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ASSÉDIO MORAL
“Eterno é tudo aquilo que dura uma
fração de segundos, mas com
tamanha intensidade que se
petrifica e nenhuma força consegue
destruir.”
Carlos Drummond de Andrade
São machucados invisíveis aos
olhos e, por isso mesmo, ainda
mais perigosos. É exatamente no
silêncio e na ausência de
evidências palpáveis que reside
o risco de que a ferida se
perpetue.
Isso porque a intensidade do
prejuízo é tal que, mesmo em
curta duração temporal, esta
prática causa lesões profundas.
Nem tudo o que se petrifica e - “drummondianamente” falando – se
eterniza é necessariamente bom. Excelente seria um mundo em que
apenas as coisas boas pudessem ser assim: ETERNAS!
Lamentavelmente, existem as coisas ruins e aqui abordamos um
tema que, naquela fração de segundos citada por Drummond, pode
causar enormes danos: o assédio moral.
A fim de evitar que tal dor se eternize, e de mostrar o que é assédio
moral e como combatê-lo, é que disponibilizamos as informações
seguintes, com base em trabalho desenvolvido pelo SINJUS – MG.
Na mesma fração de segundos – aquela na qual reside a força que
eterniza, citada por Drummond, há a possibilidade de agirmos com
tamanha intensidade, que seremos capazes de conter as ações que
configuram essa prática cruel e repulsiva.
Esperamos que as
informações
obtidas ajudem a
melhorar o
cotidiano funcional
do servidor e que
forneçam
dados capazes de
solidificar um
ambiente de trabalho
saudável, garantindo,
assim, uma maior
qualidade de vida para
todos!
O assédio moral consiste na
exposição do trabalhador a situações
de constrangimento, humilhação,
degradação, menosprezo,
inferiorização, ridicularização,
culpabilidade, descrédito diante dos
colegas e afins.
De acordo com um recente estudo
divulgado pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT), a
violência moral no ambiente de
trabalho é, lamentavelmente, um
fenômeno internacional.
O QUE É ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO?
Segundo estudiosos, o assédio moral não é novidade. Ele existe
desde sempre, basta que existam relações de trabalho, sobretudo
quando intermediadas pela hierarquia.
Tais atitudes - que na
maioria das vezes são
conduzidas por alguém
hierarquicamente superior
no organograma da empresa
ou do setor – são repetitivas
e prolongadas e afetam,
diretamente, o exercício
profissional. São relações
hierárquicas, nas quais
predominam essas condutas
negativas e relações
desumanas de um ou mais
chefes dirigidas a um ou
mais subordinados.
A exposição contínua
e prolongada a tais
situações
desestabiliza a
relação da vítima com
o ambiente de
trabalho e a
organização. Esse
fato, não raro, leva a
sérias
conseqüências, tanto
para a carreira
profissional quanto
para a saúde física,
emocional
e mental do
trabalhador.
CARACTERÍSTICAS DO ASSEDIADOR
Como explicitado, o assédio moral se caracteriza, sobretudo, pela
imposição de situações humilhantes e degradantes ao trabalhador,
dentro de seu ambiente de trabalho, preferencialmente com a
exposição excessiva e contínua da vítima.
O assediador, na maioria dos casos já estudados, geralmente é um
chefe, um superior hierárquico. Mas há, também, colegas de
trabalho que - por se acharem em “situações privilegiadas” -
corroboram com a prática e, até mesmo, a incentivam ou a
exercitam diretamente.
O assediador pode
caracterizar-se pela
agressividade. Mas também
pode adotar atitudes menos
explícitas de assédio:
desprezo, ironia,
“superioridade”.
Exemplo disso são as
demonstrações de “quem é que
manda”, “quem tem o poder” como,
por exemplo, questionamentos
constrangedores – sempre diante de
“testemunhas” - quanto a horários ou
prazos; ou as ameaças veladas de
cortes/descontos nos salários/pontos
(assim - caso ele não o faça –
mostra que poderia ter feito se
quisesse, mas foi “bonzinho”).
