AS MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY
PREFÁCIO
POR James H. Fairchild
Presidente da Faculdade Oberlin, 1876
O autor da narrativ...
A VERDADE DO EVANGÉLHO
MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY
CAPÍTULO I.
NASCIMENTO E EDUCAÇÃO INFANTIL
DEUS tem se aprazido em li...
Todos que já testemunharam avivamentos poderosos têm a consciência de que muitos
casos de conversão e convicção acontecem ...
meus dezesseis anos, creio eu; e avancei até ser considerado capaz de lecionar em
uma escola pública, nas normas em que er...
a fim de que fossem mencionadas durante a leitura de seu sermão. Para isso, era
necessário que ele segurasse a bíblia com ...
comecei a ler e meditar sobre ela muito mais do que jamais havia feito em uma vida.
Entretando, não compreendia muito dela...
Eles exortavam uns aos outros a acordarem e se comprometerem, e a orar
sinceramente por um avivamento religioso, pensando ...
A VERDADE DO EVANGÉLHO
MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY
CAPÍTULO II.
CONVERSÃO A CRISTO
Numa noite de sábado, no outono de 18...
maneira que não levantasse nenhuma suspeita, para ninguém, que eu procurava a
salvação da minha alma.
Naquela noite de ter...
Mas quando eu tentei, vi que meu coração não ia. Eu tinha suposto que se eu podesse
somente estar onde eu pudesse falar al...
Eu nunca poderei, em palavras, fazer qualquer ser humano entender quão preciosas
aquelas promessas se mostraram a mim. Tom...
causar um transbordar de minha sensibilidade. Maravilhei-me com isso e tentei conter
minhas lágrimas, mas não consegui. Ap...
Essas ondas vinham sobre mim, e sobre mim, e uma após a outra, até que me recordo
ter dito, “Senhor, eu morrerei se essas ...
Quando eu acordava, essa tentação voltava sobre mim, e o amor que parecia estar em
meu coração se abatia, mas logo que eu ...
A VERDADE DO EVANGÉLHO
MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY
CAPÍTULO III.
O COMEÇO DE SUA OBRA
Nessa manhã que falei, desci para ...
Mas agora após receber esses batismos do Espírito, eu estava muito desejoso de
pregar o Evangélho. Não, na verdade descobr...
vim a saber que antes de tudo isso, alguns membros da igreja haviam proposto que eu
fosse colocado como um assunto específ...
que, por mais de uma semana, não tinha a mínima vontade de dormir ou comer. Eu
parecia literalmente ter uma carne para com...
continuava a levá-lo ele começou a levantar a cadeira junto com seus calcanhares, e
deixá-la de volta no chão, e logo leva...
de onde eu pude ver, e vi o Juiz W de um lado para o outro, cantando o mais alto que
podia, e a toda hora ele parava e bat...
terminavam deixando uma impressão como essa em minha mente: “Olhai para que
ninguém o saiba”. Eu não entendia isso na époc...
quieto. Eu só conseguia ficar andando de um lado para o outro em minha sala,
agonizando. Voltei novamente para a casa de r...
quarto, a uma certa distância daquela casa, senti-me quase como se cambaleasse sob
o fardo que estava em minha mente, e eu...
legislatura, que são incompatíveis com tornar-me um cristão. E prometi não mais tratar
sobre esse assunto até que retorne ...
A VERDADE DO EVANGÉLHO
AS MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY
CAPÍTULO IV.
SUA EDUCAÇÃO DOUTRINÁRIA E OUTRAS EXPERIÊNCIAS EM ADA...
me convertera, mas também tinha um grande desejo de manter-me sob as estritas
linhas da teologia de Princeton.
Ele tinha a...
fazer com isso, e sentiam que os jovens estavam fora do que lhes era devido, ao serem
tão proativos e tão insistentes com ...
Eu tenho certeza que estava muito disposto a acreditar no que eu encontrasse na
bíblia, e assim o disse. Costumávamos ter ...
infinitamente cruel e absurda. Deus era amor, como poderia um Deus de amor punir o
homem eternamente?
Levantei-me em uma d...
As memórias de charles g. finney   cap 1 a 15
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As memórias de charles g. finney cap 1 a 15

  1. 1. AS MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY PREFÁCIO POR James H. Fairchild Presidente da Faculdade Oberlin, 1876 O autor da narrativa a seguir explica suficientemente sua origem e propósito nas páginas iniciais. Ele deixou os manuscritos à disposição de sua família, sem nunca ter decidido por si só se valia a pena publicá-los. Muitos de seus amigos, ao saberem de sua existência, ansiaram pela publicação, e seus filhos, cedendo à exigência geral, entregaram o manuscrito para a Faculdade Oberlin com esse propósito. Ao disponibilizá-lo para o público, é extremamente necessário que o apresentemos essencialmente como foi encontrado. Nenhuma liberdade pode ser tomada com ele para modificar as visões ou declarações que podem às vezes parecer extremadas ou parciais, ou mesmo para seguir um estilo que, embora às vezes áspero, é sempre dramático e eloqüente. Poucos homens mereceram mais o direito de exprimir seus próprios pensamentos, em suas próprias palavras. Esses pensamentos e palavras são o que os muitos amigos do Sr. Finney desejarão. As únicas mudanças que pareceram aceitáveis foram omissões ocasionais, para evitarmos repetições desnecessárias, ou detalhes por demais minuciosos, ou, às vezes, referências que possam parecer distintamente muito pessoais. A narrativa é, em sua própria natureza, pessoal, envolvendo experiências de ambos o autor e daqueles que tiveram envolvimentos com as mesmas. O manuscrito deve seu valor e interesse, em grande parte, a essas experiências pessoais. Sendo que a narrativa apresenta as memórias e anseios de um pastor veterano, com uma paixão por ganhar almas, espera-se e acredita-se que, em suas referências pessoais, o conteúdo não será considerado como além dos limites cristãos apropriados. Para quase tudo, a idade do texto descarta todas as perguntas. Em uma ou outra parte, talvez, as declarações podem parecer inadequadas, como se envolvessem apenas uma visão parcial dos fatos. Será lembrado que tais pontos de vista são parte de uma observação e opinião totalmente pessoal, e cada uma terá naturalmente a correção que parece necessária. J. H. F. FACULDADE OBERLIN, Janeiro, 1876.
  2. 2. A VERDADE DO EVANGÉLHO MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY CAPÍTULO I. NASCIMENTO E EDUCAÇÃO INFANTIL DEUS tem se aprazido em ligar meu nome e meus trabalhos a um grande movimento na igreja de Cristo, considerado por alguns como uma nova era em seu progresso, especialmente em relação a avivamentos religiosos. Sendo que esse movimento envolve consideravelmente o desenvolvimento de visões da doutrina cristã não muito comuns, e apareceu por mudanças nos meios de transmitir o trabalho de evangelização, era natural que alguns receios desnecessários permanecessem a respeito dessas declarações modificadas de doutrina e do uso desses novos meios; e que conseqüentemente, todos os bons homens devem questionar, até certo ponto, a sabedoria de tais meios e a solidez dessas declarações teológicas; e que homens que não são de Deus deveriam irritar-se, e por algum tempo deveriam se opor arduamente a esses grandes movimentos. Já me referi a mim mesmo como ligado a esses movimentos; mas apenas como um dos muitos ministros e outros servos de Cristo, que têm compartilhado proeminentemente na realização dos mesmos. Tenho consciência de que tenho sido considerado um inovador por uma certa porção da igreja, tanto em relação às doutrinas quanto aos meios; e que muitos têm olhado para mim como um tanto proeminente, especialmente por enfrentar algumas das velhas formas teológicas de pensamento e expressão, e por declarar as doutrinas do Evangélho e muitos assuntos que dizem respeito a ele em uma nova linguagem. Fui especialmente importunado, por vários anos, por amigos que conhecera naqueles avivamentos que envolveram meu nome e trabalho, para que escrevesse a história deles. Sendo que tantos temores desnecessários permaneceram em relação a esses movimentos, acredita-se que a verdade da história exige uma declaração de minha parte das doutrinas que foram pregadas, até onde eu sabia; dos meios usados, e dos resultados da pregação dessas doutrinas e do uso desses meios. Minha mente parece instintivamente recuar de falar tanto sobre mim mesmo quanto se faz necessário, se eu falar honestamente sobre tais avivamentos e sobre minha relação com eles. Por este motivo, recusei, até o presente momento, aceitar tal trabalho. Há pouco tempo, os membros do conselho diretor da Faculdade Oberlin expuseram a mim esse assunto mais uma vez, insistindo que eu aceitasse. Eles, juntamente com inúmeros amigos neste país e na Inglaterra, insistiam que isso era pela causa de Cristo, que um entendimento melhor do que o que então havia, deveria existir na igreja, principalmente no que dizia respeito aos avivamentos que aconteceram no centro de Nova Iorque e demais lugares, de 1821 em diante, por vários ano, pois tais avivamentos tiveram muita oposição e errôneas representações. Abordo o assunto, devo dizer, com relutância, por muitas razões. Não mantive nenhum tipo de diário, conseqüentemente, devo depender de minha memória. É verdade que minha memória e naturalmente muito tenaz, e que os eventos que testemunhei nos avivamentos religiosos ficaram fortemente marcados em minha mente; lembro-me também, detalhadamente, muitos mais do que os que terei tempo para comunicar.
