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UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB
Departamento de Educação – campus VII
Curso de Licenciatura em Matemática
PESQUISA PARTICIPANTE
Senhor do Bonfim/BA
maio de 2014
Eduardo Maciel
Gleyton Gomes
Juliana Santos
Lidiane Elias
PESQUISA PARTICIPANTE
Trabalho apresentado como requisito parcial, para a
avaliação do Componente Curricular Trabalho de
Conclusão de Curso II, do curso Licenciatura em
Matemática da Universidade do Estado da Bahia –
UNEB, sob orientação do Professor: Helder Luiz
Amorim Barbosa.
Senhor do Bonfim/BA
maio de 2014
SUMÁRIO
O que é pesquisa?............................................................................................................ I
Pesquisa Participante.....................................................................................................II
Proposta Modelo...........................................................................................................III
Problemas da Pesquisa Participante.............................................................................V
Conclusão.....................................................................................................................V
Referências
I - O QUE É PESQUISA?
Pesquisa é uma forma de investigação. Não é possível fazer pesquisa sem que
haja um problema para resolver ou uma pergunta para responder. Toda pesquisa é feita
para ampliar o conhecimento, qualquer que seja a área de trabalho do pesquisador. Mas
existem riscos e incertezas. O pesquisador precisa buscar evidências que apóiem sua
argumentação para a solução do seu problema ou para a resposta a sua pergunta.
Para chegar à evidência, um pesquisador precisa de dados. Método de pesquisa é
a técnica usada para a coleta de dados, ou seja, é a estratégia usada pelo pesquisador
para coletar as informações que precisa para resolver seu problema ou para responder a
sua pergunta.
Quais são os métodos de pesquisa?
Em linhas gerais, uma pesquisa pode ser feita segundo dois métodos, sendo
então identificadas como:
a) pesquisa qualitativa;
b) pesquisa quantitativa.
A pesquisa qualitativa tem o objetivo de entender o comportamento das
pessoas, suas opiniões, seus conhecimentos, suas atitudes, suas crenças, seus medos.
Está, portanto, relacionada ao significado que as pessoas atribuem às suas experiências
do mundo e ao modo como entendem o mundo em que vivemos. O pesquisador da área
qualitativa levanta dados por meio de entrevistas, grupos de discussão, observação
direta, análise de documentos e de discursos – ou seja, por meio de texto.
A pesquisa quantitativa tem o objetivo de contar, ordenar e medir para
estabelecer a frequência e a distribuição dos fenômenos, para buscar padrões de relação
entre variáveis, testar hipóteses existentes, estabelecer intervalos de confiança para
parâmetros e margens de erro para as estimativas. O pesquisador da área quantitativa
levanta, portanto, dados numéricos.
E para que serve?
Uma vez definida a pesquisa, precisamos indagar sobre quais as razões de sua
realização. Segundo Richardson, os cientistas sociais pesquisam para:
a) resolver problemas sociais;
b) formular novas teorias e criar novos conhecimentos;
c) testar teorias existentes em um campo científico
(RICHARDSON, 1989, p. 16-17).
II - PESQUISA PARTICIPANTE
Introdução
A pesquisa participante busca o envolvimento da comunidade na análise de sua
própria realidade. Ela se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e
membros das situações investigadas, enquanto a pesquisa-ação ocorre em estreita
associação com uma ação ou com a resolução de um problema
Segundo Gil (1991), "a pesquisa participante, assim como a pesquisa ação,
caracteriza-se pela interação entre pesquisadores e membros das situações
investigadas".
A importância da pesquisa participante está no fato de os objetos estudados
serem sujeitos e não "sujeitos de pesquisa", no sentido passivo de fornecedores de
dados, mas sujeitos de conhecimento.
Segundo Ubiratan D'Ambrosio (1997): “Entre teoria e prática persiste uma
relação dialética que leva o indivíduo a partir para a prática equipado com uma teoria e
praticar de acordo com essa teoria até atingir os resultados desejados.
Toda teorização se dá em condições ideais e somente na prática serão notados e
colocados em evidência certos pressupostos que não podem ser identificados apenas
teoricamente. Isto é, partir para a prática é como um mergulho no desconhecido.
