Conselho E ditorial                    Edições Eletrônicas         O velho Senado                Machado de AssisBibliotec...
Página anterior   Sumário
. . . . . . . . . . . . . . . .O VELHO SENADO
Mesa Diretora                          Biênio 2003/2004                         Senador José Sarney                       ...
. . . . . . . . . . . . . . . .Edições do Senado Federal – Vol. 37  O VELHO SENADO       Ilustrações de S. A. Sisson      ...
EDIÇÕES DO                           SENADO FEDERAL                                      Vol. 37  O Conselho Editorial do ...
. . . . . . . . . . . . . . . .         Sumário     NOTA DO EDITOR            pág. 9     Lições políticas de     Machado d...
Sumário                  NOTA DO EDITORO    Conselho Editorial do Senado da República traza lume três crônicas políticas d...
Sumário                   LIÇÕES POLÍTICAS                 DE MACHADO DE ASSIS                                         JOS...
– 12 –  Mas, Machado de Assis não deve ser lembrado so-mente por esse depoimento. Basta ver sua convivênciacom o Parlament...
– 13 –   Convém acentuar, como o fez Josué Montello, em OPresidente Machado de Assis, que houve em Machado,no mais alto gr...
– 14 –          “Não é só a Monarquia          Que tem plantas reverendas;          Vento da democracia          Também fa...
– 15 –   Daí a conciliação da pena do escritor com a política.E não apenas vida política brasileira. Também a políti-ca ex...
– 16 –lugar da paixão, sempre que analisou um problema,retratou um político ou definiu uma situação, no cursode nossa hist...
– 17 –com todos os membros do consistório, mal puderamsair suplentes. E Otaviano, fértil em metáforas, cha-mou-lhes esquif...
– 18 –berdade não morre onde restar uma folha de papelpara decretá-la.’’   Para nós, políticos, a quem foi dado o privilég...
– 19 –suspeito. O que parece é que me espanca. Enfim, épreciso que quando os amigos fazem um triunfo à gen-te (leia esta p...
Sumário                  O VELHO SENADOA    PROPÓSITO   de algumas litografias de Sisson, tivehá dias uma visão do Senado ...
– 22 –conversamos primeiramente de letras, e pouco depoisde política, matéria introduzida por ele, o que me es-pantou bast...
Marquês de Abrantes
Marquês do Paraná
– 25 –Descíamos juntos aquela praça da Aclamação, quenão era então o parque de hoje, mas um vasto cam -po, inculto e vazio...
– 26 –colega de gabinete, eram seguidos por enorme multi-dão de gente em assuada. O carro parou em frente àsecretaria; os ...
Marquês de Paranaguá
Visconde do Rio Branco
– 29 –ao ver os cabos deste partido, risonhos, familiares,gracejando entre si e com os outros, tomando juntoscafé e rapé, ...
– 30 –taliciedade dava àquela casa uma consciência de du-ração perpétua, que parecia ler-se no rosto e no tratodos seus me...
Visconde de Abaeté
Sinimbu
– 33 –do regimento, porventura menos apertada no tempo dapresidência de Cavalcanti.   Não faltavam oradores. Uma só vez ou...
– 34 –tados pelos artigos da imprensa e pelos discursos deTeófilo Ottoni, nem os lances, cenas e brados de taisdias. Não m...
Marquês de Monte Alegre
Teófilo Ottoni
– 37 –   O Senado contava raras sessões ardentes; muitas,porém, eram animadas. Zacarias fazia reviver o deba-te pelo sarca...
– 38 –outra das principais vozes do Senado, era especial-mente orador para os debates solenes. Não tinha osarcasmo agudo d...
Francisco Jê Acaiaba de Montezuma
Marquês de Olinda
– 41 –modo de cumprir a fidelidade política e obedecer aochefe, que herdara o bastão de Eusébio. Como o re -cinto era pequ...
– 42 –depressa o adversário acabava, como ele principiava, e,ao que me ficou, lúcido e completo.   Um dia vi ali aparecer ...
Visconde do Uruguai
Eusébio de Queirós
– 45 –lembra quem era) começou por afirmar que nuncativéramos ministros da Fazenda, mas tão-somenteministros do Tesouro. E...
– 46 –era simples estudante da Escola Central: “Sr. Para-nhos, você ainda há de ser ministro.” O estudanterespondia modest...
Nabuco de Araújo
Visconde de Itaboraí
– 49 –da camisa, e a voz ia saindo meditada e colorida. Na-quele dia, porém, a ânsia de produzir a defesa eratal que as pr...
– 50 –ao pé da cadeira, um exemplar do dicionário deMorais. Era comum vê-lo consultar um ou outrotomo, no decorrer de um d...
Barão de Muritiba
Saião Lobato
– 53 –reminiscências, argumentos e explicações; porexemplo, não era recente a sua aversão às loterias;vinha do tempo em qu...
– 54 –las e esvaiu-se no ar, a caminho de algum ce mité-rio, provavelmente. Se valesse a pena saber o nomedo cemitério, ir...
Sumário                   CRÔNICA DE             1 DE NOVEMBRO DE 1861O    QUE   há de política? É a pergunta que natural-...
– 56 –de esperar que a chuva lhe traga água, vai à própriafonte buscar com que estancar a sede. O leitor vêbem o que há de...
D. Manuel de Assis Mascarenhas
Sousa e Melo
– 59 –aferem por um padrão superior; é bem que os que senão acham neste caso tenham o seu quinhão emqualquer ponto da Terr...
– 60 –trair-se o melhor, e enviar-se à exposição de Londres.Portanto, os dois heróis da exposição são os Srs.Pena e o mini...
Francisco Otaviano
Barão de Cotegipe
– 63 –    A exposição corresponderá aos esforços dos seusdiretores, se a atenção pública não for desviada pelanova obra En...
– 64 –método-vapor, e que se lhe dê o que lhe compete, mé-todo-elétrico.  A obrigação de comentar leva-me a fazer transiçõ...
Zacarias de Góis e Vasconcelos
Marquês de Sapucaí
– 67 –  A nossa capital tem sido visitada por mais de ummágico, e sem dúvida está ainda fresca a impressãoque produziu o d...
– 68 –ver quem primeiro chega ao termo da carreira, que éa terra da promissão!   Diga-se o que se quiser dos ingleses, mas...
Silveira da Mota
– 70 –   Dizem os que têm visitado a antiga cidade deConstantino que há uma grande diferença entre umcemitério turco e um ...
Sumário                  CRÔNICA DE            13 DE DEZEMBRO DE 1896O     Senado deixou suspensa a questão do veto dopref...
– 72 –apenas levanta as taxas sem desigualá-las, ou se astorna outra vez desiguais. Além de não estar claro nodebate, suce...
Sousa Franco
Duque de Caxias
– 75 –   Não há dúvida que este uso economiza papel deimpressão e tempo de copiar; mas eu, contribuinte eeleitor, não gost...
– 76 –nalidade; erram no que toca aos fatos. Com efeito, édifícil, por mais que a alma se sinta levada pelo prin-cípio da ...
– 77 –   Não é pelo nascimento dos artistas que a arte fran-co-brasileira existe, mas por uma combinação do Riocom Paris o...
– 78 –atordoar os espíritos dos seus compatriotas pela reve-lação de que o tratado celebrado com a Inglaterra, gra-ças aos...
Sumário    NOTAS BIOGRÁFICAS DE SENADORES DO IMPÉRIO CITADOS EM “O VELHO SENADO”– Quintino Antônio Ferreira de Sousa – Qui...
– 80 –– Conselheiro Zacarias de Góis e Vasconcelos. (Nasceu em  15.11.1815, BA, e morreu em 28.12.1877, RJ.) Senador  de 1...
– 81 –– José Maria da Silva Paranhos (Visconde do Rio Branco.  Nasceu em 16.3.1819, BA, e morreu em 1.11.1880, RJ).  Senad...
– 82 –– Francisco de Paula de Negreiros Saião Lobato (Visconde  de Niterói. Nasceu em 25.5.1815, RJ, e morreu em  14.7.188...
– 83 –– José Martins da Cruz Jobim. (Nasceu em 26.2.1802, RJ,  e morreu em 23.8.1878, RJ.) Senador de 6.5.1851 a  23.8.187...
– 84 – te da Regência Trina Permanente e Ministro do Império (23.3.1841 a 19.1.1843) do 2º Gabinete do II Império.– Caetan...
Sumário            O velho Senado, de Machado de Assis,  foi composto em Bookman, corpo 9, e impresso em papelvergê areia ...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

O velho senado machado de assis

1.318 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.318
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
246
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
9
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

O velho senado machado de assis

  1. 1. Conselho E ditorial Edições Eletrônicas O velho Senado Machado de AssisBiblioteca Básica Classicos da Política Memória Brasileira Brasil 500 anos O Brasil Visto por Estrangeiros Para visualizar esta obra é necessário o acrobat reader 4.0. Se você nâo possui esta versão instalada em seu computador, clique aqui, para fazer o download.
