SlideShare uma empresa Scribd logo
O QUE É FILOSOFIA II
As espécies de jusnaturalismo na história da filosofia
jurídico-política
O vocábulo jusnaturalismo originou-se de duas palavras
latinas: ius, que significa direito, justiça, e naturale, que
significa natural.
Embora o momento maior do direito natural relacione-se
aos séculos XVII e XVIII com a presença dos pensadores
John Locke, Hugo Grócio, Rousseau e Kant, desde o séc.
V a.C. o conceito de direito natural encontra-se na tragédia
grega de Sófocles.
Questionando o decreto de Creonte, Antígona torna-se um
símbolo do direito natural, direito esse fundamentado na
vontade dos deuses, nas tradições e nos costumes.
Podemos classificar o direito natural em três tipos:
a)O direito natural como expressão do desígnio dos
deuses.
b)O direito natural no sentido estrito, co-natural a todos
os seres animados à guisa de instinto.
c)Como resultante da razão humana.
.
Durante a idade média, no séc. XII, Graciano, um dos líderes
da igreja, interpretou o direito natural como sendo uma
manifestação da vontade de Deus revelada no Decálogo e
nos Evangelhos.
Mais tarde, no séc. XIII, São Tomás de Aquino interpretou o
direito natural como sendo um reflexo da ordem existente na
mente de Deus impregnada à razão humana. Neste sentido,
o direito natural é fruto da própria razão.
No séc. XVIII houve três grandes revoluções: a Revolução
Industrial (1750), a Revolução Americana (1776), e a
Revolução Francesa (1789).
Tanto a Revolução Americana quanto a Revolução
Francesa consideraram o direito natural como um direito
inato ou um direito inalienável.
A Independência Americana, em sua declaração, traçou o
direito natural exprimindo-o por meio da liberdade de
expressão, do direito à vida e do direito a ser feliz.
A Revolução Francesa apropriou-se do direito natural
manifestando-o mediante o direito à liberdade, o direito à
igualdade e o direito à propriedade.
No séc. XVII, o jurista holandês Hugo Grócio, no ano de
1625, escreveu o primeiro tratado de direito internacional,
intitulado ‘’De iuri belli ac pacis’’ (Do direito da guerra e da
paz) e nesse tratado afirmou o direito natural como fruto da
razão humana, dissociando-o da vontade de Deus e de sua
própria existência.
Hugo Grócio concebeu o direito natural como seria admitido
por todos os países na modernidade.
As duas tradições de liberdade:
A liberdade anglicana e a liberdade galicana
A liberdade não é um estado natural, é uma conquista da
civilização. O conceito de liberdade, como nós o
interpretamos, surgiu no século XVIII na Inglaterra e na
França. Os ingleses conheciam a liberdade, os franceses não.
A liberdade anglicana é empírica e assistemática,
fundamentou-se nas tradições, nos costumes e na
jurisprudência do direito consuetudinário.
A liberdade galicana é especulativa e racionalista e
fundamenta-se no sonho utópico dos revolucionários
franceses.
Podemos considerar a existência de alguns tipos de
liberdade: a liberdade física, a liberdade jurídica, a liberdade
política, a liberdade religiosa, a liberdade econômica e a
liberdade profissional.
A liberdade física
É o direito de locomoção, o direito de ir e vir, direito esse
que nos é assegurada pela Constituição Brasileira. Quando
infringimos uma lei ou norma jurídica, podemos ser privados
dessa liberdade. Diante desse fato, na iminência de uma
prisão que consideremos ilegal, cabe-nos o recurso do
habeas-corpus, recurso que poderá devolver-nos a
liberdade de locomoção que muitas vezes deixamos de
valorizar.
A liberdade jurídica
É a igualdade de todos os cidadãos perante as leis
(isonomia).
A liberdade política
É a liberdade ideológica, a liberdade de exercer o escrutínio,
de eleger livremente os nossos representantes e os nossos
governantes, segundo os propósitos e os ideais políticos de
cada cidadão.
A liberdade religiosa
É a liberdade de culto, o direito de exercer livremente a sua
crença.
A liberdade econômica
Possibilita ao cidadão desfrutar de privilégios
resultantes do seu trabalho e das suas conquistas
materiais; o privilégio da formação acadêmica e de
conhecer culturas de outros países, de viver com
dignidade.
A liberdade Profissional
É o direito de escolha de sua profissão, é a realização
de um sonho pessoal.
Valor moral e valor jurídico
Existem dois tipos de consciência: a consciência
psicológica e a consciência moral.
A consciência psicológica é o conhecimento de nós
mesmos, das pessoas com as quais compartilhamos as
nossas vidas, da realidade a qual pertencemos.
A consciência moral é uma espécie de voz interior que
antecede as nossas ações. Obedecendo-a, somos
alcançadas por uma força recompensadora que se traduz
por uma sensação de bem-estar e de dever cumprido;
desobedecendo-a, somos alcançados por uma força
condenatória que se traduz pelo arrependimento e pelo
remorso.
Etapas do desenvolvimento da consciência moral
São quatro: anomia, heteronomia, socionomia e autonomia.
Anomia: É um estágio no qual o indivíduo age, buscando o
prazer ou fugindo da dor. É uma atitude inconsequente, cujos
resultados muitas vezes são trágicos.
Heteronomia: A heteronomia caracteriza um comportamento
que obedece às normas existentes com o objetivo de receber
uma recompensa ou temendo o castigo. Obedecemos às
normas apenas quando estamos sendo vigiados.
Socionomia: Um comportamento moral que procura
agradar ao grupo do qual fazemos parte ou às pessoas
com as quais convivemos. Muitas vezes a influência sobre
a nossa postura é exercida pela mídia, pelos meios de
comunicação.
Autonomia: Interiorizamos as normas e as leis existentes
e cumprimo-las ou deixamos de cumpri-las de acordo com
a nossa consciência.
A moral é o conjunto de normas que regulam o
comportamento do homem na sociedade. São as leis que
regem esse comportamento.
A ética é a reflexão sobre a postura ou o comportamento do
homem diante das leis existentes. Cumprindo-as, o homem
é ético; descumprindo-as, é antiético.
Existem dois planos na moral: o normativo e o factual.
O plano normativo abrange a elaboração das leis ou das
normas existentes, desde a sua aceitação social até a sua
codificação.
O plano factual é o da ação, quando o que a lei determina
é posto em prática.
Diferenças entre o valor moral e o valor jurídico
O valor moral possui uma coação interna, exercida pela
nossa própria consciência; o valor jurídico possui uma
coação externa exercida pelo Estado diante de um ato
transgressor.
O valor moral antecede em muito ao valor jurídico, existindo
como um princípio de convivência social muito antes de
tornar-se uma lei e ser codificada.
O valor jurídico caracteriza-se pela exterioridade, isto é, as
leis não dependem da nossa vontade, simplesmente temos
de cumpri-las.
O valor moral tem como característica a interioridade.
Ética e política: Maquiavel, John Locke, Montesquieu e
Rousseau
A palavra política originou-se do grego pólis, que
caracterizava a cidade-estado da Antiga Grécia, onde a
democracia passou a ser exercida a partir do século V a.C.
Aristóteles escreveu um livro sobre política, nesse livro ele
propõe a existência de três tipos de poder: o poder
paterno, o poder despótico e o poder político.
O poder paterno é exercido a favor dos filhos; o poder
despótico é exercido a favor do senhor; o poder político é
exercido a favor de quem governa ou dos que são
governados.
Nessa mesma obra, Aristóteles propõe três formas
de governo: a monarquia (governo de um só), a
oligarquia (governo de poucos) e a democracia (o
governo de muitos ou da maioria).
Maquiavel representa uma nova fase da ciência política,
dissociando-a da teologia e da religião, eximindo-a da
responsabilidade ética.
Um dos grandes vultos da história da filosofia política é o
médico e filósofo inglês John Locke.
Devemos a John Locke a estruturação dos quatro pilares
do iluminismo:
Igualdade jurídica
Tolerância religiosa
Liberdade de expressão
Direito à propriedade
O ápice da filosofia iluminista ocorreu na França e foram os
seus maiores representantes: Montesquieu, Voltaire,
Rousseau, Diderot e D’Alembert.
Montesquieu, no livro Do Espírito das Leis, propõe o poder
tripartite diante de uma Europa Absolutista em que o poder
centralizava-se nas mãos do rei. A tripartição dos poderes,
segundo Montesquieu, caracteriza o estado democrático de
direito e compõe-se do legislativo, do executivo e do
judiciário.
Voltaire foi um opositor implacável das interferências
exercidas pela igreja sobre o Estado, propondo a laicização
do Estado.
Rousseau, autor do livro Do Contrato Social, foi o mais
democrata dos pensadores iluministas. Defendeu a
liberdade como sendo um direito pertencente a todos os
homens, conceituando-a como uma aspiração, como uma
conquista a ser consumada. Propôs que os cidadãos
fossem capazes de eleger os seus governantes.
Diderot e D’Alembert foram responsáveis pela
elaboração da primeira enciclopédia, composta de 33
volumes, abrangendo o conhecimento do homem desde
os primórdios da história até a ideologia iluminista.
Contraponto entre as teorias contratualistas de
Rousseau e Hobbes
Podemos afirmar que existem duas teorias contratualistas:
um contratualismo pessimista e um contratualismo otimista.
O contratualismo pessimista vincula-se ao texto de Hobbes:
“Leviatã’’, e o contratualismo otimista ao texto de Rousseau:
‘’Do Contrato Social’.
Miguel Reale, uma das grandes expressões do direito no
Brasil, considera que nem Hobbes e nem Rousseau tiveram
a pretensão de elaborar teorias históricas a respeito da
origem do Estado. Ambos discorreram de forma figurativa ou
alegórica aquele momento relacionado ao pacto ou ao
contrato social.
Para Hobbes, o homem é mau por natureza e
desde os primórdios assumiu uma atitude
aguerrida diante dos seus semelhantes. Essa
proposição levou Rousseau a afirmar que o
homem, em Hobbes, nunca vivenciou o estado de
natureza e sim o estado de guerra. Para
Rousseau, Hobbes interpreta o homem natural
partindo do homem civil.
O pacto social, em Hobbes, caracteriza uma
necessidade irreversível, pois se o mesmo não
existisse os homens, lutando uns contra os outros,
seriam eliminados: ‘’homo homini lupus’’ (o homem
é o lobo do homem).
Para Hobbes há três fatores que levam o homem a
guerra: a competição, a desconfiança e a reputação.
Competição: é a disputa pelo poder. Poder que, segundo
