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  1. 1. 230 9 ARTICULAÇÕES
  2. 2. 231 Classificações das Articulações Articulações Fibrosas • Suturas • Sindesmoses • Gonfoses Articulações Cartilagíneas • Sincondroses • Sínfises Articulações Sinoviais • Estrutura das Articulações Sinoviais • Bolsas e Bainhas dos Tendões • Tipos de Articulações Sinoviais Tipos de Movimentos nas Articulações Sinoviais • Deslizamento • Movimentos Angulares • Rotação • Movimentos Especiais Articulações Selecionadas do Corpo Fatores que Afetam o Contato e a Amplitude do Movimento nas Articulações Sinoviais Envelhecimento e Articulações Artroplastia Aplicações na Saúde Principais Termos Médicos Associados às Articulações ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Os ossos são muito rígidos para serem curvados sem que se quebrem. Felizmente, tecidos conectivos flexí- veis formam articulações que mantêm os ossos unidos enquanto, na maioria dos casos, permitem algum grau de movimento. Uma articulação, ou uma artrose, é um ponto de contato entre dois ossos, entre osso e cartila- gem, ou entre osso e dentes. Quando dizemos que o osso se articula com um outro osso, queremos dizer que os ossos formam uma articulação. Como a maioria dos movimentos do corpo ocorre nas articulações, podemos perceber sua importância. Imagine como é difícil cami- nhar com uma atadura rígida no joelho, ou como uma tala no dedo limita sua capacidade para manipular pe- quenos objetos. O estudo científico das articulações é chamado de artrologia (artro- = articulação; -logia = estudo). O estudo do movimento do corpo humano é chamado de cinesiologia (cinesi(o)- = movimento). CLASSIFICAÇÕES DAS ARTICULAÇÕES OBJETIVO As articulações são classificadas estruturalmente com base nas características anatômicas, e, funcionalmen- te com base no tipo de movimento que permitem. A classificação estrutural das articulações é basea- da (1) na presença ou ausência de um espaço entre os ossos da articulação, chamado de cavidade articular (sinovial), e (2) no tipo de tecido conectivo que une os ossos. Estruturalmente, as articulações são classifica- das como um dos seguintes tipos: Articulações fibrosas Os ossos são unidos por te- cido conectivo, que é rico em fibras colágenas e, não existe cavidade articular (sinovial). Articulações cartilagíneas: Os ossos são unidos por cartilagem e não há cavidade articular (sinovial). Articulações sinoviais: Os ossos que formam a arti- culação têm uma cavidade articular (sinovial), são unidos pelo tecido conectivo irregular denso de uma cápsula ar- ticular e, freqüentemente, por ligamentos acessórios. A classificação funcional das articulações relaciona- se com o grau de movimento que permitem. Funcional- mente, as articulações são classificadas como um dos seguintes tipos: Sinartrose: Uma articulação fixa. Anfiartrose (anf(i)- = em ambos os lados): Uma arti- culação ligeiramente móvel. Diartrose: Uma articulação com liberdade de movi- mentos. Todas as diartroses são articulações sinoviais. Possuem uma variedade de formatos e permitem diver- sos tipos diferentes de movimentos (discutidos a seguir). As seções seguintes apresentam as articulações do corpo, de acordo com suas classificações estruturais. À medida que examinamos a estrutura de cada tipo de ar- ticulação, também exploraremos seus atributos funcionais. ARTICULAÇÕES FIBROSAS Como previamente observado, as articulações fibro- sas não possuem uma cavidade articular (sinovial), e os ossos da articulação são unidos, muito compactamen- te, por tecido conectivo fibroso. Essas articulações, que permitem pouco ou nenhum movimento, incluem as su- turas, as sindesmoses e as gonfoses. Suturas Uma sutura é uma articulação fibrosa composta por uma fina camada de tecido conectivo fibroso denso. Essas articulações são encontradas principalmente no crânio. Um exemplo é a sutura coronal, entre o parietal e o frontal (Figura 9.1a). As bordas irregulares interli- gadas das suturas conferem resistência adicional e di- minuem as chances de fratura. Como uma sutura é fixa, é classificada funcionalmente como uma sinartrose. Algumas estruturas, embora presentes durante o cres- cimento do crânio, são substituídas por osso no adulto. Essa sutura é chamada de sinostose, ou articulação óssea — uma articulação na qual há uma fusão completa do osso através da linha de sutura. Por exemplo, o frontal cresce em partes, que se desenvolvem juntas pela linha de sutura. Normalmente, as suturas estão completamente fundidas por volta dos 6 anos de idade, quando a sutu-
  3. 3. 232 ra se torna obscura. Se a sutura persistir além dos 6 anos de idade, é chamada de sutura metópica. Uma sinostose também é classificada, funcionalmente, como uma sinartrose. Sindesmoses Uma sindesmose é uma articulação fibrosa na qual há uma distância maior entre os ossos da articulação, e mais tecido conectivo fibroso denso do que em uma sutu- ra. O tecido conectivo fibroso pode estar disposto como um feixe (ligamento) ou como uma lâmina (membrana interóssea) (Figura 9.1b). Um exemplo de uma sindesmose é a sindesmose tibiofibular, na qual o ligamento tibiofibular anterior une a tíbia e a fíbula. Um outro exemplo é a mem- brana interóssea entre as margens paralelas da tíbia e da fíbula. Como ela permite pouco movimento, uma sindesmose é classificada funcionalmente como uma anfiartrose. Gonfoses Uma gonfose (gonf(i/o)- = um prego ou pino) ou sindesmose dentoalveolar é um tipo de articulação fibro- sa, na qual uma cavilha coniforme se ajusta em uma concavidade. Os únicos exemplos de gonfoses são as articulações entre as raízes dos dentes e seus alvéolos, na maxila e na mandíbula (Figura 9.1c). O tecido conecti- vo fibroso denso entre um dente e seu alvéolo é o periodonto. Uma gonfose é classificada funcionalmente como uma sinartrose, uma articulação fixa. A inflamação e a degeneração das gengivas, periodonto e osso é cha- mada doença periodontal. ARTICULAÇÕES CARTILAGÍNEAS Como uma articulação fibrosa, uma articulação cartilagínea não possui uma cavidade articular (sinovial) e permite pouco e nenhum movimento. Aqui, os ossos da articulação são firmemente unidos por cartilagem hialina ou por fibrocartilagem (veja Quadro 3.3 H). Os dois tipos de articulações cartilagíneas são as sincondroses e as sínfises. Sincondroses Uma sincondroseéumaarticulaçãocartilagíneaemque o material de conexão é cartilagem hialina. Um exemplo de uma sincondrose é a lâmina epifisial, que une a epífise e o corpo de um osso em crescimento (Figura 9.2a). Uma fotomicrografia da lâmina epifisial é mostrada na Figura 6.7. Funcionalmente,umasincondroseéumasinartrose.Quando o alongamento de um osso cessa, o osso substitui a carti- lagem hialina e a sincondrose se torna uma sinostose, uma articulação ossificada. Um outro exemplo de uma sincondrose é a articulação entre a primeira costela e o manúbrio do esterno, que também se ossifica durante a vida adulta e se torna uma sinostose fixa (veja Figura 7.23). Sínfises Uma sínfise (= crescendo junto) é uma articulação cartilagínea em que as extremidades dos ossos da articu- lação são recobertos por cartilagem hialina, mas os ossos são unidos por um disco largo e plano de fibrocartilagem. Todas as sínfises ocorrem na linha mediana do corpo. A sínfise púbica entre as faces anteriores dos ossos do qua- dril é um exemplo de sínfise (Figura 9.2b). Esse tipo de ar- ticulação também é encontrado na junção do manúbrio com o corpo do esterno (veja Figura 7.23) e nos discos interver- tebrais, entre os corpos vertebrais (veja Figura 7.21a). Uma parte do disco intervertebral é composta de fibrocartilagem. Uma sínfise é classificada como uma anfiartrose. ARTICULAÇÕES SINOVIAIS Estrutura das Articulações Sinoviais As articulações sinoviais têm determinadas carac- terísticas que as distinguem das outras articulações. A Em uma articulação fibrosa os ossos são unidos por tecido conectivo fibroso. Figura 9.1 Articulações fibrosas. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
  4. 4. 233 característica única de uma articulação sinovial é a pre- sença de um espaço chamado cavidade articular (sinovial) entre os ossos da articulação (Figura 9.3). A cavidade articular permite movimentos amplos da arti- culação. Por essa razão, todas as articulações sinoviais são classificadas, funcionalmente, como diartroses. Os ossos em uma articulação sinovial são recobertos por uma lâmina de cartilagem hialina, chamada cartilagem articular. A cartilagem recobre as faces articulares dos ossos com uma superfície escorregadia e lisa, mas não une os ossos. A cartilagem articular reduz o atrito entre os ossos na articulação durante o movimento e ajuda a absorver os impactos. SUBSTITUIÇÃO DA CARTILAGEM Diversos métodos estão disponíveis para substituir uma cartilagem articular lesada ou defeituosa, restau- rando sua função normal. Em um transplante de carti- lagem, os condrócitos (células cartilagíneas) proveni- entes de uma cartilagem saudável são removidos da ar- ticulação de uma pessoa e enviados ao laboratório e cultivadas em um meio de cultura para produzir mais células. As células recém-cultivadas são, então, implan- tadas na articulação danificada. Atualmente, esse pro- cedimento é usado apenas na articulação do joelho e em indivíduos que têm pequenas áreas de artrite. Um outro método que é usado em estudos com animais, envolve a substituição da cartilagem desgastada por material sintético, como o poliuretano. Quando a car- tilagem é retirada, injeta-se o poliuretano líquido. Assim que endurece o poliuretano forma uma superfície lisa. Os pesquisadores também usam células-tronco, na tentativa de fazer novas cartilagens. A idéia é inserir Figura 9.2 Articulações cartilagíneas. Na articulação cartilagínea, os ossos são unidos por cartilagem. