Capítulo II Teorias explicativas do conhecimento
Índice <ul><li>Capítulo 2 – Teorias explicativas do conhecimento </li></ul><ul><li>O projecto da fundamentação rigorosa do...
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Índice <ul><li>Capítulo 2 – Teorias explicativas do conhecimento </li></ul><ul><li>Todo o conhecimento começa  com a exper...
Índice <ul><li>Capítulo 2 – Teorias explicativas do conhecimento </li></ul><ul><li>A razão e os limites do conhecimento – ...
Teorias explicativas do conhecimento <ul><li>Iremos apresentar as teorias de três autores: Descartes, David Hume e Immanue...
Teorias explicativas do conhecimento <ul><li>Ao estudarmos os autores referidos, seremos orientados por quatro questões fu...
O projecto de  fundamentação  rigorosa do saber <ul><li>Descartes , filósofo francês nascido a 31 de Março de 1596 na cida...
A importância da dúvida <ul><li>Trata-se de começar tudo de novo, do princípio. Esse princípio tem de ser um  conhecimento...
A importância da dúvida <ul><li>O que fazer então? </li></ul><ul><li>Avaliar a  firmeza  ou a  solidez  das bases em que a...
A importância da dúvida  <ul><li>Como avaliar a solidez destas bases ou destes alicerces? </li></ul><ul><li>Vamos submetê-...
Separando o verdadeiro do falso <ul><li>Descartes sempre se preocupou em dirigir bem o seu  </li></ul><ul><li>espírito na ...
O primeiro nível de aplicação da dúvida <ul><li>Os sentidos não são fonte segura de conhecimento </li></ul>Apliquemos entã...
O segundo nível de aplicação da dúvida <ul><li>Há razão para acreditar que toda e qualquer realidade física é uma ilusão <...
O terceiro nível de aplicação da dúvida <ul><li>Há razão para acreditar que o nosso entendimento confunde o verdadeiro com...
A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável <ul><li>Podemos agora ver qual o resultado da aplicação da dúvida. E...
A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável Vejamos:  i) Duvidar é um acto que tem de ser exercido por alguém. i...
A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável Assim, a célebre afirmação  «Penso, logo existo»  pode ser traduzida...
A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável Vejamos algumas características desta primeira verdade: 1.  Será o a...
A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável 5.  Ao mesmo tempo que revela a existência de quem de tudo duvida me...
À descoberta da existência de algo que exista independentemente do sujeito pensante Sei que sou imperfeito porque duvido. ...
À descoberta da existência de algo que exista independentemente do sujeito pensante <ul><li>Se Descartes conseguir estabel...
A fundamentação metafísica do saber Deus é omnipotente e perfeito, e como tal, não engana.Por isso é a garantia da objecti...
A recuperação das existência das realidades físicas «Concebo clara e distintamente que sou uma substância pensante, que De...
Conclusão <ul><li>O conhecimento é possível? </li></ul><ul><li>A resposta cartesiana é afirmativa. Embora a dúvida pareça ...
Conclusão b) A razão dá-nos conhecimentos acerca da realidade independentemente da experiência? <ul><li>Sim. Descartes rej...
Conclusão c) Qual a extensão do nosso conhecimento? Até onde pode ir o nosso conhecimento? Podemos conhecer a realidade ta...
Conclusão d) Como é justificado o conhecimento? <ul><li>A objectividade do conhecimento, o facto de ser uma crença verdade...
O racionalismo de Descartes <ul><li>O projecto cartesiano é o de reconstruir o sistema de saber do seu tempo. </li></ul>OB...
O racionalismo de Descartes <ul><li>Todos os conhecimentos respeitantes a objectos quer sensíveis quer inteligíveis (matem...
O racionalismo de Descartes CONCLUSÃO Podemos conhecer a realidade em si mesma mediante a razão, sem qualquer apoio da  ex...
O empirismo de David Hume Para David Hume,  todo o conhecimento começa com a experiência . Os  dados  ou  impressões   sen...
Impressões e ideias são o conteúdo do conhecimento Impressões:  são os  actos originários  do nosso conhecimento e corresp...
Os conteúdos da mente <ul><li>Impressões </li></ul><ul><li>Simples :  Por exemplo, a percepção de um automóvel vermelho. <...
Não há ideias inatas <ul><li>As ideias são cópias das impressões. Isso significa que estas derivam e dependem daquelas. As...
Os tipos de conhecimento <ul><li>●   O conhecimento divide-se em dois tipos referidos por Hume:  Conhecimento de ideias  e...
Os tipos de conhecimento <ul><li>A experiência </li></ul><ul><li>Percepções </li></ul><ul><li>Impressões   Ideias </li></u...
Os conhecimentos de facto e a relação de causalidade <ul><li>O que entendemos exactamente por relação causal? </li></ul><u...
Os conhecimentos de facto e a relação de causalidade Mas o que significa dizer que A é a causa de B? Significa dizer: Semp...
Os conhecimentos de facto e a relação de causalidade Como nasce então a ideia de uma conexão ou ligação necessária entre c...
Os conhecimentos de facto e a relação de causalidade ●  Contudo, o  cepticismo de Hume não é radical . Hume pensa que não ...
Conclusão <ul><li>O conhecimento é possível? </li></ul>O conhecimento entendido como relação de ideias é possível. As verd...
Conclusão b) A razão dá-nos conhecimentos acerca da realidade independentemente da experiência? Não. Todo o conhecimento d...
Conclusão c) Qual a extensão do nosso conhecimento? Até onde pode ir o nosso conhecimento? Podemos conhecer a realidade ta...
