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  1. 1. * * * GUIA DO PROFESSOR OUTROS PERCURSOS * MATERIAIS DISPONÍVEIS, EM FORMATO EDITÁVEL, EM:
  2. 2. GUIA DO DO PROFESSOR OUTROS PERCURSOS ORROTUUTOOU SO G ODAIUGGU O CREP O SOSRUC GGGU ODAIU POD O EFORP ROSSE .TUGUÊS 12POR O ANO
  3. 3. Índice 1 – Proposta de planificação anual ................................ 6 2 – Grelhas de apoio para avaliação • da oralidade. . . ...................................................... 12 • da leitura . . . . . . ...................................................... 13 • da expressão escrita ............................................... 14 • dos testes de avaliação ............................................ 15 3 – Textos complementares e propostas de resolução de atividades do manual............................................. 18 4 – Propostas de correção dos testes de avaliação formativa do Manual. . . . . ...................................................... 21 5 – Testes de avaliação............................................... 27 6 – Propostas de correção dos testes de avaliação ............ 41
  4. 4. 1PLANIFICAÇÃO ANUAL
  5. 5. Períodos/Tempos letivos SequênciasObjetivos*ConteúdosCompetênciasAtividades/EstratégiasAvaliação 2blocos +-14blocos (incluindoa avaliação) (90min.) Diagnose –Detetarconhecimentosao níveldasváriascompetências –Percecionardificuldades –Realizar/desenvolvertarefas derevisão/remediação orientadas Textos: –lírico –dramático –narrativo –Leituradetextos –Compreensão/expressãooral –Expressãoescrita–tipologias diversas –Funcionamentodalíngua –Resoluçãodas propostas apresentadaspara diagnose Formativa –Anteciparconteúdosapartir deindicadoresvários –Determinara intencionalidade comunicativa –Adequarodiscursoà situaçãocomunicativa –Utilizardiferentesestratégias deleituraeescrita –Reconhecerformasde persuasãoemanipulação –Reconheceradimensão estéticaesimbólicadalíngua edaimagem –Identificarafunçãoda imagemrelativamenteao texto –Programaraproduçãoda escritaedaoralidade observandoasfasesde planificação,execução, avaliação –Produzirtextosdediferentes matrizesdiscursivas –Refletirsobreopapeleas responsabilidadesdosmedia naformaçãopessoalesocial doindivíduo –Contactarcomautoresdo PatrimónioCultural Português –Textosinformativos diversos –Textosliterários –Textoslíricosde: *FernandoPessoa ortónimo –ofingimento poético –adordepensar –anostalgiada infância *Heterónimos AlbertoCaeiro –apoesiadas sensações –apoesiada natureza RicardoReis –oneopaganismo –oEpicurismoeo Estoicismo ÁlvarodeCampos –aVanguardaeo sensacionismo –aabuliaeotédio Funcionamentoda língua –Subordinação –Modalidade –Coesãotextual: lexicalerefencial –Funçõessintáticas –Modalidade Leitura –Identificarcaracterísticasdostextos líricos –Distinguirfactosdesentimentos eopiniões –Descrevereinterpretartextos eimagens –Relacionartextoscomimagens e/ouparatextos –Reconhecerovalorexpressivo eestilísticodapontuação –Reconhecerformasdeargumentação, persuasãoemanipulação Compreensão/expressãooral –Compreenderenunciadosorais –Reconheceraimportânciados elementoslinguísticosenão linguísticosnacomunicaçãooral –Aplicarregrasdeseleçãode informação –Expressarefundamentaropiniões pessoais Expressãoescrita –Aplicarasregrasdatextualidade –Produzirtextosdodomínio transacionaleeducativo –Utilizartécnicasdecomposiçãode diversostipostextuais –Utilizarcorretamenteaortografia eapontuação EstruturaeFuncionamentodalíngua –Refletirsobreofuncionamentoda língua –Aplicarasregrasdefuncionamento dalíngua –Leituraliteráriade textoslíricosde FernandoPessoa Ortónimoe Heterónimos –Preenchimentode esquemas –Respostaa questionáriosde compreensão/ interpretação/ análisedostextos –Audição/ visualizaçãode documentosorais –Produçãodetextos oraiseescritos adequadosa diferentes situaçõesde comunicação –Visionamentode sequênciasfílmicas ededocumentários –Exercícios diversossobre funcionamentoda língua –Observação diretada atenção/ concentração/ participação nasatividades daaula –Compreensão eexpressão escritase orais –Testesde avaliação –Oralidade planificada –Trabalhosde casa –Autoe heteroavaliação Outros Percursos | Guia do Professor6 PropostadePlanificaçãoAnual ESCOLA_______________________________________________________________________________________Anoletivo_________________ 1.oPERÍODO OutrosPercursos… SEQUÊNCIA1 …comFernandoPessoaortónimoeheterónimos *inProgramadePortuguêsdoEnsinoSecundário
  6. 6. 7Planificação anual Períodos/Tempos letivos SequênciasObjetivos*ConteúdosCompetênciasAtividades/EstratégiasAvaliação +-13 blocos (incluíndoa avaliação) (90min.) –Anteciparconteúdosa partirdeindicadores vários –Determinara intencionalidade comunicativa –Adequarodiscursoà situaçãocomunicativa –Utilizardiferentes estratégiasdeleiturae escrita –Reconhecerformasde persuasãoe manipulação –Reconheceradimensão estéticaesimbólicada línguaedaimagem –Identificarafunçãoda imagemrelativamente aotexto –Programaraprodução daescritaedaoralidade observandoasfasesde planificação,execução, avaliação –Produzirtextosde diferentesmatrizes discursivas –Reconhecerváriostipos deargumentos –Contactarcomautores doPatrimónioCultural Português –Textosinformativos diversos –TextosLiterários: •Textosépicose líricos –OsLusíadas, LuísdeCamões –visãoglobal –mitificaçãodoherói –reflexõesdopoeta: críticaseconselhos aosPortugueses –Mensagem, FernandoPessoa –estruturaevalores simbólicos –osebastianismoeo mitodoQuinto Império –relaçãointertextual comOsLusíadas Funcionamentodalíngua –Conectorese marcadores discursivos –Coesãotextual –Recursosestilísticos –Subordinação –Coordenação –Funçõessintáticas –Verbos:tempo,modoe subclasse –Classesdepalavras –Modalidade –Atosdefala –Tiposdesujeito Leitura –Identificarcaracterísticasdos textosépicoselíricos –Distinguirfactosdesentimentos eopiniões –Descrevereinterpretartextose imagens –Relacionartextoscomimagens e/ouparatextos –Reconhecerovalorexpressivoe estilísticodapontuação –Reconhecerformasde argumentação,persuasãoe manipulação Compreensão/expressãooral –Compreenderenunciadosorais –Reconheceraimportânciados elementoslinguísticosenão linguísticosnacomunicaçãooral –Expressarefundamentar opiniõespessoais –Aplicarregrasdeseleçãode informação –Organizarainformação recolhida Expressãoescrita –Aplicarasregrasdatextualidade –Utilizartécnicasdecomposição dediversostipostextuais –Utilizarcorretamenteortografia epontuação EstruturaeFuncionamentoda língua –Refletirsobreofuncionamento dalíngua –Aplicarasregrasde funcionamentodalíngua –Leituraliteráriade: textosépicoselíricos –OsLusíadase MensagemdeLuísde CamõeseFernando Pessoa,respetivamente –Preenchimentode esquemas –Respostaa questionáriosde compreensão/ interpretação/análise dostextos –Audição/visualização dedocumentosorais –Produçãodetextos oraiseescritos expositivos/ argumentativos –Visionamentode sequênciasfílmicas –Realizaçãoorientadade debates –Práticado resumo/síntese –Leituracomparativade textoicónicoeverbal –Exercíciosdiversos sobreconhecimento explícitodalíngua –Observação diretada atenção/ concentração/ participação nasatividades daaula –Compreensão eexpressão escritase orais –Testesde avaliação –Oralidade planificada –Trabalhosde casa –Autoe heteroavaliação 2.oPERÍODO OutrosPercursos… SEQUÊNCIA2 …comOsLusíadaseaMensagem *inProgramadePortuguêsdoEnsinoSecundário
  7. 7. Outros Percursos | Guia do Professor8 Períodos/Tempos letivos SequênciasObjetivos*ConteúdosCompetênciasAtividades/EstratégiasAvaliação +-12 blocos (incluíndoa avaliação) (90min.) –Anteciparconteúdosa partirdeindíciosvários –Determinara intencionalidade comunicativa –Adequarodiscursoà situaçãocomunicativa –Utilizardiferentes estratégiasdeleiturae escrita –Reconhecerformasde persuasãoe manipulação –Reconheceradimensão estéticaesimbólicada línguaedaimagem –Identificarafunçãoda imagemrelativamenteao texto –Programaraprodução daescritaedaoralidade observandoasfasesde planificação,execução, avaliação –Produzirtextosde diferentesmatrizes discursivas –Reconhecerváriostipos deargumentos –Contactarcomautores dopatrimóniocultural Português –Textosexpositivos- -argumentativose críticos –Textosdramáticos –TextosdeTeatro: Felizmenteháluar!de LuísdeSttauMonteiro: •Categoriasdomodo dramático •Intençãopedagógica •Paralelismoentreo passadorepresentado eascondições históricasdosanos60 •Denúnciadaviolência edaopressão •Valoresdaliberdade edopatriotismo •Aspetossimbólicos Funcionamentodalíngua –Funçõessintáticas –Tiposdesujeito –Atosilocutórios –Frasessimplese frasescomplexas –Subordinação –Coesão –Pronominalização –Deíticos –Verbos:modo,tempoe subclasses –Classesdepalavras –Modalidade –Gruposfrásicos –Modosderelatodo discurso Leitura –Identificarcaracterísticasdos textosdramáticos –Identificarelementoscénicoseo seuvalor –Distinguirfactosdesentimentos eopiniões –Descrevereinterpretartextose imagens –Relacionartextoscomimagens e/ouparatextos –Reconhecerovalorexpressivoe estilísticodapontuação –Reconhecerformasde argumentação,persuasãoe manipulação Compreensão/expressãooral –Compreenderenunciadosorais –Reconheceraimportânciados elementoslinguísticosenão linguísticosnacomunicaçãooral –Expressarefundamentar opiniõespessoais –Aplicarregrasdeseleçãode informação –Organizarainformação recolhida Expressãoescrita –Aplicarasregrasdatextualidade –Utilizartécnicasdecomposição dediversostipostextuais –Utilizarcorretamenteortografia epontuação EstruturaeFuncionamentoda língua –Refletirsobreofuncionamento dalíngua –Aplicarasregrasde funcionamentodalíngua –Leituraliteráriade textosdramáticos- Felizmenteháluar!de LuísdeSttauMonteiro –Preenchimentode esquemas –Respostaa questionáriosde compreensão/ interpretação/análise dostextos –Audição/visualização dedocumentosorais –Produçãodetextos oraiseescritosde naturezadiversa –Visionamentode sequênciasfílmicas –Realizaçãoorientadade debates –Práticado resumo/síntese –Leituracomparativade textoicónicoeverbal –Exercíciosdiversos sobrefuncionamento dalíngua –Observação diretada atenção/ concentração/ participação nasatividades daaula –Compreensão eexpressão escritase orais –Testesde avaliação –Oralidade planificada –Trabalhosde casa –Autoe heteroavaliação 2.oPERÍODO(cont.) OutrosPercursos… SEQUÊNCIA3 …comFelizmenteháluar! *inProgramadePortuguêsdoEnsinoSecundário