  2. 2. Página anterior Sumário
  3. 3. . . . . . . . . . . . . . . . .O VELHO SENADO
  4. 4. Mesa Diretora Biênio 2003/2004 Senador José Sarney Presidente Senador Paulo Paim Senador Eduardo Siqueira Campos 1º Vice-Presidente 2º Vice-Presidente Senador Romeu Tuma Senador Alberto Silva 1º Secretário 2º Secretário Senador Heráclito Fortes Senador Sérgio Zambiasi 3º Secretário 4º Secretário Suplentes de Secretário Senador João Alberto Souza Senadora Serys SlhessarenkoSenador Geraldo Mesquita Júnior Senador Marcelo Crivella Conselho Editorial Senador José Sarney Joaquim Campelo Marques Presidente Vice-Presidente Conselheiros Carlos Henrique Cardim Carlyle Coutinho Madruga João Almino Raimundo Pontes Cunha Neto
  5. 5. . . . . . . . . . . . . . . . .Edições do Senado Federal – Vol. 37 O VELHO SENADO Ilustrações de S. A. Sisson Brasília – 2004
  6. 6. EDIÇÕES DO SENADO FEDERAL Vol. 37 O Conselho Editorial do Senado Federal, criado pela Mesa Diretora em 31 de janeiro de 1997, buscará editar, sempre, obras de valor histórico e cultural e de im portância relevante para a compreensão da história política, econômica e social do Brasil e reflexão sobre os destinos do país.Projeto gráfico: Achilles Milan Neto© Senado Federal, 2004Congresso NacionalPraça dos Três Poderes s/nº – CEP 70165-900 – Brasília – DFCEDIT@senado.gov.brHttp://www.senado.gov.br/web/conselho/conselho.htm . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Assis, Machado de, 1839-1908. O velho Senado / Machado de Assis. -- Brasília : Senado Federal, Conselho Editorial, 2004. 86 p. -- (Edições do Senado Federal ; v. 37) 1. Crônica, Brasil. 2. Literatura, Brasil. 3. Política e governo, Brasil. I. Título. II. Série. CDD B869.8 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
  7. 7. . . . . . . . . . . . . . . . . Sumário NOTA DO EDITOR pág. 9 Lições políticas de Machado de Assis, por José Sarney pág. 11 O velho Senado pág. 21 Crônica de 1 de novembro de 1861 pág. 55 Crônica de 13 de dezembro de 1896 pág. 71 Notas biográficas de Senadores do Império em “O velho Senado” pág. 79
  8. 8. Sumário NOTA DO EDITORO Conselho Editorial do Senado da República traza lume três crônicas políticas de Machado de Assiscom suas sutis observações sobre a política de suaépoca. A primeira, crônica de atmosfera do século XIX noRio de Janeiro, então capital do Império, retraça a ga -leria das principais personalidades políticas no âmbitodo “Velho Senado”. Machado de Assis foi comentarista político a partirde 1861 (em primeiro de novembro publicou sua primei-ra crônica política na coluna “Comentário da Semana”,do Diário do Rio de Janeiro assinada por Gil, um deseus pseudônimos). Tal atividade de comentarista polí-tico encerrou-se com a crônica publicada na coluna “ASemana”, do jornal Gazeta de Notícias, no dia 13 dedezembro de 1896. Estas duas crônicas integram apresente edição. É com orgulho que o Conselho Editorial anuncia apublicação para breve da totalidade das crônicas ma -chadianas versando sobre a política de seu tempo.
  9. 9. Sumário LIÇÕES POLÍTICAS DE MACHADO DE ASSIS JOSÉ S ARNEYA PRIMEIRA vez que li a crônica de Machado de Assissobre a vida parlamentar, em Páginas Recolhidas, de1899, trouxe-me sensação indelével de que o temponão passa. Ali estava o Senado, o velho Senado vitalí-cio do Império, vivo pelo milagre da palavra. Muitas ve-zes reli essa página de gênio, que ficará eterna, eterni-zando a velha Casa. É ela hoje, através dos tempos, amemória, a fotografia, o testemunho definitivo de umaparte da história do Parlamento brasileiro. O cronista parlamentar, extraordinário, soube sermais definitivo do que os próprios Anais. É uma som -bra aquele contínuo que fecha a porta, no momentoinaugural da República, derradeiro do reinado de Pe-dro II. Mas é um símbolo. Ele fecha a porta de umaépoca e deixa o sabor de uma grande solidão.
  10. 10. – 12 – Mas, Machado de Assis não deve ser lembrado so-mente por esse depoimento. Basta ver sua convivênciacom o Parlamento e a política. A mais antiga reminiscência de Machado de Assissobre a atividade política de nosso País está numa crô-nica de 9 de junho de 1878, publicada na revista OCruzeiro, assinada por um dos pseudônimos do escri-tor, Eleazar. É interessante observar, antes de transcrever o tre -cho expressivo, que a memória do cronista, nessa voltaa si mesmo, fixa-se, com olhos de menino, num episó-dio parlamentar. Vamos à confissão machadiana: “A primeira vezque assisti a uma sessão do Parlamento era bem cri -ança. Recordo-me que, ao ver um orador oposicionis-ta, após meia hora de um discurso acerbo, inclinar-sesobre a cadeira do Ministro e rirem ambos, senti umaespécie de desencanto. Esfreguei os olhos; não lhespodia dar crédito. Era tão diferente a noção que eu ti -nha dos hábitos parlamentares! A reação veio; e en-tão compreendi que a mais bela coisa das lutas parla-mentares é justamente a estima das pessoas, de en -volta com as dissenções de princípios, espírito de tole-rância que não conhecem ainda as povoações rústi-cas. A este respeito, contam estas a mesma idade queeu tinha, quando pela primeira vez pus os olhos noParlamento.”
  11. 11. – 13 – Convém acentuar, como o fez Josué Montello, em OPresidente Machado de Assis, que houve em Machado,no mais alto grau, o senso objetivo da vocação política,o que o levaria, andando o tempo, e já no altiplano damaturidade literariamente realizada, a compor, organi-zar e impor-se uma rotina de trabalho, quando conse-guiu conciliar as duas vertentes – a do escritor e a dopolítico – na criação do seu Senado vitalício, a Acade-mia Brasileira de Letras, do qual seria presidente en-quanto viveu. A vida política do Brasil, enquanto luta, litígio, cam -panha e proposição teórica, sempre encontrou na penade Machado de Assis o seu arguto comentador. Políticos e política há nos seus contos, crônicas,discursos, romances e no seu teatro, quer como alu -são explícita, quer como re flexão oportuna. Até em versos jocosos, com os quais distraía a simesmo e aos leitores, numa coluna de jornal, o escritorse manifesta, a esse propósito como numa das famo-sas gazetas de Holanda, em que nos diz em verso,com a pena de cronista, não ter querido o hábito daRosa, o hábito de Cristo, Avis, ou mesmo a fita do Cru-zeiro do Sul. E, definindo-os: “São moedas da coroa, E eu, democrata, não devo Expor a minha pessoa A ser contrária ao que escrevo.” E concluía em profissão de fé política:
  12. 12. – 14 – “Não é só a Monarquia Que tem plantas reverendas; Vento da democracia Também faz brotar comendas.” A conclusão do autor dos Tambores de São Luísdeve ser aqui invocada: “Na presidência da Academia,por força da condição do espírito acadêmico, Machadode Assis encontrou a solução ideal de sua vocação po -lítica, realizou-se politicamente, sem se afastar da ór-bita literária, e o fez com um tato inexcedível, sabendoque se deve compor a vida, segundo Madame de Val -more, como se costura – ponto por ponto.” Poder-se-ia concluir, de modo sumário, que Macha-do de Assis teria tido a vocação política. A au têntica.A que traz em si o ímpeto irreprimível. Ou seja: o gostoda arte de governar, do processo para conduzir o povoda maneira de transformar o litígio em debate, para al-cançar a solução possível, quer na ordem social, querna ordem individual. Mas teria faltado ao mestre deDom Casmurro a aptidão correspondente, que dariacurso natural à vocação política. Na verdade, se bem pensarmos, tampouco lhe faltoua aptidão, para apoio e esteio da vocação. Apenas, emvez de fazer política, no plano da vida executiva ouparlamentar, ele preferiu fazer a alta política, no planoda vida literária, de que a Academia, com o reconheci-mento de sua incontestável liderança intelectual, cons-tituiu o ponto culminante, a realização maior.
  13. 13. – 15 – Daí a conciliação da pena do escritor com a política.E não apenas vida política brasileira. Também a políti-ca exterior, a política que se faz lá fora. Mas semprevoltando à política de nosso país, para comentar umaeleição, para dar sua opinião sobre a reforma da Cons-tituição, para debater as questões que agitavam o Par-lamento. Poucos escritores terão acompanhado com tanto in-teresse e tanta acuidade a vida política brasileiracomo o maior de todos. Nada lhe escapa. A pena docronista, ou a pena do romancista e do contista, estásempre vigilante, não propriamente para combater,como os políticos exaltados, mas para esclarecer, paraopinar. Direi mesmo: Para ser um estadista, só faltoua Machado de Assis o exercício da política, na Câma-ra, no Senado, no Ministério. O estadista que ele soubeser no plano das letras. E que certamente teria sido,com a sua ampla visão do mundo, no plano da vidapolítica efetiva. Mas, mesmo assim, tentou uma cadeira de deputa-do por um distrito de Minas Gerais, como ressaltei emmeu discurso de posse na Academia Brasileira de Le-tras. Não farei uma afirmação temerária ao escrever quea história da política nacional não pode ser escrita, noespaço compreendido pela vida de Machado de Assis,sem o testemunho do Mestre de Dom Casmurro. Ecom esta vantagem superior: ele pôs a compreensão no
  14. 14. – 16 –lugar da paixão, sempre que analisou um problema,retratou um político ou definiu uma situação, no cursode nossa história política. Estou a lembrar, agora, a crônica de 30 de outubrode 1892, em que, de passagem, esboçou o perfil do Se-nador Francisco Otaviano: “A atual mocidade não co-nheceu Otaviano; viu apenas um homem avelhantadoe enfraquecido pela doença, com um rosto pálido da-quele riso que Voltaire lhe mandou do outro mundo.Nem resto, uma sombra de resto, talvez uma simplesreminiscência deixada no cérebro das pessoas que o co -nheceram entre trinta e quarenta anos.” Para compreendermos com exatidão a página evoca-tiva, cumpre-nos ter em mente o que nos adverte o pró -prio Machado de Assis, no início daquela página: “Tem-pos do papa! tempos dos cardeais! Não falo do papacatólico, nem dos cardeais da Santa Igreja romana,mas do nosso papa e dos nossos cardeais. F. Otaviano,então jornalista, foi quem achou aquelas designaçõespara o Senador Eusébio e o estado-maior do PartidoConservador. Era eu pouco mais que um menino...” Prossegue o cronista, puxando o fio da memória:“Um dia, um domingo, havia eleições, como hoje. Papae cardeais tinham o poder nas mãos, e, sendo o regimede dois graus, entraram eles próprios nas chapas deeleitores, que eram escolhidos pelos votantes. Os libe-rais resolveram lutar com os conservadores, apresen-taram chapas suas e os desbarataram. O pontífice,
  15. 15. – 17 –com todos os membros do consistório, mal puderamsair suplentes. E Otaviano, fértil em metáforas, cha-mou-lhes esquifes. “Mais um esquife”, dizia ele noCorreio Mercantil, durante a apuração dos votos.“Luta de energia, luta de motejos. Rocha, jornalistaconservador, ria causticamente do lencinho branco deTeófilo Ottoni, o célebre lenço com que este conduzia amultidão, de paróquia em paróquia, aclamando e acla-mado. A multidão seguia alegre, tumultuosa, levadapor sedução, por um instinto vago, por efeito da pala-vra – um pouquinho por ofício. Não me lembra bem sehouve alguma urna quebrada; é provável que sim.Hoje mesmo as urnas não são de bronze. Não vou aoponto de afirmar que não as houve pejadas. Que é apolítica senão obra de homens? Crescei e multipli-cai-vos.” São numerosas, ao longo dos romances e dos contosde Machado de Assis, as reflexões sobre a política, si -nal de que o escritor não se limitou, como cronista, aopiniar sobre fatos reais, à margem da política brasilei-ra, mas associou essa política ao seu mundo de ficcio-nista. Está em Quincas Borba: “Em política, a primeira coisaque se perde é a liberdade.’’ E, numa peça de teatro,Quase ministro: “Em política, ser lógico é ser profeta.” Quem quer que tenha a experiência da política, naordem da execução objetiva, há de dar razão ao Mes -tre, nesta conclusão de suas Histórias sem Data: “A li-
  16. 16. – 18 –berdade não morre onde restar uma folha de papelpara decretá-la.’’ Para nós, políticos, a quem foi dado o privilégio defazer da política o tirocínio de toda uma vida, a obramachadiana é um reencontro contínuo de nossas pró-prias experiências. “Viver não é apenas ver passar”,como concluía Amado Nervo. É, sobretudo, conhecer econfrontar. A leitura de uma obra como a de Machadode Assis aumenta nosso conhecimento, coloca-nos di-ante de observações exatas que nos ampliam a visãoda vida, com a soma de experiências do romancista. Qual o político que não sofreu na sua carreira oaguilhão de injustiças ferozes? Faz parte de nosso tiro-cínio. Porque o homem político é, por natureza, umacontrovérsia. Ora, um belo dia, já glorioso, já realizado, Machadode Assis vem a saber que um de nossos maiores críti-cos, Sílvio Romero, acabara de publicar contra ele, con-tra sua obra, diminuindo-lhe o valor, injuriando-o, umlivro compacto de quase quatrocentas páginas. O mes -tre não se defendeu. E quando um jovem amigo, Maga-lhães de Azeredo, falou-lhe do livro, em carta que lheescreveu de Roma, limitou-se a dizer-lhe, na volta docorreio: “É um estudo ou ataque, como dizem as pessoasque ouço. De notícias públicas vejo que o autor foi in-justo comigo. A afirmação do livro é que nada valho.Dizendo que foi injusto comigo não exprimo conclusãominha, mas a própria afirmação dos outros: eu sou
  17. 17. – 19 –suspeito. O que parece é que me espanca. Enfim, épreciso que quando os amigos fazem um triunfo à gen-te (leia esta palavra em sentido modesto), haja alguémque nos ensine a virtude da humildade.” Sempre dei grande valor a essa lição machadiana.