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ células-tronco na cartilagem danificada existente, a partir da qual produzirão nova cartilagem. Cápsula Articular Uma cápsula articular, semelhante a um manguito, envolve uma articulação sinovial, circunda a cavidade articular, unindo os ossos da articulação. A cápsula ar- ticular é composta por duas camadas, uma cápsula fi- brosa externa e uma membrana sinovial interna (Figura 9.3). A cápsula fibrosa, normalmente, consiste em te- cido conectivo irregular denso (principalmente fibras colágenas), que se fixa ao periósteo dos ossos da arti- culação. A flexibilidade da cápsula fibrosa permite con- siderável movimento na articulação, enquanto sua grande resistência à tração (resistência ao alongamento) ajuda a evitar o deslocamento dos ossos. As fibras de algu- mas cápsulas fibrosas estão dispostas em feixes para- lelos, que são altamente adaptados para resistir às ten- sões. Esses feixes de fibras, chamados ligamentos, são freqüentemente designados por nomes individuais. A força dos ligamentos é um dos principais fatores mecâ- nicos, que mantém os ossos unidos em uma articulação sinovial. A camada interna da cápsula articular, a mem- brana sinovial, é composta por tecido conectivo areolar com fibras elásticas. Em muitas articulações sinoviais, a membrana sinovial apresenta acúmulos de tecido adiposo, chamados de corpos adiposos articulares. Um exemplo é o corpo adiposo infrapatelar, no joelho (veja Figura 9.15c e e). Uma pessoa com “extrema flexibilidade corporal” (contorcionista), na realidade, não possui articulações extras. Indivíduos com “extrema flexibilidade corporal” possuem maior flexibilidade nas cápsulas articulares, re- sultando em aumento na amplitude do movimento, per- mitindo que entretenham amigos em festas, com ativi- dades como encostar o polegar no pulso e colocar os tornozelos ou os cotovelos atrás da cabeça. Infelizmente, essas articulações flexíveis são estruturalmente menos estáveis e são mais facilmente deslocadas. Líquido Sinovial A membrana sinovial secreta líquido sinovial, que for- ma uma película fina sobre as faces, no interior da cáp- sula articular. Esse líquido viscoso, amarelo-claro, foi assim chamado devido à sua semelhança, na aparência e na consistência, com a ovalbulmina crua. O líquido sinovial consiste em ácido hialurônico, secretado por células se- melhantes aos fibroblastos, situadas na membrana sinovial, e em líquido intersticial filtrado do plasma san- güíneo. Suas funções incluem a redução do atrito, por meio da lubrificação da articulação, as absorção de impactos, o fornecimento de oxigênio e nutrientes para os condrócitos dentro da cartilagem articular, assim como a remoção de dióxido de carbono e resíduos dos mesmos. (Lembre-se que a cartilagem é um tecido avascular, portanto, não possui vasos sangüíneos para realizar a última função). O líquido sinovial também contém células fagocíticas, que removem micróbios e fragmentos resultantes do desgas- te normal da articulação. Quando uma articulação sinovial fica imobilizada por um período, o líquido se torna muito viscoso (coloidal), mas conforme o movimento da articu- lação aumenta, o líquido se torna menos viscoso. Um dos benefícios do aquecimento antes do exercício é a estimulação da produção e secreção do líquido sinovial; mais líquido significa menos tensão sobre as articulações durante o exercício. Estamos familiarizados com os estalos ouvidos, quando determinadas articulações se movem, ou com os estali- dos que surgem, quando uma pessoa traciona os dedos para estalar as articulações. De acordo com uma teoria,
  5. 5. 234 quando a cavidade sinovial se expande, a pressão do lí- quido sinovial diminui, criando um vácuo parcial. A suc- ção retira o dióxido de carbono e o oxigênio dos vasos sangüíneos da membrana sinovial, formando bolhas no líquido. Quando as bolhas estouram, ouvem-se os esta- lidos ou estampidos. ASPIRAÇÃO DO LÍQUIDO SINOVIAL Como resultado de várias lesões ou doenças, pode haver uma formação de líquido sinovial em uma cavida- de articular, resultando em dor e diminuição da mobili- dade. Para aliviar a pressão e diminuir a dor, pode ser necessária a aspiração do líquido sinovial. Nesse pro- cedimento, uma agulha é inserida na cavidade articular e o líquido é aspirado em uma seringa; o líquido é, em seguida, analisado com propósitos diagnósticos. Por exemplo, o líquido pode conter bactérias que confirmam um diagnóstico de infecção, ou pode conter cristais de uréia que confirmam um diagnóstico de gota. É possí- vel também injetar medicamento na cavidade articular; drogas antiinflamatórias, como o cortisol, são usadas para diminuir a tumefação da articulação provocada pela re- tenção de líquido, proveniente do sangue, que entra na articulação. Ligamentos Acessórios e Discos Articulares Muitas articulações sinoviais também contêm ligamen- tos acessórios, chamados ligamentos extracapsulares e ligamentos intracapsulares. Os ligamentos extracapsulares Figura 9.3 Estrutura de uma articulação sinovial típica. Observe as duas camadas da cápsula articular — a cápsula fibrosa e a membrana sinovial. O líquido sinovial preenche a cavidade articular, entre a membrana sinovial e a cartilagem articular. A característica peculiar de uma articulação sinovial é a cavidade sinovial entre os ossos da articulação. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
  6. 6. 235 se situam fora da cápsula articular. Exemplos são os liga- mentos colaterais fibular e tibial da articulação do joelho (veja Figura 9.15d e f). Os ligamentos intracapsulares ocor- rem dentro da cápsula articular, mas são mantidos fora da cavidade sinovial, pela membrana sinovial. Exemplos são os ligamentos cruzados anterior e posterior (veja Figura 9.15d e f). No interior de algumas articulações sinoviais, como na do joelho, corpos adiposos de fibrocartilagem se situam entre as faces articulares dos ossos e são presos à cáp- sula fibrosa. Esses corpos adiposos são chamados de discos articulares ou meniscos. As Figuras 9.15d e f mostram os meniscos lateral e medial na articulação do joelho. Os discos normalmente subdividem a cavidade sinovial em dois espaços separados. Essa separação permite que movimentos separados ocorram em cada espaço. Como observaremos posteriormente, movimen- tos separados também ocorrem nos respectivos compar- timentos da articulação temporomandibular (ATM). Quando modificamos o formato das faces articulares dos ossos da articulação, os discos articulares permitem que dois os- sos de diferentes formatos se encaixem mais precisamente. Os discos articulares também ajudam a manter a estabili- dade da articulação e a direcionar o fluxo de líquido sinovial para as áreas de maior atrito. ARTROSCOPIA E CARTILAGEM ROMPIDA O rompimento dos discos articulares (meniscos) no jo- elho, comumente chamado de cartilagem rompida, ocorre freqüentemente entre atletas. Essa cartilagem danificada começará a se degenerar, podendo acelerar a artrite, a menos que seja removida (meniscectomia). O reparo ci- rúrgico da cartilagem rompida pode ser auxiliado pela artroscopia. Este procedimento, minimamente invasivo, envolve o exame do interior de uma articulação, geralmente do joelho, com um artroscópio, um instrumento óptico ilu- minado, com a espessura de um lápis fino, usado para visualização. A artroscopia é usada para determinar a natureza e a extensão do dano, após uma lesão no joe- lho, e para monitorar o progresso da doença e os efeitos da terapia. Além disso, a inserção de instrumentos cirúr- gicos, também permite ao médico remover a cartilagem rompida e a reparar os ligamentos cruzados danificados, na articulação do joelho; a obter amostras de tecidos para análise; e a realizar cirurgia em outras articulações, como a do ombro, a do cotovelo, a talocrural e a radiocarpal. Suprimento Sangüíneo e Nervoso Os nervos que suprem uma articulação são os mes- mos que inervam os músculos esqueléticos que põem a articulação em movimento. As articulações sinoviais con- tém muitas terminações nervosas, que estão distribuídas pela cápsula articular e ligamentos associados. Algumas das terminações nervosas transportam informações sobre dor, da articulação para a medula espinal e para o encéfalo, onde são processadas. Outras terminações nervosas são sensíveis ao grau de movimento e estiramento da articu- lação. Essa informação também é retransmitida à medula espinal e ao encéfalo, que respondem, enviando impul- sos pelos diferentes nervos aos músculos, para ajustar os movimentos do corpo. Embora muitos dos componentes das articulações sinoviais sejam avasculares, as artérias nas proximidades enviam numerosos ramos, que penetram nos ligamentos e na cápsula articular, para distribuir oxigênio e nutrien- tes. As veias removem dióxido de carbono e resíduos das articulações. Os ramos arteriais, provenientes de diversas artérias diferentes, normalmente, se unem em volta de uma articulação antes de entrar na cápsula articular. Os condrócitos da cartilagem articular de uma articulação sinovial recebem oxigênio e nutrientes do líquido sinovial, derivado o sangue, enquanto todos os outros tecidos da articulação são supridos, diretamente, pelas artérias. O di- óxido de carbono e os resíduos passam dos condrócitos da cartilagem articular para o liquido sinovial e, em segui- da, para as veias; o dióxido de carbono e os resíduos pro- venientes de todas as outras estruturas articulares pas- sam, diretamente, para as veias. ENTORSE E LESÕES POR ESFORÇO Uma entorse é uma torção forçada ou a luxação de uma articulação, que estira ou lacera seus ligamentos sem deslocar seus ossos. Ocorre quando os ligamentos são submetidos a tensões superiores à sua capacidade nor- mal. As entorses também podem danificar os vasos san- güíneos, os músculos, tendões ou nervos adjacentes. Entorses graves podem ser tão dolorosas que a articula- ção não pode ser movimentada. Há um inchaço conside- rável, que resulta da hemorragia do rompimento dos va- sos sangüíneos. A articulação talocrural é a que mais fre- qüentemente sofre entorses; a região lombar é um outro local freqüente de entorses. Uma lesão por esforço é quando um músculo é parcialmente lacerado ou estira- do. Freqüentemente, ocorre quando um músculo se con- trai súbita e vigorosamente — por exemplo, nos múscu- los da perna dos velocistas, quando aceleram rapidamente. Bolsas e Bainhas Tendíneas Os diversos movimentos do corpo criam atrito entre as partesmóveis.Estruturassaciformes,chamadasbolsas,es- tão situadas estrategicamente para reduzir o atrito em algu- mas articulações, como a do ombro e a do joelho (veja Figu- ras 9.12 e 9.15c e e). As bolsas não são exatamente partes das articulações sinoviais, porém, na realidade, se asseme- lham às cápsulas articulares, porque suas paredes consis- tem em tecido conectivo revestido por membrana sinovial. Asbolsastambémsãopreenchidascomumapequenaquan- tidade de líquido, semelhante ao líquido sinovial. As bolsas estãolocalizadasentreapeleeoosso,ostendõeseosossos, os músculos e os ossos, e os ligamentos e os ossos. Os sa- cos, cheios de líquidos das bolsas, amortecem o movimento dessas partes do corpo sobre as outras. Estruturas chamadas de bainhas tendíneas também re- duzem o atrito nas articulações. As bainhas tendíneas são bolsas tubulares que envolvem os tendões que sofrem atri- to considerável. Isso ocorre nos locais em que os tendões passam pelas cavidades sinoviais, como o tendão do mús- culo bíceps braquial na articulação do ombro (veja Figura 9.12c). As bainhas tendíneas também são encontradas no pulso e no tornozelo, onde muitos tendões se juntam em um espaço confinado (veja Figura 11.24) e, nos dedos das mãos e dos pés, onde há muito movimento (veja Figura 11.20). BURSITE Uma inflamação crônica ou aguda de uma bolsa é cha- mada de bursite. Normalmente é provocada por irritação resultante de esforço excessivo e repetitivo de uma arti- culação. A condição também pode ser provocada por trau- ma, por uma infecção crônica ou aguda (incluindo sífilis e tuberculose), ou artrite reumatóide. Os sintomas inclu- em dor, inchaço, hipersensibilidade e movimento limita- do. O tratamento pode incluir agentes antiinflamatórios orais e injeções de esteróides semelhantes ao cortisol. Tipos de Articulações Sinoviais Embora todas as articulações sinoviais sejam seme- lhantes em estrutura, as formas das faces articulares va-