Hobbes, pode ser conquistado pela força ou pela
inteligência. Para alcançá-lo, os homens não medem
esforços e lutam entre si.
Desconfiança: tendo alcançado o poder, o governante
visualiza todas as pessoas como pretendentes a usurpar-
lhe o cargo.
Reputação: Ocorre quando a honra é atingida, quando
denúncias falsas depõem contra o governante.
Rousseau considera que o homem é bom por natureza e
que vivendo sozinho, praticando a caça, a pesca e a coleta
de frutos, usufruía de uma vivencia paradisíaca. Quando
alguém apropriou-se de um pedaço de terra e considerou-o
de sua propriedade, o conflito entre os homens teve início.
Para Rousseau a sociedade corrompeu o homem.
A ideia contratualista do pensador francês considera que
houve um comportamento espontâneo, por meio do qual os
homens delegaram os seus direitos individuais e a sua
liberdade plena à instituição do Estado, instituição essa que
teria como finalidade assegurar os direitos e a liberdade de
todos.
Direito e liberdade em Kant: A ética autônoma de Kant.
O Imperativo Categórico
Immanuel Kant foi o grande representante do iluminismo na
Alemanha. Pertence-lhe a seguinte expressão: “Duas coisas
causam-me admiração: acima de mim o céu estrelado e,
dentro de mim, a lei moral’’.
Professor de uma universidade na Alemanha durante 40 anos,
Kant escreveu algumas obras que o tornaram célebre.
Citemos: “O que é o Iluminismo”, ‘’Crítica da Razão Pura’’ e
‘’Crítica da Razão Prática’’.
No livro ‘’O que é o Iluminismo’’, Kant conceitua o movimento
filosófico que exerceu uma influência marcante nos
movimentos político-sociais do século XVIII. Concede-nos uma
visão da exaltação da razão que foi a característica
significativa da ilustração.
No livro ‘’Crítica da Razão Pura’’ o filósofo reflete sobre o
conhecimento, a capacidade do conhecimento, isto é, até
onde nós somos capazes de conhecer. Kant considera que
ideias como a da alma humana e de Deus são
incognoscíveis ao homem.
Em ‘’Crítica da Razão Prática’’ o homem é o motivo da
reflexão. A abordagem temática é o comportamento do
homem. Para Kant, o nosso comportamento não necessita
de princípios religiosos que o conduzam, nem de normas
proibitivas, o homem é capaz, por si mesmo, de traçar
normas comportamentais para o seu viver. O homem é o
único responsável pelo seu comportamento e capaz de
distinguir entre o bem e o mal sem a influência de nenhuma
circunstância ou causa externas.
Dentro dessa proposição, surge O Imperativo Categórico
que pode ser sintetizado na seguinte frase:
‘’Age de tal forma que o princípio moral de tua ação possa
tornar-se uma lei universal. ’’
Direito e liberdade em Kant
O direito é um conjunto de condições pelas quais a vontade
de cada um possa concordar com a vontade de outros,
sempre dentro de um clima geral de liberdade.
A liberdade é um processo de conquista ininterrupta. O
homem somente estrutura-se existencialmente à medida
que vai conquistando a sua liberdade.
Para Kant, os homens são livres e iguais por natureza. O
seu conceito de soberania interpreta-a como pertencente a
um povo. A vontade geral é a origem de todas as leis. As
leis somente são justas quando o povo concede-lhes o seu
consentimento.
Kant dividiu o direito público em direito político, direito
da gentes e direito cosmopolita.
a)Direito político: é o quadro de normas estabelecidas
pelo conjunto das pessoas que delegam ao Estado
poderes para proteger a liberdade dos cidadãos.
b) Direito da gentes: abrange direitos e deveres dos
cidadãos.
c) Direito cosmopolita: é o direito internacional. Kant
viabilizou a criação de um liga de nações que fosse
capaz de representar a vontade dos países europeus.
Existem dois tipos de Estado: o Estado ideal e o Estado
real. O Estado ideal origina-se de um pacto voluntário feito
pelos cidadãos e o Estado real depende das circunstâncias
históricas. No Estado real as pessoas que detêm o poder
possuem a soberania; no Estado real a origem do poder é
a força.
Kant considera a existência de dois tipos de conhecimento:
o empírico ou aposteriori e o conhecimento puro ou apriori:
a) O conhecimento empírico: é o conhecimento
fundamentado na experiência, nos sentidos.
b) O conhecimento puro: é um conhecimento
fundamentado na razão, isto é, um conhecimento que não
se submete a uma experiência sensorial.
A Filosofia de Existência
A filosofia da existência ou o existencialismo é uma
reflexão a respeito do homem pós-revolução industrial.
O existencialismo inicia-se com o filosofo dinamarquês
Kierkegaard, considerado “o pai do existencialismo”.
Para ele, o homem submete-se a três estágios
existenciais: o estágio estético ou sensível, o estágio
ético ou refletido e o estágio religioso ou absoluto.
a) O estágio estético ou sensível: é a procura do novo, do
inusitado, de uma experiência ou de uma sensação nunca
ocorridas com o intuito de desfrutá-las plena e intensamente.
b) O estágio ético ou refletido: pertence àquele instante em
que refletimos com gravidade sobre as nossas vidas, os
nossos objetivos existenciais, os nossos problemas, as nossas
aspirações, etc.
c) O estágio religioso ou absoluto: caracteriza um momento
existencial em que o homem procura uma comunhão com o
transcendente, com o sobrenatural, mediante uma experiência
mística, esotérica ou espiritual com o propósito de sentir-se
consolado diante das perdas e das agruras existenciais.
Para Kierkegaard, “viver é apaixonar-se pela vida”.
Existe uma diferença entre o homem e os demais animais.
Os demais animais simplesmente existem e usufruem
instintivamente da existência. O homem, além de existir,
tem consciência de sua existência.
A transcendência do ético em Kierkegaard
O filósofo considera que, muitas vezes, um princípio ético
é suspenso temporariamente para ceder lugar a um
principio religioso ou cívico. Esta postura é conceituada
como a transcendência do ético. O próprio Kierkegaard
exemplifica a sua teoria, refletindo sobre o episódio
bíblico que envolve Abraão e Isaque (Gn 22.1-10).
Kierkegaard considera que o principio ético do “não
matarás’’ foi temporariamente suspenso para ceder lugar
ao princípio religioso que exigia o cumprimento da ordem
divina por parte de Abraão: o sacrifício do seu único filho.
A transvaloração do ético
Nietzsche foi um dos grandes nomes da filosofia alemã,
autor de vários livros, dentre os quais, ‘’Assim falou Zaratrusta’’,
‘’Além do bem e do mal’’ ‘’Humano demasiadamente humano’’,
etc. Nietzsche considerou que a moral cristã é a ‘’moral dos
fracos’’ uma ‘’moral de rebanho’’ e propôs uma mudança do
comportamento ético, considerando que o homem deve aprender
a amar as coisas da terra e não se deixar iludir com as
promessas fantasiosas de uma outra realidade.
O conceito filosófico de Nietzsche propõe que o homem seja
capaz por si mesmo de resolver os seus problemas e dilemas
existenciais, sem a ajuda do sobrenatural. Para Nietzsche ‘’Deus
está morto – os homens o mataram’’. A ideia da morte de Deus
concebe o super-homem, o homem que luta sozinho para
superar os desafios de sua vida.
A negação do ético
Heidegger, uma das grandes expressões do
existencialismo na Alemanha, exerceu uma forte
influencia sobre Sartre, o expoente francês da Filosofia
da Existência.
No livro ‘’Ser e o Tempo’’, um estudo ontológico, o
homem é um ser angustiado diante da irreversibilidade
da morte – o homem é um ser que caminha para a morte,
entretanto, é livre para construir em liberdade a sua
própria existência e desfrutar com intensidade o
momento vivido.
Jean Paul Sartre, filósofo existencialista francês,
participou da resistência francesa durante a ocupação
alemã, possui uma imensa obra literária que exprime a sua
visão filosófica, ganhou o Premio Nobel de literatura e
recusou-o, como uma atitude de contestação à presença
francesa em território africano (Argélia). Entre as suas
obras existem romances, peças teatrais, novelas e textos
filosóficos propriamente ditos: ‘’A Idade da Razão’’
(romance), ‘’A Prostituta Respeitosa’’ (teatro), ‘’Entre
Quatro Paredes’’ teatro), ‘’ ‘’O ser e o nada’’ (a essência do
seu pensamento filosófico), ‘’O existencialismo é o
humanismo’’ em que afirma a síntese do seu pensamento:
‘’a existência precede a essência’’. Isto significa que, ao
nascermos, somos apenas matéria e que,
progressivamente, vamos construindo a nossa identidade
interior, a nossa essência.
A Escola de Viena e a Escola de Frankfurt
No século XX houve duas correntes de pensamento da
maior importância para a cultura europeia: A Escola de
Viena e A Escola de Frankfurt.
Pertenceram à Escola de Viena, dentre outros, Freud e
Hans Kelsen. O primeiro é considerado o pai da
psicanálise, e, o segundo, a maior expressão da filosofia
jurídica no século XX.
Pertenceram à Escola de Frankfurt: Habermas, o filósofo
da Comunicação; Marcuse, que reflete sobre “o princípio
do prazer” e “o princípio da realidade”, e Erich Fromm,
filósofo e psicólogo alemão.
Erich Fromm foi um dos críticos mais contundentes da
tecnologia, do automatismo, da cibernética. Afirmou que o
homem inventou o computador com o propósito de
desfrutar de uma vida prazerosa, o que não aconteceu:
simplesmente as máquinas os substituíram.
Para o filósofo alemão o homem contemporâneo precisa
reaprender o amor próprio, a autoestima, caso contrario,
jamais será capaz de amar a si mesmo e aos seus
semelhantes. O conteúdo dessa proposição encontra-se
no belíssimo livro “A arte de amar”.
Para Erich Fromm existem dois tipos de ética: a ética
autoritária e a ética humanista.
Ética autoritária
Quem decide o que é bom ou mau, certo ou errado, para
o cidadão ou para o operário, é uma autoridade que o
transcende e que pode ser representada pelo Estado ou
pelo empresário. O que é bom ou mau, certo ou errado, é
bom ou mau para o Estado e para o empresário e não
para o cidadão ou o operário.
Ética humanista
É antropocêntrica, no sentido de valorizar o homem.
Quem decide o que é bom ou mau, certo ou errado é o
próprio cidadão, ou, no caso de uma empresa, o
funcionário ou o operário. O que é bom ou mau, certo ou
errado, é bom ou mau para o cidadão, para o
funcionário, para o operário e não para a autoridade que
os transcende.
www.palavrar.com
Um espaço para poesia, literatura, discussões de textos
acadêmicos e divulgação da cultura.
Professores Responsáveis: Ivana Ribeiro e Humberto de Aragão