  18. 18. Sumário O VELHO SENADOA PROPÓSITO de algumas litografias de Sisson, tivehá dias uma visão do Senado de 1860. Vi sões valem omesmo que a retina em que se operam. Um político,tornando a ver aquele corpo, acharia nele a mesmaalma dos seus correligionários extintos, e um histori-ador colheria elementos para a História. Um simplescurioso não descobre mais que o pitoresco do tempoe a expressão das linhas com aquele tom geral quedão as cousas mortas e enterradas. Nesse ano entrara eu para a imprensa. Uma noite,como saíssemos do teatro Ginásio, Quintino Bocaiúva eeu fomos tomar chá. Bocaiúva era então uma gentil fi-gura de rapaz, delgado, tez macia, fino bigode e olhosserenos. Já então tinha os gestos lentos de hoje, e umpouco daquele ar distant que Taine achou em Merimée.Disseram cousa análoga de Challemel-Lacour, que al-guém, ultimamente, definia como très républicain deconviction et très aristocrate de tempérament. O nossoBocaiúva era só a segunda parte, mas já então liberalbastante para dar um republicano convicto. Ao chá,
  19. 19. – 22 –conversamos primeiramente de letras, e pouco depoisde política, matéria introduzida por ele, o que me es-pantou bastante; não era usual nas nossas práticas.Nem é exato dizer que conversamos de política; eu an -tes respondia às perguntas que Bocaiúva me ia fazen-do, como se quisesse conhecer as minhas opiniões.Provavelmente não as teria fixas nem determinadas;mas, quaisquer que fossem, creio que as exprimi naproporção e com a precisão apenas adequada ao queele me ia oferecer. De fato, separamo-nos com prazodado para o dia seguinte, na loja de Paula Brito, queera na antiga praça da Constituição, lado do teatro SãoPedro, a meio caminho das ruas do Cano e dos Ciga-nos. Relevai esta nomenclatura morta; é vício de me-mória velha. Na manhã seguinte, achei ali Bocaiúva es-crevendo um bilhete. Tratava-se do Diário do Rio de Ja -neiro, que ia reaparecer, sob a direção política de Sal-danha Marinho. Vinha dar-me um lugar na redação,com ele e Henrique César Muzzio. Estas minudências, agradáveis de escrever, sê-lo-ãomenos de ler. É difícil fugir a elas, quando se recordamcousas idas. Assim, dizendo que no mesmo ano, aber -tas as câmaras, fui para o Senado, como redator doDiário do Rio, não posso esquecer que nesse ou no ou -tro ali estiveram comigo Bernardo Guimarães, repre-sentante do Jornal do Comércio, e Pedro Luís, por partedo Correio Mercantil, nem as boas horas que vivemos ostrês. Posto que Bernardo Guimarães fosse mais velhoque nós, partíamos igualmente o pão da intimidade.
  20. 20. Marquês de Abrantes
  21. 21. Marquês do Paraná
  22. 22. – 25 –Descíamos juntos aquela praça da Aclamação, quenão era então o parque de hoje, mas um vasto cam -po, inculto e vazio, como o campo de S. Cristóvão.Algumas vezes íamos jantar a um restaurante da ruados Latoeiros, hoje Gonçalves Dias, nome este que selhe deu por indicação justamente do Diário do Rio; opoeta morara ali outrora, e foi Muzzio, seu amigo,quem pela nossa folha o pediu à Câmara Municipal.Pedro Luís não tinha só a paixão que pôs nos belos ver-sos à Polônia e no discurso com que, pouco depois, en-trou na Câmara dos Deputados, mas ainda a graça, osarcasmo, a observação fina e aquele largo riso em queos grandes olhos se faziam maiores. Bernardo Guima-rães não falava nem ria tanto, incumbia-se de pontuaro diálogo com um bom dito, um reparo, uma anedota.O Senado não se prestava menos que o resto do mundoà conversação dos três amigos. Poucos membros restarão da velha casa. Parana-guá e Sinimbu carregam o peso dos anos com muitafacilidade e graça, o que ainda mais admira em Si-nimbu, que suponho mais idoso. Ouvi falar a estebastantes vezes; não apaixonava o debate, mas erasimples, claro, interessante, e, fisicamente, não per-dia a linha. Esta geração conhece a firmeza daquelehomem político, que mais tarde foi presidente doConselho e teve de lutar com oposições grandes. Umincidente dos ultimos anos mostrará bem a naturezadele. Saindo da Câmara dos Deputados para a Secre-taria da Agricultura, com o Visconde de Ouro Preto,
  23. 23. – 26 –colega de gabinete, eram seguidos por enorme multi-dão de gente em assuada. O carro parou em frente àsecretaria; os dous apearam-se e pararam alguns ins-tantes, voltados para a multidão, que continuava abradar e apupar, e então vi bem a diferença dos doistemperamentos. Ouro Preto fitava-a com a cabeça er -guida e certo gesto de repto; Sinimbu parecia apenasmostrar ao colega um trecho de muro, indiferente.Tal era o homem que conheci no Senado. Para avaliar bem a minha impressão diante da-queles homens que eu via ali juntos, todos os dias, épreciso não esquecer que não poucos eram os con-temporâneos da Maioridade, alguns da Regência, doPrimeiro Reinado e da Constituinte. Tinham feito ouvisto fazer a história dos tempos iniciais do regime, eeu era um adolescente es pantado e cu rioso. Acha-va-lhes uma feição particular, metade militante, me-tade triunfante, um pouco de homens, outro poucode instituição. Paralelamente, iam-me lembrando osapodos e chufas que a paixão política desferira con -tra alguns deles, e sentia que as figuras serenas erespeitáveis que ali estavam agora naquelas cadeirasestreitas não tiveram outrora o respeito dos outros,nem provavelmente a serenidade própria. E tira-va-lhes as cãs e rugas, e fazia-os outra vez moços, ár -degos e agitados. Comecei a aprender a parte do pre -sente que há no passado, e vice-versa. Trazia comigoa oligarquia, o golpe de estado de 1848, e outras no -tas da política em oposição ao domínio conservador, e
  24. 24. Marquês de Paranaguá
  25. 25. Visconde do Rio Branco
  26. 26. – 29 –ao ver os cabos deste partido, risonhos, familiares,gracejando entre si e com os outros, tomando juntoscafé e rapé, perguntava a mim mesmo se eram elesque podiam fazer, desfazer e refazer os elementos egovernar com mão de ferro este país. Os senadores compareciam regularmente ao tra-balho. Era raro não haver sessão por falta de quo-rum. Uma particularidade do tempo é que muitos vi -nham em carruagem própria, como Zacarias, MonteAlegre, Abrantes, Caxias e outros, começando pelomais velho, que era o marquês de Itanhaém. A idadedeste fazia-o menos assíduo, mas ainda assim era-omais do que cabia esperar dele. Mal se podia apeardo carro, e subir as escadas; arrastava os pés até àcadeira, que ficava do lado direito da mesa. Era secoe mirrado, usava cabeleira e trazia óculos fortes. Nascerimônias de abertura e encerramento agravava oaspecto com a farda de senador. Se usasse barba,poderia disfarçar o chupado e en gelhado dos tecidos,a cara raspada acentuava-lhe a decrepitude; mas acara raspada era o costume de outra quadra, queainda existia na maioria do Senado. Uns como Na-buco e Zacarias, traziam a barba toda feita; outrosdeixavam pequenas suíças, como Abrantes e Para-nhos, ou, como Olinda e Eusébio, a barba em formade colar; raros usavam bigodes, como Caxias e Mon-tezuma – um Montezuma de segunda maneira. A figura de Itanhaém era uma razão visível contra avitaliciedade do Senado, mas é também certo que a vi-
  27. 27. – 30 –taliciedade dava àquela casa uma consciência de du-ração perpétua, que parecia ler-se no rosto e no tratodos seus membros. Tinham um ar de família, que sedispersava durante a estação calmosa, para ir àságuas e outras diversões, e que se reunia depois, emprazo certo, anos e anos. Alguns não tornavam mais,e outros novos apareciam; mas também nas família semorre e nasce. Dissentiam sempre, mas é próprio dasfamílias numerosas brigarem, fazerem as pazes e tor-narem a brigar; parece até que é a melhor prova de es-tar dentro da humanidade. Já então se invocavamcontra a vitaliciedade do Senado os princípios liberais,como se fizera antes. Algumas vozes, vibrantes cá fora,calavam-se lá dentro, é certo, mas o gérmen da refor-ma ia ficando, os programas o acolhiam, e, como emvários outros casos, os sucessos o fizeram lei. Nenhum tumulto nas sessões. A atenção era grandee constante. Geralmente, as galerias não eram freqüen-tadas, e para o fim da hora, poucos expectadores fica-vam, alguns dormiam. Naturalmente a discussão dovoto de graças e outras chamavam mais gente. Nabucoe algum outro dos principais da casa gozavam do privi-légio de atrair grande auditório, quando se sabia queeles rompiam um debate ou respondiam a um discur-so. Nestas ocasiões mui excepcionalmente, eram admi-tidos ouvintes no próprio salão do Senado, como aliásera comum na Câmara temporária; como nesta, porém,os expectadores não intervinham com aplausos nas dis-cussões. A presidência de Abaeté redobrou a disciplina
