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PROJETO DE GRADUAÇÃO ESPM
Um Teto Para Meu País: Brasil
Orientador: Fábio Andrade
André de Freitas Tastaldi – 10620197
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4 agradecimentos
Tudo começou em agosto de 2006, uma vontade enorme de estudar,
de conhecer pessoas novas, de dar risada d...
agradecimentos 5
Começar a escrever os agradecimentos foi bastante difícil. Chegar
aqui é uma vitória e tanto! Há 4 anos e...
6 agradecimentos
Aprendizado, Alegria e Amizade. Não poderia começar meu agradecimento sem estes 3 As
que marcaram minha t...
"Nós devemos ser a mudança
que queremos ver no mundo"(Gandhi)
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sumário executivo
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jesuíta Felipe Berríos e de jovens univer...
1 A ONG Um Teto para meu País ................................................................................. 13
1.1 His...
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voluntário
O vocábulo voluntário vem do latim, proveniente do termo
voluntas, que corresponde à vontade, querer, desejo. D...
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a ong um teto para meu país: Histórico 13
1 A ONG Um Teto Para Meu País
1.1 Histórico
O projeto começou no Chile, em 1997,...
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Onde o teto está inserido: O Terceiro Setor 15
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2.1 O Terceiro Setor
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A pesquisa realizada pelo IBGE e IPEA, em parceria com a ABONG
(Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais) ...
onde o teto está inserido: As Associações, Fundações, ONGs e OSCIPs 17
2.2 As Associações, Fundações, ONGs e OSCIPs
	
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que podem ser abatidas em até 100% do imposto de renda ...
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atuação do teto: A Causa – o problema habitacional 21
3 Atuação do Teto
3.1 A Causa: o problema habitacional
A Pobreza no ...
22 atuação do teto: A Causa – o problema habitacional
Nota-se um grande paradoxo ao relacionar o déficit habitacional de
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atuação do teto: PEPS - Pontos de Entrada e Pontos de Saída das Favelas 23
Analisando esses dados estatisticamente, perceb...
24 atuação do teto: PEPS - Pontos de Entrada e Pontos de Saída das Favelas
reforçados, pois a maioria dessas pessoas não c...
atuação do teto: Como o Teto faz 25
3.3 Como o Teto faz
O Teto Brasil atua em duas frentes: no seu modelo de intervenção e...
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Por somente realizar a primeira etapa do projeto no Brasil e não dar
continuidade ao t...
atuação do teto: Como o Teto faz 27
Habitáculos x Comunidades
Recife
Itapejica
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Itapeva
SãoRafael
Chacrinha
Cabuçu
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28 atuação do teto: Como o Teto faz
Construções
As construções das moradias emergenciais ocorrem em média a cada
dois mese...
atuação do teto: Como o Teto faz 29
Com a escolha das famílias beneficiadas e o término dos preparativos
para a construção...
30 atuação do teto: Como o Teto faz
Na primeira manhã, a equipe trabalha para fixar os 15 pilotis com a
finalidade de sust...
atuação do teto: Como o Teto faz 31
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32 atuação do teto: Como o Teto faz
Tipos de Construção
Existem diversos tipos de construção, como:
Construção com univers...
atuação do teto: Como o Teto faz 33
Organograma da Construção (staff + equipes)
Coordenadores de trabalho (CT’s)
O trabalh...
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Monitores
Cada escola conta com uma dupla de monitores, que são voluntários
responsáve...
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- Construção
- Campanha
- Pesquisa e Extensão
- Gestão de Voluntariado
- Pesquisa
- Contatos
- Enquetes
- Construção
- Ban...
atuação do teto: Estrutura Interna do Teto 37
Escritório Central Chile
É a central de todos os UTPMP daAmérica Latina. É r...
38 atuação do teto: Estrutura Interna do Teto
• Subárea de Construção (Gustavo Aguiar): responsável pela esco-
lha e capac...
atuação do teto: Conscientização 39
3.4 Conscientização
Existem diversas instituições não governamentais e programas do
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40 atuação do teto: Conscientização
www.umtetoparameupais.org.br
Considerado o principal meio
de comunicação com seus
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atuação do teto: Conscientização 41
Pelo menos uma vez por semestre, a
equipe de Comunicação e a de Formação
se unem para ...
42 atuação do teto: Conscientização
Convite enviado por
email para a coleta de
Agosto/2009.
Participação de 410
voluntário...
atuação do teto: Conscientização 43
Convite enviado
por email para
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Abril/2010, em
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Osasco e Gu...
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os 3a's 45
4 Os 3A's
Com base na teoria dos 8 Ps de Chirstopher Lovelock e Lauren Wri-
ght, presente no livro Marketing de...
46 os 3a's: Aportes
4.1 Aportes
Os aportes são todos os recursos que a organização precisa
para garantir o seu bom funcion...
os 3a's: Aportes 47
Matéria-prima
O habitáculo é construído com 10 painéis pré-fabricados por
marceneiros, contando muitas...
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Outra situação desfavorável é o tempo limitado de dois anos que cada
diretor pode exercer seu trabalho...
os 3a's: Administração 49
4.2 Administração
Os principais problemas administrativos do Teto são:
Faltade processos bem def...
50 os 3a's: Ativação
4.3 Ativação
O Teto não tem muitos programas que geram ativação de
seus stakeholders. Os mais comuns ...
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stakeholders 53
5 Stakeholders
A organização Um Teto para meu País, deve manter o bom relacio-
namento com todos os públic...
54 stakeholders: Análise dos Stakeholders
5.1 Análise dos Stakeholders
A análise dos stakeholders permite agrupá-los, com ...
stakeholders: Análise dos Stakeholders 55
Empresas Tipo 1: São empresas que contribuem financeiramente com
oprojetoerealiz...
56 stakeholders: Análise dos Stakeholders
Quadrante B
Nesse quadrante, estão classificados os stakeholders de alto grau
de...
stakeholders: Análise dos Stakeholders 57
Família da Dona
Sônia, beneficiada na
construção de julho de
2009 na Comunidade ...
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  3. 3. PROJETO DE GRADUAÇÃO ESPM Um Teto Para Meu País: Brasil Orientador: Fábio Andrade André de Freitas Tastaldi – 10620197 Fernando Lima Conte – 10620293 Fernando Nahat Jardim – 10620060 Taciana Kelly Romagnoli Pinto – 10620618 São Paulo, 2010 miolo_teto14.indd 3 21/05/10 07:01
  4. 4. 4 agradecimentos Tudo começou em agosto de 2006, uma vontade enorme de estudar, de conhecer pessoas novas, de dar risada da vida, de ser feliz, de encontrar pessoas que realmente fizeram a diferença na minha vida e de aprender coisas que nunca imaginei como seriam. Nestes quatro anos de faculdade, realmente aprendi muita coisa. Agradeço a toda a minha família, já que sem ela, nada disso seria possível, amo vocês demais! Em seguida e, não menos importante agradeço a todos os meus amigos e a todas as pessoas que tive a oportunidade de conhecer e dar muita risada. Aproveito para bater mil palmas para as pessoas que acreditaram no projeto e o tornou uma realidade, essa é pra vocês: Thomás (não tenho dúvida que terá sucesso na vida, torço muito por você); Mãe do Fe Jardim, Berta (obrigado por toda atenção e o carinho que teve pela gente durante esse ano, os jantares e as conversas jamais serão esquecidos); a todos os voluntários do Teto (obrigado pelo aprendizado, começamos a fazer algo que acreditamos e quero que saibam que estou longe de querer parar); ao CA4D por todos os momentos inesquecíveis que passei lá dentro e por todas as pessoas que realmente querem fazer a diferença; aos meus professores da faculdade e os do dia-a-dia que me ensinaram a ser quem eu sou e a lutar pelo o que quero. E caso não tenha citado o seu nome, não fique triste, pois a mensagem e o carinho são iguais para todos. E faço uma reverência para o Mestre dos Mestres, FabioAndrade, que não somente acreditou no projeto, como acreditou no nosso potencial e nos ensinou muito mais do que imaginávamos. “Tô me explicando?” E preciso agradecer a três pessoas que sempre estiveram comigo neste ano e, por mais que tenhamos discutido e discutido, acabamos dando muita risada juntos. Obrigado Chu e Burns, pelo aprendizado, pela companhia, pelas histórias, pelas risadas, pelas discussões intermináveis e obviamente por terem me agüentado. Mas, uma coisa que não quer calar: invertemos o CA ou não Bebel? Agradeço também a Taci, que se mostrou ser uma pessoa fantástica, com a qual aprendi muito e que quero que continue fazendo parte da minha vida. Estou curioso em saber o que tem guardado pra mim depois da faculdade, mas independente do que acontecer tenho a certeza de que tudo que vivenciei nesses 23 anos de vida não serão esquecidos jamais, quero que saibam que carrego todos vocês comigo, porque só eu sei o bem que vocês me fazem por estarem ao meu lado. Termino o meu texto com uma mensagem simples, honesta e que me ajudou muito a enxergar algumas coisas. Espero que eu consiga contagiar a todos a fazerem algo pelo mundo. Eu levo comigo uma coisa muito séria, que enquanto eu puder fazer algo pela sociedade e pelas pessoas - vou fazer. Acredito que tudo o que tocamos tem solução, só que precisamos ir além e começar a enxergar, ouvir e sentir que podemos fazer a diferença. Se quiserem me encontrar daqui a 50 anos para saber como estou, basta me procurar em projetos sociais, inclusive no Teto. Este trabalho é pra vocês. Espero que gostem. miolo_teto14.indd 4 21/05/10 07:01
  5. 5. agradecimentos 5 Começar a escrever os agradecimentos foi bastante difícil. Chegar aqui é uma vitória e tanto! Há 4 anos eu nem sabia se conseguiria mesmo entrar na ESPM, e nem imaginava o que estava guardado ali dentro para mim, nos anos seguintes. Estes anos foram incríveis! Participei de tudo que pude e que quis, fiz amizades sensacionais, aprendi demais, e me diverti muuuuito! Não posso negar, fazer esse trabalho foi um tanto cansativo e complicado. Foi uma fase difícil: noites dormindo mal, finais de semana na frente do computador, muitas brigas e muito stress, mas sem dúvida valeu a pena! Gostaria de agradecer meus pais Thais e Edgard, por tudo, TUDO mesmo! Vocês são incríveis! (Juro que agora tento ficar mais em casa, tá?!?! rs...) Gostaria de agradecer também minha avó por ser sempre uma inspiração e meu avô por sua alegria e brilho! Sem todos vocês não teria chegado aqui, tenho certeza!! Não poderia ficar de fora, a Carol, minha namorada! Muito obrigado por ter agüentado o stress e a ausência em muitos momentos! Você é muito especial, e te ter ao meu lado me deu muita força! Thomito e galera do Teto, não preciso nem dizer que sem a vontade e ajuda de vocês nós estaríamos perdidos... Tia Berta (mãe do Chú), muuuito obrigado por alimentar nossas madrugadas, e por nos abrigar durante aqueles looongos dias! Além disso, com certeza preciso agradecer meu grupo! Chú, Taci e Fezão, muito obrigado pela amizade, companhia, força e paciência muitas vezes! É tudo nosso! Acabou!! E lógico, um muuuito obrigado, ao Prof. Fábio Andrade, que nos orientou e agüentou! Tenho certeza que nós demos muito trabalho! Enfim, foram 4 anos inesquecíveis! A saudade já bateu, só de pensar que estou saindo daqui... Tá aí a conclusão de tudo, nosso PGE, que parecia sempre tão distante, agora acabado na sua mão! Ufa... Obrigado ESPM por todos os momentos! TODOS, bons e ruins, me fizeram ser hoje uma pessoa melhor e maior! Agora sim consigo entender por completo e dizer: Aqui é realmente mais legal! Vou correr pro meu travesseiro que eu tô com muuuuiiita saudade dele. Estou de volta à vida! miolo_teto14.indd 5 21/05/10 07:01
