Enfoque 130

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Enfoque 130

  1. 1. vila brás | são leopoldo | outubro/2011 | edição 130 Brassificados Assuncenas SOLORYA / SXC.HU Recados e trocas dos pequenos em Conheça a história edição especial da rua que mudou do Mês das de cara graças à Crianças força de vontade e à união de seus moradores Sexualidadeenfoque O que os adolescentes RAFAELA KLEY pensam sobre o tema Páginas Página 3 Página 11 14 e 15 BRUNA VARGASBrasinha rsonagem s desenham o pe EscrevendoCriança para elee criam histórias sonhos Jovens da Vila Brás entrevistam moradores para conhecer a história de quem corre atrás de suas metas Página 7 Páginas 8, 9 e 10
  2. 2. 2 Nostalgia Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Outubro de 2011 Carta ao leitor Guardei isto em Passam os meses, passam os anos, e hoje, na sua 130ª edi- ção, o Enfoque Vila Brás mostra estar cada vez mais se tornando um veículo da comunidade do que dos estudantes de jornalismo – aquela turma que desembarca do ônibus, em algum sábado de manhã, com blocos de anotações na mão e câmeras fotográficas minha memória no pescoço atrás de histórias para contar. No meio de algumas recordações, que lembrança te faz sorrir? Nos temas diversificados, que vão desde curiosidades do dia a dia e problemas da comunidade até, principalmente, sonhos e alegrias de quem constrói a Brás, temos pistas do longo percurso Jaqueline Loreto (Texto) rias que acontecem, e ainda vão Para eles, visitar o passado deste jornal que nasceu com a proposta de ter a cara da vila. A Dienifer Ceconello (Fotos) aparecer, nos fazem ter a consci- significou um sorriso não conti- O forte ligação dos moradores com a Brás, presente nos depoimen- ência de que vale a pena todo o do, um olhar com brilho de sau- tos de pessoas que dizem não conseguir viver em outro lugar, por importante são as emo- caminho que traçamos dade, gestos prontos para dizer si só já é o indício de que essa é uma caminhada natural. ções que vivemos, como Alguns moradores da Vila Brás mais, expressões marcadas pela Nessa edição temos boas pistas dessa relação entre o Enfo- canta Roberto Carlos em contaram para o jornal Enfoque narrativas e pelo novo começo uma de suas canções. As histó- suas memórias mais significativas. de uma jornada. que e a comunidade. Numa parceria com a Escola João Goulart, alguns alunos pegaram papel e caneta e foram entrevistar outros jovens sobre seus sonhos profissionais. O que lemos é o desejo de pessoas que vivem o presente não esquecendo de olhar para o futuro. Essas entrevistas demonstram a pequena parte de um Causos da vida universo repleto de sonhos e cheio de objetivos de qualificação e crescimento, ocupando os planos de uma geração de moradores que recebe como herança de seus pais a missão de fazer a Brás Na juventude, o trabalho e o se desenvolver cada vez mais. lazer eram a vida de Osmar de Oliveira, 69 anos. Volta e TEM MAIS: com muita alegria, comemoramos nessa edição o meia ele se recorda do tempo recebimento do diploma de Honra ao Mérito que o Enfoque Vila que tinha disponível para Brás recebeu da Associação de Moradores, durante o aniversá- jogar futebol e ir aos bailes rio de 30 anos da instituição. É um sinal concreto de que essa tro- com os amigos. A semana ca é construtiva para ambas as partes. De um lado, estamos nós, era dedicada ao trabalho Seu Osmar estudantes em formação entrando em contato e aprendendo no com couro, e os finais de com o contato com diferentes realidades. De outro lado, está a comu- semana, com os colegas, eram registro nidade, que se reconhece de forma positiva nas matérias e fotos destinados ao descanso e à de sua sobre suas lutas diárias, e participa ativamente desse processo. diversão daquela época. mocidade O Enfoque é um jornal direcionado aos moradores da O casal Maria da Beiga, 64 anos, e Rubinei Vila Brás, em São Leopoldo/RS. A produção é dos alunos Jobim, 58, não teve dúvidas ao responder que das disciplinas de Redação Experimental em Jornal e a casa própria, com tudo novo, foi o que adquiriu Fotojornalismo do Curso de Jornalismo da Unisinos. com mais gosto. Frequentadores de uma igreja Fale conosco! evangélica, reforçam sempre que, com a bênção (51) 3590 8463 / 3590 8466 de Deus, conquistaram o espaço para morar. enfoquevilabras@gmail.com enfoque Av. Unisinos, 950 - Agexcom/Área 3 - São Leopoldo/RSConfira quando circulam as próximas edições! Laura com sua foto do casamento 129 130 131 Para Laura Carolina Hentshke, 68 17/9 15/10 11/11 anos, todo dia é dia de uma lembrança[REDAÇÃO] Orientação: professor Eduardo Veras. Monitoria: aluna boa. No entanto, a mais marcante é o seuLílian Stein. Textos: alunos André Fröhlich Seewald, Dieines Fróis, casamento. As emoções ficam por contaDierli dos Santos, Eduardo Saueressig, Fernanda Brandt, do vestido com véu e grinalda e a festa,Jaqueline Fernanda Silva de Loreto, Júlia Klein Caldas, Juliana de Brito, realizada no interior de Rodeio Bonito,Liliana Egewarth, Lorena de Risse Ferreira, Marcelo Ferreira da Silva (edição), que teve carne à vontade, salgadinhos eNatália Barbosa Gaion, Natália Vitória de Oliveira Silva, Pablo Luis Furlanetto,Priscila Guimarães Corrêa Gomes, Renata Parisotto, Rita de Cassia Trindade, sobremesas feitas em casa. Batalha por casa própria foi vitoriosaThayná Candido de Almeida, Vitor de Arruda Pereira e Viviane Borba Bueno.[FOTOGRAFIA] Orientação: professor Flávio Dutra. Monitoria: aluno AndréÁvila. Fotos: alunos Amanda Pereira, Angelo de Zorzi, Bruna Vargas, Bruna Silva, Adelina de Oliveira, 55 nascimento. Adelina diz que sua Sua neta conta que viu oDaniela Sgrillo, Daniela Fanti, Dienifer Martins, Douglas Bonesso, Eduardo Mei- anos, e Bruna de Oliveira, maior alegria foi a expectativa nascimento de sua cachorrinha,reles, Fernanda Estrella, Gabriela Nunes, Greice Nichele, Joane dos Santos, João 11. Avó e neta respectivamente. da chegada de sua primeira Babi, de dois anos, e esse fatoDiego Dias, Lílian Stein, Lisiane Machado, Livia Saggin, Lucas Neto, Marília Dias,Marina Cardozo, Natacha Oliveira, Rafaela Kley, Renata Strapazzon, Roberto Um fato curioso aproxima filha. O enxoval, ela mesma foi marcante em sua vida. OFerrari, Samantha Gonçalves, Stéfanie Telles e Tamires Fonseca. mais as duas: ambas têm preparou já imaginando a dengo da casa está sempre como lembrança especial um pequena usando cada coisinha. coberto de carinho por Bruna.[ARTE] Projeto gráfico e diagramação realizadas pela equipe de jornalismoda Agência Experimental de Comunicação (Agexcom). Supervisão: professo-res Eduardo Veras e Thaís Furtado. Projeto gráfico: jornalista Marcelo Garcia. Dona Adelina,Diagramação: estagiário Marcelo Grisa. sua neta Bruna e a cachorrinha da Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS família, Babi Av. Unisinos, 950, Bairro Cristo Rei - São Leopoldo/RS Telefone: (51) 3591 1122. E-mail: unisinos@unisinos.br Reitor: Marcelo Fernandes de Aquino. Vice-reitor: José Ivo Follmann. Pró-reitor Acadêmico: Pedro Gilberto Gomes. Pró-reitor de Administração: João Zani. Diretor da Unidade de Graduação: Gustavo Borba. Gerente de Bacharelados: Gustavo Fischer. Coordenador do Curso de Jornalismo: Edelberto Behs.
