Montagem

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Montagem

  1. 1. Montagem Gil Ferreira
  2. 2. Montagem <ul><li>uma actividade de pós-produção </li></ul><ul><li>realizador tem um papel activo na escolha das imagens que irão dar corpo ao filme </li></ul><ul><li>actividade de extrema importância: </li></ul><ul><li>escolher de entre várias hipóteses de imagens recolhidas para a mesma cena </li></ul><ul><li>aquela que transmite melhor a intencionalidade estética do realizador </li></ul>
  3. 3. Montagem <ul><li>com alguma criatividade do editor de imagem </li></ul><ul><li>com o auxílio da moderna tecnologia ao nível da edição de imagem </li></ul><ul><li>ultrapassar falhas registadas durante as filmagens </li></ul><ul><ul><li>fraca iluminação </li></ul></ul><ul><ul><li>menor desempenho dos actores </li></ul></ul>
  4. 4. Montagem <ul><li>É através da montagem que se vai criando a narrativa </li></ul><ul><li>juntar planos formando sequências </li></ul><ul><li>inserir planos em sequências </li></ul><ul><li>aproveitar som directo dessas sequências </li></ul><ul><li>juntar comentários, música, ruídos, silêncio </li></ul>
  5. 5. Ritmo da Montagem <ul><li>depende de vários factores </li></ul><ul><li>poder informativo e sedutor da história está ligado à gestão desses factores </li></ul><ul><li>agrupam-se à volta da noção puramente psicológica de TEMPO </li></ul>
  6. 6. Ritmo da Montagem <ul><li>Criar a narrativa consiste: </li></ul><ul><ul><li>gerir o ESPAÇO e o TEMPO </li></ul></ul><ul><li>nunca esquecendo que tão importante é O QUE ESTÁ DENTRO COMO O QUE ESTÁ FORA </li></ul><ul><li>assim como O QUE VEM ANTES COMO O QUE VEM DEPOIS </li></ul><ul><ul><li>A interpretação de um plano depende do que já foi visto e da expectativa relativamente ao que estará para vir ! </li></ul></ul>
  7. 7. Ritmo da Montagem <ul><li>relação entre o tempo real (físico) e o tempo fílmico (psicológico) </li></ul><ul><li>1. TEMPO REAL = TEMPO FÍLMICO </li></ul><ul><ul><li>Ex.: gravação integral de debate na TV </li></ul></ul><ul><li>2. TEMPO REAL > TEMPO FÍLMICO </li></ul><ul><li>Condensação: um dia em 3 minutos </li></ul><ul><li>3. TEMPO REAL < TEMPO FÍLMICO </li></ul><ul><li>Distensão: recordações, retrospectivas </li></ul>
  8. 8. Funções da Montagem <ul><li>A- funções narrativas </li></ul><ul><li>Definem-se segundo relações de causalidade/temporalidade </li></ul><ul><li>ordem de sucessão é o elemento primordial </li></ul><ul><li>1. montagem linear - os planos são dispostos uns a seguir aos outros por uma ordem lógica e cronológica </li></ul>
  9. 9. Funções da Montagem <ul><li>A- funções narrativas </li></ul><ul><li>montagem invertida - a ordem cronológica não é respeitada e existem um ou vários regressos ao passado ( flash-back ); </li></ul><ul><li>pode também introduzir-se um futuro no presente ( flash-forward ) </li></ul>
  10. 10. Funções da Montagem <ul><li>A - funções narrativas </li></ul><ul><li>montagem alternada / em paralelo </li></ul><ul><li>apresentação de duas ou mais acções separadas, mostradas em alternância, que serão percebidas como uma só acção em simultâneo, a qual reúne os vários elementos das duas acções. </li></ul><ul><li>Pode haver ou não um objectivo de comparação entre as duas acções </li></ul>
  11. 11. Funções da Montagem <ul><li>B - funções sintácticas </li></ul><ul><li>ligação - consiste na continuidade de representação. </li></ul><ul><li>alternância - através da montagem alternada, duas acções uma a seguir à outra,podem parecer uma só </li></ul>
  12. 12. Funções da Montagem <ul><li>C - funções semânticas </li></ul><ul><li>denotação- ligada aos aspectos da causalidade, paralelismo, comparação... </li></ul><ul><li>conotação - ligada à montagem narrativa (espácio-temporal </li></ul>
