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Watson e o Behaviorismo
Watson é considerado o pai da psicologia científica ao demarcar-se de forma radical de
toda a psicologia tradicional, que tinha por objeto o estudo da consciência e por método
a introspecção. Watson não nega a existência da consciência, nem a possibilidade de o
indivíduo se auto-observar, Defende, contudo, que a análise dos estados de espírito,
bem como a procura das suas causas, só pode interessar ao sujeito no âmbito da sua vida
pessoal.
No seu artigo “A psicologia tal como o behaviorista a vê”, Watson considera que, com
Wundt, a psicologia científica teve uma falsa partida. O fundador do primeiro
laboratório de Psicologia, ao pretender estudar os processos mentais, os conteúdos da
consciência, não conseguiu romper com as concepções tradicionais: “Tratou de apegar-
se à tradição com uma das mãos, enquanto que com a outra puxava para o lado da
ciência.”
Para se constituir como ciência, a psicologia terá que cortar com todos o seu passado –
concepção e método – e constituir-se como um ramo objectivo e experimental da
ciência.
John Watson pretendia para a psicologia o mesmo estatuto da biologia. Ora, para que a
psicologia possa ser considerada uma ciência rigorosa e objectiva, o psicólogo terá que
assumir a atitude do cientista: trabalhar com dados provenientes de observações
objectivas, isto é, públicas, e portanto acessíveis a qualquer outro observador. O
psicólogo *terá que renunciar à introspecção e limitar-se, cmo acontece com outras
ciências, à observação externa.
Segundo Watson, só se pode estudar directamente o comportamento observável
(behavior), isto é, a resposta ( R) de um indivíduo a um dado estímulo (E) do ambiente.
Tal como em qualquer outra ciência, cabe ao psicólogo decompor o seu objecto – o
comportamento – nos seus elementos e explicá-los de forma objectiva. Para atingir esta
finalidade deve recorrer ao método experimental.
O quadro que se segue apresenta as principais diferenças ente as concepções de Wundt e
Watson
Quadro 2 – As concepções de Wundt e Watson
Noção de comportamento
Para Watson, a psicologia deverá estudar o comportamento do ser humano desde o
nascimento até à morte.
O estudo do comportamento consiste em estabelecer as relações entre os estímulos e as
respostas.
ER
Por estímulos entende-se o conjunto de excitações que agem sobre o organismo. Um
estímulo pode ser qualquer elemento ou objecto do meio externo ou qualquer
modificação interna do organismo.
Meio externo: raios luminosos, ondas sonoras, partículas que afectam o
olfacto e o gosto, vibrações mecânicas, etc.
Ex. a picada de uma agulha.
Estímulos
Meio interno: movimentos dos músculos, secreções das glândulas, etc.
Ex: contracções do estômago provocados pela fome.
Autor Objeto da
Psicologia
Método Finalidade
Wundt Estudo da consciência Introspecção controlada Conhecer os elementos
mais simples da mente
Watson Estudo do
comportamento do
Homem e do animal
Método experimental Prever e controlar o
comportamento
Em geral, o comportamento é determinado não por um estímulo, mas por um conjunto
complexo de estímulos que se esigna por situação.
A cada situação corresponde um dado comportamento, isto é, um conjunto de respostas.
A resposta é uma reação muscular ou glandular podendo ser de dois tipos:
Explícitas: são respostas diretamente observáveis: movimentos, voz,
secreções externas.
Ex: lágrimas, salivar, suor...
Respostas
Implícitas: não são diretamente observáveis; são constituídas pelas
respostas viscerais, pela atividade dos músculos lisos (ex: contrações
do estômago), pelos batimentos do coração, pelas mímicas, esboços de
gestos, etc.
Para os comportamentalistas, a resposta é tudo o que o animal ou o ser humano faz:
afastar a mão quando esta é picada por uma agulha, saltar quando se ouve
inesperadamente um som alto, chorar quando se recebe uma má noticia, mas também
fazer planos para o futuro, escrever um livro, ter filhos, fazer uma escultura, um prédio,
etc.
O comportamento, isto é, o conjunto de respostas objetivamente observáveis, é
determinado por um conjunto complexo de estímulos (situação) provenientes do meio
físico ou social em que o organismo se insere.