  3. 3. Todos que já testemunharam avivamentos poderosos têm a consciência de que muitos casos de conversão e convicção acontecem diariamente, de grande interesse para o povo no meio de quem eles ocorrem. Onde todos os fatos e circunstâncias são conhecidos, por vezes, um efeito empolgante é produzido; e tais casos são freqüentemente tão numerosos que se todos os fatos altamente interessantes de um mesmo avivamento, em uma única localidade, fosse narrado, preencheria incontáveis páginas. Não proponho seguir este curso no que estou prestes a escrever. Farei tao somente um desenho de contorno tal que, num todo, dará uma idéia clara e tolerável do tipo que esses avivamentos assumiram; e que relatará apenas algumas das específicas situações de conversão que ocorreram em diferentes lugares. Devo também empenhar-me para dar conta das doutrinas que foram pregadas, e dos meios que foram utilizados, e mencionar tais fatos em linhas gerais, de maneira a possibilitar que a igreja de agora em diante, pelo menos parcialmente, estime o poder a pureza daqueles grandes trabalhos de Deus. Mas hesito em escrever uma narrativa daqueles avivamentos, pois por muitas vezes me surpreendo com o quanto minhas próprias lembranças dos fatos diferem das de outras pessoas que estavam em meio à tais cenas. Claro que devo declarar os fatos como lembro-me deles. Vários daqueles eventos já foram usados por mim como referência em pregações, como ilustrações da verdade que eu estivesse apresentado ao povo. Já fui tão lembrado deles e já me referi tanto a eles ao longo de todos os meus anos de ministério que não posso não ter uma forte confiança de que lembro-me substancialmente deles como ocorreram. Se por qualquer motivo eu falhar da descrição desses fatos, ou se em algum momento minhas memórias em muito se distanciarem das dos outros, creio que a igreja acreditará que minhas declarações estão inteiramente de acordo com a minha lembrança de tais fatos. Eu tenho hoje (1867-68) setenta e cinco anos de idade. É claro que me lembro de coisas que se passaram há mais tempo mais definidamente do que de eventos recentes. No que diz respeito às doutrinas pregadas, até onde sei, e aos meios usados para promover os avivamentos, não creio que eu possa estar errado. Para dar conta de forma inteligível das partes para as quais fui chamado para agir em tais cenas, é necessário que eu conte um pouco da história da maneira pela qual acabei por adotar as visões doutrinárias que há tanto tempo tenho e prego, e que têm sido consideradas por muitas pessoas como censuráveis. Devo começar contando rapidamente sobre meu nascimento, primeiras condições e educação, minha conversão a Cristo, meu estudo de teologia e o ingresso no trabalho ministerial. Que seja lembrado que não estou prestes a escrever uma autobiografia; e não entrarei com mais detalhes relacionados a minha vida pessoal do que o que parecer necessário para dar conta de forma inteligível, da maneira em que fui levado, no que diz respeito a esses grandes movimentos da igreja. Nasci em Warren, no condado de Litchfield, Connecticut, em 29 de agosto de 1792. Por volta de meus dois anos de idade, meu pai mudou-se para o condado de Oneida, em Nova Iorque, que era, na época, em grande parte uma floresta. O povo não gozava de nenhum privilégio religioso. Havia pouquíssimos livros religiosos. Os novos estabelecidos, sendo a maioria vinda da Nova Inglaterra, estabeleceram quase que imediatamente escolas públicas; mas tinham entre si pouquíssima pregação inteligente do Evangélho. Eu gozei dos privilégios de um colégio público, do verão e do inverno até
  4. 4. meus dezesseis anos, creio eu; e avancei até ser considerado capaz de lecionar em uma escola pública, nas normas em que eram então conduzidas. Nenhum de meus pais era professor de religião e, eu creio que, entre nossos vizinhos, haviam poucas pessoas religiosas. Eu raramente ouvia um sermão, a menos que fosse um ocasional, de algum ministro viajante, ou de alguma posse miserável de um pregador ignorante que por vezes podia-se encontrar naquele país. Lembro-me tão bem que a ignorância dos pregadores que ouvia era tanta, que as pessoas ao voltarem da reunião gastavam um tempo considerável com gargalhadas irrepreensíveis dos estranhos erros cometidos e os absurdos expostos. Na vizihança da casa de meu pai, tinhamos acabado de erguer um local para reuniões e estabelecer um ministério quando meu pai foi levado a mudar-se novamente para um local inexplorado, nas proximidades da margem sul do Lago Ontario, pouco mais ao sul do porto de Sacketts. Aqui vivi novamente vários anos com privilégios religiosos não diferentes dos que eu gozava no condado de Oneida. Quando eu tinha aproximadamente vinte anos de idade, voltei para Connecticut, e de lá fui para Nova Jersey, perto da cidade de Nova Iorque, e comecei a lecionar. Eu lecionava e estudava fazendo meu melhor, e duas vezes retornei à Nova Inglaterra para lecionar em um colégio por um ano letivo. Enquanto trabalhava para o colégio, meditava sobre ir para a faculdade de Yale. Meu mentor era formado em Yale, mas aconselhou-me a não ir. Disse-me que seria uma perda de tempo, pois eu conseguiria facilmente cumprir toda a grade curricular ensinada naquela instituição em apenas dois anos, enquanto que em Yale, levaria quatro anos para me formar. As considerações que ele apresentou marcaram-me de tal forma que desisti de prosseguir com minha educação a partir de então. Contudo, mais adiante adqüiri algum conhecimento de latim, grego e hebraico. Mas nunca fui um estudante tradicional, e nunca tive conhecimento suficiente das línguas antigas a ponto de achar-me capaz de criticar independentemente nossa tradução para o inglês da Bíblia. O professor a quem me referi me convidou a unir-me a ele na direção de uma academia em um dos estados do sul. Estava disposto a aceitar sua proposta, com o plano de prosseguir e completar minha educação sob sua tutela. Mas quando transmiti notícia a de uma possível mudança para o sul a meus pais, que já não via há quatro anos, ambos vieram imediatamente a meu encontro, e convenceram-me a ir para casa com eles, no condado de Jefferson, em Nova Iorque. Depois de fazer uma visita a eles, decidi ingressar, como estudante, no escritório de advocacia Do Juiz W, em Adams, naquele mesmo condado. Isso ocorreu em 1818. Até esse momento, eu nunca havia desfrutado do que se pode chamar de privilégios religiosos. Nunca tinha vivido em uma comunidade de oração, exceto pelos períodos nos quais trabalhei no colégio na Nova Inglaterra; e a religião naquele lugar era de um tipo que de maneira nenhuma conseguia me prender a atenção. A pregação era feita por um velho senhor do clero, um homem excelente, muito amado e venerado por seu rebanho, mas ele lia seus sermões de maneira que não marcavam de maneira alguma minha mente. Ele tinha um meio monótono e enfadonho o que ele havia escrito provavemente anos antes. Para dar uma idéia do que ele pregava, deixe-me dizer que seus manuscritos eram grandes o suficiente para completarem uma pequena bíblia. Eu me sentava no mesanino, e observava que ele colocava seus manuscritos no meio de sua bíblia, e colocava seus dedos nos lugares onde as passagens eram encontradas nas Escrituras,
  5. 5. a fim de que fossem mencionadas durante a leitura de seu sermão. Para isso, era necessário que ele segurasse a bíblia com ambas as mãos, fazendo qualquer gesticulação impossível. Conforme prosseguia, ele lia as passagens das Escrituras onde seus dedos marcavam, liberando assim um dedo de cada vez, até que ambas as mãos estivessem livres. Quando já tivesse “lido todos os dedos”, ele estava perto do final do sermão. Sua leitura era toda monótona e sem paixão; e apesar de as pessoas assistirem atentamente e com reverência, ainda assim devo confessar, para mim não era muito bem uma pregação. Quando saíamos da reunião, por vezes ouvia as pessoas falarem bem de seu sermão, e algumas vezes até se perguntavam sobre a possibilidade de uma alusão ao que ocorria no meio deles ter sido feita pelo que ele dissera. Parecia sempre uma curiosidade comum saber qual era o objetivo dele, especialmente se havia alguma coisa a mais em seu sermão do que uma discussão seca sobre doutrina. E isso era de fato o melhor que eu já tinha ouvido, em termos de pregações, do que em qualquer outro lugar. Mas qualquer um pode julgar se tais pregações eram feitas para instruir ou chamar o interesse de um jovem que não sabia nem se importava em nada quanto à religião. Quando eu lecionava em Nova Jersey, as pregações nas redondezas eram mormente feitas em alemão. Creio que não cheguei a escutar meia dúzia de sermões em inglês durante todo o tempo que estive em Nova Jersey, que foi aproximadamente três anos. Assim, quando fui para Adams para estudar direito, era quase tão ignorante em religião quanto um gentio. Praticamente cresci em lugares inexplorados. Não tinha quase que consideração alguma pelo guardar o sábado, e não tinha nenhum conhecimento definido sobre a verdade religiosa. Em Adams, pela primeira vez, sentei e ouvi com atenção, por um bom tempo, um ministro culto. Reverendo George W. Gale, de Princeton, Nova Jersey, tornou-se, logo após minha chegada lá, o pastor da Igreja Presbiteriana local. Suas pregações eram pelo método antigo, isto é, eram detalhadamente Calvinistas, e sempre que ele falava sobre as doutrinas, o que raramente fazia, ele pregava aquilo que se tem chamdo de hiper-Calvinismo. Ele era, é claro, considerado altamente ortodoxo, mas eu não consegui obter muita instrução por suas pregações. Como algumas vezes disse a ele, para mim, ele parecia começar pelo meio de seu discurso, e presumia muitas coisas que para a minha mente, ainda precisavam ser provadas. Ele parecia presumir que seus ouvintes eram teólogos, e que portanto ele podia presumir que conhecessem todas as grandes e fundamentais doutrinas do evangélho. Mas eu devo dizer que ficava mais perplexo do que edificado por suas pregações. Eu nunca, até esse momento, tinha vivido em um lugar onde pudesse participar de uma reunião de oração fixa. Já que uma dessas reuniões acontecia toda semana em uma igreja próxima a nosso escritório, eu costumava ir e escutar as orações, sempre que conseguia ser liberado do trabalho naquela hora. No estudo da lei elementar, encontrei antigos autores que freqüentemente mencionavam as Escrituras, e referindo-se especialmente às Instituições de Moisés, como autoridade para muitos dos grandes princípios da lei comum. Isso instigou tanto minha curiosidade que foi comprar uma bíblia, a primeira que já tive; e sempre que eu encontrava uma referência à bíblia pelos autores da lei, ia até a passagem e a consultava em suas conexões. Isso logo me levou a ter um novo interesse pela bíblia, e
  6. 6. comecei a ler e meditar sobre ela muito mais do que jamais havia feito em uma vida. Entretando, não compreendia muito dela. Sr. Gale tinha o hábito de aparecer freqüentemente em nosso escritório, e parecia ansioso para saber qual fora a impressão de seus sermões em minha mente. Eu costumava conversar abertamente com ele, e agora penso que algumas vezes o critiquei sem pena. Eu levantava objeções contra seus positionamentos conforme os forçava sob minha própria atenção. Ao conversar com ele e questioná-lo, percebi que sua mente era, como eu pensava, mistificada, e que ele não definia com exatidão, para si mesmo, o que queria dizer com muitos dos termos importantes que usava. De fato achei impossível dar qualquer significado a muitos dos termos que ele usava com grande formalidade e freqüência. O que ele queria dizer com repetância? Será que era um mero sentimento de culpa pelo pecado? Será que era um estado absoluto de passividade da mente, ou será que evolvia algum elemento voluntário? Se fosse uma mudança de mente, seria uma mudança a respeito de quê? O que ele queria dizer com o termo regeneração? O que tal linguagem significava quando se tratava de uma mudança espiritual? O que ele quiria dizer com fé? Será que era meramente um estado intelectual? Meramente uma convicçao, ou persuasão, de que as coisas declaradas no Evangélho eram verdade? O que ele queria dizer com santificação? Será que alguma mudança física estava envolvida no assunto, ou alguma influência física da parte de Deus? Eu não sabia, e nem ele parecia conseguir entender para si mesmo o sentido no qual usava esses e outros termos similares. Tivemos muitas conversas interessantes, mas elas pareciam mais estimular minha mente à questionar do que me satisfazer a respeito da verdade. Mas conforme eu lia minha bíblia e ia às reuniões de oração, ouvia o Sr. Gale pregar e conversava com ele, com os presbíteros da igreja, e com outros de tempos em tempos, tornei-me incansável. Uma pequena consideração convencera-me de que de maneira alguma eu tinha uma mente pronta para ir para o céu caso eu morresse. Para mim, parecia haver algo na religião de importância infinita, e logo tive a convicção de que se a alma é imortal, eu precisava de uma grande mudança no meu estado introspectivo para poder estar preparado para a felicidade no céu. Mas ainda assim, minha mente não estava convencida quanto à veracidade ou falsidade do Evangélho e do Cristianismo. A dúvida, no entanto, era importante demais para me permitir descansar enquanto ainda havia qualquer incerteza no assunto. Eu tinha receio em especial em virtude do fato de que as orações que eu ouvia toda semana, não eram, que eu pudesse ver, respondidas. De fato, eu conseguia entender pela maneira com que se expressavam nas orações, e por outros detalhes em suas reuniões, que aqueles que declaravam tais orações não as consideravam como respondidas. Quando eu li minha bíblia aprendi o que Cristo disse em relação à oração, e às repostas às orações. Ele disse “Pedí e dar-se-vos-á, buscai e achareis, batei e abrir-se- vos-á. Porque aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, se abre.” Também li que Cristo afirma, que Deus está mais desejoso de dar o Seu Santo Espírito àqueles que pedem a Ele, do que pais humanos estão de darem bons presentes a seus filhos. Eu os ouvi orando continuamente pelo derramamento do Espírito Santo, e não muitas vezes confessarem que não haviam recebido o que pediram.
  7. 7. Eles exortavam uns aos outros a acordarem e se comprometerem, e a orar sinceramente por um avivamento religioso, pensando que se fizessem seus deveres, orassem pelo derramamento do Espírito, e fossem sinceros, que o Espírito de Deus seria derramado, que eles teriam um avivamento, e que os não arrepedidos seriam convertidos. Mas em suas orações e reuniões de conferência eles confessavam continuamente, consideravelmente, que não tinham feito nenhum progresso no alcançar de um avivamento. Essa inconsistência, o fato que oravam tanto e não eram respondidos, era uma triste pedra de tropeço para mim. Eu não sabia o que fazer dela. Era uma pergunta em minha mente se eu devia compreender que estas pessoas não eram verdadeiramente cristãs, e conseqüentemente não permaneciam com Deus; ou será que entendi mal as promessas e os ensinos do bíblia nesse assunto, ou deveira eu concluir que a bíblia não era verdadeira? Havia algo inexplicável para mim; e pareceu, uma vez, que isso me quase me levou ao ceticismo. Parecia-me que os ensinamentos da bíblia não concordavam em nada com os fatos que estavam diante de meus olhos. Em uma ocasião, quando eu estava em uma das reuniões de oração, perguntaram-me se eu não desejava que orassem por mim! Eu lhes disse que não, porque não via que Deus respondia a suas orações. Eu disse, "suponho que eu necessito de oração, porque tenho consciência de que sou um pecador; mas não vejo que será bom que vocês orem por mim; pois vocês estão continuamente pedindo, mas não recebem. Vocês têm orado por um avivamente desde que estou em Adams, no entanto vocês não o tem. Vocês têm orado para que o Espírito santo desça sobre vós, e contudo queixam-se de sua escasses." Recordo-me de ter usado essa expressão naquela hora: "vocês já oraram o suficiente desde que assisto essas reuniões para terem banido o diabo para fora de Adams à base de oração, se houvesse alguma virtude em suas orações. Mas aqui estão vocês, continuam orando, e ainda se queixando." Eu fui completamente sério no que eu disse, e não estava nem um pouco irritado, eu penso que em conseqüência de ter sido trazido assim, continuamente, a cara à cara com a verdade religiosa; o que era um estado novo das coisas para mim. Mas em uma leitura mais adiante de minha bíblia, entendi que a razão porque suas orações não eram respondidas, era porque eles não viviam de acordo com as circunstâncias reveladas, sob as quais Deus tinha prometido responder às orações; que eles não oravam na fé, no sentido de esperar que Deus lhes desse as coisas que pediram. Esse pensamento, por algum tempo, ficou em minha mente como um questionamento confuso, ao invéz de alguma forma definitivo que poderia ser posta em palavras. Entretanto, isso me aliviou, no que dizia respeito à verdade do evangélho; e após esforçar-se nessa maneira por uns dois ou três anos, minha mente tornou-se certa de que apesar de qualquer mistificação que pudesse haver na minha mente, na mente do meu pastor, ou na mente da igreja, a bíblia era, não obstante, a verdadeira palavra de Deus. Isto estabelecido, dei-me cara à cara com a pergunta se eu aceitaria Cristo como apresentado no evangélho, ou se seguiria um percurso mais racional na vida. Nesse período, minha mente, desde que me lembro, estava tão impressionada pelo Espírito Santo, que eu não poderia deixar essa pergunta sem resposta, nem poderia hesitar por muito tempo entre os dois cursos de vida apresentados a mim.
