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O antigo hotel sete de setembro

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O antigo hotel sete de setembro

  1. 1. Revista Brasileira de Arqueometria, Restauração e Conservação. Vol.1, No.2, pp. 036 - 040 Copyright © 2007 AERPA Editora HISTÓRIA DA ARQUITETURA COMO FERRAMENTA DE PRESERVAÇÃO – O CASO DA RESTAURAÇÃO DO ANTIGO HOTEL SETE DE SETEMBRO – Maria Ângela Dias (*); Cláudia Nóbrega (**); Francyla Bousquet (***); (*) Universidade Federal do Rio de Janeiro – Diretora do Escritório Técnico da Universidade (ETU); (**)Universidade Federal do Rio de Janeiro – Diretora da Divisão de Projetos de Imóveis Tombados(DIPRIT); (***) Universidade Federal do Rio de Janeiro – Arquiteta-fiscal das obras de restauração do antigo Hotel Sete de Setembro.Introdução construtivo dos imóveis, o programa original e as O presente artigo trata da restauração do características físicas do terreno onde o Hotel foiAntigo Hotel Sete de Setembro, empreendida pela implantado, bem como as transformaçõesUniversidade Federal do Rio de Janeiro, através ocorridas na área e nas edificações ao longo dode seu Escritório Técnico (ETU), especificamente tempo. Dentre as questões que se colocaram,de sua Divisão de Projetos de Imóveis Tombados elegemos o caso da execução de uma nova(DIPRIT), com apoio da Petrobrás. cisterna, projetada para ser construída em um dos pátios internos da edificação principal. Métodos Com os serviços de execução da cisterna já contratados qual não foi a nossa surpresa ao verificarmos a existência de partes de uma edificação pré-existente ao prédio do Hotel.Figura 1: Hotel Sete de Setembro em construção c.1921-1922. (AGRJ 1Apud FERRAZ, HERMES, 2001). O conjunto arquitetônico é formado por duasedificações: o prédio principal e o anexo. Situa-sena Avenida Rui Barbosa no. 762, Flamengo, Riode Janeiro. Construído para ser o Hotel Sete deSetembro, entre 1921-22, foi cedido a Escola de Figura 2: Escavações para construção da cisternaEnfermagem Anna Nery da Universidade do em julho/ 2005, (BOUSQUET).Brasil (atual UFRJ), em 1926, para servir deinternato para as alunas e professoras desta escola. A primeira providência foi convocar o órgãoPermaneceu como internato das enfermeiras até responsável pela proteção do conjunto, o Instituto1972, quando passa a sediar a Casa do Estudante Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), paraUniversitário. Em 1995, o imóvel é desocupado, analisar o problema. O projeto antecedia a nossainiciando-se os trabalhos de restauração no ano de gestão e havia sido aprovado pelo referido órgão.2002. Na visita técnica realizada pelo INEPAC, que Durante as obras de recuperação do complexo contou com a presença do professor Silva Teles,arquitetônico, houve uma série de impasses sobre foi constatada a importância da descoberta,decisões projetuais, evidenciando a carência de levando o Conselho do Inepac a solicitar ainformações históricas sobre o sistema técnico- interrupção dos trabalhos de escavação. As obras foram paralisadas e, diante da1 necessidade de determinarmos um outro local para ARQUIVO GERAL DA CIDADE DO RIO DEJANEIRO. 36
  2. 2. construção da cisterna desenvolvemos um plano vulto, tais como os edifícios da antiga Avenidade ação com as seguintes etapas: Central e suntuosos palacetes em bairros nobres• Levantamento de dados sobre a história da da cidade do Rio de Janeiro e outras cidades do área na qual o Hotel está inserido; Estado como Petrópolis e Valença2.