  28. 28. Visconde de Abaeté
  29. 29. Sinimbu
  30. 30. – 33 –do regimento, porventura menos apertada no tempo dapresidência de Cavalcanti. Não faltavam oradores. Uma só vez ouvi falar a Eu -sébio de Queirós, e a impressão que me deixou foiviva; era fluente, abundante, claro, sem prejuízo do vi-gor e da energia. Não foi discurso de ataque, mas dedefesa; falou na qualidade de chefe do Partido Conser-vador, ou papa; Itaboraí, Uruguai, Saião Lobato e ou -tros eram cardeais e todos formavam o consistório, se-gundo a célebre definição de Otaviano no Correio Mer-cantil. Não reli o discurso, não teria agora tempo nemoportunidade de fazê-lo; mas estou que a impressãonão haveria diminuído muito, posto lhe falte o efeitoda própria voz do orador, que seduzia. A matéria erasobremodo ingrata: tratava-se de explicar e defender oacúmulo dos cargos públicos, acusação feita na im-prensa da oposição. Era a tarde da oligarquia, o cre-púsculo do domínio conservador. As eleições de 1860,na capital, deram o primeiro golpe na situação; setambém deram o último, não sei; os partidos nunca seentenderam bem acerca das causas imediatas da pró -pria queda ou subida, salvo no ponto de serem alter-nadamente a violação ou a restauração da carta cons-titucional. Quaisquer que fossem, então, a verdade éque as eleições da capital naquele ano podem ser con-tadas como uma vitória liberal. Elas trouxeram à mi-nha imaginação adolescente uma visão rara e especialdo poder das urnas. Não cabe inseri-la aqui; não direio movimento geral e o calor sincero dos votantes, inci-
  31. 31. – 34 –tados pelos artigos da imprensa e pelos discursos deTeófilo Ottoni, nem os lances, cenas e brados de taisdias. Não me esqueceu a maior parte deles; aindaguardo a impressão que me deu um obscuro votanteque veio ter com Ottoni, perto da matriz do Sacramen-to. Ottoni não o conhecia, nem sei se o tornou a ver.Ele chegou-se-lhe e mostrou-lhe um maço de cédulas,que acabava de tirar às escondidas da algibeira de umagente contrário. O riso que acompanhou esta notícianunca mais se me apagou da memória. No meio dasmais ardentes reivindicações deste mundo, algumavez me despontou ao longe aquela boca sem nome,acaso ali viera confessar candidamente, e sem outroprêmio pessoal, o fino roubo praticado. Não mofesdessa insistência pueril da minha memória; eu a tem-po advirto que as mais claras águas podem levar deenxurro alguma palha podre, – se é que é podre, se éque é mesmo palha. Eusébio de Queirós era justamente respeitado dosseus e dos contrários. Não tinha a figura esbelta deum Paranhos, mas ligava-se-lhe uma história particu-lar e célebre, dessas que a crônica social e política deoutros países escolhe e examina, mas que os nossoscostumes, – aliás demasiado soltos na palestra, – nãoconsentem inserir no escrito. De resto, pouco valeriarepetir agora o que se divulgava então, não podendopôr aqui a própria e extremada beleza da pessoa queas ruas e salas desta cidade viram tantas vezes. Eraalta e robusta; não me ficaram outros pormenores.
  32. 32. Marquês de Monte Alegre
  33. 33. Teófilo Ottoni
  34. 34. – 37 – O Senado contava raras sessões ardentes; muitas,porém, eram animadas. Zacarias fazia reviver o deba-te pelo sarcasmo e pela presteza e vigor dos golpes.Tinha a palavra cortante, fina e rápida, com uns efei-tos de sons naturais, que a tornavam mais penetran-te e irritante. Quando ele se erguia, era quase certoque faria deitar sangue a alguém. Chegou até hoje areputação de debater, como oposicionista, e como mi-nistro e chefe de Gabinete. Tinha audácias, como ada escolha “não acertada”, que a nenhum outro acu-diria, creio eu. Politicamente era uma natureza seca esobranceira. Um livro que foi de seu uso, uma histó-ria de Clarendon (History of the rebellion and civilwars in England), marcado em partes, a lápis encar-nado, tem uma sublinha nas seguintes palavras (vol.I pág. 44) atribuídas ao conde de Oxford, em respostaao duque de Buckingham, “que não buscava a suaamizade nem temia o seu ódio”. É arriscado ver senti-mentos pessoais nas simples notas ou lembrançaspostas em livros de estudo; mas aqui parece que o es-pírito de Zacarias achou o seu parceiro. Particular-mente, ao contrário, e desde que se inclinasse a al -guém, convidava fortemente a amá-lo; era lhano esimples, amigo e confiado. Pessoas que o freqüenta-vam dizem e afirmam que, sob as suas árvores darua do Conde ou entre os seus livros, era um gostoouvi-lo, e raro haverá esquecido a graça e a polidezdos seus obséquios. No Senado, sentava-se à esquer-da da mesa, ao pé da janela, abaixo de Nabuco, comquem trocava os seus reparos e reflexões. Nabuco,
  35. 35. – 38 –outra das principais vozes do Senado, era especial-mente orador para os debates solenes. Não tinha osarcasmo agudo de Zacarias, nem o epigrama alegrede Cotegipe. Era então o centro dos conservadoresmoderados que, com Olinda e Zacarias, fundaram aliga e os partidos progressistas e liberal. Joaquim Na -buco, com a eloqüência de escritor político e a afei-ção de filho, dirá toda essa história no livro que estáconsagrando à memória de seu ilustre pai. A palavrado velho Nabuco era moderada pelos oradores da tri -buna liberal francesa. A minha impressão é que pre -parava os seus discursos, e a maneira por que osproferia realçava-lhes a matéria e a forma sólida ebrilhante. Gostava das imagens literárias: uma des-sas, a comparação do poder moderador à estátua deGlauco, fez então fortuna. O gesto não era vivo comoo de Zacarias, mas pausado, o busto cheio era tran -qüilo, e a voz adquiria uma sonoridade que habitual-mente não tinha. Mas eis que todas as figuras se atropelam na evo-cação comum, as de grande peso, como Uruguai,com as de pequeno ou nenhum peso, como o padreVasconcelos, senador creio que pela Paraíba, umbom homem que ali achei e morreu pouco depois.Outro, que se podia incluir nessa segunda categoria,era um de quem só me lembram duas circunstânci-as, as longas barbas grisalhas e sérias, e a cautela epontualidade com que não votava os artigos de umalei sem ter os olhos pregados em Itaboraí. Era um
  36. 36. Francisco Jê Acaiaba de Montezuma
  37. 37. Marquês de Olinda
  38. 38. – 41 –modo de cumprir a fidelidade política e obedecer aochefe, que herdara o bastão de Eusébio. Como o re -cinto era pequeno, viam-se todos es ses gestos, equase se ouviam todas as palavras particulares. E,conquanto fosse assim pequeno, nunca vi rir a Ita-boraí – creio que os seus músculos dificilmente riri-am – o contrário de S. Vicente, que ria com facilida-de, um riso bom, mas que lhe não ia bem. Quais-quer que fossem, porém, as deselegâncias físicas dosenador por S. Paulo, e malgrado a palavra sem so -noridade, era ouvido com grande respeito, como Ita -boraí. De Abrantes dizia que era um canário falando.Não sei até que ponto merece a definição; em verda-de, achava-o fluente, acaso doce, e, para um povomavioso como o nosso, a qualidade era preciosa;nem por isso Abrantes era popular. Também não oera Olinda, mas a autoridade deste sabe-se que eragrande. Olinda aparecia-me envolvido na aurora re -mota do reinado, e na mais recente aurora liberal ou“situação nascente”, mote de um dos chefes da liga,penso que Zacarias, que os conservadores glosarampor todos os feitios, na tribuna e na imprensa. Masnão deslizemos a reminiscências de outra ordem; fi -quemos na surdez de Olinda, que competia com Be -ethoven nesta qualidade, menos musical que políti-ca. Não seria tão surdo. Quando tinha que responder aalguém, ia sentar-se ao pé do orador, e escutava atento,cara de mármore, sem dar um aparte, sem fazer umgesto, sem tomar uma nota. E a resposta vinha logo; tão