Todos esses comportamentos expõem a vítima, ou o valor do seu
trabalho, a embaraços, colocando-a numa situação humilhante
diante dos demais funcionários. Aliás, o assediador, não raro,
procura ter “platéia”, a fim de simular que a vítima é a culpada.
ASSEDIADOR GARGANTA: É o contador de
vantagens. Mesmo não conhecendo bem o
trabalho, não admite que seus subordinados
saibam mais que ele.
ASSEDIADOR TASEA (“tá se achando”) - É aquele que
não sabe como agir em relação às demandas de seus
superiores. Confuso e inseguro e sem clareza de seus
objetivos, dá ordens contraditórias. Mas, caso um projeto
ganhe elogios dos superiores, ele se apresenta para
recebê-los. Se a situação for inversa, entretanto,
responsabiliza os subordinados pela “incompetência”.
“TIPOS” DE ASSEDIADORES (“O assédio moral no Direito do
Trabalho” – Martha Halfeld Furtado de Mendonça Schmidt)
ASSEDIADOR PROFETA: Aquele que tem uma
missão: demitir indiscriminadamente e, assim,
tornar a “máquina mais enxuta”. Para ele, demitir é
uma “grande realização”. Humilha com cautela,
reserva e “elegância”.
ASSEDIADOR PIT-BULL: Agressivo,
violento e até perverso no que fala e em
suas ações, ele humilha por prazer.
ASSEDIADOR TROGLODITA: É brusco e “sempre tem
razão”. As normas são implantadas sem que ninguém
seja consultado. Afinal, os subordinados devem obedecer
sem reclamar.
ASSEDIADOR TIGRÃO: Para esconder sua incapacidade,
faz-se temer. Para tanto, tem atitudes grosseiras e
necessita de “audiência”. Assim, sente-se respeitado.
ASSEDIADOR MALA–BABÃO: O “capataz moderno”.
Bajula o patrão e controla os subordinados com “mão
de ferro” (patrulha). Gosta ainda de perseguir àqueles
que comanda.
ASSEDIADOR GRANDE IRMÃO: Faz-se de sensível e
amigo, não só no trabalho mas fora dele. Quer saber dos
problemas particulares de cada um, a fim de, na “primeira
oportunidade”, usar o que sabe para intimidar e assediar
o trabalhador.
ESTRATÉGIAS DO ASSEDIADOR:
Para concretizar sua intenção de culpabilizar e acuar a vítima, o
agressor moral utiliza uma série de estratégias. Os estudiosos
levantaram, entre as ações mais comuns dos assediadores:
 Isolar a vítima do grupo;
 Impedí-la de se expressar, sem explicar o porquê;
 Responsabilizá-la publicamente, por
falhas, fazendo comentários de sua
incapacidade, inclusive, em relação a
outras situações, como a vida social
ou familiar;
ESTRATÉGIAS DO ASSEDIADOR:
 Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar, menosprezar a vítima, diante
de seus colegas de trabalho;
 Impor ao coletivo a sua “autoridade”, a fim de aumentar a
produtividade, ampliando/forçando a exclusão da vítima.
 Desestabilizar emocional e
profissionalmente a vítima, levando-a
gradativamente a perder a sua
autoconfiança, o seu interesse e a sua
disposição pelo trabalho;
 Estabelecer uma vigilância acentuada
e constante sobre tudo o que a vítima
faz no ambiente de trabalho
(patrulhamento);
Essas táticas do assediador,
comumente, levam o profissional a
se retrair, se sentir muitas vezes
culpado, se afastar ainda mais dos
colegas. Assim, ele perde a auto
estima,
passa a se negligenciar,
tanto em relação ao trabalho quanto
em relação ao estrago que tal
situação pode acarretar a sua
saúde.
Tal fato pode levar à desistência do
emprego (desemprego) e causar
uma série de doenças.
