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IEDA DAS DORES SOUZAASPECTOS TEMPORAIS DA AVALIAÇÃO SANITÁRIA E FISIOLÓGICA DE SEMENTES                       DE ESPÉCIES ...
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“Ter verdadeiro sucesso na vida é: rir muito e muitas vezes; ganhar o respeito de pessoas inteligentes; gozar do carinho; ...
AGRADECIMENTOS       A Deus, pelo dom do raciocínio que me destes, agradeço.       Ao coordenador do curso de Biologia, Pr...
Ao meu pai Ivo Joaquim de Souza e minha mãe Isabeldas Dores Souza, que sempre me apoiaram. Ao meufilho Aislam Souza Carnei...
SUMÁRIOAGRADECIMENTOS .......................................................................................................
LISTAGEM DE TABELASTabela 1. Porcentagem de germinação (PGerm) e porcentagem de Incidência (PInc) depatógenos (PInc) em se...
RESUMOSOUSA, I.D. & PAZ LIMA, M.L. Aspectos temporais da avaliação sanitária e fisiológica desementes de espécies de Capsi...
1. INTRODUÇÃO       As vitaminas e minerais contidas em hortaliças desempenham dupla função, elascontribuem para nos prote...
bioquímica, fisiológica e física após a sua maturação as quais estão associadas com a redução dovigor (CNPH, 2006).       ...
2. REVISÃO DE LITERATURA2.1. Aspectos Econômicos e Importância do Capsicum       Com a chegada dos navegadores portugueses...
transportados em suas embarcações. As rotas de navegação no período 1492-1600 permitiramque as espécies picantes e doces d...
aumentar o uso do germoplasma em programas de melhoramento. Este germoplasma é fonte degenes de importância econômica como...
2.3 Patógenos transmitidos por sementes   A maioria das culturas destinadas à produção de alimentos está sujeita ao ataque...
está doente ou infectada quando exibe sintomas da doença, porém, mesmo assim, podem produzirplântulas sadias (Reis & Casa,...
ideal, pois a porcentagem de germinação geralmente não revela problemas que os patógenospodem causar à semente ou à cultur...
Os fungos constituem um grupo numeroso de microorganismos, bastante diversificadofilogenicamente, mas de grande importânci...
avaliação das plântulas e as causas de uma baixa germinação e de baixo vigor, complementandoos testes de germinação (MARA,...
3. MATERIAIS E MÉTODOS       Para fins de treinamento em avaliação de sementes, foram realizados dois ensaiosutilizando se...
3.2 Tratamento e limpeza dos Gerbox.       Através da lavagem superficial fez-se assepsia com álcool (70%), logo após comh...
3.5 Análise dos resultados.       A incidência é uma medida quantitativa onde mede-se a porcentagem de patógenos pelonúmer...
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO                         4.1 Ensaios de avaliação fisiológica e patogênica de sementes de berinje...
No 2º ensaio o papel toalha foi esterilizado, podendo observar-se a não incidência defungos (associados ao papel), como oc...
PGen% transformada F3,140=123,83** e PInc% transformada F3,140=224,58**), dias de avaliação(2, 4, 6, 8 10 dias após a incu...
patógenos e da porcentagem de germinação havendo as maiores médias aos 10 dias de incubação,diferindo estatisticamente dos...
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Tabela 2. Ocorrências de fungos encontrados nas sementes de Capsicum e citações em bancos dedados de fungos associados a p...
Cladosporium (C. cucumerinum e C. oxysporum), Curvularia sp., Epiccocum sp., Fusarium (F.acuminatum, F. moniliforme, F. ox...
A atividade patogênica e fisiológica das sementes de Capsicum nas espécies analisadasapresentaram relação inversa somente ...
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASALFIERI JR, S.A., LANGDON, K.R., WEHLBURG, C., KIMBROUGH, J.W. Index of plant diseases in Flo...
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  1. 1. FACULDADES JK COORDENAÇÃO DO CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS IEDA DAS DORES SOUZAASPECTOS TEMPORAIS DA AVALIAÇÃO SANITÁRIA E FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE ESPÉCIES DE Capsicum. Taguatinga, DF, 13 dezembro de 2006. i
  2. 2. IEDA DAS DORES SOUZAASPECTOS TEMPORAIS DA AVALIAÇÃO SANITÁRIA E FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE ESPÉCIES DE Capsicum. Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Ciências Biológicas da Faculdade JK, como parte dos requisitos necessários para obtenção do título de Bacharel em Ciências Biológicas. Taguatinga, DF, 13 dezembro de 2006. ii
  3. 3. IEDA DAS DORES SOUZAASPECTOS TEMPORAIS DA AVALIAÇÃO SANITÁRIA E FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE ESPÉCIES DE Capsicum.Aprovada em: 13 de dezembro de 2006. Profa. M.Sc. Heidi Christina Bessler Prof. MSc. Gilberto Oliveira Brandão Prof. D.S. Milton Luiz da Paz Lima. Orientador iii
  4. 4. “Ter verdadeiro sucesso na vida é: rir muito e muitas vezes; ganhar o respeito de pessoas inteligentes; gozar do carinho; ganhar o reconhecimento de pessoas qualificadas e saber suportar a traição de falsos amigos; apreciar a beleza; procurar o melhor nos demais;deixar o mundo um pouco melhor; saber que ao menos alguém viveu melhor graças a ti” (Autor Desconhecido) i
  5. 5. AGRADECIMENTOS A Deus, pelo dom do raciocínio que me destes, agradeço. Ao coordenador do curso de Biologia, Prof. Gilberto Brandão, pela flexibilidade eprontidão em me atender como aluna. Ao meu orientador, professor Milton Luiz da Paz Lima, por ter prontamente atendido omeu pedido e dedicado horas de seu precioso tempo para que eu pudesse realizar um bomtrabalho. Ao professor Fernando Araújo pela revisão do trabalho escrito. A amiga Cátia Lustosa de hoje e sempre, que esteve presente nos momentos oportunos. À funcionária da Faculdade JK e amiga Fátima Silva, por ter dedicado parte de seu tempopara que tudo ocorresse como esperado. Aos amigos pela presença nas horas oportunas. Aos familiares pelo apoio e dedicação para que eu pudesse concluir meu curso. ii
  6. 6. Ao meu pai Ivo Joaquim de Souza e minha mãe Isabeldas Dores Souza, que sempre me apoiaram. Ao meufilho Aislam Souza Carneiro com amor e aos meusfamiliares. DEDICO iii
