Texto oper i-out2010

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Texto oper i-out2010

  1. 1. O Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares: Metodologias de Operacionalização (Parte I)O texto desta Sessão pretende constituir-se como uma espécie de guia para a auto-avaliaçãoda biblioteca escolar no âmbito do novo Modelo de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares,lançado pelo Gabinete RBE em 2009/10. A informação disponibilizada neste texto deverá sercomplementada com a leitura obrigatória do capítulo de Orientações para Aplicação inseridas nodocumento do Modelo de Auto-avaliação.A sessão tem um carácter eminentemente prático, fazendo ainda especial apelo aoconhecimento e experiência dos professores-bibliotecários já envolvidos ou a envolver naaplicação do modelo.São objectivos da sessão:• Compreender como é que a auto-avaliação pode ser concretizada para demonstrar a contribuição da BE para o ensino e aprendizagem e a missão e objectivos da escola.• Ganhar familiaridade com o processo de auto-avaliação adoptado pelo Modelo de Auto- avaliação RBE e capacitar para a sua aplicação.• Conhecer as técnicas e instrumentos propostos, o modo como se organizam e podem ser usadosA principal fonte de informação a utilizar será o próprio modelo, relativamente ao qual sesolicita uma leitura e análise aprofundada.There are many tools and methods to use to evaluate school library media centers. It’simportant to identify the issue you want to address, identify the data you need to collect,match the correct evaluative method to gather that data, analyze it, and report it to theappropriate people. By following these steps, you’ll realize many benefits and potentialimprovements to your program. Everhart, Nancy. Evaluation of School Library Media Centers: demonstrating quality, Library Media Connection, March, 2003O Quê?É cada vez mais importante que as bibliotecas escolares demonstrem o seu contributo para aaprendizagem e o sucesso educativo das crianças e jovens que servem.Referindo-nos à avaliação das bibliotecas em geral, a abordagem mais tradicional tem sido ade avaliar as bibliotecas em termos de inputs (instalações, equipamentos, financiamentos,staff, colecções, etc.), processos (actividades e serviços) e outputs (visitas à biblioteca,empréstimos, consultas do catálogo, pesquisas bibliográficas; respostas do serviço de 1
  2. 2. referência, materiais produzidos, etc. …), desenvolvendoformas de avaliação da qualidade dos serviços e da suaperformance de carácter eminentemente quantitativo eas mais das vezes traduzidas em termos de custos eeficiência.Medir os outcomes (Impactos) significa, no entanto, irmais além, no sentido de conhecer o benefício para os Para a clarificação de conceitos eutilizadores da sua interacção com a biblioteca. A compreensão das diferentesqualidade não deriva nesta acepção, da biblioteca em si abordagens que a partir dos anos 80 foram forjando as diferentesmesma ou do seu peso intrínseco, mas do valor tipologias e focus da avaliaçãoatribuído pelos utilizadores a esse benefício, traduzido (Gestão da Qualidade; Satisfactionnuma mudança de conhecimento, competências, Surveys; Normas ISO2789-atitudes, valores, níveis de sucesso, bem-estar, inclusão, Estatísticas e ISO11620-Indicadoresetc. de Performance, Evidence Based Practice, e outros, pode ler o artigoINPUTS → PROCESSOS → OUTPUTS →OUTCOMES de Luiza Melo, Estatísticas e Avaliação da Qualidade e do Desempenho eO modelo de auto-avaliação das bibliotecas escolaresprocurou orientar-se sobretudo segundo uma filosofiade avaliação baseada em outcomes e de natureza Para obter conhecimento sobreessencialmente qualitativa, reflectindo a tendência medidas de impacto, podegeral das políticas educativas e de gestão e avaliação das consultar o artigo de Roswitha Pollescolas, também elas fortemente orientadas para os e Philip Payne:resultados. Impact Measures for Libraries and Information Services Não existe um modelo institucional para a auto-avaliação das escolas.Que Relação Com Outros Modelos de Avaliação? Boa parte dos estabelecimentos de ensino recorreu aoNuma fase em que muitos avanços têm sido realizados Modelo de Excelência da EFQM act. 2010relativamente à avaliação das escolas, ganha todo o (European Foundation for Qualitysentido integrar nesse trabalho a avaliação das Management) e à Ferramenta CAFbibliotecas, elegendo a sua auto-avaliação como parte (Common Assessement Framework), construída paraessencial da avaliação interna da escola e base para a ajudar os diferentes sectores dasavaliação externa realizada pela Inspecção Geral de administrações públicas da UE naEducação, fazendo uso desta avaliação externa como gestão da qualidade e melhoria deforma de validação do processo de auto-avaliação. desempenho. A sua estrutura organiza-se em nove Critérios:É, deste modo, conveniente tentar entrosar a avaliação cinco Critérios de Meios e quatroda biblioteca o mais possível com o modelo de auto- Critérios de Resultados.avaliação utilizado pela escola e com a avaliaçãoexterna da escola, desenvolvida segundo uma lógicaprópria, muito próxima às escolas, à educação e àinvestigação em educação.Relevando o mesmo tipo de preocupação, também naconstrução do modelo de auto-avaliação da BE se 2