  3. 3. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Outubro de 2011 Onde eu moro 3À mercê da pichação Moradores convivem com a impunidadeViviane Bueno (Texto) a parede da minha casa. Sei que minha pro-Greice Nichele (Foto) priedade não tem muro, mas isso não dáO direito a ninguém de pichar minha residên- s alvos são diversos: muros, a esco- cia”, desabafa ele. la, portões e fachadas. Nem as igre- Nelson destaca também que a impu- jas são poupadas. É normal pintar a nidade para o crime contribui para que aparede em um dia e, na manhã seguinte, ter prática seja feita livremente. “Pelo fato de auma surpresa desagradável. Quem caminha pichação ser realizada durante a madruga-pelas principais ruas da Brás pode perceber da, dificulta que a polícia realize o flagrante.a quantidade de siglas e nomes pichados Muitos fazem de conta que não enxergamem diversos pontos da vila. esse problema. Para mim, isso é vandalis- A pichação é enquadrada como crime mo. Nossa sociedade chegou a um pontoambiental, através da lei n.º 9.605/98. Se o que o que é certo é errado e o errado é cer-crime for realizado em monumento ou pa- to. Tenho estado muito decepcionado comtrimônio tombado em virtude do seu valor a vila. Acredito que nem vou cercar meuartístico, arqueológico ou histórico, a pena pátio. Pretendo ir embora da Brás”, ressaltaé de seis meses a um ano, mas para que a Nelson. Nem mesmo as igrejas são poupa-punição seja efetivada, o criminoso precisa das da ação dos vândalos. É o caso da Comu-ser pego em flagrante. “É normal ver um nidade Católica Cristo Operário.morador pintando um muro e pouco tempo Segundo Cecília Lisboa, de 46 anos, a fa-depois, ter que repintá-lo por ter sido picha- chada está pichada há bastante tempo. “Édo. É uma falta de respeito”, confessa a fun- caro ter que pintar o tempo todo a igreja. Ocionária da loja Big Bazar, Lisiane Borges. problema é que não tem fiscalização e aí fica Além de Lisiane, o morador Nelson José difícil ter controle sobre isso. Quando come-das Neves, que vive na Brás há 18 anos, cei a rabalhar aqui, há mais de um ano, atambém reclama da pichação no bairro: fachada já estava completamente pichada’,“Faz mais de um ano que desisti de pintar fala Cecília. Lei proíbe venda de tintas para menores de 18 A Lei n.º 12.408, sancionada em O parágrafo único da lei diz que “toda maio deste ano pela presidenta Dilma nota fiscal lançada sobre a venda des- Rousseff, proíbe a comercialização de se produto deve possuir identificação tintas em embalagens do tipo aerossol do comprador”. As embalagens tam- a menores de 18 anos. bém deverão conter as expressões: Segundo a lei, o produto só pode- “Pichação é crime (Art. 65 da Lei n.º rá ser vendido no país a maiores, me- 9.605/98). Proibida a venda a menores diante a apresentação de identidade. de 18 anos”. Nem mesmo as igrejas são poupadas da ação dos vândalos Assuncenas: o endereço da união Priscila Gomes (Texto) “São cerca de 25 famílias que moram em 52 anos, um dos motivos de as pessoas nhos se respeitam”, diz. Josiane Klein não Tamires Fonseca (Foto) toda a extensão dela”, diz Valmir. Ele diz serem unidas é a religião. A maioria visi- mora mais na Assuncenas, mas ela con- que já pensou em se mudar, mas no fim, ta a igreja com frequência. “Em questão ta que esse é um dos lugares de que ela Assim como a maioria das ruas da a opção é sempre a mesma: continuar no de segurança, sempre foi bem tranquilo. mais gosta. “Aqui é muito organizado por Vila Brás, a Assuncenas também é dis- mesmo endereço. Segundo Antônio Joy, Acho que isso acontece porque os vizi- causa da força de vontade do pessoal.” creta, com chão batido e algumas árvo- res. Porém, ela possui algo que a difere das outras: as pessoas. Pensar que todos Oito grávidas os vizinhos se dão bem é difícil. Mas, na Assuncenas isso acontece. Lá, cada mora- Uma das curiosidades que fa- dor ajudou a construir a história do lugar. zem parte da história da Assuce- Valimir Assis da Motta, 35 anos, que mora nas é o fato de que oito mulheres na rua com a esposa, Márcia Vargas, 26, da rua ficaram grávidas na mesma e com três filhos, conta que antigamente época. Márcia Vargas conta que no local havia alguns problemas, como ela se surpreendeu ao perceber alagamentos. “Lembro que desde o início que as vizinhas também estavam da minha mudança, o pessoal daqui já esperando bebê. “O mais interes- era unido. Nós juntamos dinheiro e colo- sante é que apenas duas tiveram camos postes de luz e tivemos a iniciativa meninas e os outros todos meni- de pagar os materiais e a mão de obra nos, que hoje estão com cerca de para colocar canos de esgoto, o que me- um ano e alguns meses”, conta. lhorou o acúmulo de água de chuva”, res- Além dos pequenos que nas- salta. Com algumas mudanças, o ambien- ceram há pouco tempo, o local te ficou com outra “cara”, os moradores também recebe a alegria de diver- aumentaram e o ar cinzento que pairava sas crianças. Simpáticas, algumas no lugar foi substituído pelo colorido das delas acompanharam a equipe do casas. Hoje, muitos consideram a Assun- Enfoque no processo de elabora- cenas umas das ruas mais organizadas. ção desta matéria. Os moradores ajudaram a colocar postes de luz e canos de esgoto no local
  4. 4. 4 Sabor Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Outubro de 2011Doce, gelado e cabe num saquinhoA venda de sacolés, além de ser uma diversão para as crianças, é uma opção para muitas famílias aumentarem a renda mensal durante o verão Eduardo Saueressig (Texto) gredientes e os produz, e a gen- LUCAS PORTAL (Fotos) te fica o dia todo vendendo em C casa. No verão, conseguimos om o verão chegando, vender mais de R$ 50 por dia. muitas casas na Vila Brás No final do mês é uma grande começam a anunciar em ajuda”, ressalta Neuci Silva San- placas improvisadas a venda de tos, uma das donas dos locais sacolés. Esse serviço é bom tan- de venda. to para quem oferece quanto Já no comércio, como mer- para quem compra o produto. cados e lancherias, que também Afinal, as crianças adoram e é comercializam o produto, o pro- relativamente barato. Além de cesso é um pouco diferente. Na tudo, o serviço gera uma renda maioria dos casos, os sacolés são extra para as famílias e estabe- comprados prontos, e basta ape- lecimentos que os vendem. Nor- nas congelar. Hoje em dia, exis- malmente, o preço dos geladi- tem dois tipos de geladinhos, os nhos varia de 20 a 40 centavos, cremosos, que são feitos com de acordo com o tamanho. leite, e os de frutas, que são pro- Como o retorno é rápido, os duzidos com água. produtores já estão vendendo Em pleno setembro, várias em