  39. 39. – 42 –depressa o adversário acabava, como ele principiava, e,ao que me ficou, lúcido e completo. Um dia vi ali aparecer um homem alto, suíças ebigodes brancos e compridos. Era um dos remanes-centes da Constituinte, nada menos que Montezu-ma, que voltava da Europa. Foi-me impossível reco-nhecer naquela cara barbada a cara raspada que euconhecia da litografia de Sisson; pessoalmente nun -ca o vira. Era, muito mais que Olinda, um tipo develhice robusta. Ao meu espírito de rapaz afigura-va-se que ele trazia ainda os rumores e os gestos daassembléia de 1823. Era o mesmo homem; mas foipreciso ouvi-lo agora para sentir toda a veemênciados seus ataques de outrora. Foi preciso ouvir-lhe aironia de hoje para entender a ironia daquela retifi-cação que ele pôs ao texto de uma pergunta ao mi -nistro do Império, na célebre sessão permanente de11 a 12 de novembro: “Eu disse que o Sr. Ministrodo Império, por estar ao lado de Sua Majestade, me -lhor conhecerá o espírito da tropa, e um dos senho-res secretários escreveu o espírito de Sua Majestade,quando não disse tal, porque deste não duvido eu.” Agora o que eu mais ouvia dizer dele, além do ta -lento, eram as suas infidelidades, e sobre isto corri-am anedotas; mas eu nada tenho com anedotas polí-ticas. Que se não pudesse fiar muito em seus cari-nhos parlamentares, creio. Uma vez, por exemplo,encheu a alma de Sousa Franco de grandes aleluias.Querendo criticar o ministro da Fazenda (não me
  40. 40. Visconde do Uruguai
  41. 41. Eusébio de Queirós
  42. 42. – 45 –lembra quem era) começou por afirmar que nuncativéramos ministros da Fazenda, mas tão-somenteministros do Tesouro. Encarecia com adjetivos: exce-lentes, ilustrados, conspícuos ministros do Tesouro,mas da Fazenda nenhum. “Um houve, Sr. Presiden-te, que nos deu alguma coisa do que deve ser umMinistro da Fazenda; foi o nobre senador pelo Pará.”E Sousa Franco sorria alegre, deleitava-se com a ex -ceção, que devia doer ao seu forte rival em finanças,Itaboraí; não passou muito tempo que perdesse ogosto. De outra vez, Montezuma atacava a SousaFranco, e este novamente sorria, mas agora a ex-pressão não era alegre, parecia rir de desdém. Mon -tezuma empina o busto, encara-o irritado, e com avoz e o gesto in tima-lhe que recolha o riso; e passa ademonstrar as suas críticas, uma por uma, com estaespécie de estribilho: “Recolha o riso o nobre sena-dor!” Tudo isto aceso e torvo. Sousa Franco quis re -sistir; mas o riso recolheu-se por si mesmo. Era en -tão um homem magro e cansado. Gozava ainda ago-ra a popularidade ganha na Câmara dos Deputados,anos antes, pela campanha que sustentou, sozinho eparece que enfermo, contra o Partido Conservador. Contrastando com Sousa Franco, vinha a figura deParanhos, alta e forte. Não é preciso dizê-lo a uma ge-ração que o conheceu e admirou, ainda belo e robus-to na velhice. Nem é preciso lembrar que era uma dasprimeiras vozes do Senado. Eu trazia de cor as pala-vras que alguém me confiou haver dito, quando ele
  43. 43. – 46 –era simples estudante da Escola Central: “Sr. Para-nhos, você ainda há de ser ministro.” O estudanterespondia modestamente, sorrindo; mas o profeta dosseus destinos tinha apanhado bem o valor e a direçãoda alma do moço. Muitas recordações me vieram do Paranhos de en -tão, discursos de ataque, discursos de defesa; masuma basta, a justificação do convênio de 20 de feve-reiro. A notícia deste ato entrou no Rio de Janeiro,como as outras desse tempo, em que não havia telé-grafo. Os sucessos do exterior chegavam-nos a braça-das, por atacado, e uma batalha, uma conspiração,um ato diplomático eram conhecidos com todos osseus pormenores. Por um paquete do Sul soubemosdo convênio da vila da União. O pacto foi mal recebi-do, fez-se uma manifestação de rua, e um grupo depopulares, com três ou quatro chefes à frente, foi pe-dir ao governo a demissão do plenipotenciário. Para-nhos foi demitido, e, aberta a sessão parlamentar,cuidou de produzir sua defesa. Tornei a vê-lo naquele dia, e ainda agora me pare-ce vê-lo. Galerias e tribunas estavam cheias de gen -te; ao salão do Senado foram admitidos muitos ho-mens políticos ou simplesmente curiosos. Era umahora da tarde quando o presidente deu a palavra aosenador por Mato Grosso; começava a discussão dovoto de graças. Paranhos costumava falar com mo-deração e pausa; firmava os dedos, erguia-os para ogesto lento e sóbrio, ou então para chamar os punhos
  44. 44. Nabuco de Araújo
  45. 45. Visconde de Itaboraí
  46. 46. – 49 –da camisa, e a voz ia saindo meditada e colorida. Na-quele dia, porém, a ânsia de produzir a defesa eratal que as primeiras palavras foram antes bradadasque ditas: “Não a vaidade, Sr. Presidente...” Daí aum instante a voz tornava ao diapasão habitual, e odiscurso continuou como nos outros dias. Eramnove horas da noite, quando ele acabou; estavacomo no princípio, nenhum sinal de fadiga nele nemno auditório, que o aplaudiu. Foi uma das maisfundas impressões que me deixou a eloqüência par -lamentar. A agitação passara com os sucessos, a de-fesa estava feita. Anos depois do ataque, essa mes -ma cidade aclamava o autor da lei de 28 de setem-bro de 1871, como uma glória nacional; e ainda de -pois, quando ele tornou da Europa, foi recebê-lo econduzi-lo até à casa. Ao clarão de um belo sol, ru -bro de comoção, levado pelo entusiasmo público, Pa-ranhos se guia as mesmas ruas que, anos antes, vol -tando do Sul, pisara sozinho e condenado. A visão do Senado, foi-se-me assim alterando nosgestos e nas pessoas, como nos dias, e sempreremota e velha: era o Senado daqueles três anos.Outras figuras vieram vindo. Além dos cardeais, osMuritibas, os Sousa e Melos, vinham os de menorgraduação política, o risonho Pena, zeloso e miúdoem seus discursos, o Jobim, que falava algumasvezes, o Ribeiro, do Rio Grande do Sul, que nãofalava nunca, – não me lembra, ao menos. Este, filó -sofo e filólogo, tinha junto a si, no tapete, encostado
  47. 47. – 50 –ao pé da cadeira, um exemplar do dicionário deMorais. Era comum vê-lo consultar um ou outrotomo, no decorrer de um debate, quando ouvia algumvocábulo, que lhe parecia de incerta origem ouduvidosa aceitação. Em contraste com a abstençãodele, eis aqui outro, Silveira da Mota, assíduo natribuna, oposicionista por temperamento, e esteoutro, D. Manuel de Assis Mascarenhas, bomexemplo da geração que acabava. Era umhomenzinho seco e baixo, cara lisa, cabelo raro ebranco, tenaz, um tanto impertinente, creio quedesligado de partidos. Da sua tenacidade dará idéia oque lhe vi fazer em relação a um projeto desubvenção ao teatro lírico, por meio de loterias. Nãoera novo; continuava o de anos anteriores. D. Manuelopunha-se, por todos os meios, à passagem dele, efazia extensos discursos. A Mesa, para acabar com oprojeto, já o incluía entre os primeiros na ordem dodia, mas nem assim desanimava o senador. Um diafoi ele colocado antes de nenhum, D. Manuel pediu apalavra, e francamente declarou que era seu intuitofalar toda a sessão; portanto, aqueles de seus colegasque tivessem algum negócio estranho e fora doSenado podiam retirar-se: não se discutiria maisnada. E falou até o fim da hora, consultando a miúdoo relógio para ver o tempo que lhe ia faltando.Naturalmente não haveria muito que dizer em tãoescassa matéria; mas a resolução do orador e aliberdade do regimento davam-lhe meio de compor odiscurso. Daí nascia uma infinidade de episódios,
  48. 48. Barão de Muritiba
  49. 49. Saião Lobato
  50. 50. – 53 –reminiscências, argumentos e explicações; porexemplo, não era recente a sua aversão às loterias;vinha do tempo em que, andando a viajar, foi ter aHamburgo; ali ofereceram-lhe com tanta instânciaum bilhete de loteria, que ele foi obrigado a comprar,e o bilhete saiu branco. Esta anedota era contadacom todas as minúcias necessárias para ampliá-la.Uma parte do tempo falou sentado, e acabou dianteda mesa e três ou quatro colegas. Mas, imitandoassim Catão, que também falou o dia inteiro paraimpedir uma petição de César, foi menos feliz que oseu colega romano. César retirou a petição, e aqui asloterias passaram, não me lembra se por fadiga ouomissão de D. Manuel; anuência é que não podia ser.Tais eram os costumes do tempo. E após ele vieram outros, e ainda outros, Sapu-caí, Maranguape, Ita úna, e outros mais, até que seconfundiram todos e desapareceu tudo, cousas epessoas, como sucede às visões. Pareceu-me vê-losenfiar pôr um corredor escuro, cuja por ta era fecha-da por um homem de capa preta, me ias de sedapreta, calções pretos e sa patos de fivela. Este eranada menos que o próprio porteiro do Senado, ves-tido segundo as praxes do tempo, nos dias de aber -tura e encerramento da assembléia geral. Quantacousa ob soleta! Alguém ainda quis obstrar à açãodo porteiro, mas tinha o gesto tão cansado e vaga-roso que não alcançou nada; aquele deu volta àchave, en volveu-se na capa, saiu por uma das jane-
  51. 51. – 54 –las e esvaiu-se no ar, a caminho de algum ce mité-rio, provavelmente. Se valesse a pena saber o nomedo cemitério, iria eu catá-lo, mas não vale; todos oscemitérios se parecem.