  3. 3. utilizou uma linguagem e ideário específicos daeducação e das escolas, procurando reflectir as O Modelo de Avaliação Externa dasactuais tendências na ênfase em torno do sucesso Escolas utiliza umeducativo e da melhoria de resultados. Quadro de Referência baseado em cinco Domínios. A Biblioteca Escolar éO modelo de auto-avaliação das bibliotecas escolares explicitamente referida no ponto 3.3.deve estar, deste modo, perfeitamente “Gestão dos Recursos Materiais econtextualizado e ancorado na escola e no diálogo financeiros” do Domínio 3.que a biblioteca tem de estabelecer com ela e com a “Organização e Gestão Escolar”,comunidade, afastando-se de uma concepção mais embora a sua avaliação perpassefechada ou excessivamente centrada na avaliação de outros Domínios, dado o actualdesempenho e da satisfação dos utilizadores, entendimento da BE não apenas como um espaço fornecedor de recursosembora também faça necessariamente uso de alguns mas, sobretudo, como um centro cadados seus indicadores. vez mais activo e interveniente aoEsta relação da avaliação da biblioteca com a nível da aprendizagem e da formação dos alunos. Para estabelecer a ligaçãoavaliação da escola ganha ainda mais pertinência se entre a auto-avaliação da escola e ativermos em conta o carácter transversal e a grande avaliação externa, a IGE desenvolveuinteracção que a biblioteca deve estabelecer com umatodos os órgãos da escola. Por exemplo, se a estrutura descritiva comum de apresentaçãobiblioteca partilhar um conjunto de objectivos anuais, com seis campos de análise.integrantes do Plano Anual da Escola, em relaçãodirecta com as prioridades estabelecidas peloconjunto da escola, a avaliação a realizar no final do ano deve necessariamente integrar abiblioteca enquanto parte da política e estratégia global conduzida pela escola ao longo doano e tomar em conta os seus resultados no processo de planeamento do ano seguinte. Isto écertamente válido quando se avalia o papel da biblioteca nas actividades de ensino eaprendizagem, mas também se aplica a outros domínios como por exemplo, o da literacia dainformação, da leitura, ou outros.Esta perspectiva pode, por outro lado, ajudar ainda a economizar esforço e tempo,designadamente através da aplicação de questões comuns e do tratamento conjunto dedados relativos a determinados projectos ou actividades.Porquê?O propósito da auto-avaliação é apoiar o desenvolvimento das bibliotecas escolares edemonstrar a sua contribuição e impacto no ensino e aprendizagem, de modo a que elaresponda cada vez mais às necessidades da escola no atingir da sua missão e objectivos.A avaliação deve ser encarada como uma componente natural da actividade de gestão dabiblioteca, usando os seus resultados para a melhoria contínua, de acordo com um processocíclico de planeamento, execução e avaliação: 3
  4. 4. PLANEAMENTO (ESTRATÉGICO/OPERACIONAL)↑ ↓AVALIAÇÃO ← EXECUÇÃO E MONITORIZAÇÃO A CILIPS/SLIC (Escócia) disponibiliza no seu site alguns exemplos de actividadesQue constrangimentos? específicas de recolha deA avaliação de impactos das BE no sucesso educativo é evidências e avaliação. Podeparticularmente complexa, por não ser possível isolar, consultar um desses exemplos (numa miríade de variáveis possíveis, a contribuição da Start a reading group) ou entãobiblioteca, separarando-a de outras influências, pelo experimentar realizar o exercíciomenos de uma forma directa. proposto ( Introduction to the Internet and Effective search StEsta dificuldade aconselha a que não se avaliem os ).resultados da acção da biblioteca de uma forma global,mas aplicada a determinadas actividades, serviços ouprogramas, e a que se faça um estudo tanto quanto possível longitudinal, de modo a que sejadado tempo para que determinados resultados se possam tornar claros.Exemplos:• Avaliar se o nível de compreensão leitora melhorou depois de desenvolver um programa particular de intervenção da biblioteca na área da formação de leitores.• Também é possível restringir a avaliação em termos de públicos-alvo. Se a biblioteca escolar apoiou as actividades de enriquecimento curricular em escolas do 1º ciclo ou em determinados anos de escolaridade, pode avaliar este tópico, fazendo incidir essa avaliação nessas escolas do Agrupamento ou nos anos de escolaridade em que esse apoio foi desenvolvido.