R=f(S)
O comportamento, a resposta (R), é função(f), isto é, depende da situação (S).
O estabelecimento das leis do comportamento resulta do estudo das variações das
respostas em função da situação. O psicólogo, conhecendo o estímulo, deverá ser capaz
de: prever a resposta e se conhecer a resposta deverá poder identificar a o estímulo, a
situação que a provocou.
Watson não nega que entre o estímulo e a resposta se passe algo no interior do sujeito.
Considerava, contudo, que tal não é objeto da psicologia.
Embora não negue a existência de fatores hereditários – para ele, irrelevantes na
formação da personalidade do indivíduo --, considera que, no desenvolvimento da
criança, são determinantes os fatores do meio. O texto que se segue explicita esta
concepção.
“Dêem-me uma dúzia de crianças sadias, bem constituídas e a espécie de mundo que
preciso para as educar, e eu garanto que, tomando qualquer uma delas ao acaso,
prepará-la-ei para se tornar um especialista que eu seleccione: um médico, um
comerciante, um advogado e, sim, até um pedinte ou ladrão, independentemente dos
seus talentos, inclinações, tendências, aptidões, assim como da profissão e da raça dos
seus antepassados.”
Watson
Para Watson, nós somos o que fazemos; e o que nós fazemos é o que o meio nos faz
fazer.
Apreciação crítica
Podemos considerar a teoria do comportamento, behaviorismo, um movimento
revolucionário que contribuiu de forma decisiva para a constituição da psicologia
científica. Com Watson dá-se a ruptura com a psicologia introspectiva, da consciência,
definindo de forma inequívoca o seu objeto – o comportamento observável – e o seu
método – o método experimental. Pode afirmar-se que é com Watson que a psicologia
adquire o estatuto de ciência.
Contudo, a necessidade de demarcação relativamente à psicologia da consciência
conduziu os behaviorsitas a uma concepção limitada e simplista de comportamento. Ao
reduzir a interpretação do comportamento à fórmula ER, muitas condutas ficam por
explicar. Por exemplo, as reações desencadeadas pela sede escapam ao esquema
proposto: eu não bebo quando vejo água. É uma situação interna do meu organismo que
desencadeia um conjunto de comportamentos que me permitem atingir o objetivo:
beber. Outros comportamentos mais complexos e especificamente humanos, como a
linguagem, o pensamento, os sentimentos, as emoções, não são redutíveis à fórmula
proposta pelos comportamentalistas.
De notar que os neobehavioristas vão integrar nas suas concepções algumas das críticas
feitas, introduzindo outras variáveis na explicação dos comportamentos. A teoria do
comportamento evolui com autores como: Skinner, Thorndike, Guthrie, Hull, Tolman e
Bandura.
Behaviorismo, de Watson
Segundo Watson, os seres humanos já nascem com certas conexões estímulo-resposta
herdadas e chamadas reflexos. Aprendizagem ocorre a partir de um condicionamento
destas conexões bem como na construção de novas conexões estímulo-resposta através
do condicionamento clássico pavloviano. Para ele o meio ambiente exerce uma grande
influência sobre o indivíduo.
Sua maior preocupação é com os aspectos observáveis do comportamento, uma vez que
para ele todo comportamento é aprendido. Por isso ele se preocupa mais com o que as
pessoas fazem, do que com que as pessoas pensam.
Para a elaboração de sua teoria, realizou estudos com crianças, quando pôde verificar
que estas não exibem medo quando são, por exemplo, apresentadas pela primeira vez a
um gato, ou a um cão, ou a outros animais. E isso se deve ao fato de que as crianças
ainda não aprenderam a ter medo destes seres.
O experimento clássico de Watson foi o que ele realizou com uma criança que ao ser
apresentada a um rato branco, num primeiro momento, não manifestou medo. No
entanto, após a combinação do rato a um som estridente, durante sete vezes, a visão do
animal se transformou de forma tal que foi suficiente para provocar na criança uma forte
reação de medo. Com isso ele conseguiu provar que quase todo comportamento humano
é aprendido.
Sendo assim, toda atividade humana é condicionada e condicionável em decorrência da
variação na constituição genética. Contudo, é possível construir uma multiplicidade de
novas conexões estímulo-resposta através do condicionamento clássico pavloviano.