  7. 7. 236 riam e, portanto, vários tipos de movimentos são possí- veis. Assim, as articulações sinoviais são divididas em seis subtipos: plana, gínglimo, trocóidea, elipsóidea, selar e esferóidea. Articulações Planas Asfacesarticularesdosossosemumaarticulaçãoplana são achatadas ou ligeiramente encurvadas (Figura 9.4a). As articulações planas permitem, fundamentalmente, mo- vimentos de deslizamento lateral e, para a frente e para trás (descritos a seguir). Essas articulações são consideradas não-axiais, porque o movimento que permitem não ocorre em torno de um eixo ou ao longo de um plano. Alguns exem- plos de articulações planas são as articulações intercarpais (entre os ossos carpais no pulso); as articulações intertarsais (entre os ossos tarsais no tornozelo); as articulações Figura 9.4 Subtipos de articulações sinoviais. Para cada subtipo, um desenho da articulação real e um diagra- ma simplificado são mostrados. Articulações sinoviais são classificadas em subtipos, com base nas formas das faces dos ossos da articulação. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
  8. 8. 237 esternoclaviculares (entre o manúbrio do esterno e a claví- cula); as articulações acromioclaviculares (entre o acrômio da escápula e a clavícula); as articulações esternocostais (entre o esterno e as extremidades das cartilagens costais nas pontas do segundo ao sétimo par de costelas costais); e as articulações vertebrocostais (entre as cabeças dos tu- bérculos das costelas e os processos transversos das vér- tebras torácicas). As radiografias feitas durante os movimen- tos do pulso e do tornozelo, revelam alguma rotação dos pequenos ossos do carpo e do tarso, além de seus movi- mentos de deslizamento prevalecentes. Gínglimo Em um gínglimo, a face convexa do osso se encaixa na face côncava de um outro osso (Figura 9.4b). Como o próprio nome diz, os gínglimos produzem um movimento angular, de abrir e fechar, como aquele de uma porta com dobradiças. Na maioria dos movimentos da articulação, um osso permanece em uma posição fixa enquanto o outro se move em torno de um eixo. Diz-se que os gínglimos são monoaxiais (uniaxiais), porque permitem, normalmen- te, movimento em torno de um único eixo. Exemplos de gínglimos são as articulações do joelho, do cotovelo, talocrural e interfalângicas. Articulações Trocóideas Em uma articulação trocóidea, a face pontiaguda ou arredondada de um osso se articula com um anel for- mado parcialmente por um outro osso e parcialmente por um ligamento (Figura 9.4c). Uma articulação trocóidea é monoaxial porque permite rotação apenas em torno de seu próprio eixo. Exemplos de articulações trocóideas são as articulações atlantoaxial, na qual o atlas gira em torno do áxis e permite que a cabeça se movimente de um lado para o outro, quando se quer expressar “nega- ção” (veja Figura 9.9a) e, radiulnar, que permite girar as palmas anterior e posteriormente (veja Figura 9.10h). Artérias Elipsóideas Em uma articulação elipsóidea, a projeção oval con- vexa de um osso se encaixa na depressão oval de um outro osso (Figura 9.4d). Um a articulação elipsóidea é biaxial, porque permite movimento em torno de dois eixos. Ob- serve que podemos mover o indicador tanto para cima e para baixo quanto de um lado para o outro. Exemplos são as articulações radiocarpais e metatarsofalângicas do segundo ao quinto dedos. Articulações Selares Em uma articulação selar, a face articular de um osso é em forma de sela, e a face articular do outro osso se encaixa na “sela”, assim como um cavaleiro sentado faria (Figura 9.4c). Uma articulação selar é uma articulação elipsóidea modificada, na qual o movimento é um tanto mais livre. As articulações em sela são biaxiais, produzindo movimentos de um lado para o outro e para cima e para baixo. Um exemplo de uma articulação selar é a articula- ção carpometacarpal, entre o trapézio do carpo e o osso metacarpal do polegar. Articulações Esferóideas Uma articulação esferóidea consiste na face esferóide de um osso se encaixando na depressão caliciforme de um outro osso (Figura 9.4f). Essas articulações são multiaxiais (poliaxiais), porque permitem o movimento em torno de três eixos e em todas as direções existentes en- tre eles. Exemplos de articulações esferóideas funcionais são as articulações do ombro e do quadril. Na articulação do ombro, a cabeça do úmero se encaixa na cavidade glenoidal da escápula. Na articulação do quadril, a cabe- ça do fêmur se encaixa no acetábulo do osso do quadril. O Quadro 9.1 resume as categorias funcional e es- trutural das articulações. TIPOS DE MOVIMENTOS NAS ARTICULAÇÕES SINOVIAIS Os anatomistas, os fisioterapeutas e os cinesiologistas usam uma terminologia específica, para designar os mo- vimentos que podem ocorrer nas articulações sinoviais. Esses termos precisos podem indicar a forma do movi- mento, a direção do movimento, ou a relação de uma parte do corpo com outra durante o movimento. Os mo- vimentos nas articulações sinoviais são agrupados em quatro categorias principais: (1) deslizamento, (2) mo- vimento angular, (3) rotação e (4) movimentos especi- ais. Esta última categoria inclui os movimentos que ocor- rem apenas em determinadas articulações. Deslizamento O deslizamento é um movimento simples, no qual as faces relativamente planas do osso se movem para a frente e para trás e de um lado para o outro, uma em relação à outra (Figura 9.5). Não há alteração signifi- cativa do ângulo entre os ossos. Os movimentos de deslizamento são de amplitude limitada devido à estru- tura da cápsula articular e dos ligamentos e ossos as- sociados. O deslizamento ocorre nas articulações pla- nas (veja Figura 9.4a). Movimentos Angulares Nos movimentos angulares, há um aumento ou uma redução no ângulo entre os ossos da articulação. Os prin- cipais movimentos angulares são flexão, extensão, ex- tensão lateral, hiperextensão, abdução, adução e circundução. Esses movimentos são sempre discutidos com relação ao corpo na posição anatômica. Flexão, Extensão, Flexão Lateral e Hiperextensão A flexão e a extensão são movimentos opostos. Na flexão há uma redução no ângulo entre os ossos da ar- ticulação; na extensão há um aumento no ângulo entre os ossos da articulação, muitas vezes para recolocar uma parte do corpo na posição anatômica após uma flexão (Figura 9.6). Os dois movimentos normalmente ocorrem ao longo do plano sagital. As articulações trocóideas, elipsóideas, selares, esferóideas e o gínglimo permitem flexão e extensão (veja Figura 9.4b-f). Todos os exemplos seguintes são de flexão: Inclinação da cabeça em direção ao tórax na articu- lação atlantoccipital, entre o atlas (a primeira vértebra) e o occipital do crânio, e nas sínfises intervertebrais, entre as vértebras cervicais (Figura 9.6a). Inclinação do tronco em direção às articulações in- tervertebrais. Movimento do úmero em direção à articulação do ombro, como na oscilação dos braços para a frente, enquanto caminhamos (Figura 9.6b). Movimento do antebraço em direção ao braço, na articulação do cotovelo, entre o úmero, a ulna e o rádio (Figura 9.6c). Movimento da palma em direção ao antebraço, no pulso ou na articulação radiocarpal, entre o rádio e os ossos carpais (Figura 9.6d). Inclinação dos dedos da mão ou do pé, nas articu- lações interfalângicas entre as falanges. Movimento do fêmur para a frente, nas articulação do quadril, entre o fêmur e o osso do quadril, como na marcha (Figura 9.6e).
  9. 9. 238 QUADRO 9.1 RESUMO DAS CLASSIFICAÇÕES FUNCIONAIS E ESTRUTURAIS DAS ARTICULAÇÕES ESTRUTURAL Descrição FUNCIONAL EXEMPLO Fibrosa Os ossos da articulação unidos por tecido conectivo fibroso; sem cavidade sinovial. Sutura Os ossos da articulação unidos por uma Sinartrose (fixa) Sutura frontal. fina camada de tecido conectivo fibroso denso, encontrado entre os ossos do crânio. Com a idade, algumas suturas são substituídas por uma sinostose, na qual os ossos se fundem ao longo de uma sutura anterior. Sindesmose Os ossos da articulação unidos por Anfiartrose Sindesmose tecido conectivo denso, um ligamento (pouco móvel) tibiofibular. ou uma membrana interóssea. Gonfose Os ossos da articulação unidos pelo Sinartrose Raízes dos dentes periodonto; uma estrutura coniforme se nos alvéolos da ma- encaixa em uma concavidade óssea. xila e da mandíbula. Cartilagínea Os ossos da articulação unidos por cartilagem; sem cavidade sinovial. Sincondrose O tecido de conexão é a cartilagem Sinartrose Lâmina epifisial na arti- hialina; torna-se uma sinostose quando culação entre a diáfise e o crescimento longitudinal cessa. a epífise de um osso longo. Sínfise O tecido de conexão é um disco plano Anfiartrose Articulações interverte- largo de fibrocartilagem. brais e sínfise púbica. Sinovial Caracterizada por uma cavidade sinovial, uma cartilagem articular e uma cápsula articular; pode conter ligamentos acessórios, discos articulares e bolsas. Plana As faces articuladas são planas ou ligeira- Diartrose não-axial Intercarpais, intertarsais, mente encurvadas. (muito móvel); mo- esternocostais (entre o vimento de des- esterno e o 2º ao 7º pa lizamento. res de costelas), articula- ções vertebrocostais. Gínglimo A face convexa se encaixa em uma Diartrose mono- Articulações do cotovelo, face côncava. axial; movimento talocrural e interfalân- angular. gicas. Trocóidea A face pontiaguda ou arredondada se Diartrose Articulações atlantoaxial encaixa em um anel formado parcialmente monoaxial; e radiulnares. por ossos e parcialmente por um ligamento. rotação. Elipsóidea A projeção oval se encaixa em uma Diartrose biaxial; Articulações radiocarpais depressão oval. movimento angular. e metacarpofalângicas. Selar A face articular de um osso é em forma Diartrose biaxial; Articulação carpometa- de sela, e a face articular do outro osso movimento angular carpal entre o trrapézio e “senta” sobre a sela. . o polegar. Esferóidea A face esferóidea se encaixa em uma Diartrose mono- Articulações do ombro depressão caliciforme. axial; movimento e do quadril. angular e de rotação.
  10. 10. 239 O movimento de deslizamento consiste em movimen- tos laterais e de vaivém. Nos movimentos angulares, há um aumento ou uma redução no ângulo entre os ossos da articulação. Figura 9.5 Movimentos de deslizamento nas articu- lações sinoviais. Figura 9.6 Movimentos angulares nas articulações sinoviais — flexão, extensão, hiperextensão e flexão lateral.
