O QUE DARWIN NÃO SABIA?As pistas de Darwin - 200 anos deDarwinA viagem do jovem Charles Darwin a bordo do navio britânico ...
sobretudo ao levantamento do litoral da América do Sul. Além disso, Darwin nãoembarcou no Beagle como naturalista da exped...
fundeado o Beagle, no qual toparam com afloramentos rochosos próximos do mar."Esses foram os primeiros que vi", escreveu D...
Megatherium, era de espécies pouco conhecidas dos especialistas. Ele confiou adescrição e a identificação de seus fósseis ...
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As pistas que o levaram a formular sua teoria continuam em parte esquecidas - foramexcluídas do relato lendário. Os estudi...
Uma borboleta Hypothyris ninonia daeta se destaca em uma folha na Mata Atlântica, no Brasil, uma das primeiras paradas que...
Foto de Peter EssickUma raposa cinzenta da América do Sul (Lycalopex griseus) boceja enquanto a noite cai no parque nacion...
León Dormido, ao largo da Ilha San Cristóbal, Galápagos. “O arquipélago é um pequeno mundo contido em si mesmo... No espaç...
Coletados por Darwin, os fósseis da preguiça-gigante Megatherium tinham dentes afiados, muito diferentes de suas parentes ...
Tartarugas-de-Galápagos na Caldera Alcedo, Ilha Isabela“Junto das nascentes, era um intrigante espetáculo contemplar muita...
praia para capturar caranguejos. Não fazia isso por lazer. Muito menos os animais queencontrava na areia eram levados a su...
todos da mesma espécie, competiam entre si. Mas apenas um grupo ganhava a disputa,após o desaparecimento dos menos aptos.A...
Em suas observações, Fritz Müller descobriu o mimetismo entre estas diferentes espécies de borboleta.Ilustração reproduzid...
Entre as espécies usadas nos experimentos de Müller estavam os microcrustáceos do gênero Tanais.Reprodução de Für Darwin, ...
Darwins modernos - 200 anos de DarwinO pai da evolução ficaria encantado ao ver os avanços científicosinspirados por suas ...
mais ativo no grande-tentilhão-de-cacto (G. conirostris), que usa o bico alongado parabuscar sementes no interior de fruta...
todas desde então de um punhado de espécies de origem incerta. Tal como os tentilhões,os ciclídeos adaptaram-se a dietas d...
carta ao botânico americano Asa Gray, ele escreveu que "a visão de uma pena da caudade um pavão, sempre que a contemplo, m...
gene. Confirma-se assim a ideia de que a evolução opera não só por meio de mudançasnos genes mas pela modificação do modo ...
foi publicado em um obscuro jornal morávio em 1866, apenas sete anos após A Origemdas Espécies. Mendel enviou-o, esperanço...
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O que_darwin_não_sabia_-_edição_107_-_fevereiro_de_2009

  1. 1. O QUE DARWIN NÃO SABIA?As pistas de Darwin - 200 anos deDarwinA viagem do jovem Charles Darwin a bordo do navio britânico HMS Beagle, duranteos anos 1831 a 1836, é um dos episódios mais conhecidos e romanceados em toda ahistória da ciência. Darwin embarcou no Beagle como naturalista, visitou o arquipélagode Galápagos, na região leste do oceano Pacífico, e ali topou com tartarugas gigantes etentilhões. Havia várias espécies dessa ave, e elas distinguiam-se pelo formato variadodo bico, sugerindo que cada qual era apropriado a uma dieta específica. E as tartarugas,de uma ilha para outra, também exibiam carapaças com formas diferentes. Tais pistasencontradas em Galápagos levaram Darwin a concluir que a diversidade dos seres vivosna Terra se devia a um processo orgânico de transmissão hereditária de modificações -ou seja, um processo de evolução -, baseado em um mecanismo de seleção natural.Darwin escreveu então um livro intitulado A Origem das Espécies, e convenceu todomundo, com exceção dos líderes da Igreja Anglicana, que era assim que as coisashaviam ocorrido.Bem, mais ou menos. Esse relato simplista da viagem do Beagle e suas consequênciascontêm boa dose de verdade, mas também confundem, distorcem e omitem muita coisa.Por exemplo, os tentilhões não foram tão esclarecedores quanto à diversidade desabiazinhos existentes no arquipélago, e Darwin não conseguiu tirar nenhuma conclusãocom base neles antes de recorrer à ajuda de um especialista em aves na Inglaterra. Aescala em Galápagos foi uma breve anomalia no final de uma expedição dedicada
  2. 2. sobretudo ao levantamento do litoral da América do Sul. Além disso, Darwin nãoembarcou no Beagle como naturalista da expedição; ele não passava de um rapaz de 22anos, recém-formado pela Universidade de Cambridge e destinado a uma carreira comoclérigo rural - perspectiva que não o animava muito. Na verdade, ele foi convidado aparticipar da viagem para servir de companhia ao capitão do barco, Robert Fitzroy, umjovem brilhante e instável aristocrata.Darwin, a despeito de sua função oficial no navio, acabou desempenhando o papel denaturalista e, no decorrer da viagem, passou a se ver como tal. No entanto, a sua teoriafoi se delineando, e A Origem das Espécies (cujo título completo era Da Origem dasEspécies por Meio da Seleção Natural, ou a Preservação das Raças Favorecidas naLuta pela Vida) apenas seria publicado em 1859. Muitos cientistas, assim como algunsclérigos vitorianos, resistiram durante décadas às evidências e aos argumentos por elepropostos. O conceito de evolução foi bem-aceito enquanto Darwin ainda vivia, mas asua teoria específica - na qual a seleção natural era a causa primordial - somente iriatriunfar por volta de 1940, após ter sido integrada com êxito à genética.O primeiro indício importante que colocou Darwin no rastro da evolução, na realidade,não surgiu nas selvagens ilhas Galápagos, mas três anos antes em uma tempestuosapraia no litoral norte da Argentina. Não tinha nada a ver com o formato do bico dasaves. Nem sequer com alguma criatura viva. Era uma jazida de fósseis.Em Setembro de 1832, o Beagle ancorou ao largo de Bahía Blanca, um povoado naextremidade de uma baía situada cerca de 650 quilômetros ao sul de Buenos Aires. Naépoca, o general Rosas travava uma guerra inclemente contra os indígenas da região, eBahía Blanca era um posto avançado e fortificado, guarnecido por militares. Durantemais de um mês o Beagle permaneceu ali, com alguns dos tripulantes realizandolevantamentos, outros se encarregando de tarefas em terra firme - como assegurar oreabastecimento de água, lenha e alimentos. A paisagem circundante eram os pampasargentinos, férteis campos relvados que, perto da costa, davam lugar a dunas de areiasestabilizadas por gramíneas. Os tripulantes que se embrenhavam no interior retornavamcom veados, cutias e outros animais, entre os quais vários tatus e uma grande ave quenão voava, a qual Darwin chamou de "avestruz". Claro que não era um avestruz (que énativo da África e, antes, do Oriente Médio) - mas sim uma ema, especificamente umaRhea americana, parecida com o avestruz e endêmica na América do Sul, onde é a avemais pesada do continente."O que comemos hoje no jantar iria parecer muito bizarro na Inglaterra", anotou Darwinem seu diário em 18 de setembro, deleitando-se com os "bolinhos de avestruz & tatu".Ele estava mergulhado em uma aventura exótica, e não apenas em uma expedição dehistória natural; e o diário que manteve a bordo (mais tarde transformado em um livrode viagens que viria a ser conhecido como A Viagem do Beagle) reflete seu interessepor distintas culturas, povos, políticas e assuntos científicos. A carne vermelha da avede tamanho avantajado lembrava a bovina. O tatu, despojado de sua carapaça, tinha omesmo gosto e se assemelhava a pato. Suas experiências culinárias nos pampas, edepois na Patagônia, acabariam desempenhando papel crucial no desenvolvimento desuas ideias sobre a evolução.Pouco depois, em 22 de setembro de 1832, Darwin e Fitzroy tomaram um pequenobarco para visitar um local conhecido como Punta Alta, a 16 quilômetros de onde estava