  7. 7. SUMÁRIOAGRADECIMENTOS ..............................................................................................................................iiLISTAGEM DE TABELAS...................................................................................................................... vLISTAGEM DE FIGURAS ...................................................................................................................... vRESUMO .................................................................................................................................................. 1RESUMO .................................................................................................................................................. 11. INTRODUÇÃO..................................................................................................................................... 22. REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................................. 4 2.1. Aspectos Econômicos e Importância do Capsicum........................................................................ 4 2.2. Característica Botânica da Semente ............................................................................................... 6 2.3 Patógenos transmitidos por sementes.............................................................................................. 7 2.5. Sanidade das Sementes................................................................................................................. 103. MATERIAIS E MÉTODOS................................................................................................................ 12 3.1 Procedimento para obtenção de sementes ..................................................................................... 12 3.2 Tratamento e limpeza dos Gerbox................................................................................................. 13 3.3 Método do “Blotter Test”. ............................................................................................................. 13 3.3 Condição sanitária e fisiológica das sementes............................................................................... 134. RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................................................ 155. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................ 25 iv
  8. 8. LISTAGEM DE TABELASTabela 1. Porcentagem de germinação (PGerm) e porcentagem de Incidência (PInc) depatógenos (PInc) em sementes de berinjela aos 4º e 5° dias nas 10 repetições (ensaio 2)............ 16Tabela 2. Ocorrências de fungos encontrados nas sementes de Capsicum e citações em índices dedoenças nacionais e internacionais:............................................................................................... 22 LISTAGEM DE FIGURASFigura 1. Porcentagem de germinação e incidência de patógenos (%) em diferentes tempos deavaliação em sementes de berinjela (ensaio 1).............................................................................. 15Figura 2. Porcentagens de germinação (PGerm) e Incidência (PInc) transformadas (log (x+10))para as espécies de Capsicum avaliadas. ....................................................................................... 17Figura 3. Porcentagem de germinação (PGerm) e Incidência (PInc) transformadas (log (x+10))para os diferentes dias de avaliação............................................................................................... 19Figura 4. Médias da incidência transformada de gêneros de fungos incidentes em sementes de C.chinense. ........................................................................................................................................ 20Figura 5. Fungos encontrados em sementes de Capsicum ssp. A e B. conídios de Curvularia sp. ,C. conidióforo e conídio de Cladosporium sp., D. conídios de Epiccocum sp., E. Conídioscatenulados de Alternaria alternata, F. Conídios de Stemphylium sp. ......................................... 21 v
  9. 9. RESUMOSOUSA, I.D. & PAZ LIMA, M.L. Aspectos temporais da avaliação sanitária e fisiológica desementes de espécies de Capsicum*. Trabalho de conclusão de curso de bacharelado em CiênciasBiológicas, 2006.Em muitas situações a atividade fisiológica das sementes é altamente influenciada pela ação depatógenos representados por fungos, e estes muitas vezes são os principais agentes dedeterioração. O objetivo deste trabalho foi analisar aspectos sanitários e fisiológicos de sementesde diferentes espécies de Capsicum. Sementes de C. annuum, C. frutescens e C. chinese obtidasda coleção de germoplasma da Embrapa Hortaliças, utilizando o método “Blotter Test”, numDIC, utilizando oito repetições, totalizando 200 sementes por espécie de Capsicum avaliadasquanto a aspectos fisiológicos (porcentagem de germinação PGerm, número de sementesgerminadas dividido pelo total do lote), aspectos sanitários (porcentagem de incidência depatógenos PInc, número de sementes apresentando sinais do patógeno; porcentagem de gênerosde fungos PGen, número de sementes com presença de determinado gênero de patógeno divididopelo número total de sementes associados a sementes) durante um período de 10 dias. Os fungosencontrados foram Aspergillus sp., Alternaria sp., Cladosporium sp., Curvularia sp., Epicoccumsp., Fusarium sp., Penicillium sp., Rhizopus sp. e Stemphylium sp. todos fungos “sensu strictu”.Entre as espécies de Capsicum analisadas, C. annuum teve a maior atividade fisiológica (PGerm)diferindo estatisticamente dos demais. Houve maior incidência de patógenos em C. annuum e C.chinense diferindo estatisticamente das demais espécies analisadas. Os diversidade de fungosassociados a sementes foi maior em C. annuum, espécie de Capsicum mais domesticada.* Trabalho submetido para publicação no XXX Congresso Paulista de Fitopatologia, Jaboticabal,SP, 2007. 1
