Resumo Fenerc 2011 -Aripuana 2º Trabalho

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Resumo Fenerc 2011 -Aripuana 2º Trabalho

  1. 1. ALIMENTAÇÃO ESCOLAR EM ARIPUANÃ-MT: UM ESTUDO SOB O OLHAR DOS BENEFICIÁRIOS DO PROGRAMA.Autor:Almir Ferreira de Jesus(Nutricionista, especialista em Nutrição Humana e Saúde CRN:3465, responsável Técnicopelo Programa Nacional de Alimentação Escolar no Município de Aripuanã/MT)INTRODUÇÃO O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) destaca-se por ser o maiorprograma de suplementação alimentar em todo o mundo, entre os programas com maiortempo de existência em muitos países. É uma proposta grandiosa, pois promove adescentralização, a participação social e o desenvolvimento da economia local (BRASIL,2011). Dentre os nós críticos colocados em relação à execução do PNAE está a questãoda adesão dos escolares ao Programa, intimamente relacionada à da aceitação daalimentação oferecida (PEDRAZA e ANDRADE, 2006). De acordo com Ceccim (1995) adesão e aceitação ao Programa, refletem aspráticas alimentares na escola pública e estão, certamente, condicionadas por váriosfatores, entre os quais as condições de distribuição de alimentação nesse espaço. Comocondições de distribuição, estão em pauta não só os cardápios e sua adequação aoshábitos alimentares culturalmente estabelecidos na região, mas também o ambiente físico esocial em que se oferece a alimentação. Assim, a qualidade do utensílio, a qualidade doserviço e atendimento, a qualidade do mobiliário, a estética e a higiene do ambiente, ossujeitos que fazem juntos a refeição, estes fatores que, entre outros, fornecem aosescolares elementos para a construção de suas representações sobre a alimentação, a suacondição na sociedade e a sua dignidade. Frente à premissa, segundo a qual a aceitação da alimentação pelos beneficiáriosestá relacionada com a qualidade dos serviços de alimentação prestados pela escola, sãoapresentados, neste artigo, os resultados do estudo referente à alimentação escolar noMunicípio de Aripuanã-MT sob o olhar dos beneficiários do Programa. O objetivo é analisar questões relativas à aceitação da alimentação escolar e seusdeterminantes, a partir de uma abordagem qualitativa dos usuários do Programa noMunicípio de Aripuanã-MT.
  2. 2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A presente pesquisa é de natureza predominantemente qualitativa. Para suarealização, além do levantamento bibliográfico, foram feitas pesquisas de campo para acoleta dos dados por meio da aplicação de questionário com questões objetivas. Para aelaboração do questionário foram formuladas 13 questões fechadas. As questões foramelaboradas com base na bibliografia da área de alimentação escolar e no objetivo dapesquisa, utilizando-se de linguagem adaptada à população investigada. Para a seleção da amostra, decidiu-se trabalhar com um mínimo de 15% dosescolares da rede municipal de ensino, sendo que o universo total de alunos matriculadoscorresponde a três mil trezentos e trinta e oito. O critério que norteou a escolha da amostrapesquisada foi a aplicação do questionário de pesquisa a todos os alunos inseridos noquarto e quinto ano do ensino fundamental. A opção por trabalhar com os escolares destesanos escolares partiu do pressuposto de que, nessa fase escolar, as crianças já seencontram aptas a expressar suas opiniões com clareza e liberdade. Para a análise dos dados, foi construído, inicialmente, um banco de dados utilizando-se o software Microsoft Access 2003. A análise do questionário foi realizada com o uso defrequência absoluta e frequência relativa.RESULTADOS E DISCUSSÃO Analisando os dados coletados na pesquisa de campo a partir da amostrapesquisada observou-se índice de 74% de satisfação dos escolares, mesmo percentualobservado quando questionado em relação ao sabor das preparações salgadas e docesseparadamente. Percentual este abaixo do observado por Sturion et al. (2004), em pesquisaque teve por base amostra constituída por 20 escolas de 10 municípios brasileiros,localizados em cinco regiões geográficas. A qual os resultados permitiram concluir que oíndice médio de satisfação dos cardápios pelos alunos foi de 90,0%. Em relação à quantidade de alimentação oferecida aos escolares, 75% dospesquisados encontram-se satisfeitos com a quantidade de refeição ofertada pelasinstituições, percentual este próximo ao observado na análise da satisfação podendo assima satisfação estar correlacionada à quantidade e/ou vice versa. Quanto à quantidade de sal, açúcar e óleo nas preparações, em média 68% dosescolares afirmam estar boa ou ótima. Considerando que a população tende a preferir umaalimentação com excessos destes nutrientes como comprovado em estudo realizado porSarno et al (2008) onde a quantidade diária de sódio disponível para consumo nosdomicílios brasileiros foi de 4,5 g por pessoa (ou 4,7 g para uma ingestão diária de 2.000