  6. 6. 6 agradecimentos Aprendizado, Alegria e Amizade. Não poderia começar meu agradecimento sem estes 3 As que marcaram minha trajetória na ESPM. Foram quatro anos de muito esforço, trabalho, dedicação, festas e curtição. Conheci pessoas incríveis que pretendo levar comigo pelo resto da minha vida, junto com os momentos inesquecíveis que com elas convivi. Agradeço primeiramente aos meus pais que, investiram tudo o que tinham nos meus estudos, sempre preocupados em me proporcionar o que há de melhor, além do constante apoio e compreensão. Agradeço também aqueles que deram força e conselhos fundamentais para a tomada das minhas decisões, como meu irmão com toda sua sabedoria, minha avó com toda sua cautela e preocupação, a Berta pela atenção e incentivo e meu namorado que não agüenta mais ouvir a sigla PGE, mas mesmo assim me ouve com toda paciência e carinho do mundo. Fábio, obrigada pelos ensinamentos. Jamais esquecerei que a maior virtude do homem é a lealdade e, que na vida, o que realmente importa é a relação que criamos com as pessoas. Obrigada pelo companheirismo e amizade. Você tem todo meu respeito e admiração. Fernando, muito obrigada por finalmente conseguir instalar meu Office, mesmo que tenha sido no último dia do PGE. Sentirei saudades. A todos que me ajudaram nesta fase difícil, principalmente a minha mãe e a minha família que amo tanto, ao nosso orientador, Fábio Andrade, que sempre esteve disponível quando precisamos, ao pessoal do Teto, com o auxílio e informações e ao nosso amigo Thomás que nos ajudou com o trabalho. Obrigado. miolo_teto14.indd 6 21/05/10 07:01
  7. 7. "Nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo"(Gandhi) miolo_teto14.indd 7 21/05/10 07:01
  8. 8. sumário executivo O projeto Um Teto para meu País nasceu da vontade do sacerdote jesuíta Felipe Berríos e de jovens universitários que queriam denunciar a situação de pobreza extrema em que vivem milhares de pessoas. Isso aconteceu em 1997, com o nome Un Techo Para Chile. Hoje, a ONG está presente em 16 países da América Latina, contando com cerca de 200 mil voluntários e tendo beneficiado mais de 40 mil famílias. Surgiu com o objetivo de construir – em sua primeira fase – moradias de emergência para pessoas que vivem em extrema pobreza, passando na segunda fase a executar planos de habilitação social para finalmente chegar à terceira fase, que tem como intuito urbanizar as comunidades onde a organização atua, reintegrando-as à sociedade. Para que o trabalho do Teto - como chamamos muitas vezes a ONG - seja feito da melhor forma possível: com boa organização, planejamento e contando cada vez com mais voluntários, doações e parcerias – deve haver um bom relacionamento com seus stakeholders: fornecedores, governo, universidades, doadores, voluntários, empresas, imprensa e beneficiários (famílias que recebem as moradias). Nosso PGE não segue o modelo convencional, já que estamos tratando do terceiro setor e da fragilidade de uma ONG, que atua perante a imensa precariedade da situação habitacional brasileira. Para analisar e diagnosticar a atuação do Teto foram utilizadas diversas ferramentas, dentre elas o Diagrama de Ishikawa que permitiu analisar a relação causa-efeito dos problemas da ONG, a Matriz Alvo que ajudou a traçar prioridades de atuação no curto, médio e longo prazo; a Matriz dos 3A’s que analisa o funcionamento da organização de acordo com: Ativação, Administração e Aportes, três pontos essenciais para seu bom funcionamento. Por fim, temos a análise por meio das engrenagens (Processo, Matéria-Prima e Mão- de-Obra); criada pelo grupo, na qual o Teto é visto por meio de um sistema que deve funcionar em harmonia para que a organização alcance seus objetivos. De modo geral, podemos ver uma organização consolidada em outros países, que começa a mostrar sua força no Brasil, tentando se sobrepor às enormes dificuldades encontradas por conta do imenso número de favelas e de famílias vivendo precariamente. Para intensificar seu trabalho e tornar sua marca mais conhecida, a organização precisa resolver primeiramente seus problemas de estrutura interna. O plano proposto tem duração de dois anos, tendo início em 2011 e objetiva principalmente ampliar a atuação do Teto com a criação de Centros de Valorização Comunitária (CVCs) e continuar com o trabalho atual da ONG de forma crescente, aumentando progressivamente o número de moradias construídas. Em um primeiro momento, iremos reorganizar internamente o Teto para que sua atuação seja melhor, maior e mais bem estruturada. Criaremos uma diretoria interna responsável pelos CVCs, iniciando seu trabalho com os PDCs (Planejamento para Desenvolvimento das Comunidades), para que só assim aconteça a implantação do primeiro Centro em 2012 e de outros posteriormente. miolo_teto14.indd 8 21/05/10 07:01
  9. 9. 1 A ONG Um Teto para meu País ................................................................................. 13 1.1 Histórico ...................................................................................... 13 2 Onde o Teto está inserido ..................................................................................... 15 2.1 O terceiro setor ............................................................................. 15 2.2 As associações, fundações, ONGs e OSCIPs ............................... 17 3 Atuação do Teto .......................................................................................................... 21 3.1 A causa: o problema habitacional ................................................. 21 3.2 PEPS - Pontos de Entrada e Pontos de Saída das favelas ............. 23 3.3 Como o Teto faz ............................................................................ 25 3.3.1 Estrutura Interna do Teto ..................................................... 36 3.4 Conscientização ............................................................................ 39 4 os 3 as .................................................................................................................................. 45 4.1 Aportes .......................................................................................... 46 4.2 Administração ............................................................................... 49 4.3 Ativação............................................................................................................... 50 5 Stakeholders................................................................................................................. 53 5.1 Análise dos stakeholders ............................................................... 54 5.2 Identificação das necessidades ...................................................... 60 6 congêneres .................................................................................................................... 63 6.1 Habitat for humanity ..................................................................... 64 6.2 Moradia e cidadania ...................................................................... 66 índice 7 Panorama ......................................................................................................................... 71 7.1 Econômico .................................................................................... 71 7.2 Jurídico ......................................................................................... 72 7.3 Cultural ......................................................................................... 74 8 Diagnóstico..................................................................................................................... 77 8.1 Fatores críticos de sucesso............................................................. 77 8.2 Análises das engrenagens.............................................................. 78 8.3 Matriz 3A's.................................................................................... 81 8.4 Matriz alvo..................................................................................... 85 8.5 Conclusão ..................................................................................... 90 9 Prognóstico................................................................................................................... 93 10 Plano de Ação ............................................................................................................ 97 10.1 Objetivo de marketing ................................................................ 97 10.2 Estratégia de marketing............................................................... 97 10.3 Planejamento estratégico............................................................. 98 10.4 Plano de marketing...................................................................... 98 10.5 Cronograma de ações................................................................. 126 11 viabilidade financeira ...................................................................................... 131 12 Bibliografia............................................................................................................... 135 anexos miolo_teto14.indd 9 21/05/10 07:01
  10. 10. miolo_teto14.indd 10 21/05/10 07:01
  11. 11. voluntário O vocábulo voluntário vem do latim, proveniente do termo voluntas, que corresponde à vontade, querer, desejo. Deriva também de voluntarius, que significa “aquele que age por vontade própria”. A definição da ONU é mais abrangente e diz que "o voluntário é o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo às diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem-estar social ou outros campos, sem remuneração alguma”. habitáculo A ONG Um Teto Para Meu País trata sua intervenção como "construção de casas de emergência", porém, neste projeto o termo utilizado no lugar de casa será habitáculo, ou ainda, moradia emergencial. Foi feita essa troca, porque o habitáculo construído pelos voluntários da ONG não pode ser considerado efetivamente uma casa, já que tem apenas 18m2 – sem divisões, infra-estrutura, saneamento básico ou energia elétrica. miolo_teto14.indd 11 21/05/10 07:01
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  13. 13. a ong um teto para meu país: Histórico 13 1 A ONG Um Teto Para Meu País 1.1 Histórico O projeto começou no Chile, em 1997, iniciado por um grupo de jo- vens universitários, apoiados pelo sacerdote jesuíta Felipe Berríos, com o nome Un Techo para Chile. Surgiu com o objetivo de cons- truir moradias emergenciais para aqueles que vivem em situação de extrema pobreza, passando posteriormente a desenvolver planos de habilitação social para finalmente chegar à terceira fase do projeto, na qual essas comunidades são urbanizadas e reintegradas à sociedade. Em 2001, depois do furacão em El Salvador, o projeto come- çou a se expandir para os demais países da América Latina. Atual- mente está presente em 16 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Paraguai, Peru, Uruguai, Nicarágua, República Dominicana e Haiti, beneficiando mais de 40 mil famílias e mobilizando mundialmente cerca de 200 mil voluntários. Sua primeira atuação no Brasil foi em 2002 com a construção de 20 habitáculos em Pernambuco. Somente em 2006 a instituição “Um Teto para meu País – Brasil”  foi fundada em São Paulo, com um escritório localizado na Vila Madalena. Até maio de 2010, foram construídos 286 habitáculos com a ajuda de mais de 1.800 voluntá- rios em 16 comunidades das cidades de São Paulo, Guarulhos, Suza- no, Itapeva, Taboão da Serra e São Vicente. A ONG já recebeu mais de 20 prêmios nacionais e interna- cionais, como o reconhecimento em 2009 da UNESCO e BID com o prêmio “Melhores Práticas em Políticas e Programas na América Latina e Caribe". Também em 2009, o Teto recebeu a "UN Habi- tat Scroll of Honour Award", que foi entregue pelo "Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN Habitat)" e, que reconhece o trabalho da organização nos 16 países. Ideal Resgatar a dignidade e cidadania daqueles que vivem nas favelas em situação de pobreza, morando em habitações precárias e abaixo do nível aceitável como seres humanos.   Visão Construir umaAmérica Latina onde todas as pessoas tenham condições dignas de moradia que lhes permita viver com proteção, privacidade, saúde e paz de espírito.  Missão Atuar como um agente de mudança imediata com o objetivo de reduzir a condição subumana daqueles que residem nas favelas, para que algumas famílias possam viver com dignidade.   A Proposta A organização sem fins lucrativos Um Teto para meu País tem como proposta minimizar de maneira contingencial, a precária situação daqueles que vivem nas favelas brasileiras através da construção de moradias emergenciais que ofereçam proteção domiciliar e um mínimo de segurança. miolo_teto14.indd 13 21/05/10 07:01
