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INCUBADORAS DE EMPRESAS E EMPREENDEDORES
O movimento de incubadoras surgiu na década de 50 na região que
atualmente é conhecida como Vale do Silício, na Califórnia (EUA), a partir de iniciativas
da Universidade de Stanford cujo objetivo era desencadear a transferência de tecnologia
desenvolvida na Universidade às empresas, além da criação de novas organizações na área
de tecnologia.
Com o decorrer dos anos tais incubadoras passaram a ter o objetivo mais
amplo de fomentar o desenvolvimento econômico, que é feito através de empreendedores
que constituirão novas empresas que gerarão empregos, tributos etc. Para Drucker
“empreender é um evento “meta-econômico”, algo que influencia profundamente, e,
deveras, molda a economia, sem fazer parte dela”.
As incubadoras passaram a ter um papel importante no desenvolvimento
econômico, por serem geradoras de empregos e inovações. É por isso o grande destaque
dos empreendedores nesse cenário.
As dificuldades encontradas por empreendedores no Brasil são :
 Difícil acesso a capital para investir
 Infra-estrutura precária e mão de obra desqualificada
 Instabilidade política
 Sistema educacional em descompasso com a realidade
 Elevada carga tributária
 Falta de proteção aos direitos de propriedade intelectual
 Elevada burocracia
Apesar de todas as dificuldades, o Brasil é tido como um país de alta TAE
- Taxa de Atividade Empreendedora.
As incubadoras de empresas são mais uma iniciativa que busca aliar
empreendedorismo com desenvolvimento econômico.
Segundo o Manual para Implantação de Incubadoras de empresas(2000)
a definição de incubadoras é :
“um mecanismo que estimula a criação e o
desenvolvimento de micro e pequenas empresas
industriais ou de prestação de serviços, de base
tecnológica ou de manufaturas leves por meio da
formação complementar do empreendedorismo em seus
aspectos técnicos e gerenciais e que, além disso, facilita
e agiliza o processo de inovação tecnológica nas micro e
pequenas empresas”.
A estrutura atual das incubadoras surgiu na década de 70 nos Estados
Unidos. Atualmente temos vários países como Japão, China, Índia, México, Argentina,
Turquia e Polônia, dentre outros que utilizam o sistema de incubadoras.
Por ser o pioneiro em tal projeto, os EUA contam com o maior número
de incubadoras do mundo. Em 1980 possuía apenas dez, em 2002 já eram cerca 1.000
incubadoras.
Conforme o Panorama 2003 da ANPROTEC - a Associação Nacional de
Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas :
“... o mecanismo de incubação tem se mostrado eficaz e
eficiente, em todo o mundo, porque tem cumprido seus
objetivos primordiais: criar empreendimentos de sucesso,
reduzir os riscos dos investimentos e abrir novas
oportunidades de inovação para todos os segmentos
econômicos”.
As incubadoras podem ser classificadas segundo seus objetivos em :
 Incubadoras Públicas : cujo foco são objetivos sociais com o intuito de
criar oportunidade e desenvolvimento para a sociedade. São maioria
atualmente, e contam com o apoio do Estado e de instituições sem fins
lucrativos, vale salientar que muitas incubadoras públicas são
chamadas de semiprivadas em função de sua administração ser
semelhante à do setor privado.
 Incubadoras Privadas : possuem fins lucrativos, e o reflexo no
desenvolvimento econômico é conseqüência do sucesso comercial das
empresas residentes que geram empregos e impostos.
INCUBADORAS DE EMPRESAS NO BRASIL
No Brasil o movimento de incubadoras começou na década de 80, com a
primeira incubadora implantada em 1985 em São Carlos (SP). Sendo em seguida
implantado tal modelo em várias regiões do país.
Em 1987 é criada a Associação Nacional de Entidades Promotoras de
Empreendimentos de Tecnologias Avançadas – ANPROTEC, que iniciou um processo de
articulação do movimento de incubadoras em todo o Brasil que a partir daí ganhou um
novo impulso, que segundo MOREIRA :
“ A partir daí foi possível definir políticas nacionais de
atuação, pleitear apoio público e criar padrões de atuação
e gestão para as incubadoras associadas, configurando um
modelo uniforme de incubação, difundindo
conhecimentos e fortalecendo iniciativas na área da
incubação de empresas”.
Para se ter uma idéia do enorme crescimento de incubadoras de empresas
no Brasil, em 1988 existiam apenas 2 incubadoras no país, esse número foi crescendo ano a
ano, e em 2003, segundo levantamento da ANPROTEC já havia cerca de 207 incubadoras,
chegando em 2011 a 384 incubadoras. Tal crescimento deveu-se também a consolidação da
ANPROTEC, se articulando e buscando divulgar o trabalho das incubadoras em todo o
Brasil, assim como ajudar as novas iniciativas que vem surgindo, nesse segmento.
Fonte : ANPROTEC 2013
Percebe-se que ano após ano, o movimento de incubadoras se fortaleceu
em nosso país, mesmo em períodos de baixo crescimento econômico como por exemplo, o
ano de 2001, onde uma série de acontecimentos como a crise energética e atentado
terrorista nos EUA frearam a atividade econômica.
Tais incubadoras podem ser de quatro tipos, segundo o tipo de empresa
incubada :
 Incubadoras de empresas de Base Tecnológica – são aquelas que
abrigam empresas cuja tecnologia de ponta é o seu
diferencial;
 Incubadoras de empresas dos Setores Tradicionais – são aquelas que
abrigam empresas ligadas a setores tradicionais da
economia e cuja tecnologia já é bastante difundida,
mas querem melhorar tal nível tecnológico;
 Incubadoras de empresas Mistas – que abriga empresas tanto de base
tecnológica como de setores tradicionais.