plena primavera, o que não crianças já consumiam o produ- impede a grande procura. “É to na rua, e dizem que no verão uma renda extra para nossa fa- o geladinho é uma das principaisCom a chegada das estações mais quentes, a gurizada aproveita o comércio caseiro para se refrescar mília. Minha filha compra os in- diversões da gurizada. Como fazer Os geladinhos de frutas são os mais fáceis de produzir, pois basta fazer suco da fruta escolhida, adicionar açúcar, colocar no saquinho e congelar. Já os cremosos, utilizam leite ao invés de água, e normalmente frutas raladas ou em pedaços. Churrasco na avenida Thayná Candido (Texto) não dá conta. Domingo precisamos de BRUNA SANTOS (Foto) duas pessoas para atender, porque todo mundo quer churrasco!”, comemora Todos nós já passamos pela se- Alexandre Alves de Andrades, filho do guinte situação: final de semana, você casal proprietário do Mercado Müller. acorda tarde, bate aquela fome e a O horário de atendimento da chur- preguiça de cozinhar. A melhor pedida rasqueira é bem flexível, para quem é comprar um churrasco pronto! E foi acordar tarde também almoçar tran- pensando nisso que o Mercado Mül- quilo. O assador começa às 9h e só ter- ler resolveu expandir os negócios da mina quando vender o último pedaço. família, construindo uma ampla chur- “Tem gente que chega aqui bem mais rasqueira em plena Avenida Rodolfo tarde querendo comprar, mas não pas- Wassun. O mercado, que existe há sete sa muito das 15h, porque acaba antes.” anos na Brás, já trabalhava com venda afirma Alexandre. de espetinhos em uma pequena chur- Os espetos variam de R$ 15 a R$ rasqueira, mas a demanda foi tanta, 20, entre coxa, sobrecoxa, costela e que decidiram ampliar a produção e carne de porco. O melhor de tudo? construir uma estrutura maior, que su- Aceita até cartão. Portanto, os atrasa- prisse essas necessidades. dinhos de plantão ou aqueles que re- A instalação foi inaugurada há ape- solveram dormir mais que a cama po- nas um mês e as vendas estão indo além derão comprar um almoço prontinho do esperado. “Tem dias em que a gente por um preço bacana! Mercado oferece coxa, sobrecoxa, costela e porco a preços que vão de R$ 15 a R$ 20
  5. 5. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Outubro de 2011 Cotidiano 5Um torpedo entre rodasA moda na Vila Brás é trocar o freio de mão da bicicleta pelo sistema de parada com o contra pedalNatália Vitória (Texto)Daniela Sgrillo (Foto)N ão é preciso caminhar mais de uma quadra para perceber que na Vila Brásos moradores são adeptos deum popular meio de locomoção.Crianças, jovens, adultos, homense mulheres. Não existe distinçãode idade ou sexo. Em cada esqui-na tem uma bicicleta estacionadaou alguém pedalando. O uso das bicicletas pelos mo-radores não é apenas por hobby.Há aqueles que aproveitam a fol-ga ou algum tempo livre para pe-dalar, mas, na maioria dos casos,elas são utilizadas para trabalhar. Embora o uso seja intenso, O torpedosão poucos os lugares que dispo- tem formatonibilizam um bicicletário, espaço cilíndrico eexclusivo para o estacionamento vai acopladode bicicletas. Na Vila Brás, as “bi- na roda dakes”, como são carinhosamente bicicletachamadas pelos donos, ficam pa-radas nas portas das casas, bares,mercados e igrejas. Nada de cor-rentes ou cadeados, basta encos-tar em algum cantinho. Porém, as bicicletas da Brástem outra peculiaridade. Sua dife-rença está no freio. A maioria de-las tem o sistema de contra pedal,mais conhecido como “torpedo”. É mais fácil contar quantascontam com o tradicional freio demão do que com o contrapé. Emapenas 15 minutos, 20 bicicletas rou febre na Brás. Segundo Ivaldir passam pelas mãos de Ivaldir e de saiba é que eles resgataram uma da preferência pelo “torpedo”: “Opassaram pela frente do ponto Andrade, 36 anos, dono da Baik seus três funcionários. Eles traba- moda antiga. O chamado “tor- pessoal gosta de ter uma emoção,de ônibus da Avenida Leopoldo Sul, estabelecimento que realiza lham das 8h às 21h e realizam vá- pedo” foi uma marca de freio gosta de frear no pé”. A confirma-Wasun, quase ao lado da Comu- concerto de bicicletas, a febre é rios tipos de concerto. A troca de que surgiu no final da década ção está na resposta de Mateusnidade Cristo Operário. Dessas maior entre os jovens: “A guri- pneus, por exemplo, custa a partir de 1940 em países como Alema- Guidini, 11 anos. Ele aprendeu a20, somente oito eram com freio zada está colocando o banco em de R$18. Já o ajuste do freio sai nha, Suécia e Áustria. Com for- andar de bicicleta com freio aosde mão, as demais, 12 no total, cima da garupeira, daí fica mais de graça: “Para tirar o freio, não mato cilíndrico ele é acoplado sete anos e hoje possui uma comtinham o “torpedo”. baixo, os freios são os pés”. cobro nada”, ressalta. na roda da bicicleta. freio torpedo, afinal “é legal dar Mudar os freios realmente vi- Por dia, cerca de 50 bicicletas Talvez o que a gurizada não Ivaldir tenta explicar o motivo aquela paradinha para trás”. A única da Vila Liliana Egewarth (Texto) Dona Leci aproveita a praticida- mesmo tendo uma aparência Greice Nicheli (Foto) de de a farmácia estar localiza- diferenciada, a população já se da perto de sua casa, para fazer acostumou com o visual do lo- Entre os muitos mercados, suas compras lá mesmo. Dessa cal. Isso sem falar que os assal- brechós, igrejas, fruteiras, ba- forma, não precisa se deslocar tos quase não acontecem mais. res, briques e lojas de mate- até o centro da cidade para pro- Ao contrário do que pen- riais de construção, há apenas videnciar medicamentos. sava dona Leci, a farmácia já uma farmácia na Avenida Leo- Ao conversar com Nelson está na Brás há 15 anos e o poldo Wasun. Oro, funcionário da Farmácia movimento é bastante inten- Segundo a moradora Leci Sulbrasileira da Vila Brás há dois so. Para fidelizar ainda mais Rodrigues da Silva, de 69 anos, anos, percebemos uma diferen- a clientela, são feitas diversas moradora do bairro há 22, a ciada estrutura na loja: há uma promoções. Além dos tradi- única farmácia fica localizada grade que protege os medica- cionais remédios, perfuma- bem no começo da avenida. mentos e cosméticos ali vendi- rias e maquiagens, é possível Conforme ela, o estabelecimen- dos. Segundo Nelson, logo que também contar com um aten- to facilita a vida da população a farmácia se instalou no bair- dimento diferenciado, em di- que mora nas redondezas, pois ro haviam tentativas e assaltos versos horários, sem falar da Há 15 anos na Brás, a farmácia oferece facilidades como a telentrega também conta com telentrega. frequentes. Mas, hoje em dia, facilidade da telentrega.