  13. 13. Funções da Montagem <ul><li>D - funções rítmicas </li></ul><ul><li>Pode ser estabelecida, de algum modo, uma relação proporcional entre ritmo e sucessão de planos </li></ul><ul><li>Cria-se convergência entre atenção do espectador e movimento das imagens </li></ul>
  14. 14. Funções da Montagem <ul><li>D - funções rítmicas –aspectos chave </li></ul><ul><li>Um plano provoca uma atenção diferente no início e no fim </li></ul><ul><li>Primeiro é reconhecido e situado; </li></ul><ul><li>em seguida existe um nível de atenção máximo, em que é captado o seu significado; </li></ul><ul><li>por fim a atenção diminui. </li></ul>
  15. 15. Funções da Montagem <ul><li>D - funções rítmicas –aspectos chave </li></ul><ul><li>Sucessões de planos muito curtos podem traduzir uma subida de intensidade em direcção a um clímax. </li></ul><ul><li>Se em contrapartida eles forem cada vez mais longos podem contribuir para a calma, o relaxe, a tranquilidade </li></ul>
  16. 16. Funções da Montagem <ul><li>E - funções expressivas </li></ul><ul><li>Com a montagem alternada podemos sugerir sentimentos ou emoções diferentes numa mesma personagem </li></ul>
  17. 17. Raccord e elipse <ul><li>A continuidade da narrativa pode ser assegurada, entre outros aspectos, por ligações credíveis nas passagens de uns planos para os outros </li></ul><ul><li>os raccords </li></ul>
  18. 18. Raccord e elipse <ul><li>Tipos de raccord </li></ul><ul><li>movimento ou acção </li></ul><ul><li>de elementos fixos </li></ul><ul><li>técnicos </li></ul>
  19. 19. Raccord e elipse <ul><li>movimento ou acção </li></ul><ul><li>Ex: </li></ul><ul><li>se uma personagem entra pela esquerda e sai pela direita no plano 1, </li></ul><ul><li>deve entrar pela esquerda no plano 2, </li></ul><ul><li>se não quisermos que o espectador julgue que ele vai voltar para trás... </li></ul>
  20. 20. Raccord e elipse <ul><li>movimento ou acção </li></ul><ul><li>Ex: </li></ul><ul><li>se no plano 1 a personagem leva um copo à boca, no plano 2 ela deve continuar a beber... </li></ul><ul><li>se no plano 1 a personagem A olha para a personagem B, da esquerda para a direita, no plano 2 B olha para A, da direita para a esquerda </li></ul>
  21. 24. Raccord <ul><li>movimento ou acção </li></ul><ul><li>pode então ser construído relativamente ao ângulo de visão ou à escala (regras dos 30º), </li></ul><ul><li>à direcção, ao gesto, ao olhar, </li></ul><ul><li>ao campo/contra-campo (regra dos 180º), </li></ul>
  22. 25. Raccord <ul><li>2. de elementos fixos </li></ul><ul><li>Cuidado com os “toques” que se dão aos adereços entre o registo do plano 1 e do plano 2. </li></ul><ul><ul><li>Ex.: cinzeiros, candeeiros, cadeiras, outros objectos do cenário... </li></ul></ul><ul><li>ou relógios que trocam de braço, fitas de cabelo, mudanças de roupa sem justificação de mudança no tempo... </li></ul>
  23. 26. Raccord <ul><li>3. Raccords técnicos </li></ul><ul><li>Mudanças na luz, </li></ul><ul><li>nas condições da captação de som, </li></ul><ul><li>utilização de câmaras que dêem imagens muito diferentes, etc. </li></ul>
  24. 27. A elipse <ul><li>forma de “fabricar” a condensação do tempo </li></ul><ul><li>resumir uma acção, suprimindo uma quantidade de elementos narrativos e/ou descritivos </li></ul><ul><li>é indispensável que, apesar dessa supressão se transmitam dados suficientes para fazer supor que aqueles elementos existem </li></ul>
  25. 28. A elipse <ul><li>Ex.: </li></ul><ul><li>O nosso protagonista entra na cama e apaga a luz (plano 1) </li></ul><ul><li>O nosso protagonista está a tomar o pequeno almoço (plano 2) </li></ul><ul><li>Resultado : espectador admite que tivessem passado algumas horas </li></ul>
  26. 29. A elipse <ul><li>A ELIPSE PODE SERVIR PARA TORNAR A NARRATIVA MENOS PESADA </li></ul>