Para Watson, quase todo comportamento humano seria aprendido.
Desse experimento, Watson concluiu que o meio ambiente exerce uma grande
influência sobre o indivíduo. Apoderando-se do condicionamento de Pavlov e
combinando-o com idéias que ele mesmo havia desenvolvido, Watson apresentou ao
mundo a posição que chamou de behaviorismo.
Watson é o fundador do behaviorismo no mundo ocidental. O principal objetivo do
enfoque behaviorista é explicar o relacionamento entre estímulos, respostas e
conseqüências (boas, más ou neutras). Ou seja, aprendizagem é um condicionamento
clássico e que depende do meio externo.
A doutrina de Watson procura observar os dados do comportamento exterior com
eliminação total da consciência. O behaviorismo criado por Watson teve enorme
influência na psicologia e na instrução, ao descartar o mentalismo em favor do
comportamentalismo.
A principal contribuição do behaviorismo a contestação ao mentalismo, que fazia a
distinção entre corpo e mente. Segundo Watson, todo comportamento, ou seja, tudo o
que pensamos, sentimos, dizemos ou fazemos envolve, em graus variáveis, atividade de
todo o corpo.
Informe-se mais.....
[1] Tovar, Sonia Maria & Rosa, Marilaine Bauer Santa. Psicologia da Aprendizagem.
Rio de Janeiro: Edições Água-Forte. 1990.
[2] Moreira, Marco Antonio. Teorias de Aprendizagem. S. Paulo: Editora Pedagógica e
Universitária. 1999.
Há diversas teorias psicológicas sobre o comportamento humano. O ‘internalismo’
postula que as causas do comportamento estão sediadas no interior do homem, seja em
seu organismo ou em sua mente - nas memórias ou nas emoções. Skinner, ao propor o
behaviorismo radical, opõe-se a esta visão, responsabilizando o meio ambiente pela
conduta humana, trilhando assim caminho semelhante ao da Cibernética.
O Behaviorismo – do termo inglês behaviour ou do americano behavior, significando
conduta, comportamento – é um conceito generalizado que engloba as mais paradoxais
teorias sobre o comportamento, dentro da Psicologia. Estas linhas de pensamento só têm
em comum o interesse por este tema e a certeza de que é possível criar uma ciência que
o estude, pois suas concepções são as mais divergentes, inclusive no que diz respeito ao
significado da palavra ‘comportamento’. Os ramos principais desta teoria são o
Behaviorismo Metodológico e o Behaviorismo Radical.
Esta teoria teve início em 1913, com um manifesto criado por John B. Watson – “A
Psicologia como um comportamentista a vê". Nele o autor defende que a psicologia não
deveria estudar processos internos da mente, mas sim o comportamento, pois este é
visível e, portanto, passível de observação por uma ciência positivista. Nesta época
vigorava o modelo behaviorista de S-R, ou seja, de resposta a um estímulo, motor
gerador do comportamento humano. Watson é conhecido como o pai do Behaviorismo
Metodológico ou Clássico, que crê ser possível prever e controlar toda a conduta
humana, com base no estudo do meio em que o indivíduo vive e nas teorias do russo
Ivan Pavlov sobre o condicionamento – a conhecida experiência com o cachorro, que
saliva ao ver comida, mas também ao mínimo sinal, som ou gesto que lembre a chegada
de sua refeição.
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Assim, qualquer modificação orgânica resultante de um estímulo do meio-ambiente
pode provocar as manifestações do comportamento, principalmente mudanças no
sistema glandular e também no motor. Mas nem toda conduta individual pode ser
detectada seguindo-se esse modelo teórico, daí a geração de outras teses. Eduard C.
Tolman propõe o Neobehaviorismo Mediacional ao publicar, em 1932, sua obra
Purposive behavior in animal and men. Na sua teoria, o organismo trabalha como
mediador entre o estímulo e a resposta, ou seja, ele atravessa etapas que Tolman
denomina de variáveis intervenientes - elos conectivos entre estímulos e respostas -,
estas sim consideradas ações internas, conhecidas como gestalt-sinais.