  8. 8. 9Planificação anual Períodos/Tempos letivos SequênciasObjetivos*ConteúdosCompetênciasAtividades/EstratégiasAvaliação +-13 blocos (incluíndoa avaliação) (90min.) –Anteciparconteúdosa partirdeindíciosvários –Determinara intencionalidade comunicativa –Adequarodiscursoà situaçãocomunicativa –Utilizardiferentes estratégiasdeleiturae escrita –Reconhecerformasde persuasãoe manipulação –Reconheceradimensão estéticaesimbólicada língua,daimagemeda caricatura –Identificarafunçãoda imagemrelativamente aotexto –Programaraprodução daescritaedaoralidade observandoasfasesde planificação,execução, avaliação –Produzirtextosde diferentesmatrizes discursivas –Reconhecerváriostipos deargumentos –Contactarcomautores doPatrimónioCultural Português –Textosexpositivos- -argumentativose críticos –TextosNarrativos– MemorialdoConvento deJoséSaramago •Categoriasdotexto narrativo •Estruturanarrativada obra •Dimensãosimbólicae histórica •Contextoideológicoe sociológico •Visãocrítica •Linguagemeestilo: característicasda prosasaramaguiana Funcionamentodalíngua –Funçõessintáticas –Pontuação –Pronominalização –Atosilocutórios –Frasessimplese frasescomplexas –Subordinação –Coesãoecoerência textual –Verbos:modo,tempoe subclasses –Classesdepalavras –Modalidade –Modosderelatodo discurso –Sinonímia Leitura –Identificarcaracterísticasdos textosnarrativos –Distinguirfactosdesentimentos eopiniões –Descrevereinterpretartextos, imagensecaricaturas –Relacionartextoscomimagens e/ouparatextos –Reconhecerovalorexpressivoe estilísticodapontuação –Reconhecerformasde argumentação,persuasãoe manipulação Compreensão/expressãooral –Compreenderenunciadosorais –Reconheceraimportânciados elementoslinguísticosenão linguísticosnacomunicaçãooral –Expressarefundamentar opiniõespessoais –Aplicarregrasdeseleçãode informação –Organizarainformação recolhida Expressãoescrita –Aplicarasregrasdatextualidade –Utilizartécnicasdecomposição dediversostipostextuais –Utilizarcorretamenteortografia epontuação Funcionamentodalíngua –Refletirsobreofuncionamento dalíngua –Aplicarasregrasde funcionamentodalíngua –Leituraliteráriade textosnarrativos– MemorialdoConvento deJoséSaramago –Preenchimentode esquemas –Respostaaquestionários decompreensão/ interpretação/análise dostextos –Audição/visualização dedocumentosorais –Produçãodetextos oraiseescritosde naturezadiversa –Visionamentode sequênciasfílmicas –Realizaçãoorientadade debates –Práticado resumo/síntese –Leituracomparativade textoicónicoeverbal –Exercíciosdiversos sobrefuncionamento dalíngua –Observação diretada atenção/ concentração/ participação nasatividades daaula –Compreensão eexpressão escritase orais –Testesde avaliação –Oralidade planificada –Trabalhosde casa –Autoe heteroavaliação *inProgramadePortuguêsdoEnsinoSecundário 3.oPERÍODO OutrosPercursos… SEQUÊNCIA4 …comMemorialdoConvento
  9. 9. 2GRELHAS PARA A AVALIAÇÃO
  10. 10. Outros Percursos | Guia do Professor12 GRELHAPARAAVALIAÇÃODAORALIDADEESCOLA________________________________________________ Ano____________Turma____________AnoLetivo___________________ Identificação doaluno Domínios/Áreas Apreciação global N.oNome Pertinênciadotema/ conteúdo/assunto Planificaçãodaexposição Motivação/interação públicoalvo Ritmo/dicção/tom devoz Postura Conteúdo Coerênciadas ideias Expressão gramatical 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 Escala:Insuf.(0-9)Suf.(10-13)Bom(14-17)M.B.(18-20)
  11. 11. 13GRELHAS DE APOIO Identificação doaluno Domínios Avaliação final N.oNomeDicçãoTomdevozArticulaçãodaspalavrasRitmo Respeitopela pontuação/acentuação 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 GRELHAPARAAVALIAÇÃODALEITURAESCOLA________________________________________________ Ano____________Turma____________AnoLetivo___________________ Escala:Insuf.(0-9)Suf.(10-13)Bom(14-17)M.B.(18-20)
  12. 12. Outros Percursos | Guia do Professor14 Identificação doalunoDomíniosAvaliação final N.oNome Conteúdo(30pontos)Forma(20pontos) Apresentaçãodas ideias(10pontos) Pertinênciada informação(10pontos) Coerênciaecoesão textual(10pontos) Estruturaçãodo discurso(8pontos) Variedade/riqueza lexical(6pontos) Correçãolinguística (sintaxe,ortografia, pontuação)(6pontos) 50 pontos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 GRELHAPARAAVALIAÇÃODAEXPRESSÃOESCRITAESCOLA________________________________________________ Ano____________Turma____________AnoLetivo___________________
  13. 13. GrupoIGrupoIIGrupoIII Questões1.2.3.4.SubtotalBSubtotal1234567Subtotal8SubtotalSubtotalTotal CFCFCFCFCFCF Cotações701812305555555351550302050200 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 GRELHAPARAAVALIAÇÃODETESTESDEAVALIAÇÃOESCOLA________________________________________________ Ano____________Turma____________AnoLetivo___________________ 15Grelhas de Apoio
  14. 14. 3TEXTOS COMPLEMENTARES E PROPOSTAS DE RESOLUÇÃO DE ATIVIDADES DO MANUAL
  15. 15. 18 Outros Percursos | Guia do Professor SEQUÊNCIA 1 SEQUÊNCIA 2 Do impacto do futurismo italiano, da sua enorme força, ao mesmo tempo destruidora e construtiva, o que foi recebido, assimilado, no campo literário, em Portugal, o que foi recusado, modificado, transposto? A ques- tão é muito vasta, e não cabe tentar aqui mais do que uma breve perspetivação de alguns aspetos. O futurismo na literatura portuguesa é parte integrante do movimento modernista da geração de Sá-Car- neiro, Pessoa e Almada – da geração que em 1915 se reúne em torno do Orpheu; como escreve Jacinto do Prado Coelho, o modernismo liga-se a uma tendência inovadora autóctone (…), mas é a literatura europeia da vanguarda que lhe dá impulso e inspiração decisivos. Apreendendo desta elementos e características funda- mentais, não deixa contudo de afirmar-se de modo especificamente nacional. (…) Tal como as vanguardas europeias e, de modo muito particular, o futurismo, se rebelam contra a tradição – simbolista, parnasiana, decadentista – também entre nós o modernismo rompe com a tradição simbolista e decadentista e, de um modo especialmente agressivo, com o saudosismo de A Águia. No entanto – o que é uma diferença significativa – o modernismo português revela uma dupla tendência: se por um lado se abre às novas estéticas, mantém por outro lado uma linha a que poderemos chamar decadentista, através da qual se conti- nua a herança do passado. Não há, assim, unidade em nenhuma das revistas da primeira geração modernista, antes coexistem em todas elas duas tendências, na verdade antagónicas. n Portugal Futurista, 3.a edição Facsimilada, (Teolinda Gersão), Lisboa, Contexto Editora, p. xxv FUNCIONAMENTO DA LÍNGUA (pág. 35) 7. Esta reflexão é sobre o poder do ouro, do dinheiro, que transforma em inimigos os amigos, corrompe os mais puros, transforma os reis em tiranos, e, até, os sacerdotes se deixam influenciar pelo seu poder. LEITURA (pág. 127) Mudança de registo Ele nunca fez senão sonhar. Tem sido esse, e esse apenas, o sentido da sua vida. Nunca teve outra preo- cupação verdadeira senão a sua vida interior. As maiores dores da sua vida esbatem-se-me quando, abrindo a janela para dentro de si, pôde esquecer-se na visão do seu movimento. Nunca pretendeu ser senão um sonhador. A quem lhe falou de viver nunca prestou atenção. Pertenceu sempre ao que não está onde está e ao que nunca pôde ser. […] À vida nunca pediu senão que passasse por ele sem que ele a sentisse. Do amor apenas exigiu que nunca deixasse de ser um sonho longínquo. Nas suas próprias paisagens interiores, irreais todas elas, foi sempre o longínquo que o atraiu, e os aquedutos que se es- fumavam – quase na distância das suas paisagens sonhadas, tinham uma doçura de sonho em relação às ou- tras partes da paisagem – uma doçura que fazia com que ele as pudesse amar. A sua mania de criar um mundo falso acompanha-o ainda, e só na morte o abandonará. […] Tem um mundo de amigos dentro dele, com vidas próprias, reais, definidas e imperfeitas. Alguns passam dificuldades, outros têm uma vida boémia, pitoresca e humilde. Há outros que são caixei- ros-viajantes (poder sonhar-se caixeiro-viajante foi sempre uma das suas grandes ambições – irrealizável in- felizmente!). Outros moram em aldeias e vilas lá para as fronteiras de um Portugal dentro de si; vêm à cidade, onde por acaso os encontra e reconhece, abrindo-lhes os braços numa atracção… E quando sonha isto, pas- seando no seu quarto, falando alto, gesticulando… quando sonha isto, e se visiono encontrando-os, todo ele se alegra, se realiza, se pula, brilham-lhe os olhos, abre os braços e tem uma felicidade enorme, real. ESCRITA (pág. 55)
  16. 16. 19Documentos de apoio às atividades do manual 1.1. A afirmação anterior refere-se ao poema pessoano "D. Dinis". 1.2. Em ambos os textos se faz referência à atividade literária de D. Dinis: no poema pessoano através da refer- ência ao cantar de amigo, no camoniano pelo destaque dado ao ofício de Minerva. Todavia, só na estân- cia 96 de Camões se refere a atividade legislativa do rei. 1.3. As constituições e as leis da responsabilidade do monarca. 1.4. “Fez primeiro em Coimbra exercitar-se/O valeroso ofício de Minerva”. 1.5. Afonso IV é apresentado como pouco obediente, embora fosse forte e excelente (ver dois últimos ver- sos da estância 97). INTERTEXTUALIDADE (pág. 151) 6. Há 3 estrofes com 9 versos (múltiplo de 3), o último verso de cada estrofe tem 6 sílabas métricas, além disso, o monstro roda 3 vezes e o homem do leme ergue 3 vezes as mãos do leme e 3 vezes as repreende. 7. O discurso final do homem do leme ocupa 6 versos que, para além de sugerir a determinação crescente, se associa ao misticismo, dado tratar-se de um múltiplo de 3. LEITURA (pág. 157) 1. a) “Ó mar anterior a nós” – vocativo; “teus medos” – sujeito; “coral e praias e arvoredos” – complemento directo. b) “O sonho” – sujeito; “ver as formas invisíveis” – predicativo do sujeito. 2. “Quando a nau se aproxima” – subordinada adverbial temporal; “ergue-se a encosta” – subordinante. FUNCIONAMENTO DA LÍNGUA (pág. 155) 1.1. A. Estâncias 6/7/8. É feita uma caracterização do rei - jovem, ainda, mas garante da independência e esperança da continua- ção, e do alargamento, do reino e da fé, por vontade de Deus. B. 1.a estrofe – referência à “loucura”, ao desejo de grandeza; à vontade de cumprir um sonho, ainda que com perda da própria vida: o rei foi em busca da tarefa que Deus lhe confiou e perdeu a vida. Embora Pessoa evoque o mito Sebastianista, nesta primeira parte, D. Sebastião é a última figura histórica a ser referida, simbolizando o esforço e o heroísmo. INTERTEXTUALIDADE (pág. 153) ORALIDADE – COMPREENSÃO SEQUÊNCIA 3 O autor e a obra (pág. 175) Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro nasceu no dia 03/04/1926 em Lisboa e faleceu no dia 23/07/1993 na mesma cidade. Partiu para Londres com dez anos de idade, acompanhando o pai que exercia as funções de embaixador de Portugal. Regressa a Portugal em 1943, no momento em que o pai é demitido do cargo por
