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Radioterapia - Tratamento de Câncer por Radiações

Material elaborado para aulas específicas de Radioterapia.

1 de 69
RADIOTERAPIA
Tratamento de Câncer por Radiações
Fernando Feltrin
fernando2rad@gmail.com
HISTÓRIA DA RADIOTERAPIA
 1895 - Descoberta dados raios X
 1896 - Descoberta da Radioatividade
 1898 - Descoberta do Radium
 Em 08 de novembro de 1895 o físico alemão Wilhelm Conrad
Röntgen descobriu “um novo tipo de raio”, que poderia velar
um filme fotográfico. A esses raios ele deu o nome de raios X.
 O anúncio da descoberta dos raios foi em dezembro de 1895,
seis semanas após ela ocorrer, mostrando a “foto” dos ossos
da mão de sua própria esposa.
 Röntgen descobriu que alguns materiais eram mais espessos
ao RX do que outros.
 Ao trabalhar com um disco de Pb, notou que a silhueta de sua
mão era captada num material fluorescente.
 Observou que o RX atravessava os tecidos humanos, mas
não o osso.
 A foto da mão da Sra. Bertha Röntgen foi a primeira
radiografia da História.
Radioterapia - Tratamento de Câncer por Radiações
Wilhelm Conrad Röntgen (1845-
1923)
Além de descobrir o RX, descreveu as suas principais
características: penetrabilidade, filtragem, impressão
fotográfica, etc., e definiu sua maior utilização.
Recebeu o Prêmio Nobel em 1901 e o título de Doutor em
Medicina pela Universidade de Würzburg, para quem doou o
dinheiro.
Doutor pela Universidade de Würzburg, teve dificuldade
para assumir cátedra pela falta do título na graduação.
Faleceu devido a um câncer de reto, pobre devido à
hiperinflação da Alemanha após a 1ª Guerra Mundial.
Henry Becquerel (1852-1908)
Investigou a possibilidade de raios similares serem
produzidos por substâncias conhecidas como fluorescentes ou
fosforescentes.
Observou que sais de Urânio eram capazes de produzir
sombras de objetos metálicos sobre chapas fotográficas,
envoltas em papel preto.
Concluiu que estes raios eram emitidos espontânea e
continuamente; Estava então descoberta a Radioatividade.

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Radioterapia - Tratamento de Câncer por Radiações

  • 1. RADIOTERAPIA Tratamento de Câncer por Radiações Fernando Feltrin fernando2rad@gmail.com
  • 2. HISTÓRIA DA RADIOTERAPIA  1895 - Descoberta dados raios X  1896 - Descoberta da Radioatividade  1898 - Descoberta do Radium
  • 3.  Em 08 de novembro de 1895 o físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen descobriu “um novo tipo de raio”, que poderia velar um filme fotográfico. A esses raios ele deu o nome de raios X.  O anúncio da descoberta dos raios foi em dezembro de 1895, seis semanas após ela ocorrer, mostrando a “foto” dos ossos da mão de sua própria esposa.  Röntgen descobriu que alguns materiais eram mais espessos ao RX do que outros.  Ao trabalhar com um disco de Pb, notou que a silhueta de sua mão era captada num material fluorescente.  Observou que o RX atravessava os tecidos humanos, mas não o osso.  A foto da mão da Sra. Bertha Röntgen foi a primeira radiografia da História.
  • 5. Wilhelm Conrad Röntgen (1845- 1923) Além de descobrir o RX, descreveu as suas principais características: penetrabilidade, filtragem, impressão fotográfica, etc., e definiu sua maior utilização. Recebeu o Prêmio Nobel em 1901 e o título de Doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, para quem doou o dinheiro. Doutor pela Universidade de Würzburg, teve dificuldade para assumir cátedra pela falta do título na graduação. Faleceu devido a um câncer de reto, pobre devido à hiperinflação da Alemanha após a 1ª Guerra Mundial.