  10. 10. 1. INTRODUÇÃO As vitaminas e minerais contidas em hortaliças desempenham dupla função, elascontribuem para nos proteger contra as doenças (ação reguladora ou protetora), e também sãoconstrutoras (construção dos tecidos do corpo). As hortaliças fornecem, principalmente, a pró-vitamina A, a vitamina do complexo B e vitamina C, além de minerais principalmente cálcio,fósforo e ferro, e fibras necessárias ao bom funcionamento intestinal (IH, 2006). Cinco séculos depois do descobrimento das Américas, as pimentas passaram a dominar ocomércio das especiarias, sendo de relevância tanto em países de clima tropical como temperado.As pimentas (doces e picantes), além de serem consumidas frescas, podem ser processadas eutilizadas em diversas linhas de produtos na indústria de alimentos (CNPH, 2006). Ainda hoje, o comércio e uso de pimentas continuam grandes e expansivos, seja naculinária, nas crenças, na medicina alopática ou natural, e inclusive como arma de defesa. Sãoremédios para artrites (pomadas a base de capsaicina), dores musculares (emplastro ‘Sabiá’), dorde dente, má digestão, dor de cabeça e gastrite (CNPH, 2006). O germoplasma de pimenta e pimentão (Capsicum spp.) é à base de uma importante partedo mercado de hortaliças frescas do Brasil, além de base do desenvolvimento do forte segmentode condimentos, temperos e conservas a nível mundial. Cerca de 12.000 ha de pimenta epimentão são cultivados no Brasil anualmente, envolvendo recursos da ordem de 1,5 milhões dedólares somente na comercialização de sementes. O conhecimento e organização destegermoplasma são fundamentais para que haja maior uso dos genótipos disponíveis e, porconseguinte, contínuo desenvolvimento de cultivares mais produtivas, de maior qualidade e comresistência a doenças (Torres & Minami, 2000). A qualidade fisiológica tem sido um dos aspectos mais pesquisados nos últimos anos emdecorrência das sementes estarem sujeitas a uma série de mudanças degenerativas de origem 2
  11. 11. bioquímica, fisiológica e física após a sua maturação as quais estão associadas com a redução dovigor (CNPH, 2006). Sempre em testes de sanidade para cada espécie de planta testada existem grupos depatógenos, mais especificamente fungos, que aparecem rotineiramente. No momento dagerminação, nos primeiros estádios de desenvolvimento, normalmente as plântulas são muitoafetadas pela incidência de fungos associados a sementes (Bergamin Filho et al., 1995). O objetivo deste trabalho é analisar os aspectos temporais da qualidade sanitária efisiológica de sementes de Capsicum annuum (pimentão), C. frutescens (pimenta) e C. chinense(pimenta), além de observar a incidência e ocorrência de fungos associados a sementes. Além deobservar a incidência e ocorrência de patógenos, com ênfase em fungos associados a sementes deCapsicum spp. 3
  12. 12. 2. REVISÃO DE LITERATURA2.1. Aspectos Econômicos e Importância do Capsicum Com a chegada dos navegadores portugueses e espanhóis ao continente americano, muitasespécies de plantas foram descobertas, entre elas as pimentas. As pimentas do gênero Capsicumjá eram utilizadas pelos nativos e mostraram-se mais picantes (pungentes) que a pimenta-do-reinoou pimenta-negra, do gênero Piper (muito confundida), cuja busca foi, possivelmente, uma dasrazões das viagens que culminaram com o descobrimento do Novo Mundo (SPP, 2006). Diversos relatos de exploradores do Brasil - Colônia demonstram que a pimenta eraamplamente cultivada e representava um item significativo na dieta das populações indígenas. Acapsaicina, principal elemento responsável pela pungência (picancia) das pimentas, é a únicasubstância que, usada externamente no corpo, gera endorfinas internamente que promovem umasensação de bem-estar, acionando o potencial imunológico (SPP, 2006). Os índios Caetés foram os primeiros brasileiros a usar a pimenta como arma, semimaginar que séculos depois a oleorresina de pimenta em aerossol ou em espuma, os famosos“pepper spray” e “pepper foam”, seriam utilizados pela polícia moderna (SPP, 2006). É igualmente substancial a contribuição histórica brasileira na dispersão destas plantaspelo mundo, eficientemente feita pelos navegadores portugueses e pelos povos que eram 4
  13. 13. transportados em suas embarcações. As rotas de navegação no período 1492-1600 permitiramque as espécies picantes e doces de pimentas viajassem pelo mundo. Desta forma, as pimentasforam então introduzidas na África, Europa e posteriormente na Ásia (SPP, 2006). Atualmente, a China e a Índia tem mais de um milhão de hectares cultivados comCapsicum, e os tailandeses e os sul-coreanos são tidos como os maiores consumidores de pimentado mundo. Cada pessoa come de cinco a oito gramas por dia (Reifschneider, 2000). A mesoamérica é o centro de origem do gênero Capsicum (Solanaceae), sendo o Brasil ocentro de diversidade, com mais de 20 espécies diferentes (Long Solis, 1986). A diversidade nãose resume aos aspectos fenológicos, mas também ampla variabilidade quanto resistência àdoenças (Reifschneider, 2000). O cultivo de pimentas ocorre praticamente em todas as regiões do Brasil, sendo um dosmelhores exemplos de cultura para agricultura familiar e de integração pequeno agricultor-agroindústria. A área anual cultivada é de cerca de dois mil ha e os principais estados produtoressão MG, GO, SP, CE e RS. A produtividade média depende do tipo de pimenta cultivada,variando de 10 a 30 ton.ha-1. A crescente demanda do mercado, estimada em 80 milhões de reaisao ano, tem impulsionado o aumento da área cultivada e o estabelecimento de agroindústrias,tornando o agronegócio de pimentas (doces e picantes) um dos mais importantes do país. Alémdo mercado interno, parte da produção brasileira de pimentas é exportada em diferentes formas,como páprica, pasta, desidratada e conservas ornamentais (Reifschneider, 2000). É necessário que se conheça a diversidade genética dos acessos cultivados e silvestresmantidos em coleções de pimenta e pimentão. Apesar de ser centro de origem e diversidade dogênero Capsicum, pouco se sabe sobre as espécies nativas do Brasil, encontradas principalmenteem áreas da Mata Atlântica e da Amazônia. Coleções de germoplasma de Capsicum existentes nopaís necessitam de enriquecimento, caracterização genética e organização dos dados para 5