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Hermenêutica 3ª avaliação
Hermenêutica 3ª avaliaçãoHermenêutica 3ª avaliação
Hermenêutica 3ª avaliação
Aurilandia Leal
 
Teoria Geral do Estado - Aula 2
Teoria Geral do Estado - Aula 2Teoria Geral do Estado - Aula 2
Teoria Geral do Estado - Aula 2
Carlagi Gi
 
Aula filosofia do-direito-rousseau
Aula filosofia do-direito-rousseauAula filosofia do-direito-rousseau
Aula filosofia do-direito-rousseau
ElisangelaeOtavio Parreira M. Barduzzi
 
Caderno diário a filosofia das luzes 1314
Caderno diário a filosofia das luzes 1314Caderno diário a filosofia das luzes 1314
Caderno diário a filosofia das luzes 1314
Laboratório de História
 
Os contratualistas: Hobbes e Locke
Os contratualistas: Hobbes e LockeOs contratualistas: Hobbes e Locke
Os contratualistas: Hobbes e Locke
Rogerio Terra
 
Locke, Liberdade, Igualdade e Propriedade
Locke, Liberdade, Igualdade e PropriedadeLocke, Liberdade, Igualdade e Propriedade
Locke, Liberdade, Igualdade e Propriedade
erp_ufabc
 
Módulo 4 a filosofia das luzes
Módulo 4   a filosofia das luzesMódulo 4   a filosofia das luzes
Módulo 4 a filosofia das luzes
Escoladocs
 
TEORIA CONTRATUALISTA SEGUNDO Rosseau,Hobbes, Locke.
TEORIA CONTRATUALISTA SEGUNDO Rosseau,Hobbes, Locke.TEORIA CONTRATUALISTA SEGUNDO Rosseau,Hobbes, Locke.
TEORIA CONTRATUALISTA SEGUNDO Rosseau,Hobbes, Locke.
Nábila Quennet
 
jusnaturalismo e contraltualismo-unama
 jusnaturalismo e contraltualismo-unama jusnaturalismo e contraltualismo-unama
jusnaturalismo e contraltualismo-unama
N C
 
Os contratualistas
Os contratualistasOs contratualistas
Os contratualistas
Isabella Silva
 
O Iluminismo (ou Filosofia das luzes)
O Iluminismo (ou Filosofia das luzes)O Iluminismo (ou Filosofia das luzes)
O Iluminismo (ou Filosofia das luzes)
Joana Filipa Rodrigues
 
2 Ano_Contratualismo2 ano contratualismo
2 Ano_Contratualismo2 ano contratualismo2 Ano_Contratualismo2 ano contratualismo
2 Ano_Contratualismo2 ano contratualismo
Sandra Wirthmann
 
Contratualismo e Hobbes
Contratualismo e HobbesContratualismo e Hobbes
Contratualismo e Hobbes
Tércio De Santana
 
Aula 19 - O Contratualismo - Thomas Hobbes
Aula 19 - O Contratualismo - Thomas HobbesAula 19 - O Contratualismo - Thomas Hobbes
Aula 19 - O Contratualismo - Thomas Hobbes
Claudio Henrique Ramos Sales
 
História A - Filosofia das Luzes
História A - Filosofia das LuzesHistória A - Filosofia das Luzes
História A - Filosofia das Luzes
Daniela Paiva
 
O contratualismo hobbes, locke e rouseau aula 08
O contratualismo hobbes, locke e rouseau aula 08O contratualismo hobbes, locke e rouseau aula 08
O contratualismo hobbes, locke e rouseau aula 08
Rodrigo Cisco
 
05. contrato social thomas hobbes
05. contrato social   thomas hobbes05. contrato social   thomas hobbes
05. contrato social thomas hobbes
Hernando Professor
 