Conseqüências do assédio moral para a vida
e para a saúde do trabalhador
Humilhações/constrangimentos repetitivos e contínuos no
trabalho afetam toda a vida da vítima. O assédio moral
compromete a identidade, a auto-estima e o desempenho
profissional do indivíduo. Esses fatos, além de afetar sua
rotina funcional, podem interferir na qualidade de seus
relacionamentos sociais e familiares.
Fragilizada, acuada, com auto-estima em
baixa, a vítima pode se tornar arredia,
isolando-se ainda mais de todos os grupos
(profissional, social, familiar), descrente de
sua capacidade e de suas qualidades. Tal
situação pode ocasionar graves danos à
saúde física e mental. O assediado
somatiza as angústias pelas quais passa
cotidianamente.
Isso pode levar a quadros de depressão e melancolia; provocar
alterações no sono e na pressão arterial; agravar enfermidades
preexistentes, entre outros transtornos que podem evoluir para
a incapacidade laborativa, para o desemprego ou até mesmo
para a incapacitação total.
Não raro, a vítima de assédio moral
aumenta o consumo de álcool ou outras
drogas. Todos esses fatores constituem
um risco invisível, embora concreto, nas
relações e condições de trabalho e de
vida do indivíduo.
Trabalhadoras do sexo feminino ou pessoas que, devido a problemas
de saúde, são forçadas a se afastar das suas funções profissionais,
costumam ser vítimas contumazes dos assediadores.
No caso de pessoas afastadas por questões de
saúde, chefes assediadores costumam ironizar
a doença e fragilidade física; fazer insinuações
irônicas quanto à real presença da enfermidade;
disponibilizar outra pessoa para fazer o trabalho
do profissional, colocando-o “na geladeira”, a
fim de culpabilizá-lo e colocá-lo numa situação
constrangedora perante os colegas de trabalho.
O fato de que a maioria das mulheres tem dupla jornada e é
responsável pelos cuidados com questões domésticas
(filhos, doenças na família e afins) pode ser um gerador de
“desculpas” para justificativas do assediador. Gravidez é
outro fator de estímulo ao assédio moral.
As mulheres, muitas vezes, são
acuadas por chefes agressores,
que precisam se auto-afirmar.
Esse tipo de assediador pode
agir por temor de ser subjugado
pela capacidade da assediada –
assim explicita/fabrica falhas e
aspectos negativos; ou por
preconceito de gênero.
Fato gerador ou desfecho de um assédio
moral, o assédio sexual se caracteriza pelo
abuso do poder; assedia-se alguém com
violação de dever do cargo, ministério ou
profissão, exigindo, direta ou indiretamente,
prestação de favores sexuais como condição
para criar ou conservar direito, ou para atender
a pretensão da vítima.
Diferentemente de relação amorosa no
trabalho, o assédio sexual se configura por
chantagem. Enquanto a relação amorosa
promete um acréscimo, a vivência de uma
experiência luminosa e conta com a conquista
ou a sedução do outro, o que implica em sua
concordância voluntária; o segundo utiliza
intimidação e promete castigo se não for
O ASSÉDIO SEXUAL
Os especialistas e estudiosos da questão aconselham:
 Registrar todas as humilhações impingidas – com detalhes como
data, forma, testemunhas, etc.;
COMO REAGIR AO ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO?
 Evitar contato com o agressor
quando não há testemunhas e, no caso
de assédio sexual, deixar clara sua
recusa ao assediador;
 Exigir que “determinadas” ordens
sejam feitas por escrito;
 Dar visibilidade ao assédio – procurando outras vítimas do
mesmo agressor e informando colegas sobre os fatos;
 Arquivar documentos – piadinhas e folhetos afixados em quadros;
 Comunicar ao setor/responsável superior, por escrito e com cópia e
protocolo, os atos do agressor – caso exista resposta do setor ou do
agressor, arquivá-la;
 Procurar a sua entidade de classe – associação ou sindicato - e
relatar o acontecido e fazer o mesmo em outras instâncias: Ministério
Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos; Centro de
Referência em Saúde dos Trabalhadores; Delegacia de Mulheres (no
assédio sexual) ou outra Delegacia, caso não haja Delegacia de
Mulheres em sua cidade.
