ICA, por GAEL GUERRA
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Capítulo – 1
É quando Ica acorda e vejo sua cara mal
humorada, que o pensamento me vem à cabeça...
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O engraçado é que mesmo de mau-humor,
meu irmão se esforça pra se manter calado e
continuar a s...
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Depois de um tempo, passou a respeitar essa minha
necessidade e não atrapalhar o meu trabalho, ...
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nossos nomes. Tudo em uma acalorada discussão
entre meus pais.
Mas aí vem a pegadinha, em algun...
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Faço mais o tipo nerd. Viciado em leitura,
jogos online, seriados e trabalho como freelancer
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atenção, e hoje chegou ao cúmulo. Esse peso
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o livro e começar a me encarar. Sabe? Posso ser
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quiser entregar tudo dentro do prazo. – Meu tom de...
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anos, sinto realmente o observar de verdade, com...
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que compartilhamos tantas vezes no passado. M...
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– Fala pra mim Ica! – Disse enquanto fitava
seus olhos tão profundamente quanto um irmão
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Mano passou os últimos cinco anos fechado em sua rotina de trabalho, afastando-se completamente de seu gêmeo, Ícaro. Mas percebendo que seu irmão não parecia estar bem, resolveu se abrir e parar de ignorá-lo, de forma que sua amizade com seu gêmeo voltasse a ser como antes. Mas o que não esperava era que, restabelecer essa conexão, levaria ambos, a um novo patamar de suas vidas.

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Ica cap1

  1. 1. ICA, por GAEL GUERRA [ 2 ] Capítulo – 1 É quando Ica acorda e vejo sua cara mal humorada, que o pensamento me vem à cabeça: “esse vai ser um dia daqueles”. Mas não estou dizendo isso apenas por tê-lo olhado ligeiro. É uma intuição de irmão mesmo, sabe. Mas o que não entendo. É o porquê disso. Já faz tanto tempo que não sinto este tipo de sensação e agora, hoje, especificamente hoje, é como se estivesse acordado depois de um longo tempo em estado de sono profundo. É um pressentimento de que mais cedo ou mais tarde, acredito até que mais cedo do que possa sequer imaginar. As coisas vão mudar pro meu lado. Tenho a consciência de que ele já está acostumado em me ver trabalhar, mesmo a essa hora da manhã. Mas hoje, está diferente. É a tensão carregada que se espalha pelo quarto e que me deixa apreensivo. Mas tão apreensivo, que se torna difícil até mesmo de me concentrar.
  2. 2. ICA, por GAEL GUERRA [ 3 ] O engraçado é que mesmo de mau-humor, meu irmão se esforça pra se manter calado e continuar a sua rotina. Então, apenas se levanta, desce do beliche, retira sua toalha do prego atrás da porta e segue para o banheiro. Meia hora depois, retorna e começa a se vestir para o trabalho, e finalmente me deixa sozinho. É quando essa tensão vai embora junto com ele. Do jeito que tem que ser. Quer dizer, não do jeito que tem que ser, porque não deveria haver tensão nenhuma. Normalmente, ele pode querer falar alguma coisa, mas sempre mantem o bico calado. Então sempre o percebo de vez em quando, fico observando pelo canto do olho, que ele está com seu olhar fixo em mim. Sempre querendo interromper a minha rotina. Mas a última vez que tentou, lancei um olhar assassino que o fez se calar no mesmo instante. Isso, porque sempre estive sobre esse estresse de cumprir com os prazos e não dava tempo de finalizar o trabalho e ele sempre me interrompia e para me reestabelecer no que estava fazendo, era realmente um processo muito demorado. E é assim, como em todos os outros dias. Sempre a mesma rotina e sei que quando ele chegar. Vai ficar deitado um pouco na minha cama esperando o tempo passar, até resolver se levantar e cair na noite. Ainda mais em uma sexta-feira.