  3. 3. fundeado o Beagle, no qual toparam com afloramentos rochosos próximos do mar."Esses foram os primeiros que vi", escreveu Darwin, "e são muito interessantes, poiscontêm incontáveis conchas e ossadas de grandes animais."A despeito do nome, Punta Alta não era muito elevada, com sua escarpa avermelhada dexisto limoso assomando apenas 6 metros acima do mar. No entanto, o mesmo não sepoderia dizer dos fósseis ali expostos: formas de grande porte, inusitadas e emabundância. Darwin e um ajudante logo atacaram a rocha mole com picaretas. Nessaoportunidade e em ocasiões posteriores, ele conseguiu recolher de Punta Alta os restosde nove mamíferos de grande porte, todos desconhecidos ou mal conhecidos peloscientistas. Eram gigantes extintos do Pleistoceno, encontrados apenas nas Américas emuma época anterior a 12 mil anos atrás.O mais famoso deles era o Megatherium, uma preguiça terrestre tão grande quanto umelefante que já fora identificada e descrita pelo anatomista francês Georges Cuvier, quese baseara em um conjunto de fósseis achado no Paraguai. Preguiças vivas são nativas eencontradas apenas nas regiões central e meridional do continente americano; oMegatherium apresentava muitas das características anatômicas da preguiça, mas eragrande demais para subir em árvores. Os achados de Darwin também incluíam pelomenos três outras preguiças gigantes terrestres, uma forma extinta de cavalo e umacarapaça protetora formada por pequenos escudos ósseos bem encaixados, resquício deum enorme animal que deve ter sido bem parecido com o tatu. Ele já estava habituadoaos tatus de "carne e osso", constantes em seu cardápio local. Também viu como osgaúchos locais capturavam esses animais e os assavam na própria carapaça. Das 20espécies de tatu vivas, todas estão restritas às Américas e várias são endêmicas nospampas.Um mês depois, 50 quilômetros costa acima desde Punta Alta, Darwin encontrou outropenhasco litorâneo rico em fósseis. Ele erguia-se a 35 metros e dava nome à localidadede Monte Hermoso. Ali o pesquisador escavou os pétreos resquícios de várias criaturasroedoras, que lhe trouxeram à mente imagens de uma cutia, de uma capivara e de umpequeno roedor sul-americano, o tuco-tuco - o único problema era que, também nessescasos, a equivalência entre os fósseis e os animais vivos era evidente, mas não perfeita.Ainda mais tarde, numa região no sul na costa da Argentina, exumou um terceiroconjunto de ossos de mamífero, o qual, para um anatomista que depois o examinou,sugeria uma forma extinta de camelo. Essa criatura ficou conhecida comoMacrauchenia. A família dos camelos inclui duas espécies selvagens sul-americanas, oguanaco e a vicunha, assim como suas formas domesticadas, o lhama e a alpaca.Tais achados, analogias e justaposições ficaram fermentando em sua mente durante aviagem e os anos seguintes. Enquanto isso, os fósseis foram embalados e enviados àInglaterra, quase todos aos cuidados de John Stevens Henslow, o afável botânico quefora mentor de Darwin em Cambridge. "Tive sorte com esses ossos fossilizados",contou ele a Henslow em uma carta. Darwin mencionou o roedor gigante, as preguiçasterrestres e o fragmento com escudos ósseos poligonais, comentando a respeito desteúltimo: "Logo que os vi me ocorreu que devem pertencer a um tatu enorme, de cujogênero as espécies vivas são tão abundantes por aqui".É importante não exagerar o quanto Darwin não sabia como identificar, para não falarem interpretar, o que havia encontrado. A maioria de seus fósseis, com exceção do
  4. 4. Megatherium, era de espécies pouco conhecidas dos especialistas. Ele confiou adescrição e a identificação de seus fósseis a um jovem e brilhante anatomista que viviaem Londres chamado Richard Owen, que estava consolidando sua reputação comoautoridade em mamíferos extintos. Foi Owen quem atribuiu nomes às preguiçasdesconhecidas, e também foi ele quem sugeriu (de maneira equivocada, masposteriormente reconheceria o erro) a afinidade entre o Macrauchenia e o camelo.Darwin, porém, nem de longe tinha o conhecimento de Owen. Ele era apenas umpesquisador de campo perspicaz, um entusiástico coletor de espécimes, que estavaaprendendo na prática. O convite para embarcar no Beagle o salvou de uma frustranteexistência como pastor na zona rural, e desde seus primeiros dias a bordo ele seempenhou com toda diligência possível, amadurecendo para assumir (e depoistranscender) o papel de naturalista da expedição. Suas melhores qualidades parainterpretar os fósseis eram a incessante curiosidade, o talento para a observação acuradae a percepção instintiva de que, no mundo da natureza, tudo está de algum modoconectado a todo o resto. Além disso, Darwin não tinha medo de especulações ousadas -pelo menos enquanto não tivesse de divulgá-las.Meses depois, Darwin teve acesso a outro dado, pequeno mas sugestivo, enquanto oBeagle estava fundeado ao largo da Patagônia setentrional. Lá, ele teve a chance depassar um tempo em terra firme, convivendo com outro grupo de gaúchos. Primeiro, erauma notícia vaga: os gaúchos mencionaram um tipo raro de "avestruz", de tamanhomenor que o normal, com pernas mais curtas - e que podia ser morto com facilidadequando usavam suas boleadeiras -, mas que em todos os outros aspectos se assemelhavaao avestruz comum. Darwin não pensou que poderia topar com tal ave até que um dostripulantes do barco trouxe um "avestruz" menor (na verdade, outra espécie de ema) deuma de suas excursões de caça. Darwin prestou-lhe pouca atenção, supondo tratar-se deum animal jovem. "A ave foi preparada e cozida antes que volvesse minha lembrança",escreveu. "Mas a cabeça, o pescoço, as pernas, as asas, muitas das penas maiores egrande parte da pele haviam sido preservados." Após recuperar esses fragmentos, ele osenviou à Inglaterra, onde foram recompostos em um espécime digno de ser exibido nomuseu da Sociedade Zoológica. O ornitólogo John Gould, a quem Darwin confiariaseus tentilhões e sabiás para serem identificados, também examinou a criatura. Gouldconfirmou tratar-se de uma espécie distinta, e a batizou como Rhea darwinii (nome quemais tarde seria alterado devido a problemas técnicos de taxinomia), em homenagem aohomem que a resgatara do lixo do navio.O que intrigava Darwin a respeito das duas espécies de ema era que, embora similares,em termos de distribuição geográfica havia sobreposição muito pequena de suaspopulações. A ema maior vivia nos pampas e no norte da Patagônia. Já a menor asubstituía desde o rio Negro, ocupando o sul da Patagônia. Assim como os indícios demamíferos extintos, as implicações dessa diversidade e distribuição das emas secomprovariam tão sugestivas para Darwin quanto os padrões que ele ainda iriaidentificar entre os tentilhões e sabiás de Galápagos.De que modo se originam as espécies e como elas adquirem identidade? A históriaortodoxa, então adotada pela ciência europeia na época da viagem do Beagle, era a deque Deus criara as espécies em separado, em lotes sequenciais (para compensar asextinções), em áreas específicas - canguru na Austrália, girafa e zebra na África, ema epreguiça e tatu na América do Sul. No entanto, para Darwin, tanto os mamíferos