  17. 17. 20 Outros Percursos | Guia do Professor “Exílio”, cantado por Luís Cília e da autoria de Manuel Alegre Venho dizer-vos que não tenho medo A verdade é mais forte do que as algemas, Venho dizer-vos que não há degredo Quando se traz a alma cheia de poemas. Pode ser uma ilha ou uma prisão Em qualquer lado eu estou presente, Tomo o navio da canção E vou direto ao coração de toda a gente. ORALIDADE (pág. 197) Texto complementar – A lenda do General sem Medo Nenhum nome simboliza tanto a oposição a Salazar como o de Humberto Delgado. A «cavalgada fantástica» foi há meio século. Nascido em 1906, Delgado fora de início um entusiasta do regime salazarista, tornando-se gradualmente crítico. Afastado para a aeronáutica civil, foi um dos fundadores da TAP. Colocado nos EUA entre 1952 e 1957, como chefe da missão militar portuguesa em Washington, contactou aí com o dia a dia de um país regido por instituições democráticas e teve a ideia simples mas impensável de transportar esse modelo para Portugal. Já numa atitude de confronto com o regime, quando vinha de licença visitava na cadeia Henrique Galvão, outro militar que transitara para a oposição. Regressado do seu posto americano, Delgado apresentou-se como candidato independente às presiden- ciais de 1958, em despique com o almirante Américo Tomás, designado pelo ditador para «render» Craveiro Lopes, que entrara em linha de colisão com certas facetas da ditadura. E eis que abanou a massa aparente- mente amorfa dos portugueses quando, a 10 de maio, em Lisboa, na conferência de imprensa do Café Chave d’Ouro, respondeu a um jornalista francês que lhe perguntava o que faria ao Presidente do Conselho se fosse eleito: «Obviamente, demito-o». Depois desta promessa firme, seria ingenuidade pensar na vitória num país em que a imprensa era censu- rada e a oposição não tinha voz – sem máquina política ao seu dispor, sem boletins de voto (os eleitores tinham de obtê-los, pois não estavam à disposição nas mesas), sem garantias de isenção na contagem dos sufrágios, com a PIDE e as outras polícias a persegui-lo e a reprimir os apoiantes. Mas foi como se Portugal inteiro perdesse o medo. Nessa campanha eleitoral de um mês, Delgado per- correu o País e em toda a parte era acolhido em delírio. Ficou célebre a receção no Porto, a 15 de maio, por uma multidão de 200 mil pessoas que enchia toda a Baixa. No regresso a Lisboa era aguardado por muitos milha- res em Santa Apolónia, mas a intervenção policial impediu que a receção se transformasse numa grande ma- nifestação. O mesmo viria a suceder dois dias depois, junto ao Liceu Camões. n Visão, 5 de junho de 2008 Salazar. Licenciou-se em Direito em Lisboa, exercendo a advocacia por pouco tempo. Parte novamente para Londres, tornando-se condutor de Fórmula 2. Regressa a Portugal e colabora em várias publicações, desta- cando-se a revista Almanaque e o suplemento "A Mosca" do Diário de Lisboa, e cria a secção Guidinha no mesmo jornal. Em 1961, publicou a peça de teatro Felizmente Há Luar, distinguida com o Grande Prémio de Teatro, tendo sido proibida pela censura a sua representação. Só viria a ser representada em 1978 no Teatro Nacional. Foram vendidos 160 mil exemplares da peça, resultando num êxito estrondoso. Foi preso em 1967 pela Pide após a publicação das peças de teatro A Guerra Santa e A Estátua, sátiras que criticavam a ditadura e a guerra colonial. Em 1971, com Artur Ramos, adaptou ao teatro o romance de Eça de Queirós A Relíquia, re- presentada no Teatro Maria Matos. Escreveu o romance inédito Agarra o Verão, Guida, Agarra o Verão, adap- tada como novela televisiva em 1982 com o título Chuva na Areia. n http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/sttau.htm
  18. 18. A obra inicia com os populares pelo chão e andrajosamente vestidos, ganhando destaque Manuel, o qual caracteriza na sua intervenção a situação política e social do país. Na conversa entre os populares surge o general como potencial libertador e transformador da situação. Mas, enquanto o Antigo Soldado o elogia, Vicente chama os presentes à razão, fazendo-lhes ver que os ricos des- prezam os pobres. Todavia, este é interrompido pelos polícias que trazem ordem de o levar à presença do go- vernador, sabendo-se que fora D. Miguel quem o quis ajudar em troca da vigilância da casa de Gomes Freire. Entretanto, mais dois denunciantes surgem com o objetivo de colaborarem com os governadores na pri- são do chefe da conjura e, rapidamente, os três delatores avançam com o nome do general Gomes Freire de Andrade que, convindo aos governadores, vai ser preso em S. Julião da Barra. O acto II inicia com a confirmação da prisão do general e nele assiste-se às diligências de Matilde para li- bertar e poupar a vida do companheiro, dirigindo-se a Beresford, a D. Miguel, que não a recebe, chamando- lhe amante de traidores, e, finalmente, esta dirige-se ao principal Sousa. Depois de movidos todos os esforços, Matilde acaba por se convencer da incapacidade de alterar a situa- ção e, já consciente do perigo que Gomes Freire representava para os governadores, vai vestir a sua saia verde, comprada em Paris com a venda de duas medalhas, para assistir, conjuntamente com Sousa Falcão, amigo de ambos, à morte do homem que todos admiravam mas que ninguém conseguiu libertar. (255 palavras) 21Documentos de apoio às atividades do manual ORALIDADE (pág. 212) ESCRITA (pág. 211) Datas 1889 Acontecimentos Nascimento de Salazar a 28 de abril na aldeia do Vimieiro 1899 Realização do exame de instrução primária 1900 Ingresso no seminário 1910 Inscrição no curso de direito na Universidade de Coimbra 1916 Desempenho da atividade de professor na UC 1917 Obtenção do grau de doutor em direito pela faculdade de Coimbra 1921 Eleição como deputado pelo Centro Católico 1926 Controlo do país por parte dos militares que convidam Salazar a integrar o governo 1928 Convite de Vicente de Freitas a Salazar para que este assuma o cargo de ministro das finanças 1936 Explosão do conflito em Espanha e apoio de Salazar a Franco 1939 Franco vence a guerra civil espanhola 1940 Auge do poder da Alemanha nazi e neutralidade de Portugal e de Espanha 1952 Presença de Humberto Delgado em Lisboa 1954 Eclosão do movimento anticolonial 1958 Decurso de eleições presidenciais 1959 Golpe da Sé 1966 Inauguração da Ponte de Salazar 1968 Acidente vascular cerebral atinge Salazar e afasta-o do poder. Marcelo Caetano assume o cargo de presidente do Conselho. 1970 Morte de António de Oliveira Salazar 1974 Eclosão da revolução que põe fim ao regime totalitário
  19. 19. 22 Outros Percursos | Guia do Professor ORALIDADE (pág. 237) SEQUÊNCIA 4 o que facilitou o desenvolvimento da monarquia absoluta, nunca tendo reunido as cortes. D. João V, o rei magnânimo, impulsionou as artes Promoveu, ainda, Mobiliário; Arquitetura; Ourivesaria; Convento de Mafra; Aqueduto das águas livres beneficiou, economicamente, da vinda do ouro do Brasil, o que lhe permitiu desenvolver a arquitetura e a economia com a construção de: igrejas, capelas, palácios e mansões mas também manufatura e navios, incrementando a estética barroca. Segundo Isabel Alçada, o rei aproveitou a riqueza que ia chegando do Brasil para investir em obras que ficaram até aos nossos dias. na corte, o desenvolvimento da literatura e da música. no reino, o desenvolvimento de áreas como o ensino, a literatura e a cirurgia.
  20. 20. 4PROPOSTAS DE CORREÇÃO DOS TESTES DE AVALIAÇÃO FORMATIVA (MANUAL)
  21. 21. GRUPO I A 1. Na primeira estrofe regista-se que “Cai chuva. É noite. Uma pequena brisa, / Substitui o calor” e salienta-se o facto de o “luzir” ser melhor para alcançar alguma felici- dade. Contudo, ao longo das restantes estrofes, a reflexão do sujeito poético sobre a vida, e a sua em particular, vai- se desenvolvendo, ao ponto de na última se observar já uma mudança no tempo climatérico, registando-se que a “pequena brisa” dera lugar a uma noite fria e ao crescendo da chuva, tal como se verifica em “E a chuva cresce / Na noite agora fria”. 2. A vida, para o “eu poético”, é um espaço onde o sonho se impõe e fá-lo ter dó de si mesmo. O modo como o “eu” perceciona a vida é depois explicitado nas estrofes se- guintes, utilizando um conjunto de adjetivos que fazem antever a sua inutilidade, atendendo a que a considera “extensa, leve, inútil passageira” que lhe faculta apenas a “ilusão do sonho” onde a sua “vida jaz”. Afirma ainda que é um “Barco indelével pelo espaço da alma”, que não lhe dá a tão desejada calma e lhe dificulta uma verdadeira vi- vência. 3. Os versos que ilustram a impossibilidade de o sujeito poético atingir a calma situam-se na penúltima estrofe, mais precisamente nos dois últimos versos (“Da eterna ausência da ansiada calma, /Final do inútil bem.”), onde reconhece desejar a tal calma que acaba por se transfor- mar num “inútil bem”, uma vez que esse desejo não chega a concretizar-se. 4. Entre os vários recursos estilísticos presentes no texto, pode destacar-se a adjetivação expressiva, usada para caracterizar o modo como o sujeito poético vê a vida, re- correndo à adjetivação múltipla na terceira estrofe (“Ex- tensa, leve, inútil”), antepondo-a ao nome a que se reporta, sugerindo a sua valorização e preocupação principais. Uma outra figura presente é a metáfora, por exemplo, em “Barco indelével pelo espaço da alma”, destacando o modo como o “eu lírico” perceciona e encara a vida. B A afirmação de João Gaspar Simões releva a natureza in- telectual de Fernando Pessoa, aquele que perpetuamente submeteu a emoção à razão. Com efeito, o poeta expressa várias dicotomias em mui- tos dos seus poemas e as palavras do autor supracitado remetem para as dualidades que mais se evidenciam na poe- sia do ortónimo. Veja-se, por exemplo, o poema “Autopsico- grafia” que explicita a teoria da sinceridade/fingimento, ou seja, o sentir e o “inteligir” respetivamente referidos. O mesmo se passa em “Isto”, poema onde o sujeito poético afirma sentir com a imaginação, não usando o coração, afir- mações que confirmam a supremacia da inteligência refe- rida por Gaspar Simões. No fundo, e perante a sistemática apologia do pensar, pode concluir-se que as palavras da citação caracterizam na perfeição a natureza intelectual deste poeta português. (128 palavras) GRUPO II 1.1 C; 1.2 D; 1.3 C; 1.4 A; 1.5 C; 1.6 A; 1.7 C. 2. 2.1 O grupo “manobras de guerra” desempenha a função sin- tática de complemento oblíquo. 2.2 Trata-se de uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva. 2.3 O antecedente do pronome pessoal “o” é o “exército de Welligton”. GRUPO III O texto produzido é avaliado mediante: – a obediência às instruções dadas; – a correção escrita (ortografia, sintaxe, pontuação, sele- ção vocabular e coerência na articulação dos parágrafos); – o cumprimento do limite de palavras. SEQUÊNCIA 1 – Fernando Pessoa ortónimo Outros Percursos | Guia do Professor24
