiência, isto é, precisa dos links.&quot; </li></ul>
  4. 4. <ul><li>E pagar o jornalismo? A teoria ajusta-se ao que já sabemos sobre o ambiente em rede e as relações entre as audiências na web social. Mas nem mesmo Jarvis tem resposta para isto: a economia dos links não comporta euros suficientes para pagar o bom, ou mesmo o médio jornalismo. O escritor e director europeu das conferências TED, Bruno Giussani, está de acordo com este reality-check: &quot;Sim, os links são a nova moeda, mas a realidade é que as organizações que produzem notícias continuam a ser quem alimenta a maioria dos bloggers com material e alguém tem que pagar esse trabalho editorial&quot;, respondeu ao P2. Para em seguida exemplificar: &quot;Por absurdo, se amanhã de manhã houvesse uma lei que impedisse os bloggers de citarem extensivamente os media noticiosos, ou hiperligar os respectivos conteúdos, não seriam os meios a morrer, mas sim os bloggers.&quot; </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Com algumas excepções, entre as quais avulta Michael Arrington, que dá as notícias aos jornais e não o contrário, Giussani está certo. A maioria do conteúdo dos blogues existe, antes de mais, porque há matéria noticiosa para debater. Sem o alimento do jornalismo, a blogosfera definharia. Não competirá aos bloggers encontrar os modelos de negócio que possibilitem a continuidade do jornalismo profissional. Mas o caso da AP versus Drudge Retort - que consistiu em retirar sete citações de 39 a 79 caracteres de material informativo da agência, que entretanto era distribuído por toda a Internet através do Google - põe a nu a desorientação que afecta em geral a indústria dos media. E em particular o negócio das agências, cuja &quot;transformação é radical&quot;, na opinião de Juan Varela, jornalista espanhol que é também consultor de media e blogger. Radical para elas e para a difusão de noticiário como a conhecemos. &quot;O negócio tradicional delas é vender informação aos meios, não se dirigindo ao consumidor final. Mas com a Internet saem do seu papel de intermediários&quot; e sobem na cadeia da informação. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Como frisa Juan Varela num artigo publicado no Sociedade Cablada, o seu blogue sobre os novos cidadãos e meios digitais, as agências têm agora a possibilidade de &quot;difundir mais notícias do que nunca, graças ao império da actualização constante, [porque] muitos meios utilizam-nas para publicar maiores quantidades de conteúdos e subir na indexação dos motores de busca - e o resultado é um jornalismo homogéneo e meios com muito pouca informação original&quot;. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>Sendo o conteúdo quase omnipresente, o negócio passa a depender da atenção do público, não da propriedade da notícia ou do meio de divulgação. E para ter a atenção da audiência, na rede, é preciso ter &quot;citações, hiperligações e intertextualidades, que é onde reside a essência da Internet e da conversação&quot;. Voltando ao caso, &quot;os blogues pediam à AP que aproveite a posição privilegiada deles e a relevância que os seus links podem proporcionar&quot;. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>A AP está perdida Mas o valor dos links não cobre os custos da produção jornalística. Nos Estados Unidos sucedem-se os anúncios de redução de jornalistas efectivos e estagiários. O número de postos de trabalho cortados no primeiro semestre deste ano é quase três vezes maior que o total do ano passado. Junte-se a isto a redução no número de páginas dos jornais e o outsourcing editorial para a Índia, caminho aberto há dias pelo terceiro maior jornal californiano, o Orange County Register. Para Bruno Giussani, &quot;a questão essencial nesta discussão é: como vamos financiar a reportagem e a investigação, que são a base do bom jornalismo do qual depende a saúde das democracias? Todas as outras questões são apenas pontos de vista de algum dos lados&quot;. Giussani acrescenta: &quot;Eu sei que muito do jornalismo maistream é, por estes dias, puro entretenimento; muito do blogging também... Do que estou a falar é dos meses de trabalho necessários para investigar e revelar uma história que uma multinacional ou um governo estão a esconder, os muitos dólares que custa manter um correspondente em Bagdad, etc..&quot; </li></ul>
  9. 9. <ul><li>Pedro Dória, colunista do caderno Link e repórter do caderno Aliás, ambos de O Estado de S. Paulo, e que abriu o primeiro blogue jornalístico profissional do Brasil, achou positivo que a AP tenha desistido de afrontar os blogues, mas adverte que essa não é a questão: &quot;A questão é se a chefia da AP sabe o que fazer para lidar com o futuro. A medida deixa claro que estão perdidos. Não são os únicos.&quot; Mais perto da posição dos bloggers que Giussani, Dória entende que as empresas de media convencionais e emergentes tendem a ficar cada vez mais parecidas. &quot;Vai haver disputas de terreno. Grandes empresas do passado vão desaparecer. Grandes empresas do passado continuarão a ser grandes empresas no futuro. E pequenas empresas nascidas dentro da Internet virão a ser grandes. E as grandes sobreviventes, novas e velhas, disputarão espaço com uma infinidade de pequenos actores.&quot; </li></ul>
  10. 10. <ul><li>Também este jornalista brasileiro, que, como Juan Varela, se movimenta há anos tanto nos blogues como nos meios jornalísticos, aponta o dedo à questão de fundo: o modelo de gestão. &quot;Esse tipo de situação nasce porque a AP, como todas as grandes organizações jornalísticas, está em crise. Ela não sabe responder, ainda, a uma pergunta fundamental: qual é o meu negócio? Só a partir dessa resposta é possível traçar uma estratégia de sobrevivência e expansão nesses nossos novos tempos.&quot; Nos antípodas da AP está a rival Reuters. Esta agência de origem europeia e com sede em Londres não apenas promove o uso livre dos seus feeds, exigindo apenas um link, como abriu recentemente um mecanismo para a programação da sua base de dados por qualquer pessoa (API, de Application programming interface). </li></ul>
  11. 11. <ul><li>A crítica ao comportamento da AP estende-se à questão legal. Pela legislação dos EUA, recorda Pedro Dória, a citação não é crime. Também não o é em Portugal. O artigo 7.º do Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos isenta especificamente de direitos, na alínea c) do seu número 2, &quot;a selecção regular de artigos de imprensa periódica, sob forma de revista de imprensa&quot;, declarada lícita sem o consentimento do autor. Outras alíneas deste número podem igualmente ser aplicadas a situações de reprodução, nos blogues, de obra protegida. Pedro Dória remata: &quot;Não sei se há conclusões muito claras do caso AP. A briga para entender o futuro e sobreviver financeiramente produzindo informação mal começou...&quot; </li></ul>
  12. 12. <ul><li>Los Angeles Times anuncia 250 despedimentos, 150 dos quais na redacção, e vai reduzir o número semanal de páginas em 15% Star Tribune reduz orçamento editorial em 10%, sem despedimentos, com acordo do sindicato Tampa Tribune vai despedir 50 funcionários The Journal Sentinel anunciou cortar 10% da sua força trabalhadora de 1300 funcionários a tempo inteiro The Courant vai perder 60 jornalistas Baltimore Sun fará corte de 55 a 60 jornalistas, espera o sindicato Mercury News despede mais nove jornalistas Boston Herald corta 130 a 160 jornalistas Detroit News e Free Press querem reduzir em 7% os jornalistas e esperam que 150 se voluntarizem Thomson Reuters cortará 140 empregos editoriais até final do ano 2008, mais de metade na Europa Outros dados: Total de despedimentos e buyouts em 2008: 5977 Total de despedimentos e buyouts em 2007: 2185 </li></ul>

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