  8. 8. A VERDADE DO EVANGÉLHO MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY CAPÍTULO II. CONVERSÃO A CRISTO Numa noite de sábado, no outono de 1821, tinha decidido resolver a questão da salvação da minha alma imediatamente, que se fosse possível, eu faria as pazes com Deus. Mas à medida que estava muito ocupado com os assuntos do escritório, eu sabia que sem uma grande firmeza de propósito, eu nunca resolveria efetivamente o assunto. Eu portanto, lá e então resolvi, na medida do possível, evitar todo negócio, e tudo que divergiria minha atenção, e dar me dedicar completamente ao trabalho de assegurar a salvação da minha alma. Eu executei essa decisão o mais austera e totalmente que pude. Eu era , no entanto, obrigado a ser um bom funcionário no escritório. Mas à medida que a providência de Deus age, eu estive pouco ocupado tanto na segunda quanto na terça-feira ; e tive a oportunidade de ler minha bíblia e ficar em oração a maior parte do tempo. Mas eu era muito orgulhoso sem sabê-lo. Eu tinha suposto que eu não tinha muita consideração pela opinião dos outros, se pensavam isso ou aquilo a respeito de mim; e eu tinha de fato sido bastante singular em ir às reuniões de oração, e na atenção que eu tinha prestado à religião, quando em Adams. Neste respeito eu não tinha sido assim único, como acabei por conduzir à igreja às vezes a pensar que que eu devia ser um ansioso questionador. Mas eu descobri, quando enfrentei a questão, que não era disposto que qualquer um soubesse que eu procurava a salvação de minha alma. Quando eu orava eu apenas sussurrava minha oração, após ter fechado o buraco da fechadura na porta, a fim de que ninguém descobrisse que eu estava em oração. Antes disso, eu tinha minha bíblia sobre a mesa, junto com os livros de direito; e nunca tinha- me ocorrido de envergonhar-me por ter sido encontrado lendo a bíblia, da mesma maneira que era encontrado lendo alguns de meus outros livros. Mas depois que eu tinha decidido ser sério no assunto de minha própria salvação, mantive minha bíblia, tanto quanto pude, fora de vista. Se eu estivesse lendo quando qualquer um entrasse, eu jogaria meus livros de direito por cima dela, para criar a impressão que eu não a tinha tido em minha mão. Em vez de ser extrovertido e de querer falar com todos e qualquer um sobre esse assunto como antes, encontrei-me sem vontade de conversar com ninguém. Eu não queria ver meu pastor, porque não queria que ele soubesse o que sentia, e não tinha confiança alguma de que ele compreenderia meu caso, e daria as respostas que eu precisava. Pelas mesmas razões eu evitei conversar com os presbíteros da igreja, ou com qualquer cristão. Por um lado eu tinha vergonha que eles soubessem como eu me sentia; e por outro, eu tinha medo que me mostrassem a direção errada. Senti-me limitado à bíblia. Durante segunda e terça-feira minhas convicções aumentaram; mas ainda parecia que meu coração se endurecia. Eu não podia verter uma lágrima; eu não poderia orar. Eu não tive nenhuma oportunidade de orar por meu próprio fôlego; e freqüentemente senti, que se pudesse estar sozinho num lugar onde pudesse usar minha voz e me soltar, eu encontraria alívio na oração. Eu era tímido, e evitava tanto quanto eu podia, falar a qualquer sobre qualquer assunto. Esforcei-me, entretanto, para fazer isso de uma
  9. 9. maneira que não levantasse nenhuma suspeita, para ninguém, que eu procurava a salvação da minha alma. Naquela noite de terça-feira eu fiquei muito nervoso; e durante a noite um sentimento estranho veio sobre mim como se eu estivesse a ponto de morrer. Eu sabia que se morresse iria direto para o inferno; mas aquietei-me o máximo que pude até a manhã. Bem cedo parti para o escritório. Mas logo antes de chegar lá, algo pareceu confrontar- me com perguntas como essas: De fato, parecia que o inquérito estava dentro de mim, como se uma voz interna me dissesse, "que você está esperando? Você não prometeu dar seu coração a Deus? E que você está tentando fazer? Está se esforçando para criar uma justiça própria?" Nesse exato momento todo o assunto da salvação do evangélho se abriu na minha mente de uma maneira mais que maravilhosa para mim. Eu penso que então vi, tão claro como jamais em minha vida, a realidade e totalidade da remissão de Cristo. Eu vi que seu trabalho era um trabalho terminado; e em vez de ter, ou de necessitar, justiça minha para recomendar-me a Deus, eu tinha que submeter-se à justiça de Deus através de Cristo. A salvação do evangélho pareceu-me ser uma oferta de algo ser aceitado; e que estava inteira e completa; e que tudo que era necessário em minha parte, era meu próprio consentimento de desistir de meus pecados, e aceitar Cristo. Salvação, pareceu-me, em vez de ser algo a ser feito para fora, por minhas próprias obras, era algo a ser encontrado inteiramente no Senhor Jesus Cristo, que se apresentou diante de mim como meu Deus e meu salvador. Sem estar plenamente ciente, eu tinha parado na rua bem onde a voz interna pareceu me cativar. Quanto tempo fiquei naquela posição não posso dizer. Mas depois que essa distinta revelação tinha ficado por algum tempo diante da minha mente, a pergunta pareceu ser colocada, "você aceita agora, hoje?" Eu respondi, "sim; eu aceito hoje, ou morrerei tentando." Ao norte da vila, depois de um monte, ficava uma parte de floresta, na qual eu tinha o hábito quase que diário de caminhar, mais ou mais menos, quando a temperatura era agradável. Era então outubro, e o tempo de minhas freqüentes caminhadas lá já passara. Não obstante, em vez de ir ao escritório, eu virei e mudei meu percurso para a mata, sentindo que eu devia estar sozinho, e afastado de todos os olhos e ouvidos humanos, de modo que eu pudesse derramar minha oração a Deus. Mas meu orgulho ainda devia mostrar-se. Enquanto eu ia por sobre o monte, ocorreu- me que alguém pudesse me ver e supôr que eu estava indo orar. Contudo provavelmente não havia uma pessoa sequer na Terra que suspeitaria tal coisa, mesmo que me tivesse visto. Mas meu orgulho era tão grande, e eu estava tão possuído pelo medo dos homens, que recordo que esgueirei-me ao longo da cerca, até que ficar tão longe de vista que nenhuma pessoa da vila poderia me ver. Eu então entrei na mata, penso que, uns quartocentos metros, passei para o outro lado do monte, e encontrei um lugar onde algumas árvores grandes tinham caído uma sobre a outra, deixando um lugar aberto no meio. Ali eu vi que poderia fazer um tipo do salinha. Eu rastejei para aquele lugar e ajoelhei-me para oração. Conforme eu ia entrando na floresta, recordo- me de ter dito, "eu darei a meu coração a Deus, ou nunca voltarei de lá." Lembro-me repetir isso conforme subia: "Eu darei meu coração para Deus antes que eu desça outra vez."
  10. 10. Mas quando eu tentei, vi que meu coração não ia. Eu tinha suposto que se eu podesse somente estar onde eu pudesse falar alto, sem ser ouvido, poderia orar livremente. Mas não! quando tentei, fui bobo; isto é, eu não tinha nada a dizer para Deus; ou ao menos eu poderia dizer algumas poucas palavras, e palavras sem coração. Na tentativa de orar eu ouvia um barulho entre as folhas, ou pensava que ouvia, e parava para ver se alguém não estava vindo. Isso eu fiz diversas vezes. Por fim me encontrei chegando rápido à beira do desespero. Eu disse a mim mesmo, "Eu não posso orar. Meu coração está morto para Deus, e não orará." Então repreendi a mesmo mim por ter prometido dar meu coração a Deus antes que deixasse aquele lugar. Quando tentei, vi que não poderia dar meu coração a Deus. Minha alma resistia, e meu coração não saia até Deus. Comecei a sentir profundamente que era tarde demais; que Deus devia ter desistido de mim e já se fora a esperança. O pensamento da impetuosidade de minha promessa me pressionava, que eu daria meu coração a Deus naquele dia ou morreria tentando. Parecia-me que aquilo se grudava à minha alma, e ainda assim, estava prestes a quebrar meu voto. Um enorme desânimo tomou conta de mim, sentí-me quase que fraco demais para ficar de pé. Nesse exato momento, pensei novamente ter ouvido alguém se aproximar, e abri meus olhos para ver se era isso mesmo. Mas logo aí, a revelação do meu coração orgulhoso, como sendo a grande dificuldade no meu caminho, foi mostrada a mim. Sucumbiu-me uma noção da iniqüidade de sentir-me envergonhado por ser visto de joelhos perante Deus por outro ser humano, e possuiu-me de tal forma que gritei com todas as minhas forças e exlcamei que não deixaria aquele lugar mesmo se todos os homens da terra e todos os demônios do inferno me rodeassem. “O que!” eu disse, “tão degradante pecador que sou, de joelhos, confessando meus pecados ao grande e santo Deus; e envergonhado de ser achado por outro ser humano, pecador como eu, de joelhos, esforçando-me para fazer as pazes com meu ofendido Deus!" O pecado parecia terrível, infinito. Ele me quebrou diante do Senhor. Nesse instante, essa passagem das Escrituras pareceu invadir minha mente com um dilúvio de luz: “Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei. E buscar- me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração." Apeguei-me nisso imediatamente com todo meu coração. Acreditava racionalmente na bíblia antes, mas minha mente nunca havia percebido que na verdade a fé é uma confiança voluntária, e não uma posição intelectual. Naquele momento tive confiança na veracidade de Deus, tanto quanto tenho consciência de que existo. De alguma forma eu sabia que aquilo era uma passagem das Escrituras, apesar de que creio nunca a ter lido antes. Eu sabia que era a palavra de Deus e a voz de Deus, assim como era, que falara comigo. Eu clamei “Senhor, eu tomo a Ti e a Tua palavra. Agora sabes que de fato procuro por Ti de tod meu coração e que vim aqui para orar a Ti, e Tu prometeste me ouvir." Isso parecia resolver a questão que eu poderia então, naquele dia, cumprir meu voto. O Espírito parecia destacar a idéia do texto “Quando me buscardes de todo o teu coração”. A questão do quanto, que era do momento presente, parecia cair fortemente no meu coração. Eu disse ao Senhor que eu deveria tomá-lO conforme a Sua palavra, que Ele não podia mentir, e que portanto eu tinha certeza que Ele escutara minha oração, e que seria achado meu. Ele então deu minhas muitas outras promessas, de ambos Velho e Novo Testamento, especialmente algumas das mais preciosas, em relação ao nosso Senhor Jesus Cristo.