  • 6. Henry Becquerel (1852-1908) Investigou a possibilidade de raios similares serem produzidos por substâncias conhecidas como fluorescentes ou fosforescentes. Observou que sais de Urânio eram capazes de produzir sombras de objetos metálicos sobre chapas fotográficas, envoltas em papel preto. Concluiu que estes raios eram emitidos espontânea e continuamente; Estava então descoberta a Radioatividade.
  • 7. RADIOATIVIDADE  Propriedade de alguns elementos químicos de emitir espontaneamente partículas ou radiação eletromagnética, e que é característica de uma instabilidade de seus núcleos. Becquerel, H. 1895
  • 8.  “ Alguns elementos encontrados na natureza poderiam emitir radiação”  O urânio foi o primeiro. Suspeitava-se que ele absorvia os raios solares.  Em fevereiro/1896, mesmo com céu encoberto, obteve a sensibilização de placas fotográficas com Urânio. Era descoberta a “radioatividade natural”  Em março e abril do mesmo ano notou que outros sais de Urânio e alguns minérios não fosforescentes também irradiavam.  Diferentemente do Rx, a irradiação do Urânio era defletida pelo magneto (partículas a e b).  Dividiu o Prêmio Nobel de Física com os Curie em 1903. Morreu aos 58 anos.
  • 9. O CASAL CURIE  Pierre Curie (1859-1906) Marie Curie (1867-1934)
  • 10. PIERRE E MARIE CURIE  Dedicaram-se a identificar outros elementos que emitiam raios.  Investigaram dois minérios: Calcolita e Pechblenda  Por esta última emitir mais radiação do que o urânio puro, deduziram que deveria existir outro elemento com poder de emissão maior ainda.  Obtiveram uma pequena quantidade de um material radioativo que eles denominaram Polonium.  No mesmo ano, descobriram e separaram uma outra substância a qual chamaram Radium*  * Quando impura 60 vezes mais radioativa. Em estado puro até 2 milhões de vezes mais radioativa .
  • 11. Pierre Curie (1859-1906) 1903: Nobel de Física para Marie, Pierre e Becquerel. Foi o orientador da tese de doutorado de Marie. Faleceu atropelado por uma carruagem em Paris em 1906, aos 47 anos. Marie Sklodowska Curie (1867-1934) Herdou a Cátedra de Pierre (1a. mulher em 650 anos!). 1911: Nobel de Química pela descoberta do Ra e Po. O resto da vida dedicou-se à investigação e tratamento do câncer com os novos isótopos. Faleceu de anemia perniciosa em 1934, aos 67 anos.
  • 12. OS CURIE – UMA FAMÍLIA, TRÊS PRÊMIOS NOBEL  Irène, filha do casal Pierre e Marie Curie, juntamente com seu esposo Frederic Joliot também receberam Nobel de Química, em 1935.  Eles descobriram a radioatividade artificial, através do bombardeio do alumínio com partículas alfa. O Al emite um nêutron, tornando-se um isótopo de P instável, radioativo, não encontrado na natureza.
  • 13. UMA CIÊNCIA COM MÁRTIRES  Memorial aos radiomártires no Hospital Sankt Georg, Hamburgo. Inaugurado em 1936, continha os nomes de 159 médicos, cientistas e outros profissionais que morreram por trabalharem com o raio- X e rádio. Recebeu mais 200 nomes desde então.