 Outras : que abriga empresas de segmentos cultural, social,
agroindustrial e serviços.
Ao analisar-se os segmentos de atuação das incubadoras percebe-se que
os setores tecnológicos têm predominância, acredita-se que tal fato se dê pela popularização
dos computadores em todos os segmentos, além das facilidades com que se pode constituir
uma empresa de informática no que se refere aos baixos investimentos iniciais, além do
esforço governamental para desenvolver a indústria brasileira de software para exportação.
Nota-se que o perfil dos empreendedores é fator considerado muito
importante para a seleção de novas empresas , daí a importância dos gestores possuírem
características empreendedoras, que quando deficitárias, requerem o apoio da incubadora
no que se refere a desenvolvê-las.
Destaca-se também a viabilidade econômica do projeto, aplicação de
novas tecnologias, potencial para rápido crescimento, possibilidade de integração com
universidade e centros de pesquisa e por fim o número de empregos criados.
Fonte : ANPROTEC Panorama 2003
As empresas que estão em incubadoras dispõe de uma série de
facilidades, tais como espaço físico para instalação de escritórios e laboratórios, espaço
compartilhado de secretaria, auditórios, serviços administrativos e de consultoria,
treinamento etc.
Tais empresas permanecem por período determinado nas incubadoras,
que varia de 2 a 6 anos, sendo que a média nacional aponta para o período de 3 anos, sendo
lançadas no mercado depois do período de incubação com uma estrutura mais consolidada.
Para que o processo de incubação alcance os resultados almejados é
necessário que disponha de profissionais qualificados com habilidades técnicas em gestão,
além de muita dedicação. O que se percebe é que os gestores das incubadoras se sentem
privilegiados em concretizar sonhos e projetos dos empreendedores.
82% 17%
66% 30%
79% 18%
40% 57%
55% 36%
43% 52%
0% 20% 40% 60% 80% 100%
Base = 148 Incubadoras
Viabilidade Econômica
Aplicação de Novas Tecnologias
Perfil dos Empreendedores
Potencial para rápido Crescimento
Possibilidade de Interação com Univ./ Centro
de Pesq.
Número de Empregos criados
Gráfico 04 - Critérios de seleção das empresas -
Importante e/ou muito importante
Muito Importante
Importante
2.4 PERFIL DAS EMPRESAS RESIDENTES NAS INCUBADORAS
As incubadoras tem uma papel primordial no que tange a ajudar as
empresas incubadas a se desenvolverem a ponto de conseguirem se manter no mercado
mesmo após saírem do processo de incubação.
Para tanto a incubadora deve estar articulada com o cenário político, ter
um bom relacionamento de negócios com grandes empresas, realizar convênios com
instituições e governos, tendo sempre em mente as necessidades das empresas residentes.
Daí a importância de se conhecer o perfil dessas empresas incubadas.
A seguir, um conjunto de características e necessidades identificadas pela
ANPROTEC em 2003, onde se busca estabelecer o perfil das empresas residentes em
incubadoras.
Conforme verificamos no gráfico 05, 42% das empresas residentes em
incubadoras permanecem na mesma por um período de 2 a 3 anos.
Fonte : ANPROTEC Panorama 2003
33%
42%
17%
8%
0% 10% 20% 30% 40% 50%
Base = 140 incubadoras
Até 2 anos(inclusive)
Entre 2 e 3 anos
Entre 3 e 4 anos
Entre 5 e 0 anos
Gráfico 05 - Prazo máximo para incubação
Essas empresas apresentam jovens pessoas em seu comando, com 71%
entre 18 e 35 anos de idade, com predominância do sexo masculino, 72% e 39% com
instrução em nível superior, conforme gráficos a seguir:
Fonte : ANPROTEC Panorama 2003
Fonte : ANPROTEC Panorama 2003
11%
34%
39%
6%
6%
4%
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40%
Base = 5518 pessoas
Primeiro Grau
Segundo Grau
Terceiro Grau
Pós-Graduação
Mestres
Doutores
Gráfico 06 - Pessoal das empresas incubadas por
grau de instrução
36%
35%
21%
8%
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40%
Base = 3766 pessoas
18 a 25 anos
26 a 35 anos
36 a 45 anos
Acima de 45 anos
Gráfico 07 - Pessoal das empresas incubadas
por faixa etária
Com relação a área de formação dos sócios, temos engenharia,
informática e administração com 34%, 23% e 13% respectivamente, o que totaliza mais de
70% para tais áreas.
Conforme demonstrado através dos gráficos, percebemos que tais
empresas apresentam necessidades específicas, que devem ser supridas pelas incubadoras,
atendendo aos anseios dos jovens empresários que estão iniciando seus negócios.
Quando observamos as áreas de formação dos sócios, percebemos que
57% são advindos de faculdades de engenharia e informática, o que nos dá indícios da
importância de se desenvolver habilidades empreendedoras nesses gestores a fim de que
suas empresas sobrevivam no competitivo mercado, mesmo após o período de incubação.
3. CIDE – CENTRO DE INCUBAÇÃO E DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL
O CIDE - Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial, é a incubadora pioneira
do Amazonas, sem fins lucrativos, criada em outubro de 1999, que de acordo com seu
regimento interno, tem a finalidade de :
“ ... promover o desenvolvimento e a transferência de
tecnologias inovadoras que contribuam para o avanço
tecnológico regional, com ênfase em TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO, BIOTECNOLOGIA, QUÍMICA FINA,
AGRO-INDÚSTRIA E ELETROELETRÔNICO” .
De acordo com sua finalidade definida em regimento interno, o CIDE primordialmente tem
como base de sua atividade o foco em tecnologia, contribuindo para o avanço tecnológico
regional. Vale salientar que, como visto anteriormente, a base para os sistemas de
incubadoras é o desenvolvimento e aperfeiçoamento de tecnologias capazes de atender cada
vez mais as necessidades ilimitadas do homem.