06. contrato social john locke
06. contrato social   john locke06. contrato social   john locke
06. contrato social john locke
Hernando Professor
 
Filo 25 tp augusto
Filo 25 tp augustoFilo 25 tp augusto
Filo 25 tp augusto
alemisturini
 

Mais procurados (19)

Hermenêutica 3ª avaliação
Hermenêutica 3ª avaliaçãoHermenêutica 3ª avaliação
Hermenêutica 3ª avaliação
 
Teoria Geral do Estado - Aula 2
Teoria Geral do Estado - Aula 2Teoria Geral do Estado - Aula 2
Teoria Geral do Estado - Aula 2
 
Aula filosofia do-direito-rousseau
Aula filosofia do-direito-rousseauAula filosofia do-direito-rousseau
Aula filosofia do-direito-rousseau
 
Caderno diário a filosofia das luzes 1314
Caderno diário a filosofia das luzes 1314Caderno diário a filosofia das luzes 1314
Caderno diário a filosofia das luzes 1314
 
Os contratualistas: Hobbes e Locke
Os contratualistas: Hobbes e LockeOs contratualistas: Hobbes e Locke
Os contratualistas: Hobbes e Locke
 
Locke, Liberdade, Igualdade e Propriedade
Locke, Liberdade, Igualdade e PropriedadeLocke, Liberdade, Igualdade e Propriedade
Locke, Liberdade, Igualdade e Propriedade
 
Módulo 4 a filosofia das luzes
Módulo 4   a filosofia das luzesMódulo 4   a filosofia das luzes
Módulo 4 a filosofia das luzes
 
TEORIA CONTRATUALISTA SEGUNDO Rosseau,Hobbes, Locke.
TEORIA CONTRATUALISTA SEGUNDO Rosseau,Hobbes, Locke.TEORIA CONTRATUALISTA SEGUNDO Rosseau,Hobbes, Locke.
TEORIA CONTRATUALISTA SEGUNDO Rosseau,Hobbes, Locke.
 
jusnaturalismo e contraltualismo-unama
 jusnaturalismo e contraltualismo-unama jusnaturalismo e contraltualismo-unama
jusnaturalismo e contraltualismo-unama
 
Os contratualistas
Os contratualistasOs contratualistas
Os contratualistas
 
O Iluminismo (ou Filosofia das luzes)
O Iluminismo (ou Filosofia das luzes)O Iluminismo (ou Filosofia das luzes)
O Iluminismo (ou Filosofia das luzes)
 
2 Ano_Contratualismo2 ano contratualismo
2 Ano_Contratualismo2 ano contratualismo2 Ano_Contratualismo2 ano contratualismo
2 Ano_Contratualismo2 ano contratualismo
 
Contratualismo e Hobbes
Contratualismo e HobbesContratualismo e Hobbes
Contratualismo e Hobbes
 
Aula 19 - O Contratualismo - Thomas Hobbes
Aula 19 - O Contratualismo - Thomas HobbesAula 19 - O Contratualismo - Thomas Hobbes
Aula 19 - O Contratualismo - Thomas Hobbes
 
História A - Filosofia das Luzes
História A - Filosofia das LuzesHistória A - Filosofia das Luzes
História A - Filosofia das Luzes
 
O contratualismo hobbes, locke e rouseau aula 08
O contratualismo hobbes, locke e rouseau aula 08O contratualismo hobbes, locke e rouseau aula 08
O contratualismo hobbes, locke e rouseau aula 08
 
05. contrato social thomas hobbes
05. contrato social   thomas hobbes05. contrato social   thomas hobbes
05. contrato social thomas hobbes
 
06. contrato social john locke
06. contrato social   john locke06. contrato social   john locke
06. contrato social john locke
 
Filo 25 tp augusto
Filo 25 tp augustoFilo 25 tp augusto
Filo 25 tp augusto
 

Destaque

Filosofia i
Filosofia iFilosofia i
Filosofia i
Felipe Hiago
 
A filosofia da existência (2)
A filosofia da existência (2)A filosofia da existência (2)
A filosofia da existência (2)
TMSouza123
 
A Liberdade
A LiberdadeA Liberdade
A Liberdade
Danniel Monteiro
 
Filosofia
FilosofiaFilosofia
Filosofia
cleiton denez
 
Revisão Geral da História da Filosofia
Revisão Geral da História da FilosofiaRevisão Geral da História da Filosofia
Revisão Geral da História da Filosofia
Alan
 
Filosofia - Heráclito de Éfeso - Prof.Altair Aguilar.
 Filosofia - Heráclito de Éfeso - Prof.Altair Aguilar. Filosofia - Heráclito de Éfeso - Prof.Altair Aguilar.
Filosofia - Heráclito de Éfeso - Prof.Altair Aguilar.
Altair Moisés Aguilar
 
Heráclito de éfeso
Heráclito de éfesoHeráclito de éfeso
Heráclito de éfeso
Larissa Yamazaki
 
Aula de filosofia antiga, tema: Heráclito de Éfeso
Aula de filosofia antiga, tema: Heráclito de ÉfesoAula de filosofia antiga, tema: Heráclito de Éfeso
Aula de filosofia antiga, tema: Heráclito de Éfeso
Leandro Nazareth Souto
 
Heraclito
HeraclitoHeraclito

Destaque (9)

Filosofia i
Filosofia iFilosofia i
Filosofia i
 
A filosofia da existência (2)
A filosofia da existência (2)A filosofia da existência (2)
A filosofia da existência (2)
 
A Liberdade
A LiberdadeA Liberdade
A Liberdade
 
Filosofia
FilosofiaFilosofia
Filosofia
 
Revisão Geral da História da Filosofia
Revisão Geral da História da FilosofiaRevisão Geral da História da Filosofia
Revisão Geral da História da Filosofia
 
Filosofia - Heráclito de Éfeso - Prof.Altair Aguilar.
 Filosofia - Heráclito de Éfeso - Prof.Altair Aguilar. Filosofia - Heráclito de Éfeso - Prof.Altair Aguilar.
Filosofia - Heráclito de Éfeso - Prof.Altair Aguilar.
 
Heráclito de éfeso
Heráclito de éfesoHeráclito de éfeso
Heráclito de éfeso
 
Aula de filosofia antiga, tema: Heráclito de Éfeso
Aula de filosofia antiga, tema: Heráclito de ÉfesoAula de filosofia antiga, tema: Heráclito de Éfeso
Aula de filosofia antiga, tema: Heráclito de Éfeso
 
Heraclito
HeraclitoHeraclito
Heraclito
 

Semelhante a Filosofia 2

A filosofia das luzes resumo
A filosofia das luzes resumoA filosofia das luzes resumo
A filosofia das luzes resumo
Escoladocs
 
Iluminismo
Iluminismo Iluminismo
Iluminismo
Susana Simões
 
trabalho faculdade sobre direito penal..
trabalho faculdade sobre direito penal..trabalho faculdade sobre direito penal..
trabalho faculdade sobre direito penal..
JonasNeves14
 
Racionalismo, empirismo e iluminismo roberta elisa vicari 22 mp
Racionalismo, empirismo e iluminismo roberta elisa vicari 22 mpRacionalismo, empirismo e iluminismo roberta elisa vicari 22 mp
Racionalismo, empirismo e iluminismo roberta elisa vicari 22 mp
alemisturini
 
4 04 construcao da modernidade europeia.pptx
4 04 construcao da modernidade europeia.pptx4 04 construcao da modernidade europeia.pptx
4 04 construcao da modernidade europeia.pptx
Vítor Santos
 
SLIDES_Aula 03- DIREITO MODERNO.ppt
SLIDES_Aula 03- DIREITO MODERNO.pptSLIDES_Aula 03- DIREITO MODERNO.ppt
SLIDES_Aula 03- DIREITO MODERNO.ppt
ClaudiaSiano
 
Racionalismo, empirismo e iluminismo rafalela 24 tp
Racionalismo, empirismo e iluminismo rafalela 24 tpRacionalismo, empirismo e iluminismo rafalela 24 tp
Racionalismo, empirismo e iluminismo rafalela 24 tp
alemisturini
 
Relação entre filosofia e democracia
Relação entre filosofia e democraciaRelação entre filosofia e democracia
Relação entre filosofia e democracia
Leandro Kadota
 