  52. 52. Sumário CRÔNICA DE 1 DE NOVEMBRO DE 1861O QUE há de política? É a pergunta que natural-mente ocorre a todos, e a que me fará o meu leitor, senão é ministro. O silêncio é a resposta. Não há nada,absolutamente nada. A tela da atualidade política éuma paisagem uniforme; nada a perturba, nada amodifica. Dissera-se um país onde o povo só sabe queexiste politicamente quando ouve o fisco bater-lhe àporta. O que dá razão a este marasmo? Causas gerais ecausas especiais. Foi sempre princípio do nosso go-verno aquele fatalismo que entrega os povos orientaisde mãos atadas às eventualidades do destino. O quehá de vir, há de vir, dizem muitos ministros, que,além de acharem o sistema cômodo, por amor da in -dolência própria, querem também pôr a culpa dosmaus acontecimentos nas costas da entidade invisí-vel e misteriosa, a que atribuem tudo. Dizem, é verdade, que há tal ministro que, adotan-do politicamente aquele princípio, descrê da sua legi-timidade quando se trata da sua pessoa, e que, longe
  53. 53. – 56 –de esperar que a chuva lhe traga água, vai à própriafonte buscar com que estancar a sede. O leitor vêbem o que há de profundamente injurioso em seme-lhante proposição, e facilmente compreenderá o sen -timento que me leva a não insistir neste ponto. Mas, seja ou não assim, o que nos importa saber éque os nossos governos são, salvas as devidas exce-ções, mais fatalistas que um turco da velha raça. Se -ria este Ministério uma exceção? Não; tudo nele indi-ca a filiação que o liga intimamente aos da boa esco-la. É um ministério-modelo; vive do expediente e doaviso; pouco se lhe dá do conteúdo do ofício, contantoque tenha observado na confecção dele as fórmulastabelioas; dorme à noite com a paz na consciência,uma vez que de manhã tenha assinado o ponto nasecretaria. Está dada a razão por que subiu no meio das antí-fonas e das orações dos amigos, apesar dos travos defel com que alguns quiseram fazer-lhe amargar a taçado poder. Diziam estes: “É um Ministério medíocre”;mas, por Deus, por isso mesmo é que é sublime! Emnosso país a vulgaridade é um título, a mediocridadeum brasão; para os que têm a fortuna de não se ala -rem além de uma esfera comum é que nos fornos doEstado se coze e tosta o apetitoso pão-de-ló, que é de-pois repartido por eles, para a glória de Deus e da pá-tria. Vai nisto um sentimento de caridade, ou, direimesmo, um princípio de eqüidade e de justiça. Portoda a parte cabem as ragalias às inteligências que se
  54. 54. D. Manuel de Assis Mascarenhas
  55. 55. Sousa e Melo
  56. 56. – 59 –aferem por um padrão superior; é bem que os que senão acham neste caso tenham o seu quinhão emqualquer ponto da Terra. E dão-lho grosso e suculen-to, a bem de se lhes pagar as injúrias recebidas da ci-vilização. Não se admire, portanto, o leitor se não lhe dounotícias políticas. Política, como eu e meu leitor en-tendemos, não há. E devia agora exigir-se de um mel-ro o alcance do olhar da águia e o rasgado do seuvôo? Além de ilógico fora a crueldade. Estamos muitobem assim; demais, não precisa o Império de capri-córnio. É sob a gerência deste Ministério que vai efetuar-seem nossa capital uma festa industrial, a exposição de2 de dezembro. Se o leitor acompanhou as discussões do Senadoeste ano, deve lembrar-se que quase no fim da sessãoo senhor Senador Pena, que ali ejaculou alguns dis -cursos notáveis, entre eles o dos pesos e medidas doSr. Manuel Felizardo, levantou-se e pediu a opiniãodo senhor ministro do Fomento acerca da conveniên-cia de representar o Brasil na próxima exposição deLondres. O Sr. Ministro, que por uma coincidência,que não passou despercebida, havia previsto os senti-mentos do honrado senador, levantou-se e declarouque já havia pensado nisso, e que dentro de quatrodias tinham de aparecer as instruções regulamenta-res das exposições parciais no Brasil, para delas ex-
  57. 57. – 60 –trair-se o melhor, e enviar-se à exposição de Londres.Portanto, os dois heróis da exposição são os Srs.Pena e o ministro do Fomento, a quem, em minhaopinião, devem ser conferidas as primeiras medalhas,a não ser que se olhe como prêmio comemorativo apresidência de Mato Grosso e as ajudas de custo,que, por eleição do sagrado concílio, couberam ao Sr.Herculano Pena. Em todo o caso há uma dívida con-traída com o Sr. ministro do Fomento. As instruções apareceram, um pouco sibilinas e in-digestas, como salada mal preparada, mas dignas doministro e do Ministério. E imediatamente as ordensse expediram, com uma presteza cuja raridade nãoposso deixar de comemorar, e em toda a parte se pre-param a esta hora as exposições parciais. A da Corte tem lugar no dia 2 de dezembro, no edi-fício da escola central. A decoração está a cargo doSr. Dr. Lagos, que é um dos mais importantes expo-sitores. Disse-me alguém que àquele nosso distintopatrício se entregou uma soma fabulosa…mente mes-quinha, o que é realmente digno de censura, se nãoatendermos à divisa do Ministério, e a que é impossí-vel fazer uma exposição e ao mesmo tempo mandaruma jovem comissão estudar à Europa os sistemaspostais. A exposição é uma coisa bonita; mas há mui-to moço que ainda não foi a Paris, e é preciso não dei-xar que esses belos espíritos morram abafados pelanossa atmosfera brasileira. Ora, a economia…
  58. 58. Francisco Otaviano
  59. 59. Barão de Cotegipe
  60. 60. – 63 – A exposição corresponderá aos esforços dos seusdiretores, se a atenção pública não for desviada pelanova obra Ensino Praxedes, de que dá notícia a folhaoficial. É um novo método de ensino, fundado sobre afilosofia do A B C. Ouço já o meu sôfrego leitor per -guntar-me o que é filosofia do A B C. Eu ainda não lio precioso livro; mas diz-me um boticário, que o fo-lheou entre duas receitas, que essa filosofia cifra-seem demonstrar que não há entre as letras do alfabetoa diferença que geralmente supõe-se, e que o A e o Gse parecem como duas gotas de água. Talvez o meuleitor não ache muito clara a identidade; mas é aí queestá a sutileza do novo método. Ocorre-me lembrar uma coisa. Este livro deve figu-rar na exposição de Londres. Ali se reserva uma salapara a exposição de planos, livros e métodos pedagó-gicos de ensino primário. Vê-se que o novo Ensinoestá correndo para lá como um rio para o mar. A matéria do ensino é grave e profunda; não sedeve perder material algum que possa servir à organi-zação da instrução pública, como ela deve ser feita.Ora, compreende-se bem que o sistema do EnsinoPraxedes vem dar um grande avanço, porque, se pelaanalogia, ou antes identidade dos caracteres, chega-mos a converter o alfabeto em uma só letra, é eviden-te que teremos feito mais do que todos os que têm es-tudado e desenvolvido a matéria, e, se é dado crismaro novo método, proponho que se desdenhe o título de
  61. 61. – 64 –método-vapor, e que se lhe dê o que lhe compete, mé-todo-elétrico. A obrigação de comentar leva-me a fazer transiçõesbruscas; por isso passo sem preâmbulo do novo livroà oferta que por parte de alguns amigos e admirado-res acaba de ser feita ao Sr. Dr. Pinheiro Guimarães,autor do drama História de uma moça rica. Afirmo que o leitor, se não é beato, está tão con-vencido como eu da justiça daquela oferta. Ela signi-fica, além disso, um desmentido solene às censurasque, em mal da composição do novo dramaturgo, ha -viam levantado os que sentem em si a alma daqueleherói de Molière que pecava em silêncio e se acomoda-va com o Céu. As palmas que acompanharam a entrega da coroaao Sr. Dr. Pinheiro Guimarães confirmaram aindauma vez a boa opinião que nos espíritos despreveni-dos e sinceramente amantes das letras, tem criado opoeta. Estou certo de que elas valem mais que a almadevota dos censores. Tem outro alcance a coroa do autor da História deuma moça rica; é um incentivo à mocidade laboriosa,que, vendo assim aplaudidas e festejadas as composi-ções nacionais, não se deixará ficar no escuro, e virácada operário por sua vez enriquecer com um relevo omonumento da arte e da literatura.
  62. 62. Zacarias de Góis e Vasconcelos
  63. 63. Marquês de Sapucaí
  64. 64. – 67 – A nossa capital tem sido visitada por mais de ummágico, e sem dúvida está ainda fresca a impressãoque produziu o distinto Hermann, que fazia coisascom aquelas bentas mãos de pôr a gente a olhar aosinal. No tempo em que Hermann divertia a curiosi-dade infantil do nosso povo, chegou aqui um colega,que, reconhecendo não poder competir com tão dis-tinto mestre, resolveu esperar melhores dias, e foiexercer a sua arte pelo interior. Agora aparece ele, o Sr. Filipe, filho de um mágicocélebre de Paris. Trabalha com destreza e habilidade,e faz passar ao espectador algumas horas de verda-deira satisfação. Se o meu leitor quiser verificá-lodeve ir ao Ginásio sempre que o Sr. Filipe trabalhar. Efetua-se hoje à tarde a grande regata de que faleiem um dos meus “Comentários” passados, e cujoprograma as fôlhas publicaram ontem. Ao que parece, o divertimento será em regra, eamadores e espectadores terão uma tarde deliciosa apassar. Compreende-se bem que os ingleses se dis-traíam das suas graves preocupações para tomarparte ou presenciar uma regata, hoje que o divertidís-simo soco-inglês é punido pelas leis da Grã-Breta-nha. Vejam se não excita a fibra ver quatro escaleresrasgando com as quilhas cortadoras o seio de ummar calmo e azul, e os remeiros, com o estímulo e oentusiasmo nos olhos, empregando toda a perícia, a
  65. 65. – 68 –ver quem primeiro chega ao termo da carreira, que éa terra da promissão! Diga-se o que se quiser dos ingleses, mas confes-se-se que nesta predileção pela regata e outros diver-timentos do mesmo gênero mostram eles que Deustambém os dotou da bossa do bom gôsto. Honraàqueles graves insulares! Os moços que hoje tomam parte na regata são pelamaior parte oficiais da nossa jovem marinha, mas en-tram no divertimento, franceses e ingleses que nãodeviam faltar a ele. A festa é, portanto, completa, edesta vez é deveras uma regata, pois que os escaleresdevem correr próximos à praia, para que todos pos -sam ver. Depois da festa do mar, vem a festa dos cemitérios,a comemoração dos mortos, piedosa romagem que apopulação faz às pequenas e solitárias necrópoles,onde repousam os restos do irmão, do pai, do consor-te, da mãe e do amigo. É uma peregrinação imponente. Os romeiros vãode luto orar pelos que repousam no último jazigo, ederramar à vista de todos as lágrimas da saudade eda tristeza. É esta uma das práticas dos povos cris -tãos que mais impressiona a alma do homem verda-deiramente religioso, embora a vaidade humana ma -cule, como acontece em todas as coisas da vida, agrave e melancólica cerimônia, com as suas suntuo-sas distinções.