  27. 30. Transições corte e encadeado <ul><li>O corte ( cut ) é a transição “natural” em que a última imagem do plano 1 está colada à primeira imagem do plano 2. </li></ul><ul><li>É necessária uma planificação muito cuidadosa para que se consiga montar várias sequências sempre em corte, evitando a falta de raccord . </li></ul>
  28. 31. Transições corte e encadeado <ul><li>O encadeado ( mix ) é uma transição em que as últimas imagens do plano 2 aparecem gradualmente à medida que as últimas imagens do plano 1 vão desaparecendo. </li></ul><ul><li>Podemos construir encadeados mais lentos ou mais rápidos. </li></ul>
  29. 32. Transições corte e encadeado <ul><li>Servem </li></ul><ul><li>para efectuar mudanças de espaço e/ou de tempo, </li></ul><ul><li>para marcar ritmos de montagem de acordo com o tipo de planos </li></ul><ul><li>para efectuar elipses </li></ul><ul><li>para evitar saltos de imagem se não cumprirmos a regra dos 30º . </li></ul>
  30. 33. Transições fade in / fade out <ul><li>aparecimento progressivo da imagem ( fade in ). </li></ul><ul><li>desvanecimento progressivo ( fade out) </li></ul><ul><li>A seguir a um fade out vem normalmente um fade in </li></ul><ul><li>úteis para separar sequências ou temas de forma mais marcante </li></ul>
  31. 34. Outros efeitos <ul><li>movimento lento ( slow motion) </li></ul><ul><li>mostrar fenómenos que se passam com demasiada rapidez </li></ul><ul><li>dá relevância a um gesto ou pormenor de decomposição do movimento; </li></ul><ul><li>fazer subir a intensidade emocional; </li></ul><ul><li>pode aumentar efeitos trágicos, </li></ul><ul><li>ambientes pesados... </li></ul>
  32. 35. Outros efeitos <ul><li>movimento acelerado (fast motion) </li></ul><ul><li>Pode avivar o tempo. </li></ul><ul><li>Na maioria dos casos pode ter efeitos cómicos. </li></ul><ul><li>Usa-se para estudo de fenómenos lentos que escapam à visão normal. </li></ul>
  33. 36. Outros efeitos <ul><li>inversão ou observação de movimentos em sentido inverso </li></ul><ul><li>pode servir para sublinhar uma acção </li></ul><ul><li>perpetuar determinado momento </li></ul><ul><li>rever acção </li></ul><ul><li>efeitos cómicos surpreendentes. </li></ul>
  34. 37. Outros efeitos <ul><li>imagem gelada ( freeze) </li></ul><ul><li>facilita a descrição, </li></ul><ul><li>ajuda a dizer algo sobre o passado; </li></ul><ul><li>significa paragem no tempo, </li></ul><ul><li>morte, fracasso, </li></ul><ul><li>fim da história... . </li></ul>
  35. 38. Outros efeitos <ul><li>distorsões </li></ul><ul><li>compressões, distensões, explosões, implosões... , </li></ul><ul><li>podem ter efeitos estéticos alucinatórios, oníricos, fantásticos </li></ul><ul><li>muito utilizados em publicidade e em videoclips </li></ul><ul><li>servem ideias muito precisas - a utilizar com moderação </li></ul>
  36. 39. Outros efeitos <ul><li>sobre-exposição </li></ul><ul><li>saturação das cores </li></ul><ul><li>para criar atmosferas particularmente originais </li></ul><ul><li>pode contrastar com uma visão da realidade nua e crua </li></ul>
  37. 40. Outros efeitos <ul><li>chroma key </li></ul><ul><li>A imagem A rompe a imagem B, coexistindo as duas a 100%. </li></ul><ul><li>Permite trazer um cenário para o estúdio, ou seja, </li></ul><ul><li>colocar personagens em ambientes onde elas nunca estiveram </li></ul><ul><li>Pode fazer diminuir enormemente os custos de produção </li></ul>
  38. 41. Outros efeitos <ul><li>cortinas e as trajectórias </li></ul><ul><li>Conduzir o olhar e a atenção do espectador </li></ul><ul><li>circunscrevem, tapam, destapam, fazem circular imagens no écran a 2D e a 3D </li></ul>
  39. 42. Composição Pontos, linhas, formas
  40. 43. Composição <ul><li>consiste em dispor esteticamente os elementos que aparecem no enquadramento com o objectivo de dar eficácia ao conteúdo </li></ul>
  41. 44. Composição <ul><li>No interior do plano existem certos pontos e linhas privilegiados em relação ao resto. </li></ul><ul><ul><ul><ul><ul><li>QUAIS? </li></ul></ul></ul></ul></ul>
