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INTRODUÇÃO
O Parnasianismo foi um movimento literário que surgiu na França, na
metade do século XIX e se desenvolveu na literatura européia, chegando ao
Brasil na segunda metade do século XIX e teve força até o movimento
modernista (Semana de Arte Moderna de 1922). Esta escola literária foi uma
oposição ao romantismo, pois representou a valorização da ciência e do
positivismo.
O nome parnasianismo surgiu na França e deriva do termo "Parnaso",
que na mitologia grega era o monte do deus Apolo e das musas da poesia. Na
França, os poetas parnasianos que mais se destacaram foram: Théophile
Gautier, Leconte de Lisle, Théodore de Banville e José Maria de Heredia.
Nasceu com a publicação de uma série de poesias, precedendo de
algumas décadas o simbolismo uma vez que os seus autores procuravam
recuperar os valores estéticos da antiguidade clássica. O seu nome vem do
Monte Parnaso, a montanha que, na mitologia grega era consagrada a Apolo e
às musas.
DESENVOLVIMENTO
Em Portugal, o movimento não foi muito importante, tendo como autores
Gonçalves Crespo (nascido no Brasil mas criado em Portugal desde os 10
anos de idade), João Penha, António Feijó e Cesário Verde.
No Brasil, o parnasianismo dominou a poesia até a chegada do
Modernismo brasileiro. A importância deste movimento no país deve-se não só
ao elevado número de poetas, mas também à extensão de sua influência, uma
vez que seus princípios estéticos dominaram por muito tempo a vida literária do
país, praticamente até o advento do Modernismo em 1922.
Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e
mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma
poesia realista. Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do
Romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações
emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de
arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento.
Dessa maneira, a década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a
socialista e a realista, primeiras manifestações da reforma que acabou por se
canalizar para o Parnasianismo. As influências iniciais foram Gonçalves Crespo
e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de
1877, quando chegou de uma estada em Paris. Alberto de Oliveira publicou
"Canções Românticas" em 1878 e Teófilo Dias, "Cantos Tropicais", dois dos
marcos iniciais da nova Escola 1 . De um começo tímido nos versos de Luís
Guimarães Júnior (Sonetos e rimas. 1880) e Teófilo Dias (Fanfarras. 1882),
firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (Sinfonias. 1883), novamente
Alberto de Oliveira (Meridionais. 1884) e Olavo Bilac (Relicário. 1888).
O Parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu
do Parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não
obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de
descrições realistas. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o
subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo
francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto. Quanto
ao assunto, caracteriza-se pela objetividade, o universalismo e o esteticismo.
Este último exige uma forma perfeita (formalismo) quanto à construção e à
sintaxe. Os poetas parnasianos vêem o homem preso à matéria, sem
possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o
pessimismo ou para o sensualismo.
Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que
configuraram a chamada tríade parnasiana, o movimento teve outros grandes
poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino,
Bernardino Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de
Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de
Meneses, Antônio Augusto de Lima, Luís Murat e Mário de Lima.
A partir de 1890, o Simbolismo começou a superar o Parnasianismo. O
realismo do Parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente
à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de
inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e
se manteve paralelo ao Simbolismo e mesmo ao Modernismo em sua primeira
fase.
O prestígio dos poetas parnasianos, ao final do século XIX, fez de seu
movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os próprios
poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando
esta se constituiu, em 1896. Em contato com o Simbolismo, o Parnasianismo
deu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista
e de transição.
Características Gerais:
Preciosismo: focaliza-se o detalhe; cada objeto deve singularizar-se, daí as
palavras raras e rimas ricas.
Objetividade e impessoalidade: O poeta apresenta o fato, a personagem, as
coisas como são e acontecem na realidade, sem deformá-los pela sua maneira
pessoal de ver, sentir e pensar. Esta posição combate o exagerado
subjetivismo romântico.
Arte Pela Arte: A poesia vale por si mesma, não tem nenhum tipo de
compromisso, e se justifica por sua beleza. Faz referências ao prosaico, e o
texto mostra interesse a coisas pertinentes a todos.
Estética/Culto à forma: Como os poemas não assumem nenhum tipo de
compromisso, a estética é muito valorizada. O poeta parnasiano busca a
perfeição formal a todo custo, e por vezes, se mostra incapaz para tal.
Aspectos importantes para essa estética perfeita são:
Rimas Ricas: São evitadas palavras da mesma classe gramatical. Há
uma ênfase das rimas do tipo ABAB para estrofes de quatro versos, porém
também muito usada as rimas interpoladas.
