Dimensão social do dízimo
Jornal Mensal da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim-ES
Ano IX - Nº 129 - Julho de 2009 - R$ 1.00...
Pela graça de Deus entendemos ser nos-
sa missão a abertura à generosidade, à par-
tilha, à capacidade de irmos ao encontr...
Maria, a Mãe de Jesus, teve outros filhos?
Nessa coluna estamos refletindo sobre a liturgia da
Missa. Até agora falamos so...
DÍZIMO:
PARTILHA QUE TRANSFORMA A SOCIEDADE
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o longo dos últimos anos a Diocese de Ca-
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Julho de 2009 ENTREVISTA
Rumo a Porto Velho-ROVem aí, o 12º Encontro Intereclesial de CEB’s, que acontecerá de 21 a 25 de ...
Julho de 2009
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9º Encontro
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Ordenações de diáconos
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Encontro Vocacional Diocesano
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Com a nossa vinda para Marataízes,
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Muitas pessoas são ditas amigas e na verdade ser amigo é ouvir, é confiar, é amar.
Os amigos de verdade ficam para sempre ...
Julho de 2009ESPECIAL ANO SACERDOTAL
Um dos objetivos do Ano Sacerdotal
é o de favorecer a tensão dos sacerdotes
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Refletindo o Evangelho
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  1. 1. Dimensão social do dízimo Jornal Mensal da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim-ES Ano IX - Nº 129 - Julho de 2009 - R$ 1.00 SEU COMPANHEIRO NAS TRILHAS DA BOA NOTICIA Julho, em todas as comunidades da nossa diocese, é dedicado à Pastoral do Dízimo. Nesse ano, a Equipe Diocesana da Pastoral do Dízimo nos propõe uma reflexão sobre uma das três dimensões que o dízimo necessariamente tem que ter: a dimensão social. Muitas vezes acontece de a comuni- dade e a paróquia já comprometerem tanto do dízimo com a dimensão reli- giosa (manutenção da estrutura e o cul- to), que pouco "sobra" para a dimensão missionária e, às vezes, absolutamente nada para a dimensão social. É preciso repensar essa distribuição, se quiser- mos ser fiéis aos ensinamentos de Jesus, que fez opção preferencial pelos pobres e marginalizados. Que investimento temos feito na promoção humana, nas pastorais sociais e na construção de uma política melhor? Leia aqui e reflita sobre isso com sua comunidade. Especial Ano Sacerdotal, a cada mês publicando a memória de um padre fa- lecido. Festa de São Pedro movimenta a Dio- cese de Cachoeiro. Delegados da nossa Diocese para o 12º Intereclesial de CEB's 04 05 06 12 ESPECIALIgreja em NotíciaIgreja em Notícia
  2. 2. Pela graça de Deus entendemos ser nos- sa missão a abertura à generosidade, à par- tilha, à capacidade de irmos ao encontro uns dos outros com o objetivo de ser úteis em atenção ao que as pessoas necessitam de nós. Em uma realidade tão marcada pelo individualismo e pelo egoísmo, cabe- nos testemunhar como católicos que somos, que a nossa felicidade será sempre maior em nos doarmos do que em recebermos algo de outras pessoas. “Farei nascer um descendente de Davi; reinará como rei e será sábio, fará valer a justiça e a retidão na terra” (Jer 23, 5). Este rei e pastor é Jesus, que “percebe a carência das multidões que O seguem e sentem por elas compaixão, porque eram como ove- lhas sem pastor!” (Mc 6, 34). É a Palavra de Deus para nós, que nos apresenta um Deus que se compromete com as carências do seu povo. Refletimos sobre o Dízimo em nossa Diocese nesse mês de julho e, mais es- pecificamente, sobre o alcance social do Dízimo. É do nosso conhecimento que a partilha do Dízimo nos leva a ajudarmos projetos sociais para a promoção de nossos irmãos empobrecidos. Cada dizimista com sua contribuição participa de uma ação comum para beneficiarmos outros que ne- cessitam da atenção e assistência da Igreja. Porém nem todos os que se dizem católicos, não compreenderam ainda que o Dízimo seja um dever de todos que vivem e partici- pam de nossa Igreja. Para Deus não damos o que sobra, uma migalha, mas devemos ser tão generosos como Deus se manifesta generoso para conosco. São muitas as ex- periências positivas daqueles que, ao enten- der o sentido da devolução do dízimo, na dimensão da gratuidade, sentiram-se ainda mais abençoados por Deus. Tenho visto como, a partir de uma conscientização dos mais velhos, até as crianças já estão sendo educadas em nossas Comunidades Ecle- siais para fazerem a devolução do Dízimo com um coração feliz e responsável. Deus que é bom e compassivo quer usar de nós para realizar o bem para todos. Com nossas ofertas do Dízimo e por nossas ações solidárias seremos capazes de tornar nosso mundo de hoje mais humano e fra- terno. Com transparência e justiça zelamos pela aplicação daquilo que é oferta de todos. Mantemos nossas Comunidades, os nossos Presbíteros e os nossos Seminaristas. Cui- damos de aplicar os recursos do Dízimo em projetos pastorais. Sabemos, no entanto que nem todas as Comunidades Eclesiais de nossa Igreja Diocesana são beneficiadas por políticas públicas que cuidam da saúde de nosso povo, como também por projetos que promovam o lazer para todos. Sabemos que os cuidados de saúde e os benefícios para um lazer saudável têm um custo muito alto para todos. E são direitos fundamen- tais da pessoa humana! Por isso é nosso desejo que nossa partilha na entrega do Dí- zimo possa alcançar um dia um índice mais alto que nos leve a organizar projetos so- ciais que beneficiem a todos que dependem de nossa ajuda, principalmente nas Comu- nidades mais carentes e esquecidas. Essa é minha preocupação de pastor diocesano, que não desejo ver nosso reba- nho esquecido ou disperso por causa das injustiças e desequilíbrios sociais e concla- mo a todos os dizimistas a ver este alcance pastoral e caritativo da devolução mensal do seu Dízimo para assim providenciarmos uma vida saudável e feliz para todos. Julho de 2009 Em nossa Diocese, convencionou-se fazer uma campanha sobre a pastoral do dízimo todos os anos no mês de julho. A cada ano um tema, uma abordagem, símbo- los, celebrações, aprofundamentos bíblicos e pastorais. Se é preciso fazer campanha para conscientizar sobre alguma coisa, é sinal que essa coisa ainda não está bastante internalizada e assumida pela maioria das pessoas envolvidas. É facilmente constata- do que o dízimo, embora venha sendo mais e mais desenvolvido no seio das comunida- des eclesiais enquanto pastoral que evange- liza, ainda não foi assimilado concretamen- te como prática comum pelas massas que frequentam a Igreja Católica. Os católicos são os únicos que precisam, ainda hoje, fazer bingos, rifas e outras cam- panhas para construir, reformar ou ampliar um templo, por exemplo. Em muitos casos, para manter suas atividades de evangeliza- ção ou promoção humana, as paróquias e comunidades, além de promover a pastoral do dízimo, precisam apelar para espórtu- las, taxas de inscrições em eventos, coletas, venda de camisetas e até “vaquinhas” entre os próprios agentes pastorais. O ideal seria que ninguém tivesse que sequer falar em valores financeiros ao se inscrever para um sacramento, um retiro ou encontro de formação. Bom seria que a Igreja tivesse condições de investir para fora dos seus muros, isto é, em ações de prevenção e recuperação social, tornando- se parceira da sociedade civil organizada, da iniciativa privada e das instâncias de governo. Infelizmente, o que se vê quase sempre são as comunidades católicas no lugar exatamente inverso: pedindo doações e, assim, “competindo”, na consciência do doador, com as mazelas da sociedade. Assim era o apostolado de Jesus de Nazaré. Nunca se ouviu dizer que ele e seus discípulos precisassem mendigar; os próprios alcançados e beneficiados pela força renovadora do Evangelho supriam as necessidades da comitiva. Em Lc 8,1-3, vemos as mulheres curadas e exorcizadas por Jesus; elas “o ajudavam com as suas posses”. Em Lc 19,1-10, o primeiro gesto do publicano Zaqueu depois de profundamen- te transformado pela visita de Jesus à sua casa foi o de declarar que faria doações aos pobres; e Jesus e seus discípulos certamen- te receberam parte disso, já que eram eles mesmos pobres. José de Arimateia, ilustre membro do sinédrio, comprou um túmulo novo, escavado na rocha, e doou para sepul- tar o Mestre (cf. Lc 23,50-53). Isso se dava também com a Igreja inci- piente descrita no livro de Atos dos Apósto- los. Havia um serviço organizado de aten- dimento social às viúvas sofredoras (cf. At 6). Os convertidos ao cristianismo vendiam suas propriedades e depositavam os valores aos pés dos apóstolos (cf. At 2,45; 4,34-35); esse caixa financiava a dedicação exclusiva dos pregadores (cf. At 6,4, conforme o en- sinamento do Senhor em Mt 10,10) e possi- bilitava a viagem dos missionários. Depois que o imperador Constantino au- torizou o cristianismo em