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  15. 15. Onde o teto está inserido: O Terceiro Setor 15 2 Onde o Teto está Inserido 2.1 O Terceiro Setor Para entender a sua organização é importante conhecer a divisão dos setores da economia: O Primeiro Setor corresponde ao  poder  público (governo), que utiliza capital público para promover melhorias nas questões sociais. O Segundo Setor corresponde ao mercado (empresas) que busca o lucro e utiliza capital privado para fins de seu interesse. O Terceiro Setor corresponde às entidades voltadas às questões sociais, que segundo a definição do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), devem se enquadrar simultaneamente nos cinco critérios a seguir: ser privadas; sem fins lucrativos; institucionalizadas (legalmente constituídas); auto-administradas e constituídas livremente por qualquer grupo de pessoas, com suas atividades decididas livremente pelos sócios ou fundadores. Esse setor utiliza capital público e privado para fins públicos, atuando para a solução de diversos problemas sociais. É nele que o Teto está inserido. Segundo a REBRATES (Rede Brasileira do Terceiro Setor), esse setor movimenta mundialmente mais de um trilhão de dólares por ano. De acordo com a pesquisa realizada pela FGV chamada "O Mapa do Terceiro Setor”, no Brasil, aproximadamente 95% das organizações são financiadas por recursos nacionais, 4% de forma mista e 1% com investimentos internacionais. Esses patrocínios são feitos com o objetivo principal de melhorar a imagem de marca das empresas e garantir a satisfação dos seus empregados. Próprios (46%) Públicos(21%) Privados (33%) Regiã Norte Nordes Centro Sudest Sul DéficitFonte de Recurso % Doação pessoa jurídica 29,6 Doação pessoa física 13,8 Associados 10,4 Eventos 9,9 Geração de renda (venda de produtos e serviços) 9,1 Campanhas 8,1 Convênios e subvenções governamentais 6,7 Convênios e subvenções de empresas 2,7 Aplicações financeiras 2,4 Doação de organizações filantrópicas 2,4 Doação de organizações internacionais 1,9 Outros 1,6 Retorno financeiro sobre patrimônio próprio (aluguel) 1,3 1991 2001 2008 2030 População em favelas 652.934.882 848.386.484 1.000.000.000 2.000.000.000 População mundial 5.399.702.186 6.181.454.746 6.706.873.176 8.080.609.808 Percentual favelas 0,12 0,14 0,15 0,25 Evolução da população mundial de favelas desde 1991e projeção para 2030 Figura 1: Origem dos Recursos. (FONTE: Pesquisa "O Mapa do terceiro Setor") Figura 2: Fonte de Recurso (FONTE: Pesquisa "O Mapa do terceiro Setor") miolo_teto14.indd 15 21/05/10 07:02
  16. 16. A pesquisa realizada pelo IBGE e IPEA, em parceria com a ABONG (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais) e o GIFE, revelou a criação de cerca de 340 mil Fundações Privadas e Associações Sem Fins Lucrativos (FASFIL) pertencentes ao terceiro setor, que visam contribuir com a minimização dos problemas sociais. Desse total, apenas 2% dos programas é destinado à habitação, o que significa a quantidade irrisória de instituições, atuando em prol de melhores moradias para população menos favorecida. A quantidade destinada à habitação é tão baixa, porque trata de um problema estrutural brasileiro que está distante de ser solucionado e o governo é um dos principais responsáveis por ele. Pouco mais de um quarto das FASFIL (26%, ou 89 mil) trata de organizações recentes, criadas nos cinco primeiros anos desta década. Porém, a maior parte destas (43%) surgiu nos dois primeiros anos (2001 e 2002). A participação das entidades criadas nos anos subseqüentes vem decaindo progressivamente, reduzindo-se para 40% no biênio de 2003/2004 e, a seguir, para 17% em 2005, demonstrando a grande dificuldade na manutenção de suas atuações no terceiro setor, exigindo cada vez mais a profissionalização de gestão. O tempo médio de existência dessas organizações é de apenas 12 anos. Para aumentar sua permanência no mercado é necessário que as organizações sejam altamente eficientes nas suas propostas, além de definirem estratégias de atuação que busquem o comprometimento de seus funcionários e voluntários. Sudeste (42%) FASFIL Por Região Norte (5%) Centro-Oeste (6%) Sul (23%) Nordeste (24%) Por quais motivos as empresas realizaram ações sociais? 52% 50% 57% Empresas que avaliam (%) Empresas que não avaliam (%) 40% 42% 34% 29% 10% 12% 5% 7% 7% 0,4% 10% 11% 17% 32% 17% 24% 22% Melhorar a imagem da empresa Atender motivos humanitários Atender solicitações de amigos ou políticos Atender pedidos de outras entidades Atender apelos de campanhas Aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do trab. Atender motivos religiosos Aumentar o faturamento da empresa Aumentar a satisfação dos empregados Complementar a ação do governo quais motivos as empresas realizaram ações sociais? 52% 50% 57% Empresas que avaliam (%) Empresas que não avaliam (%) 40% 42% 34% 29% 10% 12% 5% 7% 7% 0,4% 10% 11% 17% 32% 17% 24% 22% a imagem a empresa manitários licitações u políticos edidos de entidades ampanhas tividade e de do trab. er motivos religiosos uramento a empresa satisfação mpregados tar a ação o governo Desenvolvimento e Defesa de Direitos (18%) Associações Patronais e Profissionais (17%) Cultura (14%) Assistência Social (12%) Habitação, saúde e Meio Ambiente (2%) Distribuição das FASFIL Religião (25%) Educação (6%) Outras (6%) Figura 3: Distribuição das FASFIL (FONTE: Pesquisa "As Fundações e Associações Sem Fins Lucrativos no Brasil") Figura 4: FASFIL por Região (FONTE: Pesquisa "As Fundações e Associações Sem Fins Lucrativos no Brasil") Figura 5: Por quais motivos as empresas realizaram ações sociais? (FONTE: Pesquisa "Ação social das empresas no Brasil - Disco/Ipea 2006") miolo_teto14.indd 16 21/05/10 07:02
  17. 17. onde o teto está inserido: As Associações, Fundações, ONGs e OSCIPs 17 2.2 As Associações, Fundações, ONGs e OSCIPs De acordo com o código civil brasileiro e a definição do GIFE, exis- tem três tipos de instituições que atuam no terceiro setor, que são: associações, fundações ou organizações religiosas. Neste projeto, serão analisadas apenas as associações e fundações. As associações caracterizam-se pela livre união legal de pessoas, tanto físicas quanto jurídicas, para se dedicarem a uma cau- sa social comum. Geralmente sua gestão é mais democrática que as fundações e têm maior liberdade estatuária. As fundações são pessoas jurídicas, geralmente ligadas às empresas que destinam seus fundos para ações sociais específi- cas, abatendo-os do imposto de renda. Sua gestão é restrita e sofre alta cobrança do governo, garantindo a eficiência e transparência dos investimentos. A sigla ONG (Organização Não Governamental) ainda gera confusão para muitos brasileiros, uma vez que abrange todos os tipos de entidades e causas do terceiro setor, além de ser forte- mente associada à filantropia e ao trabalho voluntário, o que limita a realidade dessas organizações, que se comprometem cada vez mais em realizar mudanças sociais. Ultimamente as ONGs também estão sendo associadas à corrupção, por causa da recente ocorrência de duas CPIs, em 2002 e 2006, que apuravam desvio de dinheiro de algumas organizações sem fins lucrativos. Tal fato obrigou as instituições a serem transparentes em seus gastos e a publicar seus investimentos, aumentando a neces- sidade de aperfeiçoar seus projetos e demonstrar eficiência ao público. Para deixar claro quais instituições são confiáveis e utili- zam os recursos de forma correta, o governo criou uma legislação específica para o setor em 1999, regulamentando as OSCIPS - Orga- nizações da Sociedade Civil de Interesse Público. Os dois principais benefícios de uma ONG se tornar uma OSCIP são: seu reconheci- Voluntários almoçam durante construção na comunidade Jd. Maitê, em Suzano - novembro 2009 miolo_teto14.indd 17 21/05/10 07:02
  18. 18. mento como instituição séria e a possibilidade de receber doações, que podem ser abatidas em até 100% do imposto de renda das em- presas doadoras (caso estas não ultrapassem o valor de 2% de seu lucro operacional bruto). Para se tornar uma OSCIP, a ONG tem de ter, pelo menos, dois anos de existência e, seu estatuto tem que ser aprovado pelo Ministério da Justiça e ela tem que ser responsável pela promoção de pelo menos um dos itens a seguir: assistência social; cultura, de- fesa e conservação do patrimônio histórico e artístico; ensino fun- damental ou médio gratuito; saúde gratuita; segurança alimentar e nutricional; defesa, preservação e conservação do meio ambiente; gestão de recursos hídricos e desenvolvimento sustentável; trabalho voluntário; desenvolvimento econômico e social e combate à pobre- za; experimentação não lucrativa de novos modelos socioprodutivos e de sistemas alternativos de produção, comércio, emprego e crédi- to; defesa dos direitos estabelecidos; construção de novos direitos e assessoria jurídica gratuita; defesa da ética, da paz, da cidadania, dos direitos humanos, da democracia e de outros valores universais; estudos e pesquisas; desenvolvimento de tecnologias; produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos; fomento do esporte amador; ensino profissionalizante ou superior. Com a lei 9.790 de 23 de março de 1999, que regula as OS- CIPs, o Governo tem como objetivo, auxiliar as ONGs a crescerem por meio de verbas doadas indiretamente por este - já que são aba- tidas do imposto de renda - e garantir que as necessidades, que não são atendidas pelo poder público agora, sejam resolvidas por entida- des do terceiro setor. miolo_teto14.indd 18 21/05/10 07:02
  19. 19. Nome do capítulo: Nome da seçao 19onde o teto está inserido: As Associações, Fundações, ONGs e OSCIPs 19 miolo_teto14.indd 19 21/05/10 07:02
  20. 20. 20 Nome do capítulo: Nome da seçao miolo_teto14.indd 20 21/05/10 07:02
  21. 21. atuação do teto: A Causa – o problema habitacional 21 3 Atuação do Teto 3.1 A Causa: o problema habitacional A Pobreza no Brasil A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um dos documentos básicos das Nações Unidas. Nela, são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem, dentre eles: Artigo XIII 1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. Artigo XXV 1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar-lhe, e a sua família, saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. Artigo XXX Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos. O Brasil é um dos países com os maiores índices de desigualdade social do mundo, o que dificulta o acesso e a garantia das boas condições de vida para grande parte da população. Segundo dados do IBGE (2007), o rendimento médio mensal per capita das famílias 10% mais ricas do País era 43 vezes maior, que o rendimento médio das 10% mais pobres. O Déficit Habitacional O déficit habitacional brasileiro - indicador da necessidade de novas moradias – é cerca de oito milhões  (Ministério das Cidades 2006), o que representa 14,5% dos domicílios do País de um total de cerca de 54 milhões, sendo mais elevado na área urbana. Ainda de acordo com a mesma fonte, faltam cerca de 1,5 milhões de residências no Estado de São Paulo. De acordo com o Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão, a origem do déficit brasileiro tem base em alguns fatores, dos quais se destacam: Juntos, esses fatores resultam em milhões de famílias que vivem em precárias condições habitacionais, morando em barracos feitos com emendas de restos de materiais como madeira e plástico. Trata-se de pessoas que foram obrigadas a buscar alternativas de moradia em loteamentos periféricos, geralmente clandestinos e sem infra- estrutura. • A excessiva concentração de renda; • A coexistência de áreas subocupadas e áreas densamente povoadas, devido ao rápido e desorganizado crescimento das cidades, causando falta de infra-estrutura urbana para tal; • A ausência de regulamentação do mercado fundiário visando o solo como função social; • A ausência de política habitacional descentralizada e com foco em infra-estrutura; • A crise da economia brasileira reduzindo os investimentos nestes setores; • A concessão indiscriminada de subsídios com a condução inadequada de uma política de crédito habitacional. miolo_teto14.indd 21 21/05/10 07:02