Esta linha de pensamento conduz a uma tese sobre o sistema de aprendizagem, apoiada
sobre mapas cognitivos – interações estímulo-estímulo – gerados nos mecanismos
cerebrais. Assim, para cada grupo de estímulos o indivíduo produz um comportamento
diferente e, de certa forma, previsível. Tolman, ao contrário de Watson, vale-se dos
processos mentais em suas pesquisas, reestruturando a linha mentalista através da
simbologia comportamental. Ele via também no comportamento uma intencionalidade,
um objetivo a ser alcançado, com traços de uma intensa persistência na perseguição
desta meta. Por estas características presentes em sua teoria, este autor é considerado,
portanto, um precursor da Psicologia Cognitiva.
Skinner criou, na década de 40, o Behaviorismo Radical, como uma proposta filosófica
sobre o comportamento do homem. Ele foi radicalmente contra causas internas, ou seja,
mentais, para explicar a conduta humana e negou também a realidade e a atuação dos
elementos cognitivos, opondo-se à concepção de Watson, que só não estendia seus
estudos aos fenômenos mentais pelas limitações da metodologia, não por eles serem
irreais. Skinner recusa-se igualmente a crer na existência das variáveis mediacionais de
Tolman. Em resumo, ele acredita que o indivíduo é um ser único, homogêneo, não um
todo constituído de corpo e mente.
O behaviorismo filosófico é uma teoria que se preocupa com o sentido dos pensamentos
e das concepções, baseado na idéia de que estado mental e tendências de
comportamento são equivalentes, melhor dizendo, as exposições dos modos de ser da
mente humana é semelhante às descrições de padrões comportamentais. Esta linha
teórica analisa as condições intencionais da mente, seguindo os princípios de Ryle e
Wittgenstein. O behaviorismo não ocupa mais um espaço predominante na Psicologia,
embora ainda seja um tanto influente nesta esfera. O desenvolvimento das
Neurociências, que ajuda a compreender melhor, hoje, o que ocorre na mente humana
em seus processos internos, aliado à perda de prestígio dos estímulos como causas para
a conduta humana, e somado às críticas de estudiosos renomados como Noam
Chomsky, o qual alega que esta teoria não é suficiente para explicar fenômenos da
linguagem e da aprendizagem, levam o Behaviorismo a perder espaço entre as teorias
psicológicas dominantes.
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Watson e o behaviorismo

  • 1. Watson e o Behaviorismo Watson é considerado o pai da psicologia científica ao demarcar-se de forma radical de toda a psicologia tradicional, que tinha por objeto o estudo da consciência e por método a introspecção. Watson não nega a existência da consciência, nem a possibilidade de o indivíduo se auto-observar, Defende, contudo, que a análise dos estados de espírito, bem como a procura das suas causas, só pode interessar ao sujeito no âmbito da sua vida pessoal. No seu artigo “A psicologia tal como o behaviorista a vê”, Watson considera que, com Wundt, a psicologia científica teve uma falsa partida. O fundador do primeiro laboratório de Psicologia, ao pretender estudar os processos mentais, os conteúdos da consciência, não conseguiu romper com as concepções tradicionais: “Tratou de apegar- se à tradição com uma das mãos, enquanto que com a outra puxava para o lado da ciência.” Para se constituir como ciência, a psicologia terá que cortar com todos o seu passado – concepção e método – e constituir-se como um ramo objectivo e experimental da ciência. John Watson pretendia para a psicologia o mesmo estatuto da biologia. Ora, para que a psicologia possa ser considerada uma ciência rigorosa e objectiva, o psicólogo terá que assumir a atitude do cientista: trabalhar com dados provenientes de observações objectivas, isto é, públicas, e portanto acessíveis a qualquer outro observador. O psicólogo *terá que renunciar à introspecção e limitar-se, cmo acontece com outras ciências, à observação externa. Segundo Watson, só se pode estudar directamente o comportamento observável (behavior), isto é, a resposta ( R) de um indivíduo a um dado estímulo (E) do ambiente. Tal como em qualquer outra ciência, cabe ao psicólogo decompor o seu objecto – o comportamento – nos seus elementos e explicá-los de forma objectiva. Para atingir esta finalidade deve recorrer ao método experimental. O quadro que se segue apresenta as principais diferenças ente as concepções de Wundt e Watson Quadro 2 – As concepções de Wundt e Watson