Roma (313 d.C.), em pouco tempo a Igreja cristã passou a ser a religião oficial do Império. Dali em diante, por toda a Idade Média e boa parte da Mo- derna, a Igreja Católica não teve problemas com sua manutenção financeira, uma vez que, na Europa cristã, ela sempre foi patro- cinada pelas autoridades civis, quando não financiada como departamento dos reinos. Essa cultura milenar de apadrinhamento fez acomodar-se o senso comum católico em relação à responsabilidade dos fiéis leigos com a estrutura eclesiástica. Conse- quentemente, no auge da Modernidade, a expansão do liberalismo e seus ideais secu- laristas foi retirando a instituição católica de debaixo de suas asas e, com a declaração dos direitos humanos e a liberdade de cul- to, o catolicismo perdeu de vez as benesses de religião oficial por toda parte. Hoje em dia, a Igreja Católica luta para pelo menos ser citada nos anais da história da Europa, como um dos principais agentes fundado- res da cultura ocidental. Perdido o posto, o catolicismo vem procurando se manter. No Brasil, sobretudo, que colherá ainda por al- gum tempo o preço do regime do Padroa- do, a manutenção da Igreja, quando entra no orçamento familiar, aparece como algo opcional, irresponsável, quase um anexo, que pode ser (e quase sempre acaba sendo) facilmente esquecido. Mas há luzes vislumbradas ao longe: à medida que os ideais do Concílio Vatica- no II vão se concretizando na vida pastoral dos filhos da Igreja, vai crescendo também a consciência de que cada membro dessa “família” deve colaborar com a manutenção dessa sua “casa”. Dízimo: missão e partilha Direção Geral: Padre Juliano Ribeiro Almeida Edição / Redação / Fotos: Olegario Wanguestel Jr - Mtb 1107 (DRT-RJ) Colaboraram nesta Edição: D. Célio de Oliveira Goulart, Pe. Paulo Sérgio Mourão, Pe. Helder Salvador, Ariette Moulin, Ir. Maria Lunardi, Pe. Gelson de Souza, Pe. Walter Luiz Altoé, Mons. Antônio Rômulo Zagoto, Mons. Dalton Meneses, Pe. Paulo Sérgio Mourão, Pe. Helder Salvador e a Equipe Diocesana da Pastoral do Dízimo. Redação: Rua Costa Pereira, 37 - Centro Cachoeiro de Itapemirim - Espírito Santo CEP 29300-090 - Tel/Fax: 28 2101-7608 Email: odiocesano@gmail.com Diagramação e Arte: Vida Nova Design • 28 3517-3424 contato@vidanovadesign.com Impressão: Gráfica Nova Luz • 28 3517-6845 graficanovaluz@gmail.com A evolução do Dízimo Com nossas ofertas do Dízimo e por nos- sas ações solidárias seremos capazes de tornar nos- so mundo de hoje mais humano e fraterno. Nunca se ouviu dizer que ele e seus discípulos precisassem mendigar. PALAVRA DO BISPOEDITORIAL † Célio de Oliveira Goulart BispoDiocesanodeCachoeirodeItapemirim
  3. 3. Maria, a Mãe de Jesus, teve outros filhos? Nessa coluna estamos refletindo sobre a liturgia da Missa. Até agora falamos sobre os ritos iniciais, sobre a liturgia da Palavra e sobre a liturgia eucarística, e no pre- sente artigo vamos concluir falando dos ritos finais. Quando termina a oração pós-comunhão, seguem os ritos finais da missa. Primeiro segue o momento dos avisos, onde serão apresentados os acontecimentos da vida e da missão da comunidade: reuniões, encontros e outras ativi- dades que irão se realizar, e das quais somos convidados a participar, ou pelas quais vamos nos interessar e rezar. Muitas vezes estes avisos são dados de maneira fria e for- mal. Estes avisos não precisam ser dados por uma pessoa apenas, mas podem ser dados por mais pessoas, isso pode chamar a atenção da comunidade. Os avisos não são so- mente para informar, mas sobretudo para motivar para o assunto relacionado com a sua pastoral: catequese, pastoral da juventude, pastoral da saúde, círculos bíblicos, etc. É bom deixar a palavra aberta a outras pessoas da assembléia que possam ter alguma informação importante. Após os avisos, se por acaso a celebração destaca al- guma pessoa em particular (aniversariantes...) ou alguma categoria de pessoas (mães, pais...), pode-se nesse momen- to fazer as devidas homenagens sem, contudo, cair no exa- gero. Em seguida o presidente da celebração saúda a assem- bléia, com essas palavras: O Senhor esteja convosco. E o povo responde: Ele está no meio de nós. Diante disso, o presidente estende as mãos sobre a comunidade reunida, e invoca a bênção de Deus sobre os presentes. Conforme as circunstancias, poderá chamar alguma pessoa para receber uma bênção especial, como no dia das mães, dia dos pais, dia do trabalhador, etc. Após a bênção é comum em nossas comunidades um “canto final”. Mas algumas equipes reclamam: o povo não fica para o canto final, vai saindo e nos deixa cantando so- zinhos! Pois afinal, depois do envio (Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe!), a missa acabou. Falar ou cantar mais alguma coisa pode enfraquecer tudo o que foi feito até agora. Vem como que desequilibrar a estrutura, pro- longando desnecessariamente a última parte da missa. E o povo, ao sair da missa, quer conversar, se cumprimentar, confraternizar. Por que impedir isso, obrigando as pessoas a prestar atenção a mais um canto? Se for cantar um cântico final, o grupo puxa e o povo vai saindo acompanhado pelo som, pela melodia, pela letra... Se a equipe preferir pode optar por uma música instrumental acompanhando a saída o povo. Terminada a bênção final, e acompanhado por um can- to ou música instrumental, cada pessoa vira “as costas” para a mesa do altar, para a mesa da Palavra, e caminha em direção à porta que dá para a rua. Isso significa que a assembléia vai se desfazer: cada um vai para sua casa, se encontrar com a sua família, retomar o seu trabalho profissional, retomar os trabalhos da Igreja, etc. Voltamos revigorados, refeitos, reanimados em nossa fé e em nossa disposição para a missão. Buscamos redirecionar todo o nosso ser, nosso pensar e agir de acordo com o ser, pensar e agir de Jesus. A Palavra de Deus ouvida, a atitude de gra- tidão e de louvor, a esperança, os gestos de partilha, de re- conciliação, de maior aceitação e união, de entendimento.... Tudo isso pede agora para desabrochar lá fora, qual flor que estava em botão, qual semente que caiu em terra boa e quer crescer e frutificar. Está claro, pelos evangelhos, que Jesus teve “irmãos”. São 10 os textos do Novo Testamento que os citam: Mc 3, 31-35; Mt 12, 46-50; Lc 8,19-21; Mc 6, 3; Mt 13, 55s; Jo 2, 12; 7,2-10; At 1, 14; Gl 1, 19 e 1Cor 9, 5. São textos que nos falam claramente sobre “irmãos” de Jesus. Mas, atenção! NENHUM DELES FALA QUE ESSES IRMÃOS SÃO FILHOS DE MARIA. Não há no Novo Testamento nada que comprove que Maria teve ou- tros filhos. Ela só teve Jesus! A coisa mais bonita e honrosa deste mundo é a materni- dade. Se Maria tivesse mais filhos seria uma honra para ela. Mas ela quis ser só de seu filho Jesus, Filho de Deus. Vejamos então o que quer dizer “irmãos de Jesus”. Na língua hebraica há uma só palavra para dizer irmão, primo, tio, sobrinho. Os que traduziram o Antigo ou Pri- meiro Testamento para a língua grega, talvez por apego ao texto original, traduziam com a palavra “irmão” sempre que encontravam o termo hebraico “AH” usado para falar de qualquer parentesco. Mesmo que no grego haja palavras para designar graus de parentesco. Os autores do Novo Testamento usavam a tradução gre- ga e conservaram a tradução “irmão”. Citemos apenas três textos do Antigo Testamento para comprovar isto: • Gn 13, 8: Ló, sobrinho de Abraão, chamado de irmão. • Gn 29, 13: Jacó, parente de Labão, chamado de irmão. • 1Cr 23, 21-23: os filhos de Cis, primos das filhas de Eleazar, ditos irmãos. Quanto ao Novo Testamento, em primeiro lugar, poderíamos perguntar: onde ficaram os “ir- mãos” de Jesus, enquanto Maria e José procuravam Jesus, aos doze anos, encontrado depois entre os dou- tores? (Lc 2, 41-52). Nunca se fala em “filhos de Maria e José”, do que se deduz que eles não tiveram filhos biológicos. Mas, e os irmãos citados em Mt 13, 55 e Mc 6, 3? Tiago, Joset, Simão e Judas são os seus nomes. Mas Mt 27, 56 e Mc 15, 40 falam em “Tiago e Joset filhos da Maria”, mulher de Cléofas ou Alfeu. Se Tiago e Joset têm outra mãe e outro pai, como seriam irmãos biológicos de Jesus? O mais anti- go historiador da Igreja, Hegesipo (séc. II) diz ser Alfeu ou Cléofas irmão de São José. Portanto, se esses dois são pri- mos, mesmo chamados de irmãos, os outros também o são. Penso que só isto já desarma qualquer idéia sobre possí- veis irmãos biológicos de Jesus. Nosso amor católico a Maria é baseado na própria Bí- blia (Lc 1,46-55). Ninguém gosta de ver sua mãe desonrada. Muito menos Jesus. O fato de Maria ser nossa mãe também nos enche de alegria e de louvor a Deus. A Igreja sempre proclamou a virgindade perpétua de Maria. O que isso significa é assunto para uma outra vez. Pe. Paulo Sérgio Mourão Mons. Dalton Meneses Penedo RITOS FINAIS Julho de 2009 LITURGIA EM GOTAS QUAL É A DÚVIDA? Pe. Paulo Sérgio Mourão é pároco de Nossa Senhora da Penha de Alegre-ES. Mons. Dalton Meneses Penedo é vigário paroquial em Conceição do Castelo.