  22. 22. 22 atuação do teto: A Causa – o problema habitacional Nota-se um grande paradoxo ao relacionar o déficit habitacional de cada região do País com indicadores como a média salarial e o Gini (responsável por medir a desigualdade social), pois ao mesmo tempo em que a Região Sudeste é a que apresenta os melhores indicadores, também é a que sofre com o maior déficit habitacional. A maior carência de moradia está concentrada na parcela da população que recebe até R$ 1,3 mil, localizada na região Nordeste e corresponde a 95% do déficit habitacional da região. No Norte, o percentualéde91%enoSudeste90%.NoCentro-Oeste,aconcentração do déficit habitacional nas famílias com renda até três salários mínimos chega a 88% e no Sul a 85%. Apesar das porcentagens, deve-se considerar a população total de cada estado, tornando a região Sudeste como sendo a de maior déficit habitacional brasileiro.  Tal situação se deve ao rápido crescimento das cidades e a ineficiente política habitacional brasileira, que foca apenas na construção de novas casas e desconsidera outras questões relacionadas à habitação. Outro fato que deve ser considerado é a existência de cinco milhões de imóveis que estão apenas construídos, porém se encontram em desuso ou abandono e, que poderiam ser aproveitados de alguma forma para redução de tal déficit. Os dados do Censo de 2000 mostram a presença de mais de 2.360.000 domicílios em favelas pelo Brasil e que 70% destas estão concentradas nas 32 maiores cidades do País, fazendo com que esse número aumente com o passar do tempo. Em 1973, São Paulo tinha 1% de sua população vivendo nessas condições, já em 2000, ultrapassou 10%, o equivalente ao surgimento de uma favela a cada oito dias. Segundo dados do IPEA de 2007,  o crescimento de pessoas morando em assentamentos informais no período entre 1992 a 2007 foi de um (1) milhão, ocorrendo principalmente, nas regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Região N° de pessoas % Norte 831.703 10% Nordeste 2.684.536 34% Centro-Oeste 540.546 7% Sudeste 2.935.226 37% Sul 942.668 12% 7.934.679 100% Déficit Habitacional por região do paísFonte de Recurso % Doação pessoa jurídica 29,6 Doação pessoa física 13,8 Associados 10,4 Eventos 9,9 Geração de renda (venda de produtos e serviços) 9,1 Campanhas 8,1 Convênios e subvenções governamentais 6,7 Convênios e subvenções de empresas 2,7 Aplicações financeiras 2,4 Doação de organizações filantrópicas 2,4 Doação de organizações internacionais 1,9 Outros 1,6 Condições habitacionais Pessoas em assentamentos informais por tipo de informalidade (mil) - 1992 e 2007 Cortiços Sem Teto Favelas Assentamentos irregulares 870 408 113270 4914 6979 7356 8278 1992 2007 ndições habitacionais soas em assentamentos informais por tipo de informalidade (mil) - 1992 e 2007 Cortiços Sem Teto Favelas Assentamentos irregulares 870 408 113270 4914 6979 7356 8278 1992 2007 Condições Habitacionais População em domicílios particulares permanentes urbanos com condição de moradia inadequada (mil) - Brasil 2007 Parede não durável Teto não durável Banheiro coletivo Favelas Irregularidade fundiária Adensamento Água inadequada Esgoto inadequado Moradia inadequada 0 10.000 20.000 30.000 40.000 50.000 60.000 1,778 2,128 3,896 6,979 7,356 12,316 13,787 30,101 54,606 Figura 7: Condições Habitacionais (FONTE: Ipea, com base nos microdados da Pnad/ IBGE, 1992 e 2007) Figura 6: Condições Habitacionais (FONTE: Ipea, com base nos microdados da Pnad/ IBGE, 2007) miolo_teto14.indd 22 21/05/10 07:02
  23. 23. atuação do teto: PEPS - Pontos de Entrada e Pontos de Saída das Favelas 23 Analisando esses dados estatisticamente, percebe-se que a porcentagem da população que vive em situações inadequadas reduziu 15% em relação a 1992, porém a quantidade de pessoas que moram em condições irregulares aumentou. Isso aponta a ineficiência da política habitacional do governo e o aumento descontrolado da população. SegundoaSecretariaNacionaldeDesenvolvimentoUrbano,as pequenascidades(comaté 20milhabitantes)abrigammenos de 20%da população nacional, porém representam 73% do total de municípios. Elas têm os menores índices de desenvolvimento econômico-social e maiores dificuldades de gestão pela ausência de infra-estrutura e de programas sociais. Enquanto isso, as grandes cidades concentram aproximadamente um terço da população urbana do país e arcam com os maiores percentuais de  carências e precariedades, por não terem se desenvolvido de forma sustentada e por faltar infra- estrutura acessível a todas as classes sociais. 3.2 PEPS - Pontos de Entrada e Pontos de Saída das Favelas Para as Nações Unidas, favela é  o fenômeno urbano definido por áreas que abrigam habitações precárias, desprovidas de regularização e serviços públicos. Para os cidadãos que lá residem é a forma de garantir condições mínimas de segurança e abrigo. Como nasceram as favelas? Segundo o geógrafo Eduardo Freitas, as favelas brasileiras são resultados de vários fatores, entre eles, o crescimento vegetativo da população urbana que se desencadeou, quando os trabalhadores das zonas rurais ficaram sem emprego e viram-se obrigados a migrarem para os centros urbanos em busca de uma ocupação que pudesse garantir o sustento próprio e de sua família, assim como melhores salários, estudos e uma qualidade de vida mais próspera. A falta de estrutura para receber os novos moradores e o intenso fluxo dessa migração, fez com que as cidades não suportassem a demanda, obrigando essas pessoas a ocuparem as áreas periféricas das cidades, geralmente de terceiros ou da prefeitura. Assim surgiram as favelas, que hoje são sinônimos de redutos de precariedade e desigualdade social. O excesso de migrantes também deu início à marginalização e ao crime organizado, pois houve a saturação do mercado de trabalho, que resultou em altos índices de desempregos. Desse modo, as favelas começaram a ser mal vistas por residirem pessoas com características em comum como a baixa renda, péssimas qualidades de vida e grande inserção em modalidades ilegais, como o tráfico de drogas. Como crescem as favelas? Segundo relatório da ONU de 2006 sobre a situação dos centros urbanos,asfavelasdoBrasilestãocrescendo0,34%aoano.Osfatores que contribuem para esse crescimento são: o crônico desequilíbrio social e a falta de políticas públicas capazes de amenizar a precária situação habitacional. Antes de tudo é fundamental entender a estrutura de cada favela, com o intuito de encontrar mecanismos de controle para evitar o seu aumento. Dessa forma, os programas habitacionais deveriam se adequar às peculiaridades de cada comunidade e não ao contrário, pois se encontram em situações e níveis sociais muito diferentes. A ausência de políticas habitacionais adequadas estimula o surgimento e a expansão das favelas. Outro fator a ser considerado é o tráfico de drogas, que é capaz de construir um sistema paralelo de governo, ao qual o poder público não consegue impor suas leis, dificultando ainda mais o acesso aos programas habitacionais. Além disso, não há continuidade dos programas, pois a cada mudança de governo, o foco dos projetos é alterado, tornando suas medidas ineficazes para a redução das favelas.       O contraponto Segundo dados do IBGE, a taxa de natalidade brasileira nas classes mais baixas da sociedade diminuiu de seis para dois filhos por mulher, em pouco mais de 40 anos. Tal redução só foi possível devido ao aumento de incentivo por parte do governo, em distribuir nos postos de saúde, remédios anticoncepcionais, paralelamente com a instrução de planejamento familiar para as pessoas que não possuem condições de sustentar muitos filhos. No entanto, esses incentivos devem ser Figura 8: Déficit Habitacional Por Região do País (FONTE: Fundação João Pinheiro/ Ministério das Cidades -2006) miolo_teto14.indd 23 21/05/10 07:02
  24. 24. 24 atuação do teto: PEPS - Pontos de Entrada e Pontos de Saída das Favelas reforçados, pois a maioria dessas pessoas não compreende com exatidão, o significado de um planejamento familiar e não entendem a real eficácia de um medicamento como esse. As pessoas pretendem deixar as favelas? Apesar das péssimas condições habitacionais das favelas, os moradores veem suas residências como o seu único bem material, acreditando ser um espaço que usam para se proteger da violência e de fatores ambientais. No entanto, não estão satisfeitos com a vida que levam, pois são obrigados a passar por situações como a maior exposição à violência e a falta de privacidade. Por isso, a maioria desses habitantes busca soluções para sair das favelas e tentar uma moradia mais segura, como as casas oferecidas pelo governo, que por mais que sejam moradias de baixa qualidade, ainda são uma forma mais privativa e humana para viver.  A baixa probabilidade de conseguirem boas condições de vida nas grandes metrópoles faz com que famílias deixem as favelas, obrigadas a voltarem para suas regiões de origem, na busca por uma qualidade de vida mais acessível e um emprego mais estável, capaz de garantir à família uma moradia mais privativa e segura. Como fazer as favelas pararem de crescer? AONU divulgou em um de seus relatórios o crescimento da população mundial de favelas desde 2001, em relação à população mundial total e uma projeção para 2030, na qual prevê o aumento de mais de 100% da população residente nas favelas. Assim como no cenário mundial, tal estimativa pode ser adaptada para as favelas brasileiras, já que o número de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria aumenta anualmente, submetendo- as a viverem em favelas. Região N° de pessoas % Norte 831.703 10% Nordeste 2.684.536 34% Centro-Oeste 540.546 7% Sudeste 2.935.226 37% Sul 942.668 12% 7.934.679 100% Déficit Habitacional por região do paísFonte de Recurso % Doação pessoa jurídica 29,6 Doação pessoa física 13,8 Associados 10,4 Eventos 9,9 Geração de renda (venda de produtos e serviços) 9,1 Campanhas 8,1 Convênios e subvenções governamentais 6,7 Convênios e subvenções de empresas 2,7 Aplicações financeiras 2,4 Doação de organizações filantrópicas 2,4 Doação de organizações internacionais 1,9 Outros 1,6 Retorno financeiro sobre patrimônio próprio (aluguel) 1,3 1991 2001 2008 2030 População em favelas 652.934.882 848.386.484 1.000.000.000 2.000.000.000 População mundial 5.399.702.186 6.181.454.746 6.706.873.176 8.080.609.808 Percentual favelas 0,12 0,14 0,15 0,25 Evolução da população mundial de favelas desde 1991e projeção para 2030 Figura 9: Evolução da População Mundial de Favelas (FONTE: ONU - www.ofca.com.br) miolo_teto14.indd 24 21/05/10 07:02
  25. 25. atuação do teto: Como o Teto faz 25 3.3 Como o Teto faz O Teto Brasil atua em duas frentes: no seu modelo de intervenção e na denúncia sobre a situação de extrema pobreza nas favelas. Modelo de Intervenção No Brasil, a organização ainda está na primeira etapa do projeto, que consiste na construção de moradias emergenciais de 18 m2 para famílias que vivem em condições precárias. Por terem estruturas mais resistentes do que os antigos barracos, evitam a perda dos bens dos moradores em chuvas, diminuem o índice de doenças respiratórias, por reduzir o contato com a poeira e reduzem a presença de ratos e outros animais dentro do habitáculo. Por ter caráter emergencial e serem construídas em terrenos ilegais, as moradias não têm saneamento básico. A durabilidade do habitáculo é de apenas cinco anos, por causa da má qualidade da matéria-prima utilizada, a madeira pinnus, que não suporta as intempéries por um período superior. Durante esse período, a organização precisa iniciar a segunda fase de seu projeto com a execução de planos de habitação de acordo com a necessidade de cada comunidade, fortalecendo a associação de moradores e oferecendo benefícios como: assistência médica e jurídica, microcrédito e criação de cooperativas para diminuir a dependência da comunidade com a ONG, tornando-as auto-sustentáveis. A terceira e última fase do projeto ocorre em parceria com a prefeitura e com as construtoras. O objetivo dessa etapa é a reintegração das favelas na sociedade, através da construção de casas definitivas de alvenaria, com acesso a água, energia e saneamento básico, além da pavimentação das ruas. miolo_teto14.indd 25 21/05/10 07:02
  26. 26. 26 atuação do teto: Como o Teto faz Por somente realizar a primeira etapa do projeto no Brasil e não dar continuidade ao trabalho exercido nas comunidades, o Teto adota um modelodeintervençãocomcaráterassistencialista,jáqueasuaatuação é incipiente, suas atividades são limitadas e os resultados perenes, o que dificulta a captação de recursos. Além disso, a organização dispersa sua atuação em diversas cidades com a construção de poucas casas, o que demonstra o irrisório desempenho frente ao objetivo e ao imenso problema habitacional brasileiro. A tabela e o gráfico a seguir ilustram a dispersão da atuação do Teto nas suas construções e a falta de planejamento e assistência com as comunidades trabalhadas. De acordo com os dados apresentados, observa-se que o segundo lugar com maior presença de moradias do Teto é Itapeva, porémaONGdeixoudeatuarnestacomunidadedevidoaorompimento de sua parceria com o Grupo Orsa (por falta de relacionamento e demonstração de resultados) que fornecia madeira para a confecção exclusiva dos painéis. Desde então, nunca mais retornou à favela para analisar as condições das famílias e dos habitáculos, o que reforça seu caráter assistencialista. Cidade Comunidade Período Quantidade de Habitáculos Recife - junho-05 20 Guarulhos Itapegica abril-07 2 Guarulhos Hatsuta agosto-07 10 Itapeva Kantian outubro-07 10 Guarulhos São Rafael outubro-07 4 Guarulhos Chacrinha novembro-07 5 Guarulhos Chacrinha novembro-07 5 Itapeva Kantian dezembro-07 15 Itapeva Vila Maria dezembro-07 35 Guarulhos Cabuçu janeiro-08 1 Guarulhos Projecta abril-08 5 Guarulhos Projecta julho-08 10 São Paulo Taipas julho-08 6 Guarulhos Projecta agosto-08 3 São Paulo Taipas setembro-08 10 Guarulhos Itajubá novembro-08 3 Guarulhos Itapegica novembro-08 3 Guarulhos Projecta novembro-08 4 Guarulhos Anita Garibaldi janeiro-09 12 Guarulhos Santa Emília janeiro-09 12 Guarulhos Anita Garibaldi maio-09 5 Guarulhos Projecta maio-09 5 Suzano Jd. Gardênia Azul julho-09 10 Guarulhos Anita Garibaldi setembro-09 6 Guarulhos Anita Garibaldi novembro-09 10 Suzano Jd. Gardênia Azul novembro-09 5 Suzano Jd. Maitê novembro-09 5 Guarulhos Anita Garibaldi dezembro-09 9 Guarulhos Anita Garibaldi janeiro-10 9 Guarulhos Anita Garibaldi fevereiro-10 1 Taboão da Serra Morro do Sabão abril-10 9 Guarulhos Campo da Paz maio-10 7 Guarulhos Anita Garibaldi maio-10 13 São Vicente - maio-10 17 TOTAL 286 Construções UTPMP-Brasil Empres Prosegu MIR Lan Prosegu Prosegu Wal Mar Disoft, G Goldma TOTAL Disoft, G Goldman 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 Figura 10: Construções UTPMP - Brasil (FONTE: Dados coletados pelo grupo) miolo_teto14.indd 26 21/05/10 07:02