  66. 66. Silveira da Mota
  67. 67. – 70 – Dizem os que têm visitado a antiga cidade deConstantino que há uma grande diferença entre umcemitério turco e um cemitério cristão. Aquele nãoinspira o sentimento que se experimenta quando seentra neste. O turco entrelaça a morte à vida, demodo que não se passeia com terror ou melancoliaentre duas alas de túmulos. A razão desta diferençaparece estar na própria religião. O que quereis queseja a morte para um povo a quem se promete naeternidade a eternidade dos gozos mais voluptuososque a imaginação mais viva pode imaginar? Essepovo, que vive no requinte dos prazeres materiais, sóentende o que lhe fala aos sentidos, e considerabem-aventurados os que morreram, que já gozam ouestão perto de gozar os prazeres prometidos pelo Pro-feta. Mas, filosoficamente, terão razão eles ou nós filhosda igreja cristã? Há razão para ambas as partes, ecumpre acatar os sentimentos alheios, para que nãodesrespeitem os nossos. Gil
  68. 68. Sumário CRÔNICA DE 13 DE DEZEMBRO DE 1896O Senado deixou suspensa a questão do veto doprefeito acerca do imposto sobre companhias de tea-tro. Não falaria nisto se não se tratasse de arte emque a política não penetra, – ao menos que se veja. Sepenetra, é pelos bastidores; ora, eu sou público, sóme regulo pela sala. Houve debate à última hora, esta semana, e deba-te, não direi encarniçado, para não gastar uma pala-vra que me pode servir em caso mais agudo... Não, eunão sou desses perdulários que, porque um homemdiverge no corte do colete, chama-lhe logo bandido;eu poupo as palavras. Digamos que o debate foi vigo-roso. Não sei se conheceis o negócio. O que eu pude al -cançar é que havia uma lei taxando fortemente ascompanhias estrangeiras; esta lei foi revogada poroutra que manda igualar as taxas das estrangeiras edas nacionais; mas logo depois resolveu o conselhomunicipal que fosse cumprida uma lei anterior à pri -meira... Aqui é que eu não sei bem se a lei restaurada
  69. 69. – 72 –apenas levanta as taxas sem desigualá-las, ou se astorna outra vez desiguais. Além de não estar claro nodebate, sucede que na publicação dos discursos há ouso de imprimir entre parêntesis a palavra lê quandoo orador lê alguma cousa. Para as pessoas que estãona galeria, é inútil trazer o que o orador leu, porqueessas ouviram tudo; mas como nem todos os contri-buintes estão na galeria, (ao contrário!) a conseqüên-cia é que a maior parte fica sem saber o que é que seleu, e portanto sem perceber a força da argumenta-ção, isto com prejuízo dos próprios oradores. Porexemplo, um orador, X..., refuta a outro, Y...: “X... e pergunto eu, V. Exª pode admitir que o do -cumento de que se trata afirme o que o governo doEstado alega? Ouça V. Exª. Aqui está o primeiro tre -cho, o trecho célebre. (Lê) Não há aqui o menor vestí-gio de afirmação... “Y... Perdão, leia o trecho seguinte. “X... O seguinte? Ainda menos. (Lê) Não há nadamais vago. O governador expedira o decreto, cujo art.4º não oferece a menor dúvida; basta lê-lo. (Lê) Depo-is disto, que concluir, senão que o governador tinha oplano feito? Querem argumentar, Sr. Presidente, como § 7º do art. 6º; mas essa disposição é um absurdojurídico. Ouça a câmara. (Lê) “Vozes: Oh! Oh!”
  70. 70. Sousa Franco
  71. 71. Duque de Caxias
  72. 72. – 75 – Não há dúvida que este uso economiza papel deimpressão e tempo de copiar; mas eu, contribuinte eeleitor, não gosto de economias na publicação dos de-bates. Uma vez que estes se imprimem, é indispensá-vel que saiam completos para que eu os entenda.Posso ser paralítico, preguiçoso, morar fora, e tenho odireito de saber o que é que se lê nas câmaras. Se al-gum membro ou ex-membro do Congresso me lê, es -pero que providenciará de modo que, para o ano, eupossa ler o que se ler, sem ir passar os meus dias nagaleria do Congresso. Como ia dizendo, não tenho certeza do que é a leimunicipal restaurada; mas para o que vou dizer é in-diferente. O que deduzi do debate é que há duas opi -niões: uma que entende deverem ser as companhiasestrangeiras fortemente taxadas, ao contrário das na-cionais, outra que quer a igualdade dos impostos. Aprimeira funda-se na conveniência de desenvolver aarte brasileira, animando os artistas nacionais queaqui labutam todo o ano, seja de inverno, seja de ve -rão. A segunda, entendendo que a arte não tem pá-tria, alega que as companhias estrangeiras, além denos dar o que as outras não dão, têm de fazer gran -des despesas de transportes, pagar ordenados altos enão convém carregar mais as respectivas taxas. Tal éo conflito que ficou suspenso. Eu de mim creio que ambas as opiniões erram.Não erram nos fundamentos teóricos; tanto se podedefender a universalidade da arte como a sua nacio-
  73. 73. – 76 –nalidade; erram no que toca aos fatos. Com efeito, édifícil, por mais que a alma se sinta levada pelo prin-cípio da universalidade da arte, não hesitar quandonos falam da necessidade de defender a arte nacio-nal; mas é justamente este o ponto em que a visão doconselho municipal, do prefeito e do Senado me pare-ce algo perturbada. Posto não freqüente teatros há muito tempo, seique há aí uma arte especial, que eu já deixei em bo -tão. Essa arte (salvo alguns esforços louváveis) não épropriamente brasileira, nem estritamente francesa; éo que podemos chamar, por um vocábulo composto,a arte franco-brasileira. A língua de que usa di-zem-me que não se pode atribuir exclusivamente aVoltaire, nem inteiramente a Alencar; é uma línguafeita com partes de ambas, formando um terceiro or -ganismo, em que a polidez de uma e o mimo de outraproduzem nova e não menos doce prosódia. Este fenômeno não é único. O teuto-brasileiro éum produto do Sul, onde o alemão nascido no territó-rio nacional não fica bem alemão nem bem brasileiro,mas um misto, a que lá dão aquele nome. Ignoro se alíngua daquele nosso meio patrício e inteiro colabora-dor é um organismo igual ao franco-brasileiro; masse as escolas das antigas colônias continuam a só en-sinar alemão, é provável que domine esta língua. Nis-to estou com La Palisse.
  74. 74. – 77 – Não é pelo nascimento dos artistas que a arte fran-co-brasileira existe, mas por uma combinação do Riocom Paris ou Bordéus. Essa arte, que as finadasMmes. Doche e D. Estela não reconheceriam por nãotrazer a fisionomia particular de um ou de outro dosrespectivos idiomas, tem a legitimidade do acordo eda fusão nos elementos de ambas as origens. Quandonasceu? É difícil dizer quando uma arte nasce; masbasta que haja nascido, tenha crescido e viva. Vive,não lhe peço outra certidão. Acode-me, entretanto, uma idéia que pode combi-nar muito bem as duas correntes de opinião e satis-fazer os intuitos de ambas as partes. Essa idéia é lan-çar uma taxa moderada às companhias estrangeirase libertar de todo imposto as nacionais. Deste modo,aquelas virão trazer-nos todos os invernos algum re -galo novo, e as nacionais poderão viver desabafadasde uma imposição onerosa, por mais leve que seja.Creio que assim se cumprirá o dever de animar asartes, sem distinção de origens, ao mesmo tempo quese protegerá a arte nacional. Que importa que, aolado dela, seja protegida a arte franco-brasileira?Esta é um fruto local; se merece menos que a outra,não deixa de fazer algum jus à eqüidade. Aí fica aidéia; é exeqüível. Não a dou por dinheiro, mas degraça e a sério. Não me arguam de prestar tanta atenção à línguade uma arte e à meia língua de outra. Grande cousa éa língua. Aquele diplomata venezolano que acaba de
  75. 75. – 78 –atordoar os espíritos dos seus compatriotas pela reve-lação de que o tratado celebrado com a Inglaterra, gra-ças aos bons ofícios dos Estados Unidos, serve ao in-teresse destes dous países com perda para Venezuela,pode não ter razão (e creio que não tenha), mas dáprova certa do que vale a língua. Os outros dous sãoingleses, falam inglês; foi o pai que ensinou esta lín-gua ao filho. Venezuela é uma das muitas filhas e ne -tas de Espanha que se deixaram ficar por este mundo.A língua castelhana é rica; mas é menos falada. Se odiplomata tivesse razão, em Caracas, que é o Rio deJaneiro de Venezuela, as companhias nacionais é queagüentariam os maiores impostos, enquanto que as deLondres e New York representariam sem pagar nada.Mas é um desvario, decerto; esperemos outro telegra-ma. Relevem o estilo e as idéias; a minha dor de cabeçanão dá para mais.
  76. 76. Sumário NOTAS BIOGRÁFICAS DE SENADORES DO IMPÉRIO CITADOS EM “O VELHO SENADO”– Quintino Antônio Ferreira de Sousa – Quintino Bocaiúva (Nasceu em 4.12.1836, RJ, e morreu em 11.6.1912, RJ). Senador Constituinte (12.12.1890 a 29.12.1891), Sena- dor (8.9.1892 a 29.12.1899 e de 1909 a 1912) pelo Rio de Janeiro. Presidente da Província do Rio de Janeiro (1900 a 1903). Vice-Presidente do Senado (de maio de 1909 a maio de 1911). Ministro das Relações Exteriores (1889 a 1891) e Ministro Interino da Agricultura (1889) do Governo Provisório de Deodoro da Fonseca.– João Lustosa da Cunha Paranaguá (2º Visconde e 2º Marquês da Paranaguá. Nasceu em 21.8.1821, PI, e morreu em 9.2.1912, RJ.) Senador de 9.5.1865 a 15.11.1889, PI.– João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu (Visconde de Si- nimbu. Nasceu em 20.11.1810, AL, e morreu em 27.12.1907, RJ.) Senador de 15.5.1858 a 15.11.1889, AL.– Afonso Celso de Assis Figueiredo (Visconde de Ouro Pre- to. Nasceu em 2.2.1837, MG, e morreu em 21.2.1912, RJ.) Senador de 26.4.1879 a 15.11.1889, MG.