  4. 4. DÍZIMO: PARTILHA QUE TRANSFORMA A SOCIEDADE A o longo dos últimos anos a Diocese de Ca- choeiro de Itapemirim, por meio da Pas- toral do Dízimo, tem semeado em nossas comunidades a mística da experiência da Partilha Dizimal buscando apresentá-la como mais um im- portante instrumento de evangelização. Diversos trabalhos e eventos de formação foram lançados na busca pela assimilação junto as nossas lideran- ças, agentes de pastoral do dízimo e por conseguinte o povo em geral de uma verdade indispensável: A PARTILHA GRATUITA. Mais do que uma simples devolução, o Dízimo é uma maneira nova de ver e viver nossa relação com os bens materiais. Deseja levar-nos a entender que apesar de Deus não precisar de nossas riquezas para seu sustento próprio, quis que por meio da participa- ção e compromisso de seu povo fossem conseguidos os recursos necessários para o sustento do serviço pastoral. No mês de julho de 2009, a Equipe Diocesana da Pastoral do Dízimo oferece para esse tempo de reflexão o tema Dimensão Social do Dízimo e o lema Por que ainda falta pão? São desafios que para muitos podem parecer utopia. Afinal, há muitos anos falamos a respeito da fome em suas mais varia- das formas e apesar de tantos esforços esta mazela social parece não ter fim. O enfrentamento da dura realidade social vivida por milhares de brasileiros é o tema deste mês diocesano de conscientização so- bre o dízimo. A partir de reflexões voltadas para edu- cação, moradia, segurança, saúde, lazer, emprego e alimentação, buscaremos num primeiro momento debater estes temas e trazer para dentro de nossas comunidades propostas de enfrentamento destas re- alidades. Além do debate desejamos motivar nosso povo para atitudes concretas baseadas na caridade, no amor ao próximo e na partilha consciente. Acre- ditamos que somente com a conscientização popular e o desenvolvimento de atividades organizadas con- seguiremos mudar um pouco destas tragédias sociais que vivemos todos os dias. Em outro aspecto, o mês de conscientização quer for- mar uma visão critica em torno da ação do poder público enquanto promotor de inclusão social. Cabe a cada cida- dão indignar-se com realidades absurdas envolvendo des- vios de verbas públicas, ingerência da máquina estatal e a incompetência governamental em oferecer soluções concretas para estas necessidades da população. Nosso povo precisa estar atento e atuante para não permitir que os administradores públicos falhem em seu dever cívico e moral de atender a população. Pouco realizaremos em prol da igualdade social se não formos fortes na oração mas também na ação. Deixar de lado nossos temores, vencer o desânimo paralisante para unirmos forças, capacidades, talentos e produzirmos caminhos que levem nosso povo a desfrutar de condições mais dignas de vida, estas são umas das importantes tarefas que o mês de conscientização nos convida a vivenciar. Para Jesus, o irmão que padece tem importância funda- mental. Ele mesmo afirma em importantes passagens bíbli- cas que todo bem que fizermos a uma pessoa que sofre será visto como um benefício oferecido diretamente a Jesus. Je- sus se mostra no rosto daqueles que sofrem, que passam fome, frio, que carecem de saúde, habitação, trabalho. As misérias de nosso tempo compõem uma sociedade de in- digentes, local onde Jesus quer ser encontrado e amparado. Desta maneira, neste ano, a Equipe Diocesana da Pas- toral do Dízimo traz para nossa reflexão a urgente necessi- dade de olharmos nossos irmãos menos favorecidos e nos convida a fazermos a experiência da partilha com fideli- dade e coragem para darmos as nossas comunidades con- dições reais de promovermos a prática da solidariedade e desenvolvermos trabalhos de promoção humana. Mas, se a solidariedade é tão necessária, porque ainda não ocorre? Sobretudo pelo egoísmo. Se analisarmos o número de moradores católicos de nossa Diocese e compararmos com os valores arrecadados com o Dízimo, ficaremos assusta- dos com o mínimo valor hoje arrecadado. Não se trata de extrema pobreza ou de crise econômica. Estamos falando de falta de conscientização a respeito do significado do Dízimo, falta de ação de muitas pastorais por não irem ao encontro das pessoas, medo dos agentes em falar do Dízimo sobretudo por receio de afastar o povo de suas comunidades e celebrações, despreparo de nossos Ministros, Diáconos e Padres em anunciar com clareza a importância do Dízimo, falta de teste- munho destes mesmos Ministros que muitas das ve- zes não aceitam o Dízimo, chegando aos extremos de fazer campanhas contra sua importância para a vida da comunidade e por fim, não menos grave e compli- cado, o egoísmo que aprisiona o coração de grande número de irmãos e irmãs. Mas, não são somente dificuldades que cercam o trabalho da pastoral dizimal. Poucos não são os belos relatos de experiências transformadoras vividas por homens e mulheres, em muitas vezes pessoas sim- ples, que acreditaram na partilha e fizeram a experi- ência de dividir o pouco que tem com a comunidade e assim vislumbraram o milagre da multiplicação de alegrias em suas vidas. No início o medo da falta de dinheiro. Após, a alegre surpresa de ver que é capaz de viver com menos sem fazer falta para manter sua vida e ainda, somado a isto, a felicidade de perceber o milagre de Deus acontecendo por suas mãos quando outras pessoas passam a ter esperança de algo melhor pois alguém antes confiou na promessa de pão para todos. Crer no Dízimo é antes de tudo acreditar num milagre: o da transformação de vida a partir de um simples e significativo gesto. De que adianta um real frente a tanta pobreza que salta diante de nossos olhos? Parece nada, não é verdade? Agora pense nes- te mesmo valor entregue por todos da sua comunida- de, simultaneamente. Algo mudaria, não é mesmo? Deste mesmo princípio simples e milagroso nasce o texto do Evangelho que melhor retrata a temática deste ano. Quando tratamos do Dízimo como ins- trumento de promoção humana nossos pensamentos são remetidos à passagem da multiplicação dos pães, um dos mais conhecidos momentos da Sagrada Escritura. Lá vemos o gesto de um menino desencadear uma ação co- letiva capaz de “alimentar uma multidão”. A figura deste momento é catequética: Jesus ensina, anima, traz coragem aos corações e a partir de suas palavras cheias de esperança e verdade o povo dá uma resposta, mesmo que tímida, apa- rentemente insegura, mas uma resposta que traz resultados. Durante este mês de conscientização, Jesus nos chama a agir. Tomar atitudes concretas em prol da vida de todos, com mais qualidade e justiça. Não podemos ficar insensí- veis aos apelos do Evangelho e pensarmos que nada temos a fazer ou nos auto classificarmos como incapazes. Jesus já ensinou os meios de vencer e nos deu as ferramentas ne- cessárias para agirmos. Resta-nos agora partir para a ação e fazermos de nossas comunidades um espaço de genero- sidade e partilha. Ao longo deste mês temos a missão de levar ao povo a mensagem do compromisso social e assim criarmos uma comunidade onde não haverá pessoas sem pão-educação; pão-saúde; pão-segurança; pão-trabalho, etc. Julho de 2009DESTAQUE Pela Equipe Diocesana da Pastoral do Dízimo
  5. 5. Julho de 2009 ENTREVISTA Rumo a Porto Velho-ROVem aí, o 12º Encontro Intereclesial de CEB’s, que acontecerá de 21 a 25 de julho em Porto Velho, Rondônia. Para este encontro internacional, cada diocese do Brasil é convidada a enviar 10 delegados. A nossa Diocese decidiu enviar dois padres e oito leigos (representando os oito regio- nais). O jornal O Diocesano entrevista Nilza Néri e Pe. Antônio Tatagiba, que estão entre os delegados da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, sobre as expectativas para este importante evento. O DIOCESANO: Nilza, que experiências de CEB’s você está levando na bagagem para partilhar em Rondônia? NILZA: Eu sou Nilza Nery Porto Ribeiro Pizetta, leiga, casada com Agenor Pizetta, temos dois filhos: Rená e Pedro. Sou funcio- nária da Caixa Econômica Federal, formada em Ma- temática, com pós-gradu- ação em Gestão Empresa- rial e atualmente me formando em Psicologia. Sou filha da comunidade São José Operário, bairro Amarelo, Paróquia São Pedro, a qual amo. Na comunidade nasci, cresci e contribui para que ela crescesse e através dela fui sendo evangelizada. Levo a experiência de círculo bíblico desde adolescente, a formação de grupo jovem FJA (Força Jovem do Amarelo), catequista, secretária do CPC, coordenadora e agente da Pastoral do Dízimo, coordenadora do CPC e Ministra da Palavra, tudo gradativamente. Levo a experi- ência de Encontro Conjugal Paroquial e Diocesano, e tam- bém a riqueza de ter feito o Cursilho e as contribuições nos EAC’s (Encontros de Adolescentes co Cristo). Levo a expe- riência nas organizações de alguns encontros diocesanos e estaduais de CEB’s e participação no 11º Intereclesial em Ipatinga-MG. Por alguns anos, participei com a coordena- ção executiva da AMOBAM (Associação de Moradores do Bairro Amarelo), contribuindo para sua criação e organi- zação, na qual continuo associada. Levo a experiência da coordenação paroquial do Dízimo. Hoje, atuo como agente da Equipe Diocesana da Pastoral do Dízimo, contribuindo para o fortalecimento e conscientização desta opção feita pela Diocese. Atuo como Presidenta na Diocese do CNLB (Conselho Nacional do Laicato do Brasil), que é um orga- nismo da Igreja que está crescendo na Diocese, cujo obje- tivo é contribuir para que nós leigos(as), cristãos batizados, conscientes da missão, sejamos protagonistas também no mundo secular, contribuindo para a santificação do mundo. O DIOCESANO: Que importância as pequenas comunidades eclesiais tem para o papel dos fieis na nossa Igreja? NILZA: As pequenas comunidades eclesiais de base são os espaços onde a Igreja revela o amor de Deus, sendo este sinal visível na sociedade e para a sociedade. É através da comunidade que também somos catequizados e aprende- mos o caminho pelos ensinamentos de Jesus. Ela é o es- paço onde celebramos, crescemos e testemunhamos a fé, aprendemos a partilhar, conviver com os irmãos e forma- mos uma só família. A comunidade nos forma, nos dá base para sermos protagonistas no mundo familiar, da política, saúde, economia, em nosso trabalho cotidiano, para onde somos chamados a sermos profetas para uma sociedade justa e solidária. O DIOCESANO: Padre Tatagiba, nós acabamos de viver um encontro diocesano e um encontro estadual com o mesmo tema que este intereclesial em Porto Velho: “CEB’s: ecologia e missão”. Na sua opinião, as comunida- des eclesiais do Espírito Santo estão avançando na consci- ência ecológica e no compromisso com essa causa? PE. TATAGIBA: Sim, a gente percebe que tem cresci- do a consciência ecológica e as CEB’s têm assumido muito mais esse compromisso. Nós pudemos ver tanto na manei- ra que as pessoas avaliaram, os 830 delegados de nossas comunidades eclesiásticas do sul estado, nossa diocese, reunidos em Marataízes, nos dias 15,16 e 17 de maio, quan- do também nos dias 5, 6 e 7 de junho, lá em Vitória, em nível estadual: Diocese de São Mateus, Colatina, Vitória e Cachoeiro. A gente percebia uma clareza muito grande das pessoas nesse sentido de perceber a necessidade de um compromisso mais profundo. Sinais bem visíveis, bem concretos em nossas comunidades. O DIOCESANO: O lema do Intereclesial fala da Amazônia, razão pela qual este encontro será no Estado de Rondônia, que fica bem na floresta amazônica. Mas nós, que estamos tão distantes geograficamente daquela região, que gestos concretos podemos fazer aqui para estar em co- munhão com as CEB’s de toda a América Latina? PE. TATAGIBA: A primeira coisa quando se fala dos “gritos que vem da Amazônia” o que se compreende é que todo o conjunto é visto como Amazônia. O planeta, todo o ecossistema, é interligado, então “ouvir os ecos que vem da Amazônia” é cuidar das próprias questões que nos en- volvem no dia a dia. Eu acho que nosso gesto primeiro é cuidar bem do nosso lugar, da nossa consciência ecológica, sabendo do efeito que isso tem no todo. E o nosso compro- misso não é o deslocamento para a Amazônia no sentido geográfico, mas de perceber a interligação de todos os ele- mentos que constituem o sistema ambiental. Então cuidar bem aqui, significa estar cuidando bem de tudo. Isso é mui- to importante para todos nós. É através da comu- nidade que também somos catequizados e aprendemos o caminho pelos ensinamen- tos de Jesus.