  22. 22. GRUPO I A 1. O desejo de o sujeito poético endoidecer deveras pren- de-se com o seu estado de alma: uma angústia, que, nas suas palavras, o domina há muito tempo (“Esta velha an- gústia”/ “esta angústia que trago há séculos em mim”) e que o atormenta, que o invade como se lhe “amachu- casse” a alma (“a fazer-me pregas na alma”) e que quase o impede de viver (“mal sei como conduzir-me na vida”). Esta angústia enraíza-se ainda na consciência da loucura (“lúcido e louco”). 2. A indefinição de sentimentos do “eu lírico” é visível na segunda estrofe e pode comprovar-se através das hesi- tações expressas nas frases inacabadas (“é este estar entre, / Este quase, / Este poder ser que...,”), nas repeti- ções do anafórico “este” e no pronome “isto”, revelando a dúvida, a impaciência, mas também a impossibilidade de nomear o que sente ou lhe vai na alma. Esta indefini- ção pode, ainda, ser comprovada nos oxímoros da ter- ceira estrofe (“lúcido e louco”, “alheio a tudo e igual a todos”), ou no conclusivo “estou assim…”, revelador da dolência do sujeito poético. 3. As interrogações da quarta estrofe pretendem estabele- cer uma oposição entre o passado e o presente. O “eu”, dirigindo-se à “velha casa” da sua infância, opõe a alegria e a felicidade do passado, condensadas no adjetivo “pro- vinciano”, ao desassossego e à loucura do adulto em que se tornou. Revelam ainda que, apesar de um certo des- conhecimento de si próprio, tem consciência das dife- renças entre o ser que é e o ser que foi outrora. 4. Essa ânsia do sujeito poético é a única esperança para a dor e o desespero que o angustiam e que inundam e des- troem o seu fragilizado coração (“Estala, coração de vidro pintado!”). A consciência que tem de si leva-o a desejar a crença numa força qualquer que lhe pudesse atenuar o sofrimento, ainda que fosse, “um manipanso qualquer”. B A obra sensacionista do “mestre” baseia-se na ideia de que a realidade é diferente a cada instante e que, por isso mesmo, só o presente importa. Nesta perspetiva, privilegia o que pode ver ou ouvir, pois estes sentidos permitem-lhe não só a perceção da realidade objetiva, sem necessitar de explicações intelectuais ou me- tafísicas, mas também uma plena comunhão com ela. Tendo consciência de que “pensar é estar doente dos olhos”, recusa o pensamento e a ideia de refletir sobre as coisas para lhe desvendar um sentido oculto, afirmando mesmo “eu não tenho filosofia: tenho sentidos”. Segundo ele, a Natureza não foi feita para se pensar, pois o pensamento deturpa a realidade e é necessário manter “o pasmo essencial”. (120 palavras) GRUPO II 1. 1.1 d); 1.2 b); 1.3 k); 1.4 a); 1.5 f). 2. 2.1 Transitivo direto e indireto; 2.2 “a autora de ‘O misterioso caso de Styles’”, sujeito simples; 2.3 Descreve à mãe os locais exóticos; 2.4 Referencial; 2.5 “Porém, Mathew Prichard, filho de Rosalind, realça tam- bém…” GRUPO III O texto produzido é avaliado mediante: – a obediência às instruções dadas; – a correção escrita (ortografia, sintaxe, pontuação, seleção vocabular e coerência na articulação dos parágrafos); – o cumprimento do limite de palavras. SEQUÊNCIA 1 – Fernando Pessoa – Heterónimos Propostas de Correção dos testes de Avaliação Formativa 25
  23. 23. 26 Outros Percursos | Guia do Professor GRUPO I A 1. O caráter apelativo destas estâncias verifica-se na utili- zação de tempos verbais no imperativo (“olhai”, “favore- cei”, “tende”, “fazei” e “tomai”), que originam frases imperativas, características da função apelativa da lin- guagem. Observa-se, ainda, a existência clara de um re- cetor, por exemplo no primeiro verso das estâncias 148 e 152. 2. O recetor da mensagem do poeta é o Rei D. Sebastião, contemporâneo do poeta e da publicação da obra e a quem ela foi dedicada. São para ele, também, as palavras finais do canto X, que constituem uma exortação. 3. Segundo as palavras do poeta, os lusitanos são bravos, encaram todos os desafios de frente e de forma alegre. Não recuam perante os perigos. Afirma ainda que são ex- perientes e obedecem ao seu rei. Podem comprovar-se estas afirmações através das expressões: “Olhai que ledos vão / Quais rompentes leões e bravos touros, / Dando os corpos a fomes e vigias, / A ferro, a fogo, a setas e pilouros,”; “Por vos servir, a tudo aparelhados; De vós tão longe, sempre obedientes”. 4. A repetição anafórica presente nos versos 4 a 8 tem como função enfatizar e destacar a enumeração dos di- ferentes perigos a que os portugueses foram sujeitos, realçando a quantidade e a intensidade. 5. O poeta aconselha o rei a olhar atentamente para os Por- tugueses, a beneficiá-los com a sua bondade, a protegê- -los de duras leis, a admirá-los e a louvar os seus nomes: “Favorecei-os logo, e alegrai-os / Com a presença e leda humanidade; / De rigorosas leis desaliviai-os”;” Todos favorecei em seus ofícios, / Segundo tem das vidas o talento;”; “Os Cavaleiros tende em muita estima,”. B Em Os Lusíadas, Camões, servindo-se da voz de Vasco da Gama, entre outras, relata diversos momentos da Histó- ria nacional, os seus protagonistas e as repercussões que tiveram. Contudo, a par da grandiosidade épica destes relatos, o poeta recorre a entidades simbólicas que protagonizam acontecimentos reveladores da transcendência e imortali- dade dos lusitanos. Este aspeto é visível no episódio do Ada- mastor, que personifica os medos e os riscos a que os portugueses se expuseram, aventurando-se pelo “salso ar- gento”, valorizando as suas qualidades e génio. Poderá re- ferir-se também a figura de Baco que tenta impedir os portugueses de concretizar os seus intentos. Na realidade, são vários os episódios que atestam a su- perioridade humana, sobrepondo-se mesmo à dos deuses. (124 palavras) GRUPO II 1.1 B; 1.2 B; 1.3 A; 1.4 D; 1.5 C; 1.6 B; 1.7 A 2.1 Complemento direto. 2.2 Conjunção completiva. 2.3 Modalidade epistémica, com valor de certeza. GRUPO III O texto produzido é avaliado mediante: – a obediência às instruções dadas; – a correção escrita (ortografia, sintaxe, pontuação, seleção vocabular e coerência na articulação dos parágrafos); – o cumprimento do limite de palavras. SEQUÊNCIA 2 – Os Lusíadas
  24. 24. Propostas de Correção dos testes de Avaliação Formativa 27 GRUPO I A 1. O poema tem como tema o apelo ao Mestre da Paz, para que venha reerguer a pátria e desenvolve-se de forma li- near, dado que a primeira estrofe funciona como introdu- ção, onde se endereça o pedido àquele que no momento jaz adormecido, inconsciente, ainda, do destino que lhe está reservado. Na segunda estrofe, o apelo continua e co- meçam a desvendar-se as razões que lhe estão subjacen- tes: a pátria espera que “ele” a venha erguer, isto é, o povo sofredor exige dele a “suprema prova”, que o fará atingir a “Eucaristia Nova”, ou seja, a glória de outrora, a projeção da nação. Na última estrofe, a exortação ao “Mestre da Paz” prossegue, mas aqui é percetível a recompensa re- servada ao “Galaaz” que usou a espada ungida, cuja “luz” permitirá à nação revelar-se. 2. O tom exortativo estende-se por todo o poema, tradu- zindo a angústia e a aflição do sujeito poético que, atra- vés das apóstrofes e do imperativo, reclama a presença do predestinado (D. Sebastião), de modo a que a glória do povo português possa ser restabelecida e a nação saia do estado de inércia em que se encontra. 3. O apelo é sucessivamente feito a alguém que jaz “re- moto” no “fundo do não-ser” e que vai, aos poucos, ser desvendado, ainda que metaforicamente, como sendo um “Galaaz com pátria”, o “Mestre da Paz”, caracterizado, primeiro, como alguém que foi esquecido, que deixou de ser, mas que ainda tem pátria e que, por isso, deve pre- parar-se para o seu “novo fado” – o de ultrapassar a su- prema prova. Para isso, pode contar com o “gládio ungido”, que na sua mão funcionará como “Luz” para o “mundo dividido”. Parece pois possível antever-se, neste Galaaz, a figura lendária de D. Sebastião, desaparecido em Alcácer-Quibir. 4. O apelo resulta não só do estado decadente da nação mas também porque o povo português continuava a depositar a sua fé, a sua esperança, em D. Sebastião, vendo nele o salvador, o redentor da pátria adormecida, apenas en- volta em glórias antigas, que urgia recuperar. B Nos poemas da terceira parte sobressai um tom melancó- lico que se deve ao estado em que se encontrava a nação portuguesa, envolta no marasmo e na estagnação, necessi- tando de se reconfortar em mitos como o do sebastianismo e o do Quinto Império. Em alguns textos, o rei desaparecido, mesmo que apelidado de Encoberto, é visto como o guia, aquele que será capaz de revitalizar a força espiritual dos portugueses, de modo a que a chama, que se ateara no tempo das descobertas, fosse no- vamente avivada, fazendo Portugal recuperar a fama outrora alcançada, através da construção do “Quinto Império”, que seria superior ao anterior, porque pertenceria ao domínio cultural e espiritual. Sendo assim, é fácil perceber-se o tom ora triste ora exor- tativo que percorre os textos da terceira parte da Mensagem. (128 palavras). GRUPO II 1.1 B; 1.2 A; 1.3 D; 1.4 C; 1.5 B; 1.6 C; 1.7 A 2.1 Ato ilocutório expressivo. 2.2 Oração subordinada adjetiva relativa restritiva. 2.3 Futuro do indicativo, conjugado pronominalmente. GRUPO III O texto produzido é avaliado mediante: – a obediência às instruções dadas; – a correção escrita (ortografia, sintaxe, pontuação, seleção vocabular e coerência na articulação dos parágrafos); – o cumprimento do limite de palavras. SEQUÊNCIA 2 – Mensagem
  25. 25. Outros Percursos | Guia do Professor28 GRUPO I A 1. Insere-se no ato I, depois de Vicente ter sido chamado pelos dois polícias à presença de D. Miguel e ser incum- bido de vigiar a casa de Gomes Freire de Andrade. 2. Vicente vai assumir o papel de delator a troco da sua as- censão social, atitude criticável, uma vez que será capaz de trair os da sua classe e abdicar dos seus próprios ideais por dinheiro ou outras razões materiais. 3. O principal Sousa pretende dizer que Vicente deverá in- formá-los acerca de todos aqueles que contestam o poder instituído (as tais ovelhas tresmalhadas, as que fogem do rebanho) e que buscam um novo modelo so- cial, onde o rei e a igreja não assumem a supremacia. 4. Vicente afirma que a atitude que vai tomar não pode ser lida como sinónimo de traição mas antes como amor à Pátria. Além disso, o facto de ser apoiado pelo represen- tante da Igreja vem confirmar o seu papel de auxiliador do rei, da pátria e do clero. B Gomes Freire de Andrade pode ser considerado o prota- gonista porque, embora nunca apareça fisicamente, é evo- cado por personagens pertencentes a grupos sociais distintos. Na realidade, o general é evocado quer pelos governado- res quer pelos populares, apesar de o elogio surgir funda- mentalmente no grupo dos mais desfavorecidos e em particular pela boca do Antigo Soldado, de Manuel e dos po- pulares, ou seja, todos aqueles que viam nele a hipótese de uma viragem política. Por outro lado, os regentes reconhe- cem o seu prestígio e, como tal, veem nele uma ameaça ao poder que detinham, restando-lhes apenas a hipótese de o silenciar para o poderem preservar. Odiado por uns e idolatrado por outros, a verdade é que ambas as atitudes confirmam a superioridade de Gomes Freire de Andrade. (125 palavras) GRUPO II 1.1 C; 1.2 B; 1.3 D; 1.4 A; 1.5 C; 1.6 D; 1.7 A 2.1 Complemento indireto. 2.2 Modalidade epistémica com valor de certeza. 2.3 “que estalava por vezes as traves da minha cabeça.” - subordinada adjetiva relativa restritiva. GRUPO III O texto produzido é avaliado mediante: – a obediência às instruções dadas; – a correção escrita (ortografia, sintaxe, pontuação, seleção vocabular e coerência na articulação dos parágrafos); – o cumprimento do limite de palavras. SEQUÊNCIA 3 – Felizmente há luar!