  • 14. PRIMORDIOS DA RADIOTERAPIA MODERNA  Em 1896 já se utilizava a Radioterapia para tratamento de tuberculose, câncer de mama, estômago e diversos processos inflamatórios.  Os tratamentos consistiam de uma única aplicação maciça, objetivando a erradicação de tumores;  Pacientes que sobreviviam a um primeiro momento, em geral apresentavam grandes complicações.  Administrava-se tanta dose de radioterapia, quanto se julgava que o paciente pudesse tolerar.  O limite era a reação da pele - dose eritema
  • 15. LEI DA RADIOSENSIBILIDADE  “Os raios-x são mais efetivos em células que tem grande atividade reprodutora; a efetividade é maior naquelas células que têm, à sua frente, um grande número de divisões.” Bergonié e Tribondeau, 1905
  • 16. LEI DO FRACIONAMENTO RADIOATIVO  “É ineficiente dar-se a dose total de radiação em uma fração, porque algumas células estão em diferentes estados de sensibilidade e porque há uma chance maior de que múltiplas exposições atinjam as células em uma fase sensível. Além disso o fracionamento aumenta a tolerância do tecido normal.” Schwartz, G, 1914
  • 17.  1935 - Construído primeiro aparelho de megavoltagem, utilizando o Radium.  Limitações ao uso do Radium decorriam de dificuldade de obtenção e do seu alto custo  1g custava US$ 100,000.00, no início do século).  TELECOBALTOTERAPIA - “Uma revolução, pela possibilidade de se tratar lesões profundas sem efeitos significativos sobre a pele”.  Após a Segunda Guerra Mundial surgiram os Aceleradores Lineares de partículas, com a utilização de microondas para a obtenção de altos níveis de energia (multimegavoltagem).  1952, primeiro acelerador linear para uso clínico foi instalado no Hammersmith Hospital, em Londres, produzindo energias de 8 MeV
  • 18. ÚLTIMOS AVANÇOS  50’ – Radioterapia “moderna”  70’ – Radioterapia com aplicação informatizada  90’ – Radioterapia Conformal Tridimensional  2000’ – Radioterapia com Intensidade Modulada  2009 – Radiocirurgia Cerebral
  • 19. RADIOTERAPIA  É uma especialidade Médica*  Utiliza Radiações Ionizantes  Tratamento de neoplasias malignas e benignas*
  • 20. EQUIPE RADIOTERAPEUTA  Médico radio-oncologista  Físico das radiações  Técnico em Radioterapia  Enfermeiro  Pessoal do apoio técnico  Pessoal do apoio administrativo
  • 21. RADIOTERAPIA - OBJETIVO  Estudo, uso e aplicação de uma dose correta de radiação a um volume tumoral  Menor dano possível aos tecidos sadios adjacentes  Resultar em tratamento que progressivamente irá erradicar o tumor, promover uma eficiência maior que outros tratamentos, um pós vida maior, tudo isso por um custo razoável.
  • 22. RADIAÇÕES, FÍSICA E BIOLOGICAMENTE
  • 23. MECANISMO DE LESÃO CELULAR POR RADIAÇÃO Promover perda da capacidade funcional ou reprodutiva da célulaPromover perda da capacidade funcional ou reprodutiva da célula Promover morte celular em clone tumoral com a mínima morbidadePromover morte celular em clone tumoral com a mínima morbidade em célula sadiaem célula sadia
  • 24. FATORES RADIOBIOLÓGICOS E FRACIONAMENTO  Permitir o reparo ao dano sub-letal na célula sadiaPermitir o reparo ao dano sub-letal na célula sadia  Permitir a redistribuição no ciclo celular até um momento radio-sensívelPermitir a redistribuição no ciclo celular até um momento radio-sensível da célula tumoralda célula tumoral
  • 25. TIPOS DE RADIOTERAPIA  TELETERAPIA – Aceleradores Lineares, Cobalto60  Modalidades de Teleterapia Convencional Conformacional (3D) IMRT (Intensity Modulated) Radiocirurgia Radioterapia Imagem-Guiada(IGRT) Radioterapia Intra-operatória
  • 26. TELETERAPIA CONFORMACIONAL E 3D Definição de campos de tratamento e proteções deDefinição de campos de tratamento e proteções de acordo com parâmetros radiológicos, em posicionamentoacordo com parâmetros radiológicos, em posicionamento “real”. Conformação do tratamento ao volume alvo“real”. Conformação do tratamento ao volume alvo
  • 27. RADIOTERAPIA CONFORMACIONAL OBJETIVOS:  Minimizar a dose nas aréas sadias  Precisão na localização  Verificar a dose de radiação nas aréas de interesse.  Planejamento baseado em RX Simples ou Tomografia  BEV(“beam eye view”)  DRR(“digital reconstruted radiography)  Histograma Dose-Volume
  • 29. IMRT – OBJETIVOS:  Tratamento Automatizado  Múltiplos Campos  Modulação do Feixe(Colimadores dinâmicos)  Melhor capacidade de proteger regiões ou órgãos críticos
  • 30. RADIOTERAPIA GUIADA POR IMAGEM (IGRT)
  • 31. IGRT – OBJETIVOS:  Considera o movimento interfração.  Campos reduzidos  Maiores doses.  Melhores Resultados.