  6. 6. Julho de 2009 Diocese celebra seu padroeiro 9º Encontro Estadual de CEB’s N o dia 29 de junho, segunda-feira, feriado no muni- cípio de Cachoeiro, nossa Diocese se reuniu para celebrar o padroeiro, São Pedro apóstolo. Às 14h30, na Catedral, Pe. Juliano Ribeiro fez o lançamento do filme “Paulo, o homem da Palavra”, em comemoração ao encer- ramento do Ano Paulino. Às 15h, saiu a animada procissão levando a imagem de São Pedro até ao Pavilhão da Ilha da Luz, onde foi concelebrada uma solene Eucaristia. Esteve presente também o Arcebispo de Vitória e ex-bispo de Ca- choeiro, D. Luiz Mancilha Vilela, que saudou e foi sauda- do com muito entusiasmo pela assembleia". O Sr. Prefeito Carlos Castelione e a primeira-dama estiveram presentes à procissão e à eucaristia. Confira as fotos do evento. C om o lema “O grito que vem da Amazônia ecoa no coração da Igreja Capixaba”, ocorreu em Vila Velha nos dias 5, 6 e 7 de junho o 9º Encontro Estadual de CEB’s. Estiveram presentes representantes das 4 Dioceses do Espírito Santo: Vitória, Ca- choeiro de Itapemirim, Colatina e São Mateus. Em análise, o modelo de desenvolvimento instalado no Estado do Espírito Santo, que destrói a natureza não valorizando as formas de vida, além de construir uma cultura de consumo transformando tudo em mercadoria e aumentando a desigualdade social. As CEB’s do Espírito Santo assumiram o compromis- so de despertar a consciência do cuidado com o meio ambiente; promover e incentivar as campanhas de combate à dengue e outras doenças; estabelecer parcerias e apoiar ações de promoção da paz e cuidado com o meio ambiente; promover a implantação de fóruns sócio-ambientais; criar a Pastoral da Ecologia nas comunidades; qualificação em temas ambientais para lideranças; criação e reativação do Grupo de Acompanhamento ao Legis- lativo (GAL) e Equipes de Acompanhamento às Câmaras Municipais (EACAM); buscar parcerias com organizações para diagnosticar a situação sócio-ambiental do ES; realizar encontros e festas ecologicamente corretos; incentivar o uso de produtos ecológicos e trazer a preocupação missionária e ecológica para todas as pastorais. N o dia 20 de junho, na Paróquia São João Batista, em Muqui, ocorreu a Ordenação Presbiterial do Fr. Didier Esperidião Neto através da imposição de mãos do Bispo Diocesano Dom Célio de Oliveira Goulart. Fr. Didier estudou no seminário Nossa Senhora Aparecida da Ordem dos Agostinianos Recoletos em Franca-SP, e agora passa a ser vigário paroquial em Muqui-ES. A província Santa Rita de Cássia da Ordem dos Agostinianos Recoletos e a Paróquia Nossa Senhora da Penha, de Castelo, convidam ainda para a Ordenação Presbiterial de Fr. Gracione Augusto Alves e Fr. Jonas Gusson, no dia 18 de julho, às 18h, na igreja matriz da Paróquia de Castelo. A IGREJA EM NOTÍCIA Ordenações de presbíterosreligiosos
  7. 7. Ordenações de diáconos permanentes Encontro Vocacional Diocesano Festa do Seminário MaiorAvaliação do 6° encontrodeCEB’s H ouve no dia 28 de junho, no Centro de Ensino Lauro Pinheiro, CELP, em Cacho- eiro do Itapemirim, a Ordenação Diaconal de Eraldo Matielo, da Paróquia Nosso Senhor dos Passos. E no dia 5 de julho aconteceu, em Vargem Alta, a ordenação diaconal de Delvane Romão Largura. A celebração aconteceu na Igreja Nossa Senhora Aparecida, localidade de Capivara. N o dia 28 de junho, de 8h às 15h, na Casa das Irmãs Ursulinas, aconteceu mais um Encontro Vocacional Diocesano. Os encontros, que acontecem durante o ano, con- tam com uma média de participação de cerca de 40 a 50 jovens. No final de semana do dia 28 de junho não foi diferente. Durante o dia de retiro de despertar vocacional, os jovens foram convidados a refletir sobre temas como “sentido da vida” e “seguimento a Jesus”, buscando uma ampla reflexão acerca da vida e da vocação batismal, baseada no apóstolo Paulo. Estiveram presentes Pe. Olimpio – que orientou o dia de retiro –, o Pe. Juarez Secco, além das irmãs Ursulinas. O encontro se encerrou as 15h, com a Santa Mis- sa. Em agosto, nos dias 15 e 16, o SAV – Serviço de Animação Vocacional – Diocesano promoverá o retiro “Vem e segue-me”, com palestras, noite cultural, dinâmica de grupo, partilha entre outras atividades. Todos os jovens estão convidados. C omemorando seus 22 anos de sua fundação e os 150 anos da morte do chamado “Santo Cura d’Ars”, o Seminário Maior “São João de Maria Vianney” vai celebrar o seu patrono no dia 8 de agosto, seguindo o ano sacerdotal com o tema “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”. Será celebrado um tríduo preparatório, nos dias 5, 6 e 7, com a presença da Congregação dos Passionistas no primeiro dia, as Irmãs Paulinas no segundo, e no terceiro dia a presença de Diáconos Permanentes de Cachoeiro do Itapemi- rim. D. Célio, Bispo Diocesano, presidirá à concelebração eucarística às 15h. Em seguida, haverá um momento de confraternização entre todos os presentes. O Seminário Maior, que completa 22 anos de fundação, tem em seus quadros 10 se- minaristas cursando Filosofia e 6 cursando Teologia. O reitor do Seminário Maior São João Maria Vianney é o Pe. Helder Salvador, também professor no Instituto de Filosofia e Teologia da Arquidiocese de Vitória e na Faculdade Salesiana, onde nossos seminaristas estudam. A avaliação do 6° encontro Diocesano de CEB’s foi muito positiva. Os participantes consideraram que o encontro contribuiu para sua caminhada, aumentando o conhe- cimento para ajudar a assumir sua missão na comunidade, além do fortalecimento da fé e de mais informações sobre a realidade da Amazônia, conscientizando sobre a mudança de atitude na preservação do meio ambiente. Todos os momentos foram muito bem avaliados pela maioria dos participantes. Dentre mais indicados como “ótimos”, me- receram destaque a fala do assessor Pe. Nelito, a caminhada pela paz e as oficinas. Grande parte dos participantes deixou como sugestão para o próximo encontro uma melhor divul- gação nas comunidades e abertura para participação para mais pessoas das comunidades e pastorais. Já deixaram também sugestão de temas para os próximos encontros, como pedofilia, prostituição, drogas, narcotráfico, violência, segurança pública e a pobreza. Julho de 2009 A IGREJA EM NOTÍCIA A catequese em foco na Igreja O Ano Catequético Nacional tem por tema: Catequese, caminho para o discipulado e, por lema: “Nosso coração arde quando ele fala, explica as escrituras e parte o pão” (cf. Lc 24, 32.35). O fio condutor que norteará o ano catequé- tico será “formar discípulos missionários de Jesus Cristo para que nele todos os povos tenham vida”. Jesus, modelo de caminhante A idéia de caminho indica o método de comunicação que Deus utiliza para se revelar. Tudo acontece no cami- nho, desde o tempo do chamado de Abraão. Nessa caminhada, chegamos à revelação máxima que é JESUS, que se mostra humano, igual a nós, menos no pecado. Quanto mais humano, mais divino. Em algum momento de nossa caminhada desco- brimos Deus e durante toda nossa vida vamos crescendo na fé. Tropeçamos, enfrentamos desafios, mas confiantes, porque sabemos que ele está ao nosso lado. Caminhar é preciso A caminhada do povo de Israel desde Abraão, que aten- dendo o chamado de Deus parte em direção à terra prome- tida, é símbolo de nossa peregrinação aqui neste mundo. Não temos aqui cidade permanente, mas vamos em bus- ca da futura, esperamos chegar à pátria definitiva (cf. Hb 13,14 ). Jesus é nosso modelo de caminhante. Passou a vida fazendo o bem (cf. At 10, 38). Mais do que contemplá-lo temos de imitar seus gestos de compaixão pelos mais ne- cessitados, os “sem nome” do caminho. Aprender, Caminhando com o Mestre: Jesus se aproxima e escuta Os dois discípulos voltavam de Jerusalém. Vinham conversando, tristes e sem esperança, assim como muitas vezes nós ficamos. Jesus se aproxima e entra na conversa. Será que isso não acontece conosco também? Estamos tristes e abatidos e, de repente, aparece um anjo a nossa frente (um anjo pode ser a vizinha, a colega do escritório, o padre,...) e nos escuta e nos dá novo ânimo? Nosso Deus não é um Deus distante, ele se aproxima de nós para conhecer as nossas dificuldades e angústias. É um Deus que se comunica conosco e que conhece a realida- de em que vivemos. Só conheceremos a Deus se fizermos uma experiência de fé pessoal e caminharmos com ele. Esse relato nos convida a imitar o gesto acolhedor de Jesus, a não sermos insensíveis diante das dores e sofri- mentos do outro, a fazermos uma caminhada realmente evangelizadora, de comunhão e solidariedade. Discípulo missionário é aquele que segue o Mestre e aceita a missão de levar mensagem de amor e esperança a quem sofre. Aprender, ouvindo o Mestre O mundo está nos levando para a superficialidade e para o individualismo. O sofrimento do outro não sensibiliza as pessoas, por isso muitos levam a vida desanimados e sem esperança. Se quisermos seguir Jesus devemos aprender a escutar os que sofrem, o que exige despojamento de nós mesmos e compromisso com o outro. Nós nos tornamos humanos a medida em que nos relacionamos com o outro. A catequese tem de ajudar as pessoas a descobrirem um sentido para a vida. Nosso testemunho é o da cruz, mas temos de dar um salto qualitativo da cruz para a ressurreição. Jesus é a res- posta para os problemas humanos. E nós podemos levar essa resposta ao mundo, como fizeram os primeiros cris- tãos, cuja vida causava admiração a ponto de os pagãos di- zerem: “Vejam só como se amam!”. É a palavra de Deus que ilumina nossa caminhada. Por isso a cate- quese deve impulsionar o estudo da Bíblia, principalmente a leitura oran- te (lectio divina). É preciso evitar uma leitura fundamentalista e ajudar o povo a amar a escritura e a se sentir apoiado nela. E lembrar sempre que a Bíblia é o livro por excelência da catequese. Aprender, agindo com o Mestre A palavra de Deus ajuda a entender os fatos da vida e aquece o nosso coração. Foi isso que aconteceu com os discípulos de Emaús. Os olhos deles se abriram e o coração bateu mais forte. Também nós precisamos ter a experiência do re-encantamento na fé para nos animar e envolver as pessoas a nossa volta com o entusiasmo de discípulos de Jesus. Fomos chamados à missão desde o nosso batismo, mas temos de dar uma resposta livre e confiante em Deus. Nos- so compromisso missionário vai entusiasmar outras pesso- as a se engajarem na comunidade, participarem dos sacra- mentos e darem testemunho de vida. Precisamos cultivar uma espiritualidade que passe pe- las atividades cotidianas: na cozinha de casa, no ônibus, no estudo, na conversa ao telefone, na alegria diante do brinquedo das crianças, na solidariedade com o doente, na preservação do meio ambiente, em todas as situações e não apenas na igreja. ANO CATEQUÉTICO Pe. Gelson de Souza Pe. Gelson de Souza é pároco da Paróquia Sagrado Co- ração de Jesus, Divino de São Lourenço e Ibitirama, e coordenador da Equipe Diocesana para a Iniciação Cris- tã.