  11. 11. Eu nunca poderei, em palavras, fazer qualquer ser humano entender quão preciosas aquelas promessas se mostraram a mim. Tomei-as, uma após a outra, como verdade infalível, as assertações de Deus, que não podia mentir. Elas não pareciam tanto entrar em meu intelecto, mas sim em meu coração, para serem colocadas dentro do domínio dos poderes voluntários da minha mente; e eu apeguei-me a elas, apropriei-me delas, e amarrei-me a elas com a vontade de alguém que se afoga e luta pela vida. Eu continuei assim a orar, e a receber e me apropriar das promessas por um longo período, não sei quanto tempo. Orei até que minha mente estivesse tão cheia que, antes que eu percebesse, estava de pé e cambaleando na subida a caminho da estrada. A dúvida sobre eu estar convertido ou não sequer ficou na minha mente, mas conforme eu atravessava as folhas e arbustros, lembro-me de dizer enfaticamente “Se algum dia eu me converter, vou pregar o Evangélho." Logo eu cheguei à estrada que levava à vila, e comecei a refletir no que havia ocorrido; e percebi que minha mente tornara-se maravilhosamente quieta e calma. Eu disse a mim mesmo, “O que é isso? Devo ter espantato todalmente o Espírito Santo. Perdi toda minha convicção. Não tenho nenhuma partícula de preocupação sobre minha alma, e deve ser porque o Espírito me deixou”. Por quê! Eu pensei. Jamais estive tão distante das preocupações obre minha própria salvação em minha vida. Então lembrei-me do que havia dito a Deus enquanto estava de joelhos, que eu O tomaria conforme a Sua palavra, e de fato, lembrei-me de muitas das coisas que eu dissera, e concluí que não era de se duvidar que o Espírito me havia deixado, que para um pecador como eu, tomar a Palavra de Deus daquela maneira, era no mínimo presunção, se não fosse blasfêmia. Eu concluí que em minha empolgação, eu tinha afastado o Espírito Santo, e talvez cometido o pecado sem perdão. Eu caminhei calmamente para o vilarejo, e minha mente estava tão perfeitamente quieta que parecia toda natureza escutar. Era dia 10 de outubro, um dia muito agradável. Eu tinha ido para a mata imediatamente um café da manhã bem cedinho, e quando voltei para a cidade, descobri que era hora do jantar. Mesmo estando totalmente consciente do tempo que se passara, parecia a mim que estive longe por apenas alguns instantes. Mas como eu podia compreender a quietude de minha mente? Tentei lembrar-me de minhas convicções, a retomar a carga de pecados sob a qual vinha trabalhando. Mas todo sentido de pecado, toda consciência disso presente ou de culpa haviam me deixado. Disse a mim mesmo, “O que é isso, que não posso sentir culpa nenhuma em minha alma, sendo tão pecador como sou?” Tentei em vão fazer-me ansioso sobre meu estado. Eu estava tão calmo e quieto que tentei sentir-me preocupado com isso, para que isso não fosse um resultado de eu ter afastado o Espírito. Mas sob qualquer ponto de vista que eu visse, não conseguia ficar ansioso quanto à minha alma e meu estado espiritual. O descanso de minha mente era inexplicavelmente grande. Nunca poderei descrever em palavras. O pensamento de Deus era doce para minha mente, e a mais profunda tranquilidade espiritual se apossara de mim. Isso era um grande mistério, mas não me preocupava nem me deixava perplexo. Fui jantar, e descobri que não tinha apetite algum. Então fui ao escritório e descobri que O Juiz W tinha ido jantar. Peguei meu baixo e, como costumava fazer, comecei a tocar e cantar algumas peças de música sacra. Mas assim que comecei a cantar aquelas palavras sagradas, comecei a chorar. Meu coração parecia totalmente líquido, e meus sentimentos tinham um estado que não me era possível escutar minha própria voz sem
  12. 12. causar um transbordar de minha sensibilidade. Maravilhei-me com isso e tentei conter minhas lágrimas, mas não consegui. Após tentar em vão para de chorar, guardei novamente meu instrumento e parei de cantar. Após o jantar, estávamos preocupados em mudar nossos livros e mobília para outro escritório. Estávamos muito ocupados com isso, e não tínhamos conversado muito durante toda a tarde. Minha mente, no entanto, continuava naquele profunto estado de tranqüilidade. Havia grande doçura e gentileza em meus pensamentos e sentimentos. Tudo parecia estar dando certo e nada parecia me encomodar ou irritar. No final da tarde, tomou conta da minha mente o pensamento de que logo que estivesse sozinho no novo escritório, tentaria orar novamente... que eu não iria abandonar o assundo religião e desistir, a qualquer custo, e portanto, apesar de não ter mais nenhuma preocupação sobre minha alma, eu ainda continuaria a orar. No começo da noite já tinhamos arrumado os livros e mobília, e eu começei um bom fogo em uma lareira que estava aberta, na esperança de passar a noite sozinho. Assim que escureceu, O Juiz W, vendo que tudo estava em seu lugar, deu-me boa noite e foi para casa. Eu o tinha acompanhado até a saída, e conforme eu fechava a porta e me virava, meu coração parecia como líquido dentro de mim. Todos os meus sentimentos pareciam surgir e fluir e a expressão do meu coração era “Quero derramar toda a minha alma para Deus." Minha alma se levantava de tal forma que corri para a sala ao fundo do escritório da frente para orar. Não havia fogo nem luz naquela sala, no entanto, parecia-me perfeitamente clara. Ao fechar a porta, parecia que me encontrara com o Senhor Jesus Cristo face a face. Não pensei então, nem durante um bom tempo, que aquilo era um completamente parte de um estado mental. Pelo contrário, a mim parecia que eu O podia ver, assim como podia ver qualquer outro homem. Ele não disse nada, mas olhor para mim de maneira a fazer- me cair a Seus pés. Eu sempre considerei isso como um memorável estado mental, pois para mim parecia realidade, que Ele colocou-se diante de mim, e eu caí a seus pés derramando a Ele minha alma. Eu chorava alto como uma criança, e confessei tudo que pude em meio a meus soluços. Parecia-me que eu lavara Seus pés com minhas lágrimas, e ainda assim, não tinha a distinta impressão de tê-lO tocado, que eu me lembre. Devo ter permanecido nesse estado por um bom tempo, mas minha mente estava por demais absorvida com a visita para lembrar qualquer coisa que eu disse. Mas eu sei que, logo que minha mente se aquietou o suficiente para sair do confronto, retornei ao escritório da frente e vi que o fogo que eu tinha feito com um grande pedaço de madeira já estava praticamente se apagando. Mas conforme eu me virei e fui sentar perto do fogo, eu recebi um poderoso batismo do Espírito Santo. Sem expectativa alguma disso, sem jamais ter pensado que havia algo assim para mim, sem lembrança nenhuma de já ter ouvido alguma menção sobre isso de ninguém no mundo, o Espírito Santo veio sobre mim de uma maneira que parecia me atravessar, corpo e alma. Eu podia sentir, como uma onda de eletricidade passando e passando por mim. De fato, parecia vir em ondas e mais ondas de amor líquido, pois não consigo explicar de nenhuma outra maneira. Parecia a respiração do próprio Deus. Lembro-me distintamente que sentia uma brisa, um vento como de imensas asas. Não há palavras que possam expressar o maravilhoso amor que foi entornado por todo meu coração. Eu chorava alto com alegria e amor, e eu não sei, mas devo dizer, eu literalmente berrei, uivei o inexpressável arrebatamento do meu coração.
  13. 13. Essas ondas vinham sobre mim, e sobre mim, e uma após a outra, até que me recordo ter dito, “Senhor, eu morrerei se essas ondas continuarem a vir sobre mim”. Eu disse “Senhor, não posso agüentar mais”, no entanto, eu não tinha medo algum da morte. Quanto tempo eu continuei nesse estado, com o batismo a continuar passando sobre mim e por mim eu não sei. Mas eu sei que era bem tarde da noite quando um membro do meu coral (pois eu era o regente do coral) veio ao escritório me ver. Ele era um membro da igreja. Encontrou-me nesse estado de choro alto e disse-me: “Sr. Finney, o que lhe aflige?”. Não consegui respondê-lo por algum tempo, então ele disse “O senhor está sentindo alguma dor?”. Recompus-me o máximo que pude e respondi “Não, mas uma felicidade tamanha que não posso mais viver.” Ele se virou e deixou o escritório, e depois de alguns minutos voltou com um dos presbíteros da igreja, que tinha uma loja do outro lado da rua. Esse ancião era um homem muito sério, e perto de mim havia sido sempre muito atento, e eu o tinha visto rir pouquíssimas vezes. Quando ele entrou, eu estava praticamente no mesmo estado que fiquei quando o jovem saíra para chamá-lo. Ele me perguntou como eu estava me sentindo e eu comecei a contar. Em vez de falar alguma coisa, ele caiu numa gargalhada quase que convulsiva. Parecia que era impossível para ele para de rir do fundo de seu coração. Havia um jovem na vizinhança que se preparava para ingressar na faculdade, de quem eu era bastante íntimo. Nosso pastor, como vim a saber mais tarde, tinha conversado várias vezes com ele sobre religião, e o avisara para não ser enganado por mim. Ele lhe disse que eu era um jovem muito descuidado quanto à religião, e ele pensava que se aproximasse muito de mim, sua mente sua mente seria divergida e ele não seria convertido. Depois que eu me converti, e que esse jovem se converteu, ele me disse que havia dito ao Sr. Gale várias vezes, quando ele o admoestava sobre aproximar-se muito de mim, que minhas conversas por vezes o afetaram mais, religiosamente, do que as pregações dele. Eu tinha, de fato, exposto boa parte de meus sentimentos àquele rapaz. Mas exatamente no momento em que eu dava conta de meus sentimentos a esse presbítero da igreja, e ao outro membro que estava com ele, esse jovem entrou no escritório. Eu estava sentado de costas para a porta, e mal observei que ele entrou. Ele ouvia com espanto o que eu dizia, e pela primeira vez o vi caindo no chão, e gritando com grande agonia de mente “Orem por mim!” O ancião da igreja e o outro membro ajoelharam-se e começaram a orar por ele, e quando ele oraram, eu orei por ele também. Logo após isso, todos eles se retiraram e me deixaram sozinho. A pergunta então veio à minha mente “Por quê o presbítero B riu tanto? Será que ele pensou que eu estivesse tendo alguma ilusão ou que estivesse louco?” Essa sugestão trouxe uma certa escuridão sobre a minha mente e eu comecei a me questionar sobre se era certo que eu, tal pecador tinha sido, orasse por aquele rapaz. Uma nuvem parecia ter se fechado sobre mim. Fui dormir, não com uma mente distraída, mas ainda perdido quanto à o quê fazer com meu presente estado. Apesar do batismo que recebera, essa tentação obscureceu minha visão de tal forma que foi para a cama sem sentir a certeza de que tinha feito as pazes com Deus. Eu logo peguei no sono, mas quase fui acordado novamente com o grande fluir do amor de Deus que estava em meu coração. Eu estava tão cheio de amor que não conseguia dormir. Mas logo, peguei no sono novamente, e acordei da mesma maneira.
  14. 14. Quando eu acordava, essa tentação voltava sobre mim, e o amor que parecia estar em meu coração se abatia, mas logo que eu adormecia era tão reconfortante dentro de mim que eu imediatamente acordava. Assim eu continuei, até que bem tarde da noite, obtive um bom repouso. Quando acordei de manhã o sol já havia nascido, e uma forte luz entrava em meu quarto. Palavras não podem expressar a impressão que essa luz do sol me causou. No mesmo instante, o batismo que recebera na noite anterior voltou sobre mim da mesma maneira. Ajoelhei-me na cama e chorei alto com alegria, e permaneci por algum tempo envolvido demais pelo batismo do Espírito para fazer qualquer outra coisa senão derramar meu minha alma para Deus. Parecia que o batismo daquela manhã vinha acompanhado de uma gentil prova, e o Espírito parecia dizer para mim “Você vai duvidar? Você vai duvidar?” Eu clamei “Não! Eu não vou duvidar! Eu não posso duvidar.” Ele então clareou tanto o assunto em minha mente que era de fato impossível para mim, duvidar que o Espírito de Deus se apossara de minha alma. Nesse estado aprendi a doutrina de justificação pela fé como uma experiência presente. Essa doutrina nunca se apossara de tal maneira de minha mente que eu a visse distintamente como uma doutrina fundamental do Evangélho. Na verdade, eu não sabia qual era o significado dela em seu sentido apropriado. Mas eu podia agora ver e entender o que queria dizer a passagem “Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo." Eu pude ver que naquele momento eu cri, enquanto estava lá na mata, todo o sentimento de condenação deixara completamente minha mente, e que a partir daquele momento, eu não conseguiria mais sentir culpa ou condenação mesmo que me esforçasse. Minha culpa foi embora, meus pecados foram embora, e acredito que não me senti culpado, como se jamais tivesse pecado. Essa era exatamente a revelação que eu precisava. Senti-me justificado pela fé, e até onde podia ver, eu estava num estado no qual eu não tinha pecado. Ao invés de sentir que eu estava pecando o tempo todo, meu coração estava tão cheio de amor que transbordava. Meu cálice transbordava com benção e amor, e eu não conseguia sentir que estava pecando contra Deus. Nem conseguia sentir a menor culpa por meus pecados passados. Sobre essa experiência, não disse nada, que me lembre, a ninguém na época, isto é, dessa experiência de justificação.