  14. 14. aumentar o uso do germoplasma em programas de melhoramento. Este germoplasma é fonte degenes de importância econômica como resistência a doenças, sabor, aroma, cor, tipo de fruto ouprodutividade (Torres & Miname, 2000).2.2. Característica Botânica da Semente A semente é o óvulo que contém um embrião, em estado de vida latente, envolta pelacasca (às vezes endosperma). É o principal órgão de reprodução das espermatófitas, formadospelos microsporófilos das flores (Reis & Casa, 1996). Uma das mais espetaculares inovações que surgiram durante a evolução das plantasvasculares foi a semente (“sperma”). As sementes são um dos principais fatores responsáveis peladominância das angiospermas na flora atual, uma dominância que gradualmente cresceu ao longode um período de várias centenas de milhões de anos. A razão é simples: a semente tem umgrande valor de sobrevivência. A proteção que a semente confere ao embrião, além do alimentoarmazenado que lhe está disponível nos estágios críticos da germinação e estabelecimento dão àsplantas com sementes uma grande vantagem seletiva em relação aos grupos relacionados dotadosde esporos livres e aos seus grupos ancestrais, isto é, as plantas que liberam seus esporos (Ravenet al., 2001). O vigor da semente é uma característica fisiológica determinada pelo genótipo emodificada pelo ambiente, que governa a capacidade de uma semente produzir rapidamente umaplântula no solo; é o limite de tolerância da semente a uma gama de fatores ambientais. Osmicroorganismos fitopatogênicos que infectam as sementes durante a sua formação, maturação,colheita, transporte, beneficiamento e armazenamento podem prejudicar o seu desempenho, sobcondições apropriadas de armazenamento ou de campo (Reis & Casa, 1996). 6
  15. 15. 2.3 Patógenos transmitidos por sementes A maioria das culturas destinadas à produção de alimentos está sujeita ao ataque de doenças,sendo grande parte dos seus agentes etiológicos transmitidos pelas sementes. No caso específicodo Capsicum mais de 50% das suas principais enfermidades têm seus agentes causaistransmitidos através das sementes (Marques, 2005). As sementes de pimenta (Capsicum sp) podem ser infectadas por grande número depatógenos associados internamente e externamente à semente, constituindo-se, um dos principaisprocessos de disseminação a longas distâncias e a novas áreas. Do ponto de vista fitopatológico, aimportância da associação patógeno-semente não reside apenas no fato de ser mais um processode disseminação, mas também por se constituir no meio de sobrevivência do patógeno em contatodireto com o hospedeiro. Entre as doenças de maior importância econômica para a cultura,apenas a ferrugem e o mosaico-dourado não são transmitidos via semente (Reifschneider, 2000). Muitos fungos como exemplo Aspergillus sp., Penicillium sp., Botritis sp. são freqüentementeencontrados em testes de sanidade, devido sua associação saprofítica e superficial as sementes(Menten, 1995). Sua disseminação também se verifica por meio de escleródios (compactação de hifas), deesporos e de solo contaminado. Embora o fungo possa ser transmitido de um campo para outropelo movimento de solo, água de irrigação ou chuva, o meio de transmissão mais eficiente éatravés da semente (Marques, 2005). A presença de agentes causadores de doenças nas sementes de diversas culturas afeta agerminação, emergência de plântulas, vigor e produção, além de representar um perigo potencialde disseminação dos patógenos à próxima geração e às novas áreas (Menten, 1995). Os patógenos podem estar associados à semente tanto endofiticamente quanto epifiticamente,ou entre elas. As sementes podem ou não evidenciar sintomas da doença. Diz-se que a semente 7
  16. 16. está doente ou infectada quando exibe sintomas da doença, porém, mesmo assim, podem produzirplântulas sadias (Reis & Casa, 1996). Podem-se distinguir três tipos de patógenos em sementes: a) patógeno acompanha asemente do hospedeiro, mas não adere a ela podendo estar sempre presente em pedaços de restosculturais infectados como glumas, raques e nós; b) patógeno está passivamente aderidoexternamente à semente deixando a semente infestada; c) patógeno localizado internamente nasemente causando infecção micelial no pericarpo e no endosperma (Reis & Casa, 1996). E sobreestas sementes podemos encontrar uma microfauna em laboratório, que nem sempre podem agirde forma patogênica no campo, pois existem gêneros de fungos amplamente relatados comocausadores possíveis causadores de doenças, contudo podem viver de forma saprofítica comoocorre os gêneros Sthemphylium, Alternaria, Curvularia e Bipolaris. Isto se deve ao fato, daflexibilidade que alguns gêneros de fungos se nutrem de forma saprofítica facultativa ouparasítica facultativa, ou seja, transitam entre um hábito de alimentação sob material vivo ematerial morto. A carência de dados sobre a quantificação de doença, danos e perdas causados porpatógenos transportados por sementes tem sido a principal limitação para um novo fluxo deexpansão da patologia de sementes no Brasil (Menten, 1995). As doenças, em especial, podem ser controladas através do uso de cultivares resistentes,estratégia ecologicamente desejável pela redução ou eliminação da necessidade do uso deagrotóxicos. Os argumentos que mais sensibilizam os agricultores e técnicos em agricultura sãoos econômicos, ou seja, as perdas em dinheiro decorrentes do emprego de sementes portadoras deagentes causais de doenças (Menten, 1995). Apesar da importância da patologia de sementes, ainda não se exige que um lote desementes para comercialização seja acompanhado de um certificado de sanidade. O que seria 8