  8. 8. Com a nossa vinda para Marataízes, vários desafios fomos percebendo no perí- odo de conhecimento da realidade. Entre eles, nosso olhar voltou-se também para a realidade das mulheres. Mesmo porque o trabalho na área das pastorais sociais e dos movimentos sociais está entre as priorida- des da nossa congregação. Em nossa forma de vida entre os artigos um expressa nossa missão de mulheres consagradas e nela bus- camos concretizar “somos enviada, como mulheres, a colocar-nos a serviço da vida, para que as pessoas possam reconquistar a própria dignidade. No desempenho de nos- sas atividades apostólicas nos servimos da ciência e de metodologia adequada à práti- ca libertadora”. Nosso olhar de mulher consagrada, for- talecida pela experiência junto às mulheres agricultoras em Santa Catarina, e com as mulheres em situação de violência domés- tica em Duque de Caxias-RJ, não poderí- amos nos esquivar da responsabilidade de acolher as mulheres que sofrem violên- cia doméstica situadas nesta paróquia. E muitas paroquianas e o próprio Pároco Pe. Evaldo Praça Ferreira, sonhavam em con- cretizar um trabalho mais específico com mulheres. Aqui também deparamos com mulheres atuantes e comprometidas com a evangeli- zação, mulheres trabalhadoras rurais, pes- cadoras, educadoras, atuantes na área da medicina, comércio, mulheres que tecem a vida pelo artesanato e tantos outros tra- balhos. Mas também vemos mulheres in- dignadas pela falta de emprego, mulheres inquietas com seus maridos e/ou filhos(as) envolvidos(as) na dependência química, mulheres subjugadas pelos seus maridos em seus próprios lares, mulheres - meninas, adolescentes, jovens e adultas exploradas sexualmente, mulheres com pouca forma- ção política para ocupar os espaços de de- cisão e tantas e tantas situações. Por outro lado, um município em desenvolvimento sem nenhuma estrutura para atender a de- manda das mulheres. Com este olhar que iniciamos acolhen- do mulheres que sofrem violência domés- tica, dando atendimento, acompanhamen- to e encaminhamento, quando necessário, numa sala do escritório paroquial. Inclusi- ve, Pe. Evaldo, quando percebe esta situa- ção no seu atendimento as encaminha para buscar a ajuda das irmãs. Do sonho de ter um trabalho na área da mulher, da observação, dos encontros, do atendimento às mulheres e do estágio orientado na área de Serviço Social desde agosto de 2008, com duas estagiárias, per- cebemos que seria importante dar novos passos. Organizamos e realizamos o I Se- minário Mulheres e Homens pela Paz, em 11 de dezembro de 2008, com o objetivo de apresentar e dialogar sobre a Lei Maria da Penha – n. 11.340. E no dia 07 de março corrente realizamos o Encontro Mulheres em Ação. O encontro foi uma forma de despertar nos participante a importância da luta das mulheres destacando o processo histórico dos Direitos das Mulheres, realçando a Lei Maria da Penha, muito bem proferida pelo palestrante Dr. Bruno, do Centro de Apoio dos Direitos Humanos de Vitória. Em se- guida foram realizadas diversas oficinas sobre: Embelezamento da Mulher; Saúde da Mulher; Educação Alimentar; Organi- zação da Mulher Agricultora; Organização da Mulher Pescadora; Auto Estima; Vio- lência contra a Mulher, Dança – Expressão Corporal e oficina com as crianças. Finali- zando com uma caminhada de 3 km até à Praia Central em frente à Matriz, animada por Pe. Evaldo e a jovem Nana, da Banda Auge. Palavras de ordem, cânticos, mensa- gens, faixas, balões, cartazes e máscaras confeccionados nas oficinas, expressaram o entusiasmo de celebrar o Dia Interna- cional da Mulher. A conclusão final se deu com a celebração Eucarística na Matriz Nossa Senhora da Penha, onde Pe. Evaldo exaltou a presença da Mulher na sociedade, na Igreja e como mãe de todo o ser humano. Tanto no Seminário como no Encontro a representatividade foi significativa – so- ciedade civil organizada. Muitos homens, vários representantes de grupos de trabalho e geração de renda, estudantes, Igreja Cató- lica e Evangélicas. Da organização gover- namental – Secretarias Municipais, Legis- lativo Estadual, Polícia Militar, Promotoria Publica e o Conselho Tutelar. Leia mais no site da Diocese: www.diocesecachoeiro.org.br Antes de ele chegar a casa já começa a se movimentar. Arruma-se daqui e dali. Tira-se aquela mesinha de centro para não atrapalhá-lo em suas andanças. Aquela ca- deira é melhor encostá-la na parede. Tapete para quê? Pode prejudicar as rodas do seu carro. No banheiro, também muita coisa tem que sumir. É perigoso. A cozinha nem se fala... Toda a casa sente um clima diferente. Há vibração em todos os ambientes. Colo- co flores para recebê-lo. E música! Enfim, ele chega! O meu rei! Vai en- trando e não cumprimenta ninguém. Ele é assim. Autêntico. Não conhece protocolos nem regras de etiqueta. Faz o que quer, na hora que quer, E todo mundo passa a gi- rar em torno dele. Se ele dá um sorriso nós nos desmanchamos. É a glória! Afinal, o rei sorriu! Ele pede música. E nós temos que dan- çar com ele. A sala vira uma festa! Quem diria que eu fosse dançar tanto... E as músi- cas são lindas: é o “Sítio do Pica-pau Ama- relo” e o “Sapo não lava o pé”... E isso o dia inteiro. Ninguém faz nada, obedecemos a ele em tudo. O avô esquece de tomar os remédios. Eu esqueço de rezar. É... Aí, eu começo a pensar... Quanto mis- tério é a vida. Aquela pessoinha que mede 85 cm, que não fala direito ainda, que exige cuidados 24 horas por dia, manda em todos nós. Ele não pede licença, não diz muito obrigado, não pede desculpa. E manda... Qual é o segredo dele? O sorriso? A mansidão? O olhar? A alegria? Ou por ser tão pequeno? Ou tudo isso junto? Ah, meu Deus, ele é tão pequenino que eu me abaixo para ficar no seu tamanho e olhá-lo olhos nos olhos. Então, quan- do ele mergulha seus olhos nos meus, te- nho a impressão de que é o próprio Deus olhando-me no íntimo do meu coração. E lembro-me: “Se não vos tornardes como as crianças não entrareis no reino dos céus". Disso eu tenho certeza. Nós, adultos, é que estragamos as crian- ças, com nosso autoritarismo, nossa prepo- tência e a vaidade de achar que sabemos tudo. Coitados de nós. Tudo podia ser tão diferente. E passa um dia. Passam três dias. Passa urna semana. Está chegando o dia de ele ir embora. Que tristeza... E ele sai dando adeus e jogando beijos. É demais. Eu não aguento. Lágrimas vêm aos meus olhos. Porque a mar tanto? Amar faz sofrer. Por que eu tenho que viver longe dele? É de- mais para mim. A casa volta à rotina. Silêncio no ar. A casa fica enorme. Sobram espaços. Afinal, ele ocupava todos os espaços. Começa a ar- rumação da casa. E o que vamos encontrar? É muito engraçado. Por alguns dias certas coisas ficarão sumidas, porque ele tira de um lugar e coloca em outro. Encontro chu- chu e batatas embaixo das camas ou sob os sofás das salas. Sabonete debaixo da gela- deira. Escova de cabelo no quintal. Enfim, o caos. E há um ponto crucial. No meu escritó- rio e na biblioteca, eu não permito ninguém mexer. Ali é o meu reino. Pois bem, ele entra e faz a festa! Tirou várias etiquetas das minhas pastas e eu estou perdidinha. E mais: em uma das estantes cismou com a coleção de Machado de Assis, tirou todos os livros e até hoje cato Machado de Assis pela casa. Mexendo nos meus livros e eu achando graça. Inacreditável. Invadiu meu território mais sagrado e eu não fiz nada para impedi-lo. É, amor! Você é a mola-mestra do mun- do. Quando eu olho nos olhos daquele me- nino, eu vejo o universo. A vida é bonita, muito bonita. Apesar da saudade... Eu amo tanto Cachoeiro, mas quando aquele menino vai embora, eu sinto von- tade de arrumar as trouxas e ir morar em Minas Gerais para viver à sombra dele. O Menino DIGNIDADE DA MULHER EM MARATAÍZES Ariette Moulin Costa Ir. Maria Lunardi Ariette Moulin Costa é professora do Colégio Guimarães Rosa e da Escola Diaconal. Ir. Maria Lunardi é da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas e traba- lha na Paróquia Santíssima Trindade, em Marataízes. Julho de 2009FORMAÇÃO Se não vos tornardes como as crianças não entrareis no reino dos céus". Disso eu tenho certeza.