Conclusão d) Como é justificado o conhecimento? O conhecimento de facto seria, em princípio, justificado pela experiência,...
O empirismo de David Hume <ul><li>Todo o nosso conhecimento de factos depende da experiência </li></ul>TESE FUNDAMENTAL AS...
O empirismo de David Hume <ul><li>Os conhecimentos de questões de facto – do que </li></ul><ul><li>acontece no mundo – con...
O empirismo de David Hume <ul><li>Acreditar que não há efeito sem causa é uma crença necessária para que a nossa vida não ...
O racionalismo crítico de Kant <ul><li>Para Kant conhecimento é um facto indiscutível. Todavia Kant  pergunta como é possí...
A resposta de Kant <ul><li>Traços gerais  da resposta Kantiana: </li></ul><ul><li>1.  Todo o conhecimento começa com a exp...
Todo o conhecimento começa  com a experiência: importância da sensibilidade <ul><li>Como começa o conhecimento?   </li></u...
Derivação do conhecimento e sua validade <ul><li>O conhecimento científico não deriva da experiência, mas  </li></ul><ul><...
Esquema da relação entre Sensibilidade e Entendimento <ul><li>Sensibilidade </li></ul><ul><li>Espacializa e Temporaliza </...
Os limites do conhecimento <ul><li>Como é que as coisas se podem relacionar comigo? </li></ul><ul><li>Se eu as puder espac...
A distinção fenómeno-númeno <ul><li>Só podemos conhecer mediante o conceito de causa aquilo que nos é dado pela sensibilid...
A razão e os limites do conhecimento – a realidade e o ideal <ul><li>O que o conhecimento consegue no plano do conheciment...
A razão e os limites do conhecimento – a realidade e o ideal <ul><li>O que diz essa regra? Como contribui ela para o proce...
A razão e os limites do conhecimento – a realidade e o ideal <ul><li>O conhecimento absoluto simbolizado por Deus, é um id...
Conclusão <ul><li>O conhecimento é possível? </li></ul>Kant não duvida em momento algum da possibilidade do conhecimento. ...
Conclusão b) A razão dá-nos conhecimentos acerca da realidade independentemente da experiência? Esclarecido o âmbito legít...
Conclusão c) Qual a extensão do nosso conhecimento? Até onde pode ir o nosso conhecimento? Podemos conhecer a realidade ta...
Conclusão d) Como é justificado o conhecimento? Uma crença verdadeira será conhecimento e não uma mera opinião se aos noss...
O racionalismo crítico de Kant <ul><li>Kant pretende explicar como é possível o conhecimento. </li></ul>PROJECTO RAZÃO DE ...
O racionalismo crítico de Kant <ul><li>Como precisamos de objectos para que haja conhecimento e como a sensibilidade nos d...
O racionalismo crítico de Kant <ul><li>A razão, ao apontar para esta meta ideal, dá ao  </li></ul><ul><li>entendimento uma...
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  1. 1. Capítulo II Teorias explicativas do conhecimento
  2. 2. Índice <ul><li>Capítulo 2 – Teorias explicativas do conhecimento </li></ul><ul><li>O projecto da fundamentação rigorosa do saber </li></ul><ul><li>A importância da dúvida </li></ul><ul><li>Separando o verdadeiro do falso </li></ul><ul><li>Os níveis de aplicação da dúvida: o primeiro nível </li></ul><ul><li>O segundo nível de aplicação da dúvida </li></ul><ul><li>O terceiro nível de aplicação da dúvida </li></ul><ul><li>A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável </li></ul>
  3. 3. Índice <ul><li>Capítulo 2 – Teorias explicativas do conhecimento </li></ul><ul><li>À descoberta da existência de algo que exista independentemente do sujeito pensante </li></ul><ul><li>A fundamentação metafísica do saber </li></ul><ul><li>A recuperação da existência de realidades físicas </li></ul><ul><li>Conclusão </li></ul><ul><li>O racionalismo de Descartes (quadro sinóptico) </li></ul><ul><li>O empirismo de David Hume </li></ul>
  4. 4. Índice <ul><li>Capítulo 2 – Teorias explicativas do conhecimento </li></ul><ul><li>Impressões e ideias são o conteúdo do conhecimento </li></ul><ul><li>Os conteúdos da mente </li></ul><ul><li>Os tipos de conhecimento </li></ul><ul><li>Os conhecimentos de facto e a relação de causalidade </li></ul><ul><li>Conclusão </li></ul><ul><li>O empirismo de Hume (quadro sinóptico) </li></ul><ul><li>O racionalismo crítico de Kant </li></ul><ul><li>A resposta de Kant </li></ul>
  5. 5. Índice <ul><li>Capítulo 2 – Teorias explicativas do conhecimento </li></ul><ul><li>Todo o conhecimento começa com a experiência: importância da sensibilidade </li></ul><ul><li>Derivação do conhecimento e sua utilidade </li></ul><ul><li>Esquema da relação entre entendimento e sensibilidade </li></ul><ul><li>Conhecimento de realidades Empíricas ou Sensíveis – Limitações da Sensibilidade </li></ul><ul><li>A distinção fenómeno-númeno </li></ul>
  6. 6. Índice <ul><li>Capítulo 2 – Teorias explicativas do conhecimento </li></ul><ul><li>A razão e os limites do conhecimento – a realidade e o ideal </li></ul><ul><li>Conclusão </li></ul><ul><li>O racionalismo crítico de Kant (quadro sinóptico) </li></ul>
  7. 7. Teorias explicativas do conhecimento <ul><li>Iremos apresentar as teorias de três autores: Descartes, David Hume e Immanuel Kant. </li></ul><ul><li>Descartes (Racionalismo) Hume (Empirismo) </li></ul><ul><li>Kant (Racionalismo crítico) </li></ul>
  8. 8. Teorias explicativas do conhecimento <ul><li>Ao estudarmos os autores referidos, seremos orientados por quatro questões fundamentais: </li></ul><ul><li>1. O conhecimento é possível? </li></ul><ul><li>2. A razão dá-nos conhecimentos acerca da realidade, independentemente da experiência? </li></ul><ul><li>3. Qual a extensão do nosso conhecimento? Até onde pode ir o nosso conhecimento? Podemos conhecer a realidade tal como é em si mesma? </li></ul><ul><li>4.Como é justificado o conhecimento? </li></ul>
  9. 9. O projecto de fundamentação rigorosa do saber <ul><li>Descartes , filósofo francês nascido a 31 de Março de 1596 na cidade francesa de La Haye, pretende efectuar uma reforma profunda no conhecimento humano . </li></ul><ul><li>A atitude de Descartes perante o saber do seu tempo pode caracterizar-se segundo dois vectores: </li></ul>1. O conjunto dos conhecimentos, que constituem o sistema do saber ou o edifício científico tradicional, está assente em bases frágeis. 2. Esse edifício científico é constituído por conhecimentos que não estão na sua devida ordem.