Para tanto, o envolvimento da comunidade é de extrema importância, no que tange ao
desenvolvimento de pesquisas nas universidades e em outros centros tecnológicos.
Conforme Montenegro (2001):
“No Brasil, as empresas de base tecnológicas ou, ainda,
de intensivas tecnologias(como também são conhecidas)
que vêm nascendo em ambientes de incubação já trazem
resultados bem positivos para a área de Ciência e
Tecnologia. Tendo como principal insumo o
conhecimento, essas empresas tendem a investir
maciçamente em P&D e em inovação para garantir o
sucesso de seus empreendimentos e a permanência frente
à competitividade em um mercado globalizado.”
O CIDE está localizado próximo à universidades e centros de pesquisas da região,
facilitando a troca de experiências com tais instituições.
A incubadora apresenta as seguintes organizações instituidoras :
 FIEAM - Federação das Indústrias do Estado do Amazonas;
 IEL/AM- Instituto Euvaldo Lodi - AM;
 SEBRAE/AM - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do
Amazonas
 SENAI/AM - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial;
 CIEM - Centro das Indústrias do Estado do Amazonas;
 FUA - Fundação Universidade do Amazonas;
 UTAM - Instituto de Tecnologia do Amazonas;
 EAFM - Escola Agrotécnica de Manaus;
 FUCAPI - Fundação Centro de Análise, Pesquisa, e Inovação
Tecnológica;
 INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia;
 BIOAMAZÔNIA - Associação Brasileira para Uso Sustentável da
Biodiversidade da Amazônia;
 AFEAM - Agência de Fomento do Estado do Amazonas;
 SIC - Secretaria de Estado da Indústria e Comércio;
 SEMEF - Secretaria Municipal de Finanças.
A infra-estrutura disponibilizada às
empresas residentes na incubadora é:
- Imóvel, divido em central de apoio às empresas residentes, com
recepção, secretaria, show-room, sala de reunião e treinamento,
biblioteca, laboratórios, copa, banheiros e almoxarifado.
- Módulos para alocar as empresas incubadas.
- Estacionamento.
- Telefones públicos.
A estrutura organizacional do CIDE é
formada por :
 Conselho de Administração, que é o seu órgão superior, formado por
representantes das instituições mantenedoras;
 Conselho Fiscal , responsável por examinar as contas do CIDE assim
como emitir parecer da prestação anual de contas, é formado por 3
(três) membros efetivos e 3 (três) suplentes;
 Comitê Técnico, que é formado por especialistas responsáveis por
julgar os pedidos de admissão no CIDE, assim como acompanhar o
desempenho dos novos empreendedores;
 Diretoria Executiva, formada por um gestor responsável pela gerência
da incubadora.
Entre os objetivos internos do CIDE, está :
- Implementar um suporte gerencial e tecnológico às empresas residentes;
- Avaliar as empresas incubadas de forma informatizada;
- Desenvolver o perfil empreendedor dos gestores das empresas
residentes;
- Pesquisar o mercado local, a fim de identificar nichos de mercado,
principalmente de bases tecnológicas;
- Buscar maneiras de auto-sustentação financeira.
Uma característica importante das incubadoras sem fins lucrativos é a
forma como são administradas, pois por uma grande parte das mesmas serem subsidiadas
por um órgão do governo, ou entidade mantenedora, as incubadoras trabalham com um
orçamento bastante otimizado, o que se percebe é que suas equipes são bastante enxutas,
e sua infra-estrutura é montada com o intuito de ser compartilhada por todas as empresas
residentes na incubadora, proporcionando uma diluição de custos.
Ressaltamos que uma das metas do CIDE é ter uma participação do
Estado, como agente financiador, cada vez menor ao longo do tempo. Para tanto, as
empresas incubadas devem participar dos encargos financeiros decorrentes dos serviços a
elas prestados.
No que tange a parte de consultoria, normalmente se tem consultores associados, que
prestam seus serviços à incubadora, de acordo com a necessidade. Outra forma bastante
comum, é a contratação de consultores via órgãos como SEBRAE e IEL, o que possibilita
às empresas residentes na incubadora receberem uma consultoria de nível bastante elevado
a custos reduzidos.
3.1 PROCESSO DE INCUBAÇÃO
O processo de incubação é o período de tempo em que as empresas
permanecem na incubadora recebendo assistência. Nesse período a empresa é acompanhada
pela equipe da incubadora que a ajuda a se organizar gerencialmente a fim de que possa ter
maiores chances de sucesso no mercado.
Para participar do CIDE, profissionais e empresas devem apresentar um
projeto que vise o desenvolvimento de tecnologias inovadoras nas áreas de biotecnologia
limpa, agroindústria, química fina, recursos naturais e software.
As empresas participantes serão classificadas em :
 Empresa a ser constituída;
 Empresa já constituída que se transfere para o CIDE;
 Divisão de uma empresa já existente;
 Empresa associada.
Para uma empresa ingressar no CIDE,
não necessariamente precisa ser uma nova empresa, mas
uma empresa já constituída que esteja precisando de
apoio ou mesmo uma empresa advinda de uma divisão.
As solicitações de admissão no CIDE,
serão julgadas pelo Comitê Técnico, que segue os
seguintes critérios:
 Viabilidade técnica e econômica do projeto
 Capacidade técnica e empresarial dos solicitantes
 Grau de inovação dos produtos, processos ou serviços, assim como o
seu impacto na economia
 Preocupação em ser uma atividade que não agrida o meio ambiente
 Disponibilidade do CIDE em apoiar a solicitação.