  11. 11. 240 Movimento da perna em direção à coxa, na articu- lação do joelho, entre a tíbia, o fêmur e a patela, como ocorre quando flexionamos o joelho (Figura 9.6f). Embora a flexão e a extensão geralmente ocorram ao longo do plano sagital, existem algumas exceções. Por exemplo, a flexão do polegar envolve o movimento do po- legar medialmente, de um lado a outro da palma, na articu- lação carpometacarpal entre o trapézio e o metacarpal do polegar,comoaotocarcomopolegaroladoopostodapalma (veja Figura 11.20f). Um outro exemplo é o movimento do tronco lateralmente, para a direita ou para a esquerda, na cintura como na flexão lateral. Este movimento, que ocorre ao longo do plano frontal e envolve as sínfises interverte- brais, é chamado de flexão lateral (Figura 9.6g). A continuação da extensão, além da posição anatômica, é chamada de hiperextensão. Exemplos de hiperextensão incluem: Inclinação da cabeça para trás, nas articulações atlantoccipitais e sínfises intervertebrais (Figura 8.6a). Inclinação do tronco para trás, nas sínfises inter- vertebrais, como na flexão para trás. Movimento do úmero para trás, na articulação do ombro, como na oscilação dos braços para trás durante a marcha (Figura 9.6b). Movimento da palma para trás, na articulação radiocarpal (Figura 9.6d). Movimento do fêmur para trás, na articulação do quadril, como na marcha (Figura 9.6e). A hiperextensão dos gínglimos, como as articulações do cotovelo, interfalângicas e do joelho, normalmente é evitada por fatores, como, por exemplo, a disposição dos ligamentos e do alinhamento anatômico dos ossos. Abdução, Adução e Circundução Abdução é o movimento de um osso para longe da linha mediana, enquanto a adução é o movimento de um osso em direção à linha mediana. Os dois movimentos normalmente ocorrem ao longo do plano frontal. As ar- ticulações elipsóideas, selares e esferóideas permitem movimentos de abdução e adução. Exemplos de abdução incluem o movimento do úmero lateralmente, na articu- lação do ombro, e o movimento do fêmur lateralmente, na articulação do quadril (Figura 9.7a-c). O movimento que retorna cada uma dessas partes do corpo à posi- ção anatômica é a adução (Figura 9.7a-c). Com relação aos dedos, a linha mediana do corpo não é usada como um ponto de referência para a abdução e a adução. Na abdução dos dedos (mas não do pole- gar), um alinha imaginária é traçada pelo eixo longitudi- nal do dedo médio (o mais longo), e os dedos se afas- tam (separam-se) do dedo médio (Figura 9.7d). Na abdução do polegar, este se afasta da palma no plano sagital (veja Figura 11,20f). A abdução dos dedos do pé é relativa a uma linha imaginária, que passa pelo segundo dedo. A adução dos dedos da mão e do pé envolve seu retorno à posição anatômica. Na adução do polegar, este se move em direção à palma, no plano sagital (veja Fi- gura 11.20f). Figura 9.7 Movimentos angulares nas articulações sinoviais — abdução e adução. Abdução e adução geralmente ocorrem ao longo do plano frontal. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
  12. 12. 241 A circundução é o movimento da extremidade distal de uma parte do corpo em um círculo (Figura 9.8). A circundução ocorre como resultado de uma seqüência contínua de flexão, abdução, extensão e adução. Exem- plos de circundução são o movimento do úmero em cír- culo, na articulação do ombro (Figura 9.8a), o movimen- to da mão em círculo, na articulação radiocarpal, o movi- mento do polegar em círculo, na articulação carpometacarpal, o movi dos dedos, na articulação metacarpofalângica (entre os ossos metacarpais e as falanges) e o movimento do fêmur em círculo, na articu- lação do quadril (Figura 9.8b). As articulações do ombro e do quadril permitem a circundução, mas seus compo- nentes, a flexão, a abdução, a extensão e a adução são mais limitados nas articulações do quadril do que nas articulações do ombro, devido à tensão sobre determina- dos ligamentos e músculos (veja Exibições 9.2 e 94). Rotação Na rotação, um osso gira em torno de seu próprio eixo longitudinal. As articulações trocóideas e esferóideas per- mitem a rotação. Um exemplo é movimentar a cabeça de um lado para o outro, na articulação atlantoaxial, queren- do dizer “não” (Figura 9.9a). Um outro exemplo é rotação do tronco lateralmente, nas sínfises intervertebrais, enquan- to se mantêm o quadril e os membros inferiores na posi- ção anatômica. Nos membros, a rotação é definida em relação à linha mediana, e usam-se termos específicos de qualificação. Se a face anterior de um osso do membro é girada em direção à linha mediana, o movimento é cha- mado de rotação medial (interna). Você pode girar medialmente o úmero, na articulação do ombro da seguinte forma: Começando na posição anatômica, flexione o co- tovelo e, em seguida, leve a palma em direção ao tórax (Figura 9.9b). A rotação medial do antebraço, nas articu- lações radiulnares (entre o rádio e a ulna) envolve a rota- ção da palma medialmente a partir da posição anatômica (veja Figura 9.10h). Pode-se girar, medialmente, o fêmur na articulação do quadril da seguinte forma: Deite-se de costas, flexione o joelho e, em seguida, mova a perna e o pé, lateralmente, para longe da linha mediana. Embora es- teja movendo a perna e o pé lateralmente, o fêmur está girando medialmente (Figura 9.9c). A rotação medial da perna, na articulação do joelho, pode ser realizada sen- tando-se em uma cadeira, flexionando o joelho, elevando o membro, e girando os dedos do pé medialmente. Se a face anterior do osso de um membro é girada para longe da linha mediana, o movimento é chamado rotação late- ral (externa) (veja Figura 9.b, c). Movimentos Especiais Como observado anteriormente, os movimentos es- peciais ocorrem apenas em determinadas articulações e incluem elevação, abaixamento, protração, retração, inversão, eversão, dorsiflexão, flexão plantar, supinação, pronação e oposição (Figura 9.10): Elevação é um movimento para cima de uma parte do corpo, como no fechamento da boca, na articulação temporomandibular (entre a mandíbula e o temporal), para A circundução é o movimento da extremidade distal de uma parte do corpo em um círculo. Figura 9.8 Movimentos angu- lares nas articulações sinoviais — circundução. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Figura 9.9 Rotação nas articulações sinoviais. Na rotação, um osso gira em torno de seu próprio eixo longitudinal. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
  13. 13. 242 elevaramandíbula(Figura9.10a),oucomonoencolhimento dos ombros, na articulação acromioclavicular, para elevar a escápula. Outros ossos que podem ser elevados (ou abaixados) incluem o hióide, a clavícula e as costelas. Abaixamento é um movimento para baixo de uma parte do corpo, como na abertura da boca para abaixar a mandíbula (Figura 9.10b), ou ao retornar os ombros à posição anatômica, para abaixar a escápula. Protração é um movimento de uma parte do corpo, anteriormente, no plano transverso. Podemos protrair a mandíbula, na articulação temporomandibular, projetan- do-a para fora (Figura 9.10c), ou protrair as clavículas nas articulações acromioclavicular e esternoclavicular, cruzan- do os braços. Retração é um movimento de uma parte protraída do corpo de volta à posição anatômica (Figura 9.10d). Inversão é o movimento das solas dos pés, medialmente, nas articulações intertarsais (entre os ossos tarsais) (Figura 9.10e). Os fisioterapeutas também se referem à inversão dos pés como supinação. Eversão é um movimento das solas, lateralmente, nas articulações intertarsais (Figura 9.10f). Os fisiote- rapeutas também se referem à inversão dos pés como pronação. Dorsiflexão se refere à flexão do pé, na articula- ção talocrural, ou no tornozelo (entre a tíbia, a fíbula e o tálus), na direção do dorso (face superior) (Figura 9.10g). A dorsiflexão ocorre quando ficamos de pé so- bre os calcanhares. Flexão plantar envolve a flexão do pé, na articu- lação talocrural, na direção da face inferior ou plantar (Figura 9.10g), quando elevamos o corpo, ficando nas pontas dos pés. Supinação é um movimento do antebraço, nas ar- ticulações radiulnares proximal e distal, no qual a pal- ma é girada anteriormente (Figura 9.10h). Esta posição das palmas é uma das características definidoras da po- sição anatômica. Pronação é um movimento do antebraço, nas arti- culações radiulnares proximal e distal, no qual a extre- midade distal do rádio passa por cima da extremidade distal da ulna, e a plasma é girada posteriormente (Fi- gura 9.10h). Oposição é o movimento do polegar, na articula- ção carpometacarpal (entre o trapézio e o metacarpal do polegar), no qual o polegar se move de um lado a outra da palma, para tocar as pontas dos dedos do mesmo lado da mão (veja Figura 11.20f). Este é o movimento distinto dos dedos que confere aos humanos e aos primatas a capacidade de agarrar e manipular objetos de forma muito precisa. Um resumo dos movimentos que ocorrem nas articu- lações sinoviais é apresentado no Quadro 9.2. ARTICULAÇÕES SELECIONADAS DO CORPO Nos Capítulos 7 e 8, discutimos os principais ossos e seus acidentes anatômicos. Neste capítulo examina- remos como as articulações são classificadas de acor- do com sua estrutura e função, e introduzimos os movi- mentos que ocorrem nas articulações. O Quadro 9.3 (ar- QUADRO 9.2 RESUMO DOS MOVIMENTOS NAS ARTICULAÇÕES SINOVIAIS MOVIMENTO DESCRIÇÃO Deslizamento Movimento de vaivém e lateral das faces ósseas relativamente planas uma sobre a outra; pouca alteração no ângulo entre os ossos. Angular Aumento ou diminuição no ângulo entre os ossos. Flexão Diminuição no ângulo entre os ossos da articulação, normalmente no plano sagital. Flexão lateral Movimento do tronco no plano frontal. Extensão Aumento no ângulo entre os ossos da articulação, normalmente no plano sagital. Hiperextensão Extensão além da posição anatômica. Abdução Movimento de um osso para longe da linha mediana, normalmente no plano frontal. Adução Movimento de um osso em direção à linha mediana, normalmente no plano frontal. Circundução Flexão, abdução, extensão e adução em seqüência, em que a extremidade distal de uma parte do corpo se move em um círculo. Rotação Movimento de um osso em torno de seu eixo longitudinal; nos membros, pode ser medial (em direção à linha mediana) ou lateral (para longe da linha mediana). Especial Ocorre em articulações específicas. Elevação Movimento para cima de uma parte do corpo. Abaixamento Movimento para baixo de uma parte do corpo. Protração Movimento anterior de uma parte do corpo no plano transverso. Retração Movimento para trás de uma parte do corpo no plano transverso. Eversão Movimento lateral das solas, para que fiquem orientadas em direções opostas. Inversão Movimento medial das solas, para que fiquem orientadas, uma em direção à outra. Dorsiflexão Flexão do pé na direção do dorso (face superior). Flexão plantar Flexão do pé na direção da face plantar (sola). Supinação Movimento do antebraço que vira a palma para frente. Pronação Movimento do antebraço que vira a palma para trás. Oposição Movimento do polegar, de um lado a outro da palma, para tocar as pontas dos outros dedos na mesma mão. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
  14. 14. 243 ticulações selecionadas do esqueleto axial) e o Quadro 9.4 (articulações selecionadas do esqueleto apendicular) o ajudarão a complementar as informações que apren- deu nos outros três capítulos. Esses quadros listam al- gumas das principais articulações do corpo, com base nos componentes articulares (os ossos que participam de sua formação), na sua classificação estrutural e fun- cional, e no(s) tipo(s) de movimento(s) que ocorre(m) em cada articulação. A seguir examinaremos em detalhe seis articulações selecionadas do corpo em uma série de exibições. Cada exibição contempla uma articulação sinovial específica e contém (1) uma definição — uma descrição do tipo da Movimentos especiais ocorrem apenas em determinadas articulações sinoviais. Figura 9.10 Movimentos especiais nas articulações sinoviais. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ EXIBIÇÃO 9.1 ARTICULAÇÃO TEMPOROMANDIBULAR OU ATM (Figura 9.11) Definição A articulação temporomandibular é uma combi- nação de gínglimo e articulação plana, formada pelo processo condilar da mandíbula, e pela fossa mandi- bular e pelo tubérculo articular do temporal. A articu- lação temporomandibular é a única articulação mó- vel entre os ossos do crânio; todas as outras articu- lações do crânio são suturas e, portanto, fixas. Componentes anatômicos 1. Disco Articular (menisco). O disco de fibrocartilagem que separa a cavidade articular em compartimentos superior e inferior, cada um com uma membrana sinovial (Figura 9.11c). 2. Cápsula articular. Envoltório frouxo e fino em torno da circunferência da articulação (Figura 9.11a). 3. Ligamento colateral lateral. Duas faixas curtas, na face lateral da cápsula articular, que se estendem ínfero-posteriormente da margem inferior e do tubércu- A articulação temporomandibular é a única articulação móvel entre os ossos do crânio. Figura 9.11 Articulação temporomandibular direi- ta (ATM). articulação e os ossos que formam a articulação; (2) os componentes anatômicos — uma descrição dos princi- pais ligamentos de conexão, o disco articular, a cápsu- la articular e outras características diferenciais da arti- culação; e (3) os possíveis movimentos da articulação. Cada exibição também o encaminha a uma figura que ilustra a articulação. As articulações descritas são a articulação temporomandibular (ATM), a articulação do ombro, a articulação do cotovelo, a articulação do qua- dril, a articulação do joelho e a articulação talocrural (do tornozelo). Como essas articulações são descritas em detalhes nas Exibições 9.1 a 9.6, não estão incluídas nos Quadros 9.3 e 9.4.