  77. 77. – 80 –– Conselheiro Zacarias de Góis e Vasconcelos. (Nasceu em 15.11.1815, BA, e morreu em 28.12.1877, RJ.) Senador de 16.2.1864 a 28.12.1877, BA.– José da Costa Carvalho (Visconde e Marquês de Monte Alegre. Nasceu em 7.2.1796, BA, e morreu em 18.9.1860, SP). Deputado Constituinte (3.5 a 11.11. 1823), Deputado (8.5.1826 a 3.9.1829; 3.5.1830 a 1.11.1831) pela Bahia e de 3.5.1838 a 29.4.1839, por São Paulo. Senador (4.5.1839 a 18.9.1860) por Sergipe. Presidente do Senado (1.5.1842 a 1.5.1843); Membro da Regência Trina Permanente (17.6.1831 a 11.10.1835); Presidente do Conselho de Ministros (6.10.1849 a 10.5.1852) e Ministro do Império (29.9.1848 a 10.5.1852) do 10º Gabinete do II Império.– Miguel Calmon du Pin e Almeida (Marquês de Abrantes. Nasceu em 26.10.1794, BA, e morreu em 13.9.1865, RJ.) Senador de 28.7.1840 a 13.9.1865, CE.– Luís Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias. Nasceu em 25.8.1803, RJ, e morreu em 7.5.1880, RJ). Senador de 11.5.1846 a 7.5.1880, RS. Presidente das Províncias: do Maranhão (7.2.1840 a 12.5.1841) e do Rio Grande do Sul (9.11.1842 a 10.12.1846; e de 30.6.1851 a 30.6.1855).– Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho (Marquês de Itanhaém. Nasceu em 5.5.1782, RJ, e mor - reu em 17.8.1867, RJ.) Senador de 30.12.1844 a 17.8.1867, MG.– José Tomás Nabuco de Araújo. (Nasceu em 14.8.1813, BA, e morreu em 19.3.1878, RJ.) Senador de 1.6.1858 a 19.3.1878, BA.
  78. 78. – 81 –– José Maria da Silva Paranhos (Visconde do Rio Branco. Nasceu em 16.3.1819, BA, e morreu em 1.11.1880, RJ). Senador de 5.5.1863 a 1.11.1880, MT. Diplomata e Conselheiro de Estado. Presidente da Província do Rio de Janeiro (30.10.1858 a 9.11.1859).– Pedro de Araújo Lima (Marquês de Olinda. Nasceu em 22.12.1793, PE, e morreu em 7.6.1870, RJ). Senador de 6.9.1837 a 7.6.1870, PE.– Eusébio de Queirós Coutinho Matoso Câmara. (Nasceu em 27.12.1812, São Paulo de Luanda, Angola, e morreu em 7.5.1868, RJ.) Senador de 22.5.1854 a 7.5.1868, RJ.– Francisco Jê Acaiaba de Montezuma (Visconde de Jequi- tinhonha. Nasceu em 23.3.1794, BA, e morreu em 15.2.1870, RS.) Senador de 6.5.1851 a 15.2.1870, BA.– Antônio Paulino Limpo de Abreu (Visconde de Abaeté. Nasceu em 22.9.1798, Lisboa, e morreu em 14.9.1883, RJ.) Senador de 28.4.1848 a 14.9.1883, MG.– Manuel Inácio Cavalcanti de Lacerda (Barão de Pirapa- ma. Nasceu em 1799, PE, e morreu em 11.3.1882, RJ). Deputado Constituinte (3.5 a 11.11.1823) por Pernam- buco; De putado pelo Maranhão (3.5.1832 a 6.10.1833); Deputado (3.5.1838 a 21.11.1841 e de 1.1.1843 a 24.5.1844) e Senador (18.4.1850 a 11.3.1882) por Per- nambuco. Presidente do Senado (8.5.1854 a 3.5.1861).– Joaquim José Rodrigues Torres (Visconde de Itaboraí. Nasceu em 13.12.1802, RJ, e morreu em 8.1.1872, RJ.) Senador de 6.5.1844 a 8.1.1872, RJ.– Paulino José Soares de Sousa (Visconde do Uruguai. Nasceu em 4.10.1807, Paris, e morreu em 15.7.1866, RJ.) Senador de 29.8.1849 a 15.7.1866, RJ.
  79. 79. – 82 –– Francisco de Paula de Negreiros Saião Lobato (Visconde de Niterói. Nasceu em 25.5.1815, RJ, e morreu em 14.7.1884, RJ). Deputado (1.1.1850 a 4.9.1852; 3.5 a 20.9.1853; 3.5.1861 a 12.5.1863 e de 22.5.1867 a 20.7.1868) e Senador (8.6.1869 a 14.7.1884) pelo Rio de Janeiro. Ministro do Império (3.3 a 20.4.1861) e da Jus- tiça (3.3.1861 a 23.5.1862) do 16º Gabinete do II Impé - rio e Ministro da Justiça (7.3.1871 a 19.4.1872) do 25º Gabinete do II Império. Conselheiro de Estado.– Teófilo Benedito Otoni. (Nasceu em 27.11.1807, MG, e morreu em 17.10.1869, RJ.) Senador de 18.1.1864 a 17.10.1869-MG.– João Maurício Vanderlei (Barão de Cotegipe. Nasceu em 23.10.1815, BA, e morreu em 13.2.1889, RJ.) Senador de 9.5.1856 a 13.2.1889, BA.– Padre Antônio da Cunha Vasconcelos. Senador de 18.5. 1836 a 25.5.1868, PB.– Bernardo de Sousa Franco (Visconde de Sousa Franco. Nasceu em 28.6.1805, PA, e morreu em 8.5.1875, RJ.) Senador de 12.6.1855 a 8.5.1875, PA.– Manuel Vieira Tosta (Barão, Visconde e Marquês de Mu- ritiba. Nasceu em 12.7.1807, BA, e morreu em 22.2.1896, RJ.) Senador de 6.5.1851 a 15.11.1889, BA.– Manuel Felizardo de Souza e Melo. (Nasceu em 5.12.1806, RJ, e morreu em 16.8.1866, RJ.) Senador de 29.12.1849 a 16.8.1866, RJ.– Herculano Ferreira Pena. (Nasceu em 1811, MG, e mor - reu em 27.9.1867, RJ.) Senador de 2.5.1855 a 27.9.1867, AM.
  80. 80. – 83 –– José Martins da Cruz Jobim. (Nasceu em 26.2.1802, RJ, e morreu em 23.8.1878, RJ.) Senador de 6.5.1851 a 23.8.1878, ES.– José de Araújo Ribeiro (Barão e Visconde do Rio Grande. Nasceu em 20.7.1800, RS, e morreu em 21.7.1879, RJ) Senador de 29.2.1849 a 21.7.1879, RS.– José Inácio Silveira da Mota (Nasceu em 15.2.1807, GO, e morreu em 16.10.1893, RJ). Deputado (1.1.1850 a 4.9.1852 e de 3.5.1853 a 12.9.1854 – substituído de 7.5 a 25.5.1854) por São Paulo e Senador (8.5.1855 a 15.11.1889) por Goiás.– Manuel de Assis Mascarenhas (Nasceu em 28.8.1805, GO, e morreu em 30.1.1867, RJ). Magistrado. Deputado pelo Rio Grande do Norte (1.1.1843 a 24.5.1844), por Goiás (1.1.1845 a 18.9.1847) e pelo Rio de Janeiro (1.1 a 11.6.1850). Senador pelo Rio Grande do Norte (17.5.1850 a 30.1.1867) e Presidente das Províncias do Rio Grande do Norte (3.11.1838 a 12.1.1841 e de 4.12.1841 a 31.3.1842) e do Espírito Santo (19.10.1843 a 25.12.1844.)– Cândido José de Araújo Viana (Marquês de Sapucaí. Nasceu em 15.9.1793, MG, e morreu em 23.1.1875, RJ.) Magistrado e Conselheiro do Estado. De putado Consti- tuinte (3.5 a 11.11.1823) e Deputado (8.5.1826 a 3.9.1829; 3.5.1830 a 6.10.1833 – substituído de 3.5 a 21.10.1832; 3.5.1834 a 15.10.1837 e de 3.5.1838 a 28.10.1839) por Minas Gerais. Presidente do Senado (4.1.1851 a 7.5.1854); Presidente das Províncias: de Ala- goas (14.2 a 31.12.1828) e do Maranhão (14.1.1829 a 12.10.1832); Ministro da Fazenda (14.12.1832 a 12.6.1834) e da Justiça (14.5 a 3.6.1833) do 3º Gabine-
  81. 81. – 84 – te da Regência Trina Permanente e Ministro do Império (23.3.1841 a 19.1.1843) do 2º Gabinete do II Império.– Caetano Maria Lopes Gama (Visconde de Maranguape. Nasceu em 5.8.1795, PE, e morreu em 21.6.1864, RJ.) Senador de 4.5.1839 a 21.6.1864, RJ.– Cândido Borges Monteiro (Barão e Visconde de Itaúna. Nasceu em 12.10.1812, RJ, e morreu em 25.8.1872, RJ). Deputado (3.5.1853 a 20.9.1856) e Senador (1.5.1857 a 25.8.1872) pelo Rio de Janeiro. Presidente da Província de São Paulo, de 27.8.1868 a 29.7.1869 e Ministro da Agricultura (20.4 a 23.8.1872) do 25º Gabi- nete do II Império.
  82. 82. Sumário O velho Senado, de Machado de Assis, foi composto em Bookman, corpo 9, e impresso em papelvergê areia 85g/m², nas oficinas da SEEP (Secretaria Especialde Editoração e Publicações), do Senado Fe deral, em Brasília.Acabou-se de imprimir em dezembro de 2004, de acordo com o programa editorial e projeto gráfico do Conselho Editorial do Senado Federal

×