  • 2. Noção de comportamento Para Watson, a psicologia deverá estudar o comportamento do ser humano desde o nascimento até à morte. O estudo do comportamento consiste em estabelecer as relações entre os estímulos e as respostas. ER Por estímulos entende-se o conjunto de excitações que agem sobre o organismo. Um estímulo pode ser qualquer elemento ou objecto do meio externo ou qualquer modificação interna do organismo. Meio externo: raios luminosos, ondas sonoras, partículas que afectam o olfacto e o gosto, vibrações mecânicas, etc. Ex. a picada de uma agulha. Estímulos Meio interno: movimentos dos músculos, secreções das glândulas, etc. Ex: contracções do estômago provocados pela fome. Autor Objeto da Psicologia Método Finalidade Wundt Estudo da consciência Introspecção controlada Conhecer os elementos mais simples da mente Watson Estudo do comportamento do Homem e do animal Método experimental Prever e controlar o comportamento
  • 3. Em geral, o comportamento é determinado não por um estímulo, mas por um conjunto complexo de estímulos que se esigna por situação. A cada situação corresponde um dado comportamento, isto é, um conjunto de respostas. A resposta é uma reação muscular ou glandular podendo ser de dois tipos: Explícitas: são respostas diretamente observáveis: movimentos, voz, secreções externas. Ex: lágrimas, salivar, suor... Respostas Implícitas: não são diretamente observáveis; são constituídas pelas respostas viscerais, pela atividade dos músculos lisos (ex: contrações do estômago), pelos batimentos do coração, pelas mímicas, esboços de gestos, etc. Para os comportamentalistas, a resposta é tudo o que o animal ou o ser humano faz: afastar a mão quando esta é picada por uma agulha, saltar quando se ouve inesperadamente um som alto, chorar quando se recebe uma má noticia, mas também fazer planos para o futuro, escrever um livro, ter filhos, fazer uma escultura, um prédio, etc. O comportamento, isto é, o conjunto de respostas objetivamente observáveis, é determinado por um conjunto complexo de estímulos (situação) provenientes do meio físico ou social em que o organismo se insere. R=f(S)
  • 4. O comportamento, a resposta (R), é função(f), isto é, depende da situação (S). O estabelecimento das leis do comportamento resulta do estudo das variações das respostas em função da situação. O psicólogo, conhecendo o estímulo, deverá ser capaz de: prever a resposta e se conhecer a resposta deverá poder identificar a o estímulo, a situação que a provocou. Watson não nega que entre o estímulo e a resposta se passe algo no interior do sujeito. Considerava, contudo, que tal não é objeto da psicologia. Embora não negue a existência de fatores hereditários – para ele, irrelevantes na formação da personalidade do indivíduo --, considera que, no desenvolvimento da criança, são determinantes os fatores do meio. O texto que se segue explicita esta concepção. “Dêem-me uma dúzia de crianças sadias, bem constituídas e a espécie de mundo que preciso para as educar, e eu garanto que, tomando qualquer uma delas ao acaso, prepará-la-ei para se tornar um especialista que eu seleccione: um médico, um comerciante, um advogado e, sim, até um pedinte ou ladrão, independentemente dos seus talentos, inclinações, tendências, aptidões, assim como da profissão e da raça dos seus antepassados.” Watson Para Watson, nós somos o que fazemos; e o que nós fazemos é o que o meio nos faz fazer. Apreciação crítica Podemos considerar a teoria do comportamento, behaviorismo, um movimento revolucionário que contribuiu de forma decisiva para a constituição da psicologia científica. Com Watson dá-se a ruptura com a psicologia introspectiva, da consciência, definindo de forma inequívoca