• Se a biblioteca escolar esteve de algum modo, envolvida em algum projecto de parceria com elementos ou instituições da comunidade, a avaliação a realizar sobre esse tópico incidirá nos anos, turmas, alunos e docentes implicados nesse projecto.Em suma, a avaliação da biblioteca não é algo que possa ser concebido em abstracto ou sobreo vazio. Avaliar a biblioteca significa avaliar a sua acção em determinados aspectos e osresultados obtidos com esse trabalho, de acordo com os objectivos previamente definidos,tendo porventura em consideração o referencial (Indicadores e Factores críticos de sucesso) àluz dos quais esses objectivos poderão já ter sido estabelecidos, partindo do princípio que osorientam uma ideia geral de melhoria e desenvolvimento de boas práticas.A questão mais crítica comummente apontada parece, pois, ser a da recolha de evidênciasdemonstrativas do impacto da biblioteca, mas o modelo fornece uma estrutura e materiaisque ajudam a orientar este trabalho.Concluindo, os principais desafios colocados pelo Modelo de Auto-Avaliação residem naavaliação dos impactos sobre os utilizadores e derivam da necessidade de, a este respeito: 4
  5. 5. • Clarificar adequadamente os objectivos da BE; • Esclarecer os objectivos de aprendizagem dos alunos em relação com a biblioteca; • Estabelecer os Indicadores adequados para essas aprendizagens; • Recolher as evidências apropriadas, lidando com dados de natureza quantitativa e qualitativa; • Assegurar a realização do processo de recolha, tratamento, análise e comunicação dos dados;Com quem?O modelo deve adaptar-se a diferentes realidades, permitindo avaliar bibliotecas de escolasde diferentes níveis de ensino e bibliotecas servindo quer uma única escola, quer um conjuntode escolas ou agrupamento.As bibliotecas em causa podem, por outro lado, servir exclusivamente a população escolar ouestar abertas à comunidade, podendo nesta situação, a sua avaliação envolver outrasentidades e públicos.As BMs/SABEs, por exemplo, podem desempenhar um papel particularmente importante naaplicação do modelo nas escolas do 1º Ciclo e Pré-escolar, derivado das responsabilidadesespecíficas que têm na sua gestão e acompanhamento.O modelo deve ser trabalhado pelo Professor Bibliotecário com o apoio da respectiva Equipae da Direcção.O envolvimento e mobilização dos utilizadores (docentes, alunos, …), a quem é pedida umaparticipação muito activa, é fundamental e tem a sua maior razão de ser no facto da avaliaçãose centrar não apenas na própria biblioteca mas, sobretudo, nos seus utilizadores. Boa partedas evidências requisitam a sua disponibilidade e empenho na resposta a inquéritos, cedênciade materiais, actividades de observação, etc., por isso a sua colaboração, sobretudo a nível dosdocentes, constitui um aspecto crítico para o sucesso desta avaliação. A avaliação não deve serencarada como uma imposição mas como uma mais-valia para a melhoria da escola, sendo deevitar quaisquer riscos de subversão do seu espírito (avaliação - formulário).Finalmente, também os pais/encarregados de educação são chamados a participar naavaliação da biblioteca, particularmente em certos aspectos, como por exemplo, os da leiturae utilização da biblioteca pelos seus filhos/educandos.A implicação de outras entidades na avaliação também pode ser útil, não apenas pelo pesoque podem ter em diferentes parcerias, mas também como um auxiliar, desempenhando odesignado papel de “Critical Friend” ou “Devil’s Advocat” na análise e interpretação dosresultados e elaboração de conclusões. A BM/SABE, os Grupos de Trabalho Concelhios ou osCoordenadores Inter-concelhios da RBE podem porventura desempenhar este papel. 5
  6. 6. Que Etapas?A implementação da auto-avaliação implica o cumprimento de alguns passos queesquematicamente se apresentam:• Motivação e compromisso institucional dos órgãos de gestão pedagógica e executiva da escola com o processo de auto-avaliação da BE, formalização de alguns procedimentos no sentido de uma co-responsabilização de todos os intervenientes (apresentação aos colegas do propósito e metodologia da auto-avaliação; participação da BE em reuniões alargadas ou restritas de docentes para recolha da informação; facilitação de documentação; disponibilização de dados; formas de colaboração com os docentes na recolha de evidências sobre os alunos, etc.), aceitação dos resultados e acordo sobre a subsequente promoção de um plano de melhoria.• Constituição, sob a responsabilidade do Professor Bibliotecário, de um grupo responsável ao nível da escola/agrupamento pela condução do processo de auto-avaliação da BE; definição e partilha de tarefas entre os elementos do grupo.