  26. 26. 29Propostas de Correção dos testes de Avaliação Formativa GRUPO I A 1.1 A ação narrada neste excerto decorre na abegoaria, quando Padre Bartolomeu leva Scarlatti a S. Sebastião da Pedreira para lhe mostrar a construção da passarola. Este momento vai ter repercussões no desenrolar da nar- rativa, uma vez que a amizade que vai unir o músico, a vi- dente e o ex-soldado vai possibilitar, quando Blimunda adoece após a recolha de vontades, a Scarlatti e à sua música, a recuperação da vidente. 1.2 Padre Bartolomeu afirma, sem o dizer claramente, que havia descoberto o modo de fazer elevar a passarola (as vontades humanas), mas que para a busca, a recolha e a preservação das vontades seriam necessários o esforço e a união dos três. 1.3 Ao afirmar que Blimunda era a parte não terrenal da tríade, considerando-a o espírito, isto é, a alma, o padre Bartolomeu refere-se à sua capacidade de “ver por den- tro”, descobrindo no interior humano a sua verdadeira essência. Ela é a única que poderá ver o bem e o mal, o certo e o errado, o puro e o podre. 1.4 Baltasar revela alguma rispidez, aspeto que se relaciona com o seu estatuto social e força física, podendo todavia, percecionar-se também uma pontinha de ciúme, no en- tanto, demonstra frontidão ao encetar o trabalho que lhe foi incumbido. 1.5 A música do maestro italiano é um “aliado” de Baltasar e de Blimunda na construção da passarola, uma vez que, com a concordância de todos, Scarlatti passou a visitar regularmente a abegoaria e tocava o cravo enquanto a vidente e o antigo soldado trabalhavam. Em segundo lugar, ao contribuir para a recuperação de Blimunda, ga- rante o voo da passarola. Assim, quer a música quer a passarola são vistas como reflexos da determinação do Homem e símbolos de harmonia, sonho e evasão. B Por um lado, a rainha mostra-se submissa, sem querer nem poder. É retratada ironicamente e a sua única função é procriar. Espera pacientemente, num casamento sem amor, um encontro pré-marcado com o rei. Vive uma extrema de- voção, sem se questionar, o que a obriga a rezar após os en- contros amorosos ou a penitenciar-se pelas fantasias com D. Francisco. Opostamente, surge Blimunda, cujos olhos mostram as verdades do espírito e do corpo. Com Baltasar vive um amor intenso e sensual, livre de amarras. A ela cabe uma parte importante na construção da passarola – recolher as vonta- des – e algumas reflexões filosóficas, por exemplo, sobre religião, quando a vidente se interroga, desiludindo-se, com o interior da hóstia, mostrando-se uma mulher inteligente. Assim, opõem-se passividade e indiferença a sensuali- dade e perfeição. (130 palavras). GRUPO II 1.1 B; 1.2 C; 1.3 B; 1.4 A; 1.5 D; 2.1 Inserção numa oração subordinada adverbial causal e forma negativa. 2.2 Nulo subentendido. 2.3 Vendo-o – coesão referencial; concentrado no – coesão frásica; e julgando – coesão interfrásica. 2.4 Predicativo do sujeito. 2.5 Modalidade epistémica, com valor de possibilidade. GRUPO III O texto produzido é avaliado mediante: – a obediência às instruções dadas; – a correção escrita (ortografia, sintaxe, pontuação, seleção vocabular e coerência na articulação dos parágrafos); – o cumprimento do limite de palavras. SEQUÊNCIA 4 – Memorial do Convento
  27. 27. 5TESTES DE AVALIAÇÃO
  28. 28. Outros Percursos | Guia do Professor32 GRUPO I A Lê atentamente o texto que se segue. Chove. Que fiz eu da vida? Fiz o que ela fez de mim… De pensada, mal vivida… Triste de quem é assim! Numa angústia sem remédio Tenho febre na alma, e, ao ser, Tenho saudade, entre o tédio, Só do que nunca quis ter… Quem eu pudera ter sido, Que é dele? Entre ódios pequenos De mim, ‘stou de mim partido. Se ao menos chovesse menos! n Fernando Pessoa Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem. 1. Regista três traços caracterizadores do “eu”, fundamentando-te no texto. 2. Explicita a relação de sentido entre o tempo meteorológico e o estado emocional do sujeito poético. 3. Identifica uma expressão textual que aponte para a fragmentação do “eu”, explicando o seu sentido. 4. Comprova a natureza circular do poema. B Num texto entre 80 a 130 palavras, e apoiando-te nos conhecimentos que possuis da obra poética pessoana, comenta a afirmação que se segue. GRUPO II A tradicional empatia da nossa inteligência para com a França vem a ter um inesperado auxiliar com as alterações políticas decorrentes da ditadura de João Franco. Entre os exilados por força das suas atividades revolucionárias conta-se Aquilino Ribeiro (1885-1963), jovem publicista que é acolhido como correspon- dente parisiense da revista Ilustração Portuguesa. Aí dá conta, em alguns artigos, das primeiras exposições do cubismo de Picasso e de Braque, bem como do choque provocado por essas manifestações estéticas. A nostalgia da infância é um dos temas mais tocantes da poesia de Pessoa ortónimo, que recorda o tempo em que era feliz sem saber que o era. 5 10 5 SEQUÊNCIA 1 Nome ____________________________________________________________ Turma __________ Data __________ TESTE DE AVALIAÇÃO 1
  29. 29. Se a pintura era então o campo em que mais visivelmente se evidenciava a rutura com os modelos tra- dicionais de expressão artística, a situação alterar-se-á com o aparecimento do futurismo, cujo manifesto de fundação é publicado no jornal Le Figaro de 20 de fevereiro de 1909. Promovido por F. T. Marinetti, italiano de origem egípcia, residindo em Milão, e que em breve se tornará um globe-trotter do movi- mento, o manifesto apela a favor de uma arte em consonância com o século XX, a época da eletricidade e do automóvel, cortando de vez com o espírito crepuscular e decadente do simbolismo e recusando-se a olhar para o passado, como pretendem as academias. O manifesto de Marinetti é publicado em 1909 no Diário dos Açores, sem consequências imediatas. No entanto, a colaboração de Marinetti no Mercure de France, revista conhecida em Portugal, e os con- tactos que ele mantém com a Península através da sua revista Poesia (1905-1909) tornam o seu nome familiar nos nossos meios literários. n Nuno Júdice, Viagem Por Um Século de Literatura Portuguesa, Lisboa, Relógio D’Água Editores, 1997, pp. 44-45 (adaptado) 1. Seleciona a alínea correta, de acordo com as informações textuais. 1.1. Aquilino Ribeiro desenvolveu atividades na revista Ilustração Portuguesa, em França, a) em virtude do seu espírito revolucionário. b) em consequência do seu exílio por motivos pessoais. c) pelo facto de ter sido publicista. d) em consequência do seu exílio, motivado pelo seu espírito irreverente e pelo regime ditatorial de João Franco. 1.2. Começaram a surgir novas manifestações estéticas, tais como: a) o cubismo na arte arquitetónica. b) o futurismo a marcar o corte com a tradição. c) o futurismo, difundido num manifesto de Picasso e Braque. d) uma arte que cantava a época da eletricidade e do automóvel. 2. Atenta na seguinte frase retirada do texto. Aí dá conta, em alguns artigos, das primeiras exposições do cubismo de Picasso e de Braque, bem como do choque provocado por essas manifestações estéticas. (ll. 4-5) 2.1. Identifica o tipo de coesão que se verifica em cada um dos casos assinalados a cores diferen- tes. 3. Há situações em que a mesma palavra, em contextos diferentes, pode ser um anafórico ou um deítico. 3.1. Redige duas frases em que tal se verifique. 3.2. Explicita a diferença entre as duas ocorrências. 3.3. Refere se na frase dada em 2. ocorre a situação apresentada. GRUPO III Partindo da afirmação, redige uma reflexão, entre 200 e 300 palavras, sobre a importância da arte e suas manifestações para a afirmação da cultura de um país. Para fundamentares o teu ponto de vista, recorre a dois argumentos, ilustrando cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. As manifestações artísticas são a expressão cultural de uma nação. 33Testes de avaliação 10 15
  30. 30. Outros Percursos | Guia do Professor34 GRUPO I A Lê atentamente o texto que se segue. O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. O Tejo tem grande navios E navega nele ainda, Para aqueles que veem em tudo o que lá não está, A memória das naus. O Tejo desce de Espanha E o Tejo entra no mar em Portugal. Toda a gente sabe isso. Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia E para onde ele vai E donde ele vem. E por isso, porque pertence a menos gente, É mais livre e maior o rio da minha aldeia. Pelo Tejo vai-se para o Mundo. Para além do Tejo há a América E a fortuna daqueles que a encontram. Ninguém nunca pensou no que há para além Do rio da minha aldeia. O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. Quem está ao pé dele está só ao pé dele. n Alberto Caeiro Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem. 1. Propõe uma possível explicação para o facto de um dos rios ser nomeado e o outro não. 2. Explicita as diferenças entre os dois rios referenciados. 3. Comenta o verso 6: “Para aqueles que veem em tudo o que lá não está.” 4. Identifica, no texto apresentado, três características da poesia do heterónimo Alberto Caeiro. B Em Dicionário de Literatura pode ler-se: “ (…) Ricardo Reis (…) segue Caeiro no amor da vida rústica, junto da Natureza; mas enquanto o mes- tre, menos culto e complicado, é um homem franco, alegre, Reis é um ressentido, que severamente se molda a si mesmo; sofre por se saber efémero, (…) aflige-o a imagem antecipada da Morte, conhece a dureza do Fatum; por isso busca o refúgio dum epicurismo temperado de estoicismo (…).” n Jacinto do Prado Coelho, Dicionário de Literatura, vol. 3, 1982, Figueirinhas, Porto 5 10 15 20 SEQUÊNCIA 1 Nome ____________________________________________________________ Turma __________ Data __________ TESTE DE AVALIAÇÃO 2
  31. 31. 35Testes de avaliação Convoca os conhecimentos adquiridos sobre o heterónimo pessoano referido na citação e, num texto de 80 a 130 palavras, refere-te ao posicionamento que este assume perante a vida e a realidade com que se confronta. GRUPO II Lê com atenção o texto. Álvaro de Campos visto por Ricardo Reis Em tudo que se diz – poesia ou prosa – há ideia e emoção. A poesia difere da prosa apenas porque esco- lhe um novo meio exterior, além da palavra, para projetar a ideia em palavras através da emoção. Esse meio é o ritmo, a rima, a estrofe; ou todas, ou duas, ou uma só. Porém menos que uma só não creio que possa ser. A ideia, ao servir-se da emoção para se exprimir em palavras, contorna e define essa emoção, e o ritmo, ou a rima, ou a estrofe são a projeção desse contorno, a afirmação da ideia através de uma emoção, que, se a ideia a não contornasse, se extravasaria e perderia a própria capacidade de expressão. […] A poesia é superior à prosa porque exprime, não um grau superior de emoção, mas, por contra, um grau superior do domínio dela, a subordinação do tumulto em que a emoção naturalmente se exprimiria (como verdadeiramente diz Campos) ao ritmo, à rima, à estrofe. n Maria José Lencastre, in O essencial sobre Fernando Pessoa, INCM (Instituto Nacional Casa da Moeda) – adaptado 1. Identifica as afirmações verdadeiras (V) e as falsas (F). a) O segmento entre travessões na linha 1 apresenta uma ideia mais genérica do que o que é referido anteriormente. b) Em “A poesia difere da prosa…” (linha 1), o sublinhado corresponde ao complemento oblíquo. c) A oração “… para projetar a ideia em palavras…” (linha 2) apresenta um valor lógico de finalidade. d) No segmento “Esse meio é o ritmo, a rima…” (linhas 2-3), o sublinhado é um exemplo de um deítico. e) No último parágrafo estabelece-se uma relação de contraste com a ideia primeiramente expressa. 1.1. Converte as afirmações falsas em verdadeiras. 2. Considera as frases: a) “… ao servir-se da emoção para se exprimir em palavras…” (linha 4). b) “… mas, por contra, um grau superior…” (linhas 8-9). 2.1. Transforma a alínea a) numa oração não finita gerundiva, fazendo as alterações necessárias. 2.2. Substitui o sublinhado na alínea b) por outra expressão equivalente. GRUPO III Redige uma reflexão, entre 200 e 300 palavras, sobre a importância dos dois espaços re- feridos na afirmação. Para fundamentares o teu ponto de vista, recorre a dois argumentos, ilustrando cada um com um exemplo. “Este mundo rural secular opõe-se claramente ao mundo urbano, marcado por funções, atividades, gru- pos sociais e paisagens não só distintos mas, mais do que isso, em grande medida construídos "contra" o mundo rural.” n in http://www.estig.ipbeja.pt/~pmmsc/git/rurbanos_2.pdf [último acesso a 27 de maio de 2011] 5 10
  32. 32. Outros Percursos | Guia do Professor36 GRUPO I A Lê atentamente estas estâncias com que terminam Os Lusíadas. 152 Fazei, Senhor, que nunca os admirados Alemães, Galos1, Ítalos e Ingleses, Possam dizer que são pera mandados2, Mais que pera mandar, os Portugueses. Tomai conselho só de esprimentados, Que viram largos anos, largos meses, Que, posto que em cientes muito cabe, Mais em particular o experto sabe. 153 De Formião3, filósofo elegante, Vereis como Annibal escarnecia, Quando das artes bélicas, diante Dele, com larga voz tratava e lia4. A disciplina militar prestante Não se aprende, Senhor, na fantasia, Sonhando, imaginando ou estudando, Senão vendo, tratando e pelejando. 154 Mas eu que falo, humilde, baxo e rudo, De vós não conhecido nem sonhado? Da boca dos pequenos sei, contudo, Que o louvor sai às vezes acabado5. Nem me falta na vida honesto estudo, Com longa esperiencia misturado, Nem engenho, que aqui vereis presente, Cousas que juntas se acham raramente. Responde de forma completa e contextualizada às questões seguintes. 1. Destaca as marcas do discurso apelativo, indicando o recetor das palavras do poeta. 2. Resume por palavras tuas os conselhos dados ao monarca. 3. Destaca os principais traços com que o poeta se autocaracteriza. 155 Pera servir-vos, braço às armas feito6, Pera cantar-vos, mente às Musas dada; Só me falece7 ser a vós aceito, De quem virtude8 deve ser prezada. Se me isto o Céu concede, e o vosso peito Dina empresa tomar de ser cantada, Como a pressaga mente vaticina Olhando a vossa inclinação divina, 156 Ou fazendo que, mais que a de Medusa, A vista vossa tema o monte Atlante, Ou rompendo nos campos de Ampelusa Os muros de Marrocos e Trudante, A minha já estimada e leda Musa Fico que em todo o mundo de vós cante, De sorte que Alexandro em vós se veja, Sem à dita de Aquiles ter enveja. n Os Lusíadas, X Notas 1 Franceses; 2 para (serem) mandados; 3 filósofo grego; 4 expunha pomposamente; 5 perfeito; 6 habituado; 7 falta; 8 merecimento. SEQUÊNCIA 2 Nome ____________________________________________________________ Turma __________ Data __________ TESTE DE AVALIAÇÃO 1