Como em qualquer projeto de
investimento, tem-se uma preocupação com a
viabilidade econômica do negócio, no entanto, para ser
admitido no CIDE, além de viável, o projeto precisa
apresentar projetos inovadores seja no que se refere a
produto, serviço ou processo, além de ter gestores
capazes de administrar o empreendimento. Outro
requisito é aprovar projetos que estejam preocupados
com a questão ambiental, que é de suma importância
para que tenha o desenvolvimento sustentável.
O processo de incubação é composto
das seguintes etapas conforme diagrama 01:
Diagrama 01 - Etapas para o processo
de incubação
1. SELEÇÃO
2. INCUBAÇÃO
4. CRESCIMENTO
5. LIBERAÇÃO
3. DESENVOLVIMENTO
A fase inicial para o processo de
incubação, é a seleção. Tal processo é de extrema
importância, visto que um processo de seleção mal
feito, poderá acarretar problemas para a incubadora.
Isso pode ocorrer em função da admissão de candidatos
que não possuam perfil empreendedor, ou mesmo por
projetos que não tenham sido avaliados
criteriosamente, e que não estejam de acordo com as
finalidades da incubadora.
Segundo MOREIRA (2002):
“A maior parte dos candidatos aposta alto nessa
iniciativa. Isso implica as economias, o tempo e a
esperança de construir algo diferente para si. Por este
motivo as frustrações são aqui um ponto crítico que deve
ser evitado.”.
Dada a importância dessa etapa, a
mesma é dividida em :
 Pré-seleção: quando é apresentada a idéia do projeto para a incubação
no CIDE, que deve estar de acordo com as finalidades da incubadora.
 Curso de iniciação empresarial : com o objetivo de desenvolverem um
maior conhecido a respeito da criação de um empreendimento.
 Plano de Negócios : os candidatos que concluírem o curso de iniciação
empresarial, deverão apresentar um plano de negócios à incubadora,
vale salientar que nesta etapa já se percebe que alguns candidatos
ficam pelo caminho, visto que ao terem que detalhar seus projetos,
alguns desistem, outros descobrem que suas idéias não eram tão
viáveis quanto pareciam.
 Seleção : ao analisar o Plano de Negócios, o Comitê Técnico da
incubadora emitirá um parecer sobre a admissão ou não do candidato
no CIDE.
Após tal fase, os titulares dos projetos aprovados para admissão na
incubadora tem um prazo de 60 dias para se instalarem nos módulos a eles destinados no
CIDE.
O tempo máximo de permanência na incubadora é de 3 anos, prorrogável
por mais um ano, se de extrema importância para o desenvolvimento do projeto,
salientando que antes deve ser aprovado tal postergação de prazo pelo Conselho de
Administração.
As empresas pagarão uma taxa fixa mensal, para custeio das despesas
com o serviços que a incubadora disponibiliza, tais como: utilização do módulo de 125m2
além dos serviços comuns como recepção, secretaria, sala de reuniões, auditório etc.
Além disso deverão ressarcir a incubadora, em caso de despesas
específicas, de acordo com a necessidade de cada empresa.
Na fase de incubação, as empresas vão analisar as necessidades de infra-
estrutura, apresentação dos termos do contrato, a incubadora apresentará suas regras e
normas, tem-se então a assinatura do contrato e por fim a instalação da empresa.
Em seguida tem-se a fase de desenvolvimento que é a mais complexa e
desafiadora tanto para o empresário quanto para a incubadora. Isso porque nessa etapa as
atenções estão voltadas para o desenvolvimento do produto, o que envolve testes e em
alguns casos a confecção de protótipos.
Atrasos nos cronogramas de desenvolvimento em função de falta de
controle mais preciso, por parte do empresário, podem ocorrer. Lembrando que como visto
anteriormente, a maioria dos empreendedores de incubadoras no Brasil, conforme
levantamento da ANPROTEC, advém de faculdades tecnológicas, logo se tem uma
excelente capacidade técnica, mas falta treinamento na área de gestão.
É comum se ter um excelente produto ou serviço, mas na hora de
implementar tal projeto, faltarem as características empreendedoras.
Nesse ponto, a incubadora exerce papel crucial no que tange a
acompanhar e buscar desenvolver habilidades gerenciais nos empresários. Reuniões entre
incubadora e incubada são freqüentes nessa fase.
Na fase de crescimento a empresa já deverá estar em expansão comercial,
e em busca de novos clientes e mercados.
A participação da incubadora é menos intensa, visto que a empresa já
deve ter alcançado um certo grau de maturidade e seus gestores já são capazes de definir os
rumos dos negócios. As reuniões com a incubadora continuam a existir , mas em períodos
de tempos mais longos, com o objetivo de se verificar o andamento dos negócios, assim
como se as metas do ano estão sendo cumpridas.
São comuns as consultorias externas, principalmente na parte tributária,
financeira e marketing.
Outro fator comum é a necessidade por parte da empresa residente na
incubadora em ampliar seu espaço físico dentro da mesma.
E por último se tem a fase de liberação, onde a empresa já se encontra
apta a sair da incubadora, seu faturamento já permite que a mesma possa migrar para uma
nova sede e fazer vôos independentes.
Neste ponto, a incubadora já não consegue mais abrigar a empresa
incubada, em função de sua expansão e crescente necessidade de mais estrutura, além disso,
uma empresa que já se encontra em fase robusta não precisa mais do auxílio da incubadora
além de acabar por comprometer a entrada de novas empresas na mesma.
As empresas residentes passam a não mais contar com a assistência da
incubadora, no entanto, muitas criam vínculos de contatos que podem gerar novos negócios
no futuro, tanto para as empresas como também para as incubadoras.
Fonte : VALLE. Luciana Oliveira do. Dissertação de Mestrado – Perfil Empreendedor dos
Gestores do CIDE.