  5. 5. extintos (junto com seus equivalentes vivos entre as preguiças e os tatus) como as duasespécies de ema (ocupando regiões adjacentes de território) sugeriam algo maisracional: os conceitos de parentesco e sucessão entre espécies relacionadas. Essa foi aexplicação que atraiu Darwin, pois parecia mais concisa, mais indutiva e maisconvincente que a justificativa criacionista.Que importância tiveram os indícios da Patagônia para abalar sua crença na concepçãoortodoxa - convencendo-o de que a evolução era uma realidade para a qual deveriaprocurar uma explicação material? O próprio Darwin daria várias respostas a essaquestão ao longo de toda a vida - explicando, em linhas gerais, que tais indícios forammenos importantes que as aves de Galápagos.Ele fez alusão ao tema em 1845, na segunda edição da narrativa de sua viagem noBeagle, por ele revisada de modo a incluir sugestões dissimuladas sobre a teoria queainda não estava disposto a divulgar. As relações entre fósseis e formas vivas comoroedores, preguiças, camelos e tatus foram "os fatos mais interessantes", observou ele.Pesquisas adicionais por outros investigadores haviam, entretanto, revelado o mesmotipo de padrão no Brasil - formas fósseis e vivas de tamanduás, antas, macacos, porcosselvagens e gambás. "Esse relacionamento maravilhoso no mesmo continente entre osmortos e os vivos", escreveu Darwin, poderia "lançar mais luz sobre o surgimento dosseres orgânicos na Terra, e também o desaparecimento deles, que qualquer outroconjunto de fatos." Mas que tipo de luz? O que tal esclarecimento poderia revelar? Ametáfora da iluminação era uma das prediletas de Darwin, e ele voltaria a usá-la, mas sódepois de uma década e meia de hesitações - até que estivesse pronto para fazer brilharo feixe ofuscante de sua teoria em público.Há ainda outra questão intrigante a respeito dos fósseis e emas: em que momento taisindícios fizeram diferença para Darwin, inclinando-o no sentido da ideia de evolução?A concepção mais aceita é a de que ele retornou da viagem do Beagle ainda sem serevolucionista, apenas intrigado com o que vira, e que deu o grande salto ao pensamentoevolutivo após suas consultas em Londres, com John Gould e Richard Owen, sobre osespécimes de ave e fósseis que lhes enviara. (Logo depois ele começou a usar novotermo para o processo: "transmutação".)Mas nem todos os cientistas digerem bem essa versão. "Creio que ele ficou convencidomuito antes", comenta o historiador da paleontologia Paul D. Brinkman. Estamossentados em seu escritório no Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, emRaleigh, em meio a um retrato do jovem Darwin, um cartaz do filme Jurassic Park efotos de uma antiga preguiça terrestre e de espécimes de gliptodonte. "Como explicaressa semelhança entre a fauna fóssil e a fauna atual daquela área? Por que elas seriamtão aparentadas?", pergunta ele, recolocando as questões que Darwin deveria se terposto. Os antigos roedores e as cutias vivas, os gliptodontes e os tatus - por quê? "Creioque uma das possíveis explicações que ele vinha remoendo, já em 1832, era a de que umgerava o outro. Transmutação."Mas até mesmo Brinkman admite que existem apenasindícios tênues para a sua hipótese de que Darwin teria se convertido ao evolucionismomuito antes de pôr os pés nas praias de Galápagos.Um testemunho obscuro deve-se ao próprio Darwin, já próximo do fim da vida, naautobiografia particular que escreveu para a sua família. "Durante a viagem do Beagle",lembrou ele, "fiquei muito impressionado ao descobrir na formação pampeana grandes
  6. 6. fósseis de animal revestidos de uma carapaça semelhante à dos tatus atuais." Tambémaludiu às emas e às espécies de Galápagos, que diferiam de uma ilha para a outra. "Eraevidente", escreveu, "que fatos como esses, assim como muitos outros, podiam serexplicados pela suposição de que as espécies se modificam aos poucos, e o tema passoua perseguir-me." E desde aquela época também vem assombrando os estudiosos.Após completar o seu trabalho de levantamento da costa da América do Sul, o Beaglepassou um ano completando uma circunavegação do mundo, retornando à Inglaterra emoutubro de 1836. Darwin, então com 27 anos e um naturalista tarimbado, cansado deviajar e ansioso por voltar para casa, também havia mudado em outros aspectos. Já nãoera mais capaz de ver a si mesmo se dedicando a uma paróquia rural; agora iria devotarsua vida à pesquisa científica. E havia, pelo menos, começado a perder a crença naimutabilidade das espécies. Não há como saber com certeza, mas na época ele jáidentificara a mais importante questão, embora ainda faltasse muito para a granderesposta, que iria dominar o restante de sua vida profissional.Com os seus espécimes distribuídos para serem identificados por especialistas - as avesficaram com Gould; os fósseis de mamíferos, com Owen; os répteis, com o zoólogoThomas Bell -, Darwin passou a colocar seus pensamentos em ordem e a explorar suaspistas. Em seu caderno de anotações privado ele explorou as ideias mais estapafúrdias arespeito de avestruzes, de guanacos e da possibilidade de "uma espécie transformar-seem outra". Em caso afirmativo, como poderia ocorrer tal transformação? Cerca de umano e meio depois, após adicionar um elemento crucial a suas concepções (a hipótese dereprodução supérflua e de luta pela existência, aproveitada de um ensaio sobre ademografia humana escrito por Thomas Malthus), Darwin afinal topou com a pedraangular de sua teoria: a seleção natural, pela qual os indivíduos mais bem adaptados decada população sobrevivem e deixam descendentes, ao contrário dos menos adaptados.Em seguida, ele explorou, refinou, aperfeiçoou e manteve em sigilo essa teoria durante20 anos, até que um homem mais jovem, Alfred Russel Wallace (veja reportagem naedição de dezembro de 2008), teve a mesma conclusão, forçando Darwin a divulgarlogo suas ideias.Isso foi em 1858. Nessa altura, Darwin já começara a escrever um tratado sobre aseleção natural, carregado de notas de rodapé. Tomado de pânico, sentindo-seameaçado, mas reanimado pela incrível urgência da história que tinha para contar, elecolocou de lado o alentado volume que vinha compondo e escreveu uma versão maisconcisa. Essa versão abreviada, feita às pressas, deveria ser apenas um "resumo" dateoria e dos dados que a sustentavam. Ele o chamou de "meu volume abominável", pois,mesmo após décadas de cogitações e adiamentos, o processo de escrita se revelou tensoe doloroso. O título que concebeu foi "Resumo de um Ensaio sobre a Origem dasEspécies e das Variedades por Meio da Seleção Natural", mas o editor o convenceu aaceitar algo mais atrativo. Por fim, o livro foi publicado, em novembro de 1859, com otítulo Da Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural. O êxito de vendagem foiimediato.Cinco outras edições sairiam do prelo ainda durante a vida de Darwin. Quase ninguémcontestaria que se trata da mais importante obra científica isolada jamais publicada.Depois de 150 anos, ainda há quem o venere e quem o deplore, e A Origem dasEspécies continua a exercer extraordinária influência - embora, infelizmente, sejampoucos aqueles que se deem ao trabalho de ler o livro.