  27. 27. atuação do teto: Como o Teto faz 27 Habitáculos x Comunidades Recife Itapejica Hatsuta Itapeva SãoRafael Chacrinha Cabuçu Projecta Taipas Itajubá AnitaGaribaldi SantaEmília Jd.GardêniaAzul Jd.Maitê MorrodoSabão CampodaPaz SãoVicente Quantidade de Habitáculos 70 60 50 40 30 20 Figura 11: Habitáculos X Comunidades (FONTE: Dados coletados pelo grupo) miolo_teto14.indd 27 21/05/10 07:02
  28. 28. 28 atuação do teto: Como o Teto faz Construções As construções das moradias emergenciais ocorrem em média a cada dois meses com duração de um final de semana. Os voluntários ficam hospedados em um colégio público próximo a favela, onde tomam café da manhã, jantam e vivenciam a experiência de passar três dias, como se fossem moradores das favelas. O planejamento das construções dura em média dois meses e é realizado pelos Chefes de Trabalho, escolhidos pelos dois diretores que estão nos níveis hierárquicos mais elevados dentro da organização (Diretora Social e Comercial), e têm total autonomia para resolver qualquer assunto relativo à construção. São também os CT's que definem em qual comunidade a ONG atuará, quais serão as famílias beneficiadas - com base em um ranking de enquetes realizadas pela área de detecção do Teto para avaliações sócio-econômicas dos beneficiários - e quem fará parte do staff da construção. Staff são todos os voluntários responsáveis por exercer funções- chave da construção, para que ela ocorra da melhor forma possível. As famílias escolhidas têm as seguintes obrigações: • Se comprometer com o pagamento de R$ 250,00 (cerca de 10% do valor do habitáculo), os quais podem ser parcelados em seis vezes. Se por ventura, alguma família não puder arcar com esse custo e necessite muito do habitáculo, será negociável a forma de pagamento. • Limpar o terreno para a construção de sua nova moradia. • Cozinhar para os voluntários com a comida fornecida pelo Teto. Voluntários carregam painel central do habitáculo na construção de novembro de 2009 na comunidade Anita Garibaldi em Guarulhos miolo_teto14.indd 28 21/05/10 07:02
  29. 29. atuação do teto: Como o Teto faz 29 Com a escolha das famílias beneficiadas e o término dos preparativos para a construção, inicia-se o processo de inscrição de voluntários pela internet. Esta inscrição não é paga e dura aproximadamente duas semanas. Geralmente ocorrem mais inscrições do que o necessário para a construção e nem todos conseguem participar, então se priorizam os voluntários que nunca construíram ou os que atendem a alguma necessidade da ONG. Os selecionados pagam uma taxa de trinta reais no primeiro dia de construção, que inclui: alimentação, hospedagem, uma camiseta de identificação e os manuais necessários para a construção. Para erguer essa nova moradia é necessária a participação de 8 a 10 voluntários por equipe, sendo esta formada por dois já experientes, denominados líderes. No início de cada dia, realiza-se a capacitação das equipes, orientando-as na preparação do terreno, na melhor forma de fixar o piso e outros componentes do habitáculo, sobre o uso das ferramentas e a respeito da estrutura adequada para se realizar a construção da forma mais segura possível, já que os únicos materiais utilizados são luvas e botas, o que é insuficiente para garantir a segurança dos voluntários. Essas informações foram resumidas e estão disponíveis no Manual de Construção, que é entregue no início da construção. Convites enviados por email para as construções de julho de 2009 e maio de 2010 miolo_teto14.indd 29 21/05/10 07:02
  30. 30. 30 atuação do teto: Como o Teto faz Na primeira manhã, a equipe trabalha para fixar os 15 pilotis com a finalidade de sustentar e nivelar a estrutura do habitáculo, mantendo distância mínima de 50 centímetros do chão. Em cima destes é montada uma estrutura com seis vigas e 12 caibros, para que o piso de aproximadamente 50 tábuas possa ser pregado. As paredes são formadas por 10 painéis pré-fabricados, sendo que dois deles têm espaço para uma janela, e um para a porta. A madeira utilizada é a pinnus, que apesar de sua baixa qualidade com duração de aproximadamente cinco anos, atende as necessidades do habitáculo e é proveniente de reflorestamento. Com as paredes erguidas, a equipe faz o prumo do habitáculo, para evitar que ele saia do esquadro, garantindo que os painéis fiquem perpendiculares ao chão, dentro da área delimitada de 6m x 3m. O próximo passo é montar a estrutura do telhado que é composta por oito vigas, seis caibros e 25 telhas de fibrocimento com oito cumeeiras médias pregadas em cima desta estrutura. Durante todo o processo de construção, os voluntários devem usar a camiseta com o logo do Teto, como forma de serem reconhecidos pela comunidade como participantes do projeto, se resguardando de quaisquer incidentes, durante a execução de seu trabalho. No fim do dia, depois do retorno dos voluntários à escola, são realizadas atividades nas quais eles refletem sobre o trabalho que acabaram de realizar e discutem sobre a realidade do país. Ao final de cada intervenção, as equipes organizam uma pequena inauguração da moradia emergencial, para fortalecer o relacionamento com a família e agradecer o auxílio durante o final de semana, além de motivá-la a continuar lutando por uma melhora na sua qualidade de vida. O custo da construção pode variar de acordo com o local (próximo ou não de fornecedores) e a quantidade de habiáculos construídos. Desse modo, o valor da construção de apenas uma moradia é diferente de uma construção de 10 moradias, pois todo o material necessário é comprado em quantidade, fazendo com que exista um ganho de escala. miolo_teto14.indd 30 21/05/10 07:02
  31. 31. atuação do teto: Como o Teto faz 31 miolo_teto14.indd 31 21/05/10 07:02
  32. 32. 32 atuação do teto: Como o Teto faz Tipos de Construção Existem diversos tipos de construção, como: Construção com universitários: é o modelo de construção mais utilizado pelo Teto. A organização acredita que esta é a “porta de entrada” para que muitos jovens voluntários tenham a oportunidade de aproximar-se da realidade das favelas, participando de uma ex- periência social de alto impacto físico e emocional. A construção de cada habitáculo é realizada em até três dias, por um grupo de 8 a 10 jovens voluntários. Este modelo de construção estabelece os primeiros vínculos de confiança com os moradores e líderes da comunidade, validando uma relação que permita posteriormente um trabalho a longo prazo com os beneficiários. Construção coorporativa: neste modelo, os colaboradores da empresa parceira, constroem as moradias emergenciais em conjunto com os voluntários do Teto. Essa jornada dura um final de semana, envolve de seis a oito voluntários da empresa e dois líderes de equi- pe, que são voluntários experientes da organização. Para esse tipo de construção, os funcionários da empresa podem retornar para suas casas ou dormir na escola, se preferirem. A empresa paga para a ONG o dobro do valor de mercado do habitáculo, para que ela possa realizar futuramente uma constru- ção universitária. Este modelo de atividade gera amplos benefícios para a empresa, como a melhora da comunicação interna, integra- ção das equipes de trabalho, intercâmbio de papéis em atividades extra-laborais, identificação dos colaboradores com os valores da empresa, entre outros Construção com famílias: este formato foi realizado apenas uma vez, de forma simultânea nos 15 países onde atuava na época. Caracte- riza-se por uma atividade em que a família de um voluntário (10 pesso- as), doa uma moradia emergencial a uma família necessitada. Este tipo de intervenção auxilia na compreensão, pelas famílias dos voluntários, do trabalho desenvolvido, gerando envolvimento com o projeto. 1 5 10 6 3 10 3 3 4 12 12 5 5 10 6 10 5 5 9 9 1 9 7 13 17 286 Empresa Cidade Comunidade Período Prosegur Guarulhos Chacrinha novembro 07 5 MIR São Paulo Taipas julho 08 6 Lan Guarulhos Projecta agosto 08 3 Prosegur São Paulo Taipas setembro 08 10 Prosegur Guarulhos Anita Garibaldi setembro 09 6 Wal Mart Disoft, GE Money, Goldman Sachs Taboão da Serra Morro do Sabão abril 10 9 Guarulhos Anita Garibaldi maio-10 3 TOTAL 39 Quantidade de habitáculos (até maio 2010) Quant. casas Disoft, GE Money, Goldman Sachs 2002 2007 2008 2009 2010 Figura 12: Construções Corporativas (FONTE: Dados coletados pelo grupo) miolo_teto14.indd 32 21/05/10 07:02
  33. 33. atuação do teto: Como o Teto faz 33 Organograma da Construção (staff + equipes) Coordenadores de trabalho (CT’s) O trabalho é realizado em dupla e começa na escolha dos chefes de escola, que posteriormente participarão da escolha do resto dos membros do staff. Estes devem se preocupar com tudo que ante- cede na construção, como o tema da construção para as atividades de formação, a captação de recursos, a escolha das famílias que serão beneficiadas, a logística da intervenção e serão também os responsáveis por resolver grandes problemas, que possam surgir durante a construção. Chefes de escola (CE’s) Os chefes de escola são responsáveis pelos voluntários e por qual- quer problema relacionado a eles e as famílias beneficiadas durante a construção. Suas demais funções são: coordenar as demais áreas da escola, controlar todos os canais de comunicação e tomar as decisões estratégicas dos trabalhos realizados. Também coordenam os líderes das equipes, estando cientes das atividades de formação que serão feitas na escola, prezando por uma boa coordenação na logística, preocupando-se tanto com a ida e a volta dos voluntários, como na entrega e devolução dos materiais/ferramentas utilizados no dia. Seu trabalho é complementado com o responsável pela lo- gística e também pelos intendentes de sua escola. Depois da in- tervenção, também são responsáveis por organizar atividades de retorno à favela, com a finalidade de manter o contato entre a ONG, a comunidade e os voluntários. Intendência Cada escola conta com uma dupla ou trio de voluntários que forma a intendência. Esta deve zelar pelo local fisicamente, sendo respon- sável pela limpeza, manutenção, além de promover boas condições durante toda a estadia dos voluntários. Também cuida da alimen- tação, com lanches, café da manhã e jantar. Para o almoço, apenas separa e distribui os mantimentos que serão utilizados pelas famílias beneficiadas. A Intendência também auxilia os Chefes de Escola em relação aos voluntários, tornando o ambiente da escola o mais agradável possí- vel, além de desenvolver papel importante nas atividades de forma- ção, com a possibilidade de criar atividades para o entretenimento deles no período da noite ou da manhã. Coordenador e equipe de Logística A logística é responsável principalmente pela entrega do material para a construção dos habitáculos. Essa tarefa é trabalhosa, pois os terrenos são irregulares ou de difícil acesso. O coordenador deve organizar os processos durante toda a intervenção, definindo todas as funções dos voluntários antes, du- rante e após as construções. É responsável pelo controle de horários de chegada e saída, distribuição de materiais, caminhões utilizados, marceneiro e galpão. Também participa do RSAL (relatório das con- dições do terreno antes da construção), organiza o mapa dos habitá- culos na comunidade e controla os materiais e ferramentas utilizadas. Coordenadores de Trabalho Chefes de Escola Intendência Monitores Líderes de equipes Equipes Coordenador de Logística Na construçãoNa escola Equipe de Logística miolo_teto14.indd 33 21/05/10 07:02
