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Feyerabend

  1. 1. Epistemologia da Ciência A epistemologia de Feyerabend Felipe Damasio <felipedamasio@ifsc.edu.br>
  2. 2. Anarquista epistemológico Quem foi Paul Feyeranbend? Nasceu em Viena, em 1924, filho de ruralistas.
  3. 3. Homem de múltiplos interessses • Gostava de Física, tanto quanto de canto lírico; • Chegou a Filosofia, 'por acaso', comprando livros usado que vinham em pacotes.
  4. 4. Vida atribulada • Em 1942, ao terminar a escola secundária foi convocado para o serviço militar nazista, sendo ferido gravemente no front de batalha; • Andou de muletas de 1946 até o fim da vida em 1994; • Em 1946 foi admitido na Universidade de Viena para estuda História e Sociologia.
  5. 5. • Sua experiência em História não foi feliz, se transferiu para a Física obtendo seu doutorado em 1951; • Em 1952, foi estuda em Cambridge com orientação de Karl Popper; • Admirava seu orientador, mas não achava suas ideias suficientes; • Mais tarde, criticou o racionalismo crítico. • Em 1955, com recomendações de Popper e Schrödinger conseguiu emprego na Universidade de Bristol.
  6. 6. Em Bristol • Inicialmente deu um curso sobre Filosofia da Ciência; • Depois um curso de Mecânica Quântica, ele o descreveu como sendo “um desastre, palavras sem sentido empregadas sem gramática”; • Em 1958 foi para a Universidade da Califórnia em Berkeley de onde se demitiu em 1968 sendo readmitido na sequência.
  7. 7. Contra o método (1975) • Este é o seu livro mais famoso, de acordo com ele não era propriamente um livro, mas uma colagem contendo descrições, análises, publicações de até vinte anos antes; • Deste modo, chegou a um resultado que chocou muita gente com o que chamou de anarquismo.
  8. 8. Sobre a Ciência • “O mundo, inclusive o mundo da Ciência, é uma entidade complexa e dispersa, que não pode ser capturada por teorias e regras simples”; • “Os benefícios materiais da ciência não são óbvios, e o papel da entidade abstrata 'ciência' na produção dos benefícios não é nada claro”; • Defendia o controle público da ciência, justificando que ela não é um empreendimento livre, como julgam os filósofos.
  9. 9. • Considerações comerciais têm grande papel no empreendimento 'ciência'; • A corrida pelo Prêmio Nobel diminui a comunicação e colaboração entre os cientistas; • Os cientistas agem de maneira liberal e oportunista ao fazerem pesquisa, e ainda a pontificam ao falar sobre ela.
  10. 10. Sobre 'Contra o método' • “Quando um autor escrevia 'Feyerabend diz X', e então atacava X, eu supunha que de fato dissera X e tentava defender-me. Mas em muitos casos eu não dissera X, mas o contrário. […] Certamente eu não sentia o fervor religioso que alguns autores aplicam por seus produtos – no que me dizia respeito, 'Contra o método' era apenas um livro: não se tratava das Sagradas Escrituras”.
  11. 11. • “Entre os motivos para escrever 'Contra o método' estava o de libertar as pessoas da tirania dos ofuscadores filosóficos e de conceitos abstratos como 'verdade', 'realidade' ou 'objetividade', que estreitam a visão e as maneiras de ser das pessoas do mundo. Ao formular o que eu acreditava ser minha própria postura e convicções, infelizmente acabei introduzindo conceitos igualmente rígidos, tais como 'democracia', 'tradição' ou 'verdade relativa'” •
  12. 12. Anarquismo epistemológico • Pluralismo metodológico; • Feyerabend rejeita qualquer autoridade individual ou coletiva; • Se opõe a um princípio único, absoluto, uma ordem imutável; • O anarquismo epistemológico dele, se opõe a um conjunto único, fixo, de regras; • Se opõe ao que se caracteriza como 'método', mas não se opõe a todo e qualquer procedimento metodológico.
  13. 13. • O anarquismo epistemológico deve ser interpretado como uma defesa de um pluralismo metodológico; • Todos os métodos, mesmo os mais óbvios, têm suas limitações; • Ele é contra 'o' método e não contra método algum.
  14. 14. Tudo vale? • Para Feyerabend, não existe um conjunto de regras que uma vez obedecidas levarão necessariamente ao progresso da ciência e ao seu crescimento de conhecimento; • Para ele, a história da Ciência é tão complexa que se quisermos formular uma única metodologia, ela seria o 'tudo vale';
  15. 15. • Mas o tudo vale não significa que não há qualquer metodologia; • Significa que vários métodos são possíveis; • “Tudo vale não é um princípio que eu defendo – não penso que princípios possam ser defendidos e frutiferamente discutidos fora da situação de pesquisa que se espera que eles afetem”.