  15. 15. 244 lo do processo zigomático do temporal até as faces late- ral e posterior do colo da mandíbula. O ligamento colateral lateral é recoberto pela glândula parótida e ajuda a im- pedir o deslocamento da mandíbula (Figura 9.11a). 4. Ligamento esfenomandibular. Faixa fina que se estende ínfero-anteriormente da espinha do esfenóide até o ramo da mandíbula (Figura 9.11b). 5. Ligamento estilomandibular. Faixa espessa da fáscia cervical, que se estende do processo estilóide do temporal até a margem ínfero-posterior do ramo da mandíbula. Esse ligamento separa a glândula parótida da glândula submandibular (Figura 9.11a, b). Movimentos Na articulação temporomandibular, apenas a man- díbula se move, porque a maxila está firmemente an- corada a outros ossos do crânio pelas suturas. Con- seqüentemente, a mandíbula pode atuar no abaixa- mento (abertura da mandíbula) e na elevação (fecha- mento da mandíbula), que ocorre no compartimento inferior, e na protração, na retração, no deslocamen- Figura 9.11 Cont. to lateral e na rotação leve, que ocorrem no compar- timento superior (veja Figura 9.10a-d). LUXAÇÃO DA MANDÍBULA Uma luxação é o deslocamento de um osso de uma articulação com laceração dos ligamentos, tendões e cápsulas articulares. Geralmente, é produzida por um golpe ou queda. Embora menos comum, o esforço fí- sico pode ser um fator, por exemplo, se os processos condilares da mandíbula passam na frente dos tubér- culos articulares quando bocejamos ou damos uma mor- dida muito grande, pode ocorrer uma luxação da man- díbula (deslocamento anterior). Quando a mandíbula é luxada dessa forma, a boca permanece muito aberta e a pessoa é incapaz de fechá-la. O deslocamento pode ser corrigido pressionando-se, com os polegares, os dentes molares inferiores para baixo e empurrando a mandíbula para trás. Outras causas de luxação da man- díbula incluem um golpe lateral no mento quando a boca está aberta, e uma fratura da mandíbula. EXIBIÇÃO 9.2 ARTICULAÇÃO DO OMBRO (Figura 9.12) Definição A articulação do ombro é uma articulação esferóidea, formada pela cabeça do úmero e pela ca- vidade glenoidal da escápula. Componentes anatômicos 1. Cápsula articular. Saco frouxo e fino, que en- volve completamente a articulação e se estende da cavidade glenoidal até o colo anatômico do úmero. A parte inferior da cápsula é sua área mais fraca (Figu- ra 9.12a, c). 2. Ligamento coracoumeral. Ligamento largo e forte, que reforça a parte superior da cápsula articu- lar, e se estende do processo coracóide da escápula até o tubérculo maior do úmero (Figura 9.12a). 3. Ligamentos glenoumerais. Três espessamentos da cápsula articular sobre a face anterior da articula- ção. Estendem-se da cavidade glenoidal até o tubérculo menor e o colo anatômico do úmero. Esses ligamentos são muitas vezes indistintos ou ausentes e proporcio- nam apenas resistência mínima (Figura 9.12a, b). 4. Ligamento transverso do úmero. Lâmina es- treita que se estende do tubérculo maior até o tubér- culo menor do úmero (Figura 9.12a). 5. Lábio glenoidal. Margem estreita de fibrocartilagem em torno da margem da cavidade glenoidal. Aprofunda e alarga levemente a cavidade glenoidal (Figura 9.12b, c). 6. Bolsas. Quatro bolsas (veja página 234) estão associadas com a articulação do ombro — a bolsa subtendínea subescapular (Figura 9.12a), a bolsa subdeltóidea, a bolsa subacromial (Figura 9.12a-c) e a bolsa do músculo coracobraquial. Movimentos A articulação do ombro permite flexão, extensão, abdução, adução, rotação medial, rotação lateral e circundução do braço (veja Figuras 9.6-9.9). Possui mais liberdade de movimento do que qualquer outra articulação no corpo. Essa liberdade resulta da frou- xidão da cápsula articular e da pouca profundidade da cavidade glenoidal, em relação ao grande tama- nho da cabeça do úmero. Embora os ligamentos da articulação do ombro con- firam, até certo ponto, resistência à articulação, grande
  16. 16. 245 Muito da estabilidade das articulações do ombro resultam da disposição músculos do manguito rotador. Figura 9.12 Articulação do ombro direito. (Veja Tortora, A Photographic Atlas of the Human Body, 2e, Figure 4.1). parte da resistência resulta dos músculos que envol- vem a articulação, especialmente os músculos do manguito rotador. Estes músculos (o supra-espinal, o infra-espinal, o redondo menor e o subescapular) unem a escápula ao úmero (veja também Figura 11.17, nas páginas 334-335). Os tendões dos músculos do manguito rotador circundam a articulação (exceto na parte inferior) e se fundem com a cápsula articular. Os músculos do manguito rotador trabalham como em conjunto para manter a cabeça do úmero na cavida- de glenoidal. LESÃO AO MÚSCULO DO MANGUITO ROTADOR E LUXAÇÃO E SEPARAÇÃO DO OMBRO Lesão ao músculo do manguito rotador é comum entre os arremessadores do beisebol, jogadores de voleibol, praticantes de esportes com uso de raquete e nadadores em razão dos movimentos do ombro, que envolvem circundução vigorosa. Também ocorre como resultado do desgaste, trauma e movimentos repetitivos em determinadas atividades, como colo- car objetos, em uma estante, acima da cabeça. Mais
  17. 17. 246 frequentemente, ocorre laceração do tendão do mús- culo supra-espinal do manguito rotador. Este tendão é especialmente propenso ao desgaste, devido à sua localização, entre a cabeça do úmero e o acrômio da escápula, que comprimem o tendão durante os movi- mentos do ombro. A articulação mais comumente luxada nos adul- tos é a articulação do ombro, porque sua concavidade é muito rasa e os ossos são unidos, principalmente, por músculos de sustentação. Normalmente, na luxação do ombro, a cabeça do úmero é deslocada para baixo, onde a cápsula articular menos protegi- da. As luxações da mandíbula, cotovelo, dedos, joe- lho ou quadril são menos comuns. Uma lesão à articulação acromioclavicular, uma articulação formada pelo acrômio da escápula e pela extremidade acromial da clavícula, é referida como ombro separado. Essa condição é, normalmente, o resultado de trauma violento à articulação, como quan- do o ombro choca-se contra o solo em uma queda. Figura 9.12 Cont.
  18. 18. 247 EXIBIÇÃO 9.3 ARTICULAÇÃO DO COTOVELO (Figura 9.13) Definição A articulação do cotovelo é uma articulação em dobradiça (gínglimo), formada pela tróclea do úmero, pela incisura troclear da ulna e pela cabeça do rádio. Componentes anatômicos 1. Cápsula articular. A parte anterior da cápsula articular recobre a parte anterior da articulação do co- tovelo, a partir das fossas coronóidea e radial do úmero até o processo coronóide da ulna e o ligamento anu- lar do rádio. A parte posterior estende-se do capítu- lo, fossa do olécrano e epicôndilo lateral do úmero até o ligamento anular do rádio, ao olécrano da ulna e à parte posterior da incisura radial (Figura 9.13a, b). 2. Ligamento colateral ulnar. Ligamento triangular espesso que se estende do epicôndilo medial do úmero atéoprocessocoronóideeolécranodaulna(Figura9.13a). 3. Ligamento colateral radial. Ligamento triangu- lar e resistente que se estende do epicôndilo lateral do úmero até o ligamento anular do radio e à incisura radial da ulna (Figura 9.13b). Movimentos A articulação do cotovelo permite flexão e exten- são do antebraço (veja Figura 9.6c). COTOVELO DE TENISTA (EPICONDILITE LATE- RAL DO ÚMERO), EPICONDILITE DO JOGADOR DE BEISEBOL JUVENIL (DOENÇA DE PANNER) E LUXAÇÃO DA CABEÇA DO RÁDIO Cotovelo de tenista refere-se, mais comumente, à dor no, ou próximo do epicôndilo lateral do úmero, nor- malmente produzida por um backhand (rebatida oblí- qua da bola com as costas da mão orientadas no sen- tido do movimento do braço) realizado inadequada- mente. Os músculos extensores sofrem luxação ou en- torse, resultando em dor. Epicondilite do jogador de beisebol juvenil se de- senvolve, tipicamente, como resultado de um cronograma intenso de arremessos e/ou um cronograma que envolve arremessos de bolas de efeito (em curva), especialmente entre jovens. Neste distúrbio, o cotove- lo pode alargar-se, fragmentar-se ou separar-se. Uma luxação da cabeça do rádio é a luxação mais comum do membro superior em crianças. Nesta lesão, a cabeça do rádio desliza além ou rompe o ligamento anulardorádio,umligamentoqueformaumcolaremtorno da cabeça do rádio, na articulação radiulnar proximal. A luxação tende a ocorrer com maior freqüência, quando uma tração forte é aplicada ao antebraço, enquanto este é estendido e supinado, por exemplo, quando se balan- ça uma criança com os braços esticados. A articulação do cotovelo é formada por partes de três ossos: úmero, ulna e rádio. Figura 9.13 Articulação do cotovelo direito (Veja Tortora, A Photographic Atlas of the Human Body, 2e, Figure 4.3. Veja também Figura 9.3b, neste texto).
  19. 19. 248 Figura 9.14 Articulação do quadril direito. EXIBIÇÃO 9.4 ARTICULAÇÃO DO QUADRIL (Figura 9.14) Definição A articulação do quadril é uma articulação esferóidea, formada pela cabeça do fêmur e pelo acetábulo do osso do quadril Componentes Anatômicos 1. Cápsula articular. Cápsula resistente e muito densa, que se estende dão limbo do acetábulo até o colo do fêmur (Figura 9.14b, d). Uma das estruturas mais resistentes no corpo, a cápsula consiste em fibras circulares e longitudinais. As fibras circulares, chama- das de zona orbicular, formam um colar em torno do colo do fêmur. Os ligamentos acessórios conhecidos como ligamento iliofemoral, ligamento pubofemoral e ligamento isquiofemoral reforçam as fibras longitudinais. 2. Ligamento iliofemoral. Porção espessada da cápsula articular, que se estende da espinha ilíaca ântero-inferior do osso do quadril até a linha intertrocantérica do fêmur (Figura 9.14a, c). 3. Ligamento pubofemoral. Porção espessada da cápsula articular, que se estende da parte púbica do limbo do acetábulo até o colo do fêmur (Figura 9.14a). 4. Ligamento isquiofemoral. Porção espessada da cápsula articular, que se estende da parede isquiática do acetábulo até o colo do fêmur (Figura 9.14c). A cápsula articular da articulação do quadril é uma das estruturas mais resistentes no corpo.