Slides Ciências Sociais Unidade I.pdf
Slides Ciências Sociais Unidade I.pdfSlides Ciências Sociais Unidade I.pdf
Slides Ciências Sociais Unidade I.pdf
BrendaBorges35
 
Caderno diário A Filosofia das Luzes n.º7 1415
Caderno diário A Filosofia das Luzes n.º7 1415Caderno diário A Filosofia das Luzes n.º7 1415
Caderno diário A Filosofia das Luzes n.º7 1415
Laboratório de História
 
Política.pdf
Política.pdfPolítica.pdf
Política.pdf
ProfesMonteiro
 
Ideias revolucionárias dos séculos XVII e XVIII
Ideias revolucionárias dos séculos XVII e XVIIIIdeias revolucionárias dos séculos XVII e XVIII
Ideias revolucionárias dos séculos XVII e XVIII
eduardodemiranda
 
Ciencias sociais power point[1][1][1]
Ciencias sociais   power point[1][1][1]Ciencias sociais   power point[1][1][1]
Ciencias sociais power point[1][1][1]
161912
 
19631086 apostila-de-direitos-humanos
19631086 apostila-de-direitos-humanos19631086 apostila-de-direitos-humanos
19631086 apostila-de-direitos-humanos
José Anderson
 
O iiLUMINISMO
O iiLUMINISMOO iiLUMINISMO
Interesse Nacional e Sistema de Partidos - Legitimidade Eleitoral, Legitimida...
Interesse Nacional e Sistema de Partidos - Legitimidade Eleitoral, Legitimida...Interesse Nacional e Sistema de Partidos - Legitimidade Eleitoral, Legitimida...
Interesse Nacional e Sistema de Partidos - Legitimidade Eleitoral, Legitimida...
A. Rui Teixeira Santos
 
Cidadania moderna direitos civis
Cidadania moderna   direitos civisCidadania moderna   direitos civis
Cidadania moderna direitos civis
Manoelito Filho Soares
 
Unidade 4
Unidade 4Unidade 4
Unidade 4
Daniele Moura
 
Curso De Direitos Humanos Aula Itesp Dia 03 MarçO De 2010
Curso De Direitos Humanos   Aula Itesp Dia 03 MarçO De 2010Curso De Direitos Humanos   Aula Itesp Dia 03 MarçO De 2010
Curso De Direitos Humanos Aula Itesp Dia 03 MarçO De 2010
ElenitaPimentel
 
Trabalho de filo joice 21 mp
Trabalho de filo joice 21 mpTrabalho de filo joice 21 mp
Trabalho de filo joice 21 mp
alemisturini
 

Semelhante a Filosofia 2 (20)

A filosofia das luzes resumo
A filosofia das luzes resumoA filosofia das luzes resumo
A filosofia das luzes resumo
 
Iluminismo
Iluminismo Iluminismo
Iluminismo
 
trabalho faculdade sobre direito penal..
trabalho faculdade sobre direito penal..trabalho faculdade sobre direito penal..
trabalho faculdade sobre direito penal..
 
Racionalismo, empirismo e iluminismo roberta elisa vicari 22 mp
Racionalismo, empirismo e iluminismo roberta elisa vicari 22 mpRacionalismo, empirismo e iluminismo roberta elisa vicari 22 mp
Racionalismo, empirismo e iluminismo roberta elisa vicari 22 mp
 
4 04 construcao da modernidade europeia.pptx
4 04 construcao da modernidade europeia.pptx4 04 construcao da modernidade europeia.pptx
4 04 construcao da modernidade europeia.pptx
 
SLIDES_Aula 03- DIREITO MODERNO.ppt
SLIDES_Aula 03- DIREITO MODERNO.pptSLIDES_Aula 03- DIREITO MODERNO.ppt
SLIDES_Aula 03- DIREITO MODERNO.ppt
 
Racionalismo, empirismo e iluminismo rafalela 24 tp
Racionalismo, empirismo e iluminismo rafalela 24 tpRacionalismo, empirismo e iluminismo rafalela 24 tp
Racionalismo, empirismo e iluminismo rafalela 24 tp
 
Relação entre filosofia e democracia
Relação entre filosofia e democraciaRelação entre filosofia e democracia
Relação entre filosofia e democracia
 
Slides Ciências Sociais Unidade I.pdf
Slides Ciências Sociais Unidade I.pdfSlides Ciências Sociais Unidade I.pdf
Slides Ciências Sociais Unidade I.pdf
 
Caderno diário A Filosofia das Luzes n.º7 1415
Caderno diário A Filosofia das Luzes n.º7 1415Caderno diário A Filosofia das Luzes n.º7 1415
Caderno diário A Filosofia das Luzes n.º7 1415
 
Política.pdf
Política.pdfPolítica.pdf
Política.pdf
 
Ideias revolucionárias dos séculos XVII e XVIII
Ideias revolucionárias dos séculos XVII e XVIIIIdeias revolucionárias dos séculos XVII e XVIII
Ideias revolucionárias dos séculos XVII e XVIII
 
Ciencias sociais power point[1][1][1]
Ciencias sociais   power point[1][1][1]Ciencias sociais   power point[1][1][1]
Ciencias sociais power point[1][1][1]
 
19631086 apostila-de-direitos-humanos
19631086 apostila-de-direitos-humanos19631086 apostila-de-direitos-humanos
19631086 apostila-de-direitos-humanos
 
O iiLUMINISMO
O iiLUMINISMOO iiLUMINISMO
O iiLUMINISMO
 
Interesse Nacional e Sistema de Partidos - Legitimidade Eleitoral, Legitimida...
Interesse Nacional e Sistema de Partidos - Legitimidade Eleitoral, Legitimida...Interesse Nacional e Sistema de Partidos - Legitimidade Eleitoral, Legitimida...
Interesse Nacional e Sistema de Partidos - Legitimidade Eleitoral, Legitimida...
 
Cidadania moderna direitos civis
Cidadania moderna   direitos civisCidadania moderna   direitos civis
Cidadania moderna direitos civis
 
Unidade 4
Unidade 4Unidade 4
Unidade 4
 
Curso De Direitos Humanos Aula Itesp Dia 03 MarçO De 2010
Curso De Direitos Humanos   Aula Itesp Dia 03 MarçO De 2010Curso De Direitos Humanos   Aula Itesp Dia 03 MarçO De 2010
Curso De Direitos Humanos Aula Itesp Dia 03 MarçO De 2010
 
Trabalho de filo joice 21 mp
Trabalho de filo joice 21 mpTrabalho de filo joice 21 mp
Trabalho de filo joice 21 mp
 

Mais de Felipe Hiago

Revolucao e guerra civil na Russia
Revolucao e guerra civil na RussiaRevolucao e guerra civil na Russia
Revolucao e guerra civil na Russia
Felipe Hiago
 
China o grande salto para frente
China o grande salto para frenteChina o grande salto para frente
China o grande salto para frente
Felipe Hiago
 
Comunismo na China
Comunismo na ChinaComunismo na China
Comunismo na China
Felipe Hiago
 
Hunt - Adam Smith
Hunt - Adam SmithHunt - Adam Smith
Hunt - Adam Smith
Felipe Hiago
 
Aula 6 integração jurídica
Aula 6 integração jurídicaAula 6 integração jurídica
Aula 6 integração jurídica
Felipe Hiago
 
Aula 5 interpretação jurídica
Aula 5 interpretação jurídicaAula 5 interpretação jurídica
Aula 5 interpretação jurídica
Felipe Hiago
 
Aula 4 interpretação jurídica
Aula 4 interpretação jurídicaAula 4 interpretação jurídica
Aula 4 interpretação jurídica
Felipe Hiago
 
Aula 2 fontes do direito
Aula 2 fontes do direitoAula 2 fontes do direito
Aula 2 fontes do direito
Felipe Hiago
 
Aula 1 sistema jurídico
Aula 1 sistema jurídicoAula 1 sistema jurídico
Aula 1 sistema jurídico
Felipe Hiago
 
Aula 3 sistemas jurídicos mundiais
Aula 3 sistemas jurídicos mundiaisAula 3 sistemas jurídicos mundiais
Aula 3 sistemas jurídicos mundiais
Felipe Hiago
 
Slides - economia
Slides - economia Slides - economia
Slides - economia
Felipe Hiago
 