  34. 34. 34 atuação do teto: Como o Teto faz Monitores Cada escola conta com uma dupla de monitores, que são voluntários responsáveis por resolver possíveis problemas das equipes de sua escola durante a intervenção. Devem saber os procedimentos de construção, transmitin- do segurança para líderes e voluntários das equipes. Os monitores também têm o papel de estimular e capacitar os líderes e seus vo- luntários para a solução de problemas, devido ao know-how que já possuem das intervenções anteriores. Durante a construção, devem visitar todas as equipes constantemente e colaborar na organização da escola. Líderes de equipe Os líderes devem ensinar seus voluntários a construir. É fundamen- tal que a dupla conheça todos os seus voluntários e procure enten- der suas reais dificuldades para ajudá-los. Também devem conhecer muito bem a parte técnica do habitáculo, a família beneficiada, saber distribuir tarefas e transformar o ambiente em algo agradável. Como são voluntários mais experientes também devem ex- plicar o projeto do Teto para os mais novos e chamá-los para par- ticiparem da equipe central e de outras atividades que estão para acontecer. Equipes Formadas geralmente por seis a oito voluntários e dois líderes. Os voluntários não precisam ter conhecimentos prévios para poderem construir, pois serão devidamente capacitados durante a construção. A família que está recebendo o habitáculo também é conside- rada parte da equipe, porque participa de grande parte do processo da intervenção. O foco da construção não está apenas no habitáculo em si, e sim na experiência, em conhecer a realidade da favela e na formação dos voluntários. Quando a construção é encerrada, os voluntários das equipes e o staff da construção respondem a uma pesquisa de satisfação, na qual devem indicar quais foram os pontos fortes e fracos da cons- trução e avaliar o desempenho de sua equipe e de seus líderes. Os resultados são avaliados por uma equipe específica, e os voluntários que obtiveram bons resultados, normalmente são convidados para fazerem parte do staff e participarem da próxima construção. miolo_teto14.indd 34 21/05/10 07:02
  35. 35. Nome do capítulo: Nome da seçao 35 miolo_teto14.indd 35 21/05/10 07:02
  36. 36. - Construção - Campanha - Pesquisa e Extensão - Gestão de Voluntariado - Pesquisa - Contatos - Enquetes - Construção - Banco de Dados - Fundos - Plano de Sócios - Eventos - Empresas - Construção Corporativa - Criação - Relações Públicas - Assessoria de Imprensa - Web/Multimídia - Eventos Diretoria Social Formação e Voluntariado Construção Logística Detecção Recursos Comunicação e MKT ADM e Finanças Jurídica Diretoria Comercial Diretório UTPMP Brasil Escritório Central Chile 3.3.1 Estrutura Interna do Teto A equipe central é composta por oito diretores, dos quais seis são assalariados e dois são voluntários. O cargo mais alto da organização é o da Diretora Social, que é responsável por todas as decisões da ONG. Organograma: miolo_teto14.indd 36 21/05/10 07:02
  37. 37. atuação do teto: Estrutura Interna do Teto 37 Escritório Central Chile É a central de todos os UTPMP daAmérica Latina. É responsável pela coordenação do trabalho dos 16 países em que o Teto está presente. Realiza capacitações das equipes locais e estabelece junto com es- tas, as metas e planejamentos anuais, avaliando os resultados e dando apoio técnico e financeiro. Diretório UTPMP- Brasil O diretório é composto por um Presidente: Mario Navarro, Vice-Pre- sidente: Fernanda Lima, Secretário: Ricardo Moyano e Tesoureiro: José Carneiro. O diretório tem a função de apoiar a diretoria da ONG, definindo em conjunto as diretrizes e estratégias a serem adotadas. Este também é o responsável legal pela organização. Diretoria Social – Fernanda Lima É a principal responsável pelo cumprimento da missão e visão que de- finem Um Teto para meu País. Busca atingir os objetivos e metas ge- rais do projeto e especialmente as metas de construções e dos planos de intervenção social. Também preza pelo cumprimento dos valores institucionais e é diretamente responsável pelo bom funcionamento das seguintes áreas: Diretoria de Construção – Ricardo Montero Área responsável por toda a logística da construção, pelo estudo do modelo de casa e a adequação à realidade das favelas brasileiras. Tam- bém é responsável por identificar e entrar em contato com possíveis comunidades a serem trabalhadas. Entre as principais tarefas estão: a pesquisa de novas favelas, a aplicação de questionários sócio-eco- nômicos às famílias interessadas no projeto, a elaboração do guia de construção, identificação dos principais casos e realização do acompa- nhamento destas famílias. Esta Diretoria é dividida entre outras duas subdiretorias: Logística (Erick Tagawa e Carolina Gusson) Sub-diretoria responsável pela "estratégia" da construção. Define como os materiais serão transportados, analisa os terrenos (RSAL), realiza contato com fornecedores. É ainda responsável pelas ferra- mentas e pelos processos de construção. Detecção (Laís Matuissi) Sub-diretoria dividida em Pesquisa (Cris Lima), Contatos (Ariel Macena), Enquetes (Rodrigo Gama), Construção (Márcia Trento) e Banco de Dados (Ana Lucia Spínola). A função dessa diretoria é a escolha das comunidades e famílias que serão beneficiadas pela aplicação do questionário socioeconômico e o rankeamento dos resul- tados. Ela também é responsável pelos contatos com novas comunida- des, pelo acompanhamento das casas e famílias e pelo pós construção (processo denominado APOS). Diretoria de Formação e Voluntariado – Daniel Pucci Coordena as relações do Teto com voluntários e universidades. É a área de Recursos Humanos da organização. É responsável pelo banco de dados com informações de todos os voluntários, pelas campanhas realizadas nas faculdades e pelo melhor aproveitamento de cada jo- vem na sua área de interesse. Além disso, se preocupa com a conscientização dos voluntários, rea- lizando encontros, discussões de textos e outras atividades. Também define quais serão as atividades desempenhadas durante o processo de construção, elaborando um guia de formação, o qual contém os horários desde a chegada até a partida, contatos importantes e textos reflexivos, de acordo com um tema que será definido. Este guia será entregue para o voluntário no primeiro dia da intervenção. A diretoria é dividida em quatro subáreas, sendo elas: • Subárea de Gestão de voluntariado (Carolina Hernandes): é res- ponsável pelo acompanhamento das outras áreas do Teto, pela orga- nização das atividades do voluntário, dos Cine Debates, exposições, seminários, Reuniões Gerais/debates internos e pelo banco de dados de voluntários. miolo_teto14.indd 37 21/05/10 07:02
  38. 38. 38 atuação do teto: Estrutura Interna do Teto • Subárea de Construção (Gustavo Aguiar): responsável pela esco- lha e capacitação do staff, apoio na formação da construção, detec- ções e em acompanhamentos. • Subárea de Campanha (Guilherme Mejias): responsável pela capta- ção de voluntários nas faculdades e atividades formativas nas mesmas, apoio à equipe de comunicação nas campanhas institucionais e con- trole do banco de dados de campanhas/contatos. • Subárea de Pesquisa e Extensão (Pablo Férres): responsável pelo planejamento para a segunda fase (Pré-CIS), apoio na formulação de debates internos e externos, apoio à pesquisas acadêmicas e parcerias com centros de pesquisa. Diretoria Comercial – Aline Ferraz É a co-responsável por liderar o projeto e manter o espírito da organi- zação junto com o Diretor Social. Deve zelar pela transparência e boa administração dos recursos da instituição, desenvolver estratégias co- merciais que estejam de acordo com a missão e visão do projeto, for- talecer e consolidar a marca e imagem institucional para a sociedade. É diretamente responsável pelo bom funcionamento das seguintes áreas: Diretoria de Recursos - Marcelo Marzagão É a área que planeja e concretiza a relação da organização com o setor privado e os doadores. É responsável pela captação dos recursos ne- cessários para financiar todas as ações realizadas pelo Teto. Esta diretoria é dividida em cinco subáreas: • Fundos (Julio Lima): é responsável por inscrever o Teto em diversos fundos, prêmios e editais, tanto nacionais, quanto internacionais para a captação de recursos. • Plano de Sócios (Leo Canabarro): é responsável pela relação com os doadores do Teto, visando manter a transparência dos investimentos e aumentar o número de associados. • Eventos (Daniele do Prado): preza pela excelência dos eventos da ONG, a fim de proporcionar melhor captação de recursos. • Empresas (Marisa Santos, Marcelo Marzagão, Fernanda Lima, Ana Calixto, Rafael Brosco): é a equipe responsável pela prospecção de empresas para parcerias em dinheiro, produtos ou doações de mate- riais utilizados nas construções. • Construção Corporativa (Fernando Haddad): esta subárea preza pela qualidade em construções corporativas, proporcionando boas experiências com os parceiros, para que estes construam novamente com a organização. Diretoria de Comunicação e Marketing – Joana Ricci A área de comunicação e marketing divulga todas as ações da organi- zação de forma a reforçar o seu posicionamento perante a sociedade. Entre as principais funções dessa diretoria está o relacionamento com os meios de comunicação, organização de eventos, preparação de porta-vozes, registro das aparições na mídia, comunicação inter- na e gestão de alianças com empresas estratégicas. A área de comunicação é subdividida em Criação (Bruna Me- nezes), Relações Públicas (Leo Canabarro), Assessoria de Imprensa (Camila Rossi), Web/Multimídia (Júlio Lima) e Eventos (Fernanda Palhares). Diretoria de Administração e Finanças – Lucas Terra Área responsável por zelar pela correta aplicação dos recursos ar- recadados pelo Teto, garantindo a transparência nas questões ad- ministrativas e contábeis. Também é responsável pelos contratos e pagamentos de salários. Diretoria Jurídica - Alessandro Melo Área responsável por manter toda informação jurídica necessária para o funcionamento da organização, elaborando contratos, termos de parceria, estatuto, entre outros. miolo_teto14.indd 38 21/05/10 07:02
  39. 39. atuação do teto: Conscientização 39 3.4 Conscientização Existem diversas instituições não governamentais e programas do governo que visam minimizar a pobreza extrema, causada por diver- sos problemas estruturais, os quais o governo está distante de resol- ver. Neste cenário, a organização Um Teto para meu País objetiva melhorar, o mínimo possível as condições de vida das pessoas que vivem nesta situação, enquanto o poder público não consegue solu- cionar tal problema. Para atingir seu objetivo, o Teto denuncia a condição da miséria brasileira com a intenção de mobilizar todos os setores da sociedade em prol da causa. Apesar de não ter planejamento de co- municação e nem foco em mídia, o projeto consegue utilizar, de ma- neira superficial, diversos meios para conversar com seus públicos de interesse. Seguem na página seguinte suas principais ferramentas de comunicação: Parte dos diretores da ONG conversam durante reunião no escritório de São Paulo miolo_teto14.indd 39 21/05/10 07:02
  40. 40. 40 atuação do teto: Conscientização www.umtetoparameupais.org.br Considerado o principal meio de comunicação com seus stakeholders. A sua arquitetura de informação é simples, rápida e contém material didático completo a respeito da ONG e seus projetos atuais. Além de ser o canal de inscrição dos voluntários. Este meio é distribuído com periodicidade para seus stakeholders mais próximos, como parceiros e voluntários. Este serve para comunicar os acontecimentos atuais, informando datas, resumo dos eventos, suas principais atuações e procedimentos para futuras ações. Existem dois tipos de boletins: o semanal (relativo ao Brasil) e o mensal (relativo à América Latina e escrito em espanhol - como visto ao lado). Em 2009, o Teto percebeu que era importante estar nas redes sociais, já que seu principal público de interesse (voluntários) está presente diariamente alimentando esses canais com informações, que por muitas vezes podem facilitar o trabalho do Teto de acordo com a sua relevância. As principais redes sociais em que a ONG está presente são: Orkut e Twitter, com mais de 1000 membros cada um; e o Facebook, no qual consegue alinhar sua comunicação com os outros países pertencentes ao projeto. www.umtetoparameupais.org.br/blog Este canal de comunicação serve como uma mídia de apoio, pois nele encontram-se textos de diversos autores e assuntos que permeiam de alguma forma o combate a pobreza extrema no país. O layout é simples e seu conteúdo é relevante para o público em questão. a) Site UTPMP - Brasil b) Blog UTPMP - Brasil d) Redes Sociais c) Boletim Institucional miolo_teto14.indd 40 21/05/10 07:02