  20. 20. 249 5. Ligamento da cabeça do fêmur. Faixa triangu- lar plana, que se estende da fossa do acetábulo até a fóvea da cabeça do fêmur (Figura 9.14b, d). 6. Lábioo do acetábulo. Margem de fibrocartilagem fixada ao limbo do acetábulo, aumentando a profundi- dade do acetábulo. Como o diâmetro do limbo do acetábulo é menor do que aquele da cabeça do fêmur, a luxação do fêmur é rara (Figura 9.14b, d). 7. Ligamento transverso do acetábulo. Ligamen- to forte que cruza toda a incisura do acetábulo, su- porta parte do lábio do acetábulo e está ligado com o ligamento da cabeça do fêmur e com a cápsula arti- cular (Figura 9.14b). Movimentos A articulação do quadril permite flexão, extensão, abdução, adução, circundução, rotação medial e rotação lateral da coxa (veja Figuras 9.6-9.9). A extrema estabi- lidade da articulação do quadril está relacionada com uma cápsula articular muito resistente e com seus ligamen- tos acessórios, com a forma na qual o fêmur se encaixa no acetábulo e com os músculos que circundam a arti- culação. Embora as articulações do quadril e do ombro sejam articulações esferóideas, as articulações do qua- dril não possuem uma amplitude de movimento tão ex- tensa. A flexão é limitada pela face anterior da coxa, que entraemcontatocomaparedeabdominalanterior,quando o joelho é flectido e pela tensão dos músculos do jarre- te, quando o joelho é estendido. A extensão é limitada pela tensão dos ligamentos iliofemoral, pubofemoral e isquiofemoral. A abdução é limitada pelo contato com o membro oposto e pela tensão no ligamento da cabeça do fêmur. A rotação medial é limitada pela tensão nos ligamentos iliofemoral e pubofemoral. Figura 9.14 Cont.
  21. 21. 250 EXIBIÇÃO 9.5 ARTICULAÇÃO DO JOELHO (Figura 9.15) Definição A articulação do joelho é a maior e a mais comple- xa articulação no corpo, consistindo, na realidade, em três articulações dentro de uma única cavidade sinovial. 1. Lateralmente, é uma articulação tibiofemoral, entre o côndilo lateral do fêmur, o menisco lateral e o côndilo lateral da tíbia. É um gínglimo modificado. 2. Medialmente, é uma segunda articulação tibiofemoral, entre o côndilo medial do fêmur, o menisco medial e o côndilo medial da tíbia. Também é um gínglimo modificado. 3. Uma articulação patelofemoral intermediária, entre a patela e a face patelar do fêmur, é uma arti- culação plana. Componentes Anatômicos 1. Cápsula articular. Uma cápsula articular inde- pendente e incompleta um e os ossos. A bainha ligamentosa que circundam a articulação consiste, prin- cipalmente, em tendões dos músculos ou suas expan- sões (Figura 9.15a, b). No entanto, existem algumas fibras capsulares que unem os ossos da articulação. 2. Retináculos medial e lateral da patela. Tendões fundidos de inserção do músculo quadríceps femoral e da fáscia lata (fáscia profunda da coxa) que refor- çam a face anterior da articulação (Figura 9.15a). 3. Continuação do tendão comum de inserção do músculo quadríceps femoral que se estende da patela até a tuberosidade da tíbia. Esse ligamento também reforça a face anterior da articulação. A face posteri- or do ligamento é separada da membrana sinovial da articulação por um corpo adiposo infrapatelar (Figu- ra 9.15c, e). 4. Ligamento poplíteo oblíquo. Ligamento plano e largo que se estende da fossa intercondilar do fêmur até a cabeça da tíbia (Figura 9.15b). O tendão do mús- culo semimembranáceo é superficial a esse ligamen- to e passa do côndilo medial da tíbia para o côndilo lateral do fêmur. O ligamento e o tendão reforçam a face posterior da articulação. 5. Ligamento poplíteo arqueado. Estende-se do côndilo lateral do fêmur até o processo estilóide da cabeça da fíbula. Ele reforça a parte lateral inferior da face posterior da articulação (Figura 9.15b). 6. Ligamento colateral tibial. Ligamento plano e largo, na face medial da articulação, que se estende do côndilo medial do fêmur até o côndilo medial da tíbia (Figura 9.15a, b, d e f). Os tendões dos múscu- los sartório, grácil e semitendíneo, que reforçam a face medial da articulação, cruzam o ligamento. Como o ligamento colateral tibial está firmemente preso ao menisco medial, a laceração do ligamento freqüente- mente resulta na laceração do menisco e lesão ao li- gamento cruzado anterior, descrito no número 8a. 7. Ligamento colateral fibular. Ligamento redondo e resistente, na face lateral da articulação, que se es- tende do côndilo lateral do fêmur até o lado lateral da cabeça da fíbula (Figura 9.15a, b, d e f). Ele reforça a face lateral da articulação. O ligamento é recoberto pelo tendão do músculo bíceps femoral. O tendão do músculo poplíteo é profundo ao ligamento. Figura 9.15 Articulação do joelho direito. (Veja Tortora, A Photographic Atlas of the Human Body, Figure 4.7) A articulação do joelho é a maior e mais complexa articulação no corpo.
  22. 22. 251 8. Ligamentos intracapsulares. Ligamentos den- tro da cápsula que unem a tíbia e o fêmur. Os liga- mentos cruzados anterior e posterior são assim de- nominados com base nas suas origens, relativas à área intercondilar da tíbia. A partir de suas origens se cru- zam a caminho de seus destinos, no fêmur. a. Ligamento cruzado anterior (LCA). Estende-se póstero-lateralmente a partir de um ponto anterior à área intercondilar da tíbia até a parte posterior da face medial do côndilo lateral do fêmur (Figura 9.15d, f). O ligamento cruzado anterior limita a hiperextensão do joelho e impede o deslizamento para frente da tíbia sobre o fêmur. Esse ligamento é estirado ou dilacerado em cerda de 70% de todas as lesões graves do joelho. b. Ligamento cruzado posterior (LCP). Estende-se ântero-medialmente a partir de uma depressão na área intercondilar posterior da tíbia e do menisco lateral até a parte anterior da face lateral do côndilo medial do fêmur (Figura 9.15d, f). O ligamento cruzado posteri- or impede o deslizamento para trás da tíbia sobre o fêmur, especialmente quando joelho é flectido. Isso é muito importante quando se desce escadas ou um declive íngreme. 9. Dois discos fibrocartilagíneos entre os côndilos da tíbia e do fêmur que ajudam a compensar as for- mas irregulares dos ossos e a circular o líquido sinovial. Figura 9.15 Cont.
  23. 23. 252 a. Menisco medial. Peça semicircular de fibrocartilagem (formato de um C). Sua extremida- de anterior está fixada na fossa intercondilar ante- rior da tíbia, na frente do ligamento cruzado anteri- or. Sua extremidade posterior está fixada na fossa intercondilar posterior da tíbia, entre as fixações do ligamento cruzado posterior e do menisco lateral (Figura 9.15d-f). b. Menisco lateral. Peça quase circular de fibrocartilagem (sua forma se aproxima de um O in- completo). Sua extremidade anterior está fixada na frente da eminência intercondilar da tíbia, e lateral e posteriormente ao ligamento cruzado anterior. Sua ex- tremidade posterior está fixada atrás da eminência intercondilar da tíbia, e anterior à extremidade poste- rior do menisco medial (Figura 9.15c, d e f). Os meniscos medial e lateral são unidos um ao outro pelo ligamento transverso (Figura 9.15d) e às margens da cabeça da tíbia pelos ligamentos coronários (não ilus- trado). 10. As bolsas mais importantes do joelho incluem: a. Bolsa subcutânea pré-patelar, entre a patela e a pele (Figura 9.15c) b. Bolsa subcutânea infrapatelar, entre a parte supe- rior da tíbia e o ligamento da patela (Figura 9.15a, c e e) c. Bolsa suprapatelar, entre a parte inferior do fêmur e a face profunda do músculo quadríceps femoral (Figura 9.15a, c e e). Movimentos A articulação do joelho permite flexão, extensão, Figura 9.15 Cont. pequena rotação medial e rotação lateral da perna, na posição flectida (veja Figuras 9.6f e 9.9c). LESÕES DO JOELHO A articulação do joelho é a articulação mais vulne- rável à lesão, porque é uma articulação móvel, que sus- tenta peso, e sua estabilidade depende quase que to- talmente dos seus músculos e ligamentos associados. Além disso, não existe correspondência dos ossos da articulação. Uma tumefação no joelho pode ocorrer imediatamente ou horas após uma lesão. A tumefação imediata é em conseqüência da extravasação de san- gue dos vasos sangüíneos danificados adjacentes às áreas envolvidas no rompimento do ligamento cruzado anterior, de lesão às membranas sinoviais, de meniscos dilacerados, de fraturas ou de entorses do ligamento colateral. A tumefação tardia é em razão da produção excessiva de líquido sinovial, uma condição comumente referida como “água no joelho”. Um tipo comum de le- são do joelho no futebol americano é o rompimento dos ligamentos colaterais tibais, freqüentemente associ- ado com a dilaceração do ligamento cruzado anterior e do menisco medial (cartilagem dilacerada). Normalmen- te, a lesão ocorre quando se recebe um golpe forte no lado lateral do joelho enquanto o pé está fixo no solo. Uma luxação do joelho refere-se ao deslocamento da tíbia, em relação ao fêmur. O tipo de luxação mais co- mum é a luxação anterior, resultante da hiperextensão do joelho. Uma conseqüência freqüente de uma luxação do joelho é a lesão à artéria poplítea.
  24. 24. 253 EXIBIÇÃO 9.6 ARTICULAÇÃO TALOCRURAL (Figura 9.16) Definição A articulação talocrural é um gínglimo, formada (1) pela extremidade distal da tíbia e seu maléolo medial com o tálus e (2) pelo maléolo lateral da fíbula com tálus. É uma articulação resistente e estável por causa das formas dos ossos da articulação, da resistência de seus ligamentos, e dos tendões que a circundam. Anatomicamente, o tornozelo é a região que se estende da região distal da perna até a região proximal do pé e contém a articulação talocrural. Nesta região de transição, há uma alteração na orientação, a partir de uma posição vertical dos ossos e músculos, e es- truturas associadas na perna para uma posição hori- zontal das estruturas no pé. Como resultado, ocorre um giro para a frente dos tendões, dos vasos sangüíneos e dos nervos no tornozelo à medida que entram no pé. Conforme as estruturas passam da perna para o pé no tornozelo, a partir de uma orientação vertical para uma horizontal, são ancorados por espessamentos da fáscia profunda, chamados retináculos. Os dois prin- cipais retináculos são os retináculos superior e inferior dos músculos extensores (veja Figura 11.24). Componentes Anatômicos 1. Cápsula articular. Envolve completamente o jo- elho e está fixada superiormente à tíbia e à fíbula, e inferiormente ao tálus. A cápsula é fina (e fraca) ântero- posteriormente para permitir a dorsiflexão e a flexão plantar. 2. Ligamento colateral medial. Ligamento trian- gular, resistente e plano, que se estende do maléolo medial até o tálus, o navicular e o calcâneo do tarso. É dividido em partes superficial e profunda. Os com- ponentes superficiais de anterior para posterior são a parte tibionavicular, a parte tibiocalcânea e a parte tibiotalar posterior. O componente profundo é a parte tibiotalar anterior (Figura 9.16a). Figura 9.16 Articulação talocrural direita. A resistência e a estabilidade da articulação talocrural são devidas às formas do osso da articulação, à resistência de seus ligamentos e aos tendões que a circundam.