 Procurar apoio recorrendo a médicos,
assistentes sociais ou psicólogos e
contar a humilhação sofrida;
 Sempre buscar apoio de familiares,
amigos e colegas: afeto e solidariedade
são fundamentais para recuperação da
auto-estima e da dignidade enfraquecidas
pelo assédio.
Em Minas Gerais há um projeto a ser enviado à ALMG, elaborado
em conjunto a entidades de classe dos servidores (acompanhe e
opine).
Há, também, em âmbito federal, entre outras propostas, sugestões
de alteração no Código Penal, a fim de se incluir punições efetivas
aos assediadores.
Nas localidades em que já existem condenações, as penalidades
prevêem: multa, advertência, suspensão e até demissão dos
A LEI E O ASSÉDIO MORAL
Atualmente, são quase 100 projetos
de lei, tramitando ou já aprovados
em diferentes regiões do País.
Todos visam a combater a prática
do assédio moral no trabalho.
A prática do assédio moral no trabalho, mais do que
comprovadamente, assola o cotidiano dos trabalhadores. Embora
exista há tempos, somente agora começa a ser efetivamente
estudada, questionada e combatida.
Tal situação, no universo do serviço público, é ainda mais grave
porque acaba trazendo prejuízos à sociedade como um todo. Assim
como o descaso e a desvalorização, o assédio moral sobre o servidor
CONCLUINDO...
O assédio é perverso para a vítima, para o grupo, para a
organização, para a sociedade...É preciso combater essa
prática!!!
CONCLUINDO...
Nesse sentido, vamos continuar trabalhando para que Minas
entre no rol dos Estados que possuem uma legislação adequada
ao combate do assédio moral no trabalho.
PARA SABER MAIS:
 www.assediomoral.org
 www.assediomoral.com.br
 www.direitonet.com.br
 www.guiatrabalhista.com.br
 www.leiaassediomoral.com.br
 www.conselho.saude.gov.br
 www.ipea.gov.br/ouvidoria/doc/Maria_Ester_de_Freitas.pdf

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Assédio moral no trabalho

  • 1. ASSÉDIO MORAL “Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundos, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força consegue destruir.” Carlos Drummond de Andrade
  • 2. São machucados invisíveis aos olhos e, por isso mesmo, ainda mais perigosos. É exatamente no silêncio e na ausência de evidências palpáveis que reside o risco de que a ferida se perpetue. Isso porque a intensidade do prejuízo é tal que, mesmo em curta duração temporal, esta prática causa lesões profundas. Nem tudo o que se petrifica e - “drummondianamente” falando – se eterniza é necessariamente bom. Excelente seria um mundo em que apenas as coisas boas pudessem ser assim: ETERNAS! Lamentavelmente, existem as coisas ruins e aqui abordamos um tema que, naquela fração de segundos citada por Drummond, pode causar enormes danos: o assédio moral.
  • 3. A fim de evitar que tal dor se eternize, e de mostrar o que é assédio moral e como combatê-lo, é que disponibilizamos as informações seguintes, com base em trabalho desenvolvido pelo SINJUS – MG. Na mesma fração de segundos – aquela na qual reside a força que eterniza, citada por Drummond, há a possibilidade de agirmos com tamanha intensidade, que seremos capazes de conter as ações que configuram essa prática cruel e repulsiva. Esperamos que as informações obtidas ajudem a melhorar o cotidiano funcional do servidor e que forneçam dados capazes de solidificar um ambiente de trabalho saudável, garantindo, assim, uma maior qualidade de vida para todos!