Pesquisa é o que permite a interface interativa entre teoria e prática. ... pesquisa
é o elo entre a teoria e a prática. ... "
Definição
Segundo Grossi (1981): "Pesquisa participante é um processo de pesquisa no
qual a comunidade participa na análise de sua própria realidade, com vistas a promover
uma transformação social em benefício dos participantes que são oprimidos. Portanto, é
uma atividade de pesquisa, educacional orientada para a ação. Em certa medida,
tentativa da Pesquisa Participante foi vista como uma abordagem que poderia resolver a
tensão contínua entre o processo de geração de conhecimento e o uso deste
conhecimento, entre o mundo "acadêmico" e o "irreal", entre intelectuais e
trabalhadores, entre ciência e vida."
Para Brandão (1984) : Trata-se de um enfoque de investigação social por meio
do qual se busca plena participação da comunidade na análise de sua própria realidade,
com objetivo de promover a participação social para o benefício dos participantes da
investigação. Estes participantes são os oprimidos, os marginalizados os explorados.
Trata-se, portanto, de uma atividade educativa de investigação e ação social.
Lakatos e Marconi (1991) definem a pesquisa participante como um tipo de
pesquisa que não possui um planejamento ou um projeto anterior à prática, sendo que o
mesmo só será construído junto aos participantes (objetos de pesquisa). Os quais
auxiliarão na escolha das bases teóricas da pesquisa de seus objetivos e hipóteses e na
elaboração do cronograma de atividades.
Características da Pesquisa Participante
SEGUNDO TANDON:
a) É um processo de conhecer e agir. A população engajada na pesquisa participante
simultaneamente aumenta seu entendimento e conhecimento de uma situação particular,
bem como parte para uma ação de mudança em seu benefício.
b) É iniciada na realidade concreta que os marginalizados pretende mudar. Gira em
torno de um problema existente. Caso haja consciência suficiente, a própria população
inicia o processo e pode até mesmo dispensar o perito externo. Mas ainda começando
pelo perito, o envolvimento da população é essencial.
c) Variam a extensão e natureza da participação. No caso ideal, a população participa do
processo inteiro: proposta de pesquisa, coleta de dados, análise, planejamento e
intervenção na realidade.
d) A população deve ter controle do processo.
e) Tenta-se eliminar ou reduzir as limitações da pesquisa tradicional. Pode empregar
métodos tradicionais na coleta de dados, mas enfatiza posturas qualitativas e
hermenêuticas, e a comunicação interpessoal.
f) É um processo coletivo.
g) É uma experiência educativa.
III - PROPOSTA MODELO
Primeira fase: Montagem Institucional e Metodológica da Pesquisa Participante
 Discussão do projeto de pesquisa participante com a população e seus
representantes;
 Definição do quadro teórico de pesquisa participante, isto é, objetivos,
conceitos, hipóteses, métodos, etc.;
 Delimitação da região a ser estudada;
 Organização do processo de pesquisa participante (instituições e grupos a serem
Associados, distribuição das tarefas, procedimentos e partilha das decisões, etc);
 Seleção e formação dos pesquisadores ou de grupos de pesquisa.
 Elaboração do cronograma de operações a serem realizadas.
Segunda fase: Estudo Preliminar da Região e da População Envolvida
 Identificação da estrutura social da população envolvida.
 Diferenciar as necessidades e os problemas da população estudada segundo as
categorias ou as classes sociais a que compõem.
 Selecionar a população para a qual se deseja intervir.
 Preparar uma efetiva descentralização da pesquisa ao nível dos grupos sociais
mais oprimidos e mais afastados do poder, de modo geral.
 Descoberta do universo vivido pelos pesquisados.
 Pesquisa de dados sócio-econômicos e tecnológicos.
 Difusão dos resultados junto à população (feedback).
Terceira fase: Análise crítica dos problemas considerados prioritários e que os
participantes desejam estudar
 Constituição de grupos de estudo
 Análise crítica dos problemas
Quarta fase: Programação e Aplicação de um Plano de Ação (incluindo atividades
educacionais) que Contribua para a Solução dos Problemas Encontrados
 Atividades educativas que permitam analisar melhor os problemas e as situações
vividas;
 Medidas que possam melhorar a situação a nível local;
 Ações educativas que permitam cumprir essas medidas;
 Ações para promover as soluções identificadas a médio e longo prazo, em nível
local ou mais amplo.