  17. 17. ideal, pois a porcentagem de germinação geralmente não revela problemas que os patógenospodem causar à semente ou à cultura. Um lote pode estar com porcentagem de germinação dentrodos padrões exigidos, mas também estar transportando microrganismos que não afetam aqualidade fisiológica das sementes nas condições de laboratório, porém se manifestarão emcondições de campo, afetando a germinação ou causando doença na cultura em desenvolvimento.De outro lado, se um lote de sementes apresentar baixo poder germinativo, podendo-se observarnos testes plântulas anormais e sementes mortas devido a infecção, é necessário que se faça umteste de sanidade a fim de detectar que patógeno pode estar causando o problema e comosolucioná-lo. Assim é muito importante a análise de sanidade das sementes, conjuntamente comas análises de pureza física e germinação que são exigidas para que a semente certificada sejacomercializada (Moraes, 1995).2.4 Ocorrência de fungos em sementes Os fitopatologistas esbarram em algumas dificuldades, entre elas como estabelecer oslimites entre o que é normal ou sadio e o que é anormal ou doente; como separar doença de umasimples injúria física ou química; como separar doença de praga ou de outros fatores que afetamnegativamente o desenvolvimento das plantas (Bergamin Filho et al., 1995). A doença tem sido vista como uma relação entre dois organismos de um lado a planta querecebe a denominação de hospedeiro e de outro, o agente causal, chamado patógeno numambiente favorável a interação. Existe, no entanto, quando nos relacionamos aos agentes causais,organismos representados pelas bactérias, fungos, vírus e nematóides que causam doença, masnuma determinada fase da vida, e em outra sobrevive em material morto, de forma saprofítica.No caso de vírus vivem nos vetores, células bacterianas ou células hospedeiras da partícula viral.(Bergamin Filho et al., 1995). 9
  18. 18. Os fungos constituem um grupo numeroso de microorganismos, bastante diversificadofilogenicamente, mas de grande importância ecológica e econômica. Este grupo reúne algumascaracterísticas básicas que permitem separá-lo de outros seres vivos, formando um reino à partedenominados fungos “sensu strictu” ou fungos verdadeiros representados pelos FilosChytridiomicota, Basidiomicota, Ascomicota e Zigomicota. As características mais importantessão o talo eucariótico, heterotrofismo, absorção de nutrientes e formação de esporos (BergaminFilho et al., 1995). Paz Lima et al. (2002) registraram os principais patógenos encontradosassociados a sementes de Capsicum annuum tais como Alternaria alternata, Aspergillus, Bacillussp., Bipolaris sp., Chaetomium sp., Colletotrichum capsici, Curvularia sp., Fusarium sp., Mucorsp., Penicillium sp. e Rhizopus sp. que podem muitas vezes serem considerados saprófitas.2.5. Sanidade das Sementes A sanidade de sementes refere-se a presença ou ausência de agentes patogênicos, taiscomo fungos, bactérias, vírus e nematóides. Entretanto, pode também estar relacionada aanomalias decorrentes de alterações nutricionais e condições climáticas adversas ocorridas nocampo, no processamento ou no armazenamento (MARA, 1992). O objetivo de qualquer teste de sanidade é determinar o estado sanitário de uma amostrade sementes e consequentemente, do lote que representa, obtendo-se assim, informações quepodem ser usadas para comparar a qualidade de diferentes lotes de sementes ou determinar a suautilização comercial (MARA, 1992). Os patógenos transmitidos por sementes podem servir de inóculo inicial para odesenvolvimento progressivo da doença no campo, além dos lotes de sementes importadas podemintroduzir patógenos em áreas isentas (quarentena), e os testes de sanidade pode auxiliar a 10
  19. 19. avaliação das plântulas e as causas de uma baixa germinação e de baixo vigor, complementandoos testes de germinação (MARA, 1992). Normalmente as sementes ficam incubadas em condições favoráveis para odesenvolvimento de patógenos ou manifestação de sintomas por eles causados. E nas mesmasnormalmente é empregado um pré-tratamento, que pode ser físico (uso de temperatura,escarificação das sementes) ou químico (uso de fungicidas e hipoclorito de sódio) sob a amostrade trabalho, precedendo a incubação e utilização somente para facilitar o teste de avaliação dolote de semente (exemplos de germinação, teste de sanidade, teste do rolo e teste de tetrazólio). Omais comum é a assepsia superficial com Hipoclorito de sódio, NaOCl (1%) por três minutospara eliminação de microorganismos contaminantes e saprofíticos, e consequentemente aevidenciação dos patógenos situados internamente (MARA, 1992). A sanidade das sementes é uma característica relevante da sua qualidade e desempenhosendo determinada através de análises apropriadas. Há necessidade de se determinar os efeitosdos patógenos associados a sementes (redução do estande, debilitação das plantas, inóculo inicialde epidemias), os quais devem ser detectados, identificados e manejados (controle no campo etratamento de sementes). Também é importante evitar a entrada de patógenos exóticos (oriundosde outra região diferente da encontrada) em áreas isentas através da quarentena, assim comoreduzir a deterioração das sementes durante o armazenamento devido à ação dos microrganismos.Estes aspectos justificam a patologia de sementes como um ramo da ciência agronômica queenvolve a fitopatologia e a tecnologia de sementes (Moraes, 1995). 11
  20. 20. 3. MATERIAIS E MÉTODOS Para fins de treinamento em avaliação de sementes, foram realizados dois ensaiosutilizando sementes de berinjela com os seguintes materiais: gerbox (caixa plástica), placas dePetri plástica, pinça, papel toalha, água destilada e sementes cultivadas de berinjelas cv. “Ciça”,oriundas da Embrapa Hortaliças. No primeiro ensaio avaliou-se a incidência de patógenos e a porcentagem de germinaçãode patógenos em sementes de berinjela. Foram utilizados um gerbox e cinco placas de Petri,lavados com água sanitária três % e enxaguados em água corrente, sendo colocado o papel toalhanão esterilizado cortado, umedecido com água dentro do Gerbox, então se dispôs às sementes deforma organizada totalizando 36 sementes de berinjela no gerbox e 20 nas placas de Petri.Utilizou-se placa de petri e Gerbox apenas para treinamento. No segundo ensaio avaliou-se a porcentagem de incidência e germinação de patógenosnovamente em berinjela sendo utilizados dez Gerbox lavados com água sanitária a 30 % eenxaguados em água corrente. Depois, foram dispostos papéis toalhas esterilizados umedecidoscom água destilada em cada Gerbox. As sementes foram dispostas de forma uniforme (25sementes por Gerbox).3.1 Avaliação de sementes de Capsicum. Os experimentos foram conduzidos no Laboratório da Faculdade JK, em Brasília, DF, noperíodo de fevereiro a setembro de 2006, com sementes do banco de germoplasma da EmbrapaHortaliças (CNPH). Os experimentos foram organizados num delineamento inteiramentecasualizado contendo quatro tratamentos (Capsicum annuum, C. frutescens e C. chinense);utilizasse 200 unidades experimentais por espécie), oito repetições contendo 25 sementes porrepetição, totalizando 800 unidades experimentais. 12