  33. 33. 37Testes de avaliação 4. O poeta coloca-se à disposição do monarca. 4.1. Clarifica o modo como isso acontece. B Comenta a afirmação a seguir transcrita, num texto de 80 a 130 palavras, convocando os conhecimentos adquiridos ao longo do estudo da obra camoniana Os Lusíadas. GRUPO II Portugal e os portugueses por Paquete de Oliveira, Sociólogo (10 de junho de 2011) O 10 de Junho é o dia que consagramos a Portugal. Já foi batizado com outros nomes: Dia da Raça (de- signação antropologicamente aberrante), Dia de Camões. Hoje, é tão-só Dia de Portugal. E é pouco. Por- tugal merece dos portugueses não um só dia, mas todos os dias. E talvez, nesta hora da História em que duvidamos de tudo e até se, efetivamente, Portugal é uma pátria, a nossa pátria, mais do que nunca preci- samos de lhe dedicar os nossos dias. Com o nosso trabalho. Com o nosso esforço, inteligência, esperança. Portugal é um país que descobriu “meio mundo”. Mas, provavelmente, é um país que nunca se des- cobriu totalmente a si próprio. Um país é o seu território. Mas é, sobretudo, o seu povo. Por isso, é mais correto dizer: os portugueses andaram e andam por todo o mundo. Porém, ainda não descobriram, por completo, o seu país. Cabe, porventura, aqui, recordar o poema de Miguel Torga “Pátria”: Soube a definição na minha infância. Mas o tempo apagou As linhas que no mapa da memória A mestra palmatória Desenhou. Hoje Sei apenas gostar Duma nesga de terra Debruada de mar. Temos de apagar da memória descritiva dos tempos esta sina que nos persegue: parece que só somos bons quando emigramos. Quando navegamos. Cá dentro, entre portas, desconfiamos de todos, desconfia- mos de nós próprios. Temos fama de preguiçosos, de maldizentes, de invejosos uns dos outros. Outrora, os outrospovosolharamparanóscomodescobridoresdomundo,vencedoresdaaudáciaeperegrinosdaima- ginação. Hoje, principalmente a partir dessa Europa, que sempre viu, nos povos do Sul, uns desalinhados, a querer viver à custa dos outros, distensos ao Sol e ao mar que nos invejam, temos perdido crédito e honra. O Dia de Portugal deveria ser dia da reflexão. Para pensarmos que a força genuína que temos dentro de nós não desapareceu. Teremos de despertá-la, sem nos entregarmos a um desesperante destino de sermos eternos dependentes de um Estado pobre que tem pouco, cada vez menos, para nos dar. Teremos de confiar nas nossas capacidades. E nesta emergência de país com a classe média em grande perda, segmentos de pobres a crescer, trabalhadores a serem despedidos, famílias inteiras a re- correr ao Banco Alimentar, teremos de rebuscar a nossa solidariedade. (…) Em Os Lusíadas, nas considerações do poeta, por diversas vezes, somos confrontados com o ideal de homem renascentista, que Camões, indubitavelmente, defendia. 5 10 15 20 25 30
  34. 34. Outros Percursos | Guia do Professor38 Sem arremessos colonialistas, nem memória de saudosismo doentio, neste Dia de Portugal, a viver sob o signo da ameaça de deixar de ser, apetece-me citar Fernando Pessoa e clamar: "Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal!" Portugueses de todo o mundo, ajudem a cumprir Portugal. n http://www.dn.pt (com supressões) 1. Assinala as afirmações como verdadeiras (V) ou falsas (F), corrigindo as falsas. 1.1. No segmento “O 10 de Junho é o dia que consagramos a Portugal.” (linha 1) verifica-se uma oração subordinada adjetiva relativa explicativa. 1.2. A repetição do determinante possessivo na linha 5 ilustra a coesão lexical. 1.3. O segmento “Mas, provavelmente, é um país que nunca se descobriu totalmente a si próprio” (linhas 6-7) configura a modalidade deôntica. 1.4. A lógica configurada no conector sublinhado em “Porém, ainda não descobriram, por completo, o seu país” (linhas 8-9) é condicional. 1.5. O referente de “seu”, no segmento “não descobriram, por completo, o seu país” (linhas 8-9), é “os portugueses”. 2. Liga os elementos da coluna A aos da B de modo a obteres afirmações verdadeiras. Coluna A 1. A oração subordinada adjetiva relativa que se verifica no primeiro período do texto pode ser substituída por… Coluna B a) uma exortação. b) nulo subentendido. c) consagrado. d) uma tripla adjetivação. e) consagração. f) o seu desagrado relativamente à informação precedente. g) um conceito exposto anteriormente. h) nulo indeterminado. i) uma enumeração. j) um comentário. 2. Com a informação parentética (linhas 1-2), o enunciador exprime… 3. No último período do primeiro parágrafo verifica-se… 4. O sujeito do segmento “Temos de apagar da memória…” (linha 19) é… 5. No último parágrafo do texto, o enunciador expressa GRUPO III Redige um texto expositivo-argumentativo, contendo entre 200 e 300 palavras, sobre a te- mática referida na afirmação, fundamentando o teu ponto de vista em dois argumentos e, pelo menos, um exemplo significativo para cada um deles. No texto de Paquete de Oliveira, estabelece-se uma comparação entre o Portugal de outrora e o dos nossos tempos. O Portugal dos “descobridores do mundo, vencedores da audácia e peregrinos da imaginação” é oposto ao Portugal de hoje que, na perspetiva europeia, tem “perdido crédito e honra”.
  35. 35. 39Testes de avaliação GRUPO I A Lê o texto a seguir transcrito. D. FERNANDO INFANTE DE PORTUGAL Deu-me Deus o seu gládio1, por que2 eu faça A sua santa guerra. Sagrou-me3 seu em honra e em desgraça, Às horas em que um frio vento passa Por sobre a fria terra. Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me A fronte com o olhar; E esta febre de Além, que me consome, E este querer grandeza são seu nome Dentro em mim a vibrar. E eu vou, e a luz do gládio erguido dá Em minha face calma. Cheio de Deus, não temo o que virá, Pois, venha o que vier, nunca será Maior do que a minha alma. n Mensagem, Fernando Pessoa 1 espada. 2 para que. 3 consagrou-me; escolheu-me. Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem. 1. Explicita os elementos textuais que remetem para a ideia da predestinação da figura histó- rica destacada. 2. Refere cinco traços caracterizadores do “eu”, fundamentando-te no texto. 3. Apresenta uma possível explicação para o verso 3: “Sagrou-me seu em honra e em des- graça.” 4. Expõe duas razões para a utilização do futuro verbal, na última estrofe. SEQUÊNCIA 2 Nome ____________________________________________________________ Turma __________ Data __________ TESTE DE AVALIAÇÃO 2 5 10 15
  36. 36. B Num texto coerente e bem estruturado, entre 80 e 130 palavras, expõe a tua opinião fun- damentada sobre o assunto abordado nos excertos das duas obras estudadas, Mensagem e Os Lusíadas, estabelecendo aproximações/afastamentos. GRUPO II Lê atentamente o texto seguinte. Pessoa é para os portugueses como o mar. Está em frente dos olhos e permanece desconhecido e com zonas inexploradas, denso e sem luz nas profundidades. Perigoso para mergulhadores inexperien- tes e cientistas zelosos. Apesar dos milhares, milhões de palavras que já se escreveram sobre Fernando António Nogueira Pessoa, nascido no Dia de Santo António de Lisboa, 13 de junho de 1888, apesar dos cultos e das apreciações, das exegeses e das alucinações, das devoções e das sapiências, Pessoa é um mistério. Ou, como diria Eduardo Lourenço, é da ordem do prodígio. Como tal, foi mitificado, mais con- tribuindo para o desconhecimento da sua vida enquanto homem. Não homem casado, fútil, quotidiano e tributável e sim homem como os outros, roído pela dúvida, marcado pela cicatriz da ironia, cego para toda a paisagem do mundo que não fosse mental; incapaz de amar e de se ligar aos outros, sofrendo a so- lidão como uma condenação intelectual. Pessoa esteve sempre sozinho, herói de uma vida a preto e branco. Pessoa sabia que havia uma vida maior, a technicolor, se conseguisse escapar ao tédio, ao “ennui” de uma existência num país, e mais do que num país, numa cidade, onde o perímetro autorizado era curto e monótono, igual todos os dias, com a lâmina metalizada do Tejo a cortar uma fronteira. Obrigando Bernardo Soares a fazer de Lisboa seu lar, Pessoa tentou uma forma de redenção. Na verdade, creio que este país lhe pareceu estreito cais desde o dia em que deixou Durban e a língua inglesa, onde até aí se educara e se expressara, para reencarnar por- tuguês escrevendo em português numa terra estranha. (…) Prevenido, inventou para si uma língua e uma literatura, um conjunto de escritores a que chamou he- terónimos. Os heterónimos vinham de trás, dos dias de Durban em que se via como Alexander Search ou Charles Robert Anon, mas não eram nesse tempo da adolescência mais do que um divertimento ou um subterfúgio de anonimato. Em Lisboa, que deve ter detestado tanto como detestou o curso de Letras que nunca acabou, Pessoa viu-se obrigado a reinventar uma lenda, a de um Portugal messiânico com um supra-Camões profético. Foi a sua escolha de armas para enfrentar em duelo o único poeta da sua al- tura, Luís Vaz, o épico lusíada. O único interlocutor. n João Gaspar Simões, Fernando Pessoa – Ensaio Interpretativo da sua Vida e da sua Obra Coleção: A minha vida deu um livro, 2011, Texto Editores “Nem rei nem lei, nem paz nem guerra, Define com perfil e ser Este fulgor baço da Terra Que é Portugal a entristecer – (...) Ó Portugal, hoje és nevoeiro...” É a hora! n in “Nevoeiro”, Mensagem, Fernando Pessoa “No mais, Musa, no mais que a Lira tenho Destemperada e a voz enrouquecida, E não do canto, mas de ver que venho Cantar a gente surda e endurecida. O favor com que mais se acende o engenho Não no dá a pátria, não, que está metida No gosto da cobiça e na rudeza Dh~ua austera, apagada e vil tristeza.” n Os Lusíadas (canto X – 145), Luís de Camões Outros Percursos | Guia do Professor40 5 10 15 20
  37. 37. 41Testes de avaliação 1. Seleciona, em cada um dos itens de 1.1 a 1.7, a única alternativa que permite obter uma afir- mação adequada ao sentido do texto. 1.1. A ideia-chave do segmento textual compreendido entre as linhas 1 e a 6 é a de que há a) zonas inexploradas do poeta Fernando Pessoa. b) mistério e desconhecimento do poeta Pessoa. c) múltiplos escritos sobre o poeta Pessoa e a sua obra. d) múltiplas apreciações subjetivas sobre o poeta. 1.2. O facto de Fernando Pessoa ter sido um prodígio contribuiu para a) a sua afirmação/projeção mundial. b) o seu destaque enquanto poeta nacional. c) o desconhecimento da sua vida pessoal. d) a sua transformação em mito. 1.3. Como fuga ao tédio da cidade de Lisboa, Pessoa a) fez nascer Bernardo Soares, um citadino por imposição do seu criador. b) adaptou-se ao modo de vida dessa cidade. c) continuou a escrever em inglês. d) começou a criar laços intelectuais. 1.4. No primeiro período do texto é utilizada uma forma verbal que pertence a um verbo a) transitivo direto. b) transitivo indireto. c) transitivo predicativo. d) copulativo. 1.5. A frase “Obrigando Bernardo Soares a fazer de Lisboa seu lar…” (linha 14) apresenta uma oração não finita a) gerundiva. b) participial. c) adjetiva. d) substantiva. 1.6. O elemento sublinhado em “… creio que este país lhe pareceu estreito cais…” (linha 15) assegura o processo de coesão a) temporal. b) lexical. c) referencial. d) frásica.
  38. 38. Outros Percursos | Guia do Professor42 1.7. Na expressão “Em Lisboa, que deve ter detestado tanto como detestou o curso de Letras que nunca acabou, …” (linhas 21-22), configura-se a modalidade… a) … epistémica de certeza. b) … epistémica de probabilidade. c) … apreciativa. d) … deôntica de permissão. 2. Faz corresponder a cada um dos cinco elementos da coluna A um elemento da coluna B, de modo a obteres afirmações corretas. GRUPO III Num texto de 200 a 300 palavras, apresenta uma reflexão sobre a solidão e os seus efeitos. Fundamenta o teu ponto de vista, recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. No texto que leste no grupo II, afirma-se que “Pessoa esteve sozinho” e foi “herói de uma vida a preto e branco (…) sofrendo a solidão…”. Coluna A a) No segundo período do texto, b) Com a locução “Apesar d(os) milhares (linha 3), c) No segmento sublinhado em “Pessoa é um mistério.” (linhas 5-6), d) Na afirmação “Pessoa sabia que havia uma vida maior…” (linhas 11-12), e) No segmento “… para enfrentar em duelo…” (linha 23), Coluna B 1. … o enunciador emprega uma oração subordinada substantiva completiva. 2. … o enunciador recorre a um complemento indireto. 3. … o enunciador utiliza dois verbos copulativos. 4. … o enunciador serve-se de uma oração subordinada substantiva relativa. 5. … o enunciador expressa uma ideia de finalidade. 6. … o enunciador pretende transmitir uma lógica de concessão. 7. … o enunciador serve-se de um predicativo do sujeito. 8. … o enunciador expõe uma ideia de causa.