  15. 15. A VERDADE DO EVANGÉLHO MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY CAPÍTULO III. O COMEÇO DE SUA OBRA Nessa manhã que falei, desci para o escritório, e lá estava eu recebendo o renovo dessas poderosas ondas de amor e salvação a fluir sobre mim quando O Juiz W entrou na sala. Eu disse algumas poucas palavras a ele sobre a sua salvação. Ele me olhou com espanto, mas não deu nenhuma resposta, que eu me recorde. Ele baixou a cabeça e após ficar ali alguns minutos deixou o escritório. Não pensei mais no assunto, porém mais tarde descobri que o comentário que fizera o cortou como uma espada, e que ele não se recuperou disso até sua conversão. Logo após o Sr. W ter saído do escritório, o diácono B entrou em minha sala e disse “Sr. Finney, o senhor está lembrado que minha causa vai a julgamento às dez horas dessa manhã? Suponho que esteja pronto?” Eu havia sido designado para cuidar desse processo como seu advogado. Respondi-lhe “Diácono B, fui designado pelo Senhor Jesus Cristo para defender a causa dEle, e não posso pleitear a sua”. Ele olhou assustado para mim e disse “O que você quer dizer?” Eu disse a ele em poucas palavras que tinha me alistado à causa de Cristo, então repeti que tinha sido designado por Ele para defender e pleitear a Sua causa, e que ele deveria conseguir outra pessoa para cuidade de seu processo, eu não poderia fazê-lo. Ele baixou sua cabeça e sem dar resposta alguma, saiu. Alguns momentos depois, ao passar pela janela, observei que o Diácono B estava parado na rua, aparentemente perdido em profunda meditação. Ele foi embora, como fiquei sabendo depois, e imediatamente resolveu seu processo. Ele então levou-se a oração, e logo chegou a um estado espiritual muito mais elevado do que jamais teve. Eu logo saí do escritório para ir conversar com aqueles com quem deveria falar sobre suas almas. Eu tive a impressão, que nunca mais deixou minha mente, que Deus queria que eu pregasse o Evangélho, e que deveria começar imediatamente. De alguma forma eu sabia disso. Se você me perguntar como eu sabia, não sei te dizer, assim como não sei dizer que sabia que era o amor de Deus e o batismo do Espírito Santo que recebera. Eu sabia com uma certeza que ultrapassava qualquer possibilidade de dúvida. E então eu parecia saber que o Senhor me designara para pregar o Evangélho. Logo que me convenci, veio-me o pensamento de que se algum dia me convertesse, seria obrigado a deixar minha profissão, da qual gostava muito, e sair a pregar o Evangélho. Isso no começo me atrapalhou. Eu achava que tinha agüentado muita dor, e gastado muito tempo com estudo na minha profissão para pensar agora em me tornar um cristão, se ao fazer isso, eu seria obrigado a pregar o Evangélho. Contudo, eu finalmente cheguei a conclusão de que deveria fazer essa pergunta a Deus, que eu nunca tinha começado a estudar direito por uma ordem de Deus, e que eu não tinha o direito de impor condições a Ele, e eu portanto deixei de lado minha idéia de tornar-me um pastor, até que ela nasceu novamente em minha mente, como já relatei, quando estava a caminho de meu lugar de oração na mata.
  16. 16. Mas agora após receber esses batismos do Espírito, eu estava muito desejoso de pregar o Evangélho. Não, na verdade descobri que não tinha vontade de fazer outra coisa além disso. Não tinha mais o desejo de advogar. Tudo nessa direção foi desfeito, e já não mais me atraía. Não tinha vontade de ganhar dinheiro. Não tinha fome nem sede de prazeres e diversões descritíveis de qualquer natureza. Minha mente estava completamente tomada por Jesus e por Sua salvação; e o mundo me parecia de poucas conseqüências. Nada, a meus olhos, poderia comparar-se com o valor das almas, e trabalho algum, para mim, poderia ser mais doce, e emprego nenhum tão exaltado quanto mostrar Cristo para um mundo à beira da morte. Com esse sentimento, como disse, saí rapidamente do escritório para conversar com qualquer um que encontrasse. Primeiro parei na loja de um sapateiro, que era um homem devoto, e um dos cristão que mais orava, pensava eu, na igreja. Encontrei-o conversando com um filho de um dos presbíteros da igreja, e o jovem estava a defender o Universalismo. Sr W, o sapateiro, virou-se para mim e disse “Sr. Finney, o que o senhor acha do argumento desse jovem?”; então ele declarou o que vinha dizendo em defesa do Universalismo. A resposta apareceu para mim tão certa que em um instante eu fui capaz de mandar seu argumento pelos ares. O jovem viu que seu argumento se fora de vez, e levantou, sem dar resposta, saido de repente. Mas eu logo observei, ficando de pé no meio da loja, que o jovem, ao invés de sair andando pela rua, tinha dado a volta na loja e pulado a cerca, e olhava fixamente os campos, em direção à floresta. Não pensei mais nisso até a noite, quando o jovem voltou e parecia ser um recém-convertido, relatando sua experiência. Ele foi até a mata e lá, como ele mesmo disse, deu seu coração a Deus. Falei com muitas pessoas aquele dia, e acredito que o Espírito de Deus causou impressões duradouras sobre cada uma delas. Não me lembro de nenhuma das pessoas com quem falei não ter se convertido pouco depois. No começo da noite, liguei para a casa de um amigo, onde um jovem, empregado para destilar whisky, vivia. A família soubera que eu me tornara um cristão, e quando estavam prestes a se sentar para o chá, insistiram para que eu me unisse a eles. Ambos o homem da casa e sua esposa eram professores de religião, mas a irmã da senhora, que estava presente, não era uma garota convertida. E este jovem de quem falei, parente distante da família, era um Universalista assumido. Era um Universalista um tanto quanto falador e extrovertido, e um jovem com muita energia e caráter. Sentei-me com eles para tomar chá, e eles solicitaram que eu pedisse por uma benção. Nunca tinha feito isso, mas não hesitei nem por um instante, e comecei a pedir a benção de Deus conforme nos sentávamos à mesa. Eu acabara de começar quando o estado desses jovens me veio à mente e me moveu com tanta compaixão que comecei a chorar, não podendo mais prosseguir. Todos ao redor da mesa ficaram mudos por algum tempo, enquanto eu continuava a chorar. Diretamente, o jovem afastou-se da mesa e saiu às pressas da sala. Ele fugiu para seu quarto e lá se trancou, e não foi visto novamente até a manhã seguinte, quando saiu expressando uma abençoada esperança em Cristo. Por muitos anos, ele tem sido um hábil ministro do Evangélho. Durante o dia, uma grande agitação foi criada na cidade em virtude de se espalhar a notícia do que o Senhor fizera por minha alma. Alguns pensavam uma coisa, outros outra. Ao anoitecer, sem nada marcado, que eu soubesse, notei que as pessoas estavam indo para o lugar onde geralmente aconteciam as conferências e reuniões de oração. Minha conversão tinha causado um considerável espanto na vila. Mais tarde
  17. 17. vim a saber que antes de tudo isso, alguns membros da igreja haviam proposto que eu fosse colocado como um assunto específico de oração, e que o Sr. Gale os desencorajou, dizendo que ele não acreditava que eu jamais poderia me converter, que por nossas conversas ele percebera que eu tinha conhecimento demais do assunto religião, e era muito duro. E além disso, ele dissera estar quase totalmente desencorajado, pois já que eu regia o coral e ensinava música sacra aos jovens, eles estavam por demasiado sob minha influência e que ele não cria que, enquanto eu estivesse em Adams, os jovem poderiam se converter. Descobri depois de convertido, que alguns dos homens iníquos da cidade escondiam- se em mim. Um homem em específico, um Sr. C, cuja esposa era devota, constante mente dizia a ela “Se a religião é verdadeira, por quê vocês não convertem o Finney? Se os cristãos puderem converter o Finney, eu acreditarei na religião”. Um velho advogado de nome M, que vivia em Adams, ao escutar naquele dia o rumor de que eu me convertera, disse que era tudo brincadeira, que eu só estava tentando ver no quê eu poderia fazer o povo cristão acreditar. Contudo, o povo parecia apressar-se para o local de adoração em unanimidade. Eu também fui para lá. O pastor estava lá e praticamente todas as personalidades da cidade. Ninguém parecia preparado para iniciar a reunião, mas a casa estava lotada até quase sua capacidade máxima. Eu não esperei por ninguém, mas levantei-me e comecei a dizer que eu agora sabia que a religião procedia de Deus. Eu prossegui e contei partes de minha experiência que me pareceram importantes contar. Esse tal Sr. C, que prometera a sua mulher que se eu me convertesse ele acreditaria em religião, estava lá. O sr. M, o velho advogado, também estava presente. O que o Senhor capacitou-me a dizer pareceu envolver de forma maravilhosa as pessoas. O Sr. C se levantou, empurrou a multidão, e foi para casa, deixando para trás seu chapéu. Sr. M também foi embora para casa, dizendo que eu estava louco. “Ele está sendo sincero” disse ele, “não há erro, mas ele está claramente perturbado”. Assim que eu terminei de falar, o Sr. Gale, o pastor, levantou-se e fez uma confissão. Ele disse que acritava que estivesse no meio do caminho, atrapalhando a igreja, e então confessou que desencorajara a igreja quando propuseram que orassem por mim. Disse também que naquele dia quando ouvira que eu me convertera, não dissera de prontidão que não acreditava. Disse que não tinha alguma. Ele falou de uma forma muito humilde. Eu nunca tinha orado em público. Mas logo que o Sr. Gale terminou de falar, ele me pediu para orar. Eu orei, e creio que tive bastante liberdade e abrangência na oração. Tivemos uma reunião maravilhosa naquela noite, e daquele dia em diante, tivemos reuniões todas as noites por um bom tempo. O trabalho expandiu-se para todos os lados. Sendo que eu já era um líder entre os jovens, imediatamente agendei uma reunião para eles, à qual todos compareceram, isso é, todos da minha classe. Eu utilizava meu próprio tempo para trabalhar por suas conversões, e o Senhor abençoôu cada esforço que foi feito, de maneira maravilhosa. Eles se converteram um após o outro, muito rapidamente, e esse trabalho continuou no meio deles até que nenhum permanecesse sem se converter. Esse trabalho abrangiu todas as classes, e acabou por extender-se, não somente na cidade, mas para fora da cidade em todas as direções. Meu coração estava tão cheio
  18. 18. que, por mais de uma semana, não tinha a mínima vontade de dormir ou comer. Eu parecia literalmente ter uma carne para comer da qual o mundo nada sabia. Eu não sentia necessidade de comida ou descanso. Minha mente estava cheia do amor de Deus e transbordava. Continuei dessa forma por alguns bons dias, até que descobri que precisava descansar e dormir, ou acabaria me tornando louco. A partir de então, fui mais cauteloso com meus trabalhos, comia regularmente e dormia o quanto podia. A Palavra de Deus tinha um poder maravilhoso, e todos os dias eu me supreendia ao descobrir que as poucas palavras ditas a um indivíduo, atingiam seu coração como uma flecha. Pouco tempo depois, eu fui a Henderson, onde meu pai vivia, para visitá-lo. Ele não era um homem convertido, e meu irmão caçula era o único da família a proferir uma religião. Meu pai recebeu-me no portão e disse “Como vai, Charles?” Eu respondi “Estou bem, pai, corpo e alma. Mas pai, o senhor é um homem velhor, todos os seus filhos já cresceram e deixaram a sua casa, e eu nunca ouvi uma oração sequer na casa de meu pai.” Ele baixou a cabeça e caiu em lágrimas, respondendo “Eu sei, Charles, entre e ore você mesmo”. Eu entrei e começei a orar. Meu pai e minha mãe estavam grandemente comovidos, e pouquíssimo tempo depois, ambos com certeza se converteram. Eu não sei com certeza, mas minha mãe já esperava isso em secreto, mas ninguém da família, creio eu, sabia disso. Eu permaneci naquele bairro, creio eu, por dois ou três dias, e conversei mais ou menos tantas pessoas quanto pude encontrar. Acredito que foi na noite da segunda- feira seguinte, eles tinham uma reunião mensal de oração naquela cidade. Havia uma igreja Batista que tinha um pastor, e uma pequena igreja Congregacional sem um pastor. A cidade no entanto, era praticamente sem moral, e naquele tempo a religião estava totalmente em decadência. Meu irmão mais novo participava dessa reunião mensal que mencionei, e depois contou-me sobre ela. Os Batistas e os Congregacionais tinham o hábito de fazer essa reunião mensal em conjunto. Mas poucos compareciam, e portanto ela era realizada na casa de alguém. Nessa ocasião haviam-se reunido, como de costume na sala de uma casa. Alguns poucos membros da igreja Batista e alguns poucos Congregacionais estavam presentes. O diácono da igreja Congregacional era um homem velho, magro e frágil, de nome M. Ele era discreto em seus modos, e tinha uma boa reputação pela devoção, mas raramente falava sobre o assunto. Ele era um bom exemplo de um diácono da Nova Inglaterra. Ele estava presente e solicitaram que liderasse a reunião. Ele leu uma passagem das Escrituras, como de costume. Cantaram um hino, o Diácono M ficou de pé atrás de sua cadeira e liderou em oração. As outras pessoas presentes, todas elas mestres de religião, e os mais jovens, ajoelharam-se pela sala. Meu irmão disse que o diácono M começara a oração como de costume, com uma voz baixa e fraca, mas logo começou a esquentar-se e a levantar sua voz, que tornou-se trêmula de emoção. Ele prosseguia e orava com mais e mais sinceridade, até que logo começou a ficar na ponta de seus pés, e voltava a apoiar-se no calcanhar, então ficava na ponta dos pés, e voltava-se para o calcanhar, de maneira que podiam sentir a vibração na sala. Ele continuou a erguer sua voz, e erguer-se nas pontas dos pés e de volta aos calcanhares com mais empolgação. E conforme o espírito de oração o