• Elaboração do Plano de Avaliação: Problema/Diagnóstico; Identificação do objecto da avaliação; Tipo de avaliação de medida a empreender; Métodos e instrumentos a utilizar; Intervenientes; Calendarização; Planificação da recolha e tratamento de dados; Análise e comunicação da informação; Limitações, Levantamento de necessidades (recursos humanos, financeiros, materiais,…), etc.• Desenvolvimento do processo de avaliação: recolha e tratamento de informação; análise dos dados; descrição da situação; relação com os standards de desempenho ou benchmarks; identificação dos pontos fortes e fracos; definição e priorização de acções de melhoria; redacção e divulgação do relatório final de avaliação.Como se Estrutura o Modelo de Auto-Avaliação?O Modelo é constituído por quatro Domínios, divididos em Subdomínios.A. Apoio ao Desenvolvimento CurricularA.1 Articulação Curricular da BE com as Estruturas de Coordenação Educativa e SupervisãoPedagógica e os DocentesA. 2 Promoção das Literacias da Informação, Tecnológica e DigitalB. Leitura e LiteraciaC. Projectos, Parcerias e Actividades Livres e de Abertura à ComunidadeC.1 Apoio a actividades livres, extra-curriculares e de enriquecimento curricularC.2 Projectos e parceriasD. Gestão da Biblioteca EscolarD.1 Articulação da BE com a Escola/ Agrupamento. Acesso e serviços prestados pela BE 6
  7. 7. D.2 Condições humanas e materiais para a prestação dos serviçosD.3 Gestão da colecção/da informaçãoDentro de cada Subdomínio identificam-se conjuntos de Indicadores ou critérios, os quaisapontam para os aspectos nucleares de intervenção da BE inerentes a esse Subdomínio (v.Modelo).Os Indicadores desdobram-se, por sua vez, em diferentes Factores Críticos, que constituem asactividades ou acções que demonstram sucesso e são valorizadas na avaliação de cadaIndicador (v. Modelo)O modelo é propositadamente ambicioso na definição destes factores, de modo a serestimulante e impedir que as escolas apenas reflictam nele as actividades/acções quecomummente já realizam, incentivando ao desenvolvimento de boas práticas e tendo, nestamedida, uma forte componente formativa.As Evidências mostram que essas actividades/acções foram efectivamente desenvolvidas esustentam a formulação de juízos de valor sobre os seus resultados.Para cada Indicador ou conjunto de Indicadores foram identificadas vários exemplos deEvidências (v. Modelo), através das quais será possível fazer corresponder a que nível deperformance corresponde a prática da biblioteca em relação com aquele/s Indicador/es.Na última coluna das tabelas (v. Modelo) apresentam-se para cada Indicador, exemplos deAcções para a melhoria, ou seja, propostas de iniciativas variadas a realizar no caso de sernecessário melhorar o desempenho da BE em relação com aquele Indicador.Fazem ainda parte do Modelo, um conjunto de Perfis de Desempenho (v. Modelo)estabelecidos para os diferentes Subdomínios. Os Perfis ou cenários indicam quatro níveis deperformance, sendo seu objectivo ajudar a escola a identificar qual o nível que melhorcorresponde à situação da biblioteca em cada Subdomínio e perceber, de acordo com o nívelatingido, o que está em jogo para poder melhorar para o nível seguinte.Considera-se que a BE se situa num determinado nível de desempenho se cumprir, pelomenos, 4 em 5, 5 em 6 ou 6 em 7 descritores, consoante o número de descritores quecaracterizam os perfis. Nível Descrição 4 A BE é muito forte neste domínio. O trabalho desenvolvido é de grande qualidade e com um impacto bastante positivo. 3 A BE desenvolve um trabalho de qualidade neste domínio mas ainda é possível melhorar alguns aspectos. 2 A BE começou a desenvolver trabalho neste domínio, sendo necessário melhorar o desempenho para que o seu impacto seja mais efectivo. 7
  8. 8. 1 A BE desenvolve pouco ou nenhum trabalho neste domínio, o seu impacto é bastante reduzido, sendo necessário intervir com urgência.O resultado da auto-avaliação de cada Domínio deverá ser registado na Tabela respectiva(secção A do relatório), que identifica as Evidências recolhidas em cada Subdomínio, pontosfortes e fracos detectados. O produto desta sistematização resulta no preenchimento de umquadro síntese com: Domínio/ Subdomínio e acções para melhoria, as quais constituem umdos objectivos fundamentais da auto-avaliação.O Documento base contém ainda uma bateria de Instrumentos de Recolha de Evidências(Questionários a professores, a alunos e aos encarregados de educação, Checklists, Grelhas deobservação de competências e Grelhas de análise de trabalhos escolares), referenciados apartir das tabelas com um código (QP1/2/3…; QA1/2/3/4…; QEE1; CK1/2; O1/2; T1) – verinstrumentos de recolha. A disponibilização destes instrumentos às escolas pode criar algumauniformidade em termos da informação que vai ser recolhida nas escolas, facilitando apossibilidade de benchmarking externo entre escolas, sem prejuízo das necessáriasadaptações à realidade e necessidades das escolas.Como?O modelo faz uso de um conjunto de métodos quantitativos e qualitativos, e de técnicas derecolha de informação variada, envolvendo:• A recolha documental de registos de planeamento e das actividades da BE• A observação de actividades de aprendizagem demonstrativas da aquisição ou desenvolvimento de conhecimentos, competências e atitudes (Grelhas de Observação)• a auto-avaliação e inquérito aos utilizadores (ChecKlists; Questionários).• O levantamento de dados estatísticos de utilização da biblioteca.• A análise de trabalhos de alunos 8