  21. 21. 3.2 Tratamento e limpeza dos Gerbox. Através da lavagem superficial fez-se assepsia com álcool (70%), logo após comhipoclorito de sódio (NaOCl a 1%), passado por duas lavagens com água destilada. Adicionou-sepapel mata-borrão nos Gerbox lavados e limpos assepticamente, umedecidos com água destilada,e imediatamente tampados.3.3 Método do “Blotter Test”. O método de avaliação de sementes utilizado foi o “Blotter Test”, que consiste nautilização de caixas de plástico e distribuição de sementes em ambiente de 100 % de saturação deumidade para promoção das melhores condições de germinação e desenvolvimento de patógenos.Utilizou-se 200 sementes de cada amostra por espécie que foram acondicionadas uniformementepara que tivessem o mesmo espaço para desenvolvimento, e estas permaneceram sob temperaturaambiente.3.4 Condição sanitária e fisiológica das sementes. A quantidade de semente utilizada no experimento foi escolhida de acordo com as normasdo Ministério da Agricultura (Mara, 1995). As sementes incubadas foram avaliadas quanto aonúmero de sementes infestadas por patógenos dividido pelo número de sementes totais(Incidência de patógenos-PInc), número de sementes germinadas dividido pelo número desementes totais da repetição (Porcentagem de germinação-PGerm), e o número de sementesinfestadas por gêneros dividida pelo número total de sementes da repetição (porcentagem degêneros de fungos-PGen). Durante o período de 10 dias o experimento foi avaliado. A avaliação da porcentagem de germinação e incidência de patógenos foi avaliada a olhonu, e quando era duvidosa, observava-se a repetição em lupa estereoscópica. A identificação dosgêneros de fungos foi realizada utilizando lâminas semi-permanentes, e microscópio composto,para observação e análise das estruturas morfológicas, e identificou-se através de Barnett &Hunter (1999). 13
  22. 22. 3.5 Análise dos resultados. A incidência é uma medida quantitativa onde mede-se a porcentagem de patógenos pelonúmero de plantas ou partes vegetativas, resultando num valor em porcentagem. E a ocorrência éuma medida qualitativa que mede a presença ou não do patógeno, podendo muitas vezes referir-se apenas ao registro da associação planta patógeno. A fim de verificar o efeito do fator espécies de Capscium, fez-se Análise de Variância(ANOVA) e Teste de Comparação de Médias (Teste Tukey, p<0,05), para os parâmetros PInc,PGerm e PGen. Os três parâmetros foram transformados por log (x+10) por não satisfazerem aspremissas dos testes paramétricos e o aparecimento de muitos valores de zero no conjunto dedados, de forma que os mesmos satisfaçam as premissas dos testes paramétricos. Fez-se análisede correlação entre as variáveis dependentes (PGerm e PInc). 14
  23. 23. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Ensaios de avaliação fisiológica e patogênica de sementes de berinjela Primeiro ensaio. A umidade do papel foi observada até o quarto dia. Entre as placas de Petri e os Gerbox amelhor manutenção da umidade ocorreu para o ensaio feito com gerbox. Nestas placas houve aparecimento de fungos do papel toalha devido a contaminação(papel não esterilizado), principalmente pelos fungos Rhizopus sp. (filo Zygomicota), Alternariasp., Penicillium sp., Aspergillus sp. e Cladosporium sp (Hifomicetos). A incidência e germinação de patógenos em semente de berinjela aumentouproporcionalmente nos diferentes dias de avaliação, sendo representado pela equação deregressão (Figura 1). 40 60.0 y = 11.787x + 9.3056 y = 11.398x - 10.694 R2 = 0.9466 35 R2 = 0.9687 50.0 30 40.0 Germinação (%) 25 Incidência (%) 20 30.0 15 20.0 10 10.0 5 0 0.0 4 5 6 7 4o. Dia 5o. Dia 6o. Dia 7o. Dia Dias de avaliação Dias de AvaliaçãoFigura 1. Porcentagem de germinação e incidência de patógenos (%) em diferentes tempos deavaliação em sementes de berinjela (ensaio 1). Segundo Ensaio. 15
  24. 24. No 2º ensaio o papel toalha foi esterilizado, podendo observar-se a não incidência defungos (associados ao papel), como ocorreu no 1º ensaio, assim a incidência de fungos ficourestrita única e exclusivamente a sementes avaliadas no ensaio. Houve uma boa umidade no gerbox com o papel toalha durante todo o período deavaliação. Os fungos incidentes neste segundo ensaio foram: Rhizopus sp. (filo Zygomicota),Alternaria sp., Penicillium sp., Aspergillus sp., Cladosporium sp. e Fusarium sp. (Hifomicetos). Pode-se observar que houve um acréscimo da incidência de patógenos e germinação nasrepetições analisadas (Tabela 1).Tabela 1. Porcentagem de germinação (PGerm) e porcentagem de Incidência (PInc) depatógenos (PInc) em sementes de berinjela aos 4º e 5° dias nas 10 repetições (ensaio 2). 4o. Dia 5o. Dia 4o. Dia 5o. Dia Repetição Germ Germ Repetição Inc Inc 1 56 64 1 24 28 2 56 64 2 12 16 3 72 72 3 24 32 4 76 84 4 20 20 5 64 68 5 20 20 6 72 72 6 24 24 7 52 64 7 44 48 8 36 40 8 76 76 9 52 60 9 36 48 10 80 92 10 24 24 Fez-se apresentação dos dados sob gráficos e tabelas apenas por motivos de treinamentoem plotagem e avaliação dos dados.4.2. Avaliação sanitária e fisiológica de sementes de Capsicum spp. As sementes de Capsicum iniciaram a germinação coincidentemente com o aparecimentode patógenos, aos quatro dias de incubação. A incidência de fungos nas duas espécies aumentoubastante a partir do sétimo dia. Dados da PGerm e da PInc foram submetidos ao teste ANOVA, rejeitando-se a hipótesede nulidade para o fator espécies (C. annuum, C. chinense (1), C. chinense (1) e C. frutescens; 16