  6. 6. 6 Amigo imaginário Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Outubro de 2011 Simplesmente criança Em diferentes instantâneos, a gurizada mostra como se diverte no dia a dia da Vila Vitor de Arruda Pereira (Texto) ROBERTO FERRARI RENATA STRAPAZZON Lixo? Que lixo? Para os gêmeos Ester e Estevão Fallro, sete anos, ali é um lugar que dá para brincar de casinha. Possui sala, cozinha e até quarto. Eles não têm videogame ou notebook, a diversão é imaginação pura. Aproveitam os objetos largados numa das várias vielas da Vila Brás para se divertir. Com uma fita e uns pedaços de madeira, dá para brincar de “polícia e ladrão”, diferente dos seus vizinhos que procuram as locadoras em busca de diversão. ROBERTO FERRARI RENATA STRAPAZZON Micael Luiz, sete anos,se diverte com uma roda debicicleta na Rua Onze Horas. Ele conta que iria encontrar Paola Ares, seis anos, com um amigo, mas, como não sua boneca preferida, apareceu, a diversão não a Eduarda podia parar. Simples: pega,empurra e joga o brinquedo improvisado. NATACHA OLIVEIRA ROBERTO FERRARI Os irmãos Luiz Gabriel Northon Selister, 12 (de vermelho), três anos, e anos, tem uma doença que Maikiel Santos, sete anos, dificulta sua locomoção, se imaginam como nos filmesmas não perde o espírito de de ação. Cuidando para nãocriança. Ele conta que gosta se machucar, duelam com de jogar jogos radicais no pedaços de pau. A brincadeira seu notebook. é na frente de casa, com areia ao redor para amortecer possíveis quedas. ROBERTO FERRARI DIEGO DIAS Gauchinha com orgulho. A pequena prenda Nicoly Barros tem sete anos e já demonstra todo o seu As irmãs Gabriela, sete amor pelo tradicionalismo. anos, e Camile Prestes, Seja rodopiando com seu quatro anos brincam na vestido vermelho pela casinha que fica dentro do Avenida Leopoldo Wasum pátio onde moram.ou tomando um chimarrão,ela vive o espírito gaudério sempre que pode. ARQUIVO ESCOLA JOÃO GOULART O desfile foi na Brás DIERLI SANTOS (Texto) Dividido em oito alas, o desfile abor- dou temas como profissão, esporte, O tradicional desfile de 7 de se- preconceito, liberdade de expres- tembro foi diferente na Brás este são, violência contra a mulher, paz, ano. A Escola Municipal João Gou- amos e patriotismo. lart realizou o desfile na Avenida Le- Professores e funcionários da opoldo Wasun. escola também participaram da ce- Com a participação da banda da lebração, que foi assistida por mais escola – coordenada pela professora de cinco mil moradores. Segundo Raquel Prux, do projeto Mais Educa- o diretor da escola, Cláudio Hatje, ção –, o evento contou com a par- o desfile na Brás tem o objetivo de ticipação de mais de 1.300 alunos. presentear a comunidade.
  7. 7. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Outubro de 2011 Amigo imaginário 7Era uma vezna Vila...Oito crianças criam diferentes histórias para ummesmo personagem, o garoto Brasinha, 10 anosRITA TRINDADE (Texto) analisar que as crianças queLISIANE MACHADO (Foto) têm um incentivo, seja da fa-P mília ou dos professores, se esquisas apontam que identificam com o mundo das a criança que lê e tem histórias. Já as que não têm, contato com a literatura não apresentam grande in-desde cedo, principalmente teresse. Como por exemplo,se for com o acompanhamen- o menino Carlos Vitor dosto dos pais, é beneficiada em Santos, 11 anos, morador da Em uma manhã de sábado, com lápis de cor nas mãos, a meninada botou a cabeça para funcionardiversos sentidos: a criança Vila Brás, que tem o incenti-aprende melhor, pronuncia vo dentro de casa pela suamelhor as palavras. Por meio irmã de 14 anos. “Adoro ler,da leitura, a criança desenvol- o livro que mais gostei de lerve a criatividade, a imagina- foi Eclipse”, conta.ção e adquire conhecimentos Para exercitar a criativida-e valores para a vida de dos pequenos da Brás, cria- A leitura frequente facilita mos então um personagema alfabetização e ajuda em to- para essa matéria, o Brasinha,das as disciplinas. um jovem de 10 anos que Pensando nesse contex- mora na Vila Brás desde queto, essa matéria tem o obje- nasceu. Confira abaixo as di- “A cor amarela é a favorita “O Brasinha nasceu na Vila Brás “O Brasinha mora na Vila Brás,tivo de mostrar como se dá a ferentes histórias vividas por de Brasinha, ele adora comer e gosta muito da cor preta, sua sua cor favorita é o rosa, suarelação entre as crianças da nosso personagem criadas por abacaxi e desde pequeno torce comida favorita é lasanha, ele comida preferida é bolachinha.Vila Brás e a leitura. Pôde-se nossos pequenos autores. pelo Inter, que, para ele, é o torce pelo Grêmio e sua banda O time que Brasinha torce é o melhor time do mundo. Seu preferida é os Rebeldes, ele quer Inter. Ele gosta muito de jogar sonho é ser jogador do Colorado, ser artista quando crescer. A bola e por isso, quer ser jogador a música que ele mais gosta é brincadeira que Brasinha mais de futebol quando crescer. O o hino do Inter. Sua brincadeira gosta é o pega-pega, ele adora Brasinha gosta muito de música preferida é jogar futebol com brincar com seus amigos na Vila sertaneja e o que ele mais gosta os amigos. O que ele mais gosta Brás e a coisa que ele menos de fazer é ir no centro da cidade.” de fazer quando está em casa gosta é quando brigam com ele.” é apreciar a Vila Brás, o que ele Autora: Vitória da Silva, menos gosta é de ver a maldade”. Autora: Alessandra Alves de nove anos Andrade, nove anos. Autora: Érica Cristina de Oliveira Dahmer, 11 anos.O Brasinha é um menino muito levado, sua cor preferida é oamarelo e sua comida favorita é pizza. O time que Brasinha torce é oGrêmio, e a música que ele mais gosta é o hino do Grêmio. Quandocrescer, Brasinha quer ser advogado, o que ele mais gosta de fazer épular corda. O Brasinha gosta também de ver as pessoas felizes”.Autora Jamilly Ficanha Borges, sete anos. “O Brasinha é um menino muito “O Brasinha mora na Vila Brás “Brasinha é um menino legal, sua cor preferida é o verde, e gosta muito da cor vermelha, corintiano, ele tem 10 anos e ele está na 5° série e seu melhor a comida que ele mais gosta é adora a cor azul, ele come muito, amigo é o Carlos, com quem ele pizza e o time que ele torce é o e a comida que ele mais gosta é brinca desde pequeno. A comida Grêmio, sua música favorita é o lasanha. Brasinha ama escutar preferida de Brasinha é arroz e hino do Grêmio, o Brasinha gosta funk, mas quando crescer quer feijão, seu time do coração é o de ser professor da escolinha e ser um cantor sertanejo. Sua Inter. Brasinha adora música e adora a escola. Ele é um menino brincadeira preferida é jogar sua banda preferida é o Restart, muito bom com seus amigos. bola”. ele toca bateria desde pequeno Brasinha não gosta quando seus e seu maior sonho é ser médico. amigos brigam. Quando crescer, Autora: Fabíola Parmigiani, A brincadeira preferida dele é Brasinha será advogado”. nove anos. o esconde-esconde, o que ele mais gosta na Vila Brás são seus Autora: Elizete de Oliveira amigos, o que ele menos gosta Dahmer, nove anos. é o trânsito. Brasinha tem um carro muito bonito, é um Camaro“O Brasinha gosta de azul e de borboleta. Ele não gosta de amarelo”.pular corda mas adora tirar fotos”. Autor: Carlos Vitor dos Santos,Autora: Nicole de Oliveira Dahmer, sete anos. 11 anos.