  7. 7. As pistas que o levaram a formular sua teoria continuam em parte esquecidas - foramexcluídas do relato lendário. Os estudiosos debatem a relevância das criaturas extintas evivas encontradas na Argentina, sobretudo as preguiças terrestres e os gliptodontes, aspreguiças arbóreas, os tatus e as emas. Os indícios são confusos, mesmo noscomentários sobre a questão feitos pelo próprio Darwin. O mais eloquente deles, naminha opinião, está em local tão visível que tende a passar desapercebido. Trata-se dasduas sentenças iniciais de A Origem das Espécies, que abrem o livro em tom nostálgico.Dizem elas: "Quando a bordo do HMS Beagle, na condição de naturalista,impressionaram-me muito certos fatos na distribuição dos habitantes da América doSul, e nas relações geológicas entre os habitantes presentes e passados daquelecontinente. Esses fatos me pareciam lançar alguma luz sobre a origem das espécies..."Os tentilhões de Galápagos só aparecem no texto cerca de 400 páginas depois.Por: David QuammenMata Atlântica, Parque Estadual Carlos Botelho, São Paulo, Brasil. “O dia todo foi um deleite. no entanto, deleite é um termo fraco paraexpressar os sentimentos de um naturalista que, pela primeira vez, perambula sozinho por uma floresta brasileira.” – A VIAGEM DOBEAGLE, 29 DE FEVEREIRO DE 1832Foto de Luciano Candisani, Minden Pictures
  8. 8. Uma borboleta Hypothyris ninonia daeta se destaca em uma folha na Mata Atlântica, no Brasil, uma das primeiras paradas que CharlesDarwin fez como naturalista a bordo do HMS Beagle . Em seu diário, ele descreveu o encanto de suas primeiras incursões na natureza daAmérica do Sul: “Depois de passar por algumas terras cultivadas, entramos em uma Floresta, cuja grandeza de todas as suas partes nãopode ser excedida.”Foto de Mattias KlumBaía Pia, Terra do Fogo, Chile “É quase impossível imaginar outra coisa mais bela que o azul de berílio dessas geleiras, sobretudo quandocontrastam com o branco profundo da zona superior nevada.” 29 DE JANEIRO DE 1833
  9. 9. Foto de Peter EssickUma raposa cinzenta da América do Sul (Lycalopex griseus) boceja enquanto a noite cai no parque nacional de Torres del Paine, no Chile.Em A Viagem do Beagle, Darwin relatou a primeira vez que avistou outro espécime do mesmo gênero, a raposa de Darwin (Lycalopexfulvipes): “Fui capaz, ao caminhar em silencia atrás dela, derrubá-la com um golpe do meu martelo geológico. Esta raposa, mais curiosa oumais científica, mas menos sábia, do que sua raça, de modo geral, agora está empalhada no museu da Sociedade Zoológica.”Foto de Mattias Klum
  10. 10. León Dormido, ao largo da Ilha San Cristóbal, Galápagos. “O arquipélago é um pequeno mundo contido em si mesmo... No espaço e notempo, parece que somos conduzidos a nos aproximar desse imenso acontecimento – desse mistério dos mistérios –, o surgimento deseres no planeta.” 8 DE OUTUBRO DE 1835Foto de Mattias KlumNo Uruguai, Darwin pagou a um agricultor 18 pence pela “cabeça de um animal grande como um hipopótamo”. Os cientistas batizaram oherbívoro extinto de Toxodon platensis.Ilustrações do livro The Zoology of the Voyage of HMS Beagle; reproduzidas com autorização de John Van Wyhe (ed.), The CompleteWork of Charles Darwin OnlineNa América do Sul, Darwin coletou 27 espécies de roedor, entre as quais o Mus darwinii. O vasto conjunto de espécimes que enviou paraLondres a fim de serem estudados incluía 5 436 peles, ossos e carcaças.Ilustrações do livro The Zoology of the Voyage of HMS Beagle; reproduzidas com autorização de John Van Wyhe (ed.), The CompleteWork of Charles Darwin Online
  11. 11. Coletados por Darwin, os fósseis da preguiça-gigante Megatherium tinham dentes afiados, muito diferentes de suas parentes vivas earbóreas.Ilustrações do livro The Zoology of the Voyage of HMS Beagle; reproduzidas com autorização de John Van Wyhe (ed.), The CompleteWork of Charles Darwin OnlineCom um crânio que lembrava tanto um rato como um elefante, o Toxodon deixou perplexo Darwin, que o considerou “um dos animaismais estranhos já descobertos”.Ilustrações do livro The Zoology of the Voyage of HMS Beagle; reproduzidas com autorização de John Van Wyhe (ed.), The CompleteWork of Charles Darwin Online
  12. 12. Tartarugas-de-Galápagos na Caldera Alcedo, Ilha Isabela“Junto das nascentes, era um intrigante espetáculo contemplar muitas dessasenormes criaturas, um grupo avançando com os pescoços esticados, outro retornando, após terem saciado a sede.”8 DE OUTUBRO DE1835Foto de Frans LantingA prova da evolução - 200 anos deDarwinComo o imigrante Fritz Müller testou – no Brasil, pela primeira vez –a Teoria de DarwinEram semanas com tempo de sobra para o professor Fritz Müller. Naquele ano de 1861,o Liceu de Nossa Senhora do Desterro, na ilha de Santa Catarina - atual cidade deFlorianópolis -, passara por mudanças. Os constantes ataques dos jornais contra osimigrantes alemães e a falta de orientação religiosa nas aulas significaram para algunsprofessores que suas funções não seriam mais reconhecidas. A escola agora se chamariaColégio da Santíssima Trindade, e abriria suas portas aos padres jesuítas católicos. Paraos professores contrários à nova orientação religiosa, restavam apenas poucas horas deaula para dar, em salas quase sem alunos. O imigrante Johann Friedrich Müller, quehavia sido contratado para ensinar matemática e história natural, estava nesse grupo.Müller, porém, já aprendera a encontrar novos afazeres para preencher o seu dia. Elecostumava vestir seus trajes de perambular pelo mato: um facão e uma lata perduradosna cintura, além de um longo cajado. Daí caminhava sem sapato, como gostava, até a