  • 4. O assédio moral consiste na exposição do trabalhador a situações de constrangimento, humilhação, degradação, menosprezo, inferiorização, ridicularização, culpabilidade, descrédito diante dos colegas e afins. De acordo com um recente estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a violência moral no ambiente de trabalho é, lamentavelmente, um fenômeno internacional. O QUE É ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO? Segundo estudiosos, o assédio moral não é novidade. Ele existe desde sempre, basta que existam relações de trabalho, sobretudo quando intermediadas pela hierarquia.
  • 5. Tais atitudes - que na maioria das vezes são conduzidas por alguém hierarquicamente superior no organograma da empresa ou do setor – são repetitivas e prolongadas e afetam, diretamente, o exercício profissional. São relações hierárquicas, nas quais predominam essas condutas negativas e relações desumanas de um ou mais chefes dirigidas a um ou mais subordinados. A exposição contínua e prolongada a tais situações desestabiliza a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização. Esse fato, não raro, leva a sérias conseqüências, tanto para a carreira profissional quanto para a saúde física, emocional e mental do trabalhador.
  • 6. CARACTERÍSTICAS DO ASSEDIADOR Como explicitado, o assédio moral se caracteriza, sobretudo, pela imposição de situações humilhantes e degradantes ao trabalhador, dentro de seu ambiente de trabalho, preferencialmente com a exposição excessiva e contínua da vítima. O assediador, na maioria dos casos já estudados, geralmente é um chefe, um superior hierárquico. Mas há, também, colegas de trabalho que - por se acharem em “situações privilegiadas” - corroboram com a prática e, até mesmo, a incentivam ou a exercitam diretamente. O assediador pode caracterizar-se pela agressividade. Mas também pode adotar atitudes menos explícitas de assédio: desprezo, ironia, “superioridade”.
  • 7. Exemplo disso são as demonstrações de “quem é que manda”, “quem tem o poder” como, por exemplo, questionamentos constrangedores – sempre diante de “testemunhas” - quanto a horários ou prazos; ou as ameaças veladas de cortes/descontos nos salários/pontos (assim - caso ele não o faça – mostra que poderia ter feito se quisesse, mas foi “bonzinho”). Todos esses comportamentos expõem a vítima, ou o valor do seu trabalho, a embaraços, colocando-a numa situação humilhante diante dos demais funcionários. Aliás, o assediador, não raro, procura ter “platéia”, a fim de simular que a vítima é a culpada.
  • 8. ASSEDIADOR GARGANTA: É o contador de vantagens. Mesmo não conhecendo bem o trabalho, não admite que seus subordinados saibam mais que ele. ASSEDIADOR TASEA (“tá se achando”) - É aquele que não sabe como agir em relação às demandas de seus superiores. Confuso e inseguro e sem clareza de seus objetivos, dá ordens contraditórias. Mas, caso um projeto ganhe elogios dos superiores, ele se apresenta para recebê-los. Se a situação for inversa, entretanto, responsabiliza os subordinados pela “incompetência”. “TIPOS” DE ASSEDIADORES (“O assédio moral no Direito do Trabalho” – Martha Halfeld Furtado de Mendonça Schmidt)
  • 9. ASSEDIADOR PROFETA: Aquele que tem uma missão: demitir indiscriminadamente e, assim, tornar a “máquina mais enxuta”. Para ele, demitir é uma “grande realização”. Humilha com cautela, reserva e “elegância”. ASSEDIADOR PIT-BULL: Agressivo, violento e até perverso no que fala e em suas ações, ele humilha por prazer. ASSEDIADOR TROGLODITA: É brusco e “sempre tem razão”. As normas são implantadas sem que ninguém seja consultado. Afinal, os subordinados devem obedecer sem reclamar.
  • 10. ASSEDIADOR TIGRÃO: Para esconder sua incapacidade, faz-se temer. Para tanto, tem atitudes grosseiras e necessita de “audiência”. Assim, sente-se respeitado. ASSEDIADOR MALA–BABÃO: O “capataz moderno”. Bajula o patrão e controla os subordinados com “mão de ferro” (patrulha). Gosta ainda de perseguir àqueles que comanda. ASSEDIADOR GRANDE IRMÃO: Faz-se de sensível e amigo, não só no trabalho mas fora dele. Quer saber dos problemas particulares de cada um, a fim de, na “primeira oportunidade”, usar o que sabe para intimidar e assediar o trabalhador.
