Release

312 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
312
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
64
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
2
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Release

  1. 1. RELEASE – NEPHILINS, O SEGREDO. Vol. I Uma Face, Duas Almas. Roberta Fari & Niki Weiss.
  2. 2. SINOPSE:O amor se manifesta de várias formas.Amor paternal, amor filial, amor fraternal, amor passional...Uma face, duas almas.Quem poderia prever que os anjos encantar-se-iam por duas beldades nascidas na Terra?Natalie e Alicia eram órfãs, suas mães morreram durante o parto de ambas. No mesmo dia. Nomesmo horário. Levadas para o mesmo abrigo de menores, ali passaram parte de suas vidas. E odestino jamais permitiu que ambas fossem separadas, nunca se tornaram alvo de interesses doscasais que buscavam uma criança para adotarem.Uma forte amizade nasceu, Natalie e Alicia prometeram que sempre estariam juntas. E nuncasequer imaginaram que segredos sobrenaturais as envolviam em um mundo que nem acreditavamque existia...E dois celestiais encantaram-se por duas beldades terrenas... Entretanto, um precioso segredo seriarevelado.Bastaria apenas um olhar para que poderes fossem manifestados.Bastaria apenas um beijo para que entendessem.Bastaria apenas uma noite de amor para que o segredo viesse à tona...
  3. 3. RESUMODuas garotas cresceram em um orfanato. Ambas as mães haviam morrido no parto e os pais nuncase manifestaram. Apesar de terem o perfil das crianças mais cotadas para a adoção, o destino nãopermitiu que elas fossem separadas.Estudaram juntas desde a mais tenra idade. E sempre retornavam ao abrigo do qual tinham queficar. Essa era a vida de Alicia e Natalie. Entretanto, mesmo com todas as dificuldades, as garotasse tornaram o orgulho de seus tutores.Assim que atingiram a maior idade, seguiram juntas para a universidade. Cada qual escolheu seucurso – Alicia com antropofagia e Natalie com jornalismo. – Mas nunca deixaram de cumprir seujuramento, uma cuidaria da outra para todo o sempre. De tal forma, eram como unha e carne,moravam juntas e deliciavam-se em suas aventuras. As amigas trabalhavam em uma lanchonete para cobrirem suas despesas. Entretanto, como eram dotadas de inteligência acima da média, ganharam bolsa total para cursarem a faculdade. A diretora do orfanato, dona Angélica – uma senhora que sempre acompanhou, ajudou e incentivou as meninas -, jamais deixou de visitá-las e protegê-las como podia. Nem com ajuda financeira deixou de colaborar. E dona Angélica encantava-se com a forte amizade de ambas. Alicia estranhava essa ligação. Era um laço tão forte que ela não acreditava ser apenas amizade, apesar dos protestos de Natalie, que era um tanto cética no quesito ―anjos e demônios‖. Foi assim que Alicia optou por um curso extra oferecido pela universidade: teologia. Nesse curso, um assunto chamou a atenção de Alicia: os nephilins. Queria aprofundar-se mais, estudar sobre tais criaturas. Porém, um ocorrido tirou sua atenção: duas moças do curso de Natalie começaram a investir
  4. 4. contra as amigas. Sem entender o motivo de tanta hostilidade, elas precisaram ficar alertas e refutartudo o que vinha contra, maquinações terríveis que as faziam perder o rumo e irarem-se emdemasia.Nesse entremeio, o melhor amigo de Alicia, Jean, tenta ajudá-las. E tudo parecia apenas umpesadelo para esse trio, sendo que Jean se tornou, também, alvo direto das cruéis Sabrina e Luana –que tinham enorme poder de persuasão, tornando-se como santas e até mesmo vítimas quandorelatavam suas versões dos fatos.Natalie não acreditava no amor. Achava que se o seu verdadeiro pai – fosse ele quem fosse –amasse sua mãe – ou até ela mesma -, jamais a teria deixado para crescer naquele orfanato frio.Entretanto, no fundo, agradecia por tal fato. Afinal, fora isso que colocara Alicia em sua vida.Alicia sonhava em conhecer seu ―príncipe encantado‖. Acreditava que um dia encontraria umhomem gentil e cavalheiro. E ela conheceria... Natalie também... Porém, de cavalheiros e gentis,tais homens nada tinham. Nem humanos eles eram...Os alados gêmeos encontraram-se na Terra. Juntos descobriram que as suas protegidas não eramapenas nephilins, mas as princesas escolhidas, as portadoras da magia Elemental. Alicia tinha opoder sobre o fogo, e Natalie dominava as águas. E eram mesmo perfeitas para ambos, pois Rafaelera o príncipe da terra, e Gabriel, o do ar.Fogo e terremoto.Água e vendaval.A partir daí se iniciam muitas jocosas aventuras. E tudo pode acontecer quando água, fogo, terra ear se encontram. Aguardem muitas aventuras nessa trilogia que nos fará rir, chorar, amar e conhecero lado diferente e deliciosamente divertido dos nephilins.