IV - PROBLEMAS DA PESQUISA PARTICIPANTE
A pesquisa participante, quanto à prática em processo de consolidação, apresenta
diversos problemas. Estes problemas permitem uma variedade de reflexões que abarcam
desde as técnicas e a concepção do método, ate os aspectos epistemológicos que
orientarão a construção de um novo conhecimento. Entre aquelas reflexões podemos
destacar as seguintes: - os problemas teóricos da pesquisa alternativa e a definição da
pesquisa participante como estratégia metodológica.
Seguindo as idéias de Justa Espeleta (1986) chama a atenção nos projetos de
pesquisa participante, a linguagem. Uma linguagem que pretende denominar a realidade
de "outro" modo e que procura constituir-se ao mesmo tempo em linguagem crítica.
Este "outro" modo um modo diferente daquele utilizado pela ciência Social
dominante. Trata-se, em geral, de uma linguagem com claras conotações marxistas.
Mas, muitas vezes, o material produzido apresenta serias ambigüidades nos conceitos
utilizados. Por exemplo, "transformação da realidade" pode ser usado tanto para falar da
mudança de hábitos alimentares de um grupo, como para designar um fenômeno
cognitivo referente a sujeitos individuais; "transformação' aparece também
freqüentemente como sinônimo de "mudança social"; relações sociais" e usado para
falar de interação; "classe social" tem uma infinidade de acepções; a relação "sujeito-
objeto" - categoria da epistemologia - refere-se habitualmente a uma interação entre
pessoas. Por outro lado, “construção do conhecimento” pode referir-se tanto a gênese da
teoria como a síntese que o pesquisador chegava fazer de alguns saberes populares;
'pesquisa", enfim, pode ser permutada por método ou por técnicas.
Um outro aspecto a considerar a freqüente transposição de categorias estruturais
(sistema social, classe, reprodução) para a analise de situações particulares, específicas.
Situações que a linguagem funcionalista designa como micro sociais um grupo de mães,
um grupo de camponeses, um bairro.
Problemas teóricos
A pesquisa participante com estratégia metodológica
Diversos autores consideram a pesquisa participante uma estratégia
metodológica. Isto gera diversos problemas que prejudicam o avanço da pesquisa
alternativa. Devemos lembrar que as críticas à pesquisa convencional se dão
particularmente no campo epistemológico do empirismo e positivismo das Ciências
Sociais. Logicamente, os supostos epistemológicos influem nos supostos
metodológicos.
Um outro pressuposto epistemológico do empirismo e positivismo que se reflete
na pesquisa convencional é o "aparencialismo” (seguindo o conceito de Jacobo
Waiselfiz) pelo qual se limita a capacidade de conhecer à aparência imediata dos
fenômenos. em uma perspectiva deliberadamente externa e coisificada. Ao limitar a
análise ao nível imediato da realidade e às formas de apresentação dos fenômenos, o
âmbito da problemática a ser pesquisada fica limitado ao dado empírico, enfatizando-se
o império das técnicas de medição, levantamento e analise de dados. Mas, essa
aparência, por ser um modo imediato de manifestações de um processo histórico, é um
ocultamento do real.
V - CONCLUSÃO
O processo de pesquisa participante não termina com a quarta fase como explica
seu método de modelo. A análise crítica da realidade, a execução das ações
programadas conduz ao descobrimento de outros problemas, de outras necessidades, de
outras dimensões da realidade. A ação pode ser uma fonte de conhecimentos e de novas
hipóteses.
REFERÊNCIAS
 Brandão, C.R. (ed.). 1981. Pesquisa Participante. São Paulo: Editora
Brasiliense.
 Brown, D. e Tandon, R. 1983. .Ideology and Political Economy in Inquiry:
Action Research and Participatory Research. Journal of Applied Behavioral
Science 19(3): 277-94.
 D’AMBROSIO, Ubiratan. A era da consciência. São Paulo: Editora Fundação
 EZPELETA, Justa, ROCKWELL, Elsie, (1986). Pesquisa participante. São
Paulo: Cortez.
 Freire, P. 1995. Pedagogy of Hope: Reliving Pedagogy of the Oppressed. New
York: Continuum.
 GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1991.
 GROSSI, Y. de S. Mina de Morro Velho: a extração do homem, uma história
de experiência operária. São Paulo: Paz e Terra, 1981.
 Hall, A. Gillette e R. Tandon, eds. Creating Knowledge: A Monopoly?
Participatory Research in Development. New Delhi: Society for Participatory
Research in Asia.
 LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A Técnicas de Pesquisa. São Paulo, Atlas,
1999 Petrópolis, 1997.
 SALOMON, Como fazer uma monografia. São Paulo, Martins; Fontes 1999.
 Tandon, R. 1988. .Social Transformation and Participatory
Research. Convergence 21(2-3): 5-15.

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Apostila pesquisa participante

  • 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB Departamento de Educação – campus VII Curso de Licenciatura em Matemática PESQUISA PARTICIPANTE Senhor do Bonfim/BA maio de 2014
  • 2. Eduardo Maciel Gleyton Gomes Juliana Santos Lidiane Elias PESQUISA PARTICIPANTE Trabalho apresentado como requisito parcial, para a avaliação do Componente Curricular Trabalho de Conclusão de Curso II, do curso Licenciatura em Matemática da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, sob orientação do Professor: Helder Luiz Amorim Barbosa. Senhor do Bonfim/BA maio de 2014
  • 3. SUMÁRIO O que é pesquisa?............................................................................................................ I Pesquisa Participante.....................................................................................................II Proposta Modelo...........................................................................................................III Problemas da Pesquisa Participante.............................................................................V Conclusão.....................................................................................................................V Referências
  • 4. I - O QUE É PESQUISA? Pesquisa é uma forma de investigação. Não é possível fazer pesquisa sem que haja um problema para resolver ou uma pergunta para responder. Toda pesquisa é feita para ampliar o conhecimento, qualquer que seja a área de trabalho do pesquisador. Mas existem riscos e incertezas. O pesquisador precisa buscar evidências que apóiem sua argumentação para a solução do seu problema ou para a resposta a sua pergunta. Para chegar à evidência, um pesquisador precisa de dados. Método de pesquisa é a técnica usada para a coleta de dados, ou seja, é a estratégia usada pelo pesquisador para coletar as informações que precisa para resolver seu problema ou para responder a sua pergunta. Quais são os métodos de pesquisa? Em linhas gerais, uma pesquisa pode ser feita segundo dois métodos, sendo então identificadas como: a) pesquisa qualitativa; b) pesquisa quantitativa. A pesquisa qualitativa tem o objetivo de entender o comportamento das pessoas, suas opiniões, seus conhecimentos, suas atitudes, suas crenças, seus medos. Está, portanto, relacionada ao significado que as pessoas atribuem às suas experiências do mundo e ao modo como entendem o mundo em que vivemos. O pesquisador da área qualitativa levanta dados por meio de entrevistas, grupos de discussão, observação direta, análise de documentos e de discursos – ou seja, por meio de texto. A pesquisa quantitativa tem o objetivo de contar, ordenar e medir para estabelecer a frequência e a distribuição dos fenômenos, para buscar padrões de relação entre variáveis, testar hipóteses existentes, estabelecer intervalos de confiança para parâmetros e margens de erro para as estimativas. O pesquisador da área quantitativa levanta, portanto, dados numéricos.
  • 5. E para que serve? Uma vez definida a pesquisa, precisamos indagar sobre quais as razões de sua realização. Segundo Richardson, os cientistas sociais pesquisam para: a) resolver problemas sociais; b) formular novas teorias e criar novos conhecimentos; c) testar teorias existentes em um campo científico (RICHARDSON, 1989, p. 16-17). II - PESQUISA PARTICIPANTE Introdução A pesquisa participante busca o envolvimento da comunidade na análise de sua própria realidade. Ela se desenvolve a partir da interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas, enquanto a pesquisa-ação ocorre em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema Segundo Gil (1991), "a pesquisa participante, assim como a pesquisa ação, caracteriza-se pela interação entre pesquisadores e membros das situações investigadas". A importância da pesquisa participante está no fato de os objetos estudados serem sujeitos e não "sujeitos de pesquisa", no sentido passivo de fornecedores de dados, mas sujeitos de conhecimento.