  13. 13. praia para capturar caranguejos. Não fazia isso por lazer. Muito menos os animais queencontrava na areia eram levados a sua mulher, Karoline, para preparar o almoço.Seus propósitos eram outros. O naturalista Fritz Müller era um sujeito com ideiasarrojadas, sobretudo para o fim do século 19 no arcaico sul do Brasil, povoado porpioneiros europeus, conforme contextualiza Moacir Werneck de Castro na biografia deMüller, O Sábio e a Floresta. Naquele verão, ele tinha decidido realizar umexperimento que colocaria à prova teorias do inglês Charles Robert Darwin, lançadasem livro na Inglaterra menos de dois anos antes. Em A Origem das Espécies, Darwinchegou a assumir que haveria "repugnância natural" para os leitores aceitarem uma dassuas teses: a de que uma espécie daria origem a outra distinta. O inglês solicitava nolivro o envolvimento de outros naturalistas para que eles estudassem, imparcialmente,os dois lados dessa questão. Müller não pensou duas vezes: encarou como umaoportunidade e resolveu colaborar com Darwin."Fritz Müller pode ter sido o primeiro a ler a obra de Darwin no Brasil", acredita ohistoriador Thomas F. Glick. Para isso, deve ter contado com o irmão Hermann, quevivia na cidade de Lippstadt, na Alemanha. Hermann Müller conhecia o interesse doirmão por história natural e desejava mantê-lo atualizado das novas publicaçõescientíficas. Assim, provavelmente, tenha lhe enviado a tradução alemã de A Origem dogeólogo Heinrich Georg Bronn, publicada em três partes, nos meses de abril, maio ejunho de 1860.Ainda garoto, na Alemanha, Fritz Müller caminhava pelos campos ao lado do avô, oquímico e farmacêutico Johann B. Trommsdorff, e demonstrava habilidade em observarplantas, das quais fazia descrições morfológicas. Também frequentou o curso defarmácia, mas desistiu, pois seus verdadeiros interesses prevaleceram. Durante o curso,um professor logo percebeu o legítimo talento de Müller e o presenteou com ummicroscópio para que ele estudasse sanguessugas. Foi a motivação que faltava. Temposdepois, esse trabalho originaria a sua tese de doutorado em filosofia aplicada em histórianatural e o seu título de doutor pela Universidade de Berlim.Para comprovar as teorias de Darwin, Müller, que havia chegado a Blumenau em 1852,resolveu testar, inicialmente, o mecanismo darwinista de especiação. O modelomostrado em A Origem esquematizava a diferenciação entre uma população ancestral eas descendentes. Ou seja, o inglês acreditava que parte de uma espécie (uma população)poderia se diferenciar do restante, e ganhar características próprias, transformando-seem nova espécie que poderia competir com a anterior e se destacar, tornando-se maisapta.Para pôr esse mecanismo à prova, Müller teve a ideia de acompanhar odesenvolvimento embrionário de animais encontrados com facilidade na ilha. Osescolhidos foram microcrustáceos do gênero Tanais. Após serem coletados nas praias,eles eram levados vivos à casa do alemão e observados por longos períodos. Apósalgum tempo, Müller conseguiu descobrir que, próximos da maturidade sexual, osmachos se pareciam com as fêmeas, e depois sofriam metamorfoses - assim surgiamvariações. No final, somente restavam duas formas de macho, sendo que uma delaspredominava. O pesquisador verificou também que entre os "sobreviventes" existianúmero maior de crustáceos com pinças gigantes. Portanto, concluiu que esses animais,
  14. 14. todos da mesma espécie, competiam entre si. Mas apenas um grupo ganhava a disputa,após o desaparecimento dos menos aptos.Ao término desse e de outros trabalhos, um desconhecido naturalista que mal conseguiadar aulas para sustentar a família realizara uma série extraordinária de observações eexperimentos que, aparentemente, confirmavam a especiação. "Aos olhos de FritzMüller, a seleção darwiniana explicava os fatos observados nos crustáceos", afirma ozoólogo Nelson Papavero.Animado, müller decidiu então escrever um livro a respeito: Für Darwin ("ParaDarwin"), lançado em Leipzig, na Alemanha, em 1864. Em 91 páginas, com textos eilustrações, o autor explicava as razões que o motivaram a testar Dar-win, demonstravaos resultados e comprovava que a teoria do inglês estava correta.Ao conhecer o livro, no ano seguinte, Dar-win logo enviou uma carta a Desterro, na ilhade Santa Catarina. Nela, reconhece o trabalho e elogia o naturalista alemão, ao afirmarque prestava admirável serviço à causa a que ambos se dedicavam, além de consideraras observações sobre classificação e embriologia boas e originais. Darwin pediuautorização para traduzir o seu livro para o inglês. Müller consentiu e, em 1869, otrabalho foi lançado na Inglaterra com o nome apropriado de Fatos e Argumentos aFavor de Darwin. "A obra", explica Papavero, "faz de Fritz Müller o primeiro a criaruma filogenia (estudo do desenvolvimento evolutivo de um organismo ou grupo deorganismos no tempo) séria, com base em estudo de material vivo, e ainda conterdensidade incrível de fatos novos não só para o Brasil do século 19. Além de ter sidoimportante para sustentar a teoria de Darwin, que nessa mesma época, na distanteInglaterra, continuava a ser alvo de críticas."Ao longo de 16 anos, Fritz Müller e Charles Darwin trocaram correspondência. Deacordo com a tradução feita pelo médico Cezar Zillig de Fritz Müller - Werke, Briefeund Leben ("Obras, Cartas e Vida"), livro de Alfred Möller que compila os trabalhos donaturalista alemão, foram encontradas 39 cartas de Darwin a Müller. O inglês, além defazer perguntas, também solicitava a participação do alemão em seus estudos. Müllerrespondia e cooperava, principalmente em botânica e zoologia. Ele realizou dezenas deexperimentos pelos quais tentava descobrir, por exemplo, as razões da "metamorfosecompleta" de alguns insetos, como a das libélulas Pseudoneuroptera, ou os motivos dodesenvolvimento tardio das orquídeas Catasetum.Certa vez Fritz Müller escreveu para Darwin para contar que percebera "curiosacontenda" entre uma abelha rainha e as operárias Trigona mirim. Isso lhe permitiu"projetar alguma luz sobre as faculdades intelectuais dos animais". Darwin fez com queessa carta fosse publicada na revista Nature com o título: "O hábito de vários insetos".A admiração e a cooperação recíprocas entre os dois continuariam até a morte deDarwin, em 1882. Como reconhecimento, o inglês citou 17 vezes o colega nas ediçõesrevisadas de A Origem, e o chamava de "Fritz Müller, príncipe dos observadores danatureza".Por: Paulo Verri Filho
  15. 15. Em suas observações, Fritz Müller descobriu o mimetismo entre estas diferentes espécies de borboleta.Ilustração reproduzida do livro Fritz Müller - Werke, Briefe und Leben, de Alfred Möller, Museu de Zoologia da Universidade de SãoPaulo; Foto de Djan ChuEm 1864, cinco anos depois da publicação de A Origem das Espécies, Fritz Müller, que já morava em Santa Catarina, escreveu Für Darwin(Para Darwin), no qual relata as razões que o levaram a testar - e comprovar - a teoria da evolução.Reprodução de Für Darwin, cortesia de Luiz Roberto Fontes.