  9. 9. • O levantamento de dados relativos à gestão de recursos (financeiros, materiais, humanos e de informação) da BE Na Internet é possível encontrar muitosA avaliação de cada indicador ganha em fazer uso guias e Kits de apoio e ferramentas sobrede instrumentos diversificados, os quais permitem, métodos e técnicas de recolha deao serem cruzados, obter uma informação mais evidências. Deste modo, propomos:consistente e fiável. A leitura atenta das PáginasEm termos de quantidade, sugere-se uma Basic Guide to Program Evaluation e The Program Manager’s Guide to Evaluationaplicação dos instrumentos a 20% do número total – leitura facultativa - , onde, entrede professores e 10% do número de alunos em outros, se incluem diferentes tópicoscada nível de escolaridade, de modo a obter (Plano de Avaliação da BE, tipos deamostras representativas . Avaliação, Selecção e Análise dos diferentes métodos, Análise daSimplifique o trabalho de recolha de evidências, informação, etc.) e se explicam oscingindo ao mínimo possível a informação de que conceitos e os “O Quê?” “Quem?”comprovadamente necessita para a demonstração “Como?” e “ Porquê” da auto-avaliação.de determinado tópico. A consulta do siteSeja sistemático na recolha de evidências. eVALUEd: An Evaluation ToolKit for E-library Developments e a leitura em particular, do seu Summary Booklet (p. 8-17), sobre a utilidade, vantagens, desvantagens eQuestionários aplicação dos diferentes métodos e ferramentas.Os questionários são uma das formas mais vulgarese expeditas de recolher informação e poder Facultativamente, pode aindacompará-la. Uma das vantagens dos questionários experimentar outras tools, como poré que a informação pode ser recolhida, registada, exemplo, as fornecidas pelotratada e usada num curto espaço de tempo, além Projecto IBEC.de permitir questionar um número elevado de As escolas portuguesas recorrem a umapessoas e obter um número elevado de respostas. grande variedade de programas para registo, tratamento e análise dos seusGrelhas de Observação de competências dados de avaliação, utilizando,Embora complexa, a observação constitui um consoante os casos, Bases de dados,poderoso método de recolha de evidências que os Folhas de Cálculo ou Programas de Estatística, de que o mais popular é ooutros instrumentos não permitem obter, por SPSS. A RBE disponibiliza desde o anoexemplo, ao nível da avaliação da proficiência, transacto uma ferramenta online para acomportamentos e atitudes na execução de uma aplicação, registo e tratamento, emdeterminada tarefa. cada ano, dos dados dos questionários, grelhas e checklists do Modelo, e para aA observação deve contemplar alunos dos vários elaboração e difusão do respectivoníveis, anos de escolaridade mas é preciso ter em relatório de auto-avaliação.conta a idade e capacidade dos alunos. As grelhasde observação permitem um registo dividido porníveis de escolaridade, necessitando, contudo, de 9
  10. 10. ser melhor adaptadas, de acordo com os currículos decompetências inerentes a cada nível ou contextodisciplinar. No caso da observação em contexto deaula devem, por exemplo, ser observadas turmas emtrabalho no âmbito de diferentes disciplinas. A observação de alunos noPara ser mais eficaz, a observação deve concentrar-se Subdomínio C1 deve fazer-se de forma prolongada e com diferentesnum número limitado de aspectos. A realização de alunos ou grupos, uma vez que sevárias observações num curto período de tempo pode trata da utilização livre e extra-fornecer uma visão mais profunda dos aspectos que se curricular da BE, em que não há umapretendem observar. Observações mais espaçadas ao utilização estruturada com turmas elongo do ano mas regulares (por exemplo uma por não há uma utilização continuada oumês), podem fornecer um quadro mais representativo. sistemática pelos mesmos alunos ou grupos. O período estabelecido podeGrelhas de análise de trabalhos dos alunos variar, desde uma ou mais semanas, a um ou mais períodos lectivos,A análise de trabalhos de alunos de diferentes anos de consoante as situações