  5. 5. PERSONAGENSALICIA – órfã, loira de olhos azuis, brincalhona, divertida e sexy, nutre um medo irracional derelacionar-se com qualquer homem que apareça em seu caminho. Melhor amiga de Natalie.NATALIE – loira de olhos azuis. Abusada, sarcástica e um tanto irritada. Sempre tenta arrumar umnamorado, mas seus encontros misteriosamente nunca acontecem, seus paqueras nunca chegam aodestino marcado. Melhor amiga de Alicia, Natalie também é órfã.
  6. 6. ANGÉLICA – administradora do orfanato onde Alicia e Natalie cresceram. Tornou-se a mentoradas meninas e sempre as ajudou de todas as formas. Ambas consideravam Angélica como umaverdadeira mãe.JOSHUA – um serafim que se apaixonou por duas humanas, irmãs gêmeas. Quebrando uma dasmaiores regras celestiais, ele copulou com elas e duas novas criaturas vieram a existir na Terra.
  7. 7. RAFAEL – querubim gêmeo de Gabriel. Foi designado como guardião de Alicia. Mandão,dominador e possessivo, encontra-se perdidamente apaixonado e seu excesso de proteção é o quechama a atenção da sua amada.GABRIEL – querubim designado como protetor de Natalie. Tranquilo, pacífico, torna-se umfuracão quando se sente enciumado. Irmão gêmeo de Rafael.
  8. 8. SABRINA – Súcubo que trabalha para o lado sombrio. Chamada para atormentar a vida das amigasNatalie e Alice. Arrogante, falsa, irônica, ganhou o apelido de ―Cruela‖ pela sarcástica Natalie.LUANA – alada guerreira do exército celestial. Aliada de Sabrina, também perturba a vida dasjovens amigas. Como um ―pau mandado‖, sempre faz o que Sabrina lhe ordena. Por tal motivo échamada de ―Capachão‖ por Natalie e Alicia.
  9. 9. JEAN – Melhor amigo de Alicia – e apaixonado em segredo pela mocinha. – É vítima de inúmerasbrincadeiras de Natalie, porém, nunca deixa de ajudar e socorrer as irmãs. É um rapaz centrado,destemido, rico e que esconde um grande segredo.MATHEUS – Dono da lanchonete onde as amigas Natalie e Alicia trabalham. Um rapaz bonito,rico e conquistador, investe suas cantadas em Natalie e, após um encontro frustrado que nuncaaconteceu, leva os maiores foras da funcionária abusada.
  10. 10. AUTORAS
  11. 11. PRÓLOGO — Preciso que cuidem delas – declarou Joshua com a voz autoritária. Os gêmeos Gabriel e Rafael entreolharam-se e depois fitaram Joshua. — Bem sabes que nada é de graça, meu amigo. Nem no nosso mundo isso funciona –rebateu Rafael com planos em mente. Joshua balançou a cabeça em negativa e soltou uma leve risada. Sim, ele bem sabia comoaconteciam tais trâmites. Eram como a máfia, favores eram feitos, porém, nunca deixavam de seremcobrados. — O que querem em troca? – indagou Joshua. — Ora, é bem óbvio, não? – retrucou Rafael em tom jocoso. – Queremos elas. Com o olhar estreito e o maxilar travado em fúria e carregado de ciúme, Joshua rebateu porentre os dentes: — Não ouse, Rafael! — É pegar ou largar, meu caro – respondeu o outro em plena vitória. Joshua suspirou profundamente e buscou calma em seu íntimo. Depois, decidido e sem tercomo fugir – também sem intenção alguma de cumprir aquele acordo -, declarou: — Que seja! Ao menos cuidem delas, ou vos caçarei até os confins do inferno! Dito isso, Joshua retirou-se e deixou os gêmeos confabulando entre si. — Ficou claro que o irritaste com tal proposta – murmurou Gabriel enquanto fitava Joshuaafastar-se em duros passos. — Dormirei na casa de Lúcifer por isso. – Rafael bufou exasperado. – Olha minha cara depreocupação, mano. Achas mesmo que deixaria essa passar sem exigir algo? Não sei quanto a ti,mas já enxerguei o futuro dessas garotinhas. E, creia-me, o de uma delas é bem ao meu lado. — Nesse caso, faço minhas as tuas palavras, Rafael. CAPÍTULO I (Natalie) Não me lembro como iniciou a minha amizade com Alicia, a conheço desde sempre. Porém,sinto um profundo carinho por ela. Não, é mais que isso, é um amor fraternal, como se fôssemosirmãs de verdade. E é assim que nos consideramos. Jamais esquecerei a promessa que um diafizemos