  16. 16. Racionalismo (crítico) Feyerabend se opõe fortemente ao racionalismo como sendo correto para explicar o desenvolvimento da Ciência; O que ele entendia como racionalismo? Poucas ideias abstratas e independentes da situação que em uma segunda etapa são chamadas de prova ou argumentos, não há dependência de opinião e das compulsões históricas; Existe apenas uma verdade, independente da situação.
  17. 17. A razão obedece regras fixas e padrões imutáveis; Estabelece-se e submete-se ao ‘método’, que pode ser resumido nas seguintes regras: • 1. só aceitar hipóteses que se ajustem a teorias confirmadas ou corroboradas; • 2. eliminar hipóteses que não se ajustem a fatos bem estabelecidos
  18. 18. Irracionalismo (contra-indução) • Feyerabend se opõe as regras do racionalismo; • Para ele, elas expressam a essência do empirismo e do indutivismo; • Ele chama de contra-indução, o procedimento que se opõe as regras do racionalismo.
  19. 19. “Regras e padrões são usualmente tomados como constituintes da ‘racionalidade’, infiro que episódios famosos na ciência, admirados por cientistas, filósofos do mesmo modo que por pessoas comuns, não foram ‘racionais’, não ocorreram de uma maneira ‘racional’, a ‘razão’ não foi a força motora por detrás dos mesmos e eles não forma julgados ‘racionalmente’”
  20. 20. 1. Só aceitar hipóteses que se ajustam a teorias confirmadas ou corroboradas • A primeira regra impede a exploração de evidências não confirmadoras; • Alimenta uma visão conformista e dogmática; • Supõe uma autonomia da experiência que é independente da teoria que a condiciona, a experiência se revela e é capaz de torna-se 'a' medida para o conteúdo empírico de uma teoria.
  21. 21. 2. Eliminar hipóteses que não se ajustem a fatos bem estabelecidos • A segunda regra, se obedecida, deixaria- nos sem qualquer teoria, pois toda teoria entra em desacordo com fatos de seu domínio (nenhuma teoria explica tudo); • É indispensável alternativas teóricas conflitantes.
  22. 22. As contra-regras de Feyerabend • 1. introduzir hipóteses que conflitem com teorias confirmadas ou corroboradas; • 2. introduzir hipóteses que não se ajustem a fatos bem estabelecidos.
  23. 23. A crítica ao racionalismo crítico • Se a experiência (enunciado singular) for o árbitro para a aceitação e legitimidade das teorias (enunciados universais) não estamos muito longe do empirismo ou indutivismo; • As contra-regras de Feyerabend representam o que podemos chamar de 'contra-método'.
  24. 24. Estratégia argumentativa de Feyerabend • Existe uma frequente oposição entre: • A epistemologia oficial (racionalismo) • X • Práxis científica (irracionalista, sob o ponto de vista da epistemologia oficial)
  25. 25. A irracionalidade do racionalismo • As suas regras a tornam auto- destrutivas, conflitam com os fundamentos que as suportam; • “O passatempo favorito do anarquista é “perturbar os racionalistas, descobrindo razões fortes para fundamentar doutrinas desarrazoadas”
  26. 26. Razoabilidade do irracionalismo • Viabiliza o progresso da Ciência; • As contra-regras são necessárias à exploração da evidência e discussão crítica pretendida pelas regras do racionalismo; • As contra-regras são 'corroboradas' pela práxis científica, como na 'Revolução Copernicana'.
  27. 27. Pluralismo teórico Teorias nem sempre podem ser comparadas em termo de conteúdo, como querem os racionalistas; Os princípios constituídos de uma teoria podem ser violados por outra teoria.
  28. 28. E como progride a Ciência? Por meio do pluralismo teórico; Por uma competição entre teorias, por meio do teste de uma teoria contra a outra; Porém, o papel da observação e experimentação como árbitro da teoria ‘vencedora’ é minimizado; Rejeita critérios familiares de comparação, depende de como são interpretadas as teorias.
  29. 29. Quando duas teorias são incompatíveis? Uma mera diferença conceitual não torna duas teorias incompatíveis; Só serão se o uso de qualquer conceito de uma torna os conceitos de outra inaplicáveis; A incomensurabilidade fere as pretensões de um conjunto de regras ou princípios que caracterizaria o progresso da Ciência.
  30. 30. Referência bibliográfica  “A epistemologia de Feyerabend”. Notas de aula de Marco Antonio Moreira. IF- UFRGS, 2005;  “Feyerabend e o pluralismo metodológico”. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v.13, n.3 (1996);  “A ciência, a verdade e o real: variações sobre o narquismo epistemológico de Paul Feyerabend”. Caderno Brasileiro de Ensino de Física, v. 22, n.2 (2005);

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