Taxa de mortalidade das empresas que passaram pelo processo de incubação
Pesquisa realizada pela Anprotec revela que apenas 20% das empresas nascidas em
incubadoras fecharam suas portas. Historicamente o desemprego tem sido motivo de aflição
para muitas famílias brasileiras, tendo como uma de suas causas o elevado índice de
falência de micro e pequenas empresas.
Estudos mostram que devido a barreiras burocráticas, técnicas, comerciais e ausência de
capacidade gerencial, 80% das micro e pequenas empresas brasileiras, em geral,
desaparecem antes do primeiro ano de existência.

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  • 1. INCUBADORAS DE EMPRESAS E EMPREENDEDORES O movimento de incubadoras surgiu na década de 50 na região que atualmente é conhecida como Vale do Silício, na Califórnia (EUA), a partir de iniciativas da Universidade de Stanford cujo objetivo era desencadear a transferência de tecnologia desenvolvida na Universidade às empresas, além da criação de novas organizações na área de tecnologia. Com o decorrer dos anos tais incubadoras passaram a ter o objetivo mais amplo de fomentar o desenvolvimento econômico, que é feito através de empreendedores que constituirão novas empresas que gerarão empregos, tributos etc. Para Drucker “empreender é um evento “meta-econômico”, algo que influencia profundamente, e, deveras, molda a economia, sem fazer parte dela”. As incubadoras passaram a ter um papel importante no desenvolvimento econômico, por serem geradoras de empregos e inovações. É por isso o grande destaque dos empreendedores nesse cenário. As dificuldades encontradas por empreendedores no Brasil são :  Difícil acesso a capital para investir  Infra-estrutura precária e mão de obra desqualificada  Instabilidade política  Sistema educacional em descompasso com a realidade  Elevada carga tributária  Falta de proteção aos direitos de propriedade intelectual
  • 2.  Elevada burocracia Apesar de todas as dificuldades, o Brasil é tido como um país de alta TAE - Taxa de Atividade Empreendedora. As incubadoras de empresas são mais uma iniciativa que busca aliar empreendedorismo com desenvolvimento econômico. Segundo o Manual para Implantação de Incubadoras de empresas(2000) a definição de incubadoras é : “um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços, de base tecnológica ou de manufaturas leves por meio da formação complementar do empreendedorismo em seus aspectos técnicos e gerenciais e que, além disso, facilita e agiliza o processo de inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas”. A estrutura atual das incubadoras surgiu na década de 70 nos Estados Unidos. Atualmente temos vários países como Japão, China, Índia, México, Argentina, Turquia e Polônia, dentre outros que utilizam o sistema de incubadoras. Por ser o pioneiro em tal projeto, os EUA contam com o maior número de incubadoras do mundo. Em 1980 possuía apenas dez, em 2002 já eram cerca 1.000 incubadoras. Conforme o Panorama 2003 da ANPROTEC - a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas :
  • 3. “... o mecanismo de incubação tem se mostrado eficaz e eficiente, em todo o mundo, porque tem cumprido seus objetivos primordiais: criar empreendimentos de sucesso, reduzir os riscos dos investimentos e abrir novas oportunidades de inovação para todos os segmentos econômicos”. As incubadoras podem ser classificadas segundo seus objetivos em :  Incubadoras Públicas : cujo foco são objetivos sociais com o intuito de criar oportunidade e desenvolvimento para a sociedade. São maioria atualmente, e contam com o apoio do Estado e de instituições sem fins lucrativos, vale salientar que muitas incubadoras públicas são chamadas de semiprivadas em função de sua administração ser semelhante à do setor privado.  Incubadoras Privadas : possuem fins lucrativos, e o reflexo no desenvolvimento econômico é conseqüência do sucesso comercial das empresas residentes que geram empregos e impostos. INCUBADORAS DE EMPRESAS NO BRASIL No Brasil o movimento de incubadoras começou na década de 80, com a primeira incubadora implantada em 1985 em São Carlos (SP). Sendo em seguida implantado tal modelo em várias regiões do país. Em 1987 é criada a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas – ANPROTEC, que iniciou um processo de articulação do movimento de incubadoras em todo o Brasil que a partir daí ganhou um novo impulso, que segundo MOREIRA :
  • 4. “ A partir daí foi possível definir políticas nacionais de atuação, pleitear apoio público e criar padrões de atuação e gestão para as incubadoras associadas, configurando um modelo uniforme de incubação, difundindo conhecimentos e fortalecendo iniciativas na área da incubação de empresas”. Para se ter uma idéia do enorme crescimento de incubadoras de empresas no Brasil, em 1988 existiam apenas 2 incubadoras no país, esse número foi crescendo ano a ano, e em 2003, segundo levantamento da ANPROTEC já havia cerca de 207 incubadoras, chegando em 2011 a 384 incubadoras. Tal crescimento deveu-se também a consolidação da ANPROTEC, se articulando e buscando divulgar o trabalho das incubadoras em todo o Brasil, assim como ajudar as novas iniciativas que vem surgindo, nesse segmento. Fonte : ANPROTEC 2013 Percebe-se que ano após ano, o movimento de incubadoras se fortaleceu em nosso país, mesmo em períodos de baixo crescimento econômico como por exemplo, o ano de 2001, onde uma série de acontecimentos como a crise energética e atentado terrorista nos EUA frearam a atividade econômica.
  • 5. Tais incubadoras podem ser de quatro tipos, segundo o tipo de empresa incubada :  Incubadoras de empresas de Base Tecnológica – são aquelas que abrigam empresas cuja tecnologia de ponta é o seu diferencial;  Incubadoras de empresas dos Setores Tradicionais – são aquelas que abrigam empresas ligadas a setores tradicionais da economia e cuja tecnologia já é bastante difundida, mas querem melhorar tal nível tecnológico;  Incubadoras de empresas Mistas – que abriga empresas tanto de base tecnológica como de setores tradicionais.  Outras : que abriga empresas de segmentos cultural, social, agroindustrial e serviços. Ao analisar-se os segmentos de atuação das incubadoras percebe-se que os setores tecnológicos têm predominância, acredita-se que tal fato se dê pela popularização dos computadores em todos os segmentos, além das facilidades com que se pode constituir uma empresa de informática no que se refere aos baixos investimentos iniciais, além do esforço governamental para desenvolver a indústria brasileira de software para exportação.