  39. 39. 43Testes de avaliação (…) MATILDE Vamos falar com o D. Miguel Forjaz. SOUSA FALCÃO Nem nos receberá! Conheço-o há muitos anos. É frio, de- sumano e calculista. Odeia Gomes Freire com um ódio que vem de longe, um ódio total, que não perdoa nada! Lembre-se de que são primos, e antigos camaradas de armas… Um é franco, aberto, leal. O outro é a personificação de mediocridade consciente e rancorosa. Gomes Freire perdoaria a D. Miguel Forjaz, mas D. Miguel Forjaz vai enforcar Gomes Freire. É inútil bater-lhe à porta. MATILDE Um cristão não fecha assim a porta a uma desgraçada que lhe vem pedir pela vida do seu homem… tem de me ouvir. SOUSA FALCÃO (Com azedume) D. Miguel é um cristão de domingo, Matilde. Pode estar certa de que todos os dias dá, a um pobre, pão que lhe baste para se conservar vivo até morrer de fome… MATILDE Mas temos de ir, António. SOUSA FALCÃO Não nos receberá. MATILDE Nesse caso iremos para que não nos receba. (Como quem faz uma descoberta) É isso mesmo, António! Iremos para que não nos receba. (…) Responde às questões de forma completa e contextualizada. 1. Insere o excerto apresentado na estrutura externa e interna da obra a que pertence. 2. Descreve o estado psicológico das personagens destacadas. GRUPO I A Lê o excerto seguinte. Com a energia possível a quem chegou ao fim das suas forças. SEQUÊNCIA 3 Nome ____________________________________________________________ Turma __________ Data __________ TESTE DE AVALIAÇÃO 1
  40. 40. 3. Comprova a veracidade da primeira afirmação de António de Sousa Falcão relativamente à atitude de D. Miguel. 4. Indica a atitude que Matilde vai tomar após a tentativa de contacto com Miguel Forjaz. B Apela aos conhecimentos adquiridos sobre Felizmente Há Luar! e, num texto de 80 a 130 palavras, confirma a veracidade da afirmação a seguir transcrita: GRUPO II Lê um excerto do folheto relativo à encenação da obra de Sttau Monteiro, realizada pelo TEP em 2011. O texto teatral, que necessariamente é escrito para a cena, será sempre algo a que faltará o funda- mental, quando se circunscreve à literatura; teatro só acontece na cena, recriando o texto teatral com a interpretação dos atores e juntando-lhe as diferentes vertentes cénicas, sob a direção do encenador. Mesmo quando é passado a filme, a dvd ou a outro meio de expressão, já não será teatro, mas imagens estáticas e imutáveis, que lhe retiram a atuação viva e a efemeridade que perdura. Sem o binómio ator, como ser vivo e presencial, versus público, não há teatro. (…) 1. Indica o antónimo dos termos: a) estáticas (linha 5); b) imutáveis (linha 5); c) efemeridade (linha 5). 2. Atenta no segmento seguinte: “Mesmo quando é passado a filme, a dvd ou a outro meio de expressão, já não será teatro, mas ima- gens estáticas e imutáveis, que lhe retiram a atuação viva e a efemeridade que perdura.” 2.1. Identifica o tipo de modalidade presente no segmento. 2.2. Indica a lógica dos articuladores destacados. 2.3. Divide e classifica as orações presentes no segmento: “que lhe retiram a atuação viva e a efe- meridade que perdura” (linha 5). 2.4. Regista a classe e a subclasse das palavras sublinhadas em: “imagens estáticas e imutáveis”. 2.5. Reescreve a frase “quando é passado a filme”, utilizando um outro conector com o mesmo valor lógico. 2.6. Refere o modo e o tempo em que se encontram as formas verbais utilizadas no segmento trans- crito em 2. 2.7. Identifica as funções sintáticas desempenhadas pelos grupos: a) “lhe” (linha 5); b) “como ser vivo e presencial” (linha 6); c) “teatro”(linha 6). 2.7.1. Indica o referente retomado pelo pronome “lhe”. GRUPO III Produz um texto de opinião, com 200 a 300 palavras, onde demonstres a importância do teatro em qualquer sociedade e em qualquer época, no que diz respeito à divulgação de ideias e à formação cul- tural do indivíduo. A imagem de Gomes Freire é referida e reverenciada pelo grupo que o defende, ou seja, o povo, e, por outro lado, desprezada pelos governadores do reino, que o condenam. Outros Percursos | Guia do Professor44 5
  41. 41. 45Testes de avaliação GRUPO I A Lê o excerto seguinte. Abre os braços no gesto dramático de quem faz uma revelação importante e inesperada. Começa a ouvir-se tambores ao longe, muito em surdina (…) BERESFORD Já que temos ocasião de crucificar alguém, que escolhamos a quem valha a pena crucifi- car… Pensou em alguém, Excelência? D.MIGUEL (Passeando agitadamente à frente do palco) Sou um homem de gabinete. Não tenho as qualidades necessárias para falar ao povo… (Começa a apagar-se a luz que incide sobre Beresford e o principal Sousa) Repugna-me a ação, estaria politicamente liquidado se tivesse de discutir as minhas ordens… Não sou, e nunca serei, popular. Quem o for, é meu inimigo pessoal. (Pausa) No estado em que se encontra o Reino, basta o aparecimento de alguém capaz de falar ao povo para inutilizar o trabalho de toda a minha vida …E há quem seja capaz de o fazer… (Entram Corvo e Vicente, respetivamente pela esquerda e pela direita do palco.) VICENTE Excelências, todos falam num só homem… CORVO Um só nome anda na boca de toda a gente. (Surge Morais Sarmento, que avança do fundo do palco.) MORAIS SARMENTO Senhores Governadores: onde quer que se conspire, só um nome vem à baila. CORVO O nome do general Gomes Freire d’Andrade! (Acende-se a luz que ilumina Beresford e o principal Sousa.) D.MIGUEL Senhores Governadores: aí tendes o chefe da revolta. Notai que lhe não falta nada: é lúcido, é inteligente, é idolatrado pelo povo, é um soldado brilhante, é grão-mestre da Maçonaria e é, senhores, um estrangeirado… BERESFORD Trata-se dum inimigo natural desta Regência. PRINCIPAL SOUSA Foi Deus que nos indicou o seu nome. D. MIGUEL Deus e eu, senhores! Deus e eu… CORVO Mas, senhores, nada prova que o general seja o chefe da conjura. Tudo o que se diz pode não passar de um boato… (…) SEQUÊNCIA 3 Nome ____________________________________________________________ Turma __________ Data __________ TESTE DE AVALIAÇÃO 2
  42. 42. Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem. 1. Regista, de forma sucinta, o conteúdo desta passagem textual. 2. Enumera as personagens intervenientes, associando-lhes os objetivos que as movem. 3. Mostra que o representante do clero não assume as funções que lhe estão confiadas. 4. Justifica, convenientemente, a última réplica do excerto. B Com base na tua experiência de leitura, num texto coerente entre 80 a 130 palavras, explicita o mo- delo teatral ilustrado em Felizmente Há Luar!, indicando os seus traços distintivos. GRUPO II Lê atentamente o texto. Os desportos têm vindo a revolucionar as escolas do país. A preocupação no ensino vem crescendo e uma maneira de incentivo aos nossos alunos é procurar o desenvolvimento nos desportos. Por isso, a importância do desporto na educação. A prática desportiva como instrumento educacional visa o desenvolvimento integral das crianças, jo- vens e adolescentes, capacita o sujeito a lidar com as suas necessidades, desejos e expectativas, bem como, com as necessidades, expectativas e desejos dos outros, de forma que o mesmo possa desenvol- ver as competências técnicas, sociais e comunicativas, essenciais para o seu processo de desenvolvi- mento individual e social. O desporto, como instrumento pedagógico, precisa de se integrar nas finalidades gerais da educação, de desenvolvimento das individualidades, de formação para a cidania e de orientação para a prática so- cial. O campo pedagógico do desporto é um campo aberto para a exploração de novos sentidos/signifi- cados, ou seja, permite que sejam explorados pela ação dos educandos envolvidos nas diferentes situações. Além de ampliar o campo experimental do indivíduo, cria obrigações, estimula a personalidade inte- lectual e física e oferece hipóteses reais de integração social. No meio destas descobertas do desporto, o que vem revolucionando hoje em dia as escolas é o cha- mado Desporto Radical. A adrenalina, emoção e o prazer de se exercitar nesta aventura faz com que o aluno alcance diferentes maneiras de aprender um movimento e de se integrar no meio social. Ensinar a prática de desportos radicais é preparar o aluno para executar determinadas habilidades por meio da descoberta do prazer de se exercitar. Tudo isso envolvendo segurança, bons profissionais e educadores sempre por perto. n http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=790 (texto adaptado) 1. Seleciona a única opção que permite obter uma afirmação correta. 1.1. No texto destaca-se a associação que se pode estabelecer entre a) a prática desportiva e o desenvolvimento inteletual. b) o desporto e o desenvolvimento integral dos alunos. c) a prática desportiva e a possibilidade de concretização de desejos. d) o desporto e a satisfação das necessidades básicas. Outros Percursos | Guia do Professor46 5 10 15 20 “A oposição entre teatro «tradicional» «clássico», «dramático» ou «aristotélico» e o «moderno», «épico» ou «brechtiano» dá-se, não quanto aos meios utilizados que o próprio Brecht reconhece serem semelhantes, mas em relação aos fins que pretendem atingir.” n José António Camelo e Maria Helena Pecante (1984), in “O Judeu” de Bernardo Santareno, Porto, Porto Editora
  43. 43. 47Testes de avaliação 1.2. No último parágrafo, referem-se as descobertas no âmbito do desporto, destacando-se a) o desporto radical. b) o aeromodelismo. c) a ginástica acrobática. d) as modalidades de grupo. 1.3. A forma verbal “têm vindo” (linha 1) encontra-se no a) pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo. b) futuro composto do indicativo. c) pretérito mais-que-perfeito composto do conjuntivo. d) pretérito perfeito composto do indicativo. 1.4. Os complexos verbais uitilizados no primeiro parágrafo referem-se a ações que se a) prolongam no tempo. b) encontram já concluídas. c) encontram no seu início. d) repetem ao longo do tempo. 1.5. O segmento sublinhado em “é um campo aberto…” (linha 11) corresponde ao a) sujeito. b) predicativo do sujeito. c) predicativo do complemento direto. d) complemento direto. 1.6. No quarto parágrafo a coesão interfrásica é garantida pelo recurso à a) subordinação. b) concordância em género e número. c) coordenação. d) sinonímia. 1.7. O segmento “Ensinar a prática de desportos radicais” (linha 19) desempenha a função sintática de a) modificador frásico. b) complemento oblíquo. c) complemento indireto. d) sujeito. 2. Responde de forma correta aos itens apresentados. 2.1. Indica o referente do determinante possessivo que ocorre em “com as suas necessidades” (linha 5). 2.2. Classifica a oração apresentada em “que sejam explorados pela ação dos educandos envolvi- dos nas diferentes situações” (linhas 12-13). 2.3. Indica a função sintática desempenhada pelo segmento sublinhado em “prática de desportos radicais”. (linha 19). GRUPO III Num texto bem estruturado, com um mínimo de 200 e um máximo de 300 palavras, apre- senta a tua opinião sobre a importância da prática de desportos, em especial de desportos ra- dicais. Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo.