  16. 16. Entre as espécies usadas nos experimentos de Müller estavam os microcrustáceos do gênero Tanais.Reprodução de Für Darwin, cortesia de Luiz Roberto Fontes.O alemão aventurava-se pela mata com despojamento não raro descalço. “O isolamento em região selvagem colocou Müller em contatoíntimo com a natureza”, escreveu o entomólogo Luiz Roberto Fontes. “Sua obra suscita um ar romântico, o homem em busca dacompreensão profunda da natureza, armado de criatividade e poucos instrumentos”, diz o médico veterinário Stefano Hagen, daUniversidade de São Paulo, outro estudioso da vida de Müller.Retrato reproduzido do livro Fritz Müller - Werke, Briefe und Leben, de Alfred Möller, Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo;Foto de Djan Chu
  17. 17. Darwins modernos - 200 anos de DarwinO pai da evolução ficaria encantado ao ver os avanços científicosinspirados por suas idéiasApenas duas semanas antes de falecer, Charles Darwin escreveu um breve ensaio sobreum molusco ínfimo, encontrado agarrado à perna de um besouro-dágua capturado emuma lagoa na região de Midlands, na Inglaterra. Foi o último texto que publicou. Ohomem que lhe enviou o besouro era um jovem sapateiro e naturalista amador chamadoWalter Drawbridge Crick. O sapateiro acabou se casando e teve um filho, Harry, o qualpor sua vez teria um filho, batizado de Francis. Em 1953, Francis Crick, com o jovembiólogo americano James Watson, faria uma descoberta que levou à triunfantejustificativa de quase tudo o que Darwin deduzira a respeito da evolução.Tal comprovação não se baseava em fósseis nem em espécimes de criaturas vivas,tampouco na dissecção de seus órgãos. Ela foi possível graças a um livro. Watson eCrick descobriram que todo organismo carrega, no interior de suas células, um códigoquímico que governa sua própria criação, um texto escrito em uma linguagem comum atodas as formas de vida: o código simples do DNA. "Todos os seres orgânicos que jáviveram neste planeta descendem de alguma forma primordial", escreveu Darwin. Naverdade, na época ele estava especulando. Para entender a história da evolução - suanarrativa e seu mecanismo -, os darwinistas modernos já não mais precisam especular.Têm apenas de consultar a escritura genética.Vamos considerar, por exemplo, os famosos tentilhões das ilhas Galápagos. Darwinpodia ver que seu bico tinha diversos formatos - alguns eram largos e profundos; outros,alongados; outros ainda, pequenos e truncados. Ele supôs (um tanto atrasado) que,apesar das diferenças, todos os tentilhões eram aparentados. "Diante dessa graduação ediversidade estrutural em um grupo de aves pequeno e estritamente relacionado",escreveu em A Viagem do Beagle, "é possível imaginar que, a partir da escassez originalde aves nesse arquipélago, uma única espécie acabou sendo modificada para distintasfinalidades."Isso também não passava de inspirada especulação. No entanto, ao analisar a estreitasimilaridade de seus códigos genéticos, hoje os cientistas podem confirmar que ostentilhões de Galápagos de fato descendem de uma única espécie ancestral (ave cujoparente vivo mais próximo é a cigarra-parda, de cores opacas).O DNA não só comprova que a evolução existe de fato como também mostra, em nívelmais fundamental, de que maneira ela reconfigura os seres vivos. Há pouco, ArhatAbzhanov, da Universidade Harvard, e Cliff Tabin, da Faculdade de Medicina Harvard,identificaram os genes específicos que regulam o formato daqueles bicos. Os genes sãosequências de letras do DNA que, ao serem ativados pelas células, produzemdeterminada proteína. Abzhanov e Tabin descobriram que, quando a proteína BMP4 éativada (os cientistas usam o termo "expressada") na mandíbula em crescimento de umembrião de tentilhão, ela torna o bico mais largo e profundo. Esse gene expressa-se demodo mais vigoroso no grande-tentilhão-de-solo (Geospiza magnirostris), que usa obico mais robusto para abrir grandes sementes e nozes. Em outros tentilhões, um geneexpressa a proteína calmodulina, e isso resulta em um bico longo e estreito. Esse gene é
  18. 18. mais ativo no grande-tentilhão-de-cacto (G. conirostris), que usa o bico alongado parabuscar sementes no interior de frutas cactáceas.Em outro grupo de ilhas, ao largo da costa do Golfo, na Flórida, o camundongoPeromyscus polionotus possui um pelame mais claro que os similares do continente.Graças a essa característica, eles conseguem se esconder com maior facilidade na areiaclara - coruja, falcão e garça acabam assim se alimentando de quantidade maior decamundongos menos camuflados, permitindo que os mais claros se reproduzam. HopiHoekstra e colegas da Universidade Harvard comprovaram que a diferença de coloraçãose deve à alteração de uma única letra em um único gene, modificação que provocouredução de pigmento na pele do roedor. Tal mutação vem ocorrendo desde que as ilhasse formaram, há menos de 6 mil anos. A grande ideia de Darwin é que a seleção naturalse deve em grande parte à diversidade de características que se nota entre espéciesaparentadas. Agora, no bico do tentilhão e na pele do camundongo, podemosacompanhar a seleção natural em funcionamento, moldando e modificando o DNA dosgenes e o modo como se expressam, a fim de adaptar o organismo a suas circunstânciasespecíficas.Darwin, que supôs que a evolução se arrastava num ritmo lerdo, observável apenas noregistro fóssil, ficaria encantado com outra descoberta. Em alguns daqueles mesmostentilhões de Galápagos, os modernos darwinistas conseguiram observar a evolução sedesenrolando em tempo real. Em 1973, Peter e Rosemary Grant começaram a fazerobservações anuais das populações de tentilhão na minúscula ilha Daphne Major, emGalápagos. Logo descobriram que, na realidade, os tentilhões evoluíam de um ano paraoutro, à medida que as condições climáticas na ilha variavam de úmido para seco, edepois para úmido de novo. Por exemplo, antes havia em Daphne Major só duasespécies de tentilhão-de-solo que se reproduziam com regularidade, uma das quais era otentilhão-de-solo-médio (G. fortis), que se alimenta de sementes pequenas. Quando umaseca assolou a ilha em 1977, e escassearam as sementes pequenas, os tentilhões-médiosforam obrigados a comer as maiores e mais duras. Os com bico maior se deram melhore sobreviveram, transmitindo a característica a seus filhotes.Outra mudança ocorreu após a chegada de um competidor em 1982: o tentilhão-de-solo-grande (G. magnirostris), que também se alimenta de sementes grandes e duras.Durante anos as duas espécies coexistiram e, em 2002, ambas se tornaram abundantes.Mas veio a seca e, em 2005, restavam 13 tentilhões-de-solo-grandes e 83 de-solo-médios. Surpreendentemente, em vez de se adaptarem à seca comendo sementesmaiores, como haviam feito 28 anos antes, os tentilhões-de-solo-médios apresentaramacentuada redução no tamanho de seu bico, pois, na competição com os primos maiores,não tiveram outro recurso senão buscar um nicho, passando a consumir sementes muitopequenas. Um tentilhão com bico menor não é espécie nova, mas, na concepção dePeter Grant, talvez sejam necessários apenas alguns episódios desse tipo para que surjanova espécie, que, a partir de então, não mais se reproduz acasalando-se com parentes.A variação registrada entre os tentilhões de Galápagos é um exemplo clássico de"radiação adaptativa", em que cada espécie evolui de um ancestral comum a fim deaproveitar determinada fonte alimentícia. Um caso famoso de radiação ocorreu em outrotipo de ilha - de água. Na África, os lagos e rios do vale de Rift abrigam cerca de 2 milespécies de peixe ciclídeo que evoluíram de poucos antepassados. O maior desses lagos,o Victoria, estava seco há 15 mil anos. Suas 500 espécies distintas de ciclídeo evoluíram