  • 6. Nota-se que o perfil dos empreendedores é fator considerado muito importante para a seleção de novas empresas , daí a importância dos gestores possuírem características empreendedoras, que quando deficitárias, requerem o apoio da incubadora no que se refere a desenvolvê-las. Destaca-se também a viabilidade econômica do projeto, aplicação de novas tecnologias, potencial para rápido crescimento, possibilidade de integração com universidade e centros de pesquisa e por fim o número de empregos criados.
  • 7. Fonte : ANPROTEC Panorama 2003 As empresas que estão em incubadoras dispõe de uma série de facilidades, tais como espaço físico para instalação de escritórios e laboratórios, espaço compartilhado de secretaria, auditórios, serviços administrativos e de consultoria, treinamento etc. Tais empresas permanecem por período determinado nas incubadoras, que varia de 2 a 6 anos, sendo que a média nacional aponta para o período de 3 anos, sendo lançadas no mercado depois do período de incubação com uma estrutura mais consolidada. Para que o processo de incubação alcance os resultados almejados é necessário que disponha de profissionais qualificados com habilidades técnicas em gestão, além de muita dedicação. O que se percebe é que os gestores das incubadoras se sentem privilegiados em concretizar sonhos e projetos dos empreendedores. 82% 17% 66% 30% 79% 18% 40% 57% 55% 36% 43% 52% 0% 20% 40% 60% 80% 100% Base = 148 Incubadoras Viabilidade Econômica Aplicação de Novas Tecnologias Perfil dos Empreendedores Potencial para rápido Crescimento Possibilidade de Interação com Univ./ Centro de Pesq. Número de Empregos criados Gráfico 04 - Critérios de seleção das empresas - Importante e/ou muito importante Muito Importante Importante
  • 8. 2.4 PERFIL DAS EMPRESAS RESIDENTES NAS INCUBADORAS As incubadoras tem uma papel primordial no que tange a ajudar as empresas incubadas a se desenvolverem a ponto de conseguirem se manter no mercado mesmo após saírem do processo de incubação. Para tanto a incubadora deve estar articulada com o cenário político, ter um bom relacionamento de negócios com grandes empresas, realizar convênios com instituições e governos, tendo sempre em mente as necessidades das empresas residentes. Daí a importância de se conhecer o perfil dessas empresas incubadas. A seguir, um conjunto de características e necessidades identificadas pela ANPROTEC em 2003, onde se busca estabelecer o perfil das empresas residentes em incubadoras. Conforme verificamos no gráfico 05, 42% das empresas residentes em incubadoras permanecem na mesma por um período de 2 a 3 anos. Fonte : ANPROTEC Panorama 2003 33% 42% 17% 8% 0% 10% 20% 30% 40% 50% Base = 140 incubadoras Até 2 anos(inclusive) Entre 2 e 3 anos Entre 3 e 4 anos Entre 5 e 0 anos Gráfico 05 - Prazo máximo para incubação
  • 9. Essas empresas apresentam jovens pessoas em seu comando, com 71% entre 18 e 35 anos de idade, com predominância do sexo masculino, 72% e 39% com instrução em nível superior, conforme gráficos a seguir: Fonte : ANPROTEC Panorama 2003 Fonte : ANPROTEC Panorama 2003 11% 34% 39% 6% 6% 4% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% Base = 5518 pessoas Primeiro Grau Segundo Grau Terceiro Grau Pós-Graduação Mestres Doutores Gráfico 06 - Pessoal das empresas incubadas por grau de instrução 36% 35% 21% 8% 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% Base = 3766 pessoas 18 a 25 anos 26 a 35 anos 36 a 45 anos Acima de 45 anos Gráfico 07 - Pessoal das empresas incubadas por faixa etária
  • 10. Com relação a área de formação dos sócios, temos engenharia, informática e administração com 34%, 23% e 13% respectivamente, o que totaliza mais de 70% para tais áreas. Conforme demonstrado através dos gráficos, percebemos que tais empresas apresentam necessidades específicas, que devem ser supridas pelas incubadoras, atendendo aos anseios dos jovens empresários que estão iniciando seus negócios. Quando observamos as áreas de formação dos sócios, percebemos que 57% são advindos de faculdades de engenharia e informática, o que nos dá indícios da importância de se desenvolver habilidades empreendedoras nesses gestores a fim de que suas empresas sobrevivam no competitivo mercado, mesmo após o período de incubação. 3. CIDE – CENTRO DE INCUBAÇÃO E DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL
  • 11. O CIDE - Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial, é a incubadora pioneira do Amazonas, sem fins lucrativos, criada em outubro de 1999, que de acordo com seu regimento interno, tem a finalidade de : “ ... promover o desenvolvimento e a transferência de tecnologias inovadoras que contribuam para o avanço tecnológico regional, com ênfase em TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, BIOTECNOLOGIA, QUÍMICA FINA, AGRO-INDÚSTRIA E ELETROELETRÔNICO” . De acordo com sua finalidade definida em regimento interno, o CIDE primordialmente tem como base de sua atividade o foco em tecnologia, contribuindo para o avanço tecnológico regional. Vale salientar que, como visto anteriormente, a base para os sistemas de incubadoras é o desenvolvimento e aperfeiçoamento de tecnologias capazes de atender cada vez mais as necessidades ilimitadas do homem. Para tanto, o envolvimento da comunidade é de extrema importância, no que tange ao desenvolvimento de pesquisas nas universidades e em outros centros tecnológicos. Conforme Montenegro (2001): “No Brasil, as empresas de base tecnológicas ou, ainda, de intensivas tecnologias(como também são conhecidas) que vêm nascendo em ambientes de incubação já trazem resultados bem positivos para a área de Ciência e Tecnologia. Tendo como principal insumo o conhecimento, essas empresas tendem a investir maciçamente em P&D e em inovação para garantir o sucesso de seus empreendimentos e a permanência frente à competitividade em um mercado globalizado.”