  • 11. ESTRATÉGIAS DO ASSEDIADOR: Para concretizar sua intenção de culpabilizar e acuar a vítima, o agressor moral utiliza uma série de estratégias. Os estudiosos levantaram, entre as ações mais comuns dos assediadores:  Isolar a vítima do grupo;  Impedí-la de se expressar, sem explicar o porquê;  Responsabilizá-la publicamente, por falhas, fazendo comentários de sua incapacidade, inclusive, em relação a outras situações, como a vida social ou familiar;
  • 12. ESTRATÉGIAS DO ASSEDIADOR:  Fragilizar, ridicularizar, inferiorizar, menosprezar a vítima, diante de seus colegas de trabalho;  Impor ao coletivo a sua “autoridade”, a fim de aumentar a produtividade, ampliando/forçando a exclusão da vítima.  Desestabilizar emocional e profissionalmente a vítima, levando-a gradativamente a perder a sua autoconfiança, o seu interesse e a sua disposição pelo trabalho;  Estabelecer uma vigilância acentuada e constante sobre tudo o que a vítima faz no ambiente de trabalho (patrulhamento);
  • 13. Essas táticas do assediador, comumente, levam o profissional a se retrair, se sentir muitas vezes culpado, se afastar ainda mais dos colegas. Assim, ele perde a auto estima, passa a se negligenciar, tanto em relação ao trabalho quanto em relação ao estrago que tal situação pode acarretar a sua saúde. Tal fato pode levar à desistência do emprego (desemprego) e causar uma série de doenças. Conseqüências do assédio moral para a vida e para a saúde do trabalhador
  • 14. Humilhações/constrangimentos repetitivos e contínuos no trabalho afetam toda a vida da vítima. O assédio moral compromete a identidade, a auto-estima e o desempenho profissional do indivíduo. Esses fatos, além de afetar sua rotina funcional, podem interferir na qualidade de seus relacionamentos sociais e familiares. Fragilizada, acuada, com auto-estima em baixa, a vítima pode se tornar arredia, isolando-se ainda mais de todos os grupos (profissional, social, familiar), descrente de sua capacidade e de suas qualidades. Tal situação pode ocasionar graves danos à saúde física e mental. O assediado somatiza as angústias pelas quais passa cotidianamente.
  • 15. Isso pode levar a quadros de depressão e melancolia; provocar alterações no sono e na pressão arterial; agravar enfermidades preexistentes, entre outros transtornos que podem evoluir para a incapacidade laborativa, para o desemprego ou até mesmo para a incapacitação total. Não raro, a vítima de assédio moral aumenta o consumo de álcool ou outras drogas. Todos esses fatores constituem um risco invisível, embora concreto, nas relações e condições de trabalho e de vida do indivíduo.
  • 16. Trabalhadoras do sexo feminino ou pessoas que, devido a problemas de saúde, são forçadas a se afastar das suas funções profissionais, costumam ser vítimas contumazes dos assediadores. No caso de pessoas afastadas por questões de saúde, chefes assediadores costumam ironizar a doença e fragilidade física; fazer insinuações irônicas quanto à real presença da enfermidade; disponibilizar outra pessoa para fazer o trabalho do profissional, colocando-o “na geladeira”, a fim de culpabilizá-lo e colocá-lo numa situação constrangedora perante os colegas de trabalho.
  • 17. O fato de que a maioria das mulheres tem dupla jornada e é responsável pelos cuidados com questões domésticas (filhos, doenças na família e afins) pode ser um gerador de “desculpas” para justificativas do assediador. Gravidez é outro fator de estímulo ao assédio moral. As mulheres, muitas vezes, são acuadas por chefes agressores, que precisam se auto-afirmar. Esse tipo de assediador pode agir por temor de ser subjugado pela capacidade da assediada – assim explicita/fabrica falhas e aspectos negativos; ou por preconceito de gênero.