  10. 10. A importância da dúvida <ul><li>Trata-se de começar tudo de novo, do princípio. Esse princípio tem de ser um conhecimento que resista a todas a tentativas de o pôr em causa . </li></ul><ul><li>Se o conseguirmos encontrar, teremos o alicerce ou a base que será o fundamento do sistema do saber que pretendemos firme, seguro e bem organizado. </li></ul>● Deve ser de tal modo evidente que o pensamento não possa dele duvidar. ● Dele dependerá o conhecimento do resto, de modo que nada pode ser conhecido sem, mas não reciprocamente. Esse princípio deve possuir, em suma, as seguintes características:
  11. 11. A importância da dúvida <ul><li>O que fazer então? </li></ul><ul><li>Avaliar a firmeza ou a solidez das bases em que assentam </li></ul><ul><li>os conhecimentos que me foram transmitidos. Essas </li></ul><ul><li>bases são: </li></ul><ul><li>A crença de que a experiência é a fonte dos nossos conhecimentos, isto é, de que o conhecimento começa com a experiência sendo os dignos de confiança. </li></ul><ul><li>A crença de que existe um mundo físico que, por isso mesmo, constitui objecto de conhecimento. </li></ul><ul><li>A crença de que o nosso entendimento não se engana ou não pode estar enganando quando descobre conhecimentos verdadeiros </li></ul>
  12. 12. A importância da dúvida <ul><li>Como avaliar a solidez destas bases ou destes alicerces? </li></ul><ul><li>Vamos submetê-los a um exame impiedoso, ou seja, </li></ul><ul><li>vamos tentar encontrar razões para duvidar da sua </li></ul><ul><li>verdade, utilizando este critério duplo: </li></ul><ul><li>Considerar como absolutamente falso o que for minimamente duvidoso; </li></ul><ul><li>Considerar como sempre nos enganando aquilo que alguma vez nos enganar. </li></ul>
  13. 13. Separando o verdadeiro do falso <ul><li>Descartes sempre se preocupou em dirigir bem o seu </li></ul><ul><li>espírito na procura da verdade . </li></ul><ul><li>Para isso, inventou um método constituído por quatro </li></ul><ul><li>regras simples das quais se destaca a primeira. </li></ul><ul><li>Esta ordena que se se considere como falso o que não for </li></ul><ul><li>absolutamente verdadeiro ou evidente (claro e distinto). </li></ul>
  14. 14. O primeiro nível de aplicação da dúvida <ul><li>Os sentidos não são fonte segura de conhecimento </li></ul>Apliquemos então o princípio hiperbólico que orienta a aplicação da dúvida: - se devemos considerar como sempre nos enganando o que nos engana algumas vezes, então os sentidos não merecem qualquer confiança.
  15. 15. O segundo nível de aplicação da dúvida <ul><li>Há razão para acreditar que toda e qualquer realidade física é uma ilusão </li></ul>Neste nível de aplicação da dúvida, Descartes questiona a existência de uma realidade física independente do nosso pensamento. Será indubitável a nossa crença imediata na existência de realidades físicas ou sensíveis? Há acontecimentos que, vividos durante o sonho, são vividos com tanta intensidade como quando estamos acordados. Se assim é, não havendo uma maneira clara de diferenciar o sonho da realidade, pode surgir a suspeita de que aquilo que consideramos real não passe de um sonho.
  16. 16. O terceiro nível de aplicação da dúvida <ul><li>Há razão para acreditar que o nosso entendimento confunde o verdadeiro com o falso </li></ul>Neste nível, Descartes vai pôr em causa aquilo que até então considera o modelo do saber verdadeiro: o conhecimento matemático. O argumento que vai abalar a confiança depositada nas noções e demonstrações matemáticas baseia-se numa hipótese ou numa suposição: a de que Deus, que supostamente me criou, criando ao mesmo tempo o meu entendimento, pode tê-lo criado de forma radicalmente pervertida, tomando por verdadeiro o que é falso e por falso o que é verdadeiro.