Metodologia - a linguagem científica (aula 4).
Metodologia - a linguagem científica (aula 4).Metodologia - a linguagem científica (aula 4).
Metodologia - a linguagem científica (aula 4).
Felipe Hiago
 
Marshall - economia (leitura apenas)
Marshall - economia (leitura apenas)Marshall - economia (leitura apenas)
Marshall - economia (leitura apenas)
Felipe Hiago
 
Formação do estado moderno - historia das RI
Formação do estado moderno - historia das RIFormação do estado moderno - historia das RI
Formação do estado moderno - historia das RI
Felipe Hiago
 
Brue fisiocratas
Brue fisiocratasBrue fisiocratas
Brue fisiocratas
Felipe Hiago
 
Exercício de formatação abnt
Exercício de formatação abntExercício de formatação abnt
Exercício de formatação abnt
Felipe Hiago
 
Normas da abnt – associação brasileiras de normas
Normas da abnt – associação brasileiras de normasNormas da abnt – associação brasileiras de normas
Normas da abnt – associação brasileiras de normas
Felipe Hiago
 
Abnt 2011
Abnt 2011Abnt 2011
Abnt 2011
Felipe Hiago
 
Raymond Aron
Raymond AronRaymond Aron
Raymond Aron
Felipe Hiago
 
Aula 1 - santos ciência politica
Aula 1 - santos ciência politicaAula 1 - santos ciência politica
Aula 1 - santos ciência politica
Felipe Hiago
 

Mais de Felipe Hiago (20)

Revolucao e guerra civil na Russia
Revolucao e guerra civil na RussiaRevolucao e guerra civil na Russia
Revolucao e guerra civil na Russia
 
China o grande salto para frente
China o grande salto para frenteChina o grande salto para frente
China o grande salto para frente
 
Comunismo na China
Comunismo na ChinaComunismo na China
Comunismo na China
 
Hunt - Adam Smith
Hunt - Adam SmithHunt - Adam Smith
Hunt - Adam Smith
 
Aula 6 integração jurídica
Aula 6 integração jurídicaAula 6 integração jurídica
Aula 6 integração jurídica
 
Aula 5 interpretação jurídica
Aula 5 interpretação jurídicaAula 5 interpretação jurídica
Aula 5 interpretação jurídica
 
Aula 4 interpretação jurídica
Aula 4 interpretação jurídicaAula 4 interpretação jurídica
Aula 4 interpretação jurídica
 
Aula 2 fontes do direito
Aula 2 fontes do direitoAula 2 fontes do direito
Aula 2 fontes do direito
 
Aula 1 sistema jurídico
Aula 1 sistema jurídicoAula 1 sistema jurídico
Aula 1 sistema jurídico
 
Aula 3 sistemas jurídicos mundiais
Aula 3 sistemas jurídicos mundiaisAula 3 sistemas jurídicos mundiais
Aula 3 sistemas jurídicos mundiais
 
Slides - economia
Slides - economia Slides - economia
Slides - economia
 
Metodologia - a linguagem científica (aula 4).
Metodologia - a linguagem científica (aula 4).Metodologia - a linguagem científica (aula 4).
Metodologia - a linguagem científica (aula 4).
 
Marshall - economia (leitura apenas)
Marshall - economia (leitura apenas)Marshall - economia (leitura apenas)
Marshall - economia (leitura apenas)
 
Formação do estado moderno - historia das RI
Formação do estado moderno - historia das RIFormação do estado moderno - historia das RI
Formação do estado moderno - historia das RI
 
Brue fisiocratas
Brue fisiocratasBrue fisiocratas
Brue fisiocratas
 
Exercício de formatação abnt
Exercício de formatação abntExercício de formatação abnt
Exercício de formatação abnt
 
Normas da abnt – associação brasileiras de normas
Normas da abnt – associação brasileiras de normasNormas da abnt – associação brasileiras de normas
Normas da abnt – associação brasileiras de normas
 
Abnt 2011
Abnt 2011Abnt 2011
Abnt 2011
 
Raymond Aron
Raymond AronRaymond Aron
Raymond Aron
 
Aula 1 - santos ciência politica
Aula 1 - santos ciência politicaAula 1 - santos ciência politica
Aula 1 - santos ciência politica
 