  8. 8. 8 Mãos à obra Os nossos sonhos A escolha profissional é um processo demorado, que começa na infância e amadurece na adolescência. Para explorar esse assunto, o Enfoque convidou estudantes a falar sobre seus sonhos e aprender um pouco sobre o jornalismo André Seewald (Texto) Dierli Santos (Texto) Juliana de Brito (Texto) BRUNA VARGAS (Fotos)O Enfoque dá continuidade ao assunto profissões, tratado na edição 129, por meio deuma pareceria com a Escola JoãoGoulart. Convidamos a professora par de uma oficina jornalística. Na ocasião conversamos com os estu- dantes sobre a diferença dos gê- neros informativo, interpretativo e opinativo. O bate-papo teve comode Língua Portuguesa Renata Gar- ponto de partida os sonhos de cadacia Marques a selecionar um gru- um. Com esse assunto, desafiamospo de oito alunos, oriundos das cada jovem a entrevistar um cole-turmas 1 e 2 do projeto Seguindo ga e redigir um texto sobre sonhosem Frente (também conhecidos profissionais. Confira o resultadocomo “Aceleração”) para partici- aqui, nas páginas 8, 9 e 10.Qual é o seu desejo? Enquete realizada por Jennifer Guimarães da Silva e Rodrigo Santos, com orientação de Dierli Santos. Fotos de BRUNA VARGAS “Sonho com a aposentadoria. Com 62 “O meu sonho é ser anos, não consigo mais trabalho nem jogador de futebol.” consigo me aposentar.” “Meu sonho é comprar um carro.” Gabriel Porto Silveira, 16 anos. Cirlei da Silveira, 62 anos. Flávio Luiz Lahm, 45 anos.
  9. 9. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Outubro de 2011 9Rodrigo, Jennifer, Ânderson, o Luane, ao jogador a advogada empresário enfermeiraPor Jennifer Guimarães da Silva Por Rodrigo Santos Por Luane Soares Por Ânderson Rodrigues Rodrigo Santos tem 15 anos. Quan- Jennifer Guimarães da Silva tem 17 Ânderson Rodrigues, 17 anos, ins- Luane Soares tem 15 anos – com-do era pequeno, seu sonho era ser joga- anos. Quando pequena, sonhava ser pro- creveu-se em um curso de manutenção pletará 16 em outubro diz que jádor de futebol, mas diz que a vida sem- fessora, mas agora, com o decorrer do de micro-computadores aos 15 anos e tem planos para o ano de 2012. Des-pre foi o redirecionando para outros tempo, percebeu que não era bem o que o concluiu até seguir essa profissão. de os nove anos sonha ser enfermei-caminhos. No momento, ele dedica-se esperava: “Percebo que a vida muda al- Rodrigues diz que no começo teve mui- ra, mas sua idade ainda não permiteaos estudos para pensar em um futuro gumas situações”. No momento, conside- tas dificuldades, pois é uma área que que ela faça esse curso.mais profissional. ra que a melhor profissão é de advogada, exige muita dedicação, responsabilida- O desejo em seguir essa profissão Ainda não sabe exatamente qual pois há bons cursos para isso. de e cuidado. Complementa dizendo começou quando passou um mês noprofissão quer seguir, mas já tem muitas Ela acredita que para alcançar esse que é uma área em que é preciso estar hospital, cuidando de sua mãe. Lua-idéias, as quais acredita que certamente objetivo precisará esforçar-se muito e es- atualizado, pois a cada dia surgem no- ne diz que foi muito difícil ver as en-poderão trazer bons rendimentos para tudar, estudar e estudar. Se precisar sair vos programas e inovações. fermeiras fazendo seu trabalho semseu futuro. Por fim, ele afirma que, se ti- de São Leopoldo para isso, Jennifer diz: Depois disso, fez um curso de vontade, foi aí que surgiu o amorvesse que sair de São Leopoldo, não sai- “Se eu gostar realmente da profissão, não webdesign na Escola e Faculdade por essa profissão, por gostar deria, pois prefere fazer com que as coisas me importaria”. Ela conta que quem a QI, concluído no início de setembro. tratar e cuidar das pessoas com ca-aconteçam em sua cidade. inspirou foi um ex-advogado de sua mãe. Lá aprendeu a criar websites e rinho. Ela conta que essa também é Foi aí que Jennifer começou a gostar da dar movimentação aos desenhos. a vontade de sua mãe. Luane diz que profissão à qual quer se dedicar. Atualmente, não está empregado, mas agora mais do que nunca vai realizar procura um trabalho nessa área e diz seu sonho e também a vontade de que é bem complicado encontrar um sua família. emprego quando se está cursando o Ela comenta que muitas pesso- Ensino Fundamental. as dizem que esta é uma profissão Seu maior sonho é abrir uma em- que mexe muito com o psicológico, presa de manutenção de microcom- pois lidará com vários casos e nem putadores ou ser brigadiano, mas sempre o final será feliz. Seu maior ressalta que essa é uma profissão que sonho é se formar cursando uma fa- seus pais não concordam por acha- culdade e alcançar seus objetivos. rem perigosa. Ele diz que fazia o curso Atualmente, não está trabalhando, aos sábados e por isso deixava de sair mas gostaria de fazer um estágio na sexta à noite. Agora que concluiu quando chegar ao Ensino Médio. aproveita para se divertir e conhecer Perguntada sobre as festas e a vida pessoas novas. Finaliza rindo ao dizer amorosa, ela apenas respondeu ti- que está solteiro. midamente sorrindo. “Meu sonho é ser bailarina profissional, faço jazz e street dance “Sonho entrar em uma faculdade.” há seis anos.” “Quero ser jogador de futebol.” Jonathan da Cunha, 16 anos. Sonia Macedo, 18 anos. Wellington, 11 anos.