e os aspectosescolaridade e de diferentes áreas disciplinares é uma em que se pretende fazer incidir aimportante técnica de avaliação das aprendizagens avaliação. Imagine-se, por exemplo,facilitadas pela Biblioteca Escolar, por se poder que a biblioteca passou a abrir àconstituir como uma forma directa de “authentic hora de almoço e se pretendemassessment” do desempenho dos alunos, em conhecer os padrões e mais-valias docomplemento de outros resultados (por exemplo, uso da biblioteca nesse período doobtidos em testes, exames, etc.). A análise ao longo do dia. Ou, noutro exemplo, quetempo pode permitir avaliar os progressos realizados começou a funcionar um clube de leitura ou um projecto de leitura aao longo de um determinado período ou de um ano par abrangendo alunos mais novos epara o outro. alunos tutores mais velhos, cujoAnálise documental processo e resultados, durante o período da sua vigência, seDocumentos que podem testemunhar a veracidade pretendem acompanhar. Nodas afirmações feita. Por exemplo, documentos de primeiro caso, podem, por exemplo,Política e Gestão da Escola; Planificações; Orçamentos; escolher-se 3 semanas típicas, uma no 1º período, uma no 2º período eRegulamentos; Documentação sobre Projectos; Actas; outra no 3º período, para recolher aRelatórios, Planos Curriculares; Mapas de avaliações, informação necessária à avaliação deetc. acordo com as evidências e instrumentos seleccionados comoDados Estatísticos apropriados para avaliar aquelaAs estatísticas podem incidir sobre a utilização ou utilização. No segundo caso, ofuncionamento da biblioteca e trabalhar os inputs (por processo de avaliação deve decorrer em simultâneo e coincidir com aex: nº de documentos adquiridos), os processos (por duração e periodicidade daex: nº de sessões de formação de utilizadores actividade do clube ou projecto.organizadas com as turmas ao longo do ano) ou osoutputs (por ex: nº de visitas realizadas).Os sistemas de gestão bibliográfica e de redepermitem hoje a obtenção de uma série de dados 10
  11. 11. estatísticos de utilização do sistema de informação: localização dos PCs usados, programas ebases de dados acedidos, pesquisas realizadas, tipos de sites consultados, tempos deutilização, requisições e empréstimos, etc…Outros Exemplos de métodos e instrumentos passíveis de serem utilizados mas ainda nãocontemplados pelo ModeloEntrevistaA entrevista (individual ou conduzida em grupo – focus group) pode ser útil para obterinformação em maior profundidade, explicitar o sentido de certas perguntas e respostas dosquestionários, etc. A atenção dada ao entrevistado é diferente, mais pessoal e individualizada.Pode ser aconselhável no 1º ciclo onde é mais fácil colocar os alunos a falar e responderoralmente às perguntas. No entanto é mais exigente de tempo e, por isso, só deve ser utilizadacom um número restrito de pessoas, e pode ser inibidora em relação a determinado tipo deperguntas que anonimamente, num questionário, poderiam ser respondidas com menosrelutância.O focus group consiste numa pequena amostra representativa de pessoas cujas opiniões sobredeterminado assunto ou questão se pretendem obter. A dinâmica de grupo pode facilitar aexpressão de atitudes, opiniões e ideias. Com jovens e crianças, é conveniente que o gruposeja constituído por elementos que não se conheçam muito bem.Informal feedbackÉ possível, em função de cada situação particular, identificar outros métodos e instrumentos,para além dos sugeridos pelo modelo. Sendo comum, por exemplo, sobretudo em pequenasescolas, o contacto regular e informal entre os docentes ou com os pais, pode acontecer que,querendo avaliar determinado item, o coordenador da biblioteca considere como fonteimportante a recolha de informação obtida através do diálogo e discussão informal desse itemcom alguns docentes ou com um determinado número de pais.Quando?A aplicação do modelo faz-se numa base anual, escolhendo em cada ano um domínio ondeconcentrar o trabalho da auto-avaliação. Pretende-se que ao fim de quatro anos todos osdomínios tenham sido auto-avaliados, correspondendo este período ao ciclo de gestão eavaliação global da BE.Em termos de operacionalização, a avaliação deve ser entendida como uma actividade regularque faz parte do dia-a-dia do funcionamento da biblioteca e da escola, integrando as práticase rotinas da BE e da escola e evitando que possa representar uma excessiva carga de trabalho,embora consuma necessariamente algum tempo adicional. 11