• Levantamento de dados sobre a edificação Jannuzzi possuía uma empresa, a Antonio anterior ao Hotel; Jannuzzi & Cia, criada em 1875, que atuava como• Levantamento de dados sobre a construção do um escritório de arquitetura e construtora, Hotel; incluindo oficinas e depósitos de materiais de• Pesquisa iconográfica do Hotel e da construção. Através de um anúncio, publicado na edificação que o precedia; revista Architectura no Brasil em 1923, percebe-• Adequação dos pontos de fuga de fotografias se a variedade de serviços oferecidos pela Antonio antigas de ambas as construções, de forma a Jannuzzi & Cia. Verifica-se neste anúncio a possibilitar a superposição das mesmas; menção às oficinas:• Realização de sondagens para a pesquisa de subsolo no segundo local destinado à cisterna.ResultadosCada etapa acima mencionada conduziu aosseguintes resultados:• Identificação das ruínas da edificação pré- existente ao Hotel A pesquisa sobre a área na qual o Hotel foiconstruído mostrou que as ruínas encontradas sob Figura 4: Anúncio da empresa de Jannuzzio pátio interno, onde construiríamos a nova (ARCHITECTURA NO BRASIL, nov.,cisterna, eram vestígios das antigas oficinas, que 1921)pertenciam a Antonio Jannuzzi, no morro daViúva. • Dados sobre as oficinas, edificações que existiam no local, antes da construção do Hotel As oficinas que Antônio Jannuzzi possuía no Morro da Viúva compunham um verdadeiro complexo formado pelas pedreiras de granito, oficinas a vapor de serraria, carpintaria e serralherias, depósitos de madeiras, pedras e toda espécie de materiais de construção, além da seção de transportes. Possuía cerca de 11000 m2, com um cais de cerca de 120 metros, ao longo da costa, provido de um “possante” guindaste movido à eletricidade (JANNUZZI Apud GRIECO, 2005, p.4).Figura 3: Oficinas e depósitos da empresa de Jannuzzi, no morro da Viúva, ao fundo à esquerda, s/data VIANNA, 2001, p.79). Antonio Jannuzzi foi um construtor italianoque atuou no Rio de Janeiro, nas últimas décadasdo século XIX e nas primeiras do século XX. 2Trata-se de um dos grandes personagens no Segundo Bettina Zellner Grieco (2005), Antonio Jannuzzi também foi responsável por projetos de casas operárias,cenário da arquitetura carioca da época, pois sugeridas como solução para o problema habitacional, peloesteve envolvido em projetos e obras de grande qual o Rio passava naquela época. 37
  3. 3. Figura 5: Área externa das oficinas e depósitos. (GRIECO, 2005, p.5) Figura 8: Vista das bases, julho/2005 (BOUSQUET).Figura 6: Área interna de uma das oficinas (GRIECO, 2005, p.5). Nos vestígios encontrados foi possívelidentificar, uma rampa e bases de pedra, talhadasna forma de grandes paralelepípedos com ganchosde ferro. Figura 9: Vista da área de escavações, ago. 2005 (BOUSQUET). • Informações sobre a construção do Hotel O Hotel Sete de Setembro foi construído em apenas 14 meses (FERRAZ, HERMES, 2001, p.23), nos terrenos da oficina de Jannuzzi, para acomodar os hóspedes ilustres que viriam para a Exposição do Centenário da Independência. Foi construído de forma apressada apesar de não terFigura 7: Vista das bases, julho/2005 (BOUSQUET). sido concluído a tempo para Exposição. 38
  4. 4. O fato de a construção ter sido efetuada àspressas e no local da oficina de Jannuzzi abre a Figura 11:Esquema comparativo antigas instalaçõespossibilidade de compreendermos algumas da Antônio Jannuzzi & Cia , fotopeculiaridades dos aspectos construtivos do Hotel, (VIANNA, 2001, p.75).que vêm sendo observadas no decorrer dostrabalhos de restauração, tais como: a variedadede materiais construtivos utilizados, a ausência decertos acabamentos da construção, a quebra dasimetria absoluta e a ausência de vão central, tãocomum em edifícios que seguem princípios daarquitetura clássica como o Hotel3.• As coincidências estruturais entre as oficinas e a edificação principal e o anexo do Hotel Elaboramos uma pesquisa iconográfica sobreo Hotel e sobre o complexo de oficinas doJannuzzi. Durante os trabalhos de investigaçãoencontramos fotografias dos dois conjuntos,praticamente obtidas a partir do mesmo ângulo.Logo, adequamos os pontos de fuga das imagens a • Obtenção de dados mais completos sobre afim de possibilitar a superposição das mesmas. estrutura da edificação que está sendoEsta operação revelou a coincidência nas formas restaurada;do perímetro dos volumes das edificações dasoficinas com as do Hotel4. Logo, levantamos a Os dados obtidos a partir da operação citadahipótese de que grande parte