  3. 3. ICA, por GAEL GUERRA [ 4 ] Depois de um tempo, passou a respeitar essa minha necessidade e não atrapalhar o meu trabalho, o qual me mantém sempre ocupado. Focado naquilo que tenho que fazer. Para que entendam o porquê desta tensão é preciso dizer que Ica é o meu gêmeo, cinco minutos mais novo. Na verdade o seu nome na realidade é Icaro, mas desde pequeno que o chamo assim e mesmo nossos pais, acabaram adotando o mesmo jeito de chamá-lo. Já eu, me chamo “Mano” e é ai que vocês se perguntam: “Mas que diacho de nome é esse?” e eu lhe digo: é tudo culpa de papai, que é meio “Zen” sabe? Meio “Zen noção” no mais puro estilo hippie de ser. Mas isso foi apenas uma discussão antiga entre meus pais. Sobre o nome que dariam a seu primeiro filho. Antes de saberem que viriam gêmeos. Mamãe queria Icaro, só que Papai, queria Mano. Mas mamãe com toda a sua delicadeza e estupidez, jamais iria permitir que seu primeiro filho se chamasse Mano. Convenhamos, não é lá um nome dos mais interessantes. Mas foi justamente quando descobriram que teriam gêmeos. Então, foi um alívio para papai, porque mamãe acabou aceitando em ter um Icaro e um Mano. Justamente, porque ela teria um filho com o nome que ela escolhera. Assim foi a desventura da escolha de
  4. 4. ICA, por GAEL GUERRA [ 5 ] nossos nomes. Tudo em uma acalorada discussão entre meus pais. Mas aí vem a pegadinha, em alguns casos, gêmeos, podem nascer idênticos, em outros casos, podem nascer parecidos ou mesmo diferentes. Mas no nosso caso, somos praticamente idênticos, e temos uma única diferença em nossa aparência. Se forem atentos o suficiente em nos observar. Irão perceber que eu tenho olhos escuros, mas muito escuros mesmo, tão escuros que às vezes, pelo meu jeito sério de olhar pras pessoas, me faz parecer meio que um psicopata. Os mesmos olhos de mamãe. Puxei a ela. Agora, já o meu irmão, tem os olhos mais claros, um tom de castanhos tão claros, que às vezes se confundem com verdes. São olhos realmente muito bonitos quando se parar para apreciar. Assim, tendo os mesmos olhos de papai. Ica também herdou seu gênio meio “Zen noção”. Não que ele seja meio hippie, apenas apronta muito, desde criança foi assim. Fora este pequeno detalhe, temos a mesma altura mediana, os mesmos cabelos escuros e bem branquelos. Nada de extraordinário quanto a nossa aparência. Entretanto, para entrar no velho clichê sobre gêmeos. Meu irmão e eu, temos gostos bastante diferentes.
  5. 5. ICA, por GAEL GUERRA [ 6 ] Faço mais o tipo nerd. Viciado em leitura, jogos online, seriados e trabalho como freelancer como artista conceitual. Desenhando para jogos voltados para celular. Já o meu irmão. É mais baladeiro, trabalha como guia de turismo, está sempre rodeado de amigos e é muito galinha. Toda a semana pega uma menina diferente e nunca para com uma, aliás, se tem uma coisa que reparei em todos esses anos, é que nunca o vi namorar nenhuma das meninas com quem se envolvia. Parece até, que de nós dois, apenas eu amadureci. Porque ele continua um grande molecão. Mas, verdade seja dita. O considero duas vezes mais inteligente do que eu, pois no meu caso, demoro a entender as coisas, já o meu irmão não, ele é fora do comum, seu pensamento ágil como um raio, e compreende tudo no ato. Ele é assim. Mas aí. Tem o hoje. Especialmente hoje. Não tenho como saber ao certo. É sobre este incomodo quando penso em Ica, ainda mais depois que ele saiu. Contudo o que disse, em como o conheço bem, é ainda mais difícil de explicar. É fato que não temos nos falado muito. Tudo bem!!! A verdade é que não nos falamos e ponto final e por mais que seja realmente a minha culpa. Há de entender, que realmente não dá pra ficar lhe dando
  6. 6. ICA, por GAEL GUERRA [ 7 ] atenção, e hoje chegou ao cúmulo. Esse peso presente durante todo o dia. Tão pesado, que não sei como explicar. Aina assim, não conseguia desgrudar os olhos do monitor nem por um segundo se quer. Estava produzindo a todo vapor sem nem perceber as horas passarem e derrepente, quando olho para a janela, percebo que já estava de noite. O estranho foi a sincronia, porque neste mesmo instante meu irmão havia chegado em casa. No mesmo exato instante em que ouvi a porta do quarto bater. Estava tão concentrado, que, se quer notei o barulho do portão de casa, pois com a janela aberta, dá pra ouvir o som que o portão faz quando é fechado, porque ele range feito uma criança chorona. Já não estava mais concentrado no trabalho e meus sentidos estavam focados em seus movimentos. Ele não disse nada, apenas trocou de roupa. Deitou-se na minha cama e pegou um dos meus livros de dentro da gaveta que fica embaixo da cama. Abriu o livro folheando algumas páginas e como sempre, fingiu ler, mas sinto seu olhar pelo canto do olho em cima de mim, me observando e a tensão voltou a pairar pelo quarto.