Filosofia 2

  • 1. O QUE É FILOSOFIA II
  • 2. As espécies de jusnaturalismo na história da filosofia jurídico-política O vocábulo jusnaturalismo originou-se de duas palavras latinas: ius, que significa direito, justiça, e naturale, que significa natural. Embora o momento maior do direito natural relacione-se aos séculos XVII e XVIII com a presença dos pensadores John Locke, Hugo Grócio, Rousseau e Kant, desde o séc. V a.C. o conceito de direito natural encontra-se na tragédia grega de Sófocles.
  • 3. Questionando o decreto de Creonte, Antígona torna-se um símbolo do direito natural, direito esse fundamentado na vontade dos deuses, nas tradições e nos costumes. Podemos classificar o direito natural em três tipos: a)O direito natural como expressão do desígnio dos deuses. b)O direito natural no sentido estrito, co-natural a todos os seres animados à guisa de instinto. c)Como resultante da razão humana.
  • 4. . Durante a idade média, no séc. XII, Graciano, um dos líderes da igreja, interpretou o direito natural como sendo uma manifestação da vontade de Deus revelada no Decálogo e nos Evangelhos. Mais tarde, no séc. XIII, São Tomás de Aquino interpretou o direito natural como sendo um reflexo da ordem existente na mente de Deus impregnada à razão humana. Neste sentido, o direito natural é fruto da própria razão. No séc. XVIII houve três grandes revoluções: a Revolução Industrial (1750), a Revolução Americana (1776), e a Revolução Francesa (1789). Tanto a Revolução Americana quanto a Revolução Francesa consideraram o direito natural como um direito inato ou um direito inalienável.
  • 5. A Independência Americana, em sua declaração, traçou o direito natural exprimindo-o por meio da liberdade de expressão, do direito à vida e do direito a ser feliz. A Revolução Francesa apropriou-se do direito natural manifestando-o mediante o direito à liberdade, o direito à igualdade e o direito à propriedade. No séc. XVII, o jurista holandês Hugo Grócio, no ano de 1625, escreveu o primeiro tratado de direito internacional, intitulado ‘’De iuri belli ac pacis’’ (Do direito da guerra e da paz) e nesse tratado afirmou o direito natural como fruto da razão humana, dissociando-o da vontade de Deus e de sua própria existência. Hugo Grócio concebeu o direito natural como seria admitido por todos os países na modernidade.
  • 6. As duas tradições de liberdade: A liberdade anglicana e a liberdade galicana A liberdade não é um estado natural, é uma conquista da civilização. O conceito de liberdade, como nós o interpretamos, surgiu no século XVIII na Inglaterra e na França. Os ingleses conheciam a liberdade, os franceses não. A liberdade anglicana é empírica e assistemática, fundamentou-se nas tradições, nos costumes e na jurisprudência do direito consuetudinário. A liberdade galicana é especulativa e racionalista e fundamenta-se no sonho utópico dos revolucionários franceses. Podemos considerar a existência de alguns tipos de liberdade: a liberdade física, a liberdade jurídica, a liberdade política, a liberdade religiosa, a liberdade econômica e a liberdade profissional.
  • 7. A liberdade física É o direito de locomoção, o direito de ir e vir, direito esse que nos é assegurada pela Constituição Brasileira. Quando infringimos uma lei ou norma jurídica, podemos ser privados dessa liberdade. Diante desse fato, na iminência de uma prisão que consideremos ilegal, cabe-nos o recurso do habeas-corpus, recurso que poderá devolver-nos a liberdade de locomoção que muitas vezes deixamos de valorizar.
  • 8. A liberdade jurídica É a igualdade de todos os cidadãos perante as leis (isonomia). A liberdade política É a liberdade ideológica, a liberdade de exercer o escrutínio, de eleger livremente os nossos representantes e os nossos governantes, segundo os propósitos e os ideais políticos de cada cidadão. A liberdade religiosa É a liberdade de culto, o direito de exercer livremente a sua crença.
  • 9. A liberdade econômica Possibilita ao cidadão desfrutar de privilégios resultantes do seu trabalho e das suas conquistas materiais; o privilégio da formação acadêmica e de conhecer culturas de outros países, de viver com dignidade. A liberdade Profissional É o direito de escolha de sua profissão, é a realização de um sonho pessoal.
  • 10. Valor moral e valor jurídico Existem dois tipos de consciência: a consciência psicológica e a consciência moral. A consciência psicológica é o conhecimento de nós mesmos, das pessoas com as quais compartilhamos as nossas vidas, da realidade a qual pertencemos. A consciência moral é uma espécie de voz interior que antecede as nossas ações. Obedecendo-a, somos alcançadas por uma força recompensadora que se traduz por uma sensação de bem-estar e de dever cumprido; desobedecendo-a, somos alcançados por uma força condenatória que se traduz pelo arrependimento e pelo remorso.
  • 11. Etapas do desenvolvimento da consciência moral São quatro: anomia, heteronomia, socionomia e autonomia. Anomia: É um estágio no qual o indivíduo age, buscando o prazer ou fugindo da dor. É uma atitude inconsequente, cujos resultados muitas vezes são trágicos. Heteronomia: A heteronomia caracteriza um comportamento que obedece às normas existentes com o objetivo de receber uma recompensa ou temendo o castigo. Obedecemos às normas apenas quando estamos sendo vigiados.
  • 12. Socionomia: Um comportamento moral que procura agradar ao grupo do qual fazemos parte ou às pessoas com as quais convivemos. Muitas vezes a influência sobre a nossa postura é exercida pela mídia, pelos meios de comunicação. Autonomia: Interiorizamos as normas e as leis existentes e cumprimo-las ou deixamos de cumpri-las de acordo com a nossa consciência.
  • 13. A moral é o conjunto de normas que regulam o comportamento do homem na sociedade. São as leis que regem esse comportamento. A ética é a reflexão sobre a postura ou o comportamento do homem diante das leis existentes. Cumprindo-as, o homem é ético; descumprindo-as, é antiético. Existem dois planos na moral: o normativo e o factual. O plano normativo abrange a elaboração das leis ou das normas existentes, desde a sua aceitação social até a sua codificação. O plano factual é o da ação, quando o que a lei determina é posto em prática.
  • 14. Diferenças entre o valor moral e o valor jurídico O valor moral possui uma coação interna, exercida pela nossa própria consciência; o valor jurídico possui uma coação externa exercida pelo Estado diante de um ato transgressor. O valor moral antecede em muito ao valor jurídico, existindo como um princípio de convivência social muito antes de tornar-se uma lei e ser codificada. O valor jurídico caracteriza-se pela exterioridade, isto é, as leis não dependem da nossa vontade, simplesmente temos de cumpri-las. O valor moral tem como característica a interioridade.
  • 15. Ética e política: Maquiavel, John Locke, Montesquieu e Rousseau A palavra política originou-se do grego pólis, que caracterizava a cidade-estado da Antiga Grécia, onde a democracia passou a ser exercida a partir do século V a.C. Aristóteles escreveu um livro sobre política, nesse livro ele propõe a existência de três tipos de poder: o poder paterno, o poder despótico e o poder político.
  • 16. O poder paterno é exercido a favor dos filhos; o poder despótico é exercido a favor do senhor; o poder político é exercido a favor de quem governa ou dos que são governados. Nessa mesma obra, Aristóteles propõe três formas de governo: a monarquia (governo de um só), a oligarquia (governo de poucos) e a democracia (o governo de muitos ou da maioria).
  • 17. Maquiavel representa uma nova fase da ciência política, dissociando-a da teologia e da religião, eximindo-a da responsabilidade ética. Um dos grandes vultos da história da filosofia política é o médico e filósofo inglês John Locke. Devemos a John Locke a estruturação dos quatro pilares do iluminismo: Igualdade jurídica Tolerância religiosa Liberdade de expressão Direito à propriedade
  • 18. O ápice da filosofia iluminista ocorreu na França e foram os seus maiores representantes: Montesquieu, Voltaire, Rousseau, Diderot e D’Alembert. Montesquieu, no livro Do Espírito das Leis, propõe o poder tripartite diante de uma Europa Absolutista em que o poder centralizava-se nas mãos do rei. A tripartição dos poderes, segundo Montesquieu, caracteriza o estado democrático de direito e compõe-se do legislativo, do executivo e do judiciário. Voltaire foi um opositor implacável das interferências exercidas pela igreja sobre o Estado, propondo a laicização do Estado.
  • 19. Rousseau, autor do livro Do Contrato Social, foi o mais democrata dos pensadores iluministas. Defendeu a liberdade como sendo um direito pertencente a todos os homens, conceituando-a como uma aspiração, como uma conquista a ser consumada. Propôs que os cidadãos fossem capazes de eleger os seus governantes. Diderot e D’Alembert foram responsáveis pela elaboração da primeira enciclopédia, composta de 33 volumes, abrangendo o conhecimento do homem desde os primórdios da história até a ideologia iluminista.
  • 20. Contraponto entre as teorias contratualistas de Rousseau e Hobbes Podemos afirmar que existem duas teorias contratualistas: um contratualismo pessimista e um contratualismo otimista. O contratualismo pessimista vincula-se ao texto de Hobbes: “Leviatã’’, e o contratualismo otimista ao texto de Rousseau: ‘’Do Contrato Social’. Miguel Reale, uma das grandes expressões do direito no Brasil, considera que nem Hobbes e nem Rousseau tiveram a pretensão de elaborar teorias históricas a respeito da origem do Estado. Ambos discorreram de forma figurativa ou alegórica aquele momento relacionado ao pacto ou ao contrato social.
  • 21. Para Hobbes, o homem é mau por natureza e desde os primórdios assumiu uma atitude aguerrida diante dos seus semelhantes. Essa proposição levou Rousseau a afirmar que o homem, em Hobbes, nunca vivenciou o estado de natureza e sim o estado de guerra. Para Rousseau, Hobbes interpreta o homem natural partindo do homem civil. O pacto social, em Hobbes, caracteriza uma necessidade irreversível, pois se o mesmo não existisse os homens, lutando uns contra os outros, seriam eliminados: ‘’homo homini lupus’’ (o homem é o lobo do homem).