quando tínhamos apenas cinco anos... Eu havia brigado com uma das garotas do orfanato, uma troglodita safada que cismava emnos atormentar. Nossa sorte era que a dona Angélica, diretora do orfanato onde vivíamos – ou tiaAngélica, como costumávamos chamá-la –, sempre jogava no nosso time. Ou seja, acreditava noque dizíamos – mesmo quando eu contava uma mentirinha ou outra para me safar de um castigo.Porém, naquele dia, não houve jeito. Nem minha carinha inocente foi o bastante para fazer a tiaAngélica recuar ou ser dissuadida a não retirar algumas das minhas regalias – como a sobremesadepois do jantar. Isso doeu mesmo! – Entretanto, não posso negar minha culpa. A garota me irritoue eu, como uma boa santa do pau oco, peguei o primeiro brinquedo disponível ao meu alcance –um taco de beisebol – e investi contra o queixo dela. Depois de escutar as broncas da tia Angélica e de passar o almoço sem sobremesa, fiqueiamuada em um cantinho do pátio dos fundos do orfanato. Alicia logo chegou e sentou-se ao meulado. Ela segurou minha mão e disse: — Não fica assim, Naty. Seremos amigas para sempre. Amigas não, seremos irmãs.Estaremos eternamente juntas. — De certa forma, já somos irmãs, não é? – indaguei balbuciando e segurando as lágrimas.Eu odiava chorar, só o fazia na frente de Alicia, porque confiava nela.
  12. 12. — Sim, maninha. Vamos fazer um juramento. Prometo te proteger sempre e estar do teulado em todos os momentos, nos bons e nos ruins. — Isso não vale, você já está sempre comigo, Aly! – rebati já mais descontraída. — Por isso mesmo – ela replicou com os olhos fechados e o narizinho empinado. – Estoureafirmando que ficaremos juntas. — Tudo bem – respondi bufando e revirando os olhos. – Também juro que estarei semprecontigo e que vou te proteger se qualquer idiota, seja menino ou menina, quiser te machucar. Fitamos-nos por alguns segundos e depois caímos na gargalhada. Logo levantamos evoltamos a brincar. E agora cumpríamos nossas promessas de infância. Eu sempre cuidava de Alicia e ela faziao mesmo comigo. O problema é que minha ―amiga quase irmã‖ às vezes assumia um papel demãe, pegava no meu pé feito chiclete. Mas era impossível não amá-la. Eu já não acreditava mais no amor passional. Sei lá... Acho que devia isso ao meu pai, fosseele quem fosse. Penso da seguinte forma, se ele amasse minha mãe, cuidaria de mim após a mortedela. Mas o cara nunca apareceu para reclamar sua cria. Motivo mais que suficiente para me fazeracreditar que o romance verdadeiro entre um homem e uma mulher era a pior das utopias. Alicia já era do tipo sonhadora. Buscava o típico rapaz dos contos de livros. Eu não. Euqueria festejar e curtir a vida. Cursávamos a faculdade juntas. Não tínhamos dinheiro, porém, isso não foi problema. Poralgum acaso do destino nós éramos inteligentes ao extremo, muito acima da média. Fato que nosgarantiu bolsa total em nossos cursos. Para todo o resto, contávamos com a ajuda da tia Angélica –que nunca nos deixou, era a típica mãezona – e com o mísero salário que recebíamos do nossoemprego em uma lanchonete perto do campus. Era difícil viver assim, mas era divertido. Aliciasempre tornava meu mundo algo delicioso de ser apreciado. Houve uma noite que cheguei ao nosso ―apertamento‖ – era assim que eu chamava nossominúsculo quarto no campus da faculdade – e Alicia sorria de orelha a orelha. Jean, um amigo queconhecemos por lá e que foi sempre muito solícito desde que chegamos, estava com ela. — Viram passarinhos verdes ou trocaram beijos no estilo ―desentupidor de pia‖? – indagueie findei com um sorriso enorme e debochado. — Quanta idiotice! – retrucou Alicia com as mãos na cintura e o olhar estreito. – Você jáestá careca de saber que Jean e eu somos apenas amigos. — E ele está ciente disso? – perguntei voltando meu olhar para o pobre rapaz, que estavamais vermelho que um pimentão. Ergui as sobrancelhas, cruzei os braços sobre o peito e esperei aresposta do