  25. 25. PGen% transformada F3,140=123,83** e PInc% transformada F3,140=224,58**), dias de avaliação(2, 4, 6, 8 10 dias após a incubação; PGen% transformada F4,140=223,68** e PInc% transformadaF4,140=86,82**) e interação (espécies x dias de avaliação; PGen% transformada F12,140=15,10** ePInc% transformada F12,140=28,06**). O controle negativo não foi elaborado devidocaracterísticas ecológicas de associação de fungos as sementes sendo este tipo de metodologiausualmente utilizada para este modelo de avaliação de sementes. Entre as espécies de Capsicum analisadas C. annuum teve a maior atividade fisiológica(PGerm) diferindo estatisticamente das demais. Houve maior incidência de patógenos em C.annuum e C. chinense diferindo estatisticamente das demais espécies analisadas. A espécie nativade C. frutescens destacou-se pelo fato de apresentar a menor atividade fisiológica (Figura 2). Opimentão que é a espécie domesticada de Capsicum teve maior atividade fisiológica e sanitárianos lotes avaliados podendo sua germinabilidade estar ligada ou não, aos danos de patógenos. a Pgerm% 1.8 b Pinc% 1.6 a a c d 1.4 b 1.2 c 1 0.8 0.6 0.4 0.2 0 C. annuum C. chinense C. chinense C. frutescens (Valores seguidos de mesma letra entre as espécies não diferem entre si ao Teste Tukey p~0,05).Figura 2. Porcentagens de germinação (PGerm) e Incidência (PInc) transformadas (log (x+10))para as espécies de Capsicum avaliadas. Nos diferentes dias de avaliação tanto PGerm e PInc tiveram aumentos estatisticamentecrescentes nos diferentes dias de avaliação (Figura 3). Houve progresso da incidência de 17
  26. 26. patógenos e da porcentagem de germinação havendo as maiores médias aos 10 dias de incubação,diferindo estatisticamente dos demais (Figura 3). 18
  27. 27. 2 a Pgerm% 1.8 b Pinc% c 1.6 a b d 1.4 c d 1.2 e e 1 0.8 0.6 0.4 0.2 0 10 daí 8 daí 6 daí 4 daí 2 daí Daí – dias de incubaçãoFigura 3. Porcentagem de germinação (PGerm) e Incidência (PInc) transformadas (log (x+10))para os diferentes dias de avaliação. A correlação entre a variável porcentagem de germinação e incidência de patógenos,resultou numa relação de +45,95 %**. À medida que a incidência de patógenos em sementes deCapsicum aumenta a PGerm em 59,91 %, ou seja, uma relação positiva e significativa contudopequena elevação entre as variáveis fisiológica e patogênicas entres as quatro espécies deCapsicum analisadas. As plantas selvagens diferenciam em relação às plantas melhoradas por apresentaremmenores produtividades e resistência a doenças. Desta forma, em plantas melhoradas existe umatendência a serem encontrados microrganismos associados em maior freqüência, devido à perdade genes de resistência no processo de melhoramento permitindo associação destes. E estas,possuem uma atividade metabólica (maior atividade fisiológica) explicando assim a maioratividade fisiológica e sanitária de sementes de Capsicum annuum, encontrada neste trabalho. Opimentão (C. annuum) é uma espécie de pimenta domesticada para redução de capsaicina (Figura2). 19
  28. 28. Houve diferença significativa entre os gêneros de fungos incidentes sobre os genótipos deCapsicum chinense (F8,63=2,05*), não havendo diferença significativa para C. annuum(F8,63=1,99ns) e a outra espécie de C. chinense (F8,63=1,66ns). 1.4 a a 1.2 ab ab b b b b Incidência de gêneros de fungos (% b 1 0.8 0.6 0.4 0.2 0 Cladosporium Pennicillium Eppicoccum Rhizopus Alternaria Curvularia Bipolaris Stemphyllium Aspergillus Gêneros de fungosFigura 4. Médias da incidência transformada de gêneros de fungos incidentes em sementes de C.chinense. Os fungos encontrados associados a sementes foram Aspergillus sp., Alternaria alternata(Figura 5E), Cladosporium sp. (Figura 5C), Curvularia sp. (Figura 5 A e B), Epicoccum sp.(Figura 5D), Fusarium sp., Penicillium sp., Rhizopus e Stemphylium sp. (Figura 5F). Os gênerosde fungos mais incidentes em C. chinense foram Cladosporium sp. (Figura 5C) e Pennicillium sp.diferindo estatisticamente dos demais (Figura 4). A seguir, na Tabela 2 vêem-se os registros deocorrência dos gêneros de fungos encontrados nas três espécies de Capsicum analisados. Os gêneros encontrados em C. chinense também foram encontrados em C. annuum. 20
  29. 29. A B D C E FFigura 5. Fungos encontrados em sementes de Capsicum ssp. A e B. conídios de Curvularia sp. ,C. conidióforo e conídio de Cladosporium sp., D. conídios de Epiccocum sp., E. Conídioscatenulados de Alternaria alternata, F. Conídios de Stemphylium sp. 21
  30. 30. Tabela 2. Ocorrências de fungos encontrados nas sementes de Capsicum e citações em bancos dedados de fungos associados a plantas*. Farr et al. Alfieri Jr. et al. (1984) Mendes et al. (1998) Embrapa (2006)Gêneros de (2006) Estado da Flórida, EUA Brasil Brasilpatógenos (Mundial)Alternaria Registrado Registrado Registrado RegistradoAspergillus Não Registrado Registrado Registrado RegistradoCladosporium Não Registrado Registrado Registrado RegistradoCurvularia Registrado Não Registrado Não Registrado RegistradoEpicoccum Não Registrado Não Registrado Registrado RegistradoFusarium Registrado Registrado Registrado RegistradoPenicillium Não Registrado Não Registrado Não Registrado RegistradoRhizopus Não Registrado Registrado Registrado RegistradoStemphylium Registrado Registrado Registrado Registrado*Os locais citados ao lado dos autores dos bancos de dados correspondem à abrangência dos registros Todos os gêneros de fungos foram registrados em pelo menos um banco de dados ouíndice de doenças, havendo casos de não registro em um Banco de dados específico. Os fungosStemphylium sp., Fusarium sp. e Alternaria sp., encontrados nas sementes de Capsicumanalisadas, encontram-se registrados em todos os bancos de dados consultados. Possivelmentepara os demais gêneros a identificação da espécie pode ser uma importante informação etiológicapromovendo uma maior elucidação sobre os fungos associados a sementes de Capsicum (Tabela2). Os fungos foram identificados na categoria de gênero, provavelmente se fosse identificadaa espécie fúngica novos registros de ocorrência poderiam ser apresentados em literaturabrasileira. Alfieri et al. (1984) registraram em Capsicum spp. os fungos Alternaria solani,Aspergillus sp., Cladosporium sp., Curvularia lunata, Epicoccum sp., Fusarium oxysporum,Penicillium sp., Stemphylium botryosum, Stemphylium floridanun e Stemphylium solani. Os fungos associados a Capsicum spp. no índice de fungos em plantas do Brasil (Mendeset al., 1998), foram Alternaria (A. alternata, A. brassicae e A. solani), Aspergillus niger, 22