Valorização dos Sonetos: É dada preferência para os sonetos,
composição dividida em duas estrofes de quatro versos, e duas estrofes de três
versos. Revelando, no entanto, a "chave" do texto no último verso.
Metrificação Rigorosa: O número de sílabas poéticas deve ser o mesmo
em cada verso, preferencialmente com dez (decassílabos) ou doze sílabas
(versos alexandrinos), os mais utilizados no período. Ou apresentar uma
simetria constante, exemplo: primeiro verso de dez sílabas, segundo de seis
sílabas, terceiro de dez sílabas, quarto com seis sílabas, etc.
Descritivíssimo: Grande parte da poesia parnasiana é baseada em
objetos inertes, sempre optando pelos que exigem uma descrição bem
detalhada como "A Estátua", "Vaso Chinês" e "Vaso Grego" de Alberto de
Oliveira.
Temática Greco-Romana - A estética é muito valorizada no
Parnasianismo, mas mesmo assim, o texto precisa de um conteúdo. A temática
abordada pelos parnasianos recupera temas da antiguidade clássica,
características de sua história e sua mitologia. É bem comum os textos
descreverem deuses, heróis, fatos lendários, personagens marcados na
história e até mesmo objetos.
Cavalgamento ou encadeamento sintático (enjambement) - Ocorre
quando o verso termina quanto à métrica (pois chegou na décima sílaba), mas
não terminou quanto à ideia, quanto ao conteúdo, que se encerra no verso de
baixo. O verso depende do contexto para ser entendido. Tática para priorizar a
métrica e o conjunto de rimas.
Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac – a tríade brasileira
do Parnasianismo.
O Parnasianismo tem seu marco inicial com a publicação de “Fanfarras”
de Teófilo Dias, em 1882. Contudo, Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e
Raimundo Correia também auxiliaram a implantação do Parnasianismo no
Brasil.
A estética parnasiana, originada na França, valorizava a perfeição
formal, o rigor das regras clássicas na criação dos poemas, a preferência pelas
formas fixas (sonetos), a apreciação da rima e métrica, a descrição minuciosa,
a sensualidade, a mitologia greco-romana. Além disso, a doutrina da “arte pela
arte” esteve presente nos poemas parnasianos: alienação e descompromisso
quanto à realidade.
Contudo, os parnasianos brasileiros não seguiram todos os acordos
propostos pelos franceses, pois muitos poemas apresentam subjetividade e
preferência por temas voltados à realidade brasileira, contrariando outra
característica do parnasianismo francês: o universalismo.
Os temas universais, vangloriados pelos franceses, se opunham ao
individualismo romântico, que revelava aspectos pessoais, desejos, aflições e
sentimentos do autor.
Outra característica que o Parnasianismo brasileiro não seguiu à risca foi
a visão mais carnal do amor em relação à espiritual. Olavo Bilac,
principalmente, enfatizou o amor sensual, entretanto, sem vulgarizá-lo.
No Brasil, os principais autores parnasianos são: Olavo Bilac e
Raimundo Correia.
O poema “Profissão de fé” de Olavo Bilac é uma representação da
estética parnasiana no Brasil:
Veja um trecho:
(...)
E horas sem conta passo, mudo,
O olhar atento,
A trabalhar, longe de tudo
O pensamento.
Porque o escrever – tanta perícia
Tanta requer,
Que ofício tal... nem há notícia
De outro qualquer.
Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por servir-te, Deusa serena,
Serena Forma!
Vemos nas estrofes acima aspectos parnasianos, como “a arte pela
arte”: o poeta deixa claro que a arte poética exige do autor o afastamento
quanto ao que acontece no mundo.
Ainda vemos a exaltação e procura por um rigor técnico, purismo na
forma: o poeta diz que escrever requer muita perícia, cuidado e engrandece a
estética formal “Serena Forma”.
Além disso, observamos no poema a forma fixa dos sonetos, a rima rica
e a perfeita ou rara em contraposição aos versos livres e brancos dos poetas
românticos.
Os principais representantes do parnasianismo brasileiro:
 Olavo Bilac - Obras principais: Poesias (1888), Crônicas e novelas
(1894), Crítica e fantasia (1904), Conferências literárias (1906),
Dicionário de rimas (1913), Tratado de versificação (1910), Ironia e
piedade, crônicas (1916), Tarde (1919).
 Alberto de Oliveira. Obras principais: Meridionais (1884), Versos e
Rimas (1895), Poesias (1900), Céu, Terra e Mar (1914), O Culto da
Forma na Poesia Brasileira (1916).
 Raimundo Correia. Obras principais: Primeiros Sonhos (1879),
Sinfonias(1883), Versos e Versões(1887), Aleluias(1891),
Poesias(1898).