do baldrame de acima contribuíram para melhor compreensão dapedra, que compõe a estrutura do Hotel pode ter estrutura do Hotel, o que por sua vez tambémsido aproveitada da estrutura das edificações das contribui para ampliar as informações queoficinas. fundamentam o projeto da construção de novas estruturas, previsto no projeto de restauração doFigura 10: Esquema comparativo foto imóvel em questão. (VIANNA,2001, p.79). • Possibilidade de construção da nova cisterna sem “refazimentos” de trabalhos; A informação gerada pela iconografia possibilitou a indicação de um novo local para construção da cisterna. Escolhemos uma área do terreno que não havia registro de edificações na época em que o mesmo era ocupado pelas oficinas. Supomos que provavelmente a área do subsolo estaria livre de impedimentos, o que foi confirmado pelas sondagens5.3 “O edifício é um exemplo raro de arquitetura neogrega noBrasil. A referência, entretanto é muito sutil e restrita.Contrariamente à boa regra acadêmica, não tem vão central, oque confere à fachada uma aparência canhestra.”(ROCHA- 5PEIXOTO In:CZAJKOWSKI, 2000) A sondagem foi elaborada no trecho do terreno situado entre4 A coincidência dos formatos dos perímetros verifica-se, a edificação principal e o anexo do Hotel. Foram feitos 5 furos,inclusive na forma de um dos volumes do Hospital Fernandes um em cada vértice e um no centro do retângulo do perímetroFigueira, situado em lote vizinho ao Hotel. da cisterna projetada. 39
  5. 5. técnicas construtivas aplicadas na construção do Hotel, dados sobre o construtor Antônio Jannuzzi e sua empresa, referências sobre outras edificações construídas no entorno e informações sobre as modificações ocorridas no próprio espaço urbano daquela região do Morro da Viúva. Referências (1) ARCHITECTURA NO BRASIL, ano 1, n.2, nov.1921. (2) CZAJKOWSKI, Jorge (Coord.) Guia da arquitetura eclética no Rio de Janeiro. Rio de Figura 12: Nova área para instalação Janeiro: Centro de Arquitetura e Urbanismo, 2000. da cisterna, janeiro/ 2006. (3) FERRAZ, João; HERMES, Maria Helena. Projeto de restauração e uso do Hotel Sete de setembro. Rio de Janeiro: UFRJ, 2001.Conclusões (4) GRIECO, B. Z. Arquitetura Residencial de Antonio Jannuzzi. 2005. 310 f. (Mestrado emComo considerações finais do presente trabalho, Arquitetura ) – PROARQ , UFRJ, Rio de Janeiro.destacamos as seguintes conclusões: (5) VIANNA, L. F. Rio de Janeiro – Imagens da Aviação Naval 1916 – 1923. Rio de Janeiro: Argumento, 2001.• A constatação da importância da elaboração E-mail dos autores de uma pesquisa histórica criteriosa sobre a 1. Professora Dra. FAU/UFRJ Maria Angela Dias – construção da edificação histórica para magelias@uol.com.br nortear os projetos de intervenção e 2. Professora Dra. FAU/UFRJ Cláudia Nóbrega – restauração. A pesquisa histórica aliada a claudiacln@uol.com.br prospecções arqueológicas deve ser 3. Mestranda PROARQ/FAU/UFRJ Arquiteta Francyla considerada como a primeira etapa de um Bousquet – fbousquet@urbi.com.br projeto de restauração;• A comprovação de que a pesquisa histórica pode definir caminhos de atuação que evitem o “retrabalhar” e o dispêndio de recursos, ou seja, a economia destes recursos que, de um modo geral, são tão parcos em obras de restauração. No estudo de caso apresentado, o conhecimentoda história da arquitetura teria influenciadodiretamente nas decisões do projeto derestauração e teríamos poupado tempo e recursos.Por fim,• A possibilidade da pesquisa histórica criar novas frentes de investigação e de elucidar outras questões sobre o objeto de estudo. Uma determinada investigação sempre fornece novos desdobramentos, que ampliam o universo de conhecimento sobre determinado assunto. A investigação incitada, a partir da necessidade de solucionar a questão da construção da nova cisterna, forneceu subsídios para novas pesquisas tais como: dados sobre o contexto no qual o Hotel foi construído, especificações dos materiais e 40

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