  17. 17. A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável <ul><li>Podemos agora ver qual o resultado da aplicação da dúvida. Ela pôs em causa toda a dimensão dos objectos , quer sensíveis quer inteligíveis . </li></ul><ul><li>Nenhum objecto resistiu ao exame impiedoso da dúvida . Neste momento, poderíamos julgar que reina o cepticismo: tudo é falso, nada é verdadeiro, ou seja, nada resiste à dúvida. </li></ul><ul><li>Contundo, essa conclusão é precipitada porque, quando a dúvida atinge o seu ponto máximo, uma verdade indubitável vai impor-se . </li></ul>
  18. 18. A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável Vejamos: i) Duvidar é um acto que tem de ser exercido por alguém. ii) Para duvidar, seja do que for e mesmo que seja de tudo, é necessário que exista o sujeito que dúvida iii) A dúvida é um acto do pensamento que só é possível se existir um sujeito que a realiza. Logo, a existência do sujeito que duvida é uma verdade indubitável.
  19. 19. A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável Assim, a célebre afirmação «Penso, logo existo» pode ser traduzida, neste momento, nos seguintes termos: ● Eu duvido de tudo, mas não posso duvidar da minha existência como sujeito que, neste momento, duvida de tudo. Duvido, logo, existo
  20. 20. A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável Vejamos algumas características desta primeira verdade: 1. Será o alicerce de todo o conjunto de conhecimentos que a partir dela descobriremos. Será o primeiro princípio do sistema do saber. 2. É uma verdade puramente racional. 3. É uma verdade descoberta por intuição. 4. O «cogito» vai funcionar como um modelo de verdade: serão verdadeiros todos os conhecimentos que forem tão claros e distintos como este primeiro conhecimento.
  21. 21. A descoberta de uma verdade absolutamente indubitável 5. Ao mesmo tempo que revela a existência de quem de tudo duvida menos da sua existência, a primeira verdade tem implícita outra: a essência do sujeito que duvida é ser uma substância meramente pensante. 6. Ao mesmo tempo que descubro a minha existência como sujeito pensante, descubro que a alma é distinta do corpo. 7. O Cogito corresponde ao “grau zero” do conhecimento no que respeita aos objectos físicos e inteligíveis. 8. A primeira verdade é a afirmação da existência de um ser que é imperfeito.
  22. 22. À descoberta da existência de algo que exista independentemente do sujeito pensante Sei que sou imperfeito porque duvido. Mas qual a condição necessária para considerar que duvidar é uma imperfeição? É a de que eu saiba em que consiste a perfeição. Só comparando as qualidades que eu possuo com a perfeição é que posso dizer que eu, que duvido e não conheço tudo, sou imperfeito. A ideia de um ser perfeito existe no meu pensamento. Corresponde à ideia de um ser que possui todas as perfeições em grau infinito. Mas, se esta ideia existe, será que existe um ser perfeito?
  23. 23. À descoberta da existência de algo que exista independentemente do sujeito pensante <ul><li>Se Descartes conseguir estabelecer a existência deste ser perfeito, terá alcançado uma nova verdade que se irá revelar de importância decisiva. </li></ul><ul><li>Trata-se de saber como, a partir da ideia de um ser perfeito, vai o sujeito pensante estabelecer a existência real de um ser perfeito (Deus). </li></ul><ul><li>Como só o que é perfeito pode ser a causa da ideia de perfeito, Descartes conclui que Deus existe. </li></ul>
  24. 24. A fundamentação metafísica do saber Deus é omnipotente e perfeito, e como tal, não engana.Por isso é a garantia da objectividade das verdades racionais. O papel da veracidade divina (o facto de Deus não enganar e de ser a fonte de todo o saber) é duplo: a) É a garantia da validade das evidências actuais, isto é, das que estão actualmente presentes na minha consciência. b) É a garantia das minhas evidências passadas, isto é, não actualmente presentes na minha consciência.
  25. 25. A recuperação das existência das realidades físicas «Concebo clara e distintamente que sou uma substância pensante, que Deus existe e não me engana e que posso confiar na validade do meu entendimento quando concebe que as coisas sensíveis são extensas.» ● Para mostrar a existência das coisas temos de garantir que a consciência do sujeito pensante não pode por si só explicar determinadas representações que temos das coisas corpóreas, isto é, que aquelas supõem a existência efectiva de corpos exteriores.
  26. 26. Conclusão <ul><li>O conhecimento é possível? </li></ul><ul><li>A resposta cartesiana é afirmativa. Embora a dúvida pareça conduzir à descrença na existência de verdades, Descartes não é um céptico. </li></ul><ul><li>Com efeito, a dúvida propõe-se separar o verdadeiro do falso, o que pressupõe a crença na existência de verdades. </li></ul><ul><li>O cepticismo cartesiano é meramente metodológico. </li></ul><ul><li>Aos cépticos Descartes concede que não há conhecimento se as nossas crenças não forem justificadas, mas não que elas não possam ser justificadas </li></ul>
  27. 27. Conclusão b) A razão dá-nos conhecimentos acerca da realidade independentemente da experiência? <ul><li>Sim. Descartes rejeita o empirismo. Os sentidos não são fonte de conhecimento seguro. Descartes rejeita a ideia de que o conhecimento comece com a experiência porque os sentidos nos enganam. </li></ul>
  28. 28. Conclusão c) Qual a extensão do nosso conhecimento? Até onde pode ir o nosso conhecimento? Podemos conhecer a realidade tal como é em si mesma? <ul><li>A razão, apoiada na veracidade divina, pode conhecer a essência das coisas, constituindo conhecimentos cuja objectividade escapa à dúvida. </li></ul>
  29. 29. Conclusão d) Como é justificado o conhecimento? <ul><li>A objectividade do conhecimento, o facto de ser uma crença verdadeira e não uma opinião, é justificada pela existência de um Deus cuja veracidade garante a verdade quer das minhas evidências actuais quer das minhas evidências passadas </li></ul>
  30. 30. O racionalismo de Descartes <ul><li>O projecto cartesiano é o de reconstruir o sistema de saber do seu tempo. </li></ul>OBJECTIVO RAZÃO DE SER DO PROJECTO ESTRATÉGIA NATUREZA DA DÚVIDA Esse sistema está desorganizado e baseado em falso princípios . Os princípios do novo sistema do saber devem ser verdades absolutas, totalmente indubitáveis. Como descobrir princípios absolutamente indubitáveis? Submetendo à dúvida os conhecimentos existentes para ver se algum resiste. A dúvida é hiperbólica, implacável, transformando a mais frágil suspeita em sinónimo de falsidade.