 Francisca Júlia. Obras principais: Mármores (1895), Livro da Infância
(1899), Esfínges (1903), Alma Infantil (1912).
 Vicente de Carvalho. Obras principais: Ardentias (1885), Relicário
(1888), Rosa, rosa de amor (1902), Poemas e canções, (1908), Versos
da mocidade (1909), Páginas soltas (1911), A voz dos sinos, (1916).
Estética Parnasiana.
O Parnasianismo surgiu na França em oposição às escolas literárias
Realismo e Naturalismo, opondo-se à prosa, já que foi um movimento
essencialmente poético.
A escola teve influência da doutrina “arte pela arte” apresentada por
Théophile Gautier, poeta e crítico literário francês, ainda no período do
Romantismo.
A teoria da “arte pela arte” ressalta o belo e o refinamento através da
autonomia da arte alheia à realidade.
O nome da escola vem do termo grego “Parnassus”, o qual indica o
lugar mitológico onde as musas moravam.
A denominação da escola literária se deve também à primeira
publicação parnasiana, intitulada “Le parnasse contemporain”, a qual apresenta
as seguintes características: linguagem descritiva, formas clássicas (rima,
métrica), indiferença. Os fundamentos parnasianos retomaram a perfeição
formal almejada pela Antiguidade clássica.
CONCLUSÃO
O poeta deve ser neutro diante da realidade, esconder seus
sentimentos, sua vida pessoal. A confissão íntima e o extravasamento
subjetivo, tão caros aos românticos, são vistos como inimigos da poesia. O Eu
precisa se apagar frente do mundo objetivo, eclipsar-se. O espetáculo humano,
cenas da natureza ou simples objetos são registrados, sem que haja
interferências da interioridade do artista. A exemplo do que ocorrera no
Realismo e no Naturalismo, o escritor é aquele que observa e reproduz as
coisas concretas. Tal postura iria se tornar muito complicada num gênero
literário que, desde a sua fundação, centrara-se na revelação da alma.
Os parnasianos ressuscitam o preceito latino de que a arte é gratuita,
que só vale por si própria. Ela não tem nenhum sentido utilitário, nenhum tipo
de compromisso. É auto-suficiente e justifica-se apenas por sua beleza formal.
Qualquer tipo de investigação do social, referência ao prosaico, interesse pelas
coisas comuns a todos os homens seria "matéria impura" a comprometer o
texto. Restabelecem, portanto, um esteticismo de fundo conservador que já
vigora na arte da decadência romana. A literatura passa a ser apenas um jogo
frívolo de espíritos elegantes.

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A tríade parnasiana brasileira: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia

  • 1. INTRODUÇÃO O Parnasianismo foi um movimento literário que surgiu na França, na metade do século XIX e se desenvolveu na literatura européia, chegando ao Brasil na segunda metade do século XIX e teve força até o movimento modernista (Semana de Arte Moderna de 1922). Esta escola literária foi uma oposição ao romantismo, pois representou a valorização da ciência e do positivismo. O nome parnasianismo surgiu na França e deriva do termo "Parnaso", que na mitologia grega era o monte do deus Apolo e das musas da poesia. Na França, os poetas parnasianos que mais se destacaram foram: Théophile Gautier, Leconte de Lisle, Théodore de Banville e José Maria de Heredia. Nasceu com a publicação de uma série de poesias, precedendo de algumas décadas o simbolismo uma vez que os seus autores procuravam recuperar os valores estéticos da antiguidade clássica. O seu nome vem do Monte Parnaso, a montanha que, na mitologia grega era consagrada a Apolo e às musas. DESENVOLVIMENTO Em Portugal, o movimento não foi muito importante, tendo como autores Gonçalves Crespo (nascido no Brasil mas criado em Portugal desde os 10 anos de idade), João Penha, António Feijó e Cesário Verde. No Brasil, o parnasianismo dominou a poesia até a chegada do Modernismo brasileiro. A importância deste movimento no país deve-se não só ao elevado número de poetas, mas também à extensão de sua influência, uma vez que seus princípios estéticos dominaram por muito tempo a vida literária do país, praticamente até o advento do Modernismo em 1922. Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma poesia realista. Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do Romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações
  • 2. emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento. Dessa maneira, a década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a socialista e a realista, primeiras manifestações da reforma que acabou por se canalizar para o Parnasianismo. As influências iniciais foram Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris. Alberto de Oliveira publicou "Canções Românticas" em 1878 e Teófilo Dias, "Cantos Tropicais", dois dos marcos iniciais da nova Escola 1 . De um começo tímido nos versos de Luís Guimarães Júnior (Sonetos e rimas. 1880) e Teófilo Dias (Fanfarras. 1882), firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (Sinfonias. 1883), novamente Alberto de Oliveira (Meridionais. 1884) e Olavo Bilac (Relicário. 1888). O Parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do Parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto. Quanto ao assunto, caracteriza-se pela objetividade, o universalismo e o esteticismo. Este último exige uma forma perfeita (formalismo) quanto à construção e à sintaxe. Os poetas parnasianos vêem o homem preso à matéria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o pessimismo ou para o sensualismo. Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a chamada tríade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino, Bernardino Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Antônio Augusto de Lima, Luís Murat e Mário de Lima. A partir de 1890, o Simbolismo começou a superar o Parnasianismo. O realismo do Parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e
  • 3. se manteve paralelo ao Simbolismo e mesmo ao Modernismo em sua primeira fase. O prestígio dos poetas parnasianos, ao final do século XIX, fez de seu movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os próprios poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu, em 1896. Em contato com o Simbolismo, o Parnasianismo deu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista e de transição. Características Gerais: Preciosismo: focaliza-se o detalhe; cada objeto deve singularizar-se, daí as palavras raras e rimas ricas. Objetividade e impessoalidade: O poeta apresenta o fato, a personagem, as coisas como são e acontecem na realidade, sem deformá-los pela sua maneira pessoal de ver, sentir e pensar. Esta posição combate o exagerado subjetivismo romântico. Arte Pela Arte: A poesia vale por si mesma, não tem nenhum tipo de compromisso, e se justifica por sua beleza. Faz referências ao prosaico, e o texto mostra interesse a coisas pertinentes a todos. Estética/Culto à forma: Como os poemas não assumem nenhum tipo de compromisso, a estética é muito valorizada. O poeta parnasiano busca a perfeição formal a todo custo, e por vezes, se mostra incapaz para tal. Aspectos importantes para essa estética perfeita são: Rimas Ricas: São evitadas palavras da mesma classe gramatical. Há uma ênfase das rimas do tipo ABAB para estrofes de quatro versos, porém também muito usada as rimas interpoladas. Valorização dos Sonetos: É dada preferência para os sonetos, composição dividida em duas estrofes de quatro versos, e duas estrofes de três versos. Revelando, no entanto, a "chave" do texto no último verso. Metrificação Rigorosa: O número de sílabas poéticas deve ser o mesmo em cada verso, preferencialmente com dez (decassílabos) ou doze sílabas
  • 4. (versos alexandrinos), os mais utilizados no período. Ou apresentar uma simetria constante, exemplo: primeiro verso de dez sílabas, segundo de seis sílabas, terceiro de dez sílabas, quarto com seis sílabas, etc. Descritivíssimo: Grande parte da poesia parnasiana é baseada em objetos inertes, sempre optando pelos que exigem uma descrição bem detalhada como "A Estátua", "Vaso Chinês" e "Vaso Grego" de Alberto de Oliveira. Temática Greco-Romana - A estética é muito valorizada no Parnasianismo, mas mesmo assim, o texto precisa de um conteúdo. A temática abordada pelos parnasianos recupera temas da antiguidade clássica, características de sua história e sua mitologia. É bem comum os textos descreverem deuses, heróis, fatos lendários, personagens marcados na história e até mesmo objetos. Cavalgamento ou encadeamento sintático (enjambement) - Ocorre quando o verso termina quanto à métrica (pois chegou na décima sílaba), mas não terminou quanto à ideia, quanto ao conteúdo, que se encerra no verso de baixo. O verso depende do contexto para ser entendido. Tática para priorizar a métrica e o conjunto de rimas. Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac – a tríade brasileira do Parnasianismo. O Parnasianismo tem seu marco inicial com a publicação de “Fanfarras” de Teófilo Dias, em 1882. Contudo, Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Raimundo Correia também auxiliaram a implantação do Parnasianismo no Brasil. A estética parnasiana, originada na França, valorizava a perfeição formal, o rigor das regras clássicas na criação dos poemas, a preferência pelas formas fixas (sonetos), a apreciação da rima e métrica, a descrição minuciosa, a sensualidade, a mitologia greco-romana. Além disso, a doutrina da “arte pela arte” esteve presente nos poemas parnasianos: alienação e descompromisso quanto à realidade.