  10. 10. 10 Mãos à obra Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Outubro de 2011 Os nossos sonhosLuana, a Elismara, Miriam , a Bruna, aveterinária a técnica jornalista professoraPor Elismara de Andrade Bonato Por Luana Patrícia de Freitas Esper Por Bruna Dalpiaz Por Miriam Kelly da Silva Luana Patrícia de Freitas Esper A jovem Elismara Andrade Bo- Miriam Kelly Fagundes da Silva, aos Bruna Dalpiaz, aos 16 anos, sonha sertem 16 anos e pretende seguir a nato tem 16 anos e pretende fazer seus 16 anos, conseguiu dar o primeiro professora de Língua Portuguesa. Ela contaprofissão de veterinária, pois, desde um curso profissionalizante para, no passo para ser uma jornalista. Com o Pro- que, após terminar o Ensino Médio, querpequena, gosta de animais e sem- futuro, ser uma grande técnica em jeto Seguindo em Frente, foi selecionada entrar em uma faculdade federal para se for-pre sonhou em poder ajudá-los de computação. Mas, por enquanto, para a oficina de jornalismo. Ela sonha em mar em Letras.alguma maneira. Ela já sabe como está apenas estudando, pois ainda entrevistar seu ídolo Luan Santana. Para isso, espelha-se muito em sua pro-se deve cuidar de ferimentos leves e não teve oportunidades de cursar Ela diz gostar muito dessa profissão, fessora de Português, Renata Garcia Mar-doenças comuns entre animais. essa área. pois gostaria de entrevistar várias pesso- ques. Com muito incentivo da “sora”, sente- Neste momento Luana está tra- Atualmente, Elismara está traba- as e conhecer lugares diferentes. Ela quer se segura para exercer essa profissão. Apesarbalhando em uma empresa gráfica lhando na empresa de sua família, estudar na Universidade Federal de Santa de gostar muito de Matemática, não se con-para poder adquirir alguns livros mas ainda sem Carteira de Traba- Maria. Gosta de sair com os amigos, ir ao sidera tão afinada como em Português.para se especializar na área. Seus lho assinada, pois está terminando cinema e ao shopping. Miriam ainda não Ela ainda não trabalha, mas nas horas deanimais favoritos são os felinos. Ela os estudos para poder trabalhar na trabalha, mas nas horas de lazer gosta de lazer gosta de ler revistas e jornais. Tem o so-vai tentar se qualificar estudando e área que tanto sonha. ler livros, revistas de ídolos e jornais. A nho de conhecer o seu ídolo, o cantor Luantrabalhando em uma petshop. O interesse surgiu há cerca de estudante diz se dedicar para conseguir Santana. Luana afirma com convicção que três anos, quando ganhou seu pri- alcançar seu objetivo. Bruna acha que é importante ensinarnão vai desistir de seus objetivos: meiro computador. Até agora, Elis- Para finalizar a entrevista, Miriam cita Português para poder se comunicar melhor,“Eu sei que haverá muitas dificul- mara já aprendeu coisas básicas uma música do seu ídolo, Luan Santana: para que as crianças possam aprender a ler edades até eu conseguir, mas não como Word, Excel, Windows, lim- “Já viajei por todo universo, todas as galá- a escrever. Ela diz que se empenhará muitovou desistir de lutar pelos meus peza de placas, como montar e des- xias, a procura de um sonho. Eu demorei em sua profissão e finaliza com a frase: “Sósonhos”. montar peças, entre outras coisas. mas eu encontrei o que eu procurava”. quem sonha consegue alcançar”.Qual é o seu desejo? “Meu sonho é ser modelo.” “Meu sonho é ser policial.” “Sonho ser cabeleireira.” Maristela Gubert, 11 anos. Eduardo Silva, 8 anos. Camila Martins, 14 anos.
  11. 11. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Outubro de 2011 Comportamento 11Falando sobre aquiloO que cinco jovens pensam sobre sexo, prevenção e namoro. Acredite: é um retrato conscienteLORENA RISSE (Texto e foto) ne Rossato, encontrou um espaçoI para discutir sexualidade com os magine: às 9 da manhã de uma alunos. Munida de um material quinta-feira, cinco jovens da didático produzido pela Secretaria sexta série do ensino funda- de Assistência, Cidadania e Inclu-mental são abordados na aula de são Social de São Leopoldo, a Sa-Educação Física da Escola Munici- cis, ela pôde ensinar aos estudan-pal de Ensino Fundamental João B. tes como identificar um abusadorM. Goulart, na Vila Brás, para falar e o que fazer para ajudar quemde um tema que está borbulhan- precisa. O tema foi tão comenta-do na vida deles: a sexualidade. do entre os alunos que não se res- A ideia é saber o que o jovem tringiu e abrangeu outros questio-da Vila Brás pensa quando o as- namentos. “Eles tinham dúvidassunto é sexo, prevenção e namo- sobre a relação sexual e sobre oro – temas importantes na ado- comportamento naquele momen-lescência, já que dominam parte to ainda novo para eles”, comentadas emoções novas que o jovem Janine. Com a idade da primeiraestá conhecendo e provando relação sexual cada vez mais cedo,nessa época da vida. A geração, é natural a conversa e o aprendi-que hoje está com idade de 12 a zado sobre o tema dentro da sala16, é muito bem informada, se de aula. “A escola educa para osnão a melhor informada sobre conhecimentos gerais e tambémsexo de todos os tempos. Os jo- para a cidadania, que é um princí-vens discutem o tema na escola, pio básico da sociedade”, constataleem sobre em revistas conheci- a professora.das como teens e, se quiserem, Larissa*, de 14 anos, quer serpodem acessar um site e ter suas pediatra quando crescer, mas sóperguntas respondidas. Mas uma quer cuidar de crianças quandocoisa é certa: o diálogo com pais crescer mesmo. A gravidez nae amigos ainda é a melhor forma, adolescência é um fato que mui-segundo eles, de se aprender so- tas jovens enfrentam, algumasbre sexualidade. com maiores dificuldades, outras João* é um exemplo disso. não. Larissa acha que se protegerAos 13 anos, o garoto da 6ª sé- na transa é muito mais fácil dorie, que almeja ser juiz de Direito, que cuidar de um filho, depoisconversa sempre com os amigos que ele nasce. “A menina perdee fala com propriedade sobre a um pedaço da vida dela, tem quegarota perfeita para um relaciona- estudar, trabalhar para depoismento, ou seja, não só um “ficar”, pensar nisso”, diz ela. E ela estámas algo mais sério, com direito à certa. Uma gravidez em um mo-vida sexual. “Ah, ela tem que ser mento em que não se está prepa-dedicada aos estudos, que tenhaserviço, compromisso e que nãofique por aí com os guris”, diz ele. rada pode ser, literalmente, uma pedra no sapato. E se a gravidez chegasse cedo Mitos e verdades