  31. 31. O racionalismo de Descartes <ul><li>Todos os conhecimentos respeitantes a objectos quer sensíveis quer inteligíveis (matemáticos e intelectuais) ficam sob suspeita e são declarados falsos . </li></ul>O QUE NÃO RESISTE À DÚVIDA O QUE RESISTE À DÚVIDA VERDADES QUE SE DEDUZEM DO PRIMEIRO PRINCÍPIO O FUNDAMENTO METAFÍSICO DO SISTEMA DO SABER O primeiro conhecimento a resistir à dúvida é o da existência do sujeito que duvida da realidade de todos os objectos. O sujeito que de tudo duvida menos da sua existência é uma substância pensante, puramente racional, que existe, mesmo que a existência do seu corpo seja duvidosa. A distinção Alma-Corpo é outro dos princípios do novo sistema de saber. Deus existe necessariamente. Deus, uma vez que não nos engana nem ilude, é a garantia da objectividade dos conhecimentos que deles tenha consciência actual ou não. É o fundamento metafísico de todo o saber, o seu alicerce seguro e firme.
  32. 32. O racionalismo de Descartes CONCLUSÃO Podemos conhecer a realidade em si mesma mediante a razão, sem qualquer apoio da experiência. É possível um conhecimento puramente racional – com a crença na veracidade divina – dos princípios gerais que nos permitem compreender toda a realidade.
  33. 33. O empirismo de David Hume Para David Hume, todo o conhecimento começa com a experiência . Os dados ou impressões sensíveis são as unidades básicas do conhecimento . Este, divide o conteúdo do conhecimento em duas espécies de consciência ou percepções, são elas: impressões ideias David Hume 1711-1776
  34. 34. Impressões e ideias são o conteúdo do conhecimento Impressões: são os actos originários do nosso conhecimento e correspondem aos dados da experiência presente ou actual . As sensações são um exemplo de impressões. Ideias: são as representações ou imagens debilitadas , enfraquecidas , das impressões no pensamento . As deias são uma impressão menos viva, cópia enfraquecida da impressão original. Distinção entre impressões e ideias: As impressões propriamente ditas são todas as nossas sensações. As ideias são imagens enfraquecidas dessas impressões
  35. 35. Os conteúdos da mente <ul><li>Impressões </li></ul><ul><li>Simples : Por exemplo, a percepção de um automóvel vermelho. </li></ul><ul><li>Complexas : A visão global de um povoado a partir de um ponto alto. </li></ul>As percepções, impressões e ideias, apresentam graus de força. São simples ou complexas. <ul><li>Ideias </li></ul><ul><li>Simples: A recordação de um automóvel vermelho. </li></ul><ul><li>Complexas: A recordação do povoado. </li></ul>
  36. 36. Não há ideias inatas <ul><li>As ideias são cópias das impressões. Isso significa que estas derivam e dependem daquelas. Assim sendo, não existem ideias a não ser as que o nosso entendimento formou a partir da experiência ou das impressões sensíveis. Todo o conhecimento começa com a experiência e deriva dela.. Se as ideias são cópias ou imagens das impressões, elas derivam da experiência. Não há ideias inatas, isto é, ideias que precedam as impressões correspondentes. </li></ul>
  37. 37. Os tipos de conhecimento <ul><li>● O conhecimento divide-se em dois tipos referidos por Hume: Conhecimento de ideias e Conhecimento de factos </li></ul><ul><li>Conhecimento de ideias: Consiste em analisar o significado dos elementos de uma proposição, em estabelecer relações entre as ideias que a proposição contém. </li></ul><ul><li>Conhecimento de factos: Este tipo de conhecimento implica um confronto das proposições com a experiência. Os conhecimentos de facto são proposições cujo valor de verdade tem de ser testado pela experiência. </li></ul>
  38. 38. Os tipos de conhecimento <ul><li>A experiência </li></ul><ul><li>Percepções </li></ul><ul><li>Impressões Ideias </li></ul><ul><li>Sensações Paixões Emoções </li></ul><ul><li>Conhecimento Relações de ideias </li></ul><ul><li>de facto </li></ul>
  39. 39. Os conhecimentos de facto e a relação de causalidade <ul><li>O que entendemos exactamente por relação causal? </li></ul><ul><li>Por relação causal ou de causalidade entendemos uma </li></ul><ul><li>conexão ou ligação necessária entre acontecimentos. </li></ul><ul><li>Por exemplo: </li></ul><ul><li>Um determinado aumento de temperatura é a causa </li></ul><ul><li>da dilatação de certos corpos. </li></ul>A B
  40. 40. Os conhecimentos de facto e a relação de causalidade Mas o que significa dizer que A é a causa de B? Significa dizer: Sempre que, em certas condições, acontece A, acontece ou sucede necessariamente B. Mas será que temos experiência desta ideia de conexão necessária? Quando dizemos que, acontecendo A, sempre acontecerá B, estamos a falar de um facto futuro, que ainda não aconteceu. É aqui que Hume diz que ultrapassamos o que a experiência nos permite. Não podemos ter conhecimento de factos futuros porque não podemos ter qualquer impressão sensível ou experiência do que ainda não aconteceu.