  • 5. Contudo, os parnasianos brasileiros não seguiram todos os acordos propostos pelos franceses, pois muitos poemas apresentam subjetividade e preferência por temas voltados à realidade brasileira, contrariando outra característica do parnasianismo francês: o universalismo. Os temas universais, vangloriados pelos franceses, se opunham ao individualismo romântico, que revelava aspectos pessoais, desejos, aflições e sentimentos do autor. Outra característica que o Parnasianismo brasileiro não seguiu à risca foi a visão mais carnal do amor em relação à espiritual. Olavo Bilac, principalmente, enfatizou o amor sensual, entretanto, sem vulgarizá-lo. No Brasil, os principais autores parnasianos são: Olavo Bilac e Raimundo Correia. O poema “Profissão de fé” de Olavo Bilac é uma representação da estética parnasiana no Brasil: Veja um trecho: (...) E horas sem conta passo, mudo, O olhar atento, A trabalhar, longe de tudo O pensamento. Porque o escrever – tanta perícia Tanta requer, Que ofício tal... nem há notícia De outro qualquer. Assim procedo. Minha pena Segue esta norma, Por servir-te, Deusa serena, Serena Forma!
  • 6. Vemos nas estrofes acima aspectos parnasianos, como “a arte pela arte”: o poeta deixa claro que a arte poética exige do autor o afastamento quanto ao que acontece no mundo. Ainda vemos a exaltação e procura por um rigor técnico, purismo na forma: o poeta diz que escrever requer muita perícia, cuidado e engrandece a estética formal “Serena Forma”. Além disso, observamos no poema a forma fixa dos sonetos, a rima rica e a perfeita ou rara em contraposição aos versos livres e brancos dos poetas românticos. Os principais representantes do parnasianismo brasileiro:  Olavo Bilac - Obras principais: Poesias (1888), Crônicas e novelas (1894), Crítica e fantasia (1904), Conferências literárias (1906), Dicionário de rimas (1913), Tratado de versificação (1910), Ironia e piedade, crônicas (1916), Tarde (1919).  Alberto de Oliveira. Obras principais: Meridionais (1884), Versos e Rimas (1895), Poesias (1900), Céu, Terra e Mar (1914), O Culto da Forma na Poesia Brasileira (1916).  Raimundo Correia. Obras principais: Primeiros Sonhos (1879), Sinfonias(1883), Versos e Versões(1887), Aleluias(1891), Poesias(1898).  Francisca Júlia. Obras principais: Mármores (1895), Livro da Infância (1899), Esfínges (1903), Alma Infantil (1912).  Vicente de Carvalho. Obras principais: Ardentias (1885), Relicário (1888), Rosa, rosa de amor (1902), Poemas e canções, (1908), Versos da mocidade (1909), Páginas soltas (1911), A voz dos sinos, (1916). Estética Parnasiana.
  • 7. O Parnasianismo surgiu na França em oposição às escolas literárias Realismo e Naturalismo, opondo-se à prosa, já que foi um movimento essencialmente poético. A escola teve influência da doutrina “arte pela arte” apresentada por Théophile Gautier, poeta e crítico literário francês, ainda no período do Romantismo. A teoria da “arte pela arte” ressalta o belo e o refinamento através da autonomia da arte alheia à realidade. O nome da escola vem do termo grego “Parnassus”, o qual indica o lugar mitológico onde as musas moravam. A denominação da escola literária se deve também à primeira publicação parnasiana, intitulada “Le parnasse contemporain”, a qual apresenta as seguintes características: linguagem descritiva, formas clássicas (rima, métrica), indiferença. Os fundamentos parnasianos retomaram a perfeição formal almejada pela Antiguidade clássica. CONCLUSÃO O poeta deve ser neutro diante da realidade, esconder seus sentimentos, sua vida pessoal. A confissão íntima e o extravasamento subjetivo, tão caros aos românticos, são vistos como inimigos da poesia. O Eu precisa se apagar frente do mundo objetivo, eclipsar-se. O espetáculo humano, cenas da natureza ou simples objetos são registrados, sem que haja interferências da interioridade do artista. A exemplo do que ocorrera no Realismo e no Naturalismo, o escritor é aquele que observa e reproduz as coisas concretas. Tal postura iria se tornar muito complicada num gênero literário que, desde a sua fundação, centrara-se na revelação da alma. Os parnasianos ressuscitam o preceito latino de que a arte é gratuita, que só vale por si própria. Ela não tem nenhum sentido utilitário, nenhum tipo de compromisso. É auto-suficiente e justifica-se apenas por sua beleza formal. Qualquer tipo de investigação do social, referência ao prosaico, interesse pelas coisas comuns a todos os homens seria "matéria impura" a comprometer o texto. Restabelecem, portanto, um esteticismo de fundo conservador que já
  • 8. vigora na arte da decadência romana. A literatura passa a ser apenas um jogo frívolo de espíritos elegantes.