O sexo sem compromisso, na vida desses jovens? A respostapelo menos para esses jovens foi unânime entre eles: ficar com Para manterda Vila Brás, não é uma constan- a criança. O aborto foi uma pos- uma vida sexual Se eu tomo pílula estou livre A tabelinha é um métodote. Como vimos na fala de João, sibilidade totalmente descartada. saudável, o cuidado de engravidar e de doenças. totalmente seguro.o compromisso é levado a sério Segundo a última pesquisa reali- e a prevenção contrae é pré-requisito para a relação. zada pelo Datafolha sobre o tema doenças sexualmente FALSO FALSO A tabelinha é um método queAlém disso, a proteção é fator no ano de 2010, apenas 7% dos transmissíveis, DSTs, O único método contraceptivo as mulheres podem utilizar,crucial. Rebeca*, de 12 anos, entrevistados foi a favor a des- são obrigatórios. Aqui que protege contra gravidez mas não é 100% seguro. Elepor enquanto só beijou na boca, criminalização da prática, contra você encontra alguns e DSTs é a camisinha. Isso não protege contra DSTs e nomas já conhece as maneiras de 71% que preferem que a legisla- mitos sobre o sexo e o acontece porque ela não caso das adolescentes é falho,se proteger de Doenças Sexual- ção permaneça como está: classi- cuidado com o corpo permite o contato dos órgãos já que o ciclo menstrual jovemmente Transmissíveis (DSTs) e da ficando o aborto entre os crimes que fazem a diferença sexuais durante o ato sexual. ainda não está totalmentegravidez indesejada. Mas, revela contra a vida. na vida da gente. Por isso, use camisinha! regularizado. Atenção!que em casa o assunto não é ex- Conversar com estes jovens foiplorado de maneira efetiva, como um desafio já que, desde o início,ela gostaria. O que aprendeu foi minha proposta era deixá-los à von- Sempre posso tomar a pílulana escola e com as amigas. “Na tade para que as respostas fluíssem do dia seguinte como um É possível engravidar naverdade, só falam por cima, que da melhor forma possível. Para a método contraceptivo. primeira vez.a gente tem que se proteger, mas minha surpresa, eles estão muitonão posso falar certas coisas. Acho mais preparados do que imagina- FALSO VERDADEIROque não entenderiam”, revela Re- mos. E desejam que os familiares A pílula do dia seguinte é A virgindade não impede quebeca, referindo-se aos pais. mantenham um bate-papo franco, um medicamento de uso a menina engravide. Esse As consequências de um sexo com orientações para toda a vida emergencial, ou seja, que só momento tem os mesmosinseguro são para a vida toda, dis- . O que se espera é que eles apli- pode ser utilizado em último efeitos de uma vida sexual caso. Se a menina usa a pílulaso eles sabem. Tanto sabem que quem este conhecimento na vida ativa. Então, mesmo na sempre pode ter um quadrodentro da sala de aula o assunto real, e se mantenham saudáveis e de descontrole hormonal e primeira vez, se previna.foi abordado. Com um tema inicial felizes ao longo de toda a vida. problemas de saúde.sobre Violência Sexual, a profes-sora de Sociologia da Escola, Jani- * Nomes fictícios
  12. 12. 12 Cidadania Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Outubro de 2011 Recolocando a vida nos trilhos O projeto Pão da Vida socorre a comunidade em questões que vão desde alimentação básica até a recuperação de pessoas como Kenedy (foto), que vivia na marginalidadeJÚLIA KLEIN (Texto) dona Sirlei. Só que, nesse caso, foi ela mesma deles: “Através da palavra de Deus já liberta- consumiu álcool e, por diversas vezes, quaseMARINA CARDOZO (Foto) quem pediu auxílio: “Cansei de cair na rua. mos muitas pessoas”. O pastor conta que em perdeu a vida ao se envolver em tiroteios eP Gastava todo meu dinheiro com cachaça. De- algumas situações, os dependentes químicos brigas. Até que, de repente, resolveu mudar. erci Pereira, 48 anos, desenvolve um pois do trabalho ia direto para o bar”, conta. que procuram o Pão da Vida são encaminha- “Recebi uma carta, de uma vizinha. Nela ha- trabalho social e espiritual na Vila Brás. Sirlei Terezinha Tavares, 50 anos, bebeu des- dos para centros de recuperação. Quando a via alguns trechos da Bíblia. Fiquei pensando Pastor há 30 anos, trabalha na Igreja de os 25. Sempre trabalhou, mas nunca con- família ou o próprio paciente não tem condi- naquilo alguns dias e logo procurei o seu Per-Evangélica Ministério à Glória de Deus, onde seguiu guardar dinheiro, pois todas as suas ções de pagar pelo tratamento, Perci entra em ci”, relata. Andrews continua, empolgado: “Aministra cultos e, junto de três irmãs, coman- economias financiavam o vício. Por vontade ação e pede a ajuda da comunidade. fé mudou minha vida. Meus amigos que an-da o projeto social Pão da Vida, que dá assis- própria, a senhora chegou a ser internada por Assalto, furto, armas. Palavras que faziam davam comigo naquela época e continuamtência à comunidade local. Os fiéis colaboram algumas semanas, mas não teve resultado. parte da vida de Andrews Fonseca, 26 anos, vivos, hoje estão presos”.como podem e os valores arrecadados servem Segundo ela, foi com a ajuda do projeto que também conhecido na Brás como “Kenedy”. Ode ajuda aos que necessitam de comida, mó- conseguiu se recuperar. “Hoje estou na esco- jovem conta que entrou no mundo do crimeveis, roupas, colchões e outros utensílios. Mas la, conhecendo as letras. Quero fazer de mim aos 14 anos, influenciado pelos amigos. Foi O Projeto Pão da Vida funcionao socorro vai além dos bens materiais. uma grande pessoa”, finaliza. um adolescente muito revoltado, pois vivia so- na Igreja Evangélica Ministério à Diversas famílias procuram o pastor quan- Os casos de recuperação de moradores da mente com a mãe, que trabalhava fora o dia Glória de Deus, que fica na Avenidado um ente querido passa por dificuldades Vila que trocaram o tráfico, o vício e a bandi- todo. Muitos vizinhos diziam que Andrews não Leopoldo Wasun, nº. 1.341.com drogas ou álcool, como aconteceu com dagem pela fé, são muitos. E Perci se orgulha chegaria aos 18 anos. Foi usuário de drogas, Mais de 200 na festa da Associação PABLO FURLANETTO (Texto) pessoas. Na ocasião, ocorreu uma home- A Associação de Moradores da Vila tária. “Hoje temos muitas crianças que não nagem, honra ao mérito, para pessoas e Brás, que tem como presidente Claudimir têm o que comer no contraturno da aula”, A data de fundação é 21 de março organizações que, de alguma forma, con- Schütze, já realizou