  • 6. Segundo Ubiratan D'Ambrosio (1997): “Entre teoria e prática persiste uma relação dialética que leva o indivíduo a partir para a prática equipado com uma teoria e praticar de acordo com essa teoria até atingir os resultados desejados. Toda teorização se dá em condições ideais e somente na prática serão notados e colocados em evidência certos pressupostos que não podem ser identificados apenas teoricamente. Isto é, partir para a prática é como um mergulho no desconhecido. Pesquisa é o que permite a interface interativa entre teoria e prática. ... pesquisa é o elo entre a teoria e a prática. ... " Definição Segundo Grossi (1981): "Pesquisa participante é um processo de pesquisa no qual a comunidade participa na análise de sua própria realidade, com vistas a promover uma transformação social em benefício dos participantes que são oprimidos. Portanto, é uma atividade de pesquisa, educacional orientada para a ação. Em certa medida, tentativa da Pesquisa Participante foi vista como uma abordagem que poderia resolver a tensão contínua entre o processo de geração de conhecimento e o uso deste conhecimento, entre o mundo "acadêmico" e o "irreal", entre intelectuais e trabalhadores, entre ciência e vida." Para Brandão (1984) : Trata-se de um enfoque de investigação social por meio do qual se busca plena participação da comunidade na análise de sua própria realidade, com objetivo de promover a participação social para o benefício dos participantes da investigação. Estes participantes são os oprimidos, os marginalizados os explorados. Trata-se, portanto, de uma atividade educativa de investigação e ação social. Lakatos e Marconi (1991) definem a pesquisa participante como um tipo de pesquisa que não possui um planejamento ou um projeto anterior à prática, sendo que o mesmo só será construído junto aos participantes (objetos de pesquisa). Os quais auxiliarão na escolha das bases teóricas da pesquisa de seus objetivos e hipóteses e na elaboração do cronograma de atividades.
  • 7. Características da Pesquisa Participante SEGUNDO TANDON: a) É um processo de conhecer e agir. A população engajada na pesquisa participante simultaneamente aumenta seu entendimento e conhecimento de uma situação particular, bem como parte para uma ação de mudança em seu benefício. b) É iniciada na realidade concreta que os marginalizados pretende mudar. Gira em torno de um problema existente. Caso haja consciência suficiente, a própria população inicia o processo e pode até mesmo dispensar o perito externo. Mas ainda começando pelo perito, o envolvimento da população é essencial. c) Variam a extensão e natureza da participação. No caso ideal, a população participa do processo inteiro: proposta de pesquisa, coleta de dados, análise, planejamento e intervenção na realidade. d) A população deve ter controle do processo. e) Tenta-se eliminar ou reduzir as limitações da pesquisa tradicional. Pode empregar métodos tradicionais na coleta de dados, mas enfatiza posturas qualitativas e hermenêuticas, e a comunicação interpessoal. f) É um processo coletivo. g) É uma experiência educativa. III - PROPOSTA MODELO Primeira fase: Montagem Institucional e Metodológica da Pesquisa Participante  Discussão do projeto de pesquisa participante com a população e seus representantes;  Definição do quadro teórico de pesquisa participante, isto é, objetivos, conceitos, hipóteses, métodos, etc.;
  • 8.  Delimitação da região a ser estudada;  Organização do processo de pesquisa participante (instituições e grupos a serem Associados, distribuição das tarefas, procedimentos e partilha das decisões, etc);  Seleção e formação dos pesquisadores ou de grupos de pesquisa.  Elaboração do cronograma de operações a serem realizadas. Segunda fase: Estudo Preliminar da Região e da População Envolvida  Identificação da estrutura social da população envolvida.  Diferenciar as necessidades e os problemas da população estudada segundo as categorias ou as classes sociais a que compõem.  Selecionar a população para a qual se deseja intervir.  Preparar uma efetiva descentralização da pesquisa ao nível dos grupos sociais mais oprimidos e mais afastados do poder, de modo geral.  Descoberta do universo vivido pelos pesquisados.  Pesquisa de dados sócio-econômicos e tecnológicos.  Difusão dos resultados junto à população (feedback). Terceira fase: Análise crítica dos problemas considerados prioritários e que os participantes desejam estudar  Constituição de grupos de estudo  Análise crítica dos problemas Quarta fase: Programação e Aplicação de um Plano de Ação (incluindo atividades educacionais) que Contribua para a Solução dos Problemas Encontrados  Atividades educativas que permitam analisar melhor os problemas e as situações vividas;  Medidas que possam melhorar a situação a nível local;  Ações educativas que permitam cumprir essas medidas;  Ações para promover as soluções identificadas a médio e longo prazo, em nível local ou mais amplo.