  41. 41. atuação do teto: Conscientização 41 Pelo menos uma vez por semestre, a equipe de Comunicação e a de Formação se unem para elaborar um Seminário que tem como finalidade discutir temas que estejam ligados aos objetivos institucionais do Teto. Normalmente ocorre em alguma universidade, na qual o projeto já esteja presente e conta com a participação de palestrantes especialistas no assunto para mediarem e levantarem dados para o seminário. Banner do 2° Seminário Nacional, ocorrido em Maio de 2009 e) Seminários Sem uma periodicidade definida, a organização produz festas, coquetéis e leilões beneficentes com intuito de levantar recursos para construções. Também são realizados eventos com empresários e demais investidores para divulgação do trabalho da ONG em busca de parcerias fixas e as chamadas “Coletas”, nas quais grupos de voluntários vão pedir dinheiro abordando carros e pessoas em determinadas ruas e avenidas de São Paulo. O evento que mais trouxe retorno financeiro ao Teto foi uma coleta realizada em agosto de 2009, que arrecadou R$ 39.000,00. Vale ressaltar que este evento envolveu mais de 400 voluntários, demandou um alto tempo de planejamento e obteve grande divulgação na mídia. Além disso, anualmente o Teto faz sua campanha institucional com duração de aproximadamente 15 dias, com objetivo de divulgar o projeto da ONG na mídia e para a sociedade em geral.Aoutra campanha realizada anualmente é a Universitária, com o objetivo de atingir os jovens para que se tornem voluntários. É composta por palestras, seminários, sessões de filmes e exposições nas principais universidades. Em novembro de 2009, foi realizado pela primeira vez no Brasil o "Teto in Concert", show existente em todos os países nos quais a organização está presente, com o objetivo de captar recursos. Por causa da inexperiência dos voluntários com a organização de eventos e a falta de planejamento e divulgação, houve prejuízo. Em outros países, o evento é muito conhecido e gera bom retorno financeiro. f) Eventos miolo_teto14.indd 41 21/05/10 07:02
  42. 42. 42 atuação do teto: Conscientização Convite enviado por email para a coleta de Agosto/2009. Participação de 410 voluntários nas ruas de São Paulo Voluntário aborda carro em coleta de Agosto/ 2009 Avenida Jabaquara miolo_teto14.indd 42 21/05/10 07:02
  43. 43. atuação do teto: Conscientização 43 Convite enviado por email para a detecção de Abril/2010, em comunidades de Osasco e Guarulhos Participação da ONG no V Fórum Urbano Mundial, no Rio de Janeiro Março 2010 Cartaz de divulgação do evento Teto in Concert Novembro/2009 Toda a verba arrecadada será revertida para a ONG Um Teto para meu País - Brasil apresentações: e banda Jottacê! Seu Bené e os Poetas da Malandragem batalha de mc´s com Marcello Gugu e convidados Pagamentos somente em dinheiro ou cartões de débito música para construir 26 de novembroa partir das 21h Espaço Viva São Paulo Rua das Fiandeiras, 966 Ingressos antecipados: R$ 20,00 Para mais informações: 3675-3287 Dj´s Glaucio A. e João Marcelo apoio: Jornada de Formação Março/2010 miolo_teto14.indd 43 21/05/10 07:02
  44. 44. 44 Nome do capítulo: Nome da seçao miolo_teto14.indd 44 21/05/10 07:02
  45. 45. os 3a's 45 4 Os 3A's Com base na teoria dos 8 Ps de Chirstopher Lovelock e Lauren Wri- ght, presente no livro Marketing de Serviços, o grupo desenvolveu uma metodologia própria para analisar o ambiente interno da orga- nização. Desse modo, o marketing mix composto por Elementos do Produto, Lugar e Tempo, Processo, Produtividade e Qualidade, Pes- soas, Promoção e Educação, Evidência Física e Preços e os Custos do Serviço foi adaptado para o conceito dos 3A’s que em resumo são: Aportes Os recursos necessários para a organização funcionar com excelên- cia. Trata-se das matérias-primas, mão-de-obra e os processos que devem estar em harmonia para o bom desenvolvimento do projeto. Administração É a maneira como a organização deve conduzir os negócios a fim de tornar os processos claros e organizados e fazer com que os Aportes sejam administrados com eficiência. Ativação O modo com que a organização faz o processo todo acontecer. É res- ponsável por definir a maneira mais eficiente de conduzir os Aportes e desempenhar uma boa Administração, com o intuito de fazer com que o Teto exerça suas atividades com êxito. Também é responsável por desenvolver programas para captação de recursos financeiros. Para transparecer a visão do grupo sobre o que uma organização precisa para atuar com eficiência, foi adaptada a teoria da roda da estratégia competitiva, desenvolvida por Michael Porter no livro Es- tratégia Competitiva, a qual analisa as políticas operacionais básicas da organização. Assim, pode-se concluir que para atingir suas metas e objetivos é imprescindível que o Teto se apóie nos três pilares: aportes, administração e ativação e que eles, em conjunto, sejam res- ponsáveis por gerar o crescimento da sua atuação. Esse raciocínio permite afirmar que uma administração efi- ciente, com processos claros e bem definidos conduzirá melhores formas de ativação perante os stakeholders, que conseqüentemente implicará no aumento dos recursos para a organização. Tal processo deve ser contínuo e atuar como um círculo virtuoso para o Teto. Aportes Ativaçã o Admini stração miolo_teto14.indd 45 21/05/10 07:02
  46. 46. 46 os 3a's: Aportes 4.1 Aportes Os aportes são todos os recursos que a organização precisa para garantir o seu bom funcionamento. São compostos principalmente pelos recursos financeiros, matéria-prima e mão-de-obra. Recursos financeiros Os recursos financeiros da ONG são investidos em despesas admi- nistrativas e construções. Outras formas de aplicação deste capital, como a utilização em campanhas, não são comuns dentro da orga- nização. Sua renda é proveniente da matriz chilena (Escritório Cen- tral), do plano de sócios, de doações de empresas e pessoas físicas, construções corporativas, o valor pago pelos beneficiários e eventos realizados pelo Teto. Segue descrição de como cada fonte de renda contribui com a ONG: a) Escritório Central Chile: Os custos administrativos são os úni- cos gastos fixos do Teto no Brasil e totalizam cerca de R$ 15.000,00, divididos em salários (três diretores trabalhando em tempo integral recebendo R$ 2.000,00 e três meio período, com salários de R$ 800,00) e despesas do escritório como aluguel, conta de luz, água, internet e telefone. O escritório central do Chile repassa parte destes custos ad- ministrativos, em dólar, para ajudar a filial Um Teto Para Meu País - Brasil a arcar com suas despesas. Porém, essa renda mensal será cortada pela matriz em 2010, com o argumento de que a organização já está no Brasil há quatro anos e deve se manter sozinha. b) Plano de Sócios: É a fonte de renda mensal com valores fixos doados por pessoas físicas e jurídicas para a organização.Atualmente esse plano contribui com apenas R$ 500,00 mensais. c) Parceria com empresas: A negociação com empresas, buscando alguma forma de contribuição, seja com patrocínio de materiais, ver- ba, apoio institucional ou criação de peças publicitárias. A ONG ainda não conseguiu nenhuma doação fixa de capital prove- niente de empresas ou patrocínios duradouros, porém já fez ações isoladas em parceria com a Oi FM, Jokerman, Mica, Elemídia e TV Minuto, e já obteve patrocínio de materiais impressos, banners, fer- ramentas para construção, ônibus e caminhões para transporte dos voluntários e materiais. d) Construção Corporativa: Este tipo de construção é responsável pela maior parte da arrecadação de recursos, porém sua freqüência é instável, tornando o Teto altamente dependente das empresas que constroem. e) Valor pago pelos beneficiários: O custo dos materiais para cada habitáculo do Teto é de aproximadamente R$ 2.500,00. As fa- mílias que recebem os habitáculos contribuem com 10% do valor, os quais podem ser parcelados em até seis vezes. f) Eventos: Sem uma periodicidade definida, a organização produz festas, coquetéis e leilões beneficentes com intuito de levantar recur- sos para construções. Também são realizados eventos com empresá- rios e demais investidores para divulgação do trabalho da ONG em busca de parcerias fixas e as chamadas “Coletas”, nas quais grupos de voluntários vão pedir dinheiro, abordando carros e pessoas em determinadas ruas e avenidas de São Paulo. O evento que mais trouxe retorno financeiro ao Teto foi uma coleta realizada em agosto de 2009, que arrecadou R$ 39.000,00. Vale res- saltar que este envolveu mais de 400 voluntários e demandou um alto tempo de planejamento. Em novembro de 2009, foi realizado pela primeira vez no Bra- sil o "Teto in Concert", show existente em todos os países nos quais a organização está presente, com o objetivo de captar recursos. Por causa da inexperiência dos voluntários com organização de eventos e a falta de planejamento e divulgação, houve prejuízo. Em outros países, o evento é muito conhecido e gera bom retorno financeiro. miolo_teto14.indd 46 21/05/10 07:02
  47. 47. os 3a's: Aportes 47 Matéria-prima O habitáculo é construído com 10 painéis pré-fabricados por marceneiros, contando muitas vezes com a ajuda de voluntários. Para montar um painel são necessárias ferramentas como: serra circular, serra de mesa, esquadro e martelos. Para a construção de uma moradia, é preciso: cavadeiras, alavancas, serrotes, formões, martelos, pás, trenas e mangueiras para nível (evitando que as bases do habitáculo fiquem tortas. Este material é disponibilizado pela ONG, porém os voluntários podem levar seus próprios utensílios (como martelos, trenas e chaves de fenda). Os materiais necessários estão listados na tabela abaixo: Por realizar intervenções aproximadamente a cada dois meses, o Teto não tem ganho de escala em suas compras, o que encarece o preço dos materiais. Também não há estrutura logística para cons- truir em lugares de difícil acesso e para a realização de grandes construções em um curto espaço de tempo. Mão-de-obra Os voluntários do Teto são, em sua maioria, jovens universitários de diversas áreas, o que permite uma multidisciplinaridade e con- seqüentemente novos conhecimentos para as equipes. Porém, são inexperientes, assim como os diretores da organização. Além disso, existem poucos contratados e não há um grande comprometimento dos diretores e coordenadores das áreas, o que proporciona mais er- ros e empecilhos aos processos. Figura 13: Materiais por Casa (FONTE: Dados da ONG) Qtdade/casa R$/unidade Total Caibros (5x5x300 cm) 85 R$ 4,30 R$ 365,50 Vigas Secundárias (2,5x10x300 cm) 9 R$ 3,80 R$ 34,20 Tábua Painéis (1,2x20x300 cm) 110 R$ 6,90 R$ 759,00 Viga de Piso (5x10x300 cm) 6 R$ 13,50 R$ 81,00 Tábuas Piso (2,5x15x300 cm) 45 R$ 9,80 R$ 441,00 Porta e Janela 4 R$ 2,15 R$ 8,60 Pilotis 15 R$ 4,00 R$ 60,00 Kg/casa R$/Kg Total 17 x 21 5,0 R$ 7,20 R$ 36,00 19 x 36 3,5 R$ 5,40 R$ 18,90 22 x 42 1,5 R$ 5,40 R$ 8,10 22 x 48 1,0 R$ 5,40 R$ 5,40 Telheiro 1,5 R$ 13,80 R$ 20,70 Un/casa R$/unidade Total Telha de Fibrocimento 24 R$ 6,00 R$ 144,00 Cumeeira (Macho / Fêmea) 16 R$ 3,20 R$ 51,20 Telha de papel (opcional) 35 R$ 3,50 R$ 122,50 Un/casa R$/unidade Total Marcineiro 1 R$ 370,00 R$ 370,00 Dobradiças 7 R$ 1,10 R$ 7,70 Parafusos 42 R$ 0,20 R$ 8,40 _ Total Madeira R$ 1.749,30 Total Pregos R$ 89,10 Total Telhas R$ 195,20 Total Outros R$ 386,10 Geral R$ 2.419,70 Madeira (utilizada para a construção dos painéis e da casa) Telhas Pregos Outros Materiais por Casa miolo_teto14.indd 47 21/05/10 07:02
  48. 48. 48 os 3a's: Aportes Outra situação desfavorável é o tempo limitado de dois anos que cada diretor pode exercer seu trabalho. No término desse prazo, quando teoricamente já aprendeu todo o funcionamento da ONG e seus pro- cessos, o diretor tem de trocar de área ou então deixar o cargo. Nesse processo, não há etapas de transição definidas, ocasionando grande perda de informações, por não haver um registro central de arquivos e a manutenção do histórico de cada diretoria. Os processos de contratação no Brasil são definidos entre o escritório central do Chile e a equipe local. Embora os voluntários ou funcionários do Teto sejam encorajados a se candidatar para novas vagas, não há um plano de carreira definido. Os processos de seleção para vagas em outros países são ad- ministrados pelo escritório central e também não tem políticas bem definidas. A possibilidade de trabalho no exterior é bem recente e vem aumentando a cada ano. Esse processo tem critérios específicos que também são definidos entre o escritório central e o local. Existem dois tipos de perfis de voluntários que estão aptos para trabalhar em outros países, os quais: 1) Voluntários que se destacam, dentro da equipe local e que podem ser capacitados trabalhando em outro país, para voltar e trabalhar para o escritório de origem; 2) Voluntários “premium” que poderiam ocupar algum cargo de comando dentro da equipe local, mas não conseguem vaga e, portanto, buscam desempenhar funções-chave em outros países. Apesar desta priorização de voluntários para trabalhar em outros países, a equipe central do Brasil não executa programas de rela- cionamento para motivar e fidelizar os voluntários que se dedicam ao Teto. Além de gerar falta de reconhecimento, a ausência desses programas causa grande instabilidade no tamanho das equipes, pre- judicando seu funcionamento. Outro fator que também causa volatilidade nas equipes é a possibilidade de qualquer pessoa ir às reuniões das diretorias, tor- nando o nível de descomprometimento maior, de alguma forma. Essa situação deve ser controlada para proporcionar estabilidade e melhor desempenho das equipes. Na organização e execução de grande parte das ações que a ONG realiza, a gestão dos voluntários deveria ser melhor estruturada, visto que diversas pessoas param de trabalhar em suas áreas para su- prir a nova demanda gerada por esta ação. O Teto tem cadastrado em seu banco de dados, mais de 4.000 interessados pela ONG, sendo que destes 1.800 já construíram uma vez e 800 pelo menos duas vezes. Deste total, apenas 80 voluntários trabalham na equipe central. miolo_teto14.indd 48 21/05/10 07:02
