A questão do salário

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A questão do salário

  1. 1. A questão do salário.David Ricardo assimila os conceitos elaborados por Adam Smith sem que suaprópria concepção econômica se estagnasse dentro dos contornos teóricos de Smith.Ricardo conseguiu apontar para algumas incongruências desse autor e no que dizrespeito à sua teoria sobre o salário destacou sérias ambiguidades. Para Adam Smith, otrabalhador assalariado não poderia receber o valor integral criado por seu própriotrabalho e na opinião de Ricardo os princípios da renda não foram devidamenteanalisados, pois Smith não compreendera “verdades importantes que só podem serdescobertas após uma perfeita compreensão do problema da renda.”No capítulo quinto da obra prima de Ricardo, Princípios de Economia Política eTributação, o autor insere o trabalho dentro da categoria de todas as outras “coisas quesão compradas e vendidas”. Impõe ao trabalho a qualidade de quantificável no sentidode que pode ou ser diminuído ou aumentado e como coisa comprável ou vendável.Admite que o trabalho tem um preço. Qual seria então esse preço do trabalho?SegundoRicardo, o trabalho possui preço de mercado e preço natural: “(...) o preço natural dotrabalho é aquele necessário para permitir que os trabalhadores, em geral, subsistam eperpetuem sua descendência, sem aumento ou diminuição”Para David Ricardo “o preço natural do trabalho é aquele necessário parapermitir que os trabalhadores, em geral, subsistam e perpetuem sua descendência, semaumento ou diminuição” (p.81). Nesse sentido o que concederá ao trabalhador acapacidade de sustentar sua família não é, grosso modo, a quantidade de dinheiroadvinda como forma de salário. O sustento do trabalhador e dos seus adviria daquantidade de bens de primeira necessidade adquiríveis por essa quantidade de dinheiro.Tal reconfiguração da noção de salário resulta em consequência facilmente dedutível.Primeiro porque o preço do trabalho passa a depender de preço dos alimentos e dos bensdos quais depende a manutenção da existência do trabalhador. Se o preço dos alimentose dos bens indispensáveis à vida dos trabalhadores aumenta, consequentemente o preçonatural do trabalho aumentará. Se o preço desses bens cai, também diminui o preço dotrabalho.Segundo David Ricardo, o ônus do desenvolvimento da sociedade é adificuldade crescente com que as mercadorias passam a ser produzidas.se o preço dessas
  2. 2. sobem, sobe o preço do trabalho. Tal elevação dos preços só é contida temporariamentepelo aperfeiçoamento da agricultura e pela importação de novos mercados.Para Ricardo, “o preço de mercado do trabalho é aquele realmente pago por este,como resultado da interação natural das proporções entre a oferta e a demanda” (p.81).A escassez ou abundância do trabalho determinam se o mesmo será caro ou barato. Noentanto, como ocorre com todas mercadorias, existe uma tendência de equiparação entreo preço natural e o preço de mercado, mesmo que o último se desvie do primeiro.Pode- se constatar que Ricardo parte de certo esquema cíclico e repetitivo, sob oqual se submete o nível de preço do trabalho e do trabalhador. Ele diz:Quando o preço de mercado do trabalho excede o preço natural, acondição do trabalhador é próspera e feliz, e ele pode desfrutar degrande quantidade de bens de primeira necessidade e dos prazeres davida, e, portanto, sustentar uma família saudável e numerosa. Quando,entretanto, pelo estímulo que os altos salários dão ao aumentopopulacional, cresce o número de trabalhadores, os salários baixamoutra vez até seu preço natural e por vezes, por um efeito de reação,até abaixo dele.A lastimável consequência resultante da redução dos salários é amiserabilidade dos trabalhadores é inevitável morte dos mesmos. Redução trágica aspopulação trabalhadora. Se os trabalhadores morrem, há redução da oferta de trabalho.Os salários retomam o crescimento o crescimento. A qualidade de vida dostrabalhadores alcançam níveis mais suportáveis mais suportáveis, ou seja, alcançam atroca natural de subsistência. Diminui-se assim a mortalidade e sobe a oferta de força detrabalho, dando-se início mais uma vez a roda de infortúnios da classe trabalhadora.Em razão dessa lógica, quase fatalista, segundo a qual o preço do trabalhosempre dependerá de variáveis fixas (por contraditório que isto soe) ,mas que se setomar como base o esquema anteriormente apresentado é compreensível, um elementosubjacente que se poderia ressaltar é a densidade demográfica. David Ricardo atéadmite que a situação do trabalhador possa melhorar e sobrepor o preço de mercado dotrabalho ao preço natural, isso desde que a população cresça, pois “ (...) se a populaçãotiver

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