  25. 25. 254 3. Ligamento colateral lateral. Não tão resisten- te quanto o ligamento colateral medial. Estende-se do maléolo lateral até o tálus e o calcâneo, e é dividido em três componentes: ligamento talofibular anterior, ligamento talofibular posterior e ligamento calcaneofibular (Figura 9.16b). Movimentos A articulação talocrural permite dorsiflexão e flexão plantar (veja Figura 9.10g). LUXAÇÕES E FRATURAS DO TORNOZELO O tornozelo é a principal articulação mais freqüen- temente lesada no corpo. As luxações do tornozelo são as lesões mais comuns do tornozelo e, freqüen- temente, ocorrem em esportes que envolvem corrida e salto. As luxações da parte lateral do tornozelo ocor- rem mais freqüentemente do que aquelas da parte medial, e são normalmente produzidas por uma eversão excessiva (supinação) do pé com flexão plan- tar do tornozelo. Como resultado, o ligamento colateral, mais fraco, é parcialmente dilacerado e ocorre uma dor considerável e tumefação local. As luxações da parte medial do tornozelo, menos comuns, ocorrem como resultado da eversão excessiva (pronação). No processo, o ligamento colateral medial pode ser dila- cerado, mas, em geral, o ligamento não se rompe, por causa de sua grande resistência; ao contrário, o liga- mento pode arrancar a ponta do maléolo medial. As luxações do tornozelo são tratadas com: repouso, gelo, compressão e elevação. Luxações graves podem re- querer imobilização ou cirurgia. Uma fratura da extremidade distal da perna que envolve tanto o maléolo medial quanto o maléolo la- teral é chamada de fratura de Pott. Essa fratura pode resultar em luxação do tálus. Algumas vezes ocorrem apenas fraturas do maléolo lateral; também ocorrem fraturas do maléolo medial, embora muito menos fre- qüentemente. FATORES QUE AFETAM O CONTATO E A AMPLITUDE DO MOVIMENTO NAS ARTICULAÇÕES SINOVIAIS As faces articulares das articulações sinoviais fazem contato umas com as outras e determinam o tipo e a am- plitude dos possíveis movimentos. A amplitude do movimento refere-se à amplitude, medida em graus de um círculo, por meio do qual os ossos de uma articula- ção podem ser movidos. Os seguintes fatores contribu- em para manter as faces articulares em contato e afe- tam a amplitude do movimento: 1.Forma ou estrutura dos ossos da articulação. A forma ou a estrutura dos ossos da articulação deter- mina o grau de precisão do encaixe. As faces articula- res de alguns ossos têm uma relação complementar mútua. Essa relação espacial é muito óbvia na articula- ção do quadril, na qual a cabeça do fêmur se articula com o acetábulo do osso do quadril. Um encaixe de sin- cronização permite movimento de rotação. 2.Resistência e tensão dos ligamentos da articu- lação. Os diferentes componentes de uma cápsula fi- brosa ficam tensos ou esticados apenas quando a arti- culação está em determinadas posições. Os ligamentos sob tensão não apenas restringem a amplitude do mo- vimento, como também influenciam o movimento dos ossos da articulação com relação um ao outro. Na arti- culação do joelho, por exemplo, quando este é estendi- do, o ligamento cruzado anterior estica e o ligamento cruzado posterior relaxa, e o oposto ocorre quando o joelho é flexionado. 3.Disposição e tensão dos músculos. A tensão muscular reforça a limitação imposta à uma articulação por seus ligamentos e, portanto, restringem o movimento. Um bom exemplo do efeito da tensão muscular é obser- vado na articulação do quadril. Quando a coxa está fixa com o joelho estendido, o movimento é limitado pela tensão dos músculos do jarrete sobre a face posterior da coxa. Mas se o joelho é flectido, a tensão nos mús- culos do jarrete é reduzida e a coxa pode ser movida mais além. 4.Contato de partes moles. O ponto no qual uma superfície do corpo toca uma outra pode limitar a mobi- lidade. Por exemplo, se flexionarmos o braço no coto- velo, não poderemos movê-lo além do ponto depois que a face anterior do antebraço receber o músculo bíceps braquial e comprimi-lo. O movimento da articulação tam- bém pode ser limitado pela presença de tecido adiposo. 5.Hormônios. A flexibilidade da articulação também pode ser afetada pelos hormônios. Por exemplo, a relaxina, um hormônio produzido pela placenta e pelos ovários, aumenta a flexibilidade da fibrocartilagem da sínfise púbica e relaxa os ligamentos entre o sacro, a articulação do quadril e o cóccix próximo ao final da gra- videz. Essas alterações permitem a expansão da aber- tura inferior da pelve, o que facilita o parto do bebê. 6.Desuso. O movimento em uma articulação pode ser limitado se esta não é usada durante algum tempo. Por exemplo, se a articulação do cotovelo ficar imobili- zada por uma atadura rígida, a amplitude do movimen- to, na articulação, pode ser limitada durante um tempo após a remoção da atadura. O desuso também pode resultar em diminuição da quantidade de líquido sinovial, em redução da flexibilidade dos ligamentos e tendões, e em atrofia muscular, uma redução no tamanho ou enfraquecimento de um músculo. ARTICULAÇÕES E ENVELHECIMENTO OBJETIVO O envelhecimento normalmente resulta na diminui- ção da produção de líquido sinovial nas articulações. Além disso, a cartilagem articular se torna mais fina com a idade, e os ligamentos diminuem e perdem um pouco de sua flexibilidade. Os efeitos do envelhecimento so- bre as articulações, que varia consideravelmente de uma pessoa para outra, são influenciados por fatores gené- ticos e pelo desgaste. Embora alterações degenerativas nas articulações possam ser observadas em pessoas com até 20 anos de idade, a maioria das alterações não ocorre até muito mais tarde. Por volta dos 80 anos, quase to- dos desenvolvem algum tipo de degeneração nos joe- lhos, cotovelos, quadril e ombros. É comum também pessoas idosas desenvolverem alterações degenerati- vas na coluna vertebral, o que resulta em uma postura encurvada (cifose) e compressão das raízes nervosas. Um tipo de artrite, chamada osteoartrite (veja Aplicações na Saúde, na página 261), está, de qualquer forma, par- cialmente relacionado com a idade. Quase todos com mais de 70 anos apresentam alguma evidência de osteoartrose. Alongamento e exercícios aeróbicos que
  26. 26. 255 tentam manter a amplitude total do movimento são mui- to importantes na minimização dos efeitos do envelhe- cimento, pois ajudam a manter o funcionamento eficiente dos ligamentos, dos tendões, dos músculos, do líquido sinovial e da cartilagem articular. QUADRO 9.3 ARTICULAÇÕES SELECIONADAS DO ESQUELETO AXIAL COMPONENTES ARTICULAÇÃO ARTICULARES CLASSIFICAÇÃO MOVIMENTO . Sutura Entre os ossos do crânio. Estrutural: fibrosa Nenhum. Funcional: sinartrose . Atlantoccipital Entre as faces articulares Estrutural: sinovial Flexão e extensão da cabe- superiores do atlas e os (elipsóidea) ça e pequena flexão lateral côndilos occipitais do Funcional: diartrose da cabeça para os dois lados. occipital. . Atlantoaxial (1) Entre o dente do áxis e o Estrutural: sinovial Rotação da cabeça. arco anterior do atlas e (2) (trocóidea) entre o dente entre as massas laterais do do áxis e o arco anterior, atlas e do áxis. e sinovial (plana) entre as massas laterais. Funcional: diartrose. . Intervertebral (1) Entre os corpos vertebrais Estrutural: Cartilagínea Flexão, extensão, flexão e (2) entre os arcos vertebrais. (sínfise) entre os corpos lateral e rotação da vertebrais, e sinovial (plana) coluna vertebral. entre os arcos vertebrais. Funcional: Anfiartrose entre os corpos vertebrais, e diartrose entre os arcos vertebrais. . Costovertebral (1) Entre as faces das cabeças Estrutural: sinovial (plana). Pequeno deslizamento. das costelas e as faces dos Funcional: diartrose. corpos das vértebras torácicas adjacentes e (2) entre a parte articular dos tubérculos das costelas e as fóveas costais dos processos transversos das vértebras torácicas. . Esternocostal Entre o esterno e os primeiros Estrutural: Cartilagínea (sin- Nenhum entre o esterno e o sete pares de costelas. condrose) entre o esterno e primeiro para de costelas; o primeiro par de costelas, e pequeno deslizamento entre sinovial (plana) entre o ester- o esterno e o segundo ao no e o segundo ao sétimo sétimo pares de costelas pares de costelas. Funcional: sinartrose entre o esterno e o primeiro par de costelas, e diartrose entre o esterno e o segundo ao séti- mo pares de costelas. . Lombossacral (1) Entre o corpo da quinta vérte- Estrutural: cartilagínea (sínfi- Flexão, extensão, flexão la- bra lombar e a base do sacro e se) entre o corpo e a base, e teral e rotação da coluna (2) entre as faces articulares sinovial (plana) entre as vertebral. inferiores da quinta vértebra lom- faces articulares bar e as faces articulares da pri- Funcional: Anfiartrose entre meira vértebra do sacro. o corpo e a base, e diartrose entre as faces articulares.
  27. 27. 256 QUADRO 9.4 ARTICULAÇÕES SELECIONADAS DO ESQUELETO APENDICULAR COMPONENTES ARTICULAÇÃO ARTICULARES CLASSIFICAÇÃO MOVIMENTOS Esternoclavicular Entre a extremidade esternal da Estrutural: sinovial (plana Deslizamento, com movi- clavícula, manúbrio do esterno e e trocóidea). mentos limitados em quase primeira cartilagem costal. Funcional: diartrose. todas as direções. Acromioclavicular Entre o acrômio da escápula Estrutural: sinovial (plana). Deslizamento e rotação da e a extremidade acromial . Funcional: diartrose. escápula sobre a clavícula da clavícula Radiulnar Articulação radiulnar proximal Estrutural: sinovial Rotação do antebraço. entre a cabeça do rádio e a (trocóidea). incisura radial da ulna; articula- Funcional: diartrose. ção radiulnar distal entre a inci- sura ulnar do rádio e a cabeça da ulna. Radiocarpal Entre a extremidade distal do Estrutural: sinovial Flexão, extensão, abdução, rádio e o escafóide, o semilunar (elipsóidea). adução, circundução e pe- e o piramidal do carpo. Funcional: diartrose. quenahiperextensãodopulso. Intercarpal Entre a fileira proximal de ossos Estrutural: sinovial (plana), Deslizamento com flexão, carpais, a fileira distal de ossos exceto pela articulação extensão, abdução, adução carpais, e entre as duas fileiras (médiocarpal) entre o ha- e pequena rotação das arti- de ossos carpais. mato, o escafóide e o semi- culações mediocarpais lunar, que é sinovial (selar). Funcional: diartrose. Carpometacarpal Articulação carpometacarpal do Estrutural: sinovial (selar) Flexão, extensão, abdução, polegar, entre o trapézio do carpo no polegar e sinovial (pla- adução e circundução no po- e o primeiro metacarpal; as arti- nar) nos dedos restantes. legar, e deslizamento nos culações carpometacarpais dos Funcional: diartrose. dedos restantes. dedos restantes formadas entre o carpo e o segundo ao quinto metacarpais. Metacarpofalângica Entre as cabeças dos metacarpais Estrutural: sinovial Flexão, extensão, abdução, e metatarsofalângica (ou metatarsais) e as bases das (elipsóidea). adução e circundução das falanges proximais. Funcional: diartrose. falanges. Interfalângica Entre as cabeças das falanges e Estrutural: sinovial (gínglimo). Flexão e extensão das as bases das falanges mais distais. Funcional: diartrose. falanges. Sacroilíaca Entre as faces auriculares do Estrutural: sinovial (plana). Pequeno deslizamento (mais sacro e dos ílios dos ossos do Funcional: diartrose. amplo durante a gravidez). quadril. Sínfise púbica Entre as faces anteriores dos Estrutural: cartilagínea Movimentos leves (mais am- ossos do quadril. (sínfise). plos durante a gravidez). Funcional: anfiartrose. Tibiofibular Articulação tibiofibular entre o Estrutural: sinovial (plana) Pequeno deslizamento na côndilo lateral da tíbia e a cabeça na articulação proximal, e articulação proximal, e leve da fíbula; articulação tibiofibular fibrosa (sindesmose) na rotação da fíbula durante a distal entre a extremidade distal da articulação distal. dorsiflexão do pé. fíbula e a incisura fibular da tíbia. Funcional: diartrose na arti- culação proximal, e anfiar- trose na articulação distal. Intertarsal Articulação subtalar entre o tálus Estrutural: sinovial (plana) inversão e eversão do pé. e o calcâneo do tarso; articulação nas articulações subtalar e talocalcaneonavicular, entre o calcaneocubóidea, e tálus e o calcâneo e o navicular sinovial na articulação do tarso; articulação calcaneocu- talocalcaneonavicular bóidea, entre o calcâneo e o cu- Funcional: diartrose. bóide do tarso. Tarsometatarsal Entre os três cuneiformes do Estrutural: sinovial (plana). Pequeno deslizamento. tarso e as bases dos cinco Funcional: diartrose. ossos metatarsais.