  41. 41. Os conhecimentos de facto e a relação de causalidade Como nasce então a ideia de uma conexão ou ligação necessária entre causa e efeito? De tantas vezes observarmos que um corpo dilata após um determinado aumento de temperatura acontece isto: sempre que vemos acontecer um dado aumento de temperatura, concluímos, devido ao hábito, que certos corpos vão dilatar. A constante conjunção e sucessão de A e B levam a razão a inventar uma conexão que ela julga necessária, mas da qual nunca teve experiência. A necessidade aqui é meramente psicológica.
  42. 42. Os conhecimentos de facto e a relação de causalidade ● Contudo, o cepticismo de Hume não é radical . Hume pensa que não podemos deixar de acreditar na ideia de regularidade constante dos fenómenos porque, sem essa crença , a vida seria impraticável . ● É importante notar que Hume nunca pretendeu com a sua crítica afirmar que não há relações causais no mundo . Não negou o princípio Não há efeito sem causa. Unicamente afirmou que não podemos racionalmente justificar uma tal crença .
  43. 43. Conclusão <ul><li>O conhecimento é possível? </li></ul>O conhecimento entendido como relação de ideias é possível. As verdades lógicas e matemáticas provam-no. Contudo, o conhecimento de factos, baseado na ideia de causa, não tem justificação empírica ou racional. A ideia de causa unicamente corresponde a um sentimento interno (hábito), sendo destituída de objectividade.
  44. 44. Conclusão b) A razão dá-nos conhecimentos acerca da realidade independentemente da experiência? Não. Todo o conhecimento do que existe e acontece no mundo deriva da experiência, embora esta não possa garantir objectividade aos nossos conhecimentos.
  45. 45. Conclusão c) Qual a extensão do nosso conhecimento? Até onde pode ir o nosso conhecimento? Podemos conhecer a realidade tal como é em si mesma? O nosso conhecimento não pode estender-se para lá do que é dado na experiência. Se a uma ideia não corresponde uma impressão sensível, não podemos falar de conhecimento objectivo. É o caso da ideia de causa que usamos nas ciências e no dia-a-dia. Julgamos que um fenómeno é a causa de outro, mas da relação causal ou conexão necessária entre dois acontecimentos não temos qualquer impressão sensível. Só desses acontecimentos temos percepção sensível, mas não da relação causal que supostamente os liga.
  46. 46. Conclusão d) Como é justificado o conhecimento? O conhecimento de facto seria, em princípio, justificado pela experiência, dadas as bases empiristas da filosofia de Hume. Contudo, ele é, em geral, um conjunto de expectativas que mais tarde ou mais cedo podem ser desmentidas, não podendo ser desmentidas, não podendo ser justificado nem dedutiva nem indutivamente.
  47. 47. O empirismo de David Hume <ul><li>Todo o nosso conhecimento de factos depende da experiência </li></ul>TESE FUNDAMENTAL AS RELAÇÕES ENTRE IMPRESSÕES E IDEIAS AS CONDIÇÕES DA OBJECTIVIDADE DO CONHECIMENTO Todas as nossas ideias derivam directa ou indirectamente de impressões sensíveis. São cópias enfraquecidas destas. Uma ideia só tem objectividade se for possível indicar a impressão de que é cópia. Não podemos falar de conhecimento objectivo a não ser quando às ideias correspondem impressões sensíveis. Não podemos conhecer algo de que não temos impressão sensível. Logo, o nosso conhecimento do que acontece no mundo não pode basear-se em algo que não faça parte do mundo. OS LIMITES DO CONHECIMENTO DE OBJECTOS
  48. 48. O empirismo de David Hume <ul><li>Os conhecimentos de questões de facto – do que </li></ul><ul><li>acontece no mundo – consiste em descobrir as causas </li></ul><ul><li>de certos efeitos. Mas a ideia de causa – de conexão </li></ul><ul><li>necessária entre fenómenos – não obedece ao </li></ul><ul><li>princípio da cópia. Não temos nenhuma impressão </li></ul><ul><li>sensível desta conexão, mas unicamente da conjunção </li></ul><ul><li>e sucesso temporal de acontecimentos. </li></ul>O CONHECIMENTO NÃO É OBJECTIVO OU RACIONALMENTE JUSTIFICÁVEL A ideia de causa é uma crença subjectiva que nos diz como funciona a nossa mente e não propriamente como funciona o mundo. Resulta de um hábito: estamos habituados a pensar que, como não há efeito sem causa, mal acontece A, daí resultará necessariamente B. A IDEIA DE CAUSA É RACIONAL E EMPIRICAMENTE INJUSTIFICÁVEL