  19. 19. continuava a levá-lo ele começou a levantar a cadeira junto com seus calcanhares, e deixá-la de volta no chão, e logo levantava um pouco mais, e levava ao chão com mais ênfase. Ele continuou a fazer isso, e ficou mais e mais envolvido, até que batia a cadeira no chão como se fosse quebrá-la em pedaços. Durante isso, os irmãos e irmãs que estavam de joelhos começaram a gemer, e a suspirar, e a chorar, e agonizar em oração. O diácono continuou sua luta até ficar exausto, e quando ele parou, meu irmão disse que ninguém na sala conseguia se levantar. Conseguiam apenas chorar e confessar, e derreterem-se diante do Senhor. A partir dessa reunião, a obra de Deus espalhou-se por todos os lados da cidade. E assim, espalhou-se naquele tempo a partir de Adams, como centro, para praticamente todas as cidades naquele condado. Eu já falei da convicção do Juiz W, em cujo escritório estudei direito. Também já falei que quando me converti, foi num bosque onde fui orar. Logo depois de minha conversão, muitos outros casos de conversão foram relatados como ocorridos em circunstâncias similares, isto é, pessoas que foram até a mata para orar e fizeram as pazes com Deus. Quando o Juiz W os ouviu contando suas experiências, uma atrás da outra, em nossas reuniões, ele pensou que tinha uma sala para orar, e que não iria subir até o bosque, para ter a mesma história que já tinha ouvido tantas vezes, para contar. A isso ele aparentemente comprometeu-se com seriedade. Apesar de isso ser algo inteiramente não material, ainda assim era um ponto no qual seu orgulho se comprometera, e portanto não poderia entrar no reino de Deus. Em minha experiência ministerial, encontrei muitos casos como este, nos quais em uma questão, talvez não material em si, o orgulho de um pecador o acometia. Em todos esses casos, a disputa deve se render, ou o pecador jamais entrará no reino. Já conheci pessoas que permaneceram por semanas com uma grande tribulação na mente, pressionadas pelo Espírito, mas não podiam fazer progresso algum até o ponto de se entregarem. O Sr. W foi o primeiro caso desse tipo que notei. Depois que ele se converteu, disse que essa questão freqüentemente surgia quando estava em oração; e que ele foi levado a ver que fora o orgulho que o tinha feito tomar aquela posição, e o manteve fora do reino de Deus. Mas ainda assim ele não estava disposto a admitir isso, nem para si mesmo. Ele tentou de todas as maneira se fazer acreditar, e fazer Deus acreditar, que ele não era orgulhoso. Certa noite, disse ele, orou a noite inteira em sua sala para que Deus tivesse misericódia dele, mas pela manhã, ele sentia-se mais angustiado que nunca. Ele por fim tinha certeza que Deus não ouvia sua oração, e ficou tentado a suicidar-se. Então estava tão a usar um canivete para isso, que ele acabou por jogá-lo longe, de maneira que se perdesse, para que essa tentação não prevalecesse. Ele disse que uma noite, quando voltava da reunião, ele teve tanta noção de seu orgulho, e de que isso o impedia de subir ao bosque para orar, que ele estava decidido a fazer-se acreditar, e fazer Deus acreditar que ele não era orgulhoso, que procurou em volta uma poça de lama, na qual ele ajoelhou para demonstrar que não era orgulho que o impedia de ir para a mata. E assim ele continuou nessa luta por várias semanas. Mas numa tarde eu estava sentado em nosso escritório, e dois presbíteros da igreja estavam comigo, quando o jovem que eu conhecera na loja do sapateiro, exclamou enquanto entrava correndo “O Juiz W se converteu!” e continuou dizendo: “eu fui até o bosque orar, e ouvi alguém lá no vale gritando muito alto. Eu subi até o topo do monte,
  20. 20. de onde eu pude ver, e vi o Juiz W de um lado para o outro, cantando o mais alto que podia, e a toda hora ele parava e batia palmas com toda sua força, e gritava ‘Eu regozijarei no Deus da minha salvação!’ Então ele voltava a marchar e a cantar, e então parava, e gritava, e batia palmas!”. Enquanto o jovem nos estava contando isso, eis que vemos o Juiz W, vindo por sobre o monte. Conforme ele descia, encontrou com o Padre T, como chamávamos um velho irmão metodista. Ele correu para ele e o pegou no colo. Depois de colocá-lo no chão e conversar por um momento, ele veio rapidamente em direção ao escritório. Quando ele entrou, estava com uma respiração ofegante – ele era um homem pesado, e gritava “Eu entendi! Eu consegui! Eu tenho!”, batia palmas com toda sua força e caiu de joelhos, e começou a agradecer a Deus. Ele então nos contou o que passava em sua mente, e porquê ele não tinha obtido essa esperança antes. Ele disse que assim que desistiu daquilo e foi até o bosque, sua mente foi liberta, e quando ele se ajoelhou para orar, o Espírito do Senhor veio sobre ele e o encheu com uma alegria não indescritível que resultou na cena que o jovem havia testemunhado. É claro que a partir de então, o Juiz W decidiu-se por Deus. Perto da primavera, os membros mais velhos da igreja começaram a perder seu entusiasmo. Eu tinha criado o hábito de levantar bem cedo de manhã e passar um período em oração sozinho na casa de reunião, e eu finalmente convencera alguns irmãos a me encontrarem lá pela manhã para uma reunião de oração. Isso acontecia muito cedo, e geralmente já estavamos reunidos muito antes de estar claro o suficiente para enxergar e ler. Eu convenci meu pastor a comparecer a essas reuniões matinais. Mas logo eles começaram a descuidar, e foi quando eu comecei a levantar a tempo de passar na casa de todos e acordá-los. Muitas vezes eu ia pela vila e chamava os irmãos que, cria eu, seriam os mais prováveis a comparecer, e nós teríamos um período precioso de oração. Mas mesmo assim, descobri que os irmãos compareciam com mais e mais relutância, fato esse que me provou grandemente. Certa manhã, tinha ido chamar os irmãos, e quando retornei à casa de reunião, apenas alguns poucos estavam lá. O Sr. Gale, o pastor, estava de pé na porta da igreja e conforme eu me aproximava, a glória de Deus brilhou sobre mim e ao meu redor de uma forma maravilhosa. O dia estava começando a raiar, mas como um único raio, uma luz perfeitamente inexprimível brilhou em minha alma que quase prostrei-me ao chão. Nessa luz, eu parecia poder ver que toda a natureza louvava e adorava a Deus, exceto o homem. Essa luz parecia o brilho do sol em todas as direções. Era muito intensa para meus olhos. Lembro-me de baixar meus olhos e cair numa inundação de lágrimas, em vista do fato que a humanidade não louvava a Deus. Acho que alí entendi algo, por experiência real, daquela luz que fez Paulo se prostrar em seu caminho a Damasco. Era com certeza uma luz tal que eu não agüentaria por muito tempo. Quando eu comecei com esse choro tão alto, o Sr. Gale disse “Qual é o problema, irmão Finney?” Eu não conseguia dizer a ele. Descobri que ele não tinha visto luz alguma, e que ele não via o motivo para minha mente estar em tal estado. Eu portanto não disse muito. Acredito que mal respondi, que tinha visto a glória de Deus, e que eu não agüentaria pensar na maneira que Ele era tratado pelos homens. De fato, naquele momento não me parecia que a visão que tivera de Sua glória poderia ser decrita com palavras. Eu chorei. E a visão, se é que posso chamá-la assim, passou, deixando minha mente calma. Eu costumava ter, quando era um jovem cristão, muitos períodos de comunhão com Deus que não podem ser descritos em palavras. E não raro, esses períodos
  21. 21. terminavam deixando uma impressão como essa em minha mente: “Olhai para que ninguém o saiba”. Eu não entendia isso na época, e muitas vezes não prestei atenção a essa imposição, mas tentava contar a meus irmãos em Cristo o quê o Senhor comunicara a mim, ou sobre os períodos de comunhão que eu tivera com Ele. Mas logo descobri que não deveria contar aos irmãos o que se passava entre o Senhor e a minha alma. Eles não poderiam entender. Eles ficavam surpresos e, às vezes, penso eu, com incredulidade. Então logo aprendi a guardar em segredo tais manifestações divinas, falando pouco sobre elas. Eu passava muito tempo em oração. Algumas vezes, eu achava, literalmente orando sem cessar. Também descobri bastante proveitável e sentia-me inclinado a fazer vários dias de jejum em particular. Nesses dias, eu procurava ficar totalmente a sós com Deus, e geralmente entrava pelo bosque, ou ficava na casa de oração, ou algum lugar distante, totalmente isolado. Algumas vezes jejuava de maneira errada, e tentava examinar a mim mesmo de acordo com as idéias de auto-avaliação então defendidas por meu pastor e pela igreja. Eu tentava olhar para meu próprio coração, no sentido de examinar meus sentimentos, e voltava minha atenção em especial para meus motivos e meu estado mental. Quando eu seguia esses passos, invariavelmente percebia que o dia chegava ao fim sem que nenhum avanço fosse feito. Depois vi claramente porquê isso acontecia. Tirando minha atenção, como eu fazia, do Senhor Jesus Cristo, e olhando para mim mesmo, examinando meus motivos e meus sentimentos, esses se abatiam, é claro. Mas sempre que eu jejuava e deixava o Espírito me guiar, e desistia de mim mesmo para deixá-lo instruir-me, eu sempre via que tirava o máximo de proveito disso. Descobri que não podia viver sem gozar da presença de Deus, e que se em qualquer momento uma nuvem me sobreviesse, eu não conseguia descansar, não conseguia estudar, não podia fazer nada com o mínimo de satisfação ou benefício, até que o caminho estivesse limpo novamente entre minha alma e Deus. Eu gostava muito da minha profissão. Mas como já disse, quando me converti, tudo nessa direção se tornara obscuro e eu não tinha mais prazer algum em fazer parte do mundo dos negócios jurídicos. Eu havia recebido muitos convites insistentes para cuidar de processos legais, mas recusei uniformemente. Eu não ousava confiar em mim mesmo na agitação de um processo contestado, além do que, em si, o negócio de conduzir as controvérsias de outras pessoas parecia-me odioso e ofensivo. O Senhor me ensinou, naqueles primeiros dias de minha experiência cristã, muitas verdades importantes relacionadas ao espírito de oração. Não muito tempo depois de me converter, uma mulher que me hospedara como pensionista, apesar de já não mais morar lá nessa época, ficou muito doente. Ele não era uma mulher cristã, mas seu marido era professor de religião. Ele entrou em nosso escritório numa noite, sendo um irmão do Juiz W, e disse para mim: “Minha mulher não sobreviverá esta noite”. Isso caiu como uma flecha no meu coração. Veio sobre mim num sentido de júgo que acabou comigo, cuja natureza não conseguia entender, mas com isso veio também um intenso desejo de orar por aquela mulher. O fardo era tão grande que deixei o escritório quase que imediatamente, e fui até a casa de reunião, para orar por ela. Alí eu lutava, mas não conseguia falar muita coisa. Eu podia apenas gemer com gemidos altos e profundos. Eu fiquei na igreja por um tempo considerável, com minha mente nesse estado, sem conseguir nenhum alívio. Retornei ao escritório, mas não conseguia ficar sentado,