  7. 7. ICA, por GAEL GUERRA [ 8 ] Não demorou nem três minutos até ele fechar o livro e começar a me encarar. Sabe? Posso ser meio implicante e por isso finjo estar na minha rotina. Mesmo que nem perceba direito o que estou fazendo no computador. Mantive os olhos grudados no monitor sem realmente enchergar o que estava a minha frente. Até que percebo ele se aproximar um pouco mais da beirada da cama e continuar com os olhos fixados em mim. Ica se mexeu de novo, se ajeitando ainda mais, na beirada da cama. Foi neste instante que tive vontade de rir. Mas apenas relaxei os ombros, embalado por uma respiração profunda, o sinti parar de respirar, Isso, porque tenho certeza que ele sabe que estou reparando nele. Coisas de gêmeos afinal. – Desembucha Ica! – Disse, sem nem ao menos retirar os olhos do monitor. – Mano. – O que é? – Eu perguntei, enquanto sentia sua inquietação. – Você não se cansa de ficar no computador? – Não precisava olhar em sua direção para perceber que agora era um misto de irritação com inquietação.
  8. 8. ICA, por GAEL GUERRA [ 9 ] – É o meu trabalho, Ica. É necessário, se eu quiser entregar tudo dentro do prazo. – Meu tom de voz era sério o que parecia deixar ele ainda mais inquieto. Talves inquieto, não fosse a palavra certa. Talvez a palavra certa, fosse: apreensão. – “Ica estava apreensivo”. – Não é isso Mano. – O que é então, Ica? – Já comecei a sentir aquela fisgada em meu humor que indicava a falta de paciência se acumular na minha voz e ele, ao perceber que eu ia começar a falar de novo, saiu na frente e disparou seus argumentos. – Eu acordo pela manhã, e você já está na frente do computador. Chego do trabalho e você está na frente do computador, às vezes vou dormir, e você continua no computador. Quer dizer, você não sai da frente da porra desse computador maldito. Desde que terminou com a Nanda, só quer saber de trabalho, virou um completo babaca. Respirei fundo. Larguei a caneta em cima da mesinha digitalizadora. Girei a cadeira em sua direção e fiquei observando Ica, que tinha uma expressão séria no rosto, mas que foi se diluindo enquanto o encarava. Foi tomando uma forma aflita. Pelo o que podia notar, já estava esperando receber uma resposta grosseira por ficar me interrompendo.
  9. 9. ICA, por GAEL GUERRA [ 10 ] O problema era que pela primeira vez em cinco anos, sinto realmente o observar de verdade, como se estivesse desperto para o que via a minha frente e ao fazer isso, fez-me perceber a razão de meu incômodo. Esse peso sobre os ombros que senti durante todo o dia. Em todos esses cinco anos, tinha essa consciência de seu desgosto com a minha rotina. Mas apenas no decorrer desta última semana em que aparentemente o ignorava. Senti de verdade que não era apenas desgosto. Era sua carência e estava crescendo à medida que o tempo passava. Ele queria voltar aos tempos em que éramos mais parceiros um do outro, em que andávamos sempre grudado um ao outro, como verdadeiros amigos, porque toda a nossa infância, adolescência e uma parte da vida adulta, fomos sempre assim. Não tinha para ninguém, sempre e apenas nós dois como melhores amigos. Claro que tinhamos outros laços de amizade, mas nós dois, éramos inseparáveis. Mas nos últimos cinco anos, pelo menos no meu caso, tudo em que pensava, era em trabalho e sempre que Ica desviava a minha atenção, apenas lhe dava uma bronca por ficar me atrapalhando. Até que em um dado momento, parou de tentar. Pelo menos até agora.
  10. 10. ICA, por GAEL GUERRA [ 11 ] Não entendia isso. Ele sempre saía à noite, ia se divertir e não parecia mais incomodado com a minha rotina. Mas o fato era que, enquanto eu pensava no assunto, vinha uma sensação de que Ica estava cada vez mais desestimulado com a sua própria vida e nesta última semana, surgiu essa tensão, como se ele estivesse reunindo coragem, dia após dia, pra tentar de alguma forma falar comigo. Enquanto refletia, sua aflição se tornava cada vez mais evidente. Aliás, ele sempre foi expressivo demais, muito diferente de mim. Por isso, achava fácil de ler, ou pelo menos entender o que ele estava sentindo e sabia que a minha inexpressividade quando vagava pelas terras da reflexão lhe deixava aflito, por não saber ao certo o que viria a seguir. – Que foi? – Ele perguntou num ato defensivo. Apenas suspirei. Levantei da cadeira e me sentei na cama ao seu lado. Ica estava tão tenso que se encolheu com a minha aproximação, o que era até engraçado, ainda mais ao perceber, o quanto poderia deixá-lo neste estado de alerta por apenas me aproximar um pouco, e justamente por ver este movimento involuntário que me fazia perceber o quanto vinha sendo um tanto duro com o meu irmão durante todo esse tempo em que o ignorei.