  31. 31. Cladosporium (C. cucumerinum e C. oxysporum), Curvularia sp., Epiccocum sp., Fusarium (F.acuminatum, F. moniliforme, F. oxysporum, F. pallidoroseum e F. solani), Penicillium sp. eStemphylium solani. Sendo que as maiores freqüências de registros ocorreram para F. solani sp. eF. oxysporum sp. No índice americano de ocorrência de fungos Farr et al. (2006) observaram a ocorrênciadas espécies Alternaria (A. alternata, A. brassicae, A. capsici, A. melongenae, A. solani, A. tenuise A. tenuissima), Aspergillus niger, Cladosporium (C. capsici, C. cladosporioides, C.cucumerinum, C. herbarum, C. oxysporum, C. piperatum e C. solanicola), Curvularia (C.clavata, C. cragiostides, C. geniculata, C. lunata, C. ovoidea, C. pallescens e C. spicifera),Epicoccum nigrum, Fusarium (F. acuminatum, F. annuum, F. culmosum, F. equiseti, F. flavum,F. graminearum, F. moniliforme, F. niveum, F. oxysporum, F. pallidoroseum, F. semitectum, F.solani e F.vasinfectum), Penicillium (P. chrysogenum, P. decumbens, P. oxalicum e P. urticae),Stemphylium (S. botruosum, S. floridanum, S. lycopersici e S. solani). No banco de dados brasileiro de ocorrência de fungos (Embrapa, 2006) observaram-seregistros em Capsicum spp., dos seguintes fungos Alternaria (A. alternata, A. brassicae, A. solanie A. tenuis), Aspergillus niger, Cladosporium (C. cucumerinum e C. oxysporum), Epicoccumnigrum, Fusarium (F. arthrosporioides, F. oxysporum, F. pallidoroseum e F. solani),Stemphylium solani. Ao considerar as três espécies de Capsicum simultaneamente a atividade fisiológica nãofoi inteiramente influenciada pela ação de agentes patogênicos. Provavelmente a espécie domesticada de Capsicum representada pelos pimentões (C.annuum), possui menor quantidade de inibidores a infestação de patógenos em sementes do queas demais espécies avaliadas (C. chinense e C. frutescens). 23
  32. 32. A atividade patogênica e fisiológica das sementes de Capsicum nas espécies analisadasapresentaram relação inversa somente para C. annuum, quanto que nas demais espécies como C.chinense e C. frutescens que são espécies nativas, o relacionamento foi diretamente proporcional. Todos os gêneros de fungos foram registrados em pelo menos um banco de dadosanalisados, havendo necessidade de maiores estudos na identificação das espécies Desta forma, este trabalho demonstrou a relação da atividade patogênica e fisiológica paraC. annuum, além de se observar maior valor incidência de fungos considerados como saprofíticos(existe a possibilidade de serem parasitários em condições de campo) e menor valor de incidênciade fungos citados em literatura como parasitários. Deste modo, sugere-se que o aumentoincidência de patógenos possa estar associado a domestificação da espécie de Capsicum. 24
  33. 33. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASALFIERI JR, S.A., LANGDON, K.R., WEHLBURG, C., KIMBROUGH, J.W. Index of plant diseases in Florida.Florida: Division of Plant Industry, 1984.BARNETT, H.L. & HUNTER, B.B. Illustred genera of Imperfect fungi. The American Phytopathological Society,St. Paul, Minnesota, 1999.BERGAMIN FILHO, A.B.; KIMATI, H.; AMORIM, L. Manual de Fitopatologia. 3ª ed. São Paulo: AgronômicaCeres, 1995.CNPH – Centro Nacional de Pesquisa de hortaliças, Uso da diversidade genética de pimentas e pimentão para odesenvolvimento de genótipos de interesse do agronegócio brasileiro, disponívelem:<http://www.cnph.embrapa.br/projetos/capsicum/indexf3sub1.htm>, consultado em 10 de abril de 2006.EMBRAPA, Centro Nacional de Perquisa de Recursos genéticos. Disponívelem:<http:www.cenargen.embrapa.br>, acessado em outubro de 2006.FARR, D.F., ROSSMAN, A.Y., PALM, M.E. & McCRAY, E.B. (n.d.) Fungal Databases, Systematic Botany &Mycology Laboratory, ARS, USDA. Disponível em:<http://nt.ars-grin.gov/fungaldatabases/>. Acessos em junho de2006.IH - Importância das Hortaliças. Disponível em: <http://www.agridata.mg.gov.br/importan.html>, acessado emmarço de 2006.LONG-SOLIS, J. Capsicum Y cultura: La historia del chili. 1:1-181 1986.MARA – Ministério da Agricultura e Reforma Agrária (Brasil). Regras para análise de sementes, In: Teste deSanidade de Sementes. 1992. Brasília, DF.MARQUES, R.O. Qualidade fisiológica e sanitária de sementes de feijão oriundos da safra 2005 de regiões próximasa Unaí (MG), Paracatu (MG) e Cristalina (GO) (Monografia de Final de Curso). Unaí, Faculdade de Ciências eTecnologia de Unaí, 2005.MENDES, M.A.S., SILVA, V.L., DIANESE, J.C., FERREIRA, M.A.S.V., SANTOS, C.E.N., GOMES NETO, E.,URBEN, A.F. & CASTRO, C. Fungos em plantas do Brasil. Embrapa, Brasília, DF, 1998.MENTEN, J.O.M. Prejuízos causados por patógenos associados às sementes. In: MENTEN, J.O.M. Patologia desementes. Piracicaba, SP. 1995.MORAES, M.H.D. Testes de sanidades de sementes em rotina no Brasil: Situação atual, contribuições eperspectivas. In: MENTEN, J.O.M. Patologia de sementes. Piracicaba, SP. 1995.PAZ LIMA, M.L., COSTA, S.B., HENZ, G.P. & RIBEIRO, C.S.C. Qualidade sanitária e fisiológica das sementes deCapsicum annuum produzidas pela Embrapa Hortaliças, Simpósio Brasileiro de Patologia de Sementes. SeteLagoas/MG. 2002.RAVEN, P. H. EVERT, R. F. EICHHORN, S. E. Biologia Vegetal. 6ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.REIFSCHNEIDER, F.J.B. (Ed.) Capsicum, pimentas e pimentões no Brasil. Ed. Embrapa, Brasília/DF, 2000.REIS, E.M. & CASA, R.T. Manual de identificação e controle de doenças de milho. Passo Fundo: Aldeia Norte,1996.SPP - Sistema de Produção de Pimentas. Disponível em: http://www.cnph.embrapa.br/sistprod/pimenta, acessado emjunho de 2006.TORRES, S.B. & MINAMI, K. Qualidade fisiológica de sementes de pimentão. Scientia Agrícola 57(1): 2000. 25

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