  19. 19. todas desde então de um punhado de espécies de origem incerta. Tal como os tentilhões,os ciclídeos adaptaram-se a dietas distintas conforme os hábitats existentes, comotrechos rochosos ou arenosos no leito dos lagos. Algumas espécies alimentam-se dealgas e possuem dentes muito apinhados e apropriados para raspar e arrancar avegetação, ao passo que outras comem caramujos e possuem mandíbulas grossas epoderosas, capazes de esmagar e abrir conchas. E qual é o gene responsável peloespessamento dessas mandíbulas? O gene da proteína BMP4 - o mesmo que faz comque o bico dos tentilhões-de-solo de Galápagos fique mais largo e profundo. Poderiahaver melhor comprovação para a crença de Darwin na semelhança de todas as espéciesdo que achar o mesmo gene produzindo o mesmo efeito em aves e peixes, emcontinentes diferentes?Em A origem das espécies, Darwin cuidou de não fazer nenhuma menção à maneiracomo a sua teoria iria estender tal semelhança de modo a incluir os seres humanos. Umadécada depois, porém, ele enfrentou a questão em A Descendência do Homem. Eleficaria maravilhado ao saber que certo gene, o FOXP2, é crucial no desenvolvimentonormal tanto da fala das pessoas como do canto das aves. Em 2001, Simon Fisher e seuscolegas da Universidade de Oxford descobriram que uma mutação nesse gene ocasionadefeitos de linguagem nas pessoas. Mais tarde, eles demonstraram que, noscamundongos, o mesmo gene é necessário para o animal cumprir sequências deaprendizado de movimentos rápidos.Em seguida, Constance Scharff, da Universidade Livre de Berlim, comprovou que essemesmo gene se torna mais ativo em uma região do cérebro de um filhote de diamante-mandarim Taeniopygia guttata na época em que a ave começa a cantar. Comengenhosidade, a equipe de Constance infectou o cérebro desses mandarins com umvírus especial, portador de uma cópia invertida de parte do gene FOXP2, bloqueandoassim a sua expressão natural. Em consequência, as aves cantavam de modo maisvariado que o normal e não conseguiam imitar o pio dos adultos.Os Darwins de hoje observam em detalhes a maneira como a competição e as mudançasambientais podem criar novas espécies. Mas Darwin também propôs outro fatorevolutivo: a seleção sexual. No lago Victoria, os peixes ciclídeos têm uma visãoadaptada à luz presente no ambiente circundante - em profundidades maiores, em que aluminosidade disponível tende à extremidade avermelhada do espectro, seus receptoresvisuais são mais adequados a captar a luz vermelha, ao passo que, perto da superfície,eles veem melhor na região azul do espectro. Ole Seehausen, da Universidade de Berna,descobriu que os ciclídeos machos desenvolveram cores vibrantes de modo a atrair aatenção das fêmeas: em geral avermelhados perto do leito do lago e azulados emprofundidades menores. As populações de peixes azulados e avermelhados parecemestar divergindo em termos genéticos - sugerindo que se trata de duas espécies distintasem formação.Se a seleção natural é a sobrevivência do mais apto (uma frase cunhada pelo filósofoHerbert Spencer, e não por Darwin), então a seleção sexual é a reprodução do maissensual. Darwin acreditava que alguns adornos, como a galhada dos veados, ajudavamos machos na luta pelas fêmeas; outros, como a cauda dos pavões, possibilitavam aosmachos "encantar" as fêmeas para que se acasalassem. Tratava-se, na verdade, de umaideia nascida do desespero, pois a beleza inútil o preocupava por ser uma aparenteexceção ao implacável funcionamento prático da seleção natural. Em abril de 1860, em
  20. 20. carta ao botânico americano Asa Gray, ele escreveu que "a visão de uma pena da caudade um pavão, sempre que a contemplo, me dá engulhos!"Sua ideia de seleção sexual foi ignorada por grande parte da opinião vitoriana, que ficouescandalizada com a noção de fêmeas escolhendo de forma ativa seus parceiros, emlugar de se submeterem aos avanços dos machos. Os biólogos esqueceram o conceitopor um século, pois não conseguiram abandonar a argumentação de que ascaracterísticas evoluem a fim de se adequar às espécies, em vez de aos indivíduos.Todavia, hoje sabemos que Darwin estava no caminho certo. Em todos os tipos deespécie, desde peixe e ave até inseto e rã, são as fêmeas que abordam os machos com asformas mais complexas de exibição, e os convidam para o acasalamento.Darwin não especulou muito sobre os motivos que fariam uma fêmea escolher ummacho ornamentado. Essa é uma questão que ainda intriga os biólogos, pois dispõem deduas respostas satisfatórias. Uma é a moda: quando algumas fêmeas passam a escolhermachos mais vistosos, as outras precisam seguir a onda, sob o risco de terem filhotesincapazes de atrair fêmeas. Já a outra resposta é mais sutil. A cauda de um pavão éresultado de um esforço exaustivo e perigoso por parte da ave. Tal esforço só é bem-sucedido nos machos mais saudáveis. Portanto, a plumagem exuberante constitui o queos biólogos evolutivos chamam de "indicador evidente de aptidão". Os pavõessubnormais não conseguem simular tal plumagem. E as fêmeas, quando escolhem porinstinto os machos mais aptos, com isso transmitem os melhores genes aos filhotes.Em um de seus surtos de fantasia, Darwin argumentou que a seleção sexual poderiaexplicar as diferenças raciais entre os seres humanos. Ainda não se chegou a nenhumaconclusão a respeito dessa ideia, mas há indícios de que Darwin poderia estar certo, aomenos em parte.É o caso dos olhos azuis. Darwin, como muitos europeus, tinha olhos azuis. Em 2008,Hans Eiberg e seus colegas da Universidade de Copenhague anunciaram a descoberta damutação genética comum a todas as pessoas cujos olhos são azulados. Essa mutaçãodeve-se a uma única mudança de letras, G, em vez de A, no ramo longo do cromossomo15, que atenua a expressão do gene OCA2, associado à produção do pigmento queescurece os olhos. Ao comparar o DNA dos dinamarqueses com o dos turcos e o dosjordanianos, Eiberg calculou que essa mutação ocorreu entre 6 mil e 10 mil anos atrás,depois da invenção da agricultura, em um indivíduo específico numa localidadepróxima ao mar Negro. Portanto, Darwin pode ter adquirido seus olhos azuis graças auma única letra trocada no DNA do bebê de um agricultor neolítico.Por que essa mudança genética se difundiu com tanto êxito? Talvez a característicaesteja associada a uma pele mais clara, que absorve quantidade maior da radiação solarnecessária à síntese de vitamina D. Isso seria relevante na medida em que os habitantesde regiões setentrionais menos ensolaradas se tornavam cada vez mais dependentes defontes de nutrição como os cereais, deficientes em vitamina D. Por outro lado, aspessoas com olhos azuis podem ter tido mais descendentes porque calharam de ser maisatraentes para o sexo oposto naquela área. Seja como for, a explicação aponta para duasteorias de Darwin - a seleção natural e a sexual.Curiosamente, a troca de letras que causa os olhos azuis não se dá no próprio gene dopigmento, mas em um trecho próximo da escritura do DNA que controla a expressão do