  • 12. O CIDE está localizado próximo à universidades e centros de pesquisas da região, facilitando a troca de experiências com tais instituições. A incubadora apresenta as seguintes organizações instituidoras :  FIEAM - Federação das Indústrias do Estado do Amazonas;  IEL/AM- Instituto Euvaldo Lodi - AM;  SEBRAE/AM - Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Amazonas  SENAI/AM - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial;  CIEM - Centro das Indústrias do Estado do Amazonas;  FUA - Fundação Universidade do Amazonas;  UTAM - Instituto de Tecnologia do Amazonas;  EAFM - Escola Agrotécnica de Manaus;  FUCAPI - Fundação Centro de Análise, Pesquisa, e Inovação Tecnológica;  INPA - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia;  BIOAMAZÔNIA - Associação Brasileira para Uso Sustentável da Biodiversidade da Amazônia;  AFEAM - Agência de Fomento do Estado do Amazonas;  SIC - Secretaria de Estado da Indústria e Comércio;  SEMEF - Secretaria Municipal de Finanças. A infra-estrutura disponibilizada às empresas residentes na incubadora é:
  • 13. - Imóvel, divido em central de apoio às empresas residentes, com recepção, secretaria, show-room, sala de reunião e treinamento, biblioteca, laboratórios, copa, banheiros e almoxarifado. - Módulos para alocar as empresas incubadas. - Estacionamento. - Telefones públicos. A estrutura organizacional do CIDE é formada por :  Conselho de Administração, que é o seu órgão superior, formado por representantes das instituições mantenedoras;  Conselho Fiscal , responsável por examinar as contas do CIDE assim como emitir parecer da prestação anual de contas, é formado por 3 (três) membros efetivos e 3 (três) suplentes;  Comitê Técnico, que é formado por especialistas responsáveis por julgar os pedidos de admissão no CIDE, assim como acompanhar o desempenho dos novos empreendedores;  Diretoria Executiva, formada por um gestor responsável pela gerência da incubadora. Entre os objetivos internos do CIDE, está : - Implementar um suporte gerencial e tecnológico às empresas residentes; - Avaliar as empresas incubadas de forma informatizada;
  • 14. - Desenvolver o perfil empreendedor dos gestores das empresas residentes; - Pesquisar o mercado local, a fim de identificar nichos de mercado, principalmente de bases tecnológicas; - Buscar maneiras de auto-sustentação financeira. Uma característica importante das incubadoras sem fins lucrativos é a forma como são administradas, pois por uma grande parte das mesmas serem subsidiadas por um órgão do governo, ou entidade mantenedora, as incubadoras trabalham com um orçamento bastante otimizado, o que se percebe é que suas equipes são bastante enxutas, e sua infra-estrutura é montada com o intuito de ser compartilhada por todas as empresas residentes na incubadora, proporcionando uma diluição de custos. Ressaltamos que uma das metas do CIDE é ter uma participação do Estado, como agente financiador, cada vez menor ao longo do tempo. Para tanto, as empresas incubadas devem participar dos encargos financeiros decorrentes dos serviços a elas prestados. No que tange a parte de consultoria, normalmente se tem consultores associados, que prestam seus serviços à incubadora, de acordo com a necessidade. Outra forma bastante comum, é a contratação de consultores via órgãos como SEBRAE e IEL, o que possibilita às empresas residentes na incubadora receberem uma consultoria de nível bastante elevado a custos reduzidos. 3.1 PROCESSO DE INCUBAÇÃO O processo de incubação é o período de tempo em que as empresas permanecem na incubadora recebendo assistência. Nesse período a empresa é acompanhada pela equipe da incubadora que a ajuda a se organizar gerencialmente a fim de que possa ter maiores chances de sucesso no mercado.