  11. 11. ICA, por GAEL GUERRA [ 12 ] Sempre mantendo o afastado e agora entendo menos ainda o porquê de fazer isso. Afinal de contas, não tenho tanta necessidade de me sobrecarregar, pelo menos não agora, vivo em uma faze tranquila da minha carreira profissional. Ele estava verdadeiramente apreensivo enquanto o observava. Mas não devia, não era certo fazê-lo sentir-se assim. Era essa a sensação que me incomodava profundamente. Mas por que tanto tempo pra notar isso? Afaguei seus cabelos, da forma como fazíamos quando eramos garotos e ficávamos sentados um ao lado do outro no sofá da sala em nossa antiga casa, enquanto assistíamos desenho animado no horário da manhã. Um sempre fazia cafuné no outro. Ao lembrar- me desse momento de cumplicidade, percebia em como éramos carinhosos naqueles tempos. Vivíamos sempre grudados, alias eramos mais que grudados, eramos a sombra um do outro. Enquanto lhe fazia cafuné, sentia sua apreensão ir embora gradativamente e seu corpo se desarmar comigo ali ao seu lado. Até que tomou a iniciativa de fazer o mesmo. Esticou seu braço e começou a afagar os meus cabelos, na parte de trás
  12. 12. ICA, por GAEL GUERRA [ 13 ] da minha cabeça, dando-me o mesmo sinal de afeto que compartilhamos tantas vezes no passado. Mas ainda sentia que Ica ainda guardava algo dentro de si. Algo que ainda queria. Carregava a vontade na ponta da língua que parecia querer sair. As palavras pareciam querer se formar, mas não as pronunciava. – O que você quer, Ica? – Eu perguntei. Ele pensou um pouco. Em seguida, repensou mais um pouco. Ia dizer alguma coisa. Mas no final, respirou fundo e apenas baixou um pouco a cabeça sem dizer nada. – Pode me dizer Ica. O que você quer? – Tornei a perguntar, mas agora, tinha baixado a minha própria cabeça buscando seu campo de visão. Para que ele me retornasse o olhar e se sentisse tranquilo. Queria que sentisse confiança em mim de novo, de que poderia me contar qualquer coisa. Mas só então, a real situação de nosso relacionamento como irmãos realmente me pareceu degradada e no fundo sabia que toda a culpa era minha. Era só perceber o quanto Ica relutava em me dizer o que simplesmente tinha vontade. Não havia mais a mesma liberdade que compartilhavamos, parecia conformado por esperar, talvez uma negativa vinda de mim.
  13. 13. ICA, por GAEL GUERRA [ 14 ] – Fala pra mim Ica! – Disse enquanto fitava seus olhos tão profundamente quanto um irmão poderia ao tentar alcançar a confiança perdida, a confiança que deseja conquistar para que os empecilhos pudessem ser dissolvidos, tornando mais fácil conseguir que seu próprio irmão lhe revelasse o que realmente desejava. Foi quando ele apenas me retribuiu o mesmo olhar que disse: – To carente mano! Sai comigo pra balada? – Ica disse quase inaudível, mas suas palavras foram ouvidas de todas as formas, podia ler em seus lábios enquanto se moviam. Mesmo em cinco anos, tem coisas que nunca se perdem. Antes que pudesse se quer expressar qualquer reação ele continuou: – É porque, só quero a sua companhia. – Saiu de uma forma um tanto aflita, mesmo assim, vê-lo tentar se justificar, por querer sair comigo, machucou. Machucou mesmo. Respirei fundo, porque sabia que não ia negar. Detestava balada, música alta, muita gente se esbarrando. Isso me irritava ao extremo. Mas uma coisa era fato. Podia até ter passado todo esse tempo apenas focando nas minhas atividades, mas não deixava de notar os movimentos de meu irmão. Ica sempre foi importante para mim e mais ainda. Havia
  14. 14. ICA, por GAEL GUERRA [ 15 ] o peso em meu âmago. Como se a sensação que sentisse desse desconforto, fosse um reflexo do limite em que meu irmão se encontrava. Talvez fosse hora de começar a dar mais atenção e fazer algo por ele ao invés de apenas concentrar meus esforços, em torno demeu próprio estilo esgoista de vida. – Está bem Ica. Aonde vamos hoje?

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