coitado. — Natalie – ele balbuciou todo sem graça -, gosto de vocês duas. Não precisas ficarenciumada, gatinha – findou em tom vitorioso. Isso me irritava, Jean sempre sabia como me vencernas discussões, algo que, definitivamente, não era a praia de Alicia. Minha ―irmãzinha‖ era craqueem refutar qualquer desafio, mas não comigo. A última palavra sempre era minha. — Ciúme de ti, cara? – perguntei fazendo uma careta de espanto. – Mas nem que o solvirasse lua, Mané! Ele riu e se aproximou para fazer o que mais me irritava: bagunçar meus cabelos. Ao fim dabrincadeira, após as gargalhadas de Alicia – que se divertia sempre com Jean por perto -, eladeclarou: — O Jean conseguiu uma vaga no curso que eu tanto queria! Amanhã iniciarei as aulas deteologia. — Pirou? – questionei quase em um grito agudo. – Ainda com essa mania de anjos,demônios e destinos traçados? — Cada um com suas crenças, Naty – resmungou Jean, intrometendo-se na conversa. — Ok, cada louco com sua mania. – Levantei as mãos em sinal de rendição e desisti detentar entendê-los. Ele nos fitou por um momento e depois disse:
  13. 13. — Volto mais tarde, darei meia hora, acho que será tempo suficiente para estarem prontas. Dito isso, Jean saiu. Acho que nem escutou minha última indagação: — Prontas para o quê? Ao ficarmos sozinhas, Alicia me explicou que ele havia nos convidado para um jantarcomemorativo pela vaga conquistada. Era só o que me faltava – pensei com meus botões. Entretanto, eu jamais estragaria a suaalegria. ***** (Alicia) O curso de Teologia era a gloria para mim, como se fosse a complementação de toda aminha vida, estudar tudo, as origens da vida e, principalmente, os Nephilins, criaturas que eu achavafascinante. Não entendia o motivo de esse assunto mexer tanto com meu íntimo, mas era inevitável.A Natalie me chamava de sonhadora e dizia que eu perdia tempo demais estudando coisas semimportância. Só que, na verdade, não eram sem importância - pelo menos não para mim. O laço que nos une foi um dos motivos de eu querer estar estudando nesse cursoextracurricular. Nossa união, esse amor fraternal entre a Natalie e eu, era forte e estava entre nósdesde sempre... Juntas, unidas, coladas desde sempre. Lembro-me que ela estava triste em um canto por ter sido castigada pela tia Angélica, e eunão resisti, mesmo correndo o risco de ser repreendida, fui ao encontro dela para consola-la. Nessahora fizemos um pacto de irmandade e proteção. Em mim já nutria esse sentimento por ela, semprea quis perto de mim e aproveitei aquela situação para aproxima-la mais, e deu certo. Nossa amizadeé algo que vai além dessa vida, algo além dos laços sentimentais ou, mesmo se fossem laços desangue, eram indestrutíveis e isso que me intrigava. Só que Natalie nunca acreditou nisso, sempreera um tanto cética, dizendo que era apenas coincidência. Porém, uma ―feliz coincidência‖ o fato desermos tão unidas, como sendo apenas uma questão de afinidades - como ela dizia -, e nada a vercom o que eu acreditava - que era algo além da vida, algo mais profundo como no quesito ―anjos edemônios‖ da Teologia... Mesmo assim, Naty era minha irmãzinha de coração e protegê-la, amá-lae fazê-la feliz era meu maior prazer, meu amor por ela era incondicional, e eu sabia que o dela pormim também era assim. O dia em que entrei para o curso de teologia foi muito emocionante paramim, apesar de, como sempre, as brincadeirinhas sem graça da Natalie tentarem estragar tudo, semintenção só que quase sempre conseguindo. Ela e um amigo em comum viviam às turras, sempreresmungando um com o outro e tentando ver quem ganhava. Além de conhecimento o Jean trouxe a Teologia à minha vida, e isso estava me deixandodia a dia mais encantada com ele, um homem maravilhoso, inteligente, lindo e muito parceiro.Amigo para todas as horas, estava sempre presente em minha vida, me fazendo acreditar que meussonhos poderiam ser reais e que nada melhor que o conhecimento para colocar