  12. 12. Por onde começar?O ponto de partida pode derivar de uma primeira avaliação diagnóstica breve, da indicação deuma área de interesse já identificada em processos de avaliação anteriores, da selecção deuma área de interesse ou considerada prioritária face às metas da própria escola e que sepretende reforçar, do conhecimento geral dos pontos fracos e fortes da biblioteca ou de umarecomendação externa (da RBE, da Inspecção, do Grupo de Trabalho Concelhio/SABE, etc).Embora não seja impossível avaliar num determinado ano um dado Subdomínio, deixandopara mais tarde o/s restante/s Subdomínios da mesma área, e também não seja negada ahipótese de, nesta medida, poder avaliar num mesmo ano Subdomínios de áreas diferentes,há vantagem em avaliar em conjunto no mesmo ano todas as componentes de um dadodomínio, dada a estreita inter-relação que existe entre elas e o facto de muitos instrumentosde recolha de informação lhes serem comuns, dada a estrutura do próprio Modelo.Os resultados obtidos na avaliação de um determinado Subdomínio também podem indicar anecessidade de, em seguida, se avançar na avaliação de outro que se julga ter uma importanterelação com o primeiro, mesmo que pertencente a outro domínio.EXEMPLO:A avaliação da actividade de leitura lúdica ou recreativa depende, entre outros factores, daquantidade e qualidade das obras disponíveis na biblioteca para este efeito, aspecto este quese relaciona, por sua vez, com a gestão e avaliação da colecção. A melhoria dos índices daleitura por prazer pode desde modo passar por uma estratégia de avaliação da gestão dacolecção.Embora seja desejável avaliar um domínio de cada vez e na sua totalidade, a sua avaliaçãodeve ser encarada de forma flexível, sempre que tal se justifique.Como estabelecer comparações?A auto-avaliação pode potenciar, mediante determinadas condições (grupos de escolas com asmesmas características; articulação da actividades de avaliação nos mesmos tópicos, aplicaçãodos mesmos métodos e instrumentos; etc.) a partilha e estabelecimento de actividades debenchmarking externo em determinados aspectos, contribuindo para a identificação edisseminação de boas práticas.A Base de Dados da RBE, por seu turno, compila actualmente uma série de dados, sobretudoquantitativos, que descrevem e podem suplementar os dados da avaliação realizada por cadaescola, fornecendo uma imagem global das BEs e permitindo o benchmarking externo numasérie de tópicos, entre escolas com características similares do país ou de uma dada região. 12
  13. 13. Como aplicar o modelo?Passos a dar na aplicação do modelo:1) Escolher entre os quatro domínios um que pretenda avaliar. Pode ser aquele que se considera mais relevante de acordo com as prioridades da escola e da biblioteca escolar ou então um que se relacione com uma área de trabalho a necessitar de maior desenvolvimento. É indispensável envolver o Órgão de Gestão nesta escolha.2) Identificar o tipo de evidências que necessita de recolher para poder conhecer e fundamentar qual a performance da biblioteca no domínio escolhido. A tabela propõe na coluna “recolha de evidências” diferentes tipos de instrumentos que pode utilizar. É importante que a evidência e instrumentos estejam adaptados à biblioteca e necessidades da escola.3) Analisar os Dados recolhidos através da utilização dos instrumentos e desenvolver uma análise sobre a performance da biblioteca no domínio escolhido em relação com os standards estabelecidos4) Decidir em qual dos níveis de desempenho se situa a biblioteca nesse domínio ou subdomínio, de acordo com os perfis de desempenho descritos na respectiva tabela (1,2,3,e,4) - Quadro5) Registar na Tabela respectiva (secção A do relatório) as Evidências recolhidas em cada Subdomínio, pontos fortes e fracos detectados.6) Registar no Quadro - Síntese (secção A do relatório) o nível atingido e as formas como pensa que pode melhorar o nível de desempenho – acções para a melhoria. As tabelas fornecem a este propósito uma série de sugestões de acções de melhoria para cada indicador.7) Registar os resultados da auto-avaliação realizada no Relatório Anual da Biblioteca Escolar, de modo a que possa ser utilizado internamente, na auto-avaliação da escola e como fonte de informação para a avaliação externa (secção C do relatório).Para quê?A auto-avaliação da BE pode ajudar a melhorar a BE:• Identificando pontos fracos, priorizando necessidades, estabelecendo alvos e informando o plano de actividades seguinte.• identificando necessidades de investimento a ter em conta no plano orçamental, justificando o pedido de reforço de verbas ou de apoios suplementares.• sugerindo a mudança de certas práticas de trabalho e funcionamento. Por exemplo, a alteração de horários, a mudança da forma como está estruturado o apoio aos alunos, etc. 13