  9. 9. Muitas pessoas são ditas amigas e na verdade ser amigo é ouvir, é confiar, é amar. Os amigos de verdade ficam para sempre em nosso coração. Amigo, você é muito especial e importante para nós, sua amizade e confiança têm um valor enorme, nada que dissermos a você pode ser tão especial ou mais significativo do que sua amizade. Dia 20 Julho é o seu dia, meu grande amigo, que Deus continue te abençoando! Clube do Ouvinteaqui você é notícia Julho de 2009 Aniversariantes do Mês de Julho Representantes do Clube do Ouvinte 01/07 – Theodomiro Benedito 03/07 – Delma Macedo Bastos 07/07 – Maria Luzia Tedesco 08/07 – Ana Maria Rocha Gomes 10/07 – Cristiane de Oliveira Lourenço 13/07 – Antonio Airton dos Santos 14/07 – Lúcia Maria Silva Zampiroli 15/07 – Maria de Fátima M. Trés 20/07 – Maria da Penha Cunha Oliveira 21/07 – Sônia Emília Maitam Santana 22/07 – Alice Guioto Batista 23/07 – Ana Elza Bonandimam Brunhara 23/07 – Maria de Lourdes S. Carias 25/07 – Maria do Carmo Vieira Brito 29/07 – Maria Martha Pinheiro de Carvalho 30/07 – Maria Elizabeth Pirovani Sócio Mirim Sócio Mirim Homenagem do clube do Ouvinte a todos os amigos Feliz Dia do Amigo! Júlio César Mosquini, 3 anos Morador de São João Jaciguá Paulo Henrique, 5 anos Morador do bairro Amarelo CLUBE DO OUVINTE Vamos coloriros nossos amiginhos que estão na festa julina.
  10. 10. Julho de 2009ESPECIAL ANO SACERDOTAL Um dos objetivos do Ano Sacerdotal é o de favorecer a tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual, da qual so- bretudo depende a eficácia do seu minis- tério. Na abertura do Ano Jubilar, o Papa Bento XVI convidou os sacerdotes a fa- zer deste ano uma ocasião propícia para crescer na intimidade com Jesus, que conta com seus ministros para difundir e consolidar o seu Reino. Tal ano pretende contribuir para fo- mentar o empenho de renovação inte- rior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo. Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: também o sacerdote deve ansiar por esta identificação. Não se pode deixar de ter em conta a extraor- dinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objetiva do ministério e a subjetiva do ministro. São João Maria Vianney, o santo cura de Ars, padroeiro dos padres, pro- digalizou este humilde e paciente traba- lho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe estava confiado. No mundo atual, não menos do que nos tempos difíceis do Cura d’Ars, é preciso que os sacerdo- tes, na sua vida e ação, se distingam por um vigoroso testemunho evangélico. A fértil vida espiritual, que todo cris- tão, e especialmente o sacerdote, está chamado a trilhar, faz com que nos in- terroguemos: somos verdadeiramente permeados pela Palavra de Deus? De tal modo nos ocupamos interiormente des- ta Palavra, que a mesma dá um timbre à nossa vida e forma o nosso pensamento? Assim como Jesus chamou os Doze para estarem com Ele (Mc 3,14) e só depois é que os enviou a pregar, assim também nos nossos dias somos chamados a assi- milar, cada vez mais, aquele novo estilo de vida que foi inaugurado pelo Senhor Jesus e assumido pelos Apóstolos. Quando recebi a notícia da morte do meu querido ami- go D. Luis Gonzaga Peluso, estava terminando a celebra- ção da missa da manhã, onde havia batizado as crianças da Comunidade da Matriz Nosso Senhor dos Passos. Mi- nha primeira reação foi de agradecer a Deus por ter tido a oportunidade de conviver durante tantos anos com D. Luis. E logo pensei no Evangelho do domingo, que celebrava a festa de todos os Santos, anunciando as Bem-aventuranças, ligando cada uma delas às atitudes de D. Luis: ele as prati- cou todas... Conviver com D. Luis e conhecê-lo, foi para mim um privilégio. Pude assim beber seus ensinamentos que me fo- ram transmitidos por meio de palavras, mas, sobretudo por meio de atitudes. Sua figura retilínea, magra, revestido sempre de sua batina, sentado diante de sua máquina de escrever, viran- do serenamente a cabeça e olhando por cima dos óculos e convidando para entrar, ficará gravada para sempre em nossa mente. Gostaria de salientar alguns pontos de sua presença em nosso meio: - Ele passou para nós a lição da verdadeira opção pelos po- bres. Nada para si, tudo para os outros. Poderia ter escolhido outros lugares maiores, melho- res e mais famosos que Cacho- eiro e, no entanto permaneceu aqui até a sua morte. - Homem sábio e inteligente. Discorria sobre qualquer as- sunto. Sua lucidez até os seus últimos momentos foi impres- sionante, - Amava os seus padres. A alegria de sempre nos receber, lá no seu escritório na Cúria ou em sua casa, depois de emérito, demonstrava o carinho, a aten- ção e o cuidado para com seus filhos espirituais. Quantas vezes fui visitá- lo, de um modo mais freqüente ago- ra nestes dias em que se agravou seu estado de saúde, e sempre estava pronto para acolher, para conversar... - Seu amor pela Igreja, no desgaste de sua pessoa, se doando para a organização da Diocese que começava, na formação dos seus seminaristas, no cui- dado em se adaptar às orientações conciliares... - Sua delicadeza em ter sempre uma palavra amiga, com uma cartinha, desde os tempos do Seminário, até a última, que recebi há alguns dias, agradecendo as visitas semanais em seu período de doença... E poderíamos enumerar tantas outras atitudes de D. Luis, talvez mais importantes que estas. Mas uma coisa é certa: ele soube, na prática, viver as Bem-aventuranças... Quando fui vê-lo, no velório, fui tomado pela emoção: meu amigo, D. Luis, serenamente, revestido de suas ves- tes episcopais, descansava no Senhor. Beijei com respeito, pela última vez, suas mãos, aquelas mesmas mãos que um dia me fizeram padre e agradeci a Deus por ter convivido com um santo! Bem-aventurado... O ANO SACERDOTAL "BEM-AVENTURADOS ... " (Mt 5) Pe. Walter Luiz B. M. Altoé PARTE II Mons. Antônio Rômulo Zagotto Pe. Walter Luiz Barbiero Milaneze Altoé é pároco da Paróquia Divino Espírito Santo, em Muniz Freire, e representante dos presbíteros da nossa diocese. Mons. Antônio Rômulo Zagotto é pároco da Paróquia São Pedro (Catedral) e vigário geral da Diocese.