  21. 21. gene. Confirma-se assim a ideia de que a evolução opera não só por meio de mudançasnos genes mas pela modificação do modo pelo qual os genes são ativados e desativados.Para Sean Caroll, da Universidade de Wisconsin, "o combustível para a evolução daanatomia não é tanto a mutação nos genes, mas as alterações na regulação dos genes quecontrolam o desenvolvimento".A noção de interruptores genéticos explica a humilhante surpresa que foi a descobertade que os seres humanos parecem não ter nenhum gene humano. Na última década, àmedida que os cientistas comparavam o genoma humano com o de outras criaturas,tornou-se patente que herdamos não só a mesma quantidade de genes que umcamundongo - menos de 21 mil - mas, na maioria dos casos, os próprios genes sãoidênticos. Assim como não precisamos de palavras distintas para escrever livrosdiferentes, também não faz falta genes novos para o surgimento de novas espécies: bastaapenas mudar a ordem e o padrão em que são usados os genes.Em outros termos, uma girafa não precisa ter genes específicos para desenvolver opescoço longo. Seus genes de crescimento de pescoço são os mesmos do camundongo.Eles precisam apenas ser ativados por mais tempo.Os Darwins modernos, assim como o original, mesclam o que sabem a respeito dosgenes com o que sabem sobre os fósseis para entender melhor a história da vida. Em2004, Neil Shubin e sua equipe da Universidade de Chicago achou um fóssil de 375milhões de anos no Ártico canadense - uma criatura que se encaixa no hiato entre ospeixes e os animais terrestres. Eles o batizaram de Tiktaalik, que significa "grande peixede água doce", na língua inuktitut. Embora fosse um peixe com escamas e nadadeiras,ele tinha cabeça achatada, como a dos anfíbios, e os ossos no interior de suas nadadeirascorrespondiam aos dos membros inferiores e superiores e até mesmo às articulações dosanimais terrestres: trata-se de um elo perdido - se é que há algum.Também intrigante é o que o Tiktaalik revelou a Shubin no laboratório. Os genes dofóssil perderam-se nas névoas do tempo. Inspirados pelo achado, os pesquisadoresestudaram um equivalente vivo - um primitivo peixe ossudo, o Polydon spatula - edescobriram que o padrão de expressão do gene que regula a formação dos ossos emsuas nadadeiras é parecido com o do gene responsável pela formação dos membros noembrião de uma ave, de um mamífero ou de qualquer outro animal terrestre. A únicadiferença é que ele permanece ativado por um tempo bem menor no peixe. Taldescoberta pôs por terra uma noção há muito entretida de que a aquisição de membrosexigiu um radical salto evolutivo. "É evidente agora que o mecanismo genéticonecessário para produzir os membros já estava presente nas nadadeiras", comentaShubin.Embora a genética moderna comprove os acertos de Darwin nos mais variados aspectos,ela também trouxe à luz seu maior equívoco. As concepções de Darwin a respeito dosmecanismos de transmissão das características eram confusas - e erradas. Ele acreditavaque em um organismo se mesclavam as características de seus pais, e também começoua achar que se transmitiam as peculiaridades adquiridas durante a vida do indivíduo. Elenunca entendeu, ao contrário do monge morávio, Gregor Mendel, que um organismonão é de forma nenhuma mescla de seus pais, mas o resultado composto de incontáveiscaracterísticas individuais transmitidas pelo pai e pela mãe dos próprios pais e, antesdeles, dos avós. O ensaio de Mendel que descreve a natureza da transmissão hereditária
  22. 22. foi publicado em um obscuro jornal morávio em 1866, apenas sete anos após A Origemdas Espécies. Mendel enviou-o, esperançoso, a alguns dos principais cientistas daépoca, mas suas conclusões foram ignoradas. O destino do monge foi morrer anos antesde ser reconhecida a importância de sua descoberta. Mas o seu legado, como o deDarwin, nunca esteve tão vivo.Por: Matt RidleyOs dois camundongos são da mesma espécie, e participam de um experimento para desvendar o modo como a seleção natural atua nosgenes, criando um mundo repleto de diversidade.Foto de Lynn JohnsonPeixes poecilla reticulata chocam-se em um tanque de laboratório. Mais tarde serão libertados em Trinidad.Foto de Lynn Johnson
  23. 23. O biólogo David Reznick vigia a exposição deles aos predadores, e mede as alterações demográficas. Tamanho do corpo, idade aoamadurecer e quantidade de filhotes passaram por modificações evolutivas nesse experimento. “Darwin achava que a evolução não podiaser observada”, diz. “Mas estamos testemunhando mudanças evolutivas em períodos de apenas alguns anos.”Foto de Lynn JohnsonConstance Scharff busca inspiração ao nadar em Berlim. As descobertas de Constance revelam um fio permeando todos os seres vivos: “Omecanismo genético que uma ave usa para aprender a cantar não difere muito daquele que usamos para começar a falar”.Foto de Lynn Johnson
  24. 24. Um diamante-mandarim adulto ensina seus cantos a um filhote. O gene FOXP2 é crucial ao aprendizado de vocalizações. Quando édesativado, “o filhote passa a chilrear absurdos”, diz a neurobióloga Constance Scharff.Foto de Lynn JohnsonPreenchendo um hiato no mapa da evolução, o paleontólogo Neil Shubin esboça o crânio de um tiktaalik roseae, fóssil de 375 milhões deanos. Peixe com características de animais terrestres, o tiktaalik ajuda a entender a passagem do mar para a terra feita pelos seres vivos.Foto de Lynn Johnson
  25. 25. Shubin estuda como evoluem as configurações dos corpos. Em larvas de arraia, ele alterou um gene que, nos seres humanos, influencia aforma da mão. O resultado foi uma mutação no desenho da nadadeira.Foto de Lynn JohnsonO pelame do camundongo que se enterrou na areia clara tem pigmentação sutil. Na outra ponta do espectro, o solo lodoso no interiorfavorece pelame mais escuro. Eles são da mesma espécie – peromyscus polionotus.Peles de rato fotografadas no Museu de Zoologia Comparada, Universidade de Harvard.
  26. 26. A bióloga evolutiva Hopi Hoekstra vem examinando a mecânica dos genes para mostrar como os animais se adaptam a seus ambientes. Acaptura de ratinhos nas praias da Flórida, embora seja atividade rotineira, ainda lhe reserva emoções.Foto de Lynn JohnsonAs pesquisas da geneticista Sean Carroll estão voltadas para a descoberta dos genes cruciais para a criação de elementos anatômicosespecíficos, e para o entendimento de como tais genes produzem padrões e formas diversificados e com frequência muito atraentes,desde a intricada ornamentação das asas de borboletas até as listras no corpo dos tigres. “Esses extremos no reino animal”, diz Carroll,“vêm inspirando os biólogos há séculos.”Foto de Lynn Johnson
  27. 27. “Como a girafa adquiriu o seu imenso pescoço e os espetaculares padronagens na pele?”, é o que intriga o geneticista Sean Carroll - acima,no zoológico de Madison, em Wisconsin.Foto de Lynn JohnsonPublicados em 01/2009 na Revista National Geographic Brasil – Fevereiro de 2009- Edição 107
  28. 28. Nome do arquivo: Reportagem da Capa de National Geographic Brasil - O QUE DARWIN NÃO SABIA - Edição 107 - Fevereiro de 2009.docxDiretório: C:Documents and SettingsInfusMeus documentosModelo: C:Documents and SettingsInfusDados de aplicativosMicrosoftModelosNormal.dotmTítulo:Assunto:Autor: INFUSMIDIAPalavras-chave:Comentários:Data de criação: 14/2/2009 16:44:00Número de alterações: 15Última gravação: 14/2/2009 18:51:00Salvo por: INFUSMIDIATempo total de edição: 80 MinutosÚltima impressão: 14/2/2009 18:51:00Como a última impressão Número de páginas: 27 Número de palavras: 8.471 (aprox.) Número de caracteres: 45.744 (aprox.)

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