  3. 3. kcal), excedendo, assim, em mais de duas vezes o limite recomendado de ingestão dessenutriente, já que na alimentação escolar é trabalhado o uso moderado destes, o percentualobservado é considerado satisfatório. Ao avaliar o ponto de vista dos escolares em relação à limpeza das cozinhas, quantoà higiene dos pratos e talheres e limpeza dos refeitórios observamos a freqüência de 84%,76% e 75% de satisfação respectivamente. E como descreve Panciera et al. (2005) atemperatura das refeições, o tempo disponível para consumo e a ambientação como higienee conforto dos refeitórios são fatores citados pelos alunos como determinantes naaceitabilidade da alimentação escolar, assim as condições de higiene dos utensílios e doespaço físico está diretamente relacionado com o índice de satisfação geral da alimentaçãoescolar. Outro quesito da pesquisa junto aos escolares foi o uso de touca ou rede de proteçãonos cabelos pelas cozinheiras o qual observa-se a frequência de 73% usam todos os dias,23% as vezes e 4% nunca fazem uso. Considerando que todas as unidades escolaresdisponibilizam a touca de proteção dos cabelos e que esta evita a queda dos cabelos osquais podem representar uma importante fonte de contaminação na área de manipulação dealimentos já que podem conter inúmeros microrganismos, fica claro a necessidade desensibilização das cozinheiras para o uso diário deste equipamento de proteção. Analisando a distribuição das respostas dos alunos quanto ao atendimento dascozinheiras observa-se 72% destes satisfeitos com o atendimento. Gerson (2001) diz queapesar de conscientizados sobre suas atribuições profissionais, possuírem experiência edomínio sobre o desempenho das tarefas sob sua responsabilidade e serviços oferecidosfuncionários podem, eventualmente, se mostrar pouco proativos no atendimento.CONSIDERAÇÕES FINAIS Por meio do estudo apresentado, pode-se concluir que alguns aspectos do programade alimentação escolar no Município de Aripuanã-MT precisam ser constantementereavaliados com o intuito de atender as expectativas dos escolares e elevar a aceitabilidadeao referido programa. Sem a avaliação, é impossível o bom funcionamento de um programa. A avaliaçãomede o cumprimento dos objetivos e seu impacto quanto aos seus objetivos a curto e longoprazo. Ajuda aos planejadores, supervisores e comunidades a compreender melhor ospontos fortes e débeis das políticas e atividades do programa. Os resultados devem serdiscutidos com o pessoal local e com a comunidade ou beneficiários e nesse cenário degrandes limitações, dificuldades e desafios de toda ordem, gestores responsáveis ecomprometidos devem se sobressaírem ao buscar alternativas viáveis para dignificar e
  4. 4. qualificar a alimentação escolar oferecida aos nossos escolares e fazendo com que esteoportunize a promoção de hábitos alimentares saudáveis como parte do processo deconstrução da cidadania. A concepção da alimentação escolar como direito é essencial para que o programapossa ser transformado, caso contrário o programa continuará sendo apenas ummecanismo para matar a fome das crianças e continuará sendo visto como elementoestranho à escola no lugar de ser inserida nas demais atividades educacionais e vinculá-la àfamília e à comunidade. REFERÊNCIASBRASIL. Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação.Alimentação Escolar [acesso 25 mar 2011]. Disponível em: http: //www.fnde.gov.br [ Links ]CECCIM, R. B. A merenda escolar na virada do século: agenciamento pedagógico dacidadania. Em aberto – Merenda Escolar, v. 15, n. 67, p. 54-62, 1995.GERSON, R.F. A excelência no atendimento a clientes: Mantendo seus clientes portoda a vida- Rio de Janeiro: Qualitymark, 2001.PANCIERA A.L., STURION G.L, SILVA M.V. Subsídios para a gestão do Programa deAlimentação Escolar. In: Anais do 6º Simpósio Latino-Americano de Ciência de Alimentos,[CD-ROM]. Campinas, 2005.PEDRAZA, D.F., ANDRADE, S.L.L.S. A alimentação escolar analisada no contexto deum programa de alimentação e nutrição. Revista Brasileira de em Promoção da Saúde,Fortaleza, n. 19, p. 164-174, mai/jun, 2006.SARNO et al. Estimativa de consumo de sódio pela população brasileira, 2002-2003.Revista Saúde Pública, 2008. [ acesso em 04 de abril de 2011] Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/rsp/2009nahead/230.pdf.STURION G.L., et al. Aceitação das refeições distribuídas pelo programa dealimentação escolar: estudo de caso. In: Anais do 19º Congresso Brasileiro de Ciência eTecnologia de Alimentos, [CD-ROM], Recife – PE. 2004. Recife: SBCTA, 2004.

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