  28. 28. 257 ARTROPLASTIA As articulações que foram gravemente lesadas por uma doença, como a artrite, ou por uma lesão, podem ser cirur- gicamente substituídas por articulações artificiais em um procedimento chamado artroplastia. Embora a maioria das articulações no corpo possa ser submetida a artroplastia, aquelas mais comumente substituídas são o quadril, os joelhos e ombros. Durante o procedimento, as extremida- des dos ossos lesados são removidas e os componentes artificiais são fixados no lugar. Os componentes da articu- lação artificial são feitos de metal, cerâmica ou plástico. Os objetivos da artroplastia são aliviar a dor e aumentar a amplitude do movimento. Milhares de substituições parciais do quadril, envolven- do apenas o fêmur, são realizadas anualmente. Em uma substituição total do quadril, o procedimento envolve tan- to o acetábulo quanto a cabeça do fêmur (Figura 9.17). As partes danificadas do acetábulo e da cabeça do fêmur são substituídas por próteses pré-fabricadas (aparelhos artificiais). O acetábulo é amoldado para receber o novo encaixe, a cabeça do fêmur é removida, e o centro do osso é amoldado para receber o componente femoral. O com- ponente acetabular é composto de polietileno, enquanto o componente femoral é composto de cromo-cobalto, li- gas de titânio ou aço inoxidável. Esses materiais são projetados para resistir a um alto grau de tensão. Uma vez que os componentes femoral e acetabular são seleciona- dos, são fixados à parte saudável do osso com cimento acrílico, que forma uma ligação mecânica interligada. Os pesquisadores estão continuamente buscando melhorar a resistência do cimento e imaginando meios de estimu- lar o crescimento ósseo em torno da área do implante. APLICAÇÕES NA SAÚDE REUMATISMO E ARTRITE Reumatismo é qualquer distúrbio doloroso das es- truturas de sustentação do corpo — ossos, ligamentos, tendões ou músculos — que não é provocado por infec- ção ou por lesão. A artrite é uma forma de reumatismo no qual as articulações tornam-se intumescidas, rígidas e dolorosas. A artrite atinge cerca de 40 milhões de pessoas nos Estados Unidos. ARTRITE REUMATÓIDE Artrite reumatóide (AR) é uma doença auto-imune na qual o sistema imunológico do corpo ataca seus pró- prios tecidos — nesse caso, os revestimentos das pró- prias cartilagens e articulações. A artrite reumatóide é caracterizada por inflamação da articulação, que provoca intumescência, dor e perda da função. Normalmente, essa forma de artrite ocorre de modo bilateral: Se um pulso é afetado, o outro também é provavelmente afetado, em- bora muitas vezes não no mesmo grau. O sintoma primário da artrite reumatóide é az inflama- ção da membrana sinovial. Se não for tratada, a membrana torna-se espessa e há acúmulo de líquido sinovial. A pres- são resultante provoca dor e hipersensibilidade. A mem- brana então produz um tecido de granulação anormal, chamado pannus (pano), que adere à superfície da car- tilagem articular e, algumas vezes, corrói a cartilagem completamente. Quando a cartilagem é destruída, o teci- do fibroso se une às extremidades ósseas expostas. O tecido fibroso se ossifica e se funde com a articulação, tornando-a imóvel — o efeito incapacitante final da artri- te reumatóide. O crescimento do tecido de granulação produz distorção dos dedos, caracterizando as mãos da pessoa que sofre de artrite reumatóide. OSTEOARTRITE A osteoartrite é uma doença articular degenerativa, na qual a cartilagem é perdida gradualmente, resultan- do de uma combinação de envelhecimento, irritação das articulações, desgaste e abrasão. Comumente conhe- cida como artrite “degenerativa”, a osteoartrite é a prin- cipal causa de incapacidade em pessoas idosas. Figura 9.17 Substituição total do quadril Na substituição total do quadril, as partes danificadas do acetábulo e da cabeça do fêmur são substituídas por próteses. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○
  29. 29. 258 A osteoartrite é um distúrbio progressivo das articula- ções sinoviais, especialmente das articulações que susten- tam peso. A cartilagem articular se deteriora e novo osso se forma nas áreas subcondrais e nas margens da articu- lação. A cartilagem se degenera lentamente, e conforme as extremidades ósseas tornam-se expostas, osteófitos (pe- quenos espessamentos) de tecido ósseo recém-formado são sendo depositados. Esses osteófitos diminuem o es- paço da cavidade articular e restringem o movimento. Ao contrário da artrite reumatóide, a osteoartrite afeta princi- palmenteacartilagemarticular,emboraamembranasinovial, muitas vezes se torne inflamada com o avanço da doença. Uma diferença fundamental entre a osteoartrite e a artrite reumatóide é que a osteoartrite acomete primeiro as arti- culações maiores (joelho, quadril), enquanto a artrite reu- matóide acomete primeiro as articulações menores. ARTRITE GOTOSA O ácido úrico (uma substância que dá nome à urina) é um subproduto produzido durante o metabolismo das subunidades de ácido nucléico (DNA e RNA). Uma pessoa que sofre de gota produz quantidades excessivas de áci- do úrico ou não é capaz de eliminar a quantidade normal. O resultado é uma formação de ácido úrico no sangue. Esse ácido em excesso, então, reage com o sódio para formar um sal, chamado urato de sódio. Os cristais desse sal se acumulam nos tecidos moles, como, por exemplo, nos rins e na cartilagem das orelhas e das articulações. Na atrite gotosa. Os cristais de urato de sódio são depositados nos tecidos moles das articulações. A gota, mais freqüentemente, afeta as articulações dos pés, es- pecialmente na base do hálux. Os cristais irritam e corro- em a cartilagem, produzindo inflamação, tumefação e dor aguda. Finalmente, os cristais destroem todos os tecidos da articulação. Se o distúrbio não for tratado, as extremi- dades dos ossos da articulação se fundem, e a articula- ção torna-se imóvel. O tratamento consiste no alivio da dor (ibuprofeno, naxopreno, colchicina e cortisona) seguida pela administração de alopurinol, para manter os níveis de ácido úrico baixos, impedindo a formação dos cristais. DOENÇA DE LYME Uma bactéria espiralada, chamada Borrelia burgdorferi produz a doença de Lyme, denominada em homenagem à cidade de Lyme, em Connecticut, onde foi relatada em 1975. As bactérias são transmitidas aos seres humanos, principalmente, pelo carrapato do cervo (Ixodes dammnini). Esses carrapatos são tão pequenos que suas picadas, fre- qüentemente, passam desapercebidas. No período de poucas semanas após a picada do carrapato, uma erup- ção cutânea pode aparecer no local da picada. Embora a erupção cutânea, muitas vezes, se assemelhe a alvos cir- culares, há muitas variações, e algumas pessoas nunca desenvolvem uma erupção cutânea. Outros sintomas in- cluem rigidez articular, febre e calafrios, cefaléia, rigidez cervical, náusea e dor nas costas. Em estágios avança- dos da doença, a artrite é a complicação principal. Nor- malmente, acomete as articulações maiores, como a do joelho, a do quadril, a do cotovelo ou a do pulso (talocrural). Antibiótico são geralmente eficientes contra a doença de Lyme, especialmente se administrados prontamente. Con- tudo, alguns sintomas podem prolongar-se por anos. ESPONDILITE ANQUILOSANTE A espondilite anquilosante é uma doença inflama- tória que afeta as articulações entre as vértebras (inter- vertebrais) e entre o sacro e o osso do quadril (articula- ção sacroilíaca). A causa é desconhecida. A doença é mais comum em homens e possui seu próprio início, entre as idades de 20 e 40 anos. É caracterizada por dor e rigidez no quadril e nas costas, progredindo para cima ao longo da coluna vertebral. A inflamação pode levar à ancilose (perda grave ou completa do movimento articular) e à cifose. O tratamento consiste em drogas antiinflamatórias, calor, massagem e exercício supervisionado. PRINCIPAIS TERMOS MÉDICOS ASSOCIADOS ÀS ARTICULAÇÕES Artralgia Dor em uma articulação. Bursectomia Remoção de uma bolsa. Condrite Inflamação da cartilagem. Subluxação Um deslocamento parcial ou incompleto. Sinovite Inflamação de uma membrana sinovial em uma articulação. RESUMO PARA ESTUDO Introdução 1. Uma articulação (ou artrose) é um ponto de con- tato entre dois ossos, entre osso e cartilagem, ou entre osso e dentes. 2. Uma estrutura articular pode permitir pouco mo- vimento, movimentos amplos, ou nenhum movimento. Classificações das Articulações 1. A classificação estrutural é baseada na presen- ça ou ausência de uma cavidade sinovial e no tipo de tecido conectivo. Estruturalmente, as articulações são classificadas como fibrosas, cartilagíneas ou sinoviais. 2. A classificação funcional das articulações é ba- seada no grau de movimento permitido. As articulações podem ser sinartroses (imóveis), anfiartroses (ligeiramen- te móveis) ou diartroses (muito móveis). Articulações Fibrosas 1. Os ossos das articulações fibrosas são unidos por tecido conectivo fibroso. 2. Essas articulações incluem as suturas, imóveis (encontradas entre os ossos do crânio), as sindesmoses, ligeiramente móveis (como a sindesmose tibiofibular), e as gonfoses, imóveis (raízes dos dentes nos alvéolos, na mandíbula e na maxila). Articulações Cartilagíneas 1. Os ossos das articulações cartilagíneas são uni- dos por cartilagem. 2. Essas articulações incluem as sincondroses, imó- veis, unidas por cartilagem hialina (lâminas epifisiais entre as diáfises e as epífises) e as sínfises, móveis, unidas por fibrocartilagem (sínfise púbica). Articulações Sinoviais 1. As articulações sinoviais contêm um espaço en- tre os ossos, chamado cavidade sinovial. Todas as arti- culações sinoviais são diartroses. 2. Outras características das articulações sinoviais são a presença de cartilagem articular e de uma cápsu- la articular, composta de uma cápsula fibrosa e de uma membrana sinovial. 3. A membrana sinovial secreta líquido sinovial, que forma uma película viscosa fina sobre as superfícies dentro da cápsula articular. 4. Muitas articulações sinoviais também contêm li- gamentos acessórios (extra e intracapsulares) e discos articulares (meniscos).

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