  • 18. Fato gerador ou desfecho de um assédio moral, o assédio sexual se caracteriza pelo abuso do poder; assedia-se alguém com violação de dever do cargo, ministério ou profissão, exigindo, direta ou indiretamente, prestação de favores sexuais como condição para criar ou conservar direito, ou para atender a pretensão da vítima. Diferentemente de relação amorosa no trabalho, o assédio sexual se configura por chantagem. Enquanto a relação amorosa promete um acréscimo, a vivência de uma experiência luminosa e conta com a conquista ou a sedução do outro, o que implica em sua concordância voluntária; o segundo utiliza intimidação e promete castigo se não for O ASSÉDIO SEXUAL
  • 19. Os especialistas e estudiosos da questão aconselham:  Registrar todas as humilhações impingidas – com detalhes como data, forma, testemunhas, etc.; COMO REAGIR AO ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO?  Evitar contato com o agressor quando não há testemunhas e, no caso de assédio sexual, deixar clara sua recusa ao assediador;  Exigir que “determinadas” ordens sejam feitas por escrito;  Dar visibilidade ao assédio – procurando outras vítimas do mesmo agressor e informando colegas sobre os fatos;
  • 20.  Arquivar documentos – piadinhas e folhetos afixados em quadros;  Comunicar ao setor/responsável superior, por escrito e com cópia e protocolo, os atos do agressor – caso exista resposta do setor ou do agressor, arquivá-la;  Procurar a sua entidade de classe – associação ou sindicato - e relatar o acontecido e fazer o mesmo em outras instâncias: Ministério Público, Justiça do Trabalho, Comissão de Direitos Humanos; Centro de Referência em Saúde dos Trabalhadores; Delegacia de Mulheres (no assédio sexual) ou outra Delegacia, caso não haja Delegacia de Mulheres em sua cidade.
  • 21.  Procurar apoio recorrendo a médicos, assistentes sociais ou psicólogos e contar a humilhação sofrida;  Sempre buscar apoio de familiares, amigos e colegas: afeto e solidariedade são fundamentais para recuperação da auto-estima e da dignidade enfraquecidas pelo assédio.
  • 22. Em Minas Gerais há um projeto a ser enviado à ALMG, elaborado em conjunto a entidades de classe dos servidores (acompanhe e opine). Há, também, em âmbito federal, entre outras propostas, sugestões de alteração no Código Penal, a fim de se incluir punições efetivas aos assediadores. Nas localidades em que já existem condenações, as penalidades prevêem: multa, advertência, suspensão e até demissão dos A LEI E O ASSÉDIO MORAL Atualmente, são quase 100 projetos de lei, tramitando ou já aprovados em diferentes regiões do País. Todos visam a combater a prática do assédio moral no trabalho.
  • 23. A prática do assédio moral no trabalho, mais do que comprovadamente, assola o cotidiano dos trabalhadores. Embora exista há tempos, somente agora começa a ser efetivamente estudada, questionada e combatida. Tal situação, no universo do serviço público, é ainda mais grave porque acaba trazendo prejuízos à sociedade como um todo. Assim como o descaso e a desvalorização, o assédio moral sobre o servidor CONCLUINDO...
  • 24. O assédio é perverso para a vítima, para o grupo, para a organização, para a sociedade...É preciso combater essa prática!!! CONCLUINDO... Nesse sentido, vamos continuar trabalhando para que Minas entre no rol dos Estados que possuem uma legislação adequada ao combate do assédio moral no trabalho.
  • 25. PARA SABER MAIS:  www.assediomoral.org  www.assediomoral.com.br  www.direitonet.com.br  www.guiatrabalhista.com.br  www.leiaassediomoral.com.br  www.conselho.saude.gov.br  www.ipea.gov.br/ouvidoria/doc/Maria_Ester_de_Freitas.pdf