  • 33. RADIOTERAPIA INTRAOPERATÓRIA OBJETIVOS:  Tratamento em Dose única.  Complementar ao processo cirurgico  Irradiação do leito cirúrgico sob visão direta.  Dose mínima nos tecidos sadios.  Necessidade de estudos maiores.  Danos biológicos a longo prazo.
  • 35. RADIOCIRURGIA - OBJETIVOS • Realização de tratamento em dose única.Realização de tratamento em dose única. • Utilizada em lesões cerebraisUtilizada em lesões cerebrais • Melhor eficiência em regiões inalcançáveisMelhor eficiência em regiões inalcançáveis cirurgicamentecirurgicamente • Menor exposição de massa encefálicaMenor exposição de massa encefálica • Sem riscos convencionais de uma cirurgia cerebralSem riscos convencionais de uma cirurgia cerebral • Menor possibilidade de sequelasMenor possibilidade de sequelas
  • 42. APLICAÇÃO DA RADIOTERAPIA  1º Passo – Consulta Médica  2º Passo – Definição do Tratamento  3º Passo – Programação do Tratamento  4º Passo – Marcação do Paciente  5º Passo – Confecção de Máscaras e Acessórios  6º Passo – Simulação do Tratamento  7º Passo – Aplicação do Tratamento  8º Passo – Feedback Sessão a Sessão
  • 43. TÉCNICAS DE TRATAMENTO  Fracionamento – São aplicadas pequenas doses até atingir a dose total calculada para o tratamento.  Campo Direto – A região especificada é irradiada apenas por um campo.  Campos Paralelos e Opostos – O tumor é irradiado a partir de dois campos opostos (180º)  Três Campos – Os campos são irradiados em forma de “Y” ou “T” usando também angulações.
  • 44. TÉCNICAS DE TRATAMENTO  Fracionamento – São aplicadas pequenas doses até atingir a dose total calculada para o tratamento.  Campo Direto – A região especificada é irradiada apenas por um campo.  Campos Paralelos e Opostos – O tumor é irradiado a partir de dois campos opostos (180º)  Três Campos – Os campos são irradiados em forma de “Y” ou “T” usando também angulações.  Quatro Campos – Os campos são irradiados em forma de “+” ou “X” sendo estes angulados ou não.  Técnica de Kaplan – Técnica específica usada no tratamento do mal de Hodgkin’s.  Múltiplos Campos – Planejamento livre de quantos campos for necessário visando desvio de regiões críticas.
  • 45. CALCULO DE ISODOSE  Significado do termo Isodose  Cartas e Mapas de Isodose  Distancia Foco-Superfície e Penetrabilidade da Radiação  Calculos simulando vários tipos de tratamento
  • 47. CALCULO DE ISODOSE  Significado do termo Isodose  Cartas e Mapas de Isodose  Distancia Foco-Superfície e Penetrabilidade da Radiação  Calculos simulando vários tipos de tratamento
  • 48. PASSO A PASSO DO PLANEJAMENTO AO TRATAMENTO