  49. 49. os 3a's: Administração 49 4.2 Administração Os principais problemas administrativos do Teto são: Faltade processos bem definidos: não há integração entre as equi- pes. Para minimizar parte deste problema, a ONG realiza reuniões semanais com os diretores com a finalidade de atualizar os demais dirigentes sobre os acontecimentos recentes, porém não há feedback da reunião para os voluntários. Comunicação do Teto não é padronizada: inexiste linguagem vi- sual e tom definido. Além disso, conta com uma comunicação interna ineficiente, pois não há um responsável direto por enviar mensagens aos voluntários, ocorrendo inúmeras vezes o envio de informações erradas ou repetidas. Falta de um banco de dados que permita o relacionamento com os voluntários. A organização conta com um sistema de banco de dados internacional, porém o Teto do Brasil não o utiliza por estar em espanhol. Estrutura física precária: o escritório central não tem computa- dores suficientes para todos os diretores (muitos trabalham com seus notebooks), e nem espaço físico para a realização de reuniões. Faltade programas de metas paravoluntários: não há métricas de eficiência. Já ocorreu dentro da organização, fatos como a perda de uma construção por demora para responder e-mails e o congelamento de uma subárea por longo período de tempo, pois o diretor estava ocupado com outras tarefas. miolo_teto14.indd 49 21/05/10 07:02
  50. 50. 50 os 3a's: Ativação 4.3 Ativação O Teto não tem muitos programas que geram ativação de seus stakeholders. Os mais comuns são: A maioria das campanhas da organização é pontual, sem freqüência definida e sem métodos de mensuração. O único stakeholder que o Teto se relaciona com certa freqüência é seus voluntários, porém a comunicação é fraca e difusa. Não há programas de relacionamento com os outros públicos, como empresas que já construíram com o Teto, governo e universidades, deixando de criar oportunidades em busca de novas parcerias. Um ponto importante a ser ressaltado é que não há um plane- jamento estratégico e nem de comunicação da organização de modo abrangente. Existe, atualmente, um planejamento anual, focado em construções e com alguns eventos no calendário, porém não constam ações que demonstrem como a organização irá conseguir os aportes necessários para tais realizações, aumentando as chances de fracassar em seu planejamento, como ocorreu nos anos anteriores em que ficou abaixo de sua meta inicial. Tais ações deveriam ser planejadas visando obter ganhos para todas as áreas da instituição, mobilizando seus stakeholders em prol de sua causa, garantindo o bom funcionamento das outras duas en- grenagens e consequentemente, aumentando a produtividade e efici- ência da organização. - Campanhas para inscrição de voluntários nas construções; - Reuniões mensais para novos voluntários com explicação das áreas; - Envio de press releases para a imprensa perto da data de eventos; - Campanhas institucionais que ocorrem uma vez por ano, com o objetivo de criar imagem; - Campanhas de voluntariado que ocorrem poucas vezes ao ano; - Campanhas para eventos específicos, como Coleta, Teto in Concert e coquetéis; - Campanha para sócios e retornos às favelas. miolo_teto14.indd 50 21/05/10 07:02
  51. 51. miolo_teto14.indd 51 21/05/10 07:02
  52. 52. 52 Nome do capítulo: Nome da seçao miolo_teto14.indd 52 21/05/10 07:02
  53. 53. stakeholders 53 5 Stakeholders A organização Um Teto para meu País, deve manter o bom relacio- namento com todos os públicos com a qual interage, pois necessita da ajuda de terceiros para continuar exercendo sua função. Segundo Harrison “a formação de parcerias é uma forma de aproveitar as van- tagens das oportunidades que surgem no ambiente externo”, poden- do ajudar a atingir objetivos organizacionais semelhantes. Atualmente o relacionamento do Teto com seus públicos não é planejado, pois não mantém histórico de sua relação, não estabelece metas de potencial de crescimento da parceria, perde contatos com fu- turos fornecedores e não cria planos de negócios que sejam vantajosos para ambos os lados. A falta de CRM e de um banco de dados bem es- truturado é um fator altamente relevante para a gestão desses contatos. Os públicos de interesse que se relacionam com o Teto são: voluntários, empresas, governo, imprensa, doadores, beneficiários, universidades e fornecedores. Para manter um bom relacionamento com cada público de interesse, o Teto deve mantê-los informados, divulgando fatos relevantes com uma freqüência adequada, gerando um canal aberto de negociação e feedback. miolo_teto14.indd 53 21/05/10 07:02
  54. 54. 54 stakeholders: Análise dos Stakeholders 5.1 Análise dos Stakeholders A análise dos stakeholders permite agrupá-los, com base em duas variáveis: o grau de influência e a importância que cada público tem com a organização. Dessa maneira, é possível entender a necessidade individual de cada um e assim desenvolver e direcionar ações específicas. Quadrante A Nesse quadrante estão sendo considerados os stakeholders-chave para o bom desenvolvimento do projeto. Trata-se de públicos que têm alto grau de influência e importância, por isso, é importante o desenvolvimento de ações diferenciadas para cada um deles, com o intuito de criar relacionamento e fidelizar estes públicos que são fundamentais para atender os objetivos do Teto. Voluntários Os voluntários do Teto têm alto grau de importância e influência, uma vez que sem eles o projeto seria inviável. Eles são, em sua maioria, jovens universitários (95%), das classes sociais A e B, pertencentes a diversas faculdades públicas e privadas, que se voluntariam por ter visto o trabalho da ONG em algum meio de comunicação ou são convidados por amigos/familiares para participar. Existem dois tipos de voluntários: os que apenas constroem e não se comprometem com a organização e os que fazem parte da equipe central, auxiliando no planejamento de suas ações. Estão pre- sentes nesse quadrante, pois apresentam alta importância e influên- cia para o desenvolvimento e qualidade dos projetos. O Teto conta com a participação de cerca de 1.800 jovens, dos quais apenas 80 fazem parte da equipe central. Um dos proble- mas que o Teto encontra é a falta de controle sobre seus voluntários, uma vez que há grande instabilidade para mantê-los nas áreas. Os principais fatores motivacionais dos voluntários do Teto é a recom- pensa pessoal por trabalhar a favor do bem-estar social e a importân- cia para o currículo. Empresas Existem dois tipos de empresas que se relacionam com o Teto: aquelas que contribuem financeiramente e fazem construções coorporativas (Empresas Tipo 1) e as que prestam serviços gratuitos a fim de atender alguma necessidade da organização (Empresas Tipo 2). Neste quadrante se encaixará apenas as empresas tipo 1 devido à fonte de recursos que pode gerar para a organização. Figura 14: Matriz Stakeholders. FONTE: Department for Internacional Development - 1993 miolo_teto14.indd 54 21/05/10 07:02
  55. 55. stakeholders: Análise dos Stakeholders 55 Empresas Tipo 1: São empresas que contribuem financeiramente com oprojetoerealizamconstruçõescoorporativas.Algumasdasprincipais empresas que já se relacionaram com o Teto foram a C&C, Wal-Mart, GE, Goldman Sachs, JP Morgan, Disoft, Coral e FunDesign. Segundo enquete realizada pelo Teto com 73 voluntários da empresa Prosegur, todos desejam voltar a participar das construções e acreditam queaempresadevecontinuarcomestaatividade.Para66entrevistados a experiência geral foi excelente. O fator mais mencionado em "o que mais gostou no projeto" foi o fato de poder ajudar outras pessoas e a maior parte das inscrições foi feita pelo fato de querer realizar um trabalho voluntário. Como visto, o grau de satisfação dos funcionários é extremamente alto, facilitando a elaboração de programas de relacionamento e benefícios capazes de incentivar ainda mais as intervenções e também a contribuição financeira, pois é deste tipo de recurso que o Teto apresenta maior carência. Para tal finalidade, o Teto deve procurar empresas que compartilham dos mesmos valores e ideais, potencializando as parcerias e tornando-as duradouras. Doadores Os doadores são pessoas físicas que estão dispostas a contribuir com o Teto. Os principais são parentes dos voluntários, que colaboram devido ao alto grau de importância que os jovens dão ao projeto e pessoas que tiveram contato com a ONG em algum evento realizado. Contar com a contribuição de doadores comprometidos é imprescindível para uma organização, que depende da doação de recursos financeiros para desenvolver seus projetos. Atualmente o Teto tem um número insignificante de doadores, caracterizando em doações casuais, sem comprometimento e preocupação com os resultados gerados pela contribuição. ' Imprensa e Meios de Comunicação A imprensa e os meios de comunicação são stakeholders que atualmente apresentam alguma importância e influência. É imprescindível monitorar esse público para que haja evolução no grau de relacionamento, já que ele é o responsável por formar uma imagem de marca na mente da sociedade, interferindo diretamente na obtenção de recursos. Assim como muitos projetos desenvolvidos pelo terceiro setor, o Teto tem sua causa pouco conhecida pela população brasileira, devido à falta de uma estrutura comunicacional consolidada e a baixa freqüência de sua comunicação. Desta forma, é essencial que haja intensificação em sua divulgação, tornando seu ideal mais conhecido e sensibilizando a população para que esta entenda seu trabalho e possa, futuramente, realizar algum tipo de contribuição. A divulgação também é importante no processo de construção de marca, pois ela é capaz de transmitir atributos como confiança, comprometimento, transparência e seriedade, com o intuito de atrair doadores físicos e jurídicos. A participação do Teto na mídia pode ser considerada como ação pontual, já que grande parte das aparições ocorre durante uma intervenção ou evento específico. A comunicação com esse público acaba sendo insuficiente para que as metas sejam alcançadas. É fundamental que um projeto do terceiro setor, tenha como meta inicial acompanhar, planejar e registrar todos os acontecimentos e aparições na mídia, não somente do seu projeto e sim do setor inteiro. miolo_teto14.indd 55 21/05/10 07:02
  56. 56. 56 stakeholders: Análise dos Stakeholders Quadrante B Nesse quadrante, estão classificados os stakeholders de alto grau de importância para o bom desempenho do projeto, no entanto tem baixa influência. Beneficiários A busca por melhores condições e perspectiva de vida da população que vive nas favelas é o que faz com que o Teto persista na sua missão de minimizar a pobreza, por meio das intervenções na realidade dessas famílias. Oprocessodeseleçãoparaaescolhadafamíliaaserbeneficiada começa com a realização de visitas a algumas comunidades carentes e a aplicação de enquetes para avaliação sócio-econômicas com os moradores que estejam interessados no projeto. O fato das favelas serem classificadas pelo IBGE como moradias de aglomerados subnormais, fez com que a organização fosse às favelas para saber sobre o perfil das famílias que lá residem. Segundo pesquisa realizada em 2009 nas favelas Projecta, Itajubá, Anita Garibaldi e Santa Emília, pela área de Detecção do Teto, cada pessoa residente nas favelas ocupa, em média, 5m2 de área construída e tem uma renda per capita mensal de R$ 100,00. Contudo, os dados citados não representam a realidade das favelas no Brasil, pois ocorrem muitos casos em que famílias recebem menos de 40 reais mensais, para viver em cinco pessoas, em um espaço de 10m2. São para estas famílias que o Teto trabalha. A faixa etária dessa população é predominantemente jovem, sendo que 14% têm mais de 32 anos e apenas 5% têm mais de 48 anos. Apenas 3% da população das favelas têm quatro cômodos em sua casa; 81% têm banheiros dentro da moradia; 6% fora e 13% não têm banheiro. Em relação aos saneamentos básicos das favelas citadas, 49% não tem acesso à esse serviço e aproximadamente 23% utilizam fossas não tratadas. Apenas 8% são conectados à fossa séptica tratada e 20% estão próximos de esgotos. Quanto ao acesso à rede pública de água, 95% têm água encanada miolo_teto14.indd 56 21/05/10 07:02
  57. 57. stakeholders: Análise dos Stakeholders 57 Família da Dona Sônia, beneficiada na construção de julho de 2009 na Comunidade Jd. Gardênia Azul - Suzano miolo_teto14.indd 57 21/05/10 07:02

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