  49. 49. O empirismo de David Hume <ul><li>Acreditar que não há efeito sem causa é uma crença necessária para que a nossa vida não seja a inquietante e paralisante expectativa de que nada será como tem sido. Mas pouco mais é do que um desejo de segurança e de previsibilidade que julgamos corresponder ao modo como as coisas são. </li></ul>A IDEIA DE CAUSA É SUBJECTIVAMENTE NECESSÁRIA Todo o conhecimento depende da experiência e a esta se limita, mas nenhuma verdade objectiva podemos alcançar acerca dos factos. CONCLUSÃO
  50. 50. O racionalismo crítico de Kant <ul><li>Para Kant conhecimento é um facto indiscutível. Todavia Kant pergunta como é possível o conhecimento? </li></ul><ul><li>A resposta aborda os seguintes temas: </li></ul><ul><li>Qual a origem do conhecimento e como começa ele? </li></ul><ul><li>De onde deriva, ou seja, qual o fundamento da sua validade? </li></ul><ul><li>Quais as faculdades envolvidas no processo cognitivo e que papel desempenham? </li></ul><ul><li>O que posso conhecer, ou seja, quais os limites do conhecimento? </li></ul>
  51. 51. A resposta de Kant <ul><li>Traços gerais da resposta Kantiana: </li></ul><ul><li>1. Todo o conhecimento começa com a experiência </li></ul><ul><li>2. O conhecimento cientifico não deriva da experiência, </li></ul><ul><li>mas sim de certas formas a priori do sujeito que conhece; </li></ul><ul><li>3. O conhecimento científico, embora não tenha o seu </li></ul><ul><li>fundamento na experiência começa com ela e por isso só </li></ul><ul><li>pode ser conhecimento de realidades empíricas ou </li></ul><ul><li>sensíveis. </li></ul>Immanuel Kant 1724-1804
  52. 52. Todo o conhecimento começa com a experiência: importância da sensibilidade <ul><li>Como começa o conhecimento? </li></ul><ul><li>Começa com a intuição, acto pelo qual recebemos dados ou </li></ul><ul><li>algo para conhecer. </li></ul><ul><li>Quais as condições que tornam possível o acto de intuir? </li></ul><ul><li>A intuição está condicionada por duas formas, sendo elas </li></ul><ul><li>estruturas da sensibilidade, o Espaço e o Tempo. </li></ul><ul><li>Conclusão </li></ul><ul><li>Só temos intuição de realidades sensíveis ou empíricas, ou seja, </li></ul><ul><li>de realidades que podemos espacializar e temporalizar. </li></ul>
  53. 53. Derivação do conhecimento e sua validade <ul><li>O conhecimento científico não deriva da experiência, mas </li></ul><ul><li>sim de formas a priori do sujeito que conhece . </li></ul><ul><li>O conhecimento científico em sentido estrito é explicativo. </li></ul><ul><li>O entendimento só conhece cientificamente quando aplica o conhecimento de causa. </li></ul><ul><li>Conceito de causa: Permite estabelecer relações de dependência </li></ul><ul><li>entre dois fenómenos, transformando um em causa e o outro em efeito. Kant define conceito de causa como uma forma a priori com a qual o entendimento está equipado. </li></ul>
  54. 54. Esquema da relação entre Sensibilidade e Entendimento <ul><li>Sensibilidade </li></ul><ul><li>Espacializa e Temporaliza </li></ul><ul><li>Aumento Dilatação </li></ul><ul><li>Determinado De um Corpo </li></ul><ul><li>De Temperatura </li></ul><ul><li>Estabelece a Relação causal entre os Fenómenos </li></ul><ul><li> Entendimento </li></ul>Antes Depois Causa Efeito
  55. 55. Os limites do conhecimento <ul><li>Como é que as coisas se podem relacionar comigo? </li></ul><ul><li>Se eu as puder espacializar e temporalizar mediante as formas da </li></ul><ul><li>minha sensibilidade. </li></ul><ul><li>Todos os conhecimentos estão limitados aos dados da intuição empírica ou sensível. </li></ul><ul><li>Os dados sensíveis são o que a sensibilidade coloca ao dispor do entendimento e do seu conceito por excelência: o conceito de causa. </li></ul><ul><li>O conceito de causa está limitado aos dados sensíveis, só funciona dentro de limites espácio-temporais. </li></ul><ul><li>Só podemos atribuir a propriedade de causar a algo que também seja fenómeno. </li></ul>
  56. 56. A distinção fenómeno-númeno <ul><li>Só podemos conhecer mediante o conceito de causa aquilo que nos é dado pela sensibilidade, ou, seja, aquilo que podemos intuir. Só das realidades enquadráveis no espaço e no tempo podemos ter conhecimento científico. </li></ul>Fenómeno Númeno O objecto do nosso conhecimento. Mediante a sensibilidade sabemos que acontece algo e mediante o entendimento sabemos porque acontece algo. Toda a realidade que transcende a nossa capacidade de conhecimento, mas que não podemos, apesar disso, afirmar que não existe.