o seu objeto – o comportamento observável – e o seu método – o método experimental. Pode afirmar-se que é com Watson que a psicologia adquire o estatuto de ciência. Contudo, a necessidade de demarcação relativamente à psicologia da consciência conduziu os behaviorsitas a uma concepção limitada e simplista de comportamento. Ao reduzir a interpretação do comportamento à fórmula ER, muitas condutas ficam por explicar. Por exemplo, as reações desencadeadas pela sede escapam ao esquema proposto: eu não bebo quando vejo água. É uma situação interna do meu organismo que desencadeia um conjunto de comportamentos que me permitem atingir o objetivo: beber. Outros comportamentos mais complexos e especificamente humanos, como a
  • 5. linguagem, o pensamento, os sentimentos, as emoções, não são redutíveis à fórmula proposta pelos comportamentalistas. De notar que os neobehavioristas vão integrar nas suas concepções algumas das críticas feitas, introduzindo outras variáveis na explicação dos comportamentos. A teoria do comportamento evolui com autores como: Skinner, Thorndike, Guthrie, Hull, Tolman e Bandura. Behaviorismo, de Watson Segundo Watson, os seres humanos já nascem com certas conexões estímulo-resposta herdadas e chamadas reflexos. Aprendizagem ocorre a partir de um condicionamento destas conexões bem como na construção de novas conexões estímulo-resposta através do condicionamento clássico pavloviano. Para ele o meio ambiente exerce uma grande influência sobre o indivíduo. Sua maior preocupação é com os aspectos observáveis do comportamento, uma vez que para ele todo comportamento é aprendido. Por isso ele se preocupa mais com o que as pessoas fazem, do que com que as pessoas pensam. Para a elaboração de sua teoria, realizou estudos com crianças, quando pôde verificar que estas não exibem medo quando são, por exemplo, apresentadas pela primeira vez a um gato, ou a um cão, ou a outros animais. E isso se deve ao fato de que as crianças ainda não aprenderam a ter medo destes seres. O experimento clássico de Watson foi o que ele realizou com uma criança que ao ser apresentada a um rato branco, num primeiro momento, não manifestou medo. No entanto, após a combinação do rato a um som estridente, durante sete vezes, a visão do animal se transformou de forma tal que foi suficiente para provocar na criança uma forte reação de medo. Com isso ele conseguiu provar que quase todo comportamento humano é aprendido. Sendo assim, toda atividade humana é condicionada e condicionável em decorrência da variação na constituição genética. Contudo, é possível construir uma multiplicidade de novas conexões estímulo-resposta através do condicionamento clássico pavloviano. Para Watson, quase todo comportamento humano seria aprendido. Desse experimento, Watson concluiu que o meio ambiente exerce uma grande influência sobre o indivíduo. Apoderando-se do condicionamento de Pavlov e combinando-o com idéias que ele mesmo havia desenvolvido, Watson apresentou ao mundo a posição que chamou de behaviorismo. Watson é o fundador do behaviorismo no mundo ocidental. O principal objetivo do enfoque behaviorista é explicar o relacionamento entre estímulos, respostas e conseqüências (boas, más ou neutras). Ou seja, aprendizagem é um condicionamento clássico e que depende do meio externo. A doutrina de Watson procura observar os dados do comportamento exterior com eliminação total da consciência. O behaviorismo criado por Watson teve enorme
  • 6. influência na psicologia e na instrução, ao descartar o mentalismo em favor do comportamentalismo. A principal contribuição do behaviorismo a contestação ao mentalismo, que fazia a distinção entre corpo e mente. Segundo Watson, todo comportamento, ou seja, tudo o que pensamos, sentimos, dizemos ou fazemos envolve, em graus variáveis, atividade de todo o corpo. Informe-se mais..... [1] Tovar, Sonia Maria & Rosa, Marilaine Bauer Santa. Psicologia da Aprendizagem. Rio de Janeiro: Edições Água-Forte. 1990. [2] Moreira, Marco Antonio. Teorias de Aprendizagem. S. Paulo: Editora Pedagógica e Universitária. 1999.