  • 22. Para Hobbes há três fatores que levam o homem a guerra: a competição, a desconfiança e a reputação. Competição: é a disputa pelo poder. Poder que, segundo Hobbes, pode ser conquistado pela força ou pela inteligência. Para alcançá-lo, os homens não medem esforços e lutam entre si. Desconfiança: tendo alcançado o poder, o governante visualiza todas as pessoas como pretendentes a usurpar- lhe o cargo. Reputação: Ocorre quando a honra é atingida, quando denúncias falsas depõem contra o governante.
  • 23. Rousseau considera que o homem é bom por natureza e que vivendo sozinho, praticando a caça, a pesca e a coleta de frutos, usufruía de uma vivencia paradisíaca. Quando alguém apropriou-se de um pedaço de terra e considerou-o de sua propriedade, o conflito entre os homens teve início. Para Rousseau a sociedade corrompeu o homem. A ideia contratualista do pensador francês considera que houve um comportamento espontâneo, por meio do qual os homens delegaram os seus direitos individuais e a sua liberdade plena à instituição do Estado, instituição essa que teria como finalidade assegurar os direitos e a liberdade de todos.
  • 24. Direito e liberdade em Kant: A ética autônoma de Kant. O Imperativo Categórico Immanuel Kant foi o grande representante do iluminismo na Alemanha. Pertence-lhe a seguinte expressão: “Duas coisas causam-me admiração: acima de mim o céu estrelado e, dentro de mim, a lei moral’’. Professor de uma universidade na Alemanha durante 40 anos, Kant escreveu algumas obras que o tornaram célebre. Citemos: “O que é o Iluminismo”, ‘’Crítica da Razão Pura’’ e ‘’Crítica da Razão Prática’’. No livro ‘’O que é o Iluminismo’’, Kant conceitua o movimento filosófico que exerceu uma influência marcante nos movimentos político-sociais do século XVIII. Concede-nos uma visão da exaltação da razão que foi a característica significativa da ilustração.
  • 25. No livro ‘’Crítica da Razão Pura’’ o filósofo reflete sobre o conhecimento, a capacidade do conhecimento, isto é, até onde nós somos capazes de conhecer. Kant considera que ideias como a da alma humana e de Deus são incognoscíveis ao homem. Em ‘’Crítica da Razão Prática’’ o homem é o motivo da reflexão. A abordagem temática é o comportamento do homem. Para Kant, o nosso comportamento não necessita de princípios religiosos que o conduzam, nem de normas proibitivas, o homem é capaz, por si mesmo, de traçar normas comportamentais para o seu viver. O homem é o único responsável pelo seu comportamento e capaz de distinguir entre o bem e o mal sem a influência de nenhuma circunstância ou causa externas.
  • 26. Dentro dessa proposição, surge O Imperativo Categórico que pode ser sintetizado na seguinte frase: ‘’Age de tal forma que o princípio moral de tua ação possa tornar-se uma lei universal. ’’
  • 27. Direito e liberdade em Kant O direito é um conjunto de condições pelas quais a vontade de cada um possa concordar com a vontade de outros, sempre dentro de um clima geral de liberdade. A liberdade é um processo de conquista ininterrupta. O homem somente estrutura-se existencialmente à medida que vai conquistando a sua liberdade. Para Kant, os homens são livres e iguais por natureza. O seu conceito de soberania interpreta-a como pertencente a um povo. A vontade geral é a origem de todas as leis. As leis somente são justas quando o povo concede-lhes o seu consentimento.
  • 28. Kant dividiu o direito público em direito político, direito da gentes e direito cosmopolita. a)Direito político: é o quadro de normas estabelecidas pelo conjunto das pessoas que delegam ao Estado poderes para proteger a liberdade dos cidadãos. b) Direito da gentes: abrange direitos e deveres dos cidadãos. c) Direito cosmopolita: é o direito internacional. Kant viabilizou a criação de um liga de nações que fosse capaz de representar a vontade dos países europeus.
  • 29. Existem dois tipos de Estado: o Estado ideal e o Estado real. O Estado ideal origina-se de um pacto voluntário feito pelos cidadãos e o Estado real depende das circunstâncias históricas. No Estado real as pessoas que detêm o poder possuem a soberania; no Estado real a origem do poder é a força.
  • 30. Kant considera a existência de dois tipos de conhecimento: o empírico ou aposteriori e o conhecimento puro ou apriori: a) O conhecimento empírico: é o conhecimento fundamentado na experiência, nos sentidos. b) O conhecimento puro: é um conhecimento fundamentado na razão, isto é, um conhecimento que não se submete a uma experiência sensorial.
  • 31. A Filosofia de Existência A filosofia da existência ou o existencialismo é uma reflexão a respeito do homem pós-revolução industrial. O existencialismo inicia-se com o filosofo dinamarquês Kierkegaard, considerado “o pai do existencialismo”. Para ele, o homem submete-se a três estágios existenciais: o estágio estético ou sensível, o estágio ético ou refletido e o estágio religioso ou absoluto.
  • 32. a) O estágio estético ou sensível: é a procura do novo, do inusitado, de uma experiência ou de uma sensação nunca ocorridas com o intuito de desfrutá-las plena e intensamente. b) O estágio ético ou refletido: pertence àquele instante em que refletimos com gravidade sobre as nossas vidas, os nossos objetivos existenciais, os nossos problemas, as nossas aspirações, etc. c) O estágio religioso ou absoluto: caracteriza um momento existencial em que o homem procura uma comunhão com o transcendente, com o sobrenatural, mediante uma experiência mística, esotérica ou espiritual com o propósito de sentir-se consolado diante das perdas e das agruras existenciais. Para Kierkegaard, “viver é apaixonar-se pela vida”.
  • 33. Existe uma diferença entre o homem e os demais animais. Os demais animais simplesmente existem e usufruem instintivamente da existência. O homem, além de existir, tem consciência de sua existência.
  • 34. A transcendência do ético em Kierkegaard O filósofo considera que, muitas vezes, um princípio ético é suspenso temporariamente para ceder lugar a um principio religioso ou cívico. Esta postura é conceituada como a transcendência do ético. O próprio Kierkegaard exemplifica a sua teoria, refletindo sobre o episódio bíblico que envolve Abraão e Isaque (Gn 22.1-10). Kierkegaard considera que o principio ético do “não matarás’’ foi temporariamente suspenso para ceder lugar ao princípio religioso que exigia o cumprimento da ordem divina por parte de Abraão: o sacrifício do seu único filho.
  • 35. A transvaloração do ético Nietzsche foi um dos grandes nomes da filosofia alemã, autor de vários livros, dentre os quais, ‘’Assim falou Zaratrusta’’, ‘’Além do bem e do mal’’ ‘’Humano demasiadamente humano’’, etc. Nietzsche considerou que a moral cristã é a ‘’moral dos fracos’’ uma ‘’moral de rebanho’’ e propôs uma mudança do comportamento ético, considerando que o homem deve aprender a amar as coisas da terra e não se deixar iludir com as promessas fantasiosas de uma outra realidade. O conceito filosófico de Nietzsche propõe que o homem seja capaz por si mesmo de resolver os seus problemas e dilemas existenciais, sem a ajuda do sobrenatural. Para Nietzsche ‘’Deus está morto – os homens o mataram’’. A ideia da morte de Deus concebe o super-homem, o homem que luta sozinho para superar os desafios de sua vida.
  • 36. A negação do ético Heidegger, uma das grandes expressões do existencialismo na Alemanha, exerceu uma forte influencia sobre Sartre, o expoente francês da Filosofia da Existência. No livro ‘’Ser e o Tempo’’, um estudo ontológico, o homem é um ser angustiado diante da irreversibilidade da morte – o homem é um ser que caminha para a morte, entretanto, é livre para construir em liberdade a sua própria existência e desfrutar com intensidade o momento vivido.
  • 37. Jean Paul Sartre, filósofo existencialista francês, participou da resistência francesa durante a ocupação alemã, possui uma imensa obra literária que exprime a sua visão filosófica, ganhou o Premio Nobel de literatura e recusou-o, como uma atitude de contestação à presença francesa em território africano (Argélia). Entre as suas obras existem romances, peças teatrais, novelas e textos filosóficos propriamente ditos: ‘’A Idade da Razão’’ (romance), ‘’A Prostituta Respeitosa’’ (teatro), ‘’Entre Quatro Paredes’’ teatro), ‘’ ‘’O ser e o nada’’ (a essência do seu pensamento filosófico), ‘’O existencialismo é o humanismo’’ em que afirma a síntese do seu pensamento: ‘’a existência precede a essência’’. Isto significa que, ao nascermos, somos apenas matéria e que, progressivamente, vamos construindo a nossa identidade interior, a nossa essência.
  • 38. A Escola de Viena e a Escola de Frankfurt No século XX houve duas correntes de pensamento da maior importância para a cultura europeia: A Escola de Viena e A Escola de Frankfurt. Pertenceram à Escola de Viena, dentre outros, Freud e Hans Kelsen. O primeiro é considerado o pai da psicanálise, e, o segundo, a maior expressão da filosofia jurídica no século XX. Pertenceram à Escola de Frankfurt: Habermas, o filósofo da Comunicação; Marcuse, que reflete sobre “o princípio do prazer” e “o princípio da realidade”, e Erich Fromm, filósofo e psicólogo alemão.
  • 39. Erich Fromm foi um dos críticos mais contundentes da tecnologia, do automatismo, da cibernética. Afirmou que o homem inventou o computador com o propósito de desfrutar de uma vida prazerosa, o que não aconteceu: simplesmente as máquinas os substituíram. Para o filósofo alemão o homem contemporâneo precisa reaprender o amor próprio, a autoestima, caso contrario, jamais será capaz de amar a si mesmo e aos seus semelhantes. O conteúdo dessa proposição encontra-se no belíssimo livro “A arte de amar”. Para Erich Fromm existem dois tipos de ética: a ética autoritária e a ética humanista.
  • 40. Ética autoritária Quem decide o que é bom ou mau, certo ou errado, para o cidadão ou para o operário, é uma autoridade que o transcende e que pode ser representada pelo Estado ou pelo empresário. O que é bom ou mau, certo ou errado, é bom ou mau para o Estado e para o empresário e não para o cidadão ou o operário.
  • 41. Ética humanista É antropocêntrica, no sentido de valorizar o homem. Quem decide o que é bom ou mau, certo ou errado é o próprio cidadão, ou, no caso de uma empresa, o funcionário ou o operário. O que é bom ou mau, certo ou errado, é bom ou mau para o cidadão, para o funcionário, para o operário e não para a autoridade que os transcende.
  • 42. www.palavrar.com Um espaço para poesia, literatura, discussões de textos acadêmicos e divulgação da cultura. Professores Responsáveis: Ivana Ribeiro e Humberto de Aragão