  • 15. Para participar do CIDE, profissionais e empresas devem apresentar um projeto que vise o desenvolvimento de tecnologias inovadoras nas áreas de biotecnologia limpa, agroindústria, química fina, recursos naturais e software. As empresas participantes serão classificadas em :  Empresa a ser constituída;  Empresa já constituída que se transfere para o CIDE;  Divisão de uma empresa já existente;  Empresa associada. Para uma empresa ingressar no CIDE, não necessariamente precisa ser uma nova empresa, mas uma empresa já constituída que esteja precisando de apoio ou mesmo uma empresa advinda de uma divisão. As solicitações de admissão no CIDE, serão julgadas pelo Comitê Técnico, que segue os seguintes critérios:  Viabilidade técnica e econômica do projeto  Capacidade técnica e empresarial dos solicitantes  Grau de inovação dos produtos, processos ou serviços, assim como o seu impacto na economia  Preocupação em ser uma atividade que não agrida o meio ambiente
  • 16.  Disponibilidade do CIDE em apoiar a solicitação. Como em qualquer projeto de investimento, tem-se uma preocupação com a viabilidade econômica do negócio, no entanto, para ser admitido no CIDE, além de viável, o projeto precisa apresentar projetos inovadores seja no que se refere a produto, serviço ou processo, além de ter gestores capazes de administrar o empreendimento. Outro requisito é aprovar projetos que estejam preocupados com a questão ambiental, que é de suma importância para que tenha o desenvolvimento sustentável. O processo de incubação é composto das seguintes etapas conforme diagrama 01: Diagrama 01 - Etapas para o processo de incubação 1. SELEÇÃO 2. INCUBAÇÃO 4. CRESCIMENTO 5. LIBERAÇÃO 3. DESENVOLVIMENTO
  • 17. A fase inicial para o processo de incubação, é a seleção. Tal processo é de extrema importância, visto que um processo de seleção mal feito, poderá acarretar problemas para a incubadora. Isso pode ocorrer em função da admissão de candidatos que não possuam perfil empreendedor, ou mesmo por projetos que não tenham sido avaliados criteriosamente, e que não estejam de acordo com as finalidades da incubadora. Segundo MOREIRA (2002): “A maior parte dos candidatos aposta alto nessa iniciativa. Isso implica as economias, o tempo e a esperança de construir algo diferente para si. Por este motivo as frustrações são aqui um ponto crítico que deve ser evitado.”. Dada a importância dessa etapa, a mesma é dividida em :  Pré-seleção: quando é apresentada a idéia do projeto para a incubação no CIDE, que deve estar de acordo com as finalidades da incubadora.  Curso de iniciação empresarial : com o objetivo de desenvolverem um maior conhecido a respeito da criação de um empreendimento.  Plano de Negócios : os candidatos que concluírem o curso de iniciação empresarial, deverão apresentar um plano de negócios à incubadora, vale salientar que nesta etapa já se percebe que alguns candidatos ficam pelo caminho, visto que ao terem que detalhar seus projetos,
  • 18. alguns desistem, outros descobrem que suas idéias não eram tão viáveis quanto pareciam.  Seleção : ao analisar o Plano de Negócios, o Comitê Técnico da incubadora emitirá um parecer sobre a admissão ou não do candidato no CIDE. Após tal fase, os titulares dos projetos aprovados para admissão na incubadora tem um prazo de 60 dias para se instalarem nos módulos a eles destinados no CIDE. O tempo máximo de permanência na incubadora é de 3 anos, prorrogável por mais um ano, se de extrema importância para o desenvolvimento do projeto, salientando que antes deve ser aprovado tal postergação de prazo pelo Conselho de Administração. As empresas pagarão uma taxa fixa mensal, para custeio das despesas com o serviços que a incubadora disponibiliza, tais como: utilização do módulo de 125m2 além dos serviços comuns como recepção, secretaria, sala de reuniões, auditório etc. Além disso deverão ressarcir a incubadora, em caso de despesas específicas, de acordo com a necessidade de cada empresa. Na fase de incubação, as empresas vão analisar as necessidades de infra- estrutura, apresentação dos termos do contrato, a incubadora apresentará suas regras e normas, tem-se então a assinatura do contrato e por fim a instalação da empresa. Em seguida tem-se a fase de desenvolvimento que é a mais complexa e desafiadora tanto para o empresário quanto para a incubadora. Isso porque nessa etapa as atenções estão voltadas para o desenvolvimento do produto, o que envolve testes e em alguns casos a confecção de protótipos.
  • 19. Atrasos nos cronogramas de desenvolvimento em função de falta de controle mais preciso, por parte do empresário, podem ocorrer. Lembrando que como visto anteriormente, a maioria dos empreendedores de incubadoras no Brasil, conforme levantamento da ANPROTEC, advém de faculdades tecnológicas, logo se tem uma excelente capacidade técnica, mas falta treinamento na área de gestão. É comum se ter um excelente produto ou serviço, mas na hora de implementar tal projeto, faltarem as características empreendedoras. Nesse ponto, a incubadora exerce papel crucial no que tange a acompanhar e buscar desenvolver habilidades gerenciais nos empresários. Reuniões entre incubadora e incubada são freqüentes nessa fase. Na fase de crescimento a empresa já deverá estar em expansão comercial, e em busca de novos clientes e mercados. A participação da incubadora é menos intensa, visto que a empresa já deve ter alcançado um certo grau de maturidade e seus gestores já são capazes de definir os rumos dos negócios. As reuniões com a incubadora continuam a existir , mas em períodos de tempos mais longos, com o objetivo de se verificar o andamento dos negócios, assim como se as metas do ano estão sendo cumpridas. São comuns as consultorias externas, principalmente na parte tributária, financeira e marketing. Outro fator comum é a necessidade por parte da empresa residente na incubadora em ampliar seu espaço físico dentro da mesma. E por último se tem a fase de liberação, onde a empresa já se encontra apta a sair da incubadora, seu faturamento já permite que a mesma possa migrar para uma nova sede e fazer vôos independentes.
  • 20. Neste ponto, a incubadora já não consegue mais abrigar a empresa incubada, em função de sua expansão e crescente necessidade de mais estrutura, além disso, uma empresa que já se encontra em fase robusta não precisa mais do auxílio da incubadora além de acabar por comprometer a entrada de novas empresas na mesma. As empresas residentes passam a não mais contar com a assistência da incubadora, no entanto, muitas criam vínculos de contatos que podem gerar novos negócios no futuro, tanto para as empresas como também para as incubadoras. Fonte : VALLE. Luciana Oliveira do. Dissertação de Mestrado – Perfil Empreendedor dos Gestores do CIDE. Taxa de mortalidade das empresas que passaram pelo processo de incubação Pesquisa realizada pela Anprotec revela que apenas 20% das empresas nascidas em incubadoras fecharam suas portas. Historicamente o desemprego tem sido motivo de aflição para muitas famílias brasileiras, tendo como uma de suas causas o elevado índice de falência de micro e pequenas empresas. Estudos mostram que devido a barreiras burocráticas, técnicas, comerciais e ausência de capacidade gerencial, 80% das micro e pequenas empresas brasileiras, em geral, desaparecem antes do primeiro ano de existência.