  44. 44. GRUPO I A Lê com atenção o excerto. Durante muitos meses, Baltasar puxou e empurrou carros de mão, até que um dia se achou cansado de ser mula de liteira, ora à frente, ora atrás, e, tendo prestado públicas e boas provas perante oficiais do ofício, passou a andar com uma junta de bois, das muitas que el-rei tinha comprado. (…) Fora de boa ajuda o José Pequeno porque instou com o abegão que passasse Baltasar Sete-Sóis a boieiro, se já an- dava com os bois um aleijado, podiam andar dois, fazem companhia um ao outro, e se ele não se enten- der com o trabalho, não arrisca nada, volta para os carros de mão, em um dia se verá a habilidade do homem. De bois sabia Baltasar o bastante, mesmo não lidando com eles há tantos anos, e em dois traje- tos logo se viu que o gancho não era defeito e que a mão direita não esquecera nenhuma cláusula da arte da aguilhada. Quando nessa noite chegou a casa, ia tão contente como quando, em garoto, descobrira o primeiro ovo num ninho, quando homem estivera com a primeira mulher, quando soldado ouvira o pri- meiro toque de trombeta, e de madrugada sonhou com os seus bois e a mão esquerda, nada lhe faltava, se até Blimunda ia montada num dos animais, entenda isto quem souber de sonhos sonhados. Estava Baltasar há pouco tempo nesta sua nova vida, quando houve notícia de que era preciso ir a Pero Pinheiro buscar uma pedra muito grande que lá estava, destinada à varanda que ficará sobre o pór- tico da igreja tão excessiva a tal pedra que foram calculadas em duzentas as juntas de bois necessárias para trazê-la, e muitos os homens que tinham de ir também para as ajudas. Em Pero Pinheiro se construíra o carro que haveria de carregar o calhau, espécie de nau da Índia com rodas, isto dizia quem já o tinha visto em acabamentos e igualmente pusera os olhos, alguma vez na nau da comparação. Exagero será, de- certo, melhor é julgarmos pelos nossos próprios olhos, com todos estes homens que se estão levantando noite ainda e vão partir para Pero Pinheiro, eles e os quatrocentos bois, e mais de vinte carros que levam os petrechos para a condução, convém a saber, cordas e calabres, cunhas, alavancas, rodas sobressalen- tes feitas pela medida das outras, eixos para o caso de se partirem alguns dos primitivos, escoras de vário tamanho, martelos, torqueses, chapas de ferro, gadanhas para quando for preciso cortar o feno dos ani- mais, e vão também os mantimentos que os homens hão de comer, fora o que puder ser comprado nos lugares, um tão numeroso mundo de coisas carregando os carros, que quem julgou fazer a cavalo a via- gem para baixo, vai ter de fazê-la por seu pé, nem é muito, três léguas para lá, três para cá, é certo que os caminhos não são bons, mas tantas vezes já fizeram os bois e os homens esta jornada com outros carregos, que só de pôr no chão a pata e a sola logo veem que estão em terra conhecida, ainda que cus- tosa de subir e perigosa de descer. n Cap. XIX, Memorial do Convento Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as tuas respostas aos itens seguintes. 1. Insere este excerto na estrutura da obra a que pertence e clarifica a sua importância na narrativa. 2. Caracteriza o estado de espírito de Baltasar no primeiro dia do seu novo ofício. 3. Demonstra a hiperbolização da pedra e do seu transporte, relacionando-a com o trabalho dos homens. Outros Percursos | Guia do Professor48 5 10 15 20 25 SEQUÊNCIA 4 Nome ____________________________________________________________ Turma __________ Data __________ TESTE DE AVALIAÇÃO 1
  45. 45. 4. Identifica três características da linguagem e estilo saramaguianos, exemplificando com elementos textuais. B Comenta a afirmação a seguir transcrita, num texto de 80 a 130 palavras, convocando os conhecimentos adquiridos ao longo do estudo da obra. Em Memorial do Convento, apesar da preocupação em respeitar a História, que se refere a al- guns acontecimentos, cruzam-se diferentes linhas de ação, onde as personagens reais interagem com personagens ficcionadas. 49Testes de avaliação GRUPO II Lê o texto seguinte. Blimunda, o Orfeu no feminino ou passagem de Blimunda por Itália Maria Armandina Maia «Blimunda», a ópera lírica em três atos que às 21.30 do dia 20 de maio de 1990 estreava no Teatro Lírico de Milão, tinha a assinatura do compositor italiano Azio Corghi, autor de uma obra consagrada (…). O autor do Memorial tinha, por essa altura, três obras suas publicadas em Itália (…) Para o vasto e exi- gente público italiano, Saramago era o autor português mais conhecido depois do «fenómeno» Pessoa, o primeiro a merecer destaque e interesse de casas editoras que constituíam um selo de garantia. (…) Azio Corghi, impressionado pela atmosfera criada no Memorial, confessou a José Saramago o seu desejo de «contar a história de um Orfeu no feminino». A resposta de Saramago batizaria a ópera. «Chamá-la-emos Blimunda». Num exercício de grande unidade, escritor e compositor intersetaram os respetivos saberes, dando lugar ao magnífico trabalho que é o libreto de Blimunda, descrito pela crítica Lidia Bramani (casa Ricordi), como «uma estrutura em que são determinantes a voz recitante, solistas, oiteto madrigalista, coro, or- questra, eletrónica, que se intersetam ao longo de linhas que se fragmentam e refazem, entrecruzando- se, distanciando-se, por vezes tocando-se ao de leve em três espaços musicalmente e cenograficamente distintos: o espaço acústico, o espaço imaginário e o espaço real». (…) n http://www.instituto-camoes.pt/revista/blimundaorfeofem.htm (2008, 14 de março, 15.38h – texto com supressões) 1. Seleciona a opção que melhor completa o sentido de cada afirmação. 1.1. O sujeito do primeiro período do texto é… a) … “a ópera lírica”. b) … “a ópera lírica em três atos”. c) … “teatro lírico de Milão”. d) … “Blimunda”. 1.2. O segmento “… autor de uma obra consagrada.” (linha 2) desempenha a função sintática de… a) … sujeito. b) … modificador apositivo do nome. c) … complemento direto. d) … complemento oblíquo. 5 10
  46. 46. 1.3. No segmento “Para o vasto e exigente público italiano…” (linhas 3-4), verifica-se uma… a) … dupla adjetivação. b) … metáfora. c) … hipálage. d) … comparação. 1.4. No segmento “… que constituíam um selo de garantia.” (linha 5), verifica-se uma oração subor- dinada… a) … adverbial causal. b) … substantiva completiva. c) … adjetiva relativa restritiva. d) … adverbial consecutiva. 1.5. No segmento “… confessou a José Saramago o seu desejo…” (linhas 6-7), o tipo de coesão que se verifica, atendendo aos vocábulos sublinhados, é…. a) … interfrásica. b) … lexical. c) … frásica. d) … referencial. 1.6. No segmento “«Chamá-la-emos Blimunda».” (linha 8), a forma verbal encontra-se no… a) … condicional. b) … imperativo. c) … presente do indicativo. d) … futuro do indicativo. 1.7. O adjetivo “acústico” (linha 14) encontra-se no grau… a) … superlativo relativo de superioridade. b) … normal. c) … comparativo de superioridade. d) … superlativo absoluto sintético. 2. Responde de forma correta aos itens apresentados. 2.1. Identifica o antecedente do determinante possessivo “seu” (linha 6). 2.2. Classifica sintaticamente os elementos sublinhados em “Chamá-la-emos Blimunda” (linha 8). 2.3. Indica o valor do adjetivo em “magnífico trabalho” (linha 10). GRUPO III Redige um texto expositivo-argumentativo, com 200 a 300 palavras, sobre a temática referida na afirmação, fundamentando o teu ponto de vista com dois argumentos e, pelo menos, um exemplo sig- nificativo. Em Memorial do Convento, aborda-se, entre outros temas, a natureza e a condição humana. Ao mesmo tempo que se imortalizam os que lutam por uma vida melhor, faz-se uma crítica aos que se servem dos mais fracos para atingir os seus fins. Outros Percursos | Guia do Professor50
  47. 47. 51Testes de avaliação GRUPO I A Lê com atenção o texto que se segue. Enfim o rei bate na testa, resplandece-lhe a fronte, rodeia-o o nimbo da inspiração, E se aumentásse- mos para duzentos frades o convento de Mafra, quem diz duzentos, diz quinhentos, diz mil, estou que seria uma ação de não menor grandeza que a basílica que não pode haver. O arquiteto ponderou, Mil fra- des, quinhentos frades, é muito frade, majestade, acabávamos por ter de fazer uma igreja tão grande como a de Roma, para lá poderem caber todos, Então, quantos, Digamos trezentos, e mesmo assim já vai ser pequena para eles a basílica que desenhei e está a ser construída, com muitos vagares, se me é per- mitido o reparo, Sejam trezentos, não se discute mais, é esta a minha vontade, Assim se fará, dando vossa majestade as necessárias ordens. Foram dadas. Mas primeiro se juntaram, em outro dia, o rei com o provincial dos franciscanos da Ar- rábida, o almoxarife, e novamente o arquiteto. Ludovice levou os seus desenhos, estendeu-os sobre a mesa, explicou a planta, Aqui é a igreja, para norte e sul estas galerias e estes torreões são o palácio real, da parte de trás ficam as dependências do convento, ora, para satisfazer as ordens de sua majestade te- remos de construir, ainda mais atrás, outros corpos, há aqui um monte de pedra rija que vai ser o cabo dos trabalhos minar e rebentar, tanto nos custou já morder a falda dele para endireitar o chão. Ao ouvir que queria el-rei ampliar o convento para tão grande número de frades, de oitenta para trezentos, imagine-se, o provincial, que fora ali sem ainda saber da novidade, derrubou-se no chão dramaticamente, beijou com abundância as mãos da majestade, e enfim declarou, com a voz estrangulada, Senhor, ficai seguro de que neste mesmo momento está Deus mandando preparar novos e mais sumptuosos aposentos no seu paraíso para premiar quem na terra o engrandece e louva em pedras vivas, ficai seguro de que por cada novo tijolo que for colocado no convento de Mafra, uma oração será dita em vossa intenção, não pela sal- vação da alma, que vos está garantidíssima pelas obras, mas sim como flores da coroa com que haveis de apresentar-vos perante o supremo juiz, queira Deus que só daqui por muitos anos, para que não es- moreça a felicidade dos vossos súbditos e perdure a gratidão da igreja e ordem que sirvo e represento. D. João levantou-se da sua cadeira, beijou a mão do provincial, humildando o poder da terra ao poder do céu, e quando se tornou a sentar repetiu-se-lhe o halo em redor da cabeça, se este rei não se acautela acaba santo. n José Saramago, Memorial do Convento, Lisboa, Caminho, 34.a edição, pp. 283-284 Apresenta, de forma bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem. 1. Identifica o acontecimento que motivou o diálogo apresentado no excerto. 2. Associa, a cada uma das personagens referenciadas, uma razão para a sua intervenção/alusão. 3. Comenta a atitude do provincial, realçada na sua intervenção em discurso direto nas linhas 17-23. 4. Apresenta dois aspetos reveladores da subjetividade do narrador/autor. 5 10 15 20 25 SEQUÊNCIA 4 Nome ____________________________________________________________ Turma __________ Data __________ TESTE DE AVALIAÇÃO 2
  48. 48. Outros Percursos | Guia do Professor52 GRUPO II Lê atentamente o texto. Entrevista a José Saramago: “Voltei com naturalidade à escrita” 2008-11-05 Ana Vitória Misto de conto e de romance, o novo livro de José Saramago estará à venda a partir desta quarta-feira. O autor chamou-lhe "A viagem do elefante". A trama, inspirada num facto histórico sobre o qual poucos detalhes são conhecidos, poderia ser contada numa ou duas páginas. Mas a arte do ficcionista, Prémio Nobel de Literatura, transformou o episódio num excelente pre- texto para presentear os leitores com uma obra que reflete, de certo modo, o seu olhar sobre a Humani- dade, em que a ironia e o sarcasmo se combinam com compaixão solidária. Nunca é de mais referir que este livro foi escrito numa altura em que o autor, de 86 anos, se encontrava em condições de saúde muito precárias. Esteve para ser o último. O ponto de partida é o século XVI, numa altura em que o rei D. João III decidiu oferecer a seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, um elefante indiano. É a história da viagem do paquiderme, desde Belém, em Lisboa, até Viena, na Áustria, que é reinventada por Saramago. (…) Dedicaestelivroàsuamulher,Pilar,que,afirma,"nãodeixouqueeumorresse".Oamorpodesalvar-nos? Não. O amor pode muita coisa, mas não pode nada diante da morte. Claro que, quando digo "à Pilar que não deixou que eu morresse", faço-o porque, em primeiro lugar, ela, efetivamente, não queria que eu morresse. E, em segundo lugar, porque ela era um dos elementos desse grupo que me salvou a vida e de que fazem parte os dois ou três médicos que me assistiram. Portanto, ela foi um elemento-chave no pro- cesso que me arrancou a essa espécie de limbo em que eu, durante uns dias, diria até algumas semanas, permaneci. Estive entre um cá e um lá que durante algum tempo tardou a definir-se. Como estou aqui.... E a literatura, será que nos salva? Também não. Nós é que temos sempre essa preocupação de algo que nos salve a vida, que resolva as grandes questões e, se for possível, as pequenas. A literatura não nos salva. Para mim, e tenho dito isto muitas vezes para surpresa de certas pessoas, escrever é um trabalho. Portanto, posta a questão desta maneira, a um mineiro também não é a mina que lhe salvará a vida. Bem pelo contrário. n http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1038732&page=-1 (texto com supressões; último acesso: 7/10/11) 1. Seleciona a única opção que permite obter uma afirmação correta. 1.1. A trama de “A viagem do elefante” a) apresenta um acentuado fundo histórico. b) revela os momentos difíceis da doença de José Saramago. c) reflete uma visão pessoal do autor. d) centra-se em episódios protagonizados pelo rei D. João III depois de receber de prenda um elefante indiano. 5 10 15 20 B Num texto entre 80 e 130 palavras, refere o modo como se concretiza ou verifica o aspeto acima enunciado na obra Memorial do Convento. José Saramago é muito crítico em relação à religião, sobretudo em relação à religião institucionalizada pela Igreja Católica.

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