  22. 22. quieto. Eu só conseguia ficar andando de um lado para o outro em minha sala, agonizando. Voltei novamente para a casa de reunião, e passei pelo mesmo processo de peleja. Por um longo período, eu tentava colocar minha oração diante do Senhor, mas de alguma forma as palavras não conseguiam expressar. Eu só conseguia gemer e chorar, sem conseguir expressar o que queria em palavras. Voltei de novo para o escritório, e descobri que ainda era incapaz de descansar, então voltei uma terceira vez para a igreja. Nessa vez, o Senhor deu-me o poder de prevalecer. Fui capaz de colocar esse fardo sobre Ele, e tive a certeza de que aquela mulher não morreria naquela noite, e de fato, ela jamais morreria em pecado. Retornei ao escritório. Minha mente estava perfeitamente quieta, e logo retirei-me para descansar. Bem cedo na manhã seguinte, o marido dessa mulher veio ao escritório. Perguntei como sua esposa estava. Ele, sorrindo, disse “Ela está viva, e ao que parece, melhor esta manhã”. Eu respondi “Irmão W, ela não morrerá com essa doença, pode confiar nisso. E ela jamais morrerá em pecado.” Eu não sei como tive certeza disso, mas de alguma forma estava tão claro para mim, que eu não tinha nenhuma dúvida que ela iria se recuperar. E de fato isso aconteceu, pouco depois de ela ter encontrado esperança em Cristo. A princípio eu não entendia o que esse exercício mental pelo qual eu passara, era. Mas logo depois, relatando o acontecimento ao um irmão cristão, disse-me: “Ora, isso foram as dores de parto da sua alma”. Alguns minutos de conversa e ao mostrar-me certas passagens da bíblia, pude compreender o que isso queria dizer. Outra experiência que tive pouco tempo depois dessa, ilustra a mesma verdade. Já mencionei uma jovem que pertencia à minha classe de jovens, que continuava sem se converter. Isso chamava bastante atenção, e havia muitos comentários entre os cristãos sobre seu caso. Ela era uma menina encantadora por natureza e muito esclarecida no assunto religião, porém, permanecia em seus pecados. Um dos presbíteros da igreja e eu, concordamos em colocá-la diariamente em nossas orações, a continuamente apresentar seu caso no trono de graça, de manhã, à tarde e à noite, até que ela se convertesse ou morresse, ou por algum motivo fossemos incapacitados de cumprir nosso acordo. Percebi que minha mente trabalhava muito sobre ela, e mais e mais, conforme por ela orava. Logo descobri, porém, que o presbítero que entrara nesse propósito comigo, estava perdendo seu espírito de oração por ela. Mas isso não me desanimou. Continuei firme com crescente importunismo. Eu também me aproveitava de todas as oportunidades que tinha para conversar clara e longamente com ela sobre sua salvação. Depois de continuar agindo assim por algum tempo, fui vistá-la num fim de tarde, perto do pôr-do-sol. Conforme me aproximava da porta, ouvi gritos de uma voz feminina, passos e uma confusão do lado de dentro. Parei e esperei até que a confusão acabasse. A senhora da casa logo veio abrir a porta e tinha na mão um pedaço de um livro, que obviamente fora partido em dois. Ela estava pálida e muito agitada. Ela mostrou a parte do livro que estava em sua mão e disse “Sr. Finney, o senhor não acha que minha irmã tornou-se uma Universalista?”. Era um livro sobre a defesa do Universalismo. Sua irmã a encontrara lendo em particular, e tentou tirá-lo dela, o que causou a briga que ouvi, a começar. Recebi essa informação à porta, quando declinei o convite para entrar. Aquilo atingira- me da mesma maneira que o fizera a notícia de que a mulher doente, já mencionada, estava prestes a morrer. Enchi-me de grande agonia. Enquanto voltava para meu
  23. 23. quarto, a uma certa distância daquela casa, senti-me quase como se cambaleasse sob o fardo que estava em minha mente, e eu pelejei, e gemi, e agonizei, mas não conseguia apresentar esse caso a Deus em palavras, mas somente em gemidos e lágrimas. Parecia-me que a descoberta de que aquela jovem, ao invés de se converter, estava se tornando uma Universalista tanto me espantou, que não conseguiu acabar com minha fé, mas sim apegar-me a Deus com relação a seu caso. Parecia haver uma certa escuridão sobre essa questão, como se uma nuvem se tivesse colocado entre mim e Deus, no que dizia respeito a prevalecer sua salvação. Mas ainda assim o Espírito lutava dentro de mim com gemidos que não podiam ser descritos. Contudo, fui obrigado a retirar-me naquela noite sem ter prevalecido. Mas logo que era dia, acordei, e o primeiro pensamento que tive foi de rogar ao Deus de graça novamente por aquela jovem. Eu imediatamente levantei e caí de joelhos. Assim que ajoelhei-me, a escuridão foi embora, e todo o assunto ficou muito aberto em minha mente. Logo que pedi por ela, Deus disse a mim “Sim! Sim!”. Se Ele falasse com uma voz audível, não teria sido mais distintamente entendido que essa palavra foi dentro de minh’alma. Imediatamente recebi alívio sobre tudo que pedira. Minha mente tornara-se cheia de grande paz e gozo, e tive certeza absoluta que sua salvação era segura. Tive uma falsa idéia, no entanto, em relação ao tempo, que de fato não foi algo marcado em especial na minha mente no momento da oração. Ainda assim, eu esperava que ela se convertesse imediatamente, mas não foi assim. Ela permaneceu em seus pecados por vários meses. No momento apropriado, terei a oportunidade de falar sobre sua conversão. Senti-me decepcionado na época, que ela não se convertera de vez, e fiquei um pouco confuso quanto ao fato de ter prevalecido ou não junto a Deus em favor dela. Logo depois que eu me converti, um homem com quem me hospedava como pensionista por algum tempo, que era um magistrado e um dos principais homens do local, estava profundamente convencido do pecado. Ele havia sido eleito um membro da legislação do estado. Eu orava diariamente por ele, e insistia com ele para que entregasse seu coração a Deus. Sua convicção tornou-se muito profunda, mas ainda assim, ele adiava sua entrega e não conseguia a esperança. Meu encargo por ele aumentou. Certa tarde vários de seus amigos políticos tiveram uma prolongada entrevista com ele. Na noite do mesmo dia tentei levar mais uma vez seu caso diante de Deus, pois a ansiedade em minha mente por sua conversão tornara-se muito grande. Em minha oração, eu havia-me aproximado muito de Deus. Não me lembro de jamais estar em comunhão mais íntima com o Senhor Jesus Cristo do que estava naquele momento. Na verdade Sua presença era tão real que banhei-me em lágrimas de alegria, gratidão e amor, e nesse pensamento, tentei orar por esse amigo. Mas no instante que tentei, minha boca se fechou. Vi que era impossível orar uma palavra se quer por ele. O Senhor parecia dizer-me “Não, eu não ouvirei”. Uma angústia tomou conta de mim. Achei a princípio que fosse uma tentação, mas a porta foi batida em minha cara. Parecia que o Senhor estava dizendo para mim “Não fale mais comigo sobre esse assunto”. Isso machucava-me inexplicavelmente. Não sabia o que fazer. Na manhã seguinte encontrei com ele, e logo que toquei no assunto de submissão a Deus, ele me disse: “Sr. Finney, não tratarei mais disso até que retorne da legislatura. Estou comprometido com meus amigos da política a cumprir certas medidas da
  24. 24. legislatura, que são incompatíveis com tornar-me um cristão. E prometi não mais tratar sobre esse assunto até que retorne de Albany”. Desde o que acontecera na noite anterior, eu não tinha mais nenhum espírito de oração por ele. Logo que ele me contou o que tinha feito, eu compreendi o porquê. Pude ver que todas as suas convicções desapareceram, e que o Espírito de Deus o deixara. A partir de então, ele tornou-se menos cuidadoso e mais duro do que nunca. Quando chegou a hora, ele foi para a legislatura, e quando retornou, na primavera, era um Universalista quase que insano. Digo quase que insano, pois, ou invés de formar suas opiniões a partir de alguma prova ou curso de argumento, ele me disse isso: “Cheguei a essa conclusão, não porque achei explicado na bíblia, mas porque tal doutrina é tão oposta à mente carnal. É uma doutrina no geral tão rejeitada e contradita, que a prova intragável à mente carnal ou não convertida.” Isso era espantoso para mim. Ele permanecia em seus pecados, finalmente entrou em decadência, e por fim morreu, ao que me disseram, um homem dilapidado, e totalmente crente de seu Universalismo.
  25. 25. A VERDADE DO EVANGÉLHO AS MEMÓRIAS DE CHARLES G. FINNEY CAPÍTULO IV. SUA EDUCAÇÃO DOUTRINÁRIA E OUTRAS EXPERIÊNCIAS EM ADAMS Logo após de me converter, fiz uma visita a meu pastor e tive uma longa conversa som ele sobre a remissão. Ele era um estudante de Princeton, e é claro, tinha uma visão limitada da remissão, que ela fora feita para os eleitos e não estava disponível para mais ninguém. Nossa conversa durou quase metade de um dia. Ele acreditava que Jesus havia sofrido pelos eleitos a pena literal da lei divina, que Ele sofrera apenas o que era destinado a cada um dos eleitos passar como resultado da justiça de retribuição. Não concordei dizendo que isso era absurdo, pois se esse fosse o caso, Ele sofrera o equivalente à miséria sem fim multiplicada pelo número total dos eleitos. Meu pastor insistia que isso era verdade. Ele afirmava que Jesus literalmente pagou a dívida dos eleitos, e cumpriu completamente a lei de retribuição. Pelo contrário, a mim parecia que Jesus cumprira apenas a justiça pública, e isso era tudo que o governo de Deus podia exigir. Eu, no entanto, não passava de uma criança em teologia. Era um neófito em religião e aprendizado bíblico, mas eu não achava que ele baseava seus pontos de vista na bíblia e disse isso para ele. Eu nunca tinha lido nada sobre o assunto, exceto pela minha bíblia, e o que encontrara lá sobre o assunto, tinha interpretado como entenderia a mesma passagem ou um texto semelhante num livro de direito. Eu pensei que ele evidentemente tinha interpretado aqueles textos em conformidade com uma teoria estabelecida sobre a remissão. Eu nunca o tinha ouvido pregar sobre os pontos de vista que defendia naquela discussão. Fiquei surpreso em vista de suas posições, e aceitei- as da melhor maneira que pude. Ele estava espantado, ouso dizer, com o que para ele parecia ser uma obstinação minha. Eu achava que minha bíblia ensinava claramente que a remissão fora feita para todos os homens. Ele a limitava a uma parte. Eu não podia aceitar esse ponto de vista, pois não consguia entender que ele pobremente provava a partir da bíblia. Suas regras de interpretação não eram de acordo com meus pontos de vista. Elas eram muito menos definidas e inteligíveis do que aquelas com as quais estava acostumado em meus estudos sobre as leis. Para as objeções que eu levantava, ele não conseguia dar respostas satisfatórias. Perguntei-lhe se a bíblia não pedia para que todos quantos ouvissem o evangélho, se arependessem, acreditassem e fossem salvos. Ele admitiu que pedia a todos que acreditassem e fossem salvos. Mas como poderiam acreditar e aceitar uma salvação que não fora destinada a eles? Cobrimos todos os assuntos debatendo sobre as divinas maneiras de ver, antiga e nova, o assunto da remissão, conforme aprendi com meus estudos teológicos subseqüentes. Não me recordo de ter jamais lido uma página sequer sobre o assunto exceto pelo que encontrei na bíblia. Nunca tinha ouvido, que me lembrasse, um sermão ou qualquer discussão sobre o assunto. Essa discussão era por vezes retomada, e continuou durante todo meu curso de estudos teológicos sob sua tutela. Mostrou-se preocupado por temer que eu não aceitasse a fé ortodoxa. Creio que ele tinha a plena convicção de que verdadeiramente