  11. 11. Refletindo o Evangelho de Domingo Conhecer Deus implica um longo pro- cesso que requer uma fidelidade profunda para evitar temores e a tentação de ficar- mos na metade do caminho. O evangelho de hoje aprofunda o senti- do do gesto da multiplicação dos pães. Um “sinal” que aponta para realidades mais globais. As ações do Senhor expressam o amor gratuito de Deus. Toda a passagem está centrada no tema das obras. As pessoas buscam Jesus, mas o Senhor deseja que compreendam a totalidade da sua mensagem na qual Deus, o Pai, colo- cou a sua marca. O povo mostra-se aberto a este ensinamento. Talvez inicialmente o seguissem somente porque lhes dava o alimento de que necessitassem, estão dis- postos contudo a fazer as obras exigidas por Deus. Jesus lhes faz ver que isto deve começar pelo reconhecimento dele como “enviado de Deus”. Essa é a obra que Deus quer: a fé em Cristo, dela recebem as de- mais obras o seu pleno sentido. O Senhor se apresenta então como “o pão da vida”. De toda a vida. O maná do deserto que os seus pais comeram, o alimento que recebe- ram das mãos de Jesus são obras, “sinais”, que expressam o pão que “dá vida ao mun- do”. Nele devemos acreditar. O evangelho deste domingo continua apresentando um texto de capital impor- tância no capítulo sexto de João, no qual Jesus diz: "Eu sou o pão da vida." Depois de compartilhar o pão, Jesus revela-se como o "pão da vida", uma vida exigente que reclama adesão à sua mensagem. Al- guns ouvintes reagem, já o tinham feito antes; mas desta vez não se atrevem a falar em voz alta; "comentavam", diz o evange- lista. Não aceitam Jesus como pão decido do céu, murmuram como tinham feito no deserto aqueles que se queixavam com a falta de alimento. O termo aqui usado, que foi traduzido por murmurar, tem uma nota de incredulidade. Jesus rejeita a murmuração, não entra em discussões sobre a sua própria origem. Identifica o caminho e o sentido da ade- são a ele, que é graça de Deus; o impulso primeiro vem do Pai, o resultado é a vida definitiva, a Ressurreição. No caminho é necessário aceitar sermos ensinados. Seguir Jesus, acreditar nele, é ter a vida eterna, desde agora. É a vida de comunhão que une o Pai com o Filho. Dessa vida Je- sus é o pão. Ele a alimenta com o seu teste- munho, o seu ensinamento, com a entrega da sua existência. A morte não põe fim a essa vida, como aconteceu com os que se alimentaram com o maná no deserto. O pão da vida nos liberta da morte. As autoridades dos judeus não admitem que Jesus venha de Deus, pois "conhecem" sua origem. Jesus, plenamente humano, vem de Deus e é a revelação perfeita de Deus. Por que separar Deus do humano? Com o prólogo de João aprendemos que o humano de Jesus é o ponto de encontro de Deus com a humanidade. Jesus é o doador da vida. Ele não rejei- ta ninguém, pois cumpre a vontade do Pai que o enviou. E a vontade do Pai, expressa nas ações de Jesus, é que a vida seja abun- dante para todos, uma vida que supera a própria morte. 18º DOMINGO DO TEMPO COMUM (02 de agosto de 2009) Ex 16,2-4.12-15; Ef 4,17.20-24; Jo 6,24-35 19º DOMINGO DO TEMPO COMUM (09 de agosto de 2009) 1Rs 19,4-8; Ef 4,30-5.2; Jo 6,41-51 (Bibliografia: G. Gutierrez, Compartilhando a Palavra, ed Paulinas Missal Dominical da Assembléia Cristã, ed. Paulus J. Konings, Liturgia Dominical, ed. Vozes) Pe. Helder Salvador Pe. Helder Salvador é Reitor do Seminá- rio Maior São João Maria Vianney 15º DOMINGO DO TEMPO COMUM (12 de julho de 2009) Am 7,12-15; Ef 1,3-12; Mc 6,7-13 16º DOMINGO DO TEMPO COMUM (19 de julho de 2009) Jr 23, 1-6; Ef 2,13-18; Mc 6, 30-34 17º DOMINGO DO TEMPO COMUM (26 de julho de 2009) 2Rs 4,42-44; Ef 4,1-6; Jo 6,1-15 Julho de 2009 No evangelho de hoje, Jesus envia os doze apóstolos para pregar. Marcos desta- ca que os discípulos foram enviados dois a dois. Na missão prevalece a dimensão da parceria, da co-responsabilidade, sem dis- putas de liderança. Começa uma nova fase do ministério de Jesus na Galiléia. Até então, era somen- te ele quem realizava os atos de libertação que o Reino estava trazendo às pessoas. Agora Cristo dá aos doze a participação na sua autoridade sobre os espíritos imundos. Jesus os instrui a imitar seu próprio estilo de vida. Os doze não procurarão os melhores lugares, mas aceitarão a hospitalidade que lhe oferecerem e testemunharão contra aqueles que não quiserem ouvi-los. Os discípulos não pregarão sobre o Rei- no de Deus porque ainda não o compreen- dem! Mas o êxito da missão é grande: "ex- pulsavam os demônios e curavam muitos enfermos..." As instruções dadas por Jesus aos após- tolos, enviados em missão, visavam ajudá- los a não perder de vista a perspectiva de serviço ao Reino. O sucesso poderia fazê-los esquecer sua condição de servidores e levá-los a cair na tentação de recrutar discípulos para si mes¬mos. O insucesso poderia desanimá- los e levá-los a abandonar a tarefa recebida. A orientação para pregar na pobre- za visava evitar, por parte dos apóstolos, qualquer espécie de exibição de poder, que atraísse multidões por motivos alheios ao Reino. Também foram orientados como se comportar no fracasso. A rejeição não era sinal de que a missão tivesse chegado ao fim. Restava-lhes o mundo todo para evan- gelizar! O evangelho do domingo passado nos relatava a missão que Jesus conferiu aos seus discípulos. Hoje aprofunda o tema da- quele que tem responsabilidade para com os outros. O tema do evangelho de hoje é a parti- lha, e não só a multiplicação; compartilhar mais do que multiplicar. João narra que Jesus foi para o outro lado do mar da Galiléia, e uma grande mul- tidão o seguia. Vamos ler todo o texto: Os gestos de Jesus atraem a multidão. Jesus está com seus discípulos; vendo as pessoas, se preocupa com a fome que de- vem sentir. Filipe, talvez com um excesso de senso comum, faz ver que não têm di- nheiro para comprar pão para toda aquela gente. LITURGIA DOMINICAL Cumprida uma etapa da sua tarefa, os discípulos se re-agrupam ao redor do Se- nhor para fazer um balanço do que foi re- alizado. Com firmeza e ternura, Jesus os convida para descansar um pouco: "Vinde a sós, para um lugar deserto, e descansai um pouco!" Mas como o sabem todos aqueles que assumem seriamente a sua tarefa pastoral, não há lugar deserto para aqueles que de- vem dar testemunho do Evangelho. As pes- soas vieram de todas as partes, chegando inclusive antes que eles ao lugar ao qual se dirigiam. Novamente Marcos nos apresenta uma reação profundamente humana de Jesus. Ao ver aqueles que se aproximavam, ávi- dos por escutar a Palavra, o Senhor "teve compaixão deles." Acabou o descanso pro- metido e merecido. Diante daqueles que estavam "como ovelhas sem pastor", o Se- nhor foi sensível; por isso "começou a ensi- nar muitas coisas para eles." Estas ovelhas sem pastor eram os po- bres da Palestina de então, os pobres do país, considerados ignorantes pelos douto- res da lei e pelos fariseus. Pobres porque pecadores, diziam os grandes e poderosos. Deles se ocupa Jesus em primeiro lugar. Ele veio sobretudo para os últimos da so- ciedade; dispensa atenção, interrompendo inclusive o seu legítimo descanso, para atender aqueles que ninguém se interessa por eles. Estes são os seus prediletos. O povo, vindo de todas as cidades, in- tui para onde o barco vai e, correndo até lá, chega antes de Jesus. Ao desembarcar, vendo a grande multidão, Jesus se compa- dece e começa a ensinar-lhes muitas coisas sobre o Reino de Deus. André, graças a um garoto, diz timi- damente que tem algo, mas parece-lhe in- suficiente, não é muito: cinco pães e dois peixes. É pouco, na verdade, mas é preciso saber dar a partir da nossa pobreza. Jesus age por meio de seus discípulos, recomenda-lhes que façam com que as pes- soas se sentem na relva; elas eram por vol- ta de cinco mil, sem contar as mulheres e as crianças. Fazer com que se sentem para comer é tratá-los como seres livres e com dignidade; não como servos, obrigados a comerem seu alimento de pé, e com pressa, para ficarem à disposição do seu dono. Jesus pega o pouco alimento que ti- nham, dá graças, e o reparte. Não se diz que o multiplica; contudo, dá para todos; o amor que anima o gesto não tem limites. A multidão fica satisfeita. Compartilhar o pão é expressão de amor de Deus, é palavra de Deus. Saber partilhar nos leva a construir uma sociedade sem excluídos, uma socie- dade onde o amor é a lei.

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