isso em prática e àprova. Ele sempre entrava em conflito com a Natalie, que se tornava insuportável quando o assuntoeram os nossos temas de estudos, a descrença dela nas coisas óbvias era irritante. Só que Naty erasempre presença certa em minha vida, então ambos tiveram que aprender a lidar um com o outro.Saíamos muito juntos e era sempre divertido, apesar de tudo. E, nesse dia, eu queria comemorar. — Sério que eu vou ter que aguentar esse mala a noite inteira, Alicia? - perguntava Natalie,mas na verdade só para me irritar. — Não fala assim, Natalie, Jean é um bom amigo, um homem legal. Eu gosto dele e, claro,Jean é o principal culpado da minha alegria. Graças a ele consegui essa vaga, nada mais justo quecomemorar ao seu lado, maninha, e ao lado dele - respondi. Sempre falava a mesma coisa emrelação ao Jean, pois era um fato, ele era tudo isso mesmo, não havia como negar. — Isso ainda vai resultar no tal amor que você tanto propaga aos quatro ventos. Só querover quem vai aturar vocês. - Ela adorava me irritar e quase sempre conseguia, mas eu procurava meesquivar de suas provocações.
  14. 14. — Naty, amor entre um homem e uma mulher é muito mais do que o que eu sinto pelo Jean.- Tentava explicar, apesar da sua irritante mania de duvidar de mim. – Você tem que entender que oamo como um irmão, e não como você, que é um amor incomparável, único, eu diria. Mas o amocom tamanha fraternidade também, nada mais que isso. Ela sempre ficava querendo questionar e desta vez não foi diferente. — Sabe, Aly, você pode pensar assim em relação ao Jean, mas dou a unha do dedomindinho como as intenções dele são bem mais profundas, quase eróticas, em relação a você - elasempre falava isso, e com uma convicção que quase me fazia acreditar. Entretanto, no fundo, eutinha certeza que não. Afinal, mais valia um amigo amado do que um homem odiado. O Jean veio nos buscar, eram oito horas da noite em ponto. Ele tinha nos convidado parajantar - na verdade, ele tinha me convidado. Só que o Jean sabia que a Naty estava sempre comigo,então ela vinha de brinde. O problema era aguentar os dois juntos por algum tempo, seria briga nacerta. ***** (Natalie) Jantar com minha irmã e o amigo apaixonado dela. Bem, era meu amigo também, mas eupreferia perturbá-lo a qualquer outra coisa. Tenho certeza de que eu não seria convidada para esseevento, Jean estava sempre tentando arrumar um pretexto para ter um momento a sós com Aly.Porém, mantendo minha boa reputação de pentelha do ano, nunca hesitei em me intrometer nosconvites que ele lhe fazia. E acho que Aly até gostava disso, era mais fácil eu levar a culpa dosfracassos de Jean em suas investidas que ela refutar as ousadias do ―Mané‖. — Prontas? - ele perguntou assim que desceu do seu carro zero de playboy, um ToyotaPrado negro, bem estiloso, e nos viu na porta do prédio III do campus. Revirei os olhos em sinal de impaciência e não resisti, precisei torturá-lo: — Não. Arrumamos-nos toda para trazer o lixo à rua. — Vou fingir que não escutei isso – Jean rebateu, lançando uma piscadela para Aly. Ele abriu a porta do passageiro para a mana e eu nem esperei a mesma gentileza – atéporque ele não o faria. – Assim que nos acomodamos no carro, tornei a perturbá-lo: — Então, senhor surdo que nunca me escuta, pizza ou sandubão? — Quanta classe! – Jean resmungou com sarcasmo. – Vou levá-las para um jantar deverdade. — Fiquei curiosa – falou Alicia. Pelo espelho retrovisor, pude ver que ele lançou uma piscada para Aly e completou,aumentando o mistério: — Espere e verá. Garanto que não irá se arrepender. Pronto! Percebi que seria completamente ignorada pelo resto do caminho... Ok, me rendo! O tal jantar de verdade era mesmo ―de verdade‖. Jean nos levou para orestaurante Toca da Garoupa, que ficava em um dos bairros mais elegantes de Florianópolis, oJurere. Naquele momento, agradeci aos céus por ter escutado o conselho da Aly em usar o vestidoque ela emprestou. Não