  26. 26. me convertera, mas também tinha um grande desejo de manter-me sob as estritas linhas da teologia de Princeton. Ele tinha a idéia fixa em sua mente de que eu deveria ser um pastor, e ficou temeroso ao dizer-me que se eu de fato me tornasse um pastor, o Senhor não abençoaria minhas obras, e Seu Espírito não seria testemunha de minhas pregações, a menos que eu pregasse a verdade. Eu também cria nisso. Mas para mim isso não era um argumento muito forte a favor de seus pontos de vista, pois ele me havia dito, não nessa conversa em específico, que não sabia se jamais fora usado como instrumento na conversão de um pecador. Eu nunca o tinha ouvido pregar em específico sobre o assunto da redenção. Acredito que ele tinha medo de apresentar seus próprios pontos de vista para o povo. Sua igreja, tenho certeza, não apoiava sua idéia de remissão limitada. Depois disso divemos conversas freqüentes, não somente sobre a redenção, mas sobre várias questões teológicas, sobre as quais terei a oportunidade de comentar mais, mais adiante. Eu já disse que na primavera desse ano, os membros mais velhos da igreja começaram a perder seu entusiasmo e zelo por Deus. Isso muito me oprimiu, tanto a mim quanto aos novos convertidos, num geral. Na mesma época, li um artigo em um jornal sob a manchete “Um Avivamento Restaurado”. Seu conteúdo dizia que em um certo lugar um avivamento acontecera durante o inverno, e esfriara na primavera, e que diante de sinceras orações feitas para o contínuo derramar do Espírito, o avivamento foi poderosamente restaurado. Esse artigo levou-me a um rio de lágrimas. Nessa época eu estava sendo hospedado leo Sr. Gale, e levei o artigo até ele. Eu estava tão tomado de um senso de bondade divina quanto à escutar e enviar respostas de oração, e com uma certeza de que Ele ouviria e responderia a oração pelo avivamento de Sua obra em Adams, que atravessei a casa chorando alto como uma criança. O Sr. Gale pareceu surpreso com meus sentimentos, e minha explícita confiança que Deus avivaria Sua obra. Esse artigo não causou a mesma impressão nele. Na próxima reunião de jovens, propus que deveríamos realizar uma reunião fechada de oração pelo avivamento da obra de Deus; que deveríamos orar de manhã, à tarde e à noite, em nossos quartos, e continuar com isso por uma semana, quando novamente nos reuniríamos e veríamos o que seria feito dalí por diante. Nenhum outro método foi usado para o avivamento da obra de Deus. Mas o espírito de oração foi imediatamente derramado de forma maravilhosa sobre os jovens convertidos. Antes que terminasse a semana, soube que alguns deles, quanto tentavam entrar em oração nesse período, perdiam todas as suas forças e eram incapazes de ficar de pé, ou até mesmo de joelhos em seus quartos, e que alguns prostravam-se no chão, e oravam com gemidos inexprimíveis pelo derramar do Espírito de Deus. O Espírito foi derramado, antes que a semana terminasse, todas as reuniões estavam aglomeradas, e havia tanto interesse pela religião, creio eu, quanto havia durante todo o tempo do avivamento. E foi então que, sinto dizer, um erro foi feito, ou talvez eu devesse dizer, um pecado foi cometido, por alguns dos membros mais velhos da igreja, que resultou em um grande mal. Como vim a saber depois, um número considerável dos mais velhos resistiu a esse novo movimento em meio aos jovens convertidos. Tinham inveja. Não sabiam o que
  27. 27. fazer com isso, e sentiam que os jovens estavam fora do que lhes era devido, ao serem tão proativos e tão insistentes com os senhores e senhoras da igreja. Essa mentalidade finalmente afligiu o Espírito de Deus. Não demorou muito até que alienações começaram a se levantar em meio a esses irmãos mais velhos, o que por fim resultou em um grande mal àqueles que se permitiram resistir a esse avivamento mais recente. Os jovens resistiram bem. Os que se converteram, até onde sei, foram quase todos totalmente sérios, e têm sido cristãos minuiosamente eficientes. Na primavera desse ano, 1822, coloquei-me sob os cuidados do Presbitério como um candidato a ministro do Evangélho. Alguns dos pastores insistiram para que eu ingressasse em Priceton para estudar teologia, mas recusei. Quando me perguntaram por que eu não iria a Princeton, disse-lhes que minha situação financeira não me permitia ir. Isso era verdade, mas a isso eles disseram que assegurariam que todas as minhas despesas fossem pagas. Ainda assim, recusei-me a ir, e quando pressionaram- me a dar-lhes minhas razões, eu claramente disse a eles que não me colocaria sob a mesma influência que eles tiveram, que eu estava certo de que haviam sido erroneamente ensinados, e que não eram pastores que se encaixavam em meus ideais sobre o quê um ministro de Cristo deveria ser. Contei-lhes isso com relutância, mas não podia honestamente não contar. Eles designaram meu pastor para supervisionar meus estudos. Ele me ofereceu o uso de sua biblioteca, e disse que iria ajudar-me no que precisasse para meus estudos de teologia. Mas meus estudos, até onde ele via como professor, eram um tanto controversos. Ele defendia a velha metodologia doutrinária de pecado original, ou que a constituição humana estava moralmente depravada. Ele defendia também que, quando os homens eram expressivamente incapazes de concordar com os termos do Evangélho, de se arrepender, de acreditar, ou de fazer qualquer coisa que Deus lhes pedia que fizessem, que enquanto eles estivessem livres para todo mau, no sentido de serem capazes de cometer todos os pecados, ainda assim não eram livres para fazer nada de bom, que Deus condenara o homem por sua natureza pecaminosa, e que por isso, bem como por causa de suas transgressões, eles mereciam a morte eterna. Ele também acreditava que as influências do Espírito de Deus nas mentes dos homens eram físicas, agindo diretamente sobre a substância da alma, que os homens eram passivos na regeneração, e em resumo, acreditava em todas aquelas doutrinas que logicamente vinham em si, do fato de uma natureza pecaminosa. Eu não podia aceitar essas doutrinas. Eu não podia aceitar seus pontos de vista na questão da remissão, da regeneração, fé, arrependimento, a escravidão da vondade, ou qualquer outra doutrina relacionada. Mas ele era um tanto quando tenaz nesses pontos de vista, e parecia às vezes nem um pouco impaciente porque eu não as recebia sem questionar. Ele costumava insistir que se eu racionalizasse o assunto, acabaria provavemente caindo na infidelidade. Então ele me lembrava de alguns dos estudantes que ingressaram em Princeton e deixaram como infiéis, porque racionalizavam o assunto, e não aceitavam a Confissão de Fé e os ensinamentos dos doutores naquela escola. Sobre tudo isso, ele repetidamente avisava-me, com muita sinceridade, que como pastor eu nunca sería útil, a menos que aceitasse a verdade, isto é, a verdade como ele via e ensinava.
  28. 28. Eu tenho certeza que estava muito disposto a acreditar no que eu encontrasse na bíblia, e assim o disse. Costumávamos ter muitas discussões prolongadas, e muitas vezes eu saía de seus estudos muito deprimido e desencorajado, dizendo a mim mesmo “Não posso aceitar que essas visões sejam assim. Não posso acreditar que sejam ensinadas na bíblia." E muitas vezes estive prestes a desistir do estudo para o ministério para sempre. Havia somente um membro na igreja para quem eu abria minha mente com liberdade sobre esse assunto, e ele era o Presbítero H, um homem de Deus, homem de oração. Ele fora ensinado segundo as visões de Princeton, e defendia muito as mais altas doutrinas do Calvinismo. Contudo, conforme tínhamos longas e freqüentes conversas, ele passou a acreditar que eu estava certo, e visitava-me freqüentemente para que orássemos juntos, para que eu me fortalecesse em meus estudos e em minhas discussões com o Sr. Gale, e para que eu me decidisse com mais firmeza de que, não importa o que houvesse, eu pregaria o Evangélho. Várias vezes ele se unia a mim quando eu estava grandemente deprimido, ao retornar dos estudos com o Sr. Gale. Nessas ocasiões, ele ia comigo para meu quarto, e às vezes ficávamos até tarde da noite clamando a Deus por luz e força, e por fé para aceitar e cumprir Sua vontade perfeita. Ele vivia a quase cinco quilômetros da vila, e freqüentemente ficava comigo até dez ou onze horas da noite, e depois ia andando para casa. Aquele senhor querido! Tenho razões para acreditar que orou por mim todos os dias de sua vida. Depois que ingressei no ministério e que grande oposição se levantara contra minhas pregações, encontrei uma vez com o Presbítero H, e ele mencionou as oposições e disse “Ah! Minha alma está tão aflita que oro por você dia e noite. Mas tenho certeza que Deus o ajudará. Vá em frente” ele disse “vá em frente, irmão Finney, o Senhor lhe dará libertação”. Certa tarde, Sr. Gale e eu conversávamos longamente sobre a redenção, e chegou a hora de irmos para a reunião de oração. Continuamos nossa conversa sobre o assunto até entrarmos na igreja. Como tinhamos chegado cedo e ainda poucas pessoas estavam lá, continuamos a conversar. As pessoas continuavam entrando, sentavam-se e escutavam com grande atenção o que falávamos. Nossa discussão era muito sincera, e creio que conduzida de forma cristã. As pessoas ficaram cada vez mais interessadas em ouvir nossa discussão, e quando propusemos que parássemos para dar início à reunião, imploravam-nos com sinceridade que continuássemos para que aquela fosse nossa reunião. Assim o fizemos, e passamos a noite inteira, creio que em grande parte para a satisfação dos presentes, e também para sua edificação. Após estar estudando teologia por alguns meses, e a saúde do Sr. Gale não o permitia mais pregar, um pregador Universalista veio e começou a promulgar suas doutrinas desagradáveis. Os membros da comunidade que não se haviam arrependido pareciam muito dispostos a ouvi-lo, e por fim as pessoas ficaram tão interessadas que muitas delas começaram a titubiar em suas mentes, quanto às visões da bíblia comumente recebidas. Nessa situação, o Sr. Gale, juntamente com alguns dos presbíteros de sua igreja, pediram que eu falasse ao povo sobre esse assunto, e ver se eu não poderia responder aos argumentos do Universalista. O grande esforço deste era, claro, mostrar que o pecado não merecia punição sem fim. Ele acusava a punição eterna de injusta,
  29. 29. infinitamente cruel e absurda. Deus era amor, como poderia um Deus de amor punir o homem eternamente? Levantei-me em uma de nossas reuniões vespertinas e disse “Esse pregador Universalista defende doutrinas que são novas para mim, e não creio que elas sejam ensinadas na bíblia. Mas vou examinar o assunto, e se não puder provar que seus pontos de vista são falsos, eu mesmo hei de me tornar um Universalista”. Então sugeri uma reunião na semana seguinte, onde prometi apresentar uma palestra em oposição a seus pontos de vista. O povo cristão estava um tanto quanto chocado com minha ousadia em dizer que tornar-me-ia um Universalista, se não pudesse provar que suas doutrinas eram falsas. Entretanto, eu tinha certeza que podia. Quando chegou a noite de minha palestra, a casa estava lotada. Eu tomei a questão da justiça da punição eterna, e dissertei naquela noite, bem como na noite seguinte. Havia uma satisfação geral em relação à apresentação. O próprio Universalista viu que o povo estava convencido de que ele estava errado, então adotou outra política. Sr. Gale, junto com sua escola de teologia, continuavam a defender que a redenção de Cristo era o pagamento literal da dívida dos eleitos, um sofrimento de apenas o quê eles mereciam sofrer, de maneira que os eleitos fossem salvos sob princípios de justiça exata: Cristo, até onde eles viam, tendo cumprido completamente as exigências da lei. O Universalista aderiu a essa visão, presumindo que essa era a real natureza da remissão. Ele apenas tinha que provar que a remissão fora feita para todos os homens, e então ele poderia mostrar que todos os homens seriam salvos, pois a dívida da humanidade fora literalmente paga pelo Senhor Jesus Cristo, e o Universalismo seguiria baseado na justiça, pois Deus não poderia punir justamente aqueles cujas dívidas já foram pagas. Eu vi, e as pessoas viram, aquelas que compreendiam a posição do Sr. Gale, que o Universalista colocara-se em uma situação justa. Pois era fácil provar que a redenção fora feita para toda a humanidade, e se a natureza e valor da redenção eram aqueles que o Sr. Gale defendia, a salvação universal era um resultado inevitável. Isso mais uma vez afastou o povo. Sr. Gale me mandou chamar e pediu para que eu fosse e novamente respondesse a ele. Ele disse que entendia que a questão baseada na lei estava acertada, mas agora eu deveria responder a seu argumento baseado no Evangélho. Eu disse a ele “Sr. Gale, não posso fazer isso sem contradizer seus pontos de vista no assunto e colocá-los de lado. Com suas opiniões sobre a redenção, ele não pode ser respondido. Pois se o senhor tem a visão correta da redenção, as pessoas podem ver facilmente que Cristo morreu por todos os homens, pelo mundo inteiro de pecadores, e portanto a menos que o senhor permita-me descartar seus pontos de vista sobre o assunto, nada posso dizer para qualquer fim.” “Bem” o Sr. Gale disse, “não será possível deixar a situação do jeito que está. Você pode dizer o que quiser, apenas vá e responda-lhe de seu própria maneira. Se eu achar necessário pregar sobre o assunto da redenção, serei obrigado a contradizer você”. “Muito bem” eu disse, “deixe-me apenas mostrar meus pontos de vista, e posso responder ao Universalista, e depois o senhor pode dizer ao povo o que quiser.” Eu então disse que falaria sobre o argumento do Universalista baseado no Evangélho. Dei duas palestras sobre a redenção. Nelas, creio que consegui mostrar plenamente que a remissão não consistia em um pagamento literal da dívida dos pecadores, no sentido que o Universalista acreditava, mas sim que ela simplesmente tornava possível a salvação de todos os homens, e que por si, não colocava Deus na obrigação de

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