inúmeras ações para frisa o presidente. de 1981. O dia em que foram festejados tribuíram ou contribuem para os trabalhos melhorias na vila. Agora, o objetivo é dar Para os moradores da Vila Brás, além de os 30 anos da Associação de Moradores da associação. O prefeito de São Leopoldo, continuidade aos planos que já estão ocor- referência, a associação é o local para unir da Vila Brás foi o último 24 de setembro. Ary José Vanazzi, esteve presente na festa e rendo e iniciar outros. “Temos vários pro- seus anseios. Para o radialista Bruno Gar- Mesmo com um pouco de atraso, a co- recebeu o reconhecimento. Além dele, ex- jetos. Um deles é a biblioteca comunitária, cia, a entidade é um espaço que fortalece a munidade pôde aproveitar o baile da prefeitos, ex-presidentes da organização, cujo valor de R$ 20 mil foi aprovado pelo coletividade. “A associação é fundamental. cuca e da linguiça, animado pela banda vereadores e o jornal Enfoque Vila Brás governo”, diz Schütze. Busca as diretrizes para o interesse coleti- Veneza, para comemorar as três décadas também foram lembrados. O documen- A entidade batalha também para a cons- vo”, diz Bruno. de vida da entidade. to entregue tinha a seguinte mensagem: trução do centro esportivo, ampliação da Assim trabalha a entidade, tentando bus- O evento, que ocorreu na própria sede “Um dia compareceremos diante do grande creche, regularização fundiária, segundo car a parceria com os moradores para suprir da entidade na Avenida Leopoldo Wasun, trono, para prestar contas do talento a nós grau para a região nordeste e, um dos mais os anseios comuns. Consequentemente, a contou com grande público, cerca de 200 confiado”, de autor desconhecido. importantes, a criação da cozinha comuni- qualidade de vida melhora e todos ganham.
  13. 13. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Outubro de 2011 13 Reclame! Marcelo Ferreira (Textos) - Stéfanie Telles (Fotos) Nesta seção, o Enfoque abre espaço aos moradores para fazerem reivindicações ou reclamações que são encaminhadas à prefeitura ou aos órgãos competentes. As respostas você confere abaixo:Praça CrecheLeandro Ferreira,35 anos, pede umcuidado maiorcom a Praça daVila Brás, que foiconstruída hámais de quatroanos para serum local de lazere atualmenteserve comodepósito de lixo. Odescaso com esse espaço foiuma reclamação recorrente Olinda da Silva, 61 anos, Üna fala de outros moradores sente falta de mais crechesentrevistados. Entre osrelatos comuns, falou-sedo desrespeito de alguns Ü Resposta: Acúmulos de lixo em local público devem ser informados à Secretaria de Limpeza Pública públicas. Bisavó de três crianças com idade entre três e cinco anos, ela relata a dificuldade do Resposta: A rede infantil está com inscrições fechadas. Novas vagas serão anunciadas até novembro.frequentadores ao espaço (3568-1780) ou à Secretaria do trabalhador que ganha um salário Informações sobre novas vagas,das crianças e da falta de Meio Ambiente (3592-2004). mínimo e, por falta de vagas na preenchimento das mesmas ouconscientização de quem Todos os moradores devem estar única creche municipal da Vila dúvidas referente a escolas da redejoga seus objetos velhos por comprometidos com a limpeza. A Brás, precisa desembolsar entre municipal podem ser solucionadaslá. Segundo Ferreira, muitas Brás conta com coleta seletiva terças R$ 100 e R$ 150 mensais para com a Secretaria Municipal depessoas já deixaram de (Taurino de Resende direção Centro) que alguém cuide das crianças. Educação (3589-6666).frequentar o local. e sextas-feiras (Taurino de Resende“Infelizmente, a praça está direção Bom Fim) e de lixo domiciliarjogada às traças”, lamenta. as segundas, quartas e sextas-feiras. Segurança Para Oscar de Lima, o maior problema da Vila Brás é a falta de segurança. “NãoCachorros de rua se acha policial por aqui, me sinto inseguro de sair andando”, relata. O morador de 43 anos diz que, às vezes, vê uma viatura da Brigada Militar passando pela Avenida Leopoldo Wasun, mas rondas a pé não acontecem. Ele também relata“Existem muitos cachorros que a polícia chega a demorar mais de uma hora para atender ao chamado de Üabandonados nas ruas da Vila Brás.” algum cidadão.Essa é a reclamação da moradora Resposta: A Prefeitura ÜMarisa Silveira Soares, que conta ter informa que não háfeito a sua parte ao curar um cão com procedimento padrão para o Resposta: O policiamento ostensivo é de responsabilidade dasarna e adotá-lo. Para ela, muitos dos recolhimento de animais nessa Brigada Militar e é realizado nos horários verificados como de maioranimais abandonados são deixados situação. O Canil Municipal, necessidade, devido ao efetivo insuficiente. Além de chamados atravéslá por pessoas de outros lugares. A responsável por atender do telefone 190, a Corporação ressalta estar aberta ao diálogo commoradora conta que, em algumas ruas, animais em situação de a comunidade para discutir prioridades. A Secretaria de Segurançauma simples caminhada chega a ser abandono e maus tratos, pode Pública também pode ser contatada, através do telefone 153, eperigosa, pois os cachorros mordem. ser contatado de segunda à informa estar à disposição da comunidade para colaboração. AlémAlém disso, o latido dos cães torna-se sexta-feira, das 8h às 12h e das disso, todas as dificuldades de atendimento relacionadas à segurançaum problema para quem precisa ter 13h30 às 17h30, nos números pública podem ser relatadas à corregedoria, na própria Secretaria (Ruauma boa noite de sono. 3572-0320 ou 9739-3491. Saldanha da Gama, 975, Sala 01 – Centro). Elogios ao que melhorou Ozeias Ariel dos Santos, 32 anos, é um criança, às vezes era mandado mais cedo dos que preferem falar dos avanços na para casa durante os estudos, pois a única Vila Brás ao longo dos anos. Morador sala de aula precisava ser usada para a da comunidade há mais de 20 anos, ele realização de um velório. Hoje, ele tem lembra do tempo em que não havia água uma filha de quatro anos, é cobrador de encanada, asfalto nas ruas, praças, posto ônibus na linha Santos Dumont, que cruza de saúde, nem linha de ônibus. Ele também Avenida Leopoldo Wasun, e demonstra conta que a Vila era muito violenta, orgulho em fazer parte da comunidade, recordando a infelicidade de ver pessoas ressaltando o fato de nunca ter sido sendo mortas nas esquinas. Quando assaltado durante o trabalho.

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