  • 7. Há diversas teorias psicológicas sobre o comportamento humano. O ‘internalismo’ postula que as causas do comportamento estão sediadas no interior do homem, seja em seu organismo ou em sua mente - nas memórias ou nas emoções. Skinner, ao propor o behaviorismo radical, opõe-se a esta visão, responsabilizando o meio ambiente pela conduta humana, trilhando assim caminho semelhante ao da Cibernética. O Behaviorismo – do termo inglês behaviour ou do americano behavior, significando conduta, comportamento – é um conceito generalizado que engloba as mais paradoxais teorias sobre o comportamento, dentro da Psicologia. Estas linhas de pensamento só têm em comum o interesse por este tema e a certeza de que é possível criar uma ciência que o estude, pois suas concepções são as mais divergentes, inclusive no que diz respeito ao significado da palavra ‘comportamento’. Os ramos principais desta teoria são o Behaviorismo Metodológico e o Behaviorismo Radical. Esta teoria teve início em 1913, com um manifesto criado por John B. Watson – “A Psicologia como um comportamentista a vê". Nele o autor defende que a psicologia não deveria estudar processos internos da mente, mas sim o comportamento, pois este é visível e, portanto, passível de observação por uma ciência positivista. Nesta época vigorava o modelo behaviorista de S-R, ou seja, de resposta a um estímulo, motor gerador do comportamento humano. Watson é conhecido como o pai do Behaviorismo Metodológico ou Clássico, que crê ser possível prever e controlar toda a conduta humana, com base no estudo do meio em que o indivíduo vive e nas teorias do russo Ivan Pavlov sobre o condicionamento – a conhecida experiência com o cachorro, que saliva ao ver comida, mas também ao mínimo sinal, som ou gesto que lembre a chegada de sua refeição. Encontre a faculdade certa para você Assim, qualquer modificação orgânica resultante de um estímulo do meio-ambiente pode provocar as manifestações do comportamento, principalmente mudanças no sistema glandular e também no motor. Mas nem toda conduta individual pode ser detectada seguindo-se esse modelo teórico, daí a geração de outras teses. Eduard C. Tolman propõe o Neobehaviorismo Mediacional ao publicar, em 1932, sua obra Purposive behavior in animal and men. Na sua teoria, o organismo trabalha como mediador entre o estímulo e a resposta, ou seja, ele atravessa etapas que Tolman denomina de variáveis intervenientes - elos conectivos entre estímulos e respostas -, estas sim consideradas ações internas, conhecidas como gestalt-sinais. Esta linha de pensamento conduz a uma tese sobre o sistema de aprendizagem, apoiada sobre mapas cognitivos – interações estímulo-estímulo – gerados nos mecanismos cerebrais. Assim, para cada grupo de estímulos o indivíduo produz um comportamento diferente e, de certa forma, previsível. Tolman, ao contrário de Watson, vale-se dos processos mentais em suas pesquisas, reestruturando a linha mentalista através da simbologia comportamental. Ele via também no comportamento uma intencionalidade, um objetivo a ser alcançado, com traços de uma intensa persistência na perseguição desta meta. Por estas características presentes em sua teoria, este autor é considerado, portanto, um precursor da Psicologia Cognitiva.
  • 8. Skinner criou, na década de 40, o Behaviorismo Radical, como uma proposta filosófica sobre o comportamento do homem. Ele foi radicalmente contra causas internas, ou seja, mentais, para explicar a conduta humana e negou também a realidade e a atuação dos elementos cognitivos, opondo-se à concepção de Watson, que só não estendia seus estudos aos fenômenos mentais pelas limitações da metodologia, não por eles serem irreais. Skinner recusa-se igualmente a crer na existência das variáveis mediacionais de Tolman. Em resumo, ele acredita que o indivíduo é um ser único, homogêneo, não um todo constituído de corpo e mente. O behaviorismo filosófico é uma teoria que se preocupa com o sentido dos pensamentos e das concepções, baseado na idéia de que estado mental e tendências de comportamento são equivalentes, melhor dizendo, as exposições dos modos de ser da mente humana é semelhante às descrições de padrões comportamentais. Esta linha teórica analisa as condições intencionais da mente, seguindo os princípios de Ryle e Wittgenstein. O behaviorismo não ocupa mais um espaço predominante na Psicologia, embora ainda seja um tanto influente nesta esfera. O desenvolvimento das Neurociências, que ajuda a compreender melhor, hoje, o que ocorre na mente humana em seus processos internos, aliado à perda de prestígio dos estímulos como causas para a conduta humana, e somado às críticas de estudiosos renomados como Noam Chomsky, o qual alega que esta teoria não é suficiente para explicar fenômenos da linguagem e da aprendizagem, levam o Behaviorismo a perder espaço entre as teorias psicológicas dominantes. Arquivado em: Psicologia