  57. 57. A razão e os limites do conhecimento – a realidade e o ideal <ul><li>O que o conhecimento consegue no plano do conhecimento não satisfaz a razão . </li></ul><ul><li>A razão, devido à sua vontade de conhecimento absoluto, exige que encontremos o que é incondicionado (não quer dizer que exista ou se possa alcançar). </li></ul><ul><li>O desejo de absoluto formado pela razão, torna-se útil à actividade científica . </li></ul><ul><li>Essa utilidade consiste em regular a actividade cognitiva do entendimento . </li></ul><ul><li>Dizer que a razão tem um uso regulador quer dizer que ela vai estabelecer uma regra que oriente a actividade epistémica ou científica do entendimento . </li></ul>
  58. 58. A razão e os limites do conhecimento – a realidade e o ideal <ul><li>O que diz essa regra? Como contribui ela para o processo de conhecimento? </li></ul><ul><li>Essa regra geral diz o seguinte: &quot;Conhece como se fosse possível atingir o conhecimento absoluto&quot;. </li></ul>
  59. 59. A razão e os limites do conhecimento – a realidade e o ideal <ul><li>O conhecimento absoluto simbolizado por Deus, é um ideal irrealizável. Contudo, querer realizá-lo tem consequências positivas. Com efeito, o entendimento, ao procurá-lo, vai considerar sempre provisórios os seus conhecimentos, não se satisfará nunca com as explicações alcançadas. E, de explicação em explicação, vai progredindo no conhecimento do mundo dos fenómenos, como se um dia fosse possível explicá-lo definitiva e totalmente. Porque é, no fundo, esse o desejo do cientista: encontrar a chave que decifre o enigma que é o universo e não só este ou aquele aspecto do universo. </li></ul>
  60. 60. Conclusão <ul><li>O conhecimento é possível? </li></ul>Kant não duvida em momento algum da possibilidade do conhecimento. A sua questão é saber como ele é possível.
  61. 61. Conclusão b) A razão dá-nos conhecimentos acerca da realidade independentemente da experiência? Esclarecido o âmbito legítimo de aplicação do conhecimento, como ele começa e de onde deriva, podemos criticar a razão que pretende, no que respeita ao conhecimento, ser pura. O conhecimento exige o contributo da sensibilidade. Ao contrário de Descartes, Kant não admite a possibilidade de um conhecimento puramente racional. A razão pura – desligada da experiência – nada conhece porque nada encontra para conhecer. Só ligada à sensibilidade – e nesse caso tem o nome de entendimento – a razão pode conhecer objectos. Nenhuma faculdade pode conhecer seja o que for sozinha, por si só.
  62. 62. Conclusão c) Qual a extensão do nosso conhecimento? Até onde pode ir o nosso conhecimento? Podemos conhecer a realidade tal como é em si mesma? Se só por meio da sensibilidade o entendimento pode referir-se às coisas e encontrar a matéria do seu conhecimento devemos concluir que conhecer realidades que ultrapassem o plano espácio-temporal, que estão fora do alcance da nossa sensibilidade, é impossível. Essas realidades metafísicas, não sendo objectos da nossa intuição, não poderão ser também objectos de conhecimento científico. O conhecimento científico, embora não derive da experiência, começa com ela e por isso só pode ser conhecimento de realidades empíricas ou sensíveis.
  63. 63. Conclusão d) Como é justificado o conhecimento? Uma crença verdadeira será conhecimento e não uma mera opinião se aos nossos conceitos corresponder a intuição empírica adequada. Não se pode justificar a proposição «Deus existe» porque não lhe corresponde qualquer intuição empírica. Estamos equipados com estruturas que nos permitem o conhecimento – as formas do espaço e do tempo, que dão objectos e as formas do entendimento, que conhecem objectos -, desde que essa actividade não pretenda transcender o plano dos objectos naturais.
  64. 64. O racionalismo crítico de Kant <ul><li>Kant pretende explicar como é possível o conhecimento. </li></ul>PROJECTO RAZÃO DE SER DO PROJECTO COMO COMEÇA O CONHECIMENTO DE ONDE DERIVA O CONHECIMENTO Mostrar se é possível um conhecimento puramente racional, se todo o conhecimento é verdadeiro ou se nenhuma destas teses é verdadeira. O conhecimento começa com a experiência. É a sensibilidade que nos dá objectos para conhecer. Tudo começa com a espacialização e temporalização dos dados da intuição empírica. A sensibilidade unicamente sabe que os fenómenos acontecem num dado momento e num certo lugar. Só o entendimento compreende o que um fenómeno tem a ver com outro. Só ele pode explicar – mediante o conceito de causa, forma a priori presente em todo o o entendimento humano – a que se deve determinado acontecimento.
  65. 65. O racionalismo crítico de Kant <ul><li>Como precisamos de objectos para que haja conhecimento e como a sensibilidade nos dá objectos, mesmo que o conhecimento não derive da experiência, começa com ela. Só há conhecimento de objectos empíricos. A explicação de um fenómeno ou objecto empírico é sempre outro fenómeno . </li></ul>ATÉ ONDE PODE IR O NOSSO CONHECIMENTO A razão deve aceitar que não há conhecimento puramente racional e que toda a actividade de conhecimento se desenvolve dentro do plano empírico, dos objectos que as formas do espaço e do tempo tornam possível intuir. Mas procura que o entendimento aja como se fosse possível encontrar a explicação de todos os fenómenos do mundo . ESTA LIMITAÇÃO NÃO SATISFAZ A RAZÃO
  66. 66. O racionalismo crítico de Kant <ul><li>A razão, ao apontar para esta meta ideal, dá ao </li></ul><ul><li>entendimento uma regra de investigação: este </li></ul><ul><li>nunca se deve satisfazer com as explicações que </li></ul><ul><li>alcança porque explicar um fenómeno através de </li></ul><ul><li>outro é ficar aquém do ideal. Explicar tudo o que </li></ul><ul><li>acontece no mundo (todos os fenómenos) exige </li></ul><ul><li>uma causa que não está no próprio mundo. Essa </li></ul><ul><li>causa seria Deus, ideal máximo da razão porque representa o conhecimento absoluto. </li></ul>A UTILIDADE DA RAZÃO Sem experiência não há objectos para conhecer, mas o nosso conhecimento não é meramente empírico porque nos dá a causa do que acontece. CONCLUSÃO

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