  14. 14. • aconselhando a adopção de outros modos de utilizar os recursos humanos de uma forma mais eficiente, mostrando, por exemplo, quando é mais importante a permanência e apoio de determinados docentes na BE, quais as necessidades de formação destes docentes para um trabalho mais eficaz, etc.A auto-avaliação pode ajudar a encorajar uma melhor utilização da BE:• demonstrando junto dos professores, o contributo da BE para a aprendizagem e os resultados escolares, mostrando-lhes as suas potencialidades e a forma como podem utilizá-la melhor nas suas actividades de planeamento das aulas e de ensino.A auto-avaliação da BE pode ajudar a promover a BE:• divulgando a sua acção, fazendo tomar consciência da importância da biblioteca, contribuindo para a sua afirmação e reconhecimento no âmbito das escolas e do sistema educativo.• ganhando voz e peso institucional a nível local e nacional.• reportando anualmente junto da escola os resultados e situação da biblioteca e disseminando as suas boas práticas• viabilizando a obtenção de um quadro geral sobre a situação das bibliotecas escolares em Portugal, fornecendo dados e informação estratégica de suporte à decisão e orientação de políticas e iniciativas a desenvolver por parte dos organismos responsáveis (ME/RBE; Autarquias, etc.), criando condições para o benchmarking e ajudando a preparar a visita da Inspecção e a avaliação externa:Como relatar os resultados da avaliação?A comunicação dos resultados da avaliação empreendida, a análise colectiva e reflexão daEscola/Agrupamento sobre esses resultados, e a identificação das acções de melhoria dospontos fracos identificados é muito importante, de modo a obter o comprometimento e apoioda escola a essas acções.O Relatório Final de Avaliação da BE é o instrumento de descrição e análise dos resultados daauto-avaliação, de identificação do conjunto de acções a ter em conta no planeamento futuroe de difusão desses resultados e acções junto dos órgãos de gestão e de decisão pedagógica.O Relatório deve integrar o Relatório Anual de Actividades da Escola/Agrupamento, originaruma súmula a incorporar no Relatório de Auto-Avaliação da Escola/Agrupamento, sempre queesta tiver lugar, e orientar o Professor Bibliotecário na possível entrevista a realizar pelaInspecção-Geral de Educação no âmbito da avaliação externa.Apesar de em cada ano ser apenas auto-avaliado um Domínio através do recurso ao Modelode Auto-avaliação da RBE, o qual exige um investimento mais significativo no sentido deprocurar aferir, de forma sistemática e objectiva, os resultados efectivos do trabalho 14
  15. 15. desenvolvido nesse Domínio, deve ter-se em conta que, sendo o trabalho e acção educativa daBE também incidentes noutros Domínios de intervenção, embora estes não sejam alvo domesmo tipo de avaliação, não deve deixar de se lhes fazer referência no Relatório Anual da BE.Não é por ter avaliado o Domínio A, por exemplo, que a BE deixou de desenvolver outrasactividades no âmbito dos Domínios B, C ou D. Embora não fazendo uso na apreciação dotrabalho desenvolvido nestas áreas, do mesmo tipo de evidências e instrumentos de recolhausados para avaliar o Domínio A, a BE possui, apesar de tudo, informação a relatar sobre otrabalho desenvolvido nas restantes áreas de intervenção da BE.O Relatório deve, portanto, dar uma visão holística do funcionamento da biblioteca escolar,incluindo a informação mais detalhada e fundamentada sobre a aplicação do modelo de auto-avaliação no Domínio seleccionado, e a informação disponível sobre os restantes Domíniosque, não tendo sido avaliados por esse processo, não deixaram de ser trabalhados durante oano pelas BEs.O Relatório proposto pela RBE encontra-se, por isso, estruturado em três Secções:A Secção A – Destina-se à apresentação da avaliação do domínio que, no âmbito da aplicaçãodo Modelo, foi objecto de avaliação.A Secção B – Destina-se a apresentar uma informação simplificada acerca do perfil dedesempenho da BE nos domínios que, não sendo objecto de avaliação nesse ano lectivo,testemunham o seu desempenho nas diferentes áreas de funcionamento da BE.A Secção C – Visa um resumo que forneça uma visão global, recorrendo a um quadro síntesedos resultados obtidos e das acções a implementar.A estrutura apresentada contém um layout onde todos os domínios estão presentes nassecções A e B. Cada BE usa, em função do domínio que escolheu, a estrutura adaptada à suasituação:Na Secção A, preenche apenas os quadros correspondentes ao domínio em que aplicou oModelo de Avaliação. Este domínio não é objecto de referência na Secção B.Na Secção B, preenche apenas os quadros gerais correspondentes aos restantes Domínios emque não aplicou o Modelo e que, por isso, não foram objecto de nenhuma referência naSecção A.A aplicação informática online disponibilizada pela RBE às BEs para registo e tratamento dedados da auto-avaliação integra também a componente de escrita e apresentação do relatóriofinal. 15

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