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  1. 1. QUERO DOS DEUSES(Ricardo Reis)<br />Quero dos deuses só que me não lembrem.Serei livre - sem dita nem desdita,Como o vento que é a vidaDo ar que não é nada.O ódio e o amor iguais nos buscam; ambos,Cada um com seu modo, nos oprimem.<br />A quem deuses concedemNada tem liberdade.<br />DESTINO DO POETA<br />Palavras? Sim. De are perdidas no ar.Deixa que eu me perca entre palavras,deixa que eu seja o ar entre esses lábios,um sopro erramundo sem contornos,breve aroma que no ar se desvanece.Também a luz em si mesma se perde.<br />(Trad. Haroldo de Campos)<br />IRMANDADE<br />Sou homem: duro poucoe é enorme a noite.Mas olho para cima:as estrelas escrevem.Sem entender compreendo:Também sou escriturae neste mesmo instantealguém me soletra.<br />(Trad. Antônio Moura)<br />VENTO, ÁGUA, PEDRA<br />A água perfura a pedra,o vento dispersa a água,a pedra detém ao vento.Água, vento, pedra.<br />O vento esculpe a pedra,a pedra é taça da água,a água escapa e é vento.Pedra, vento, água.<br />O vento em seus giros canta,a água ao andar murmura,a pedra imóvel se cala.Vento, água, pedra.<br />Um é outro e é nenhum:entre seus nomes vaziospassam e se desvanecem.Água, pedra, vento.<br />(Trad. Antônio Moura)<br />

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