  42. 45. Composição <ul><li>As diagonais que se cruzam no centro determinam um primeiro ponto forte </li></ul>
  43. 46. Composição <ul><li>OUTROS PONTOS FORTES </li></ul>
  44. 47. Composição <ul><li>As linhas </li></ul><ul><li>A predominância das horizontais dá a sensação de calma,paz, tranquilidade </li></ul>
  45. 48. Composição <ul><li>As linhas </li></ul><ul><li>As verticais produzem a sensação de solidez, poder, tensão espiritual, elevação, actividade </li></ul>
  46. 49. Composição <ul><li>As linhas </li></ul><ul><li>As diagonais dão sensação de angústia, insegurança, desequilíbrio </li></ul>
  47. 50. Composição <ul><li>As linhas </li></ul><ul><li>As quebradas podem dar a impressão de instabilidade, fracasso </li></ul>
  48. 51. Composição <ul><li>As linhas </li></ul><ul><li>As curvas são geralmente mais agradáveis e dão a sensação de suavidade e calor </li></ul>
  49. 52. Composição <ul><li>As formas </li></ul><ul><li>Triangulares </li></ul>
  50. 53. Composição <ul><li>As formas </li></ul><ul><li>Rectangulares – estabilidade, calma </li></ul>
  51. 54. Composição <ul><li>As formas </li></ul><ul><li>Ovais – melancolia, tristeza </li></ul>
  52. 55. Composição <ul><li>As formas </li></ul><ul><li>Circulares – harmonia, equilíbrio, suavidade </li></ul>
  53. 56. Composição <ul><li>As massas </li></ul><ul><li>Dão o peso ao enquadramento e asseguram o seu equilíbrio </li></ul><ul><li>A sensação de equilíbrio das massas resulta da relação proporcional entre: </li></ul><ul><li>as maiores e as mais pequenas </li></ul><ul><li>as zonas mais iluminadas e as menos iluminadas </li></ul><ul><li>as zonas mais cheias e as mais vazias </li></ul>
  54. 57. Composição <ul><li>POR FIM, IMPORTA: </li></ul><ul><li>Definir bem o CENTRO DE INTERESSE, assente nos pontos e linhas de força </li></ul>
  55. 58. Composição <ul><li>POR FIM, </li></ul><ul><li>Os primeiros planos podem reforçar as sensações de PROFUNDIDADE </li></ul>
  56. 59. Composição <ul><li>POR FIM, </li></ul><ul><li>O ACESSO ao motivo deve ser fácil </li></ul>
  57. 60. Escala de Planos gramática e retórica visual
  58. 61. Escala de Planos <ul><li>PLANO: unidade mínima provida de sentido </li></ul><ul><li>série de parâmetros e de códigos inscritos no espaço </li></ul><ul><li>elementos limitados pelo enquadramento </li></ul>
  59. 62. Escala de Planos <ul><li>Espaço e disposição </li></ul><ul><li>Apesar dos limites </li></ul><ul><li>receptor não pode, por razões de percepção e interpretação, ficar confinado aos mesmos </li></ul><ul><li>tão importante é o que está dentro (CAMPO), como o que está fora (FORA DE CAMPO) </li></ul>
  60. 63. Escala de Planos <ul><li>3ª dimensão (eixo z) </li></ul><ul><li>pode ser mais facilmente conseguida pelo estabelecimento de planos em profundidade </li></ul><ul><li>1º plano, 2º plano,... último plano </li></ul>
  61. 64. Escala de Planos <ul><li>Abertura do plano </li></ul><ul><li>plano aberto – linhas deformadas no sentido do ponto de fuga </li></ul><ul><li>plano médio - reprodução mais fiel do ângulo de visão </li></ul><ul><li>plano fechado - compressão da profundidade de campo </li></ul>
  62. 65. Escala de Planos <ul><li>o ponto de vista </li></ul><ul><li>normal, ao nível do motivo </li></ul><ul><li>picado, de cima para baixo, tende a achatar o motivo (diminuição psicológica) </li></ul><ul><li>contra-picado, de baixo para cima, tende a alongar o motivo (aumento psicológico) </li></ul>
  63. 66. Escala de Planos <ul><li>o ponto de vista </li></ul><ul><li>oblíquo, cria desequilíbrio, aumenta efeito dramático </li></ul><ul><li>subjectivo, o que a personagem (que se encontra fora de campo) pode ver </li></ul>
  64. 67. <ul><li>a grandeza do plano </li></ul><ul><li>tem como padrão o corpo humano </li></ul>Escala de Planos

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