  • 9. IV - PROBLEMAS DA PESQUISA PARTICIPANTE A pesquisa participante, quanto à prática em processo de consolidação, apresenta diversos problemas. Estes problemas permitem uma variedade de reflexões que abarcam desde as técnicas e a concepção do método, ate os aspectos epistemológicos que orientarão a construção de um novo conhecimento. Entre aquelas reflexões podemos destacar as seguintes: - os problemas teóricos da pesquisa alternativa e a definição da pesquisa participante como estratégia metodológica. Seguindo as idéias de Justa Espeleta (1986) chama a atenção nos projetos de pesquisa participante, a linguagem. Uma linguagem que pretende denominar a realidade de "outro" modo e que procura constituir-se ao mesmo tempo em linguagem crítica. Este "outro" modo um modo diferente daquele utilizado pela ciência Social dominante. Trata-se, em geral, de uma linguagem com claras conotações marxistas. Mas, muitas vezes, o material produzido apresenta serias ambigüidades nos conceitos utilizados. Por exemplo, "transformação da realidade" pode ser usado tanto para falar da mudança de hábitos alimentares de um grupo, como para designar um fenômeno cognitivo referente a sujeitos individuais; "transformação' aparece também freqüentemente como sinônimo de "mudança social"; relações sociais" e usado para falar de interação; "classe social" tem uma infinidade de acepções; a relação "sujeito- objeto" - categoria da epistemologia - refere-se habitualmente a uma interação entre pessoas. Por outro lado, “construção do conhecimento” pode referir-se tanto a gênese da teoria como a síntese que o pesquisador chegava fazer de alguns saberes populares; 'pesquisa", enfim, pode ser permutada por método ou por técnicas. Um outro aspecto a considerar a freqüente transposição de categorias estruturais (sistema social, classe, reprodução) para a analise de situações particulares, específicas. Situações que a linguagem funcionalista designa como micro sociais um grupo de mães, um grupo de camponeses, um bairro. Problemas teóricos
  • 10. A pesquisa participante com estratégia metodológica Diversos autores consideram a pesquisa participante uma estratégia metodológica. Isto gera diversos problemas que prejudicam o avanço da pesquisa alternativa. Devemos lembrar que as críticas à pesquisa convencional se dão particularmente no campo epistemológico do empirismo e positivismo das Ciências Sociais. Logicamente, os supostos epistemológicos influem nos supostos metodológicos. Um outro pressuposto epistemológico do empirismo e positivismo que se reflete na pesquisa convencional é o "aparencialismo” (seguindo o conceito de Jacobo Waiselfiz) pelo qual se limita a capacidade de conhecer à aparência imediata dos fenômenos. em uma perspectiva deliberadamente externa e coisificada. Ao limitar a análise ao nível imediato da realidade e às formas de apresentação dos fenômenos, o âmbito da problemática a ser pesquisada fica limitado ao dado empírico, enfatizando-se o império das técnicas de medição, levantamento e analise de dados. Mas, essa aparência, por ser um modo imediato de manifestações de um processo histórico, é um ocultamento do real. V - CONCLUSÃO O processo de pesquisa participante não termina com a quarta fase como explica seu método de modelo. A análise crítica da realidade, a execução das ações programadas conduz ao descobrimento de outros problemas, de outras necessidades, de outras dimensões da realidade. A ação pode ser uma fonte de conhecimentos e de novas hipóteses.
  • 11. REFERÊNCIAS  Brandão, C.R. (ed.). 1981. Pesquisa Participante. São Paulo: Editora Brasiliense.  Brown, D. e Tandon, R. 1983. .Ideology and Political Economy in Inquiry: Action Research and Participatory Research. Journal of Applied Behavioral Science 19(3): 277-94.  D’AMBROSIO, Ubiratan. A era da consciência. São Paulo: Editora Fundação  EZPELETA, Justa, ROCKWELL, Elsie, (1986). Pesquisa participante. São Paulo: Cortez.  Freire, P. 1995. Pedagogy of Hope: Reliving Pedagogy of the Oppressed. New York: Continuum.  GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1991.  GROSSI, Y. de S. Mina de Morro Velho: a extração do homem, uma história de experiência operária. São Paulo: Paz e Terra, 1981.  Hall, A. Gillette e R. Tandon, eds. Creating Knowledge: A Monopoly? Participatory Research in Development. New Delhi: Society for Participatory Research in Asia.  LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A Técnicas de Pesquisa. São Paulo, Atlas, 1999 Petrópolis, 1997.  SALOMON, Como fazer uma monografia. São Paulo, Martins; Fontes 1999.  Tandon, R. 1988. .Social Transformation and Participatory Research. Convergence 21(2-3): 5-15.