A colonização da memória

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Palestra sobre memória e educação patrimonial.

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A colonização da memória

  1. 1. EDUCAÇÃO PATRIMONIAL X COLONIZAÇÃO DA MEMÓRIA Natania A. Silva Nogueira Mestranda em História do Brasil Especialista em História Regional
  2. 2. A construção da memória • A memória é uma construção. • Quando recorremos a ela para lançar as bases da nossa história estamos trabalhando com algo fluído, passível de interpretações e reinterpretações. • A memória também é seletiva: escolhemos o que queremos lembrar, deixamos o restante para o esquecimento.
  3. 3. Chegada de Getúlio Vargas a Leopoldina, em 1939 (Fonte: O Leopoldinenese. Disponível em http://www.leopoldinense.com.br/base.asp?area=memoria&id=291, acesso em 26/03/2014)
  4. 4. O passado coloniza o presente • Da mesma forma que selecionamos nossas lembranças, selecionamos também aquilo que vai representá-las. • Nosso patrimônio histórico é selecionado com base em critérios fundamentados pela elite (econômica, política e cultural) ao longo dos anos. • Preservamos os monumentos, porque eles representam a grandeza, a era de ouro que não pode ser esquecida.
  5. 5. Escola Estadual Professor Botelho Reis – Foto cedida por Júlio Monerat
  6. 6. • Tal como aquela história que valoriza os grandes heróis e os grandes feitos, essa forma de enxergar o patrimônio histórico e cultural, a cultura material de uma comunidade fica condicionada a um discurso dominante onde só se dá voz a uma memória que se remete ao monumento.
  7. 7. Outros espaços da memória • Os espaços da memória podem ser encontrados nos campinhos de futebol frequentados por gerações e gerações de crianças; na casa onde a dona Francisca benzeu ao lado de seu fogão de lenha, com galhos de arruda, os filhos dos vizinhos e de pessoas das quais ela mal sabia o primeiro nome.
  8. 8. Benzedeira – imagem retirada do facebook
  9. 9. A educação patrimonial a partir da realidade da escola • O professor pode trabalhar educação patrimonial a partir da realidade dos seus alunos. • Podem ser utilizadas fotos que remetam a lembranças e a lugares: a igreja onde o/a estudante foi batizado, o sítio onde passava as férias, a praça onde brincava com os irmãos. • A escola e as ruas da cidade podem ser o seu museu, seu espaço de visitação.
  10. 10. Entrada do sítio onde morei até os 05 anos, que ficava ao lado da linha férrea, na zona rual de Ribeiro Junqieora - 1971
  11. 11. • Pode trabalhar educação patrimonial dentro usando a própria escola, identificando suas mudanças estruturais durante os anos, levantando sua história, redescobrindo seus arquivos, identificando entre os alunos práticas culturais do seu passado e seu presente.
  12. 12. Desfile de charretes em Piacatuba - 2012
  13. 13. Preservação não atrapalha o progresso • É preciso romper com a ideia de que preservar o antigo impede o surgimento do novo. • Passado e presente podem conviver em harmonia. • Podemos manter a memória e o patrimônio sem que isso seja um obstáculo para o desenvolvimento do município.
  14. 14. Trilhos de bonde achados em escavações foram expostos em vitrine na estação Adolfo Pinheiro, em São Paulo (Disponível em: http://goo.gl/7NrUVq, acesso em 26/03/2014)
  15. 15. Formação de uma identidade • A educação patrimonial e a construção de uma memória regional, fundada na história e nas práticas culturais, valoriza o indivíduo possibilitando que ele forme uma identidade local, que ele desenvolva um sentimento de pertencimento.

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