que minhas roupas fossem feias, mas não combinavam com o ambiente emquestão, afinal, jeans e All Star rasgado era ―cool‖, porém, não condizia a ocasião. — Mané, se tua intenção era impressionar, conseguiste o feito – brinquei após soltar umlongo assobio de admiração. — Naty – ele falou com as sobrancelhas franzidas -, acho que tivemos tempos suficientesjuntos para você entender que meu nome não é ―Mané‖. Antes que eu pudesse rebater a essa gracinha sem graça, o gerente do restauranteaproximou-se e logo cumprimentou Jean – na verdade, o bajulou, fato que me levou a crer que o―Mané‖ e sua família deveriam ser clientes fiéis e que deixavam muitos tostões por lá. Fomos convidados para sentarmos na melhor mesa e o Jean fez o pedido por nós:
  15. 15. — Bem, sei que não é muito educado, deveria deixá-las escolherem o que querem comer,mas eu gostaria muito que experimentassem a moqueca de camarão desse lugar. É realmente umadelícia. — Por mim, tudo bem – Alicia respondeu sorridente. — Manda. Se é do mar, eu aprovo – rebati ansiosa. Minha intenção era saciar a fome. Já queestávamos ali, e ele pagaria a conta, eu ia era aproveitar. Provamos a moqueca, tomamos um bom vinho branco, conversamos bastante – eu maisirritei o Jean que conversei – e me senti deliciosamente confortável. Era como se o mar fosse meulugar, minha vida, minha essência. Porém, também já bolava planos para o resto da noite. Tinhamme tirado do conforto do meu apertamento, não? Então que aguentassem minha energia agora... (Alicia) Jantar com eles era sempre divertido e irritante, um provocando o outro, parecendo duascrianças tentando disputar a atenção da sua mãe, pois era assim que eu me sentia em relação aambos. Por mais que a Naty tentasse me fazer pensar o contrário, meu amor por eles era mais doque algo carnal. O jantar todo em si tinha sido perfeito, o Jean não media esforços para me agradar e euadorava isso, ser mimada às vezes era bom demais. Apesar de que eu me senti estranha em certomomento, foi logo depois de servirem a sobremesa. Era uma sensação de calor e frio, como umchoque térmico, algo que me deu calafrios. Percebi que a Naty estava muito à vontade, entãoconcluí que ela não sentia o mesmo que eu. Procurei relaxar, mas encontrei o olhar do Jean recaindosobre mim e notei algo diferente nele, o que me fez pensar que talvez tivesse bebido um poucodemais, e procurei esquecer isso. Comemos e logo veio o convite da Naty. — Vamos dar uma esticadinha hoje, não é? Poxa, estou merecendo depois de aguentar essasrasgassão de seda entre vocês - falou ela com um tom mais doce, quase chantagista na verdade,jeito Natalie de ser. — Por mim, tudo bem. – Dei de ombros. - Agora é você quem sabe, Jean, se vai nosacompanhar ou não. Fica bem à vontade se quiser ir para casa ou tiver outro compromisso – sugerio livrando de qualquer obrigação para conosco, afinal, ele já tinha feito muito nos proporcionandoum jantar tão maravilhoso. — Eu topo, estou precisando descontrair um pouco e jamais deixaria você sozinha, Alicia.Existem muitos perigos e mistérios nas noites de Floripa - disse Jean fitando-me e piscando o olho.Lá vinha bomba. — Ah! Faça-me o favor, não é, senhor sabe tudo? Minha irmã nunca precisou de guardacostas e não vai ser agora que terá necessidade de um. Então se quer ir, vá. Mas sem essa desculpamais que esfarrapada, ok? – resmungou Naty bastante irritada. Protegíamos-nos e não admitíamosque outras pessoas se metessem entre nós, isso era fato. Achei melhor, desta vez, não me meter paranão piorar as coisas. Entendi a brincadeira do Jean, mas tinha o mesmo pensamento de Naty emrelação a nossa proteção. Era como se nós duas juntas fôssemos quase que indestrutíveis. Sem mais delongas, Jean pediu a conta e logo nós estávamos no carro, a caminho do ElDivino Club, uma danceteria que não ficava muito distante de onde estávamos. E, pela empolgaçãoda Naty, ficou claro que a noite prometia muita energia...

×